Legado Lestrange II - Legacy
8 I Still Think About That Night
Notas iniciais

Capítulo 8
Rasalas engoliu em seco olhando Pansy andar de um lado para o outro. Só podia estar pirando. Ela falava alguma coisa que parecia ser bastante séria, era algo sobre Burton... mas ele só conseguia olhar para o corpo esbelto dela. Os seios fartos, a cintura fina, as coxas grossas... céus... as coxas. E a imagem dela só de lingerie não saia de sua mente.
—Rasalas. Você está me escutando? – perguntou ela.
—Completamente. – mentiu deslavadamente – O que vamos fazer? – adicionou por não ter a menor ideia do que ela estivera falando.
—Nós temos que falar com o seu amigo. O Potter.
—Potter? Harry? – perguntou ele perdido.
—Você não estava escutando, estava? – perguntou ela, sorrindo. Rasalas suspirou e negou com a cabeça – O que você tem, Rasalas?
—Eu... meio que estou... – ele a olhou e ela o encarou com as sobrancelhas arqueadas – morrendo de ressaca. Isso. – adicionou. Pansy concordou com um aceno de cabeça.
—Ah, sim. Deveria imaginar. – riu ela dando de ombros – Bem... por que não vai pra casa? Eu falo que você não estava se sentindo bem ou qualquer coisa assim.
—Hum... eu vou ficar pelo menos até o horário do almoço... se eu não melhorar, eu volto pra casa.
—Ok.
Tentou manter-se concentrado, mas estava sendo realmente muito difícil. Eu preciso me controlar... mas a lua cheia está chegando e eu sempre fico extremamente selvagem quando a lua cheia se aproxima...
Pansy explicou que Burton era um Inominável e amigo íntimo do filho do Ministro.
—Ele é bem mais velho que o Prometeus, não? – perguntou Rasalas enquanto ele e Pansy iam para um restaurante almoçar.
—Sim. Mas eles são amigos assim mesmo. – respondeu ela – E ele é só uns dez anos mais velho. Sua diferença pra Lupin é bem maior.
Rasalas deu de ombros, concordando com aquilo.
—É, mas Lupin quase entrou pra família, sabe? – perguntou sorrindo.
—Burton também. Ele quase casou com a irmã mais nova do Kingsley. Mas ele preferiu a Green, sabe-se lá porque. – riu Pansy.
—Se ele é um bruxo das trevas, ele provavelmente iria preferir uma noiva que...
—Ras, só porque ele é corrupto, não quer dizer que ele seja um bruxo das trevas.
Ele concordou com a cabeça. Mas por algum motivo pensava que alguém tinha dito que ele era um bruxo das trevas... mas bem. Se Pansy não sabia sobre isso, ele provavelmente não era.
Quando o horário de almoço chegou, foram num restaurante trouxa ali perto. Comeram calmamente com ele tentando se lembrar o que tinha acontecido na noite anterior.
—Eu acho que você não foi falar com a Daphne. Não é? – ralhou Pansy.
—Não... não fui. – resmungou ele.
—Céus, Rasalas. Me ajuda a te ajudar! Você deu um bolo nela? Não vou ficar surpresa se ela estiver no maior amasso com alguém ai. Alguém que ela tenha conhecido no bar trouxa.
—Como você... – ele começou – Ah... eu não vou perguntar como você sabe que ela foi pra lá.
—Você me contou ontem à noite. Era por isso que você queria muito reviver o dia do Veneno de Fada.
—Eu nunca mais vou beber. – resmungou. Pansy sorriu achando graça.
—Foi até legal, sabe... passei um tempinho considerável obcecada por você... ver você tão louco pra entrar nas minhas saias foi bom pro meu ego.
—Seu ego já é inflado o suficiente, Pansy. – resmungou comendo um pedaço sangrento de bife.
—Nunca é o suficiente quando o assunto é meu ego, amor. – riu ela. Rasalas riu também.
—Obrigado por cuidar de mim e me desculpe por qualquer coisa.
—Relaxa, fofo. Somos amigos. Você teria feito a mesma coisa por mim. E eu só faria isso por você e Emília, que são, basicamente meus únicos amigos que não pensam que eu sou uma enviada do Tinhoso pra causar o mal na terra.
Rasalas deu uma risadinha e segurou a mão dela, para acariciá-la com o polegar.
—Você é ótima, Pansy. Pra mim você é mais um anjo do que um enviado de Satã... um anjo meio capetinha, é verdade... mas quem é perfeito, certo?
Pansy riu sem jeito, recolhendo a mão e ele notou que ela corou de leve. Ele também ficou sem jeito pelo momento e tossiu para chamar o garçom e pedir um suco.
—Acha que teríamos dado certo? – perguntou ela apoiando o queixo numa mão, olhando para o horizonte.
—Eu não sei. – respondeu ele – Você acha?
—Não. – riu ela – Você sempre foi apaixonado pela Daphne. – adicionou ela – Por um tempo foi um demente que se recusava a aceitar isso... mas sempre foi tão óbvio quanto o Damian e a Alhena... acho que foi por isso que eu acabei gostando de vocês dois... esse sentimento determinado e insistente de vocês... infinito... eu queria pra mim, mas... – ela suspirou e o olhou obliquamente com um sorriso gentil – Eu nunca conquistei esse sentimento. Nem uma vez que fosse... eu consegui sua amizade, o que foi algo maravilhoso... mas do Damian só veio desprezo... – ela suspirou e esfregou as mãos umas nas outras – Mas eu até entendo... eu fui meio horrível com ele.
—Por que diz isso? – perguntou.
Pansy sorriu parecendo quase infeliz.
—Prefiro não falar sobre isso, ok? – perguntou ela.
—Foi por conta da poção do amor?
—Não fui eu quem deu aquilo pra ele. – respondeu ela – Foi alguém usando algum fio de cabelo meu, mas não faço ideia de quem... talvez tenha sido o Vince... ele odiava a Lena.
—Mesmo? – perguntou Rasalas.
—Sim. Ela teve aquela fase de negar o próprio sangue e depois virou a queridinha do Lorde das Trevas... – ela soltou um suspiro – Talvez ele tenha ficado com ciúmes ou inveja... vai saber... – murmurou ela. – Você sabia que ele e o Greg transaram no dia do Veneno de Fada?
—O QUE? – perguntou ele, chocado.
—Sim. O Greg é bi. Ele confessou pra Emilia um dia desses que já tinha tido uns lances com uns primos dele... mas você nunca soube disso, ouviu?
—Céus, Pansy... – disse rindo – Só você pra me fazer rir num momento desses da minha vida.
—Tô aqui pra isso, fofo. – riu ela com outro sorriso e logo os dois estavam rindo sem motivo algum. – Eu vou tentar te ajudar nesse momento da sua vida, ok? Com a Daphne.
—Não precisa. Ela vai só ficar com mais raiva. – resmungou mexendo na comida.
—Ainda assim... e eu vou dar um jeito de ajudar a Astoria e o Draco também... afinal eu devo uma pro Draco.
—Por que? – perguntou ele.
—Eu e o Draco temos uma história. – ela soltou um suspiro – Não tão grave como a minha e a sua... mas mesmo assim uma história. Só minha e dele... e eu preciso pagar uma dívida com ele por isso...
—Me conta? – pediu colocando os cotovelos na mesa e a mirando com atenção. Pansy soltou um suspiro e sorriu se apoiando mais na mesa também. – Ou é um segredo?
—Bem... primeiro Draco me salvou da sua ira, quando eu salvei a Daphne da sua luxúria no dia do Veneno de Fada.
—Ops. Isso é um fato... apesar que depois eu te levei pro armário do mesmo jeito...
—Pois é... – riu ela – Bem... depois do Veneno de Fada... depois... daquela páscoa... – ela soltou um suspiro baixando o rosto – Quando Alhena me escreveu, falando que estava de volta... eu meio que chantageei o Draco a fazer algo pra mim. Ameaçando te contar, sabe? Que ele sabia onde sua irmã estava.
—O que você exigiu dele? – perguntou Rasalas.
Pansy suspirou e negou com o rosto.
—Eu... hum... eu realmente não quero falar sobre isso. – riu ela.
—Me conta. Não vou te julgar. Eu tive meu momento de babaca do ano em Hogwarts também.
—Por exemplo?
—Eu traí a Gina e terminei com ela logo depois que tirei a virgindade dela.
—Céus, Rasalas. Isso foi cruel. – disse ela chocada. Ele deu de ombros.
—Eu disse.
Pansy riu constrangida e suspirou.
—Bem... eu... – ela corou muito – Eu meio que fiz ele transar comigo. Mais de uma vez...
Rasalas deu um assovio.
—Eu não acho que ele deve ter achado ruim... era o Draco.
—É mas eu meio que fui... má... na última vez. – riu ela.
—Como assim? – perguntou ele, chocado.
—Você precisa jurar que nunca, nunca, nunca vai contar isso pra ninguém. – disse ela lhe apontando o garfo.
—Céus. Você usou uma cinta-pau ou coisa assim?
—Eu queria saber como era estar do outro lado, ok?
—MEU MERLIN!
—SHHHHHHI! – disse ela completamente vermelha.
—Pansy, você é sim um monstro. – disse antes de gargalhar. – Cacete! – disse tentando não rir – Isso foi muito cruel.
—Ele mó gostou. – riu ela – Depois de um tempo e de eu jurar que nunca contaria pra ninguém. Mas foi chato pra mim e eu nunca mais quis usar aquilo.
—Ok. Eu pego o meu troféu de babaca do ano pelo que fiz com a Gina e entrego pra você. – disse dando o saleiro para Pansy como se fosse mesmo um troféu. Pansy pegou o saleiro, ainda completamente vermelha – Não é pra menos que ele morre de rancor de você.
—É. Mas você foi a primeira e única pessoa pra quem eu já contei isso. E isso morre aqui! Você me jurou.
—Não se preocupe. Por mais que eu fosse adorar zoar o Draco eternamente por isso eu não contaria. Mas só porque você pediu.
—Não sei o motivo de tanta euforia. Não é ruim depois que você relaxa.
—Eu sei. – disse Rasalas e Pansy o olhou boquiaberta – Daphne já colocou o dedo. Me amarro. – disse dando de ombros – Mas se falarem que você espalhou isso eu vou negar até a morte.
—Ai, Rasalas. Você é tão gracinha. – riu ela – Eu ainda tenho a cinta pau, caso esse papo tiver te dado ideias.
—Há-há-há. – resmungou ele
*
Daphne e Kurt estavam vendo tv. Ela de top e shortinho e ele só de cuecas.
—Ah... que droga. Que saudade de trabalhar... mas minha mãe fechou mesmo a loja... – resmungou ela. Kurt a olhou de soslaio.
—Por que não abre seu próprio negócio? Sua mãe fechou a loja, mas ainda é a dona do lugar... ela não vendeu o espaço ainda, vendeu?
—Não, mas... – ela soltou um suspiro fazendo cócegas nas costelas dele com os dedos dos pés – Bem... tava dando prejuízo e agora eu não tenho um marido rico pra impulsionar os negócios.
—Você ainda não está divorciada, Daph. Só deram um tempo. – disse ele alisando sua canela – Ou você realmente se convenceu a largar ele?
Ela sorriu meio triste.
—Eu não sei se ele vai me querer de volta... e... eu realmente não me sinto segura com ele tendo tantos segredos com aquela mulher... eu detesto ela... ela fez tantas coisas horríveis...
—Vocês supõem isso. – disse ele. Daphne apenas soltou um muxoxo.
—É... mas é quase certeza, sabe? Pansy Parkinson não presta.
—As pessoas mudam, sabia?
—Não ela. – riu Daphne. Kurt sorriu e deitou a cabeça em sua barriga, para que ela o acariciasse na cabeça – Eu te garanto que ela é má.
—Eu sei lá... acho que você poderia respeitar isso... todo mundo tem seus segredos sujos que só confiam pra uma pessoa especial... você sabe disso melhor do que ninguém. – murmurou ele se levantando e praticamente se deitando sobre ela.
—Tá falando só porque eu sei seus segredos sujos.
—E eu os seus. Conheço todas as suas perversões sexuais. – riu ele avançando sobre ela, para lhe morder a bochecha.
—Ai, ai, Kurt... você é ótimo. Ainda bem que você veio pra cá hoje... – murmurou abraçando o primo – Alegrou o meu dia.
—To aqui pra isso, Daph. Sempre que precisar, ok? – perguntou ele a olhando nos olhos – Você sabe que é minha priminha favorita.
**
Draco saiu do quarto depois de um banho comprido e escutou as risadas dos garotos. Suspirou sabendo que nunca teria isso com Astoria e foi seguindo os sons. Alhena estava sentada, montando uma pirâmide com cubos de borracha coloridos, enquanto falava as cores de cada um. Os dois gêmeos a ajudavam a empilhar os cubos, balbuciando qualquer coisa. Apoiou-se no batente da porta, observando os três, achando algo adorável de se ver. Se lembrava de ter visto várias fotos de sua mãe fazendo a mesma coisa com ele, quando era um bebê...
Alhena era uma boa mãe. Nesse tempo que ela estava hospedada em sua casa pode notar isso. Ela era muito dedicada aos dois e parecera bem chateada por Damian não ter aparecido para ver as crianças no Domingo.
O que raios tinha de errado com o Damian afinal?
Soltou um suspiro, sabendo que precisava se desculpar por seu completo descontrole da noite passada. Ele se aproximou da família e se sentou ao lado de Alhena, para pegar um dos cubos e entregá-lo a um dos gêmeos. Eles eram muito iguais e ele não sabia diferenciá-los. Só Damian, Rasalas e Alhena conseguiam.
O garotinho pegou o cubo e o mordeu de leve.
—Desculpe por ontem... eu estava completamente fora de controle. – murmurou constrangido.
—Draco. – murmurou ela. Ele a olhou sem jeito e ela o olhou nos olhos – Eu ainda penso naquele dia do lago. Com mais frequência agora que vim morar com você... por isso acho que... que vir morar aqui foi um erro...
—Eu entendo. – murmurou ele – E eu não estava mentindo. Eu realmente penso naquele dia... mesmo sem a bebida me influenciando... e ainda com mais frequência depois que você veio morar aqui... mas... não acho que isso signifique que foi um erro te acolher... – Draco soltou um suspiro, colocando mais um bloco em cima do outro, mas um dos gêmeos não gostou e derrubou tudo, fazendo o irmão gargalhar. Draco sorriu ao escutar a risada. Gostava muito de risadas de bebês. Tinha descoberto aquilo também – Nós fizemos uma escolha naquela noite... eu escolhi Astoria e você Damian, mas...
Ele se interrompeu e os dois se olharam.
—O que?
—Nós éramos muito jovens... a guerra... nossos traumas... eles nos forçaram a envelhecer demais. Eu e você por conta da Causa... do Lorde das Trevas – ele pegou um cubo e colocou em cima de outro – Rasalas por conta da licantropia... – ele pegou outro cubo e colocou em cima dos outros dois – Damian pelo que Pierre fez com você... aquilo fez ele crescer bastante, apesar dele continuar meio imbecil. – soltou outro suspiro, empilhando mais um cubo – Daphne ao ter a irmã sequestrada e quase morta. Sem falar que todos nós ficamos no castelo, no dia da última guerra... todos nós enfrentamos a morte... todos nós perdemos nossas juventudes muito cedo... – ele colocou outro cubo e os garotos bateram palmas empolgados com a altura que estava ficando – E nós abraçamos a vida de adultos cedo demais... se tivéssemos tido mais tempo... o que teria mudado? O que teria sido diferente? Que escolhas diferentes teríamos tido? – ele pegou outro cubo e o colocou no topo – Eu me pergunto... se você não tivesse engravidado... – mais um cubo – Seu namoro teria virado um casamento mesmo? Eu teria me casado com Astoria? – ele colocou mais um cubo no topo e a pilha desmoronou arrancando mais risadas dos gêmeos – Eu não sei responder. Eu penso e penso e penso novamente... será que... que eu só escolhi Astoria porque você escolheria o Damian? Será que se você não estivesse tão decidida a ficar com ele, eu teria ido atrás de você? Olhe só a nossa história! – ele a olhou sem jeito – Eu sempre fui seu acompanhante nas festas. Eu posso ter demorado um pouco mais pra te notar, mas quando eu notei eu sempre fui sincero com você, inclusive nas minhas canalhices. Damian sempre teve esse papo de “vamos viver felizes para sempre”. Eu nunca te prometi isso... eu sempre tentei ser feliz no “agora”... – ele soltou um suspiro – Esse foi o meu erro? O agora? E não o futuro? E não o “pra sempre”?
—Draco. Você está tentando achar pelo em ovo de dragão. Você não me ama, nunca me amou... não desse jeito.
—De que jeito? – perguntou ele.
—Do jeito que amou a Astoria e do jeito que o Damian me amava, ou ama, não sei...
—E de que adiantou amar daquele jeito. Olhe onde está o Damian. Olhe onde está a Astoria. – ele soltou um suspiro e segurou a mão dela – E olhe onde estamos agora...
Alhena desviou o olhar e puxou a mão.
—Não acho que você está pensando direito. Você está sofrendo e quer tampar o sol com a peneira, Draco. Não vai adiantar. Você tem que resolver seus assuntos com a Astoria.
—Eu fui no Ministério hoje de manhã. – murmurou ele e Alhena o olhou parecendo surpresa – Eu peguei os documentos do divórcio... são dez folhas pra mim e dez folhas pra ela... eu já assinei uma... então... – soltou um suspiro – Eu já estou resolvendo as coisas com Astoria.
—Você está fugindo do problema, Draco.
—Qual o problema de fugir de um problema que não tem solução? – perguntou Draco – Eu preciso de um herdeiro e ela não quer me dar um... isso pra ela é um assunto resolvido, fechado para debate, Lena.
—Você foi com ela em algum curandeiro? – perguntou ela.
—Não. – respondeu simplesmente – Mas ela deve ter ido...
—Deve? Você nem sabe o que está passando com ela, Draco? – ralhou ela. Ele sorriu sem jeito.
—Eu sei o que está passando com ela. Ela está com medo. Com medo. E cansada de enfrentar esse medo. Ela acha que eu só sei de dois abortos. Mas eu sei de todos os outros. Os elfos me contaram... eu sei muito bem que ela é oca. E me magoou que ela não me contasse isso... ela só me “contou” os que eu flagrei... – Draco soltou outro suspiro – Astoria era cheia de segredos também. Coisas que ela deveria dividir comigo. Eu era marido dela... mas... – Draco apertou de leve a bochecha de um dos garotos que brincava de bater o bloco de borracha no chão – Ela simplesmente se recolheu nela mesma e... me isolou, sabe?
—Sei. – murmurou Alhena.
—Bem... de qualquer maneira... – ele se levantou e sorriu – Eu vou pro meu escritório. Ainda quero estudar sobre a estabilidade de núcleos homunculóides. Eu não vou criar uma pedra filosofal, mas... quem sabe o que eu posso inventar... – ele colocou as mãos nos bolsos – Eu tenho muito tempo livre, afinal...
—Draco.
—O que? – perguntou se virando pra ela.
—O que vai fazer hoje à noite?
—Nada, por que? – perguntou ele.
—Eu realmente preciso beber algo forte... mas só quando os bebês dormirem.
—Por que? – perguntou sentindo um grande frio na barriga. Alhena pegou um cubo cor de rosa e o girou nas mãos.
—Damian transou com aquela Clover Green de novo.
—Clover Burton. – corrigiu ele. Alhena o olhou franzindo a testa – Ela é casada.
Alhena soltou um suspiro e concordou.
—É... eu sei.
***
Rasalas estava em casa, lendo todas as informações que ele e Pansy tinham juntado. Sem a colaboração do Gringotes e com a Borgin&Burke protegendo o dinheiro – tinha certeza de que Burton estava escondendo o dinheiro lá – não teriam chance de acusar Burton do que quer que fosse, muito menos ligá-lo a Prometeus Shacklebolt.
Um caso tão interessante e promissor que não daria em nada.
Soltou um muxoxo e viu seu pai correr com Pollaris nas costas. Sua mãe fazia o mesmo com Rigel e os quatro gargalhavam, morrendo de rir.
Fez uma careta achando aquilo irritante, afinal estava tentando se concentrar, mas ele estava ali de favor. Quem era ele pra reclamar do que quer que fosse? Por isso soltou um muxoxo e tentou ignorar a algazarra.
Horas depois, ainda estava deitado no sofá, simplesmente se conformado que aquele caso não daria em nada, quando escutou sua mãe e seu pai rirem um para o outro.
—Quer ter mais um ou dois? – perguntou seu pai.
—Não. Chega de filhos. – riu Emily.
—Um caçulinha, vamos.
Escutou os dois se beijarem e levantou a cabeça. Os dois estavam do outro lado da sala, se beijando apaixonadamente.
—Eeei! Filho lobisomem aqui, lembram? Posso escutar a troca de saliva de vocês. E não é agradável. – resmungou levantando a mão.
—Então dê o fora. – riu seu pai – Vai se resolver com a sua mulher.
—É, Rasalas. Até quando vão ficar assim? É sua irmã, é você... – ralhou sua mãe.
—Ah, eu esqueci que vocês tiveram uma perfeita relação duradoura e estável sem altos e baixos, né? – resmungou se levantando – Mas eu entendi o recado.
—Seu pai não está dizendo que você tem que ir embora!
—Eu meio que disse isso sim. – riu seu pai.
—Rabastan!
—Volte se der merda. Mas agora você poderia dar uma volta. – riu seu pai.
Rasalas fez uma careta ao entender que estava atrapalhando o coito alheio e se levantou.
—Ok... eu vou dar o fora. Já entendi o recado.
Rasalas se arrumou e logo estava caminhando pelo Beco Diagonal. Já era sábado novamente e ele estava naquela mesma situação de merda. Mais de uma semana fora de casa.
Foi até o Salvage sem absolutamente motivo algum e notou que estava fechado. Soltou um suspiro e caminhou até a Borgin&Burke. Damian sorriu para ele, mas assim que notou quem era, o amigo desfez o sorriso e pareceu emburrado.
—Graças. Não é mais um babaca vendendo ou comprando. – resmungou ele folheando um livro qualquer.
—Já se resolveu com a Lena?
—Já se resolveu com a Daphne?
Rasalas bufou e se aproximou.
—Estou empatando a foda dos meus pais. – resmungou sem jeito. Damian o olhou surpreso e sorriu.
—Você vai me pedir o que eu acho que vai pedir?
—Nós falamos sobre isso uma vez... quando estávamos no quinto ano...
—Quer vir morar comigo enquanto não se arruma com a Daphne?
Rasalas deu de ombros.
—Se não for um problema...
Damian sorriu.
—Claro que não, cara. Vou me sentir menos sozinho. – Damian soltou um muxoxo – Sem Alhena, Castor e Póllux... a casa parece ter morrido. É tão silencioso.
—Bem... você sabe que esse é meu último dia útil da semana...
Damian levantou o olhar, confuso, mas então sorriu compreendendo.
—Ah, sim. Lua cheia.
—É. – respondeu – Eu vou pra uma casa segura e então, depois da minha semana perigosa eu pego minhas coisas e me mudo, se você e a Lena não tiverem se ajeitado ainda.
—Ok. Claro.
Rasalas soltou um muxoxo.
—Vamos sair. Dar uma volta, fazer qualquer coisa? – perguntou se apoiando no balcão. Damian soltou um muxoxo também, se sentando numa cadeira que tinha ali atrás do balcão.
—Não posso... só quando cair a noite. E ai já vai ser tarde demais.
—É... é... – resmungou – Vou procurar alguém pra dar uma volta comigo, então.
—Ok... – riu Damian – A gente se vê na próxima semana, ok?
—Certo...
Rasalas saiu da loja e uma brisa gelada bateu em seu rosto... Já que Daphne não queria vê-lo e Damian estava ocupado... talvez fosse visitar Blair, ou Draco... ou então...
****
Quando Pansy abriu a porta, ele sorriu.
—Oi.
—Rasalas? – perguntou ela, surpresa – O que veio fazer aqui?
—Eu... vim perguntar se está com vontade de sair... antes que a lua cheia chegue.
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