Legado Lestrange II - Legacy
73 Mad Love
Notas iniciais

Capítulo 73
Mad Love
A madrugada corria agitada enquanto Harry e Hermione avaliavam a recente vitória da Armada. Decidiram parar de chamar de Ordem da Fênix, de tanto Malfoy fazer piada sobre eles não terem uma fênix. Luna deu a ideia de chamarem o grupo de Armada Dumbledore, mas Malfoy começou a tirar sarro sobre eles não terem um Dumbledore tampouco.
Então, para fazer Malfoy calar a boca, ficaram sendo apenas a Armada. Neville cogitou chamar de Armada de Potter, mas foi só escutarem as risadinhas de Malfoy e Rasalas que Harry decidiu apenas por Armada mesmo.
Malfoy era o ser mais irritante da face da terra... mas naquele momento, nem mesmo todo o empenho de Malfoy para irritá-lo seria bem sucedido.
Primeiro porque Malfoy estava dormindo, em seu quarto, no segundo andar, bem longe dele.
Segundo porque tinham evitado um grande ataque contra o Ditador Norte Coreano trouxa, ajudando vários jovens bruxos a fugirem do serviço obrigatório e capturando importantes líderes do exército americano. Os mantinham presos nas masmorras, para conseguir informações.
Então aquela noite era uma noite para comemorações. Estavam ainda cuidando dos feridos e avaliando a importância de cada um dos capturados. Parkinson tinha feito um relatório detalhado de cada oficial importante do exército americano, dizendo a patente, a família, entre outras informações úteis... era impressionante a habilidade dela de descobrir sobre a vida alheia.
Sorriu contente e olhou ao redor. Os únicos que não pareciam anestesiados com aquela vitória eram Gui, Fleur, Vick e Ted. Seu afilhado tinha um feio corte no supercílio, que estava demorando a fechar, cortesia do irmão de Rasalas.
Soltou outro suspiro e seu olhar acabou indo para as escadas, onde um Draco Malfoy descia os degraus de maneira desengonçada. O olhou confuso e logo notou que Hermione fazia o mesmo, afinal o loiro usava apenas samba canção.
—O que ele está fazendo? – perguntou confuso.
—Acho que ele está sonhando... – murmurou Hermione. Os dois observaram Malfoy andar em direção à sala de visitas e ambos resolveram segui-lo ao mesmo tempo... o que foi uma sorte, porque Draco tentou entrar na lareira sem jogar o flu antes.
Pulou em cima dele e o afastou das chamas. Draco tentou se livrar de suas mãos e então piscou o olhando confuso.
—Calma. – murmurou Hermione.
Draco os olhou assustado e confuso.
—O que eu estou fazendo aqui? – perguntou ele, horrorizado – E só de cuecas!
—Você é sonâmbulo. – riu Harry com algum cruel divertimento – Sinto dizer que todos te viram exposto.
—Estou vendo como sente, Potter. YOLO! – rosnou Draco. Hermione revirou os olhos, indignada com o trabalho escravo dos elfos, mas Yolo apareceu, parecendo cansado e sonolento do mesmo jeito.
—Sim... – ele bocejou – mestre?
—Traz meu roupão. – resmungou Draco – Era só o que faltava. – resmungou Draco – A essa idade, começar a andar dormindo. Está cada vez pior...
*
—Eu vou fazer uma festa. – disse Dido subindo em cima da mesa. Todos olharam para ela – No próximo passeio ao Endure. Eu já falei com o dono. – todo mundo olhou animado pra ela – Serão cobrados dois galeões pra entrar, mas será open bar. Teremos de tudo quanto é bebida, ok? Poderão ir pessoas de todas as casas e precisa estar pelo menos no quinto ano para entrar.
—Ah, Dido! – resmungou Prim – Eu nunca posso participar das coisas! – ralhou ela.
—A vida tem dessas, irmãzinha. – riu Dido – Se quiserem participar, falem comigo ou com a minha irmã Cerce. O traje é casual, é claro. – Dido sorriu colocando a mão na cintura e Gale Selwyn assoviou pra ela – Espero ver todos vocês lá. – riu ela, piscando.
Algumas pessoas assoviaram, outras gritaram animadas pensando na diversão que poderiam ter, longe dos olhares controladores dos professores enviados pelo Ministério. Estava tendo uma grande picuinha entre os professores e rolava um boato absurdo de que esses professores novos tinham tentado matar o professor Neville.
Dido não acreditava muito nisso, é claro.
Ela desceu da mesa e passou pelo primo mais velho, para bagunçar seus cabelos. Ele sorriu e beijou sua mão e os dois piscaram um para o outro, antes que ela seguisse seu caminho para o dormitório. Estava para entrar, quando sentiu uma mão em sua cintura.
Se virou e viu Gale.
—Ei, Burke.
—O que? – perguntou ela.
Gale era um garoto MUITO bonito. Os cabelos loiros, alguma barba nascendo no queiro, os olhos azuis, um sorriso encantador. Um bruxo à moda antiga, criado sob o olhar das antigas tradições. A casa Selwyn era uma das mais nobres e antigas do Diretório Puro Sangue, perdendo apenas para a extinta casa Black e a Malfoy, que eram as duas mais antigas. Diziam que os Selwyn descendiam dos Slytherin, mas muitas casas clamavam isso, por mais que não pudessem provar.
—Eu queria saber se pode me vender umas coisas. – riu ele. Dido sorriu gentilmente. Ela era a principal vendedora da família na escola, já que Cerce estava mais preocupada em estudar e namorar Albus, mantendo os olhos em Lyra.
—Claro, Gale. – disse calmamente.
—Ok. Qual seu chocolate favorito? – perguntou ele se aproximando com um sorriso galante. Dido revirou os olhos.
—De novo com isso? – perguntou ela.
—Sempre com isso. – riu ele se aproximando mais um pouquinho e ela o empurrou.
—Eu já disse que homofóbicos não têm chances comigo. – disse friamente, se virando e entrando no dormitório. Gale a seguiu e a abraçou ao redor da cintura.
—Vamos, Dido... a gente estava quase namorando. – resmungou ele – Eu nunca vou esquecer os seus beijos...
—Isso é problema seu. Ninguém mandou ficar contra o meu irmão...
—Eu fiquei ao lado do meu irmão, oras... – riu Gale a beijando no pescoço e ela se desvencilhou.
—O problema é seu. – resmungou ela – Eu não estou no clima, Gale. Vai procurar alguma sarna pra se coçar.
—Você nunca mais ficou com ninguém. – riu ele a olhando com divertimento – Nunca me esqueceu também, aposto. – riu ele – Vamos, Dido... eu sou louco por você.
—Espero que não pare no Mungus, já que está louco. E eu já fiquei com outras pessoas sim, várias vezes – riu ela com desdém e abrindo o próprio malão, para pegar uma camisola e uma calcinha, para ir tomar banho. Gale soltou um muxoxo e a ficou observando. Ela o ignorou, pegando suas loções e cremes – Vai ficar ai? – perguntou ela, sem paciência.
—Sim. – respondeu ele se sentando na cama dela. Dido revirou os olhos e saiu de perto, indo tomar o seu banho.
Se lembrava da época que estava de rolo com Gale. Estava no quarto ano e estava apaixonada por ele. Ele parecia uma pintura, de tão lindo. O achava mais bonito até que Scorpius, que era realmente muito lindo. Os dois estavam apaixonados, qualquer um podia ver. O tinha beijado tantas vezes que tinha até perdido a conta...
Mas então, naquele dia em que Grant denunciara Draconis e Vince... Gale ficou tirando onda junto com os amigos do irmão... ele fazia parte do grupinho que ficava fazendo piadinhas. Ele ria alto quando alguém chamava seu irmão de veado... e ele duelara contra Scorpius na tentativa de azarar Draconis.
E ela nunca o perdoara por isso.
Tomou um banho demorado, desejando que ele fosse embora. Que ele não estivesse lá quando deixasse o banheiro. Se limpou, lavou os cabelos, os penteou, secou e deixou-os alaranjados para que a diferenciassem de Cerce. Passou suas loções para pele, vestiu a camisola e prendeu os cabelos num coque.
Les entrou junto com Lyra, as duas batendo papo distraidamente. Cerce ainda devia estar com Albus, no Salão Comunal.
Deu de ombros, cumprimentou as duas, que entraram no mesmo boxe, para tomar banho juntas e continuarem batendo papo.
Achou aquilo completamente inapropriado, levando em conta que Les estava namorando Navi e já tivera um longo rolo com Lyra, mas não comentou coisa alguma. Apenas voltou para o quarto e notou que Gale ainda estava lá.
—O que você quer, Gale? – resmungou, colocando as mãos na cintura – Dê o fora que eu quero dormir.
Gale rolou mais para o lado e deu uns tapinhas no colchão.
—Ok.
—Eu vou chamar o Navi. – disse revirando os olhos.
—Ok. Chame. Eu apanho dele e volto de novo. – riu Gale sem parecer se importar – Isso provará o quanto eu falo sério?
—Não. Isso provará que é um idiota disposto a apanhar por nada. Dá o fora, Gale. – resmungou Dido. Gale soltou um muxoxo e se deitou mais confortavelmente – Ok, eu vou contar até três. – resmungou pegando a varinha, que estava em sua cabeceira de cama – Um... – Gale sorriu fechando os olhos – Dois... – ele suspirou – Três. Levicorpus!
—Uou! – gritou ele enquanto ela o girava de cabeça para baixo e o tirava de sua cama. O fez flutuar para fora do quarto e com outro feitiço fez a porta se fechar.
—Idiota. – resmungou subindo na cama e fechando as cortinas.
**
—Descobri que o departamento de Mistérios conseguiu um carregamento de armas trouxas. Eles levaram os objetos para estudo. – disse Pansy. Era tarde da noite, novamente, e Harry se sentia cansado de ficar preso na Mansão Malfoy. Mas simplesmente não podia sair por qualquer motivo. Era o inimigo número um do Ministério, já que fora declarado um Insubordinado – Precisamos planejar uma invasão, Potter... se o Ministério aprender a usar aquelas armas, eles poderão usá-las contra nós.
Harry concordou novamente e viu Malfoy descer as escadas. Franziu a testa, notando que ele parecia estar andando enquanto dormia de novo.
—Malfoy precisa se amarrar na cama. – resmungou o seguindo. Correu até o loiro e o impediu de entrar nas chamas novamente. O sacudiu de leve, até que ele acordou e olhou assustado para os lados.
—Merda. De novo. – resmungou Draco coçando os olhos.
—Draco, é a terceira vez essa semana! – ralhou Pansy de braços cruzados – E você sempre tenta entrar na lareira. O que raios está acontecendo? – perguntou ela.
Draco corou de leve e negou com o rosto.
—Eu não sei, ok? – perguntou ele fazendo careta e se desvencilhando de sua mão – Eu vou tentar dormir de novo. – resmungou o loiro saindo da sala de visitas.
Harry soltou um suspiro e deu de ombros. Estava para voltar a falar com Parkinson, quando escutou a porta se abrir e Luna entrar.
—Ah, olá, Harry. – disse ela sorrindo, usando um óculos muito estranho, enquanto sacudia a varinha. Parkinson riu com muito deboche.
—O que está fazendo, DiLua? – perguntou ela.
—Procurando por rastros astrais. – riu ela calmamente.
—E o que seria isso?
—O motivo por Draco está andando enquanto dorme. Eu tenho certeza que Alhena quem está chamando por ele. Eles têm um en. — respondeu ela.
—Ah, claro. Claro. – riu Parkinson – Com licença, Potter. Eu vou pra minha casa antes que eu contraia DiLunismo e fique tão biruta quanto ela.
***
Dominique se levantou e notou que Rigel não estava na cama. Eles estavam se escondendo num motel trouxa. Se enrolou no lençol e o procurou com os olhos. Ele estava nu, em frente à janela, observando a rua durante a madrugada.
O abraçou por trás e suspirou.
—Sem sono? – perguntou ela.
—Papel. – murmurou ele – Eu preciso de papel para escrever umas coisas. – murmurou ele. Dominique concordou e pegou um bloquinho de papel e uma caneta que tinha ao lado do telefone. Depois entregou os dois para Rigel, que começou a escrever.
—O que está fazendo? – perguntou ela.
—Escrevendo para minha sobrinha. Rose Burton. – murmurou Rigel, muito sério. Podia ver o verdadeiro rosto dele, por debaixo das cicatrizes. Ele estava experimentando lucidez pela primeira vez em muito tempo e ela não estava acostumada com aquilo. Se habituara à loucura dele.
—O que está escrevendo?
—As últimas palavras da minha irmã... eu me lembrei... ela disse que amava a guria como se fosse filha dela. – murmurou Rigel. Ele escreveu rapidamente e então suspirou. Depois ele pressionou os olhos com os dedos – Céus. É como tentar se lembrar de um sonho que aconteceu há muito tempo... o que ela disse? O que ela disse? O que ela disse? – perguntou ele parecendo transtornado.
O abraçou por trás e suspirou nas costas dele.
—Durma, Rigel... e sonhe com ela... e então escreva assim que acordar.
Rigel sorriu e se virou para olhá-la.
—Você é mesmo maluca, sabia? – perguntou ele a puxando para si – Completamente louca. Eu não sei se quero quebrar seus dedos ou se quero te beijar. As duas opções têm lá seu fascínio.
Dominique sorriu e deixou o lençol cair. Rigel sorriu olhando para seu corpo e ela se arrepiou com o sorriso dele. As cicatrizes em seu rosto deixavam o sorriso dele assustador.
—Por que no lugar de quebrar meus dedos, você não me dá umas palmadas?
Rigel sorriu e a segurou dolorosamente pelos cabelos. Ele a sacudiu com violência e a jogou na cama de costas.
—Eu ameaço você e você sugere sexo... está fazendo um jogo perigoso, Weasley. – riu ele segurando seu cabelo de maneira dolorosa e violenta – Ou talvez esteja aprendendo a lidar comigo... eu não sei. – riu ele em seu ouvido apertando seu seio com muita força. Força demais.
—Ai, Rigel! Cuidado! – reclamou.
—Cuidado? Como pode exigir cuidado de alguém como eu? – perguntou ele de maneira quase histérica. Ele riu e puxou seu cabelo com mais força – Você é louca, Dominique. Ou talvez burra. Quem sabe corajosa... – riu ele – Eu nunca soube diferenciar coragem de burrice... a linha é muito tênue, sabia? – ele a fez se virar, ficando de joelhos sobre si. As mãos dele foram para seu pescoço, a sufocando de maneira dolorosa. O olhou, surpresa e ele sorriu daquele jeito insano dele – Como você acha que isso vai terminar, Dominique? – rosnou ele, por mais que sorrisse – Você consegue ver isso acabando com um final feliz? Por que eu não vejo isso acabando sem que um de nós mate e o outro... e eu não posso morrer. Eu preciso matar aquele idiota do Hesse antes disso... – riu ele apertando seu pescoço com mais força e ela teve certeza de que iria morrer – Sabe? A melhor coisa que eu faço é matar você agora, Dominique. Você é uma distração... e distraídos morrem. Eu não duelava melhor do que todos aqueles bruxos. Eu só estava alerta. E eu não posso morrer, entende? – perguntou ele – Você deveria ter imaginado que vir comigo era suicídio. – a dor era demais, no pescoço, na cabeça, no peito... sua visão foi enturvando – É culpa sua! Você deveria ter imaginado! Deveria, Dominique! Deveria! – ralhou ele – Por que não imaginou isso acontecendo? – perguntou ele com a voz cheia de lamentação. Ele falou mais coisas depois daquilo, mas não conseguiu enxergar. Estava morrendo.
Ficou tudo escuro por um momento. Tudo silencioso. Se perguntou se morrer era assim... tão calmo e solitário... mas logo escutou um choro.
Acordou ainda na cama, com Rigel a segurando, desolado.
—Não me deixe, Nini... não me deixe... – lamentou ele – Episkey, episkey... – murmurava ele. E a cada vez que ele falava aquilo, a dor em seu pescoço diminuía. Arfou, puxando o ar com desespero e o olhou, chocada. Ele sorriu parecendo aliviado, com o rosto vermelho pelo choro. Ele realmente estivera chorando – Idiota! Idiota. Não vê que eu vou machucar você? Vá embora. Vá embora. – chorou ele a abraçando com força. Respirou fundo, sem conseguir falar. Seu pescoço ainda doía bastante – Oh, Dominique... sua garota boba... – riu ele e ela se arrepiou inteira. Ele a segurou no rosto, com aquele sorriso cruel e maníaco – Você não sabia que suicídio é o único pecado imperdoável? Eu estou no inferno, garota. Não queira se juntar a mim aqui. Não tem como se arrepender de um suicídio... é um caminho sem volta se você ficar. Olhe pra mim, nos meus olhos, Dominique. Você acha que há volta pra mim?
—Acho. – murmurou, apesar de aquilo ser mais uma esperança do que uma certeza. Rigel sorriu para ela e aproximou o rosto.
—Você é muito louca. – riu ele – Não somos tão diferentes, afinal. – ele a beijou com força e volúpia e ela o beijou de volta concordando com ele. Ele a mordeu no lábio, se deitando sobre ela e riu feliz – Eu nunca te desejei tanto, Dominique. – rosnou ele. Ela o olhou assustada consigo mesma – Mas eu ainda vou te machucar muito. Eu vou te machucar pra caralho. E você vai se arrepender de escolher esse caminho. – riu ele – Porque uma hora você vai querer sair, você vai fugir, você vai chorar e eu vou ir atrás de você. Porque eu nunca vou te deixar ir, nem nunca te deixar ficar. Você vai me dar todos os bons motivos do mundo, Dominique. Você vai provar por A mais B que eu deveria te deixar ir embora. Você vai fazer com que eu queira te deixar ir. Você vai conseguir isso... mas eu não. Eu não vou conseguir te deixar ir... então eu vou te arrastar pro inferno comigo e eu vou chorar, Dominique. E vai ser pior do que qualquer dor que iremos sentir. Mas vai ser assim que vai funcionar quando começarmos a nos amar. Porque eu finalmente estou pronto pra amar alguém... eu estou pronto pra amar você. Mas não vai ser saudável... não... vai ser um inferno. – explicou ele.
—Me leve pro inferno, então. – murmurou. Rigel sorriu e a puxou, se ajoelhando e a colocando em seu colo. Os dois sorriram um para o outro e ela se encaixou nele, sentindo-o penetrá-la. Gemeu no colo dele, por mais que o pescoço ainda doesse, por mais que ele a machucasse e prometesse ainda mais machucados – Você não vai me matar, Rigel. Só me machucar pra caralho. Eu aguento dor.
—Aguenta? – perguntou ele a arranhando nas costas com muita força. Fez uma careta, sabendo que ele arrancara sua pele com as unhas, mas a ardência deixada em seguida a excitou – E como sabe que eu não vou matar você?
—Porque você é um homem de palavra. – sussurrou Dominique. Rigel sorriu e a mordeu no pescoço, lhe arrancando um grito.
—Yeah... – riu ele – Sabe qual é o real conceito de amor verdadeiro, Dominique? – perguntou ele. Ela negou com a cabeça e ele a apertou no traseiro com força a fazendo se mover de maneira deliciosa – Amor verdadeiro é encontrar alguém cujos demônios internos brincam e se divertem com os seus próprios demônios. Vamos fazer uma legião, Dominique. Vamos trazer o inferno pra terra e rir de todos eles. Vamos fazê-los experimentar nossa loucura.
—Vamos. – disse o abraçando – Qualquer coisa que você disser, Rigel. – disse como se estivesse drogada. A loucura dele a deixava inebriada. Tudo nele a inebriava. Não estava bem. Estava enlouquecendo, como ele disse que ela estava. O beijou com volúpia e ele a fez se mexer em seu colo. Rebolou no colo dele, o sentindo daquele jeito pervertido. O mordeu com força, no lábio, até sentir o sabor de sangue. O sugou, saboreando aquele gosto férreo e ele gemeu roucamente – Diz meu nome, Rigel. – disse com um sorriso.
Rigel sorriu para ela.
—Eu sou o diabo e você é minha Lilith. – riu ele e ela gostou do som daquilo – Vamos fazer esse mundo um inferno... e reinar.
—Mas eu quero ouvir você falar meu nome. Meu nome. – riu rebolando no colo dele. Rigel fechou os olhos, jogando a cabeça para trás e sorrindo. O rosto dele, deformado pelas cicatrizes, com aquele sorriso maníaco... como aquilo poderia excitá-la? O corpo dele estava todo retalhado, remendado, cortado... mas mesmo assim era mais sensual que qualquer outro corpo que ela já tivesse visto – Diz meu nome, Rigel. – rosnou se movendo no colo dele. Ele gargalhou no lugar disso.
—Eternamente minha. – riu ele puxando seus cabelos para que ela deixasse o pescoço exposto – Minha adorável Dominique Lestrange.
—Lestrange? – perguntou ela.
—Sim... Lestrange. – riu ele – O que acha?
—Não estou vendo um anel nesse dedo. – disse mostrando o dedo médio pra ele. Rigel sorriu.
—Ah... eu vou te dar um anel... não se preocupe com isso.
****
Rabastan estava na Sala das Bolhas, mirando as lembranças de seus antepassados, procurando alguma paz nisso. Não quis interrompê-lo, então ficou na sala, olhando o álbum de casamento de Alhena. Ela e Damian rindo tão felizes, de mãos dadas. A barriga dela começando a aparecer, afinal ela tinha casado grávida. Soltou um suspiro e passou a foto, para ver uma outra onde Alhena e Draco estavam abraçados, rindo felizes. Ele beijava o rosto dela, olhando para a câmera e então os dois riam contentes.
Era a única foto que tinha dos dois juntos. Draco era um amigo tão bom pra ela...
Virou a página e viu outra foto dela e de Damian. Os dois acenando para a câmera, enquanto sorriam imensamente felizes. Lembrava que a filha estava super nervosa naquele dia, mas que quando Rabastan veio levá-la para o altar e o olhar dela cruzou o de Damian, todo o nervosismo da filha passou.
Damian por outro lado pareceu tranquilo e feliz durante todo o tempo. Ele parecia não ter a menor dúvida de que aquilo era o certo pra vida dele... Emily sorriu olhando as fotos dos dois. Aquele homem amava sua filha de uma maneira linda, realmente.
Soltou um suspiro, se perguntando se Alhena se lembraria disso um dia.
Fechou o álbum de fotos e escutou a porta ser arrombada. Se levantou sacando a varinha, assustada com aquilo. Quem ousaria invadir a Residência Lestrange? Sentiu a temperatura diminuir mais e mais, com a destruição dos feitiços protetores. Engoliu em seco e gritou por Rabastan, mas duas figuras encapuzadas e mascaradas apareceram. Não eram como os Comensais de Morte. Eram roupas e máscaras diferentes. Podia ver o brilho do couro de dragão que revestia o peitoral deles, os deixando mais protegidos contra os feitiços.
—Boa noite, Sra. Lestrange. – rosnou um deles – O seu filho está se mostrando um grande aborrecimento. Ele andou visitando a minha família. Então eu resolvi visitar a dele. – rosnou um homem com uma voz ligeiramente familiar. Ele a azarou e ela fez um feitiço escudo, mas a azaração dele era forte demais e a derrubou no chão – Expelliarmus. – rosnou ele e sua varinha voou de sua mão. Respirou fundo, assustada e gritou quando ele a puxou pelos cabelos – Se não se importa, quero deixar um recadinho pra ele, de uma maneira que ele entenda bem. – rosnou o homem. Ele colocou a mão em sua roupa e ela entendeu que ele iria despi-la. Sentiu um pânico sem igual e o chutou com força, no peito, mas ele apenas riu – Hum... a senhora é violenta. Eu gosto disso.
—Então você vai me amar! – rosnou Rabastan entrando na sala e lançando uma azaração contra ele. O homem a soltou para se defender e logo Rabastan duelava com os dois ao mesmo tempo – Emily! Saia daqui! – gritou Rabastan, furioso.
—Rabastan... – murmurou assustada.
—VAI, VAI! – gritou ele. Correu para pegar a varinha que estava no chão e correu dali, para chamar ajuda.
—Não a deixe escapar! – gritou o homem que duelara com ela.
Não ficou para ver se Rabastan seria capaz de segurá-los. Correu para a Sala das Bolhas, a trancou e conjurou seu patrono. Uma serpente prateada saiu de sua varinha e ela a olhou nos olhos.
—Socorro! Invadiram nossa casa! – disse para a Serpente, a enviando para Rasalas. Assim que a serpente rodopiou no ar e desapareceu, o homem derrubou a porta. Emily tentou aparatar, mas ele a desarmou. Nunca fora uma boa duelista. Nunca.
—Eu vou adorar machucar você. – riu o homem se aproximando – Seu filho matou a minha madrasta. Feriu minhas irmãs. Estuprou duas delas e escreveu nas costas delas com um punhal amaldiçoado, para que as feridas não fechassem. As torturou, bateu e humilhou. E filmou tudo. Eu vou fazer o mesmo com você.
Emily o olhou horrorizada.
—Não... meu filho nunca faria algo assim!
—Ele fez. – rosnou o homem – ELE FEZ! CRUCIO!
Gritou de agonia, mas logo a dor parou. O homem foi arremessado contra a parede e ela viu Rabastan, com sangue nos lábios. Ele correu até ela e a ajudou a ficar de pé.
—Ele está morto? – perguntou ela. Rabastan negou com a cabeça e os joelhos dele cederam.
—Fuja... fuja, por favor. – pediu ele.
—LESTRANGE! – gritou alguém no corredor.
—Vamos. Eu vou aparatar...
—Não tente. Vai estrunchar. Eu vou segurá-lo e você vai correr pra rua e aparatar. Eles encantaram o lugar. Não dá pra fugir por magia.
—Não vou te deixar pra trás, Rabastan. Você está machucado! – chorou preocupada com o corte profundo que ele tinha no peito.
—LESTRANGE! EU VOU MATAR VOCÊ, LESTRANGE! E VOU MANDAR SUA CABEÇA PRO CRETINO DO SEU FILHO! NUMA CAIXA. – gritou o bruxo no corredor. O outro se levantou e cambaleou. Rabastan se levantou também e ficou entre ela e os homens. Emily sentiu a quina da parede em suas costas. Estavam cercados... – Aí estão vocês. Eu vou deixar você assistir enquanto eu mato a sua esposa. E vou deixar você assistir enquanto eu escrevo meu recadinho pro seu filho nela.
—Você não vai encostar na minha mulher. – rosnou Rabastan. Emily olhou para o chão e viu o sangue do marido escorrer para o piso.
—Deve ser um mal entendido. – murmurou Emily – Rigel nunca machucaria ninguém. Ele é um bom garoto! – lamentou ela.
—UM BOM GAROTO?! – gritou o homem que a tinha desarmado e que Rabastan tinha jogado contra a parede – ESSA É BOA!
—Seu precioso filhinho está fazendo um derramamento de sangue, brincando de pique pega comigo. Eu resolvi entrar no jogo dele.
—Você é Kevin Hesse. – sibilou Rabastan. Emily olhou preocupada para a poça de sangue que se formava embaixo dele. Sua varinha estava longe demais.
—Sou.
—Deixe minha esposa ir e faz o que quiser comigo. Mande meus dedos pro Rigel. Um de cada vez. Deixe pistas para ele com pedaços meus, o que preferir... só deixe minha esposa ir. – rosnou Rabastan.
—Não! Não, Rabastan! Não faz isso! – pediu desesperada.
—Você ama sua esposa, Sr. Lestrange? – riu Hesse. Rabastan concordou e Hesse apontou a varinha – Eu vou me divertir com isso então. Eu vou soltar azarações. E você vai protegê-la com seu corpo. O que acha? – perguntou ele.
—Não! Não! – chorou Emily.
—Me ajude aqui. – rosnou Kevin e os dois bruxos apontaram a varinha. Rabastan respirou fundo, preparando-se para defender. Uma azaração atrás da outra. Ele defendeu todas, as cancelando e desviando, explodindo as paredes e as bolhas da sala. Por um momento pareceu estar chovendo. Choviam memórias. E os sons delas explodiam tomando a sala, enquanto Rabastan se defendia dos dois bruxos. Olhou para os pés dele e arfou com o sangue. Era muito sangue. Rabastan começou a ficar mais lento e ela se desesperou. Rasalas... cadê você, Rasalas? E então os dois atacantes desarmaram Rabastan, que caiu no chão – Você é impressionante, eu vou admitir... – riu Hesse – Como vai defender sua esposa agora? Heim?
—Nos deixem em paz, por favor! – pediu Emily abraçando o marido. Rabastan se levantou e deu as costas para eles. Ele a olhou nos olhos e a abraçou. Sentia o corpo dele tremer de exaustão. Sentiu suas roupas ficarem empapadas com o sangue dele e isso a assustou profundamente.
—Olhe pra mim. – pediu ele. Obedeceu olhando naqueles olhos prateados que tanto amava. Ele engoliu em seco e fez uma careta de dor ao receber uma azaração – Eu te amo. – murmurou ele.
—Saia da frente, Lestrange. Eu quero acertar a mãe dele. Mad-Dog Lestrange era muito mais apegado a ela do que a você.
Rabastan negou com o rosto e gritou quando um chicote de fogo o acertou. O cheiro de carne queimada tomou o lugar.
—Saia daqui, Rabastan. Não faça isso! – chorou olhando para ele, mas ele a abraçou com força, se fazendo de escudo.
—Eu te amo, Emily... – sussurrou ele, antes de gritar de dor, quando outra azaração o acertou nas costas. As roupas dele se rasgaram e mais sangue caiu no chão. Achou que ele iria cair também, mas ele só tremeu e a empurrou contra a parede.
—Saia da frente, Rabastan. – rosnou Kevin Hesse. Conhecia aquela voz... mas de onde?
—Não! – gritou Rabastan – Eu te amo, Emily. – sussurrou ele de novo, antes de gritar mais uma vez. Emily o abraçou, se escondendo no peito dele, sentindo-o tremer.
—Eu chamei Rasalas... – sussurrou ela.
—Eu sei. – sussurrou ele, antes de gritar.
—Saia da frente, Lestrange.
—NÃO! – gritou ele – Eu te amo, Emily. – murmurou ele mais uma vez e ela sentiu medo. Medo de quando seria a última vez que ele diria aquilo. Rabastan levou outra azaração nas costas e gritou de dor de novo – Eu te amo... Emily... – sussurrou ele quase escorregando. Ele se apoiou nela e cuspiu uma boa quantidade de sangue – Eu te amo... Emily... – sussurrou ele a olhando nos olhos.
—Por favor... não faça mais isso... saia da frente... – pediu olhando para seu marido. Ele negou com o rosto e gritou de novo, se apoiando nela para não cair. O chão estava coberto de sangue e memórias peroladas.
—SAIA DA FRENTE, LESTRANGE!
—Eu te amo... Emily... – sussurrou Rabastan ficando de joelhos. Ele estava gelado e tremia, retalhado, ferido. Derrotado. Caiu de joelhos o abraçando – Eu te amo, Emily... – sussurrou ele novo. O beijou na testa e escutou os passos dos atacantes ao se aproximarem – Eu te amo... Em-Emi-ly...
—Saia da frente, Lestrange. – rosnou Kevin, chutando Rabastan do caminho. Emily viu seu marido cair no chão, empapado de sangue.
—Por favor... não o mate. Me mate se quiser. Faça o que quiser comigo, mas não o mate, por favor... – chorou Emily – Deixa eu cuidar dele e você me leva. Só não o mate.
—Amor... é realmente algo idiota. – riu Kevin. Ele a puxou pelos cabelos e ela gritou de dor. Ele a jogou chão e tirou uma faca do bolso, para cortar sua camisa. Rabastan a olhou e esticou a mão. Esticou também, entrelaçando os dedos com os dele.
—Eu... eu... te... amo... Emily... – sussurrou Rabastan. Sentiu a ponta da faca tocar sua pele.
—Você parece uma pintura, Sra. Lestrange. Quantas tatuagens. – riu Kevin. Apertou a mão de Rabastan o olhando nos olhos. Ele movia a boca, sem conseguir soltar um som que fosse... mas podia ler os lábios dele. Ele dizia que a amava.
—Eu também te amo, Rabastan... – sussurrou Emily. Ele apertou sua mão e os dois respiraram fundo. Sentiu a faca de Hesse tocar suas costas e rosnou de dor quando a pressão aumentou enquanto ele escrevia em sua pele. Rabastan segurou sua mão com mais força e tentou se arrastar para perto, mas o outro homem pisou nas costas dele, fazendo-o gritar.
—Fique quieto aí, Lestrange. – rosnou ele.
Foi quando escutaram mais explosões. Os dois homens se entreolharam, com as máscaras escondendo suas feições.
—Vamos embora, Kevin. – murmurou o homem que pisava em Rabastan.
—Um segundo. – disse ele e Emily gritou de novo enquanto ele a fatiava. Foi rápido e extremamente doloroso – Vamos.
Os dois homens deram as mãos e desaparataram. Se arrastou até Rabastan e abraçou a cabeça dele. Escutou os passos apressados e logo Rasalas, Polaris e mais um monte de gente entrou.
—Mãe! PAI! – gritou Rasalas se jogando lado deles. Ele tocou suas costas, com choque e rosnou tirando o blaiser para cobri-la – Eu mato aquele desgraçado.
—Ajude seu pai, Rasalas... – chorou Emily – Ele precisa ir pro Mungus. Agora.
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