Legado Lestrange II - Legacy
74 Bad Reputation
Notas iniciais

Capítulo 74
Navi engoliu em seco, olhando o Profeta Diário com a foto de cinco costas dilaceradas.
“Procurado, muito perigoso. Rigel Lestrange”. Era o que estava na capa. Também tinha uma foto borrada de seu tio. Mas não parecia seu tio. Seu tio Rigel era um homem bonitão. Aquele amontoado de cortes era ele? Ou era uma tentativa de afundar o nome de sua família? “Procurado pelo assassinato de mais de vinte bruxos”. “Militante contra o regime vigente”. “Assassino perverso”. “A queda da família Lestrange”.
Jogou o jornal em cima da mesa e se levantou, perdendo o apetite. Muitos o olhavam com curiosidade. Pegou a mochila e a colocou no ombro, andando em direção às estufas. A primeira aula era de Herbologia de qualquer maneira.
Andou sentindo-se perdido. Confuso. Queria ter Draconis pra conversar.
—NAVI! – escutou uma voz feminina e reconheceu Rose, que vinha correndo – Olha... olha só isso... – disse ela com as mãos trêmulas, lhe estendendo um papel – Eu... eu acabei de receber.
—“Minha irmã me pediu pra te dizer que te amou como se fosse filha dela... e que lamentava por não saber demonstrar isso... eu espero que morra sua bastardinha dos infernos... mas Alhena te amou como mãe. Um dia eu vou atrás de você...” – ele preferiu não ler aquela parte em voz alta – “Ela ama todos os filhos. Ela ama o marido. Ela ama todo mundo. Blá, blá, blá. Eu sinto muito pelo que tive que fazer... mas era o melhor. Eu amava minha irmã. Mas eu vou ir atrás de você, bastardinha. Minha irmã te amou, eu não. Há, há, há... Assinado, titio Rigel?” – Navi não sabia se ria ou se ficava preocupado – É... bem que meu pai falou que ele tinha ficado biruta.
—Você acha que é verdade? – perguntou Rose com lágrimas nos olhos.
—Ah, relaxa. Você está segura em Hogwarts e o tio Damian não vai deixar que...
—Estou falando sobre dona Alhena me amar... como filha... – murmurou Rose – Eu não ligo para as ameaças... – ela o olhava com intensidade e Navi sorriu.
—Claro que tia Lena amava você, Rose. – riu ele a apertando na bochecha – Como não amar você? Até o seu irmão se apaixonou por você.
—Eu juro que vou chutar sua canela, Lestrange! – ralhou Rose, mas logo os dois sorriram – Eu vi a matéria no jornal... você acha que foi seu tio quem fez aquilo?
Navi soltou um suspiro.
—Eu não sei... mas alguém precisa pará-lo.
*
Ela andava sozinha pelo corredor, afinal sua irmã estava com Albus e ela não gostava de ficar segurando vela. Se apoiou na janela e suspirou observando o bonito dia de primavera. Os campos estavam floridos e a cada dia que passava ficava mais quente, com a proximidade do verão.
Dido soltou um suspiro e sentiu uma mão em sua barriga. Se virou e viu os olhos azuis de Gale. Ele a prensou contra a janela e sorriu.
—Oi, gata.
—Você tem um segundo pra me soltar. – rosnou, mas ele riu – Um. – acertou uma joelhada nas bolas dele e ele perdeu o sorriso, caindo de joelhos no chão. O chutou no peito e saiu rebolando para longe dele.
—Você ainda vai ser minha namorada, Burke! – gritou ele.
—Eu não estou desesperada assim. – debochou se afastando dele.
Desceu os degraus e encontrou Lyra cantarolando enquanto escrevia alguma coisa num pergaminho.
—Prima. O que está fazendo? – perguntou Dido, se aproximando.
—Escrevendo uma música. – respondeu ela. Dido se sentou na janela, ao lado dela, e espiou – E você?
—É um saco ficar solteira quando todo mundo está namorando. – resmungou ela. Lyra revirou os olhos.
—Nem me fale. – resmungou ela – Pior ainda é ver a pessoa que você gosta namorar outra pessoa.
—Você demorou demais pra dar uma chance pra ele e perdeu. Acontece. – riu Dido. Lyra deu de ombros – Como está se sentindo?
—Um pedacinho de bosta de rato. – resmungou Lyra. Dido soltou um suspiro.
—Lyra. – resmungou. Lyra a olhou curiosa – Sabe o que precisamos?
—De um cacete? Você realmente parece precisar de um.
—Basicamente. – riu Dido e Lyra a olhou em choque.
—Ok, eu estava brincando, mas você conseguiu minha atenção e curiosidade. Diga o que tem em mente.
—O que acha... de nós duas escolhermos uma vítima sortuda e... darmos um trato?
—Está me chamando pra uma aventura à três, prima? – perguntou Lyra.
—Sim. Com qualquer garoto solteiro desse colégio, que esteja pelo menos no quinto ano e que não seja o Selwyn.
—Ele está tão na sua. – riu Lyra.
—Eu sei. É um saco. – resmungou Dido.
—Ele é bonitão. Por que não quer? – perguntou Lyra.
—Porque ele é um idiota, desrespeitoso e homofóbico.
—Hunf... homofobia acaba no exato momento em que duas garotas bonitas começam a se beijar. – riu Lyra com desdém – Ele é só idiota e desrespeitoso mesmo.
—Sim. E então. Quem vai ser nossa vítima?
—Faz questão que seja da Sonserina?
—Não. – respondeu Dido.
—E o que você está disposta a fazer? – perguntou Lyra.
—Chupadas, masturbação, beijos... nada de penetração. – Dido segurou os dois seios e os juntou – Eu faço espanhola também.
—E beijo lésbico?
—Prima. Você quer me pegar? – perguntou com um sorrisinho divertido e convencido.
—O cara vai querer isso. É meio básico num à três. Você já vai recusar o sexo. – riu Lyra. Dido mordiscou a unha e deu de ombros.
—Ok. Não é como se a gente nunca tivesse tentado de qualquer maneira.
—Você foi minha primeira garota, sabia? – perguntou Lyra. Dido sorriu e pulou pro chão.
—Sim. Por isso que eu não gostei. Você não sabia o que estava fazendo. Escolhe alguém bem bonitinho pra descontrairmos.
—Ok. Pode deixar. – riu Lyra.
Dido continuou passeando pelo corredor, tentando pensar em quem seria um candidato adequado para sua futura diversão. Estava andando pelos corredores e estava para pegar um atalho em uma passagem secreta atrás de uma tapeçaria, quando viu um casal se agarrando por ali.
Logo notou que era Albus e a irmã. Ele estava sentado, com Cerce no colo, num beijo fogoso. E pelo que ela pode ver, uma das mãos dele estavam dentro da blusa dela.
Deu meia volta, sentindo o rosto queimar de vergonha. Respirou fundo e saiu de lá, com pressa. Nunca tinha visto sua irmã se agarrar com ninguém e era terrivelmente constrangedor.
**
Alhena estava sentada na cama, imóvel e aérea. Damian olhava em choque para Rasalas, que tinha vindo dar a notícia.
—E como ele está?
—Ele vai sobreviver. – murmurou Rasalas, parecendo muito abatido – Minha irmã, meu irmão, meu pai e minha mãe... feridos nessa merda. – rosnou ele – Toda hora é um de nós... eu... eu espero que meus filhos estejam a salvo e que Polaris esteja sendo precavida.
—Seu pai duelou contra dois caras, sozinho? Ele é mesmo foda.
—Nem Azkaban dobrou meu pai. – riu Rasalas com algum orgulho – Não vão ser dois merdinhas que fariam isso. Ele lutou até não poder mais.
—Eu espero que ele melhore logo... ele reconheceu os atacantes?
—Um deles era Kevin Hesse. O homem que meu irmão aparentemente está caçando. – resmungou Rasalas.
—Seu irmão está matando um monte gente. Ele ficou louco de vez, não é? – perguntou Damian e Rasalas concordou, olhando Alhena. Damian olhou também e suspirou ao ver a esposa imóvel, encarando tristemente a parede.
—Eu não sei quem está pior... ele ou ela. – murmurou Rasalas – Eu estava falando com Draco. Depois que ele ficou sabendo do que aconteceu com meus pais... ele acha que Hesse pode vir por Alhena também.
—Quero ver ele tentar... – ia começar Damian, mas Rasalas o cortou.
—Eu não. Eu não quero ver ninguém tentando sangrar minha família ainda mais. – Damian olhou para o amigo e concordou com um aceno de cabeça – Eu sei que você e Malfoy estão ainda nesse clima merda, mas... mas Draco deu uma ideia... – sussurrou Rasalas e Damian o olhou com interesse – Pra tirarmos Alhena daqui e a levarmos para um lugar mais seguro.
—Diga. – murmurou Damian e Rasalas pareceu satisfeito por ele não ter criado caso pra ouvir.
—Podemos simular algo como o que aconteceu com meus pais... tirar Alhena daqui e jogar a culpa em Hesse. – sugeriu ele. Damian olhou para a esposa e suspirou.
—Eu acho que devemos tirá-la daqui o mais rápido possível... e tem que parecer que eu tentei impedir que a levassem... seja quem for que irá vir aqui se passando por Hesse... tem que me machucar pra valer. Tem que ficar muito real.
—Posso falar com Draco. – riu Rasalas – E vocês descarregam essa negatividade toda de vocês.
—Não quero misturar trabalho com lazer. – riu Damian e Rasalas deu uma risadinha – Não... pode ser você. Ou talvez Castor e Póllux... mas pra onde a levaríamos?
—Bem... eu tenho um lugar em mente, mas... – Rasalas o olhou com uma careta – Você não poderia ir.
—Por que? – perguntou Damian o olhando confuso, franzindo a testa.
—Porque é a sede da Resistência. Está protegida com um feitiço do Fiel Segredo e você não pode entrar se não está no time. – explicou ele. Damian soltou um muxoxo.
—Oras. É só eu fazer negócios com o fiel segredo. Eu posso ajudar e lucrar ao mesmo tempo e dá tudo certo.
—Ajudar como? – riu Rasalas.
—Sei lá. Fornecendo itens interessantes? Murtiscos, suco de bulbotúbera, etc. Um pouco de veritasserum também. Posso lidar com encantamentos também. Eu sou versado nesse tipo de coisa.
Rasalas soltou um suspiro e concordou.
—Eu vou falar com a galera. Mas... mas então você topa... tirar a Lena daqui?
—Com certeza. – riu Damian. Os dois olharam para ela, que tinha se deitado, para dormir novamente.
***
—Pare de correr! – ralhou para ela. Mas a garotinha gargalhou e continuou correndo em câmera lenta. Correu atrás dela, desesperado para alcançá-la. Por que queria alcançá-la? Nem mesmo sabia – Alhena! Me espere! – ralhou Draco, mas ela virou no corredor e ele soube pra onde ela estava indo. Para a sala de visitas. Soltou um muxoxo e correu atrás dela – Me espere, por favor! Pare correr. – pediu entrando na sala. Ela sorriu para ele. Já não era mais uma garotinha, mas agora uma adolescente. E ela usava aquele vestido branco que ele tanto gostava... – Lena. Não fuja.
—Eu preciso ir. Você vem? – perguntou ela.
—Ir pra onde? – perguntou – Rápido, porque Potter vai me acordar a qualquer momento!
Mas Alhena simplesmente entrou nas chamas. Soltou um muxoxo e foi até o flu. Jogou o pó nas chamas e entrou. Não sabia para onde estava indo, apenas esperava que ela o guiasse.
Saiu no Caldeirão Furado. Era a primeira vez que deixava a Mansão em sonhos. Alhena o esperava na porta do bar e ele a seguiu. Ela tocou os tijolos, abrindo a passagem para o Beco Diagonal.
—Vamos. Depressa! – riu ela.
—Pra onde? – perguntou ele, confuso. Mas ela segurou sua mão e isso o fez sentir uma vertigem, como se não fosse mais do que um adolescente apaixonado e bobo. Alhena entrelaçou os dedos com os seus e eles ficaram passeando pelo Beco Diagonal. Viu várias pessoas por lá. Inclusive Lisian Martel. A garota acenou para ele e ele acenou de volta – Astoria está aqui? – perguntou ele.
—Depende. Você quer que ela esteja? É o seu sonho. – riu Alhena.
—Não é só um reles sonho. Se fosse, não estaríamos aqui, mas no meu quarto. Fazendo coisas muito inapropriadas. – disse sorrindo e Alhena revirou os olhos, sorrindo.
—Você não muda nunca! – riu ela – Vamos!
—Pra onde? – perguntou curioso.
—Você vai ver. – riu ela. Draco deu de ombros e concordou, apreciando o passeio. Os dois entraram na Travessa do Tranco e ele sentiu alguém segurar seus braços – Oh... não deu tempo. – resmungou ela.
Tentou se desvencilhar, mas as mãos invisíveis não o soltaram.
Abriu os olhos e se viu na sala de visitas. Potter o olhava zangado.
—Cacete, Malfoy. Nem noite é. – ralhou ele. Draco soltou um muxoxo, zangado e olhou ao redor. Estava segurando o pó de flu, parado em frente à lareira – O que está acontecendo?
—Eu não sei. – murmurou confuso, franzindo a testa – Eu preciso ir. – adicionou entregando o flú para Potter e saindo da sala. Caminhou de volta até o quarto, pegou a varinha e a guardou no bolso. Era sempre o mesmo sonho. Sempre – Você quer me levar pra algum lugar... quer me levar para a Travessa do Tranco... por que? – perguntou confuso. Será que eram simples sonhos? Será que Alhena não tinha nada a ver com aquilo? – Eu vou fechar a mente pra dormir. Se os sonhos pararem, então não são apenas sonhos... mas vou precisar saber quem está guiando minha mente e pra onde... será Alhena mesmo? – perguntou confuso. Se vestiu de maneira mais formal e pegou a bengala que pertencera ao pai. Depois desceu as escadas e foi até o portão. Deixou a mansão, caminhou alguns metros até sair do alcance do feitiço, e aparatou. Depois de andar um pouco, chegou no Mungus. Se identificou e foi até o quarto dela. Rasalas e Damian estavam lá e ele ficou um pouco constrangido por conta disso – Ei... tudo bem?
Damian desviou o olhar, ligeiramente desconfortável, mas Rasalas suspirou.
—Na medida do possível.
—Como está o seu pai? – perguntou Draco, entrando.
—Estável.
—E sua mãe?
—Hesse escreveu um belo “H” nas costas dela. Com uma faca... ainda não parou de sangrar completamente, mas... mas está melhorando. – explicou Rasalas. Draco concordou com um aceno de cabeça e se aproximou de Alhena, que estava deitada, com os olhos abertos e vagos.
—O que veio fazer aqui, Malfoy? – perguntou Damian.
Draco respirou fundo.
—Eu estou sonhando com Alhena... uns sonhos estranhos. – murmurou olhando nos olhos dela – Eu... eu acho que ela... ela está tentando se comunicar comigo.
Rasalas soltou um suspiro.
—Draco, Alhena não está melho...
—O que te faz pensar isso? – perguntou Damian parecendo interessado. Não zangado. Não desdenhoso ou incrédulo. Parecendo simplesmente interessado.
—Eu nunca fui sonâmbulo, mas agora eu sonho que ela quer me levar pra algum lugar e eu estou andando pela casa. Ela quer que eu vá na Travessa do Tranco... mas por que? – perguntou confuso.
Damian deu de ombros.
—Alhena. Você quer andar um pouco? – perguntou ele. Alhena não reagiu.
—Gente. Está na hora de vocês aceitarem que... – começou Rasalas, mas Damian o cortou.
—Ela está melhorando. – disse Damian.
—Ela está andando. O Medibruxo disse que... – começou Rasalas.
—Não. Ela reconheceu o medibruxo novo. – discordou Damian – Lembra quando... – ele baixou os olhos – Lembra quando eu namorei a Pansy? Como ela me olhava?
—Não. – responderam os dois juntos.
—Pois é. Eu não vou esquecer... ela olhou de um jeito muito pior para ele. – Damian coçou o queixo – Draco. Você viu o Hesse. Como ele é?
Rasalas olhou Damian, boquiaberto.
—Ele veio aqui?! E você não disse nada?! – perguntou Rasalas.
—Veio um medibruxo novo, com toda a documentação do Mungus com ele. – explicou Damian – E ele não se apresentou como Kevin Hesse... mas como Hikes. Mas... – Damian soltou um suspiro – Como ele é, Draco?
—Careca, olhos claros, com um sorrisinho cínico do caralho, mais alto que você, forte e com uma voz macia e sussurrada. – explicou Draco – Da sua cor, mais ou menos... talvez um pouco mais claro. – Rasalas olhou Damian, que parecia pensativo. Os três olharam para Alhena, que estava parada, olhando a parede, com o olhar perdido e vago.
—Eu só sei que precisamos tirá-la daqui. Ela não está segura. – murmurou Damian.
—Completamente de acordo. – murmurou Draco. Ele suspirou e foi até Alhena, segurar as mãos dela – Alhena. Me diga. O que eu devo fazer na Travessa do Tranco? – perguntou. Todos a encararam, com expectativa – Me dê um sinal de que os meus sonhos são obra sua. – pediu a olhando nos olhos, mas ela não reagiu... de forma alguma. Soltou um muxoxo, vencido e se virou para Damian e Rasalas – Ras te contou o que eu pensei... sobre como tirar a Lena daqui?
—Contou. – murmurou Damian.
—E então?
—Eu concordo. – disse Damian com firmeza – Chega de ficar jogando nossas diferenças na cara um do outro. Mesmo que Alhena melhore, eu duvido muito que ela vá voltar a ser como ela era. Nem de perto. É besteira ficar trocando alfinetadas... – Damian soltou um suspiro e olhou para Rasalas que sorria de lábios fechados, parecendo satisfeito – Eu disse, anos atrás, que se você me contasse o que tinha acontecido... eu te perdoaria. – Damian soltou um suspiro – Eu te perdoo, Draco. Por ter se apaixonado por ela. Quem sou eu pra ter te julgado por isso? – ele deu de ombros – Mas não dá pra ignorar que você beijou Alhena e fez ela sair de casa. Isso eu não perdoo. Eu tenho minha parcela de culpa por ela ter me deixado... mas você também tem. E eu ainda não estou pronto pra te perdoar por isso.
—Nem eu pra me arrepender por isso. Mas eu peço desculpas assim mesmo. Ela era a sua esposa. Eu deveria ter... aguentado. – murmurou Draco – Mas se ela melhorar, eu vou lutar por ela.
—Eu também, não pense o contrário. – disse Damian.
—Lindo! Vocês se amam! Agora se beijem! – riu Rasalas pulando sobre eles e passando os braços por seus ombros – Estou tão orgulhoso de vocês, crianças... agindo como gente grande pela primeira vez um com o outro em meses!
—Cale a boca, Rasalas! – resmungaram Draco e Damian, juntos.
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Draconis estava andando com os gêmeos, para curtir a tarde ensolarada do domingo. A neve tinha derretido, finalmente, e já não estava tão abissalmente frio. Viu o grupo de treinamento de Loto e sorriu, querendo vê-lo e namorar um pouco. Talvez fosse para o navio dele... mas logo viu que um monte de gente zangada vinha na frente dele... em sua direção.
Sentiu um frio lhe subir a espinha e sacou a varinha, discretamente.
—BURKE! – rosnou um dos alunos. Os gêmeos o olharam confusos e Draconis recuou um passo. O rapaz fechou o punho e tentou socá-lo, mas Loto o puxou pela gola e o jogou no chão, sacando a varinha.
—Não ouse, Maokai! – rosnou Loto – Se encostar num fio de cabelo do Draconis eu te como vivo!
—Oh, amor. Não precisava. – riu Draconis piscando para ele, só para fazê-lo corar – O que houve, cara? O que eu te fiz? – perguntou com um sorrisinho desdenhoso.
—Seu tio. Fez isso. – rosnou Maokai lhe jogando um jornal na cara. Draconis piscou, surpreso, e pegou o jornal. Depois ficou boquiaberto. As costas feridas, formando uma frase... ele olhou para os gêmeos, em choque – A segunda da primeira fileira é a minha mãe. – rosnou ele. Draconis sentiu um frio na espinha. Tinha visto o tio alucinado, matando bruxos... mas não o vira fazendo aquilo...
—Eu não sou o meu tio. – disse jogando o jornal no rapaz – E se ele fez isso... eu não faço a menor ideia do motivo. – adicionou. Ele se virou para os amigos, preocupado. Eles olhavam o jornal, que estava no chão, onde mostrava as cinco costas, das cinco mulheres, que choravam e soluçavam – É a mãe de algum de vocês?
—Não. – responderam os dois.
—São nossas tias. – murmurou Vlad, horrorizado.
—Alguém tá caçando o tio Kevin... ele deve ter aprontado pra valer dessa vez. – riu Harley.
—Como ousa rir, sua bastardinha, filha de empregada?! – perguntou Maokai se levantando. Harley o olhou com desdém, mas Vlad baixou o olhar, envergonhado. Draconis olhou para Loto que negou com a cabeça, num pedido mudo para que ele não se envolvesse. Mas Loto nunca tinha sofrido bullying na vida e ele não fazia ideia do quanto era horrível ser chamado de bastardo.
—Enrole a língua, Maokai, ou vai ganhar uma tatuagem igual. – rosnou. Loto soltou um muxoxo e Harley sacou a varinha, querendo dizer que o apoiaria num duelo. Vlad ficou ao lado dela, sem parecer muito feliz por isso. Loto ficou ao seu, com a varinha em riste. Logo James ficou ao seu lado também.
—Se importam se eu ajudar? – perguntou Potter.
—Ajuda nunca é demais. – riu Loto.
—Bom. – riu James.
E quando ele sacou a varinha, muitos outros ao lado de Maokai saíram de perto dele para ficar atrás de James.
—E então, Maokai? – riu Harley – Vai vir me peitar agora que não é maioria? Agora que a vovozinha não tá aqui pra te proteger? Nem o babaca do seu tio?
—Ele é seu tio, também, sua vaca. – rosnou Maokai.
—Não. Eu sou bastarda e com orgulho na hora de falar que não sou da família dele. Papai pode enfiar o sobrenome no cu dele, também. Ou melhor. Eu não sou bastarda. O bastardo é meu pai. Não se esqueça disso. Minha mãe foi a melhor escolha que ele tomou na vida e se ele tiver o mínimo de inteligência, ele vai escutar o que ela diz e mandar o seu tio pro inferno sozinho.
Maokai corou de fúria, mas não avançou. Ele estava numa visível minoria. Harley saiu e Draconis a seguiu. Os alunos começaram a segui-los, deixando claro de que lado estavam. Segurou a mão de Harley e sorriu pra ela.
—Mandou bem, garota. – riu Loto a beijando no rosto.
—Vocês são uns lindos. Obrigada! – disse ela abraçando ele e Loto – Vocês também, gente. E tem gente com quem eu nunca conversei. Obrigada de coração.
—Se é amigo do James, é nosso amigo também. – riu um colega do rapaz.
—E se é amigo do Loto, pode contar comigo também. – riu outro garoto piscando pro Loto, lhe dando um sorrisinho cheio de canalhice.
—Sai, dessa, cara. Eu sou muito bem comprometido. – resmungou Loto, corando de leve. Ele odiava ser paquerado em público, afinal ainda tinha vergonha de ser um gay assumido.
—Isso mesmo. – ralhou Draconis dando um tapa na bunda de Loto e o puxando pra perto – Isso tudo aqui é meu, ouviu? – disse com um sorrisinho, fazendo Loto corar mais do que nunca, arrancando gargalhadas de todo mundo.
—Hey, Harley. – chamou Fensterseifer. A namorada de Harley – Se aquele idiota mexer com você de novo, me avise, ouviu? Ninguém mexe com a minha garota.
—Obrigada. – riu Harley abraçando a namorada. Draconis olhou para James com um sorriso agradecido e o Grifinória riu de volta, apoiando o cotovelo em seu ombro.
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Navi estava estudando com Vince, afinal os N.I.E.M.s estavam chegando. Ele engoliu em seco, pensando no último relatório que tinha dado sobre a aula de História da Magia. Sobre a guerra entre trouxas e bruxos, na época dos fundadores... quando Salazar Slytherin foi considerado o campeão bruxo, por salvar tantos deles da fúria incansável dos trouxas...
Por isso Salazar Slytherin nunca foi capaz de confiar nos trouxas. Ele deve ter visto muita coisa escrota. Muitos bruxos, inclusive crianças, sendo queimadas vivas, chorando alto e chamando por suas mães. Muita gente morrendo. Muita gente sofrendo... e todo o terror que o ser humano é capaz de fazer durante uma guerra... seja bruxo ou não.
Godric Gryffindor também foi um campeão bruxo, mas entendia que os trouxas tinham tanto potencial para crueldade quanto os bruxos.
Mas a professora Longshot pintava os trouxas como se fossem as criaturas mais monstruosas e sádicas da face da terra. O professor Jameson, de Estudo dos Trouxas, estava furioso, pois agora precisava ensinar sobre as coisas terríveis que os trouxas usavam em suas guerras. Ele estava contando sobre um homem chamado Hittler e todas as coisas horríveis que ele tinha feito, matando milhares de pessoas de maneiras imorais. O professor explicou que era obrigado a falar sobre os piores homens da história trouxa, mas também contou sobre várias pessoas que arriscaram a vida, para salvar muita gente, sem esperar nada em troca.
Era muito triste que estivessem pintando os trouxas dessa maneira torta e errada... bruxos poderiam ser tão ruins quanto. Era do ser humano ter potencial para a crueldade.
Suspirou, jogando a cabeça para trás e sentiu alguém se sentar ao seu lado. Era Dido.
—Ei, prima. – murmurou sorrindo pra ela. Dido sorriu também e lhe beijou no rosto.
—E então? O que está fazendo?
—Estudando pros N.I.E.M.s. – respondeu.
—Você? Estudando? Estou chocada. – brincou ela, arrancando um sorrisinho dele – Ei. Eu estava pensando... – riu Dido e Navi a olhou com curiosidade – Eu quero te pedir um favor. De verdade. Mas tem que ser um segredo só nosso. Nem a Les pode saber.
Navi olhou ao redor e viu que ninguém, além de Vince estava escutando. Mas o garoto fechou o caderno e “coincidentemente” foi ao banheiro.
—O que houve? – perguntou Navi e então sentiu um arrepio – Não me diz que tá apaixonada por algum irmão!
—O que?! Não! De onde tirou isso? – riu Dido – Eu sou próxima da Cerce porque ela é minha gêmea, mas eu não... que nojo, Navi.
—Ok. Ok... foi só pra constar. – riu aliviado. Naqueles dias tinha medo de descobrir mais casos de incesto por ai... – O que eu posso fazer por você.
—Então... – Dido se aproximou, se sentando mais perto e corando de leve – Caso... caso você termine com a Les... e eu ainda for virgem. Você poderia ser meu primeiro? – perguntou ela constrangida. Navi, piscou, surpreso e sorriu.
—Claro, prima. – riu ele – Seria uma honra. Mas... mas por que eu? – perguntou arqueando uma sobrancelha e franzindo a outra.
—Porque você é o garoto que eu mais confio. Que eu sei que vai me colocar em primeiro lugar no momento. – riu Dido – Eu sei que você cuidaria bem de mim... sabe?
—Sei. – riu ele. Sorriu pra prima e a beijou na testa – Combinado... mas... mas eu devo te dizer que não acho que vou terminar com a Les... ela... ela é a mulher da minha vida. – riu ele.
—Eu espero que não termine mesmo. – riu Dido apertando seu nariz – Ou eu vou acabar com a sua raça. – riu ela enquanto ele falava alguns “ai, ai, ai!”. Os dois riram de novo e Dido o soltou – Você e Les fizeram um bem danado um para o outro. – suspirou Dido. Navi concordou sorrindo.
—Onde ela está, falando nisso?
—Levou uma detenção do professor Slughorn por começar uma guerra de olhos de sapos na aula de poções. – riu Dido, fazendo Navi cair na gargalhada.
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Querida irmãzinha... eu estou morrendo de saudades.
Reno engoliu em seco, sentindo o gosto de sangue na boca. Sua garganta estava extremamente seca e parecia em carne viva. Seu corpo estava tomado por câimbras dolorosas, suas pernas estavam fracas e já não aguentavam mais seu peso. Seus pulsos amarrados nos grilhões estavam muito feridos e em carne viva.
Queria poder escutar sua voz mais uma vez... mas acho que... acho que não vou poder, a não ser em minhas memórias...
“Les entrelaçou os dedos com Navi, indo para o jantar. Navi contou uma piada obcena e ela, Lyra e Scorpius caíram na gargalhada, enquanto Dido ria escondendo a boca com as mãos e Cerce e Albus coravam de leve.”
Queria que soubesse que não houve um dia em que eu não pensei em você, na mamãe, no vovô e até no papai...
“Se sentaram pra jantar, com a risada ainda em seus rostos. Navi se curvou e mordiscou sua bochecha, afagando sua mão com o polegar.”
Eu queria que você não fosse obrigada a passar pelo que eu estou passando... eu queria te aconselhar a casar com o Lestrange assim que terminar a escola, assim poderia usar o sobrenome dele como escudo... Les... as coisas estão horríveis por aqui...
“-Ei. – sussurrou Navi a olhando com aquele sorriso bobo dele.
—O que? – perguntou Les, se aproximando e tocando o nariz com o dele.
—Eu te amo.
—Eu também te amo. – murmurou antes de beijá-lo nos lábios.”
Eu lutei contra o sistema desde o início, Les, por mais que você e a mamãe tenham dito para que eu não fizesse isso... eu e o Castiel decidimos que seríamos mártirs se necessário. Mas nós não nos dobraríamos para eles... mas eles souberam lidar com a gente... não teremos heróis nessa guerra, Les...
No início nos mandaram para o curso preparatório, sobre os trouxas. Uma lavagem cerebral, para nos convencer que eles não passam de animais irracionais... mas eu os desafiei, assim como Castiel. Nós falamos que os trouxas eram como nós.
Eu achei que seríamos presos, ou executados, mas no lugar disso, nos mandaram para os piores lugares para se estar. Nos mandaram para lugares onde os trouxas guerreiam há séculos ... Les... é... é assustador.
“-Céus, vocês dois. Vão pra um quarto. – riu Scorpius. Les abraçou Navi e mostrou a língua pro loiro.
—Morra de ciúmes, Scorpius.
—Escute aqui, mocreia. Tire as mãos do meu homem, ok? – brincou Scorpius se fazendo de indignado e arrancando risadinhas de todo mundo.”
Os trouxas aqui brigam há séculos. Ninguém nunca conseguiu fazer com que eles vivessem em paz. Foi pra cá que eles nos mandaram, Les...nos mandaram para morrer, bem longe dos olhares dos outros... apenas pra nos fazer virar estatística, Les... eu não vou voltar pra casa... por favor, fique bem...
Escutou um barulho muito alto e levantou a cabeça, fracamente. Seria seu carrasco? Estava há dois dias sem comida e sem água... a morte viria como uma boa amiga, para salvá-lo dali. Fechou os olhos, vencido. Baixou a cabeça e esperou que, seja lá quem fosse, terminasse logo aquilo. Estava cansado de lutar. Estava cansado de ver morte e destruição. Queria ir pra casa... e se não pudesse ir pra casa... queria ao menos se encontrar com sua avó, que provavelmente o esperava no outro mundo, na outra vida.
Suspirou e sentiu uma mão macia em seu rosto.
—Reno? Reno Young?
Sentiu todos os pelos do corpo arrepiarem-se. Piscou confuso, se perguntando se era sua mente lhe pregando peças. Olhou para a mulher a sua frente e sorriu fracamente.
—Lestrange... – murmurou num sussurro. Polaris o olhou em choque e o abraçou. Gemeu de dor com o aperto dela.
—Aquele ali é Castiel? – perguntou ela, em choque. Reno concordou, olhando para o amigo, que estava pendurado pelos pulsos também – Não se preocupe. Nós viemos resgatar vocês. Seus comandantes foram derrotados e capturados. Vamos levar você pra casa... – sussurrou ela brandindo a varinha e o ajudando a se sentar, depois de soltar seus pulsos dos grilhões.
Concordou e desmaiou de exaustão.
Eu estou indo pra casa, Les... por favor... se cuide...
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