Legado Lestrange II - Legacy
75 Involuntary
Notas iniciais
Capítulo 75
Mais um final de semana. Fazia um dia até quente, na verdade. Harley e a namorada se agarravam ali perto, Vlad estudava em cima dos galhos de uma árvore, afinal eles teriam N.I.E.M.s em breve. Draconis estava adiantado com seus estudos, por sempre ter sido organizado com isso, então estava aproveitando o tempo livre pra passar o tempo com Loto.
Estavam deitados na grama, sentindo o sol esquentá-los. Deitados, lado a lado.
—Draconis... – murmurou Loto, parecendo muito sereno.
—O que? – perguntou Draconis, curtindo o calor do sol.
—Quando voltarmos pra casa... você vem comigo, falar pra minha família... sobre... sobre nós? – perguntou ele. Draconis deu um sorrisinho.
—Devo ir com a varinha em punho?
—Preferencialmente. – riu Loto. Draconis soltou um suspiro.
—Claro... meu pai respondeu a minha carta? – perguntou Draconis.
—Não. – respondeu Loto – Demora um pouco pro... pro correio chegar e...
—E você está mentindo. – ralhou Draconis. Loto deu uma risadinha e se virou, apoiando a cabeça na mão, com o cotovelo no chão.
—É. Era pra ser surpresa. – riu Loto – Seu pai falou que está arrumando a antiga casa de vocês, pro caso da gente querer ficar lá.
—Castor e Póllux moram lá. – murmurou confuso.
—É, mas... – Loto deu de ombros – Os gêmeos compraram uma casa. Então...
—Isso significa que vamos morar juntos? – perguntou Draconis, surpreso.
—Se você quiser, sim. Eu vou ter que pagar aluguel pro seu pai. Mas ele me fez um preço massa. – riu Loto se sentando – Você viria morar comigo?
—Claro. – riu Draconis, dando de ombros – Eu planejava dividir um teto com você desde o dia das bruxas. – riu ele – Como colegas de casa, não como casal, mas... – se aproximou do namorado com um sorrisinho travesso – A vida tem dessas, né?
—É. – riu Loto – A Lana vai adorar te conhecer pra valer.
—Sua irmã, né?
—É. Launet. – riu Loto – Ela é a pessoa mais incrível do mundo... depois de você, é claro. – riu ele. Draconis riu de volta – Ela é uma bruxa formidável. Pena que tá noiva do babaca do Grant. – riu Loto.
—Argh. Nem me lembra desse babaca. – resmungou Draconis – Ela é do ano dele, né?
—Um ano mais velha. – riu Loto – Ela é dois anos mais velha que eu. – explicou ele – Ela não gosta dele, mas... – ele deu de ombros – Os sacrifícios que fazemos pela família...
—Bem... você abriu mão disso. – murmurou Draconis – Por minha causa... isso é meio escroto.
Loto deu de ombros.
—Eu cansei de viver mentindo, sabe? – perguntou Loto – Eu acho que eu nunca fui tão feliz, em toda a minha vida, desde que eu parei de me esconder e comecei a agir como eu realmente sou. Parece que tirei quilos dos meus ombros.
—Eu sei como se sente. – riu Draconis – Quando eu confessei pros meus pais... ainda mais por eles terem achado ok... foi ótimo, sabe?
—Eu queria que meus pais achassem “Ok” também... mas eu sei que não vai acontecer. – murmurou ele ficando um tanto triste.
—Por que?
—Eu sou o único varão da família. É minha responsabilidade passar o nome pra frente... então... então meu pai vai me odiar por... por isso, saca? – perguntou Loto. Draconis fez uma careta e passou o braço ao redor dos ombros dele.
—Ei... – riu Draconis e Loto o olhou – Não fica assim. Ok? Teremos nossa pequena Alexia Burke de qualquer maneira.
Loto lhe deu um sorrisinho travesso.
—Teremos, é? – perguntou ele. Draconis corou de leve – Tá me pedindo em casamento, Draconis?
—Oh, cale a boca. – riu o loiro. Loto riu também e suspirou.
—Obrigado por me apoiar. – murmurou Loto deitando a cabeça em seu ombro.
—Que isso. – riu Draconis – É pra isso que serve um namorado.
—Então... eu preciso te perguntar... – murmurou Loto – Eu estava pensando... que tal a gente fazer uma viagem, só nós dois, depois que você se formar? Ou você vai fazer o curso que eu fiz?
—Nhé... – riu fazendo careta – Eu quero um cargo político no Ministério. Eu já duelo o suficiente pra isso. Eu só preciso de bons N.I.E.M.s em História da Magia, Aritimancia, Poções e Runas.
—E Transfiguração?
—Sem o Navi pra me ajudar? Nem fodendo. – riu Draconis.
—Ah! Que absurdo. O senhor vai conseguir seu N.I.E.M em Transfiguração sim, oras! – ralhou Loto – Vamos. Eu vou te ajudar. Vamos lá pegar seu material pra estudar.
—A única coisa que eu quero estudar com você é anatomia humana, Loto. – riu Draconis com um sorriso cafajeste, mas Loto negou com a cabeça.
—Não vai se aproveitar do meu corpinho antes de estudar, mocinho. Vamos. Vamos! – ralhou ele o puxando.
—Aaaah... Loto... – resmungou preguiçosamente, mas o namorado não se deixou convencer.
—Meu futuro maridinho vai conseguir os N.I.E.M.s dele sim, oras! – ralhou Loto, o puxando para o castelo.
*
—Como o Damian está? – perguntou Draco pegando Alhena no colo. Rasalas tirou a máscara e o disfarce, com um sorrisinho.
—Ele duelou contra mim. Não teve a menor chance. – riu ele. Draco sorriu e concordou com um aceno de cabeça.
—Ok, senhor duelista. Eu vou levar a Alhena pro quarto dela. – riu ele.
—Certo. Eu vou correr pra descobrir que minha irmã foi sequestrada. – explicou Rasalas – Luna, eu preciso que cure meus ferimentos aqui.
—Já estou indo, Ras. – murmurou ela, docemente, enquanto curava Ted, que foi quem ajudara a resgatar Alhena.
Draco guiou Alhena para um dos quartos nos andares de baixo. Era o quarto que ela usara quando estivera com Rabastan, anos atrás, quando ainda era uma adolescente. Ele mesmo tinha preparado o quarto dela, o deixando adequado. Tinha lacrado as janelas, arrumado uma cama bem confortável e deixado uma outra cama para um eventual acompanhante pra ela (provavelmente Damian). A suíte não tinha uma banheira, então ele reformou o banheiro com a ajuda de Rasalas, para colocar uma banheira simples lá. Era mais fácil de cuidar dela.
As paredes tinham barras, para que ela se apoiasse caso resolvesse andar. Damian garantiu que ela estava aprendendo a ir ao banheiro e isso era realmente muito incrível. Pra quem iria ficar deitada na cama pelo resto da vida, ela tinha melhorado bastante.
Draco suspirou e a colocou na cama. Se sentou ao lado dela e sorriu.
—Bem vinda, Lena. Você vai ficar aqui agora. Ninguém nunca mais vai te machucar, ok? – perguntou ele. Alhena se sentou e o olhou. Sentiu uma vertigem quando ela fez isso, afinal ela não era de olhar pras pessoas. Isso era muito raro – Olá... você está me ouvindo? – perguntou curioso. Alhena piscou e então suspirou, deitando a cabeça em seu peito e apoiando os braços frouxamente ao seu redor, num inconfundível abraço. Sentiu o coração acelerar e um nó na garganta. A abraçou de volta, contente por tê-la ali – Eu te amo, Lena... – sussurrou baixinho, só pra ela – Eu vou te salvar... eu vou te trazer de volta pra mim... eu nunca perdi minhas esperanças... – sussurrou. Alhena o soltou e o olhou nos olhos de novo. E então ela fez a coisa mais doce que podia fazer. Ela sorriu... – Lena? – e então desmaiou. A segurou para que ela não caísse de qualquer jeito. A fez se deitar com cuidado e a cobriu com o cobertor – Durma bem, Lena. – murmurou beijando a testa dela. Se levantou e suspirou, saindo do quarto. A olhou uma última vez e sorriu contente com aquele presente que ela tinha lhe dado... o mais doce sorriso da face da terra...
**
—Muito bem. – disse o professor Fawley – Não se esqueçam de fazerem as tarefas de casa. Elas são fundamentais para a assimilação da matéria. Sr. Malfoy, você poderia treinar mais aquele movimento com o pulso que eu te falei e Sr. Potter, você precisa fazer aqueles exercícios de concentração. Esvazie a mente. É fundamental no estudo de Transfiguração. E Srta. Lestrange, continue com o bom trabalho.
Lyra não respondeu. Não confiava no professor. Saíram da sala com Scorpius tentando fazer o movimento com o pulso que o professor lhe passara.
—Esvaziar a mente? Como se esvazia a mente com quinhentas mil coisas pra se preocupar? – perguntou Albus.
—É só questão de concentração. – riu Lyra.
—Ou já ter a cabeça de vento. – alfinetou Cerce. Lyra a olhou feio e sentiu alguém abraçar seu braço. Imaginou que era Les, mas era Dido.
—E então, priminha... pensou a respeito daquela nossa conversa?
—Sim! – riu Lyra – E eu tenho o garoto perfeito. – adicionou ela.
—Perfeito? Estou gostando. Prossiga.
—Sabe o Wood, do sétimo ano da Grifinória? – perguntou Lyra com um sorrisinho e Scorpius e Albus ficaram atentos.
—Ei, ei, ei! Que papo é esse que eu não estou sabendo? – perguntou Les.
—É coisa de prima, Les. – riu Lyra – Mas o que você acha do Wood?
—Tá brincando, né? Ele é um sonho. – riu Dido – Mas você já falou com ele?
—Falei com a irmã dele. A Sarah. – explicou Lyra – Ela é amiga da namorada do Scorpius. Ela comentou com o irmão dela se ele ficaria com alguma de nós duas e ele disse que... hum... parafraseando: É óbvio!
As duas deram risadinhas e concordaram animadas.
—Ok. No Endure, amanhã, no dia da festa. Combinado?
—Claro! – riu Lyra – Vai ser o máximo.
—Me diz que é putaria e não um plano maligno pra destruir o melhor batedor da Gri... – começou Scorpius, mas ele mesmo se interrompeu – Não. Esquece o que eu disse. Me diz que É um plano maligno pra destruir o melhor batedor da Grifinória!
—Não. É um plano para ajudar eu e Lyra a rirmos um pouquinho e descontrairmos.
—Fazendo o que? – perguntou Albus, fechando a cara.
—Não é da sua conta. – disse Dido e Albus corou com violência.
—Credo, mana. Não precisa ser grossa com o Albus. Ele só perguntou.
Dido mostrou a língua para Albus e Lyra a amou por isso. Saíram da aula de Transfiguração para a de Feitiços. Depois foram almoçar.
Les se jogou nos braços de Navi e os dois começaram a se agarrar de maneira nada comportada em cima da mesa. Lyra e Dido reviraram os olhos ao mesmo tempo e riram em seguida, ao notar isso.
—Sabe, Lyra... eu acho que nós deveríamos passar mais tempo juntas. – riu Dido.
—Eu acho o mesmo! – riu Lyra – O que acha de irmos flertar com o Wood?
—Vamos! – riu Dido.
—Não se esqueçam de envenenar a bebida dele! A Grifinória não pode bater a Corvinal ou não vamos levar a Taça de Quadribol! – pediu Scorpius.
Lyra e Dido foram de braços dados para a mesa de Quadribol e Cerce escutou Brontë dar uma risadinha.
—O que foi? – perguntou Trixie.
—Aquelas duas vão dominar essa escola assim que nos formarmos. – riu Brontë – Se Young não se obliterar quando não tiver mais Lestrange pra comer ela nas horas vagas, ela pode entrar pro time das Profanas no próximo ano.
Les, que ainda estava tentando tocar as amídalas de Navi com a língua, se interrompeu para olhar a garota.
—Eu não preciso disso, meu bem. Eu não preciso ferrar com a vida de todo mundo pra compensar a minha frustração sexual ou minha falta de cérebro. – riu ela – Você é uma virgem mal comida. – disse ela olhando para Brontë – Você é uma retardada que está gostando de um cara que não dá a mínima pra você, além de ter idade pra ser seu pai. – E então ela olhou pra Rosier – E você é simplesmente burra. – Les piscou para as três, que a olhavam ofendidas – Vamos, Navi. Eu to com vontade de dar.
Navi se deixou levar com um sorriso besta no rosto.
—Essa é a minha garota. – riu ele.
—Mas... mas vocês não vão nem comer?! – perguntou Albus.
—Relaxa. Eu vou. Repetidas vezes. – riu Navi enlaçando a cintura da namorada.
O casal se afastou e Scorpius soltou um muxoxo.
—Cara... eu mataria por um boquete... e o Navi ostentando sexo na minha frente. Que sacanagem. – lamentou ele, arrancado risadinhas dos outros garotos do sexto ano.
—Mas você não tá comendo a Lestrange? – perguntou Selwyn – Direto a gente vê ela saindo da sua cama.
—Não. Eu não estou traindo a Rose. – resmungou Scorpius – Mas eu juro que se ela não abrir as pernas as coisas vão ficar feias... sabe qual foi a minha última foda?
—Eu realmente não quero saber. – resmungou Albus.
—Que vergonha, Scorp. Não deveria falar essas coisas! – ralhou Cerce.
—Oh, esqueci que estava falando com o casal castidade. – resmungou ele arrancando mais risadinhas de todo mundo – Você já pagou um guloso pro Albus, Cerce?
—SCORPIUS! — ralhou Albus, corando quase tão violentamente quanto a namorada.
—O que? Foi só uma pergunta inocente! – riu Scorpius, fazendo os outros garotos rirem.
—Ei, Cerce. – chamou Selwyn – Você sabe se a sua irmã realmente não cogita ficar comigo ou se só está se fazendo de difícil? – perguntou ele.
—Ela te acha um idiota. – respondeu Cerce – E eu concordo com ela. Você é um idiota, pelo que fez com o meu irmão.
—E comigo! – ralhou Vince, ao lado das Profanas – Você é um idiota. Seu irmão fazia merda por pressão da galera. Você faz merda por achar engraçado.
—Cala a boca, queima rosca. – resmungou Selwyn – A conversa não chegou ai no seu nível.
—Viu? Por essas e outras que não tem chance com a minha irmã. – ralhou Cerce.
—Não sou obrigado a gostar disso. – resmungou Selwyn franzindo a testa e apontando pra Vince.
—Mas o mínimo que tem que fazer é respeitar. Seu retardado. – ralhou Albus – Não precisa gostar, não precisa aceitar. Mas respeitar é o mínimo. E Vince nunca deu em cima de você. Não sei o motivo pra tanto preconceito. Tem medo de ser tratado igual você trata as garotas?
—Não vou ouvir sermão de um moleque que nunca botou o pau pra funcionar.
—Desculpa ai, senhor pirocudo. – debochou Albus – Mas pelo menos eu to com a mina que eu gosto. – Mas no lugar de ficar enfezado, Selwyn sorriu.
—Mesmo? Não sabia que tava pegando a Lestrange também. – alfinetou ele.
Albus corou com violência e Cerce olhou feio para Selwyn.
—Albus não gosta da Lyra. Ele gosta de mim!
—Uhum. E eu não gosto da sua irmã... eu gosto... hum... da Burton. – debochou Selwyn.
—Ei, Gale. – riu Scorpius.
—O que foi?
—Cale a boca. – riu ele. Gale soltou um muxoxo e começou a se servir. Malfoy sorriu convencido e fez o mesmo.
***
Damian entrou na Mansão Malfoy, depois de muito tempo.
—E aí. Como está? – perguntou Rasalas com um sorriso culpado.
—Pra quem quase foi rasgado ao meio... to bem. – riu Damian – Meu pai ficou meio desesperado, achando que eu ia morrer, foi um sufoco até ele se acalmar, mas agora está tudo bem.
—Que bom. – riu Rasalas – Vem, vou mostrar o seu quarto.
A Mansão Malfoy nunca esteve tão cheia. Tinha gente para todos os lados, alguns cuidavam de feridos, outros chegavam pela lareira, agitados, perguntando: Onde está Potter?!
Outros apenas conversavam, outros analisavam mapas. Pansy estava mostrando uma planilha num quadro branco com os rostos de vários nomes importantes no Ministério para vários outros bruxos, que prestavam absoluta atenção nela. Crianças corriam pra lá e pra cá, fazendo bagunça e gargalhando. Não fazia a menor ideia do que aquelas crianças eram. Olhou curioso para Rasalas e não aguentou.
—Crianças? Na Resistência?
—Algumas são filhos de membros. Você pode trazer o Órion se quiser. – riu Rasalas – Mas algumas dessas crianças são nascidas trouxas ou aspirante a videntes. Estamos escondendo todos os que conseguimos os nomes no registro.
—Como conseguiram acesso ao registro...? – Rasalas o olhou com um sorrisinho – Pansy?
—Pansy.
—Imaginei. – riu Damian – Isso é incrível!
—Sim. Temos mais de cem bruxos aqui. – riu Rasalas.
—Não acha arriscado? Ter esse tanto de gente? – perguntou Damian.
—Esse número ficou realmente alto por causa das pessoas que resgatamos das Missões de Saque. Temos ex-soldados aqui. – explicou Rasalas e Damian piscou surpreso – Mas Draco falou que não quer que a gente traga mais gente pra cá. Então estaremos usando a Mansão da Addie na França, já que a Ministra da Magia e a Corte Francesa se colocaram contra o Protocolo de Makohotokoroto... eu não sei pronunciar isso. – resmungou ele – A Mansão dela não é tão grande, mas vai servir pra ajudar.
—Adhara deixou o país de vez, então?
—Sim. – respondeu Rasalas – Foi muito bom que você voltou. Você sabe fazer um feitiço fidelis não sabe?
—Claro. – riu Damian.
—Ótimo. Nós vamos precisar de bruxos que saibam fazer esse feitiço, pra fazer mais lugares seguros.
—Você sabe que uma pessoa só pode fazer esse feitiço uma vez, não sabe? – perguntou Damian – A menos que eu desfaça o feitiço, não vou poder fazer de novo.
—Eu sei. Por isso que precisamos de você. Pra encantar a Mansão, precisamos de sete pessoas. – explicou Rasalas e Damian soltou um assovio – Gastamos todos os bruxos que sabiam fazer o feitiço.
—Mas também... isso aqui não é uma casa. É um castelo. – resmungou ele. Rasalas concordou com um sorriso e abriu uma porta. Draco estava lá, com Alhena. Ela dormia tranquilamente e Draco a observava, parecendo muito sereno. O loiro se virou para encará-los e suspirou se levantando – Como ela está?
—Bem. – murmurou Draco – Eu já vou. Tenho... tenho coisas pra resolver. – murmurou ele com um sorriso sereno. Achou estranho o tom dele, mas deu de ombros.
Draco lhe deu umas palmadinhas no ombro e saiu assoviando “Eu posso ser um minúsculo limpador de chaminés, mas eu tenho uma vassoura enorme”.
—Lena... como ela está? – perguntou Damian. Rasalas deu de ombros.
—Eu não sei. Eu não passo muito tempo aqui. – murmurou Rasalas – Ver Alhena assim me dá calafrios. Eu prefiro ter na memória como ela era antes, entende? – perguntou ele. Damian soltou um suspiro e concordou – Bem, de qualquer maneira, esse é seu quarto e o dela. Como a cama que ela está usando é de casal, você pode trazer o Órion e deixar ele dormir na outra cama.
—Se eu desaparecer por agora, vai ficar suspeito. – murmurou Damian – Eu não quero chamar a atenção... – explicou ele. Rasalas deu de ombros.
—Bem... qualquer coisa chama o Draco. Não deixa a Lena sozinha.
—Eu não vou deixar Malfoy... – começou Damian, num resmungo, mas se calou com um olhar de Rasalas – Ok, ok... eu chamo Malfoy. Ele provavelmente é o único que se dispõe a ficar aqui com ela, né?
—Que eu confio que não vai se aproveitar dela, sim. – resmungou Rasalas – Nem meus pais sabem que ela está aqui e a Polaris está liderando um grupo de resgate na Síria... eu não sei onde, exatamente. Eu preciso ir. A gente se vê depois.
—Ok. – Damian suspirou ao ver o amigo deixar o quarto. Depois olhou para Alhena, que dormia. Se sentou na ponta da cama e então se deitou ao lado dela, para afagar a mão da esposa. Ficou mexendo nos dedos das mãos dela, se perguntando se tinham roubado a aliança dela no cativeiro ou se ela quem tinha retirado mesmo. Soltou um suspiro e a beijou na testa – Ei... acorde... – pediu baixinho. Alhena não abriu os olhos – Ei... amor... acorde um pouquinho... – Alhena se remexeu nos sonhos e abriu os olhos, preguiçosamente – Oi... – sussurrou pra ela. Ela o olhou nos olhos e suspirou. A mão dela foi para seu rosto e ela o afagou de leve. Piscou em choque e sorriu – Lena? – perguntou surpreso. Alhena o olhou nos olhos e levantou o rosto, o estudando com o olhar, como se o achasse familiar e estivesse tentando se lembrar de onde o conhecia – Sou eu. Damian. Seu marido. Lembra?
Alhena se sentou e pressionou a cabeça, fazendo careta e ele piscou assustado. Se sentou também, sem entender e ela deu um grito de dor. Um terrível grito de dor. A porta voltou a se abrir, com Rasalas entrando de uma vez.
—O que houve?
—Eu não sei. Ela... ela começou a gritar. – murmurou ele. Foi quando ele notou que o nariz dela estava sangrando. Sentiu um estalo e a abraçou – Alhena. Não é real! É só uma visão! Não é real! – disse imaginando o que estava acontecendo.
—O que...?
—Ela está tendo uma visão! – disse desesperado – E se ela demorar demais na visão, ela pode ficar presa. – explicou – Alhena, volte. Não é real. Volte, Lena!
—Volte, Lena. Volte! – disse Rasalas se aproximando. Mas Alhena apenas gritava, sacudindo a cabeça.
****
Estavam indo para o dormitório depois do jantar, quando sua sentiu uma pressão absurda na cabeça. Piscou assustado e segurou o pulso de Loto, sentindo sua mente se afastar dali.
—Loto... – murmurou. Loto o olhou, mas a voz dele não o alcançou. Estava nas estufas. Olhou ao redor e viu um rapaz de sua idade, com uma calça jeans, uma blusa branca e uma jaqueta preta – Quem é você? – perguntou assustado.
—Você tem uma boquinha de algodão, Lena...
—O que?! – perguntou assustado.
****
—ME LARGA! ME LARGA! ME LARGA! – gritou Cerce. Dido saiu de seu boxe, assim como Lyra e Les. As duas a encararam e entraram no boxe de Cerce. Ela estava sentada, nua, no chão, completamente sozinha, enquanto pedia desesperadamente para que alguém a soltasse.
—O que é isso? – perguntou Lyra, assustada.
—Eu sei lá. – disse Les – Dido?
—Eu... eu não sei. Cerce. Cerce?! – perguntou Dido – Não tem ninguém te segurando. Não tem ninguém te segurando! – mas Cerce continuava chorando e se abraçando.
—Me tire daqui! Por favor! Eu não quero! Não faz isso! Eu não quero! Eu não quero! Albus, me ajude! – chorou ela. Dido abraçou a irmã e a beijou na têmpora.
—Cerce. Sou eu. Dido. Não é real. Você está tendo uma visão. Não é real. Não é.
****
Draconis caiu no chão e se virou, com medo de que aquele garoto tentasse violentá-lo. Foi quando viu Cerce ali, chorando assustada.
—Cerce? – perguntou confuso. Cerce o olhou em choque e se levantou, vindo correndo.
—Draconis! Oh, Draconis! Ele... aquele homem horrível! – chorou ela.
Podia sentir a irmã tocá-lo.
—Onde estamos? – perguntou Draconis. Cerce olhou ao redor e fungou – Estamos em Hogwarts! Por que estamos em Hogwarts? – perguntou ele – Eu estou na Durmstrang... é mesmo você?
—Sou eu. – murmurou ela – E você... você é você mesmo?
—Eu... eu acho que sim, né...
Estavam em Hogwarts, no Salão Principal. Mas estava tudo vazio.
—Onde está todo mundo? – perguntou Cerce – Draconis... olha... olha aquilo. – disse ela apontando para o teto. Olhou, curioso, e viu que não havia teto. Piscou confuso e abraçou a irmã – Estamos presos numa visão. Algum vidente realmente poderoso nos trouxe aqui. Será que foi a mamãe.
—Mamãe está morta, Cerce. Eu vi. – murmurou Draconis.
—Eu... eu achava isso também... mas... mas se não for ela... quem? – perguntou Cerce.
—Eu não sei. – respondeu olhando ao redor – Eu não sei nem por que estamos aqui, pra início de conversa... – escutaram passos. Draconis tentou pegar a varinha, mas notou que não estava com ela. Puxou Cerce para debaixo da mesa e os dois ficaram observando em silêncio. Um vulto passou no saguão de entrada, sendo seguido por outro – Aquela... aquela ali... – murmurou ele.
—MAMÃE! – gritou Cerce o soltando e saindo de debaixo da mesa. Draconis a soltou. Sua mãe pulou a janela e o vulto, que era feito de sombras, a seguiu – Mãe! Espere... – pediu Cerce.
Foi quando sua cabeça doeu. Doeu muito. Caiu de joelhos no chão, segurando a cabeça, se perguntando se ela iria partir ao meio. Percebeu que Cerce também estava no chão.
—DRACONIS! – gritou uma voz. Era Loto.
—Onde você está?! – perguntou sentindo-se perdido.
—Acorde! Acorde, Drac! – pediu Loto.
Respirou fundo, sua mente deslizando para fora de Hogwarts. Abriu os olhos e notou que estava no chão. Muitos o olhavam em choque. Loto o olhava com preocupação, assim como Harley e Vlad. Estava suando e tremendo, com o coração acelerado. Sentia algo escorrer de seu nariz e quando colocou a mão para limpar, notou que era sangue.
—Você está bem, cara? – perguntou Vlad.
—Eu... eu não sei... o que aconteceu? – perguntou confuso.
—Você começou a tremer, seus olhos viraram e então você ficou todo tenso. – murmurou Loto o abraçando – E aí você caiu no chão, se sacudindo. Achei que estava tendo uma convulsão...
—E aí seu nariz começou a sangrar. – murmurou Harley – Não quer ir na Ala Hospitalar?
—Eu vou com ele. – disse Loto.
—Não, eu estou bem... – murmurou ainda confuso, com a cabeça doendo de leve.
—Você está sangrando, só pra início de conversa. – ralhou Loto – Eu vou te levar na Ala Hospitalar.
*****
—Ok... isso foi muito estranho... – murmurou Rasalas, massageando a cabeça. Um galo tinha se formado ali quando Alhena deu um grito e jogou tanto ele quanto Damian contra as paredes. Magia involuntária – Eu nunca tinha visto isso, apesar de saber que acontece.
—É por conta disso que não queriam que ela deixasse o Mungus. – resmungou Damian massageando a cabeça – Lá é cheio de supressores de magia involuntária. Malfoy provavelmente nunca imaginou que precisaria disso aqui. – Damian andou até Alhena, que estava desmaiada na cama – Na próxima vez, o que deveríamos fazer?
—Eu não sei... Rigel quem saberia, mas... – Rasalas soltou um suspiro – Ele não está em condições de ajudar quem quer que seja.
******
—Olá, como se sente nessa manhã? – perguntou Rigel. Viktor Travers, o diretor do Mungus e seu ex chefe olhou horrorizado para ele e Dominique – Espero que bem. – riu Rigel – Porque nós vamos ter uma conversinha, Dr. Travers. – Travers estava amarrado, amordaçado e em pânico, se sacudindo na cadeira de rodinhas, mas Rigel ignorou isso e o empurrou pelo escritório. Rigel sentou no colo do médico e deu um sorriso que ela julgou que teria sido quase amável se não fossem as cicatrizes no rosto dele – Pronto pra conversar, Dr. Travers?
Rigel tirou a mordaça do homem e colocou a varinha no pescoço dele.
—Não vai sair dessa, Lestrange. Estão procurando você... O Ministério inteiro está atrás de você...
—Bem... que bom que eles estão procurando nos lugares errados, não é mesmo? – riu Rigel e Dominique deu uma risadinha – Muito bem. Eu sei que Hesse voltou pra cá. Eu soube do recado que ele me mandou. Saiu no jornal também... – ele riu de novo – Não é romântico, Nini... estamos mandando bilhetinhos um para o outro. Parecemos aqueles adolescentes de contos antigos, que conversam por cartas... – Rigel soltou um suspiro – Mas no nosso caso, estamos deixando recados um para o outro na pele alheia... – Dominique riu de novo, mirando os arquivos do diretor – Então... você vai me falar onde eu posso encontrar meu dileto amigo Hesse... ou eu vou ter que deixar um recado pra ele?
—Não, por favor, não... eu tenho três filhos pequenos. Não faça isso, Lestrange.
—Três?! Três filhos? – perguntou Rigel de maneira quase histérica – Sabe quantos filhos minha irmã tem? Sete. Oito, se contarmos a bastardinha que ela cria. – ele riu de novo – Vamos ver... o que eu vou escrever em você... e onde? – perguntou ele parecendo descontraído.
—Não, não... eu falo tudo o que eu sei. Eu juro. Eu juro! – pediu ele. Rigel lambeu os beiços e o olhou com curiosidade – Hesse costumava vir aqui, pra ficar de olho na sua irmã. Ele queria levá-la de volta, mas... mas alguém a sequestrou primeiro.
—Quem?
—Nós não sabemos. – explicou Travers – Talvez a resistência...
—Potter? Por que Potter iria querer a minha irmã? – perguntou Rigel – Sabe a que isso me cheira, Travers? Mentirinhas... e eu não gosto de mentirinhas. – Travers respirou fundo e o olhou com medo nos olhos.
—Você... você vai me matar, não vai?
—Eu não tenho sido eu mesmo ultimamente... É difícil saber quem você é quando se está preso numa sala dia e noite, olhando os jornais, esperando notícias de um certo cretino... – Travers o olhou com terror nos olhos – A vida é cheia de distrações, Travers... Relacionamentos, emprego, televisão... – Rigel soltou um suspiro e Dominique revirou os olhos rindo de mais um monólogo louco dele – Algumas pessoas passam a vida toda sem encontrar “aquilo” que... as faz sentir completas e... põe um sorriso em seus rostos... – Rigel apertou o nariz de Travers, rindo contente pra ele – Na verdade é bem simples. Um simples programa de três passos que te ajuda a descobrir quem você é. – Rigel deu uma mordidinha na bochecha de Travers, que fez uma careta de nojo – Você quer saber como funciona?
—Só não me mate, Lestrange... – implorou Travers.
Rigel deu uma risadinha.
—É fácil. – continuou Rigel, como se Travers não tivesse falado – Não é nenhum bicho de sete cabeças... – ele deu um sorriso e Dominique encontrou o que estava procurando.
—Rigel. Olha só isso aqui. – disse pegando um arquivo com o nome Keith Hikes – Um médico novo, que entrou no lugar do Dr. Lorcan, que era quem cuidava da sua irmã... E olha só a foto. – riu ela mostrando a foto de Hesse.
—Tem um endereço aí, Nini? – perguntou Rigel.
—Sim. Tem sim.
—Ótimo. – Rigel puxou Travers de uma vez e o jogou dentro de um armário, para fechar a porta com força em seguida – Você não saberia algo sobre física quântica, saberia, Travers?
—O-O que? – perguntou Travers, de dentro do armário.
—Provavelmente não, já que a maioria dos bruxos puro sangue nunca se interessou por conhecimento trouxa... mas... – Rigel deu uma risadinha – Deixe então colocar em termos para leigos. – ele riu de novo e falou um pouco mais alto – E com isso eu quero dizer, para os estúpidos... porque nesse momento você me lembra daquele gato que um físico colocou numa caixa, junto com uma garrafa de veneno.
—Você vai me envenenar? – choramingou Travers e Rigel gargalhou.
—Vamos. Mais coragem, Travers. Eu só estou contando uma piada... e se eu fosse você eu prestaria atenção quando eu contar uma piada. – aconselhou Rigel – Ou você pode acabar perdendo a frase de efeito. – ele deu uma risadinha, passando a língua nos lábios – Você poderia até acabar sendo a frase de efeito... – ele deu outra risadinha e deu uns soquinhos na porta do armário, para ver Travers se desesperar – Como eu ia dizendo, o físico colocou um gato numa caixa com uma garrafa de veneno. Situação perigosa... e claramente ele não era amante dos animais... – Rigel deu outra risadinha – O físico disse que não havia como saber se o gato estava vivo ou se o gato estava morto... não até você abrir a caixa. Até lá, você teria que supor que o gato estava morto e vivo ao mesmo tempo. – Rigel fez um silêncio dramático. Dominique soltou um suspiro e Rigel sorriu – Incerteza... Esse é o primeiro passo. É disso que se trata! As pessoas imaginam como eu sei das coisas... – Rigel andou pelo escritório, também fuçando arquivos e pastas – Isso é só trabalho duro, probabilidade e um pouco de sorte. Você não pode prever as coisas. Não. Quando você acordou hoje, você achava que estaria se borrando dentro do próprio armário antes do horário do almoço? Não! Claro que não! – Rigel soltou um suspiro – Não tem como saber o que a vida vai jogar na sua direção. Até que seja tarde demais. – riu ele – É claro que a essa hora você começa a lembrar do passado e imaginar como deveria ser o futuro, sem viver o seu presente e nada muda. – Rigel soltou um suspiro, mirando um arquivo, parecendo concentrado – Eu aposto que se aquele gato tivesse prestado um pouco mais de atenção aos sinais de aviso à sua volta, ele poderia ter fugido e vivido uma vida feliz em algum lugar. – Rigel guardou o arquivo no bolso do sobretudo e andou de maneira sombria até a porta do armário, para socá-la com mais força e arrancar um gritinho de Travers – Agora ele está preso numa caixa com algum maníaco do lado de fora, que está balbuciando sobre incerteza. – Rigel respirou fundo, parecendo realmente furioso e Dominique se perguntou o que teria naquele arquivo que ele tinha encontrado – Vamos ter que terminar essa conversa depois. Eu acho que te perdi na metáfora do gato, de qualquer maneira. Mas não tem problema – riu Rigel pegando a varinha e abrindo a porta do armário novamente e Travers o olhou assustado – Eu sempre gostei mais de cachorros de qualquer maneira... Deixa eu te mostrar a azaração que vocês criaram, Dr. Travers, quando me levaram para o cativeiro. – Rigel sorriu e Travers abriu a boca para implorar, mas o Lestrange não lhe deu tempo. – Supplicium.
A boca de Travers se contorceu numa expressão muda de terror. Ele tremeu e chacoalhou de maneira grotesca, babando e virando os olhos. Sentiu um cheiro ruim vindo dele e notou que ele tinha se borrado todo. Depois de alguns segundos daquilo ele parou, parecendo morto, com os olhos esbugalhados.
—Ele morreu?
—Mais ou menos. – riu Rigel – Mas eu te garanto que o Dr. Travers não vai poder me dar aquela promoção que ele tinha me prometido. – brincou Rigel fazendo uma careta. Dominique deu uma risadinha e fechou o armário. Rigel pegou o cachecol vermelho e o enrolou ao redor do rosto, para esconder suas cicatrizes – Vamos, Dominique. Me deixe bonito.
—Quem vamos visitar agora? – perguntou ela lançando um feitiço de glamour em Rigel, fazendo as cicatrizes da parte de cima do rosto sumirem.
—Nós vamos ver meu pai agora. – riu ele.
—Por que?
—Porque estão querendo eliminar o meu velho... e os Lestrange cuidam uns dos outros. – riu Rigel.
Fale com o autor