Legado Lestrange II - Legacy
38 Killing Joke
Notas iniciais

Capítulo 38
Rasalas, Damian, Blair e Draco estavam todos sentados naquela sala. Damian na cama, com várias manchas violetas por sua pele. Ele estava ainda mais magro que antes, apesar de não tossir mais. Draco não conseguia parar de pensar que em breve ele iria morrer. Escutara o curandeiro falar que não fazia a menor ideia de como ele ainda estava vivo.
Rasalas o olhava parecendo miseravelmente infeliz. O amigo tinha lhe contado que Alhena fora chamada para receber “a conversa”. Damian só deixaria aquela sala para ir para o caixão... Então Alhena estava em casa, morrendo de chorar, completamente sozinha, afinal ela se recusava a chorar na frente do marido. O pai de Damian tinha acabado de ir embora, igualmente triste. Damian era filho único e Draco sabia muito bem como Jacques Burke se sentia.
Blair olhava Damian muito triste também. O amigo, que agora estava com a cabeça tigrada de grisalho, segurava a mão de Damian, com os olhos brilhantes e cheios de água.
—Goleiro... – chamou Blair. Damian sorriu fracamente, o olhando como se fosse morrer a qualquer segundo – Eu não acredito que você tá tão na merda. Você precisa melhorar pra jogarmos uma partida de quadribol. Nós quatro contra os moleques. Você pode escolher qualquer um dos oito pra jogar contra a gente... – murmurou Blair. Damian sorriu mais uma vez e suspirou.
—Acho que meus dias de atleta terminaram. – murmurou ele, fracamente. Blair baixou os olhos, fungando – Ei... não fiquem assim. Sem tristeza, ok?
—Desculpe, cara. Mas não dá pra evitar. – murmurou Rasalas. Draco soltou um suspiro, cruzando os braços e encarando os próprios pés.
—Draco... – murmurou Damian. O olhou com medo do que ele diria – Meu tempo está acabando... não vai mesmo me devolver o que você me tirou? – perguntou ele. Draco negou com a cabeça.
—Eu não sei o que você está falando. – murmurou simplesmente. Damian soltou um suspiro.
—Deveríamos colocar um... – ele respirou fundo – Uma emenda no código. Uma nova regra. Não mentir para um Bro em seu leito de morte.
—Eu aprovo. – riu Blair, ainda fungando.
—Eu acho melhor deixar pra lá. – murmurou Rasalas.
—Foi pesado assim, Ras? – perguntou Damian. Draco baixou o olhar, envergonhado, e Rasalas desviou o olhar do amigo.
—Draco teve os motivos dele pra fazer o que fez, Damian... deixe pra lá.
—Tem algo relacionado com Alhena? – perguntou Damian.
—Tem. – respondeu Draco levantando o olhar pra ele – Quando você e Alhena terminaram...
—Draco! – ralhou Rasalas.
—Alhena não queria voltar pra você. – disse ele. Damian o olhou surpreso – Ela estava muito magoada... pelo que você tinha feito com Clover. Você transou com ela dois um dia ou dois depois que ela saiu de casa, por você ter traído ela... Alhena ficou verdadeiramente magoada... – Draco respirou fundo, sentindo-se mal por mentir – Ela disse que já tinha te dado uma segunda chance, no nosso sétimo ano, quando você terminou com ela logo depois que ela foi estuprada por Pierre. Você meio que foi um babaca com ela... mas ela deixou isso tudo pra trás... então eu... então eu mudei as coisas. Ela acha que foi você quem a apoiou depois do estupro... eu fiz ela esquecer daquela época ruim, e fiz você esquecer também... pra não acabar soltando algum vacilo... – baixou o rosto – Foi só isso.
—Eu... eu não apoiei a Lena? – perguntou Damian, em choque consigo mesmo – Mas... mas como assim? Eu me lembro. – disse ele franzindo a testa – Eu lembro que fui na cama dela com um chocolate quente, pra falar que estava tudo bem e...
—Eu fui na cama dela falar isso. – disse Draco. Rasalas baixou o olhar – Você passou a semana inteira grudado com Pansy, achando que a Lena tinha te traído. – murmurou Draco – Eu quem cuidei dela, eu quem dormi abraçado com ela... eu quem conversei com ela, confortei ela, foi no meu ombro que ela chorou... fui eu quem disse que iria ficar tudo bem. – Draco soltou um suspiro – Quando você finalmente descobriu o que realmente tinha acontecido você... não soube como agir... e se afastou dela ainda mais... demorou até que você voltasse a tentar... ser...
—Ser o Draco. – concluiu Blair – Eu tinha me esquecido disso. – riu ele – Você foi um amigão pra Lena naquela época. A gente nunca sabia se vocês estavam juntos ou não. – murmurou Blair o olhando.
—Nenhum de nós estava com cabeça pra isso. – murmurou Draco, baixando o olhar novamente – Nem ela e nem eu... – E aquela era uma grande verdade...
—Foi por isso que ela me perdoou? Porque ela acha que eu fiz as coisas que você fez? – perguntou Damian – A outra chance que ela me deu... na verdade... foi pra você?
—Caraca... você meio que desistiu da amizade que tinha por ela, não é? – perguntou Blair – Isso explica o motivo de terem ficado tão distantes.
—Por que fez isso, Draco? – perguntou Damian.
—Por amor. – murmurou ele pensando em Draconis – Eu não queria que vocês se separassem... – mentiu deslavadamente. Naquela época, era o que mais queria... – Eu sabia que você gostava incondicionalmente dela, apesar de todas as idiotices que fez. – mas não tinha ligado pros sentimentos do amigo, na época. Só pensara em Draconis... e em Alhena... – Eu sinto muito, Damian. Eu não devia mexer com as suas memórias, ou as dela...
Damian fechou os olhos e sorriu.
—Você... então... – ele respirou fundo – Draconis é mesmo meu, né? Ele não é seu...
—Draconis não é meu filho. Alhena não te traiu. – murmurou em resposta. Aquela resposta que repetira tantas vezes através dos anos. Pra Rasalas, pra Draconis, para Damian, para os pais, para o Sr. Lestrange... céus, até o sogro lhe perguntou uma vez... e Daphne, e Scorpius, e Rasalas de novo, e Blair... era tão óbvio para todos, mas ele continuou negando, como continuaria negando durante muito tempo... um segredo que iria para o túmulo...
Damian soltou um suspiro e fechou os olhos.
—Obrigado, Draco.
—Não me agradeça. – murmurou – Apenas melhore... por favor.
Damian sorriu e não disse mais nada. Engoliu em seco, se perguntando se na outra vida Damian ainda iria querer ser seu amigo, por mentir naquela situação...
Ficou escutando Rasalas e Blair conversarem, até que os dois saíram para comer alguma coisa. Ficou sozinho com o amigo naquele quarto e se lembrou de quando fora Scorpius quem estivera internado ali. Soltou um suspiro, sentindo-se angustiado e colocou a mão no bolso, retirando sua aliança de casamento. Não andava mais de aliança, não no dedo. Mas a carregava sempre consigo.
—Meu aniversário de casamento estaria chegando... – murmurou tristemente – Íamos fazer dezenove anos de casados... – soltou um suspiro olhando para a aliança que repousava na palma de sua mão – Eu nunca esvaziei a parte do armário dela, sabe? – perguntou mesmo sem saber se Damian estava escutando – Eu ainda tenho todos os vestidos dela no meu armário... e os perfumes dela na nossa suíte... eu nunca tirei os sapatos dela do closet... A escova de cabelo dela ainda está em cima da penteadeira... eu ainda desejo boa noite pra ela na hora de dormir... eu ainda só uso um lado da cama... – ele soltou um suspiro – Não morra, Damian. Lena não merece isso...
—O que... você vai fazer pra ela? – perguntou Damian, com a voz cansada – Pra Astoria.
—Eu não sei. Todo ano eu reservo nossa mesa no Temptation, que era nosso restaurante favorito. Eu sempre peço o prato favorito dela... – fez uma careta – Cervo.
—Você não come carne... – murmurou Damian.
—Eu normalmente vomito quando chego em casa... – confessou, tristemente – Mas eu me sinto melhor assim...
—Por que não faz algo especial?
—Mais do que comer cervo no nosso restaurante favorito? – perguntou confuso.
—É... – riu Damian – Algo que não te faça vomitar depois, sabe?
—Por exemplo?
—Eu não sei... – Damian soltou um suspiro – Se fosse eu, faria outra música pra Alhena... eu até escrevi uma pra ela... deixei guardada num lugar, numa caixa... quando ela abrir, vai me escutar cantando... assim poderá sempre escutar a minha voz...
—Você sabe ser romântico. Ela sabe da caixa? – riu Draco.
—Ainda não... ela vai receber quando eu morrer. – murmurou Damian – Não deve demorar muito agora. – ele fechou os olhos – Eu estou tão pronto pra morrer... – murmurou ele – Eu tive uma vida feliz... eu só lamento por não poder ver todos os meus filhos crescerem... eu não vou ver Órion ir pra escola... isso é triste. Eu queria ver todos os meus garotos formados... eu queria ver ao menos um deles casar... queria um neto, sabe?
—Você pensa muito longe, Damian. – riu Draco, para em seguida dar um suspiro – Se você pudesse escolher apenas um desses momentos... qual seria?
—Eu queria... – ele engoliu em seco – Eu queria reviver um momento da minha vida.
—Qual? – perguntou Draco.
—O dia do meu casamento. – murmurou ele – Ver Alhena vindo pra mim... a barriga dela começando a aparecer... – ele soltou um suspiro – Nosso futuro bem ali, no ventre dela... – ele engoliu em seco – E você? Gostaria de reviver algum momento da sua vida?
Primeiro pensou em Alhena, mas logo aquilo lhe pareceu bobo.
—Sim... – murmurou Draco.
—Quando?
—Quando Astoria disse “sim”. – murmurou tristemente – Faria qualquer coisa pra ouvir os “sim” mais importantes que ela me deu... o “Sim” quando decidiu aceitar meu pedido de namoro. Quando aceitou meu pedido de casamento... quando ela aceitou voltar pra mim... – ele soltou um suspiro – Quando ela concordou em tentarmos mais uma vez ter um bebê... e quando eu perguntei pra ela se ela estava grávida... e ela disse sim... – murmurou se lembrando de tudo aquilo – Astoria era perfeita pra mim... – e Damian era perfeito para Alhena... eu e Lena nunca seríamos como eu fui com Astoria e ele foi com ela... — Eu sinto tanta falta dela...
—Draco... você deveria fazer algo diferente e especial pra ela... – Damian soltou um suspiro – Ei, me promete uma coisa?
—O que?
—Quando eu morrer... ajude a Alhena com as crianças, ok? Principalmente o Órion e a Prim... eu tenho muito medo que a Prim sofra... ela é só uma garotinha inocente.
—Ela está na Sonserina, Damian... ela não é só uma garotinha inocente. – riu Draco – Quando Astoria morreu, Alhena foi uma boa amiga pra mim... eu vou devolver a cortesia... mas não morra agora, por Merlin. Vocês têm muito o que viver ainda. – disse Draco – Draconis se forma em breve... ele vai ficar muito triste se o paizão dele não estiver lá pra vê-lo se formar.
—Eu estou lutando da melhor maneira possível... pra viver pelo menos até lá. – riu Damian – Mas as vezes acho que estou nadando contra uma correnteza forte demais...
Draco soltou um suspiro e os dois ficaram em silêncio por alguns momentos.
—Damian... como você consegue... compor essas músicas? São só coisas que vão surgindo na sua mente? – perguntou curioso.
—Basicamente. – respondeu ele – Por que? Vai tentar cantar algo pra Astoria?
—Só se não ficar muito feio. – riu Draco – Caso eu não consiga pensar em algo legal, eu sempre posso vomitar por ela durante toda a noite.
—Depois eu que sou o romântico. – debochou Damian, fazendo os dois rirem.
*
—Eles querem que eu faça o que? – perguntou Draconis, perplexo.
Já era quase natal. Ele e Rose estavam tendo alguns poucos amassos comportados, pois agora que ele tinha feito as pazes com Navi, e ainda tinha que sair com Loto, o tempo estava muito curto. Mas quando voltassem pra casa, ele iria fugir com ela para a loja e então teria seu sonhado amasso incestuoso em nível máximo.
—Bem. Eu disse que você agora não beija rapazes. Eu falei que fiquei te mostrando umas fotos de caras nus e usando cruciatus em você. Então agora você é simplesmente incapaz de se excitar com um homem. Eu sou um gênio, não sou? – perguntou Yaxley. Estavam na arquibancada do campo de quadribol, no meio da madrugada. Tinham conjurado umas chamas azuis dentro de um pote de vidro, que servia para mantê-los aquecidos. Ambos dividiam uns baseados de salvia e losna, olhando o céu estrelado, ignorando a temperatura negativa.
—Você tem sérios problemas, isso sim. – riu em resposta – Mas eu vou confirmar sua história. Eu só não entendi o que eu preciso levar pra eles.
—Eles estão querendo pregar uma peça nos alunos, no último passeio pra Hogsmeade. – riu Yaxley – E não vai ser algo só da Sonserina. Vai ter gente da Grifinória, da Corvinal também... nós vamos zoar os nascidos trouxas. – riu ele. Draconis se sentou e tragou o baseado.
—Cara. Não tenho nada contra nascidos trouxas...
—Nem contra piroca no rabo, né, meu bem... mas não é isso que vai sair falando por ai. – riu Yaxley se sentando e o puxando pela nuca. Sentiu o garoto beijar seus lábios, mas se sentiu meio errado por isso, por conta de Rose... mesmo que não estivessem namorando – Ainda com aquela garota na cabeça?
—Estou apaixonado. – murmurou Draconis baixando o rosto.
—Queria saber por quem... me conta? – perguntou Yaxley.
—Não. – riu o olhando com o rosto corado – Posso te perguntar uma coisa?
—Você é cheio dos mistérios... mas quer ficar sabendo da minha vida. – ele soltou um muxoxo e fez careta – Injusto isso...
—Para de drama, bestão.
—Ok, putinha. O que quer saber?
Draconis fez careta, porque não gostava de ser chamado de putinha, mas deu de ombros, afinal não tinha muito o que podia fazer, além de reclamar.
—Quem foi o seu primeiro cara? – perguntou Draconis – Quando você descobriu que gostava de garotos também.
Yaxley o olhou parecendo triste e soltou um muxoxo.
—Você tem muitos irmãos... – murmurou ele – Tem uma família muito legal... – ele suspirou novamente – Eu não tive essa sorte, sabe? – ele soltou outro suspiro – Meu pai... ele tinha um primo que era comensal de morte. – murmurou Yaxley – E ele era meio doido... ficou escondido lá em casa durante um tempo... minha mãe disse que ele... ele fez umas coisas comigo... – Yaxley soltou um suspiro – Eu não me lembro... mas meu pai, quando descobriu, o expulsou lá de casa... eu tinha uns oito anos, mais ou menos... mas... mas eu acho que ele foi o primeiro, sabe?
—Credo, que horror, cara. – disse chocado – Como conseguiu fazer isso de novo? Sem se lembrar dele?
—Eu não sei. E eu não lembro o que ele fez comigo... só me lembro que eu tinha medo dele... – riu Yaxley – Quanto a gostar de garotos depois disso... sei lá... Acho que a gente nasce assim, sabe? – ele deu de ombros – Eu descobri que gostava de garotos... com o Vince. – riu ele.
—O Vince?!
—É... nós éramos amigos, antes de Hogwarts... nossos pais eram amigos... Scorpius também, na verdade, mas ele não gostava de ficar com a gente... ele só queria ficar com os primos maternos dele... e você, claro... então éramos sempre eu e Vince. – Yaxley jogou o baseado já no finalzinho fora e pegou mais um para acender – Nós vivíamos dormindo na casa um do outro. E quando eu tinha uns doze anos... não... onze. Foi antes de entrar em Hogwarts... eu consegui uma revista masculina, sabe? De mulher pelada? E as fotos se mexiam de um jeito excitante. – ele deu uma risadinha e tragou – Então eu escondi e quando o Vince veio dormir na minha casa, eu mostrei pra ele... e a gente ficou de pau duro... sabe como é moleque nessa idade... fica de pau duro até com as curvas do sofá. – riu ele, fazendo Draconis rir – Então a gente ficou olhando a revista, e começou aquele coça-coça discreto... aquela mexida... colocando de um lado para o outro... tentando ficar confortável... – ele teve até a graça de corar – Até que a gente resolveu bater uma. Mas prometemos não olhar pro equipamento do outro... – Yaxley deu um suspiro – Mas nenhum de nós conseguiu manter a promessa... e quando a gente gozou, foi mais um pro outro do que pra revista... – ele coçou os cabelos, constrangido – Então eu comecei a desconfiar... e quando eu tinha treze anos eu fiquei com uma garota pela primeira vez... mas quando eu fui pro banheiro, me aliviar... se é que você me entende, né?
—Claro. – riu Draconis.
—Eu comecei pensando nela... mas quando eu terminei, eu tava pensando no Vince... e quando fomos visitar a casa do Scorpius... a gente se escondeu num quarto e se pegou. E foi muito melhor com ele do que com as garotas... – Loto soltou outro suspiro – Vince me pediu em namoro, o idiota. – riu ele com algum desdém – Mas eu sabia que não dava pra aceitar... a gente ia ser motivo de piada... então eu disse pra ele que era o nosso segredo e que ninguém poderia saber... mas quando eu cheguei no sexto ano, o Vince queria porque queria que eu assumisse ele... então eu terminei nosso “relacionamento”... – Yaxley soltou um suspiro – E então ele começou a se envolver com você... e deu naquela merda toda.
Yaxley estava muito vermelho ao terminar de contar. Draconis não fazia a menor ideia de que Vince e Loto se conheciam daquela maneira.
—Como você pode deixar os seus amigos baterem na gente daquele jeito? Ele era seu amigo e praticamente seu ex! – ralhou fechando a cara.
—Eu sempre tentei proteger vocês. Eu sempre tentei falar pro pessoal deixar pra lá... mas se eu defendesse demais... – ele suspirou – Eu poderia me ferrar por conta de vocês... eu avisei o Vince que ele tinha que ser discreto. Que não podia deixar ninguém descobrir... e eu avisei você também... você ao menos curte garotas... mas o Vince... – Loto revirou os olhos – Se eu deixasse, ele saía vestido de mulher por ai.
—Sério?
—Sim. Ele se vê como uma garota. Ele queria ser uma garota. Ele até se maquiava quando a gente era criança. – riu Loto – Mas não conta pra ele que eu te contei.
—Ok, ok... – riu Draconis – Eu não sabia que ele se via como uma garota.
—Ele nasceu no corpo errado... se ele fosse uma menina, ele seria uma bitch tipo a Trixie e a Florence. Aquela Florence é gata... dava pra virar hétero por ela, se ela não fosse tão absolutamente bitch...
—Você? Hétero? Conta outra, Loto.
—Tem razão. – riu Loto e logo os dois caíram na gargalhada – E você... me conta um podre. O podre mais podre que você tem. – pediu Loto.
—Sei lá... é muito podre. – disse Draconis. Loto se sentou e o olhou com aquele sorrisinho travesso.
—Qualé. Somos Bros... não somos? – perguntou ele – Você pode confiar em mim. Eu confio em você. – Loto sorriu baixando os olhos – É meu melhor amigo. A única pessoa pra quem eu sou completamente honesto... – Ele soltou um suspiro – Eu era assim com o Vince... mas a gente perdeu isso, sabe? – Yaxley o olhou constrangido – Por isso eu fiz esse lance das pulseiras... é chato ter que mentir o tempo todo, pra todo mundo. Eu queria ao menos uma pessoa pra ser completamente honesto... e que fosse completamente honesta pra mim...
Draconis pegou o baseado dele e o tragou.
—É bem pesado. – disse o olhando de rabo de olho.
—Diz.
—Eu... eu gosto da minha irmã. – confessou aquilo em voz alta. Foi como se tirasse um enorme peso das costas – Sexualmente falando. Eu sou apaixonado por ela.
Yaxley o olhou boquiaberto.
—Cara... isso é podre pra caralho até pra mim... e ela sabe?
—Sabe. – disse sem conseguir mentir, por conta da pulseira – A gente... a gente tá dando uns amassos. – murmurou, constrangido – Cada vez mais tensos... e eu quero transar com ela... no recesso de natal. – adicionou. Yaxley o olhou completamente chocado e assoviou.
—Não vou te julgar e te achar um escroto... mas isso é bem pesado mesmo... e eu não aprovo. – riu Yaxley – Seus filhos vão ser todos retardados...
—Não vamos nos casar. – riu Draconis – Como poderíamos...? Acho até que existe leis que proíbem isso... casamento entre irmãos...
—Eu acho que isso existe mesmo. – murmurou Yaxley – Você acha que vai passar?
—Eu acho que não... mas... – Draconis tragou de novo – Eu estou há tanto tempo tentando desistir dela... e descobri que é simplesmente impossível...
Yaxley concordou com um aceno de cabeça.
—Tenso. Muito tenso. – murmurou ele.
—Não conta pra ninguém, ouviu? – perguntou muito sério. Seu amigo riu travesso e negou com a cabeça.
—Claro que não. Claro que não. – riu ele – Mas e então... você vai participar da pegadinha? – perguntou ele mudando de assunto.
—Não é como se eu tivesse escolha, né? – perguntou dando de ombros – Mas nós não vamos machucar as pessoas, vamos?
—Não. Vamos só assustar, girar algumas pessoas de cabeça para baixo e... fazer muito barulho. – riu ele dando de ombros – Só precisamos de uns bons disfarces. Eles querem se vestir de comensais de morte...
Draconis abriu um sorriso divertido.
—Eu posso providenciar isso. – disse animado – Me encontre daqui uma hora, no seu dormitório. – disse tragando o resto da losna de uma vez só. Tudo girou e Loto gargalhou dele.
—Ok. Vou esperar.
Os dois desceram os degraus da arquibancada e voltaram para o castelo. Se esgueiraram pelas masmorras e Yaxley foi para o Salão Comunal. Draconis continuou andando pelos corredores até achar a masmorra certa. Olhou para uma mesa de tortura que tinha lá e cortou o polegar, sujando a mesa de sangue.
—Aperi.
A mesa se moveu, mostrando uma passagem secreta, que era uma escada. Ele entrou, desceu os degraus e foi para uma sala cheia de objetos que ele costumava vender. Além disso tinha um bonito retrato da Dama Cinzenta lá, de quando ela era viva. Ignorou o espelho mágico e vazio, que nunca refletiu ninguém (havia uma lenda boba sobre ter o espírito de um Slytherin lá dentro. Quem o visse ganharia poderes imensuráveis, mas era apenas lenda) e foi até o armário que dava na loja do pai.
Pegou a capa de viagem e foi andando até o Caldeirão furado. Pegou o Noitibus andante e notou que deveria ter pedido mais tempo. Deu o endereço do avô e minutos depois estava entrando na Residência Lestrange. Abriu a porta dizendo a senha, já que a casa não o reconhecia completamente como um Lestrange, afinal ele era um Burke. Entrou nas pontas dos pés, torcendo para que seu avô não tivesse voltado mais cedo da viagem que ele tinha feito com a avó para uma praia sul-americana.
Entrou no quarto dele, no armário, e pegou a caixa de metal. Lembrava de seu avô mostrar aquilo pra ele quando ele era criança. Abriu a caixa e sorriu, vendo as três máscaras e os três uniformes. Sabia qual era a do avô, então pegou a dos dois falecidos: Bellatrix e Rodolfo Lestrange, seus tios.
Depois guardou a caixa, prometendo a si mesmo que os uniformes estariam dentro dela no natal.
Levou quase uma hora para voltar para o Salão Comunal. Nunca tinha saído da escola daquele jeito e a adrenalina tinha feito o efeito da losna ir embora. Entrou no dormitório do sétimo ano, onde os garotos o esperavam com cara de sono.
—Até que enfim. – ralhou Nott – O que tem ai, Burke? – perguntou ele. O olhou com desgosto, porque tinha um profundo ódio por Octavius Nott. Olhou para Loto, que estava só de samba canção, na própria cama.
—Olha só. Era do irmão do meu avô e da mulher dele. – riu mostrando o uniforme – Podemos fazer mais uniformes usando esses dois como base. Mas eu uso a do meu tio. Você pode usar a da minha tia.
—Eu não vou usar um uniforme feminino. Tá me estranhando?! – perguntou Yaxley fechando a cara.
—Seu bobo. Não é feminino. Olha só. Só a máscara é diferente. – riu Draconis jogando os dois uniformes para ele. Os garotos do sétimo ano se reuniram com sorrisos entusiasmados.
—Caralho, como conseguiu isso, Burke? – perguntou Selwyn.
—Eu sou um Burke. Eu consigo qualquer coisa. – disse se exibindo.
—Oh... os nascidos trouxas vão se borrar de medo. Vai ser épico. – riu Corbway colocando a máscara de Rodolfo Lestrange no rosto – Morte aos sangues ruins! – riu ele, fazendo todo mundo rir.
Menos Draconis, que achou a palavra “morte” forte demais...
Tinha um péssimo pressentimento quanto a aquilo... mas agora era tarde demais.
**
Rasalas Lestrange já tinha sobrevivido a uma guerra... e agora ele estava com medo de acabar tendo que passar por outra. Outra ainda mais assustadora que a anterior... uma onde explosões horríveis faziam ilhas inteiras desaparecerem em um segundo.
Ele e Daphne olhavam a televisão, de mãos dadas, completamente chocados. O jornalista, um trouxa, é claro, contava que as provocações da Coréia do Norte tinham chegado a um ponto ultrajante para os japoneses. A Coréia do Norte, durante seus testes com armas nucleares (sabe-se lá o que significa isso), atirou uma bomba, que era uma das tais armas nucleares, em uma ilha “desabitada” japonesa. Os trouxas achavam que era desabitada... mas os bruxos sabiam a verdade...
Mahoutokoro, a escola de Magia e Bruxaria Japonesa, ficava naquela ilha, que tinha simplesmente desaparecido do mapa, deixando geólogos confusos por pensarem que ali teria um vulcão. Todos imaginaram que a montanha iria explodir em lava, mas ela simplesmente desapareceu para dentro do mar. E graças ao resquício da magia que protegia a escola, todos os equipamentos trouxas paravam de funcionar ao passarem por perto, então os trouxas procuravam explicações para aquilo. Eles atribuíram a uma coisa chamada “radiação”, e ele não saberia explicar o que significaria aquilo.
Mas graças a isso os trouxas não estavam se aproximando da ilha. Rasalas sabia que vários Ministérios da Magia estavam estudando a possibilidade de procurar por sobreviventes, mas os especialistas em cultura trouxa diziam que qualquer um que se aproximasse do local ficaria terrivelmente doente e morreria.
A explicação mais próxima que eles tinham era comparar o lugar com um objeto amaldiçoado. O lugar estava isolado e a comunidade Japonesa estava sofrendo com as consequências. Aparentemente os peixes estavam adoecendo e morrendo, se tornando impróprios para o consumo.
—Isso é horrível... – murmurou Daphne, segurando sua mão. Rasalas concordou com um aceno de cabeça.
—É por isso que o vovô Rabastan diz que os trouxas são perigosos. – disse Rabastanzinho – Ele vai passar o natal com a gente, né? Ele não viajou pro Japão, viajou? – perguntou o garoto, visivelmente preocupado.
—Não... ele... – Rasalas engoliu em seco – Está no Caribe. Ainda bem.
—Você acha que... que as coisas vão ficar ainda piores por aqui? – perguntou Daphne – Em seis meses teremos a eleição para a Suprema Corte dos Bruxos...
—Provavelmente será a Corte mais Tradicionalista que teremos em muitos anos... ninguém esqueceu do ataque ao ministério... – murmurou sombrio – E dessa vez são crianças quem morreram... – murmurou Rasalas.
—Eu ouvi que o Ministério Americano quer declarar guerra à Coreia do Norte. Eles querem fazer os trouxas se explodirem. – murmurou Daphne.
—O Ministério Japonês aconselhou à comunidade bruxa que vive na Coréia a deixar o país... – murmurou Rasalas – Isso não é nada bom... – ele soltou um suspiro – Eu só espero que as coisas não reflitam aqui tão cedo.
***
—Eu quero você... – sussurrou ele em seu ouvido.
—Estamos sendo descuidados. – riu ela agarrada ao pescoço dele, tentando não gemer, sentindo os dedos de Draconis dentro de si – E se alguém entrar aqui? – perguntou ela. Estavam dentro de uma sala vazia. Ela estava sentada em cima da mesa do professor de Ensino dos Trouxas. Draconis sorriu em sua orelha, movendo os dedos de maneira deliciosa e ela simplesmente não conseguiu conter o gemido.
—Se alguém entrar, eu acabo com a raça do intrometido. – riu ele.
—E se for um professor?
—Então teremos um professor a menos nessa escola. – prometeu ele. Rose deu uma risadinha, sem acreditar nele. Gemeu de novo, amando o modo como ele a tocava – Abre a blusa. – pediu ele a mordendo no lábio. Ela obedeceu, desabotoando os botões e Draconis mordiscou seu sutiã roxo escuro. Ele colocou a mão em suas costas e depois de duas tentativas ele desabotoou seu sutiã. Logo sentiu a língua dele em seus mamilos e isso a fez gemer baixinho – Eu adoro te ouvir fazer isso... – riu ele.
—Eu adoro quando me faz gemer assim. – respondeu baixinho. Draconis lhe deu um sorriso safado e a beijou apaixonadamente, a empurrando em cima da mesa. Ele se engatinhou para cima dela e começou a abrir o cinto. Fechou os olhos, pronta pra finalmente se entregar completamente a ele, quando Draconis olhou o relógio.
—Merda! – resmungou ele rolando para fora da mesa.
—O que houve? – perguntou surpresa.
—Eu preciso ir. Eu marquei com uns amigos de ir pra Hogsmeade... nossa, vou ficar com as bolas doendo. – resmungou ele se ajeitando melhor nas calças – Eu realmente preciso ir. – lamentou ele.
—Você sempre precisa. – resmungou soltando um muxoxo.
—Desculpe. – riu ele – Continuamos depois, ok?
—Está com receio de transar comigo, não está? – perguntou recolocando o sutiã. Draconis corou absurdamente e a olhou constrangido.
—Você não? – perguntou ele.
—Não. – respondeu honestamente. Mas ela não poderia se explicar pra ele, ou ele ficaria zangado e magoado. Ela sabia a verdade. Ele não era filho de seu pai. Ele era filho de Draco. Acreditava piamente nisso. De todo o coração. Por isso não se sentia mais mal com os amassos – Drac... – disse fechando a blusa – Eu namoraria você, se você me pedisse... mesmo que fizéssemos em segredo. – disse ela.
Draconis engoliu em seco e desviou o olhar.
—Conversamos sobre isso depois, ok? – pediu ele – Eu realmente preciso ir.
—Ok. Bom passeio.
—Você não vai pra Hogsmeade? – perguntou ele.
—Não. – riu ela – Eu vou revisar umas matérias. – respondeu dando de ombros e pulando para o chão. Draconis riu dela e a beijou nos lábios.
—Minha nerdzinha. – debochou ele. Rose sorriu e o beijou de volta, completamente derretida por ele. Draconis a puxou com força para si, mas logo a afastou – Eu realmente preciso ir, ou vão ficar putos comigo.
—Ok. Vai lá... manda um abraço pro Navi.
—Hum... ok. – riu ele saindo da sala, mas ela notou que ele ficou meio esquisito quando ela disse aquilo...
****
Navi soltou um suspiro. Ele e Scorpius esperavam Albus aparecer com a cerveja amanteigada dos três. Draconis tinha sumido, pra variar, e ele não fazia ideia se o primo apareceria ou não.
Estavam no Três Vassouras, apesar de normalmente os Sonserinas preferirem o Endure. Albus insistiu em irem para outro lugar, mas ele sabia que ele só queria ter a chance de encontrar Lyra, que sempre preferira o Três Vassouras.
—E ai? Se arrumou com a Rose? – perguntou olhando o primo. Scorpius sorriu, feliz, e concordou.
—Sim. Eu me expliquei pra ela. Estamos ficando. – respondeu ele – Eu vou falar com meu pai de novo, no natal... mas vou tentar ser mais delicado pra abordar o assunto.
—Eu acho que ele vai tentar ser mais compreensivo também. – riu Navi olhando o amigo.
—É... eu e meu pai estamos muito mais próximos agora. – disse Scorpius – Sempre escrevemos um pro outro, eu conto mais coisas pra ele e ele conta mais coisas pra mim, também... acho que nunca estive tão amigo dele.
—Que bom.
—Você é amigo do seu pai? – perguntou Scorpius.
—Sou. – disse Navi dando de ombros – Eu sei que posso contar com ele pra qualquer coisa e ele sabe que ele é o cara mais incrível da minha vida. – disse dando de ombros – Só não ficamos falando isso em voz alta que nem o Drac e o tio Damian.
—Tipo isso. – riu Scorpius – Olha só quem está vindo ai. Albus, Lyra e a Lessa. – riu ele.
Navi piscou, em choque e baixou o rosto, constrangido.
—Olá. Podemos nos sentar? – perguntou Les.
—Claro. – respondeu Scorpius. Albus colocou uma caneca de cerveja na sua frente e outra na frente de Scorpius.
—Aah! Adoro Hogsmeade. – riu Albus.
Navi olhou constrangido para Les, que o olhou de volta, com um sorriso divertido.
—E ai, como vai? – perguntou ela.
—Vou bem, e você? – perguntou a admirando, tentando não parecer sonhador.
—Eu vou bem. – riu ela dando de ombros – Estou dando em cima da Carmen. Ela é tão linda. – riu Les dando um suspiro – Ela só não sabe que é lésbica ainda. – riu ela.
—Mas vai descobrir em breve. – riu Lyra – Podemos corrompê-la juntas, o que acha? – perguntou ela com um sorrisinho travesso – Eu, você, Carmen, dentro da banheira dos monitores, já que eu sou monitora, sabe?
—Eu nunca vou entender como você se tornou monitora. – riu Navi – Sempre jurei que seria ou Cerce ou Dido...
—McGonagall provavelmente não sabia diferenciar as duas, por ser daltônica. – riu Lyra – Então resolveu dar pra mim, o distintivo.
—McGonagall é daltônica? – perguntou Scorpius.
—Acho que mulheres não podem ser daltônicas... podem? – perguntou Albus.
—Acho que só é bem mais raro. – respondeu Scorpius.
—Gente, McGonagall não é daltônica... eu acho. – riu Les dando um golinho em sua cerveja amanteigada.
—Continua totalmente lésbica, Les? – perguntou Navi com um sorrisinho – Eu completamente toparia uma recaída com você.
—Isso foi meio de repente, não acha? – perguntou Scorpius para Albus.
—Meio? – perguntou Albus, com um sorrisinho – Talvez esse seja o segredo dele. Ele pega as garotas de surpresa. Elas ficam tão chocadas, sem tempo pra pensar a respeito e BUM... caem na conversa dele.
Lyra deu um sorrisinho e mirou Les, travessa. Mas Les apenas deu mais um golinho na cerveja.
—Já tive minha relação heterossexual do ano... agora só no próximo. – respondeu Les.
—Me chame na virada do ano então. – riu Navi – Existe uma lenda que tudo o que você faz no dia primeiro de janeiro acaba se repetindo constantemente pelo resto do ano... – ele aproximou o rosto, sorrindo o mais charmosamente possível pra ela – Então poderíamos ter uma noite de loucura e passar o próximo ano inteiro desse jeito, o que acha?
—Eu acho que você é muito sonhador. – riu ela negando com um aceno de cabeça. Navi soltou um muxoxo e fez biquinho.
—Vai, Les... só uma trepadinha, vai?
—NAVI?! – ralhou Albus, fazendo Scorpius revirar os olhos.
—Eu faço aquele negócio que você gosta. – riu subindo e descendo as sobrancelhas, com o sorriso mais cafajeste do mundo no rosto. Les o olhou parecendo curiosa.
—Que negócio?
—O negócio que você quiser. – riu ele.
—Eu sempre quis usar uma cinta pau com um garoto. Pra saber como é estar do outro lado. – riu ela. Navi fez careta e recuou.
—Pega leve, gata. Quem gosta dessas coisas é o meu primo. Não eu.
—Vamos, Navi. Eu faço em você e você faz em mim. – riu ela sorrindo de maneira cafajeste. Coçou o queixo, cogitando a ideia, quando escutou alguém arrastar a cadeira ao seu lado. Virou e rosto e notou que era Trixie.
—Oi, Navi, querido. – disse ela.
—Ahn... oi? – respondeu sorrindo.
—Então. Eu vim aqui te convidar pra fazer algo com a gente.
—A gente? – perguntou franzindo a testa – A gente quem?
—Eu, Florence e Mellody. – riu Trixie – Sabe, você é o melhor aluno de transfiguração do nosso ano e um dos melhores em DCAT, além de ser excelente em feitiços e herbologia.
—Sim, eu sei. Eu sou o máximo. – riu dando de ombros.
—Eu ainda vou descobrir como ele vai bem em tudo sem nunca estudar coisa alguma. – resmungou Albus, fazendo Lyra rir.
—Mas me diga. O que querem de mim? As três deusas do sexto ano. – riu charmosamente para Trixie, ignorando o modo como Scorpius e Albus o olhavam com censura.
—Bem, a gente quer que você nos ajude com as matérias. – disse ela sorrindo – Afinal temos N.I.E.M.s chegando em breve.
—Falta um ano inteiro ainda. – disse Les com a voz um tanto seca. Navi a olhou curioso e notou que ela olhava com desdém para Trixie – Ainda estão no sexto ano. Os N.I.E.M.s são apenas no sétimo, meu bem. Ninguém te avisou isso?
—Nós sabemos, mas sabe como é... – Navi sentiu Trixie apertar sua coxa tendo um sorrisinho safado no rosto – Queremos nos preparar pro sétimo ano... – Navi engoliu em seco ficando meio bobo com o charme dela. Ele sempre ficava meio bobo perto dela e de Florence. Florence era meio veela, afinal. Ele sabia que Trixie não era, mas ele tinha certeza que algo místico ela tinha. Aquela mulata não era normal – Nós três, sabe? Ao mesmo tempo?
Piscou abobalhado.
—Ao me-mesmo tempo? – perguntou sorrindo. Trixie mordiscou o lábio inferior e concordou com um sorrisinho – O-ok... – disse rindo.
—Combinado, então. – riu Trixie interrompendo o flerte de uma vez e se levantando. Piscou voltando ao normal e a olhou novamente – Depois te falo os “onde e quando”. Tchauzinho, querido. – riu ela se afastando.
Navi a acompanhou com o olhar e a viu se juntar a Mellody e Florence, que riram e mandaram beijinhos. Fingiu pegar os beijos no ar e os levou até os lábios, para sorrir em seguida. Depois se virou para a mesa e sorriu satisfeito consigo mesmo.
—Eu sou muito bom.
—Sim. Ótimo. – riu Les. Mas ele notou algum desdém na voz dela.
—Ciúmes, gata? – perguntou com um sorrisinho. Les segurou seu lábio inferior e o puxou dolorosamente.
—Não de você. Estou na minha fase lésbica, lembra? – então ela o soltou e bufou – Eu vou ali no banheiro e já volto.
Ela saiu rebolando e Navi respirou fundo olhando pra ela.
—Eu ainda vou me casar com ela. – disse bobamente.
—Antes ou depois da suruba com o Trio das Trevas? – perguntou Scorpius.
—Óbvio que depois. Eu vou ser um bom marido pra minha esposinha, ok? – perguntou ele com um sorrisinho canalha.
—Vocês iriam competir pra ver quem ia dar mais chifres, isso sim. – riu Albus – Ela é sua versão de saias.
—E eu me amo. É por isso que daríamos tão certo. – riu Navi.
—Sabe quem é a sua versão de saias, Navi? – perguntou Lyra – Eu. E eu tenho algo que você não pode oferecer... enquanto seu equipamento é facilmente substituível.
—Maninha. Se você acha que pode substituir um pau de verdade por um de brinquedo, eu vou começar a achar que o Draconis não te comeu direito. – riu ele provocando a irmã – Nem ele, nem a torcida do Barcelona, que já deve ter passado dentro da sua saia.
—Acha que é fácil assim, queridinho? – perguntou Lyra – Pois saiba que eu sou bastante seletiva. Não é qualquer um que consegue a graça de me dar uns beijos não, ouviu?
—Me poupe. Já pegou todos os meus amigos... menos o Vince... que não curte boceta. O resto... – ele deu um sorrisinho.
—Desculpe se você tem poucos amigos, seu babaca. Eu só peguei três amigos seus e a sua ex, que prefere transar comigo do que com você... opa! – ela abriu a boca, em falsa surpresa, colocando a palma da mão na frente do rosto – Falei demais?
—Está com ciúmes de mim também? Porque eu vou comer as três mais gostosas do meu ano e você não?
—Se eu quisesse eu pegava qualquer uma das três, ok? E nem ficava com essa sua cara de tapado sempre que uma chegasse perto. – riu ela.
—É mesmo? – perguntou fechando a cara.
—É. É mesmo. – rosnou ela.
—Pois eu duvi...
Mas um estampido o fez se calar.
Quando ele era criança, seu avô, sua tia Pollaris e seu tio Rigel costumavam assustá-lo com as fantasias de comensais. Quando ele estava distraído, desenhando ou brincando, eles entravam com as fantasias de comensais, com varinhas em punho e corriam atrás dele.
Por isso sempre tivera um verdadeiro medo de Comensais de Morte. Eles eram a história de terror que mais gostava. Imaginar que seu avô era uma daquelas pessoas encapuzadas era radical e assustador ao mesmo tempo. Quando era muito novo tinha medo até de abrir a caixa com os uniformes, apesar de Draconis achar super legal.
Então, quando viu as figuras encapuzadas, de preto, com as máscaras prateadas, ou cor de chumbo, com aqueles entalhes tão familiares... seu coração disparou e ele gritou. Lyra se virou e gritou também, com medo. Scorpius pulou a mesa e correu, sem esperar por nenhum deles. Albus foi o único que sacou a varinha, pronto pra lutar e se defender.
Por um segundo, seu instinto de irmão mais velho falou mais alto. Apenas segurou Lyra pelo pulso e a puxou. Escutou gritos vindo do bar, mas não olhou para os lados. Apenas correu com Lyra, indo atrás de Scorpius. Os três se esconderam atrás do balcão, escutando as gargalhadas e os gritos. Logo Albus apareceu, parecendo chocado.
—Precisamos sair daqui! – disse ele.
Navi estava abraçado com a irmã, assustado e chocado. Por que tinha Comensais de Morte ali?
—Como? Eles estão na saída. – resmungou Scorpius – Precisamos nos esconder melhor.
—Vamos pra dispensa. – disse Navi. Sua irmã tremia abraçada a si. O grupo trocou um olhar receoso e concordou em silêncio. Engolindo em seco, se esgueiraram para dentro da dispensa. Scorpius trancou a porta com um feitiço e ele e Albus começaram a fazer os barris de hidromel flutuarem para tampar a porta – Esperem! Eu preciso sair. – disse se recordando de uma coisa extremamente importante.
—Não dá pra sair. Eles vão te ver! – disse Scorpius.
—Mas... mas Lessa está lá fora! – disse angustiado.
—Não, Navi. Não vai rolar. – ralhou Scorpius. Albus o olhou dividido e Lyra soltou um soluço.
—Não podemos abandonar a Les! – disse ela num sussurro assustado.
—Ela está sozinha, no banheiro. Eu vou lá. – disse decidido.
—Não. Você não vai. – disse Scorpius, autoritário – Você vai ficar aqui. – insistiu ele – Por favor, Navi. Não sai desse quarto.
—Eu não vou abandonar ela! – disse desesperado.
—Vai colocar todos nós em riscos. Sua família é traidora de sangue. A minha também. Albus é um Potter! Sabe o que vão fazer com Albus se encontrarem ele?
—Mas...
—Eu não ligo. – rosnou Scorpius apontando a varinha – Eu não vou deixar você sair e nos colocar em risco!
—Scorp. – murmurou Albus segurando a mão dele – Podia ser eu lá fora... eu demorei pra vir...
—Mas não é você lá fora. – disse Scorpius.
—Podia ser a Rose. – murmurou Lyra. Navi notou Scorpius perder a cor.
—Merlin... ela não veio pra Hogsmeade... ela disse que não ia vir. Espero que não tenha mudado de ideia e...
—Cale essa boca e me deixe sair, Malfoy! – rosnou Navi, perdendo a paciência e sacando a varinha também – Sai do meu caminho. Você não vai querer duelar comigo.
Scorpius soltou um suspiro e o olhou sombrio.
—Se você sair, não vai poder voltar. – murmurou ele. Escutaram um grito e mais gargalhadas, além de mais barulho – Vai ter que se esconder com ela em outro lugar.
—Está bem. – disse Navi.
—Você tem certeza disso? – perguntou Scorpius.
—Sim. Sai da minha frente. – rosnou Navi.
Scorpius soltou um suspiro e começou a desobstruir a porta. Depois a destrancou. Navi saiu de uma vez e Scorpius fechou a porta em seguida, a trancando. Respirou fundo e foi abaixado, torcendo para não ser visto. Viu os comensais girarem Carmen de cabeça para baixo, no ar, morrendo de rir, a xingando de sangue ruim. Engoliu em seco e foi nas pontas dos pés para o banheiro, torcendo para que Carmen prendesse a atenção deles o suficiente, por mais egoísta e escroto que fosse pensar nisso.
Entrou no banheiro e notou que todas as portas estavam fechadas. Olhou por debaixo das portas, mas não viu nenhum par de pés. Se Les estivesse ali, ela estaria de pé, em cima do vaso.
—Les... – sussurrou, preocupado – Sou eu. Navi. – disse com o coração na mão. Uma porta se abriu e ele viu Les. Ela parecia ter chorado. Correu até ela e a abraçou, a beijando nos lábios, em seguida, se sentindo mais aliviado. Ela o beijou de volta e soluçou, tremendo de medo.
—Eu sou mestiça. – chorou ela – Eu sou mestiça... eles vão me pegar... – lamentou ela.
—Você é puro sangue. – negou ele – Seu avô era mestiço e sua avó era nascida trouxa... mas eles não têm como saber disso.
Les fungou trêmula e ele a puxou pra dentro do boxe. Os dois se abraçaram escondidos, com ele tentando pensar em alguma cosia.
—Eles vão vir aqui. Eles vão nos achar... – murmurou ela com a voz chorosa.
Navi engoliu em seco e a abraçou com mais força.
—Calma. Eu vou dar um jeito. – disse tentando parecer confiante – Mas precisamos sair daqui.
—Eles vão nos ver! – disse ela num sussurro extremamente desesperado.
Respirou fundo sacando a varinha.
—Se eles nos virem, eu seguro eles e você corre. – disse a olhando nos olhos. Les negou com a cabeça e o abraçou.
—Não vou a lugar algum sem você. – disse ela. Navi a abraçou de volta e a beijou nos cabelos castanho escuros. Depois suspirou e abriu a porta – Não! – sussurrou ela – Por favor. Eles vão nos ver. Eles vão nos ver...
—Calma. – pediu ele. A puxou pela cintura com cautela, tentando escutar algo lá fora – Pegue a varinha. – sussurrou. Les engoliu em seco, mas obedeceu. A guiou até a porta do banheiro e espiou. Notou que os Comensais estavam brigando uns com os outros. Um deles parecia não estar de acordo com o que eles estavam fazendo. – Vem. – murmurou a puxando. Se esgueiraram sem fazer barulho e foram até a janela. A ajudou a pular e depois pensou na irmã e nos amigos. Respirou fundo e pulou em seguida. Se abaixou abraçado a Les e os dois foram se esgueirando e contornando o Três Vassouras. – Vamos. Vamos nos esconder na Dedosdemel. Tem um túnel secreto lá que dá em Hogwarts. – disse baixinho. Les concordou e entrelaçou os dedos com os dele. Assim que virou para ir até a loja de doces, deu de cara com dois dos comensais de morte.
Mas havia algo de errado.
—Navi! – sussurrou Les, assustada.
Reconhecia aquelas máscaras.
—Vovô? – murmurou, confuso – Rigel, é você?!
Um dos comensais levantou a varinha, mas o outro se colocou no meio, negando veemente com a cabeça. O que raios? Era seu tio? Seu tio era um Comensal? E o outro... Reconhecia o outro. Ele usava a máscara que Polaris costumava usar, mas ele era alto demais pra ser ela.
—EI? ALGUM PROBLEMA AI?! – perguntou uma voz vinda do outro lado do Três Vassouras. Os dois comensais se encararam e o que queria atacá-los se virou e correu para o local onde tinham gritado. O comensal que os defendeu segurou sua mão e o puxou com firmeza.
—Rigel?! O vovô sabe o que você está fazendo?! Ele aprova isso? – perguntou ainda trêmulo. Mas então o comensal o olhou e pediu silêncio com o dedo. Foi quando viu os olhos dele. Azul cinza e não prateado. Sentiu o estômago dar um pulo. Sabia que Draco também tinha sido um comensal de morte – Draco? O que raios você está fazendo?! – O Comensal soltou um muxoxo e virou o rosto, parecendo contrariado. – Draconis?! – perguntou chocado – Não. Eu me recuso a crer... – tentou tirar a máscara do comensal, mas ele se desvencilhou e lhe apontando a varinha. Mal teve tempo de fazer um escudo e se defender do raio vermelho, que iria estuporá-lo.
—Sai daqui. Rápido. – pediu o comensal e finalmente reconheceu a voz do primo.
—O que raios você está fazendo?! – perguntou irado.
—Era só uma brincadeira. – lamentou Draconis – Você precisa sair daqui e não pode falar que me viu, por favor! – disse ele – Tudo saiu do controle. Eu preciso voltar e conter o estrago.
Navi o olhou desgostoso e Draconis lhe deu as costas, voltando para o Três Vassouras. Segurou a mão de Les e deu as costas para o primo, sentindo o estômago se remexer. Aquilo... aquilo era... horrível.
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