Legado Lestrange II - Legacy
39 Desappointed
Notas iniciais

Capítulo 39
Navi ficou esperando Draconis voltar pro dormitório. Scorpius, Albus e Lyra tinham voltado. Assim como todo mundo da Sonserina. Mas todos estavam extremamente chocados.
Carmen Casañas tinha morrido... Ela foi assassinada dentro do Três Vassouras. Pelos Comensais de Morte...
Vince estava lendo um livro qualquer, quando Draconis apareceu com a expressão sombria. Navi e Draconis se encararam por alguns compridos segundos antes que resolvesse quebrar o silêncio.
—Casa da Árvore. Agora. – rosnou.
—Os monitores falaram que a gente não pode sair. – murmurou Draconis.
—Eu não dou a mínima pros monitores. – rosnou Navi – Fala pro Corbway nos liberar. Não são amigos agora? – perguntou furioso.
—Se eu falar com ele... – ele engoliu em seco – Eles vão achar que eu...
A porta se abriu mais uma vez e o grupinho do sétimo ano entrou.
—Drac. Queremos falar com você. – sibilou Selwyn. Draconis engoliu em seco e olhou para Navi, que o olhou de volta.
—Que bom que você está bem. Eu fiquei preocupado. – murmurou Draconis.
—Eu também. – disse Navi.
—Eu já volto. Depois a gente conversa. – murmurou Draconis.
Navi o olhou, ainda sentindo aquele turbilhão de dúvidas. Respirou fundo, voltando a se sentar na cama. Vince o olhou curioso e se sentou.
—Quando Draconis voltar, eu deveria dar uma volta pelo Salão Comunal? Ou talvez tomar um banho?
—Provavelmente.
—O que aconteceu? – perguntou Vince.
—Eu não faço a menor ideia...
*
—Vocês passaram dos limites. – rosnou Selwyn. Draconis olhou Loto pelo canto do olho. O amigo parecia muito nervoso – Era pra ser só uma brincadeira. Dar um susto nas pessoas. Só isso.
—Pare de drama, Rob. Era só uma sangue ruim. – riu Corbway.
—Você a matou! – sibilou Selwyn. – E Creed estava torturando garotinhos na Zonko’s! Só porque eram nascidos trouxa. Não era isso que tínhamos combinado! Podemos ir pra Azkaban por isso!
—Ninguém nunca vai saber que estivemos envolvidos nisso, Rob. – debochou Nott – E ninguém vai sentir falta dela.
—É claro que vão sentir falta dela! – rosnou Loto. Todos olharam para ele – Você não lê jornal? Não acompanham política? Defensores da causa puro sangue estão...
—Estavam sendo punidos. Em breve todos vão nos dar razão. Trouxas são perigosos e todos deveriam saber disso. – Cortou Corbway – E os nascidos trouxas são os mais perigosos. Eles entendem das coisas perigosas dos trouxas e tem magia. Eles são os piores! – insistiu ele. Draconis olhou para Loto, mais uma vez. Ele parecia completamente em pânico.
—Você passou dos limites! Não era o que tínhamos combinado! Não era! Você nos traiu! – rosnou Selwyn – Combinamos uma coisa e você fez outra completamente diferente! Pode acabar com as vidas de todos nós agora!
—Eu concordo que não deveríamos ter matado a garota. – disse Rowle – Sim, ela não vai fazer falta. Sim, ela era escrota e teve o que mereceu... mas não estávamos preparados pra isso... isso vai repercutir. Pode nos dar problemas...
—Podemos ser presos! – lamentou Loto.
—Ninguém vai ser preso. Nunca vão conseguir provar nosso envolvimento. Nenhum de nós foi reconhecido. Certo? – perguntou Nott. Draconis concordou com a cabeça, apesar de ser mentira. Navi o reconheceu e esperava explicações de sua parte, explicações que não saberia dar... Mas se falasse que Navi o reconhecera, podia ser morto, ou pior... colocaria Navi e Lessa em perigo – Viu? Estamos seguros.
Draconis olhou mais uma vez para Loto, que o estava olhando angustiado. Não me traia agora, Loto...
—É... se ninguém souber que tivemos dedo nisso... – murmurou Rowle.
—As roupas estão bem escondidas, Draconis? – perguntou Selwyn. Sentiu um calafrio ao escutar seu nome e concordou.
—Sim. Eu já escondi. – murmurou – Nunca vão achar as roupas.
—Viu? Vocês estão se preocupando por nada. – riu Corbway.
—Escute aqui, Brutus! – rosnou Selwyn empurrando Corbway contra a parede – Você pode achar que está tudo bem. Mas não está. Eu nunca quis matar ninguém. Nunca deveríamos ter matado alguém! Você pode ter colocado todo mundo aqui em apuros!
—É sempre assim. – debochou Nott – Você é um bundão, Rob. Sempre que fazemos uma coisa, você entra em pânico em seguida. Foi assim quando batemos no Vince e no Draconis. Foi assim depois que zoamos o Draconis aqui... – Nott lhe deu uns tapinhas no ombro e precisou se segurar para não tentar estrangulá-lo – E olha só o bem que fizemos pra ele. Ele agora é um dos nossos, não é, Drac?
Sentiu o olhar atento de Loto sobre si e suspirou.
—Sim. Claro que sou. – disse sombrio – Mas ninguém deveria ter saído ferido e muito menos morrido. – murmurou cauteloso. Corbway e Nott o olharam com descaso – Carmen era minha ex namorada. Se eu soubesse que iriam fazer isso, eu nunca teria participado. Pelo contrário. Eu teria deito de tudo pra impedir. – disse sem mentir.
—Mas participou. E se você resolver entregar a gente, vai se foder igual todo mundo. – disse Corbway se aproximando, estufando o peito, querendo parecer intimidador. Mas não se deixou intimidar. Cruzou os braços o olhando com profundo desprezo.
—Não vamos nos dividir agora, ok? – perguntou Loto se colocando entre ele e Corbway – Fizemos a merda juntos. Agora vamos todos nos acobertar, como todas as outras vezes. Mas... – Loto olhou para Corbway – Se nos colocar numa encrenca dessas de novo, Brutus, eu juro que te azaro pelas costas e te deixo tomar no cu.
—Eu concordo com o Loto. – disse Selwyn – Mas o que está feito, está feito. Não podemos tocar nesse assunto. Com ninguém.
—Eu não confio no Burke. – riu Nott – Ele vai nos delatar.
—Não vai. – disse Selwyn tirando algumas moedas de ouro do bolso e lhe entregando – Estamos comprando seu silêncio, Draconis. Estou pagando para esconder os uniformes e você está em dívida comigo. Como um Burke. Não pode nos delatar.
Draconis engoliu em seco, pensando em Navi, mas pegou o dinheiro e colocou no bolso.
—Feito. – murmurou – Posso ir agora?
—Acho que sim. – disse Loto – Que bosta. Era pra ter sido um dia divertido. Você estragou tudo, Brutus.
—Cale a boca e não me enche. – rosnou Corbway indo para a própria cama.
Draconis saiu do quarto e se abraçou, chocado, se escorando na parede. Depois subiu as escadas e foi para o salão comunal. Como raios explicaria aquilo pro Navi? Tirou as moedas do bolso e as olhou. Tinha sido pago e agora não poderia abrir o bico... uma maravilhosa dádiva de sua família... soltou um muxoxo e fechou os olhos, jogando a cabeça para trás.
Estava se sentindo muito culpado. Muito mesmo. Carmen tinha morrido... e parte daquilo era puramente sua culpa...
Ele não tinha visto. Estava do lado de fora, vigiando com Loto. Quando escutou a confusão, foi averiguar com Loto e viu o que Corbway tinha feito. Ele se empolgou com a brincadeira e matou alguém. Matou Carmen... logo depois encontrou Navi, pois não aguentou ficar lá dentro e olhar o rosto dela.
—Ei... – escutou uma voz e levantou a cabeça. Era Loto, que vinha parecendo abatido – Eu sinto muito pela Casañas... eu nunca imaginei que as coisas iriam fugir do controle desse jeito...
—Eu sei. – murmurou, abatido, com um sentimento horroroso no peito.
—Quer ficar doidão, pra se distrair? – perguntou Loto. Draconis concordou com a cabeça.
—Mas... mas Corbway nos proibiu de sair do salão... – disse fazendo careta. Corbway era o monitor mais velho da Sonserina.
—Quero mais que o Brutus se foda. Caguei pro que ele disse. Vamos. – rosnou Loto – Vamos ficar mais loucos que o Dumbledore.
Draconis sorriu achando graça e se levantou. Ele e Loto saíram das masmorras e caminharam até o Salão Principal. Pularam a janela e fugiram para as estufas.
—O que tem ai? – perguntou Draconis – Erva?
—To muito nervoso só pra erva. Eu vou de mandrágora. E você? – perguntou ele.
—Não... nunca mais quero usar isso... – resmungou – E eu prometi pro meu padrinho. – adicionou dando de ombros. Loto tirou uma caixinha da mochila e tirou o vidrinho com extrato de mandrágora.
—Ok, pó de fada, então? – perguntou ele.
—Vou ficar gritando e fazendo barulho. – resmungou – Não tem algo que me deixe lombrado e quieto?
—Tenho. – riu Loto. Ele fuçou na caixinha até tirar uma seringa de lá.
—Wow! O que é isso ai? – perguntou olhando para a agulha.
—Isso aqui vai te deixar mais do que louco. – riu Loto – E você não vai conseguir se mexer ou fazer barulho. Mas eu não vou te dizer o que é e não vou deixar usar de novo tão cedo. Isso aqui é barra pesada. – riu ele. Draconis concordou muito curioso – Mas antes... eu vou querer um beijo.
Draconis revirou os olhos.
—Não cansa de mim, não? – perguntou com um sorrisinho nos lábios.
—Não. – riu Loto – Sabe, eu transo com altas garotas, mas você é o único que eu realmente quero transar. Preciso imaginar que to com você pra ficar duro, todas as vezes. Acho que estou me apaixonando. – riu ele com travessura.
—Não faça isso. Eu sou apenas a putinha, lembra? – respondeu travesso também – Se apaixonar por uma puta nunca termina bem.
Loto deu uma risadinha e o puxou pela nuca. O beijou calmamente e sentiu a mão dele em suas calças. O tocou do mesmo modo e o colocou de costas.
—Eu não decidi isso. – riu Loto. Draconis riu no ouvido dele e abaixou as calças do colega.
—Diz que não quer e eu não faço, mestre. – sussurrou. Viu os cabelos da nuca de Loto se arrepiarem e deu um sorrisinho.
—Ok, ok... você me convenceu. – riu ele. Depois de quinze minutos estavam sentados no chão, prontos para fazer algo completamente estúpido – Descobrir que você beija rapazes foi a melhor coisa que me aconteceu nessa escola, sabia?
—Pare com isso. – riu Draconis, com a camisa aberta, passando o dedo pela cicatriz que Navi tinha deixado. Ambos estavam suados e descabelados, com sorrisos satisfeitos nos rostos, enquanto fumavam um cigarro... fumar depois de foder era um hábito deles – Não quero você apaixonado por mim.
—Eu sei. Você ama a garota proibida... como estão as coisas? – perguntou ele. Draconis se sentou mais ereto e suspirou.
—Ela quer transar... mas eu não sei se consigo... – disse fazendo um bico contrariado – Eu queria. Eu to morrendo de vontade... eu já bati tanta punheta pensando nela... credo. Vou ficar com calos nas mãos... – ele soltou um suspiro, ignorando a risadinha de Loto, que colocava um pó branco numa concha de metal, para então conjurar uma chama. Ele colocou a concha em cima da chama e o pó começou a se transformar num líquido opaco – A gente chegou nos “quase” umas três vezes, mas todas as vezes eu invento uma coisa e saio correndo.
—Eu te entendo. – riu Loto – Vocês são só meio irmãos, né?
—É... – disse dando de ombros.
—Ah, cara... vai ser um segredo só de vocês... é só não casarem. – Loto soltou um suspiro – Você gosta pra valer dela?
Draconis soltou um suspiro.
—Eu acho que eu... eu acho que amo a Rose. – disse corando de leve – Se ela não fosse... você sabe. – riu constrangido e Loto concordou, balançando a concha de leve, para ver se todo o pó tinha derretido – Eu namoraria com ela. Não só pelas aparências, como eu fiz com... – ele se calou e Loto concordou com a cabeça. Um clima desconfortável pairou entre eles e Draconis continuou – Com ela seria pra valer. Eu gosto dela já tem tanto tempo...
—Só... – Loto deu uma risadinha – Se quiser, eu caso com ela. – disse ele tranquilamente – Um casamento forjado. Vocês viram amantes e ninguém precisa saber a verdade. Só nós três.
—Mas... mas você ficaria como? – disse sorrindo.
—Ah... eu não vou casar de verdade. Não vou obrigar uma mulher a ser realmente minha esposa. Eu amo as mulheres. Elas são lindas, maravilhosas. Mágicas... elas são perfeitas em tudo... mas eu...
—O Vince me disse a mesma coisa. – riu Draconis.
—É diferente. O Vince tem nojo de boceta. Eu não. Eu gosto de boceta. Eu adoro lamber bocetas. Eu adoro enfiar o pau nelas. Eu gosto de peitos. Peitos são lindos... sem falar que as bundas femininas são lindas também. Eu acho as curvas das mulheres muito lindas e atraentes... mas eu prefiro ser estimulado de outro jeito. – ele deu de ombros – E fio terra não substitui seus vinte e um centímetros de pau. – adicionou ele com um sorrisinho, fazendo Draconis corar.
—Eu ainda não acredito que você veio medir o meu pau. – disse vermelho.
—É claro que eu quis. Eu nunca mais vou encontrar outro maior do que esse daí. – disse rindo. Draconis revirou os olhos e Loto pegou a seringa, catando o líquido da concha. Depois ele se aproximou e pegou um elástico para amarrar em seu braço – Tem certeza? Isso é forte.
—Manda ver. – disse Draconis. Loto suspirou e o beijou nos lábios de maneira quase carinhosa. O beijou de volta e ele suspirou, dando uns petelecos na veia de seu braço.
—Ok... boa viagem.
**
Navi esperou o tanto pelo primo, que caiu no sono. Acordou ouvindo risadinhas. Bocejou e espreitou pela janela e notou que Yaxley e Draconis tinham entrado. Olhou o próprio relógio e viu que eram cinco da manhã.
—Nunca mais. – lamentou Draconis – Nunca mais eu quero chegar perto dessa merda de novo. E seus olhos estão sangrando.
—Eu sei. – riu Yaxley. Franziu a sobrancelha e continuou espiando. Draconis se jogou na própria cama e Yaxley pulou no colchão com ele.
—Bros não dormem na mesma cama. Dá o fora. – riu Draconis, parecendo muito contente, rindo feito idiota. Yaxley estava limpando as bochechas, mas ele parecia meio alterado e o rosto dele ficou com um rastro de sangue. O mais velho se deitou ao lado de Draconis, rindo parecendo sem ar.
—Nossa... que viagem... a sua foi boa? – perguntou ele.
—Foi assustador... mas foi bom pra caralho... mas depois eu achei que iria morrer. – riu Draconis. Loto concordou ainda risonho e jogou a mochila no chão.
—Eu já perdi as contas de quantas vezes quis ter uma overdose... – disse ele e Navi arregalou os olhos, em choque – Mas eu sou covarde demais pra exagerar na dose...
—Quantas vezes já usou isso?
—Já usei bastante... mas me desintoxiquei. – respondeu ele – Eu prefiro mandrágora... não atrapalha nas minhas ereções...
—O que?! – perguntou Draconis em choque – Essa merda que você me deu causa impotência?!
—Não é imediato, idiota. – riu Yaxley – Só se usar muito... sem falar que é muito viciante... é por isso que eu não vou te falar o que é, nem vou te dar de novo... hoje foi exceção... – disse ele. Navi se sentou, ainda chocado com o que estava escutando. Draconis estava se drogando?! – Porque o que aconteceu hoje foi escroto e você merecia fugir de tudo...
—Sempre preocupado comigo. – riu Draconis, fechando os olhos. Yaxley se sentou e sorriu bagunçando os cabelos do loiro.
—Claro que sim. Você é meu Bro... eu adorei essa de Bro... – riu ele – Uma irmandade que sempre se protege... tem umas regras meio idiotas, mas...
—São todas muito sábias. Não diga o contrário. – ralhou Draconis.
—Nunca se vestir de galinha... o que tem de sábio nisso?
—Se você não compreende, é muito estúpido. Seria suicídio social e o Bro Code condena suicídio social. – explicou Draconis, fazendo Yaxley sorrir.
—Bem... você já está são e salvo na sua caminha. Eu vou para a minha... afinal, amanhã eu tenho que ir pra casa, pra depois ir pra Rússia.
—Que droga... queria que você viesse passar o natal com a gente. Ia ser o máximo. – riu Draconis.
—Deixa pra próxima. – riu Yaxley – Podemos nos ver nas férias.
—Promete?
—Claro. Eu vou estar formado. É só marcar, putinha.
—Vai se foder. – riu Draconis.
Yaxley pulou da cama, pegou a mochila e foi cambaleando para a porta. Draconis fechou as cortinas da própria cama e Navi soltou um suspiro. O que raios estava acontecendo com o seu primo? Ele estava tão distante, tão diferente.
Se deitou, olhando para o teto.
Draconis estava andando com os idiotas que abusaram dele.
Ele estava amigo de Yaxley, que era um desses idiotas... e agora o promoveu a BRO! Isso era um absurdo.
E ele estava envolvido em um assassinato...
E não parecia ligar nem um pouco.
E agora estava usando drogas... algo perigoso e viciante, que aquele escroto do Yaxley não queria nem falar o que era...
O que está acontecendo com você, Drac? Eu não te reconheço mais... pensou fechando os olhos.
***
Estavam no trem, voltando para casa. Vince estava lendo um livro, Draconis fumava na janela, Navi estava sem jeito, por Rose estar lá. Mas a garota não parecia incomodada. Nem um pouco, diga-se de passagem. E ela e Draconis conversavam como se nunca tivessem tido nenhum tipo de desentendimento.
Pouco depois Albus, Scorpius, Lyra e Les apareceram.
—Vocês não vão acreditar! – riu Lyra – Sabe quem está se agarrando com a sua irmã? – perguntou ela para Draconis – A pseudo-ruiva?
Draconis a olhou com os olhos apertados.
—Quem?
—James Potter. – riu Albus – Ela está ficando com o idiota do meu irmão mais velho. – resmungou Albus. Lyra deu uma risadinha e Les se sentou ao seu lado. Lyra se sentou ao lado dela.
—E Cerce está lá no vagão do sétimo ano da Grifinória, porque elas nunca fazem nada separadas. – riu Lyra – Ai, que comédia.
Navi olhou para Draconis que deu de ombros.
—Eu não vou me meter. – resmungou – Eu já perdi um amigo por tempo o suficiente por ser ciumento com uma irmã. – adicionou ele. Navi deu uma risadinha e baixou os olhos – Mas fique longe das minhas irmãs, Navi. Você tem o pau podre. Não pode ver um buraquinho que já quer se meter nele.
Todo mundo caiu na gargalhada e Navi deu de ombros sem corar.
—Podre nada. As minas adoram. – disse descontraído.
—Adoram, é? – perguntou Les, sorrindo pra ele. Navi riu de volta e a porta da cabine se abriu. Olharam curiosos e viram o Trio das Trevas. Trixie, Mellody e Florence.
Como descrever Florence Brontë?
Ela era muito loira, como Scorpius. Os cabelos eram compridos, lisos e ela tinha uma franja perfeitamente desenhada na testa. Os olhos eram muito azuis, de um tom que hipnotizava quando se olhava demais pra ela. A pele era perfeita, sem nenhuma manchinha, sem nenhuma espinha... parecia feita de marfim, tão delicada que quase brilhava. O nariz era perfeitamente desenhado em seu rosto, os lábios eram carnudos e ela tinha uma aura perigosa ao redor dela.
Ah, e além de tudo isso... ela era meio veela.
Mellody, a amiga dela, era muito bonita também, mas ela andava com Trixie e Florence... então ninguém lembrava que ela era bonita...
—Navi. Queremos falar com você. – disse Florence.
—Tipo assim... – riu Mellody.
—... Agora. – terminou Trixie.
Navi se levantou em um pulo e sorriu animado.
—Claro. A gente conversa depois, pessoal. – riu se despedindo de todo mundo. Draconis lhe lançou um sorrisinho e Scorpius o encarou morrendo de inveja. – O que desejam de mim? – perguntou passando os braços pelas cinturas de Trixie e Florence, saindo da cabine. Mellody fechou a porta e os seguiu, sorrindo divertida.
—Queremos averiguar se você está apto para ser nosso escravo. – riu Florence. Navi piscou e parou de andar.
—Escravo? – perguntou ele. As três deram sorrisinhos e concordaram com acenos de cabeça – Como assim? Eu pensei que a gente ia tran... hum... treinar. – disse confuso. As três riram novamente.
—Sim. Mas antes eu preciso ver se você é bom o suficiente.
—Bom o suficiente? – repetiu sem entender porra nenhuma. Florence soltou um suspiro e se virou, colocando uma mão na cintura e estalando os dedos da outra mão.
—Meu Merlin. Acompanha, Lestrange. – ralhou ela – Eu, claramente, sou a garota mais popular do nosso ano. Você é o garoto mais popular do nosso ano, principalmente agora que seu único rival se mostrou ser um esquisito que gosta de garotos...
—Draconis não é... – começou, mas Trixie o cortou.
—Na verdade eu escutei um rumor de que ele não faz mais isso.
—É. Eu escutei que o Yaxley curou ele. – concordou Mellody.
—E pra falar a verdade, é bem sexy. Ver dois lindos garotos se pegando. É tipo ver duas garotas se pegando. – disse Trixie.
—Ei, eu não vou ficar com outros garotos. – disse fechando a cara.
—Meu amor, alguém aqui perguntou alguma coisa pra você? – perguntou Florence e Navi fechou a cara ainda mais.
—Eu vou voltar pra minha cabine. – resmungou se virando.
—Você sabia que eu consigo colocar um pênis na boca, até a garganta? – perguntou Mellody.
—Eu estou voltando pra cá. – disse dando meia volta novamente – O que quer de mim?
—Então. Como eu ia dizendo... – disse Florence parecendo impaciente – Eu quero deixar você ainda mais popular. Porque, no ano que vem, nós vamos namorar. Pelo menos um mês antes da formatura, até o dia da formatura, assim, seremos o casal mais popular da escola, e eu provavelmente serei escolhida como oradora da turma. – explicou ela – E seremos o rei e a rainha do Baile de Verão.
—Hogwarts não tem isso. – disse franzindo a testa – Espera. Você disse que vamos namorar?! – perguntou piscando de choque – Você nunca quis nem me beijar!
—Mas você ficou arrumadinho. – debochou ela.
—Arrumadinho?! Tá de brincadeira, não é? Eu sou lindo... e eu não preciso ficar mais popular. – adicionou cruzando os braços – Como seria possível me deixar mais popular?
As três garotas trocaram olhares e sorrisos divertidos.
—Porque você vai conseguir o incrível feito de namorar nós três, ao mesmo tempo. – respondeu Florence, o fazendo ficar boquiaberto.
—QUE?!
—E vai poder transar com todas nós. – disse Mellody.
—Uma de cada vez. – disse Trixie, se aproximando com um sorriso maroto. Engoliu em seco, completamente chocado com aquilo.
—Ou com duas ao mesmo tempo. – disse Mellody – Ou com nós três ao mesmo tempo...
Abriu o maior sorriso do mundo.
—Mas só se você se provar digno. – riu Florence. Ela se virou e saiu andando, rebolando, com as duas amigas em sua cola – Você vai ficar babando ai, ou vai vir?
—Eu... estou indo. – disse sorrindo. As seguiu até o vagão bagageiro. Florence estalou os dedos e Mellody abriu a porta com um feitiço. As três entraram e ele as seguiu, curioso. As três então se viraram para encará-lo, com olhares analíticos, como se não estivessem muito convencidas de que ele era bom o bastante. E isso o intimidou de leve. Ninguém nunca o olhava assim.
—Meu Merlin... ele ainda não trancou a porta. – ralhou Florence.
—Eu acho que ele pode ser um tanto burro. Deveríamos tentar o primo dele. – reclamou Mellody.
—Qual? O Draconis? – perguntou Trixie – Ele é gatinho mesmo.
—Não. Duh! O Scorpius. Ele é mais gatinho ainda. – riu Mellody.
—Sluts! Calem a boca. – ralhou Florence e as duas se calaram – Muito bem, Lestrange. O que está esperando? Deixa a gente ver o que você tem.
Piscou confuso e colocou as mãos nos bolsos.
—Eu... eu devo tirar a roupa? – perguntou arqueando as sobrancelhas.
—Céus. Temos que desenhar pra ele. – ralhou Florence.
—Hum... eu estou pensando em ir embora de novo. – riu Navi – Eu até posso tirar a roupa. – riu ele fazendo charme e se escorando na porta – Mas pra cada peça de roupa que eu tirar, uma de vocês têm que tirar ao menos duas.
—E por que faríamos isso? – perguntou Florence. Navi deu um sorrisinho.
—Eu vou explicar o porquê. – respondeu sorrindo da mesma maneira enquanto desafivelava o cinto – Seu plano é pro próximo ano. Scorpius vai estar namorando no próximo ano. Draconis vai mudar de colégio e Vince é completamente gay. – tirou o cinto e o colocou atrás do pescoço, sorrindo maroto pra elas – Eu vou ser o único gostoso pra vocês, a menos que queiram usar Albus Potter... que além de não ser gostoso... – ele deu um sorriso vitorioso – está tão completamente apaixonado pela minha irmãzinha... o que me põe não como a melhor opção de vocês, mas como a única. E eu não vou tirar mais uma peça de roupa sem que uma de vocês tire ao menos duas. – Navi andou alguns passos ficando de frente para Florence – Eu quero me divertir também.
Florence deu uma risadinha, parecendo achar graça dele.
—Awn, Navi. Eu até bateria palmas pra você... – riu ela – Se eu fizesse isso. Você realmente acha que pode tentar barganhar aqui? – ela se aproximou mais e piscou de maneira charmosa. Sentiu um solavanco no estômago e sentiu o adocicado cheiro dela. A voz dela era como música e ela era mais linda do que qualquer coisa que ele já tivesse visto. Engoliu em seco e estreitou os olhos.
—Você é uma pessoa terrível...
—Maybe, but I'm rich and I'm pretty, so doesn't really matter. – riu ela.
Navi riu também e revirou os olhos.
—Sabe... eu até faria tudo o que você me pedisse, mas... – ele a apertou no nariz empinado e sorriu – Eu já aprendi a resistir a esse seu charminho. – Florence o olhou levemente surpresa e ela não ficou menos bonita por isso – Então não me entenda mal. Ou é do meu jeito, ou vai ter que procurar outro gostoso pra te comer. – disse sorrindo vitorioso.
—Hum... ele ficou tão sexy falando isso. – riu Trixie.
—Ok, comece tirando a roupa, Trix. – riu Florence.
Navi recuou alguns passos e Trixie tirou o casaco e as luvas.
—Sua vez, querido. – riu ela.
—Claro. – tirou o casaco e o jogou no chão.
—Mellody. – disse Florence, o encarando com os olhos atentos.
Mellody tirou o sobretudo e as botas.
—Sua vez, Lestrange. Nos mostre um pouco de carne. – riu ela.
Navi sorriu e tirou os sapatos.
—Não podemos pular de uma vez para o prato principal. – disse sorrindo.
—Sua vez, Florence. – riu Trixie.
Florence sorriu e suspirou tirando o sobretudo também. Navi tirou as meias e Trixie tirou os sapatos e as meias. Tirou a primeira camiseta, pois gostava de usar uma regata por baixo da blusa. As garotas soltaram um muxoxo e Mellody tirou a blusa, mostrando os seios médios, seguros por um sutiã cor de rosa. Navi tirou a regata e as garotas o olharam com sorrisinhos cheios de aprovação. Se escorou na porta e passou a mão na própria barriga tanquinho, as olhando travesso.
Seus olhos prateados miraram os azul turquesa de Florence, que puxou as alças do sutiã, sem tirar a blusa. Ela jogou a peça para ele, que a pegou no ar. Depois ela tirou a saia e ele achou que perderia o controle sobre si mesmo.
Tirou a calça, ficando só de cuecas, sem sentir-se constrangido. Era extremamente seguro de si mesmo e não tinha a menor vergonha de ficar nu na frente dos outros. Trixie tirou a blusa também, mostrando o sutiã branco e ele mirou os seios pequenos e lindos que ela tinha. Depois ela tirou a saia e lhe lançou um provocante sorriso.
—Hora de ficar pelado, Lestrange. – riu Florence. Sorriu para ela e passou o polegar pelo elástico da cueca.
—Quer que eu tire? – perguntou provocando a garota, a olhando com a cabeça levemente abaixada. Florence sorriu e concordou com um aceno de cabeça. Ele riu travesso e a chamou com o dedo – Chega mais. – disse. Ela veio se aproximando daquele jeito felino e ficou há um palmo dele. Puxou a cueca para frente e olhou para si mesmo, para baixo. Depois olhou para ela. Florence sorriu travessa e o espiou. Depois sorriu com aprovação e o empurrou contra a porta.
—Você sabe ser sexy, Lestrange. – riu ela.
—Você também. Quando não está sendo insuportável. – respondeu. Florence não pareceu se irritar.
-Sabe, não é todo mundo que merece meu lado doce. – ela lhe devolveu com um olhar meigo. Precisou respirar fundo, tentando afastar a neblina que começava a tomar sua mente. Engoliu em seco e a olhou tentando se conter – Eu sou virgem, sabia? – perguntou ela.
—Eu não acredito. – disse simplesmente.
—É sério... – ela colocou as mãos em seu peito e o alisou de leve, com um sorrisinho satisfeito – Os garotos se tornam uns selvagens perto de mim... sempre perdem o controle. Mas... mas você parece saber se controlar, não é? – perguntou ela colocando a mão sobre sua cueca, o apalpando. Respirou fundo, tentando não avançar contra ela. Usou todo seu auto controle para parecer calmo e sorriu.
—Eu sou controlado. – disse a alisando no queixo.
—Ok. Eu posso te dar uma chance. – riu ela – Sluts. Qual de vocês quer transar com o Lestrange?
—Eu! – disse Mellody pulando e levantando a mão – Me escolhe, me escolhe! – riu ela. Navi deu uma risadinha e olhou faminto para as três garotas.
—Ok. Divirta-se. Mellody é seu primeiro teste. Trixie vai ser o segundo, isso se a deixar interessada. Depois que conseguir conquistar a Trix, se me fizer ficar interessada, talvez tenha uma chance comigo. – riu ela o olhando travessa.
—Os garotos normalmente gozam muito rápido ao transarem comigo. E isso é totalmente broxante. Vamos ver como você é, Navi. – riu Trixie.
—Vocês vão me observar? – perguntou surpreso.
—Claro que vamos. De que outra maneira poderemos avaliar sua performance? – perguntou Florence – Então nos impressione.
Fuck...
****
Navi só voltou pra cabine quando o trem parou. Ele estava suado, arranhado, com o pescoço com uma enorme mancha de chupão, a camisa estava abarrotada e ele estava sem o casaco. Sem falar que ele estava com o maior sorriso de satisfação do mundo.
—Eu te odeio. – resmungou Scorpius.
—Mentira. Eu sou o seu herói. Quando crescer quer ser lindo que nem eu. – riu Navi pegando o casaco – Pena que você está querendo ir para o time dos comprometidos. – Navi então passou o braço ao redor de seus ombros – Mas eu tenho sempre o meu colega de farra pra farrear comigo, não é, Drac?
—Claro. – disse com um sorrisinho, mas quando ninguém estava olhando, piscou pra Rose.
Saíram do trem rindo um para o outro, com Navi sussurrando o acordo que tinha feito com o Trio das Trevas, ou Profana Trindade, como Vince as chamava. Sorriu para Navi, se perguntando como o primo conseguia ser tão sortudo.
Logo acharam seus pais. Tio Rasalas estava lá com Órion, seu padrinho estava lá conversando com uma bruxa muito bonita num vestido super decotado, e era bem óbvio que ele estava flertando com ela. Tio Blair estava lá também, com as mãos nos bolsos, procurando por Trixie. E por último estava sua mãe e Órion. Órion estava conversando com o irmãozinho de Navi e sua mãe parecia muito sombria.
Sentiu um calafrio lhe subir a espinha e olhou para Rose, que parecia preocupada. Cerce e Dido o alcançaram e lhe lançaram olhares temerosos. Sabia que as irmãs estavam pensando o mesmo que ele...
Papai.
Se aproximou da mãe e a abraçou.
—Como está o papai? – perguntou baixinho, no ouvido dela.
—Ele está no hospital... – respondeu sua mãe – Quando chegarmos em casa, quero falar com você, muito a sério, Draconis. – disse sua mãe, com um semblante muito rigoroso.
Engoliu em seco, se perguntando o que poderia ser...
Será que ela sabia sobre ele e Rose?
Ou sobre o dia em Hogsmeade?
Sentiu mais um calafrio e concordou com um aceno de cabeça.
Não prestou atenção em sua mãe cumprimentando suas irmãs, nem em Scorpius dando um abraço apertado no pai. Nem para Navi tendo a orelha puxada por ter recebido muitas detenções. Estava preocupado, com uma sensação de mau presságio.
Se despediu dos amigos e pegou o noitibus com a família. Rose entrelaçou os dedos com os seus quando se sentaram um ao lado do outro no veículo roxo. Ela suspirou e deitou a cabeça em seu ombro e ele quase se esqueceu de tudo quando teve vontade de beijá-la. Então apenas fechou os olhos e deitou a bochecha no topo da cabeça dela.
—Ei. – sussurrou para ela.
—Hum? – perguntou ela.
—Tem uma coisa que eu quero te falar... não me deixa esquecer, ok? – perguntou baixinho.
—Ok. – riu ela acariciando sua mão com o polegar.
Quando chegaram em casa, todos olharam ao redor, procurando pelo pai, mas ele não estava ali. Apenas Castor, que parecia muito abatido.
—Cadê o papai? – perguntou Prim. Sua mãe tirou o casaco e pendurou o chapéu.
—Draconis, na Sala das Placas. Eu e você. – disse ela muito rígida. Piscou surpreso e constrangido, sem saber do que poderia se tratar. Desejou ardentemente que sua mãe não soubesse o que tinha feito. Pensou em Carmen e entrou em desespero. Mas tentou não transparecer. A seguiu sentindo as mãos suarem e se sentindo muito nervoso. Ela abriu a porta e o esperou entrar, para entrar também, em seguida e fechar a porta novamente – Seu tio veio falar comigo sobre as coisas que estão acontecendo com você em Hogwarts. – disse ela. Corou com violência e se virou para encará-la – Eu quero os nomes dos garotos que te machucaram. Eles vão ser expulsos...
—Mãe. Não precisa. Eu já resolvi tudo. – disse calmamente.
—Não. Eu não vou permitir que fiquem molestando o meu filho. – disse sua mãe muito decidida.
—Mãe. Ninguém está me molestando. – disse franzindo a testa.
—Não me obrigue a usar legilimens, Draconis. Eu vou usar. – rosnou sua mãe – Eu também já passei por isso. Eu sei a vergonha que é. Mas eu sei que eles precisam de punições...
—Mãe, é sério. Ninguém está me molestando. – disse aliviado por ser só isso – Confie em mim, ok? – pediu sorrindo – Eu tive uns probleminhas com os garotos mais velhos, mas não está mais acontecendo. Eu me impus, o Navi torturou um deles e eu fiquei verdadeiramente amigo de um deles. Ninguém nunca mais tocou um dedo em mim e o cara que mais me sacaneou me pediu desculpas. – deu de ombros, apesar de aquilo não ser totalmente verdade. Nott nunca se desculpou e provavelmente não iria se desculpar – Eu estou bem, eu juro.
Sua mãe soltou um muxoxo.
—Ano passado você estava bem. Essas pessoas são mesquinhas e de cabeça fechada. Eu tomei uma decisão muito séria.
—O que? – perguntou sentindo um calafrio.
—Eu vou tirar você e suas irmãs de Hogwarts. Eu já mandei suas notas pra Crudelis em Durmstrang. Suas irmãs vão pra Beauxbatons. Vocês não vão voltar para Hogwarts depois do natal.
Abriu a boca em choque e sua mãe se virou para sair. Pensou em Navi, Rose e Loto e sentiu um terrível frio na barriga. Segurou a mãe pelo pulso e a olhou chocado.
—Não! Não quero mudar de escola! – disse em choque – Não mude as meninas por minha causa. Não precisa fazer nada disso. Estamos bem.
Sua mãe puxou o pulso e o acertou no rosto com força. Piscou em choque e a olhou sem entender. Nunca tinha apanhado na vida. Não dos pais. Colocou a mão no rosto, sentindo-se envergonhado, com a bochecha ardendo de leve.
—Eu vi o que você fez, Draconis. – rosnou sua mãe – Você roubou o uniforme do seu avô. Você se envolveu com aqueles meninos, naquela palhaçada que matou uma garota nascida trouxa. – disse ela. Draconis abriu a boca em choque – Quando eu vi no jornal que isso tinha acontecido, eu tive um pressentimento e fui para a casa do meu pai. Eu vi que estavam faltando dois dos três uniformes. Então eu usei minha clarividência e vi o que você fez. – disse ela e ele prendeu a respiração – Eu estou tão decepcionada com você. Eu acho que eu nunca senti tanta decepção em toda a minha vida. – sibilou ela parecendo completamente enojada. Baixou o rosto, envergonhado, sem ter gana nem mesmo para tentar se explicar, para dizer que não teve nada com o que aconteceu com Carmen. Para falar que não sabia que as coisas iriam fugir do controle. Era só pra ser uma brincadeirinha... – Céus... se o seu pai soubesse... eu não quero nem pensar em como ele ficaria. Ele poderia literalmente morrer de desgosto. – disse ela e Draconis desejou que tivesse batido nele de novo. Seria melhor do que ouvir aquilo – Seu pai está no leito de morte dele e você me apronta uma dessa, Draconis. E tem a cara de pau de fingir que está tudo bem e que nada aconteceu. – sua mãe respirou fundo – Eu concordo que as suas irmãs não precisam pagar pela sua falta de caráter. Eu vou dar a elas a chance de escolher entre Hogwarts e Beauxbatons... mas você vai pra Durmstrang, onde não vai poder sair da escola antes de terminar seus estudos. Você não precisa nem voltar pra casa nos feriados.
—Mãe... eu não quero sair de Hogwarts... – disse encolhido em seu lugar.
—Não interessa. Você é meu filho e sou eu quem decide onde você estuda. Sua matrícula está feita. Seu novo uniforme está no seu quarto. Anote minhas palavras, Draconis. Você não volta pra Hogwarts e fique feliz por eu não te entregar pra Kingsley, porque era isso o que eu deveria fazer. – ela respirou fundo – Eu não acredito que o meu filho, depois de tudo o que a nossa família passou, teve a audácia de se envolver num assassinato de uma nascida trouxa. Você sabe o quão emblemático foi isso? – perguntou ela desgostosa – Nascidos trouxas e trouxas estão sendo assassinados em toda Europa, graças ao ataque ao Ministério e a aquela escola japonesa. E vocês foram os primeiros a trazerem esse tipo de pensamento horrível pra cá. Você não faz ideia do que é viver durante uma guerra, Draconis. Você não faz ideia do que é ter sua infância arrancada de você com sangue e morte.
—Eu sei sim. – retrucou a olhando indignado com o fato de ser obrigado a mudar de escola – Eu sei muito bem, diga-se de passagem. Você não faz ideia...
—Do que? – sibilou sua mãe – Do que eu não faço ideia?!
—Das coisas que eu superei! – rosnou Draconis – Do que eu tive que fazer pra...
—Pra não ser mais a garota da turma? – perguntou ela com desdém – Não. Eu realmente não sei, Draconis. Mas eu sei muito bem o que é ser molestada e o que é ser estuprada. Eu já fui estuprada naquela escola. Mais de uma vez. Eu já fui obrigada a fazer coisas que eu não queria para proteger as pessoas que me eram importantes. Eu já apanhei e me machuquei. Eu já chorei sentindo dor, humilhação, escutando risadinhas enquanto me forçavam a fazer o que eu não queria. É disso que você está falando? É isso que você acha que eu não sei nada a respeito? – perguntou ela o olhando com mágoa e os olhos cheios de água – Eu fiquei tão quebrada que levou um ano inteiro até que eu deixasse que as pessoas me tocarem de novo e se não fosse pelo seu pai eu... – ela se interrompeu e segurou a própria cabeça, ficando tonta. Mas em seguida se organizou e o olhou – Eu não sei se teria sobrevivido. Eu não vou te tirar daquela escola só porque os garotos mexeram com você. Eu vou te tirar daquela escola porque, obviamente, você está fazendo amizade com quem não deveria. Eles são uma péssima influência pra você e...
—Me deixe terminar o ano, pelo menos! – disse angustiado.
—Não. Você não merece cortesia nenhuma da minha parte. Agora vai pro seu quarto se arrumar. – rosnou ela – Nós vamos visitar seu pai no hospital. E amanhã vamos para a casa do seu tio, para o jantar. E agradeça por eu não te deixar trancado aqui sozinho.
Draconis viu sua mãe lhe dar as costas e sair da Sala das Placas. Soltou um muxoxo, furioso, se sentindo injustiçado, mas apenas baixou os olhos, indignado. Não iria desobedecer. Foi para o próprio quarto e quando entrou viu o uniforme vermelho da Durmstrang. Seu estômago se revirou e ele bateu a porta, para em seguida lamentar...
Navi. Rose. Vince. Loto. Scorpius. Albus. Lyra. Cerce. Dido. Prim. Lessa… tudo perdido… ficaria sozinho naquela nova escola. Se sua mãe tivesse te dito isso antes de se acertar com Rose e Navi, iria de bom grado... mas agora ele simplesmente não queria ir. Simplesmente não queria ir.
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