Notas iniciais
Então... lembram da caixa de lencinhos... Vocês vão precisar dela de novo... Aproveitem pra fazer um estoque, porque essa não é a cena mais tocante da fic ainda... (gente, vou matar vocês desidratadas...) E preparem o shipps XD Eu amo esse capítulo. Espero que vocês gostem também hehehehehe Beijos e vamos ler ps.: Eu não tive tempo de responder os últimos coments, mas eu vou!!!! E lembrem-se! Mais 6 comentários e mais um capítulo!!! Hohohohoho Beijos

Capítulo 24

Alhena se sentou na cadeira em frente à diretora McGonagall sem saber muito bem o que esperar daquela visita. Draconis já tinha se metido em detenções, mas nunca foi preciso que comparecesse à escola.

Mas no momento em que Draconis entrou em sua sala, entendeu imediatamente o motivo de ter sido chamada. Draconis a olhou completamente constrangido e baixou os olhos. Ele estava com o olho roxo, o supercílio cortado e o lábio inchado. Alguém tinha batido, e muito, em seu filhinho.

Se levantou, completamente chocada e foi até ele. Draconis já estava da altura de Damian, talvez apenas um ou dois centímetros mais baixo. Apertou as bochechas dele com as palmas das mãos, segurando o rosto dele com firmeza.

—Meu amor... o que houve? – perguntou ela.

—Eu... eu quero falar com meu pai. – murmurou Draconis. Alhena sentiu o coração apertar.

—Seu pai não pode sair do hospital. – disse ela, desesperada.

—Então eu quero ir no Mungus. – murmurou Draconis.

—Mas... mas Drac... fale com a mamãe. O que houve?

Mas seu filho a olhou perdido, o lábio dele tremeu e ele desmoronou na sua frente.

—Eu quero falar com o meu pai. Não quero falar isso com você, por favor, mãe... – chorou ele aos soluços, completamente infeliz – Deixa eu falar com o meu pai. Por favor... eu só quero ver o meu pai, por favor... – pediu ele.

Alhena se virou para a diretora, completamente chocada.

—O que está acontecendo, Minerva? – perguntou autoritariamente – Quem fez isso com o meu filho?

—Eu não sei o que está acontecendo, porque seu filho se recusa a responder. – disse ela – Ele vem com umas desculpas idiotas de que caiu, ou que bateu a cara no armário. Me insulta que ele pense que eu me deixaria convencer por tanta bobagem. Mas eu cansei de perguntar. Imaginei que ele falaria com a senhora. – A diretora se levantou e saiu da sala, fechando a porta. Alhena olhou para Draconis, sentindo um aperto no peito. Sentindo-se completamente inútil.

—Drac, por favor, meu amor... quem fez isso com você? O que está acontecendo?

—Mãe, eu quero falar com o meu pai. Eu não quero conversar sobre isso com você.

—Draconis. Alguém abusou de você? – perguntou ela, sentindo um medo terrível da resposta. Se lembrou de quando Pierre tinha lhe estuprado... apesar que a memória era um tanto confusa, provavelmente um mecanismo de defesa de sua mente. Mas se lembrava que não queria que ninguém soubesse. Se lembrava que não queria falar a respeito, com ninguém. E o medo que seu amado filhinho passasse pela mesma coisa era assustador. E foi mais assustador ainda quando Draconis se deixou cair na cadeira e começou a chorar. – Oh, meu amor. Me diz quem foi e eu juro que...

—Eu só quero falar com o meu pai! Só isso! Que droga! – chorou ele furioso. E então ele ficou de pé e chutou o armário da diretora, derrubando um monte de xícaras no chão. Alhena se lembrou imediatamente de Rasalas – Eu quero ver o meu pai! O meu pai! Não vou falar isso com você. Eu quero o meu pai! – chorou ele chutando o armário de novo, de novo e de novo.

Alhena respirou fundo e segurou o filho no ombro.

—Seu pai está desacordado, Draconis... e ele não vai acordar... provavelmente não vai... – disse com o coração apertado. Draconis a olhou assustado e chorou de novo pegando os livros que tinham ali e os jogando no chão. Ele puxou os próprios cabelos e então se jogou na cadeira de novo, chorando como criança – O que fizeram com você? – insistiu desesperada. Mas Draconis não respondeu. Só ficou chorando, debruçado na mesa – Eu te levo no hospital, Draconis. Mas você precisa me falar o que aconteceu! Eu preciso saber!

—Não precisa! Não precisa! – rosnou ele – Eu só não quero falar isso com você. Eu quero falar com meu pai. Só isso!

—Draconis. Por favor...

—Eu briguei com o pessoal mais velho. Eles não gostam de mim! Satisfeita? – perguntou ele sem encará-la – Eu quero o meu pai.

Alhena soltou um suspiro e concordou, vencida, com um aceno de cabeça.

*

Draconis entrou cabisbaixo no quartinho. Seu pai estava deitado, de olhos fechados, numa cama. Ele tinha grandes manchas violetas espalhadas pelo corpo. Respirou fundo e escutou a porta fechar, quando sua mãe se retirou para lhe dar privacidade.

Draconis andou até uma poltrona, perto da cama do pai e se sentou, querendo chorar.

—Paizão... eu estou com medo. – disse num sussurro, segurando a mão do pai, mas ele não se moveu. Nem pareceu escutá-lo. Apenas seguiu naquele sono pesado e inatingível. Inalcançável... – Eu estou com medo de dormir. Eu estou com medo de andar sozinho. Eu estou com medo que machuquem minhas irmãs... paizão, por favor, acorde e me dê um conselho... – sussurrou segurando a mão do pai com as duas mãos – Eu estou com tanto medo, paizão... não me deixe sozinho, por favor... – murmurou perdido. Mas Damian seguiu calado, como era de se esperar. Soltou um soluço, cheio de dor. Fechou os olhos e encostou a testa na mão do pai, querendo algum tipo de consolo, que ele sabia que não iria ganhar – Pai... eu fiz uma coisa... que eu não deveria ter feito... – murmurou – E agora minha vida virou um inferno... – ele fungou e arfou – Eu envergonhei a nossa família, pai... e agora todo mundo sabe. E ninguém me deixa em paz. Eu não aguento mais as piadinhas, eu não aguento mais as surras, as azarações pelas costas, os olhares de desdém. Eu não aguento mais... eu... eu quero sair de Hogwarts, mas... mas se eu sair e com Póllux e Castor se formando... quem vai proteger a Rose, a Cerce, a Dido, a Prim... eu... eu coloquei elas em apuros, pai... por favor... me diz o que fazer... – pediu desconsolado. Mas o silêncio foi a única resposta que obteve – Paizão... paizão... – mas Damian seguiu imóvel e calado. Draconis soluçou mais uma vez – Eu... eu ando fazendo tanta merda, pai... tanta merda. Eu comecei a beber demais, a fumar demais... e logo isso não era mais suficiente. Então eu comecei a usar outras coisas... eu usei extrato de mandrágora. Foi horrível. – disse fungando – Eu tive tanto medo que você descobrisse... que você brigasse comigo, que falasse que estava decepcionado... – ele soluçou de novo, sem nem se importar de secar as bochechas – Mas agora eu queria uma bronca. Eu queria um olhar decepcionado... eu queria qualquer coisa, menos seu silêncio. Por favor, briga comigo, paizão... – implorou, completamente carente – Por favor... – mas Damian não se moveu. Draconis apertou a mão do pai com alguma força e soltou um berro de lamento. Começou a chorar, desconsolado, completamente deprimido – Eu sou um merda, pai. Um merda. Eu fico pensando as coisas mais erradas possíveis. Eu acho que estou ficando louco. Eu acho que eles tem razão quando me chamam de aberração. Eu devo ser mesmo. As coisas que eu penso. As coisas que eu sonho... pessoa nenhuma deveria sonhar com as coisas que eu sonho. É tão errado. É tão pervertido, indecente... eu sou estragado. Essa é a verdade. E eu tentei me distrair com outras coisas, pensar em outras coisas. Mas nada adianta. Eu continuo do mesmo jeito e então... eu... eu... pai... – ele soluçou – Eu beijei um garoto... e as coisas saíram de controle. Eu estava bêbado... eu fui descuidado... e os outros garotos descobriram... Eles estão me ameaçando e me machucando e eu estou com medo, pai... eu estou com tanto medo... pai, eu estou com muito medo... eles vão me matar... eles vão me matar... – chorou assustado. – Pai, por favor, me ajuda, pai. Eu nunca mais vou fazer isso de novo. Não importa se foi legal na hora ou não. Eu já aprendi que é errado... mas eles não entendem. Eles só querem me ferir... eu achei que eles iriam quebrar a minha cabeça, pai... e o Vince... céus, o Vince... – Draconis soluçou de novo – Eles machucaram ele na minha frente... bateram tanto nele, até que... até que um de nós falasse quem... – Draconis fechou os olhos, enojado de si mesmo – Quem era a mulher de nós. Mas eu não sou uma mulher, pai, eu sou um homem... eu só quis experimentar, entende? Você entende? – perguntou desolado. Mas Damian nem piscou – Eu ainda sou seu garoto, não sou? Ainda somos iguais aqui... – ele apontou pra própria cabeça – e aqui... não é? – perguntou colocando a mão do pai no peito. – Pai, por favor... diz que ainda somos iguais... diz... diz que eu sou o seu garoto... por favor... – pediu desesperado – Eu não vou aguentar se você morrer, papai... não me deixe sozinho, por favor... você é meu herói. Sempre foi... quando eu me machucava, quando eu levava bronca, quando batiam em mim, quando eu tinha medo, quando eu tinha pesadelos... eu sempre tinha você pra voltar... por favor... não vai pra um lugar que eu não consigo te alcançar... eu ainda sou só um garoto... eu estou tão perdido... – murmurou olhando para os próprios pés. Mas Damian seguiu em silêncio. Se levantou, vencido, e olhou o pai mais uma vez. Se curvou sobre ele e o beijou na testa. Depois o olhou com atenção e carinho – Eu te amo, paizão... – murmurou desolado e uma lágrima sua caiu no rosto dele. Com o polegar a afastou dali e se endireitou. Por um momento se lembrou de seu padrinho, falando que ele passaria por muitos problemas, mas que superaria todos, por ser esperto e astuto. Mas não se achava esperto ou astuto. Apenas idiota. Apenas errado. Apenas quebrado. Apenas desajeitado. Uma aberração. Se sentou novamente na poltrona e olhou para o teto, chorando em silêncio – Eu sou um garoto... eles acham que podem tirar isso de mim, mas não podem. – murmurou infeliz – Se eles tentarem me sacanear de novo, eu vou matar. Eu vou matar um deles e então eles vão me deixar em paz, nem que eu seja expulso. Nem que eu seja preso. Eles nunca mais vão encostar em mim. Chega de ter a cabeça afundada na privada, chega de apanhar gratuitamente. Chega de ser humilhado. Só chega. – fechou os olhos e olhou para o pai. Foi quando notou que ele estava numa posição diferente. Ele tinha movido o rosto. Se perguntou se ele fazia isso ou se tinha sido algo estranho. Mas então o pai abriu os olhos. Draconis se jogou de joelhos, segurando a mão do pai, o olhando chocado – Paizão?

Damian soltou um sorriso fraco.

—Meu garoto. – sussurrou ele levando a mão para seu rosto. Draconis arfou e fechou os olhos segurando a mão do pai contra a bochecha – Quem te machucou?

Draconis soluçou de novo e se jogou em cima do pai, para abraçá-lo. Damian soltou um gemido de dor, mas o abraçou de volta.

—Foi um garoto da escola... – chorou tremendo de nervosismo.

—Ele... ele vai... se ver... comigo... – disse seu pai com alguma dificuldade. Draconis sorriu e abraçou o pai com mais força. Depois chorou mais um pouco, porque estava completamente abalado com tudo o que estava acontecendo. Sentiu a mão do pai em sua cabeça, lhe afagando gentilmente, mas isso só o fez chorar ainda mais.

—Paizão... me desculpe... eu... eu fiz tanta...

—Está tudo bem, meu filho... na sua idade eu... – ele respirou fundo, parecendo sem ar – eu fiz muita besteira também... – Damian puxou o ar e Draconis ficou curvado ao lado da cama dele – Nunca com um garoto, é verdade... apesar que seu tio, uma vez... ele veio com uns papos meio estranhos pra mim... – riu Damian. Draconis corou com vergonha – Mas, hey... não interessa o que os outros pensam de você. Ok? Você não tem que deixar de ser quem você... é... – seu pai fechou os olhos por um momento e ele se sentiu em pânico, temendo que o pai não voltasse a abrir os olhos. Mas ele abriu e sorriu – Você tem que ser feliz, Drac... só isso... feliz... – ele respirou fundo – Fale com a... diretora... e com a sua... mãe... – ele respirou fundo de novo – Ela... ela vai... ajudar... – seu pai parecia muito cansado. Mais cansado do que nunca antes – Ela... ela vai... entender... sabe? Sua... sua mãe... ela... ela entende... – mais uma vez ele respirou fundo, como se fosse um esforço muito grande falar – ela entende as coisas, a sua mãe... fale com ela, tá bem?

—Tá bem... – murmurou.

—Você me promete?

—Prometo. – chorou apertando a mão do pai.

—E nunca mais use drogas, filho... nunca mais...

—Nunca mais. – prometeu.

—E não tente matar ninguém... por mais que mereçam morrer... você não tem que se sujar com eles.

—Ok... eu prometo...

Damian respirou fundo e voltou a fechar os olhos.

—Diz pra... pra sua mãe... que eu a amo muito.

—Pai, fala você... não... não faz como se você fosse morrer agora. – pediu assustado. Seu pai sorriu serenamente.

—Não vou morrer agora... – sussurrou ele, cansado – Eu só prometi... pra ela... – ele respirou fundo algumas vezes – Que... que diria isso... todos os dias... e eu não... não sei quando... eu... disse... isso... ... pela última vez... ... ...

—Paizão? Paizão?! – chamou assustado com o silêncio. Seu pai abriu os olhos minimamente.

—Você vai sempre ser o meu garoto... não interessa o que digam... sempre meu... garoto. – sussurrou ele. Draconis concordou com um aceno de cabeça – Eu amo... os seus irmãos... – Damian respirou fundo mais uma vez – Você precisa ser... um bom exemplo... pro Órion...

—Eu vou.

—E tem que cuidar das suas irmãs... e ajudar os seus irmãos com a loja...

—Eu vou, paizão...

—E nunca... nunca... – seu pai fez uma pausa, tomando fôlego – Nunca deixe sua mãe sozinha... – ele fez uma pausa novamente – Ela é... a pessoa... mais... mais... fantástica... desse mundo...

—Você também é, paizão. – sussurrou acariciando a cabeça do pai – Pai, eu não sou gay, eu juro que não sou...

Damian sorriu e o olhou sereno.

—Não importa se é ou não... – disse Damian – Eu só quero... que você... seja muito feliz... com a pessoa que você escolher... – ele fez uma pausa, tomando fôlego novamente – para passar o resto da vida... garoto ou garota, não importa... não importa. Você... sempre... meu garoto... – Damian virou o rosto, deitando a bochecha no travesseiro – Estou cansado... chame a sua mãe pra mim?

—Uhum... – murmurou. Mas seu pai caiu no sono novamente. Draconis fungou e beijou a testa do pai novamente. Depois saiu do quarto do hospital. Sua mãe estava sentada num banquinho, no corredor, torcendo uma revista nas mãos, a despedaçado inteira. Se sentou ao lado dela e a olhou com carinho – Papai pediu pra te falar que te ama...

Sua mãe o olhou em choque e se levantou de uma vez.

—Ele acordou?!

—Mas dormiu de novo. – disse se levantando também. Soltou um suspiro e abraçou a mãe, sentindo-se muito pequeno e jovem – Mãe... tem uns garotos do sétimo e sexto ano, que estão me batendo...

—Por que? – perguntou ela o abraçando de volta.

—Porque eu... – Draconis corou envergonhado e a abraçou mais forte – Porque eu gosto de garotos, também... e eu beijei um... e descobriram...

Sua mãe o olhou nos olhos e pareceu muito zangada.

—Ah, mas uns garotos vão ser expulsos daquela escola. Ninguém machuca um filho meu por conta disso! Não mesmo.

—Não está com vergonha de mim? – perguntou ele. Sua mãe soltou um suspiro e sorriu.

—Claro que não... – disse ela o acariciando nos cabelos – Você é meu filho e eu tenho muito orgulho do homem que você está se tornando. E tenho absoluta certeza de que seu pai pensa o mesmo que eu.

—Eu não sei, mãe... eu... eu não tenho sido a melhor das pessoas... – murmurou ele, cabisbaixo.

—Ainda é infinitamente melhor do que todos os covardes que te bateram, meu amor. Eu te garanto isso, ok? – Draconis sorriu tristemente e concordou com um aceno de cabeça – Mas deixa eu perguntar... – murmurou ela parecendo sem jeito – Esse garoto que você beijou... quem é? Ele é especial ou... ou foi só...

—Foi só uma experiência, mãe... mas ele é meu amigo e ele está se fodendo tanto quanto eu. – murmurou sem se importar por soltar um palavrão. Sua mãe suspirou e o abraçou carinhosamente.

—Eu te amo tanto, Draconis... eu juro que não vou descansar até fazer aqueles cretinos pagarem por cada machucado que fizeram em você.

—Eu também te amo, mamãe... – murmurou baixinho, a abraçando de volta.

Finalmente sentia alguma paz dentro de si.

**

—Se seu filho encostar um dedo que seja no meu neto, Grant... – rosnou Rabastan o empurrando contra a parede – Eu vou matar todo mundo, você entendeu? – perguntou ele. Grant, que já tinha cuspido boa parte dos dentes, apenas concordou com um aceno de cabeça – E o primeiro vai ser você. – rosnou enfurecido. O socou de novo e de novo. – E manda ele controlar os amiguinhos dele novamente. Porque se meu neto quebrar uma unha e eu sequer desconfiar que tem dedo do seu filho, ou dos amigos dele, envolvido nisso... eu volto pra Azkaban, mas eu mato todos vocês, igual eu fiz com o Avery. Você se lembra do Avery, não lembra? – perguntou com um sorriso lunático. Grant concordou com um aceno de cabeça, frenético – Ótimo. Fico feliz que a gente tenha conversado. – disse o colocando no chão. – Ah! E mais uma coisa. – Grant se encolheu completamente e Rabastan o olhou com o mesmo sorriso assustador e lunático de antes – Se algo acontecer com qualquer membro da minha família, eu vou achar que a culpa foi sua... eu sou muito desconfiado, sabe?

—Eu entendi, Lestrange. Eu entendi. – choramingou Grant.

—Você vai mandar um berrador para o seu filho? Falando para ele se comportar, não vai?

—Eu vou. Eu vou... – chorou Grant, encolhido no chão. Rabastan deu um sorrisinho e se abaixou, se acocorando, ficando cara a cara com o homem.

Estavam na casa de Grant. Uma casa bonita, mas até bastante simples, sem ao quilos de feitiços de proteção que as casas costumavam ter na época da guerra. Tinha sido ridiculamente fácil entrar.

—Você já foi esfolado alguma vez? – perguntou Rabastan, num sussurro, pegando uma faca. A mesma faca que tinha usado para esfolar Avery. Grant negou com a cabeça, olhando assustado para ela – Dói pra cacete... Dói mais do que qualquer coisa. Dói tanto que a pessoa esfolada começa a enlouquecer. Até que ela não aguenta mais e implora para que a gente arranque o que tiver sido esfolado. Se eu esfolar uma parte do seu dedo, em pouco tempo você vai implorar pra eu arrancar seu dedo fora... e quando eu arrancar, você vai me agradecer de coração... porque dói menos ser decepado do que ser esfolado... Mas você não quer passar por isso, não é? – perguntou com um sorrisinho. Grant negou veemente com a cabeça – Que bom. – riu dando uns tapinhas no rosto do homem – A gente se vê por ai. E eu não preciso lembrar o que eu vou fazer com você e com a sua família caso você comente que eu passei aqui pra te desejar boa tarde, preciso?

—Não, Sr. Lestrange.

—Ótimo.

***

Draco quase cuspiu o chá, em surpresa. Alhena o tinha convidado para tomar um chá, numa lanchonete perto do trabalho dela. Ela estava linda, como sempre, com um penteado muito formal, um chapéu bonito, um terninho e uma saia na altura dos joelhos, muito justa, mas elegante. Ela tinha um sorrisinho nos lábios, enquanto tomava da própria xícara.

—Você mandou o seu pai falar com o pai do garoto que está implicando com Draconis? – perguntou com um sorriso cheio de troça no rosto – Seu pai? O louco, comensal de morte, assassino e...

—Meu pai ficou feliz de usar o uniforme de comensal de morte de novo. Ele nunca deixou mamãe jogar fora. – riu Alhena colocando um pouco de mel no chá – Ele gosta de dramatizar, quem diria... – riu Alhena com uma cruel satisfação no rosto – Eu acho que o problema vai ser resolvido muito bem.

—Mas... mas por que Draconis estava apanhando na escola? – perguntou preocupado – Ele é um bom aluno, é do time de quadribol, é muito bonito, também... – murmurou tendo ciência de que o garoto era a sua cara – Não imagino Draconis não sendo popular...

—Draconis está experimentando coisas novas. E algumas pessoas com mente fechada descobriram. – disse Alhena, calmamente.

—Coisas novas? Tipo o que? – perguntou ele pensando em drogas. O garoto tinha prometido que não voltaria a usar aquelas coisas... sem falar que não imaginava que ele iria apanhar por se drogar. Lembrava muito bem que boa parte de seus colegas fumavam salvia. Em seu ano, apenas Rasalas não quis nem saber de provar, por traumas familiares.

—Tipo novas maneiras de amar. – respondeu ela calmamente, ainda tomando o chá.

Draco piscou, sem entender, por um momento. Depois sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Quando ele finalmente entendeu o que ela estava falando, ficou tão chocado que simplesmente deixou escapar. Não pensou. Só falou.

—Meu filho é gay?! – perguntou em choque. Alhena franziu a testa e o olhou confusa.

—Seu filho? Está doido? – riu ela. Draco sacudiu a cabeça, corando de leve e riu sem jeito.

—Meu afilhado... meu afilhado é gay? É isso que está me dizendo? – perguntou ele.

—Seu afilhado não é gay. – riu Alhena – Ele está experimentando coisas novas. Ele deu uns beijos em outro garoto... talvez algo mais quente que simples beijos. Mas ele ainda gosta de garotas... acho que ele vai ser aquele tipo de garoto que simplesmente ama as pessoas, independentemente do gênero.

—E você acha isso “ok”? – perguntou sentindo um monte de coisas estranhas. Ele amava Draconis. De coração. O garoto o enchia de orgulho. Mas não estava preparado para saber que seu filho não era... bem... dentro dos moldes, digamos assim.

—Claro que acho. Eu beijei Parkinson, mais de uma vez. Eu beijei Daphne e Astoria, também... e na época da escola, eu e Parkinson tivemos uma noite muito louca na cama... eu não vou criar caso porque o meu filho quer experimentar esse tipo de coisa. – ela colocou a xícara sobre a mesa – O que eu não vou permitir é que as pessoas façam pouco dele, simplesmente por ele ter um coração grande demais e amar mais as outras pessoas.

—Você tem um jeito muito curioso de ver isso. Se o nosso... hum... – ele ia dizer “nosso filho”, mas se corrigiu – Draconis está cortando pros dois lados... isso no mínimo é esquisito. Tem que mandar ele ser discreto.

Alhena o olhou muito severamente.

—Por que?

—Oras! Não é um comportamento normal, Lena.

—Oh, Draco. O Draconis gosta tanto de você... ele ficaria tão decepcionado se te ouvisse dizer isso. – disse ela com alguma decepção. Ele preferiria que ela tivesse lhe dado um tapa.

—Qualquer pai... céus. Eu estou descontrolado hoje. – resmungou consigo mesmo – Eu amo aquele garoto como se fosse meu filho. – disse ele tentando arrumar o que tinha dito. Alhena sorriu ternamente pra ele – Eu amo o Draconis, Alhena. Mas esse não é um comportamento esperado de um homem.

—Ele não é menos homem por gostar de garotos também, Draco. Draconis não se vê como uma garota, se é isso que você está pensando. Ele é um garoto. Como você, como Rasalas, como Damian...

—Eu não fazia esse tipo de coisa, nem Rasalas e nem Damian. – discordou Draco, levemente decepcionado com o filho.

—Bem... eu te chamei pra conversar sobre isso, porque você é o padrinho dele. E Draconis precisa de uma figura paterna na vida dele, ainda mais agora que... – ela desviou o olhar para as próprias mãos, parecendo triste.

—Ei... – murmurou colocando a mão sobre a dela – Eu sempre vou estar aqui pra você e pro Draconis, ouviu? E eu tenho certeza de que o Damian vai melhorar. O tratamento experimental está dando resultado, não está? – perguntou ele acariciando a mão dela com um polegar. Alhena sorriu um pouco aliviada.

—Ele melhorou bastante. Ainda fica cansado o tempo todo, mas... mas não sente tanta dor, não fica tanto tempo desmaiado e está recuperando a força. – ela sorriu de leve – Ele até consegue ir ao banheiro sozinho, de novo.

—Que bom, Lena. Fico feliz por vocês. – disse sinceramente, ainda alisando a mão dela com o polegar – Eu não quero que ele morra. Eu sei a tristeza que é... ser viúvo.

—Eu sei que não quer, Draco. Vocês são amigos. – riu ela, com aquele sorriso gentil e adorável que ela tinha.

—Eu sou mais seu amigo do que dele. – disse sorrindo. Alhena piscou, levemente surpresa e sorriu de novo. Soltou um suspiro e tirou a mão de cima da dela. Depois a olhou nos olhos. Aqueles lindos olhos verde-esmeralda – Então... voltando ao Draconis... o que você espera de mim?

—Eu espero que você não o julgue e que o gosto dele não mude seus sentimentos por ele. – disse Alhena, calmamente. Draco sorriu baixando os olhos.

—Não mudam, Lena. É estranho pra mim. Eu fui criado num ambiente onde esse tipo de coisa era completamente errado e indecente. – riu Draco – Mas... mas bem... são outros tempos. Eu deixava Scorpius brincar com os trouxas quando ele era criança. Eu coloquei ele numa escolinha trouxa, para o horror dos meus pais... eu estou disposto a deixar essas tradições preconceituosas pra trás. As de sangue e as... bem... essas ai. – riu ele meio sem jeito – Mas eu não vou aplaudir e falar que acho lindo. Isso eu não posso fazer, porque estaria sendo falso. Eu acho estranho... mas... mas eu não vou falar pra ele que é errado ou que ele não deveria fazer. Eu te prometo isso.

—Obrigada, Draco. – riu Alhena.

—Não precisa agradecer, Lena. – disse olhando para ela. Céus, como ela era linda. Linda demais para alguém que já estava chegando aos quarenta anos. Se perguntava se eram apenas os seus olhos ou se ela era realmente tão linda quanto ele achava que ela era.

—Quando você vai visitar o Damian, Draco? Você nunca foi. – disse ela, de repente, o pegando de surpresa. Draco sorriu, sem jeito e desviou o olhar.

—Eu tenho medo de ver o Damian, do jeito que ele está. – disse honestamente – Eu gosto de lembrar dele vivo e forte. Não quero ver meu amigo de infância, completamente inválido, numa cama.

—Ele não está completamente inválido! Ele está melhorando! – disse Alhena – O tratamento com Lantana está dando muito resultado. Você ficaria espantado.

Draco sorriu para ela, vendo o quanto ela estava esperançosa.

—Eu espero que sim. – murmurou ele. Uma parte muito egoísta de si mesmo ficou um tanto amuada, mas ele ignorou essa parte. Ele estava feliz pelos dois. Ele não queria que Damian morresse e mesmo se isso acontecesse, ele não tentaria algo com Alhena. Tinha desistido dela há mais de uma década – Obrigado por me convidar para o chá... com Scorpius na escola, eu fico a maior parte do tempo sozinho...

—Eu imaginei que você estaria vivendo a vida adoidado com Blair, agora que está solteiro.

—Não... – riu Draco – Para falar que eu nunca mais estive com alguém, depois que Astoria morreu... – ele fez uma pausa, sentindo saudades da esposa – Blair me convenceu a ir com ele, há um ano atrás quase, no Poison Apple... eu paguei uma acompanhante, sabe? – Draco soltou um suspiro – Não teve muita graça. Entre uma mulher dessas e a minha mão...

—Oh, Draco. Que coisa pra se falar! – riu Alhena, corando de leve. Ele riu também, baixando os olhos – Está há um ano sem ter intimidade com uma mulher? – perguntou ela.

—Não sai espalhando. – riu ele – Eu tenho uma reputação de cafajeste pra manter, sabe? – perguntou ele. Alhena deu uma risadinha e suspirou passando os polegares pela borda da xícara já vazia.

—Eu estou no mesmo barco... – murmurou ela.

—Como assim?

—Horklump... causa impotência... – resmungou ela – Damian estava sempre com a garganta inflamada. Sempre doente, o tempo todo... mas não foi o único sintoma... ele também não estava conseguindo... bem... subir. – murmurou ela parecendo constrangida.

—E há quanto tempo vocês...?

—Uns oito meses. – murmurou ela. Draco fez uma careta.

—E o que você faz? Pra se aliviar? – perguntou curioso, com um sorrisinho no rosto.

—Sr. Malfoy. Eu acho que essa pergunta é completamente inapropriada! – riu Alhena, completamente vermelha.

—Vamos, Sra. Burke... eu te contei sobre a minha mão! – disse rindo do constrangimento dela – Existem uns brinquedos interessantes por ai. Pra te ajudarem nessa situação.

—Eu sei... eu... – ela olhou ao redor, para ver se tinha alguém escutando, mas não tinha. Draco riu ainda mais das bochechas coradas dela – Eu comprei um... uma coisa trouxa.

—Céus, o que? – perguntou ele se curvando sobre a mesa, para se aproximar mais dela.

—Um... um vibrador. – sussurrou Alhena, tão vermelha que sua cabeça parecia que iria explodir. Draco franziu a testa, porque aquele nome não significava nada pra ele – Você não sabe o que é um vibrador, não é?

—Não. – riu curioso.

—Bem... ele parece um... um pênis... de borracha... e ele... bem... vibra.

Ele tentou não rir, mas não aguentou. Apertou os lábios com força, mas a risada saiu assim mesmo e Alhena riu, como se pedisse desculpas.

—E é bom? – perguntou ele.

—Bem... eu prefiro o meu marido, mas na falta dele... – disse ela dando de ombros, ainda muito vermelha.

—Bem... que bom que Damian é melhor que um pênis de borracha, que vibra. – riu Draco – Damian parecia ser bem competente nesse... nesse mérito, digamos assim.

—Ele é... digo... – Alhena deu de ombros – Eu não tenho experiências com outros caras para comparar... o único outro foi horroroso, então... – ela soltou um suspiro.

Draco se perguntou se ele teria sido melhor que Damian, mas aquela não era uma pergunta saudável pra ficar se fazendo. Alhena nunca se lembraria e Astoria já não poderia responder... e ele não deveria querer saber sobre isso, de qualquer maneira.

—Alhena. – murmurou. Ela o olhou ainda corada. Se perdeu naquela imensidão verde que eram os olhos dela – Você... – ele engoliu em seco, enquanto ela ainda o olhava – Quer... pedir mais alguma coisa?

—Acho que não... vou voltar para o Mungus, agora... eu tirei o dia para descansar. Meu sogro ficou com o Damian... mas...

—Ok... se ele estiver acordado... diga que eu estou esperando que ele melhore. – riu Draco se levantando e arrumando a gola da roupa. Alhena concordou e se aproximou ficando nas pontas dos pés. Ela se apoiou em seu peito e lhe beijou a bochecha. A segurou na cintura, sem motivo nenhum e suspirou a olhando obliquamente. Ela o olhou, franzindo a testa e ele a beijou na testa, com todo o carinho que conseguiu. Depois se afastou e sorriu – A gente se vê depois... outro dia, ok? Eu preciso fazer umas coisas.

—Ok... eu também... – riu Alhena com uma cara estranha, como se estivesse tentando se lembrar de algo, mas não conseguisse – A gente se vê, ok?

—Ok. – riu ele. Brandiu a varinha e aparatou do Beco Diagonal, parando dentro de casa. Soltou um suspiro foi para seu escritório de alquimia. – Lantana, ela disse... – murmurou correndo os olhos por seus livros de herbologia – O que eu tenho sobre lantana?

****

—SE EU SOUBER QUE VOCÊ ESTÁ BATENDO NO GAROTO BURKE, EU VOU ARRANCAR AS SUAS ORELHAS E TE FAZER ENGOLIR, THOMAS! – gritou o berrador. Navi gargalhava desvairadamente. Draconis estava boquiaberto – SE VOCÊ SAIR UM POUQUINHO DA LINHA, EU TE TIRO DESSA ESCOLA E VOCÊ VAI ESTUDAR EM CASA. E SE VIER FALAR QUE EU NÃO POSSO FAZER ISSO, PORQUE VOCÊ JÁ É MAIOR DE IDADE, É MELHOR ARRANJAR OUTRO COFRE, PORQUE NÃO VAI CONSEGUIR UMA MOEDA QUE SEJA DO MEU. VOCÊ ESCUTOU, SEU MOLEQUE ABUSADO? – e então o berrador flutuou até Draconis e disse num tom mais calmo – Eu realmente sinto muito por meu filho ser um idiota. Se ele encostar um dedo que seja em você, por favor me avise. O mesmo vale pros amigos idiotas dele. – e então o berrador voltou novamente para Grant, que estava vermelho de vergonha, completamente encolhido em seu acento – VOCÊ ESCUTOU, MOLEQUE? MANTENHA SEUS AMIGUINHOS COMPORTADOS OU VOCÊ VAI SE VER COMIGO! – e então o berrador se consumiu e pegou fogo.

Póllux e Castor estavam rindo tanto que estavam chorando. Scorpius pegou dois pedaços de pão e começou a movê-los, como se fossem o berrador.

—Se você sair da linha, eu arranco suas orelhas, moleque! – disse ele numa voz fina, para Albus, que gargalhava parecendo simplesmente feliz.

A Lufa-Lufa estava gargalhando sem parar, também, e boa parte da Grifinória. A Sonserina estava rindo também, inclusive os amigos de Grant. Yaxley tinha rido tanto que tinha leite saindo de suas narinas e o rapaz parecia muito feliz com a bronca que o amigo tinha levado. Vince dava uma risadinha tímida, assim como Draconis.

E Grant parecia que ia sumir em seu acento.

—Sua mãe deu um jeito nisso, não é? – perguntou Navi, já sem ar, de tanto rir.

—Minha mãe é muito foda. O que será que ela fez? – perguntou Draconis.

—Eu não sei, mas eu sei que Grant não vai mexer com você tão cedo. – riu Navi apontando para onde Grant estava. Todo mundo estava rindo e apontando para ele, principalmente Póllux e Castor, que estavam repetindo as palavras do berrador.

—Vou fazer você engolir as próprias orelhas, moleque!

—Vai ter que arrumar outro cofre, moleque!

—Eu amo a minha família. – riu Draconis.

—Eu também amo a sua família. Principalmente a sua irmã Dido.

—Cala a boca, Navi. – riu Draconis.

—Eu já disse que estou apaixonado? – perguntou Navi com um sorrisinho.

—Cale a boca. Só cale a boca. – riu Draconis. Navi o encarou por longos segundos, com aquele mesmo sorrisinho – Ok, quem?

—Lílian Potter. – E Albus jogou um pedaço de bolo de amora na cabeça dele – Era brincadeira. Eu vou pegar a Dominique Weasley, ok?

*****

Rose Burton andava pelos corredores procurando por ele. Quando finalmente o encontrou, ele estava curvado numa janela do quarto andar, fumando um cigarro antes da aula de Aritmancia. Vince estava com ele, com as mãos nos bolsos e os dois conversavam calmamente, parecendo aliviados. Sorriu ao ver o meio irmão e apressou o passo.

Draconis a viu e sorriu para ela. Sentiu aquele frio na barriga sempre que recebia um sorriso espontâneo dele. O sorriso dele era tão bonito. Pena que é meu irmão...

Correu até ele e o abraçou apertado. Depois beijou Vince na bochecha.

—E então. Que café da manhã animado, não é? – perguntou ela. Draconis e Vince deram uma risadinha e concordaram com um aceno de cabeça.

—Póllux e Castor simplesmente não deixam Grant em paz. E ninguém mais tentou mexer com a gente. – riu Vince – Dá até vontade de ser descuidado de novo. – riu ele piscando para Draconis, que corou com violência.

—Idiota... nunca mais vamos fazer nada na escola. – ralhou ele.

—Ok, ok. – riu Vince.

Rose sorriu, abraçando o braço oposto ao cigarro do meio irmão.

—Então vocês dois estão tendo um lance? – perguntou curiosa – Vou ficar com ciúmes do meu irmãozinho! – disse apertando a bochecha dele. Draconis deu uma risadinha, tragando o cigarro, e a olhou travesso.

—Não. Draconis e eu somos amigos. Mas eu não me importaria de termos alguns benefícios. – riu Vince – Seu irmão é um cara muito legal.

—Eu sei disso. – riu ela apoiando a cabeça no peito de Draconis. O coração dele batia acelerado, provavelmente por conta do que Vince tinha falado. Será que ele estava apaixonado pelo Vince? Awn... que fofo!

—Mas ele gosta de outra pessoa. – riu Vince. Draconis ficou tenso e encarou Vince. Rose sorriu e olhou de um para o outro.

—Quem, Drac? – perguntou curiosa.

—Eu... eu não sei do que ele está falando. – riu Draconis.

—Ela é nascida trouxa. Então ele não quer falar quem é. Esparro mesmo. – riu Vince – A Rose é de confiança, cara.

Draconis olhou zangado para Vince e Rose olhou zangada para o meio irmão.

—Não acredito que você, logo você, está com um preconceito besta desse. Ainda mais depois do tanto de bullying que vocês dois sofreram! – ralhou ela. Draconis se desvencilhou dela e tragou o cigarro de novo, se curvando na janela.

—Dá um tempo, Rose. Quem eu gosto é problema meu.

—Quem é? Eu posso te ajudar a chegar na garota. – disse sorrindo. Draconis deu um sorriso amarelo e negou com a cabeça.

—Esquece isso. – ralhou ele.

—Vamos, Draconis. É um namorico de escola. Não é como se você fosse casar com ela. – riu Vince. Draconis se apoiou com os cotovelos na janela e deu uma risadinha.

—Minha mãe e meu pai namoraram no sexto ano. E depois de novo no sétimo. Não vou subestimar uma paixão escolar. – Draconis pegou o cigarro e o apagou na parede de pedra, para depois jogá-lo lá embaixo – É melhor deixar isso pra lá, afinal... – ele pegou a mochila que estava no chão e a colocou nas costas – Mulher não é o que falta por ai... e... bem... garotos também não.

—No dia que quiser desistir de vez dessa garota, é só me procurar. – riu Vince – E temos que nos ver nesse verão, ok? – perguntou ele.

—Ok. – riu Draconis, sem jeito.

—Eu falo sério... a gente podia se ver no Beco Diagonal. Tomar um sorvete, sei lá.

—Ok, ok. Eu sei que não consegue mais me esquecer. – riu Draconis com um sorrisinho. Rose se afastou um pouco, olhando os dois, os achando muito fofos. Vince olhou para os dois lados no corredor e sorriu para Draconis, se aproximando.

—Não consigo mesmo.

Ele beijou Drac na boca e Rose sorriu desviando o olhar. Era meio estranho ver seu meio irmão beijando alguém, ainda mais outro garoto. Ela tinha descoberto essa parte do gosto dele muito recentemente. Mas Draconis beijou Vince de volta, rapidamente e os dois se separaram corados e rindo sem jeito.

—Vocês são tão fofos juntos. – disse achando os dois simplesmente adoráveis. Drac riu sem jeito e Vince sorriu todo galante para ele.

—Eu sei. – riu Vince piscando para Draconis, que o empurrou devagar.

—Para, seu bestão. Tá me deixando sem graça.

—É que você é uma gracinha vermelhinho assim. – debochou Vince. Os dois trocaram um olhar rápido, mas então voltaram a disfarçar e a agir como se nunca tivessem se beijado antes. Rose olhou para o lado e notou que o resto da turma de Aritmancia deles, que era da Lufa-Lufa, se aproximava. – Eles são legais, os Lufanos. – murmurou Vince.

—São mesmo. – disse Rose – Sempre são legais com todo mundo. – ela suspirou e beijou o meio irmão na bochecha. Mas ele se virou e o beijo saiu meio na trave. Draconis recuou sem jeito e ela riu do mesmo jeito – Malz... – riu ela – Eu preciso ir. Adivinhação. Por que raios eu peguei isso?

Draconis e Vince riram e logo foram cumprimentar os alunos da Lufa-Lufa. Rose saiu andando, para subir até a torre onde teria aula. Estava ligeiramente enciumada do irmão. Ele era seu melhor amigo, mas agora, se ele arrumasse um namorado, teria que dividi-lo com mais alguém, além de Navi... e isso era um pouco assustador.

Castor e Póllux eram legais com ela, mas eles viviam num mundinho só deles. Cerce e Dido não gostavam dela e era bem declarado. Prim e Órion eram muito novos... Draconis era seu companheiro naquela casa e imaginar-se tendo que abrir mão dele para mais alguém de Navi... isso era...

Ela olhou pela janela e suspirou.

—Bem... isso é natural. – Murmurou, antes de voltar a subir as escadas.

Notas finais
Muito amor nessa fic. Vamos todos amar o Rabastan. TODOS! HSuahuahsuahsuah xD Amo o Rabastan! E será que a Rose curte o Draconis daquele jeitinho errado? O_O HSuahsuahsuashu E a cena Draco e Lena? Será que o Draco vai ajudar com a Lantana? =3 Beijos comentem