Legado Lestrange II - Legacy
22 I Think I Like Boys and Girls
Notas iniciais

Capítulo 22
Daphne se levantou ao notar que estava sozinha na cama. Saiu do quarto, se enrolando no robe e saiu procurando por Rasalas. O encontrou na sala, chorando sozinho. Achando aquilo completamente esquisito, correu até ele e o abraçou.
—Meu amor! O que houve? – perguntou ela. Rasalas a abraçou forte, ainda chorando. Ficaram uns cinco minutos daquele jeito até que ele se acalmasse.
—Meu... meu irmão... está doente. Com... com... – ele soluçou apertando os olhos – Horklump... ele está com o mal de Horklump.
—Rigel? – perguntou Daphne, em choque – Mas ele é tão novo!
—Não... – arfou Rasalas, para em seguida fungar – Meu outro irmão... o Damian... o Damian está morrendo. Alhena acabou de me contar. – chorou ele – Meu irmão de alma está morrendo, Merlin... – ele se curvou para frente voltando a chorar de maneira sentida.
Daphne não conseguiu pensar em coisa alguma pra dizer pra ele. Então o afagou na cabeça e o abraçou.
—Eu sinto muito, Rasalas. – sussurrou ela – Eu realmente sinto muito...
—Meu deus... não leve o Damian... não leve o Damian... Horklump não tem cura, Daphne... não tem... – lamentou ele.
Fechou os olhos, sentindo a dor do marido. Ele e Damian eram melhores amigos desde sempre, desde crianças. Sempre tão unidos, sempre apoiando o outro. O abraçou tentando pegar um pouco da dor que ele sentia pra si mesma. Querendo dividir aquilo com ele. Mas também pensou em Alhena. Ela deveria estar devastada. Simplesmente devastada...
Rasalas chorou em seus braços até ficar muito sonolento. Dormiram os dois no sofá e no dia seguinte, ambos foram para a casa dos Burke.
Damian estava brincando no chão, com Órion, parecendo muito sereno, montando um carro trouxa com pecinhas que pareciam tijolinhos. Quando ele colocou uma peça de vidro, ela brilhou colorida e tanto ele quanto Órion levaram um susto, derrubando o brinquedo no chão, mas logo os dois riram, voltando a se concentrar na brincadeira.
—Ele não vai mais pra loja. Meu sogro não deixa. – murmurou Alhena – Helena quem está tentando manter os negócios, mas... mas assim que terminarem a escola Póllux e Castor devem começar a administrar a Borgin&Burke. O irmão de Helena morreu há alguns anos e o filho dele é da idade do Órion... então...
—Como o Damian está? – perguntou Rasalas. Alhena o olhou com o olhar cheio de dor.
—Lidando com isso melhor do que eu. Te garanto isso... – ela soltou um suspiro – Ele parece tão preparado pra... pra... – sua irmã engoliu em seco e ele a abraçou. Sentia o corpo da irmã tenso, enquanto ela tentava não chorar.
Os minutos passaram e finalmente Damian veio cumprimentá-los.
—Ei! Que bom que vieram. – disse ele beijando a mão de Daphne para depois dar uma abraço apertado em Rasalas, que sentiu o nó apertar na garganta – Ei, que tristeza é essa? – riu Damian – Eu estou doente, mas não morri. Vamos aproveitar o dia, ok? – perguntou ele. Rasalas não conseguiu falar um “a” que fosse. Se tentasse iria deixar o choro escapar. Então só fungou e olhou seu amigo, que parecia muito fraco, muito grisalho, com pintas púrpuras na altura do pescoço. Eram pequenos pontinhos, como se alguém tivesse encostado a ponta de uma pena nele. Mas sabia que dentro de um ano, ou menos, seu amigo estaria mais púrpura do que no tom original da pele – O que acha de um whisky de fogo? Heim? – perguntou ele com um sorriso sereno – Ou prefere um hidromel?
Rasalas apenas sacudiu os ombros, lutando contra o choro e sentiu Daphne abraçar seu braço.
—Ele prefere hidromel. – disse Daphne.
Damian sorriu animado e suspirou. As rugas prematuras no rosto dele mostravam o quanto ele parecia cansado.
—Sabe o que eu realmente queria fazer? – perguntou ele. Rasalas apenas negou com o rosto – Bloody Mary. Eu, você, Blair e Draco. Como nos velhos tempos. O que acha?
—Damian... mas e se você passar mal? – perguntou Alhena, parecendo doente de preocupação.
—Não se preocupe, meu amor. – riu ele – Se alguma coisa acontecer, vou ter meus melhores amigos pra cuidar de mim, certo?
—Certo. – murmurou Rasalas, com pesar.
Damian beijou Alhena carinhosamente e ele notou que a irmã parecia muito indisposta de sair de perto dele.
—Me ajude a aparatar, por favor... – pediu Damian. Rasalas sentiu uma coisa horrível ao escutar aquilo. Damian tinha sido o primeiro a passar no teste de aparatação e ele conseguiu tirar a licença para aparatar com todas as honras.
—Claro. – murmurou sentindo por aquilo.
Quando chegaram no Bloody Mary, ele e Damian escolheram a mesa de costume e ficaram conversando sobre tudo, menos a doença do amigo. Era incrível o quanto que ele parecia calmo, mais calmo do que ele normalmente era. Normalmente ele vinha tomar umas ainda pensando na loja, nas negociações, ou então nos filhos, nas detenções de Draconis ou até mesmo em Alhena.
Mas hoje ele parecia estar cem por cento ali.
Pediram um hidromel e ficaram bebericando. Damian bebeu lentamente, sempre com aquele jeito sereno e diferente dele mesmo.
—Damian... – murmurou abalado com aquilo. Seu amigo sorriu para ele, mas não disse nada. Draco e Blair chegaram no instante seguinte.
—Cacete. Há quanto tempo não nos encontramos aqui? – perguntou Blair.
—Rasalas, enche meu copo. – riu Draco, parecendo animado – Eu estava falando com McGonagall. Consegui lugares pra nós quatro para assistirmos Sonserina e Corvinal. Quero ver Scorpius jogar.
—Eu nunca vi o Draconis jogar. Eu animo muito de ir. – murmurou Damian. Draco sorriu pra ele, de maneira convencida, como se quisesse que todos dissessem o quanto ele era ótimo.
A tarde passou animada e divertida. Quase podia esquecer que seu amigo estava com a data de validade quase expirando. Todas as vezes que ele coçava a garganta com um pigarro, ou que tossia, ficava mais alerta.
Blair contou que a causa puro sangue estava voltando a ganhar as ruas, graças a aquele incidente envolvendo a arma trouxa, que matou dezenas de bruxos. Aparentemente era algum tipo de confusão trouxa e um radical resolveu explodir a rua inteira. Rasalas mesmo não sabia exatamente o que tinha acontecido. Só sabia que não tinha sido o primeiro ataque daquele gênero. Houve outro atentado no metrô de Londres também. O mundo trouxa passava por uma crise política muito feia e todo mundo temia uma guerra mundial.
Rasalas comentou que a Corte dos Bruxos estava voltando a ser cada vez mais tradicional. Era como se entrassem num círculo vicioso e a sombra do Lorde das Trevas voltasse a assombrar cada um deles. Aquela ideia parecia se recusar a morrer e a deixar o mundo bruxo em paz...
Draco comentou que tinha feito uma grande descoberta alquímica e que tinha patenteado alguma coisa sobre homúnculos, que ele não entendeu. Era um completo leigo no assunto alquimia. Mas o amigo dizia que provavelmente receberia uma Ordem de Merlin por aquela descoberta, que aparentemente parecia ser muito, mas muito importante.
Mas podia ser apenas ele se gabando por pouca coisa, é claro.
—Só que posso demorar ainda uns dois anos pra comprovar minha tese. Mas eu estou absolutamente seguro que consegui criar um núcleo homuncular estável.
—Eu não entendi uma palavra do que você disse. – riu Blair e todo mundo riu.
E a tarde passou animada, com eles bebendo num ritmo lento e agradável. As piadas vinham o tempo inteiro. As histórias que começavam com “vocês lembram quando”, outras vezes eram “Vocês não vão acreditar no que meu filho fez...”
—Draconis me falou que perdeu a virgindade. – riu Damian.
—Sério? – perguntou Rasalas – Ele te chamou pra falar isso?
—Sim. Ele sempre me conta tudo e eu conto tudo pra ele, também. – riu Damian, tranquilamente.
—Meu garoto não me contou nem se já começou a dar uns beijinhos nas meninas. – Rasalas se permitiu sorrir – Apesar que eu acho que sim...
—E Lyra? Ela já está beijando os meninos? – perguntou Draco com um sorrisinho.
—Merlin, espero que não. Não estou pronto pra isso. – riu Rasalas.
—Ainda bem que eu só tive um menino. – riu Draco.
E a conversa continuou daí, amigavelmente. E quando a noite chegou, Draco se levantou, pronto para ir embora.
—Não vai ainda, Draco. – riu Rasalas, já um tanto alto. Draco estava cambaleando.
—Eu preciso ir... – murmurou ele – Preciso acordar cedo amanhã...
—Espere só um minutinho, Draco. – murmurou Damian. – Eu preciso falar com vocês. Com todos vocês... E com você em específico também.
Draco se sentou, parecendo bem bêbado e Rasalas se perguntou se Damian iria contar sobre a doença.
—Ok. O que quer?
—Você ainda ama a Lena? – perguntou Damian, muito calmo.
Draco piscou surpreso e sorriu sem jeito.
—Como assim? – perguntou ele olhando para os lados, como se buscasse apoio – Digo... somos amigos. Só isso.
Damian soltou um suspiro, balançando a cabeça, positivamente.
—Me jure uma coisa. – pediu ele. Draco o olhou curioso e levemente intimidado – Eu estou doente. Estou com Mal de Horklump. – murmurou ele e Rasalas notou que temperatura na mesa pareceu esfriar bastante. Blair olhava petrificado para Damian e Draco parecia ainda mais – Me jure, que antes de partir... você vai devolver o que tirou de mim.
—Do... do que está... do que você...?
—Você me lançou um obliviate. – respondeu Damian – Eu quero saber o que você me fez esquecer. E por que?
—Eu nunca fiz isso! Enlouqueceu? – perguntou Draco, chocado, desviando o olhar.
—Eu sei que você me fez esquecer que você e a Lena tiveram um rolo no nosso sétimo ano... me fez esquecer o quanto a amizade de vocês era intensa e especial. Me fez esquecer que eu e Alhena terminamos em algum momento entre o nosso sexto e o sétimo ano. Mas eu não faço a menor ideia do porquê... eu realmente gostaria que você me contasse... o que aconteceu de tão terrível, a ponto de você me fazer esquecer tanta coisa. O final do meu ano letivo é uma bagunça na minha memória. Várias coisas se contradizem, sabe? – Damian seguia o tempo inteiro muito calmo e controlado. Rasalas estava chocado com o que tinha acabado de ouvir. Ele olhava atônito para Draco, que parecia completamente acuado – E você fez Alhena se esquecer também... mas por que? Por que se arriscar num feitiço tão complicado e complexo quanto o obliviate?
—Você está louco, Damian. Eu não faço a menor ideia do que você está falando. – retrucou Draco.
—Você sabe sim... eu só espero que me esclareça tudo isso antes do meu fim... eu queria saber, de verdade. – Damian respirou fundo e se levantou – Mas saiba que... sejam lá quais forem seus motivos, eu te perdoo, Draco. Eu sei que você não fez isso gratuitamente.
Draco olhou em choque para Damian e se afastou. Ele jogou alguns galeões na mesa e aparatou. Rasalas olhou para o lugar onde Draco estivera, tendo uma grande suspeita dos motivos dele: Seu sobrinho Draconis...
*
Estavam de volta a Hogwarts. Navi soltou um bocejo, sentindo preguiça da aula de poções. Draconis, no entanto parecia extremamente concentrado. Navi continuou cortando suas raízes, entediado, louco por uma aula mais divertida, como feitiços ou até mesmo DCAT. Mas poções parecia durar o dia inteiro.
Odiava poções e mal podia esperar pra desistir da matéria depois dos N.O.M.s.
—Ei... estou apaixonado. – riu Navi, para o primo.
—Não vão sobrar garotas em Hogwarts... – resmungou Draconis – Quem dessa vez?
—Sarah Wood, da Grifinória.
—Ok, ela é muito boa. – riu Draconis – Acha que tem chance?
—Marquei de me encontrar a sós com ela no vestiário do campo de quadribol hoje, depois do treino da Grifinória.
—Como você consegue fazer isso? – perguntou o primo.
—Eu sou bom... é o meu dom. – riu entediado com a aula.
Soltou outro bocejo, quando, de repente, todas as tochas da sala brilharam intensamente num tom verde. Os alunos se remexeram, assustados e o professor ficou muito agitado.
—Senhores. Peguem suas varinhas. – disse ele, assustado. Navi olhou para o primo, confuso e ambos voltaram a observar o professor. Ele saiu da sala e olhou para os lados. Foi quando os fantasmas apareceram, voando pelo corredor.
—Senhor Slughorn. Há uma aluna no chão no outro corredor. – disse um dos fantasmas. O da Grifinória, que só tinha um pequeno pedacinho de pele segurando a cabeça sobre o pescoço. – Ninguém viu o que aconteceu. Quando as luzes de alarme de magia negra brilharam, começamos a procurar por...
—Está tudo bem, Sir Nicholas. Fique aqui com as crianças. – disse o professor Slug.
Ficaram todos num murmurinho assustado, fazendo suposições sobre o que teria acontecido. Quando o professor voltou, ele parecia transtornado.
—Senhores. Eu vou guiá-los até o salão comunal. As aulas estão suspensas por hoje. Vamos. Vamos... – murmurou o professor.
Navi olhou para o primo, assustado. Os dois guardaram seus materiais, desligaram os caldeirões e então seguiram o professor. O murmurinho continuava da mesma maneira. Ninguém tinha ideia alguma do que teria acontecido.
Quando foram deixados no Salão Comunal, notou que estava cheio. Viu sua irmã com os amigos e andou até ela, curioso.
—Ei, o que aconteceu? – perguntou franzindo a testa. Draconis chegou e cruzou os braços, ao seu lado, também querendo ouvir. Scorpius e Albus pareciam assustados e Lessa estava abraçada com Lyra, que parecia ter chorado.
—Li Chun. Ela foi assassinada. – chorou Lyra – Ela era do meu ano, da Corvinal... nós éramos amigas. – explicou ela.
—Alguém foi assassinado aqui dentro? – perguntou Navi, chocado. Os garotos concordaram com um aceno de cabeça. Navi olhou para o primo, chocado – Cacete... alguém faz alguma ideia de quem foi o responsável?
—Escreveram “sangue ruim” nas paredes... – murmurou Scorpius.
—Chun era uma sangue ruim? – perguntou Draconis e todos o olharam feio.
—Isso é coisa que se diga, Drac? – ralhou Navi.
—Ela era nascida trouxa sim. – murmurou Lessa – Isso faz o crime menor?
Draconis revirou os olhos.
—Dá um motivo. Afinal, um monte de bruxo morreu por conta de uma arma trouxa há um ano atrás... alguém não aguentou a pressão e o rancor e... acabou matando alguém. – explicou ele como se fosse algo totalmente compreensível.
—Matar nunca é solução. E aquele trouxa não sabia que tinha bruxos onde ele se explodiu. – ralhou Navi.
—Mas isso não faz o crime menor. – riu Draconis – Ele tinha uma arma que mata milhares de pessoas que estiverem por perto. Os trouxas podem ser perigosos. Eles são irresponsáveis com as próprias armas.
—E nós não? Acha que os bruxos são melhores que os trouxas? – ralhou Albus.
—Acho. – riu Draconis com convicção.
—Olha quantas pessoas morreram na nossa última guerra, Draconis! São pensamentos assim, como os seus, que plantam a semente da violência na nossa comunidade! – ralhou Albus.
—Não vem me dar liçãozinha de moral, Potter. – debochou Draconis – Não preciso escutar o discursinho que papai te fez decorar, ok?
—Como quiser, Malfoy. – devolveu Albus. Todos ficaram em constrangido silêncio e Navi se preparou para segurar Draconis. O amigo olhou para o mais novo com fúria e sacou a varinha, muito rápido, a colocando embaixo do queixo de Albus.
—Repete isso, Potter. – desafiou Draconis.
—Drac, foi só uma brincadeira... – começou Navi.
—Não foi só uma brincadeira. – rosnou Draconis – Repete, Potter. Vai. Eu te desafio a repetir. – Mas Albus não era James. Ele baixou os olhos, sabendo que não ganharia nada ofendendo Draconis – Bom mesmo. – rosnou Drac – E se mais alguém vier com essa brincadeira idiota, eu juro que as paredes dessa escola vão ser decoradas com mais sangue.
Ele baixou a varinha e se virou, indo em direção às escadas. Navi olhou para Albus e balançou a cabeça com censura.
—Draconis não está legal. Não deveria fazer esse tipo de brincadeira, seu idiota. – ralhou Navi. Albus cruzou os braços, franzindo a testa.
—Olha só quem vem falar isso pra mim. Você vive fazendo essa piadinha. Já caíram na porrada mais de uma vez, sem falar nos duelos.
—Que são super maneiros, diga-se de passagem. – riu Scorpius. Navi riu convencido, mas então olhou pra Albus, sério novamente.
—O tio Damian está muito doente. Horklump. – explicou Navi – Ele contou pra família antes do recesso acabar. Ele não deve viver pra nos ver formar, entendeu? Draconis está muito grilado com tudo isso... então não faça esse tipo de piadas perto dele.
Lessa, Albus e Scorpius arregalaram os olhos, chocados.
—É por isso que as gêmeas estão tão tristes... – murmurou Scorpius.
—E por isso que Póllux e Castor estão tão deprimidos... – murmurou Albus – Eu... eu não sabia... eu vou pedir desculpas.
—Não. Deixe o Draconis sozinho por enquanto, ok? – pediu Navi – Ele precisa de um tempo sozinho...
**
Draco andava de um lado para o outro em seu escritório. Damian estava morrendo... aquilo o entristeceu imensamente. Céus, como Alhena deveria estar se sentindo? E Draconis? Draconis era tão apegado a Damian. Suspirou se sentindo um inútil. Queria poder fazer algo pelos dois, mas não havia o que ser feito. Essa era a verdade. Suspirou novamente e se jogou no sofá, se lembrando do dia em que Draconis tinha se drogado, no natal.
Ouviu um estalo e seu elfo apareceu.
—Mestre, o Sr. Lestrange está ai e deseja vê-lo. Devo deixá-lo entrar? – perguntou o elfo. Draco suspirou. Sabia que aquilo ia acontecer cedo ou tarde. Rasalas iria querer tirar aquela história a limpo. Concordou com um aceno de cabeça e o elfo desapareceu.
Draco andou até a mesa e a socou de leve, furioso consigo mesmo. Mas depois pegou uma garrafa de whisky e encheu dois copos. Ficou bebericando o seu e acabou se lembrando da noite em que transara com Alhena. Céus... aquela mulher nunca deixaria seus pensamentos. Sorriu pensando nela, mas se repreendeu por isso. Ela era esposa de seu amigo moribundo. Ele tinha que ter a decência de respeitar isso.
Tinha tomado uma decisão, anos atrás. De desistir dela. De tocar a vida sem ela. De tentar com Astoria. Seu casamento tinha sido feliz, o tempo que durou. Ao menos via assim. Astoria foi uma excelente esposa, sendo compreensiva onde muitas não seriam. Suspirou sentindo falta dela também. Se sentia culpado por nunca ter dito a verdade pra ela...
Mas talvez fosse melhor assim.
Escutou a porta abrir e viu Rasalas. Ele o olhava furioso. Se perguntou se levaria um soco. Ficaram se olhando em silêncio por alguns segundos e Rasalas avançou e o empurrou com força.
—Eu deveria matar você. – rosnou ele – Como pode mentir pra mim todo esse tempo? Heim? – perguntou ele. Draco o olhou com fingida indiferença – Ele é seu amigo. Ela é minha irmã. E você brincou com a mente deles pra enterrar os seus podres!
—É isso o que você pensa que eu fiz? – perguntou Draco.
—É exatamente isso o que você fez, seu nojento! – rosnou Rasalas sacando a varinha – Eu deveria acabar com a sua raça... mas em nome dos nossos bons anos de amizade, eu vou te dar uma chance de se explicar!
Draco suspirou e se sentou numa cadeira. Depois ofereceu o copo de whisky para o amigo. Rasalas pegou o copo e o jogou contra a parede. Um quadro acabou todo molhado e olhou indignado para ele, enquanto os outros deram silenciosas risadinhas desdenhosas.
Draco revirou os olhos e bebeu seu whisky até o fim.
—O que quer saber, Rasalas? Que diferença vai fazer? Nenhuma. – murmurou ele.
—Draconis é seu filho, não é? – perguntou ele. Draco concordou com um aceno de cabeça – E Alhena não sabe disso?
—Eu fiz com que ela se esquecesse que nós dois... – ele respirou fundo – Eu amava a sua irmã, Rasalas. Eu queria que ela ficasse comigo... eu tentei resistir o máximo que deu... mas... mas um dia nós ficamos bêbados e... – ele engoliu em seco e bebeu mais um pouco de whisky – Eu queria que ela largasse o Damian e ficasse comigo. Eu estava me divorciando, eles estavam dando um tempo... e ele tinha traído ela. Mas... mas ela não quis... ela não me amava do modo que eu a amava... ela não me quis... – ele respirou fundo novamente e bebeu mais um gole – E então ela engravidou. Não sabia se era meu ou dele... e quando descobri que era meu... eu... eu quis ainda mais que ela ficasse comigo. Mas ela não queria. Ela amava o Damian. Sempre amou... eu nunca consegui superar o Damian no coração dela. Desde a época do colégio... eu tentava desde aquela época... – ele deu um sorriso cansado, por finalmente estar falando aquilo. Dezesseis anos de segredo... – Eu queria tanto estar com ela... só não sabia disso. Ficava inventando desculpas e justificativas... mas eu amava a sua irmã. Só não tinha coragem de lutar por ela, porque eu sabia que era uma luta perdida... ela sonhava com ele e não comigo... então... então dezesseis anos atrás eu fui escondido na casa deles e... – ele fechou os olhos – E ataquei Damian primeiro. Ele já sabia que eu tinha dormido com ela. Ele sabia que o filho era meu. Eu não queria que meu filho crescesse como um intruso naquela casa. Então eu fiz Damian esquecer sobre minha amizade com a Alhena. Assim ele nunca desconfiaria. E depois eu fui na sua irmã e... – Draco deu um longo suspiro, ainda de olhos fechados, se lembrando da noite em que pulara com ela da Torre de Astronomia – Eu me apaguei da vida dela, Rasalas... foi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida... eu desisti do olhar carinhoso que ela me lançava. Eu desisti da minha amizade com ela... céus... eu desisti do nosso filho... – Draco sentiu o lábio tremer – Tudo porque ela ainda queria ficar com Damian... eu queria não ser um problema. Um obstáculo. Eu não queria que ela se sentisse culpada. Mas eu não aguentei tirar tudo dela e ficar aqui. Então peguei Astoria e fui embora... e quando Scorpius nasceu, eu finalmente tive como realmente focar em outra coisa... amar alguém tão intensamente quanto eu amei Alhena... e quando a gente voltou pra cá... – engoliu em seco e abriu os olhos olhando Rasalas – Céus, ele é a minha cara... e eles queriam que eu fosse o padrinho dele. Aquele garotinho lindo, com os meus olhos... céus... ele se parece mais comigo do que Scorpius. – disse amargurado – E eu amei aquele garoto, mas tive tanto medo. Tanto medo que descobrissem a verdade... o que iriam pensar de mim? – ele respirou fundo mais uma vez, sentindo o nó na garganta aumentar – Eu vi aquele garoto crescer, tão apegado ao Damian. Tão orgulhoso dele. E Damian tinha um amor genuíno por ele... sabe o quanto doeu todas as vezes que eu escutei Draconis chamar Damian de paizão? E quanto doeu quando você me acusou de ser o pai dele e ele escutou? Quando eu tive que mentir e falar que não era. Céus... o modo como ele me olhou, Rasalas... – Draco se levantou e colocou as mãos nos bolsos – E meu sentimento por Alhena nunca morreu. Não acho que vai morrer um dia... mas eu desisti dela... e agora eu me sinto um grande babaca... porque uma parte extremamente egoísta de mim... está criando esperanças. Afinal meu amigo está pra morrer... – Draco engoliu em seco – Eu não sei o que vou fazer... eu não me dou o direito de amar sua irmã... mas eu não sei se eu vou conseguir conviver com ela e... e não falar a verdade. Mas eu a amo, Rasalas... eu a amo tanto, mesmo depois de todos esses anos... – ele riu dando de ombros – É até meio idiota eu ainda ter esse sentimento por ela, depois de tanto tempo. E saber que ela não sente nada de especial por mim é doloroso demais...
Escutou Rasalas bufar atrás de si. Seu amigo se aproximou e o empurrou contra a estante. O levantou pela gola e rosnou.
—Você não vai chegar perto da minha irmã, dos meus sobrinhos ou do Damian, ouviu bem? – rosnou ele. Draco engoliu em seco – Se eu souber que você se aproximou de qualquer um deles, eu juro, Malfoy... eu mato você. – Draco já tinha visto aquela ira em Rasalas antes. Ele não estava blefando – Eu quero que você pegue suas malas e vá embora daqui e não se aproxime da minha família, nunca mais. Draconis não vai saber que você é o pai dele. Nem Alhena e nem Damian. Você escutou?
Draco concordou com um aceno de cabeça.
—Eu não vou confessar, Rasalas. Mas eu não prometo ficar longe deles. – disse decidido. Rasalas rosnou, mas isso, apesar de ter assustado, não o fez mudar de ideia – Draconis é meu filho e meu afilhado... eu... ele precisa de mim, Rasalas. Ele vai precisar de mim.
—ELE NÃO PRECISA DE VOCÊ! ELE TEM O PAI DELE. O DAMIAN.
—Damian está morrendo, Rasalas. – disse calmamente – Draconis está perdido. Ele precisa de alguma orientação.
—Eu darei a orientação que ele precisar. Não você. – rosnou Rasalas.
—Eu sou mais próximo dele do que você.
—Eu não quero saber. – rosnou Rasalas.
—Escute, aqui, Lestrange. – rosnou Draco perdendo a paciência – Você não dá ordens em mim. E eu não vou ser ameaçado. Se quer duelar e resolver isso de maneira não civilizada, ok. Vamos fazer isso. Mas eu não vou deixar Draconis. Ele é meu afilhado.
Draco sentiu um frio no estômago quando Rasalas o jogou no chão. Sacou a varinha a tempo de se defender de uma azaração. Ficou de pé, encarando o amigo, que parecia furioso.
—Saia da vida deles. – exigiu ele.
—Não posso. – disse calmamente – E não vou. Você pode tentar me matar, Rasalas. Mas eu vou lutar contra você... E entre nós, o único que foi comensal de morte fui eu. Eu sei me defender muito bem...
—Eu já duelei com comensais melhores que você. – riu Rasalas, desdenhoso.
—E perdeu. – respondeu Draco – Na casa da Daphne, em Hogwarts... você foi derrotado. De novo, de novo e de novo. Quando não foi derrotado, foi capturado. – disse calmamente – Você duela bem, Rasalas, mas eu também duelo. Antes de querer fazer isso, deveria pensar nos seus filhos. Você tem três deles. – adicionou. Rasalas o olhou pego de surpresa e rosnou.
—Você é mesmo muito baixo. – rosnou ele.
—Não é isso. Eu apenas penso nas coisas. Ao contrário de você. Francamente, não sei como você foi escolhido pra Sonserina. – adicionou acidamente – Acha mesmo que pode vir aqui, me ameaçar e conseguir o que quer? Eu não vou confessar o que eu fiz pra eles. Aquela família já está abalada o suficiente... mas isso não significa que eu vou ficar longes deles. Alhena é minha amiga, eu me importo com ela e Draconis é meu filho e eu me importo com ele. Não vai ser você quem vai fazer isso mudar.
Rasalas rosnou mais uma vez e baixou a varinha. Os dois se olharam friamente e Rasalas se virou para ir embora.
—Eu nunca imaginei que você seria capaz de tudo isso.
—Eu sou capaz disso e de muito mais pra fazer a sua irmã sorrir, Rasalas... o mesmo vale pra Draconis. – disse calmamente. Rasalas olhou para trás, para ele, e sua expressão suavizou.
—É... eu sei... – Rasalas respirou fundo e se aproximou – Me desculpe, Draco... eu só estou... – o amigo pressionou os olhos com os dedos – Essa coisa toda com o Damian e... desculpe.
—Está tudo bem... – murmurou Draco e então ele sorriu – Regra 92 do Bro Code... – Rasalas sorriu também – Bros serão sempre Bros...
—Você é um idiota, Draco. – resmungou Rasalas, baixando os olhos.
—Eu sei... – riu Draco, suspirando – Eu sei...
***
Navi olhou para o pai na arquibancada dos convidados e pela primeira vez se arrependeu de não ter nem tentado entrar para o time. Corvinal e Sonserina estava um jogo difícil, com a Sonserina ganhando de quarenta a vinte. Os dois gols da Corvinal marcados por Rose. Ela jogava muito bem, mas Draconis era excelente no gol. Ele voava muito bem e tinha excelentes reflexos.
Quando ele agarrou mais uma goles difícil, tio Damian ficou de pé, gritando animado. Tio Draco estava ali, assistindo com um sorriso orgulhoso no rosto. Damian parecia que pularia dali de cima, tão animado que estava. Seu pai estava sem camisa, com o símbolo da Sonserina desenhado na barriga. Era meio hilário, diga-se de passagem. Tio Blair estava sentado assistindo também, e sempre que Póllux ou Cástor rebatiam algum balaço, ele aloprava de alegria. Nem pareciam quatro adultos.
Navi riu de novo e voltou a assistir o jogo, quando Scorpius mergulhou de uma vez. Amber Cook, a apanhadora da Corvinal, mergulhou logo atrás dele, mas Scorpius voava melhor do que ela e ele estava mais perto do pomo. Ele levantou a bolinha dourada e a Sonserina ganhou o jogo.
Olhou para seu pai, lá na arquibancada. Ele estava pulando abraçado com tio Damian, completamente fora de controle. Lyra ao seu lado gritava alucinada, com os cabelos metade verde, metade prateados, com um olho verde e outro prateado também. Ela parecia uma bandeira viva da Sonserina. Albus estava pulando abraçado com ela e com Lessa Young.
Quando a garota o olhou, ele deu uma piscadinha pra ela, mas ela não deu bola. Riu achando graça e logo começou a descer a arquibancada pra poder falar com o pai e o tio. Draconis voou para a arquibancada, assim como os irmãos e já estavam de papo com eles.
Navi e Lyra logo estavam ombro a ombro, tentando ir para junto dos pais. Navi estava para descer o último degrau, quando um garoto do sétimo ano o empurrou com o ombro. Olhou sem humor e notou que era o Jonas Creed. Um garoto da Grifinória que andava sempre furioso, desde que os pais dele morreram no ministério.
Soltou um muxoxo, mas, ignorando isso, foi até onde seu pai estava. Abraçou o pai e recebeu um cascudinho na cabeça.
—E ai, rapaz. Como está? – perguntou ele. Navi sorriu e deu de ombros.
—Em detenção por ter brigado com o James Potter de novo. – riu sem se importar. Seu pai o olhou com alguma censura e deu de ombros.
—Você não muda. Sua mãe está planejando um castigo que vai durar todas as suas férias, pra ver se você toma jeito.
—Eu não tomo jeito, pai. Mamãe vai ter que aceitar isso. – riu Navi sem se abalar.
Depois olhou para o lado e viu tio Damian ser abraçado pelos três filhos que estavam no time. Mas logo Rose, Cerce, Dido e Prim apareceram para abraçá-lo também. Draco ainda cumprimentava Scorpius, com um sorriso satisfeito no rosto. Blair estava de papo com a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, Madame Turner. Ela era muito bonita, na casa dos vinte e tantos anos, sempre com um vestido de feiticeira curto e uma meia arrastão.
Estavam todos em clima de festa quando tio Damian começou a tossir. Todos olharam preocupadamente para ele e Navi notou que havia surgido uma grande mancha violeta no braço dele.
—Paizão. Tenta respirar. – disse Draconis preocupado.
—Papai. Você quer que eu busque uma água? – perguntou Prim. Mas tio Damian continuou tossindo e balançando a cabeça em negativa.
—Eu... cof, cof, estou bem. – disse ele se recuperando. Ele respirou fundo e tirou um lenço do bolso, para secar um filete de sangue que escorria pelo queixo. Navi olhou para a irmã, que agora estava com os cabelos menos brilhantes e mais opacos. Depois olhou para Draconis, que parecia zangado – É só uma gripe, nada demais.
—Para de fazer pouco da sua saúde! – ralhou Draconis – Você não está só gripado. Você tem tomado os seus remédios? Deveria estar na cama e não aqui!
—Ora, Draconis. Eu prometi que ia ver você jogar, não prometi. – respondeu tio Damian sem perder o bom humor – E eu estou bem. Foi só uma tosse boba. – insistiu ele.
Navi viu o pai suspirar tristemente e Draconis pareceu ficar mais zangado.
—Não! Pare de ser irresponsável! Tio Rasalas. Leva meu pai pra casa agora e faz ele se deitar! – disse o garoto com um tom autoritário. Tio Damian deu uma risadinha e Navi fez uma careta, sabendo que Draconis iria ficar zangado. E ele estava prestes a voltar a pagar sapo, quando tio Damian pareceu perder a cor de uma vez e voltou a tossir de maneira mais sofrida. Mais sangue saiu da boca dele e todo mundo se afastou. Então ele se virou e correu o máximo que deu, até se curvar e vomitar um bocado de sangue. Depois ele caiu no chão, massageando o peito, para depois fechar os olhos e desmaiar. – PAIZÃO! – gritou Draconis. Ele estava para correr, quando tio Draco o segurou.
—Ninguém toca nele! – ralhou tio Draco – Rasalas. Você é um lobisomem. Você é imune a Horklump. Faz esse vômito sumir e pega o Damian, pra tirar ele daqui. Damian deveria estar internado.
—Ele não quer ficar no Mungus. – resmungou seu pai apontando a varinha para o vômito estranho que tio Damian tinha colocado pra fora – Ele quer se tratar em casa.
—Ele vai acabar contaminando a sua irmã ou o Rabastan desse jeito. – ralhou Draco.
—Ele está controlado, tio. – murmurou Póllux – Não está contagioso e todos nós...
—Não interessa. Ele não está em condições de sair por ai. – ralhou tio Draco – E sua mãe parecia um caco por estar cuidando dele e...
—Draco. – sibilou seu pai em tom de aviso. Navi captou uma troca de olhar deles e o padrinho de Draconis só suspirou soltando o afilhado. – Eu vou levar o Damian para o Mungus. – disse ele mais calmo e pegando tio Damian no colo. Depois ele foi andando para fora do campo de quadribol, pra poder ir em algum lugar onde poderia aparatar.
—Eu vou com ele. – disse Castor.
—Eu também. – murmurou Póllux.
—Eu vou... – começou Draconis.
—Você vai ficar aqui. – ralhou tio Draco – Você não tem dezessete. Seus irmãos sim.
—Mas, tio... – resmungou Draconis, parecendo chateado.
—Sem, “mas”, Draconis. Você fica. – insistiu Draco.
—Ele tem razão, Drac. Fica ai. – ralhou Castor, já um tanto longe.
Draconis rosnou, indignado e Rose o abraçou, tentando acalmá-lo. Navi viu o amigo ficar tenso com o abraço dela, engolindo em seco. Achou aquilo estranho e seguiu apenas observando.
—É melhor mesmo, Drac... deixa o papai ir descansar... nossos irmãos vão cuidar dele. – garantiu ela. Draconis se remexeu, parecendo desconfortável e se afastou dela concordando com um aceno de cabeça. Ele colocou as mãos nos bolsos e saiu andando de volta para o castelo. Rose caminhou até ele e suspirou – O que o Drac tem? Ele parece estar tão... evasivo. É só comigo? – perguntou ela baixinho, pra ele. Navi deu de ombros, achando aquilo estranho. Draconis sempre tinha sido muito próximo de Rose... o que ele tinha?
—Eu não sei... – murmurou Navi – A verdade é que ele anda meio esquisito desde que descobriu sobre o seu pai. – adicionou baixinho. Rose suspirou, concordando.
Scorpius ainda ficou um tempinho se gabando para o pai por ter pego o pomo. Draco parecia muito orgulhoso dele e Navi se virou para ir embora, apenas ele e Rose.
—Navi. – chamou Draco. Se virou e o olhou curioso – Posso trocar uma palavrinha com você? A sós? – perguntou ele olhando para Rose – É só um momento.
Navi deu de ombros e se afastou com o Sr. Malfoy, sem saber o que ele poderia querer falar com ele. Draco sempre fora mais apegado com Draconis, os gêmeos e com Rabastan, apesar de nunca ter se importado com toda a bagunça que já tinha aprontado na Mansão Malfoy. Quando eles estavam relativamente longe de todos, Draco suspirou.
—O que houve, tio? – perguntou Navi.
—Fique de olho no Draconis. Eu estou preocupado com ele. – disse Draco.
—É... todo mundo está preocupado com a boneca de porcelana do Draconis. – debochou com um sorrisinho.
—Draconis usou extrato de mandrágora no natal, Navi. Seu primo não está nada bem. – cortou Draco, com aquele jeito frio dele. Navi piscou, em choque.
—O que? E onde ele arrumou isso? – perguntou chocado – Tio Damian sabe disso?
—Só eu, você e Draconis sabemos disso. – respondeu Draco – Fique de olho nele pro caso do seu primo resolver fazer algo idiota novamente. – resmungou Draco – Ok?
—Ok. – respondeu Navi, ainda chocado. O garoto respirou fundo e se virou – Falou, tio.
—Até a próxima. – respondeu Draco.
Logo Navi e Rose estavam voltando para o castelo novamente. Quando voltou pro dormitório, Draconis não estava lá. Voltou para o salão comunal e perguntou para o primo, mas aparentemente ele não tinha voltado pra lá, depois do jogo.
Xingou baixinho, sem participar da festa de comemoração, e ficou esperando que o primo voltasse. Logo Lyra e os amigos de ano voltaram e o quarteto se sentou num sofá, falando o quanto Scorpius era impressionante. Revirou os olhos, se perguntando se sua irmã iria se pegar com Scorpius de novo. Ela nunca decidia com quem iria ficar e aquele triângulo amoroso entre ela, Albus e Scorpius ainda ia dar merda...
Os minutos se arrastaram e finalmente Draconis voltou pro Salão Comunal. E ele tinha três garrafas com ele. Duas de veneno de fada e uma de hidromel.
—QUEM QUER FICAR LOUCO NESSA MERDA?! – gritou ele. A Sonserina berrou de alegria e Draconis começou a distribuir a bebida. Navi ficou observando o primo beber apenas o hidromel, mas ele serviu Veneno de Fada pra Lyra. Deu de ombros, porque não ligava, mas resolveu ficar de olho nela. Ele já tinha bebido veneno de fada e isso tinha rendido uma boa dose de arrependimento.
Quando Draconis finalmente se sentou ao seu lado, ele já tinha torrado metade da garrafa de hidromel e já estava no quarto cigarro.
—Hey. Estou apaixonado. – disse sorrindo para Draconis, que riu também, o olhando com expectativa – Flint. Lola Flint.
—Gostosa pra caralho. – riu Draconis – Acha que consegue? Ela está no sétimo ano.
—Eu sei. Ela vai me levar pra conhecer o banheiro dos monitores. – riu Navi.
Draconis o olhou boquiaberto.
—Está falando sério?! – perguntou o primo parecendo chocado.
—Por que sempre fica chocado com o meu sucesso, primo? – perguntou Navi. Draconis deu uma risada, mas deu de ombros.
—Não vai beber? – perguntou ele. Deu de ombros, aceitando a garrafa, e deu um bom gole. – Sua irmã está muito gostosa. – riu Draconis, bêbado – E ver ela se pegando daquele jeito com a Lessa... – sentiu o estômago dar uma cambalhota em sua barriga e um frio lhe subiu a espinha só de escutar aquele nome – Eu vou pegar as duas. Se importa? – Olhou para Lessa e sentiu uma coisa estranha no peito, mas ignorou e deu de ombros – Regra número 15 do Bro Code, letra B. Um Bro nunca poderá transar com a irmã de outro Bro, a não ser nas seguintes situações: o Bro irmão deu sua autorização.
—Você decorou o parágrafo? – perguntou com um sorrisinho.
—Claro que eu decorei. Decorei tudo. – riu Draconis, bêbado, ainda olhando de maneira nada comportada para Lyra, que beijava Lessa com volúpia.
—Eu duvido.
—É mesmo? – perguntou Draconis. Ele olhou ao redor e gritou – SCORPIUS! VENHA JÁ AQUI!
Navi viu o amigo vir com o olhar ainda pregado em Lyra e Lessa.
—Hum?
—Precisamos do Bro Code. – disse Draconis. Scorpius, que a cada dia que passava, ficava mais parecido com Draconis, apenas concordou com um aceno de cabeça. Depois ele foi para o dormitório e logo voltou com o livro.
—Aqui. – disse ele segurando o livro com cuidado. Draconis pegou e entregou para Navi. Scorpius sentou-se ao seu lado, parecendo curioso – Pergunte uma regra. Qualquer uma.
Navi deu de ombros, aceitando o desafio.
—Regra 43. – disse olhando para Draconis, que jogou a cabeça para trás, pensativo.
—Um Bro vai sempre garantir que outro Bro está falando a verdade caso este Bro esteja tentando conquistar uma Mina. – disse ele.
—Eu não acredito. – riu Navi.
—Foi sorte. Regra 26. – disse Scorpius. Draconis continuou sorrindo.
—Se dois Bros entram em uma conversa pouco amigável e um deles acabar fazendo um comentário que passe dos limites, o ofendido não deve esperar receber um pedido de desculpas. Isso é coisa de Mina. – disse ele. Navi e Scorpius o encararam boquiabertos – E depois tem um “ps” de... acho que do meu pai... falando que é por isso que o tio Draco é tão insuportável. – riu ele.
—Merlin. É por isso que ele consegue suportar o Binns. – riu Navi.
—Pfff... O Bro Code perto do Binns é super fácil. – riu Draconis.
—Você é louco, Drac. – riu Scorpius – Regra 78.
—Posso fazer isso o dia inteiro. – riu Draconis. – Um Bro nunca deixa seu Bro que está na fossa beber sozinho. Quanto mais Bros, melhor.
—Regra 55. – disse Navi.
— Um Bro não deixará outro Bro ir ter uma DR com a ex quando ele estiver bêbado. Essa é uma situação onde "golpe nas bolas" será aceitável. Seu Bro te agradecerá por isso depois. – ele os olhou divertido – Qual é a regra favorita de vocês?
—Um Bro não divide detalhes sobre seu Brozinho com os outros Bros. – riu Scorpius.
—Regra 54. – riu Draconis.
—Exatamente. – riu Navi – Eu não sei qual é a minha favorita... acho que aquela que fala que piadas sobre lobisomens são permitidas... incluindo aquelas que sugerem pulgas... essa foi feita pro meu pai, com certeza. – riu dando de ombros – E a sua, Draconis?
—Um Bro nunca fará contato visual com outro Bro enquanto come uma banana. – riu Draconis. Todos começaram a rir.
—Quem fez isso? Foi o meu pai, não foi? – perguntou Scorpius. Os outros dois riram – Eu imagino que tipo de loucuras eles devem ter feito aqui no tempo deles...
—Imagino que basicamente as mesmas que a gente... – riu Navi – O que me faz pensar... que está na hora de fazermos uma loucura.
—Eu to dentro. Só falar. – riu Draconis. Scorpius deu um sorriso divertido e assoviou para Albus, que veio correndo, como se estivesse torcendo pra ser chamado logo. – Albus... eu tinha esquecido de você. Qual sua regra favorita? – perguntou ele.
—Do Bro Code. – disse Scorpius, pegando a garrafa de Navi, para beber um gole.
Albus deu um sorrisinho e disse.
—Se tiver Veneno de Fada envolvido, a culpa não é do Bro. – respondeu ele.
—Uma sábia regra. – riu Draconis. Navi concordou com um aceno de cabeça – O que me faz lembrar... posso ou não comer a sua irmã?
Albus e Scorpius olharam indignados para ele.
—Pode. Eu vou comer as suas. As gêmeas... ao mesmo tempo. – ele soltou um suspiro sonhador – Um dia...
—Boa sorte com isso. – riu Draconis dando de ombros. – Então... que tipo de loucura você sugere, Navi? – perguntou Draconis.
—Você poderia nos tirar da escola. – riu Navi.
—Não. Eu não posso. – riu Draconis – Nós já falamos sobre isso.
—Chato. – resmungou Navi, soltando um suspiro – Então... a gente poderia... fazer uma aposta de tapas!
Draconis piscou.
—A qualquer momento? – perguntou Draconis.
—A qualquer momento. – riu Navi.
—Eu acho justo. Vamos fazer um desafio. – riu Scorpius – O que vencer o desafio terá direito a quatro tapas, sobre nós. Pode ser quatro tapas em apenas um de nós, ou um em cada, e um de nós leva dois... sei lá.
—Eu concordo. – riu Albus – Mas qual vai ser o desafio? – perguntou ele.
—Eu sei. Eu sei. – riu Navi – Ganha quem... quem conseguir transar com alguém, hoje, fazendo o The Naked Man!
—Não. Isso não. – pediu Albus – Ganha quem... conseguir acertar a senha do Salão Comunal da Grifinória! – riu ele – Eu juro que eu não sei qual é a senha, mas eu sei onde é.
—Vamos passar a noite lá e não vamos descobrir. – resmungou Scorpius – Não... tem que ser algo que realmente faça valer os tapas... tem que ser algo realmente estranho. Algo... algo degradante, nocivo, perigoso e cruel... eu aposto que nenhum de vocês teria coragem de... de... – ele estalou os dedos continuamente, como se isso fosse ajudá-lo a pensar – de... fazer uma tatuagem permanente, de algo constrangedor.
—E quem decidirá o que o outro precisa tatuar? – perguntou Navi.
—Eu decido o que o Navi tatua. O Navi decide o que o Draconis tatua, o Drac, decide a do Albus e o Albus a minha. – riu Scorpius.
—Eu te desafio a tatuar “bonequinha de porcelana” na bunda. – riu Albus. Scorpius o olhou horrorizado.
—E eu não vou ganhar a aposta dos tapas. – riu ele – Navi. Te desafio a tatuar “Lorde Voldemort Heroi” na testa.
—Vai se foder. – resmungou Navi – To fora.
—Albus. – riu Draconis – Te desafio a escrever “Escravo da Lyra” na barriga.
—Eu não. To de boa. – e todos olharam Navi.
—Tatua “bastardo”, no braço. – brincou Navi.
—Meu pai está morrendo. Não vou ofender ele desse jeito só pra poder bater em vocês, seus babacas. – resmungou Draconis.
—E parece que nenhum de nós ganha assim... precisamos de outra aposta. – riu Scorpius.
—Eu tenho uma aposta pra vocês. – disse uma voz. Eles olharam para o lado e viram Vincent Goyle, com um sorrisinho – Eu desafio um de vocês a me dar a bunda.
Todos os quatro o olharam horrorizados.
—Vai se foder, seu veado. – resmungou Scorpius.
—Não. De jeito nenhum. – resmungou Albus.
—Nop. Eu to de boa. Próxima aposta. – riu Navi.
—Eu topo. – riu Draconis bebendo mais um pouco de bebida. Todos olharam em choque pra ele. O garoto se levantou e jogou os cabelos pra trás – Vai que eu gosto. Nunca se sabe.
—Ah, não, Draconis. – riu Albus – Fala sério!
—Não vou saber se eu não curto se eu não tentar. – disse ele dando de ombros.
—Drac... eu não preciso beijar a minha irmã pra saber que eu não curto incesto. – riu Navi. Draconis corou violentamente e desviou o olhar.
—Eu faço se for pra dar pelo menos três tapas, em cada um de vocês, na hora que eu bem entender. E vocês vão ter que gritar “OBRIGADO, DRAC” depois de apanharem.
—Eu levo até cinco tapas se você realmente der pra ele. – riu Scorpius com desdém – Você não vai fazer isso.
—Eu vou fazer isso. – Draconis foi até Vince e o puxou pela gola – Mas eu não vou te beijar.
—Dar a bunda, tudo bem. Agora beijinho é viadagem. – riu Navi. Goyle deu um sorrisinho e concordou com um aceno de cabeça.
—Vamos, minha pequena bonequinha de porcelana? – perguntou o garoto puxando Draconis pela cintura. Draconis passou o braço pelos ombros dele e os dois foram indo para o Salão Comunal.
—Eu não acredito nisso. Simplesmente não acredito. – riu Navi – Ele não vai fazer isso.
—Nós devemos deixar ele fazer isso? – perguntou Scorpius – Ele parece estar muito bêbado.
—Ele não está tão bêbado a ponto de não saber o que está fazendo. – riu Albus.
—Vamos deixar. É decisão dele... e depois a gente aceita os tapas... mas ele vai ser zoado eternamente por ter liberado o brioco.
—Não se ele gostar. – discordou Albus – Se ele for gay, a gente não pode zoar.
—Eu me lembro que tinha uma regra que dizia que um Bro deveria tentar impedir outro Bro de fazer algo idiota. Mas se esse Bro insistisse... – Scorpius sorriu – Deveríamos filmar.
—Eu to de boa de fazer um pornô gay estrelando meu primo. – riu Navi – Pode ir lá se quiser, Scorpius.
—Albus? – perguntou o loiro. Mas Albus negou com uma careta.
—Pensa em alguém de boa... eu to três vezes mais de boa. – riu Albus.
—Sério? Nenhum de vocês vai fazer isso? É por um bem maior! Sem falar que nossos rostos estão em risco! Já viram o quanto Draconis está forte?
Navi piscou, sabendo que aquilo era verdade.
—Vamos! Vamos pro dormitório! – disse decidido.
**** YAOI ALERT ****
Vincent Goyle não era exatamente lindo. Ele era o garoto mais alto do ano e mais forte também. Os braços musculosos, o abdômen não definido... e apesar de não estar realmente sarado, ele não era completamente gordo.
Draconis era alto, mas nem tanto. Era relativamente magro, principalmente se comparado ao outro garoto. Ele fazia mais sucesso com as garotas também. Não tinha a fama de galinha de Navi e seu jeitinho de bom moço acabava atraindo alguns suspiros.
Goyle o olhava com um sorrisinho no rosto.
—Já ficou com algum garoto? – perguntou ele. Draconis negou com a cabeça, se sentando na beirada da cama, bebendo da garrafa de hidromel.
—E você?
—Já. É bem diferente. – riu ele.
—Ok. Como vamos fazer? – perguntou Draconis. Vince se sentou na cama e fechou as cortinas. Depois sacou a varinha e deixou a cama isolada acusticamente.
—Bem... você realmente não quer me beijar? Pode te ajudar a relaxar... se você não relaxar, vai doer. Mas se você relaxar, vai ser gostoso.
—Você já deu a bunda? – perguntou Draconis, curioso.
—Já. E já comi também. Então eu sei o que estou falando. – riu ele.
Draconis deu um suspiro e deu mais um longo gole.
—Eu ainda não sei se eu quero fazer isso. – admitiu – Eu estou curtindo uma garota, que eu realmente não deveria curtir e...
—Nascida trouxa?
—É. – mentiu deslavadamente – Então eu meio que... estou querendo esvaziar a cabeça, entende? – perguntou ele. Vince concordou e tirou a camisa.
—Ok.
—Hum... e se eu mudar de ideia, por favor, pare, ok? – perguntou ele, corando.
—Ok. – riu Vince – Eu vou devagar, já que é a sua primeira vez. – adicionou ele. Draconis suspirou e concordou com a cabeça, ficando de joelhos.
—Obrigado.
Tirou a camisa do uniforme, completamente disposto a fazer aquilo. Vince sorriu o olhando com desejo.
—Céus... você é muito lindo. – riu ele. Draconis deu de ombros e Vince se aproximou o beijando na altura do umbigo. Sorriu sentindo-se arrepiado com aquilo.
—Isso é muito estranho. – disse gostando do contato da língua dele. Sentiu as mãos do colega desafivelarem seu cinto e um frio lhe subiu a espinha.
—Relaxa. Só relaxa, ok? – perguntou Vince. Draconis concordou e se deitou na cama, olhando o garoto, que tirava suas calças.
—Draconis. É o Navi aqui. Vou contar até três e abrir as cortinas. – Draconis revirou os olhos e Vince se deitou ao seu lado. – Um... dois... pelo amor de Merlin, estejam decentes... três. – E Navi realmente abriu a cortina. Albus e Scorpius olharam chocados e Navi parecia que cairia na gargalhada – Você realmente vai fazer isso?
—Vou. – disse dando de ombros.
—Bem... nós vamos ter que averiguar se você vai fazer ou não... afinal... tapas estão envolvidos. – riu Navi. Draconis ficou de joelhos na cama e fechou as cortinas.
—Ok, esquece os tapas e saiam daqui. – disse decidido.
—Ele é gay... Merlin, ele é gay! – riu Scorpius.
—Ele não é gay! – ralhou Navi.
—E se ele for? Qual o problema? – perguntou Albus.
—Ele comeu a minha irmã! Ele não é gay! – insistiu Navi.
—ELE O QUE? – perguntaram Albus e Scorpius, ao mesmo tempo. Draconis soltou um muxoxo, se sentindo constrangido, e colocou a cabeça pra fora da cortina.
—Vocês poderiam crescer e deixar a minha vida fora das fofocas de vocês? Com quem eu transo é problema meu, sabe? – resmungou zangado – Agora vão lá pra fora e não fiquem esparrando (n.a — comentando, espalhando). Eu não gosto de me gabar por transar. Isso é ridículo.
Navi, Albus e Scorpius encolheram de leve, se entreolhando.
—Ok... – disse Scorpius – Mas eu nunca mais fico pelado na sua frente.
—Falou, Drac. Divirta-se. – resmungou Albus, se virando. Navi o olhou nos olhos, desconfiado.
—Vai mesmo fazer isso? Você quer mesmo fazer isso?
—Eu não sei. Se rolar, rolou. Se não rolar, não rolou. Mas eu prefiro ter um pouco de privacidade, sabe? – perguntou de cara fechada. Navi concordou com um suspiro – E não sai espalhando...
—Ok. Ok... mas eu... – Navi deu de ombros – Você quem sabe... – ele pareceu muito desconcertado e saiu do quarto. Draconis voltou a fechar a cortina e voltou a isolá-la acusticamente.
—Pronto. – riu Draconis olhando para Vince, que ainda estava deitado, agora com a cabeça em cima das mãos. O loiro suspirou e se deitou em cima do garoto, que sorriu – Acho que... que eu prefiro... beijar. Fazer isso sem beijar seria estranho... – murmurou. Vince concordou e o beijou nos lábios.
Foi extremamente esquisito, mas tentou não deixar que preconceitos estragassem o momento. Sem falar que beijar um garoto parecia infinitamente mais saudável que pensar na irmã de maneira indecente.
Pressionou os quadris contra os de Vince e sentiu a excitação dele também. Um frio lhe subiu a espinha e ele sentiu o rosto ferver de vergonha. Vince o girou na cama, o deixando por baixo e se sentiu ainda mais sem jeito. O garoto o beijou no pescoço e passou a mão por seu corpo. Fechou os olhos, gostando da carícia, tentando ignorar a barba do garoto a lhe arranhar de leve.
Quando a mão de Vince foi para sua cueca, o garoto sorriu e lhe mordiscou a orelha.
—Olha só...
—O que? – perguntou sem jeito. Vince se ajoelhou e tirou sua cueca, o olhando atentamente.
—Quantos centímetros você mede, Draconis? – perguntou ele, interessado. Draconis deu de ombros.
—Eu sei lá... isso importa? – perguntou ele.
—Não, porque eu vou colocar em você... mas pra experiências futuras... quem sabe? – perguntou ele. Draconis riu nervoso e Vince voltou a beijá-lo. Suspirou, gostando do beijo dele, apesar de ainda se sentir um tanto estranho.
Ficaram naquele beijo por um tempo e quando o garoto o masturbou, gemeu da mesma maneira que tinha feito quando estivera com Lyra. A verdade é que não estava vendo tanta diferença assim...
Claro. Ele achava Lyra muito mais sexy do que Vince, mas Vince parecia saber como masturbá-lo e como chupá-lo de maneira mais gostosa que ela. Sorriu em êxtase, amando o modo como a língua dele passeava por si. Mas quando sentiu a mão do amigo em sua bunda, todo o tesão pareceu murchar.
—Calma, Draconis. – riu o garoto – Precisa relaxar, ok?
—Dá um desconto. Eu nunca fiz isso... – murmurou nervoso – Você é meu primeiro garoto.
Vince sorriu para ele e o puxou fazendo-o sentar. Voltaram a se beijar, mas ainda estava com medo. Não poderia enrolar pra sempre. Quando Vince o fez ficar de quatro, achou que entraria em pânico.
—Se quiser que eu pare, é só avisar, ok? – perguntou ele.
—Ok... – murmurou – Vai com calma, tá? – perguntou. Vince sorriu e concordo pegando a varinha – O que vai fazer? – perguntou assustado ao ver o garoto lhe apontar a varinha. Sentiu uma sensação estranha na barriga e Vince sorriu.
—Estou te limpando por dentro. – riu ele – Pra não me sujar, saca?
—Um feitiço útil. – riu nervoso.
—Bastante. – concordou Vince. Sentiu o garoto beijar suas costas e lhe morder de leve na bunda – Você é tão gostoso, Draconis...
—Hum... – murmurou assustado.
—Tenta relaxar e curtir, ok? – perguntou ele colocando o dedo num lugar que nunca antes tinha sido tocado por marmanjo algum.
—Caralho... – xingou constrangido, mas em seguida gemeu baixinho. Aquilo era bom... muito bom... abaixou a cabeça, achando aquilo gostoso, levemente surpreso.
—Tá bom assim? – perguntou Vince.
—Uhum... – murmurou constrangido – E não machuca... – disse surpreso.
—Claro que não. Isso é só meu dedo... – riu ele – É só pra você relaxar e deixar o nervosismo de lado.
—Quando você meter... vai ser melhor? – perguntou curioso, com um sorrisinho bobo no rosto. Se soubesse que aquilo era tão bom, teria pedido pra Lyra fazer.
—Vai. – garantiu Vince – Mas só se você relaxar. Sem preconceito, ok? – perguntou ele. Draconis respirou fundo.
—Eu juro que vou tentar, cara. – riu sem jeito.
—Eu tenho um creme que é muito bom... pra não machucar.
—Me trata que nem uma lady, Vince... – resmungou constrangido.
—Ok. – riu o garoto brandindo a varinha. Draconis olhou pra trás e o viu se lambuzar com um líquido cor de rosa. Olhou pra frente, assustado e pegou a garrafa de hidromel novamente, para beber um gole exageradamente grande. Sua cabeça girou de uma vez e seu peito queimou por conta do álcool. – Posso?
—Vai. – murmurou respirando fundo. Vince ainda o penetrou com o dedo mais algum tempinho e depois algo pegajoso e duro o tocou lá atrás. Fechou os olhos, desesperado e com medo, mas decidido a não voltar atrás. Não doeu tanto quanto imaginou que doeria, mas não era a melhor sensação da face da terra... até que ele entrou mais um pouco. Gemeu baixinho e respirou fundo, sem saber como se sentir naquele momento. Constrangimento, culpa, prazer, excitação e dúvida o atingiram de uma só vez. Era delicioso, essa era a verdade. Mas havia um sentimento de: isso é errado.
Quando Vince entrou por completo, gemeu mais uma vez, muito excitado. O garoto começou a se mover atrás de si e escutá-lo gemer foi muito estranho. Mas ele também tinha se sentido nervoso e constrangido com Lyra. A diferença era apenas que não tinha vergonha de ser descoberto com ela. Com Vince havia algum tipo de medo... mas ele tentou não pensar nisso. Fechou os olhos e se concentrou em curtir o momento.
Era gostoso. Pronto.
—Está gostando?
—Eu realmente preferiria não conversar agora. – resmungou tendo ciência de que deveria estar muito vermelho – Mas... sim. Está gostoso. – disse constrangido – Se possível, não goza em mim, ok?
—Ok. – riu ele começando a se mover mais rapidamente e com mais força. Gemeu de prazer novamente e acabou sorrindo. Vince segurou suas nádegas com força, as separando de leve, com a intenção de entrar mais. Era tão gostoso, mas ao mesmo tempo tão errado... e os minutos passaram sem que ele quisesse parar.
Foi quando começou a sentir a sensação do pré orgasmo. Ficou chocado com aquilo. Nem estava se masturbando! Mas o calor foi subindo por ele e nem precisou se masturbar. O gozo veio de uma vez, sujando seu travesseiro. Gemeu, alucinado e notou que Vince também estava gemendo. Gemendo mais e mais. Olhou pra trás, constrangido e Vince sorriu ao ver seu rosto. O garoto se afastou e se sentou, se masturbando. Logo os dois estavam melados com aquele líquido esbranquiçado.
Os dois sorriram um para o outro e Vince o puxou para beijá-lo novamente. O beijou de volta, se deitando sobre ele, sem se importar com coisa alguma.
Acabara de descobrir que gostava de meninos e meninas.
E não ligava nem um pouco pra isso.
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