Legado Lestrange II - Legacy
23 Homophobia
Notas iniciais

Capítulo 23
Daphne corria de um lado para o outro, tentando terminar o cordeiro assado a tempo. Rasalas a puxou pela cintura e a beijou no rosto, achando-a adorável, como sempre, mesmo que ela estivesse tão descabelada quanto na época dos N.O.M.s. A mordiscou na bochecha enquanto ela terminava de fazer uma calda de qualquer coisa e ela sorriu pra ele.
—Quantas horas? – perguntou ela.
—Hora de pegar as crianças na estação... – respondeu movendo-se de um lado para o outro, lentamente, ainda abraçado com ela, como se dançassem. Daphne pareceu ainda mais desesperada.
—Oh, Merlin! A comida ainda não está pronta! Eu quero que tudo esteja perfeito! – lamentou ela brandindo a varinha e fazendo o fogo aumentar, no fogão – Seus sobrinhos merecem esquecer a doença do Damian e aproveitar o feriado. Ele vai vir, não vai? Ou o curandeiro não liberou?
—Ele vem. Com ou sem a permissão do curandeiro, diga-se de passagem. Ele não quer ficar no hospital... quer fingir o máximo que não está doente. – murmurou Rasalas apoiando o queixo no ombro da esposa – Ele está tão sereno quanto a tudo isso. É assustador... todo mundo está desesperado, mas o Damian... está estranhamente calmo.
—Ele... ele parece que simplesmente se conformou, não é? – perguntou Daphne encantando a faca para cortar algumas laranjas.
—É... eu não sei se isso é bom ou ruim...
—Pra Alhena é péssimo. – murmurou Daphne – Ela está um caco... ela ama aquele homem.
—Como não amar o Damian, fala sério. Se eu fosse mulher, eu teria casado com ele. – riu Rasalas.
—Certeza que não seria lésbica? – perguntou Daphne sorrindo pra ele. Rasalas a beijou nos lábios e a puxou pela cintura, a fazendo virar pra ele.
—Acho que não... – disse ele e Daphne lhe deu um tapa no braço.
—Que horror. – resmungou ela, apesar de estar sorrindo.
—Amor... uma relação precisa de um pênis. A nossa sorte é que eu tenho o meu. Se eu não tivesse, eu não sei como funcionaria... como funciona um sexo lésbico? Sem ter uma coisa pra meter? – perguntou ele franzindo a testa.
Daphne se desvencilhou dele, brandindo a varinha e fazendo a louça voar de um lado para o outro na cozinha.
—Amor, se você acha que é necessário um pênis pro sexo funcionar... você está muito enganado... isso, inclusive, é fala de quem é ruim de cama.
—Eu não sou ruim de cama. – riu convencido, olhando pra ela. Daphne piscou pra ele e sorriu.
—Não é. Então deve saber que penetração não é tudo.
—É... você goza mais com a minha língua do que quando... RABASTAN, FILHO QUERIDO! – cortou-se ao ver o caçula entrar na cozinha, com cara de sono.
—Eu quero comer. Estou com fome. – resmungou seu caçulinha – O Navi e a Lyra já estão chegando? – perguntou ele – E o Órion vai vir?
—Sim e sim. – respondeu Rasalas – Vai lá pegar seu casaco que a gente vai buscar seus irmãos! – adicionou. Rabastan concordou com um aceno de cabeça e deu meia volta.
Rasalas sorriu pra esposa e suspirou, adorando o cheiro de carne assada.
—Não se esquece de se agasalhar bem, ok? – perguntou Daphne vindo em sua direção para puxá-lo pela gola – Eu te quero bem saudável pra hoje a noite...
—Hum... – deu um sorrisinho a puxando pela cintura – Claro, esposinha... – riu antes de beijá-la mais um pouco. Daphne o abraçou ao redor do pescoço e eles ficaram se beijando por algum tempo, até que Rabastan voltasse.
—Eco, gente. Parem com essa trocação de saliva. Credo. – resmungou ele pegando uma maçã na fruteira, para dar uma mordida – Meu padrinho vai vir também? – perguntou ele.
—O tio Blair vem sim. – respondeu Rasalas. Rabastan deu de ombros e o olhou com expectativa. O olhou sem entender e o filho revirou os olhos – Ah, é. Seus irmãos. Vamos lá.
Beijou Daphne mais uma vez e foi até a sala, sendo seguido pelo filho.
—Pai. O tio Damian vai morrer? – perguntou o garoto. Rasalas estava no meio do caminho para alcançar o casaco, mas ao ouvir a pergunta, se interrompeu. Ele olhou para trás, para o filho e suspirou.
—Todos nós vamos morrer, Rabs... tudo o que é vivo, morre. – respondeu triste.
—Mas tio Damian vai morrer antes de todo mundo, não é? – perguntou o garoto. Rasalas suspirou e concordou com um aceno de cabeça – Porque ele está doente, não é?
—Isso mesmo.
—Você pode ficar doente que nem ele? – perguntou o garoto, preocupado. Rasalas sorriu pra ele e bagunçou seus cabelos.
—Não. O papai é muito forte, por ser um lobisomem, sabe? – perguntou ele. Rabastan soltou um suspiro e o abraçou.
—Não pode morrer nunca, papai. – murmurou ele. Rasalas sorriu pro filho e o abraçou de volta.
—Um dia eu vou morrer, Rabastan... mas eu vou estar muito velhinho, fazendo coisas inapropriadas e perturbando você e seus irmãos.
—Que tipo de coisas inapropriadas? – perguntou Rabastan o olhando curioso.
—Todo o tipo de coisa. – garantiu Rasalas.
—Mas você vai estar muito velho? Muito velho mesmo, né?
—Isso mesmo.
—Porque você já é velho. Seus cabelos são quase todos brancos. – disse o garoto o olhando com desconfiança – Você só vai morrer quando tiver uns duzentos anos, né, que nem o vovô?
—Por ai... talvez mais. – garantiu Rasalas, sorrindo para o caçula. Ele suspirou e segurou sua mão.
—Ok... então tudo bem... – murmurou ele.
—Quem disse que seu avô tem duzentos anos? – perguntou rindo.
—A tia Pansy. E ele parece ter duzentos anos... – respondeu Rabastan.
—Bem... não diga isso na frente dele. – riu Rasalas dando de ombros, fazendo o filho sorrir.
—Eu não queria que o tio Damian morresse... o Órion acha que ele vai melhorar. E o Órion sabe das coisas... ele é muito sabido. – murmurou Rabastan o abraçando para aparatar.
Rasalas soltou um suspiro e brandiu a varinha, aparatando. Logo estava na Estação King’s Cross. Reconheceu alguns colegas da época da escola, que vinham pegar os filhos para o feriado. Notou que muitos olhavam para os lados, com medo dos trouxas. Não poderia culpá-los. A guerra trouxa tinha se mostrado algo sangrento e violento, de maneira que os bruxos não poderiam ter imaginado.
As armas dos trouxas eram coisas assustadoras, que pareciam quebrar o mais poderoso feitiço escudo que se fizesse. Seu pai até começara a falar que se o Lorde das Trevas tivesse ganhado a guerra, os bruxos não precisariam temer os trouxas. Rasalas não tinha muita certeza quanto a isso... talvez os trouxas não estivessem em guerra entre eles, mas contra os bruxos... e sinceramente, ele não sabia quem ganharia aquela batalha...
Atravessou a passagem secreta, que levava para o trem vermelho do Expresso Hogwarts. Sentiu uma imensa saudade da juventude e quando viu seu filho mais velho praticamente da sua altura, conversando com uma garota qualquer, se sentiu muito velho.
Lyra andava de mãos dadas com uma amiga, acompanhada de Scorpius e o filho de Harry. Draconis andava com o filho de Greg e Emilia, conversando qualquer coisa, parecendo muito abatido, apesar do amigo estar rindo pra ele. Póllux e Castor pareciam quase deprimidos, assim como os outros filhos de Damian. Até mesmo Prim, que era sempre tão risonha e amável, parecia deprimida.
Rasalas andou até os sobrinhos e os filhos. Rabastan correu para abraçar os irmãos e ele ficou a observar as crianças. Sorriu, achando uma cena bonita. Seus filhos e os filhos de seus amigos, tão amigos quanto ele, Damian e Draco foram um dia.
—Ei, rapaz. – escutou a voz de Damian e se virou.
Ele tinha uma enorme mancha púrpura no pescoço e isso lhe causou um calafrio. Damian estava abraçado com Alhena, que estava muito elegante, como sempre. Ela tinha envelhecido bastante naqueles últimos meses, ele logo notou isso. E o estresse tinha feito com que ela emagrecesse muito, também. E talvez por isso ela parecesse tão velha. Damian estava com os cabelos muito opacos e esbranquiçados, com a pele meio pálida pela doença. As pessoas se afastavam dele quando ele passava, como se ele fosse perigoso.
—Oi, Damian. Oi, mana. – disse cumprimentando o amigo, para depois abraçar a irmã. Órion lhe acenou rapidamente, antes de correr até Prim e Rabastan, com alguma alegria – Como vocês estão?
Alhena lhe deu um sorriso triste, mas Damian sorriu contente.
—Estamos bem. Muito bem. – respondeu ele – Estávamos pensando em fazer uma viagem no fim de semana, só eu e ela... sua mãe disse que ficaria com Órion pra nós.
—Por que não deixa ele lá em casa? – perguntou Rasalas – Rabastan iria adorar. – adicionou. Damian olhou para Alhena, que deu de ombros.
—Eu não sei se deveríamos viajar, Damian... – murmurou ela.
—Não seja boba... nós merecemos uma viagem romântica, oras... – riu ele a puxando pelos ombros e a beijando na têmpora. Alhena deu um sorriso mais contente e o olhou apaixonadamente. Rasalas sorriu para os dois e se virou para olhar os filhos.
Navi e Draconis conversavam, animadamente. E então, sem aviso algum, seu sobrinho se virou e acertou um fortíssimo tapa na cara de Scorpius. O garoto girou no mesmo lugar e caiu no chão, arrancando gargalhadas de todo mundo.
—UM – Gritou Draconis.
—O que diabos foi isso? – perguntou Alhena, horrorizada. Mas Scorpius se levantou e gritou.
—OBRIGADO, DRAC!
Todos os garotos riram de novo, menos Lyra, que empurrou Draconis e o chamou de idiota.
Quando os garotos voltaram, Draconis recebeu um olhar indignado de Alhena.
—O que foi isso, Draconis? Está louco? – perguntou ela se virando para Scorpius e olhando o rosto dele. A marca perfeita da mão de Draconis estava estampada na bochecha do garoto, que a cada dia que passava ficava mais parecido com o meio-irmão.
Rasalas engoliu em seco e olhou para Damian, se perguntando se ele se dava conta disso. Será que ele sabia disso? Será que ao menos desconfiava?
—Foi uma aposta de tapas? – perguntou Damian. Draconis sorriu e concordou.
—É. – respondeu ele – E eu ganhei. Vou poder bater três vezes em cada um deles, quando eu bem entender.
—E o que você precisou fazer? – perguntou Damian. Draconis corou, perdendo o sorriso vitorioso, mas os outros garotos riram com alguma crueldade.
—Se gaba ai, Draconis. – provocou Navi.
—Eu tive que fazer uma coisa constrangedora. Mas o importante é que eu ganhei. E eu vou guardar os seus tapas pra quando eu malhar mais, Navi.
Navi bateu na própria bochecha, o desafiando.
—Pode vir, Drac. Quando quiser. – provocou ele.
Draconis deu uma risadinha e arrumou a gola da camisa, muito cheio de si.
—Então... nos vemos mais tarde, certo? – perguntou Rasalas – Daphne está louca, cozinhando o maior cordeiro do mundo, lá em casa.
—E está muito cheiroso! – adicionou Rabastan, com um sorriso.
—Onde está Draco? – perguntou Alhena, olhando para os lados. Rasalas a imitou e notou que o amigo não tinha aparecido.
—É mesmo... – murmurou Damian – Vamos esperá-lo, pra não deixar Scorpius sozinho.
—Está tudo bem, tio. – respondeu Scorpius – Meu pai já deve estar chegando.
—Não é legal deixarmos você aqui sozinho. – insistiu Damian – Certo, amor?
—Isso mesmo. – concordou Alhena.
Rasalas suspirou e deu de ombros. Ficou conversando com a irmã e o cunhado, ignorando a algazarra de seus sobrinhos e filhos, quando finalmente Draco chegou.
—Scorpius. Desculpe. – resmungou Draco se aproximando. Mas então ele olhou o rosto do filho – O que é isso na sua bochecha?
—Eu perdi uma aposta de tapas. – disse Scorpius. Draco o olhou chocado.
—Mas a pessoa tatuou a mão na sua cara! Quem foi o cretino que fez isso?
—Foi o Draconis! – dedurou Lyra. Draco olhou zangado para o garoto, que o olhou com algum desafio.
—Ok. Ok... apostas são apostas. – resmungou Draco pegando a varinha e apontando para a cara do filho.
—Não! Não pode tirar! – ralhou Navi – Tem que ficar assim até sumir naturalmente! – riu ele.
Draco revirou os olhos e deu de ombros.
—Como quiser. – ele deu de ombros – Vamos pra casa.
—Você vai vir, não é, Draco? Pra ceia de páscoa? – perguntou pra ele. Draco olhou discretamente para Alhena e negou com a cabeça.
—O que? Por que não? – perguntou Scorpius, indignado – Vamos ficar sozinhos em casa, só eu e você? Que graça tem isso? – perguntou ele.
Draco soltou um suspiro, sem encarar Alhena e Damian.
—Eu... eu não estou me sentindo disposto, Scorpius. Vamos pra casa. Curtir um momento pai e filho e...
—Então me deixa ir sozinho se você não quer ir! – insistiu o garoto.
—Scorpius. Você é o único parente vivo do seu pai. Você deveria passar o feriado com ele! – ralhou Draconis. Rasalas respirou fundo desviando o olhar e notou que Scorpius olhou com algum desdém para Draconis.
—Isso mesmo, Scorpius. – disse Alhena, de maneira amável – Você deveria fazer companhia pro...
—Está tudo bem, Lena. – disse Draco com um sorriso fraco – Você pode ir, Scorpius... você se importa ser eu não for, Rasalas? – adicionou ele. Rasalas negou com a cabeça – Ele irá pela lareira, então.
—Combinado. – disse simplesmente.
Rasalas pegou os três filhos e os quatro pegaram um taxi, para voltarem pra casa, já que moravam num bairro completamente trouxa. Pagou o taxista tranquilamente, por estar acostumado a lidar com dinheiro trouxa e então entrou em casa com suas “crianças”.
Lyra estava com os cabelos completamente azuis. E ela foi saltando até o sofá, para se deitar. Navi a imitou, se deitando em outro sofá, tirando os sapatos com os pés. Rabastan foi para o sofá do irmão mais velho e suspirou.
—Maninho. Como foi a escola? – perguntou ele com os olhos grandes como pratos.
—O de sempre. – riu Navi – Os professores continuam chatos. Mas uma garota foi assassinada na escola... isso meio que foi um choque pra todo mundo.
—O papai comentou. – murmurou Rabastan, estremecendo.
Rasalas deixou os filhos conversarem na sala e voltou para a cozinha, onde Daphne ainda estava cozinhando. Mas ela parecia mais calma, agora.
—Só falta o cordeiro assar mais um pouco. – disse ela batendo a varinha três vezes numa panela, fazendo o fogo apagar.
—Quer tomar um banho? – perguntou com um sorriso sugestivo. Daphne sorriu de volta e concordou.
Os dois foram para a sala, onde Daphne beijou os dois filhos e ela puxou a orelha de Navi com alguma força.
—Sem mais detenções esse ano, Navi Lestrange. Ou eu juro que você vai ficar sem comer carne pelo resto das férias.
Navi a olhou horrorizado.
—Mas mãe! Eu estou em fase de crescimento! Eu preciso comer carne! – ralhou ele.
—Pois vai virar um pigmeu se não começar a se comportar! – ralhou ela. Lyra deu uma risadinha desdenhosa e Navi mostrou o dedo médio pra ela. Pra sorte dele, Daphne não viu – Vão tomar banho, os três. Vamos, vamos. Quero os três lindos e arrumados quando as visitas chegarem.
Rasalas riu quando os três soltaram uma lamúria preguiçosa, mas os filhos se levantaram assim mesmo.
Ele e Daphne foram para o quarto e se despiram rapidamente, para tomar banho juntos. Se beijaram debaixo do chuveiro e transaram debaixo da água quente, com Daphne mordendo o lábio para não gemer.
Depois do banho se arrumaram de maneira quase casual. Daphne colocou um vestidinho preto curto e justinho, bem simples, com um sapato baixinho. Ele colocou uma camisa polo e calça jeans mesmo. E quando chegou na sala, seus filhos tinham se vestido de maneira bem descontraída também.
Navi usava uma calça folgada, cheia de bolsos, que deixava a cueca aparecer, uma regata branca e um boné. Lyra estava com uma saia rodada, uma camisa regata, umas luvas estranhas, que pareciam uma munhequeira grande demais. Além disso ela usava uma gravata sua e uma bota de cano longo. Os cabelos agora completamente rosa-choque.
Já Rabastan estava com roupas de bruxo, com os cabelos bem penteadinhos, mas não eram trajes a rigor.
Sorriu achando graça de como os três eram diferentes uns dos outros, mesmo que tivessem crescido na mesma casa. Lyra tinha seu gosto musical, por rock clássico. Navi gostava de umas músicas trouxas barulhentas, sem letras, que eram apenas batidas. Já Rabastan gostava dos clássicos bruxos, apesar de uma vez ter escutado o filho caçula cantarolar uma música do Iron Maden.
Meia hora passou até que Socrpius aparecesse pela lareira. Ele se sentou ao lado de Lyra, no sofá e os dois ficaram conversando. Notou que a filha colocou as duas pernas em cima das pernas dele e Scorpius ficou escandalosamente próximo demais.
Estava para ralhar com ele, quando Daphne o puxou pela orelha.
—Eles tem quinze anos. Deixa os dois namorarem! – ralhou ela.
—Na minha casa?! No meu sofá?! – perguntou zangado.
—Sob sua vista, de maneira super comportadinha. Ao contrário do que você fazia na idade dele. – devolveu Daphne com um sorrisinho. Rasalas soltou um muxoxo e deu de ombros, vencido.
Mais meia hora até que seu pai aparecesse pela lareira, com sua mãe e seus irmãos. Pollaris estava muito bonita, vestida como se estivesse indo para um baile no Ministério. Ela estava muito metida desde que conseguira um emprego como auxiliar mirim na corte dos bruxos. Rigel estava com trajes a rigor e revirou os olhos.
—Eu disse que eu podia ter vindo menos arrumado. Olha só o Navi. – resmungou ele.
—Ponha aquela calça trouxa de novo e eu queimo você dentro dela. – ameaçou seu pai, entre os dentes.
—Paaai! Eu já sou um adulto! – ralhou Rigel, cruzando os braços. Mas ele encolheu como uma criança ao receber o olhar zangado do pai.
Rasalas deu um sorrisinho e foi cumprimentar a família. Estava abraçando a mãe, quando os Burke começaram a chegar. Órion primeiro. Depois Prim, as gêmeas, Rose, Draconis, Castor e Póllux, e por último Alhena e Damian.
Olhou para o amigo, com medo de que ele passasse mal, mas ele deu só uma tossidinha e nem fez careta.
—Céus, Daphne. O cheiro está maravilhoso! – disse Damian com um sorriso.
—Espere até sentir o gosto. O cordeiro está derretendo na boca. – garantiu Daphne indo abraçar Damian.
—Hey, Draconis. – chamou Navi tirando uma carta do bolso – Advinha.
—Quem é a vítima? – riu Draconis cruzando os braços.
—Lissandra Vitinks.
—Impossível. – riu Draconis.
—Ah, é? – perguntou o garoto entregando a carta para Draconis. Rasalas ficou olhando curioso e notou que seu pai fazia o mesmo.
—CA-RA-LHO. – riu Draconis – Navi... você é tipo um herói da nação! Como você faz isso?
—O que é isso ai? – perguntou Rasalas, curioso.
—Um encontro. Uma garota do sexto ano me chamou pra sair. – riu Navi olhando com uma carinha safada para o primo, que ainda parecia em choque.
—Você gosta dela, querido? – perguntou sua mãe.
—Ah, sim... estou apaixonado. – riu Navi pegando a carta de volta, para colocá-la no bolso. Rasalas riu, achando graça e trocou um olhar divertido com o pai.
Blair chegou poucos minutos depois com uma boa garrafa de vinho. Lupin e Addie em seguida, de mãos dadas e parecendo muito felizes. Os últimos a chegarem tinham sido seus sogros e o Sr. Burke, que aparatou na porta, fazendo a vizinha gritar. Ele mesmo soltou um feitiço de memória nela e entrou resmungando.
—Esses trouxas escandalosos. Francamente. – resmungou ele apertando sua mão – Como está, garoto?
—Bem, Sr. Burke. – riu Rasalas, que adorava o jeito meio rabugento do pai do amigo – E o senhor?
—Estou indo. Agora... onde estão Póllux e Castor? – riu Jacques indo abraçar os netos mais velhos – Olhe só pra vocês. Como estão bonitões. Já arrumaram umas namoradas?
—Castor já. – riu Póllux. Castor revirou os olhos.
—E quando vamos conhecer a sortuda? Ela é puro sangue, certo? – perguntou Burke. Castor concordou com um aceno de cabeça.
—É uma Rowle. – respondeu ele – Mas não crie esperanças, vovô. Eu só estou curtindo. Não quero casar tão cedo, viu?
—Desde que case a tempo de me deixar ver meus bisnetos. – riu Jacques dando umas palmadinhas nas costas de Castor.
—Eu não tenho tanta pressa. Vocês estão me envelhecendo rápido demais. – ralhou Rabastan, que estava sentado e bebendo o vinho que Blair tinha trago. – Inclusive... Malfoy, tire a mão da coxa da minha netinha, ou vai se ver comigo, seu garoto abusado.
—Eeeeeeu? – perguntou Scorpius levantando as mãos, com o mesmo sorriso canalha de Draco – Eu não fiz nada! – adicionou ele olhando Lyra com o mesmo sorrisinho.
Rasalas respirou fundo umas três vezes, antes que Lyra se levantasse.
—Vem, Scorpius. Vamos lá pro meu quarto! – ralhou ela puxando o garoto pela mão.
—Mas não mesmo! – ralhou Rasalas.
—Papai, para com isso. Eu e Scorpius somos amigos! – ralhou ela – E se quer saber, em Hogwarts, a coisa mais fácil do mundo é dormir na cama de um garoto.
Rasalas abriu a boca em choque e pegou a varinha apontando pra ela, para fazer um teste de virtude.
—Querido, você não quer fazer isso... – murmurou Daphne.
—O que? Quer saber se eu sou virgem? – perguntou Lyra arqueando as sobrancelhas – Não perca tempo com um feitiço. Eu não sou. Vem Scorpius.
Rasalas abriu a boca em choque e a raiva o possuiu de novo. Aquela raiva que o fazia fazer coisas idiotas. Ele apontou a varinha para Scorpius, que o encarou assustado.
—SEU MOLEQUE ABUSADO!
Mas Draconis entrou na sua frente.
—FUI EU, TIO! FUI EU! – gritou o garoto segurando seu braço – Não foi o Scorpius, tio.
—O que? – perguntou irado para o sobrinho.
—Rasalas, abaixa a varinha. Não seja medieval. – ralhou Damian, num tom de voz muito calmo.
—Você transou com a minha filha? – perguntou olhando para o sobrinho, que ainda estava entre Scorpius e Lyra – Você? Ela só quem quinze anos! É uma criança!
—Eu não sou uma criança! – ralhou Lyra.
—Cale essa boca, Lyra. Vai pro seu quarto, agora! E não saia de lá até eu mandar! – rosnou enfurecido, mas ela não se moveu.
—Vamos, Rasalas. Não seja besta. – ralhou tia Addie.
—Não se meta. – sibilou furioso. Tia Addie arqueou as sobrancelhas e suspirou.
—Lembra dos natais da minha família, Rabastan? – perguntou ela com um sorrisinho. Seu pai ainda parecia furioso com a situação, mas revirou os olhos.
—Oh... irritantemente nostálgico, Addie. – ralhou ele.
—Rasalas. Calma. – pediu Daphne.
—Eu não vou ficar calmo. – rosnou Rasalas olhando para Draconis – Como você teve a audácia de fazer isso com a sua priminha?! E você! – ele olhou para Navi, que estava deitado no sofá, olhando com alguma troça para toda a situação – Você sabia disso?!
Navi deu de ombros.
—O que a Lyra faz da cintura pra baixo é problema dela, pai. Não meu. – respondeu o garoto – E pra que tanto escândalo? Eu perdi a virgindade com treze. – adicionou ele.
—Você o que?! – perguntou Daphne, escandalizada – Então todo mundo aqui anda transando naquela escola?!
—Parem com isso, vocês dois! – ralhou Alhena – Até parece que nunca transaram na escola! – ralhou ela – Vocês dois eram dois coelhos naquela Hogwarts. Rasalas beijou metade das garotas do nosso ano. E você não era nenhuma santinha. – adicionou ela.
—Não é nada de demais. – concordou Damian.
—Fala isso porque não foram as suas filhas! – rosnou Rasalas.
—Dido perdeu a virgindade com Navi e eu não criei caso. – discordou Damian calmamente. Todo mundo olhou para a garota, que corou com violência – O mesmo vale pra Rose, diga-se de passagem. Navi ficando longe da Prim, enquanto ela é nova demais, por mim tudo bem. – Damian suspirou – São adolescentes, Rasalas. Não se lembra como é ser adolescente?
—Eu não sai tirando a virgindade de todo mundo! – ralhou Rasalas, sem jeito, por saber que seu filho não conseguia se manter dentro das próprias cuecas. E como raios Damian sabia daquilo?
—Só porque você e Daphne começaram a namorar. – discordou Damian – Você pegava todo mundo. Agora, vamos parar com... – ele respirou fundo segurando o peito e todo mundo ficou alerta – Com essa confusão... vamos cear. Daphne preparou tudo para que a gente tivesse um... um... – ele engoliu em seco – Rasalas, me segure, eu vou...
Mas ele não terminou de falar e perdeu o equilíbrio. Rasalas correu para segurar o amigo e todo mundo ficou assustado.
—Ei, Damian! – disse o segurando com firmeza. Draconis avançou de uma vez, com um frasco cheio de pílulas vermelhas. Ele deu uma para o pai e todos olharam apreensivos.
—Paizão... – murmurou Draconis. Damian respirou fundo e voltou a ficar de pé.
—Estou bem... foi só uma vertigem... – murmurou Damian sorrindo fracamente – Eu... eu... – ele respirou fundo – Me leve pro sofá, eu não estou me sentindo bem, Rasalas... – murmurou Damian parecendo muito fraco.
—Damian... quer voltar para o Mungus? – perguntou Alhena com os olhos cheios de água. Rasalas suspirou, sabendo que o amigo iria negar. Ele nunca queria ir pro Mungus.
—Por favor... Rasalas, não mate meus filhos enquanto isso, ok? – perguntou Damian. Draconis olhou para a meia irmã, que pareceu ainda mais preocupada. Todos os filhos de Damian pareciam que iriam cair no choro.
—Eu levo ele, Rasalas... – disse Alhena, com as mãos trêmulas.
—Fique ai com as crianças... eu levo ele, Lena. – disse Rasalas.
—Eu vou também. – murmurou Blair ajudando a levantar o amigo, que parecia extremamente pesado, sem a força nas pernas.
—Obrigado, gente... Daphne, guarda um pedaço pra mim, ok? – perguntou Damian, fracamente.
—Claro, querido. – prometeu Daphne. Rasalas olhou para ela, preocupado e aparatou com Damian e Blair.
*
O jantar seguiu num silêncio agourento. Navi olhou para Draconis, que nem tinha tocado na comida. Soltou um suspiro e se levantou, limpando a boca com um guardanapo. Ninguém falou coisa alguma.
Ele cutucou o primo no ombro e o chamou com um aceno de cabeça. Draconis suspirou e se levantou, também.
—Você não comeu nada, Draconis... – murmurou tia Lena – Pelo menos prove o cordeiro...
Draconis a olhou deprimido e negou com a cabeça, dando as costas para a mesa. Navi o levou para seu quarto e trancou a porta. Depois olhou o primo e melhor amigo.
—Cara... eu sinto muito por tudo isso.
—Está tudo bem... – murmurou Draconis.
—Vem cá. – disse Navi o abraçando. Draconis o abraçou de volta e arfou, deitando a cabeça em seu ombro – Qualquer coisa que precisar, a qualquer hora que seja, sabe que pode contar comigo, né?
—Eu sei... – murmurou Draconis com a voz baixa, como se fosse difícil falar.
—Você é meu melhor amigo, cara... – murmurou Navi – Rabastan e Lyra podem ser meus irmãos de sangue... mas você é mais meu irmão que eles... ouviu? – Draconis concordou com um aceno de cabeça e soluçou – Você precisa ser forte, pra sua mãe. Que nem seus irmãos estão fazendo... e precisa ser forte pra você mesmo também... eu nem imagino o que você está passando, cara... mas saiba que pode contar comigo pra qualquer coisa. Viu?
Draconis sacudiu a cabeça, concordando e soltou mais um soluço. Depois ele se afastou e passou as costas das mãos nas bochechas, olhando pra cima.
—Ele era tão forte... – murmurou Draconis – Nós costumávamos brincar de braço de ferro, sabe? Eu nunca ganhei dele. Uma vez ele ganhou de Póllux e Castor juntos. Mas agora... agora ele não consegue se levantar da cadeira sozinho, cara... – Draconis se sentou em sua cama e escondeu o rosto com as mãos.
Navi suspirou e se sentou, ao seu lado, para lhe dar uns tapinhas no ombro.
—Eu realmente sinto muito... – murmurou. Alguém bateu na porta e Navi se levantou para destrancá-la. Era Lyra. Ela correu até Draconis e o abraçou apertado.
—Desculpe pela confusão, Drac... foi minha culpa. Eu deveria ter ficado calada... – lamentou ela.
—Não foi culpa sua, sua boboca. – riu Draconis, tristemente.
—E você é louco? Não pode entrar na frente do meu pai quando ele tá zangado! Ele é um lobisomem! Ele não pensa!
—Mamãe disse que ele já era assim antes de virar lobisomem. – riu Draconis, fungando de novo. Alguém bateu na porta mais uma vez e Navi voltou a abri-la. Agora era Rose. Ela correu e se sentou do outro lado de Draconis e o abraçou, chorando. Draconis ficou tenso, mas logo respirou fundo e a abraçou de volta, a afagando na cabeça. Lyra abraçou os dois e a porta voltou a abrir.
Cada hora aparecia um primo. Prim, Dido, Cerce, Póllux, Castor, Órion... depois Rabastan (seu irmão) e Scorpius.
—Que história é essa que eu tirei a virgindade de vocês? – perguntou Navi, para Dido e Rose, tentando descontrair o clima pesado.
—Papai deve ter dito isso pra fazer o seu pai se acalmar. – riu Dido.
—Bem... eu não me importaria de fazer isso para acalmar meu pai... – riu Navi.
—Navi! – ralhou Lyra.
—O que?
—Too soon! (n.a – cedo demais)
—Sorry...
**
Damian a abraçou na cama, tremendo de frio. Ele estava com febre e estava pegando fogo. Suspirou, se levantando, sentindo-se exausta. Ele tossiu e gemeu de dor, enquanto ela pegava um pano com uma loção para febre.
Colocou o pano úmido na testa dele e ele tossiu de novo. Suspirou infeliz por ver seu marido definhar daquele jeito. O beijou no rosto e com outro paninho secou o filete de sangue que escorria pelo queixo dele, por conta da tosse.
Arfou completamente desconsolada com a situação. Ele estava tão magro, os cabelos estavam tão brancos... ele tinha envelhecido tanto. E parecia tão, tão, tão fraco... soltou um soluço e respirou fundo, sem querer chorar. Não iria chorar na frente dele. Seria forte.
O acariciou no rosto e ele abriu os olhos, fracamente.
—Eu... eu sinto... sinto tanto... Estrelinha... – sussurrou ele, fracamente – Não era... essa a vida... que você... – ele fez uma careta de dor, fechando os olhos – merecia...
Alhena se deitou ao lado dele e o abraçou, completamente triste.
—Eu te amo, Damian... por favor, não me deixe... – lamentou ela, sentindo os olhos encherem-se de lágrimas. Damian respirou fundo, de maneira barulhenta, como se fosse difícil de respirar. O fungo estava dominando completamente os pulmões dele. Morria de medo do dia em que ele simplesmente pararia de respirar – Não me deixe, por favor... – sussurrou assustada com a possibilidade de um dia não acordar com ele ao seu lado. Nunca se acostumaria com aquela ideia. Nunca. – Damian...? Damian? – se levantou e notou que ele não tinha aberto os olhos. – Damian! Por favor, não... não... não... – disse assustada, deitando a cabeça sobre o peito dele. Mesmo com o chiado horrível da respiração dele, podia ouvir o coração bater. Ele só tinha desmaiado, ou caído no sono.
Pegou a varinha e fez um feitiço para relaxar o corpo dele. O curandeiro tinha lhe ensinado a fazer. Soltou um longo suspiro, passando a mão pelos cabelos dele e então se permitiu chorar.
Saiu do quarto e chamou a curandeira. Avisou que Damian tinha desmaiado novamente e logo tinham três curandeiros lá dentro com ele.
Se sentou num banquinho, com as lágrimas descendo por seu rosto. Chorou em silêncio, pensando em quanto tudo aquilo era injusto. Por que Damian? Por que não uma pessoa má? Por que logo seu marido?
—Sra. Burke? – chamou um curandeiro, o Sr. Caribadge.
—Sim? Sou eu... – sussurrou com a voz engasgada.
—Eu sinto muito pela sua situação, Sra. Burke... mas... – o curandeiro suspirou – A senhora sabe que ele não vai melhorar, não sabe? – ela concordou com um aceno de cabeça – Seu marido provavelmente não vai viver até o verão. Ele provavelmente não vai deixar aquele quarto. – explicou o curandeiro – Do jeito que ele está, ele não vai chegar ao próximo mês.
—Eu entendi, doutor. – rosnou, sentindo-se como que cercada por dementadores.
O curandeiro soltou um longo suspiro.
—Um novo curandeiro chegou, vindo do novo continente. Ele está aqui há alguns meses e se mostrou muito competente. Ele tem um currículo e tanto. Estudou no Castelo Bruxo, no Brasil... já ouviu falar? – perguntou o curandeiro. Alhena apenas negou com a cabeça. – É uma excelente escola. Principalmente com azarações... e a herbologia lá é muito forte. Eles estudam plantas que nós nem sonhamos existir... e o Sr. Amaru é um excelente conhecedor de plantas exóticas... e ele ficou sabendo do caso do seu marido... – Alhena o olhou curiosa e cheia de expectativa – Ele disse que existe um estudo... sobre umas plantas no Brasil, extremamente eficazes contra fungos e suas excreções... mas é apenas um estudo. Não chega nem a ser uma ciência experimental... mas... – o curandeiro a olhou esperando que ela desse sua opinião.
—O que o senhor acha? O que se sabe sobre essa... essa planta?
—Eu? Sinceramente sei coisa alguma sobre a planta... mas o Sr. Amaru é um grande curandeiro. E todas as vezes que ele trouxe uma opção de tratamento estrangeira, todas as vezes deram certo... seu marido pode ser a primeira falha, ele pode piorar, mas também pode ganhar mais um tempo de vida... e quem sabe... – o Sr. Caribadge deu de ombros – É um tratamento completamente novo e inédito. Não sabemos o que esperar dele. Mas veja bem... varíola de dragão não tinha cura, quarenta anos atrás. Mas um curandeiro deu uma chance para um tratamento de uma tribo da Romênia e deu até certo.
Alhena concordou com a cabeça.
—Eu... eu preciso falar com meu marido primeiro.
—Eu sinto muito, Sra. Burke. Mas isso não será possível. O fungo atingiu o sistema nervoso dele. Ele estava com dor demais. Seria desumano deixá-lo acordar...
Alhena respirou fundo, sem saber o que fazer.
—A senhora é a Sra. Burke? – perguntou uma voz atrás de si. Se virou e esbugalhou os olhos. Era um homem alto, bronzeado, com os zigomas muito evidentes. Os cabelos negros e lisos estavam presos na altura do pescoço. Ele tinha uns brincos feitos de dentes caninos, mas o que mais chocava era a tatuagem de caveira em todo o rosto dele. Parecia que ele tinha colocado a parte de cima de um crânio no rosto – Sou Peti Amaru. – disse o curandeiro – Eu quero falar com você sobre um possível tratamento para seu marido.
—O-ok... – murmurou aflita.
***
Navi escutou um rumor, mas não esperou descobrir se era verdade ou não pra averiguar. Apenas correu desvairado pelo corredor. Derrapou ao chegar no terceiro andar e viu que havia uma pequena multidão ali.
Correu até lá e foi abrindo caminho, entre as pessoas.
—SOLTA ELE! SOLTA ELE! SOLTA! – gritou Myr, um aluno do quinto ano da Lufa-Lufa. Mas os alunos mais velhos da Grifinória estavam rindo – EU VOU CONTAR PRO MONITOR!
—Tá querendo apanhar com seu namorado, Myr? – riu um aluno da Grifinória.
—Eu vou quebrar a sua cara, Blanka! – rosnou James. James fodendo Potter. Navi chegou e viu que os alunos do sétimo ano estavam segurando Drac e Vince pelos braços, enquanto os outros estavam batendo neles. Uns alunos da Sonserina, também mais velhos, estavam rindo, assim como uns poucos da Corvinal. Mas os pouquíssimos Lufanos estavam tentando ajudar Draconis e Vince – Solta ele, Blanka!
—Não vou soltar. Ele tá dando o rabo pra você também, Potter? – perguntou o tal Blanka – Ou talvez esteja comendo o rabo da sementinha ruim que é o seu irmão?
—Deixe meu irmão fora disso e solta ele. Isso passou de todos os limites! – ralhou Potter.
—Solte o meu primo! – ralhou Navi, quase sem ar. Olhou para Draconis, que parecia ter apanhado tanto, que sua cara estava inchada e deformada, assim como a de Vince.
—Vem me obrigar, Lestrange. – riu o garoto do sétimo ano. Navi engoliu em seco e mirou seu primo. Ele negou com a cabeça, querendo que ele não se metesse. Navi olhou. O grupo violento tinha muita gente. Sonserinos, Grifinórias e Corvinais... Mas o grupo apaziguador era ele, James, Myr e mais uns dois alunos da Lufa-Lufa. Estavam numa evidente minoria. – Achei que ficaria calado. – riu Blanka. Então ele se virou e socou Draconis no rosto de novo.
—Não! Para com isso! Agora! – rosnou zangado. James sacou a varinha, mas o grupinho violento fez o mesmo. Tinham uns quinze deles, contra cinco.
—Abaixa a varinha, Potter. – riu Grant, da Sonserina – Antes que saia machucado.
—Vocês estão sendo muito covardes! – rosnou James – Se acham valentes porque estão num grupinho? Me enfrente no um contra um! Qualquer um de vocês! – rosnou James.
—Vem me enfrentar, Potter. – rosnou Creed. James levantou a varinha.
—O que está acontecendo aqui? – perguntou o monitor chefe, que era da Lufa-Lufa. Ele se aproximava com outro aluno da Lufa-Lufa, que provavelmente tinha delatado o que tinha acontecido.
O grupo empurrou Draconis e Vince no chão.
—Pegamos esses dois fazendo coisas inapropriadas, Strokk. – respondeu Blanka – Então demos um jeito neles.
—Não são vocês quem dão jeito nas pessoas, seus idiotas. – ralhou Strokk. Ele se aproximou e olhou para Draconis e fez uma careta – Quem fez isso, Burke?
—Blanka, Creed, Grant e Maxwell. – respondeu Draconis como uma careta. Navi se abaixou ao lado dele para ajudá-lo a ficar de pé. James fez o mesmo com Vince – Os outros só ficaram rindo... mas não me bateram.
—Cinquenta pontos a menos para cada um deles. – rosnou Strokk – E detenções também. Vou falar com os diretores das suas casas.
—Isso. Protege os veadinhos ai. – riu Grant cuspindo no chão – Vocês não vão mais dormir no dormitório masculino, moças. Só no feminino.
—Não é você quem decide isso, Grant. E vou tirar mais dez pontos de você, por ser um babaca. – ralhou Strokk – Vamos Burke, Goyle. Eu vou levar vocês para a Ala Hospitalar.
Navi ajudou o amigo e agradeceu Potter, mentalmente, por ajudar Goyle. Strokk os guiou para a Ala Hospitalar, mas antes que virassem no final do corredor, escutaram as provocações do grupinho.
—Boiola!
—Viado!
—Mocinha!
—Chupador de rola.
Navi sentiu uma ira irresponsável tomar sua mente e estava para largar Draconis e se virar para duelar contra aqueles babacas, quando Draconis o segurou.
—Deixa pra lá. – pediu ele – Está tudo bem, ok? – perguntou ele. Navi respirou fundo algumas vezes, antes de voltar a seguir o monitor chefe.
Na Ala Hospitalar o Sr. Fungus ficou horrorizado com o quanto eles tinham apanhado. Ele fez um monte de feitiços e passou umas poções nos dois, fazendo com que os cortes quase fechassem e que o rosto desinchasse.
Madame Turner apareceu em seguida e olhou para os dois, em choque.
—O que vocês estavam fazendo para que eles batessem em vocês desse jeito? – perguntou ela, severamente.
—Desculpe, professora. O que foi que a senhora disse? – perguntou Strokk cruzando os braços.
—Está com ceras no ouvido, Sr. Strokk? – perguntou ela arqueando a sobrancelha.
—Eles poderiam estar... – ele sacudiu os braços – Transando a céu aberto, fantasiados de comensais de morte, professora. Eles eram dois alunos do quinto ano, contra uns dez do sétimo e mais uns do sexto. Nada justifica isso!
A professora bufou e olhou novamente para Draconis e Vince, que estavam cabisbaixos e envergonhados.
—O que vocês estavam fazendo? – perguntou ela.
—Nada. – respondeu Draconis – Estávamos conversando depois da aula de Aritmancia. Só isso... – murmurou ele.
—Não estavam fazendo nada inapropriado? – perguntou ela – Grant me disse que pegou vocês se beijando de maneira indecente. Ele só quis defender a honra da nossa casa!
—Defender o que? – perguntou Strokk – Isso é um absurdo, professora.
—Strokk. Saia daqui. Isso não lhe diz respeito! – ralhou a professora.
—Isso me diz respeito, sim! – rosnou o aluno – O que eles fizeram foi inaceitável. E quem Grant é pra querer me falar essa? Eu já flagrei ele transando no banheiro do terceiro andar. Com duas garotas ao mesmo tempo, diga-se de passagem. Eu quis aplicar uma detenção nele e a senhora não deixou. Disse que eram apenas os hormônios!
—O Sr. Grant estava com uma...
—Duas garotas. Então não tem problema? O problema é se for homossexual?
—Exatamente esse o problema. A Sonserina não aceita esse tipo de coisa, Sr. Burke e Sr. Goyle. Eu vou mandar uma carta para os seus pais. – os dois a olharam horrorizados – E se eu souber...
—Mas professora, nós não estávamos... – começou Goyle.
—... de vocês dois me fazendo uma afronta dessas de novo, eu juro que expulso vocês dessa escola. – a professora bufou, zangada e arrumou o chapéu na cabeça.
—Nós não estávamos fazendo nada! – insistiu Draconis – Professora! Eu não sou gay! – insistiu ele.
—Nem eu! – disse Vince, parecendo alarmado – Não manda uma carta dessas pro meu pai! Ele me mata! Eu não sou gay. Eu nunca beijei um garoto na minha vida!
—Nem eu! Isso é nojento! – disse Draconis. Navi sabia que era mentira. Draconis tinha contado que tinha transado com Vince e que Vince tinha dito que já tinha ficado com outros garotos. Mas os dois pareceram bem convincentes.
—Draconis está com a minha irmã, professora. – disse Navi. A professora o olhou curiosa – Eles estão juntos. – Draconis concordou com um aceno de cabeça. Navi sabia que sua irmã não se importaria de dizer que estavam mesmo.
A professora os olhou desconfiada, mas então pareceu mais calma.
—Então foi um mau entendido? – perguntou ela.
—Certamente, professora. – disse Vince, baixando a cabeça.
—Então tudo bem. Não vou mandar as cartas... mas se eu ouvir mais um rumor desses que seja...
—Não vai, professora. – garantiu Draconis. Madame Turner lançou um olhar zangado para Strokk, que a olhava enojado. Depois ela saiu e deixou o grupo de alunos na enfermaria. O Sr. Fungus pegou as coisas dele e se retirou lá pra dentro, constrangido. – Que orgulho da minha Sonserina. – resmungou Draconis, sarcástico, descendo da maca – Grant me paga.
—Ei, Burke. Goyle. – disse Potter, os Sonserinos e o monitor chefe olharam para ele – Eu não me importo se vocês estão de romance ou não. Foi errado eles baterem em vocês. Pelo menos por esse motivo. Normalmente vocês merecem a surra. – ele deu uma risadinha – Mas o que eles fizeram foi errado.
—Não precisa me falar o óbvio, Potter. – rosnou Goyle, furioso – E eu e Draconis estávamos só conversando. Não sei de onde eles tiraram que a gente estava se pegando. – resmungou ele.
Navi olhou questionador para Draconis, que revirou os olhos.
—Não estávamos nos pegando. Se a gente fosse se pegar, não seria no meio do corredor. – ele baixou o tom de voz – A gente seria discreto.
—Então vocês estão mesmo juntos? – perguntou Strokk. Draconis e Vince trocaram um olhar e negaram com a cabeça.
—Somos amigos. Só isso. – resmungou Vince – Não vem se meter, Strokk.
—Ah, eu vou sim. – ralhou ele – Eu vou fazer uma reclamação formal ao professor Longbottom e à diretora. Vocês são o segundo casal...
—Nós não somos um casal! – ralhou Draconis.
—...homossexual atacado na escola.
—Nós não somos gays! – disse Vince, corando de leve.
Strokk revirou os olhos.
—Mas aqueles babacas acham que são e foi por isso que eles bateram em vocês. Eu vou falar com o professor e com a diretora. E vou denunciar a homofobia declarada da Madame Turner também. Isso é um absurdo. – Strokk saiu revoltado, pela porta e James deu um sorrisinho.
—E lá vai o Lufano lutar por paz e amor... como sempre. – riu Potter – Como eu amo a Lufa-Lufa... as melhores pessoas são de lá. – adicionou ele saindo da Ala.
Navi olhou novamente para os amigos, que se sentaram na maca.
—Ok. Eu sei o que vocês dois já fizeram. Vocês estavam dando uns malhos, mesmo? – perguntou Navi, cruzando os braços.
—Não. – resmungou Draconis – Eu estava falando sobre o meu pai estar no hospital... e que ele não fala mais... que provavelmente eu não vou vê-lo mais vivo e...
—E o Drac se emocionou de leve. – murmurou Vince – Eu só o abracei e disse que iria ficar tudo bem, mas aqueles babacas nos viram e entenderam tudo errado!
—Bem... tratem de contar isso pra todo mundo. – disse Navi – E caso vocês queiram dar uns malhos de novo, sejam discreto, pelo amor de Merlin.
—Depois disso aqui? – perguntou Vince, dando um suspiro – Eu vou ter que aprender a gostar de vaginas... eco.
—Ninguém gosta de vaginas, cara. – riu Navi e Draconis e Vince o olharam confusos. – Vaginas são nojentas. Eu saí de uma vagina. E saí gritando: eu quero uma boceta! – ele deu uma risadinha e os dois riram – Você não tem que sair comendo bocetas, apesar disso. É só serem discretos aqui na escola, e aproveitarem pra... – ele deu uma risadinha – Botar o brioco em ação nas férias. Sei lá...
—Algumas vezes é cansativo ser do diretório puro sangue. – lamentou Vince.
—Nem me fale. – resmungou Draconis – As pessoas querem que a gente seja de um jeito, específico. É um saco.
—Bem... não vamos ficar resmungando aqui. Daqui a pouco é aula de Poções e o Slug não tolera atrasos. Aliás... eu já disse que estou apaixonado?
—Nós realmente não damos a mínima, Navi. – ralhou Draconis.
—Carmen Casañas... – riu Navi.
—Meu cu e dez galeões que não consegue. – riu Goyle.
—Eu não quero o seu cu. – riu Navi.
—Apostado, Vince. – riu Draconis, fazendo todo mundo rir.
Os três seguiram para a aula de poções e os murmurinhos seguiram acontecendo. No final do dia, durante o jantar, Póllux e Castor vieram juntos até eles.
—Quem bateu em você, Draconis? – perguntaram os dois.
—Você é gay? – perguntou um dos gêmeos.
—Você e Vince vão fugir juntos para se casarem no Canadá? – perguntou o outro.
—Isso é ridículo! – ralhou Draconis – Eu não sou gay! Eu não vou me casar escondido!
—Então quem te bateu e por que? – perguntou Póllux (achava que era Póllux).
—E se eu fosse gay? Qual seria o problema? – perguntou Draconis socando a mesa – Eu teria merecido apanhar?
—Não. – respondeu Castor (achava que era Castor), cruzando os braços – Nós só iríamos amaldiçoar o babaca que te bateu com mais força. – rosnou ele – Ninguém bate no nosso irmãozinho só porque ele faz amor com o bumbum.
—EU NÃO SOU GAY! – ralhou Draconis, corado, se levantando de uma vez.
—Nós vamos continuar te amando, Drac! – riu Póllux, mas Draconis só pegou a mochila e saiu da mesa, voltando para o Salão Comunal.
Vince apenas baixou a cabeça, constrangido. Navi deu uma risadinha, achando graça da piadinha, afinal, os irmãos de Draconis iriam tomar alguma providência. Não tinha problema fazer uma piadinha ou outra, não é?
—Ei. O Grant, o Blanka, o Creed e o Maxwell quem bateram neles. – disse Navi.
—Que lindo. Nosso irmão uniu três casas numa causa. – riu Póllux revirando os olhos – Vamos, Castor. Vamos envenenar algumas coisas. – riu ele.
Navi pegou um pedaço grande de costela e se levantou. Foi roendo o osso, até que o último pedacinho de carne estivesse sumido. Quando chegou no Salão Comunal, encontrou Draconis, puto da vida. Jogou o osso numa lixeira e se sentou ao lado dele.
—Ei, não apela com seus irmãos. Eles só estavam brincando. – riu Navi. Draconis soltou um suspiro.
—É. Só estavam brincando. Assim como você estava brincando quando me chamava de bastardo. Mas isso não quer dizer que não tenha feito com que eu me sentisse mal. – respondeu ele – Assim como chamar um nascido trouxa de sangue ruim, mesmo que de brincadeira... isso com certeza deve ofender. Você acha que sua irmã não liga quando Scorpius faz piadas machistas perto dela, ou então manda ela voltar pra cozinha? Ela xinga ele, ou dá uns tapas na cabeça dele. Ele ri, porque faz de brincadeira, mas eu duvido que ela goste. Você chamaria o tio Blair de “macaco”, por brincadeira? Você acha que seu pai gostava das piadinhas que faziam pra sua mãe, quando eles eram adolescentes, por ela namorar um lobisomem? Algumas eram só brincadeiras, mas ele ficava todo grilado, com medo de que ela escutasse... – Draconis soltou um suspiro – Você acha que meu pai não ligava com as brincadeiras sobre ele ter uma filha bastarda? É claro que não, mas ele não podia apelar, afinal... eram só brincadeiras. Mas imagina o quanto era horrível quando minha mãe acabava escutando, sem querer. As pessoas acham que podem brincar com tudo. Mas não podem. – Draconis se levantou e Navi o encarou levemente chocado – Eu não sou gay. Eu só quis experimentar uma coisa nova. E eu até gostei, na verdade. – ele soltou um suspiro – Eu prefiro garotas, mas... mas foi uma experiência legal. Mas agora eu vou ser marcado por isso pra toda a minha vida escolar e quase que meu pai recebe uma coruja falando que eu apanhei que nem um saco de merda porque uns alunos acham que eu sou gay. E meu pai já está com o pé na cova. Já pensou se minha mãe resolve me mudar de escola? Pra me proteger? Você acha que aqueles garotos simplesmente me bateram? Que foi do nada? Não foi do nada. Começou porque alguém deve ter escutado a gente falar a respeito e espalhou o boato. Eu já estou recebendo piadinhas sobre ser gay desde o jogo Corvinal e Sonserina. Essas piadinhas evoluíram de piadinhas para empurrões quando eu ando sozinho. Os empurrões evoluíram para ofensas e hoje eu apanhei... o que será que vai ser de mim amanhã? Ou depois? Hoje foram quinze garotos, mas eles não são os únicos que me olham torto. E até a professora me destratou hoje, por conta de um boato idiota. É por isso que se você, ou qualquer um, vier com mais uma piadinha que seja sobre isso, ou sobre eu ser um bastardo, ou sobre eu usar drogas, ou sobre o que quer que seja... eu vou apelar de verdade. Não me interessa se vai ser você, ou meus irmãos, ou a sua irmã, ou uma professora. Eu não vou ficar sendo uma...
—Chega, Drac. Eu já entendi. – disse Navi ficando de pé. Ele colocou a mão no ombro do primo – E se alguém fizer qualquer piadinha com meu melhor amigo, vai se ver comigo também. Ok?
Draconis concordou com um aceno de cabeça e suspirou.
—Obrigado, Navi...
Mas a história não morreu ai. Quando os alunos voltaram para o Salão Comunal, Navi notou os olhares de troça, as piadinhas, os sorrisinhos desdenhoso.
—Você não estava dando uns malhos no Goyle, estava? – perguntou Dido, colocando as mãos nos quadris – Isso é só uma invenção retardada, não é?
Draconis concordou com um aceno de cabeça.
—Eu sou hétero, maninha. – resmungou ele.
—Ah, tá. – ela suspirou parecendo aliviada – Eu disse que era mentira. – disse ela para Octavius Nott, que a olhou com um sorrisinho desdenhoso. Ele era do sexto ano e olhou para Draconis como se tivesse certeza de que ele estava mentindo.
Póllux e Castor estavam discutindo com Grant e os amigos dele. Eram seis garotos do sétimo ano e apenas uma garota, que era namorada de Castor. Mas ela não se envolveu, então os outros quatro alunos ficaram do lado de Grant. E os alunos do sexto ano também. O quinto ano ficou todo do lado de Draconis (afinal, ele, Draconis e Vince eram o quinto ano). As garotas do quinto ano trocaram uns olhares e se retiraram para o dormitório. Mas o quarto ano, ficou dividido. As garotas, mais Albus e Scorpius ficaram do lado de Draconis, mas os outros três garotos ficaram do lado de Grant. O terceiro ano e o segundo também olhavam desdenhosamente para ele. O primeiro não pareceu nem entender o que estava acontecendo, ou se entendeu, preferiu aparentar-se neutro (com exceção de Prim, que estava do lado de Draconis, muito assustada com o que parecia prestes a acontecer).
A conversa entre Póllux, Castor e Grant começou a ficar mais e mais agressiva. Os alunos do sexto ano entraram na briga, falando que Póllux e Castor estavam defendendo uma aberração e uma grande falta de vergonha na cara. Navi se levantou para defender seu primo. Draconis e Vince insistiram que não eram gays.
—Vocês são gays. Vocês estão juntos. Eu ouvi! Eu ouvi vocês no dia do Sonserina e Corvinal. Eu vi você apostando o cu pro Goyle. E depois, no meio da noite eu fui espiar e vocês estavam abraçadinhos, peladinhos, depois de cansarem de enfiar o pau no cu um do outro. – riu Grant com um sorriso vitorioso.
Draconis corou com violência e todos os olhares foram para ele e Vince.
—O que foi, Burke? Não vai desmentir? – perguntou Selwyn, um aluno do sexto ano, que era por infelicidade, capitão do time de quadribol.
—É mentira! – disse Navi, ficando ao lado de Draconis.
—É verdade. Eu vi. – riu Grant se aproximando, com um sorriso malvado no rosto – Eu vi. Ou vocês estavam dormindo de conchinha por algum outro motivo, heim?
Draconis baixou o olhar, envergonhado e Vince levou um empurrão de um aluno do sexto ano.
—Viadinho. – riu o garoto.
—Pare com isso. – ralhou Navi.
—Você tá na orgia gay também, Lestrange? É isso? – perguntou Grant – Por isso sempre anda juntinho do amiguinho. Ficam revezando pra ver quem come o cu um do outro?
—Para com isso, Grant! – rosnou Póllux empurrando Grant. Grant o empurrou de volta e então todo mundo sacou as varinhas, sabendo o que iria acontecer. E Navi se desesperou ao notar o quão minoria eles eram. Sua irmã se aproximou dele e o olhou assustada.
—Vai. Solta o primeiro e começa, Burke. Defende a aberração que é o seu irmão. Aquele depravado. – riu Grant. Póllux avançou um passo e parecia disposto a comprar a briga, quando Draconis falou.
—Não. Póllux. Não faz isso. Por favor. – disse ele segurando o braço do irmão – Não precisa. Deixa pra lá.
—É. Deixa pra lá. – riu Grant com um sorrisinho – Mas eu quero ouvir você admitir. Porque eu não vou ficar com fama de mentiroso. Você e Goyle dormiram juntos, não foi? Seu viadinho?
Draconis olhou para Goyle, que suspirou parecendo vencido.
—Foi só uma vez. – confessou Draconis, corando absurdos. E Navi pode ver um monte de sorrisinhos cruéis e desdenhosos. Prim, Dido e Cerce olharam chocadas para Draconis, assim como Lyra. Albus e Scorpius se entreolharam, sem saber como reagir. Navi sentiu um frio na barriga. Aquilo tinha se tornado oficialmente público – Nós ficamos muito bêbados, com veneno de fada. Não estávamos pensando. – explicou ele.
Mas era mentira. Draconis não bebera veneno de fada e Goyle não bebia. Navi respirou fundo, torcendo para que ninguém desmentisse.
—Quem nunca fez uma merda com veneno de fada? – perguntou a namorada de Castor.
—Me poupe, Burke. – riu Grant – Eu observei você. Você não bebeu veneno de fada.
—Tava de olho no meu irmão, heim, Grant. – debochou Dido, se aproximando e cruzando os braços – Esse escândalo todo é porque queria que ele tivesse transado com você e não com Vince? É tudo ciúmes?
—Sinto te dizer que entre o cu peludo do seu irmão e o seu, Dido, eu prefiro o seu. – riu Grant. Mas isso foi o limite para Castor. Ele fechou o punho e socou a cara de Grant. Grant o atacou e então os feitiços começaram a voar. Os alunos do segundo ano, começaram a ajudar os do primeiro a fugir para os dormitórios.
Navi nunca esteve num duelo daqueles. Eram feitiços de todos os lados. Lyra o olhou assustada e ele a abraçou, a colocando entre ele e Draconis. Albus e Scorpius fecharam o círculo. Dido e Cerce logo tentaram vir para junto deles, mas Navi viu Cerce ser agarrada por Grant, que a lambeu na bochecha.
Draconis avançou até Grant e Navi viu o primo levar uma puta azaração no peito. Gritou o nome dele e estava para ir acudi-lo, quando alguém o acertou pelas costas e acabou desmaiando.
Acordou sentado nas escadas dos dormitórios, com as costas doendo muito. Scorpius quem o acordava com um feitiço e ele tinha um corte feio na sobrancelha.
—Onde está o Draconis? – perguntou Navi, se colocando de pé, ainda zonzo.
—Os alunos do sétimo ano pegaram ele. Eu não sei o que aconteceu. – disse Scorpius – Albus está desmaiado, Póllux e Castor também. Eu levei a Cerce, a Dido e a Prim para a Casa na Árvore. A sua irmã não quis ir. Ela foi atrás do Draconis. Eu não sei o que aconteceu com ela... Mas acho que ela se escondeu com a Lessa no banheiro feminino – Scorpius soltou um suspiro – As pessoas surtaram, Navi. Todo mundo pareceu ficar louco. Eu estou preocupado com o Drac e com o Vince...
Navi se levantou e sacou a varinha. Scorpius desceu com ele, pelas escadas do Salão Comunal... chegaram no dormitório do sétimo ano e abriram a porta. Drac e Vince estavam sentados no chão, com o rosto ensanguentado. Os dois estavam sem camisa, com as mãos amarradas atrás das costas. Conseguiu escutar o som do chuveiro e entendeu que os alunos estavam tomando banho.
Ele e Scorpius pegaram os dois e os arrastaram para fora. Os dois estavam desmaiados. Navi colocou o primo nas costas e Scorpius fez Vince flutuar. Saíram do salão comunal, escutando algumas lamúrias e gemidos de dor de quem ficou machucado. Engoliu em seco, preocupado com a irmã. Será que ela estava ferida?
Saíram do Salão Comunal e esconderam os dois numa masmorra qualquer. Depois começaram a curar as feridas deles. Vince acordou primeiro, assustado. Precisaram falar algumas palavras tranquilizadoras pra ele, ou ele começaria a gritar. Depois foi Draconis. Ele simplesmente abriu os olhos e respirou fundo.
—Tudo bem? – perguntou Navi. Draconis apenas concordou com a cabeça – O que eles fizeram com vocês? – perguntou preocupado. Draconis desceu da mesa e suspirou.
—Eu estou bem. E você, Vince?
—Eu vou sobreviver. – murmurou Vince – Não foi a primeira surra que eu levei na vida. Não vai ser a última também...
—O que eles fizeram com vocês?! – perguntou doente de preocupação. Draconis respirou fundo e o lábio dele tremeu.
—O que você acha que eles fizeram? – perguntou ele. Navi abriu a boca, em choque – Nós nunca mais vamos falar sobre isso. – rosnou Draconis – Nunca mais, ouviram?
—Draconis, vocês...
—Não. – disse Vince – Deixa isso pra lá. A gente não foi estuprado. – murmurou ele – Eles só... sacanearam a gente e nos bateram... muito.
—Precisamos fazer alguma coisa! – Insistiu Navi.
—Contra todos eles? – perguntou Draconis – Vamos comprar briga com metade das famílias puro sangue por conta disso? Não. Deixa pra lá.
—Não é metade das famílias! – ralhou Scorpius – São umas cinco, no máximo.
—Minerva não vai expulsar metade da Sonserina, Scorpius. E se a gente falar alguma coisa, vai ter retaliação. E não vai sobrar só pra mim e pro Vince. Eu tenho quatro irmãs. – Ele suspirou – Deixa isso pra lá. É como Vince falou. Não foi nossa primeira surra e certamente não vai ser a última.
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