Notas iniciais
Olá, amores! Vocês conseguiram! Vocês realmente conseguiram! 10 comentários! =D Vamos tentar manter esse número, ok? Eu amo comentários ♥ Muito bem! Aqui vai um capítulo feliz, engraçado e divertido (o final é triste, mas não precisa de lencinhos não... guardem pro próximo) Vamos explicar esse Banner? Da esquerda pra direita. Jacques Burke (quando novo), Dido Shafiq (quando nova), Emmeline Vance e........... A sra. Burke! Sim, porque hoje, parafraseando o Jacques Burke "Today, I'll tell you How I Met Your Mother." No caso... a mãe do Damian.. ahsuahsuasha Comentem! =D Prévia do próximo capítulo nas notas finais ^~

Capítulo 42

Estava um dia quente e ensolarado e ele estava de pé, de frente para o lago. Olhou para trás e viu o castelo onde estudou durante muitos anos. Depois olhou para frente, para o lago, onde as crianças brincavam. Subiam umas nas outras, gargalhavam e faziam algazarra.

Depois suspirou e olhou para os dois que estavam sentados ali na relva. Um garotinho de treze anos... quase quatorze. Ele estava sentado, mas não olhava o lago, olhava para uma garotinha tímida, de óculos, rechonchuda, que mal conseguia olhá-lo nos olhos. Sorriu olhando para a cena e viu o garoto passar o braço ao redor dos ombros da garota.

—Vamos ser sempre amigos. – disse o garoto – Você sempre vai ser a minha amiga mais especial e mais querida.

—Mas... só amiga? – perguntou ela – Não há nenhuma chance, nem umazinha, pequenininha, de você gostar de mim um dia?

O garoto sorriu gentilmente e soltou um suspiro.

—Eu não te vejo desse jeito. Você é a irmãzinha do meu melhor amigo. Seria tão esquisito. – explicou o garotinho. A menina baixou os olhos, tristemente.

—Eu entendo... afinal... o que eu poderia fazer pra prender a sua atenção, né? Você é um garoto inteligente, bonito, popular... e eu sou só a irmãzinha bobona, gorda, insegura e desgovernada do seu melhor amigo. – murmurou ela. Não parecia ser um drama. Ela só parecia estar aceitando para si a imagem que todos tinham dela – Talvez um dia você me ache interessante.

—Lena... você é interessante. Mas eu prefiro você como amiga, entende? – perguntou ele – Como amiga de verdade.

—Porque eu sou gorda?

—Você acha mesmo que eu sou o tipo de idiota que se importa só com as aparências. Esse tipo de idiota é loiro e atende pelo nome de Draco Malfoy. – riu o garoto e a menina sorriu – Não, Lena... eu só... só não te vejo desse jeito, entende? Você vai ser pra sempre só a minha amiga... eu acho.

—Acha?

—Acho... quem vê o futuro é você e não eu. – riu o garotinho antes de beijar a menina na testa.

Então tudo pareceu derreter e Damian se viu no quarto que pertencera a Alhena, quando ela ainda morava com os avós. Ela estava terminando de arrumar as malas e tinha um bonito uniforme azul de seda, pois ela iria mudar para a Beauxbatons. A pequena Alhena soltou um suspiro e pegou uma foto que tinha ele, Ras e Blair, sorridentes e crianças. Garotos inocentes e bobos, fazendo caretas para a foto e rindo disso.

—Um dia... um dia ele vai gostar muito de mim... eu vou ser uma pessoa interessante, Damian. Eu prometo... – ela abraçou a foto e suspirou – E então nós vamos ser felizes sendo mais do que amigos.

E tudo pareceu derreter. Estava na sua casa, mas ela não estava como ela era depois que ele se mudou com Alhena para a mansão principal, quando Órion nasceu. Era a casa de seu pai. Viu o garotinho de cabelos negros entrar correndo com o malão e parar de frente para o retrato da mãe.

—Oi, mamãe! Terminei o terceiro ano! – disse animado – E eu tive boas notas.

—Damian. – disse seu pai – O que está fazendo?

—Conversando com a minha mãe. – riu Damian – Papai... como você conheceu a mamãe? – perguntou o garotinho e Damian viu seu pai, ainda um homem jovem, sorrir feito bobo.

—Ah. Essa é uma ótima história.

—Então me conte. – riu Damian – Porque eu tive aquele negócio na barriga de que o senhor me falou!

—Não me diga. – riu seu pai – E com quem?

—Com a irmã do Rasalas. – riu Damian.

—E como sabe que é aquele negócio na barriga?

—Eu sei lá. Mas eu não quero que ela seja “a” garota da minha vida. – riu o garotinho pulando no sofá.

—E por que?

—Ah. Eu gosto das garotas de atitude, sabe? – perguntou o garoto – Daquelas firmes e cheias de confiança em si mesmas. Alhena é legalzinha, mas... mas ela é tímida demais e algumas vezes é meio irritante.

—Então por que sentiu aquele negócio na barriga? – perguntou seu pai se sentando ao seu lado.

—Sei lá. Só senti. Quando estávamos nos despedindo lá no lago. Mas me conta, papai. Como você conheceu a mamãe? Foi amor a primeira vista?

—Ah, não... – riu seu pai – É uma história um tanto longa. Tem certeza de que quer ouvir?

—Eu quero! Por favor! – riu Damian.

—Ok... vamos ver...

*

Sabe Damian... antes de me tornar o seu pai... há mais de vinte anos atrás... eu tinha uma vida completamente diferente da vida que levamos hoje...

Era 1 de Setembro de 1971 e... como você já sabe, era o dia de pegar o Expresso de Hogwarts. Era meu primeiro ano e eu estava nervoso pois eu precisava ir para Sonserina... e acredite ou não, por alguns momentos eu tive medo de que isso não acontecesse.

Eu era um garoto tímido, que queria estudar muito... e convenhamos que isso não é perfil para um aluno da Sonserina.

Na época eu não era esse homem de negócios, bem-sucedido, cheio de experiências estranhas, com amor pela caça. Eu era apenas um garotinho tímido, ingênuo, que não fazia ideia do quanto eu iria me dar bem com as garotas por eu ser lindo e rico.

Nossa, pai, você é um metido.

Realismo, Damian... realismo. Se você tivesse estudado em Hogwarts nos anos 70, você com certeza não teria reconhecido o seu velho.

E três coisas interessantes tinham acontecido naquela época.

A primeira, eu era o primeiro e único Burke ou Borgin a estudar na minha geração naquela escola. Então eu seria o principal e único representante da Borgin&Burke em Hogwarts em todo meu período escolar.

A segunda, o mundo trouxa estava entrando em uma onda meio esquisita, graças a um evento que eles chamavam de Woodstock e isso causou um monte de atitudes idiotas na maioria dos meus colegas de escola, inclusive nos da Sonserina.

A terceira, a guerra contra o Lorde das trevas estava começando a se formar, então as rixas entre puro sangues e qualquer um que não fosse puro sangue ficaram mais evidentes. As pessoas estavam mais conservadoras do que nunca, então tudo o que eu poderia querer era ficar longe de nascidos trouxas ou mestiços.

Afinal eu era e sou um Burke.

Mas apesar disso tudo eu estava bem confortável de que eu teria uma feliz vida escolar. Eu já conhecia três dos meus prováveis colegas de quarto, que já eram meus amigos antes de Hogwarts...

Então eu devo dizer uma coisa curiosa. Um dos culpados por eu ter conhecido a sua mãe, foi um desses meus amigos, que eu encontrei no trem.

—Rabastan!

—Jacques!

O que falar de Rabastan Lestrange além de que ele era...

Pera! Rabastan Lestrange? É o pai do Ras e da Lena!

Acostume-se Damian. Hogwarts é a maior suruba que você vai vivenciar na sua vida... literalmente no caso de Rabastan... mas eu estou fugindo do ponto.

O que eu poderia falar de Rabastan, além dele ser um completo retardado, que só sabia falar do quanto o irmão dele era incrível e do quanto que ele queria conhecer o Lorde das Trevas. Não me admira que ele foi pra Azkaban... ele e o outro garoto que eu encontrei naquele trem, minutos depois.

—Theo!

—Fala, Jack.

O que falar sobre Theo Nott? Ele era um idiota.

Pai, você só teve amigos idiotas?

Outra coisa que você vai se dar conta um dia... todos são idiotas em Hogwarts. E é por isso que aquela escola é maravilhosa. Eu provavelmente era um idiota também... e eu seria o pior deles... bem... talvez não, afinal eu fui o único que não fui preso... sim, Amycus Carrow também foi preso, aquele grande imbecil.

Bem. Tem duas coisas que você precisa saber. A primeira. Theo era um garoto esquisito viciado em mulheres desde o primeiro ano. Ele deve ter batido a cabeça com força quando ele era pequeno, eu não sei. Mas eu sei que ele era viciado em garotas e adorava ficar reparando nelas. Foi quando ele apontou pra uma particularmente importante.

Na mamãe?

Não. Em Evelyn Zamora.

Quem?

Evelyn Zamora. A mulher mais bonita que eu já vi na vida.

Ela te apresentou a mamãe?

Não. Ela provavelmente nunca nem viu a sua mãe.

Então por que...?

Cale a boca e escute a história, ok? Bem. Lá estava, Evelyn Zamora. Aquele monumento de mulher em forma de pecado. Mas na época ela era apenas uma garota bonita. Mas não era a abelha rainha da Sonserina.

Ela estava no terceiro ano e entrou na nossa cabine, chorando. Eu, Rabastan e Theo a olhamos completamente confusos, quando a cabine abriu de novo e então...

A mamãe entrou?

Não. Allan Corey.

Quem é Allan Corey?

Não interessa, na verdade...

—Eve, você está bem?

—Eu odeio aquela garota, Allan! Odeio! Mas ela vai ver só. Eu vou destruir aquela vaca um dia. E a Sonserina nunca mais vai perder o campeonato de líderes de torcida.

—Eve. Você nem é do time.

—Mas eu vou ser, esse ano. E um dia eu vou ser a melhor de todas. Um dia eu vou reinar nesse castelo, Allan! Eu te juro isso.

E então eles nos olharam.

—Hum... olá, calouros. – riu Corey – Quem são vocês?

—Rabastan Lestrange.

E então Zamora sorriu.

—Você é o irmãozinho do Rodolfo? – perguntou ela – Você me faz um favor?

—Claro.

—Diz pra sua cunhada que Rookwood está se agarrando com Fulaninha de Tal?

Aquela informação não significou nada pra mim, então eu dei de ombros. Mas Rabastan ficou chocado e se levantou correndo.

—Você é má, Eve. – disse Corey.

—Eu vou ser a pior. – disse ela num rosnado, antes de sair.

E nada aconteceu de importante, além disso, durante aquele ano.

Sério?!

É. Mas então, um dia, durante o verão, eu, Theo, Rabastan e nosso novo amigo, Severus Snape...

O professor?

Sim, aquele idiota. Nós estávamos tomando um sorvete quando Rabastan disse uma coisa extremamente importante.

—Eu odeio Sirius Black. – Rabastan podia ser um idiota, mas ele falava algumas sábias verdades. Anos depois eu descobriria que eu também odiaria Sirius Black. – Mas eu tenho que admitir... a prima dele é muito linda. – E essa é outra verdade. Adhara Black era, sem dúvidas, a garota mais bonita do nosso ano... e uma das mais bonitas se levássemos em conta os outros anos também – Você é amigo dela, não é, Sev? – perguntou Rabastan, fazendo Snape dar de ombros – Ela já falou de mim?

—Ela disse que você é um idiota.

E ela tinha razão, porque Rabastan era mesmo. E sabe o por que? Porque Rabastan passou o resto do ano assim.

—Céus... ela é tão bonita.

—Eu não acredito que ela também foi para a Grifinória.

—Eu totalmente daria uns beijos nela.

—Adhara Black? Top um do nosso ano. Ela é linda demais.

—Eu vou chamar ela pra sair um dia desses. A gente poderia dar uma volta no lago, sabe?

E então, depois dos exames finais do segundo ano ele deixou de sonhar acordado e finalmente puxou papo com a garota. Um ano para reparar nela, mais um ano para tomar coragem para falar com ela... e acredite ou não, Rabastan foi uma das pessoas mais corajosas que eu conheci.

Não “A” mais... esse título certamente é da sua mãe... mas ele foi uma das mais corajosas.

Mas encarar Adhara Black não era pra qualquer um.

E depois que ele finalmente falou com ela e nos encontrou pomposo, ele falou.

—Eu ainda vou namorar aquela garota. – riu ele.

—Então toma postura e pede logo ela em namoro! – ralhou Theo. Engraçado, porque ele era completamente obcecado por uma Grifinória, mas demorou anos pra realmente ter algo com ela...

—Calma. Preciso ir com calma. Tenho que fazer tudo direito! – riu Rabastan. – Eu estou pronto pra namorar!

Sabe, filho, quando um dos seus melhores amigos diz que está pronto para namorar, isso faz você pensar. Nós já tínhamos discutido sobre namorar antes e todos nós concordamos que não namoraríamos ninguém antes do quinto ano. E eu pretendia seguir esse plano...

Mas Rabastan encontrou o primeiro amor da vida dele. Aquela paixão dele durou séculos e só acabou de vez quando ele encontrou o verdadeiro amor da vida dele... quem diria... mas é como eu disse.

Quando um dos seus melhores amigos começa a cogitar namorar alguém. Você começa a cogitar também. E eu estava me perguntando... será que quando chegasse o momento eu iria pensar: Ok! Estou pronto! Onde está a garota perfeita?

E lá estava ela... a garota perfeita.

Mamãe?

Fique quieto!

Bem... lá estava ela. Ao lado de Adhara... parecia até um retrato. Rindo em câmera lenta. Simplesmente linda... parecia até coisa daqueles contos bobos que sua tia contava para sua prima Helena. Em que o bruxo vê a dama do outro lado do salão de dança... e diz para o amigo: Ei, está vendo aquela garota? Um dia eu vou casar com ela...

Claro, na época eu não queria casar com ela. Eu só queria saber o nome dela... pra começar. Então fiquei olhando para ela, que nem um idiota, porque eu te expliquei que todos nós éramos idiotas... mas ela não me viu e não me olhou... e eu fiquei igual ao Rabastan... Meses até ter coragem pra falar com ela...

E eu demorei mais do que meses até conseguir falar com ela... Já estava no terceiro ano, perto do dia dos namorados.

Eu e Rabastan estávamos seguindo Adhara Black, porque Rabastan era um pervertido tarado. Apesar de ter perdido a virgindade depois de mim... isso não vem ao caso...

Bem, nós estávamos seguindo Adhara, até que conseguimos fingir que as tínhamos encontrado aleatoriamente. Mas, para nossa sorte ou azar elas estavam completamente...

Completamente...

Completamente...

O que, papai?

Sabe, filho... nos anos 70, muitas coisas eram aceitáveis, coisas que não continuaram aceitáveis depois de um tempo... e elas tinham feito uma dessas coisas.

O que?

Elas tinham... bem... vamos dizer que elas tinham comido um brownie. Não apenas um brownie... elas tinham comido todos os Brownies possíveis. E quando você come muitos brownies...

Dá dor de barriga.

É... isso... e você fica rindo feito idiota, agindo de maneira que você não agiria normalmente... e como eu disse, elas tinham comido MUUUUITOS brownies...

—Rabastan! – disse Addie, que era o apelido de Adhara. Ela se atirou nos braços dele e ele aproveitou pra segurá-la pela cintura... porque Rabastan podia ser um idiota... mas ele não era o tipo de idiota que perdia uma oportunidade boa para se agarrar com uma garota bonita... – Meninas. Venham dar “oi” pro Rabs.

—Tá chapada, Addie? – perguntou Rabastan.

Pai, o que é chapada?

É o nome que damos quando você come brownies demais.

—Todas nós estamos. – disse Crazy Eyes.

Agora, deixe-me dizer uma coisa sobre Crazy Eyes. Ela era uma garotinha mirradinha, boba e meiguinha, do tipo que não se conhece mais de uma vez na vida. Ela era uma pessoa fantástica e eu gostava muito dela.

Crazy Eyes era a mamãe?

Fique quieto, Damian. Eu vou chegar lá.

Ok...

Bem. Crazy Eyes tinha esse apelido porque ela conseguia girar a íris do olho. Era uma coisa incrível, mas eu ainda não sabia disso...

—Quero ir lá fora! Ver borboletas... – e ela tinha comido tantos brownies, que encostou na parede e foi deslizando para o chão, desmaiando.

—Pega a Mary. – disse Adhara para a amiga dela. A amiga por quem eu tinha uma absurda queda.

A mamãe?

—Pega você. – respondeu aquela garota. Eu estava bobo olhando pra ela... aqueles olhos... nunca vou esquecer os olhos dela... – Tá tão quente aqui, não acham? – E então ela começou a abrir um pouco a blusa do uniforme e parte do sutiã vermelho dela ficou aparecendo...

—Amiga, para com isso. – riu Addie se enroscando em Rabastan.

—Quem é essa? – perguntei, me fazendo de inocente... como se eu não soubesse quem era. Uma dica, filho. Se você quer que uma garota goste de você, não pode parecer tão interessado. Mas quando ela finalmente morder a isca, a fisgue direito e a trate muito bem... mas não a deixe te fazer de otário... porque as mulheres fazem isso quando nós permitimos...

—Essa é a amiga da Addie, Emmeline. – respondeu Rabastan.

Oi?! Emmeline?! Quem raios é Emmeline? Achei que você ia me falar como conheceu a mamãe!

Eu vou. Mas eu disse que era uma história grande, não disse?

Emmeline Vance. Ela era a melhor amiga de Adhara Black e era uma verdadeira beldade. Linda, risonha, carismática, com uma auto confiança de arrasar... ou ao menos era o que ela demonstrava ser. A verdade era um pouco diferente disso. Mas eu não a conhecia. Eu não tinha como saber.

—Prazer, sou Jacques Burke. – disse flertando com ela, peguei a mão dela e a beijei a olhando nos olhos. Ela sorriu pra mim, me achando galanteador.

—Emmeline Vance. O prazer é todo meu.

—Quer ir comigo ao passeio a Hosgmeade? – perguntei indo direto ao assunto. Afinal eu já tinha esperado demais pra falar com ela e eu estava nervoso. Como eu já disse... eu era um idiota – Sem querer te desrespeitar, é claro.

—Que gentil. Ele é um cavalheiro. – sussurrou Addie para Rabastan, que concordou com um aceno desdenhoso.

—Eu... aceito... – e eu notei com estranheza que as amigas dela ficaram surpresas... eu deveria ter visto o desastre que seria aquilo...

—E Sirius? – perguntou Adhara.

Pois bem? Você lembra de Sirius Black? Deixe eu te falar sobre Sirius Black.

Sirius Black era o garoto mais disputado e galinha do nosso ano. Ele pegava todo mundo. Todo mundo mesmo. E naquela época ele era um aprendiz a destruidor de corações. Naquele tempo ele brincava principalmente com dois corações.

Marlene McKinnon, que era uma garota insuportável, que fazia de tudo por uma chance de sentar no colo daquele garoto sem valor.

E Emmeline Vance. Que era basicamente como McKinnon, mas sem ser chata. Emmeline era super divertida, risonha e maravilhosa... pelo menos na maior parte do tempo.

E então eu comecei a namorar essa garota... Emmeline Vance. Eu estava todo cheio de mim por ter arrumado uma namorada. E... bem... namorar naquele tempo era um tanto diferente de namorar agora...

Ou pelo menos eu achava que era.

Eu achava que era uma situação muito simples. Eu deveria fazer como tinha sido o caso do meu pai. Eu dava um presente para ela, ela sorria e me dava o que eu quisesse... na época era uns beijos e sorrisos doces, além de andarmos de mãos dadas.

Mas principalmente, eu queria que ela fosse uma corça mansa. Uma linda corça, e principalmente, calada.

Porque, na época do meu pai isso era sinônimo de boa moça.

E por algum tempo Emmeline foi isso. E era uma loucura... porque ela era meio louca quando éramos só nós dois... mas completamente santinha em público...

Como assim, louca? Ser louca não é ruim?

Existem dois tipos de louca... louca tipo a sua avó Gertrudes... que realmente é ruim... e o louca tipo Emmeline Vance. Você vai ter alguém assim na sua vida, filho... e você vai adorar... até você ficar sem fluídos, machucar o quadril e ela começar a se tornar louca tipo Helena Shafiq...

Quem é essa?

Chegaremos lá.

Muito bem. Eu estava namorando Emmeline. Mas não estava apaixonado por ela. Sabe, filho... essa história de amor a primeira vista não existe. Você só se apaixona por alguém depois de conhecê-la. E a verdade era que eu não conhecia Emmeline. Se eu a conhecesse, eu saberia que ela só estava me usando para fazer ciúmes no babaca do Sirius Black. Mas eu não teria ligado, já que ela me agradava de uma maneira muito... hum... digamos... adulta.

Ela transava com você?

Não. Não. Mas nós tínhamos uns beijos muito adultos. Você vai entender um dia.

Só que... por algum motivo, Emmeline cansou do nosso relacionamento de aparências e terminou comigo. Ela me entregou todos os presentes que eu tinha comprado pra ela em uma enorme caixa e disse pra mim que era lésbica e que estava apaixonada pela Adhara Black.

—Uou. E isso é verdade? – perguntou Rabastan.

—Oh, meus banhos demorados... – riu Theo.

Sabe, Damian... existe um ditado que diz que só damos valor ao que temos, quando perdemos... isso é verdade. Eu me apaixonei de verdade por Emmeline no dia em que ela terminou comigo. Ela me xingou.

—Seu machista, escroto do caralho. Acha que pode me obrigar a ser submissa a você só porque você me dá presentes caros, pra me deixar sem jeito?

Ela jogou coisas na minha cara.

—Você é só um moleque mimado e egoísta, que só pensa em si mesmo! E tem mais! Você apoia aquele lunático nojento, Você-Sabe-Quem.

E isso era verdade. Eu o achava incrível, afinal, todos os garotos do meu ano o cultuavam como um herói. Então eu acabei acreditando nisso... mas Emmeline... Emmeline abriu meus olhos.

—E ele caça gente mestiça e nascida trouxa e aqui vai uma novidade pra você, Burke! EU SOU UMA MESTIÇA! Minha mãe é uma trouxa e a gente é pobre e fodido. A gente não tem onde cair morto. Mas apesar disso ela me criou do melhor jeito que pode e me ensinou que eu nunca na vida vou precisar de um homem pra sobreviver. Principalmente de um que fica fazendo piadinhas sobre meu sangue, sobre meus amigos e que acha que pode lapidar meu comportamento com presentes caros!

E principalmente, ela me ofendeu.

—Você é um cretino e o Sirius, mesmo sendo um babaca, é muito mais homem que você. Você não passa de um moleque. Passar bem.

—Emms...

—E eu estou interessada em garotas agora. Vou me pegar loucamente com a Addie, porque ela quem me ama de verdade. Não fale mais comigo. Machista.

Filho. Quando uma mulher, principalmente se for a sua namorada, esposa ou mãe, te acusa de alguma coisa... a primeira coisa que você faz é falar com seus melhores amigos, para escutá-los falar que você não é nada disso.

Mas a única coisa que eu escutei foi:

—Ela é mestiça?! – perguntaram Rabastan, Theo e Aminco... não pergunte quem era Aminco. Ele não é importante.

—Sério. É só isso que vocês escutaram? – perguntei sem humor.

—É só isso que importa. – ralhou Theo – Você é o varão da sua família. Você tem a obrigação de casar com uma puro sangue. E Vance não é apropriada pra você.

E eu fiquei me perguntando se aquilo era realmente tão idiota quanto aparentava. Só durante depois do jantar, quando eu dei uma espiada na mesa da Grifinória, para ver Emmeline e Addie conversarem aos sussurros, que eu escutei o que precisava escutar.

—Sim. Você é um machista, Jacques.

—Sev?

—E se você acha que uma garota como Emmeline vai concordar em ser seu bonito chaveirinho... você é muito tolo.

Algumas vezes os seus amigos não são aqueles que te consolam quando você quer ser consolado, mas aqueles que te chamam de idiota e te socam no estômago. Porque garotos fazem isso.

Eu passei a noite inteira pensando nisso e no dia seguinte eu tive concordar que eu não gostava do Lorde das Trevas e que eu tinha sido realmente machista. Me dei conta, que apesar de apreciar Emmeline, eu nunca tinha me dado ao trabalho de conhecê-la de verdade... então eu tomei uma decisão. Eu iria reconquistá-la.

E eu tive a minha chance numa festa que eu fui, meses depois... a festa a fantasia trouxa de Adhara Black. Lá eu beijei Emmeline e perguntei se ela queria tentar de novo... mas daquela vez seria um namoro de verdade.

E ela me deu a resposta no dia 1 de Setembro, quando estávamos indo para o meu quarto ano.

E foi nesse ano, que eu conheci a sua mãe.

Sério?

Sério. Eu só não liguei pra ela. Ela dançou pra mim por algum motivo, mas eu só tinha olhos para Emmeline...

Eu estava namorando a garota dos meus sonhos. Ou ao menos era o que eu pensava.

Eu me dediquei de verdade a Emmeline. Eu fui carinhoso. Eu a ajudei com as matérias. Eu fiquei amigo dos amigos dela... e isso foi de extrema importância... porque isso me fez conhecer... Frank Longbottom.

E quem é esse?

Ele era um dos líderes de torcida. Sim, naquela época nós tínhamos isso... e Frank Longbottom se tornou meu amigo, sabe. Ele era uma boa pessoa.

Mas voltando a Emmeline... eu estaria mentindo se falasse que só eu me dediquei a ela. Nós tivemos altos e baixos, como em qualquer relacionamento, mas eu vi Emmeline se esforçar pra fazer aquilo dar certo. Ela não gostava de mim no início, não como eu gostava dela... mas isso foi mudando com o tempo.

E então... no meu aniversário ela me disse a frase que eu tanto queria ouvir.

—Eu também te amo, Jack.

Mas todos me avisaram...

—Ela não gosta de você. Ela é louca pra tirar as cuecas do Black.

—Ela só está te usando.

—Vance não é pra casar.

—Ela não gosta de você, Burke. Ela até tenta gostar, mas...

—Termina com a Vance, Jacques...

E acredite... uma dessas frases, foi sua mãe que me disse...

Mas voltando a Frank Longbottom...

Eu já estava no meu quarto ano. Estava para completar seis meses de namoro, quando Frank me perguntou o que eu iria fazer para Emmeline.

—Eu vou apresentá-la para meu pai. – disse animado.

—Cara... não faz isso... – disse Frank.

—Por que, não?

Por que não? Eu tinha que perguntar.

—Eu não posso contar... mas... mas não faz isso. – disse Frank como se sentisse muito, antes de sair correndo feito um doido. Frank podia ser um cara estranho algumas vezes, mas ele foi a melhor pessoa que eu conheci na vida...

Depois da sua mãe, é claro.

Então eu recebi a resposta depois. Eu não vou explicar como foi, filho. Porque dói meu ego até hoje... mas o importante é que ela me traiu, sabe? E aquilo doeu mais do que eu poderia acreditar... e eu fiquei na fossa durante um bom tempo, até eu conhecer...

A mamãe?

Não. Uma inimiga dela.

Merlin!

Sim, uma inimiga dela.

Eu já a conhecia, na verdade. Mas nunca tínhamos realmente conversado, afinal ela era mais velha que eu. Mas então, certo dia nós conversamos... Não exatamente “conversamos”... eu estava na fossa, no início do meu quinto ano, quando Helena Shafiq apareceu.

—Jacques Burke?

—Sim?

Como definir Helena Shafiq? Ela era linda e má. Muito má. Ela era a pessoa mais perversa daquela escola. Mas ela era linda demais e céus o que ela sabia fazer com os... hum...

—Então, fiquei sabendo que você está super triste com seu término com Vaca Vance... se você quiser um pouco de consolo eu posso... posso... – hum como eu posso te dizer isso? Ela me levou para um armário de vassouras e nós... bem... jogamos muito xadrez lá dentro.

Você transou com ela num armário de vassouras?!

A tarde inteira. E foi assim que eu comecei a namorar Helena Shafiq.

Ela era uma das garotinhas mais populares da escola e ela odiava Emmeline e as amigas dela... e a recíproca era verdadeira. Mas então... lembra o que eu disse sobre as malucas? O tipo bom e o tipo ruim?

Helena certamente era uma maluca do tipo ruim.

Mas antes de falar sobre o tipo ruim dela, deixe-me primeiro falar sobre Emily Valentine.

Ei! É a mãe do Ras!

Sim, eu conheci Emily Valentine na época da escola. Emily Valentine era um dos melhores partidos do meu ano, perdendo apenas para Adhara Black. Ela era uma garota bonita, apesar de não ser estonteante. Tímida, comportada, bem nascida, calada, boazinha. Nem parecia que ela era amiga daquele grupinho confusão da Grifinória.

E ela era a garota dos sonhos de Theo Nott. Ele tentou tantas vezes dar uns beijos nela que era até chato. Mas o engraçado era que todo mundo sabia quem ela era. Ela foi amaldiçoada uma vez, Theo falava dela a todo momento, eu salvei a vida dela de um colar amaldiçoado que mandaram pra ela no quarto ano, ela era amiga do primeiro amor de Rabastan – que não deu certo, por sinal.

Papai, por que você simplesmente não conta como...

Você disse que ia ouvir. Muito bem... hum...

Mas o engraçado era que, apesar de todo mundo saber exatamente quem era Emily Valentine, Rabastan estava tão cego de paixão por Adhara Black, que nunca parou para reparar em Emily Valentine... até o primeiro dia do nosso quinto ano.

Os pais da pequena Valentine foram brutalmente assassinados e foi ela quem achou os corpos... acho que ela enlouqueceu, porque aquela boa menina simplesmente desapareceu. Ela pintou os cabelos, começou a usar uns penteados esquisitos e a se vestir como uma va.... hum... uma menina nada comportada.

E quando tinha alguma festa era impossível não olhar para ela, porque ela sabia se mover de um jeito que deixava qualquer um besta. E Rabastan deu um beijo nela no quinto ano.

Mas no sexto aconteceu algo entre eles que deixou Rabastan simplesmente maluco.

Eu estava namorando uma maluca. E logo Rabastan também estava. E foi ai que eu conheci a sua mãe.

Porque, você sabe, Sonserina e Grifinória eram rivais em tudo. E depois que Eve deixou o manto para Helena, quando se formou, Helena ficou neurótica querendo ganhar. E eu fiquei meio assustado com ela. Ela ficou louca, completamente louca.

Mas as loucuras dela não me faziam feliz.

—Ela me deixa maluco! – dissemos eu e Rabastan um dia, ao mesmo tempo. Aminco, Sev e Theo nos olharam e eu bufei.

—Helena é completamente louca!

—Emily também é. – riu Rabastan.

—Eu tenho vontade de bater nela.

—Eu totalmente dou uns tapinhas nela... mas ela gosta. – riu Rabastan com um sorriso bobo.

—Eu odeio essa mulher.

—Eu vou pedi-la em casamento. – riu Rabastan.

E todos nós o olhamos em choque.

—É o que? – perguntou Theo.

—Está brincando, não é? – perguntou Sev – Aquela garota é vulgar, Rabastan e não tem nada na cabeça! – ralhou ele.

—Eu sei... mas algum de vocês já me viu sorrir assim? – perguntou ele. Não. Nunca tinha visto Rabastan tão feliz. Normalmente ele era meio carrancudo, que nem eu, graças às desventuras amorosas que teve... mas Valentine arrumou a cara dele por um bom tempo – Se case com quem te faz sorrir, Jacques. Não com quem faz da sua vida um inferno. Eu sou noivo da Katherine Greengrass... mas eu te garanto que não vou me casar com ela.

Ah, sim. Eu esqueci de falar. Eu estava noivo de Helena Shafiq.

Sabe, Damian. Eu acho que as coisas acontecem por um motivo. Eu fiquei amigo de Rabastan, mesmo depois de todos aqueles anos o achando um idiota. Mesmo que a gente pensasse muito diferente um do outro. Mesmo que eu achasse que ele passasse do limite em muitas coisas... mas é como eu te disse no início. Rabastan podia ser um idiota, mas ele falava algumas sábias verdades. E aquela era uma delas.

E naquele dia em particular, Helena estava querendo fazer da minha vida um inferno. Então eu me escondi dela no campo de quadribol, porque você sabe... eu sempre fui um desastre no quadribol e eu imaginei que ali seria o último lugar que ela iria me encontrar.

—Ei, o que está fazendo aqui?

E foi assim que eu conheci a goleira da Grifinória. Tatiana Corecha. Ela estava de uniforme de treino, meio suada, com os cabelos bagunçados e tudo o mais. Eu estava no final do meu sexto ano quando eu conheci a sua mãe.

Eu já a tinha visto várias vezes, apesar de nunca ter falado com ela. Ela era uma pupila de Emmeline e Addie no time das líderes de torcida e era a nova goleira da Grifinória também. Então eu sabia mais ou menos quem ela era.

—Eu estou fugindo da minha namorada. – respondi emburrado – E você? O treino já acabou faz tempo.

—Eu sei, mas Sirius e Emmeline estão no vestiário então... eu preciso esperar uns minutos para entrar, sabe como é. – riu ela se sentando ao meu lado – Por que está se escondendo da sua namorada?

—Porque ela é maluca. – eu fingi que não me importei por Emmeline estar novamente se esfregando com Black, mas sua mãe pareceu saber a verdade. Ela ficou em pé na minha frente e sorriu pra mim.

—Ei, você sabia que existe uma ilha no meio do lago? – perguntou ela brincando com a própria vassoura. A olhei sem entender e neguei com a cabeça. – Quer ir ver?

—Por que eu faria isso?

—Qual o melhor lugar pra se esconder de alguém, do que numa ilha deserta? – perguntou ela.

—E o que impediria você de me deixar lá pra morrer de fome? – perguntei desconfiado, porque naqueles dias apenas Corey era um Sonserino querido pelos Grifinória. A rixa entre as duas casas estava pior do que nunca, sabe? Mesmo que Rabastan estivesse com Emily, eles simplesmente não podiam namorar no meio dos próprios amigos. Precisavam sair e se esconder num canto. Eram tempos diferentes... ou não tão diferentes assim... eu não sei dizer.

—Por que eu iria querer me livrar de um dos poucos puro sangue da Sonserina que não odeia a Grifinória... por mais que tivesse motivos pra isso?

—E quem garante que eu não odeio a Grifinória? – perguntei franzindo a testa. Eu nunca mais tinha conversado com alguém da Grifinória que não fosse Adhara e Emily, por motivos de namorarem meus amigos.

Mas sua mãe... ela simplesmente sabia. Ela se curvou na minha frente e me olhou nos olhos... aqueles olhos que você puxou, diga-se de passagem...

—Eu só sei. – riu ela apertando minhas bochechas – Vamos? Vai ser divertido. Voar sempre me deixa mais tranquila.

—Eu... eu meio que tenho medo de altura. – resmunguei. E não era mentira. Eu tinha mesmo.

Então sua mãe montou na vassoura e me olhou com aquele sorriso dela, que sempre me convencia a fazer qualquer coisa.

—Eu te protejo. Vem.

—Eu não tenho coragem pra isso.

—Pois eu tenho coragem por nós dois. – riu ela – Vem logo, Burke.

Aquele foi o momento especial, Damian. Quando eu senti aquele negócio estranho na barriga. Eu soube, naquele momento, que aquela garota com quem eu nunca tinha trocado mais do que meia dúzia de frases seria alguém importante pra mim. Então eu subi na vassoura, porque eu soube que eu não poderia deixá-la ir sem mim.

E apesar de Helena ser um inferno particular na minha vida, eu nunca cogitei traí-la. Mas quando eu me deitei na areia daquela ilha ao lado da sua mãe, a única coisa que eu pensava era no quanto eu queria terminar com Helena. Ah, nós não nos beijamos. Eu sempre fui muito fiel. Nós apenas conversamos bastante...

Mas eu pensei que não era nada sério. Eu achei que era só porque ela tinha sido gentil e porque ela era bonita... mas... mas com o tempo eu descobri o quão doce a vida poderia ser. Então eu segui o conselho de Rabastan e terminei com Helena.

E quando voltei pra casa, eu disse pro meu pai que eu jamais casaria com Helena Shafiq, porque ela era uma vaca sem valor. Eu sabia muito bem, nunca fui trouxa com ela.

E quando voltei pra escola...

—Ei, Rabastan... – murmurei em uma das reuniões do Slug. Eu vi sua mãe entrar na sala, como que em velocidade reduzida, num esplendoroso vestido vermelho sangue. Os cabelos soltos, caindo compridos pelas costas dela. E aqueles olhos... céus. Como eu sinto falta dos olhos dela...

—O que? – perguntou ele me olhando. Ele notou que eu estava encarando alguém e procurou a pessoa com o olhar. Tatiana nos viu e sorriu... aquele sorriso todo dela.

—Está vendo aquela garota? – perguntei.

—Uhum.

Sua mãe veio andando até mim e eu sorri pra ela.

—Um dia eu vou casar com ela...

—Um dia eu caso com a Emily e nossos filhos vão ser amigos. – riu Rabastan.

—Isso seria legal. – murmurei.

E foi assim que eu conheci a sua mãe... mas sabe o motivo de eu ter te contado toda essa história?

Porque você gosta de tagarelar?

Não, seu ingrato. Pra te dar o melhor dos conselhos, Damian.

Qual? Fugir das loucas ruins?

Pode-se dizer que sim... mas... sabe. Você disse que não quer que a sua amiguinha seja a garota da sua vida... mas... por que não? Porque ela não é a menina mais bonita e desinibida do ano? Por que ela é insegura e tímida demais?

Eu não queria que a sua mãe fosse a mulher da minha vida quando eu a vi no campo de quadribol. Ela era uma garota mais nova, da Grifinória, que não estava no diretório, por mais que fosse sim uma puro sangue...

Mas nós não controlamos isso... e quando sentimos a mágica que há em nós nos dizer que aquela pessoa é importante pra você... você simplesmente não ignora isso... não deixe a vida tirar as pessoas importantes de você antes que você tenha a oportunidade de conhecê-las de verdade... não tenha medo do destino, Damian... quando você é uma boa pessoa... ele sempre te ajuda a fazer as escolhas certas...

**

“E foi por isso que eu beijei Alhena naquele dia...”

—Pansy. Me acoberta por um tempo? – perguntou desesperado. Nem sabia o motivo de estar tão desesperado. Mas a urgência na sua voz foi tanta que Pansy nem mesmo riu de sua cara.

—Em que?

—Eu... eu quero... não... – engoliu em seco – Eu preciso falar com a Lena um momento... só eu e ela.

E Pansy sorriu feliz. Ela não era de sorrir daquele jeito, simplesmente feliz por alguém, mas daquela vez ela sorriu.

—Pode deixar. – ela olhou por cima do ombro e mirou Rasalas, que estava sentado, de braços cruzados e olhos fechados, num sofá – Draco.

Draco a olhou curioso e se aproximou.

—O que?

—Muito importante. Me encontra daqui cinco minutos perto daquele urso ornitorrinco empalhado.

—Hum... ok... – murmurou ele. Ele olhou dela para Damian e franziu a testa – Mas... por que?

—Só faz isso, ok?

—Ok...

—Vem, fofo. – riu Pansy o puxando pelo braço. Saíram do quarto e viram Daphne e Emília conversando com Lena. Sentiu aquela vertigem estranha no estômago e engoliu em seco. – Ok, meninas. Damian quer conversar com a Alhena um pouquinho. Vamos dar privacidade, ok? – pediu Pansy.

Viu Alhena corar com violência a medida que suas amigas voltavam aos sorrisinhos para dentro do escritório. Damian soltou um suspiro e se aproximou lentamente.

—É sério mesmo... esse lance de Beauxbatons? – perguntou ele.

—É. – murmurou Alhena se abraçando. Damian soltou outro suspiro e se aproximou mais um pouco para abraçá-la com força.

—Eu vou sentir sua falta. – murmurou ele. E se impressionou com a verdade daquelas palavras. Seu coração acelerou ao abraçá-la daquele jeito e de alguma maneira soube que ainda a abraçaria muitas vezes daquele jeito...

—Eu também. – murmurou ela timidamente o abraçando de volta e se acolhendo nele. Sorriu gostando do toque dela e do perfume dela. Alhena era muito sua amiga. Não tanto quanto Rasalas, claro, mas mesmo assim era alguém realmente importante.

A abraçou ainda mais apertado e a beijou no rosto, com carinho, sem querer que ela fosse embora. A sentiu tremer em seus braços e sorriu ao passear o nariz pela pele dela, desenhando um caminho da bochecha até a orelha.

Tinha que tomar uma decisão. E seria naquele momento. Respirou fundo e a empurrou contra a parede, muito lentamente, como que pedindo permissão. Mas ela se deixou levar e o olhou em choque, como se não estivesse acreditando naquilo.

A olhou nos olhos, achando-os muito bonitos, naquele tom verde e dourado que eles tinham.

—Você sempre corava quando olha pra mim. – riu olhando para ela. Das bochechas rosadas para os lábios carnudos e rosados. Ela tinha uma boca muito bonita e bem desenhada. A tocou na cintura com uma mão. Com a outra a acariciou no rosto. Ela era bonita, a Lena. Mesmo que não fosse linda, absolutamente linda, como Daphne. E nem tinha a presença, carisma e confiança de Pansy. Mas ela era bonitinha daquele jeitinho tímido dela... com o polegar, a acariciou no queixo, mirando os lábios carnudos, se perguntando se teria coragem para fazer aquilo mesmo – Eu achava meio bobo... – adicionou ele. Ela baixou os olhos, envergonhada – Mas quando você parou de corar... quando ficou me tratando igual aos outros... eu vi que... que eu realmente gostava... de ser especial. E então eu notei que... que você é especial. – riu ele.

—Você certamente é... especial... – sussurrou ela o olhando nos olhos. Damian sorriu devolvendo o olhar, sentindo um frio lhe subir a espinha quando os olhos verdes dela o olharam daquele jeito.

—Se cuida em Beauxbatons, ok?

—Ok... – murmurou ela enquanto ele simplesmente não conseguia evitar de se aproximar... sem saber que passaria o resto da vida desejando aquilo... aproximar-se mais e mais... se afogar nela.

—Não deixe que ninguém implique com você. – adicionou ele preocupado.

—Não vou...

—Me promete? – perguntou ele. Ela concordou com a cabeça – Eu... – ele engoliu seco, nervoso – Eu vou fazer algo idiota agora. – disse ele.

—Idiota? – perguntou ela.

—É... eu... eu meio que vou... – ele suspirou – Existe um certo códigos dos melhores amigos... e eu vou quebrar uma regra. – explicou ele sorrindo, pensando no Bro Code.

—Que regra? – perguntou ela enquanto ele a prensava contra a parede.

—Nunca beijar... – ele sussurrou se aproximando mais. Seus lábios roçaram um no outro e Alhena fechou os olhos, assim como ele – A irmã do melhor amigo...

Escorregou a mão do queixo dela para a nuca, para puxá-la lentamente. Os lábios dele a tocaram delicadamente e ele suspirou surpreso por realmente estar desejando, e muito, aquilo. Alhena simplesmente se entregou, como se ele nunca tivesse dado um fora nela na borda do lago.

Ela o segurou pelas vestes e o puxou mais para perto. A mordiscou de leve naqueles lábios deliciosos e suspirou completamente envolvido por ela. Podia sentir aquele negócio no estômago e estremeceu quando ela escorregou suas mãos por suas costelas para em seguida abraçá-lo. Damian a puxou mais para si e ela não relutou em se deixar levar.

E então soube, de uma vez por todas... que ela era mesmo a garota de sua vida.

***

Abriu os olhos. Estava tudo escuro. Escuro demais para enxergar alguma coisa. Respirou fundo e se surpreendeu por aquele simples ato não doer. Tinha se acostumado à dor de respirar... sempre parecia que seu peito estava em brasas... mas agora parecia simplesmente...

Limpo.

Se sentou, confuso, sem saber onde estava. Pressionou as costelas e sentiu um ponto que estava ligeiramente dolorido, mas nada mais do que isso. Olhou ao redor, tentando reconhecer alguma coisa. Sua visão se acostumando aos poucos à falta de claridade. Desembaçando lentamente...

Respirou fundo novamente e estava para descer da cama, quando uma luz surgiu.

—Lena?

—Você está alucinando. – riu uma voz. Sentiu todos os pelos do corpo ficarem arrepiados e sentiu medo naquele momento. Piscou tentando reconhecer o lugar onde estava e logo entendeu que estava em seu quarto. O quarto em que dormia quando era um garotinho – Não se assuste. Vai ficar tudo bem.

—Eu morri? – perguntou chocado. A mulher se sentou ao seu lado na cama e lhe deu um sorriso amável.

—Não. Ainda não... você disse que está pronto pra morrer... está mesmo? – perguntou ela – Se quiser, eu te levo para o outro quarto... como eu fazia quando você era pequeno e tinha um pesadelo, lembra? – ele concordou com um aceno de cabeça – Então esperaremos pelo seu pai.

—Ele sempre achou que iria primeiro... – murmurou passando as mãos pelo rosto – Eu estou morrendo, não é?

—Sim. Você está. Seu amigo tentou te ajudar... mas a escolha de continuar lutando é sua.

—Eu estou tão cansado... – murmurou ele – Você escolheu deixar de lutar?

—Eu nunca teria deixado de lutar, meu amor... eu queria tanto te ver crescer... mas eu infelizmente não tive a sua força e você teve mais recursos, mais remédios e mais tratamentos do que eu tive na época... – murmurou ela amavelmente – Eu não tinha chance... você tem. Mas o que você vai fazer?

Foi quando sentiu uma pontada no peito. Algo que realmente doeu e fez o ar faltar.

—O que é isso?

—Estão tentando trazer você de volta... você vai voltar?

—Eu não sei... – murmurou sentindo-se exausto – Eu... eu não aguento mais... – murmurou – É tanta dor... parece que eu não respiro ar... parece que eu respiro...

—Fogo. – completou ela – Eu sei.

—Eu não sou mais eu mesmo... eu sou um amontoado de pele, ossos e... e fungo. Eu sou apenas um peso pra minha família. Eles dizem que não querem que eu morra... mas é questão de tempo... seria egoísta da minha parte continuar dando trabalho pra eles? Eu não aguento mais ver Órion segurar pra não chorar toda vez que me vê... não aguento mais fingir que não sei que Alhena chora quando eu não estou por perto. Eu não aguento mais ver Prim mandar cartas escondidas pra Alhena, perguntando se eu estou vivo... ou como Cerce e Dido dormem na mesma cama, pra consolar uma a outra. Eu não aguento mais ver Rose ficar pesquisando coisas sobre Horklump, na esperança inútil de achar algo que vai me ajudar... eu não aguento mais ver Castor e Póllux terem que ajudar Alhena a me lavar, a me carregar... e Draconis... eu não aguento mais o olhar de medo dele... mas... principalmente... eu não aguento mais a dúvida. Você sabe a verdade?

—Eu sei o mesmo que você, Damian... e o que importa? Que diferença vai fazer? – perguntou ela.

—Eu estou vivendo uma mentira? – perguntou ele. A mulher lhe deu um sorriso e suspirou.

—Você acha que o amor da sua família por você é uma mentira?

—Não... não é isso... mas... mas Alhena...

—Essa mulher te ama tanto, querido...

—Mas ela...

—E você não?

—Foi diferente!

—Foi? Realmente foi?

Engoliu em seco.

—Os sinos de Baco...

—Não estavam no Poison Apple. Rose não foi fruto de um feitiço, Damian, mas do seu descontrole. Você estava magoado e carente... e encontrou alguém que te confortasse e te desse a certeza que você precisava pra querer recuperar sua vida de casado.

—Foi isso o que aconteceu com ela e com Draco?

—Faz diferença? – perguntou ela – Se a semente não foi a sua?

—Claro que faz! – disse fechando a cara e seu peito doeu mais uma vez. Foi tão forte que caiu no chão.

—Eu não acho que faça. Nunca fez.

—Eu não sabia!

—E sabe agora?

—Não. Não sei... – murmurou. Outra pontada no peito que o fez gritar daquela vez.

—Você vai voltar pra sua cama ou quer ir para o meu quarto, meu amor? Se vier comigo, a dor vai sumir, como o seu medo sumia quando dormíamos abraçados quando você era pequeno. Mas se você escolher ficar... você vai ter que enfrentar a dor... assim como enfrentava seus medos antes de dormir sozinho...

—Eu... eu... eu não sei. – murmurou – Eu estou cansado, mamãe... e eu sinto tanta a sua falta... – murmurou engolindo em seco.

—Eu sei, amor... e você sabe como eles todos vão se sentir, então... Órion é pouco mais velho do que você era... quando eu fui embora.

Engoliu em seco e fechou os olhos. Outra pontada no peito.

Não me deixe... por favor... por favor...— era a voz de sua esposa.

—Lena...

Olhou para sua mãe, que sorriu pra ele.

—Eu te amo, meu amor...

—Eu também...

Sua mãe o beijou na testa e outra pontada no peito o fez gritar.

As luzes todas acenderam de uma vez

—DAMIAN! DAMIAN!

—Tirem a Sra. Burke daqui! – escutou alguém dizer. Estava tudo tão claro, tão iluminado. Tão branco.

—Não! Por favor! Me deixem ficar com ele! Me deixem ficar com ele!

Lena...

—Tirem ela daqui!

Lena...

Respirou e sentiu o peito arder. Parecia estar no inferno. Parecia respirar fogo. Era horrível. Me deixem morrer, por favor... eu não aguento mais...

—Por favor! Me solte! Eu quero ficar ao lado dele... – a voz dela foi se afastando. Lena...

Escutou a porta bater e alguém tocou seu pescoço. Sentiu uma dor enorme ao sentir o toque do curandeiro, mas estava tão fraco que não conseguia gritar.

—Ele ficou dois minutos morto. – disse o curandeiro – Traga um especialista para verificar os sinais neurais dele.

—Senhor... esse homem está morto. O deixe morrer. – disse uma voz feminina.

—Não. Ele não vai morrer. – retrucou o curandeiro e reconheceu a voz do Dr. Amaru – Está vendo isso aqui?

—Uma mancha. E daí? Todos os pacientes de Horklump são manchados.

—Essa mancha é nova. – murmurou Amaru – E no tom de pele original dele.

—Senhor... ele já sofreu o suficiente. Ninguém sabe como esse homem ainda está vivo. O deixe descansar.

—Se ele quiser parar de lutar, ele vai parar de lutar, independentemente do meu esforço. Mas se eu desistir e ele não, eu estaria sendo omisso no meu juramento como curandeiro. Eu só vou desistir dele quando ele desistir de si mesmo.

Engoliu em seco sentindo uma enorme dor na garganta. Abriu os olhos e mirou o curandeiro. Ele o encarou muito sério e colocou a mão em sua testa. Abriu a boca, querendo falar uma coisa. Uma coisa importante. Estava cansado. Muito cansado...

Mas precisava dizer aquelas palavras.

—Ele está tentando falar. – disse a mulher.

—Sim? – perguntou o curandeiro se curvando para escutá-lo.

—Minha... – sua garganta doeu tanto que quis desistir de falar. Mas respirou fundo, sentindo as lágrimas quentes de dor escorrerem por suas bochechas – esposa...

—O que tem ela? – perguntou o curandeiro.

—Amo... eu... amo... – murmurou antes de expirar e tudo ficar escuro novamente.

Notas finais
Prévia do próximo "Estavam para sair da sala, quando Madame Turner apareceu. Ela trazia Prim, Cerce e Dido com ela. —Burton. A diretora quer ver você. Sentiu um tremendo frio na espinha e encarou as irmãs. Todas tinham cara de cemitério. Prim já estava chorando. Cerce estava quase. Dido parecia meio ausente. E as duas gêmeas, que sempre andavam de mãos dadas, apenas as duas, suspiraram ao mesmo tempo. —É sobre o meu pai? – perguntou já com um nó na garganta." PAM PAM PAM PAM Preparem os lencinhos! HSuahsuahsaushaushaus Então! O próximo capítulo sai quarta feira, se tudo der certo... ahsuahsaushau Eu ando muito sem tempo e não tive muito tempo pra escrever... então eu não tenho muitos capítulos prontos. Se eu não conseguir escrever pra LL2 e WWWY essa semana, o capítulo sai só sexta feira =/ Sorry... Mas comentem ai o que acharam do capítulo e o que vocês acham que vai acontecer nos próximos! =D Beijos ^^ Titia ama vocês ^~