Legado Lestrange II - Legacy
21 Horklump
Notas iniciais

Capítulo 21
Damian olhou o curandeiro, segurando a mão de Alhena, que estava muito chocada.
—Cer-certeza? – perguntou ela.
—Eu realmente sinto muito, Sr. Burke. – murmurou o curandeiro – Mas o seu quadro está realmente muito ruim.
—Mas... mas eu sempre me cuidei tão bem... – murmurou ele completamente aterrorizado.
—Não podemos controlar tudo, Sr. Burke... é melhor se preparar para o pior.
*
A deitou no sofá, a beijando apaixonadamente. Beijou cada pedacinho daquele corpo esbelto e bem feito, amando cada sarda que ela tinha. Escutou os gemidos excitados dela e isso foi guiando-o para um delírio sem fim. Estava louco de desejo e cada peça de roupa foi deixando os corpos deles. Admirou o sorriso dela e respirou fundo ao ver os lindos mamilos rosados dela.
A garota engatinhou até ele e se sentou em seu colo, voltando a beijá-lo com paixão. Ela o desejava tanto quanto ele. A beijou no pescoço, sugando ali, deixando a pele sensível dela com uma marca. Mas não ligou e nem ela. A deitou mais uma vez no sofá e ela abriu as pernas, pronta para recebê-lo, aceitá-lo. Sem julgamentos.
—Vem, Draconis... – pediu ela com a voz gemida. Ele não perdeu tempo e se deitou sobre ela, a possuindo e satisfazendo aquele desejo que o atormentava. Aquilo era tão errado, mas ao mesmo tempo, tão delicioso.
A escutou gemer seu nome. Aquilo o deixava completamente louco.
—Draconis... – a voz dela saiu um pouco estranha. Grave. – Draconis. – disse ela o interrompendo.
—O que?
—Você vai perder o trem. – disse ela.
—Que trem? – perguntou confuso.
—Acorda, Draconis. – ralhou Navi. Draconis xingou baixinho e levantou a cabeça – Você quando dorme, parece que morre, cacete. Levanta. – reclamou Navi. Furioso por ter seu sono interrompido, Draconis girou na cama e se sentou.
—Caralhos... estava tendo um sonho ótimo. – resmungou se levantando.
—Ei. Estou apaixonado. – riu Navi. Draconis revirou os olhos.
—Eu realmente não ligo...
—Mary Williams... Ela é linda.
—Como eu disse... eu realmente não ligo.
—Eu sei.
Foi para o banho, se lavar e xingou na hora de mijar, por estar de pau duro. Odiava mijar de pau duro. Depois de se lavar, tocar uma, botar uma roupa e guardar o resto das coisas, antes de voltar pra casa, Draconis foi com o primo para o Salão Comunal. Todos os seus irmãos já estavam lá. Órion e Póllux estavam fazendo uma lista de encomendas para os alunos mais velhos, Dido e Cerce estavam de papo com Lyra e a ex namoradinha de Navi, Lessa Young, que tinha a idade delas. Prim estava com as coleguinhas do primeiro ano também, conversando animadamente.
Scorpius e Albus estavam conversando no sofá, rindo de alguma coisa qualquer. Se jogou no sofá, ao lado deles e apertou a cabeça de Scorpius em seu braço, bagunçando seus cabelos. O garoto reclamou, o empurrando e ele riu achando graça.
—O que foi? O que foi? – perguntou tirando onda. Scorpius estava vermelho, sem conseguir respirar, já que era magricela e não conseguia se soltar.
—Larga ele, Draconis! – ralhou Lyra. Draconis levantou as mãos e Scorpius arfou o olhando feio.
—Idiota. – resmungou ele, mas Navi e Albus riram.
Logo deixaram o Salão, para tomar café da manhã. Olhou para a mesa da Corvinal e viu sua meia irmã suspirar. Ela o olhou e sorriu. Sorriu de volta, nervoso e voltou a comer, morrendo de fome.
—Como vocês conseguem comer tanto? – perguntou Scorpius.
—Como conseguem comer tanto e não engordar, isso sim. – lamentou Dido, comendo apenas umas frutas sem graça.
—Nós fazemos exercícios, malhamos, etc. – riu Navi colocando mais bacon no prato. Dido olhou sonhadoramente para o prato dos dois e colocou um pouco de bacon no próprio prato.
Depois de comerem, seguiram todos para a estação, do lado de fora da escola. Póllux e Castor ficaram com os amigos. Dido e Cerce pegaram Prim, Lyra e Lessa para irem pra outro vagão, porque não queriam ficar no mesmo vagão que Rose. Albus e Scorpius foram com elas, porque eles tinham a mesma idade.
Então ficaram apenas os três no vagão. Ele, Navi e Rose.
Caminhou até a janela, para acender seu cigarro matutino e ficou a observar a paisagem branca passar velozmente.
—Suas irmãs precisam que parar com essa frescura. – ralhou Navi – Elas não podem tratar você assim, Rose. Você é tão da família quanto elas.
—Não tanto quanto. Só metade. – murmurou ela dando de ombros. Não a olhou, apenas seguiu mirando a paisagem. Gostava de ver a neve passar branquinha. Gostava do vento gelado no rosto e gostava de fumar seu cigarro sem ficar olhando pra cara de pessoas que o ficavam julgando por fumar. – Bastarda, lembra?
—E daí? Você mora com a tia Lena tanto quanto elas. Tia Lena te trata bem, não trata? – perguntou Navi.
—Ela tenta. De verdade. Eu sei que deve ser complicado pra ela então eu fico grata que ela me trate bem...
—Minha mãe não é capaz de tratar alguém mal. – disse simplesmente.
—Tia Lena é mesmo muito legal. – disse Navi – Mas ela te trata diferente, Rose?
—Algumas vezes. Ela é sempre muito educada comigo, sempre tenta me agradar, sabe? Mas eu sei que ela não gosta muito de mim... – murmurou ela.
Draconis tragou seu cigarro, dando de ombros.
—Bem... não dá pra julgar a mamãe... não é todo mundo que aguentaria se colocar no lugar dela.
—Com certeza. Eu adoro a sua mãe, apesar dela não gostar tanto de mim. – murmurou Rose. Navi deu de ombros e Draconis fez o mesmo.
Os minutos se transformaram em horas. A manhã se tornou tarde e logo o sol estava deitando-se no horizonte. Os três ficaram a conversar todo o tempo. Draconis guardou o cigarro, usou um feitiço em si mesmo, para que não ficasse fedendo e comeu algumas balas de menta. Não queria que os pais brigassem com ele por estar fumando.
Logo saíram do trem e encontraram tio Rasalas, tio Draco e sua mãe. Achou estranho que seu pai não estivesse ali. Ele sempre acompanhava a mãe nessas ocasiões. Imaginou que o movimento da loja deveria estar alto, afinal era véspera de natal.
Junto dos irmãos, foi abraçar a mãe, que beijou cada um deles na testa. Rose ficou mais afastada, esperando que eles se cumprimentassem. Sua mãe, normalmente, apenas acenava com a cabeça, pra ela, sorrindo gentilmente. Mas daquela vez sua mãe a abraçou também e lhe beijou na testa do mesmo jeito.
Ficou todo mundo confuso e surpreso, mas ninguém falou nada.
—Natal na Mansão Malfoy esse ano. – disse sua mãe.
—Pensei que ficaríamos com o vovô Rabastan. – murmurou Prim.
—Ele também vai, querida, assim como o vovô Burke. – riu sua mãe. Prim sorriu feliz e concordou, animada.
Suspirou, achando legal a ideia de passarem o natal com os Malfoy. Adorava a Mansão. Lá era enorme e poderia se esconder em algum lugar mais afastado para experimentar umas coisas novas, que Yaxley tinha lhe vendido. Não podia deixar nem Navi saber, ou ele criaria um caso. Estava com os pensamento nisso, ainda, quando sentiu Rose abraçar seu braço.
Sentiu um frio no estômago e se soltou dela. Ela o olhou confusa e ele negou com a cabeça, saindo de perto, desconfortável. Lembrou-se do sonho daquela manhã e ficou se sentindo um demente, esquisito e pervertido.
Ela é minha irmã... Merlin...
Navi o olhou desconfiado e ele fingiu que não era nada. Colocou as mãos nos bolsos e depois seguiu a família até o noitibus. Rose se sentou ao seu lado e ele tentou se fazer de indiferente.
—Ei, tudo bem? – perguntou ela.
—Sim, por que? – perguntou ele. Ela o olhou arqueando a sobrancelha e deu de ombros.
—Nada. Não é nada. – murmurou ela. Draconis respirou fundo e desviou o olhar para a janela.
Minutos depois estavam finalmente em casa. Estava tudo muito arrumadinho, como sempre. Seu pai estava sentado no sofá, parecendo abatido e isso o pegou de surpresa. Imaginou que ele estaria na loja. Pulou no sofá, ao lado dele, sorridente.
—Paizão! – disse acertando uns soquinhos no ombro dele. Damian o olhou com um sorriso e uma expressão curiosa – Eu defendi TODAS as goles no Grifinória e Sonserina. Nós perdemos por vinte pontos, porque o James Potter pegou o pomo. – disse animado – Você tem que vir me ver jogar algum dia! Você prometeu.
—Claro, Draconis. – riu ele – Eu vou no próximo. – prometeu ele.
—Vai me ver fazer uns gols nele no Sonserina e Corvinal? – perguntou Rose se sentando no braço do sofá para beijar o pai na têmpora.
—Continue sonhando com isso, Rose. Eu sou o melhor goleiro que a Sonserina teve em anos! – gabou-se Draconis.
—E eu a melhor artilheira da Corvinal. – riu ela lhe mostrando língua.
—Pai, eu e o Póllux conseguimos seiscentos galeões. – riu Castor entregando um bauzinho.
—Seiscentos?! – perguntou seu pai, surpreso e abrindo o baú, que era encantado pra ser maior por dentro – Vocês realmente são bons nisso. – riu ele – Apesar que eu não gosto do que vocês andam vendendo na escola. – ralhou ele. Póllux e Castor deram de ombros.
—Só vendemos pros alunos maiores de idade. Eles fazem o que quiserem com aquilo. – disse Póllux.
—Papai! Papai! – riu Prim, vindo correndo pra se sentar o colo de Damian.
—Minha princesa! – riu ele a beijando na bochecha – Como está sendo seu ano?
—Eu estou indo muito bem em transfiguração. O professor Luthor sempre me dá pontos! – garantiu ela.
—Muito bem. E Cerce e Dido? – perguntou ele olhando pras gêmeas.
—Nós perdemos a virgindade. – respondeu Cerce dando de ombros. Draconis deu risadinha e seu pai engasgou as olhando horrorizado.
—O que? – perguntou ele.
—Brincadeira, papai. – riram as duas se aproximando.
—Estamos bem em todas as matérias. – disse Dido, que estava com os cabelos cacheados.
—É, e recebemos convites para entrar no clube do Slug. O filho dele parece que vai substituí-lo como professor. – adicionou Cerce.
—É tão velho quanto o pai. – riu Póllux.
—Slughorn é um excelente professor. – murmurou Damian – Que pena que ele vai se aposentar. Mas ao menos vocês vão ter aula com ele até os N.I.E.M.s, certo?
—Isso mesmo. – riu Castor.
—Muito bem, muito bem! Todos pro quarto. Vão se arrumar! Temos uma festa pra ir, esqueceram? – perguntou a mãe, batendo palmas.
Dido e Cerce foram imediatamente, depois Castor e Póllux. Prim ainda abraçou o pai antes de se levantar e sair saltitando para o próprio quarto, que ela dividia com Órion. Draconis tinha um quarto só dele, Rose dividia o quarto com Cerce e Dido.
—Paizão, posso falar com você? Só eu e você? – pediu meio encabulado. Seu pai suspirou, sorrindo e se levantou. Achou estranho, pois o pai pareceu cansado ao fazer aquilo. Se levantar... olhou para Rose e notou que ela também parecia ter estranhado.
—Vamos. Vamos lá pro Escritório das Placas. – disse ele. Draconis concordou sorrindo e seguiu o pai, deixando Rose e a mãe na sala. Logo chegaram lá e seu pai fechou a porta. Sem pensar muito bem, foi até o nome dos irmãos. Póllux e Castor, que já tinham escrito seus nomes ali. Apenas mais um ano e meio e teria seu nome imortalizado ali também. – O que foi?
Draconis sorriu meio constrangido, mas simplesmente queria contar aquela novidade. Nunca tinha tido segredos com o pai, mas agora parecia estar colecionando. Então quis falar pelo menos algo pra ele.
—Eu... eu perdi a virgindade. – disse corando violentamente – É meio besta eu te chamar pra falar isso, mas... – ele olhou sem graça para o pai, que riu pra ele.
—Foi legal?
—Foi sim. – disse colocando as mãos nos bolsos e chutando o chão, de leve. – Foi com a Lyra... a minha prima... – disse fazendo uma careta culpada. Damian piscou e sorriu surpreso.
—Vocês estão namorando? Que legal! Isso é ótimo! – disse seu pai, parecendo empolgado. Mas então ele começou a tossir, se engasgando com saliva.
—Não. Não estamos namorando. Somos amigos... espero que o tio Ras não descubra. Ele vai ficar... paizão? – perguntou achando estranho que o pai ainda estivesse tossindo – Paizão? – mas a crise de tosse não cessou e Damian teve que se encostar na parede. Foi quando Draconis sentiu medo. Muito medo. Enquanto seu pai tossia, escondia a boca com a mão, que ficava, a cada tossida, mais suja de sangue – Pai! Pai! Quer que eu chame a mamãe? – perguntou assustado. Seu pai negou com a cabeça, mas não parou de tossir, parecendo sem ar. – Pai! PAI! – mas ele seguiu tossindo, fazendo careta de dor. Draconis sentiu um pânico enorme dentro de si e correu para a porta – MÃE! MÃE! AJUDA AQUI!
—Está... está tudo bem. – disse seu pai, se recuperando, parecendo sentir dor. Um filete de sangue escorria pelo queixo quadrado dele e Draconis ficou ainda mais assustado – Eu só engasguei. Coisa boba.
Draconis sentiu o coração acelerar. Seu pai estava mentindo. Sabia disso. Os dois trocaram um olhar preocupado e o garoto apenas abraçou o pai, assustado.
—Você jura? Que está tudo bem? – perguntou tremendo. Sentiu a mão do pai em seus cabelos.
—Estou. Estou... eu estou um pouco gripado. Só isso, ok? – perguntou ele. Draconis suspirou, assustado e olhou o pai, que limpava o queixo com o braço. Sua mãe apareceu, assustada, parecendo quase em pânico.
—Está tudo bem? – perguntou ela olhando para o marido.
—Está tudo bem, Lena... eu só tive uma crise de tosse e sangrou um pouco. Mas não foi nada de demais. – murmurou ele calmamente. Draconis viu sua mãe respirar fundo antes de correr até o marido, para abraçá-lo.
—Você deveria dormir, enquanto os meninos se arrumam. – murmurou sua mãe, baixinho.
—Eu... eu vou... eu vou... – murmurou seu pai, parecendo cansado. – Vá se arrumar, filho. É melhor...
Ficou observando o pai se afastar, ainda com o coração disparado. Olhou para o chão e viu algumas gotas de sangue. Engoliu em seco e voltou a mirar a porta, por onde seu pai tinha saído. Depois correu para tomar mais um banho e se arrumar. Pegou os trajes negros com detalhes vermelhos e dourado. Depois foi até o espelho e arrumou o cabelo. Estava terminando de pentear sua franja, quando a porta se abriu.
Era Rose e ela estava muito bonita em um vestido vermelho sangue, com pérolas descendo por um quase exagerado decote nas costas. Engoliu em seco e voltou a encarar o próprio reflexo.
—Vermelho? Tem certeza disso? – perguntou com um sorrisinho.
—Qual o problema? Vermelho é uma cor proibida, por acaso? – perguntou ela indo para seu lado e se olhando no espelho.
—Vermelho é a cor dos Burke... – murmurou ele.
—Bem... eu sou uma Burke, suas irmãs gostando ou não. – respondeu ela o olhando de maneira arrogante. Gostou da pose arrogante dela, então sorriu para a meia irmã e engoliu em seco, se sentindo algum tipo de pessoa errada e indecente.
—Bem... o funeral é seu. – riu ele.
—Eu sei que posso contar com você pra me proteger. – riu ela o ajudando com as abotoaduras do traje – Você nunca consegue abotoar e sempre sai com as mangas soltas. Sua mãe sempre reclama. – riu ela o olhando com um sorrisinho maroto. Draconis riu sem jeito, sentindo o estômago se remexer de nervosismo. – Como o papai está? – perguntou ela – Escutei você gritar... sua mãe não me deixou ir ver...
—Papai está doente. Teve uma crise de tosse e eu... – deu de ombros, um tanto constrangido – Eu acho que exagerei. Não foi nada. Quem nunca teve uma crise de tosse, não é mesmo? – perguntou precisando de algum conforto da parte dela.
Rose o olhou preocupada e suspirou.
—É... você provavelmente tem razão... – murmurou ela. Concordou com um aceno de cabeça e ficou parado enquanto ela arrumava a sua gravata. Ela desfez o nó que ele tinha feito e o refez, de maneira apresentável – Você não sabe se vestir, Drac... – riu ela.
—Eu sou mesmo um fiasco nisso... – riu ele – Sou melhor em tirar a roupa, sabe?
—É? – perguntou ela o olhando travessa.
Se repreendeu por sentir aquela confusão de coisas e se recusou a olhar nos olhos dela. Ela tinha os olhos do pai. Não eram de um azul profundo, como os de tia Daphne. Era um azul mais delicado e claro. E, algumas vezes, dependendo da luminosidade, os olhos deles ficavam quase violeta.
Engoliu em seco, mirando os lábios vermelhos dela e se afastou.
—Desculpe. Foi uma piada inapropriada... – murmurou sem jeito.
—Por que? Você realmente gosta de tirar a camisa quando fica bêbado. – riu ela cruzando os braços – Você está bem? Parece tão esquivo.
—Não é nada. – murmurou engolindo em seco – É só que... – ele a olhou novamente e ela o olhou de volta, parecendo curiosa – Estou preocupado com o papai...
—Mas você disse que era só uma gripe.
—Foi o que ele disse... na verdade... eu não sei o que é que ele tem...
**
Rabastan ainda olhava desconfiado para o genro. Nunca mais tinha conseguido ser amigo dele e ainda se recriminava por não ter arrancado nem mesmo uma tirinha de pele do dedinho dele. Emily simplesmente não tinha deixado.
O salão de jantar dos Malfoy estava cheio. Lúcio e Narcisa bebiam vinho, olhando com algum desdém para Rasalas, provavelmente achando ofensivo que um lobisomem estivesse dividindo a mesa com eles.
Algumas vezes tinha vontade de socar Lúcio no meio daquele nariz fino dele. Ele e Draco estavam cada dia mais parecidos um com o outro. Soltou um suspiro, dando um belo gole em seu vinho e sentiu Emily segurar sua mão por debaixo da mesa. Os dois trocaram um olhar carinhoso e sorriram.
—Deixa eu ver se eu entendi. – disse Addie para a filha e a nora. – Vocês vão engravidar de um cara. As duas. Pra poderem ter filhos. É isso?
—Isso mesmo. – respondeu Nancy – Bem, na verdade, nós duas já estamos grávidas.
—Só assim pro Blair concordar em ser pai. – riu Draco.
—Blair não vai ser pai. Nossos bebês terão duas maravilhosas mães. – retrucou Pansy.
—Vocês não estão um tanto velhas pra isso? – perguntou Draco.
—Nunca se é tarde para amar, Draco. – riu Alhena. Draco olhou pra ela e sorriu.
—Acho que tem razão quanto a isso. – riu ele lançando uma piscadela para ela. Rabastan achou aquilo muito inapropriado, mas não disse nada.
Seguiram jantando, conversando amenidades. Rabastan matou seu vinho e pegou um pouco mais. Estava para se servir com mais peru, quando Damian se levantou de uma vez, para tossir. Ele se virou e saiu praticamente correndo. Alhena se levantou e correu logo atrás dele.
Todos se entreolharam, confusos.
—O que foi isso? – perguntou Emily.
—Papai está doente. Uma gripe. – murmurou Draconis dando de ombros. Rabastan viu o garoto trocar um olhar preocupado com a irmã bastarda e ele precisou respirar fundo, como sempre precisava fazer, sempre que via aquela garota. Ela era um insulto a sua família.
—Estranho. Nunca vi o Damian doente. – murmurou Jacques. Rabastan olhou o velho amigo e deu de ombros.
—Todo mundo pega uma gripe, vez ou outra. – resmungou sem se importar – Quem nunca ficou gripado?
—Damian. Ele nunca ficou gripado. – respondeu Jacques se levantando.
—Burke, não precisa ficar preocupado. – ralhou Lúcio. Mas o homem já tinha saído para ir atrás do filho.
***
—Damian! Precisamos ir para o Mungus! – disse Alhena o olhando desesperada. Damian negava com a cabeça, tossindo sem parar – Damian. Você não está conseguindo respirar! – disse assustada. Mas ele apenas se virou, pela janela e vomitou todo o jantar. Depois ele gemeu de dor e se sentou no chão, massageando o peito – Damian! Você está vomitando sangue! Vamos para o Mungus, por favor! – disse em pânico.
Damian xingou baixinho, com a boca suja de sangue e respirou fundo.
—Pra que, Lena? Não há nada que eles possam fazer. – murmurou ele respirando acelerado – Minha vida vai ser assim daqui pra frente...
—Não... mas... – ela se ajoelhou o olhando desolada – Eles podem te dar uma poção pra dor, não podem? – perguntou ela.
Damian sorriu pra ela e fechou os olhos.
—Eu já estou tomando as poções pra dor, Lena... caso contrário estaria gritando agora.
Alhena sentiu o coração apertar e se controlou para não chorar. Tinha prometido que não choraria na frente dele. Só tornaria as coisas mais difíceis.
—Filho? – chamou o sogro – Filho? – Alhena viu Jacques virar a o corredor e olhar para os dois com olhos cheios de espanto – Damian? O que houve?
—Eu estou bem. – mentiu Damian. Alhena se perguntou até quando aquela mentira se manteria de pé. Ele não queria que as pessoas soubessem que estava com Horklump. Ele queria adiar ao máximo o dia em que confessaria aquilo – Só estou um pouco gripado e...
—Damian Burke. Eu te conheço só desde que você nasceu. Você nunca gripou na sua vida! – ralhou ele se abaixando para olhar pra ele.
—Há uma primeira vez pra tudo, não é...? – perguntou ele. Alhena mirou o sogro, desconsolada e o viu suspirar.
—Merlin... seus olhos, Damian... – murmurou ele colocando a mão no rosto do filho – Estão com pontos violetas... isso é sintoma de... de Horklump! – Damian virou o rosto, sem conseguir mentir ou encarar o pai – Oh, meu filho... – lamentou o Sr. Burke o puxando para abraçá-lo – Oh, meu Deus. Eu já enterrei uma esposa, não me permita enterrar um filho também.
—Pai, eu estou bem... – murmurou Damian.
—Primeiro Tatiana... agora você? O meu menino? Essa doença maldita vai me levar os dois? – choramingou ele. Alhena olhou para o teto, sentindo o lábio tremer. Não iria chorar. Não iria.
Mas seu sogro não pensou da mesma maneira e chorou desconsolado.
—Lena... vou levar o papai pra casa, ok? – perguntou Damian. Alhena concordou com um aceno de cabeça.
Viu o marido se levantar com dificuldade. Não sabia qual dos dois parecia mais fraco, o sogro ou o marido. Damian soltou um suspiro e pegou a varinha, para desaparatar e ela ficou mirando o lugar vazio, onde ele estivera há pouco...
Morria de medo do dia em que o buraco vazio seria o que tinha sobrado dele.
Voltou para a mesa de jantar, sem fome alguma. Apenas com medo, muito medo. Se sentou e bebeu um pouco de vinho, tentando se acalmar.
—Onde está o seu marido? – perguntou seu pai, com severidade.
—Meu sogro passou mal. – respondeu – Damian achou melhor levá-lo pra casa.
—Uai. Seu marido sai cuspindo os pulmões e seu sogro quem precisa ir pra casa? – perguntou tia Addie – O Jack está bem? O que ele teve? É o coração?
—Sim. O médico falou que ele precisa descansar e evitar estresse... – murmurou.
—Eu já fiquei sabendo que Jack já caçou Nundus, na África. – riu Addie – Nunca pensei que ele seria fraco do coração. – adicionou ela.
Alhena se contentou em olhar seu pedaço de peru, sem sentir fome. Ficou remexendo a comida, sem apetite algum, completamente alheia às conversas. Quando Draco jogou uma ervilha em sua testa, quase gritou de susto. Ele e Rasalas riam olhando pra ela e ela sentiu o rosto corar de leve.
—Obrigado pela atenção, Sra. Burke. – riu ele.
—Desculpe, Draco. Só estou preocupada com meu sogro. – mentiu sem olhá-lo nos olhos. Por algum motivo sabia que se o olhasse nos olhos, ele saberia toda a verdade.
—Gostou do jantar? Não comeu direito. – disse Draco.
—Estava uma delícia. Só não estou com apetite e... – ela olhou para a mesa – Onde estão as crianças? – perguntou surpresa.
—Por ai. – riu Draco, dando de ombros – Fazendo o que nós costumávamos fazer nas festas, sabe? – riu ele.
—E o que seria isso? – perguntou a Sra. Malfoy, com um sorriso bêbado.
—Você sabe. Beijos escondidos, umas mãos bobas... quebrando a mobília e um pouco de álcool às escondidas. – riu ele dando de ombros.
—Hum... acho que vou procurar Lyra. – murmurou Rasalas.
—Deixe as crianças se divertirem. – ralhou Draco – Até parece que nunca foi adolescente.
—Eu fui adolescente. Esse é o problema. – riu Rasalas.
—Tenho certeza que ninguém vai desrespeitar a sua filha, Rasalas... e se alguém for estúpido o suficiente pra isso, tenho certeza de que ela sabe se virar muito bem. – garantiu Draco. Alhena mirou o irmão, que acabou dando de ombros.
—É, Ras. Deixe sua filha curtir o fato que todos os amigos dela são umas gracinhas. – riu Pansy – Scorpius está tão lindo, Draco. – ela suspirou – E pensar que eu sou responsável por ele... ai, ai... – riu ela. Draco sorriu olhando a amiga.
—Por isso é a madrinha dele. – ele fez uma careta – Nunca imaginei que você seria a madrinha de um filho meu... o mundo dá voltas. – riu ele.
—Completamente, amor. – riu Pansy – Quem diria que um dia eu estaria aqui, passando o natal com todos vocês?
—Um brinde ao fato do mundo dar voltas? – perguntou Daphne erguendo a taça. Todos a imitaram e Alhena bebeu tudo de uma vez. Seu humor para festas estava horrível...
****
Se escondeu no jardim dos Malfoy, num lugar bem distante da mansão. Estava muito preocupado com milhões de coisas. Seu pai estava doente, mas não queria contar o que era e isso significava que deveria ser muito sério. Além disso, Rose, sua meia irmã, estava protagonizando seus sonhos mais indecentes.
Céus. Aquilo era tão errado! Se sentia completamente defeituoso. Puxou um cigarro, querendo fumar até que sua pressão caísse e fosse fácil de relaxar. Mas não adiantou. Acabou bebendo a garrafa de hidromel que tinha roubado de um armário, mas sua mente continuava uma confusão.
Seu pai doente, sua irmã semi nua, o fato de se parecer mais com Draco do que Scorpius, os N.O.M.s, o avô que talvez estivesse doente... era coisa demais pra se preocupar. Bebeu a garrafa inteira e a jogou no chão, mas ela não quebrou. Sua mente ainda não estava anestesiada. Puxou os cabelos e socou uma árvore.
Rosnou, zangado com tudo e se sentou, com as costas apoiadas no tronco de madeira. Respirou fundo e tirou um frasquinho no bolso. Aquilo serviria para aliviar a confusão que sentia. Yaxley prometeu que nada iria fazer com que se distanciasse dos próprios problemas mais do que aquilo.
Abriu o frasquinho e respirou fundo, tomando coragem. Tinha um conta-gotas na tampa, que ele usou para pingar a droga nos olhos.
Sentiu uma ardência incômoda nos olhos, mas não durou mais de três segundos. Depois disso sentiu uma sensação maravilhosa. Tudo parecia confortavelmente quente e aconchegante. Um sorriso brotou em seu rosto e ele se sentiu tão leve que imaginou que poderia voar. O bem estar era indescritível, parecia um orgasmo, só que ainda melhor e mais duradouro. Gargalhou sentindo-se feliz e finalmente despreocupado. Não havia lugar para confusões, medos e inseguranças. Apenas prazer puro e imediato.
Olhou para as mãos, que tremiam e brilhavam. Sorriu achando bonito como a paisagem parecia se encher de novas cores, de novos brilhos. Cores inéditas pra ele. Não havia nada de ruim num mundo tão bonito, colorido e quente. Quente como os braços de uma mulher. Por um momento estava de volta da sala secreta do quarto andar, que sua tia chamava de Casa da Árvore. Nunca tinha entendido o porquê daquele nome... mas ele estava lá e agora tudo estava repleto de mudas e flores. Estava sentado no sofá e não era Lyra quem se despia para ele. Era Rose. E não era errado ficar excitado ao vê-la se despir. Não era errado puxá-la pra si. Não era errado transar com ela.
Jogou a cabeça para trás, extasiado. Aquilo era a melhor coisa de todas. Sorriu bobamente, vendo círculos dançarem em sua frente. As imagens pareciam se fragmentar e sua realidade quebrou de uma vez. Parecia estar caindo. Caindo e caindo. E quando estava perto do chão, parou de cair e foi jogado pra cima. Gritou, se divertindo, sentindo o coração bater acelerado. Estava em Hogwarts, na torre de astronomia.
Foi quando algo estranho aconteceu. Andou para trás e viu seu tio Draco e sua mãe, de mãos dadas, subindo a janela. Por um momento teve um ataque de pânico e gritou assustado quando eles pularam. Correu até a janela e os viu flutuar no ar, para em seguida pousarem calmamente no chão.
Sorriu e olhou para o horizonte e pulou mais uma vez, querendo aquela sensação de pular, cair e voar. Mas algo o pegou pela cintura e o segurou. Mãos pálidas que o machucavam. Sentiu sua alma ser arrancada de si mesmo. A viu pular e a sentiu cair no chão e se quebrar em milhões de pedacinhos.
Tinha morrido. Caído e morrido. Não conseguiu voar, porque aquelas mãos pálidas o seguraram com força e o puxaram. Mas não saiu no corredor que imaginou que iria sair. Viu as paredes de pedra, úmidas, com teias de aranha enormes. Viu algumas pessoas ali dentro. Uma delas seu pai. Achou aquilo confuso. Por que seu pai estaria em Azkaban? Gritou por ele, querendo ajudá-lo, mas ele não o viu. Apenas continuou ali, deitado, parado.
E uma névoa roxa começou a sair das frestas das paredes, uma névoa perigosa e pútrida, cheia de enfermidade e virulência. Gritou, querendo que o pai saísse dali, mas ele não saiu e a névoa o envolveu e entrou nele, o fazendo tossir até sangrar.
Chorou desesperado e então tudo mudou. Estava num quarto e todos olhavam para ele. Todos loiros, com os cabelos loiro platinados, os olhos azul-cinza, o rosto fino. Todos o olhavam com preocupação.
“É o filho dele, não é?” perguntou um quadro.
“Sim. Ele e aquela mulher, por quem ele vive suspirando... foi concebido aqui, não lembra?”
“Eu prefiro não ficar pra assistir isso.” Ralhou o primeiro rosto.
“Ele não parece bem.”
“Devolvam minha esposa! Genebra! Genebra!”
Draconis olhou para todos os lados, confuso, escutando aqueles homens falarem. Estava com medo. Muito medo. Um homem branco o olhava, mas a medida que ficava quieto e o olhava com atenção, ele começava a ficar mais claro. Mais nítido.
—Draconis. Acorda, Draconis. Você está bem! Eu estou com você, ok? – perguntou tio Draco. Era a voz dele, pelo menos. Estremeceu, sabendo que estava completamente fodido. Tinha sido pego, completamente drogado. Ainda estava sob o efeito do extrato de mandrágora. Ainda via tudo muito zoado, colorido, espalhafatoso, vivo. Tentou respirar fundo, tentando sair da noia, mas não conseguiu. Continuava vendo tudo estranho e era simplesmente assustador. – Draconis. Sou o Draco, você está me ouvindo?
—Não conta pro meu pai, tio... – pediu desesperado, antes de sentir um imenso peso no peito. – Não conta. Ele vai ficar decepcionado comigo. Por favor, tio... – pediu já chorando. E chorar ardia tanto seus olhos que gritou os escondendo com as mãos – Não conta pro meu pai. Não conta pro meu pai...
—O que foi que você usou, Draconis? – perguntou seu tio – Veneno de Fada?
Draconis negou com a cabeça e o mundo pareceu badalar, como se fosse um sino gigante. Soluçou sentindo os olhos arderem, com um medo absurdo.
—Não conte pro meu pai, tio... não conte... – murmurou assustado. Abriu os olhos e viu a si mesmo, se encarando.
—Não seja idiota. Ele é o seu pai. – riu seu reflexo.
—Não! Não é! Não é! – disse assustado – Estou alucinando. Estou só alucinando. Eu preciso voltar! Eu preciso voltar! – disse chorando e sacudindo a cabeça. Sentiu um tapa forte no rosto e seu outro eu voltou a ser tio Draco, que o olhava severamente.
—O que você usou, Draconis? Eu não vou poder te ajudar se não me falar o que usou!
Draconis arfou, com medo.
—Não conta pro meu pai... – chorou assustado – Foi... foi extrato de mandrágora, tio...
Draco o olhou muito sério e se levantou. Ficou ainda alucinando por uns momentos, ouvindo os outros Malfoy’s que estavam no quarto falarem que ele não era um herdeiro apropriado.
“Mas é só um bastardo, ainda temos Scorpius. Ele quem vai...” começou um.
“Ele é mais velho. Ele tem mais direito.” Disse outro.
“Ele nem tem o nosso sobrenome. Ele é problema daquela mulher. Um bastardo não vai herdar nossas coisas!” rosnou um outro.
Draconis se encolheu, sentindo aquelas palavras como chicotadas. Por um momento voltou para a torre de astronomia e viu sua mãe de mãos dadas com tio Draco, ambos parecendo muito jovens. Os dois pularam novamente e ele teve medo de que eles morressem, mas eles caíram suavemente no chão e foram andando até o lago. Logo notou que também estava lá, completamente nu. Mas a água ao menos estava quente.
Se virou, nadando e viu que Rose estava lá, também nua, o olhando com um sorriso. Ela esticou os braços, para alcançá-lo. Foi quando notou que todos os dentes dela eram pontudos.
—Vamos fazer isso, Draconis. Eu sei que você quer. Eu sei. – riu ela, de maneira assustadora.
—SAI DE PERTO DE MIM! – gritou assustado, mas a lula gigante o segurou e o fez mergulhar. Tentou se desvencilhar, mas não conseguiu. Segurou os tentáculos com as duas mãos, tentando arranhá-los e eles finalmente deixaram que ele saísse do lago.
Mas já não era mais o lago. Era um banheiro. Estava numa banheira.
—Céus, Draconis. Você está bem? – perguntou seu padrinho o olhando preocupadamente. Draconis respirou fundo, notando que os efeitos da mandrágora estavam finalmente passando.
Draconis respirou fundo e se sentiu aliviado, finalmente.
—Você é meu pai? – perguntou desesperado, com o que aqueles homens tinham dito. Sabia que tinha sido só uma alucinação, mas foi tão, tão real...
Draco o olhou parecendo sentido e negou com a cabeça.
—Não se preocupe com isso, Draconis. Damian é o seu pai... – ele suspirou – Foi Navi quem ficou implicando com você sobre isso?
Draconis concordou em silêncio.
—Nós somos tão parecidos... e eu... eu... – ele engoliu em seco – Eu não pareço um Burke... eu pareço um Malfoy... me diz, tio... por favor, me diz a verdade.
Draco o olhou parecendo perdido.
—Damian criou você. Não eu. Ele é o seu pai, rapaz.
—Mas e no sangue? – perguntou desesperado – Eu preciso saber!
—Você não é meu filho. Você é filho do Damian, Draconis. Eu nem estava aqui quando sua mãe engravidou. Eu estava viajando numa segunda lua de mel com a minha esposa, ok? – perguntou ele. Draconis tremeu inteiro e respirou aliviado.
—Você... você contou pra alguém? De mim? – perguntou ele. Draco suspirou e concordou com a cabeça, se sentando no chão, ao lado da banheira.
—Eu precisei, Draconis... sua mãe quis te matar, mas eu mandei ela ir pra casa e eu fiquei aqui cortando o efeito da mandrágora. Nunca mais use aquela merda, ouviu? Eu vasculhei os seus bolsos e achei mais, além de cigarros...
—Minha mãe vai me matar... – murmurou ele.
—Bem... todo mundo toma um porre na vida. Ela já tomou, eu também... ela vai entender. – riu Draco. Draconis olhou o tio e sorriu.
—Você não contou... da Mandrágora? – perguntou ele.
—Não vi necessidade, afinal, eu sei que não vai usar de novo, certo? – perguntou ele. Draconis concordou e soluçou – Você me promete? – perguntou ele.
—Prometo, tio... prometo.
Draco suspirou novamente parecendo aliviado.
—Por que quis usar isso? Do que estava fugindo, Draconis? – perguntou ele. Draconis olhou surpreso para o tio, que o encarava calmamente.
—Por que acha que eu estava fugindo de alguma coisa?
—Você não usaria isso se não fosse pra esquecer alguma coisa. – riu Draco – Pra fugir de algo que está te atormentando. – Draco suspirou e cruzou os braços, apoiando as costas na porta – Suas dúvidas quanto ao que sua mãe andou fazendo dezesseis anos atrás não foram o motivo pra te convencer a fazer essa burrice, foi?
Draconis se abraçou na água quente, desviando o olhar do padrinho.
—Não... não é só isso. Tem tanta coisa acontecendo na minha vida, tio... eu sinto tanta coisa que eu não deveria sentir. Penso em tanta coisa que não deveria pensar e... e eu estou com medo de mim mesmo, do futuro, dos meus sonhos... algumas vezes eu queria simplesmente desaparecer e...
—Eu entendo. – Draco voltou a se aproximar e se acocorou ao seu lado – Quando somos jovens, achamos que tudo é o fim do mundo... mas é bem o contrário. – Draco sorriu como se soubesse de alguma piadinha escondida naquilo tudo e ele não – É só o começo, Draconis. Você vai enfrentar vários problemas piores do que esses pelos quais você está passando e vai superá-los, porque é um garoto inteligente, astuto e...
—Não acho que fui inteligente ou astuto hoje. – resmungou o garoto. Draco sorriu e bagunçou seus cabelos.
—Realmente não foi seu momento mais brilhante, caro afilhado. – riu ele – Mas você terá momentos melhores. – adicionou ele, antes de se virar.
—Draco. – seu padrinho se virou, já com a mão na maçaneta – Você e minha mãe pularam da torre de astronomia?
Draco sorriu para ele e desviou o olhar.
—Eu gostaria de ter feito isso... – murmurou ele – Talvez um dia, quem sabe?
—Por que? – perguntou confuso, mas seu padrinho apenas saiu do banheiro.
*****
Draconis virou na cama sem conseguir dormir. Era seu último dia de recesso, mas sua mente parecia indisposta a diminuir o ritmo pra descansar. O pai passara o recesso inteiro tossindo sangue e o único que parecia realmente alheio a isso era Órion, que simplesmente era novo demais para entender. Ele só tinha oito anos, mas mesmo ele parecia confuso com o clima da casa.
Não conseguia entender como todos simplesmente se recusavam a falar sobre aquilo. Era um medo que todo mundo parecia sentir. Que se tornaria real e inevitável se alguém falasse a respeito. Queria gritar e explodir, exigindo uma explicação, mas se curvou ao sentimento de luto da família.
Seu pai estava morrendo e todos estavam assustados demais para falar sobre isso.
Escutou um “click” vindo da porta e levantou a cabeça, curioso. Sentiu um frio na barriga ao ver sua meia irmã entrar. Ela se esgueirou até sua cama, se enfiou debaixo dos cobertores e o abraçou, aos soluços.
—Rose? O que houve? – perguntou baixinho.
—Meu quarto é ao lado do quarto do papai... – choramingou ela – Ele não para de tossir e gemer de dor. Sua mãe então deixou o quarto a prova de som, mas... – ela engoliu em seco – Draconis... eu já perdi minha mãe. Eu não quero perder meu pai também... – lamentou ela o abraçando e chorando.
Draconis suspirou e a abraçou de volta.
—Ei. Vai ficar tudo bem, ok? Papai é um cara bem forte.
—Mas ele está...
—Shhhh... – sussurrou a puxando mais pra perto, na intenção de confortá-la – Ele vai ficar bem, ok?
—Por que ele não fala o que ele tem? Por que esse segredo?
—Provavelmente não querem deixar a gente preocupado. – murmurou ele a afagando na cabeça.
—Mas, Draconis! – lamentou ela – Eles não entendem que é muito pior desse jeito?!
Não tinha resposta praquilo. Apenas a puxou ainda mais pra perto e a beijou na testa. Sentiu as mãos da irmã em suas costelas, a lhe abraçar mais apertado. A beijou novamente na testa e suspirou, morrendo de vontade de beijá-la de verdade. Aquela sensação de ser um pervertido defeituoso o assolou de novo. Precisava se livrar daquele desejo. Precisava parar de ver Rose com outros olhos. Ela era sua irmã. Apenas isso.
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