Legado Lestrange II - Legacy
14 Hey, Estrelinha
Notas iniciais


Capítulo 14
Alhena olhava o marido com apreensão. Rasalas estava ao seu lado e a abraçava protetoramente. E pensar que quase um mês já se tinha passado... não poderia imaginar o que Damian tinha passado no cativeiro.
—Você precisa ir pra casa, mana. – murmurou Rasalas – Eu durmo com ele hoje.
—Os curandeiros falaram que ele pode acordar a qualquer momento. – disse Alhena, torcendo as mãos.
—Lena... você precisa... descansar. – disse Rasalas. Podia sentir o tom preocupado na voz dela, mas isso não a abalou. Ela estava decidida a não sair de perto de Damian. Não enquanto ele não acordasse. – Você vai ficar louca aqui e... e Póllux e Castor?
—Meu sogro está com eles.
—Damian não iria querer que...
—Rasalas, eu não vou embora! – disse zangada, se virando pro irmão.
Ainda estava no Mungus. Na Ala de Tratamento Intensivo. Damian estava mergulhado numa banheira cheia de uma gelatina esverdeada, com uma coisa que parecia um cérebro boiando perto dele. Os tentáculos do cérebro (sim, o cérebro tinha tentáculos) estavam grudados na pele dele, como ferrões, perfurando a pele e pulsando de maneira horrorosa. Os curandeiros diziam que era uma técnica experimental que estavam usando para tentar recuperar pessoas que enlouqueceram com a maldição cruciatus. Tinham tido algum sucesso em pessoas que não estavam há muito tempo enlouquecidas e o caso de Damian era bem promissor.
Tinha três semanas que não voltava pra casa. Não saía do lado dele. O curandeiro tinha explicado que poderia ajudar se ela falasse com ele, sobre coisas cotidianas. Isso poderia ajudar a trazer a memória dele de volta. Então ela lia pra ele, falava sobre a loja, contava histórias sobre os filhos, relembrava os tempos de escola...
Mas era terrível que ele ficasse com os olhos fechados e calado, sem responder, apenas com o nariz pra fora daquele líquido gelatinoso. Tão indefeso e vulnerável...
Se soltou de Rasalas e se sentou ao lado de Damian novamente, para continuar “cuidando” dele.
Seu pai já pedira para que ela voltasse pra casa, o irmão, Draco, Daphne, Blair, a mãe... até tia Addie e Lupin. Até Helena, a prima de Damian e o sogro.
Mas Draco foi o pior. Ele entrar ali pareceu tão errado. Era como se estivesse traindo Damian.
“Volte pra casa.” Ele pediu, se referindo à Mansão Malfoy. Mas ela não quis. Ela disse que ficaria com Damian e ela notou alguma mágoa no olhar de Draco. Logo antes de Rasalas, Draco veio de novo, pedindo para que ela descansasse, que outra pessoa poderia passar a noite com Damian, mas ela se recusou de novo.
E então ele disse que Astoria queria voltar com ele. Que queria dar mais uma chance para o casamento.
“Eu não sei se quero, Lena... o que eu faço?”
Alhena temia o que Draco fosse pedir. Será que ele estava confuso? Sobre seus sentimentos? Será que ele queria algo com ela? Mas Alhena não queria nada com ele. Aqueles dias na Mansão, com Draco foram bons. Alguns foram ótimos. Ele a fazia se sentir em paz consigo mesma... mas ela era a esposa de Damian.
“Astoria é sua mulher, Draco... você deveria tentar com ela de novo...”
E ele parecera quase triste ao escutar isso.
Seguiu olhando o marido, desejando que ele acordasse. Rasalas se sentou ao seu lado e suspirou preocupado. Ele e Daphne tinham voltado, depois de uma grande briga. Pansy e Daphne eram amigas de novo, pelo que tinha entendido e Astoria também estava amiga daquela mulher que tanto desprezava.
Mas ela não ligava. Só queria voltar pra casa com Damian. Só isso. E apenas isso.
—Lena... – chamou Rasalas segurando a sua mão – Só hoje, por favor. Você está um caco... – murmurou ele. Ela negou com a cabeça, querendo chorar. A culpa era horrível. E se Damian nunca mais acordasse? E se ele nunca mais a olhasse e a reconhecesse de novo? Se nunca mais pudesse cantarolar aquela música que tinha feito pra ela no sexto ano? Se nunca mais escutasse um “Eu te amo” dele? – Você precisa dormir e comer direito, Lena. E descansar... você precisa descansar, ou vai ficar maluca também...
Ela negou com a cabeça e soluçou.
—Eu sinto tanta falta dele, Rasalas. – chorou abraçando o irmão novamente.
—Eu também, Lena... eu também... mas você precisa se preparar pro pior...
—Eu sei... mas... mas eu não estou pronta pro pior, Rasalas... eu quero meu marido de volta... – chorou ela agarrada ao irmão. Rasalas a apertou forte e suspirou.
—Eu sinto muito, Lena... vamos pra casa. Você toma banho, dorme um pouco, come alguma coisa mais gostosa do que essa comida horrorosa do hospital... e então volta. Você precisa repousar.
Ela negou com a cabeça novamente, olhando para Damian, imóvel, só de calça, com aqueles tentáculos assustadores o perfurando na nuca, nas costas, nos braços e no couro cabeludo.
Engoliu em seco, tomada por um medo horrível. Seria capaz de qualquer coisa pra escutar Damian falar pra ela: Ei, Estrelinha.
Arfou e soltou um soluço secando as bochechas com as costas das mãos e suspirou.
—Não vou sair daqui, Rasalas. Não vou.
Rasalas soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça.
—Algumas vezes você é mais cabeça dura que eu. – murmurou o irmão. – Tem... tem certeza, Lena? Que não quer...
—Não. Não quero. – respondeu Alhena – Eu vou ficar aqui com ele.
Rasalas soltou um suspiro e a beijou na têmpora.
—Ok... – murmurou ele. Mas então Rasalas sorriu pra ela – Ei... posso te contar um segredo? – perguntou ele.
—Hum? – perguntou quase desinteressadamente.
—Eu e Daphne... nós tomamos uma decisão.
—O que? – perguntou ela o olhando com curiosidade.
—Ela parou de tomar o chá de lua, então... então você pode virar titia a qualquer momento. – riu ele.
Alhena sorriu com alguma alegria finalmente a aquecendo e se levantou.
—Sério? Ah, Rasalas! Parabéns. – disse ela o abraçando.
—É... – riu ele a abraçando de volta. Rasalas olhou para Damian e sorriu – E é melhor acordar logo, seu babaca. Você vai ser o padrinho. Eu já falei com a Daphne e ela concordou. E você vai ser a madrinha, é claro.
Alhena sorriu feliz pelo irmão e a amiga e concordou com um aceno de cabeça.
—Claro...
—Bem... já que você quer ficar aqui... eu vou voltar pra casa e bem... fazer sexo. Tchau, maninha. – riu Rasalas a beijando na têmpora. Alhena sorriu para o irmão e suspirou quando ele foi embora.
Voltou a se sentar na poltrona ao lado de Damian e se apoiou na banheira em que ele estava mergulhado. Fechou os olhos e deitou a cabeça nos braços, sentindo-se realmente exausta. Ficou se lembrando da época de escola, do namoro e da vida de casada com ele. Depois acabou se lembrando de Draco.
Nunca deveria ter tomado Veneno de Fada com ele. Ainda podia escutar a voz dele murmurando “Minha Lena... minha... só minha... só minha...”
Será que o amigo tinha se deixado envolver demais? Será que ele gostou tanto daqueles dias com ela, Póllux e Castor que... que começou a desejar que fosse sempre assim? Teve a ligeira impressão que Draco tinha tentado ter mais intimidade com ela do que o costume depois daquela noite. Mas talvez fosse só impressão.
Não queria acreditar que ele tinha confundido as coisas...
Ela amava Damian e não queria deixá-lo. Não conseguia se afastar dele definitivamente. Ele era o pai dos seus filhos... Draco era seu melhor amigo, mas... mas não conseguia parar de pensar que talvez... se ela não tivesse engravidado, as coisas poderiam ter andando num rumo muito diferente.
Talvez não...
Do mesmo jeito que parecia ligada de maneira mágica com Draco, o mesmo acontecera com Damian. Era apaixonada por ele desde os doze anos... lembrou do primeiro beijo que dera nele, naquela brincadeira da garrafa. Depois se lembrou daquele dia, quando voltou da Beauxbatons e viu Damian de novo depois de tanto tempo.
Tinha achado que seria a noite mágica de sua vida, mas acabou em tragédia. Depois se lembrou de quando o beijara antes de mudar de escola e então da primeira vez em que transaram, quando Damian prometeu que casaria com ela.
Acabou caindo no sono e sonhou a noite toda com Damian. Com seus sorrisos, brincadeiras, beijos... sonhou com a voz dele, principalmente. Podia escutá-lo a falar seu nome. De novo, de novo e de novo.
Por um momento não sabia se estava acordada ou não. Levantou a cabeça, morrendo de sono e olhou para a banheira. Damian estava sentado, tentando tirar os tentáculos de si mesmo, mas quando ele notou que ela tinha acordado, ele sorriu.
—Ei, Estrelinha...
*
O curandeiro conversava com Damian, o olhando atentamente, mirando as feridas que o cérebro cheio de tentáculos tinha deixado nele. Alhena o olhava com um absurdo alívio. Damian respondia a todas as perguntas e parecia muito são, com as memórias no lugar. Ele soube responder a tudo sem problemas e parecia muito sorridente.
—Muito bem, senhor Burke. – disse o curandeiro – As cicatrizes vão desaparecer com o tempo. Mas só com o tempo. E eu não saberia dizer quanto. Mas acho que é o de menos.
Damian mirava o braço que tinha uma cicatriz estranha, espiralada, já que o tentáculo se enrolara nele ali.
—Se minha esposa não se importar, eu não me importo. – respondeu ele, calmamente.
—Muito bem... – murmurou o curandeiro escrevendo na prancheta – Eu vou transferir os senhores para outro quarto e amanhã de manhã, se seu quadro se manter estável, estará liberado.
—Certo. – disse Damian. O curandeiro terminou de escrever qualquer coisa na prancheta e os chamou com a mão. O seguiram em silêncio e quando chegaram no outro quarto, viu que parecia um quarto de hotel mesmo.
—Estará em observação, Sr. Burke. Qualquer coisa estranha é só chamar algum curandeiro, ok? – perguntou o homem. Alhena e Damian concordaram com um aceno de cabeça e o curandeiro saiu. Alhena foi até a porta e a fechou, para em seguida olhar para o marido, que parecia muito sereno.
—Como está? Você está bem? – perguntou ele.
—Eu? – riu ela indo até ele. Segurou as mãos dele e o olhou nos olhos – Você está desacordado há quase um mês, Damian. Você está bem?
Damian sorriu pra ela e colocou um dedo sobre seu queixo.
—Estou agora, Estrelinha... – murmurou antes de lhe dar um beijo. Alhena o abraçou quase desesperada, o beijando de volta. Ele sorriu e a beijou de novo, caminhando de costas até a cama. – Eu estava preocupado com você... alguém te machucou?
—Não. Draco me protegeu. – respondeu ela sentindo uma leve vertigem.
Damian concordou e sorriu.
—Eu devo tudo a Draco então. Ele é um verdadeiro amigo. – murmurou ele – Nunca vou ser capaz de agradecer... – ele soltou um suspiro – O Burton... ele queria...
—Eu sei. Mas Draco evitou. E eu não quero mais falar sobre isso, ou sobre Draco. Não agora... falamos disso amanhã, ok?
Damian sorriu e concordou.
—Sobre o que quer falar agora? – perguntou ele calmamente. Alhena se sentou ao seu lado e suspirou.
—Na verdade... eu queria dormir. – riu sem jeito – Eu não durmo direito há semanas.
Damian concordou com um aceno de cabeça e se deitou na cama, a chamando com a mão. Alhena sorriu pra ele e se deitou o abraçando.
—Posso... posso arriscar que o tempo que estávamos dando... terminou? – perguntou ele – Você vai voltar pra mim?
—Amanhã, ok? – perguntou ela cansada. Precisava falar sobre o dia do veneno de fada primeiro. Depois, se ele ainda a quisesse, ela voltaria pra casa. Para ele.
—Amanhã. – concordou Damian a abraçando.
Dormiu um sono tranquilo e calmo. Aliviado. Ele estava de volta. De volta pra ela. São e salvo. Era só o que importava.
Acordou no dia seguinte sozinha na cama. Olhou ao redor, se sentando e viu que Damian estava sentado numa poltrona, com Póllux e Castor no colo. Ele já estava vestindo suas roupas e Jacques Burke conversava com ele. O sogro viu que ela tinha acordado e sorriu meio sem jeito.
—Desculpe, Alhena. Te acordei? – perguntou o sogro.
—Está tudo bem. – disse Alhena se espreguiçando. Damian sorriu pra ela, parecendo sereno e ela gostou de vê-lo assim. Se levantou e limpou a areia dos olhos, quando a porta se abriu e viu homens do Ministério. – O que houve?
—Senhor Burke... – murmurou um deles, que parecia insatisfeito – Eu realmente não queria fazer isso... mas... eu recebo ordens.
—O que? Que ordens? – perguntou Damian, se levantando.
—O Senhor está preso. – disse ele – Por corrupção... você está envolvido com os esquemas de desvio de dinheiro de Charles Burton.
—O que? – perguntou Damian, arregalando os olhos.
—Eu realmente sinto muito... mas não se preocupe. Nós não temos um caso sólido. Você deve ser solto logo. – explicou o auror.
—Não! Isso é um absurdo. O meu filho... – começou Jacques, se levantando.
—Pai. Está tudo bem. – murmurou Damian colocando Póllux e Castor na poltrona – Eu vou cooperar... Lena. – ele olhou para ela e sorriu – Conversamos depois, ok?
Ela concordou com um aceno de cabeça.
—Não... não demore. – murmurou ela.
Ele piscou e se deixou ser guiado pelos aurores.
**
Rasalas chegou em casa com um sorriso no rosto. Logo Damian estaria solto. A corte não tinha como provar que ele sabia que o dinheiro que estava guardando era roubado. Na verdade, não podiam nem provar que ele sabia que era dinheiro.
E no exato momento em que ele sugeriu, no julgamento, que se investigassem todos os que já tinham feito aquele tipo de “aluguel” na Borgin&Burke, ninguém pareceu muito empolgado em investigar. Na impossibilidade de comprovar a culpa, seu amigo seria liberado no dia seguinte. No fim das contas, Damian ficou preso apenas algumas semanas em Azkaban.
Rasalas tirou o casaco, o pendurando no cabideiro. Já era dezembro. Os enfeites de natal começavam a tomar a rua. Olhou pela janela, onde o vizinho trouxa começava a pendurar as luzinhas pisca-pisca e sorriu.
—Amor! Vem cá! Vem cá! – gritou Daphne de dentro de casa. Rasalas colocou o chapéu coco no cabideiro também e foi para o corredor.
—Daphne? – perguntou a procurando. Ela saiu de dentro do quarto e sorriu pulando em seu colo, para beijá-lo.
—Hum... ok... – disse rindo e a prensando contra a parede, já querendo fazer alguma coisinha pervertida, mas Daphne o empurrou de leve e mostrou um frasquinho azul – O que é isso?
—Estou grávida! – riu ela.
Sempre achou que ficaria assustado quando ela finalmente falasse isso. Mas sentiu um frio lhe subir a espinha e um calor envolver seu corpo, como se tivesse tomado a maior caneca de chocolate quente do mundo.
—Sério? Tem certeza? – perguntou empolgado. Verdadeiramente empolgado. Surpreendentemente empolgado. Daphne balançou a cabeça, afirmativamente, com o maior sorriso do mundo no rosto. Rasalas gritou de alegria e a levantou pela cintura, a girando no ar. Daphne gritou alegre também e os dois se beijaram em seguida – Oh, eu te amo tanto!
—Eu também. Eu também! – riu ela. A colocou no chão e Daphne alisou a barriga perfeitamente lisa – Menino ou menina?
—Merlin. Eu não posso ter uma filha. Já pensou o inferno que eu faria na vida dela? – perguntou sorrindo acariciando a barriga dela – Eu vou falar pros meus pais, ok?
—Ok! – disse ela dando pulinhos de alegria. Sorriu da empolgação dela e foi até a lareira. Jogou o flu e disse o endereço.
Enfiou a cabeça nas chamas e gritou pelo pai.
Viu Pollaris aparecer e olhá-lo com curiosidade.
—Ras! – disse ela.
—Eeeei, cadê o papai? – perguntou rindo.
—PAPAI! – gritou Pollaris. Rasalas deu uma risadinha e seu pai apareceu no seu campo de visão.
—Se estiver ai pra falar que brigou com a sua mulher de novo... – começou Rabastan com os olhos semi cerrados.
—Eu vou ser pai. – cortou Rasalas com um sorriso feliz.
Rabastan piscou em choque e sorriu.
—Tem certeza?
—Sim. Daphne fez o teste.
—O que está esperando? Vem pra cá encher a cara! EMILY! – gritou Rabastan fazendo Rasalas sorrir.
—O QUE? – gritou a mãe, de outro aposento.
—VOCÊ VAI SER AVÓ DE NOVO!
Rasalas sorriu e olhou para o pai.
—Você não vai ser não? – perguntou com um sorrisinho.
—Eu não. Vou ser avô. – riu ele, piscando. – Seu avô vai ficar contente. – garantiu Rabastan.
Tia Addie e sua mãe apareceram juntas.
—Então finalmente resolveu, rapaz? – perguntou tia Addie com um sorrisinho – Já não era sem tempo, não é?
—Estou indo praí, ok?
—Chame a sua irmã. Ela vai ficar feliz de tomar algumas pra comemorar. – riu Addie – E chame meu priminho também. Tem tempo que eu não vejo ele.
—Claro. Ele é casado com a minha cunhada. Vou falar com o Draco sim. – riu Rasalas – Falo com eles e vou praí, ok? – perguntou ele.
—Estaremos esperando. – garantiu Rabastan.
***
Póllux e Castor brincavam na sala enquanto ela abria mais um frasco. Furou o dedo mais uma vez, praguejando, e deixou que uma gota de sangue cair no líquido transparente. Sacudiu o vidrinho de leve e, assim como todos os outros cinco, ele ficou azul escuro.
—Merda... – Alhena praguejou baixinho – Merda, merda, merda...
CRAQUE
Pulou de susto e deixou o frasco cair no chão. Se virou e viu Damian de pé, com um rosto cansado e uma ruga embaixo de seu olho, que nunca mais deixaria seu rosto.
—Olá, Lena... eu estou livre... – murmurou ele com um sorriso feliz. Alhena respirou fundo, sem saber como reagir. Mas então sorriu emocionada e correu até ele para abraçá-lo. Ele a abraçou de volta e a beijou na têmpora – Graças a Merlin. O pesadelo terminou... – murmurou ele.
Alhena concordou e o olhou. Mas ele não olhava pra ela. Olhava pra mesa.
—O que foi?
—O que é isso? – perguntou Damian olhando para os frascos. Os testes. Alhena sentiu um frio lhe subir a espinha. Damian sorriu parecendo maravilhado – Você está grávida?
Ela sorriu nervosa e acenou positivamente.
—É... acabei de descobrir... – murmurou.
Damian sorriu e gargalhou a beijando simplesmente feliz.
—Oh, Alhena... é disso que precisávamos. De mais um bebê... – riu ele a olhando feliz – Nós vamos tentar de novo, não é? Me diz que sim... eu te amo tanto, meu amor... – Ele a beijou de novo e ela não soube o que fazer. – Foi de antes de terminarmos, não é? – perguntou ele. Ela abriu a boca pra falar que talvez fosse – Eu não usei o feitiço em mim, naquela vez. Eu esqueci... me desculpe... naquele dia, quando fizemos pela manhã... lembra?
—Lembro... – murmurou com um sorriso nervoso – Foi a última vez que transamos.
Damian sorriu e se virou para os garotos, que já estavam de pé atrás dele, pedindo colo pro papai. Ele os pegou e os beijou na testa.
—Vocês ou viram? Vão ganhar um irmãozinho ou irmãzinha! – disse ele empolgado.
Alhena achou que iria morrer. Como contar pra ele que talvez não fosse dele?
E finalmente entendeu perfeitamente como ele se sentira com Clover. Engoliu em seco e decidiu que só falaria depois de ir no curandeiro e ver de quantas semanas estava. Se fosse de Damian, contaria que o filho era dele, mas que ela e Draco tinham tido um momento de bebedeira e irresponsabilidade.
Mas se fosse de Draco...
Céus. Ela não fazia ideia do que faria se fosse de Draco.
Escutaram as chamas da lareira arderem e a cabeça de Rasalas apareceu no fogo.
—DAMIAN! Você voltou? Achei que só seria liberado amanhã! – riu o irmão.
Damian sorriu contente.
—Acho que hoje é meu dia de sorte. – respondeu Damian.
—O meu também. – riu Rasalas – Meus pais querem vocês aqui hoje a noite pra comemorar. – disse ele. Damian olhou para Alhena e ela franziu o rosto – Eu vou ser pai.
—Sério? – perguntou Alhena – Parabéns, Rasalas!
—Sim. – riu o irmão.
—Nossos filhos estarão juntos em Hogwarts então. – riu Damian. Rasalas o olhou curioso – Lena acabou de descobrir que está grávida.
Alhena deu uma risadinha nervosa.
—Pois é... – murmurou ela.
—CACETE! Deixa só eu contar pra Daphne! Venham pra cá agora! – riu Rasalas, desaparecendo das chamas. Alhena olhou para Damian e recebeu um sorriso dele.
Ele veio andando até ela, com os filhos no colo, mas os colocou no chão, para beijar a barriga dela. Alhena olhou o marido de joelhos em sua frente.
—Eu acho que Draco deveria ser o padrinho desse. – disse ele – Ele protegeu você das minhas inconsequências...
—Ãhn... não sei... – murmurou nervosa.
—Eu falo sério. Rasalas já é padrinho de Póllux e Castor. – riu Damian – Deixe Draco ser desse aqui. – riu ele a beijando de novo na barriga. Por que não me mata logo, Damian? Sentiu as mãos dele lhe acariciarem na barriga e ele suspirou parecendo feliz e muito cansado – Você... você vai me dar outra chance, não é? – perguntou ele – Eu juro nunca mais esconder nada de você, ok? Nunca mais...
Alhena engoliu em seco.
—Damian... eu...
—Por favor, Lena. É só o que eu quero. – ele se levantou e a olhou nos olhos – Eu quero você... eu quero nossa família de volta. Por favor. Por favor. Eu sei que eu fiz merda, mas... mas eu já paguei. Não paguei?
—Claro, Damian... é só que... – ela engoliu em seco e ele a olhou parecendo quase aflito – Eu ainda estou em choque... – riu ela.
Ele sorriu e a beijou mais uma vez. Não conseguiu resistir ao beijo dele. Como resistir? Estava emocionalmente desestabilizada.
—Eu te amo. Eu te amo tanto... – murmurou ele – Vamos, Lena. Me dê mais uma chance. Por favor?
Ela engoliu em seco.
—Eu te amo, Damian... você é o homem da minha vida... mas... mas eu... quando nós estávamos separados eu...
—Não importa, ok? – perguntou ele sorrindo. Alhena soltou um suspiro.
—Mesmo? Não quer nem saber...
—Não. Eu quero nossa família. Eu, você, Póllux, Castor... – ele a beijou carinhosamente na testa e tocou sua barriga – E esse bebezinho aqui.
****
—Que dia feliz! – riu Rabastan ficando de pé para o brinde. Draco estava quase entediado. Astoria estava ao seu lado, segurando sua mão. Tinham voltado de novo e ele tinha concordado em esperar um pouco antes de tentarem de novo ter um filho. Ele ainda estava chateado com ela e precisavam de um tempo para recuperarem a sinergia um com o outro. Ou ao menos foi a desculpa que ele tinha arrumado. Ele não quis contar sobre como Alhena estava visitando sua mente constantemente. Olhou para ela, ao lado de Damian, que parecia exultante. Será que ele sabia? Achava que não. O amigo o abraçara quinhentas vezes o agradecendo por tudo, dizendo que jamais seria capaz de agradecer o suficiente. Draco ficaria satisfeito se ele lhe desse um soco. – Nossa família segue crescendo. Primeiro Rasalas me dá a maravilhosa notícia de que ele vai ser pai... – todos aplaudiram e Draco sentiu-se um pouco invejoso. Queria ser pai também. Queria um herdeiro também. Mas Astoria era oca. Ela era oca... estava disposto a tentar de novo, mas ele sabia que não daria em nada... – E depois, no mesmo dia, ele acabou entregando que seria tio de novo. Não é maravilhoso?
—Como assim? – perguntou Daphne, olhando entusiasmada para Alhena, que corou violentamente. Draco sentiu um imenso frio na barriga e a olhou, em choque.
—Alhena também está grávida. Não é ótimo? – perguntou Rabastan.
—Uai... mas você não estava preso... e antes disso em coma? – perguntou sua prima para Damian. Draco quis pisar no pé dela, mas ela estava longe demais pra isso.
—Dois meses. – respondeu Alhena – Quase três, na verdade. – riu ela.
Céus... ela está mentindo?
Ficou encarando Alhena, na esperança que ela o olhasse de volta, mas ela não o fez. Sua mão começou a suar e ele soltou a de Astoria, com medo que ela notasse. Puta que pariu. Em que merda poderia estar metido? Será que o filho era dele? Será que ela tinha certeza que era do Damian?
Bateu palmas, como todo mundo, tentando parecer feliz pelo casal, mas a verdade era que estava quase em pânico. Olhou para Alhena novamente, mas ela parecia simplesmente disposta a não olhá-lo.
Jantaram animados... bem... o resto da mesa estava animada. Principalmente Rasalas e Damian. Mas Alhena parecia sem fome. Ele também, na verdade. Estava prestes a ter um ataque.
—Não se preocupe, ok? – perguntou Astoria num sussurro. Quase virou na cadeira, de susto e a olhou sem entender – Eu sei que um dia vamos ter um bebê. Eu sinto isso, ok?
Ele concordou com um aceno de cabeça e tentou comer um pouco. Estava demonstrando sua inquietação. Não poderia fazer isso. Ninguém poderia suspeitar. Não enquanto não falasse com ela.
Quando o jantar acabou e o grande grupo começou a se dividir em grupos menores, Alhena se afastou, provavelmente para ir ao banheiro. Aproveitou a deixa para segui-la e a encurralou no corredor. Ela o olhou parecendo desesperada. Os dois olharam ao redor e entraram num quarto qualquer, onde Draco fechou a porta e deixou imperturbável.
—Parabéns pela gravidez. – disse nervoso. Alhena cruzou os braços, sem encará-lo – É meu?
Ela soltou um longo suspiro e o olhou parecendo desesperada.
—Eu... eu não sei... – murmurou ela.
—Podemos descobrir isso com uma poção. Podemos escapar e ir comprar agora no Beco Diagonal e...
—Vão desconfiar. – murmurou ela.
—Não se formos rápido. Estão todos bebendo. – retrucou ele.
—Daphne não está bebendo...
—Alhena. Pelo amor de Merlin. Precisamos saber sobre isso! – disse Draco – Damian nem desconfia?
—Ele não me deixou falar. – murmurou ela – Eu tentei falar, mas ele disse que não importava o que eu tinha feito. Ele não quis nem saber. Só queria que... que a gente voltasse.
—Lena. E se for meu? – perguntou desesperado – Você... você deixaria ele pra ficar comigo?
—Draco. – murmurou ela em pânico sacudindo a cabeça – Você é casado.
—Você também, mas isso não nos impediu de fazer aquilo no meu escritório. – respondeu sentindo um solavanco no estômago. – Eu amo a Astoria. Mas eu te amo também... e talvez a gente vá ter um filho, Lena... por favor... vamos comprar a poção agora.
—Eu não vou largar o Damian. – disse ela num sussurro – Eu amo o Damian, Draco.
—Você está se deixando levar pelo momento. – disse ele – Foi porque ele ficou em coma. Depois porque ele ficou preso. Mas você gosta de mim! – disse um pouco desesperado. Ela o olhou chocada.
—Draco...
—Você disse quando a gente transou. Você disse que me queria...
—Draco... você me chamou de Astoria. Você gosta é dela. Não de mim.
—Astoria não pode me dar um filho. Você pode! – disse Draco sem se lembrar disso.
Alhena o olhou boquiaberta e negou com a cabeça.
—Não. Não, Draco. Isso é muito egoísmo da sua parte. Eu não vou comprar poção alguma hoje... eu... eu vou no curandeiro e ver com quantas semanas eu estou. Se o filho for do Damian, eu vou contar tudo pra ele e... e passar essa história a limpo.
—E se for meu, heim? O que vai fazer? Vai mentir pra ele? Não vai me deixar criar o meu filho? Isso sim é egoísmo.
—Eu... eu não sei o que eu vou fazer, Draco. Mas... mas eu sei que não vou resolver nada hoje. Por favor. Por favor. Não fale nada a ninguém. Não antes de eu explicar tudo pro Damian.
Draco soltou um suspiro e concordou com a cabeça.
—Ok. Eu... eu espero. Mas não demore muito. Ou eu vou ficar louco, ok?
—Ok. Prometo que vou fazer isso o mais rápido possível, tá bom?
—Certo.
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