Notas iniciais
Olá, pessoas amadas do meu coração. Eu não ia postar hoje, só quarta feira mesmo... maaaaaaaaaaaaaaaaas, minha lindíssima xará fez um presentinho pra mim! Me emocionou tanto, que graças a ela eu resolvi postar esse capítulo hoje.. Vejam o presente antes de ler, ok? E preparem o S2... Beijos! Titia ama vocês ^~

#TeamDamian

Capítulo 46

Acordou e notou que Draco estava deitado no outro sofá. Ele se recusava a ir embora. Alhena se sentou e se espreguiçou. Estava morrendo de saudades e preocupação com Damian. Já tinha duas semanas que não o via. Duas semanas sem saber se ele estava estável, ou piorando, ou melhorando. Mas o curandeiro estava decidido a não deixar Damian receber visitas.

E por conta disso, Draco simplesmente não ia embora. Ficou sentada observando o amigo cochilar. Ele só ia pra casa quando Póllux, ou Castor, ou Rasalas vinham visitá-la. Provavelmente porque ele a vira com aquela adaga. Uma ideia idiota da parte dela. Ela apenas estava em choque.

Estava envergonhada, terrivelmente envergonhada, por sequer ter cogitado aquilo. Tinha muitos filhos para criar. Provavelmente tinha sido o momento mais egoísta de sua vida.

Suspirou e se levantou, querendo tomar um café, quando Draco acordou também, tossindo desesperadamente.

—Mosquito filho da... – resmungou ele coçando a garganta e Alhena caiu na gargalhada – Não ria! Eu podia ter morrido engasgado. – resmungou Draco, mas ele mesmo estava rindo. Infelizmente o momento não durou. As risadas não duravam muito ultimamente... não naquela casa... parecia ser errado sorrir, enquanto Damian estava na contagem regressiva para morrer.

—Desculpe.

Draco suspirou, parecendo muito sério e se levantou, indo para o banheiro. Achou o movimento dele estranho e o seguiu. Tentou escutar alguma coisa, mas só tinha silêncio ali. Ficou esperando Draco sair do banheiro, com uma sensação estranha no peito. Minutos depois ele abriu a porta e a olhou confuso.

—O que foi? – perguntou ele.

—Está tudo bem?

—Sim... eu só vim escovar os dentes e... hum... usar o banheiro... por que? – perguntou ele.

Por um momento se lembrou de Damian, inventando desculpas para suas tosses, antes de contarem sobre a doença dele.

—Draco... – murmurou sentindo medo – Você... você não está... doente... está?

Draco sorriu e negou com o rosto.

—Claro que não, Lena. Eu estou bem. – riu ele. O abraçou assustada. Não aguentaria perdê-lo também. Ficaria louca... louca de vez – Eu estou aqui... sempre aqui, ok?

—Promete?

Ele soltou um suspiro.

—Eu já menti pra você? – perguntou ele. Negou com um aceno de cabeça e o encarou.

Draco sorriu gentil e a beijou na testa. Os dois se olharam nos olhos e ela sentiu um frio lhe subir a espinha. Um calor que há muito não a tomava, já que Damian já não dava mais conta de... bem... esquentar... mas agora ela sentia aquela sensação no estômago, aquele frio na espinha, os cabelos se arrepiaram e ela prendeu a respiração. Por um momento se imaginou fazendo a coisa mais errada possível... céus... fazia tanto tempo...

Viu Draco engolir em seco, a encarando. Provavelmente enfrentando os próprios dilemas... uma voz egoísta sussurrou em seu ouvido que Damian estava para morrer... ela fora dedicada o suficiente. Mas os dois respiraram fundo da mesma maneira e então se afastaram.

—Eu... hum... vou escovar os dentes. – disse corada.

—É... eu vou... vou pra casa. Eu acho melhor... – disse Draco.

—É... talvez... – mas nenhum dos dois se moveu. Os dois ficaram se encarando.

—Me mande embora antes que eu faça uma loucura. – pediu ele a olhando nos olhos. Mas então ele desceu o olhar. Viu os olhos azul-cinza dele passearem por seu corpo e brilharem de um jeito que ela não estava mais acostumada a ver... – Diga que... que não deveríamos fazer isso...

—Nós não podemos fazer isso. – disse olhando para Draco, o achando muito bonito. Ele sempre fora muito bonito. Engoliu em seco e recuou um passo, se recostando na parede – Não... não podemos. – Draco engoliu em seco e concordou.

—É... mas... – ele suspirou – Não. Eu... eu... – ele engoliu em seco – Eu preciso ir. Com licença.

Draco pegou a varinha e aparatou. Alhena quase escorregou pela parede, até o chão, mas manteve os joelhos firmes.

Se sentindo horrível por aquele momento, correu até o quarto, sentindo-se quente num lugar onde há anos não se sentia realmente aliviada.

—Eu não sou assim. – murmurou pra si mesma – Eu não acredito que sequei o Draco daquele jeito. Eu sou casada, meu Merlin... e fiz isso na casa do meu marido... – Seu quase morto marido. Sussurrou aquela voz egoísta em si, mas a ignorou. Foi para a banheira e a encheu, com a cabeça cheia de ideias estúpidas. Se despiu e entrou na água quente, sentindo falta de Damian.

Foi quando se lembrou de uma conversa com Draco... quando ele perguntou como ela fazia para se satisfazer, já que Damian já não dava mais conta. Se lembrou de seu vibrador e se sentiu tentada a pegá-lo.

Respirou fundo e se negou. Não. Não faria aquilo. Ainda mais porque Draco ainda estava sondando seus pensamentos.

Tomou banho, ainda sentindo-se desconfortável com todo aquele desejo que sentia. Depois se arrumou e foi para a sala. Foi quando viu a coruja com o envelope azul. Suspirou e abriu a janela, pegando a carta. A coruja piou exigindo o pagamento e ela precisou pegar umas moedas no jarro que tinham para os trocados.

Abriu o envelope, fechando a janela assim que a coruja voou. Se sentou no sofá, lendo a notícia de que precisava comparecer ao Mungus. Sentiu o corpo estremecer... será que? Será que ele tinha morrido?

Por um momento se sentiu muito exausta. Queria que o marido ficasse bom, que sarasse... não aguentava mais aquele sentimento de angústia, sem saber se ele morreria ou não. Sentia que tinha envelhecido dez anos em três.

Soltou um suspiro e foi até a lareira. Avisou Rasalas sobre a carta, pedindo que ele fosse com ela. Não queria receber a notícia sozinha e não queria incomodar Póllux e Castor. Órion estava na escolinha e só voltaria mais tarde, então... então ela teria tempo para se recompor... ou ao menos ela torcia pra isso...

Se encontrou com Rasalas e Draco no Mungus. Draco a olhou constrangido e ela fez o mesmo. Mas logo disfarçaram.

—Pronta pra falar com o médico? – perguntou Rasalas.

—Sim. – respondeu ela.

Draco a olhou, mas logo desviou o olhar, parecendo sem jeito. Rasalas segurou sua mão e os três foram andando até a sala do curandeiro, mas o homem não estava lá, só a enfermeira dele.

—Sra. Bruke... o doutor Amaru não está aqui agora. Ele está no quarto do Sr. Burke.

—Meu marido está bem? – perguntou com a voz baixa, com alguma dificuldade para falar. A enfermeira sorriu.

—Eu não sei a situação dele, Sra. Burke... a senhora deveria ir para o quarto... 609, para falar com o doutor.

—Ok... – murmurou Alhena. Os três foram andando com os passos lentos e ansiosos. Apertou a mão de Rasalas com força e sentiu um nó na garganta.

—Calma, mana... eu estou aqui com você, ok? – perguntou ele – E o Draco também e... – escutaram passos apressados e se viraram. Era Blair quem vinha correndo.

—Desculpem o atraso! – disse ele parando para recuperar o fôlego – Eu precisei resolver umas coisas. Como ele está?

—Ainda não sabemos. – murmurou Rasalas – Estamos indo lá agora.

Blair concordou com um aceno de cabeça e a puxou para um abraço.

—Eu espero que ele esteja melhor, mas se o pior tiver acontecido... – Alhena se sentiu minúscula nos braços daquele homem enorme – Saiba que ele sempre te amou demais, Lena e que ele iria querer que você fosse feliz.

Sentiu um frio no estômago, se lembrando daquele momento constrangedor com Draco. Não o olhou, mas por algum motivo soube que ele tinha lembrado daquilo também.

—Obrigada, Blair.

—Vamos lá. – murmurou Rasalas – Vamos ver se... ele... se ele... – seu irmão engoliu em seco, olhando para baixo, com os olhos cheios de água. Draco deu uns tapinhas no ombro dele e os dois se olharam parecendo emocionados – Vamos. – disse Rasalas, determinado.

Voltou a segurar a mão dele com força e foram até o quarto 609. Alhena respirou fundo e segurou a maçaneta. Ela fungou, preocupada e então abriu a porta, entrando cabisbaixa e com medo do que veria ali.

Respirou fundo e levantou o olhar. Sentiu o coração disparar, os joelhos tremerem e as mãos suarem. Sentiu um frio lhe subindo a espinha e um sorriso lhe tomar o rosto. Uma sensação de alívio e imensa felicidade a tomou...

Porque Damian estava de pé, vestindo a camiseta. Os cabelos estavam brancos, mas a pele não estava mais manchada. Ele estava muito magro, mas não tanto, tendo até ganhado alguns quilos. Ele levantou o olhar para eles enquanto terminava de abotoar a camisa e os encarou muito sério.

—Damian! – disse perdida em euforia. Largou a mão do irmão e correu até ele, para abraçar o marido. Damian a abraçou de maneira um tanto automática, mas não ligou. Apenas o apertou contra si, com as lágrimas de alegria lhe molhando os olhos – Meu amor! Você voltou pra mim! – disse imensamente feliz. Mas Damian não respondeu. Ele colocou as mãos em seus braços e a afastou de leve. Ele não a olhava. Olhava para alguém atrás dela – Damian? Tudo bem?

—Está? – perguntou ele de maneira estranhamente fria. E então ele olhou para Draco com um olhar muito frio – E então, Malfoy. – rosnou ele. Alhena franziu a testa e olhou para trás, para Draco, que estava empalidecido – Não esqueceu de algo?

—Eu não sou o único. Que tal um: Obrigado, Draco. Por salvar minha vida? – perguntou o loiro. Alhena franziu a testa ainda mais, completamente confusa.

—O... o que? – perguntou olhando do amigo para o marido.

—Ou que tal ao menos beijar a sua esposa, seu ingrato? Que passou esse tempo todo sofrendo por você? – perguntou Draco, fechando a cara.

Alhena olhou para Damian, completamente confusa.

—Eu tenho certeza de que você a confortou muito bem. – rosnou ele. Draco engoliu em seco e desviou o olhar – Não esperou nem constatarem que eu tinha morrido, não é? – perguntou ele.

—Não aconteceu nada entre eu e Alhena. Seu imbecil! – rosnou Draco – Qual o seu problema?

—Você é meu problema, Malfoy. Você! – rosnou Damian.

Draco abriu a boca, parecendo ofendido, enquanto ela, Rasalas e Blair olhavam de um para o outro, sem entender absolutamente coisa alguma.

—Você é... um... completo... babaca! – rosnou Draco – Fale com sua mulher, pelo amor de Merlin!

Alhena começou a se sentir muito mal com tudo aquilo. Olhou para Damian, que apenas olhou para o chão, parecendo zangado.

Foi quando o medibruxo entrou, com um sorriso animado.

—Sra. Burke! A senhora chegou! Que bom. – disse ele – Damian teve uma recuperação impressionante, não acha?

—Sim... – murmurou olhando para o marido, se perguntando o motivo dele parecer tão zangado e tão distante. O motivo por ele não tê-la olhado nem uma vez sequer.

—O fungo não desapareceu por completo, então não podemos ficar cem por cento tranquilos, mas... – o Dr. Amaru se calou notando o claro sentimento de constrangimento que pairava ali – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

—Não, doutor. Está tudo ótimo. Eu já posso ir? – perguntou Damian.

—Ah... só um momento... eu só preciso... – murmurou o medibruxo, ainda parecendo confuso.

—Bem. Eu não preciso ficar aqui, encarando esse ingrato. – rosnou Draco, se virando.

—Não ouse, Malfoy. Nós ainda vamos conversar.

—Me obrigue. – devolveu Draco de um jeito que a fez se lembrar de quando eram adolescentes. Draco deu um sorriso desdenhoso para Damian – Hidromel teria tido um gosto melhor do que isso.

—Eu tenho certeza de que preferiria que eu estivesse morto. – rosnou Damian.

—Damian! – ralhou Alhena, em choque.

—Assim poderia fazer o que quer fazer há séculos, não é?

—Oh. E o que seria isso? – perguntou Draco.

—Você sabe muito bem!

—Socar você? Eu preferiria fazer isso com você vivo, sabe?

—Senhor Malfoy. Por favor, se retire. – ralhou o medibruxo.

—Com prazer. – sibilou Draco. Rasalas soltou um muxoxo e foi atrás de Draco, enquanto Blair ainda olhava para tudo aquilo parecendo tão perdido quanto ela.

—Sente-se, Sr. Burke. Eu preciso fazer uma última avaliação, de cinco minutos, e o senhor poderá ir pra casa... ainda não pode beber, muito menos fumar. Mas sexo está liberado, desde que não se esforce muito. Tente ficar...

—Não se preocupe com isso. – rosnou Damian sem olhá-la. Alhena abriu a boca, em choque e se virou, querendo sair de lá.

Não entendia o comportamento dele. Deixou a sala e viu Draco e Rasalas discutirem metros a frente. Ainda pode escutar Blair falar “qual o seu problema?” para Damian, mas o marido não respondeu.

Alhena se abraçou, se sentindo idiota. Não conseguia entender o motivo para Damian estar daquele jeito. Respirou fundo, completamente magoada. Toda a alegria que tinha sentido estava transformada em dor. Soltou um soluço e se virou, querendo ir até o banheiro. Não iria chorar ali, por mais frustrada que estivesse.

Encontrou um banheiro vazio e se sentou na privada, para chorar, completamente magoada e devastada. Se lembrou de uma vez, muitos anos atrás, quando era apenas uma garotinha...

“Sua irmã é legal, mas não faz meu tipo.”

Lembrava de ter escutado Damian falar aquilo muitos anos atrás, como se ela nem estivesse presente. Partiu seu coração em milhares de pedacinhos. Ficou tão triste que correu para o banheiro e ficou chorando lá, enquanto Daphne a consolava, dizendo que Damian Burke era um idiota. E agora ela estava sentada na privada, se abraçando, chorando e pensando a mesma coisa.

O que raios tinha feito para receber aquele tratamento dele? Ele nem se deu ao trabalho de olhá-la... nem se deu ao trabalho de falar com ela... estava se sentindo um lixo. Um completo pedaço de lixo. Tampou a boca com as mãos, para não fazer barulho, tendo espasmos enquanto chorava.

Eu não entendo. O que eu posso ter feito, pra deixá-lo zangado daquele jeito? Será que ele acha que eu não vim visitá-lo todo esse tempo por preguiça? Será que o doutor Amaru não falou que eles simplesmente não me deixaram vir vê-lo? Eu não entendo...

Puxou o ar, se abanando, tentando parar de chorar. Tentou se acalmar e repetiu pra si mesma que Damian deveria apenas estar um tanto confuso. Ele não queria falar aquelas coisas... com certeza não. Ele logo estaria pedindo desculpas e explicaria a situação toda.

Respirou fundo se encostando na parede. Um sorriso brotou em seu rosto.

Ele voltou. Ele voltou pra mim. Eu estou tão feliz de vê-lo de novo!

Seu choro se transformou num sorriso e ela se levantou.

Nada de choro, Alhena. Ele só deve estar confuso, só isso... vai ficar tudo bem. Você não fez nada de errado.

Respirou fundo e foi até a pia. Lavou o rosto e o secou com um feitiço. Retocou a maquiagem e lançou uns feitiços de glamour no próprio rosto, para desinchá-lo e deixá-lo menos vermelho. Respirou fundo mais uma vez e saiu do banheiro. Ras e Draco a esperavam, preocupados.

—Eu sinto muito. Ele é um imbecil. Você quer que eu machuque ele pra você? – perguntou Draco.

—Está tudo bem... ele só deve estar confuso. Com as memórias confusas... – murmurou, se prendendo a aquela esperança.

—Ok. Agora explique pro seu irmão que nós não estávamos nos agarrando, por favor! – resmungou Draco jogando as mãos pra cima – Francamente. Mesmo se nós estivéssemos, eu não viria correndo contar pro seu marido.

Rasalas a olhou com um olhar questionador e ela se sentiu tentada a dar um tapa na cara dele.

—Que absurdo sequer cogitar isso, Rasalas! – ralhou ela – Eu e Draco somos apenas amigos. Nunca fomos mais do que isso.

—Você acha. – resmungou Rasalas. O olhou sem entender e Draco chutou o tornozelo dele – Filho duma rata! – rosnou Rasalas pulando num pé só.

—Por você ser um idiota. – rosnou Draco. Ele respirou fundo e a olhou – Escuta, Lena. Se ele for grosso com você de novo, é melhor nem me contar, ou eu não vou responder pelas minhas ações. – disse ele pegando a varinha – Eu to indo pra casa.

—Draco! – mas ele simplesmente aparatou. Soltou um muxoxo e olhou para Rasalas – Por que Draco acha que salvou a vida do Damian?

—Porque ele desenvolveu o soro que salvou o Damian. – resmungou Rasalas – Ele estava aplicando sozinho e então entregou alguns frascos para o Amaru. Draco é inteligente pra caramba.

Alhena abriu a boca em espanto.

—Está falando sério?! – perguntou em choque – Mas... mas como?

—Ele vem trabalhando nisso há séculos. – resmungou Rasalas – Vamos. Vamos ver o Damian.

Concordou com um aceno de cabeça e os dois foram andando até a sala 609 novamente. Damian estava de pé, ao lado da porta, recebendo algumas últimas orientações do medibruxo, enquanto Blair observava com as mãos nos bolsos, encostado na parede.

—... seria interessante que tentasse, Sr. Burke. A quantidade de hormônios liberados no ato sexual são completamente...

—Eu entendi, doutor. Eu vou ver o que vou fazer, ok? – perguntou ele. Alhena soltou um suspiro, corando de leve e em seguida olhou para o medibruxo.

—Doutor... por que ele está tão hostil? – perguntou sem jeito. Damian não a olhou novamente. Rasalas soltou um muxoxo e o medibruxo o imitou.

—Eu não sei o motivo de seu marido estar agindo como um idiota quando deveria estar mostrando mais gratidão a toda devoção e carinho que a senhora teve para com ele, Sra. Burke. – respondeu o doutor Amaru – Mas pelo menos ele está vivo. Se ele piorar, ele precisa voltar para avaliarmos como está o nível do fungo no organismo dele.

—Certo... – murmurou olhando para Damian, que seguia sem olhá-la. O medibruxo se afastou e Alhena segurou a mão do marido, timidamente – Amor?

Damian bufou parecendo zangado e a olhou friamente.

—O que houve, Damian? – perguntou Rasalas – Você voltou dos mortos, cara! Não está feliz?

Damian engoliu em seco e olhou para Rasalas. Por que ele não olha pra mim?!

—Onde está o Malfoy?

—Ele foi embora depois de você agir feito um... um... retardado. – ralhou Rasalas.

Damian deu um sorriso zangado e revirou os olhos.

—Fugiu. Típico. Mas ele não vai fugir de mim. Você vem comigo, porque eu quero tirar um monte de coisas a limpo. – disse Damian para Rasalas. Alhena não estava entendendo, mas algo naquilo fez sentido para Rasalas.

—Esquece isso, Damian.

—Eu não vou esquecer! – rosnou ele – Eu quero respostas e eu quero agora. Malfoy mentiu pra mim. Você mentiu pra mim... – ele então, finalmente, a olhou de maneira extremamente gélida – E talvez até você.

—O que? – perguntou confusa – Menti sobre o que?

—É o que eu pretendo descobrir. Você vem comigo ou não, Ras? – perguntou Damian. Rasalas soltou um muxoxo e revirou os olhos.

—Eu deveria te convencer a não ir, mas sabe... você está sendo tão babaca que eu vou te levar lá. Espero que curta seu funeral, Damian. – rosnou Rasalas.

—Do que vocês estão falando? – perguntou sem entender. Blair observava tudo em silêncio, mas parecia tão perdido quanto ela.

—Fique fora disso. – rosnou Damian. Alhena recuou um passo e desviou o olhar, magoada.

—Eu vou pra casa... – murmurou sentindo o coração sangrar – Eu não vou ficar aqui mendigando algum tipo de afeição de você, quando claramente você não está interessado em me dar. Com licença...

—Lena... – murmurou seu irmão, mas simplesmente se virou e se afastou. Iria pela rede de flu, porque estava com medo de estrunchar. Não estava bem, emocionalmente. O dia mais feliz de sua vida parecia um pesadelo terrível.

Caminhou pelo hospital, procurando uma lareira, quando uma voz desconhecida a chamou.

—Alhena Lestrange? – perguntou a voz. Se virou, curiosa. Há anos não a chamavam assim, pelo nome de solteira. Viu uma jovem bruxa, muito alta, de cabelos compridos e amarelos – Olá. Eu me chamo Valkíria... eu trabalho com o seu irmão, Rigel.

—Oh... ok... olá, Valkíria...

—Você tem notícias dele? Tem três dias que ele não aparece no trabalho. – murmurou ela. Alhena piscou, surpresa.

—Sério? Eu não estou sabendo de nada. – murmurou sentindo uma sensação ruim no estômago.

—Ele não aparece, não responde aos chamados na lareira... o Sr. Lupin já veio aqui atrás dele, mas ninguém sabe do paradeiro dele... estou ficando preocupada.

Alhena piscou em choque.

—Eu... eu vou ver com os meus pais... talvez eles saibam de alguma coisa.

—Muito obrigada, senhora Lestrange.

—Burke. – corrigiu. Valkíria a olhou sem jeito – Eu sou Alhena Burke.

—Oh, desculpe. – riu ela – Obrigada por tudo, Sra. Burke. Por favor, nos avise caso descubra qualquer coisa.

*

Draco estava no Escritório dos Herdeiros. Ele encarava a própria penseira, sem saber o que fazer. O elfo já tinha informado que Damian e Rasalas estavam ai, então... então o que iria fazer?

A porta se abriu e Damian entrou parecendo furioso.

—Devolva minhas memórias, Draco. – rosnou ele. Olhou para Rasalas, que soltou um muxoxo e concordou com um aceno de cabeça.

Draco se levantou e encarou Damian.

—O que raios aconteceu? Por que está tratando Alhena daquele jeito?

—Porque eu constatei o óbvio. – rosnou ele – Mas eu quero que você me devolva. Eu quero saber cada detalhe de tudo.

—Alhena não tem culpa de... – começou Draco, mas Damian gritou.

—Eu não quero que fique defendendo ela! – rosnou ele – Eu não quero mais que olhe pra ela! Nunca mais! Eu não quero que chegue perto da minha família!

Draco abriu a boca, em choque.

**

—Eu não quero que fique defendendo ela! – rosnou Damian – Eu não quero mais que olhe pra ela! Nunca mais! Eu não quero que chegue perto da minha família!

Draco abriu a boca, em choque.

—Não posso, Damian... – murmurou ele.

—Eu não ligo pra merda nenhuma do que você sente, Malfoy. Me devolva. Devolva agora! – rosnou Damian. Rasalas olhava assombrado. Nunca tinha visto o amigo se zangar daquele jeito com Draco. O loiro suspirou, parecendo infeliz.

—Me desculpe, Damian...

—NÃO! – rosnou Damian – Eu não te desculpo, Malfoy! Você transou com ela, não transou?! – perguntou ele. Rasalas engoliu em seco.

—Nós... nós estávamos bêbados...

—DRACONIS É SEU! VOCÊ MENTIU PRA MIM!

—Eu... eu não podia contar... – murmurou Draco parecendo encolher no lugar.

—NUNCA MAIS CHEGUE PERTO DELES. NEM DE ALHENA. NEM DO DRACONIS, OUVIU?!

—Damian... – murmurou Rasalas.

—E você! – rosnou Damian se virando – Há quanto tempo sabe disso? Heim?!

—Fala sério. Desde sempre. Você já olhou pra ele?! – perguntou Rasalas.

Damian passou as mãos pelo rosto, parecendo furioso.

—Devolva, Malfoy. Devolva agora. – sibilou ele. Draco respirou fundo, parecendo terrivelmente infeliz e pegou a varinha. O loiro conjurou dois frascos e os entregou para Damian.

—Um é seu... o azul... o verde é da Alhena. – murmurou Draco.

—Ótimo. – rosnou Damian. Ele pegou os frascos e abriu o azul. Depois o despejou na própria cabeça. Rasalas e Draco o observaram em silêncio e alguns minutos depois Damian sorriu parecendo furioso – Ótimo! – rosnou ele olhando com fúria para o frasco verde.

—Eu... eu sinto muito, Damian. – murmurou Draco, parecendo muito sincero.

—Que bom que sente, Malfoy. – rosnou Damian. E então ele jogou o frasco de Alhena no chão e pisou em cima dele. Rasalas e Draco abriram a boca em choque – Porque ela nunca mais vai lembrar de você.

—O QUE VOCÊ FEZ!? – gritou Draco caindo de joelhos, como se quisesse pegar as memórias, que se dissolviam no ar... Rasalas estava em choque, sem conseguir reagir.

—Fique longe deles, ouviu?! Fique longe deles! – rosnou Damian.

—Não... não... não... por que fez isso? Por que? – perguntou Draco, que acabou se cortando com os pedaços de vidro – Não podia ter feito isso! Não era seu direito...

—Não era?! – perguntou Damian – Você me traiu! Você fez minha esposa me trair! Você roubou o meu filho de mim! Draconis é seu e não meu! Como você acha que eu vou olhar na cara dele se eu só vou conseguir enxergar você?!

Mas Draco ainda estava tentando salvar os fragmentos de memória. Rasalas desviou o olhar sentindo pena dos dois.

—Não... ela nunca mais... nunca mais vai lembrar de mim... – Draco passou as mãos pelo cabelo o tingindo de vermelho, por conta do sangue – Por que? Eu salvei a sua vida!

—Considere a dívida paga, Malfoy, porque eu realmente queria matar você. – rosnou Damian – Nunca mais fale com Alhena ou com Draconis, ouviu? Nunca mais!

—Não vou fazer isso! – disse Draco desesperado – Eu amo Draconis. E Lena é minha amiga.

—Eu não ligo. Eu não dou a mínima. Por mim você pode morrer sozinho aqui, soterrado e solitário nessa mansão. Amargo e abandonado. Porque é isso que você merece, seu traidor de merda. Você me esfaqueou pelas costas!

—Você traiu a Alhena primeiro! Esqueceu? – perguntou Draco.

—Mas Clover não era nada pra Alhena. Você era meu amigo, seu babaca. Meu amigo. Um dos meus melhores amigos... mas você transou com a minha mulher assim mesmo. Quantas vezes foi, heim, Malfoy? Foi aqui? Foi na sua cama? Heim?

—Damian, pare. – pediu Rasalas.

—Não vou parar. Me responde, Draco. Foi aqui, com seus parentes vendo o cretino traidor que você é? Quis até uma plateia pra testemunhar o quanto você não presta? E o que teve feito nesse meio tempo em que eu estive doente? Estava dando em cima dela? Armando o terreno pra quando eu morresse? Se deu ao trabalho de ao menos esperar eu morrer? Ou já estava tentando seduzir a minha esposa antes disso, heim?!

Damian empurrou Draco, que o olhou furioso.

—Cale a boca! – rosnou o loiro – Você não merece a Alhena. Você é um bosta! Eu devia ter te deixado morrer!

—Pois é. Então você estaria com o caminho livre, não é?

—Pare com isso! – rosnou Draco – Eu não estava esperando você morrer. Eu nem me daria ao trabalho de tentar salvar a droga da sua vida se eu estivesse apenas esperando você morrer.

Rasalas viu Damian e Draco se encararem com fúria.

—Damian, você não faz ideia de tudo o que o Draco passou pra te ajudar... – murmurou Rasalas.

—Você sabia... – rosnou Damian se virando para ele, com o olhar irado – Você sabia mas ajudou esse filho da puta a esconder isso de mim. – Damian o olhou com profunda mágoa e Rasalas engoliu em seco – Eu pensei que você fosse meu amigo.

—Eu sou seu amigo. – disse Rasalas – Assim como Draco é também. E acredite, eu quis matar esse cretino quando eu descobri!

—Ele meio que tentou. – riu Draco com desdém – Mas eu expliquei que foi um acidente...

—Um acidente?! – rosnou Damian – Você faz brincadeira disso há séculos, Malfoy. Fala de como queria comer Alhena há séculos. E o idiota aqui sempre achou que era uma brincadeira inocente e inconveniente... mas era só o seu jeito de jogar na minha cara sonsa que você já tinha conseguido me colocar um belo par de chifres, não é?

—Não, seu idiota. Se você não se lembra, quando aconteceu, Alhena tinha terminado a relação de vocês. Ela nunca te traiu. – respondeu Draco – Quem traiu, manipulou e tramou foi você, não ela. – rosnou o loiro – Ela te contou a verdade. Ela disse que tinha sido um acidente. Ela disse que tinha se deitado comigo num momento de bebedeira, simplesmente porque você também estava transando com a Clover. Ela te contou que o filho era meu e ela até perguntou o que você queria fazer.

—E como sabe disso tudo? Ela te contou, foi? – perguntou Damian.

—Eu tive as memórias por dezessete anos, seu idiota. Eu vi. Não as suas... as dela. – murmurou Draco baixando o olhar – Ela amava você, seu idiota. Ela nunca parou de amar você... – Draco soltou um suspiro infeliz – Ela só sabia falar de você, naquela época... e... e quando a gente...

—Quando vocês treparam? – riu Damian de maneira furiosa e Rasalas precisou respirar fundo para não dar um belo de um soco nele.

—É... quando a gente... transou... nós estávamos bêbados... – Draco fez uma careta – Ela só pensava em você...

—Oh, que grande consolo. – riu Damian empurrando Draco, que apenas respirou fundo, pedindo paciência.

—Escute. Se quiser me odiar, faça isso... – murmurou Draco olhando para as mãos que sangravam por conta do vidro – Mas não odeie a Lena... ela... ela não merece isso. Ela ama você...

—Eu quero saber. Vocês tiveram outro “acidente”? – perguntou Damian, ainda furioso. E o modo como ele disse “acidente” deixava claro que ele não acreditava que tinha sido mesmo um.

—Não, Damian. Foi só uma vez. – murmurou Draco.

—E por que eu deveria acreditar em você? Seu mentiroso de merda.

—Não precisa acreditar. Pergunte pra ela!

—E por que eu deveria acreditar nela? Heim?! – perguntou Damian.

—Porque ela nunca mentiu pra você. Ela sempre disse o que pensava ser verdade... – murmurou Draco.

Os três ficaram em silêncio por alguns instantes. Damian começou a andar de um lado para o outro, nervoso.

—Draconis... e eu ainda botei o nome dele parecido com o seu... eu sou um idiota mesmo. Ele sempre foi a sua cara, mas eu sempre tentei achar ele parecido com a Alhena ou com a minha sogra. Sempre repeti pra mim mesmo que os olhos dele eram os mesmos do meu sogro... mas todo mundo sabia a verdade. Todo mundo. Mas todos preferiram me fazer de idiota.

—Ninguém está te fazendo de idiota agora, Damian, só você. – rosnou Rasalas perdendo a paciência. Damian se virou chateado.

—Você ia me deixar morrer sem saber a verdade, não ia? – perguntou ele.

—Eu quis te poupar disso... pelo Draconis. Eu não queria que nada abalasse a sua relação com o garoto... você é o herói dele, Damian.

—Você não vai começar a tratá-lo diferente, vai? – perguntou Draco parecendo temer aquilo de todo o coração. Era estranho ver Draco daquele jeito... com os sentimentos dele tão obviamente expostos em seu rosto. Draco era um excelente oclumente e excelente em esconder os próprios sentimentos dentro de si mesmo e manter uma máscara de auto controle. Mas agora ele parecia simplesmente incapaz disso.

Damian respirou fundo e fechou os olhos.

—Eu não sei. – respondeu ele.

—Draconis é seu filho, Damian. – ralhou Rasalas – E ele não tem culpa de nada!

—Ele não é meu filho.

—Você criou o garoto. – disse Draco – Não... não seja egoísta desse jeito!

—Ah, eu sou o egoísta? – perguntou Damian – Eu?!

—Não magoe ele, Damian, por favor. Não o trate diferente... ele te adora. – disse Draco parecendo simplesmente desesperado. Damian desviou o olhar, ainda zangado.

—Céus, o que houve com você? – perguntou Rasalas – Você consegue se escutar? Você consegue ver o que você está falando?! O meu melhor amigo, aquele Damian que eu conheci na escola... aquele que foi meu padrinho de casamento... cara... ele certamente estaria completamente envergonhado das coisas que você está dizendo!

Damian soltou um muxoxo e se virou, indo para a porta. Mas ele parou antes de sair.

—Nunca mais apareça perto da minha família. Nem da minha mulher, nem dos meus filhos... e nem do Draconis, você ouviu, Malfoy?

—Não pode me proibir de vê-los! – disse Draco.

—Eu denuncio você, seu bastardo. Pelo que você fez. – rosnou Draco – E você vai preso. Eu vou gastar até a última moeda do meu cofre, mas se você se aproximar da minha mulher, dos meus filhos ou do Draconis...

—Pare de falar como se ele não fosse seu filho! – ralhou Rasalas.

—ELE NÃO É! – gritou Damian socando a porta – E ele vai saber disso se você ousar se aproximar deles, Malfoy. – rosnou ele antes de ir embora.

Rasalas abriu a boca em choque e olhou para Draco, que parecia que tinha visto o nome de Lisian Martell escrito nas paredes.

O loiro se ajoelhou no chão olhando para a pequena poça, onde as memórias de Alhena estavam destruídas. Ele tocou a pocinha com as pontas dos dedos, com o olhar cheio de dor. Depois pegou um dos cacos de vidro e o rodeou entre os dedos.

—Draco, eu...

—Vá embora... – sussurrou ele.

—Draco...

—Por favor... só vá embora... – sussurrou o loiro novamente – Eu... eu acho que mereço isso, não é? Por tudo o que eu fiz? – Draco o olhou com os olhos brilhantes – Eu nunca mais vou poder ver o Draconis de novo? Ou a Alhena...? Eu... eu mereço isso? Isso é justo?

—Eu vou falar com ele, ok? Ele só... só está zangado. Eu também falo um monte de merda quando eu estou zangado...

—Rasalas... – Draco fechou os olhos e apertou o caco de vidro na mão – Ela... ela nunca mais vai se lembrar... de mim. – Nunca tinha escutado tanta dor na voz de Draco Malfoy. Ele engoliu em seco e suspirou, parecendo muito derrotado – Ela nunca vai se lembrar... do dia... em que a gente pulou daquela torre... – Draco engoliu em seco e abriu os dedos, mirando o caco de vidro que tinha cortado a palma de sua mão – Ela nunca vai saber o quanto ela é importante pra mim... o quanto eu a amei... o quanto eu cuidei dela e o quanto ela cuidou de mim... ela nunca, nunca, nunca vai entender o que eu sinto...

Rasalas engoliu em seco e suspirou.

—Draco... eu... eu realmente não sei o que te dizer além de... de que você me prometeu que nunca iria contar pra ela... e... e que o Damian não deveria ter destruído as memórias dela... por que entregou pra ele?

—Eu não sei... eu acho que... – Draco engoliu em seco – Eu nunca esperei que ele fosse... reagir assim... – Draco soltou outro suspiro – Eu... o que eu faço, Rasalas? Eu não sei... o que fazer... eu não quero... eu não quero deixar de participar da vida deles... ela é minha melhor amiga e ele... eu amo aquele garoto. – Draco deu um sorriso triste – Ele... ele é tão meu filho, sabe? Scorpius é meu filho também, mas ele... ele tem muito da Astoria... ele é muito melhor do que eu, mas... Mas Draconis é como eu até nos defeitos... e eu queria tanto ajudá-lo a não cometer os mesmos erros que eu... Damian não faz ideia do que é andar na linha entre o certo e o errado... ele não sabe o que é escolher um lado e lutar por isso... ele sempre foi um neutro por ser um Burke... Mas Draconis... ele... – Draco suspirou – Ele não vai ser assim e eu tenho medo por ele... e agora... e agora eu não vou poder estar lá pra ele... eu... eu não sei o que fazer, porque eu não quero vê-lo sofrer. Eu não quero que ele saiba que... que o Damian não é o pai dele. Eu sei que ele prefere ser filho dele e não meu... – Draco deixou o caco de vidro cair no chão e olhou para a mão que tremia e sangrava – Eu sofri em silêncio por todos esses anos pela felicidade dele e agora... agora parece que tudo vai ruir... eu... eu nunca deveria ter dito a verdade... eu deveria ter mentido de novo e de novo... mas... – Draco fechou os olhos parecendo simplesmente infeliz – Eu estraguei tudo...

***

Damian voltou pela lareira. Ela o olhou sem saber o que pensar. Ele finalmente a olhou de volta e ela notou o quanto ele parecia zangado.

—Damian... o que aconteceu? – perguntou se levantando. Andou até ele, completamente confusa. Não sabia o que poderia ter feito para merecer aquele tratamento dele.

—Agora não, Alhena. – sibilou ele – Eu... eu vou tomar um banho. Depois vou dar uma volta, para espairecer. Eu preciso espairecer...

—Por que? O que aconteceu? Me explique, por favor? – pediu desesperada. Mas apenas recebeu mais um olhar gelado dele.

—Não... eu não quero falar sobre isso.

—Damian, por favor! – disse segurando a camisa dele – Eu não estou entendendo...

Ele respirou fundo.

—Você me ama?

—É claro que eu te amo. Que raios de pergunta é essa?! – perguntou confusa.

—Então nunca mais fale com Malfoy. – rosnou seu marido. Sentiu um frio lhe subir a espinha e se lembrou de todo o apoio que Draco viera lhe dando durante todo aquele tempo.

—O... o que?

—Nunca mais fale com ele. Nunca mais o veja novamente. Você faria isso por mim?

—Por que está me pedindo isso? – perguntou confusa.

—Não interessa o motivo. – riu ele de maneira furiosa – Você me dá sua palavra?

Não teve tempo nem de pensar.

—É claro que não!

Damian a olhou com frieza e ela o olhou completamente confusa. Não estava entendendo o comportamento dele antes, agora entendia menos ainda.

—Então não me ama de verdade. – murmurou ele se afastando dela com brusquidão. O acompanhou com o olhar, em completo choque. Depois se sentou no sofá, com o coração batendo à mil. Respirou fundo se lembrando de Draco.

De todos os abraços e sorrisos dele. De todo o carinho e conselhos. De tudo... ele era seu amigo há tantos anos... e mesmo que ele tivesse começado a passar por um momento de confusão... ele nunca a desrespeitou. Então... então por qual motivo Damian iria querer exigir aquilo dela? O que tinha acontecido com ele?

Ficou sentada, em choque, no sofá, até que Rasalas apareceu pelas chamas.

—Damian veio pra cá? – perguntou ele. Concordou com um aceno de cabeça e Rasalas soltou um suspiro – Eu vou falar com ele... ele está meio louco. – concordou com outro aceno de cabeça, sentindo-se infeliz.

Precisaria escolher entre o casamento e seu melhor amigo? E por que? Merlin... por que?

Sua cabeça doeu horrivelmente e ela se viu na banheira dos monitores com Draco, num momento que ela não se lembrava de ter tido.

“-Pierre me quebrou... e o Lorde das Trevas quebrou você... – se escutou dizer – Mas quem sabe um dia... um dia a gente... pode voltar a...

—A ser inteiro. – murmurou Draco.”

Piscou voltando a si e olhou ao redor. Estava em casa. Franziu a testa, tentando se lembrar daquele momento, mas nada veio à memória. Não havia o que ser relembrado... sentiu um aperto no peito, sem saber o que raios estava acontecendo...

****

Rasalas abriu a porta e encontrou Damian sentado na cama.

—Ok. Você tem dez segundos pra me convencer a não te dar um soco. – rosnou sem paciência. Damian soltou um suspiro.

—Vá em frente. Me soque. – desafiou ele. Rasalas deu de ombros e fechou o punho. Damian fechou os olhos e virou um pouco o rosto, como se lhe desse mesmo o consentimento. Soltou um muxoxo e baixou o punho.

—O filho da puta é bom. – resmungou – Ok. Me desculpe por ter escondido isso de você. Eu só não queria te ver assim. Eu sabia que isso iria te deixar arrasado, mas... mas cara...

—O que? – perguntou Damian – Eu deveria entender e deixar pra lá? – perguntou ele – Se coloca no meu lugar, Rasalas. Como você iria se sentir se descobrisse que Rabastan é filho do Kurt... ou do Blair? Quando o garoto viesse rindo pra você, te chamando de papai... como você iria se sentir, sabendo que aquilo é mentira? Como você iria olhar pra cara da Daphne? Como você iria olhar para a cara do Blair?

—Eu ia ficar devastado, mas eu não... eu não acho que você deveria tratar a Alhena daquele jeito, cara... ela não tem culpa!

—Não?

—Ela nem se lembra daquilo... ela não lembra de nada... e graças a você, ela nunca vai se lembrar...

—Ele queria que ela lembrasse. – riu Damian. Rasalas baixou o olhar – Por que? O que ele esperava contando isso pra ela? E você acha que eu tenho que agir com a Alhena como se nada tivesse diferente? Porque está, Rasalas. Está tudo diferente! Eu estive criando o filho de outro cara, durante todos esses anos...

—E ela não? – perguntou Rasalas arqueando as sobrancelhas – Eu me esqueci que Rose nunca morou sob o teto da minha irmã. Como você acha que ela se sentiu?

—Eu pedi pra ela. Eu nunca escondi isso dela.

—Ela não escondeu de você. Ela te contou, mas...

—Mas não valeu. Porque eu criei Draconis como se fosse meu. Eu amei aquele garoto como se fosse meu... mas ele não...

—Ele é seu, Damian. – disse Rasalas friamente – E se você quiser descontar tudo isso justamente nele... – Rasalas soltou um suspiro – Ele ama você. Ele venera você. Você é... tudo... praquele garoto... não tire isso dele, Damian. Ele não tem culpa de nada.

—E eu tenho? – perguntou Damian.

—Friamente falando? Sim. – respondeu Rasalas – Você transou com a Green no Poison Apple. E depois deixou a Alhena descobrir... e isso foi a gota d’água pra ela... Alhena e Draco sempre foram muito próximos, cara... eles eram amigos demais. Eles passaram por muita coisa juntos. Eu te falei, uma vez, há muito tempo... que Draco estava curando as feridas da Lena...

—Lena, Lena, Lena, Lena! – rosnou Damian – E eu?! – perguntou seu amigo ficando de pé – Me sabotaram com ela a vida inteira! Você não me contou que ela gostava de mim e eu a magoei no nosso terceiro ano por conta disso. Depois Pierre e Deshayes mentiram pra mim, falando que ela estava com ele. Depois Pansy não me contou que Alhena estava voltando pra Hogwarts. Nem Draco e nem você, diga-se de passagem! Eu tive que ficar vendo Malfoy flertar e beijar Alhena, só pra me magoar. Mas todos apenas falavam o quanto eu estava sendo babaca por namorar Parkinson. E quando eu terminei com ela, Alhena só me desprezava e todo mundo achava que era bem feito, afinal eu era o babaca, não é? Eu precisava entender... eu tinha merecido aquilo. – ele riu zangado – E depois, quando eu finalmente comecei a namorar a Alhena, teve todo aquele lance com o Pierre. Eu vi a garota que eu amava na cama com outro. Eu vi! Mas todos apenas me crucificaram, porque eu nem quis ouvir o lado dela, não é? Deixa eu te falar. Eu quis ouvir o lado dela. Eu fiquei esperando ela sair daquele maldito dormitório, porque eu simplesmente não tinha a menor coragem de entrar lá, depois de ter flagrado ela com ele...

—Ela não...

—E quando eu finalmente decidi ignorar aquilo e fui falar com ela, ela estava na cama com Draco!

—Eles não estavam fazendo nada!

—Se põe no meu lugar, Rasalas.

—Ok... – disse fingindo ponderar – Pronto, me coloquei. Você é um idiota.

—Ah! – Damian soltou um muxoxo – Passei aquela semana inteira recebendo os sorrisinhos do Pierre e vendo Draco passear pra todo lado com Alhena. Sempre de mãos dadas, sempre aos cochichos... mas eu era o errado. Sempre fui o errado. Santa Alhena.

—Para, Damian.

—E quando o pior aconteceu. Eu testemunhei, porque ela me obrigou a testemunhar. Ela me azarou e me deixou assistir.

—Ela não sabia que...

—Mas eu vi. E quando eu tentei fazer alguma coisa. Eu tentei consolar ela... e... e ela disse que me odiava e... – Damian respirou fundo e o lábio dele tremeu – E mais uma vez o monstro fui eu, não é? A culpa foi toda minha. E tudo bem. Eu coloquei a culpa nas costas e lidei com isso. E tentei compensar. Eu tentei, tentei e tentei. Mas sua irmã não suportava o meu toque. E eu precisava entender. Era o que todo mundo me falava. Que eu tinha que ter paciência. Eu precisava entender. Mas Draco... Draco a abraçava, eles dormiam juntos, eles tomavam a droga do banho juntos... mas se eu tocasse a mão dela, ela saía correndo... mas eu precisava entender, não é mesmo?

—Damian, pare com isso. Foi há séculos atrás!

—E sabe como foi que a sua irmã finalmente superou tudo aquilo? Você sabe? – perguntou Damian.

—Ela e Draco pularam da torre de Astronomia. Sim, o Draco contou. – resmungou revirando os olhos.

—Um lindo eufemismo pra transaram. – riu Damian e Rasalas piscou surpreso – Sua irmã transou com ele e foi assim que ela magicamente se curou daquela coisa toda. Mas tudo bem, não é? Eu precisava entender. E quando Hogwarts caiu, Draco fugiu. Fui eu quem fui com ela duelar pra te ajudar. Eu quem fui azarado. Eu quem quase morri... e eu quase perdi a sua irmã. Quase. E quando a gente foi visitar ela no Mungus... ela pediu pra ver o Malfoy quando acordou. Mas eu precisava entender, afinal... eles eram tão amigos, não é mesmo?!

—Damian, qual é!

—E quando eu tive aquele maldito incidente com a Clover... todo mundo pegou a Alhena no colo e apontou pra mim, como se eu tivesse desejado aquilo. Como se eu tivesse tido um caso. Como se eu tivesse feito de propósito. Mas ninguém se importou em falar o quão baixa ela foi em levar os meus filhos embora sem nem me dar a chance de me explicar!

—Você teve muito tempo pra se explicar, Damian.

—Sim... eu tenho que entender o quanto eu errei, não é mesmo? – perguntou ele parecendo magoado – Assim como eu tive que entender o motivo dela não ir morar com os pais dela, ou com a Daphne. Ou como ela simplesmente não falou que eu deveria procurar outro lugar, porque ela queria ficar com a casa enquanto pensava se a gente ficaria junto ou não... eu precisei entender que ela tinha que ficar com o Malfoy, que coincidentemente também estava se divorciando. E eu tinha que entender que... caso acontecesse alguma coisa entre eles, a culpa seria toda minha... – Damian bufou furioso e olhou ao redor, como se procurasse alguma coisa – Foi Alhena quem foi embora. Foi ela quem falou que eu podia ficar com quem eu quisesse e foi ela quem me disse que não queria ficar com ninguém! E pelo menos, quando eu e a Clover transamos, Clover não era nada da Alhena. Draco era meu amigo, Rasalas, e ela transou com ele assim mesmo. – rosnou Damian – E ela continuou morando com ele depois disso. Quantas vezes eles transaram? Só uma? Como eu vou saber? Como eu posso confiar nela? Ela transou com o meu amigo!

—Ela transou com o amigo dela. – disse Rasalas.

—Draco era meu amigo muito antes de virar amigo dela.

—Mas ele era mais amigo dela do que jamais foi de você. Draco ama a Alhena, Damian. Os dois erraram, mas...

—Os dois me apunhalaram pelas costas e eu fiquei pagando de errado. A vida toda. Todo jantar de família o seu pai me olha com desprezo, porque eu tive a Rose. Em toda mesa de bar alguém vinha me jogar na cara que eu tinha tido uma filha fora do casamento. E todo mundo sempre bateu palmas por a Alhena ter tido a elegante decisão de aceitar a minha filha órfã de mãe na casa dela... e eu tenho que entender o quanto foi difícil pra ela. Então será que alguém pode entender o quão fodido pra mim é isso tudo? Como eu vou me sentir quando o Draconis voltar da Durmstrang, com dezessete anos, porque ele está para fazer aniversário? E ele vai querer que eu coloque o nome dele ao lado dos meus antepassados... e eu não vou poder fazer isso. E a culpa, Rasalas... a culpa é dela.

—A culpa não é da Alhena.

—Ela quis transar com Draco. – rosnou Damian – Ela quis. Nós já tínhamos dois filhos.

—Você quis transar com a Clover!

—ELA NÃO ERA AMIGA DELA!

—E O QUE IMPORTA?! – rosnou Rasalas – Acha que isso te faz santo, agora? O erro dela foi igual ao seu. Se quer odiar alguém, odeie o Draco. Eu vou entender se odiar o Draco. Agora a Lena? A Alhena passou esses últimos anos definhando, cuidando de você. Vivendo em sua função. Todo mundo viu isso. Será que não dá pra você ser menos ingrato?

—Não. Quem me garante que não é culpa?!

—EU! Eu te garanto que não é culpa. Ela te ama, seu animal, e eu não vou tolerar que você magoe ela depois de tudo o que ela passou ao seu lado, simplesmente porque você causou tudo isso e até hoje não aprendeu a lidar com as consequências dos seus atos. Pansy falou isso pra você há dezessete anos atrás. Nós falamos isso pra você há seis anos atrás... e você continua do mesmo jeito. Alhena não tem culpa de nada. Ela nem se lembra de ter cometido um deslize. Ela acha que você nunca saiu do lado dela. Draco fez ela esquecer de tudo, Damian. Ela não se lembra de já ter sido amiga dele lá em Hogwarts. Ela não se lembra de como você estava passando a piroca em todo mundo enquanto Draco dormia com ela para que ela não passasse a noite chorando. Ela não se lembra que foi Draco que a fez voltar para a aula de Herbologia. Ela não se lembra que foi Draco quem disse que nada daquilo tinha sido culpa dela. Ela não se lembra que Draco foi uma pessoa muito melhor do que você, quando ela realmente precisou e ela não se lembra que você precisou assistir ela ser estuprada pra finalmente acreditar que ela não tinha te traído. E, na boa... se você acha que o sangue é o que mais importa, depois de toda a merda que a gente passou na nossa adolescência, Damian... eu acho que você não aprendeu nada. Draco NUNCA vai ser o pai do Draconis, não importa o que o garoto venha a descobrir. E se você vai se recusar a colocar o nome dele naquela placa idiota... – Rasalas olhou para seu amigo com profundo desdém – Eu vou te dizer que você é realmente um monstro e que Alhena deveria mesmo ficar com Draco e não com você. Porque Draco prejudicou a própria saúde, pra te dar uma chance de viver, só pra não ver Alhena chorar do jeito que ela chorou quando você começou a adoecer pra valer. Ele abriu mão dela e da felicidade dele só pra vê-la sorrir. E ele pegou Horklump, desenvolvendo essa cura para você. Você me desculpe, Damian, mas nenhuma música romântica que você fizer pra ela vai ser uma prova de amor tão genuína quanto a dele. Pense direito nisso.

E então ele saiu do quarto, sem saber o que seria de sua irmã dali pra frente. Apenas foi para a sala e a encontrou sentada no sofá, olhando a janela, completamente infeliz.

—Vocês conversaram por muito tempo... – murmurou ela.

Soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça.

—Pois é...

Alhena o olhou com o semblante triste.

—Por que ele está com raiva de mim, Rasalas? O que eu fiz? – perguntou ela com os olhos brilhantes. Rasalas suspirou e se lembrou de sua irmã, pequena, tímida e gordinha, completamente desolada por Damian falar que ela não era o tipo dele.

—Você não fez nada, maninha... ele só está... confuso.

—Por que? – perguntou ela – O que... o que eu devo fazer? Eu não estou entendendo...

—Você deve dar um belo dum soco nele caso ele te faça chorar de novo. – respondeu fechando a cara.

Notas finais
E então? O que vocês acham? D= Tenso?? De que lado vocês estão? O que vocês teriam feito no lugar dos personagens... comentem ahsuahsaushaushas Uma prévia do próximo capítulo: "-Famosa foda mágica. A gente transa e você some. – resmungou Navi, revirando os olhos – E eu continuo me fodendo..." Poor Navi ahsuahsaushaus xD