Notas iniciais
Vocês estão ON FIRE! Pra compensar a monotonia do começo das férias, onde eu ficava desejando postar e num tinha comentários pra isso y.y Mas a maratona continua! Mas agora, pra ter mais capítulo, vou querer 9 comentários! =D Vamo que vamo!

Capítulo 81

Eu sou muito estúpido! O rei dos estúpidos. Um completo demente! Pensou consigo mesmo enquanto se arrumava para sua entrevista no Ministério. Ela veio com aqueles olhinhos doces e rostinho inocente... no que eu estava pensando? É claro que era uma armadilha. Soltou um muxoxo e apreciou o trabalho bem feito de Dido. A garota realmente sabia fazer roupas.

“-Você se importa, Loto? Se eu for morar com vocês? Eu posso dormir até na sala.

—Claro, Rose. Vai ser um prazer recebê-la!”

—Burro. Burro! – resmungou Loto.

Já tinha duas semanas que ele, Navi, Draconis e Rose tinham se mudado. Ele tinha uma entrevista, Draconis estava fazendo um bico na Borgin&Burke enquanto a entrevista dele não era marcada. Navi estava na Poison Apple pois teria uma entrevista na próxima semana.

Mas Rose já tinha sido chamada para fazer o curso para curandeira. Ela passava a maior parte do dia fora, mas o problema era quando ela voltava.

Primeiro ponto. A filha da puta ficava muito sensual na camisolinha ou pijaminha dela. Navi e Draconis a devoravam com os olhos... e vez ou outra até ele. Mas era foda ver seu namorado a olhando daquele jeito, porque, afinal, eles tiveram um namoro.

Segundo ponto. Ela tinha declarado guerra. Não tinha sido explícito, mas ele tinha certeza que ela queria recuperar Draconis.

Certo dia a noite ela “esquecera” uma revista na sala. Quando chegou para assistir televisão com todo mundo, Draconis e Navi estavam disputando a revista que falava sobre pompoarismo.

—Olha só isso! Elas jogam bolinhas de ping pong com a boceta! – disse Navi – Será que ela está praticando isso? – perguntou ele com um sorriso sonhador.

—É como transar e receber um boquete ao mesmo tempo! – disse Draconis, também sonhador.

Terceiro ponto. Ela sabia ser elegante. Todos os dias o café estava pronto. Ela meio que tinha se tornado a mãe deles... ou esposinha como gostava de pensar. Ele não sabia cozinhar e nem Draconis. Muito menos Navi, que não sabia fritar um ovo. Mas ela sabia fazer os quitutes mais gostosos. Ela estava reconquistando Draconis pelo estômago! Além disso ela era sempre boazinha e amável com todo mundo e Draconis garantiu que ela sempre fora assim. Mas estava se roendo de ciúmes.

Queria aquela garota fora de sua casa... mas ela iria ajudar a pagar as despesas (e ela era a única que sabia como administrar uma casa...), ela ajudava a manter tudo funcionando e principalmente, ela era filha do dono da casa.

Soltou um muxoxo e saiu para o corredor, sentindo o cheiro delicioso do café da manhã. Assim que entrou na cozinha, engoliu em seco. Navi a secava com os olhos. Draconis tentava olhar só para o próprio prato. Ele parecia até vermelho pelo esforço.

Pois Rose estava usando uma roupinha de enfermeira e um avental. Um sonho erótico em pessoa. Mas não podia julgá-la. O uniforme de enfermeira era obrigatório no curso dela. E o avental era para não sujar o uniforme. Então ela não estava fazendo nada de errado. Ela simplesmente era linda e sexy sem tentar.

E como ele se irritava por isso.

Se sentou ao lado do namorado observando Rose colocar um pouco de suco para ele.

—Suco de maracujá, Loto? Para ficar calmo na entrevista? – perguntou ela amavelmente. Falsa...

—Por favor. Estou nervoso com hoje. – disse sorrindo. Sabia ser falso também. Tinha passado metade da vida sendo falso!

—A minha entrevista é semana que vem. – murmurou Navi – E a sua, Draconis?

—Ainda não marcaram... estou começando a ficar preocupado. – murmurou ele.

—Cara, seu currículo é melhor que o meu. Eles vão te chamar. – riu Navi.

—Eu não tenho um papai pra me puxar lá pra dentro, né? – resmungou Draconis pegando uma panqueca enquanto Rose lhe entregava a jarra de calda.

—Eu quem fiz. Espero que goste. – riu ela.

—Calda caseira? – perguntou Draconis.

—Já pode casar, Rose. – riu Navi. Rose deu uma risadinha e começou a passar geleia na torrada.

—Estou adorando essa nova etapa da nossa vida. – riu ela.

—Eu também... apesar de estar um pouco frustrado. – resmungou Navi – Eu pensei que já estaria no cargo de Ministro da Magia a essa altura.

Os três deram risadinhas.

—Eu estou adorando meu curso. Eu acho que vou ser uma boa medibruxa.

—Vamos brincar de médico, Rose? – perguntou Navi flertando com ela.

—Vamos. – riu ela o olhando nos olhos. Navi corou e a olhou em choque – Brincadeirinha. – riu Rose, fazendo Draconis rir. Por que ele estava rindo? – Eu sei muito bem que você é super, mega, hiper apaixonado pela Les. Ela vem dormir aqui hoje?

—Vem. Sexooooo! – gritou Navi. Os três riram dele e Rose se levantou, tirando o avental e pegando a própria bolsa.

—Bom, meninos. Eu preciso ir. – riu ela enrolando as torradinhas num papel toalha. – Beijos. – ela beijou Navi na bochecha, depois Draconis (ele jurou que o beijo dele durou uma eternidade) e por último lhe beijou também – Boa sorte, Loto. Arrasa! Quando sai o resultado da entrevista?

—Hoje mesmo se eu tiver sorte...

—Vai ter. Você vai conseguir! Tchau, lindos!

—Tchau, Rose. – disseram os três. Ela aparatou e Loto soltou um muxoxo.

—Ela está sendo muito legal, não está? – perguntou Draconis.

—Ela completamente quer entrar nas suas calças. – riu Navi.

—Sério?! Você concorda comigo?! – perguntou Loto achando Navi a pessoa mais maravilhosa da face da Terra... depois de Draconis, é claro.

—Para. Nada a ver.

—Ninguém “esquece” uma revista daquelas de propósito. – riu Navi – Ela está jogando com vocês.

—Pois é. – resmungou Loto – Não ouse me trair com ela, escutou?

—Pela milésima vez, eu não vou fazer isso. Não confia em mim, amor? – perguntou Draconis o olhando emburrado – Eu te amo, ok? Eu não vou te trair, nem com ela e nem com ninguém. Por mais que ela saiba pagar um boquete com a boceta... – adicionou ele com um sorrisinho. Loto fechou a cara, bufando e Draconis e Navi deram risadinhas.

—Ele está morrendo de ciúmes. – riu Navi.

—Por besteira.

—Não tão besteira. Você traía a Casañas com o Vince.

—Você tava me pegando ao mesmo tempo que a Carmen e o Vince? – perguntou Loto, chocado.

—Eu era meio idiota. Mas eu mudei, assim como você mudou. E agora somos o casal mais apaixonado da terra. – riu Draconis se levantando – Agora, se me permitem, eu preciso ir pro trabalho. Tchau, amor. – riu Draconis lhe roubando um beijo – Boa sorte na entrevista!

—Ah, não fiquem se pegando na minha frente. – resmungou Navi – É constrangedor!

—Você não se importava quando era o Vince! – riu Draconis.

—Eu achava que era só uma fase, ok? Tipo... ah, ele gosta muito de fio terra... não julgo. Eu gosto. É gostoso pra caralho...

—Achei que não deixasse a Les fazer. – riu Draconis.

—Naquela época, muitos anos atrás. Eu mudei também. Agora é praticamente toda vez e vocês não podem me julgar, ok? – ralhou ele, corando de leve.

—Agora eu entendi. – riu Loto – Não é o Navi que é time cu... é a Young.

Ele e Draconis riram enquanto Navi os olhava feio. Depois cada um foi cuidar de sua própria vida.

Foi nervoso para o Ministério, com medo de falhar na entrevista... mas com mais medo ainda de encontrar o pai, que trabalhava lá. Soltou um suspiro, atravessou o Átrio e pegou o elevador. Desceu até o nível 4, sentindo as mãos suarem de nervoso. Quando a porta se abriu, saiu e atravessou o saguão.

Se apresentou e se sentou ao lado de vários candidatos. Logo notou que todos eram mais velhos. Isso o desanimou um pouco. A grande maioria deveria ter várias viagens e mais experiência em seus currículos. Ficou esfregando os dedos, batendo o pé no chão, até que o chamaram.

Sentindo o coração na garganta, entrou no escritório e fechou a porta. O homem o olhou dos pés à cabeça, o avaliando. Se sentou na cadeira quando o homem o convidou a fazer isso e tentou responder a todas as perguntas que ele fazia com confiança.

Foi quase meia hora de entrevista. Conseguiu disfarçar o nervosismo, afinal sempre fora bom em disfarçar seus reais sentimentos. E quando a entrevista terminou, o Chefe do departamento ficou de pé e apertou sua mão.

—Espero te ver aqui na segunda feira bem cedo, garoto. Você está contratado.

Era como se estivesse nas nuvens. Anestesiado. Sorriu imensamente feliz e apertou a mão do homem diversas vezes. Depois voltou para o elevador com um sorriso imenso no rosto. Um sentimento de vitória que não cabia em si. Estava louco para avisar Draconis e Launet. Saiu correndo pelo Ministério dando pulinhos e batendo os calcanhares no ar. Estava para entrar na cabine falsa, que levava para fora do Ministério, quando seu pai saiu por ela.

Seu sorriso morreu e ele desviou o olhar, constrangido.

—O que está fazendo aqui? Veio mudar seu sobrenome? – perguntou seu pai o olhando com desgosto.

—Não... vim pela entrevista de emprego. – murmurou Loto com os olhos baixos. Não conseguia olhar nos olhos violetas do pai – Eu vou trabalhar aqui agora.

—Você conseguiu o emprego? – perguntou seu pai parecendo surpreso. Levantou o olhar para ele e concordou com um aceno de cabeça.

—Começo na segunda feira. – murmurou. Seu pai soltou suspiro e concordou com um aceno de cabeça, parecendo enfrentar algum tipo de confusão interna.

—Eu imaginei que conseguiria. – disse ele por fim – Depois de todo o dinheiro que eu desperdicei em você... – murmurou ele se afastando. Loto engoliu em seco e o olhou.

—Pai.

—Não fale comigo como se me conhecesse. Eu já te disse. – rosnou seu pai se virando para olhá-lo.

—Ok... mas pro caso... – ele andou até o pai e pegou uma caneta do bolso, para anotar num pedaço de papel qualquer que tinha no bolso – De querer conversar comigo, qualquer dia... esse é meu endereço, ok? – perguntou anotando no papel e entregando para seu pai. Mas ele amassou o papel e o jogou no chão, lhe dando as costas em seguida – Eu ainda amo você, pai... e estou com saudades da mamãe... – disse em voz alta, mas seu pai não se virou. Ele apenas continuou indo para o trabalho.

Soltou um suspiro, mirando o papel que o pai jogara no chão. Suspirou e entrou na cabine, para voltar para a superfície. Depois aparatou para o Beco Diagonal. Andou um pouco pelas ruas, procurando pelo namorado. Um sorriso involuntário se formou em seu rosto ao vê-lo entregando panfletos. Ele usava uma calça preta e folgada, um coturno e uma regata branca justinha, mostrando o corpo bem feito dele. Os cabelos começando a crescer de novo, mas escondidos por um boné do Iron Maiden.

Draconis olhou para o lado e o viu, para sorrir em seguida. Andou até ele, animando-se de novo e o namorado o puxou sem cerimônia para um beijo.

—Consegui! – disse se afastando dele meio minuto depois – Eu consegui o emprego!

—Sério?!

—Sim. Começo na segunda feira! – riu Loto. Draconis sorriu e o abraçou, gritando de alegria.

—Eu sabia que você ia conseguir! Sabia! – disse ele animado – Parabéns!

—Você deve ser chamado para uma entrevista a qualquer momento. Eu estou sentindo. – riu Loto. Draconis se afastou e deu de ombros.

—Não tenho pressa. Meu namorado pode me sustentar agora que está trabalhando no Ministério. – Loto o socou de leve no braço e os dois se abraçaram de novo – Estou orgulhoso de você.

—Obrigado. Quer ajuda com esses panfletos? – perguntou sorrindo.

—Vá pra casa, coloca uma roupa mais fresca e vamos.

—Ok.

Minutos depois estava em casa. Tomou um banho e vestiu uma camisa mais fresca e uma bermuda. Colocou seu tênis, colocou um boné na cabeça também e se preparou para sair. Mas antes olhou a correspondência e viu uma carta endereçada a Draconis. Sorriu animado e a guardou na bermuda.

Voltou para o Beco Diagonal e logo encontrou Draconis ainda fazendo propaganda da Borgin&Burke, falando para um grupinho de garotos que poderiam comprar bombas de abelhas na loja por um precinho justo. Os meninos pareceram se animar e Loto se aproximou assim que eles se afastavam em direção à Travessa do Tranco.

—Panfletos. – riu Loto.

Draconis sorriu e lhe entregou um pouco.

—Aqui. Tente ir perto da Gemialidades Weasley. Eles são nossos maiores concorrentes. Convença que a Borgin&Burke é melhor. – riu Draconis.

—Ok. Mas primeiro você precisa abrir isso. – riu Loto lhe entregando a carta. Draconis o olhou agitado e pegou o envelope, com expectativa.

—Será que é a minha entrevista? – perguntou ele.

—Imagino que seja. – riu Loto – Abre. – Draconis sorriu e abriu o envelope, se colocando a ler. Mas o sorriso animado dele morreu e ele foi ficando mais e mais sério – O que houve?

—Estou sendo intimado no Ministério... – murmurou ele, engolindo em seco – Preciso fazer um teste para verem se sou ou não um vidente. – Loto sentiu um frio lhe subir a espinha.

—Não! Não pode deixar que eles descubram isso. – disse olhando ao redor.

—Deve ser porque minha mãe era... vou dar um pulinho na loja e ver se meus irmãos foram intimados também.

—Draconis, você não deveria responder a essa intimação.

—Eu posso ser preso. – resmungou Draconis – Você vem?

—Claro. – respondeu Loto. Draconis colocou o envelope no bolso da calça e lhe deu a mão. A segurou e foram juntos para a Borgin&Burke.

Ao chegarem lá, Póllux e Castor olharam para ele com aqueles sorrisinhos irritantes e idênticos.

—Que gracinhas, vocês dois. – riu Castor.

—Sim. Uma fofura. – riu Póllux.

—Calem a boca. Papai tá aí? – perguntou Draconis.

—Não, foi entregar uma encomenda pro cliente misterioso dele. – resmungou Póllux – Por que?

—Vocês receberam uma dessa? – perguntou Draconis mostrando a carta. Os dois irmãos dele a pegaram para ler, com seus sorrisos morrendo a medida que o faziam.

—Você não pode ir. Mamãe foi e em seguida sumiu! – disse Póllux.

—Não posso simplesmente desobedecer! – disse alarmado – Por que será que só eu fui convocado? Eu sou um Burke. Eu não sou obrigado a servir.

—Mas não é pra servir. É pra ver se você é um vidente. – disse Castor, preocupado – Você não é... é?

—Não... – murmurou Draconis – Digo... eu tenho uns sonhos estranhos vez ou outra, mas nada mais do que isso.

Os irmãos dele trocaram um olhar preocupado.

—Você deveria falar com o papai sobre isso. – disse Póllux.

—E definitivamente não pode ir sozinho. – concordou Loto.

—Fique ai até o papai voltar, ok? – perguntou Castor. Draconis engoliu em seco e concordou. Loto se sentou ao lado do namorado, suspirando preocupado. Entrelaçou os dedos com os dele e recebeu um sorriso dele.

—Vai ficar tudo bem, ok? – murmurou Draconis. Soltou um suspiro, deitando a cabeça no ombro dele.

—Ok...

*

Damian olhou para Draco ligeiramente surpreso.

—E isso é um sol. – disse ele para Alhena, enquanto os dois estavam sentados na frente do piano – Assim... você consegue, vamos. – riu Draco. Alhena apertou as teclas de qualquer jeito e Draco olhou de um jeito super carinhoso pra ela – Quase. – ele segurou os dedos dela e os colocou na posição – Assim... isso. – riu ele. Alhena apertou as teclas corretas e Draco sorriu ainda mais para ela – Muito bem, Lena. Muito bem. – ele tocou uma melodia e Alhena ficou repetindo o sol que ele tinha ensinado.

—Desde quando ela toca piano? – perguntou Damian se aproximando.

—Tem uma semana. Ela gostava de me ouvir tocar, então resolvi tentar ensiná-la... – murmurou Draco ainda tocando greensleeves, enquanto Alhena atrapalhava tocando o sol diversas vezes, mas Draco não pareceu se incomodar, pelo contrário. Ele sorria toda vez que ela apertava as teclas de marfim – Alguma novidade?

—Eu vim trazer mais poção polissuco, entre outras coisas.

—Espero que tenham te pago bem, com o meu dinheiro. – sibilou Draco e Damian sorriu.

—Sim, eles pagaram. E bem caro, diga-se de passagem.

—Tudo bem. Eu sou um Malfoy, nós não perguntamos preços. – riu ele. Damian olhou para a esposa e se aproximou dela para beijá-la na bochecha. Se ajoelhou ao lado dela e lhe colocou uma flor nos cabelos.

—Olá, meu amor. Como se sente essa manhã? – Alhena fez o som de sol novamente no piano e o olhou com um sorriso meio bobo e desengonçado. Ela quase nunca sorria, então ficou imensamente contente dela sorrir daquela vez – Gostou do piano? Eu posso tocar violão pra você qualquer dia desses. – riu Damian.

—Que tal vira-tempo, versão piano? – perguntou Draco começando a tocar sua música.

—Quando que você aprendeu a tocar isso? – perguntou Damian.

—Você não vai querer saber. – riu ele – Apenas cante, ela vai gostar. – riu Draco recomeçando.

Damian soltou um suspiro e olhou a esposa, que olhava para o piano com atenção.

—Só de ouvir seu nome, não dá mais pra esquecer... – começou a cantar. Alhena olhava dele para Draco, como se tentasse entender alguma coisa. Seguiu cantando, olhando para ela, desejando ardentemente tê-la de volta. Quando terminou, Alhena sorriu para ele e suspirou deitando a cabeça no ombro de Draco.

—Gostou? – sussurrou Draco a afagando nos cabelos. Alhena suspirou de novo em resposta e voltou a fazer o sol nas teclas do piano – Agora faz um dó. – E para sua surpresa ela fez – O fá... o mi... não, esse é o ré. O mi é esse. – explicou Draco, apertando as teclas do piano e Alhena o imitou – Isso.

—Impressionante, Draco. – riu Damian – Obrigado por isso... – murmurou ele.

—Você deveria deixar seus filhos verem Alhena. – disse ele.

—É... eu vou. Antes deles voltarem para a escola. – disse Damian ficando de pé e apertando a bochecha da esposa. Alhena ficou de pé e os dois a olharam com atenção. Ela foi cambaleando pela sala, indo em direção à sala de visitas.

—Não podemos mesmo deixá-la sair, não é? – perguntou Draco.

—É perigoso demais. – murmurou Damian.

—Eu queria saber pra onde ela sempre tenta ir. – disse o loiro soltando um suspiro. Damian concordou com um aceno de cabeça – Lena. Volte pra cá. Não pode ir ai! – disse Draco como se falasse com uma criança. Alhena soltou um muxoxo e voltou parecendo contrariada e isso arrancou sorrisos dos dois – Acha que um dia ela vai... vai voltar a ser parecida com como ela... como ela era?

—Eu espero que sim... – murmurou Damian – Mas aí vamos virar inimigos de novo.

—Eu poderia conviver com isso. – riu Draco dando de ombros.

—É. Eu também. – riu Damian – Lena, quer passear no jardim? – ela veio andando lentamente e segurou sua mão, parecendo exausta pelo exercício – Foi você quem trocou a roupa dela? – perguntou semicerrando os olhos.

—Não. Foi Luna. Por isso que ela está vestida como se tivesse oito anos de idade, com esse vestidinho de boneca. Parece até como quando ela trabalhava para a minha sogra, quando éramos crianças.

—Eu não me lembro disso. – murmurou Damian andando para o jardim, com Draco ao seu lado.

—Eu nunca vou esquecer. Foi quando eu notei o quanto ela era bonita. Parecia uma das bonecas que minha mãe tinha, de quando era criança. Ela até tinha uma que era loirinha e eu sempre olhava e lembrava da Lena. – riu Draco – Meio besta, não é?

—Não. – murmurou Damian – Eu demorei pra achar a Lena bonita. Só fui me tocar disso naquela festa que o Rasalas arrastou a gente.

—Ele podia ter avisado que a Lena tinha ficado gostosa pra burro. Apesar que eu não iria acreditar. – riu Draco. Damian riu também concordando e eles saíram para o jardim. Alhena o soltou e andou até os pavões, se sentando na grama. As aves, completamente adestradas e mansas, andaram até ela, curiosas, desejando sementes. Alhena se deitou na grama e os pavões continuaram andando ao redor dela, com curiosidade – Então... você vai ficar de olho nela?

—Por que?

—Eu tenho que olhar umas coisas no meu laboratório. Eu ainda tenho crises de tosse e ainda tem uma mancha púrpura na minha virilha que eu realmente queria me livrar. Não estou cem por cento curado do Horklump.

—Eu nunca tive mais nenhum sintoma... estou funcionando cem por cento.

—De nada. Ingrato. – debochou Draco, fazendo Damian rir completamente sem jeito

**

Escutou alguém bater em sua janela. Se virou e viu que era Scorpius. Soltou um suspiro largando seu violão e foi até a janela para abri-la.

—O que está fazendo aqui? – perguntou ela.

—Quer dar uma volta? Podíamos tomar um sorvete. – riu Scorpius.

—Eu estou de castigo, sabe? Por engravidar.

—Ah. Esqueci que você sempre obedece tudo que papai e mamãe dizem. – riu Scorpius com deboche e ela sorriu achando graça. Foi até o armário, trocou de roupa sem se preocupar com Scorpius, afinal ele já estava acostumado a vê-la nua.

—Pra onde vamos?

—Eu já tirei minha licença para aparatar. Então eu pensei no Beco Diagonal. – riu Scorpius.

—Ok. Vamos. – riu ela indo até ele e pulando a janela. Scorpius a beijou na bochecha e colocou a mão em sua barriga, com cuidado.

—Como está o bebê?

—Do mesmo jeito de sempre. – resmungou sem gostar de tocar no assunto. Scorpius concordou com um aceno de cabeça.

—Os enjoos passaram?

—Quase todos. Está com medo que eu vomite em você?

—Bem... é uma coisa importante para se preocupar. – riu ele a segurando pela mão, para aparatar em seguida. Logo estavam no Beco Diagonal. Sentiu uma leve vertigem, mas disfarçou – Bem... vamos tomar o sorvete?

—Sim.

—Só não pode ser de chocolate.

—E por que? – perguntou enquanto andava de mãos dadas com ele.

—Eu li que pode dar cólicas no bebê. – respondeu ele calmamente. Lyra parou de andar e o olhou surpresa.

—Está lendo sobre bebês? – perguntou ela.

—Sim. Já li todas as revistas da minha mãe. – riu Scorpius – Você sabia que o bebê já faz caretas, reage quando tocam na sua barriga e pode até chupar o dedo com quinze semanas? – perguntou ele. Lyra revirou os olhos – E eu li que você precisa comer bastante fruta e beber bastante água, ou pode ficar com o intestino preso, o que é ruim pra você... e se é ruim pra você, é ruim pro bebê.

—Eu não preciso que cuide de mim, Scorpius. Vamos só tomar a porcaria do sorvete. – ralhou Lyra. Scorpius soltou um suspiro e concordou. Foram na sorveteria e ela resistiu à vontade de comprar um de chocolate, apenas para irritar o amigo. Acabou escolhendo um de maracujá, enquanto Scorpius tomava um de limão. Se sentaram na sombra, em uma mesinha e Scorpius suspirou.

—Você está tão linda. – riu ele – Seu corpo está diferente.

—Scorpius, sério. Pare. – ralhou ela.

—Eu falo sério. Seus peitos estão lindos. – riu ele – E seu bumbum também.

—Eu estou gorda. – resmungou ela.

—Não mesmo. – riu ele – Apesar que já tá dando pra começar a ver a barriguinha. – disse ele a fazendo bufar – Mas está linda, Lyra. – adicionou ele – Você e Albus conversaram alguma coisa?

—Não. Eu estou evitando ele e ele não está me procurando também. – resmungou provando o sorvete.

—Por que? – perguntou o amigo.

—Não sei. Talvez ele queira falar com Cerce primeiro e...

—Por que você está evitando ele?

—Porque eu destruí a vida dele com a droga desse feto. – resmungou ela. Scorpius negou com a cabeça.

—Não fez nada disso. E não fale assim do nosso bebê.

—Nosso? Esse bebê não é nosso! É de quem quiser adotá-lo! – ralhou Lyra. Scorpius soltou um suspiro e a olhou nos olhos.

—Esse bebê é nosso, sim. Eu estava participando quando ele foi concebido. Eu sou quase tão pai dele quanto Albus. – riu ele – Prefere menino ou menina?

—Scorpius. Eu não dou a mínima. Eu não vou ficar com ele! – insistiu ficando sem paciência.

—Por que não? – perguntou Scorpius – Sabia que você já é a pessoa favorita dele? – perguntou o garoto – Ele já conhece você. Ele sente você. – Scorpius comeu mais uma colherada de sorvete e suspirou – Com mais três semanas ele já vai ser capaz de ouvir seu coração bater, seu sangue circular e principalmente a sua voz... e você que tem uma voz bonita... ele realmente vai ficar feliz de te ouvir...

—Scorpius, pare! – pediu desviando o olhar.

—Não doe o bebê, Lyra... por favor.

—Por que faz tanta questão que eu fique com ele? – perguntou zangada, sentindo um turbilhão de coisas.

—Porque eu já perdi a minha mãe... eu sei a dor que é. – murmurou ele parecendo deprimido. Piscou em choque se lembrando da tia. Seus olhos encheram-se de água.

—É diferente, Scorpius. Ele nem me conhece. Você conviveu treze anos com ela. O feto nem vai lembrar de mim! – resmungou tentando não chorar. Estava cansada de chorar e ultimamente era o que mais estava fazendo.

—Eu daria qualquer coisa pra poder ter mais treze anos, ou nove meses com ela. – murmurou Scorpius – Se esse bebê for adotado e as pessoas que o adotarem contarem como ele foi parar longe de você... como acha que ele vai se sentir?

—Eu não ligo, tá bom? – perguntou emocionada – Eu odeio esse feto. Ele destruiu a minha vida. Ele veio sem que eu pedisse, sem que eu quisesse, sem que eu vacilasse. Ele veio porque quis. Eu nunca quis ter filhos, Scorpius! Nunca!

Seu amigo a olhou surpreso e suspirou.

—Bem... estamos com quinze semanas. Ainda tenho mais umas vinte e poucas pra te fazer mudar de ideia. – murmurou ele.

—Eu não vou mudar de ideia! Eu não quero esse feto.

—Não quer? – perguntou ele – Ok. Tome seu sorvete. Eu quero te levar num lugar. – ralhou o loiro. Logo saíram pelo Caldeirão Furado e Scorpius pegou um ônibus. Depois andaram por uma rua simples e suspeita. Scorpius a guiou até uma casinha muito pobre e os dois entraram.

—O que desejam? – perguntou uma mulher os olhando desconfiada.

—Minha namorada está grávida. – disse Scorpius – Ela está pensando em colocar o bebê pra adoção. – adicionou ele.

—Onde estamos? – perguntou Lyra.

—Este, Lyra, é o Instituto Dumbledore. – disse Scorpius – Eu me chamo Scorpius Malfoy. – ele falou pra mulher.

—Ah, sim. Me acompanhem.

Lyra soltou um muxoxo e seguiu de mãos dadas com o amigo, sem gostar nenhum pouco por ele ter se apresentado como seu namorado.

Logo chegaram num parquinho, onde várias crianças corriam e brincavam. Não viu problema nenhum nelas. Todas pareciam se divertir.

—Quantas crianças foram adotadas no último ano? – perguntou Scorpius.

—Nenhuma. – respondeu a atendente e Lyra a olhou em choque.

—Como assim, nenhuma? – perguntou ela.

—Acreditamos que por conta da guerra... – murmurou a mulher – Estamos cada vez mais preocupados. Cada vez aparecem mais crianças, mas o Ministério parou de nos enviar verba... estamos sobrevivendo de doações, que não são muitas.

—O orfanato vai fechar? –perguntou surpresa.

—Eu espero que não... ou teremos que mandar essas crianças para instituições trouxas... e o Ministério pode complicar o ensino futuro delas.

—Mesmo se forem sangues puros? – perguntou Lyra. A mulher lhe lançou um sorriso triste.

—Não existe sangue, quando se é órfão. Ninguém poderá atestar a pureza de sangue deles.

Lyra olhou para todas aquela crianças e arfou. Scorpius soltou um suspiro e a olhou com carinho.

—Pense bem no que vai fazer com o bebê. De verdade. Você não vai estar sozinha nessa. – murmurou Scorpius baixinho.

***

Draconis soltou um suspiro. Castor e Póllux estavam ali, assim como seu pai, Rasalas e Loto, que segurava sua mão, muito ansioso. Todo mundo andava de um lado para o outro, super nervoso. Ele mesmo estava nervoso, sentindo frio no estômago.

—Draconis Burke. – disse uma mulher. Se levantou e Loto se levantou junto, como se quisesse dar a entender que entraria também.

—Eu sou o pai dele. Eu vou entrar com ele. – disse seu pai com determinação.

—Não, senhor. O Sr. Draconis é maior de idade. Ele precisa vir sozinho. – riu a mulher calmamente. Loto apertou sua mão, assustado.

—Calma, gente. Está tudo bem, ok? – perguntou querendo acreditar naquelas palavras.

—Não posso mesmo entrar? – perguntou Damian.

—Não, senhor. – disse a mulher.

Soltou a mão de Loto e avançou. Quando já estava na porta, olhou para trás, com algum receio. Todos o olhavam com preocupação. Engoliu em seco e seguiu a mulher. Entrou em uma sala bonita, onde a mulher fechou a porta ao sair. Tinha dois homens lá, o olhando com atenção.

—Então você é Draconis Burke. – riu um deles – Sente-se, por favor. – obedeceu, nervoso, olhando para os lados, apertando a varinha no bolso da calça – Nós vimos seu currículo. Impressionante. – murmurou o homem – Eu me chamo David Cassel. -Prazer. – murmurou Draconis.

—Quantas línguas você fala, Draconis.

—Pensei que eu iria fazer um teste... para saber se eu sou vidente. – murmurou desconfiado.

—Iremos por partes. Acalme-se – pediu Cassel. Ele era um homem da idade de seu pai, talvez um pouco mais velho. Negro, com os olhos bem escuros, usando um turbante roxo na cabeça e um anel prateado de caveira no dedo. Suspirou, concordando com um aceno de cabeça e olhou para o outro homem. Ele mordiscava um palitinho e era baixinho, gorducho, com os cabelos cor de palha e um nariz grande demais – Quantas línguas você fala? – repetiu Cassel.

—Bem... inglês, obviamente, alemão e um pouco de Russo. – respondeu. Cassel suspirou coçando o queixo.

—Quão bem o Alemão?

—O suficiente para que meus professores na Durmstrang não reclamassem. – respondeu calmamente. Cassel acenou positivamente com a cabeça.

—Você recebeu um prêmio por sua proeminência em feitiços. Você duela bem?

—Sim... – murmurou ansioso.

—Você é um bom oclumente.

—Sou.

—E legilimens?

—Eu nunca aprendi. – respondeu honestamente – Minha mãe prometeu me ensinar quando eu terminasse a escola, mas... – soltou um suspiro, desviando o olhar.

—Eu fiquei sabendo o que houve com a sua mãe... saiu no jornal... – ele coçou o queixo de novo – Me diga, Draconis. O que você pensa dessa campanha do Ministério?

—Eu sou um Burke. Eu não tomo partidos. – disse simplesmente.

—Eu não perguntei isso. Eu perguntei o que você acha. – retrucou o homem.

—Eu me reservo ao meu direito de ficar calado. – respondeu. O homem deu um sorrisinho.

—Você não se interessa em servir, não é mesmo? – perguntou ele.

—Não.

—Tudo bem. Um direito seu. – riu o homem. Ele abriu uma gaveta e tirou uma bolinha de lá. Uma esfera do tamanho de uma maçã – Tome. Beije longamente a esfera.

—Não me parece muito higiênico. – murmurou Draconis.

O homem deu um sorrisinho e lhe ofereceu a esfera novamente. Soltou um suspiro e a pegou. Parecia de vidro, bem gelada e pesada. Tinha uma cor roxa muito escura, quase preta, brilhante e viva. Suspirou e tocou os lábios nela. A esfera brilhou, ficando dourada e ele a afastou, preocupado.

—Um vidente. – riu o homem baixinho.

—Sim. – concordou Cassel.

—Eu vou ser marcado a ferro? – perguntou engolindo em seco.

—Sim. – concordou o baixinho.

—Não. Não vai. – discordou Cassel se levantando e pegando a esfera – Podemos guardar esse seu segredo. Escreva nos registros que ele falhou no teste.

—Mas... mas chefe... – Cassel o olhou semicerrando os olhos e o baixinho pareceu encolher-se mais ainda – Sim, senhor...

—Muito bem, Draconis. Eu fiquei pessoalmente impressionado com o seu currículo. Coloque-o sob o comando de Rowle. – adicionou Cassel para o baixinho.

—O-o que? – perguntou confuso.

—Você está contratado, Draconis. Começa na segunda feira. Você ficará na Confederação Internacional de Bruxos, no Departamento de Cooperação Internacional em Magia, nível 5.

Encarou os dois homens, completamente chocado, mas em seguida sorriu e ficou de pé.

—Hum... obrigado. – disse surpreso.

—Não há de que. – riu Cassel se aproximando e apertando a sua mão – Esperamos bastante de você, Sr. Burke.

Draconis concordou com um aceno de cabeça e se virou, para sair. Atravessou o pequeno corredor e voltou para a sala de espera, onde todos pareciam aterrorizados.

—Está tudo bem. – disse rindo e todos pularam pra cima dele, para abraçá-lo.

—Ainda bem. Ainda bem. – riu Damian o puxando para um abraço apertado.

—E eu consegui o emprego. – riu Draconis.

—O que? Sério? – perguntou Loto, surpreso.

—Sim, essa foi a minha entrevista, eu acho...

—Mas foi muito rápido! – disse Rasalas, franzindo a testa.

—Eles falaram que ficaram impressionados com o meu currículo... eu vou trabalhar no nível 5, na Departamento de Cooperação Internacional em Magia. – riu Draconis.

Rasalas o olhou preocupado e suspirou, num aceno positivo de cabeça.

—Parabéns, maninho. – disseram Castor e Póllux, ao mesmo tempo.

****

Ok, ela tá usando um micro short! Ela completamente está me avacalhando. Pensou Loto, soltando um muxoxo. Rose cruzou as pernas e Draconis olhou para as coxas dela automaticamente. Olhou zangado para ele, mas o namorado olhou rapidamente para a televisão e não ousou olhar para os lados, depois.

—Não está com frio, Rose? – perguntou Loto a olhando zangado.

—Não. – respondeu ela simplesmente enquanto lia um livro sobre anatomia humana. Era do curso dela, aparentemente – Estou até com calor, pra falar a verdade. – adicionou ela prendendo o cabelo. Draconis olhou para o pescoço dela e suspirou voltando a olhar a televisão. Loto o olhou aborrecido e o loiro suspirou.

—Eu já volto. Eu vou tomar um banho. Tá muito quente mesmo. – murmurou ele um tanto corado. Loto soltou um muxoxo e cruzou os braços, olhando a televisão. Rose continuava lendo o livro de anatomia, enquanto sublinhava uma coisa ou outra com um lápis.

—Rose. – murmurou Loto quando ficaram só os dois, afinal Navi estava no quarto com Lessa.

—Sim?

—Você ainda gosta do Draconis? – perguntou sem rodeios.

—Sim. – respondeu ela com um sorrisinho insolente.

—Mas ele está comigo. – resmungou Loto – E se você não se comportar, queridinha, eu vou te desfiar, ouviu? – ralhou ele. Rose deu uma risadinha e nem se dignou a olhá-lo.

—Desculpe, mas eu não estou me comportando? – perguntou ela.

—Não. Não está. – ralhou Loto – Seria pedir demais pedir pra você vestir algo decente? – perguntou ele cruzando os braços.

—Eu sempre usei esse tipo de roupa pra dormir, o que quer dizer com isso? – perguntou ela o olhando pacientemente. Loto bufou e se levantou.

—Nada não. – resmungou zangado. – Mas você não está dormindo! – Andou até o banheiro e bateu na porta.

—Quem é?

—Eu!

—Ah... ok... só um minuto... – murmurou Draconis. Segundos depois ele abriu a porta com uma toalha ao redor dos quadris – O que houve?

—Posso tomar banho com você? – perguntou amuado. Draconis lhe deu um sorriso cafajeste e concordou. Entrou no banheiro, tirando a bermuda e Draconis logo o puxou para um beijo fogoso, dentro do boxe.

—Eu acho que alguém está com ciúmes. – riu Draconis o beijando no cangote, já embaixo do chuveiro.

—Claro que estou com ciúmes. Você está comendo a guria com os olhos. – ralhou Loto.

—Relaxe, Loto. Eu acho a Rose gata e acabo olhando... mas eu sou time cu, lembra? – perguntou Draconis em seu ouvido, pressionando sua bunda com os quadris. Sentiu o corpo se arrepiar e deu um sorrisinho.

—Mas é normal eu ter ciúmes. – murmurou sentindo Draconis o abraçar por trás. E Rose também tem cu...

—É. Mas não quero que fique se estressando por isso, ok? Eu sou seu namorado. Seu. – disse Draconis suspirando – E eu já disse mais de uma vez que eu amo você.

—Mas vai falar que não sente nada por ela? – resmungou Loto.

—Claro que sinto. Mas eu estou com você e não com ela. E não dá pra tirar a Rose da minha vida... ela é minha irmã de consideração. A gente cresceu junto e a gente teve um romance... você estava ciente disso tudo quando me pediu em namoro e quando concordou que ela fosse morar aqui.

Loto soltou um suspiro e concordou.

—Eu não sei no que estava pensando quando eu concordei. – resmungou ele.

—Você estava deixando claro que confiava em nós dois e nós dois te admiramos por isso. Não volte atrás, ok? – perguntou Draconis – Ela não está tentando me conquistar ou algo assim.

—Como pode ter tanta certeza? – resmungou Loto se virando e ficando de frente para o namorado. Draconis sorriu e o olhou nos olhos.

—Porque eu sei como ela faz pra conquistar alguém. Ela é minha ex, sabe?

Soltou um muxoxo, mas Draconis cansou de conversar e o puxou para um beijo e algo a mais, em seguida. Saíram do banho e ele o seguiu até seu quarto. Draconis se jogou em sua cama e o chamou com o dedo. Nem se importou em colocar uma roupa.

No dia seguinte, quando levantou, Rose estava terminando de fazer ovos e bacon. Navi e Lessa já estavam comendo. Draconis ainda não tinha levantado, então se sentou com os amigos e se colocou a comer também. Rose lhe ofereceu a jarra de suco e ele a aceitou. A garota se sentou entre ele e Lessa e voltou a abrir seu livro de anatomia, enquanto comia uma boa fatia de bacon.

—Credo, Rose. Larga isso um minuto! – ralhou Navi.

—Corvinal. – respondeu ela sem desviar o olhar do livro.

—Vai sujar o livro todo. – riu Les.

—Não, eu já joguei um feitiço desengordurante nele, entre outros feitiços, para que ele não estrague. Sempre faço isso em todos os meus livros. – murmurou a garota ainda sem desviar o olhar. Loto deu uma risadinha e se serviu com ovos e bacon também, enquanto dava um belo gole no suco de abóbora. Foi quando a campainha tocou.

—Não vou atender! – falaram Navi e Lessa ao mesmo tempo, se empanturrando.

—Loto, atende lá, por favor? – pediu Rose, muito concentrada em sua leitura.

Deu de ombros, se enrolando melhor no roupão, mesmo que estivesse de calças. Se levantou, preguiçosamente, e foi até a porta. Por falta de costume, não olhou pela bolinha de vidro para ver quem era. Apenas abriu a porta.

E quase caiu para trás ao fazer isso, porque era seu pai do lado de fora. Piscou em choque e sentiu um calafrio. Engoliu em seco, olhando para ele. Seu pai o olhou de volta, parecendo muito sem jeito. Ficaram em silêncio por um tempo, encarando um ao outro.

—Pai...? – perguntou sem entender – Como... como você... o que está fazendo aqui?

Seu pai tirou um papel amassado do bolso e lhe mostrou. O papel que entregara para ele, no dia em que conseguira seu emprego. Respirou fundo, enquanto seu pai engolia em seco, desamassando o papel.

—Loto, eu... – seu pai engoliu em seco e colocou a mão no rosto, pressionando os olhos com a mão – Volte pra casa, por favor. – pediu ele. Loto sorriu feliz e pulou em cima do pai para dar um abraço nele. Seu pai soltou um soluço e o abraçou de volta, parecendo emocionado – Meu garoto... meu garoto... – choramingou ele – Por favor, pare com esse modo de vida desvirtuado. Pare de fazer essas coisas obcenas e volte pra casa.

E toda a sua felicidade esfriou. Engoliu em seco e se afastou do pai, o olhando magoado.

—Não. – murmurou ferido – Pai... eu não vou deixar de ser quem eu sou... eu não vou voltar a mentir pra mim mesmo, ou pro mundo...

—Então que seja apenas pro mundo. Ninguém precisa saber dessas... dessas suas... dessa sua fase. – murmurou seu pai – Case com a Shafiq pelas aparências e... e faça um filho com ela e... e faça isso ai às escondidas. – implorou seu pai. Loto engoliu em seco e olhou para trás. Não tinha ninguém na sala, mas podia jurar que todo mundo estava escutando aquela conversa – Quem está aí com você?

—Eu divido a casa com uns amigos. – murmurou Loto – Eu, Draconis, que é meu namorado... – murmurou e seu pai fez uma careta – O primo dele e a irmã dele.

—Não... isso não é ambiente pra você. Não mesmo. Um gay, uma mulherzinha... e... e aquele garoto problemático, o Lestrange. Ele é sobrinho daquele homicida, o Mad-Dog Lestrange, Loto. Você precisa sair daí. – pediu seu pai – Volte pra casa, por favor. Sua mãe não saiu da cama desde que você foi embora. E agora Launet falou que não vai se casar enquanto você não voltar e...

—E foi por isso que veio aqui? – perguntou Loto, completamente magoado.

—Você e essa sua obscenidade deixaram nossa casa de cabeça pra baixo! É sua obrigação arrumar isso, Loto! – ralhou seu pai. Loto engoliu em seco, magoado, frustrado e decepcionado.

—Não. Isso é problema dos Yaxley. Eu não sou mais um Yaxley, lembra? – perguntou o olhando com desgosto.

—Filho...

—Não. – rosnou e bateu a porta. Respirou fundo e encostou a testa na madeira, sentindo vontade de desmoronar. Se conteve e respirou fundo de novo e de novo. Escutou a campainha tocar, mas se afastou e foi andando em direção ao quarto, mas passou pela cozinha antes – Não abram aquela porta. – disse.

Todos pareciam estar fazendo as coisas de maneira automática. Rose até lia seu livro de cabeça para baixo. Revirou os olhos pela tentativa idiota deles de fingirem que não tinham escutado e voltou para o quarto, onde Draconis dormia de bruços. Soltou um suspiro vendo a bunda branca dele para cima e se jogou na cama ao lado dele querendo azarar alguém.

—O que houve? – murmurou Draconis com a voz cheia de sono e rouca por ter acabado de acordar.

—Meu pai veio aqui, me pedir pra voltar pra casa. – resmungou.

Draconis abriu os olhos e olhou para ele com o rosto inchado pelo sono.

—E por que está triste?

—Porque ele quer que eu “volte pro armário”, case com a Shafiq pelas aparências, só pra “arrumar” a bagunça que eu fiz quando fui expulso de casa. Por vontade própria, imagino. – resmungou cruzando os braços. Draconis soltou um muxoxo e o abraçou, puxando-o para mais perto.

—Esquece seu pai. Você agora é livre pra ser o que quiser e ninguém vai te obrigar a ser bosta nenhuma que você não queira ser, ok? – perguntou ele preguiçosamente.

—É fácil pra você falar, Drac... – murmurou Loto – Eu... eu queria fazer as pazes com ele, mas... mas não quero voltar a viver num mundo de mentiras.

—E você está certo em não... – ele bocejou – querer... – resmungou Draconis se aconchegando mais. Loto sorriu o achando quente. Ficaram tanto tempo deitados que acabou dormindo de novo.

Quando acordaram, foi com Navi pulando em cima deles.

—ACORDEM! – gritou ele animado.

—Nossa... como eu ainda não matei esse cretino? – rosnou Draconis – Você ao menos bateu na porta? Já pensou se a gente estivesse transando?

—Eu estaria traumatizado pelo resto da minha vida. – riu Navi – Mas vamos lá. Já é quase hora do almoço e OLHA SÓ O QUE EU DESCOBRI ANDANDO PELA RUA!

Loto pegou um folheto e corou o jogando para Draconis.

—Você é um retardado. – resmungou Loto.

—É A PARADA GAY!

—O que raios é isso? – perguntou Draconis.

—É uma passeata, onde as pessoas vão pra apoiar a causa LGBT. – riu Rose, que estava na porta com Les.

—O que é isso? – perguntou Loto.

—Sério, amor? Você é gay e não sabe o que é LGBT? – riu Les – É tipo um bruxo não saber o que é o Dia das Bruxas. – Loto se sentou envergonhado e olhou para Draconis, que estava pelado embaixo do lençol, apesar de não parecer muito preocupado com isso. Ele olhava o panfleto sem parecer ao certo como se sentir olhando para aquilo – É lésbicas, gays, bissexuais e trans. Duh. – riu Les – Vai gente gay do mundo todo, além de gente que acha que somos tudo de bom. É onde a gente pode bater no peito e falar: sou gay mesmo.Você é gay mesmo. Estamos juntos nessa para nos apoiarmos. Yey!

—É semana que vem, no sábado. Eu pensei que poderíamos ir juntos. – riu Rose – É tipo uma super festa... dizem que é muito animado. O Colins do curso disse que vai ir e me convidou pra ir também.

—Quem é Colins? – perguntou Draconis fechando a cara.

—Um amigo meu lá do curso. – respondeu Rose – Ele falou que foi no ano passado com o primo dele. Foi tudo de bom. – riu ela se aproximando e se jogando na cama – Vamos? Todos nós. Vai ser divertido.

—Ixi, meu bem. Eu vou mesmo. – riu Les – Com ou sem vocês. Vou chamar a Lyra.

—Ela deve estar de castigo por conta da gravidez. – resmungou Navi.

—A gente dá um jeito. – riu Les.

—E eu pensei que podíamos chamar o Vince. – riu Rose.

*****

—OMG! Eu não sabia que esse tipo de coisa existia! – disse Vince andando de um lado para o outro, olhando todos os artigos que Rose e Les juntaram sobre a Parada LGBT – Caralho. Olha esses caras, que engraçados... são caras, né?

—Sim. Drags. – riu Les – Vince. A gente podia montar você! – disse Les – OMG! Vou chamar a Dido pra te maquiar, com a ajuda da Cerce! Você ficaria super divino de Drag Queen.

—O que é uma Drag Queen? – perguntou Loto, confuso.

—Ah, gente... vocês são os gays mais desinformados da face da terra. – resmungou Les.

—Somos puro sangue e crescemos sem televisão, ok? – riu Vince – Me conta, miga. O que é uma Drag? É um gay fantasiado de mulher.

—Não precisa ser gay. Drag Queen é um personagem. O Navi pode ser uma Drag se ele quiser. – riu Rose.

—Você tá falando sério? – perguntou Navi parecendo muito empolgado – Merlin! Vamos todos de Drag? Eu posso escolher o meu nome? Clitória! Clitória Peni. Falei primeiro!

—Eu não vou desse jeito. Ainda nem sei se vou. – resmungou Loto fechando a cara.

—Seria engraçado... mas eu sou muito grande pra ir de mulher. – riu Draconis.

—Meu amor, tamanho não significa nada, ouviu? – riu Les – Vocês todos deveriam ir montados.

—É até bom que pode nos proteger. – riu Navi – Vai ser mais difícil de me reconhecerem se eu estiver usando um super batom rosa choque cheio de glíter.

—Tem certeza que não é gay, Lestrange? – perguntou Loto.

—Querido, se eu fosse gay, EU taria namorando o Draconis, não você. – riu Navi estalando os dedos em zig zag – Não, não... eu sou completamente hétero e suficientemente seguro disso para ter meu personagem Drag, chamado Clitória Peni.

Loto revirou os olhos, encostado na janela para fumar, enquanto Vince olhava as fotos.

—Eu muito quero brincar disso... mas meu pai não pode nem sonhar. Muito menos minha mãe. – riu Vince.

—Eu ainda não sei... – resmungou Draconis.

—Vamos, Drac. Vai ser divertido. – riu Navi.

—Eeeeeh... – ele olhou para Loto, em busca de apoio.

—Nem olha pra mim, amor. Eu to super fora dessa coisa toda ai. – resmungou Loto.

—Na real, até mulheres podem fazer Drags. – riu Rose – Podíamos ir todas nós de Drag Queens.

—Só escolha um nome diferente do meu. – riu Navi.

—Vocês não podem mesmo estar querendo ir pra essa zona! – ralhou Loto.

—Eu vou. – riu Vince.

—Eu também. – riu Navi – E Clitória é ruiva. Preciso de uma peruca ruiva. – riu ele.

—Ok... eu to nessa também. – riu Draconis – Vamos todos fantasiados.

—Montados. A gente fala montado, queridinho. – riu Les.

—Você vem com a gente, né, Loto? – perguntou Vince.

—Iiiiiiih... – resmungou o rapaz. Todos começaram a gritar e pular, falando “vamos, vamos”, “por favor”, “vai ser legal”, “vamos” – Ok! OK! – ralhou ele – Mas eu não vou montado! Já dei desgosto o suficiente pro meu pai saindo do armário.

Todo mundo deu risadinhas, menos Vince, que olhou em choque para Loto.

—Você se assumiu? – perguntou ele – Mas você sempre dizia...

—Até eu me apaixonar. – cortou Loto – Aí eu resolvi parar de mentir. – resmungou ele – É muito bom, mas é difícil também.

—Você totalmente deveria falar com o seu pai. – riu Navi.-

—Sim, totalmente. – concordou Draconis.

Vince mordiscou o próprio lábio e concordou com um aceno de cabeça.

—Por via das dúvidas, deixa eu receber meu primeiro salário na Magic Dreams. Depois eu me atrevo. – riu ele – Mas isso aqui vai ser demais.

—Cara. Melhor ideia de nossas vidas. Com certeza! – riu Navi.

Notas finais
O QUE?! VAI TER OS GAROTOS MONTADOS DE DRAG QUEEN NO PRÓXIMO CAPÍTULO?! Sim, eu estava viciada no canal da Lorelay Fox... Mas é um capítulo bem engraçado! Hsuahsuahsua Prévia? Prévia! "-Gente. Cadê o Vince? – perguntou Navi. —Merda. Perdemos a Santine! – ralhou Les olhando para os lados. —Achei... meu Merlin. Esse é o melhor dia da minha vida. – riu Scorpius apontando para um carro alegórico, onde Vince dançava ao lado de um monte de homens seminus, que usavam apenas sunga e gravata. —EU AMO SER GAAAAAAY!!!! – gritou ele lá de cima." Prévia 2 "-Eu sou a Santine. Uma cortesã! – disse Vince fazendo pose, esticando um braço pra cima e colocando o outro no quadril. —Cara... você tá muito bom desse jeito. – riu Loto. —Quanto pelo programa, gata? – riu Draconis. —Babaca, eu sou carésima. – riu Vince arrumando a cartola – Mas pagaria quanto?" Eu ia colocar uma outra prévia, mas ai eu pensei... naaaaaaum... vou deixar a surpresa mor do capítulo pra quando ele sair shaushausha Beeeijos!