Notas iniciais
Olá, amores. Como hoje é sexta feira, eu vou postar mais um capítulo. E próximo vai sair sexta que vem (E o próximo é um dos meus capítulos favoritos hehehehehe) Maaaaaaaaaaas... caso o capítulo tiver DEZ comentários, eu posto mais um assim que o décimo comentário chegar! Hehehe Não percam na prévia o que vai acontecer no próximo capítulo! =D

Capítulo 41

Draconis segurou sua capa de viagem e suspirou. Sua mãe e tio Draco o levaram até a estação. Teria que pegar dois trens para chegar até Durmstrang. Dois dias de viagem... estava muito frio e sabia que lá estaria ainda pior.

Soltou um suspiro triste e Draco o tocou no ombro.

—Posso falar com você um minuto? – perguntou seu padrinho. Draconis o olhou e concordou com um aceno de cabeça. Draco o afastou de leve de sua mãe, o guiando para um lugar vazio. Haviam alguns outros garotos da sua idade na estação, se despedindo dos pais. Queria que seu pai estivesse ali, mas o curandeiro proibiu. Foi para um lugar mais afastado e recebeu um abraço apertado de seu padrinho. Achou estranho, porque ele nunca fora carinhoso a esse ponto. Ele era mais do estilo amigão do que realmente paternal... como se realmente fosse seu tio de sangue... – Sua mãe me disse o que você fez, em Hogsmeade. – murmurou seu tio. Draconis sentiu o sangue gelar e baixou os olhos, completamente envergonhado. – Draconis, olhe pra mim. Eu quero te contar uma coisa. – olhou para o padrinho. Eram basicamente da mesma altura – Quando eu tinha sua idade, eu me tornei um comensal de morte. Eu já te contei sobre isso... sobre o que eu tive que fazer.

—Uhum... – resmungou.

—Eu matei uma garota. Ela tinha uns treze ou doze anos. – Draconis o olhou em choque – Não foi minha varinha quem soltou o feitiço. Mas fui eu quem coloquei os comensais na escola. Fui em quem colocou o homem louco e colocou em risco a segurança de todos meus amigos, por uma causa que nem mesmo era verdadeiramente minha. – seu padrinho soltou um suspiro – O nome da garotinha era Lisian Martell... Lisian era o nome da minha avó, diga-se de passagem... eu lembro do rosto daquela garotinha até hoje. Ele me ainda me assombra e eu duvido que um dia deixará de assombrar. – Draconis viu seu padrinho o olhar nos olhos – No início eu tentei fingir que não ligava... ou repetia que não era culpa minha... mas depois eu tive que aceitar que a culpa foi realmente minha e... e isso me destruiu por dentro. Eu não sei o que teria sido de mim se não fossem meus amigos, principalmente a sua mãe. – seu padrinho sorriu e soltou um suspiro – Sua mãe me ajudou a sair das minhas trevas e...

—Foi quando pularam da Torre de Astronomia? – perguntou Draconis. Seu padrinho piscou surpreso e sorriu.

—De novo com isso?

—Eu vi, tio... eu sou meio vidente... posso não ser forte como a minha mãe... e eu nunca investi nesse dom, então ele não evoluiu... mas eu vi e eu sei que aconteceu. Por que mentiu pra mim?

Draco sorriu e se afastou um passo.

—Esse dia da Torre de Astronomia... eu sonho com ele também. Eu e sua mãe, pulando lá de cima. E no último segundo nós interrompemos a queda... e ficamos de pé, sorrindo... com todos os nossos pesadelos ficando para trás... – seu padrinho soltou um suspiro triste – Mas esse dia nunca aconteceu, Draconis. Porque sua mãe escolheu o seu pai e não eu.

—O que quer dizer?

—Que um dia eu quis casar com ela. Mas ela se recusou. Nós não pulamos da Torre de Astronomia. Eu perguntei se ela confiava em mim e ela disse que sim... mas quando ela entendeu que eu iria pular... ela me largou e foi embora... pra junto do seu pai. E então ela nunca mais saiu de perto dele. Não completamente. – Draco soltou um suspiro – Draconis. Você vai passar por um momento muito difícil. – disse Draco – Eu sei, porque eu passei por isso... mas você vai estar sozinho lá. – Draconis soltou um suspiro – Tome. Eu quero que fique com isso. – disse Draco lhe entregando uma caixa.

—O que é isso? – perguntou ele.

—Abra só quando estiver sozinho, na sua cama. Até lá vai ter chocado. Mas fique com ele ao seu lado. E então nunca estará sozinho. – riu Draco – Você tem muitas pessoas que amam você, Draconis. Por mais que você ache que está cercado por trevas... saiba que sua família, seus amigos, eu... nós estaremos todos esperando ansiosamente pelo seu retorno.

—Então por que ela está me mandando embora?! – perguntou se sentindo injustiçado – Eu cometi um erro... mas... mas eu nem estava lá na hora. Eu só estava usando uma maldita fantasia. Eu não azarei ninguém, eu não ameacei ninguém. Eu só sacudi os braços e ri quando as pessoas começaram a correr...

Draco concordou com um aceno de cabeça.

—Mas alguém morreu, Draconis. E você estava lá. Foram os homens de máscara quem mataram a garota e você era um deles... não cometa esse erro de novo. Tome cuidado com suas futuras amizades. Lembre-se de quem você é. – disse seu padrinho cutucando seu peito – Não deixe nunca que te convençam a ser outra pessoa que não você mesmo. Mesmo que eles tenham as melhores das intenções. Meu pai me encorajou a ser um comensal para o meu bem. E ele nunca se perdoou por isso. Ele quase condenou nossa família. Ele quase me levou a loucura. Ele quase causou minha morte... por isso eu digo. Lembre-se de quem você é. Você não é preconceituoso. Você não liga pra sangue. Você é um garoto muito mais... certo... do que eu, ou seu pai ou sua mãe. Você pode ser melhor que todos nós. Então seja. Não se deixe levar por pessoas que julgam saber mais do que você. Porque elas não sabem. Você sabe o que é certo e errado. Não deixe que as pessoas te convençam do contrário.

—Padrinho... do que você está falando? Está falando sobre o lance de Hogsmeade ou... ou daquele meu... hum... probleminha?

—Estou falando sobre tudo, Draconis. – disse seu padrinho passando o braço pelos seus ombros – Agora vai lá, dá um beijo na sua mãe e se despeça dela, porque não se pode enviar ou receber cartas em Durmstrang. Eles temem que isso possa denunciar a localização secreta da escola... então você vai ficar muito tempo sem receber notícias dela.

—E... e se meu pai morrer? – perguntou Draconis – Eu não vou nem ficar sabendo?

—Deixe seu pai comigo. – riu Draco.

—Por que? É curandeiro agora?

—Eu sou um excelente alquimista, que está estudando tudo sobre a doença do seu pai. Eu posso não ser capaz de curá-lo, mas eu vou fazer aquele cretino viver pra te ver formado. Agora vai se despedir da sua mãe. Ela não vai aguentar segurar o choro por muito mais tempo. – riu Draco.

Draconis sorriu baixando o rosto e o abraçou de novo. Draco o abraçou de volta, soltando um suspiro.

—Obrigado, Draco.

—Disponha, Draconis. Eu estou aqui pra isso...

Tentou soltar o padrinho, mas ele tentou fazer o abraço durar um segundo ou dois a mais. Seu padrinho bagunçou seus cabelos e sacudiu as sobrancelhas na direção de sua mãe. Soltou um suspiro e foi até ela. Sua mãe o olhou severamente e ele suspirou de novo.

—Eu sinto muito, mãe... eu... eu fui muito idiota... me desculpe mesmo... – murmurou constrangido. Viu o queixo de sua mãe tremer de leve e ela precisou respirar fundo antes de se mover, para abraçá-lo – Eu vou me esforçar e vou ficar longe de encrenca, eu prometo. – sua mãe fungou e apertou o abraço – Só me promete uma coisa, por favor?

—O que? – perguntou ela com a voz engasgada. Draconis fechou os olhos pensando no pai, fraco e cansado naquela cama.

—Se meu pai morrer... vem me buscar... não me deixa perder o velório dele, por favor.

Sua mãe ficou em silêncio por alguns segundos e o abraçou mais forte, para em seguida soltá-lo e olhá-lo nos olhos.

—Claro, meu amor.

—Eu te amo, mãe... me desculpa pelo meu vacilo... eu sei que...

—Eu te perdoo, querido. – cortou sua mãe – Só, por favor, não me dá outro desgosto desses de novo. – pediu ela. Draconis concordou com um aceno de cabeça – E eu também te amo, meu amor. – chorou ela finalmente. Draconis a abraçou novamente e uma lufada de vento o acertou com força. Sentiu a mão de Draco em seu ombro e ele sorriu pra ele.

—Se cuida lá. – riu Draco – E se alguém mexer com você, o azare primeiro. Tente ser intimidador, arrume uns colegas grandes e burros pra andarem com você e ninguém vai te perturbar... e tente ser discreto com... hum... seu gosto. – disse Draco parecendo sem jeito – Porque eu realmente vou ter que matar alguém se tocarem num fio de cabelo seu, por lá.

Draconis sorriu, ainda abraçado com a mãe e concordou com um aceno de cabeça.

—Pode deixar, Draco.

—Lembre-se. Tudo se resume a aparências naquela escola. Tome cuidado e tenha juízo... – disse seu padrinho – E você sabia que Durmstrang é o colégio com o menor número de garotas de todas as academias de magia?

—Isso não é um problema pra mim.

—Ok. Mas seja discreto. – riu Draco.

—Pode deixar.

—Mas não deixem eles te convencerem que você está fazendo algo errado se você não estiver... e qualquer coisa, avise Madame Crudelis. Ela é uma lésbica não assumida, pelo que eu sei.

—Draco! – ralhou sua mãe.

—Ela vai te ajudar se você tiver problemas como os que teve em Hogwarts.

—Está tudo bem. Eu vou ficar bem. – disse calmamente.

—Tenha muito cuidado, meu amor. – pediu sua mãe – E não se envolva com... com gente que quer matar trouxas ou nascidos trouxas.

—Ok. – riu Draconis.

Sua mãe o soltou quando o trem apitou. Draco lhe deu uns tapinhas nas costas e Draconis pegou o próprio malão. Ele foi andando e quando estava para entrar no trem, olhou para trás. Foi quando viu Draco passar o braço ao redor dos ombros de sua mãe e ela o abraçar parecendo se emocionar.

Sentiu um frio no estômago ao ver os dois assim e entrou no trem, pensando na visão de Rose... Talvez a visão dela tivesse sido o que teria acontecido caso sua mãe tivesse pulado da torre... mas... mas por que ele existia naquela visão se Scorpius, Castor, Póllux, Prim, Cerce e Dido não?

Sacudiu a cabeça sem querer pensar naquilo e procurou uma cabine vazia. Encontrou uma e se sentou, olhando para o vidro, que estava levemente congelado. Soltou um suspiro sentindo-se sozinho e dizendo a si mesmo que deveria se acostumar com essa sensação.

Sentiu falta de Navi e Rose. Soltou um muxoxo se lembrando que não tinha transado com ela no fim das contas. O clima não estava favorável. Era a nova escola, a culpa pelo que aconteceu com Carmen, a saúde do pai... sem falar o fator INCESTO, que ainda pesava bastante.

Soltou um suspiro e se abraçou tentando se esquentar.

—Essa cabine está recebendo pessoas? – perguntou uma voz familiar. Olhou em choque para a porta e viu Loto ali, com aquele sorrisinho torto dele.

—O que? Como? Como você?!

—Sabe o motivo de meu pai ter viajado para Rússia? – perguntou ele vindo se sentar ao seu lado – Porque ele queria me tirar de Hogwarts. Ele odeia os trouxas e os nascidos trouxas. Ainda mais depois do que aconteceu no Japão. Ele acha que vamos ter guerra em breve. Então quer me preparar melhor. E me manter afastado dos nascidos trouxas. Quem diria que você iria vir também. – riu ele.

—Mas... cara... é muita coincidência! – disse em choque.

—Eu sei. – riu Loto – Durmstrang tem um programa de Artes das Trevas que se pode fazer depois de formado. Eu pretendo fazer o curso. Assim vou poder ficar mais tempo longe de casa... e mais perto do meu Bro. – riu ele.

—Eu acho que você é um psicopata que está me seguindo. – riu dando um soquinho no ombro de Loto.

—Eu acho que você quem se apaixonou por mim e não quer parar de me seguir. – riu Loto, de volta.

Draconis suspirou e sorriu, baixando o rosto. Não estaria completamente sozinho então.

—É... que bom que você também mudou de colégio.

—Não só eu, na realidade... muitos alunos estão deixando Hogwarts. – murmurou Loto – Uma guerra está vindo, Draconis.

—É... eu sinto isso. – murmurou se abraçando e se encolhendo tentando se esquentar – Você vai lutar nela?

—Eu espero que não precise. – respondeu ele – Eu não gosto de batalhas. Mas eu vou confessar... eu olhei os jornais... eu estou com medo dos trouxas.

Draconis concordou com um suspiro.

—É... eu também. Sempre nos dizem que eles são um monte de manés, bobos, que não sabem de nada, que nadam em ignorância, por não saberem magia... mas... – ele engoliu em seco – Eu acho que os trouxas não precisam de magia pra fazer muito mais estrago que um bruxo... eles explodiram uma ilha...

—É... – murmurou Loto – Dá até pra entender o ódio e o medo... é por isso que eu não quero lutar. Não entro em batalha pra perder... e eu não sei se daria pra ganhar dos trouxas... eles são muito numerosos, com umas armas escrotas... é assustador...

—Uhum.

Ficou de papo com Loto até muito tarde. Os dois resolveram dormir, cada um em um lado da cabine. Acordaram para o almoço, quando chegaram servindo uma sopa encorpada. Comeram e logo voltaram a cochilar. Sonhou com Rose, sentindo falta dela. Sonhou com o pai, preocupado com ele.

Acordou no fim da tarde e resolveu começar a treinar o alemão, pois ficou sabendo que nem todos os professores falavam inglês. Suspirou tentando aprender algumas palavras básicas e nem reparou quando anoiteceu. Ele ficou estudando, assim como Loto, até que o jantar chegou. Mais sopa.

Sentiu uma imensa saudade de Hogwarts e seus banquetes. Mas simplesmente suspirou. Comeu o máximo que conseguiu e voltou a estudar. Mas logo ficou muito escuro e não viu alternativa a não ser se deitar.

—Ei... quer dar uns malhos? – perguntou Yaxley – Eu tranco a porta e a deixo imperturbável.

—É uma boa, pra passar o tempo. – disse dando de ombros.

Loto trancou a porta e lançou mais alguns feitiços. Depois ele andou até seu banco e se sentou ao seu lado. Ficaram se beijando por um tempo, até começarem a esquentar. Logo estava atrás de Loto, que se apoiava no vidro embaçado. Depois pegaram um cigarro e começaram a fumar, entediados.

—Aguenta outra? – perguntou Loto.

—Ok. – disse dando de ombros.

E foi assim até o dia amanhecer, quando estavam exaustos e sem fluídos, com as bundas doloridas. Loto tirou as defesas da porta e meia hora depois chegou o café da manhã. Suco, tortas e pães doces. Comeram até não aguentar mais e dormiram até o horário do almoço.

—Eu não aguento mais isso aqui. – resmungou Loto – Falta muito?

—Só chegaremos a noite. – resmungou.

—Oh... que saco. – resmungou o amigo – Ainda bem que tem você aqui.

—É. – riu Draconis.

Ficaram batendo papo e jogando xadrez, até que a porta se abriu. Um homem mais velho, na casa dos cinquenta anos, entrou e os olhou desconfiado.

—Novatos?

—É... pode-se dizer que sim. – respondeu Loto dando de ombros.

—Vocês precisam passar pelo corte. – ralhou ele – Venham. – o homem deu as costas para os dois e Loto o olhou curioso. Andaram seguindo o homem e notaram uma fila cheia de bruxos, que pareciam relativamente curiosos – Fiquem na fila.

Logo entendeu o que era o “corte”.

—Vou ficar careca! – resmungou Loto.

—Seu cabelo é curto. E o meu? – resmungou jogando os cabelos lisos para trás. Loto soltou um muxoxo e toda vez que um garoto passava com a cabeça raspada, faziam careta.

—Eu não quero cortar o cabelo. – resmungou – Por que eu preciso raspar o cabelo?

—Porque Durmstrang era uma escola militar, séculos atrás. – respondeu Loto – Deve ser uma tradição que se manteve. – resmungou ele se abraçando.

Loto não precisou cortar muita coisa, afinal o cabelo dele era bem curto. Mas Draconis fez careta ao ver suas madeixas loiras caírem por seus ombros. Os dois saíram da sala e receberam olhares demorados de duas garotas muito bonitas, mas que pareciam ser cruéis. Lembrou-se imediatamente de Florence ao olhar para elas.

Foram novamente para a própria cabine e Loto pegou um espelho.

—Eu fico lindo de qualquer jeito... mas eu me prefiro de cabelo. – resmungou ele.

—Como eu fiquei? – perguntou pegando o espelho dele. Notou que parecia mais velho sem o cabelo e isso até que foi uma coisa boa – Eu também to bonitão.

—Acho que a gente simplesmente não consegue ficar feio. – disse Loto.

—É... acho que sim. – respondeu dando de ombros.

Quando a viagem de trem finalmente acabou, eles foram até um porto e pegaram um navio, para depois ancorarem em uma ilha. Pegaram então outro navio, mas um de madeira, que parecia extremamente fantasmagórico, velho e acabado. Mandaram escolher alguém, entrar numa das cabine e, em hipótese alguma abrir as portas.

Obviamente ficou com Loto e entenderam o motivo de não abrir as portas. O navio submergiu, e eles puderam ver o mar passar rápido pela janela de vidro.

—Que maneiro. – riu Draconis.

—Sexo? – perguntou Loto se deitando numa rede.

—Sexo. – respondeu, entediado.

Ficaram dividindo a mesma rede, sem medo de serem flagrados. Loto ficou passando o dedo na cicatriz de sua barriga, enquanto ele se arrepiava por isso.

—Por que não quis tirar? – perguntou ele.

—Pra me lembrar de que nunca devo confiar cem por cento em ninguém. – respondeu olhando para a cicatriz.

—Nem em mim?

—Principalmente em você. – disse sorrindo.

—Está aprendendo, putinha. – riu Loto o beijando. O beijou de volta, mas logo se levantou.

—Continue caidinho por mim e você quem vai virar a minha puta. – riu Draconis se esticando e indo olhar a janela. Loto deu uma risadinha, deitando a cabeça nos braços.

—É... Eu criei um monstrinho.

—Você não faz ideia.

*

—Lestrange! – gritou Selwyn. Navi se escondeu embaixo do travesseiro.

—Eu vou contar até três e quando eu terminar eu vou olhar para o lado e vou ver que estou alucinando e você não está aqui... caso contrário eu vou te azarar. – resmungou cheio de sono.

—Eu perdi meu artilheiro e meu goleiro! Você é um Lestrange. Você ou a sua irmã jogam quadribol?

—O único cabo que a minha irmã segura é o dos garotos que ela fode. – resmungou se escondendo debaixo do travesseiro.

—Lestrange?! A Sonserina tem boas chances de ganhar esse campeonato. Nós ganhamos da Grifinória no último jogo porque misteriosamente James Potter pegou pentapox. Eu preciso de um goleiro e um artilheiro.

—Eu estou cagando pra isso... e eu realmente preciso dormir.

—Eu posso tentar? – escutou uma voz angelical ali atrás. Navi até se virou. O time estava inteiro ali. Selwyn, Corbway, Nott, Scorpius e Rowle. Mas quem tinha pedido a chance tinha sido Prim. A garotinha meiga do segundo ano da Sonserina – Eu posso fazer o teste pra goleira?

—É claro que não. – ralhou Selwyn – Você não deve nem saber voar. Sem falar que é muito pequena pra estar no nosso time.

—E é uma garota. – resmungou Nott.

—Lyra é uma garota e ela era uma opção. – disse Scorpius arqueando as sobrancelhas.

—Mas ela é uma Lestrange. Lestrange são historicamente do time da Sonserina. Vamos, Lestrange. Você joga bem? Você é grande e forte. Só precisa saber voar e mirar. – pediu Nott.

Navi se sentou, resmungando.

—Eu não jogo... – começou a falar irritado, afinal era muito cedo e ainda era sábado.

—Ele vai fazer o teste pro time. – disse outra voz vinda da porta. Era Florence com as duas amigas – E Prim também.

—Não é você quem decide isso, Brontë. – resmungou Selwyn. Florence sorriu divertida e foi andando até ele.

—Você é um completo tapado se acha que não sou eu quem decido isso. – riu ela. Selwyn revirou os olhos, mas assim que a olhou de novo, ela o olhou nos olhos. Navi mirou o capitão do time e soltou um muxoxo, pois Selwyn sorriu bobamente encarando Florence – Prim e Navi irão fazer o teste pro time e eu vou ficar muuuuuuito triste se Navi não entrar. Ok?

—Ok... – murmurou Selwyn, bobamente.

—Gata. Eu não jogo qua... – começou, mas ela o olhou com aqueles olhos azul turquesa e ele ficou meio bobo.

—É claro que joga. Quadribol sempre faz as pessoas serem mais populares do que elas realmente merecem. E você vai jogar. Entendeu? – perguntou ela angelicalmente.

Soltou um muxoxo e concordou com um aceno de cabeça.

—Ótimo. Agora precisamos ir. – riu Trixie.

—Nos vemos no campo. Vamos te assistir voar, Navi. – riu Mellody.

Florence o encarou com um sorrisinho, mas logo se virou e saiu rebolando. Scorpius fez uma careta, sacudindo a cabeça e Selwyn precisou limpar um pouco de baba que escorria por seu queixo.

—Vista-se, Lestrange. Eu quero você em cima de uma vassoura em vinte minutos. – ralhou Selwyn.

O time se retirou, com exceção de Scorpius. Prim pulou na cama, com um sorriso animado.

—Será que eu tenho chances? – perguntou ela.

—Precisamos que seja pelo menos quase tão boa quanto Draconis. – riu Scorpius – Ele era foda. Bons reflexos, voava bem, tinha força pra segurar as goles e resistência pra aguentar umas porradas.

—Eu não gosto de quadribol. – resmungou Navi se deitando na cama – Que droga.

—Virou o cachorrinho da Florence mesmo? – perguntou Scorpius.

—Cara. São três garotas ao mesmo tempo! – disse Navi – Esse é o relacionamento perfeito pra mim.

—E Lessa? – perguntou Scorpius.

—E Rose Weasley? Falou com seu pai? – perguntou Navi.

—Eu acabei tendo que escrever uma carta pra ele. Estou esperando a resposta. – riu Scorpius.

—Um Malfoy e uma Weasley... é como Romeu e Julieta... – riu Prim.

—É... é uma tremenda dor de cabeça, diga-se de passagem... – resmungou Scorpius – Levanta, Navi. Ou você vai se tornar o próximo alvo de bullying do time de quadribol. E eu espero que o talento pro quadribol esteja no sangue, porque sem Yaxley e sem Draconis a gente está completamente fodido.

Soltou um muxoxo e foi tomar um banho quente. Depois voltou para o quarto e olhou para Vince, morrendo de inveja, pois o colega estava roncando alto, completamente enrolado no edredom. Bufou contrariado e colocou o uniforme. Depois foi subir as escadas para o Salão Comunal, quando topou com Les.

—Ei. – riu ela – Tudo bem? – perguntou a garota.

—Ah... indo. – resmungou aborrecido.

—Ei... o que acha de darmos uma volta? – perguntou ela.

—Não dá. Tenho que ir pro teste de quadribol. – resmungou contrariado.

—E desde quando você joga quadribol? – perguntou ela sorrindo e o seguindo.

—Eu NÃO jogo quadribol. – resmungou – Mas eu preciso se quiser ter chances de pontuar com a Profana Trindade. Se é que me entende. – adicionou dando um sorrisinho. Les sorriu de volta.

—Ah. Claro. Claro. Quem não iria querer isso, não é? – perguntou ela.

—Pois é.

—E depois de pontuar com as três? Como vai ser? – perguntou Les.

—Eu não sei... Acho que eu vou namorar a Florence, pra sermos rei e rainha do baile no nosso próximo ano.

—Nós não temos essas tradições aqui. – riu Les.

—Ainda não... mas parece que teremos. – riu Navi – Eu tenho que ir. Falou.

Se virou e foi aborrecido até o campo. Prim já estava lá, toda empacotada. Estava meio que preocupado com ela, afinal ela era muito pequena.

—Prim, você não acha que é muito novinha? – perguntou preocupado.

—Mas eu quero tentar. Quero ser goleira igual o papai. – respondeu ela com os olhinhos brilhantes. Navi a olhou com aquele instinto fraternal apitando. Draconis não estava mais aqui para proteger as irmãs, então se sentia como se tivesse ganhado três irmãzinhas que precisavam constantemente de sua atenção. – Eu acho que eu sou boa.

—Eu acho que eles vão te derrubar da vassoura. – resmungou Navi.

—Muito bem, Navi. – rosnou Selwyn se aproximando – Você também, pirralha. Na vassoura.

Soltou um muxoxo e concordou. Fazendo careta, pegou a vassoura e alçou voo. Ele sabia voar, apesar de não ser tão bom nisso quanto Draconis ou Scorpius. Prim voou bem também, como se tivesse um par de asas invisíveis. Ela parecia tão leve na vassoura quando rodopiando no chão.

—Já sabemos quem pode ser uma boa apanhadora, quando Scorpius não puder jogar. – murmurou baixinho.

—LESTRANGE. – chamou Selwyn. O olhou preguiçosamente – Vamos fazer um treino de passes. Você passa pro Leon, que passa pro Brutus, que passa pra você. Entendeu? – perguntou ele lhe jogando a goles. A pegou contrariado e olhou para a arquibancada. A profana trindade estava lá, assim como sua irmã e...

—Les... – murmurou sorrindo. Acenou pra ela e ela acenou de volta.

—Esquece as garotas, Lestrange, pelo amor de Merlin. – ralhou Selwyn – Eu quero que você faça o treino de passes enquanto Octavius tenta te acertar com um balaço. Depois que você aquecer e se for promissor, continuaremos com o treino de passes, mas comigo tentando acertar vocês também. Por último tentaremos fazer algo a respeito dos candidatos a goleiro... que se resumem a pequena Burke... e... – ele olhou ao redor e xingou – Vou me preocupar com o goleiro depois. Burke. Você pode ficar praticando voo enquanto eu vejo do que o Lestrange é capaz.

—Ok, chefe. – riu Prim voando para longe com leveza.

—Pode começar, Lestrange.

—Ok... eu jogo a goles pra quem mesmo? – perguntou confuso, jogando a goles pra cima e quase a deixando cair. Sorriu sem jeito e Selwyn fez uma careta.

—Leon. Pro Leon.

—Qual dos manés é o Leon mesmo? Corbway ou Rowle? – perguntou com um sorrisinho insolente.

—Eu, babaca. – rosnou Rowle.

—Ok. Pega. – disse jogando a goles, calmamente. Imediatamente Rowle tocou para Corbway, que arremessou a goles para ele e Navi quase a deixou cair.

—Há! Peguei! – disse animado.

—Então toque, idiota! – rosnou Nott.

—Ok, ok... – disse jogando a goles para Corbway, no lugar de tocar para Rowle.

—Ai, nós estamos perdidos... – resmungou Selwyn.

**

Rasalas notou Draco entrelaçar os dedos com os de Alhena e o olhou furioso, apesar de tentar disfarçar.

—Eu realmente sinto muito. Mas não há mais nada que a gente possa fazer. – disse o curandeiro – Eu daria uma semana pra ele, se ele durar muito. Nós precisamos da sua assinatura para dar a ele poção do morto vivo. Ele não precisa sofrer tanto... ele poderá morrer calmamente durante o sono.

Alhena pareceu que iria desmaiar e Draco a puxou com força, para abraçá-la.

—Volte mais tarde. Ela precisa se acalmar. – disse Draco, sombriamente. O curandeiro concordou e saiu de perto deles. Ficou olhando Draco abraçar sua irmã e a acariciar nos cabelos – Calma, Lena... eu to aqui, ok? Eu sempre vou estar aqui... – sussurrou ele. Bufou levemente ofendido, mas o som que Alhena fez simplesmente partiu seu coração.

Alhena não era chorona. Ela até que estava aguentando a barra... mas parecia que ela tinha construído uma represa, que estava segurando toda aquela frustração e todas as lágrimas dela. E agora a represa tinha simplesmente quebrado e Alhena não era mais capaz de fazer coisa alguma.

Ela soltou um lamento tão alto e começou a chorar tão desesperadamente que tinha certeza que, se Draco não a tivesse abraçado, ela teria desmoronado no chão e sem nem se dar conta disso. Alhena segurou as roupas de Draco e chorou de maneira horrível e triste. Rasalas escutou seu sobrinho mais velho fungar ao seu lado. Castor, que era o gêmeo de cabelo curto soluçou e então se sentou no banco para chorar em silêncio. Póllux estava na loja e Órion estava com Daphne e Rabastan Neto. Escutou outro uivo lamentoso de Alhena e se deu conta de que nunca a tinha visto chorar daquele jeito tão desesperado.

—Me ajuda, Draco... me ajuda... – pediu ela, desesperada – Me ajuda, por favor... – mas não havia o que ser feito... Damian tinha durado muito mais do que qualquer um tinha imaginado. Ele lutara uma batalha perdida por muito tempo e agora era hora de se dar por vencido... Rasalas viu Draco olhar perdido para o nada e abraçar Alhena com força. Então ele fechou os olhos e a beijou na testa repetidas vezes, tentando consolá-la.

Iria socá-lo depois por isso.

—Calma, Lena... calma... – murmurou Draco.

—Eu nunca mais vou escutar a voz dele... eu nunca mais vou... não... não... não... eu quero o meu Damian... eu quero ele de volta... me ajuda, Draco... me ajuda... por favor, me ajuda...

—Oh, Lena... – murmurou Draco parecendo infeliz. Era bom que ele estivesse infeliz.

—Por que isso tinha que acontecer com ele, Draco...? Eu não entendo! Eu não entendo! – perguntou Alhena, voltando a chorar de maneira escandalosa. Draco suspirou nos cabelos dela e então o olhou. Rasalas o olhou com censura e Draco pareceu entender. Mas o amigo apenas negou com a cabeça, como se dissesse “não é nada disso”.

—Castor... fique com a sua mãe um momento. Eu quero falar com o Draco. – disse Rasalas secamente. Castor os olhou desconfiado, mas se levantou e abraçou a mãe, para confortá-la. Draco soltou um muxoxo e Rasalas o guiou para outro corredor. Quando ficaram longe o suficiente e Draco estava para abrir a boca para falar, apenas o socou no estômago – Vou deixar bem claro, Malfoy. Fique longe da minha irmã.

Draco caiu sentado no chão e teve a insolência de rir desdenhoso.

—E estamos de volta ao tempo de escola. – debochou ele.

—Eu não te batia no tempo de escola.

—Não foi por falta de tentativa. Mas eu não sou mais rápido e ágil como quando eu era moleque. – riu Draco – Eu não estou dando em cima da sua irmã. Eu estava inocentemente confortando ela, seu retardado.

—Você agindo inocentemente? Fala que eu acredito. – ralhou fechando a cara. Draco soltou um suspiro e se levantou, massageando a barriga.

—Se você não se lembra, passei boa parte do sexto e do sétimo ano dormindo com a sua irmã, sem absolutamente nenhuma segunda intenção.

—Você não era apaixonado por ela. – retrucou Rasalas e Draco deu de ombros.

—Eu sei que não. Mas eu sei separar as coisas. – ralhou Draco. Rasalas soltou um muxoxo e Draco suspirou – Eu realmente sinto muito. O Damian é meu amigo, mas nem de perto eu era com ele como você era.

—Pois é... – resmungou Rasalas – Eu me pergunto todo dia... por que ele?

—Porque você já um lobisomem, eu já perdi a mulher que eu amava, além de ter toda aquela complicação com a Alhena... e o Blair ganhou uma filha adolescente do nada... além dele não dar a mínima pra porra nenhuma... um de nós ainda não tinha pagado o preço por sermos simplesmente maravilhosos a vida inteira.

—Ele pagou caro demais. – ralhou Rasalas.

—Porque ele era o melhor de nós. – disse Draco dando de ombros – Fala sério. Ele era o aluno mais dedicado, ele passou a vida inteira apaixonado pela mesma pessoa e passou a vida inteira se dedicando a ela e a família que ele conquistou com ela. Além de ser rico, bem nascido, bonito... e ter voltado dos mortos praticamente... mais de uma vez. Aquela vez no castelo, quando ele foi azarado pelo seu tio, ou pela minha tia, não sei... depois ele foi torturado até a loucura... e voltou...

—Eu acho que ele já tinha pago por todas as merdas dele só de ter sido torturado até a insanidade. – resmungou Rasalas – Você não faz ideia do que é ser atingido pela maldição cruciatus.

—Quem disse que não? – perguntou Draco e Rasalas o olhou levemente surpreso – O Lorde das Trevas perdeu a paciência comigo mais de uma vez, sabe? Sem falar que eu meio que ajudei Potter a fugir da minha casa quando Grayback capturou ele.

Rasalas se arrepiou por completo ao escutar aquele nome e riu de si mesmo por isso... já fazia tanto tempo, mas mesmo assim ainda sentia um calafrio ao escutar aquele nome.

—Não é justo...

—Por que? Seria mais justo em quem? – perguntou Draco.

—Naqueles moleques idiotas que estão mexendo com o meu sobrinho. – sugeriu Rasalas. Draco arqueou as sobrancelhas.

—São todos uns idiotas, mas você acha que eles não merecem a chance de se redimir? Eles têm a vida inteira para descobrir que foram imbecis e para compensar Draconis de alguma maneira. – disse Draco.

—Você acha que Pierre iria se arrepender e se redimir? – perguntou estreitando os olhos.

—Não sei. Acho que não. Mas ele não estava fazendo aquilo seguindo uma filosofia de vida errada. Ele apenas era um babaca, cretino, que mereceu aquela vassourada no cu. – disse Draco. Rasalas soltou um suspiro e se recostou na parede – Eu tenho que te falar uma coisa.

—Não. Eu não te dou a minha benção pra ir atrás da Alhena quando nosso amigo bater as botas! – ralhou Rasalas.

—Eu não... ok. Vamos esclarecer umas coisas. – ralhou Draco – Eu amo a sua irmã. Ela é minha melhor amiga, ok? Mas eu não estou louco pra entrar nas saias dela! – Rasalas o olhou sem acreditar nisso – Ok, eu adoraria entrar nas saias dela. Mas esse não é um objetivo meu, ok? Eu não pretendo me casar novamente. E eu duvido que a sua irmã fosse querer isso também. – Rasalas o olhou desconfiado.

—Minha irmã vai estar completamente desestabilizada e...

—Cara, você acha que eu iria tentar tirar proveito dela nesse momento, ou num próximo? – perguntou Draco – Eu não vou fazer isso. Eu desisti da Alhena há anos atrás. – explicou Draco.

—Mas teve uma recaída.

—Cara, esquece isso. Eu e a Alhena... – Draco negou com a cabeça – Não vai acontecer... mas eu preciso da sua ajuda.

—O que?

—Eu preciso que tire Alhena de lá de perto. Eu preciso falar com o Damian antes que ela decida por dar a poção do morto vivo pra ele.

—Por que? O que você vai fazer? – perguntou Rasalas. Draco soltou um suspiro e tirou um frasco laranja berrante do bolso das vestes – O que é isso?

—Algo que pode ou matar o Damian, ou salvar a vida dele. – disse Draco calmamente – E levando a atual situação dele... ele não tem muito a perder.

—De onde você tirou isso? – perguntou Rasalas, surpreso.

—Rose Burton me deu a ajuda que eu precisava... – riu Draco – Eu amo tanto a sua irmã, Rasalas... que estou disposto a abrir mão de uma chance com ela de novo... apenas pra não ouvi-la chorar daquele jeito de novamente... – Rasalas abriu a boca, pasmo e suspirou – Então me ajude aqui... porque eu estou prestes a desistir dela de novo...

***

Draco entrou no quarto e suspirou ao ver seu amigo de infância deitado naquela maca, tão terrivelmente magro que assustava. Ele era só pele e osso, completamente tingido de violeta, com sangue escorrendo pela boca, nariz e orelhas... os cabelos quebradiços e brancos. A respiração difícil e ruidosa.

Tinha ignorado o aviso de “não entre” e agora se aproximava dele. Eu vou mesmo fazer isso de novo? Perguntou pra si mesmo. Eu vou desistir dela mais uma vez... eu vou entregá-la de mão beijada pra você novamente... suspirou com uma parte egoísta de si mesmo querendo simplesmente dar a volta e ir embora.

Mas então se lembrou do choro doído de Alhena. Ela nunca chorara daquela maneira. Nem quando Pierre a estuprou, nem quando Damian a depois daquilo. Nem quando ela descobriu que ele a traíra com Clover... Mas...

Soltou um suspiro e finalmente ficou lado a lado com o amigo, que o olhou com os olhos violetas. Se perguntava se ele já estava cego, já que não conseguia nem mesmo ver a pupila dele. Suspirou torcendo para que ele não ficasse permanentemente cego... queria ter conseguido aquela poção antes, mas... sem um esporo do fungo, não seria capaz de confeccioná-la. E ninguém sabia como se contraía Horklump... mas Rose Burton conseguira descobrir...

Nas cavernas abandonadas de Azkaban... onde os dementadores estavam enclausurados. Lá o pequeno cogumelo roxo estava crescendo. Suspirou e olhou para seus frascos.

—Quem está... ai? – perguntou Damian. Segurou a mão dele – Ras?

—Draco.

—Draco... – riu Damian, fracamente – Veio me devolver o que me tirou? – perguntou ele roucamente.

—Não. Vim te dar uma chance de viver de novo. – respondeu – Eu tenho aqui uma poção que pode te matar ou te ajudar a viver mais um pouco... o suficiente pra ver Draconis terminar a escola. Para abraçar seus filhos de novo, para ver Órion entrar em Hogwarts... uma chance pra fazer amor com sua esposa novamente...

—Parece bom. – riu Damian muito fracamente – De onde tirou isso?

—Eu fiz, com ajuda da sua filha... a Rose. – riu Draco – Ela é muito inteligente, aquela menina.

—Puxou... a mãe... dela... – riu Damian fechando os olhos.

—É... mas eu não tive muito tempo pra trabalhar com isso... e... – Draco suspirou – E meu tempo acabou. Ou eu te dou isso hoje, ou vai ser tarde demais... tem uma boa chance de falhar.

Damian respirou dolorosamente.

—Quanto?

—Eu diria que... oitenta por cento...

—E o que acontece se der certo? – perguntou Damian, muito cansado e fazendo careta de dor. Draco pegou a varinha e limpou o rosto dele que estava escorrendo sangue.

—Nos meus homúnculos, quando dava certo, o fungo regredia absurdamente. Teve um deles que não aparentou mais indícios de ter o fungo. Um deles, em cem, ficou completamente curado. – explicou Draco.

—E nos que não funcionou? – perguntou Damian.

—Hum... – Draco fez uma careta – Alguns explodiram. Outros gritaram tão alto que alguns frascos de vidro quebraram. Outros simplesmente se desfizeram... e teve um que virou um cogumelo gigante e eu fiquei com medo de ter contraído Horklump. – confessou Draco – Mas eu aproveitei a amostra pra poder estudar melhor esse fungo. Daqui uns dez anos, quem sabe o que eu posso descobrir.

—Se você tiver pego Horklump, você... – ele respirou fundo – Você não vai... – ele respirou fundo de novo e fez careta – Viver dez anos...

—Mas eu fiz o teste. Eu não estou com Horklump. – disse calmamente.

—Por que se arriscou tanto, Draco?

Draco apertou a mão dele.

—Você é meu amigo.

—Nunca vi você pesquisar a cura pra licantropia. – riu Damian. Draco se permitiu rir.

—Mas eu sou mais amigo da Lena... e eu... eu não vou aguentar vê-la... perder o amor da vida dela. Eu sei a tristeza que é. – explicou. Damian soltou um suspiro.

—O que você acha que... que eu devo fazer? – perguntou Damian.

—Eu acho que você não tem nada a perder. Querem te dar poção do morto vivo. – disse Draco – Então não custa tentar.

—Pode ser que não dê certo... e eu já estou sentindo dor o suficiente... – murmurou Damian – Eu estou tão cansado, Draco. – murmurou Damian – Tão... cansado. – ele respirou fundo e Draco apertou a mão dele com mais firmeza – E eu estou tão pronto... pra desistir...

—Porque não escutou Alhena chorar como eu escutei. – murmurou Draco – Eu nunca a ouvi chorar daquele jeito. Eu nunca vi alguém chorar daquele jeito... e você tem oito filhos, Damian. Nenhum deles está pronto pra perder você. – Damian engoliu em seco e gemeu de dor.

—Draco... – Damian respirou fundo, tomando fôlego e então ficou tenso, num espasmo de dor. Segurou a mão dele com firmeza e então o amigo murmurou – Eu tomo, com uma condição.

—Qual?

—Me devolva... o que você tirou.

Draco piscou em choque e baixou o rosto.

—Não posso, Damian... não insista.

—Por que não?

—Eu prometi pro Rasalas... – murmurou Draco – Deixe estar. Apenas tente essa oportunidade de voltar pra sua família. – murmurou sentindo um frio na barriga.

—Não... eu estou cansado, Draco. E estou achando que estou vivendo uma mentira... – murmurou ele – Eu preciso da verdade. Ou... – ele respirou fundo – ou eu vou embora... eu já lutei o suficiente... ninguém pode me dizer que eu não lutei.

—Eu vou poder dizer que você não lutou o suficiente! – ralhou, mas Damian riu.

—Não. Você vai falar que preferiu me ver morrer, a confessar um podre seu. – devolveu Damian. Draco engoliu em seco e respirou fundo.

—Vou beber hidromel no seu enterro, Damian. – murmurou calmamente. Deu as costas e começou a se afastar, na esperança de que ele mudasse de ideia. Mas andou até a porta e Damian não o chamou de volta. Se virou e o olhou. O amigo estava de olhos fechados, fazendo careta de dor. Soltou um muxoxo e pegou a varinha de novo – Seu completo idiota. Eu não acredito que vai me obrigar a fazer isso.

—Você poderia simplesmente me forçar a tomar a poção, sabe? – perguntou Damian – Mas você quer confessar, Draco. Então confesse. Você tem oitenta por cento de chance de não ter que precisar lidar com isso depois.

—Mas eu estou torcendo pelos vinte por cento, Damian. – resmungou contrariado – É tão difícil assim entender?

—Me devolva, Draco. Eu vou te perdoar.

—Não vai. – sussurrou Draco – Mas se é o que você faz tanta questão...

—Obrigado, Draco. – murmurou Damian, calmamente.

Suspirou e conjurou uma enorme seringa.

—Eu aviso que isso vai doer pra caralho. – murmurou Draco pegando a poção com a seringa.

—Minhas memórias!

—Você vai sonhar com elas, ok? Vai me dar tempo de deixar o país, ou qualquer coisa assim. – resmungou Draco. – Pronto?

—Ok. – levantou o punho, pegando impulso – Draco!

—O que?

Damian engoliu em seco.

—Eu vou deixar de amar a Alhena?

Piscou. Hesitou. Então suspirou.

—Eu... eu espero que não.

—Mas...

Mas ele não lhe deixou terminar e desceu a seringa de uma vez. A agulha passou pela região entre as costelas e o acertou nos pulmões. Damian semicerrou os dentes e agarrou-se ao colchão, fazendo uma careta de agonia. E Draco despejou o conteúdo da seringa no pulmão contaminado dele.

—Você me deve uma. Lembre-se disso. – disse desconjurando a seringa e saindo do quarto. Mas ao abrir a porta, olhou para trás, se perguntando se ele iria morrer.

Foi quando escutou o amigo gritar de agonia.

Saiu e fechou a porta, torcendo para que tudo desse certo, e sem saber como agiria se desse.

Depois andou a passos rápidos até o banheiro, onde olhou o próprio reflexo.

—Draco Malfoy... você mentiu pra ele, em seu possível leito de morte. Você é mesmo um mentiroso nojento. Mentiu pro Rasalas, mentiu pro Damian e mentiu pra Alhena... – murmurou encarando seu reflexo. Depois suspirou e tocou sua bochecha, a puxando para baixo, expondo uma parte de seu olho, que normalmente era escondida pela pálpebra inferior. E lá estava ela. A prova de suas mentiras. Não estaria sempre ali para Alhena e não estava desistindo dela por Damian. Apenas não permitiria que ela sentisse a dor de perder outra pessoa querida praquela doença novamente. Preferiria que ela o odiasse... mentiu pra Damian, falando que não estava doente... mas a mancha violeta em seu olho mostrava a verdade. – Eu estou com Horklump... – murmurou – E se eu não curar o Damian, eu vou deixar Scorpius e Draconis pra trás... então melhore, por favor...

Notas finais
OMFG!!! Draco está doente?!?! A cura vai funcionar? Se não funcionar, será que o Draco vai morrer?!!?!? O DAMIAN VAI MORRER?!?!!?!?!?! hsuahsaushaushas Deixem seus desespero nos comentários ^^ E agora... aqui vai a prévia do próximo capítulo: "Sabe Damian... antes de me tornar o seu pai... há mais de vinte anos atrás... eu tinha uma vida completamente diferente da vida que levamos hoje... Era 1 de Setembro de 1971 e... como você já sabe, era o dia de pegar o Expresso de Hogwarts. Era meu primeiro ano e eu estava nervoso pois eu precisava ir para Sonserina... e acredite ou não, por alguns momentos eu tive medo de que isso não acontecesse." Essa parte é uma lembrança do Damian, de quando ele era criança.O sr. Jacques Burke vai contar como conheceu a mãe do Damian ^^ E a segunda prévia: "-DAMIAN! DAMIAN! —Tirem a Sra. Burke daqui! – escutou alguém dizer. Estava tudo tão claro, tão iluminado. Tão branco. —Não! Por favor! Me deixem ficar com ele! Me deixem ficar com ele!" Ele vai morrer?! ELE VAI MORRER?! ashaushauhsausaus Comentem logo, pra eu postar mais ^~ Beijos. Titia ama vocês^~