Notas iniciais
Oi, amores! Tudo bem? Tia Vênus aqui, com mais um capítulo recheado de emoção pra vocês! Espero que gostem, ok?! Quero ver todo mundo comentando... estou sentindo falta dos comentários. Eu postei uns três capítulos nesse fim de semana. Eu mereço muitos comentários u.u Muito bem! Vamos lá! O próximo capítulo sai quarta feira que vem (dia 01/06)... maaaaaaasss... Se vocês conseguirem 10 comentários, ou o Nyah aprovar uma certa recomendação ai... eu posto ainda essa semana, na sexta. Se rolar as duas coisas, eu posto um na sexta, um no domingo e depois um na quarta (01/06) Então comentem como se a vida do Draco dependesse disso!!! Muito bem, vamos ao capítulo! Beijos. #PartiuLer

Capítulo 52

Deitou Alhena no sofá, a beijando apaixonadamente. Ela o puxou com desejo e ele mergulhou nela. Aquela música do limpador de chaminés estava tocando e não haviam quadros no Escritório. Apenas molduras vazias. Alhena sorriu durante o sexo, o arranhando nas costas.

Podia sentir que ela o arranhara profundamente, porque suas costas começaram a sangrar... e não apenas suas costas... de sua boca, começou a escorrer sangue. Se sentou e olhou para Alhena notando que ela estava completamente suja de sangue.

—Por que não me contou a verdade?! – perguntou ela o olhando com mágoa.

—Eu não quis te preocupar. Você já sofreu o suficiente com o Damian... – murmurou com a boca cheia de sangue. Seus pulmões doíam absurdamente.

—Por que você desistiu de mim? – perguntou ela.

—Porque você amava outra pessoa! – disse se levantando. Sua cabeça doía também.

—Por que você desistiu da nossa família?! – perguntou ela, com o corpo cheio de sangue. Piscou confuso e olhou para os retratos. O rosto de Draconis estava lá. Em todos eles – Por que o deixou morrer?!

—Draconis não morreu! – disse assustado. Mas então Alhena avançou com as mãos esticadas, em direção ao seu pescoço – Eu amo você... – murmurou assustado. Mas o rosto dela foi mudando aos poucos e logo viu que era Damian e não ela.

—Seu traidor de merda... eu deveria matar você. – rosnou ele. Fechou os olhos com força, querendo acordar. Largaram seu pescoço e ele se viu de pé no escritório. Draconis girava a varinha nas mãos e olhava para o quadro de Scorpius.

—Desculpe, maninho... mas eu prefiro ser filho único. – riu ele com desdém... e então não era Draconis. Era a si mesmo, saindo do Escritório. E não era Scorpius quem jazia morto no chão. Era Dumbledore, Lisian Martell e Astoria.

Se ajoelhou ao lado dela enquanto sua cópia andava para o outro lado do Escritório.

—Eu amo Alhena. – disse a cópia.

—Por que, Draco? – perguntou Astoria deitada no chão – Você deveria estar aqui comigo. Não ai com ela.

Se levantou assustado e sentiu uma terrível ânsia de vômito.

—Mestre Draco! – disseram os quadros, com vozes esganiçadas. – Mestre! Mestre! Mestre!

Draco abriu os olhos e notou que estava deitado no chão. Sentia-se fraco demais para se levantar. Seus elfos o chamavam, assustados, mas não conseguia se levantar. Seu corpo doía de maneira terrível.

Estava no chão de seu escritório. Tentou se sentar, mas simplesmente não conseguiu. Tossiu e uma bolha de sangue explodiu em sua boca. Seu corpo estava tão dolorido que parecia ter sido atropelado por um hipogrifo. Gemeu de dor, sem conseguir se mexer e tossiu mais uma vez.

—Mestre... Potter está ai! Podemos deixá-lo entrar? Ele quer falar com o senhor... – murmurou um dos elfos. Fechou os olhos, engolindo em seco. Precisava do remédio... e precisava agora.

—Soco... socorro... – sussurrou – Socorro...

—Mestre... – os elfos se entreolharam, mas em seguida o encararam. Por que raios eles não pegavam o remédio? Por que não chamavam Scorpius? Por que não deixavam Potter entrar? Eles iriam assisti-lo morrer?

—Estamos esperando suas ordens, mestre. – disse um dos elfos, com um certo tom de desdém. Abriu a boca para falar, mas engasgou com uma bolha de sangue. Estava difícil de respirar. Estava impossível falar. Estava sufocando. Eu vou morrer?

Olhou desesperado para os próprios elfos, que o olhavam com expressões frias e impassíveis. Eles vão me deixar morrer... fechou os olhos, tentando respirar, mas estava se afogando. Se afogando em sangue...

—MESTRE! – escutou um guincho. Era Yolo. Seu elfo mais jovem. O que tinha comprado quando Scorpius nasceu. Os elfos olharam para o novato com algum desgosto – Mestre! Mestre! – lamentou o elfo pegando um pano e limpando seu rosto, parecendo desesperado – O que Yolo pode fazer? Ajudem o mestre! – disse o elfo, desesperado. Mas seus elfos apenas deram de ombros.

—Se ele falar o que quer, nós faremos! – disseram eles. Yolo os olhou chocado.

—TRAIDORES! TRAIDORES! MOTIM! MOTIM! – rosnou ele – Mestre, o Yolo deve pegar o remédio laranja?!

Tentou acenar positivamente para Yolo, que logo desapareceu. Sua visão estava começando a enturvar. Estava sem ar. Jurou poder ver os cabelos castanhos de Astoria, assim como seus olhos verdes. Ela veio me buscar... fechou os olhos, com medo. Eu não posso ir, Ast... eu preciso cuidar do Scorpius... eu preciso cuidar do Draconis... eu não posso partir... me deixe ficar...

Tudo pareceu ficar escuro e extremamente silencioso. Ficou assim por tanto tempo, que começou a se perguntar se tinha morrido e se era essa a sensação de morrer... simplesmente vazio. Mas logo começou a sentir. Sentir dor. Nas costelas. No pulmão. Escutou uma voz distante e conhecida. Uma voz que ele aprendera a desprezar durante anos e que depois passou a significar esperança... mas agora ela não passava de um leve aborrecimento.

—Acorde, Malfoy! Não ouse morrer agora.

—Potter... – resmungou abrindo os olhos. Estava no sofá da sala de visitas. Potter estava todo sujo de sangue. Provavelmente seu sangue. Olhou pra si mesmo e notou que usava apenas calças. Tentou respirar fundo, mas isso lhe roubou um gemido de dor. Pressionou as costelas, angustiado, e notou um ponto dolorido – Onde está Yolo?

—Estou aqui, Mestre! Yolo te deu o remédio. – disse Yolo, no chão, parecendo terrivelmente assustado – Yolo deu o remédio, como o mestre ensinou, mas o mestre começou a gritar de dor... – viu o elfo encolher ao estremecer. Suspirou sem se lembrar de gritar – Então Yolo ficou assustado e... e chamou ajuda, que... que era o Sr. Potter... me desculpe, mestre. Yolo vai queimar as orelhas no forno, ok?

—Yolo? – murmurou Draco. O elfo o olhou com os grandes olhos vermelhos e inchados pelo choro. Era só o que faltava... seu elfo o amava e se preocupava com ele...

—Sim, mestre?

—Tome uma cerveja amanteigada. – resmungou Draco e o elfo o encarou boquiaberto – Você salvou a minha vida, elfo estúpido. Vá se divertir. E diga pros inúteis dos outros elfos que você quem manda em todos eles agora.

—Mas... mas Yolo é novato... Dundum é o mais antigo da casa e...

—E ele me deixaria morrer. Mande Dundum queimar as orelhas no forno.

—Sim, mestre. – disse Yolo, ainda parecendo em choque – Devo deixar o mestre sozinho com o Sr. Potter?

Draco respirou fundo, ainda fraco, olhando novamente para Potter, que o olhava com algum descaso.

—Faça isso... mas deixe Antom a postos... – pediu Draco. Yolo fez uma reverência exagerada, como sempre, e então desapareceu. Draco soltou um suspiro e tentou se sentar, mas logo o esforço se mostrou infrutífero. Sua cabeça girou, seu corpo doeu e seus pulmões arderam em brasa. Desistindo de parecer, um tiquinho que fosse, solene, apenas se deitou no sofá e encarou seu mas detestável colega de escola... Harry Fodendo Potter... Seria “fodendo” o segundo nome dele? Rasalas provavelmente deveria saber... eles foram amigos, certa vez – Potter...

—Eu devo dizer que não senti falta desse seu tom arrastado ao falar meu nome.

—E eu devo dizer que eu não ligo... e eu não senti falta de você também, cabeça rachada.

—Vamos começar com a troca de elogios agora? Podemos agir como dois adultos? – ralhou Potter, cruzando os braços. Draco deu seu sorriso desdenhoso, mas o sangue em sua boca e dentes meio que estragou o efeito.

—No dia em que pentear o cabelo e parar de se vestir como um professor da terceira idade. – respondeu Draco, mas em seguida seu peito ardeu mais do que o costume e ele soltou um gemido. Achou melhor parar com as alfinetadas. Falar estava se mostrando doloroso e ele não gostava de sentir dor... – O que você quer, Potter?

—O que houve com você?

—Acreditaria se eu dissesse que eu caí? – perguntou franzindo a testa. Achou que Potter iria revirar os olhos, ou perder a paciência, mas ele deu um sorrisinho.

—Eu acreditaria sim. Você caiu?

—Não. Eu não caí. Seu imbecil. Eu estou doente... mas você não precisa fazer um show sobre isso. – resmungou se sentando, juntando suas forças. Respirou fundo e pressionou a costela – O que você quer, Potter?

—Eu preciso da sua ajuda. – respondeu ele. Draco piscou, em choque e se permitiu rir.

—O que?

—Eu preciso da sua ajuda. – repetiu Potter – Vamos, Malfoy. Para de me olhar como se esse fosse o momento mais estranho da sua vida. – brincou Potter... imaginou que ele estava brincando, pelo menos.

—Eu bati a cabeça com mais força do que eu pensei... – murmurou massageando a cabeça – Você está pedindo a minha ajuda? Posso saber com o que?

—Rosier. – respondeu Potter.

—Eu acho que você anda meio desinformado, Potter. Eu não convivo no Ministério. Tente Rasalas ou Pansy. Eu nunca segui a carreira política.

—Por que não? – perguntou Potter o olhando com curiosidade. O olhou do mesmo jeito – Eu sempre imaginei que seguiria os passos do seu pai.

—Eu passei boa parte da minha vida fazendo isso... e eu não gostei. Preferi andar com as minhas próprias pernas, pelos meus próprios caminhos. – disse incomodado por estar sem camisa na frente do auror – E não me arrependo disso.

—O que você achou do Acordo de Mahōtokoro?

—Eu tenho um único filho e ele tem dezesseis anos. O que acha que eu achei? – perguntou Draco, fechando a cara – Eu vou usar todos os meus recursos pra fazer com que Scorpius não precise servir, mas...

—E você provavelmente vai conseguir. – cortou Potter – Minhas fontes dizem que quem não quiser servir precisa pagar uma multa altíssima para cada membro da família que se recusar. Isso vai servir para patrocinar o movimento... – Draco o olhou surpreso. Ele e Scorpius estariam a salvo. Não havia multa que ele não fosse capaz de pagar – Mas nem todo mundo caga dinheiro que nem você.

—Bem... sinto muito pra essas pessoas... – Draco piscou e deu um sorrisinho desdenhoso – Potter... você veio pedir um empréstimo? Achei que só os Weasley estivessem quebrados.

—Não... – ralhou Potter fechando a cara – Eu vim pedir pra você nos ajudar. Nós queremos fazer uma resistência...

—Boa sorte com isso... como você pode ver, eu não estou em condições de lutar. – cortou Draco se levantando lentamente e com cuidado – Agora com licença, eu preciso tomar um banho.

—Malfoy. Isso é claramente um golpe para...

—Para voltar à causa puro sangue. Vai ser como a época do Lorde das Trevas, tudo de novo. – debochou Draco – Potter... você realmente acha que eu me importo? Eles não vão mexer com a minha família. Logo, eu não vou mover uma palha contra eles.

—Nós precisaremos esconder pessoas, precisaremos de um lugar seguro para...

—A Mansão Malfoy não vai fazer parte dos seus planos mirabolantes, Potter. Eu não vou entrar numa guerra que eu não preciso lutar. – cortou Draco. Potter respirou fundo e o segurou no pulso.

—Eu salvei a sua vida!

—E eu salvei a sua. – resmungou Draco – Ou se esqueceu disso?

—Eu não esqueci. E eu sei o risco em que você se colocou, mas... mas Draco... Nós precisamos de você! Centenas de bruxos e trouxas precisam da sua ajuda.

—Eu não dou a mínima para os trouxas... Potter! Você consegue escutar o que está dizendo? Você se esqueceu com quem está falando?! Eu era um comensal de morte! Você acha que eu dou a mínima para...

—Não acha que esse é o momento pra se redimir por Lisian Martell? – cortou Potter e Draco perdeu a capacidade de falar. Se lembrou daquela garotinha da Lufa-Lufa, com os olhos esbugalhados e a garganta rasgada de maneira grotesca.

Por um momento quis socar Potter, mas simplesmente não tinha forças pra isso. Não daria conta de duelar, tampouco.

—Vá embora, Potter...

—Seu filho está namorando a filha do meu melhor amigo. Uma mestiça. Draco... você acha que ele não vai sofrer represálias, caso a causa puro sangue volte com força total? Pense nele também. Pense nos seus amigos que tem filhos. Goyle, Lestrange, Burke, Zabini, Nott... Pense em todas as famílias que vão ter que mandar suas crianças para uma guerra sem sentido.

—Eu penso na minha família, Potter. – rosnou Draco – E eu não vou empurrar meu filho para uma guerra, igual meu pai fez comigo! – Potter o olhou surpreso e soltou um muxoxo – Eu não concordo com o Acordo. Eu acho a ideia de guerrear com os trouxas algo estúpido... mas minha família já sangrou o suficiente. Eu nunca quis um cargo político justamente pra não ter que me envolver com esse tipo de coisa de novo. Esquece, Potter... Eu não vou te ajudar. Eu não devo nada a você ou a seus amigos... e meus amigos tem dinheiro o suficiente para pagar uma multa.

—Você acha que não nos deve? – rosnou Potter – Dezessete, Malfoy.

—Dezessete o que? – perguntou impaciente.

—Foi o número de vezes que você torturou a minha esposa e meus amigos Luna e Neville.

Abriu a boca em choque.

—Eu era obrigado a fazer isso. E na vez em que eu me recusei, eu fui torturado no lugar deles! Uma estupidez que eu não voltei a repetir... coisa que eles não fizeram.

—Eles tiveram coragem para lutar pelo que acham certo, no lugar de se omitir. Vamos, Malfoy... mostre que nem tudo que sai daquela Sonserina é podre.

—Esqueça, Potter. – rosnou Draco – Antom!

Seu mordomo fantasma apareceu, atravessando a parede.

—Sim, mestre Draco.

—Acompanhe o Sr. Potter até a saída. – resmungou de costas para Potter.

Escutou o homem suspirar, como que aborrecido.

—Eu falei com Alhena Burke. – disse ele. Draco sentiu um calafrio, se lembrando do sonho que tivera... se virou para Potter, tentando parecer tranquilo e desinteressado, mas seu coração batia à mil – E falei com a sua prima, Addie... elas se colocaram à nossa disposição... assim como o Rasalas. Assim como a sua cunhada... então... pense bem antes de dar as costas pra todos eles. – Potter passou por ele e encarou o fantasma – Eu conheço a saída, obrigado.

*

—Damian Burke! – ralhou Alhena. Seu marido se ajoelhou no chão e a olhou com a testa suada – O que pensa que está fazendo, criatura?!

—Flexões, querida. – riu ele.

—Mas você me mata qualquer dia desses! – ralhou Alhena entrando na Sala das Placas, com o avental sujo de molho. Damian deu uma risadinha e se levantou massageando os braços.

—Amor, eu estou bem, de verdade. – disse ele. Ela o olhou fechando a cara, morrendo de preocupação. Ele não podia se esforçar muito. – Gostou do cabelo? – perguntou ele passando as mãos nos fios tingidos de preto – Eu estava parecendo um velho. Tenho que ficar lindo pro meu amor. – riu ele a abraçando.

—Pare! Pare! Pare! – ralhou ela batendo nele com o pano de prato – Eu não to nem ai se você parece velho. Eu quero que fique velho! – ralhou ela. Damian sorriu no cangote dela a segurando ao redor da cintura e na mão, dançando com ela no mesmo lugar – Damian, eu falo sério. Você não pode levar sua saúde na brincadeira.

—Não estou. Eu estou bem, Lena. – riu ele a beijando na testa. Ele a olhou no fundo dos olhos e sorriu para ela de maneira carinhosa – Eu estou bem...

Ela soltou um suspiro preocupada. Depois se virou e olhou para a parede onde o nome de Draconis deveria estar gravado, mas ainda não estava. Damian estava enrolando horrores para fazer aquilo e Draconis estava ficando impaciente.

—Damian... quando você vai colocar o nome do Draconis naquela placa? – perguntou. Draconis a estava questionando há dias. Quando Póllux e Castor terminaram o sexto ano, Damian os colocou na parede no dia em que voltaram da escola... mas já tinha uma semana que Draconis tinha voltado e nada. Além disso, Damian ainda o estava evitando e Alhena via seu filho ficar cada dia mais recluso. Draconis praticamente não saía mais do quarto – Ele não está entendendo a demora e... sinceramente, nem eu.

Damian a soltou imediatamente, ficando tenso. Ele olhou ao redor da sala, parecendo confuso e perdido. Depois ele suspirou e a olhou cabisbaixo.

—Eu vou ver... – respondeu ele. Era a resposta de sempre. Alhena soltou um suspiro, chateada.

—Ok... o almoço fica pronto em dez minutos. Vá tomar um banho, ok?

—OK.

Saiu da sala, indo para o quarto do filho. Deu três batidinhas e tentou abrir a porta, mas ela estava trancada.

—Só um minuto! – gritou Draconis lá de dentro. Foram três minutos para que ele abrisse a porta. E quando a abriu, estava descabelado e suado – Oi, mãe. – riu ele, ofegante.

—O que está fazendo? – perguntou ela, com um sorrisinho – Tem alguém ai? Não quero namoradas ou namorados aqui em casa pra esse tipo de coisa, Draconis! Não sem que eu os conheça primeiro!

—Não. Que isso, mãe. Eu tava malhando. – riu ele batendo na barriga sarada com um sorriso contente.

—Você é igualzinho ao seu pai. – riu ela apertando a bochecha dele e Draconis deu outro sorriso contente – O almoço está pra sair. Vai tomar uma ducha e se arrumar, ok?

—Claro. – riu ele voltando a fechar a porta.

Sorriu se virando para avisar as meninas. Cerce estava de pé, enquanto Dido terminava de prender um vestido maravilhoso, cor de pérola, nela.

—Nossa, Dido. Ficou lindo. – riu Alhena entrando e olhando o vestido. Cerce girou no mesmo lugar, com um sorriso contente no rosto.

—Obrigada, mamãe. Mas o crédito é todo da Cerce. Ela fica linda em qualquer coisa. – riu Dido com uma cara satisfeita. Cerce deu um sorrisinho e Alhena a apertou na bochecha.

—O almoço está quase pronto... cadê a Rose?

—Ah, ela saiu com aquele amigo bonitinho do Draconis. O Yaxley. – riu Cerce – Ela deve almoçar com ele.

—Oh... ok. Eu não vi ela sair... – riu Alhena – Ok, mas se arrumem ai, ok?

—Ok. – disseram suas gêmeas.

Depois foi para o quarto de Prim e Órion. Os dois estavam assistindo televisão e a olharam com curiosidade.

—O almoço está quase pronto, ok? – perguntou.

—Ok. – disseram os dois.

Saiu do quarto e foi para a cozinha, ver se nada estava queimando. Depois que estava tudo pronto, começou a encantar as travessas para que elas fossem voando para a mesa. Assim que estava tudo pronto para o almoço, Rose aparatou no meio da sala, com as bochechas coradas e os cabelos bagunçados. Além de um enorme sorriso no rosto.

—Hum... alguém andou se divertindo, heim? – riu Alhena.

—Oh... – riu Rose girando no mesmo lugar – Estou tão feliz! Meu novo namorado é maravilhoso, Madame Burke.

—Quantas vezes eu vou ter que pedir que me chame de Alhena? – perguntou com um sorriso e lançando um feitiço de glamour que Draco tinha lhe ensinado uma vez, há muito tempo, que fazia os cabelos ficarem penteados – Seu pai não precisa saber que o amigo do seu irmão está... bem...

Rose corou furiosamente e concordou.

—Ok. Obrigada. – riu ela – Você acha que ele iria brigar?

—Se ele brigar, eu vou lembrá-lo de todas as virgindades que ele tirou naquela escola, quando tinha a sua idade. – riu Alhena. Mas então sua cabeça doeu. Damian não tinha transado com ninguém além dela, na escola... só com Pansy, antes do sexto ano.

—Sra. Burke?

Sua cabeça doeu de novo e seu nariz começou a sangrar. Fez um feitiço simples para estancar o sangramento e sorriu.

—É esse clima seco. – riu ela. Rose piscou, assustada, ainda a olhando com preocupação – Está tudo bem, querida. Vá chamar seus irmãos, ok?

—Ok... – murmurou Rose. Sua enteada se virou para ir até o corredor, quando a campainha tocou. Alhena se virou, tirando o avental e o desconjurando com um aceno de varinha. Depois foi até o espelho, averiguou se os cabelos estavam bem penteados e então foi atender a porta, olhando antes pelo “olho de vidro”.

Pelo chapéu coco teve certeza de que era alguém do Ministério. Se perguntou se alguém já tinha vazado a informação de que ela se prontificara a ajudar Harry com qualquer coisa que ele precisasse ou se tinha algo a ver com um de seus irmãos. Engoliu em seco e abriu a porta.

Uma mulher a encarou. Tinha os olhos muito púrpuras. Os cabelos castanhos, curtos, na altura dos ombros, fazendo uma ondinha no final. Ela usava um terninho verde musgo e um batom extremamente vermelho.

Não tinha ideia de quem ela era. Então, na defensiva, levou a mão para as costas, onde sua varinha estava presa. Respirou fundo, se perguntando o que ela queria.

—Posso ajudar?

—Sim. Você é Alhena Lestrange? – perguntou a mulher. Alhena negou com a cabeça.

—Burke. Alhena Burke. Por que?

—Miranda Blackwater. – respondeu a mulher mostrando um crachá do Ministério – Departamento de Mistérios. Eu preciso interrogar você, então, por favor, me acompanhe.

Sentiu um frio na espinha e negou com a cabeça.

—Você tem um mandado? – perguntou ela.

—Não preciso de mandado para intimar você, apenas para entrar na sua casa. – riu ela de um jeito debochado.

—Ok. Eu posso ver a intimação? – perguntou Alhena. A mulher deu um sorrisinho ainda maior e colocou a mão dentro da bolsa cinza. Depois ela tirou um papel de lá de dentro.

—“Eu, Alhena Burke”... oh... eu realmente errei o nome – suspirou a mulher com aquele ar debochado e superior – “Eu, Alhena Burke, recebi, nesta data, um mandado de intimação, assinado pela Chefe da Suprema Corte dos Bruxos, instruído com cópia integral”... que está aqui. – disse ela pegando outro pedaço de papel – “do pedido para comparecimento e esclarecimento relacionados com um suposto dom de vidência, de acordo com o Decreto Civil, assinado e aprovado pelo Ministro da Magia Nathan Harris.” – ela suspirou, parecendo satisfeita e entregou o papel para Alhena, que leu as linhas assim mesmo. Havia a assinatura da Chefe da Corte dos Bruxos, Rosier, e a assinatura do Ministro. Ao lado havia um espaço para que ela assinasse uma das linhas – Por favor, com alguma pressa, sim?

—Eu... – Alhena estava com um péssimo pressentimento sobre aquilo – Eu acabei de fazer o almoço. Minha família está me esperando para...

—Oh. Tem espaço para mais uma na sua mesa? Se me der a licença eu ficarei feliz em esperar que termine de almoçar, Sra. Burke. Eu não quero que fique com fome. Essas coisas no Ministério podem ser um tanto demoradas.

Alhena não tinha respondido, mas Blackwater simplesmente tinha entrado e andado até sua sala. Seus filhos estavam todos sentados à mesa e Damian entrava na sala. Ela o olhou preocupada e ele olhou dela para a mulher.

—Hum... a senhora é? – perguntou ele.

—Miranda Blackwater. Eu vim pedir que sua esposa me acompanhasse para responder a algumas perguntas, no Ministério da Magia. – riu ela – Mas eu não quero atrapalhar o almoço de vocês e aceitei o convite para ficar com sua família. Não quero que a Sra. Burke fique com fome.

Damian a olhou preocupado e Alhena devolveu o lugar. Blackwater sacou a varinha, conjurando uma cadeira para si e se sentou entre Prim e Órion.

—Ok... fique a vontade. – murmurou Damian. Ele se sentou na ponta da mesa e Alhena se sentou ao seu lado, como era de costume. Seus filhos estavam todos com algum receio daquilo.

—Então. Qual o seu nome, pequena? – perguntou Miranda.

—Prim. – respondeu sua caçula.

—Que nome adorável. – riu ela – E você?

—Órion. – respondeu ele – Você veio prender minha mãe?

—Não, querido, é claro que não. E você?

—Eu sou Rose. O que a senhora quer com a Madame Burke?

Blackwater olhou curiosa para Rose.

—Uma maneira muito formal de se dirigir à mãe. – riu ela.

—Rose não é filha da nossa mãe. – respondeu Dido – Mas é da família, de qualquer maneira. – sibilou ela olhando com desconfiança – E a pergunta dela é completamente plausível. O que você quer com a nossa mãe?

—Assuntos do Departamento de Mistérios. Não tenho autorização para esclarecer para adolescentes. E seu nome, qual é?

—Não tenho a obrigação de responder a qualquer pessoa do Ministério sem ter sido intimada oficialmente. – respondeu Dido com um sorriso sínico, igual ao de Blackwater.

—Hum... e a sua irmã gêmea? Ela se importa de me falar o nome dela.

—Cerce. – respondeu ela.

—Como a bruxa grega, Circe? – perguntou Blackwater.

—Era pra ser, mas meu pai registrou errado no dia, porque tinha bebido todas... mas eu gosto de Cerce, então... – ela deu de ombros.

—Oh. – Blackwater deu uma risadinha e então pousou os olhos em Draconis – Mas que garoto bonito você tem aqui, Sra. Burke. Quantos anos ele tem?

Draconis a olhou com frieza.

—Dezessete. – respondeu ele.

—Oh, então você vai se alistar? Afinal, o Decreto Civil já saiu.

—Não. Eu ainda estou em idade escolar. Estou indo para meu último ano, na Durmstrang. – respondeu ele. A mulher o olhou com interesse e Alhena olhou preocupada para Damian, que, pela primeira vez desde que Draconis voltara da escola, parecia realmente prestar atenção nele.

—Hum... e o que você acha dos trouxas, querido? – perguntou Blackwater.

—Pensei que fosse interrogar a minha mãe. – respondeu ele franzindo a testa.

—Vocês são muito desconfiados. – riu ela – Foi uma perguntinha inocente. Ou você tem medo do que vai responder?

—Eu deveria ter? – perguntou Draconis.

—Pra que tanto receio? Tem medo que suas opiniões sejam constrangedoras?

—Não. – respondeu Draconis – Eu não tenho nada contra ou a favor dos trouxas.

—É mesmo? – riu ela – Mesmo depois das centenas de bruxos e bruxas que morreram pelas armas deles?

Draconis baixou a cabeça, parecendo desconfortável.

—Foi uma infelicidade... mas nós matamos trouxas também, na nossa guerra civil. – murmurou ele.

—Ah, esse discurso treinado que os revolucionários amam repetir. Eu te garanto que os bruxos nunca explodiram escolas, meu amor. Os trouxas são perigosos, mas algumas pessoas simplesmente insistem em tentar maquiá-los como coisinhas bobas e inofensivas... – Blackwater suspirou – Eu perdi meu filho, no atentado ao Ministério, anos atrás. Ele tinha três anos. Tínhamos ido ver meu marido concorrer a um prêmio de títulos... não ganhamos nada, naquela noite... – ela baixou o olhar – Não existe dor pior do que perder um filho, não acham, Sr. e Sra. Burke?

Alhena sentiu um aperto no peito e novamente olhou o marido. Damian a olhou muito sério e então respirou fundo.

—Sra. Blackwater. Eu gostaria de saber se algo de ruim vai acontecer com a minha esposa e quando ela vai voltar. Além disso eu vou insistir que meus filhos mais velhos a acompanhem. – disse ele.

—Eu lamento dizer que... – Blackwater estava se servindo de purê, arroz e ervilhas, parecendo muito calma – Ninguém não autorizado entra no Departamento de Mistérios.

—E quanto tempo vai levar até que vocês terminem isso? – perguntou Damian.

—O tempo que for necessário, Sr. Burke. – riu ela. Alhena sentiu as mãos tremerem. Pensou no irmão desaparecido e olhou preocupada para o marido.

—E não há nada que eu possa fazer para...

—Não, Sr. Burke, não há nada que você, ou qualquer um possa fazer. – riu Blackwater provando a comida. Ela fez uma cara de satisfação e olhou para Alhena – Oh, isso está uma delícia, Sra. Burke. Não sabia que sabia cozinhar tão bem... imagino que aprendeu quando criança... quando ainda era uma Valentine.

Sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Ela sabia daquilo? Como raios ela sabia daquilo?

—Sim... – respondeu sem conseguir colocar coisa alguma na boca. Blackwater sorriu e continuou comendo tranquilamente. Como se nada de demais tivesse acontecido.

Quando o almoço terminou, Blackwater a olhou com aquele sorriso debochado no rosto. Alhena olhou preocupada para o marido. Órion não parecia preocupado. Ele não estava entendendo. Mas Prim já tinha as suspeitas dela. Sua caçula a abraçou apertado, dando uma fungada. Suas gêmeas fizeram o mesmo.

—Podemos estuporá-la, mamãe? – sussurrou Dido.

—Não. Não se metam em problemas... seu pai está tentando burlar o alistamento do seus irmãos... – murmurou abraçando as duas. Depois abraçou Draconis e Rose. Draconis estava tão alto... como eles cresciam assim?

Depois abraçou Damian, que a apertou contra si.

—Você vai ficar bem. Você é uma Burke e ninguém vai te machucar. – sussurrou ele. Ela engoliu em seco e concordou – E se fizerem algo com você, eu vou até o inferno te pegar de volta, caso seja necessário...

—Eu espero não ir pro inferno... – murmurou assustada.

Depois se virou e saiu junto com Blackwater. Foi quando notou os dez aurores que esperavam do lado de fora.

—Vamos, meninos. Temos muito o que fazer hoje.

E depois de dizer isso, ela aparatou.

**

Decreto Civil

Declara o estado de guerra em todo o território nacional.

O Ministro da magia e a Chefe da Corte dos Bruxos, Evelyn Rosier, usando da atribuição que lhe confere o artigo 12, letra "h", e o artigo 22 da Lei dos Bruxos, decreta:

DCN 1 — É declarado estado de Guerra em todo o território nacional.

DCN 2 — Todo bruxo treinado, entre a idade de dezessete e quarenta e cinco anos, desde que não esteja em processo escolar, está obrigado a se alistar para a formação do exército nacional britânico.

Parágrafo Único — Aqueles que não puderem ou não se interessarem em se alistar, estando na situação acima descrita fica obrigado a pagar uma multa no valor de dez mil galeões por pessoa da família, com a intenção de patrocinar o exército. Caso o dinheiro não for pago, o bruxo ou bruxa em questão será considerado traidor da pátria e deverá ser detido em Azkaban até que seja julgado se o indivíduo irá pagar a multa ou se irá ser designado ao alistamento obrigatório. Gestantes e portadores de doenças crônicas não podem servir.

DCN 3 — Azkaban está mais uma vez em atividade de suas funções e irá abrigar todos os traidores da pátria, que não terão direito a cuidados e visitas durante sua detenção.

DCN 4 — Insubordinação é um crime hediondo. Qualquer bruxo ou bruxa que não cumpra as ordens de seu superior será ou enviado para Azkaban, ou executado no local. O que for mais conveniente no momento do ato.

DCN 5 — Todos os lobisomens devem se alistar, obrigatoriamente, independente da idade.

Parágrafo único — A multa para o não alistamento é de vinte mil galeões no caso de lobisomens.

DCN 6 — Fica decretado proibição de relacionamento afetivo de qualquer nível entre trouxas e bruxos, uma vez que os trouxas se provaram uma ameaça para a comunidade mágica.

DCN 7 — Todos os videntes devem ser registrados pelo Departamento de Mistérios e estarão considerados à disposição.

DCN 8 — Todos os Metamorfomagos devem passar por um processo de registro. Aqueles que não se registrarem até o limite máximo delimitado por lei específica será condenado a prisão perpétua em Azkaban.

DCN 9 — Fica declarada obrigatória o registro de nascidos trouxas. Aqueles que não se registrarem até o limite máximo delimitado por lei específica será condenado a prisão perpétua em Azkaban.

DCN 10 — Cabe ao Ministério da Magia apontar um novo Vice Diretor para Hogwarts.

DCN 11 — Está suspenso o direito de manifestação de pensamento ou qualquer outro tipo de manifestação contra o Ministério ou o Decreto Civil.

Navi soltou um suspiro.

—Fique quieto. Obedeça. Não fale, não pense, não lute... – murmurou ele olhando o jornal – Eles realmente não me conhecem nem um pouco. – murmurou com um sorrisinho.

—Não nos conhecem, você quer dizer. – riu Lessa de pé atrás dele, também olhando o jornal – Proibido é bem melhor e perigoso é divertido.

***

—Não foi tão ruim. – riu Rose.

—Não. Não foi. Seu pai só ficou me encarando com descontentamento... mas eu posso lidar com isso. – riu Scorpius. Estavam sentados no jardim da casa de Rose. Ela morava numa casa simples em Cleveland Street – E sua mãe foi bem simpática...

—Minha mãe é ótima. – riu Rose – Ela ficou um pouco surpresa quando eu falei que a gente tava namorando, mas ela ficou numa boa quando eu disse que você não se importava por eu ser mestiça.

—Não me importo mesmo. – murmurou a olhando com um sorrisinho. Passou o braço ao redor dos ombros dela e suspirou – Seus pais vão fazer algo a respeito do Acordo? Digo... você não vai ter que se alistar quando terminar a escola, né?

—Eu não sei... – respondeu ela – Nós não temos dez mil galeões, sabe? Sem falar que tanto a minha mãe quanto o meu pai precisariam servir... então seriam... trinta mil galeões. Nós não somos ricos.

—Eu sou bem rico. – riu Scorpius.

—Mas seu pai não nos daria esse dinheiro... e meu pai não iria aceitar se vocês oferecessem. – suspirou ela. Scorpius suspirou também e a beijou na têmpora.

—Se você for obrigada a ir... eu vou também. – disse pra ela. Rose o olhou parecendo surpresa e chocada.

—Está brincando, né? – riu ela.

—Não. Estou falando sério. Você precisa de alguém esperto para cuidar de você.

—Eu sou esperta, engraçadinho.

—Você é inteligente. – riu Scorpius – Mas deixe a esperteza e a astúcia com o Sonserino aqui.

Os dois riram e se beijaram carinhosamente. Scorpius suspirou feliz por estar com ela. Ela lhe causava uma sensação de euforia que ele nunca tinha sentido com ninguém. A puxou pelo rosto, querendo ficar mais perto dela, desfrutando do doce sabor dos lábios dela...

A guerra estava chegando... mas ele ainda tinha tempo. Tinha tempo para aproveitar aquela sensação nova e maravilhosa que Rose o fazia ter...

Estava completamente mergulhado naquele gostoso sentimento de satisfação, quando escutaram um grito. Se viraram, procurando a origem dele, quando viram um bruxo apontando uma varinha para um homem, enquanto esse girava no ar, no final da rua.

—ISSO É PELO MEU FILHO, SEU TROUXA DESGRAÇADO! – gritou o bruxo. Rose ficou de pé, sacando a varinha, mas Scorpius a segurou e negou com o rosto

—Chame seus pais. – pediu ele – Rápido.

—Ok... – murmurou ela saindo correndo. Scorpius pegou a varinha, olhando preocupado. O trouxa estava sendo jogado pra cima e para baixo, enquanto as pessoas olhavam chocadas pela janela.

—MEU FILHO MORREU ENQUANTO VIAJAVA PELA EUROPA, PARA ESTUDAR. E VOCÊS MATARAM ELE, SEU TROUXA. EU POSSO ATÉ SER PRESO, MAS EU MATO VOCÊ!

A porta da casa de Rose voltou a se abrir, enquanto os pais dela vinham correndo, assustados. Mas o lampejo verde saiu da varinha do bruxo, segundos antes doa aurores aparatarem na rua.

Scorpius imaginou que iriam prender o homem. E o homem certamente achou isso, porque ele brandiu a varinha e tudo ficou muito branco. Por um momento pareceu que nada tinha acontecido. Apenas luz. Mas então veio o barulho e a explosão. Sentiu Rose abraçá-lo e fazer um feitiço escudo. Mas a explosão foi tão grande que foram jogados para trás. Bateu a cabeça com força no chão e ficou zonzo.

Num primeiro instante estava confuso demais para entender o que estava acontecendo. Por um instante apenas ficou deitado, sem entender coisa alguma...

—Scorpius! – era a voz de Rose. Abriu os olhos tentando focar no rosto dela. Quando conseguiu, ela olhou para o lado e ele se sentou. Os pais dela estavam abraçados, em choque.

—HUGO! – gritou o Sr. Weasley. Scorpius olhou para trás, para a casa, e viu que ela tinha desmoronado numa parte, assim como boa parte das casas daquela rua. Os Weasley se levantaram apressados e correram para a casa, com o desespero estampado em seus rostos – HUGO! HUGO, VOCÊ ESTÁ AI?!

Mas tudo que ouviam era o choro e desespero de quem quer que tivesse sobrevivido. Scorpius se levantou e foi ajudar a procurar pelo cunhado nos escombros. Foi a Sra. Weasley quem o encontrou. Sob uma porta de um armário. Por sorte ele estava vivo, apesar de machucado. Então o levaram para o Mungus.

Ficou de pé, olhando a rua de Rose, completamente chocado com tudo aquilo. Iriam dizer que tinha sido mais um atentado trouxa... imaginava que era isso que iria sair no jornal trouxa... mas o que o Profeta iria dizer?

****

Harry estava em sua casa, lendo o jornal trouxa, para se manter informado da guerra. Foi quando uma cabeça apareceu nas chamas da lareira. Olhou para ela com um ar gelado e o homem soltou um suspiro, como se estivesse impaciente.

—Posso ir ai?

—Ok. – disse se levantando e destravando a lareira. Foi quando Draco Malfoy pulou em sua sala. O loiro olhou ao redor com algum desdém e pode se lembrar perfeitamente do modo como Lúcio Malfoy olhara para a casa de Hagrid, quando estava no segundo ano. – E então, Malfoy?

Draco soltou um suspiro cansado e o olhou com os olhos analíticos. Lembrava do garoto o olhar assim na primeira viagem de trem que fizeram. Sustentou o olhar, como fizera daquela outra vez. Draco parecia outra pessoa. Naquela época ele era um garoto desdenhoso, impecável, com um olhar de uma pessoa que sabia que estava destinado a grandezas. Mas agora Draco tinha um olhar tão cheio de dor e cansaço que Harry se perguntou se seria apenas a misteriosa doença que ele tinha...

—O que exatamente você vai querer de mim? – perguntou Draco.

—Eu preciso que você comece a se importar com a política. – disse Harry – Preciso de mais alguém além de Polaris lá dentro, pra me manter informado. Alguém com todo um histórico e fama de...

—Elitista. – cortou ele.

—Isso... e eu quero usar sua casa como nosso quartel. Nós vamos fazer um feitiço do fiel segredo nela e...

—Quem vai ser o fiel segredo? – cortou ele.

Harry suspirou.

—Eu tinha imaginado... o Rasalas, que é seu amigo...

—Não. Precisa ser outra pessoa. – cortou Draco – Rabastan. O pai dele. Ele não vai saber o que se passa lá. Rasalas talvez seja coagido a servir. Precisamos de alguém que esteja a cima de suspeitas, que saiba se defender muito bem e que vá ficar com a bunda em casa. Essa pessoa é Rabastan.

—Ele era um comensal de morte... – murmurou sem gostar da ideia.

—Eu também. – retrucou Malfoy – Quem vai ficar na minha casa?

—Nós tínhamos pensado em esconder algumas pessoas. Para que não fossem obrigadas a servir. – explicou Harry – Ted, que é o meu afilhado...

—Eu conheço. Ele é meu primo. – disse Draco com a voz sem emoção.

—Então... ele, Remus, nosso antigo professor. As filhas da Fleur, aquela que participou do Torneio Tribruxo comigo... mais alguns aliados... precisamos fazer uma resistência aqui. Um lugar seguro, para fazermos planos, cuidarmos dos feridos e preparar alguma defesa...

—Potter... o que vocês pretendem fazer? – perguntou Draco – Vocês vão matar a Corte dos Bruxos? Vão matar Rosier? Vão dar um golpe no nosso governo? Qual é o objetivo de vocês? Porque não acho que sejam inocentes ao ponto de achar que vão conseguir impedir a guerra sem fazer isso. Não é um homem que vocês enfrentam. Vocês estão enfrentando uma ideia. Uma ideia sem rosto. Rosier é um nome forte, mas existem outras pessoas que a substituiriam imediatamente caso ela morresse. Então o que você vai fazer?

Harry engoliu em seco e soltou um suspiro.

—Eu ainda não sei. – respondeu ele. Não estava mentindo e não iria mentir para Malfoy – O que você sugere?

Draco piscou, surpreso. Como se não esperasse que alguém fosse perguntar isso pra ele. Provavelmente estava acostumado com Voldemort, que jamais admitiria não saber o que fazer sobre qualquer coisa e muito menos pediria um conselho.

—Sinceramente, Potter... eu acho que não há o que ser feito. – explicou Draco. Então ele suspirou e estendeu a mão para ele, como naquele dia, no seu primeiro Expresso Hogwarts – Mas... mas pode contar comigo. Por Lisian.

Sorriu aliviado e apertou a mão de Draco.

—Obrigado. – respondeu olhando seu antigo rival e novo importante aliado.

Notas finais
OMG, gente... A guerra tá só piorando... Mas agora o Draco vai ajudar o Harry... quero só ver como esses dois vão fazer pra trabalhar juntos... shuashahsuahsa E agora... o preview pro próximo capítulo... "-Não! – Draconis negou veemente com a cabeça e Damian viu o quanto ele parecia transtornado – Não! Eu não sou filho dele. Eu sou seu filho! SEU!" É... no próximo capítulo vai ter Damian e Draconis tendo "A" conversa... Como será? Leitor(a): Tia Vênus, vou precisar dos lencinhos? Tia Vênus: Amoooooor... ajuda se a Tia falar que logo depois da cena o Drac vai falar com o Draco? Não? Hum... Até o próximo capítulo gente! Beijos Titia ama vocês o/