Legado Lestrange II - Legacy
3 Dirty Little Secrets
Notas iniciais

Capítulo 3
Rasalas e Pansy entraram no Gringotes com o mandato expedido pelo Sr. Rodolfo Lestrange. Assim que o entregaram ao duende que estava no caixa, ele soltou um muxoxo de desagrado. Duendes odiavam mandatos de busca.
Ele avisou os outros duendes que o Sr. Lestrange e a Srta. Parkinson iriam inspecionar o cofre 7640 e que tinham a autorização para isso. Mas tudo foi muito lento na opinião dele.
—Alguma coisa errada não está certa. – brincou ele com um sussurro para Pansy. Ela concordou cruzando os braços.
—Eu concordo. Eles parecem agitados, não? – perguntou ela.
—Sim. Bastante. – concordou ele. Mas finalmente um duende apareceu para guiá-los para o bendito cofre.
Pegaram o carrinho e fizeram a viagem sacolejante. Rasalas respirou fundo, gostando do passeio, mas notou que Pansy tinha ficado um tanto verde. Achou melhor não fazê-la falar naquele momento. Quando chegaram no cofre, o que não demorou muito, o duende foi para a porta, para abri-la.
—Não é um cofre fundo. – murmurou Pansy – Estranho... cofres fundos normalmente são os maiores e usados nesses tipos de coisa, por serem mais protegidos...
Rasalas concordou com um aceno de cabeça e o duende abriu a porta.
—Aqui está. O cofre 7640.
Estava completamente vazio. Pansy entrou, chocada e Rasalas teve certeza de que algo muito estranho estava acontecendo ali.
—Quando foi que esse cofre foi esvaziado? – perguntou olhando para o duende.
—O mandato do Sr. Lestrange é apenas para inspeção. Eu não sou obrigado a responder a nenhuma de suas perguntas. – respondeu o duende.
—Hum... – ele olhou para Pansy, que parecia furiosa – Ok, eu vou atrás das minhas próprias respostas. – ele olhou para a colega – Hora de ativar o modo cão de caça.
—Que? – perguntou Pansy, que brincava com a pontinha do rabo de cavalo.
Rasalas respirou fundo, procurando por odores. Ele farejou todo o cofre e notou que havia um cheiro recente de bruxo ali. Um cheiro forte de colônia barata que ele desconhecia e outro perfume mais caro e requintado. Um perfume feminino.
—Um homem e uma mulher estiveram aqui. E não faz muito tempo. No máximo umas duas horas...
—Será que sabiam que estávamos vindo? – perguntou Pansy.
—Eu não sei. – resmungou Rasalas olhando para o chão com atenção. Foi quando viu uma coisa brilhante. Se abaixou e notou que era uma abotoadura prateada, cheia de runas – Olhe só o que eu encontrei.
—Péssimo gosto. – riu Pansy – E não é nem de prata, nem de ouro branco. No máximo de aço e olhe lá... algo bem barato.
—Combina com o cheiro de colônia barata que eu senti.
—O capanga veio aqui... Rasalas. Precisamos saber de quem é essa abotoadura e alertar os aurores.
—Eu sei quem pode rastrear pra gente.
—Bem, eu também... mas acho melhor você fazer isso sozinho... ela não vai gostar de me ver.
—E nem pode saber que estamos trabalhando juntos.
—Ainda não contou pra Daphne? – ralhou ela. Rasalas encolheu de leve.
—Não...
*
Ele era a pior das pessoas.
Damian Burke estava dentro da loja, olhando sua cena do crime, se sentindo um grandessíssimo filho da puta. Só não tinha transado com Alhena por conta do efeito colateral dos Sinos de Baco. Caso contrário...
Se sentia um imundo. E não tinha tido culhões para confessar. E pior. Acabou delatando Rasalas... só esperava que Alhena não contasse pra Daphne.
Suspirou, empacotando uma encomenda e escutou passos. Imaginou que era a prima, mas para seu horror, era Clover.
—Olá... – murmurou ela. Damian se levantou de uma vez, em choque.
—Clo-Clover? – perguntou quase em pânico – O que está fazendo aqui?
—Eu... bem... – ela suspirou – Eu vim perguntar se... se você contou pra sua esposa... – murmurou ela – Eu não consigo encarar meu marido.
—Eu não estou me sentindo bem com a minha esposa, também... – suspirou ele.
—Como vamos fazer? – perguntou ela se sentando no sofá.
—Não vamos fazer. Vamos esquecer que isso aconteceu. Foi um acidente. – resmungou ele se sentando ao lado dela – Eu não vou contar pra minha esposa e você não conta pro seu marido. E assim ficamos bem.
—Como consegue guardar um segredo desses? – perguntou ela – Eu... eu não sei como não vou contar pro Charles...
—Não conte. Vai ser um escândalo. – resmungou Damian – Não podemos contar pra ninguém.
—Eu sei... eu sei. – ela respirou fundo – Sabe... eu me casei por conta de um arranjo. – ele a olhou desconfiado daquela conversa – Eu nunca amei meu marido, mas ele cuida bem de mim e eu me convenci que cedo ou tarde eu poderia aprender a amá-lo, sabe? – perguntou ela. Damian concordou com um aceno de cabeça – Mas agora... eu não consigo parar de pensar... em ontem... – murmurou ela, muito vermelha – Em você... você foi minha paixão de escola... e agora...
—Não. – ralhou ele – Não podemos ficar pensando nisso. Eu sou muito bem casado.
—Eu também sou, mas... mas eu não consigo pensar no quão melhor você é na cama que meu marido.
Damian corou com o elogio e suspirou.
—Obrigado, eu acho...
—Eu... eu queria saber... se... – ela corou de novo – Você teria coragem de... bem... fazer... fazer de novo? Em segredo?
Damian a olhou quase ofendido.
—Claro que não. – respondeu ele fechando a cara – Eu amo a minha esposa. Nós somos muito felizes. Eu não tenho motivo pra fazer algo assim.
—Mas ontem você falou que... – ela ainda estava corada – Que fazia muito tempo que não fazia sexo.
—É, mas... – ele soltou um muxoxo – Ainda assim. Não vai acontecer, Clover. Eu amo a minha mulher e eu não vou traí-la de novo.
Clover respirou fundo e concordou se levantando.
—Ok... ok... – murmurou ela. Clover começou a sair e Damian voltou a empacotar a encomenda, mas Clover falou de novo e isso o deixou alerta – Oh, com licença.
Espiou de rabo de olho e notou que tinha outra pessoa ali. Sentiu o estômago dar uma cambalhota.
Pois era Astoria Malfoy.
Ele se levantou de uma vez, torcendo com força para que ela não tivesse escutado a conversa deles. Astoria esperou que Clover saísse e o olhou com algum desdém.
—Alhena sabe? – perguntou ela.
É... ela tinha escutado.
—Sabe? Sabe do que? – perguntou tentando parecer calmo.
—Que você traiu ela. – respondeu Astoria com frieza.
Damian praguejou e amaldiçoou Helena por deixar as pessoas entrarem naquela parte da loja que era destinada ao estoque. Ele soltou um muxoxo e mirou Astoria.
—Eu posso explicar, Astoria.
—Não explique pra mim, explique pra ela. – ralhou a garota. Damian soltou um muxoxo.
—O que veio fazer aqui? – perguntou prevendo que teria que falar com Alhena naquele dia mesmo.
—Eu vim comprar uma poção. De esterilidade. – respondeu ela. Damian a olhou surpreso. Draco não queria ter filhos?
—Ok... – murmurou surpreso. Andou até uma prateleira e pegou o frasco verde escuro. Soltou um suspiro e andou até Astoria – São cinco galeões. – ela abriu a bolsa pra pegar as moedas de ouro – E eu vou precisar da autorização por escrito do Draco, com assinatura comprovada pelo Ministério, seção de assinaturas.
—O que? – perguntou ela, parecendo indignada – Por que eu preciso da autorização do Draco?
—Porque ele é seu marido. – respondeu Damian. Aquilo era bem óbvio – Não pode comprar uma poção dessas sem autorização dele e ele não pode comprar sem a sua.
—Mas... – ela pareceu ficar angustiada – Eu preciso dessa poção, Damian.
—Eu sinto muito, Astoria. Se você comprar isso sem a permissão dele, Draco pode te processar e...
—Draco não vai me processar. Isso é ridículo. – cortou ela.
—Bem, isso é entre vocês, mas eu não posso te vender. Ele pode ME processar, processar a minha loja e isso não seria nada bom para os negócios.
—Vocês vendem coisas ilegais aqui! – ralhou ela – E não podem me vender uma poçãozinha boba sem a autorização do meu marido. Isso não faz sentido.
Damian suspirou e concordou.
—Eu sinto muito, Astoria. Eu não acho certo você fazer isso pelas costas dele. Eu não vou te vender isso sem que ele concorde. É um direito meu me recusar a vender qualquer coisa que seja pra você.
—Não vai me vender por ser amigo do Draco. É isso? – perguntou ela cruzando os braços.
—Sim. – respondeu Damian. Astoria deu um sorriso cheio de escárnio.
—Ouvir lição de moral do cara que acabou de trair a esposa... Você é mesmo um hipócrita.
Damian sentiu o estômago dar um pulo e desviou o olhar.
—A situação é completamente diferente.
—Bem... – Astoria veio andando até ele, de maneira que ele teve certeza que ela não iria deixar aquilo por isso mesmo – Ou você me vende essa poção, ou eu conto pra Alhena o que você aprontou.
Damian respirou fundo. Ela deveria estar realmente muito desesperada para ameaçá-lo dessa maneira. Ele conhecia Astoria há anos. Eles até tinham tido uns rolos na época da escola. Ele sabia que ela não era de fazer chantagem. Não conseguia imaginar o que ela estaria passando para utilizar aquilo como moeda.
Mas ele não era bobo.
—Conte. – desafiou ele – Eu vou negar e falar que você mentiu. Você ameaçou destruir meu casamento caso eu não te vendesse algo pelas costas do Draco. Algo que é completamente da conta dele. Alhena nunca vai acreditar em você.
Astoria fechou a cara, furiosa.
—Ok. Vamos ver como vai ser, Damian Burke.
—Como quiser, Astoria Malfoy. Mas se contar qualquer coisa para a Lena... eu conto pro Draco que você veio aqui e com qual propósito. Ele te larga e te deixa sem um nuque que seja.
—Pensei que tinha um contrato de sigilo entre seus clientes e você, Damian. – provocou ela, mas Damian sorriu.
—Eu não te vendi coisa alguma. Você não é minha cliente.
**
Alhena estava fazendo os bordados de um vestido para a senhora Evelyn Zamora (que voltara a usar o sobrenome de solteira), mãe de Blair, quando a porta se abriu. Era Rasalas.
Sorriu ao ver o irmão e deixou que a mãe o abraçasse. Voltou sua atenção para o bordado, utilizando a varinha para fazê-lo. Evelyn olhava satisfeitíssima com o resultado.
—Você sempre faz uns desenhos maravilhosos. Eu nunca mais volto na Salvage. – disse ela. Alhena sentiu uma vertigem ao escutar isso, sentindo-se um tanto mal. Crescera na Salvage e escutava isso com bastante frequência dos clientes.
—Oh... obrigada, mas... Madame Greengrass é muito boa também. Me ensinou tudo o que eu sei.
—Pode até ser, mas você aprimorou, querida. – riu Madame Zamora – Um pouco mais de azul nessa parte, por favor.
—Claro...
Minutos depois terminou de fazer o vestido e Madame Zamora pagou muito bem por ele. O elfo que tinham comprado com o dinheiro dos lucros foi levar o dinheiro do dia para o cofre da loja e Alhena sorriu satisfeita, colocando a varinha no bolso, para em seguida ir até onde o irmão estava.
—Lena. Como vãos os negócios? – perguntou Rasalas com um sorriso contente.
—Vão ótimos. Como está Parkinson? – perguntou acidamente. Rasalas deixou o sorriso morrer e suspirou.
—Damian.
—É. Ele meio que é casado comigo, sabe?
—Bocudo. – Rasalas soltou um suspiro – Está tudo sob controle. Eu vou contar pra Daphne ainda hoje.
—É bom mesmo, Rasalas. Se ela descobre por ela mesma, vai ficar arrasada. Sem falar que Pansy está louca pra entrar nas suas cuecas.
—Parem de cisma. Pansy é minha amiga. Sem falar que ela está apaixonada por um alemão boa pinta que ela conheceu.
—Você conheceu?
—Não, mas...
—Então pra mim ele não existe. Cuidado.
Rasalas revirou os olhos e lhe mostrou uma abotoadura de aparência barata.
—Preciso que descubra quem é o dono disso. – pediu ele. Alhena soltou um suspiro e concordou olhando para a abotoadura.
—Onde achou isso?
—Num cofre pseudo-vazio no Gringotes, que deveria estar cheio de dinheiro desviado ilegalmente. Os duendes não querem nos dar as informações que precisamos pra descobrir onde o dinheiro foi parar.
—Isso não é função dos aurores? Investigar esse tipo de coisa? Seu cargo é burocrático.
—Vamos, Lena! – ralhou Rasalas – Descola essa informação pra mim.
Alhena soltou um muxoxo e sinalizou com a cabeça para que ele a seguisse. Entraram na parte onde só os empregados ficavam e Alhena usou seu dom de vidência para ver se descobria alguma coisa. Encontrou um rosto desconhecido. Na casa dos quarenta anos, com o rosto bem quadrado, olhos azul-cinzas e cabelo curto, loiro escuro. Ele estava tirando um belo traje a rigor e colocando uma camisa surrada e depois usou transfiguração para fazer nascer um cavanhaque perfeitamente desenhado. Quando ele foi botar a camisa, notou que a abotoadura estava quase soltando, mas deu de ombros e a vestiu assim mesmo.
Alhena respirou fundo, tentando descobrir mais informações sobre aquilo. Viu o homem andar com uma mulher bonita, na casa dos quarenta também. Talvez um pouco mais velha. Parecia bem conservada de qualquer maneira. Muito bonita, com cara de perigosa. Eles andaram até o Gringotes, falaram com um duende e entregaram uma carta para ele. Depois andaram de carrinho até um cofre, cheio de ouro e os duendes começaram a dispersar, repartindo o ouro em vários carrinhos. Por último a mulher apertou a mão do duende e a visão terminou quando eles estavam para sair do cofre vazio e a abotoadura se soltou ao bater no cinto do bruxo.
Ela abriu os olhos sem ar, quase, e olhou para Rasalas.
—Esvaziaram o cofre. Subornaram os duendes. Dividiram o ouro para outros cofres, mas é impossível pra mim de rastrear... mas Rasalas... você deveria falar com o Harry.
—Os aurores estão muito ocupados caçando bruxos das trevas. Meu setor é financeiro, maninha. Eu e Pansy estamos na pista. – ele se sentou no sofá e sorriu – Achamos que o filho do ministro está envolvido num sistema poderoso de corrupção.
—O filho do Kingsley?
—De que outro ministro eu estaria falando? – perguntou ele – Nós vamos só juntar mais algumas informações e vamos passar o caso pro chefão. Só não podemos acusar o filho dele sem ter mais evidências, entende?
—Hum... eu acho isso meio perigoso.
—A gente sabe se cuidar. O que mais você descobriu? Viu a cara do dono disso ai?
Ela devolveu a abotoadura.
—Não é o filho do Kingsley. Era um homem que eu nunca vi antes. Rosto quadrado, na casa dos quarenta e poucos, bem bonitão, com os olhos azul-cinza. Cabelo curto e loiro escuro... Mas ele muda um pouco o rosto com transfiguração. E com ele tem uma mulher loira, muito bonita também, na casa dos quarenta.
—Pode me fazer um retrato falado dos dois? – perguntou ele.
—Claro. Te mando por coruja hoje à noite, pode ser? – perguntou se abraçando, desejando que o irmão não se metesse em encrenca – Quando você falar com a Daphne sobre sua nova parceira.
—Está bem. Está bem. Eu vou falar. Que saco. – resmungou ele, com um sorrisinho insolente. – Bom te ver, maninha. Manda um abraço pro Damian.
—Ok.
—Ah. Eu e a Daphne vamos fazer uma festa de aniversário de casamento no dia 20 de Outubro, ok? Você e o Damian estão intimados a ir... e tenta usar algo bonito, porque se você aparecer desleixada lá eu te expulso da festa.
—Não se preocupe. – riu achando graça.
—Bem... deixa eu ir. Falou. – riu ele se afastando.
Alhena suspirou e pegou um lápis de desenho e uma folha, para fazer o desenho dos dois que tinha visto na visão. Ficou mais de uma hora naquilo, até que sua mãe apareceu para reclamar que ela não estava ajudando com a loja.
—Desculpe, mamãe. Estou fazendo uma coisa pro Rasalas. É meio importante pro trabalho dele.
Sua mãe consentiu com um aceno de cabeça e suspirou.
—Ok... ok... mas tenta andar rápido com isso.
Alhena suspirou e concordou com um aceno de cabeça. Mas demorou quase mais uma hora pra terminar os dois. Quando ficaram prontos, ela foi até o empório de corujas e mandou os desenhos para Rasalas.
Depois voltou para a loja e ajudou a mãe até o final do dia. Estava terminando de fechar as vendas do dia, bastante satisfeita com o tanto de vestidos e trajes que tinham vendido, mesmo tendo ficado bastante tempo fora, quando escutou o sino da porta.
Levantou o olhar e viu que era Damian. Ele sorriu para ela e entrou com um imenso buquê de flores.
—Damian? Pra que isso? – perguntou ela com um sorriso encantado. Eram rosas brancas, suas favoritas.
—Pra você. – respondeu ele colocando o buquê no balcão – Por ontem... – adicionou ele sem jeito.
—Meu amor. Não precisava. – riu ela. Damian soltou um suspiro um tanto triste.
—Eu acho que precisava... eu estava pensando... podíamos deixar Póllux e Castor com a babá essa noite... – ele se aproximou a olhando nos olhos e se apoiou no balcão com os cotovelos – Pra podermos sair... só nós dois. – ele sorriu – Eu fiz uma reserva no Félix Felicis pra nós.
—Está falando sério? – perguntou ela, em choque. O Félix Felicis era o restaurante mais caro de Londres. – Mas pra comemorar o que? O Félix Felicis é um restaurante de comemoração. – brincou ela.
—Huum. Quero comemorar por você estar na minha vida. Posso? – perguntou ele. Alhena sorriu achando aquilo romântico. Já fazia algum tempo que Damian não era assim.
—Ok... – disse olhando para o buque. Quando foi cheirar uma das rosas, elas se transformaram em borboletas e começaram a bater asas. As várias pétalas e as borboletas, junto com as folhas começaram uma linda dança e formaram um lindo vestido branco-perolado. Tinha sido um encantamento maravilhoso, sem sombra de dúvidas. – Minha nossa, Damian! Que lindo! – disse surpresa.
—Gostou? – perguntou ele – Levei um tempão pra fazer!
Alhena sorriu e pulou o balcão para beijá-lo apaixonadamente. Ele a beijou de volta parecendo quase aflito.
—Foi lindo! – riu ela. Ele sorriu para ela e suspirou.
—Lena, eu te amo tanto. – murmurou ele – Desculpe se eu deixei de te falar isso todos os dias, ok?
Ela sorriu encantada e o beijou de novo.
—Eu também te amo muito, meu amor. – murmurou entre os lábios dele.
Damian a abraçou com força e então sorriu parecendo ansioso.
—Então... eu vou te esperar do lado de fora, ok?
—Ok. – riu ela – Eu já estou saindo de qualquer maneira.
—Certo.
Terminou de guardar as coisas, conjurou o que sobrou do buquê para casa e dobrou o lindo vestido que Damian tinha comprado. Era a cara de Madame Greengrass aquele vestido e ela achou legal que ele comprasse com ela. Quando saiu, Damian tinha o olhar um pouco melancólico, mas assim que a viu, ele sorriu de novo.
—Vamos?
—Sim. – disse se perguntando se alguma coisa tinha acontecido.
Aparataram para casa, deixaram as coisas em cima da cama e foram tomar um banho de banheira. Namoraram um pouco dentro da água, falando sobre o dia. Ela contou sobre Rasalas e Damian fez careta.
—Você contou que eu contei? – perguntou ele parecendo sem jeito.
—Rasalas induziu, mas ele não ficou zangado. Disse que no dia 20 de Outubro vai ser o aniversário de casamento dele e da Daphne e é pra gente ir.
Damian concordou com um aceno de cabeça e a beijou na testa.
—Astoria veio lá na loja. – murmurou ele meio sem jeito – A gente meio que brigou. Foi esquisito.
—O que? Por que? – perguntou Alhena.
Damian respirou fundo e a olhou sem jeito.
—Me promete que não conta pro Draco?
—Não. – respondeu ela de uma vez.
—Eu falo sério. – pediu ele – Se não prometer, eu não te conto o que houve.
Alhena soltou um muxoxo contrariado.
—Ok...
Damian respirou fundo mais uma vez e se esticou para pegar mais um pouco de loção de bolhas aromáticas.
—Ela... ela queria comprar uma poção de esterilidade... mas sem que o Draco soubesse... eu me recusei a vender pra ela, mas ela ficou irada... ameaçou... ameaçou fazer umas coisas... eu fiquei bem chateado. – murmurou ele.
Alhena franziu a testa, confusa.
—Astoria te ameaçou? – perguntou horrorizada. – A Astoria? Isso não faz sentido. Astoria é tão gentil!
—Eu sei. Também fiquei surpreso. – murmurou ele – Nunca esperei isso dela. Ela ficou realmente chateada por eu não querer vender a poção pra ela. E eu também nunca imaginei que ela iria querer fazer uma coisa dessas com o Draco... tomar uma poção dessas pelas costas dele...
—Não é a primeira vez que ela tenta. Eles estão passando por uma fase difícil. – murmurou Alhena. Damian a olhou curioso – Draco quer ter filhos. Ela queria também... mas... promete que não conta pra ninguém.
—Claro.
—Ela perdeu dois bebês já... desde que começaram a tentar. Então ela não quer mais tentar. Ela acha que não... não é o destino dela ser mãe... não quer passar pelo trauma de novo. Draco está um caco. Por isso ele veio dormir aqui aquele dia. Ele estava tão zangado, depois de uma briga deles que... que ficou insuportável dormir na mesma casa que ela.
Damian soltou um assovio, chocado.
—Caramba. Que barra... – murmurou ele – Bem... ainda bem que já temos os nossos. – riu ele a beijando na testa.
—É... quer praticar para os próximos? – perguntou ela, travessa. Damian sorriu e negou com a cabeça.
—Hoje à noite. Temos que nos apressar ou perdemos a reserva. Sabe-se lá quando eu consigo outra dessas. – riu ele.
Alhena sorriu também, ainda sentindo muita vontade de transar. Estava louca da vida. Parecia que tinha se acumulado durante meses e agora parecia prestes a explodir, por mais que Damian tivesse lhe feito o oral mais delicioso de todos na noite passada.
***
Draco soltou um muxoxo e prendeu a abotoadura, ainda zangado. Esperava que o maldito jantar melhorasse o clima entre eles. Se tivesse que passar mais um dia naquele clima horroroso ele ficaria louco.
Não seria falso com ela. Teriam uma conversa clara e objetiva. Apenas isso. Saiu do quarto e viu que a esposa já estava pronta, num vestido verde escuro que ele tinha comprado pra ela há alguns meses. Suspirou a achando maravilhosamente linda e teve medo de não conseguir ser firme com ela. Não poderiam ficar prolongando aquela tormenta.
—Vamos? – perguntou ansioso. Astoria o olhou e por um momento achou que ela iria se desesperar. Ela parecia melancolicamente triste.
—Draco. Eu amo você. – disse ela se levantando. Draco concordou com um aceno de cabeça.
—Eu sei. Está pronta?
—Por que faz isso? Heim? – perguntou ela vindo chateada – Custa falar que me ama? Custa.
—Custa. – respondeu ele. Poderia deixar tudo mais difícil – Vamos. Não quero perder a reserva.
Astoria fungou e não o seguiu. Olhou pra trás, impaciente e ela respirou fundo.
—Se vai pedir o divórcio, que seja aqui.
—Não quero me divorciar de você, Astoria. Foi com você que eu escolhi construir meu futuro, não foi? – perguntou ele – Apenas vamos. Não quero mais discutir. Vamos tentar ter uma noite agradável, só pra variar. Eu cansei desse inferno em que estamos vivendo. Eu não sei quanto mais podemos descer. Espero que a gente já esteja no fundo do poço, pra podermos apenas subir. Agora, vamos.
Ela fungou e concordou vindo e abraçando seu braço. Caminharam juntos até a carruagem e ficaram em silêncio até chegar no Temptation, um restaurante de luxo da Travessa do Tranco. Draco a ajudou a descer e os dois foram até a mesa que estava reservada para eles. Se sentaram e Draco pediu o cardápio.
—O que pretende pedir? – perguntou ela, calmamente.
—Cervo. Você gosta de cervo. – respondeu Draco.
—Mas você não come carne. – disse ela.
—Vou pedir outra coisa pra mim. – murmurou ele olhando o cardápio – Acho que... uma salada de berinjela... – resmungou ele – Ou então... hum...
—Draco.
—O que? – perguntou ele.
—Eu... eu preciso confessar uma coisa.
Ele levantou o olhar pra ela, curioso.
****
—Já estou indo! – riu Daphne descendo as escadas. Rasalas desceu logo atrás dela, tentando fechar o zíper da calça, mas antes que chegassem no final da escada, ele a puxou e a beijou a empurrando contra a parede. – Ras! Meus pais estão esperando.
—Eles esperam mais um pouquinho. – sussurrou ele a beijando apaixonadamente.
—Eu não acho que esperam. – riu ela enquanto ele a beijava no pescoço.
—Esperam sim. Esperam sim. – riu ele a puxando mais pra perto.
—DAPHNE! – escutaram uma voz vindo da sala. Rasalas soltou um suspiro e se aprumou. A esposa fez o mesmo e os dois foram correndo para sala. Foi quando seu estômago deu um pulo. Estavam na casa de Kingsley, a convite dele para o jantar. – O Ministro nos está esperando. Por que demoraram tanto? – perguntou o sogro. Mas Rasalas só conseguia olhar para a mulher esbelta ao lado do chefe. Ela o olhou sorridente, pois estava de braços dados com um homem alto e loiro, que ele julgava ser o alemão.
—Desculpe, papai. Eu estava retocando a maquiagem e... – foi quando Daphne a viu. Rasalas a olhou temeroso – O que ela está fazendo aqui? – sibilou ela o puxando pela mão.
—Bem... – murmurou Rasalas, mas Kingsley terminou de cagar tudo.
—Daphne. Rasalas. – Rasalas sentiu o chefe abraçá-los – Pansy me mostrou os relatórios sobre as transferências para o setor de reversão de feitiços. Nunca tive uma dupla tão organizada quanto esses dois.
—Vocês trabalham juntos? – perguntou Daphne.
—Sim! – respondeu o Ministro, sem reparar na careta que Rasalas fez. Pansy logo notou que ele não tinha contado para Daphne e fez uma careta sem jeito também – No mesmo escritório. São meus dois assistentes.
—Ah... no mesmo escritório... desde quando? – perguntou Daphne com um furioso sorriso que significava problemas no final do jantar.
—Já faz mais de mês, não é?
—Acho que não tem isso tudo. – riu Pansy, sem jeito – Umas... três semanas. Talvez menos?
—Acho que não, Pansy. Quando você me conheceu você já era parceira dele e nos conhecemos tem três semanas. – disse Hesse.
—Ah... é mesmo... – riu Pansy meio sem jeito.
—O tempo voa quando está se divertindo, não é? – sibilou Daphne e todo mundo pareceu notar o quanto ela estava furiosa.
*****
Alhena estava linda naquele vestido perolado. Ela estava completamente linda. Por que raios precisava ter derrubado aqueles malditos sinos?
—O jantar foi maravilhoso, Damian. – murmurou ela enquanto passeavam pelo jardim do restaurante – Foi tudo tão romântico. Tão perfeito. – suspirou ela o abraçando. Ele engoliu em seco. Não iria continuar mentindo. Não iria conseguir continuar mentindo. – Esse rolo todo do Rasalas e do Draco... ainda bem que estamos bem, não é? Rasalas e Daphne sempre pareceram o par perfeito, mas eu tenho certeza de que se a Daphne descobrir antes que o Rasalas conte, ela vai ficar furiosa... eu não sei se ela perdoa ele.
—Você acha que é sério assim? – perguntou Damian.
—A questão não é essa. – murmurou Alhena e ele engoliu em seco novamente, sentindo a brisa fria lamber seus cabelos – A questão é que ele não contou, sabe? É fazer pelas costas e deixar por isso mesmo. Ainda mais com a Pansy. Ela não é de confiança.
Era oficial, ele não iria continuar levando aquilo. Não suportava mentir para Alhena e sabia que ela estava louca para fazer amor quando chegassem em casa. E ele não achava justo levá-la pra cama sem confessar o que tinha feito, primeiro. Mesmo que não tivesse sido sua culpa.
—Alhena...
—E essa da Astoria também... eu ainda estou em choque que ela ameaçou mentir pra prejudicar o nosso casamento. Eu nunca imaginei isso da parte dela.
—É... – murmurou ele sem saber como tocar no assunto.
—Apesar de que... eu nunca acreditaria nela. Eu confio em você. Eu sei que você jamais iria me trair. Assim como eu nunca trairia você.
—Eu sei que você não me trairia... mas... – Damian soltou um suspiro, colocando as mãos nos bolsos – Bem... teve o Pierre, sabe.
—O que quer dizer? – perguntou ela o soltando, com alguma mágoa por ele falar sobre aquele maldito filho da mãe.
—Bem... hoje eu sei que você não teve culpa. Você estava dopada, saca? – perguntou ele – Mas na época eu realmente achei que você tinha me traído.
—Eu me lembro. – murmurou Alhena – Damian... tem alguma coisa que você quer me contar, que você não contou?
Ele engoliu em seco e sorriu.
—Não. Nada.
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