Legado Lestrange II - Legacy
4 Break Up - Part 1
Notas iniciais

Capítulo 4
—Vamos, Daphne. Não é nada de demais. – murmurou Rasalas sentado no chão, aos pés da esposa. Tinham acabado de chegar em casa.
—Você não me contou. Se não contou, é porque sabe que é algo que iria me chatear! E você escondeu isso de mim! De novo! Por que tudo precisa ser misterioso quando o assunto é entre você e Pansy? – perguntou Daphne de braços cruzados, olhando para qualquer coisa, menos ele.
—Ah, Daphne... é complicado. – murmurou Rasalas.
—Então vamos fazer assim, Rasalas. – Rosnou ela – Enquanto for complicado, você não fala mais comigo.
—O que? – perguntou ele a olhando enquanto ela se levantava e jogava a aliança de casamento em seu rosto. – Como assim?
—Uma coisa era quando éramos namorados. Mas agora somos casados. Céus. Nós começamos a conversa sobre filhos. Mas você está de segredinhos comigo? E não pode me explicar? E não me contou sobre estar trabalhando com ela por que? Por que eu faria um escândalo? Pois bem. Aqui vai o escândalo. Enquanto não me contar tudo o que teve entre você e Pansy, esse sofá vai ser a sua cama.
—Qualé, Daphne! – resmungou Rasalas – Para de fazer chilique por besteira.
—Não é besteira, Rasalas. Eu estou decidida. Enquanto não me contar tudo, não precisa me procurar de novo. Se quiser, pode até voltar correndo pra debaixo das saias da mamãe. Eu só sei que nas minhas você não entra mais. – e dizendo isso ela se virou e saiu.
*
—Draco, fale comigo, Draco. – pediu Astoria. Ele estava em silêncio desde que contou sobre ter ido comprar a poção, depois de tudo o que tinham conversado. Ele tinha levantado, aparatado pra casa, sem comer coisa alguma e agora estava no quarto tirando o traje a rigor que tinha colocado para sair – Céus, fale comigo! – ralhou ela – Por favor!
—Ok, Astoria. Eu vou falar com você. – disse ele – Se quiser beber a poção, eu vou fazer pra você, amanhã. Eu sempre fui muito bem em poções. A nível de N.I.E.M.s. – disse ele polidamente. A voz constante e fria como as paredes da mansão – E então você vai ir embora. – adicionou ele. Quando ele se virou, ela notou uma lágrima descendo pelo rosto dele. Ele tirou a aliança e deixou em cima do travesseiro – Eu vou amanhã pegar os papéis no Ministério.
—Draco. Espere. – pediu ela, sentindo o pânico crescer dentro de si.
—E não se preocupe. Eu vou te dar uma boa indenização. Metade do que tiver no meu cofre. Você não vai ficar desamparada, não se preocupe.
—Draco! Não precisa disso.
—Estou decidido. Boa noite, Greengrass. – disse ele saindo do quarto. Astoria caiu sentada na cama, sentindo o desespero bater em seu peito. Respirou fundo e se levantou, para correr atrás de Draco. O encontrou no escritório dos Herdeiros, onde os retratos de todos os herdeiros da Mansão ficavam. Ele tinha aberto uma garrafa de Whisky de fogo e estava bebendo de uma vez, no gargalo.
—Draco.
—Saia daqui. – rosnou ele furioso.
—Draco, espere.
—EU MANDEI SAIR! – gritou ele jogando a garrafa contra ela. A garrafa explodiu contra a parede e os cacos de vidro voaram para todo lugar. Sentiu a perna arder e viu um filete de sangue escorrer em sua panturrilha, onde um caco de vidro a tinha acertado. – SAI, ANTES QUE EU MATE VOCÊ! – rosnou ele.
Nunca antes tinha sentido medo de Draco, mas daquela vez ela se assustou. Engoliu o choro, pois nunca iria chorar na frente dele.
—Eu não quero um galeão que seja. – respondeu ela – Eu tenho meu emprego. Eu não preciso do seu dinheiro. Eu não quero o seu dinheiro.
—Ótimo. Uma dor de cabeça a menos. Agora saia daqui. Apenas os Malfoy ficam aqui e você não é uma Malfoy. Não depois do que você tentou fazer, de novo! – ele andou até ela e a empurrou para fora do escritório, batendo a porta em sua cara.
Se virou e se sentou no chão, ignorando a perna que sangrava. Por que ele não entendia? Por que precisava fazer isso? Ela não queria mais acordar ensanguentada e saber que tinha falhado em sua única missão como ser humano. Parir. Ela não podia fazer isso. Ele achava que tinham sido apenas dois bebês, mas ela nunca tentara prevenir a gravidez. Não depois que tinham se casado. Uma vez a cada três meses era se desesperar para esconder o sangue. Ir a curandeiro atrás de curandeiro e saber que simplesmente era infértil e que seu útero não era forte o suficiente para segurar uma gravidez.
Não era a poção que iria impedi-la de dar um herdeiro a Draco. Seu corpo se encarregara disso. Ela só não queria mais engravidar e perder em seguida repetidas vezes... Mas ele não entendia, ou talvez não quisesse entender. Tão preso na responsabilidade de ter um herdeiro. De passar o nome pra frente. Então ele a pressionava de novo, de novo e de novo e ela tentava mais uma vez, mais uma e mais uma...
Mas sempre terminava em sangue... Merlin, ela tinha cansado de sangue. Somente isso... somente isso...
Se levantou de uma vez. Precisava ver Daphne. Sua irmã e melhor amiga. Correu até a lareira e jogou o flu.
—Casa da Daphne! – disse repetindo o endereço que tinha gravado na lareira. As chamas brilharam verdes e ela pulou na lareira.
Encontrou Rasalas sentado no chão, bebendo whisky, sozinho, com cara de derrota.
—Oh! Ela chamou a cavalaria? – perguntou ele bêbado. Só tinha visto Rasalas bêbado uma vez em toda sua vida, e tinha sido no dia do veneno de fada. Não conseguia imaginar o motivo de vê-lo bebendo sozinho ali.
—Onde... onde está a minha irmã? – perguntou fungando e secando o rosto.
—Está no quarto dela. – rosnou Rasalas ficando de pé – Porque agora o meu quarto é esse aqui! Aconchegante, não é?
Astoria abriu a boca em choque, se perguntando se a irmã estava em crise. Não era possível. Ela e Rasalas eram o casal perfeito! Eles estavam sempre juntos, sorridentes, fazendo juras. Céus. Ela superara o fato dele ser um lobisomem. Não conseguia imaginar nada que a separasse dele.
Mas não perdeu tempo e correu até o quarto da irmã.
Daphne estava de camisola e andava de um lado para o outro, mas parou ao vê-la.
—Astoria? O que houve? – perguntou ela.
Astoria sentiu o choro entalado em sua garganta explodir.
—Acabou. Draco quer se divorciar. – chorou ela.
**
Era oficial. Ele era a pior pessoa da face da terra. Se sentou observando Alhena dormir serenamente. Não tinha contado pra ela mais uma fodendo vez. Suspirou sem saber o que fazer. Precisava de um conselho. Não queria mais uma crise. Estavam bem de novo. Tinham transado três vezes só naquela noite e Alhena tinha feito coisas que ela nunca tinha deixado.
Só de lembrar do anal que tinha feito com ela ficava de pau duro novamente. Estava todo arrepiado. Sempre fora um fetiche, ainda mais por todo mundo saber que Daphne não se importava de fazer. Tanto ele quanto Draco viviam tentando conquistar o maravilhoso buraquinho do paraíso, mas nenhum tinha conseguido.
Até agora.
Mas ele não conseguia se sentir menos culpado do que satisfeito.
Por que precisava pensar com o pau toda santa vez? Que inferno. Olhou para Alhena e suspirou convencido que não poderia falar. Nunca. Ele tinha selado isso no momento que se enfiou no meio das pernas dela.
Soltou outro suspiro e foi até a lareira se aquecer, na sala. Jogou algumas toras e acordou um elfo para que lhe trouxesse algo forte pra beber. Como poderia ser tão mesquinho? Ela tinha passado os últimos dias falando que esconder a merda era ainda pior do que só fazer a merda. Se ele tivesse explicado ela iria entender. Ela passou mais ou menos a mesma coisa com Pierre...
Então por que tinha tanto medo?
Suspirou enfezado e bebeu do copo que o elfo tinha trazido. No dia seguinte, depois de dormir muito mal, foi acordado com Alhena. Ela o estava beijando na bochecha.
—Bom dia, meu amor. – murmurou ela. Se virou e sorriu pra ela e estava para beijá-la quando escutou os bebês chorarem.
—Ah... – murmurou a olhando desanimado, mas Alhena sorriu.
—Temos duas babás pra isso. – riu ela subindo em seus quadris – Eu estou com vontade de novo... vamos fazer uma vez antes de você ir trabalhar? – perguntou ela, docemente.
Damian concordou com um sorriso e gemeu baixinho, ignorando o choro das crianças, que logo cessou, graças às babas.
—Alhena...
—O que?
—Eu te amo muito. Não me deixe nunca, ok? – perguntou ele com medo de que um dia ela descobrisse o que ele tinha feito. Alhena sorriu pra ele e se curvou para beijá-lo.
—Ok. – murmurou ela o beijando na testa.
Transaram mais uma vez, porque ele simplesmente não conseguia negar sexo, e foram se arrumar para o trabalho. O ruim de se trabalhar com vendas era não folgar nos sábados. Tomou seu café e quando ia pegar um pedaço de bolo, sua coruja pousou em cima, estragando tudo.
—Porra. – resmungou, zangado, mas Alhena, num grande bom humor, pegou a coruja, a limpou e pegou o correio – Essas corujas não sabem pousar longe da comida. Toda santa vez fazem isso. – resmungou. A coruja o olhou indignada e piou como se retrucasse – Eu falo mesmo. Você não viu a droga do bolo? – a coruja piou zangada e lhe deu as costas, levantando o rabo, antes de sair voando – Isso mesmo. Vaza daqui, achando que tem razão. Coruja imbecil. – resmungou olhando o bolo completamente amassado. Tentou pegar uma fatia que não estivesse destruída e mirou Alhena, que parecia abatida, lendo uma carta – O que houve, Estrelinha?
—Astoria e Draco vão se divorciar. – respondeu ela.
—Ela te mandou uma carta? – perguntou ele sentindo um frio lhe percorrer a espinha.
—Não. Minha mãe. Ela não vai abrir a loja hoje.
—Uai. Por que? – perguntou Damian, confuso.
—Porque Rasalas e Daphne também romperam, aparentemente. Rasalas está um caco.
—O que? – perguntou chocado – Por que... por conta da Pansy?
—Aparentemente sim. Astoria saiu da Mansão Malfoy e está morando na casa do Rasalas, com a irmã. E Rasalas vai passar uns dias com a minha mãe. – Alhena suspirou – Então ela me deu o dia de folga, já que ela vai ficar lá pra dar apoio pro Rasalas e me pediu pra ir falar com a Daphne, pra ver se ajudo a resolver o problema. – respondeu ela jogando a carta em cima da mesa. – Gente, que confusão.
—É... – murmurou apreensivo. Astoria estava lá, mas Alhena não iria acreditar em nada que ela dissesse, não é? Ela mesma tinha dito isso.
—Ainda bem que estamos bem. É assustador ver um casal como Rasalas e a Daphne brigarem a ponto de um deles sair de casa... eles parecem tão perfeitos juntos...
—É... – murmurou engolindo em seco.
—Quem diria que um segredinho sujo poderia corroer uma relação tão boa, não é?
—É... – murmurou ele sentindo o estômago saltar em sua barriga – Eu... eu preciso ir. Trabalho, sabe? Meu pai odeia quando eu me atraso... – riu ele nervoso, mas Alhena estava muito ocupada suspirando triste pelos problemas alheios. Eu traí a minha mulher... Merlin, não permita que ela descubra...
—Ok. Tenha um bom dia. Eu vou na casa da minha cunhada. – riu ela se levantando para abraçá-lo ao redor do pescoço – Te vejo mais tarde? – perguntou ela.
—Claro. – riu ele, ainda nervoso.
—Ei. Está tudo bem?
—Só tô preocupado com o Rasalas... talvez eu saia com ele e com o Draco... você sabe... colocar algum juízo na cabeça deles...
—Mostrar como um bom marido deve ser? – perguntou ela o beijando carinhosamente no queixo. Ele riu ainda mais nervoso. Por que ela não colocava logo uma faca em suas costelas?
—Isso, porque eu sou um marido maravilhoso.
—É mesmo. – riu ela o beijando no pescoço. Pronto. Já era a vontade de ir trabalhar.
—Amor... assim eu não saio daqui... – disse alucinado com o modo como ela o beijava no pescoço. Céus, o que tinha acontecido com Alhena. E por Merlin, que continuasse assim...
—Então fica só mais uns quinze minutinhos.
—Quinze? – riu ele – Dá pra fazer muita coisa em quinze minutos... – riu ele.
—Eu sei. Principalmente no banheiro das visitas.
—Em cima da pia?
—Uhum...
Céus...
***
Damian estava sentado, ainda pensando no sexo delicioso que tinha feito com Alhena. Céus, como fazia tempo que não tinha um sexo daquele. Louco, completamente insano, com direito a ficar com as costas marcadas pelas unhas. Tinha deixado o pescoço dela roxo... tinha algo mais adolescente do que isso?
Suspirou contente e escutou o sininho da loja tocar. Levantou o rosto com um sorriso e viu que era um cliente novo. Alto, do porte de Rasalas, com os ombros largos, o rosto bem quadrado e a barba por fazer, na casa dos quarenta e tantos anos. Os cabelos eram curtos e ele tinha uma cara de poucos amigos.
—Bom dia.
O homem o olhou com desdém e se aproximou olhando para os artigos. Damian continuou com um sorriso de lábios juntos, como se não pudesse esperar para atendê-lo.
—Sou Charles. Charles Burton. – disse o homem. Damian sentiu os joelhos tremerem e acabou derrubando o tinteiro no chão.
—Merda. – rosnou se escondendo atrás do balcão com a desculpa de pegar o tinteiro. Levantou a mão, erguendo o dedo indicador – Só um momentinho.
Fodeu. Fodeu. Fodeu muito. Fodeu demais. Aquela imbecil contou. Eu estou morto. Não vou ver meus filhos irem pra escola... puta que pariu...
—Tudo bem ai? – perguntou o homem com a voz impaciente.
Damian se levantou sorrindo, tentando parecer sublimamente feliz.
—Claro. Por que não estaria bem? No que posso te ajudar, senhor Burton? – perguntou sentindo as mãos suarem.
—Eu soube que minha mulher vem muito aqui.
Seu corpo tremia inteiro.
—Sua mulher? Como ela é? Qual o nome dela?
—A Sra. Burton. – rosnou ele fechando o punho e Damian engoliu em seco.
—Estava falando do primeiro nome... mas... mas eu posso ver aqui... – ele pegou o livro de clientes – Acho que me lembro. Morena, não é? Dos olhos azuis. Cabelos compridos...
—É.
—Acho que sim. Mas no que posso ajudá-lo... ah, aqui. Veio dois dias atrás. Mas não consta nenhuma compra, receio... ela deve ter tentado comprar ou vender alguma coisa, mas não devemos ter chegado a um acordo e...
—A que horas?
—Que ela chegou? Não tenho anotado... por que?
—Porque minha mulher passou o dia inteiro aqui. Isso não faz sentido. Ela só precisava vender as coisas que eu mandei ela vender. Pra que demorar o dia inteiro? – perguntou ele parecendo zangado. Damian respirou fundo, lutando a mais dura batalha de sua vida, para manter o sorriso gentil no rosto.
—Eu não sei... eu lembro da sua mulher chegar aqui pouco antes do almoço, eu acho... com uma caixa de madeira.
—Você quem atendeu? – perguntou o homem. Damian sorriu novamente.
—Não. Eu só fico no balcão. Minha prima quem a atendeu. A levou lá para dentro para fechar o negócio.
—Uma mulher? – perguntou o homem acendendo um charuto.
—Sim, senhor. – respondeu Damian. Foi quando sentiu a mão forte do homem o puxar pela gola. Seus pés deixaram o chão e ele quase acabou em cima do balcão.
—Que tipo de coisas vocês permitem que aconteçam aqui, Sr. Burke? Heim? Orgias? Vocês estão acobertando encontros? – perguntou ele baforando fumaça em seu rosto.
Piscou com os olhos enchendo-se de água e sacou a varinha, para jogar o homem pra longe. Mas ele pegou a varinha também e Damian se viu em apuros. Mas precisava proteger sua reputação.
—Senhor. Essa loja é um local respeitado em toda Travessa e eu não vou admitir que me ameace, ouviu? – perguntou segurando a varinha com firmeza – E eu não sei o que acha que sua mulher fez de errado, mas certamente não foi aqui. Não é esse tipo de serviço que oferecemos. Não mesmo. Aqui vendemos e compramos mercadorias. Não alugamos para esse tipo de motivos pessoais.
O homem deu uma risadinha com escárnio e baixou a varinha, a guardando no bolso. Damian respirou aliviado, mas não baixou a varinha, ainda atento.
—Entendi. Menos mal... mas saiba que se eu descobrir que algum de vocês estão acobertando as puladas de cerca da minha esposa...
—Senhor. O que te faz pensar que ela estava fazendo isso? – perguntou Damian arqueando as sobrancelhas – Talvez ela tenha ido fazer alguma outra coisa feminina... como ir no curandeiro, fazer todos os testes de saúde feminina.
—Que tipo de testes?
—Sei lá.
—Que tipo de testes? – repetiu ele – Um que não pode contar pro marido?
—Talvez ela tenha ido no curandeiro, ver algo sobre o útero dela. Minha mulher nunca me fala quando vai fazer essas coisas. Ela acha constrangedor. Mulheres têm dessas... ou talvez foi comprar algo pra te fazer uma surpresa. Nunca se sabe. Não pode ficar saindo por ai, achando que sua mulher está se divertindo pelas suas costas. As pessoas comentam, Sr. Burton.
Ele deu uma risada desdenhosa e se aproximou mais uma vez. Damian segurou a varinha com mais força.
—É bom que você não comente. E se minha mulher voltar, eu quero que me avise, ouviu?
—Com toda certeza, senhor Burton. – respondeu a contra gosto, mas agindo com cortesia. O homem saiu da loja e ele se permitiu sentar no chão, com as mãos trêmulas. Mas então ele voltou e Damian se levantou num salto.
—E mais uma coisa.
—Claro.
—Eu preciso saber se posso guardar alguns materiais aqui por um tempo. Algumas coisas que eu não quero que achem na minha casa, mas que eu certamente vou querer de volta mais tarde. Esse tipo de serviço, vocês fazem?
—Ah, claro. – riu ele – O tempo inteiro, diga-se de passagem. Temos o melhor depósito secreto da Grã Bretanha, Sr. Burton. E temos o melhor preço também.
—Ótimo. – ele voltou e tirou uma pena do bolso, para sujar na tinta que tinha manchado o balcão. Depois ele escreveu um número relativamente alto – Esse preço por dia e ninguém vai tocar no que eu guardar aqui. Absolutamente ninguém.
—É um prazer fazer negócios com o senhor. – riu estendendo a mão, que o homem apertou – Quer que um dos nossos empregados vá buscar ou...
—Eu vou trazer, não se preocupe com isso. Eu só quero bem guardado.
—Estará, com toda certeza.
O homem soltou uma baforada no seu rosto e ele precisou conter a vontade de socar o desgraçado.
—Gostei de você garoto. Vou te dar uma compensação. – riu ele – Pela falta de controle. O senhor é casado, eu vi a aliança no seu dedo. Você deve saber que algumas vezes a gente perde a cabeça.
—Sim. Eu sei muito bem. – riu Damian – Mulheres. – disse como se perdesse a cabeça todo o tempo.
—Pois é. Muito bem. Aqui está. Tome. – ele pegou um orbe e colocou em cima do balcão. Uma esfera com uma fumaça perolada dentro – Quebre uma e se divirta. Eu tenho aos montes na minha casa.
—O senhor sabe que isso causa impotência, né? – riu Damian pegando o orbe.
—É. Mas só depois que se usa muito.
Tipo uma caixa inteira dessa merda.
—Ah, sim... – riu colocando no bolso.
—Se cuida, garoto. Hoje à noite eu volto pra te entregar a carga.
—Ah... hoje à noite?
—Algum problema? – perguntou o homem já na porta.
—Nenhum problema... eu vou estar esperando.
—Ótimo.
Ele finalmente saiu e Damian respirou fundo. Alhena teria que esperar um pouco mais por ele...
****
Alhena suspirou entregando mais um lencinho para Daphne.
—Eu achei que estávamos indo bem, sabe? – perguntou ela – A gente estava até planejando fazer uma vi-vi-vi... – ela soluçou e arfou – uma viagem... romântica... mas então ele me faz uma dessas!
—Esses homens são todos iguais. Todos egoístas. Sempre pensam só em si mesmos! – chorou Astoria também secando as lágrimas com o lencinho que ela tinha oferecido mais cedo. – Draco é seu amigo, Lena. Eu sei que ele é. Mas... mas você precisa entender o quanto ele está sendo egoísta ao exigir isso de mim!
—Uhum... – murmurou Alhena com um suspiro e acariciando os cabelos de Astoria, que deitou ao soluços no seu colo. Estavam as três na cama de casal de Daphne, com as irmãs chorando de se acabar.
—Eu me doei de corpo e alma por ele, sabe? Fui a vida inteira apaixonada por ele, mas ai ele... ele... – ela pegou o lencinho e assoou o nariz fazendo barulho.
—E eu e Rasalas. O que ele tem de tão secreto com a Pansy? Por que não pode me contar? Será que ele não vê que eu ficaria mais calma? Será que ele não entende que o fato dele guardar esse segredo de mim só faz me magoar mais e mais. Eu sou a esposa dele. Até quando ele vai ficar nesse protecionismo com a Parkinson?
Alhena suspirou, de saco cheio. Mas estava disposta a escutar as dores de cotovelo até o fim. Só que sua mente divagava para Damian o tempo inteiro.
—Homem não presta, mana. É só isso! – chorou Astoria. Daphne concordou.
—Nenhum! São todos uns egoístas. Aposto que o Rasalas é tão sonso que não está nem notando que Pansy está tentando roubá-lo de mim. Ela cismou com ele no sétimo ano. Pansy sempre quer roubar a felicidade dos outros. Todo mundo sabe disso! Eu, Draco, Lena, até o Damian.
—Uhum... – murmurou Alhena acariciando o ombro de Daphne.
—Pansy não é confiável. – insistiu Daphne – E ela estragou meu casamento! – chorou ela desolada.
—Ok, amores... já deu. – riu Alhena. Daphne e Astoria a olharam levemente zangadas – Astoria, eu vou dar o braço a torcer, seu problema é realmente sério e você deveria procurar um profissional para aconselhar você e o Draco. Deveriam fazer terapia juntos, pra tentarem chegar a uma solução e se eu não me engano existem muitos tratamentos experimentais para tratar os problemas de fertilidade, que são muito comuns em famílias com muito casamentos entre primos. A gente casa tanto entre nós mesmos que acabamos com alguns problemas genéticos. Infertilidade é um deles. Mas você não pode simplesmente desistir disso e pronto. Você e Draco precisam chegar numa solução juntos. Vocês são um casal e eu não vou falar quem tem mais razão aqui, porque eu realmente não sei. Agora, Daphne. – Alhena se virou para a melhor amiga – Não acha que está exagerando?
—Eu estou exagerando? – perguntou Daphne, furiosa – Estamos falando de Pansy Parkinson! Você sabe o pesadelo que ela é. Foi ela quem contou pra sua mãe que você estava grávida e só Merlin sabe como ela ficou sabendo disso.
—Óbvio que foi o Rasalas quem contou. – riu Astoria com descaso – Eles sempre foram amiguinhos, Daph. Desde o dia em que eles transaram. E se você não se esqueceu, eles tiveram um rolo logo depois que ele terminou com a Gina.
—É, eu me lembro... eu fiquei fula da vida com a Pansy. Ela sabia que eu gostava dele, mas... – ela suspirou – E teve tudo aquilo que rolou com ela e o Damian. Alhena, como você pode falar que eu estou exagerando? Você melhor do que ninguém sabe o que a Pansy é capaz de fazer!
—Ela salvou a vida do Rasalas. – murmurou Alhena – Eu sempre tento relevar os erros dela, ao me lembrar que ela voltou por ele e o ajudou contra o Fenrir tanto quanto você.
—Lena! Não pode achar que ela merece confiança só por conta disso. Isso só prova o quanto ela é obcecada pelo Rasalas.
—E o quanto a possibilidade deles estarem tendo um caso? Eu acho muito possível. – murmurou Astoria, sombria.
—Do que está falando? – perguntou Alhena – Rasalas nunca trairia a Daph.
—O que você acha, mana? – perguntou Astoria.
—Eu... eu não sei. Eu espero que não... – murmurou Daphne – Eu nunca perdoaria seu irmão se ele me traísse...
—Rasalas nunca trairia você. Eu tenho certeza. – disse Alhena com firmeza.
—Por que? O que te dá tanta certeza? Acha que não são todos os homens que podem ser egoístas? – perguntou Astoria.
—Eu confio no meu irmão. – disse simplesmente.
—E no Damian. Você confia? – perguntou ela.
Alhena piscou se perguntando se ela iria mentir sobre Damian estar tendo um caso, só porque ele não quis vender a poção pra ela.
—Eu confio plenamente no meu marido.
—Acha que ele não tem segredos de você? – perguntou Astoria com as lágrimas escorrendo pelas bochechas.
Alhena suspirou e olhou para Daphne, que deu de ombros.
—Não olhe pra mim. Eu estou completamente desiludida. Não sei mais de nada.
Alhena suspirou e olhou para Astoria.
—Eu sei o que você vai falar. O Damian me contou sobre o que aconteceu na loja.
—Ele te contou sobre Clover Burton? – perguntou Astoria – Porque eu duvido.
Alhena piscou confusa.
—Clover? – perguntou Daphne – Clover Green?
—Ela era Green, quando era solteira. Mas agora ela é Clover Burton.
—Não acho justo você falar isso só porque... – começou Alhena.
—Não estou falando pra me vingar do Damian. – cortou Astoria – Estou falando pra te alertar. O Damian nunca foi um santo. Ele não teve rolo com a Pansy? Com a Clover? No colégio. – e ela deu um longo suspiro – E quando a gente estava na escola... a gente teve uns rolos também... quando eu achei que você estava com o Draco. A gente se beijou altas vezes.
—Não. Não acredito. – murmurou Alhena.
—É verdade, Lena... a Astoria me contou isso quando a gente estudava. – murmurou Daphne.
Alhena olhou de uma para a outra, surpresa.
—Tá, mas... ele era solteiro nessa época. – disse um pouco magoada por nunca ter sabido disso.
—Eu não estou mentindo sobre Clover. Eu escutei eles conversando. Ele tava dizendo pra ela que não iria trair você de novo. Então ele já te traiu uma vez.
—Não... não... acredito. – murmurou insegura. Foi quando se lembrou da visão que tinha tido, no dia em que Damian voltara bêbado pra casa. Ela vira Clover sorrindo para ele e ele sorrindo de volta... – Não... ele não fez isso. – disse Alhena se levantando – Damian está super carinhoso comigo. Super romântico... ele...
—Ele não está tentando compensar? – perguntou Daphne.
Alhena engoliu em seco se lembrando das conversas estranhas que tinham tido naqueles últimos dias. Ela arfou querendo chorar também.
—Astoria. Não brinca com isso. Ele é o pai dos meus filhos! – disse desesperada.
—Não estou mentindo! – disse Astoria fungando – Eu ameacei ele porque queria que ele te contasse. Que confessasse. Claro, eu também queria a poção, mas... mas eu não queria me envolver... eu queria que ele viesse e confessasse... ele realmente falou que eu tinha ameaçado ele por nada?
Alhena sentiu os olhos encherem-se de água.
—Mas que cretino! – ralhou Daphne – Eu vou quebrar a cara daquele...
—Não. Eu vou falar com ele. Eu vou falar com ele agora mesmo! – disse chorando.
—Ele vai negar, Lena. – disse Astoria – Temos que falar com a Clover. É ela quem vai falar a verdade, não ele.
—E por que você acha que ela falaria? – perguntou Daphne.
—Por que ela quer que o Damian vire o amante dela. – respondeu Astoria – Foi o que eu escutei, mas o Damian não quis. Aparentemente foi coisa de um dia pra ele.
—Não. Não pode ser... eu sou a mãe dos filhos dele... como ele pode... – ela arfou – Ele transou com ela e depois comigo? Será? Argh! Que nojo!
—Espera só o Rasalas ficar sabendo. – riu Daphne – Eu até queria ter o gostinho de falar pra ele, só pra ver a carinha dele ao saber que o melhor amigo dele...
—Não. Para, Daph. – disse Astoria – Eu não vou ficar com cara de mentirosa. Vamos procurar pela Clover. E eu sei onde vamos encontrar com ela.
—Onde? – perguntaram Daphna e Alhena.
—Nas aulas de etiqueta. Ela é professora que nem eu. A gente sempre se vê por lá. – respondeu Astoria se levantando e olhando o relógio – Começa em dez minutos. Dá tempo de se arrumar e ir.
Daphne a olhou e a abraçou.
—Você quer ir atrás disso?
—Quero. – respondeu Alhena – Mas eu não sei o que eu seria capaz de fazer... de verdade.
Alhena pegou uma roupa de Daphne e a arrumou com magia para que coubesse. As três se arrumaram e foram até a porta. Mas quando a abriram, viram Pansy Parkinson que estava ali, prestes a bater.
—Oh... oi... – murmurou ela sem jeito.
—ORA SUA! – rosnou Daphne querendo ir pra cima dela. Alhena e Astoria precisaram segurá-la e Alhena ficou impressionada com a força que ela tinha, apesar de ser tão magrinha. – É MUITO CARA DE PAU DA SUA PARTE...
—Calma, amor. – riu Pansy, rindo com desdém – Eu só vim aqui porque o Rasalas me contou que você expulsou ele de casa. – Alhena notou que Daphne ficou ainda mais tensa, mas parou de se remexer – Você come merda? Na boa? – riu Pansy – Você, nesses seus delírios loucos onde eu sou a vilã de todas as histórias possíveis, fazendo sentido ou não... começa a achar que eu e o Rasalas estamos tendo um caso... ou sei lá o que passa nessa sua mente demente... – ela riu dando de ombros, como se realmente não desse a mínima – Mas enfim, você acha que eu quero roubar o seu marido e o que você faz? Briga com ele e tira ele de casa... – ela olhou para Daphne com um sorriso cruel – Qual o seu problema? – perguntou ela num sussurro, franzindo a testa, com um sorriso no rosto, olhando para Daphne como se ela fosse louca.
—Você não me faz de idiota. – rosnou Daphne, furiosa – Eu sei muito bem que só quer sabotar meu casamento! Eu sei, ok?
Pansy riu olhando pra cima.
—Ai, meu Merlin... – debochou ela – Meu amor. Se eu quisesse sabotar seu casamento, eu não precisaria fazer nada. Era só esperar você saltar sem vassoura e sem varinha do precipício, que é basicamente o que você está fazendo agora, caso não tenha percebido, sabe? – riu ela – Mas não. Pelo Rasalas, porque ele é simplesmente um amorzinho e meu amigo, eu me dignei a vir aqui, perder meu tempo, pra falar pra você que eu não estou tentando seduzir o Rasalas. Nós apenas trabalhamos na mesma sala. Só isso. Ok? Então, meu amor. Não pule. – riu ela lançando uma piscadinha e se virando, mas então ela voltou – E só mais uma coisinha. Eu sei que você deu chilique porque ele não quis contar o podre dele comigo. Ele não está te contando por não confiar em você ou por não gostar de você o suficiente... ele não te conta porque EU não confio em você e EU não gosto o suficiente de você. Porque, mesmo depois de tudo o que eu fiz por você, a vida inteira, inclusive de servir de cupido pra você e pra ele, caso você tenha esquecido... – ela soltou um suspiro olhando as próprias unhas – Você cuspiu na nossa amizade. Por isso que eu e o Rasalas vamos levar o segredo pro túmulo, entendeu? Não é ele. Sou eu. E a culpa é sua. Beijos, amores. Adorei rever vocês. Vamos repetir isso mais vezes, assim eu posso falar como vocês devem viver a vida de vocês, porque francamente, depois que pararam de me ouvir foi uma bagunça atrás da outra. Até a próxima. – riu ela. Daphne ainda tentou alcançá-la mais uma vez, mas Pansy simplesmente aparatou.
—Eu ODEIO ela. – rosnou Daphne.
—É. Ela é irritante, mas... vamos? Precisamos ir e falar com a Burton. – disse Astoria.
*****
Rasalas estava de pijamas, braços cruzados e completamente enfezado. Rabastan se sentou ao seu lado e lhe ofereceu um copo com whisky, que ele aceitou.
—Você vai desistir dela? – perguntou Rabastan. Rasalas soltou um suspiro.
—Não. Claro que não. – resmungou ele – Mas eu não sei o que eu posso fazer. Ela acha que eu jogaria nosso casamento no lixo por uma foda com a Pansy. Isso é foda de engolir.
Rabastan soltou um suspiro e concordou em silêncio.
—O meu conselho é... não seja eu. – murmurou Rabastan colocando a mão em seu ombro – Sabe... idiota e cabeça dura. Orgulhoso. Talvez ela fique insegura assim por você deixá-la insegura...
—E o que eu posso fazer pra não deixá-la insegura? Eu realmente não sei o que fazer. – resmungou ele.
—Quanto a isso eu não sei... – murmurou Rabastan – Você quem casou com ela. Não eu. – respondeu ele bebendo seu whisky.
—Valeu o conselho, pai. Foi legalzão. – resmungou emburrado.
—Filho. Olha o relacionamento merda que eu tive com a sua mãe. A gente aguentou porque éramos meio malucos e clinicamente instáveis. Se fôssemos normais um teria matado o outro. Então eu realmente não posso te dar um conselho melhor do que: não seja eu... – Rabastan soltou um suspiro – Mas eu não acho que você ficar sentado e emburrado aqui vai resolver alguma coisa. Você deveria ter ido atrás dela.
—Mas pai. Ela não quer me ver. Ela me expulsou da minha casa! Mamãe já fez isso com você?
—Bem... me expulsar da casa dela sim... da minha casa não. – riu Rabastan – Mas só porque Daphne está falando que não quer te ver, não quer dizer que ela nunca mais quer olhar na sua cara. Ela quer que vocês resolvam isso tanto quanto você... o que aconteceu entre você e a Srta. Parkinson afinal de contas?
—Eu prometi não contar. Pra ninguém.
—Eu não tenho nada a ver com a história. Por que não conta pra mim? – perguntou ele.
—Eu realmente não posso. – resmungou Rasalas – É um segredo bem sério, meu e dela. E se Daphne não consegue conviver com isso... bem... não há nada que eu possa fazer.
—Claro que tem. – murmurou Rabastan. Rasalas o olhou curioso – Convença a Srta. Parkinson a te deixar falar com sua esposa. – Rasalas fez cara de quem estava ponderando – Eu aconselho a maldição cruciatus. Ela normalmente é bem... persuasiva.
—Sarcasmo, né? – perguntou Rasalas olhando pro pai, que sorriu divertido – Ah, bom...
Charles Burton

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