Notas iniciais
Oito comentários = mais um capítulo!!! A maratona vai até o capítulo 83! Então sigam comentando, amores^^ Beeeijos! Titia ama vocês (Em foco no banner é o Gale)

Capítulo 80

—E então? Meu sobrinho é filho de quem? – perguntou Navi mordendo uma maçã.

—Ele é MEU filho, por enquanto. – resmungou Lyra sem olhar pra ninguém.

—Fez com o dedo por um acaso? – perguntou Navi com um sorrisinho.

—Sim. Com esse aqui, olha. – rosnou ela mostrando o dedo médio pro irmão, antes de se dirigir para o próprio quarto. Navi deu outro suspiro e deu de ombros.

—Eu vou pedir pro Draconis me ensinar o feitiço de infertilidade. Não quero ter um acidente desses com a Les. – riu Navi. Rasalas deu de ombros – E então... nós vamos sair pra beber?

—Não acho que o clima permita, Navi. – murmurou Rasalas.

—É claro que permite. – resmungou Navi – Não é como se ela fosse ficar com o bebê. Teremos que mudar nossa rotina por alguns meses, até que o bebê nasça e então nenhum de nós nunca mais vai vê-lo de novo. – explicou ele – Então vamos comemorar que o seu filho favorito se formou e recebeu um convite formal do Ministério para entrar no Departamento de Execução das Leis da Magia, para fazer o teste de auror... que eu não vou fazer, porque sabemos que eu teria que obedecer umas ordens que eu não vou querer curtir... então eu provavelmente vou ser ajudante de algum secretário seu. – riu Navi.

Rasalas sorriu e bagunçou os cabelos dele.

—Você mandou seu currículo? – perguntou Rasalas.

—Claro.

—Ótimo. Vou mover uns pauzinhos para que te chamem, então. – disse calmamente.

—Ok. Mas enquanto não faz isso, vamos comemorar? – perguntou Navi. Rasalas soltou um suspiro e olhou para o filho.

—Ok. Não é sempre que seu filho mais velho se forma, não é mesmo?

Navi lhe lançou um sorriso e Rasalas sorriu de volta, apesar de toda a situação que estavam passando. Se despediu de Daphne e avisou que o neto ou neta de ambos seria filho de Albus. Daphne soltou um suspiro e não comentou. Ela estava extremamente decepcionada com Lyra e as duas não estavam conversando.

Aparatou para o Beco Diagonal com Navi e foram para o Bloody Mary. Damian estava lá com Draconis e um garoto que ele não conhecia. Blair estava com Trixie e Póllux tinha trazido a irmã, Rose. Se sentou com Navi e ambos cumprimentaram todos.

—Onde está o Castor? – perguntou Navi.

—Ficou na loja. – explicou Póllux – Depois eu volto pra lá e ele vem pra cá. Navi, você sabia que o Yaxley está namorando o meu irmão?

Rasalas olhou para o filho, que olhou em choque para o amigo. O tal Yaxley corou revirando os olhos e Draconis riu sem jeito.

—Você não quer ficar em pé na mesa e anunciar pro bar inteiro, Burke? – ralhou Yaxley.

—É uma boa. – riu Póllux ficando de pé, mas Damian o puxou de volta para a cadeira, para em seguida lançar um olhar furioso pra ele.

—Você e o Yaxley?! – perguntou Navi piscando muito.

—Estou. – respondeu Draconis.

—Mas... mas eu pensei...

—Eu imagino. – respondeu Draconis – Desculpe não ter te contado. Não tive oportunidade.

—Ok. Eu também não tive oportunidade pra falar que vou ser tio. – riu Navi. Rasalas fechou os olhos, respirando fundo. Não sabia se Lyra se sentia confortável para que outras pessoas soubessem daquilo. Todo mundo olhou em choque para os dois.

—Lyra está grávida? – perguntou Damian, em choque.

—De quem? – perguntou Draconis. Navi coçou o queixo, sem saber se podia falar que era de Albus, afinal a mesa estava cheia de Burke’s.

—Scorpius. – disse Rasalas. Ele olhou pro filho, que concordou com um aceno de cabeça.

—Isso mesmo. Scorpius. – riu Navi – Que loucura, não?

—E o que ela vai fazer? Ela vai tirar, né? – perguntou Trixie – Ela é muito nova e irresponsável pra ter um gato, imagina um filho.

—Ei! – ralhou Rasalas.

—Ela tem um ponto, sabe? – perguntou Navi, com um sorrisinho – Lyra disse que vai ter o bebê e colocá-lo para adoção.

—É menino ou menina? – perguntou Yaxley, parecendo interessado.

—Amor, primeiro adotamos um cachorro. Depois crianças. – brincou Draconis, fazendo Damian rir.

—Sabe-se lá quando teremos outra chance como essa! E os genes parecem bons. Lyra e Scorpius são duas pessoas bonitas. O filho ou filha deles não pode ser feio. – riu Yaxley.

—Não. Nada de filhos ainda. – riu Draconis.

—Ok... – riu Yaxley. Imaginou que eles só estavam tirando onda, afinal eles não podiam mesmo estar cogitando aquilo pra valer... podiam?

—Eu, como tio, quero organizar um bolão. – riu Navi tirando a varinha do bolso e conjurando um pergaminho – Vamos apostar como a criança vai ser. Quem chegar mais perto ganha. – riu ele.

—Como assim? – perguntou Rose.

—Eu aposto que vai ser um menino. Metamorfomago, os olhos verdes...

—Geneticamente falando, bem improvável. – riu Rose – Lyra tem olhos verdes? Porque tia Daphne tem olhos azuis e tio Rasalas olhos prateados. Scorpius tem olhos azuis. Como o bebê deles nasceria com os olhos verdes?

—Sei lá. É só um palpite. – riu Navi anotando com a varinha no papel – Aposto que vai ser a cara do pai.

—Quanto pra participar? – perguntou Yaxley.

—Cinco galeões. O que acham?

Yaxley olhou para Draconis, meio sem jeito e o garoto tirou algumas moedas de ouro dos bolsos.

—O que acha, amor? – perguntou Draconis.

—Hum... uma garota. Loira. – riu ele coçando o queixo – Não vai ser metamorfomaga. Vai parecer a Lyra, mas... vai ter os olhos dos pai. – ele olhou para Draconis – Aposto que vai nascer careca.

—Por que olhou pra mim pra chutar isso? – perguntou Draconis passando a mão na cabeça raspada.

—Sei lá. Só me ocorreu. – riu Loto.

—Olá, pessoas. – Rasalas olhou para o lado e viu a amiga bonita de Trixie. Navi desconjurou o pergaminho e a olhou parecendo se aborrecer com a presença dela – Desculpe a demora. Tive mil coisas pra resolver.

—Que bom que veio, amiga. – riu Trixie – Gente, pra quem não conhece, essa é a minha amiga Florence...

—O que raios ela está fazendo aqui? – perguntou Navi.

Draconis olhou confuso para Navi.

—Eu vim porque fui convidada, oras. – riu Florence se sentando ao lado de Trixie – Garçom, eu quero um Martini. – disse ela erguendo a mão e estalando os dedos.

—Eu me formei. Eu não sou obrigado a olhar pra você agora que terminamos a escola! – ralhou Navi.

—Oh, Navi. Supere, ok? – perguntou Florence – Só porque olhar pra mim faz com que se lembre que você traiu a sua namorada apenas pra me fazer subir num palco... sério, supere. – debochou ela.

—Você traiu a Les? – perguntou Draconis – Com o diabo?

—Cale a boca, você estava gostando de alguém muito... – começou Navi, mas ele se calou – Eu sei do seu segredinho sujo, não vem me julgar.

—Eu não estou te julgando! – riu Draconis, corando de leve – Só estou surpreso, ok?

—Papai, eu vou querer mel de Salamandra. – disse Rose, como se quisesse mudar de assunto, assim que o garçom se aproximou.

—Eu vou querer um hidromel. – riu Loto – É minha bebida favorita, sabe? O seu é mel de salamandra, não é? – perguntou ele, para Draconis – Apesar de adorar whisky de fogo.

—Eu gosto é de ficar louco. – riu Draconis e Loto riu olhando pra ele.

—É, eu sei. – riu o rapaz. Os dois se olharam apaixonadamente e Rasalas fez uma careta, achando esquisito, por mais que soubesse que não deveria pensar isso. Por um momento achou que os dois iriam se beijar, mas a amiga de Trixie engasgou-se em choque.

—Yaxley, você é gay?! – perguntou ela.

Yaxley corou absurdos e Draconis revirou os olhos, quando o namorado pareceu envergonhado demais para se mover. O rapaz apenas ficou todo tenso olhando a mesa.

—Ele não é gay. Ele é bi. – respondeu Rose – E eles estão namorando.

—Isso mesmo. – riu Draconis.

Florence olhou para Trixie, que deu de ombros.

—Eu sempre achei que o Loto tinha um jeitinho suspeito. – riu Trixie – Eu também sou bi, Loto. E não se preocupe. Eu estou ensinando a Flor a ser gente. Ela não vai tirar sarro de vocês... né, Flor?

Florence piscou em choque.

—Mas você vivia dando em cima de mim! – disse ela.

—Claro. Era excelente para minha reputação. Se eu namorasse você, ninguém iria sequer suspeitar da minha preferência por garotos... mas eu confesso que eu não seria um bom namorado. – riu Loto – Então fez bem em me dar todos aqueles foras.

—Sabe em quem você poderia não dar uns foras? – perguntou Póllux e Florence o olhou ainda surpresa – Em mim. Você cresceu bastante, Flor. – riu ele.

Florence o olhou da cabeça aos pés e sorriu.

—E você está até bonitinho. – riu ela.

—Bonitinho? Eu sou lindo. Você é linda. Vamos ser lindos juntos. – riu Póllux piscando pra ela e Florence deu uma risadinha.

—Vai sonhando, Burke. – disse ela, mas ela corou de leve.

—Eu falo sério. Eu te chamo pra sair, você aceita, eu te levo num restaurante de luxo, tomo um chá de Éris pra não te agarrar o tempo todo por você ser meio veela e a gente se diverte. – ele piscou para ela de novo e Florence olhou para a amiga, um tanto sem jeito.

—Os Burke tem um charminho cativante, não? – perguntou Trixie.

—Eu acho que eles são todos esquisitos. Isso sim. – resmungou Florence.

—Uhum. Explique essas bochechas coradas, Florence. – debochou Navi.

—Minhas bochechas estão sempre coradas. Faz parte do meu charme veela. – resmungou ela.

—Me poupe. – debochou Rose – Por que não aceita sair com o Póllux? Ele é legal. – riu ela.

—Eu sou super legal. – concordou ele – E pra lembrar, eu sou o mais velho e o herdeiro da minha família... pro caso de estar curiosa.

—Eu não ligo a mínima pra isso. – ralhou Florence – Tá achando que eu sou uma dessas garotas superficiais que só ligam pra status?

—Sim. – responderam Draconis, Navi, Loto e Rose.

Florence os olhou indignada.

—Pois saibam que eu sou muito mais do que isso. Diga pra eles, Trix.

—Ela é virgem. – riu Trixie.

—Mentira. – riu Draconis, Loto e Rose.

—É sério. Acho que é por isso que ela é tão malvada. – riu Trixie.

—Se eu não fodesse desde o dia que eu nasci eu seria um cuzão também. Acho que te entendo, Florence. – debochou Navi.

—Cale a boca, Lestrange. Você é insuportável.

—Só eu estou lembrando de você e Parkinson, quando éramos mais novos? – perguntou Damian e Rasalas deu uma risadinha.

—E não é? – perguntou ele – Sabe, Navi. Não trate as pessoas assim. Nunca se sabe quando você pode estar falando com um de seus melhores amigos do futuro.

—Ah... desse cálice eu não beberei. Eu não suporto ela. – riu Navi.

—É recíproco, Lestrange. – resmungou Florence cruzando os braços.

—É... eu e Pansy nos odiávamos também... até que a gente transou bêbado naquele armário.

Navi e Florence olharam para ele horrorizados.

—Eu não transaria com ela nem se fosse a última boceta da face da terra e o destino da humanidade dependesse disso. – ralhou Navi.

—E eu prefiro dedicar minha vida à castidade a deixar você tocar em mim de novo, Lestrange. – rosnou ela – E sinceramente, pelo o que eu me lembro, você nunca pareceu querer recusar a minha boceta antes de levar um chá de calcinha da Young.

—É porque ela tem uma boceta de verdade. Isso aí no meio das suas pernas é uma vagina. E nenhum homem gosta de vaginas. É um lugar horrível, inóspito, pertencente à mães. – devolveu Navi.

—Pelo menos eu tenho absoluta certeza de que EU não tenho furúnculos. – devolveu Florence.

—Pela última vez, eu não tenho furúnculos! – ralhou Navi. Draconis o olhou curioso – Longa história, depois te explico.

—Eu vou querer saber? – perguntou Draconis.

—Sim, foi hilário. – riu Rose.

—Super. Principalmente o ataque de pelanca dele. – riu Trixie – Desculpe, professora, mas eu não posso duelar. Meus mamilos estão doendo!— riu Trixie engrossando a voz, fazendo com que Rose e Florence caíssem na gargalhada. Trocou um olhar confuso com Damian e Blair, que deram de ombros.

—Mas eles estavam doendo! Duvido que conseguiria duelar com os mamilos doendo. – ralhou Navi.

—Chama-se TPM, querido. E eu sempre fiz muito mais do que duelar. E olha o tamanho dos meus meninos. – riu Trixie segurando os seios. Por um momento se pegou olhando para eles, mas sacudiu a cara e desviou o olhar, constrangido.

—Faça isso de novo. – pediu Póllux.

Trixie deu uma risadinha e deu mais um gole em sua bebida.

—Tio Blair! Contenha a sua filha! – ralhou Navi.

—Ela não está mentindo. – riu Blair dando de ombros.

—Céus... eu nunca imaginaria uma conversa dessas com os meus pais. – riu Loto, surpreso – Vocês falam em peitos, bocetas, furúnculos... – o garçom chegou com as bebidas e o rapaz brindou com Draconis – Vocês são incríveis.

—Bem vindo. – riu Draconis.

—Você já está impressionado? – riu Rose – Tem que ver quando tio Draco fica bêbado. Ele normalmente começa a tirar a roupa.

—Céus! É sério?! – perguntou Trixie, surpresa.

—Amiga. Menos. – ralhou Florence – Sério, Trixie. Qual é a do seu fetiche por velhos?

—Eles são mais experientes, oras. Sem falar que o Sr. Malfoy é lindo.

—Draco comeu a minha mulher, a sua filha... cuidado, Rasalas... só falta a sua mãe. – resmungou Damian, fazendo Blair cair na gargalhada e Rasalas fechar a cara.

—Isso não foi engraçado! – ralhou Rasalas.

—Foi. Foi sim. – riu Póllux – Mas e então, Florence. Vamos sair pra jantar qualquer dia desses? – perguntou o rapaz olhando para Florence com um sorrisinho igualzinho o que Damian dava para Alhena quando estavam no sexto ano.

—Eu vou pensar no seu caso, amor. – riu ela.

—Ok. – riu Póllux piscando pra ela – Eu vou te stalkear até você aceitar.

—Eu te azaro se ficar me importunando.

—Tudo bem, eu duelo bem. – riu ele piscando para ela. Florence revirou os olhos, mas deu um sorrisinho constrangido, por mais que tentasse se fazer de difícil.

—Ei, Drac. – chamou Navi – Eu estava pensando... depois que nós dois arrumarmos um emprego... o que acha da gente rachar um apartamento?

—Ah... eu... eu meio que vou morar com o Loto. – riu Draconis.

—O que? – perguntou Rasalas, surpreso – Há quanto tempo vocês estão namorando?

—Na verdade já estávamos planejando isso há alguns anos. Quando eu me formei, sabe? – perguntou Loto – Mas por que não mora com a gente, Navi? A casa é grande. Você pode ajudar com as despesas. Isso se o senhor não se importar, Sr. Burke.

—Damian. Me chama de Damian. Sr. Burke é o meu pai. – resmungou Damian fazendo careta – E eu não me importo. Inclusive, eu já dividi aquela casa com o Rasalas, lembra?

—Claro. – riu Rasalas – É uma boa ideia, Navi.

—Bem... – Navi coçou o queixo – Ok. Sem problemas. Quantos quartos são?

—Quatro quartos, sendo que um é uma suíte. – riu Draconis.

—Na verdade são cinco quartos, mas Draconis quer transformar um deles num escritório. – disse Loto.

—E vocês vão dividir um quarto? – perguntou Navi.

—Nós estamos pensando sobre isso. – disse Draconis – Eu acho melhor cada um ter o próprio quarto, mesmo que a gente durma junto. – disse ele pro namorado – Cada um pode ter mais privacidade... sei lá.

—Ok. Eu sou muito bagunceiro, você é muito organizadinho. Você iria me deixar louco se dividíssemos o quarto. – concordou Loto.

—Ok. Eu preciso perguntar. Há quanto tempo vocês estão juntos? – perguntou Florence.

—Desde o natal. – riu Draconis.

—Quem come quem? – perguntou Blair e os dois coraram de leve.

—Blair! Isso não é o tipo de pergunta que se faça! – ralhou Damian corando igualmente.

—Só tá com medo de descobrir que é o seu filho quem...

—Papai. Menos. – ralhou Trixie – Mas sério, quem come quem? – perguntou ela com um sorrisinho. Rasalas olhou curioso, ainda achando esquisito.

—Bem... – Loto olhou envergonhado para Draconis.

—Não precisam responder se não quiserem, gente. Isso é meio pessoal. – disse Florence – A gente não sai perguntando qual é a posição favorita na hora do sexo pras pessoas.

—Eu aposto que o Draconis quem come. – riu Navi – Ele quem comia o Vince.

—NAVI! – ralhou Draconis, completamente vermelho.

—O que...?

—Pera... Vince, o filho do Greg e da Emília? – perguntou Rasalas.

—Oooops... eu vi o que eu fiz... eu tenho uma boca muito grande. Eu não devia ter falado isso, né? – perguntou Navi.

—Não! Não deveria. – ralhou Draconis.

—Eu nunca disse isso gente. Foi só uma alucinação coletiva. Sigam suas vidas como se não tivessem ouvido isso. – disse Navi.

—O Greg sabe que o filho dele é gay? – perguntou Damian.

—Eu acho que não. – murmurou Blair.

—Caramba... – murmurou Rasalas.

—Gente. Vocês não sabem disso, ok? – ralhou Navi.

—O que foi dito jamais será desdito. – disse Blair – Mas então, você é a mulher da relação? – perguntou ele para Loto.

—Eu não a mulher. – resmungou Loto – E se quer saber, eu normalmente sou o passivo, mas várias vezes a gente troca, ok?

—Amor. Relaxa. – riu Draconis.

—Eu não sou uma mulher. Eu sou um homem, oras. Odeio quando me perguntam isso.

—Isso mesmo. Não é toda mulher que dá a bunda. Vocês fazem sorrindo o que muita mulher não faz chorando. – riu Navi.

—A Les não faz esse tipo de coisa, por um acaso? – perguntou Rose.

—Ah, faz. Mas eu não sou muito fã. – resmungou Navi. Todos olharam para ele.

—Você não gosta de anal? – perguntou Damian – Esse é o sonho!

—Nhé... – resmungou Navi dando de ombros – Eu prefiro a boa e velha... – ele juntou os indicadores e os polegares das duas mãos, e passou a língua no buraco. – Anal é chato. Tem que passar loçãozinha, começar devagarinho, fazer feitiço antes, pra não sujar... bla... eu gosto do tradicional, que já vem pronto pra comer. Não preciso ficar cozinhando.

—Eu pensei que você curtisse a caça. – riu Loto – Sempre foi o maior comedor. Conquistar um cu é difícil.

—Sim. E o melhor do anal é conquistar o anal. Comer já não é lá essas coisas.

—Como não? É apertadinho, proibido, sem falar que é uma excelente visão. – riu Draconis.

—Sei lá... eu sempre fui mais peito do que bunda, então... – Navi deu de ombros – Não vão me dizer que todos vocês preferem um cu.

—Sim. – riu Damian.

—Todos nós. – concordou Damian.

—Sim, time do cu. – concordou Blair.

—100% cu. – concordou Draconis.

—Você morde da outra fruta, seu voto é inválido. – Ralhou Blair.

—Oxi. Eu sou bi. Eu curto as duas coisas. – riu Draconis.

—As pessoas ficam te chamando pra fazer sexo a três por conta disso, Draconis? – perguntou Trixie – Porque todo mundo vem me pedir isso. É até meio chato.

—Sim. – resmungou Draconis.

—Sério? – perguntou Loto, surpreso – Você não me contou isso.

—Eu nunca aceitei, oras. – ralhou Draconis.

—Por que?

—Porque eu sou ciumento. – resmungou Draconis – Eu não te dividiria na cama com nenhuma mulher ou homem, oras.

—Nem por duas horas?

—Nem por cinco minutos. – ralhou Draconis – Comporte-se, rapaz. O negócio aqui é só eu e você. Não é bagunçado não.

—Ok, ok... – riu Loto.

*

“-Papai. Me convidaram pra tomar um sorvete no Beco Diagonal. Eu posso ir? – perguntou Dido. Damian estava lavando a louça do almoço e a olhou desconfiado.

—É aquele Selwyn?

—Sim. – riu ela.

—Ok, desde que Draconis vá com você. – resmungou ele – Ele vai ir com Loto de qualquer maneira, lá pro Beco. Aproveita e vai com ele.

—Ótimo.”

Dido sorriu ao ver o olhar curioso de Gale para seu irmão e cunhado.

—Yaxley... quanto tempo. – riu ele apertando a mão do garoto.

—Fala, rapaz. Como está o seu irmão? – perguntou Loto.

—Já tem um tempo que não falo com ele. – respondeu Gale – Ele está servindo.

—Ué... mas ele é um Selwyn. Diretório não é obrigado a... – começou Draconis.

—Mas ele quis servir. Papai meio que insistiu. Falou que ajudaria a construir o caráter dele. – explicou Gale dando de ombros – Meu irmão estava começando com umas conversas meio liberais e meu pai não gostou muito.

—Hum... – murmurou Loto olhando para Draconis, que deu de ombros.

—Bem, vamos? – perguntou seu irmão.

—Vocês vão... com a gente? – perguntou Gale confuso.

—Sim, meu pai só me deixou sair se Loto e Drac viessem também. Ele diz que é perigoso andar por aí sozinha. – explicou Dido. Gale a olhou um pouco indignado, mas suspirou e deu de ombros.

—Ok, ok.

—Eu já mencionei que o meu irmão e o Loto estão namorando?

Draconis revirou os olhos e Loto corou um montão, afinal Gale era irmão do amigo dele. Gale olhou em choque para Yaxley, sem parecer acreditar.

—É brincadeira, né?

—Não. – resmungou Draconis passando o braço ao redor dos ombros do namorado – Algum problema com isso?

—Eu esperava isso de você... mas, Loto... você não era hétero? – perguntou Gale, em choque.

—Então... não. – murmurou Loto, envergonhado.

—Muito bem, Gale. Se você quer dar certo comigo, vai ter que aprender a conviver com a minha família. E eu tenho um irmão que tem um namorado. Está disposto a ser civilizado e educado com ele?

Gale a olhou, soltando um suspiro. Depois ele olhou para Draconis e Loto.

—Hum... ok... – murmurou ele sem jeito – É... eu... eu vou me... hum... vamos. – disse ele sem saber como agir.

—Ok. Temos um monte de coisa pra comprar. – disse Draconis – Nós vamos passar na loja de ervas, no boticário, numa loja de móveis, depois paramos na sorveteria, lanchamos, e então poderíamos ir no cinema, o que acha?

—O que é um cinema? – perguntou Loto. Draconis deu uma risadinha.

—Eu não vou estragar a surpresa. Nós vamos no cinema. O que acha, Dido?

—Eu A-DO-REI a ideia. – riu ela.

O grupo começou a andar pelo Beco Diagonal, enquanto Loto e Draconis procuravam coisas para comprar para a nova casa deles. E quando os dois deram as mãos, num ato mais reflexo do que qualquer outra coisa, Gale fez careta. Mas logo ele sacudiu a cabeça, como se quisesse se interromper de pensar alguma coisa. Ele a olhou incomodado e ela sorriu.

—Como estão sendo as suas férias? Acharam a sua mãe? Meu pai me falou que ela foi sequestrada do Mungus. – murmurou ele. Dido soltou um suspiro.

—Não. Ela ainda está desaparecida. O papai passa mais tempo fora de casa, tentando ver com os contatos dele se consegue alguma notícia dela, mas até agora nada...

—Meus pêsames. – murmurou Gale.

—Obrigada. – murmurou de volta.

Acabou olhando para frente, onde Draconis e Loto conversavam sobre o jardim.

—Não. De jeito nenhum. Nada de visgos do diabo, Draconis.

—Mas por que não? – resmungou Draconis.

—Porque pode engolir o nosso cachorro.

—Que cachorro?!

—Nós totalmente devemos ter um cachorro. – riu Loto – Um bem grande e peludo. Que derrube as visitas, de preferência... eu sempre quis ter um cachorro, mas papai nunca deixou.

—Ok. Eu gosto de cachorros. – riu Draconis – E gatos? O que acha de gatos?

—Eu odeio gatos. Sou alérgico. – resmungou Loto.

—Graças a Merlin. Eu não suporto gatos também. – riu Draconis – Eu tenho gastura daquele negócio que eles fazem com a coluna.

—SIM! Ficam todos curvados, parecem que tão possuídos pelo tinhoso! – riu Loto.

Deu uma risadinha e voltou a olhar para Gale, que a olhava sonhadoramente.

—Você é tão linda... – murmurou ele segurando a sua mão. Não se importou de ficar de mãos dadas com ele e ele pareceu bem feliz por isso – Então. Me conte mais de você. – pediu ele.

—O que quer saber? – perguntou ela.

—Tipo... qual sua comida favorita? – perguntou ele. Dido sorriu pensando a respeito.

—Pudim de leite. – riu ela – Principalmente o pudim que meu avô Rabastan faz.

—Seu avô cozinha? – perguntou ele, surpreso.

—Não. Mas ele aprendeu a fazer pudim de leite, porque quando a minha mãe engravidou dos meus irmãos mais velhos, antes dela se casar,... sim, mamãe casou grávida.

—A minha também. – riu Gale – Mas ela jura pra todo mundo que o meu irmão foi o bebê prematuro de cinco meses mais gorducho que já se teve notícia.

Dido deu um sorrisinho.

—Então. Minha mãe vomitou muito quando engravidou do Castor e do Póllux. Ela só conseguia comer pudim de leite. Só que como a minha avó trabalhava, meu avô aprendeu a fazer, só pra agradar a minha mãe.

—Sua avó trabalhava e seu avô não? – perguntou Gale – Sua família é bem diferente. – riu ele.

—Sim. E eu não acho isso ruim. Eu mesma quero trabalhar e ser independente.

—Sim. Eu sei que você é durona. – riu Gale – Isso que eu sempre gostei em você. – adicionou ele – Você não era uma princesinha delicada como a sua irmã, ou Brontë. Mas também não era uma louca da vida, que nem Zabini, Lestrange e Young... você é determinada e já tem toda a sua vida num plano. Você não quer depender de ninguém e não tem medo de fazer o que quer. – riu ele – Algumas vezes eu acho que você poderia dominar o mundo se quisesse.

—Nhe... dá muito trabalho e tiraria meu sono. – riu Dido e Gale a beijou nas costas das mãos, com os dedos ainda entrelaçados com os dela.

—Eu imagino.

—E você? O que pretende fazer quando terminar a escola?

—Bem... quero ser um investidor, como meu pai. Temos muitas ações no Gringotes. Vou continuar com os negócios da família, imagino.

—Isso é o que você quer ou o que os seus pais querem? – perguntou ela.

—É o que se espera de mim. – respondeu ele – E eu sou do tipo que se esforça para atingir expectativas.

—Bem... quando faz isso pra conquistar um objetivo seu... eu acho legal... mas pra viver a vida que seus pais decidirem pra você? Isso eu acho meio triste.

Gale deu um sorrisinho.

—Não é todo mundo que tem uma família progressiva como a sua. – riu ele. Dido deu de ombros e olhou para o irmão e Loto.

—...pai. O Navi vai ter que respeitar isso! – ralhou Loto.

—Calma. Ele não vai ficar fazendo festa lá. Mas provavelmente vai querer aproveitar o tempo que puder com a Les, afinal ela tem mais um ano inteiro em Hogwarts. – explicou Draconis.

—Ele podia se candidatar pra ser professor de duelos. – riu Yaxley.

—Que nada. Ele é muito novo. McGonagall jamais o aceitaria, por mais que ele se candidatasse. – riu Draconis.

—Ei, o Ministério já respondeu suas cartas? Sobre seu currículo?

—Ainda não.

—Eu recebi um convite pra fazer uma entrevista. – riu Loto – Então eu preciso de um traje mais...

—Ei! Eu posso fazer um traje pra você? – perguntou Dido. Loto e Draconis olharam para trás e ambos sorriram.

—Você é boa nisso? – perguntou ele.

—Sou.

—Ok, por que não? Aposto que ficaria mais barato do que comprar um novo. – riu Loto – E por enquanto eu estou meio quebrado.

—Que nada. Você é meu cunhadinho. Eu faço de graça, desde que você faça propaganda por ai. – riu Dido. Ela soltou um suspiro e olhou o irmão – Quando eu terminar a escola, eu quero abrir a Legacy de novo.

—Mamãe certamente ficaria orgulhosa. – riu Draconis.

—Eu também acho. – concordou Dido.

O casal da frente voltou a olhar para frente e logo todos entraram na loja de ervas.

Viu o irmão e o namorado escolherem algumas mudas para plantarem no jardim.

—Isso aqui seria ótimo para fazer poções. – sugeriu Draconis.

—Podemos comprar mandrágora?

—Não! – riu ele.

Gale a puxou para trás de uma estante e sorriu.

—Então... nós temos autorização para... – ele se aproximou e a colou contra a parede.

—Claro. – riu ela. Se beijaram um pouco, de maneira comportada, até que escutaram Draconis e Loto os chamarem. Se ajeitaram e foram até eles.

—Ok. Vamos comprar uma estante. – disse Loto olhando um bloco de notas – E o Navi pediu pra gente comprar uma cama pra ele. Ele me deu o dinheiro.

—Pera. Por que ele deu o dinheiro pra você e não pra mim?

—Porque você está cheio de segredinhos, de acordo com ele. – riu Loto.

—Navi é um retardado. – riu Draconis.

Seguiram o casal pelas ruas até chegarem numa loja de móveis. Se sentou em um banco com Gale e ficaram trocando beijinhos, de mãos dadas, enquanto Draconis e Loto tentavam escolher as prateleiras e estantes. Depois de uma boa meia hora saíram daquela loja e foram num empório de poções, depois numa loja de animais, no Gringotes, abrir uma conta para Loto, que guardou alguns poucos sicles que ele tinha.

—De onde conseguiu esse dinheiro? – perguntou Draconis.

—Minha irmã me mandou. – murmurou ele, envergonhado.

Depois passaram numa loja de vassouras para olhar a nova Nimbus XXI. Draconis cogitou comprar, mas Loto lembrou que eles não teriam onde jogar.

—Se fosse na casa dos meus pais, poderíamos. Mas o jardim da nossa casa é pequeno. – explicou Loto.

—É verdade. – resmungou Draconis.

E depois de muito andarem, finalmente deixaram o Beco Diagonal, para irem a um shopping trouxa. Gale parecia completamente assustado, assim como Loto. Mas ela e Draconis estavam se divertindo com o passeio.

—As escadas se mexem! – disse Gale a puxando e apontando, completamente chocado – Como elas se mexem sem magia?!

—Tecnologia trouxa. – riu ela.

—Caramba. Como é colorido. Tudo brilha. – riu Loto.

—Legal, né? – perguntou Draconis o beijando na bochecha.

—Sim. É muito bonito. – concordou Loto.

—Não podemos ser presos? Por estarmos aqui? – perguntou Gale, preocupado.

—Só se fizermos amizade com alguém. – riu Draconis – Vamos. Vamos pro cinema.

Subiram as escadas rolantes (Loto ficou com medo e demorou uns dois minutos para conseguir subir nos degraus), viraram num corredor qualquer e logo entraram na fila do cinema. Loto e Draconis aproveitaram para se abraçar e ficar conversando baixinho um no ouvido do outro, com sorrisinhos e trocando beijinhos.

Gale os olhou incomodado e ela o beijou para que ele se distraísse, o que funcionou perfeitamente bem. Estavam quase chegando na bilheteria quando escutaram alguém falar com deboche.

—Olha o casal de bichinhas.

Loto se soltou de Draconis na mesma hora, ficando muito vermelho e constrangido. Draconis olhou para o trouxa que tinha dito aquilo. Era um grupinho de cinco pessoas, da idade deles, talvez até um pouco mais novos.

—Algum problema, babaca? – rosnou seu irmão, indo para frente. Loto o segurou no braço.

—Deixa, Drac. Deixa. – pediu ele. Os garotos pareceram intimidados com Draconis e encolheram no lugar, mas Draconis só bufou e voltou para seu lugar na fila.

Depois de comprarem os bilhetes, resolveram lanchar num restaurante dentro do shopping mesmo, afinal ainda demoraria uma hora pro filme. Depois de se divertirem e Gale finalmente parecer a vontade com os dois, foram tomar o sorvete, que era o plano original do dia.

Estavam tomando o sorvete, quando passou um grupo de adultos, quase na casa dos trinta. Eles olharam para Draconis e Loto, que estavam de mãos dadas, dando sorvete um na boca do outro, trocando selinhos vez ou outra, mais ou menos como ela estava com Gale.

Mas eles não pareceram nada felizes com Draconis e Loto.

—Vamos sair daqui. – riu um deles – Já vi que esse lugar não atende mais gente decente.

Loto soltou um suspiro, olhando constrangido para a taça de sorvete. Dido olhou feio para o grupinho, que deu risadinhas. Pra sua surpresa, Gale fez o mesmo, encarando o grupo com desagrado. Draconis bufou, parecendo furioso, mas ela notou que ele estava tentando deixar pra lá.

—É. Vamos embora, ou eu posso pegar AIDS com esses dois veadinhos. – riu outro. O grupinho deu risadinhas e ficaram encarando Loto e Draconis. Loto parecia que queria desaparecer dentro do próprio sorvete, enquanto Draconis parecia prestes a se levantar e ir tirar satisfação com o grupo de idiotas.

—Eu não quero ir em outro lugar. Eu adoro essa sorveteria. Esses dois veados que deem o fora. – ralhou o terceiro.

Draconis tirou um dos brincos e Dido ficou alerta.

—Drac, não vale a pena! – disse Loto.

—Vale sim. – rosnou ele se levantando – Do que foi que você me chamou?

—De veado, por que? – perguntou o primeiro dos caras.

—Escutem aqui, seus imbecis. Eu vou dar a chance de vocês serem civilizados. Procurem outra lanchonete, ou a coisa vai ficar feia pro lado de vocês. – rosnou Draconis.

—Cala a boca, moleque. – riu um dos homens, se aproximando – Pegue seu namoradinho e some daqui.

—Eu estou pagando pelo meu sorvete, passeando com o meu namoradinho e com a minha irmã. Você tem algum problema com isso?

—Sim. Eu tenho. – rosnou o homem, enquanto as pessoas olhavam assustadas – Eu sou um cidadão inglês e eu não sou obrigado a aturar gente da sua laia. Eu não preciso dividir meu espaço com abominações tipo você.

—Ah, queridinho... – riu Loto ficando em pé, ao lado de Draconis – É muito tarde pra isso. Gente como eu e meu namorado está em todos os cantos do mundo. Estamos no seu trabalho, na sua família, no ônibus que você pega, no restaurante que você frequenta. E as coisas são assim há anos.

—E se eu e meu namorado estamos incomodando você, por favor se retire, porque nós não terminamos o nosso sorvete. – rosnou Draconis cutucando o homem no peito.

—Não toque em mim, sua bicha! – rosnou o homem tentando bater em Draconis. Mas ele desviou e torceu o braço do cara. O amigo do idiota tentou ajudar, mas Loto o socou no rosto e o homem desmoronou no chão. Draconis chutou o idiota que tinha torcido o braço e socou o terceiro antes que ele o acertasse no rosto.

—Escuta aqui, seu escroto. – rosnou Draconis pegando o último e o levantando pela gola da camisa – Você vem na minha cidade e vem me provocar desse jeito? Se você está incomodado, não fique no mesmo canto que eu. Mas não ouse me ofender ou ofender o meu namorado. Eu não vou ficar calado pra gente feito você. Estamos entendidos?

—S-sim... – murmurou o cara, com o nariz quebrado.

Draconis o soltou e se virou para se sentar novamente.

—Não se esqueça de dar gorjeta para a garçonete. – avisou Loto se sentando também.

—Que belo soco cruzado, amor. – riu Draconis.

—Eu sei. – riu Loto beijando o punho – Opa. Acho que vamos ser expulsos do estabelecimento. – murmurou ele.

Dido se virou e viu um homem muito grande e com cara de mau se aproximar.

—Todos vocês, pra fora. – rosnou ele – Eu não quero gente que nem vocês no meu estabelecimento.

Draconis bufou furioso e os homofóbicos riram se levantando.

—Isso mesmo, seu bichinha.

—Não estou falando deles. – ralhou o dono do restaurante e todo mundo olhou para ele – Esses dois casais vieram aqui, comportadamente, fizeram o pedido deles e pagaram. Todos aproveitando a tarde do verão pra se divertir sem perturbar ninguém. Vocês chegaram e em menos de um minuto já me deixaram puto. Então sumam daqui ou eu vou chamar a segurança do shopping.

Os três homens olharam ao redor e as pessoas olharam para eles com algum desgosto. Os três fizeram careta e foram se retirando lentamente, cochichando entre eles.

—Desculpe a bagunça, moço. – murmurou Draconis, agora mais calmo, parecendo até constrangido – Eu já sofri na mão de gente assim e eu não vou abaixar a cabeça pra esse tipo de comportamento.

—Eu entendo. – murmurou o dono da loja oferecendo a mão para Draconis que a apertou – Me chame de Steve. Posso sentar aqui com vocês um minuto? – perguntou o homem engolindo em seco. Os quatro concordaram e o homem tirou a carteira do bolso. Depois ele pegou uma fotografia e suspirou olhando pra ela – Eu tinha um filho, sabe? Eric... ele era maravilhoso... – suspirou o homem – Era a cara da minha esposa... e ele... desde de pequenininho era diferente dos outros garotos... eu via isso, mas fingia que não via. – o homem colocou a fotografia na mesa e Dido a olhou. Um garoto da idade de Prim estava nela, estático, como era nas fotos trouxas. Loiro, com os olhos bem azuis e o nariz pontudo e fino, como o de Draconis – E um dia ele falou pra mim que achava que gostava de meninos e eu disse que era uma fase, que ia passar... e então ele começou a apanhar na escola, por ser diferente... todo dia ele voltava pra casa com um machucado novo. Minha esposa queria que eu fosse reclamar com a diretora, mas eu neguei... – o homem soltou um suspiro triste – Eu dizia que se ele agisse mais como um homem... os amiguinhos dele não bateriam mais nele. – Dido olhou para Gale, que olhava o homem com atenção. Loto fungou olhando para o outro lado e Draconis o abraçou ao redor dos ombros – Então um dia... minha mulher me ligou desesperada... falando que o nosso filho não queria abrir a porta do banheiro. – o homem soltou um suspiro e engoliu em seco – Eric tinha tomado todos os remédios que ele encontrou no nosso banheiro. Depois ele entrou na banheira e... e convulsionou... e... e quando eu cheguei em casa, foi tarde demais... – Dido tampou a boca horrorizada.

—Ele se matou? – perguntou Gale, em choque – Por que?

—Eu olhei as mensagens no celular dele... os coleguinhas dele faziam piadas dele... o chamando de nomes e mais nomes... falando que ele deveria mesmo se matar... até que ele... até que ele se matou, mesmo... ele não encontrou apoio em casa, nem na escola... chegou um momento que... que ele não aguentou. É por isso que eu peço desculpas pelo comportamento daqueles três. Me desculpem por ter demorado pra vir. Quando eu estava vindo, vocês já tinham lidado com tudo. – Steve soltou um suspiro – Eu prometi pra mim mesmo, no enterro do meu filho, que eu jamais ficaria omisso diante desse tipo de coisa. Se eu tivesse sido mais presente... mais compreensivo, talvez eu tivesse visto Eric crescer, sabe? Se tornar um homem, como vocês dois. – adicionou ele – Os pais de vocês sabem?

—Sim. – respondeu Draconis.

—É... o meu me expulsou de casa... mas eu estou me virando. – riu Loto tristemente.

—E o seu? – perguntou Steve para Draconis.

—O meu deixou bem claro que a minha sexualidade não interferia no amor que ele sentia por mim... meu pai é o máximo. – riu Draconis. Steve sorriu e deu dois tapinhas nas costas dele.

—Quando que seu pai te expulsou de casa? – perguntou o homem.

—Tem uma semana. – riu Loto.

—Quantos anos você tem?

—Vou fazer vinte. – respondeu ele.

—Tão novinho... escute. – o homem levantou a cabeça e olhou para a garçonete – Miranda. Trás a maior banana split que tiver ai.

—Ei, não precisa. – riu Loto, sem jeito.

—Precisa sim. Tudo fica melhor com sorvete. – disse Steve. Ele se levantou e deu outros dois tapinhas no ombro de Loto – Escute o que eu digo, garoto. Seu pai vai se arrepender amargamente de ter te tirado da vida dele. Pode demorar algumas semanas... meses... anos... mas ele vai se arrepender e entender que preconceito algum é maior do que o amor que sentimos pelos nossos filhos. Ele vai vir atrás de você... você seria capaz de dar uma chance pro seu velho se ele voltasse e pedisse desculpas?

Loto soltou um suspiro.

—Ele nem precisa pedir desculpas... – murmurou Loto, triste – Ele só precisa dizer que... que ainda gosta de mim e... e que não quer que eu fique fora da vida dele. – Loto engoliu em seco baixando o rosto e Draconis segurou a mão dele – Eu amo o meu pai... eu queria que ele ao menos me deixasse explicar...

—Ele vai. Eu tenho certeza que vai. – disse Steve soltando um suspiro – Cuide desse garoto, ouviu? – perguntou ele para Draconis.

—Pode deixar. – riu Draconis puxando Loto para beijá-lo na bochecha. O homem pegou a foto do filho de volta e se afastou e Gale franziu a testa.

—Caralho... o filho dele se matou... que escroto. – murmurou ele.

—Eu pensei em me matar também... na época que o Grant espalhou pra todo mundo. – disse Draconis.

—Me desculpa, amor... – murmurou Loto abraçando Draconis.

—Relaxa, passou.

—Mas... se matar, Burke? Só por conta de umas piadinhas? – perguntou Gale.

—Não eram apenas piadinhas. – ralhou Draconis.

—É... a gente fez você passar por maus bocados... eu e o Selwyn tentávamos não deixar as coisas ficarem drásticas demais, mas... mas a gente teve culpa nisso tanto quanto todo mundo. A gente viu acontecer e não fez nada. A gente até participou. – murmurou Yaxley, envergonhado.

—Você era horrível. – concordou Draconis.

—Mas mesmo assim... se matar? – perguntou Gale.

Draconis soltou um suspiro.

—Eu achei que meu pai iria sentir nojo de mim, afinal todo mundo parecia sentir... – explicou Draconis – Imaginar o desgosto e a decepção da minha família por eu ser “defeituoso”... isso me fazia querer me matar.

—Eu tentei me matar também. – murmurou Loto – Não ativamente... mas fui tentando aos pouquinhos... usei tanta merda, me coloquei em tanto risco. Ficava usando alucinógenos em lugares perigosos... eu estava desesperado por ajuda, mas não tinha ninguém pra me ajudar.

—Eu te ajudei, quando você me escravizou. – riu Draconis.

—Sim... você me salvou, cara. – riu Loto. Os dois encostaram as cabeças e sorriram um pouco abalados com tudo aquilo.

—Pobre Steve... – murmurou Dido.

—Eu não fazia ideia que vocês se sentiam assim por conta das piadinhas... – murmurou Gale franzindo a testa – Tipo... todo mundo falava um monte de coisas... eu falava também... me desculpem. – murmurou ele.

—Tudo bem, mas não conta pro seu irmão, tá? – pediu Loto, fazendo careta – Sobre eu e o Draconis...

—Tá com vergonha de quê, Loto? – perguntou Dido.

—Eu sei lá... Rob era um dos meus melhores amigos no colégio... eu ficaria constrangido... e ele iria ficar puto por todas as vezes que ele ficou pelado na minha frente. – riu Loto.

—Eu vou ser sincero. Eu ainda acho feio e desconfortável ver vocês assim. – murmurou Gale parecendo sem jeito – Mas eu não vou zoar. Nem vocês, nem ninguém... se alguém se matar por conta de piadinha minha... acho que eu nunca mais conseguiria dormir. – murmurou ele.

—Pois tem gente que acharia que deixou o mundo melhor. – murmurou Yaxley – O Nott vivia falando que a gente devia matar o Draconis antes de nos formarmos... ele e o Vince... pra limpar a Sonserina.

—Credo. – disse Dido horrorizada.

—E por que eles não tentaram? – debochou Draconis.

—Medo. Principalmente do seu primo, o Lestrange. – riu Yaxley – Sem falar que eu e o Rob falamos que se eles tentassem, nós iríamos testemunhar contra eles. E quando eu descobri que eu iria mudar de escola, eu avisei o Selwyn pra ficar de olho em vocês...

—Meu irmão mudou bastante depois que se formou. – murmurou Gale – Ele começou a trabalhar numa loja em Londres, onde vários trouxas passavam vez ou outra. É tipo um café, mas no subsolo era um lugar mais bizarro, só pra bruxos. – explicou ele – Ele começou a se interessar pelos trouxas, por isso papai achou melhor ele servir. – Gale fez uma careta – Ele tava meio que gostando de uma Wendy-não-sei-das-quantas que trabalhava lá. E ela era trouxa.

—Nossa. Que escândalo. – riu Dido.

—Por isso seu pai o mandou pra morrer? – perguntou Draconis, sombrio – Porque ele começou a se interessar por uma trouxa?

—É... – murmurou Gale – Minha família é assim.

—Eu entendo. – murmurou Loto – A minha é assim também. – ele suspirou e olhou para ela – Vocês deveriam agradecer todos os dias pela família de vocês.

Notas finais
O Gale tá aprendendo, gente^^ Ele vai virar gente um dia shaushau XD E então, o que acharam? Florence e Navi os futuros Pansy e Rasalas? Vamos para a prévia?^^ "Estava para entrar na cabine falsa, que levava para fora do Ministério, quando seu pai saiu por ela. Seu sorriso morreu e ele desviou o olhar, constrangido. —O que está fazendo aqui? Veio mudar seu sobrenome? – perguntou seu pai o olhando com desgosto. —Não... vim pela entrevista de emprego. – murmurou Loto com os olhos baixos. Não conseguia olhar nos olhos violetas do pai" Loto vai encontrar o pai! Como será que vai ser?