Legado Lestrange II - Legacy
44 Daddy Issues
Notas iniciais

Capítulo 44
Os lábios dela eram macios e tinham gosto de cereja. Não gostava muito de cereja, mas realmente gostava dos beijos dela, então não ligou. Estavam na Casa da Árvore, completamente nuas, num amasso absurdo no sofá.
Lyra se levantou de leve e a beijou nos mamilos e então foi descendo os beijos para a região entre suas coxas. Sorriu deliciada e mordeu os lábios, cheia de tesão. Amava os beijos de Lyra. Eram os únicos ultimamente que a distraíam de...
Não. Não pensaria nisso. Não pensaria nele.
Mas decidir isso era o mesmo que decidir pensar nele.
Sem conseguir evitar se lembrou daquela tarde em Hogsmeade, antes do natal. Tinha sido tão gostoso. Navi sabia beijar de um jeito tão... tinha até se esquecido de como era. Já tinha tanto tempo desde que o beijara...
Mas então, naquele dia, no último passeio, ele a beijou de novo. E foi diferente. Não foi um beijo cheio de luxúria, cheio de desejo. Tinha sido um beijo cheio de alívio e carinho. Ele tinha voltado por ela. Se arriscado por ela...
Engoliu em seco, esquecendo o que estava fazendo. Só conseguia pensar nele... queria agradecê-lo por tudo o que ele tinha feito. Ela tinha entrado em pânico, mas ele a acalmou e a tirou daquele lugar. Queria ter uma chance de falar com ele, mas a piranha do ano dele o estava cercando. Se lembrou mais uma vez da tarde no Endure, onde dormiram abraçados...
Não deveria ter ido embora. Não devia...
Oh, não. Você não vai fazer isso, Lessa!
Navi era um completo babaca. Ele não era aquele garotinho por quem fora apaixonada por tanto tempo. Ele tinha crescido, mudado... claro, ela também. Tinha prometido a si mesma que nunca mais iria amar alguém. Tinha muito medo de passar o mesmo que sua mãe.
Amar é um jogo onde só temos a perder.
Lembrou de sua mãe chorando no chão e respirou fundo. Navi era igualzinho a seu pai. Explosivo, safado, chegado nas artes das trevas, insolente e viciado em confusão. E ela era parecida demais com a própria mãe. Independente e cheia de opinião... mas completamente cega quando o assunto era amor.
Quantas vezes sua mãe perdoara seu pai por ser um canalha? Quantas vezes seu pai a tinha traído e ela se fez de cega? Quantas vezes os dois gritaram um com o outro e seu pai falou coisas horríveis apenas para magoá-la profundamente? Quantas e quantas vezes seu pai gastara o dinheiro da família com farra, mulher e bebida? Quantas vezes ele disse que nunca deveria ter se casado com ela e que só não ia embora por conta das “crianças”.
Aposto que não me acharia uma criança se soubesse de tudo o que eu já fiz, babaca.
—Ei. Está tudo bem? – perguntou Lyra.
—Não. – resmungou Les, se sentando – Desculpe, Ly... eu broxei. – resmungou se levantando e indo em direção às próprias roupas.
—Broxou? Por que? Eu não tava fazendo direito?
—Eu só não estou com cabeça pra isso... – resmungou – Desculpe mesmo.
Lyra soltou um suspiro.
—Você tá diferente, Les... desde aquele dia em Hogsmeade... quando mataram a Casañas... – murmurou sua melhor amiga. Lessa concordou com um aceno de cabeça e começou a se vestir – Foi horrível, não foi? – apenas concordou com um aceno de cabeça novamente – Sabe... Cerce e Dido, elas... elas estão com um péssimo pressentimento.
—Sobre o que? Que as unhas delas não vão crescer tão bonitas se quebrarem enquanto Urano estiver influenciando a vida delas? – debochou com um sorriso ácido. Detestava aquelas duas metidas e a recíproca era verdadeira. As duas a achavam muito chata, mas ela nunca ligou pra isso. Sempre tivera Navi e depois Lyra.
—Eu falo sério, Les. A minha tia é uma vidente poderosa. A Cerce e a Dido têm um sexto sentido muito cabuloso. – murmurou Lyra se levantando e indo se vestir também – E elas me falaram que... que algo muito ruim está pra acontecer.
—O pai delas está pra morrer, não é? – perguntou Les, impaciente. Não acreditava em videntes. Nem em profecias. Para ela, não passavam de lendas e mitos, propagados por pessoas fracas da cabeça, que não sabiam que estavam sendo manipuladas... e por gente babaca que só queria se dar bem em cima da ingenuidade dos outros – É claro que elas vão falar que algo ruim...
—Não. Não é sobre o tio Damian. – respondeu Lyra – É algo maior. Você não sente? – perguntou Lyra – Depois do que aconteceu no Três Vassouras... eu... eu comecei a sentir também. Um pressentimento de que algo horrível está pra acontecer...
—Bem. Temos N.O.M.s nesse ano... – disse fazendo piada, enquanto abotoava a camisa. Lyra a empurrou sorrindo e a porta se abriu. As duas olharam e viram Albus e Scorpius entrando. Os dois coraram de leve, pois Lyra ainda estava com a blusa completamente aberta – Olá, rapazes.
—Les. Lyra... espero que a gente não esteja atrapalhando nada. – riu Scorpius.
—Não. Na verdade, vocês apareceram na hora certa. – Les andou até os dois e sussurrou – Eu tenho que fazer uma coisa e deixei a Lyra pegando fogo. Por que um de vocês não resolve isso?
—Por que só um de nós? – perguntou Scorpius com um sorriso cafajeste, mas Albus o olhou feio.
—Scorpius! Isso é coisa que se fale?
Les revirou os olhos e saiu da Casa da Árvore, escutando apenas parcialmente Scorpius falar que Lyra não era uma donzela inocente.
Atravessou o espelho mágico e se olhou no reflexo, arrumando os cabelos bagunçados. Depois girou no mesmo lugar, para ver se o uniforme estava no lugar correto. Tinha matado a aula de História da Magia e em breve seria o horário do jantar. Sentiu o estômago roncar de fome e foi andando pelos corredores. Estava quase chegando no Salão Principal quando viu Navi, sozinho, encostado numa janela, parecendo triste.
Respirou fundo, sentindo um frio na barriga e andou até ele. Se perguntou se daquela vez conseguiria falar com ele ou se ele sairia correndo como das últimas vezes.
—Oi. – disse sorrindo. Mas Navi não sorriu de volta. Ele parecia muito triste, mas a olhou assim mesmo.
—Ei...
—O que houve? – perguntou preocupada.
—Meu tio... aparentemente ele morreu. – murmurou ele. Lessa o olhou em choque e segurou a mão dele.
—Nossa... que droga. Eu sinto muito. – murmurou.
—Cara... o Drac vai ficar tão destruído... e ele está sozinho da Durmstrang... – murmurou ele pressionando os olhos com os dedos. Les sorriu para ele o acariciou na mão.
—Você é muito fofo... sempre achei sua amizade com o Drac a coisa mais linda do mundo. – disse ainda fazendo carinho na mão dele.
—Ele é praticamente o meu irmão, sabe? – perguntou Navi dando de ombros – Eu amo aquele idiota. Ele deve estar um caco... isso se tiverem contado pra ele.
Les soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça.
—Ei... – ele a olhou ainda triste – Quer jantar nas cozinhas? Só eu e você? Pedindo toneladas de chocolates pros elfos?
Navi deu um sorrisinho triste.
—Achei que estivesse de dieta. – murmurou ele.
—Ah... um amigo meu me disse que eu estava gostosa assim... acho que vou confiar na boa opinião dele.
Navi riu de novo e desencostou da janela. Depois ele lhe ofereceu o braço e os dois saíram de braços dados até a cozinha. Lá se empanturraram com um monte de coisa que os elfos ofereceram. Carne de cervo, batatas gratinadas, risoto, torta salgada, suco de abóbora, bolo de chocolate, mousse de limão, morangos com calda de chocolate e pudim.
Depois de comerem até não aguentarem mais, ficaram conversando sobre amenidades. Mas vez ou outra se distraía com o que ele falava. Ele estava contando sobre a proposta que Brontë tinha feito e ela sentiu algo estranho no estômago ao escutar o quanto ele estava satisfeito com os amassos que estava dando em Trixie.
—Eu acho que vou transar com ela hoje. – riu ele – Eu consegui um pouco de mel de salamandra com Dido, afinal, depois que o Drac mudou de escola, elas quem estão lidando com as muambas, sabe?
—Pra que o mel de salamandra?
—Quando eu bebo um pouco, demoro mais pra gozar. Quero fazer bonito, sabe como é.
—Quando é que você não faz? – perguntou o olhando nos olhos e sorrindo de maneira torta. Navi a olhou intensamente, mas logo desviou o olhar.
—Nossa última transa.
—Foi ótima. Do que está falando? – perguntou sorrindo. Tinha calafrios e ficava molhada só de se lembrar daquele dia.
—Sério? Porque você fugiu assim que eu caí no sono. – riu ele.
—Eu te deixei um bilhete falando que foi ótimo. – retrucou. Navi deu uma risada um tanto seca e desviou o olhar.
—Lindo bilhete.
—Oh. Não vai me dizer que ficou magoado! Nós combinamos que seria apenas sexo. – disse sem evitar de sorrir. Navi baixou os olhos e concordou.
—É. Eu sei. Você tem razão. Mas ainda assim... foi super constrangedor sair de lá sozinho.
—Por que? – perguntou ela – Você já deixou várias garotas assim.
—Eu pensei que... mesmo que fosse apenas sexo... eu seria mais do que um simples “mais um”. – murmurou ele parecendo magoado. Lessa soltou um suspiro e se aproximou dele.
—Eu tenho uma ideia. – murmurou – Por que não desiste do sexo com a Zabini por hoje... e a gente dorme junto... prometo estar na cama quando acordar.
Navi sorriu para ela e se aproximou. Encerrou a distância e o beijou nos lábios, achando-os simplesmente deliciosos. Seu coração disparou, como sempre disparava ao beijar Navi. Ele a puxou com força e a sentou em seu colo. O colocou entre suas pernas e o beijou completamente fogosa. Rebolou de leve no colo dele e ele gemeu em seus lábios. Sentiu as mãos grandes dele em seus quadris, a puxando contra ele. Pode sentir o ex namorado sob sua calcinha e isso a fez gemer também. Mordeu Navi no lábio e ele a puxou pelos cabelos, fazendo com que jogasse a cabeça para trás. Ele a beijou no pescoço e então a chupou com força ali, num ato que certamente deixaria marca, mas não ligou. Gostava assim.
Suspirou e rebolou mais um pouco no colo dele e ele gemeu de novo. Se afastaram de leve e olharam nos olhos um do outro. Engoliram em seco e sorriram sabendo o que o outro queria. Ajudou Navi a sair das calças e se levantou levemente, colocando a calcinha de lado. Estava muito molhada, louca de tesão e Navi estava completamente duro, sedento dela.
Se sentou, sentindo-se ser preenchida por ele e gemeu gostosamente. Navi gemeu também e a ajudou a se mover para frente e para trás em seu colo. O beijou nos lábios, completamente enlouquecida com ele. Sentiu a necessidade se esfregar-se nele, de sentir-se mais e mais preenchida. Tinha a sensação de que poderia passar o resto da vida no colo dele sem nunca desejar sair de lá.
Navi afundou o rosto em seu busto, mas logo a mordeu com força no pescoço.
—Mexe. Rebola. Rebola... – pediu ele – Oh, rebola pra mim, Les... rebola pra mim...
Obedeceu porque não queria outra coisa. Segurou a nuca dele e encostou a testa na dele. Olhou no fundo dos lindos olhos prateados dele e ele a olhou de volta. Ficaram se encarando daquele jeito, sem fazer outro som que não o de ofegar.
O beijou perdida em prazer e ele a beijou de volta, a puxando para baixo, contra os quadris dele. Gemeu nos lábios dele e ele gemeu de volta.
—Isso... – sussurrou extasiada. Navi a beijou de volta, mas dessa vez de maneira mais calma. Mais apaixonada... do modo como ele costumava beijar quando namoravam. Derreteu naquele beijo e passou a mover os quadris de maneira mais lenta. Ele ainda a segurava com força, mas foi diminuindo a pressão... e logo ele a estava acariciando nos quadris de maneira carinhosa.
Voltaram a se encarar, sem saber o que estava acontecendo. Não transavam assim há anos... não daquele jeito, tão lento e carinhoso. O beijou na testa demoradamente e ele arfou tremendo de leve.
—Gozou? – perguntou.
—Não... – murmurou ele – Continua... não para. – ele disse num tom de suplício. Continuou, adorando aquilo. Navi a puxou para mais um beijo intenso e diferente daqueles que os garotos ou garotas lhe davam. Era tanto carinho, tanto cuidado, tanto... tanto amor...
Sentiu o coração acelerar e segurou o rosto do garoto com as duas mãos. O acariciou na nuca e ele a acariciou nas costelas e cintura. Separou os lábios dos dele depois de alguns minutos e o olhou nos olhos. Navi sorriu parecendo simplesmente feliz. Simplesmente entregue... ele parecia tão mais jovem sorrindo daquele jeito...
Acabou sorrindo para ele, sem conseguir controlar o próprio rosto. Viu o garoto engolir em seco e suspirar a abraçando de maneira protetora.
Estava tão gostoso. Não se lembrava de já ter sido tratada assim, com tanto carinho... Navi fora o único, durante toda sua vida, que fora assim. De repente era estar deitada com ele na cama do Endure, o vendo sorrir enquanto dormia, novamente...
Foi quando entendeu o que estava acontecendo. Aquilo não estava sendo uma foda. Aquilo não estava sendo sexo. Aquilo estava sendo algo mais intenso, complicado e sem volta. Aquilo estava sendo se condenar a algo que não queria se permitir sentir novamente.
—O que está fazendo? – perguntou parando de se mexer. Navi piscou e sorriu.
—Parece meio óbvio, não? – perguntou ele com um sorriso feliz. Ele nem se deu ao trabalho de fingir o sorrisinho irritantemente insolente dele.
—Não... ah, não... – resmungou se levantando.
—Ei! O que houve?! – perguntou ele a olhando confuso. Arrumou a calcinha no lugar, sentindo-se assustada com tudo aquilo. Lembrou de sua mãe deitada aos prantos no tapete, com o rosto machucado por um acesso de ira de seu pai. Seu pai que era tão irritantemente parecido com Navi... se obrigou a se lembrar que Navi tinha torturado um aluno do sétimo ano ao perder a cabeça com um deles. Não podia deixar aquele sentimento crescer, tinha sido idiota – Ei! – disse ele a segurando pelo pulso – O que houve?
—Eu queria uma foda. – disse tentando acreditar no que dizia – Eu não vou me apaixonar por você de novo!
—Por que não? – perguntou ele – O que eu fiz de errado?
—Não é o que você fez de errado! – disse se sentindo estúpida, porém, quase determinada. É algo que você vai fazer...— Eu te disse em Hogsmeade, não disse? Eu não amo você. Pare de ficar querendo...
—Me poupe, Les. – riu ele – Você estava tão envolvida no momento quanto eu.
—Eu só demorei pra notar!
—Notar o que? Que não foi simplesmente trepar? – perguntou ele – Caralho, há quanto tempo não sente algo assim, Les? E podemos ter isso. Podemos ter isso sempre.
—Você vai namorar Brontë, esqueceu?
—Pro inferno com a Brontë. Pro inferno com a Trixie, ou com a Mellody. Se me der uma chance, Les... eu só vou querer você. – Navi segurou sua mão e sorriu daquele jeito bobo dele. Sentiu seu estômago dar uma cambalhota e sua cabeça ficou uma confusão. Lembrou de quando andava de mãos dadas com ele. Lembrou de um dia em que ficaram se beijando na chuva e depois acabaram ambos doentes... mas nenhum deles se arrependia por isso... – Namora comigo.
Abriu a boca em choque, tentada a aceitar. Tentada a viver tudo aquilo de novo... tentada a ser beijada daquele jeito carinhoso... tentada a se permitir ser amada por ele mais uma vez...
Mas ainda se lembrava da imagem de sua mãe, espancada, no tapete da sala... lembrava de chorar para ela, pedindo que fugissem. Pedindo que fossem embora e deixassem o pai para trás... mas sua mãe dizia que não faria isso... porque o amava... porque o amava...
E ela não queria ser estúpida daquele jeito. Ela sabia que Navi podia ser violento. Ela sabia o quanto ele podia ser cruel e maldoso. Conhecia as brincadeiras dele e praticamente todas sempre passavam dos limites...
Escutara Madame Daphne Lestrange falar que, se quisesse saber como um homem trataria sua esposa um dia, era só observar como ele tratava as irmãs e a mãe.
E Navi era completamente desdenhoso com Lyra. Já vira a amiga apanhar dele quando eles eram mais novos. Quando era “aceitável” que eles se estapeassem. Mas Navi seguia sendo muito grosso com ela, fazendo comentários horríveis, a julgado, fazendo piada e tudo o mais... Não se lembrava de escutar Navi falando da mãe e quando visitava a casa dele, ele parecia simplesmente estar se lixando pra família.
Era sempre apenas ele, Draconis e Scorpius...
E um dia, se deixasse aquele sentimento crescer, poderia ser apenas ela, com as crianças que seria obrigada a ter, afinal ele era um Lestrange, esperando Navi voltar da farra, com cheiro de perfume barato. E ela se obrigaria a aceitar tudo aquilo pela família. Talvez um dia ela perderia a paciência e ele lhe daria um tapa. Quem sabe?
Ele não tinha quase matado Draconis por ele chamá-lo de pária? E eles eram melhores amigos, praticamente irmãos... E tudo aquilo por conta de uma garota...
Ela tinha medo de todo aquele sentimento. Tinha traumas demais para se permitir deixar levar pela juventude. Por isso negou com a cabeça e desviou o olhar.
—Não amo você. Não vou namorar você. Nem ninguém. – disse ela – Se você acha que eu quero amor, você se enganou, Navi.
—Você só quer foder? – perguntou ele parecendo zangado. Engoliu em seco e concordou com a cabeça – Eu posso te oferecer tão mais que isso, Les... mas você só quer uma foda?
—É só isso que eu posso aceitar de você. – disse prestes a se virar, mas Navi a puxou de volta e a olhou com um olhar frio. Um estranho olhar frio. Os olhos dele pareciam ser feitos de gelo.
—Eu vou te foder então. Se é o que você quer. – rosnou ele.
—Você não...
Mas ele a fez se virar e a jogou contra a mesa. Ele pegou sua calcinha e a puxou com tanta força que a escutou rasgar. Depois ele respirou fundo e a penetrou por trás de maneira seca.
Engoliu em seco e não falou nada, achando aquilo um tanto desconfortável. Sentiu as duas mãos dele em seu quadril, a segurando de maneira mecânica. Não conseguia parar de pensar que antes estava melhor... com os beijos e olhares dele. Mas fechou os olhos repetindo para si mesma que era apenas aquilo que queria.
Mas o tesão da coisa esfriou e ela começou a sentir dor.
—Quer que eu pare? – perguntou Navi. Mas isso seria assumir que estava errada.
—Não.
—É isso mesmo o que você quer? – perguntou ele.
—Uhum. – murmurou se odiando naquele momento por ser tão complicada – Mas está me machucando – resmungou depois de um tempo. Navi parou de estocá-la e a colocou sentada na mesa. Depois ele se encaixou entre as pernas dela e voltou a penetrá-la.
—Melhor? – perguntou ele sem nem olhá-la.
—Uhum...
Ele não a beijou, ele não a olhou nos olhos. Apenas ficou se observando sair e entrar de dentro dela.
—É assim que você quer? – perguntou ele sem olhá-la nos olhos. Era tão estranho... ele sempre a olhava nos olhos.
—É só isso que eu quero... – e a cada vez que dizia aquilo, notava o quanto parecia ser uma mentira. Navi suspirou e concordou com um aceno de cabeça.
—Como quiser, Young...
E quando ele finalmente gozou, ele simplesmente saiu de dentro dela e se guardou.
—Deixa eu ir. Tenho que tomar banho se ainda quiser ter sorte com a Trixie, hoje. – riu ele parecendo zangado – É isso o que você queria? Heim? É assim que quer ser tratada? – não respondeu. Apenas pegou a varinha para remendar a calcinha que Navi realmente tinha rasgado. Se vestiu sem conseguir olhá-lo nos olhos. Se obrigou a se lembrar de todas as vezes que escutou seu pai bater em sua mãe e respirou fundo sabendo que Navi não seria melhor que ele. Seu pai também já fora um namorado bonzinho e romântico... apaixonado... mas agora só sobrara aquela coisa horrível. Só os defeitos... defeitos esses que estavam todos presentes em Navi. – Responde, Les.
—Me deixe em paz. – rosnou querendo sair da cozinha. Estava dolorida e levemente assada. Foi se afastando dele, mas o sentiu segurar seu ombro.
—Ok. Mas só por desencargo de consciência. Para eu poder falar com todas as letras que eu fiz tudo o que eu podia. Eu te amo. – disse ele. Piscou em choque e o olhou – E por você, só por você, eu seria tudo aquilo que você quisesse. Eu me dedicaria a você, eu seria capaz de voar até o céu pra te entregar uma estrela se você pedisse. Eu seria capaz de fazer qualquer coisa apenas pra te ver sorrir. Apenas pra, quem sabe um dia, poder escutar você falar que me ama também... porque eu te amo, Les. Você foi a única garota que conseguiu me fazer sentir isso. A única que me fez falar isso... então namora comigo. Essa é a última vez que eu vou pedir isso... e se a resposta for não... – ele fechou os olhos – Por mais que doa, por mais que eu sangre... por mais que eu... que eu chore... eu te garanto que eu nunca mais vou me permitir tentar ficar com você de novo. – ele a olhou nos olhos – Então não mente pra mim dizendo que preferiu a nossa segunda transa. Não mente pra mim falando que não sentiu nada de diferente quando estava no meu colo. Não mente pra mim falando que não me ama. Eu não vou ficar dando soco em ponta de faca pra escutar você mentir pra mim.
*
—Albus. Lyra não é uma donzela, sabe? – perguntou Scorpius – Pare de ficar achando que ela é, mas que saco. – Albus abriu a boca para falar qualquer coisa, mas Scorpius suspirou e se virou para ela – Lyra, você é uma donzela?
—Please... – riu a garota com desdém – É claro que não. Não sei de onde o Albus tira isso. – riu ela se jogando no sofá, sem se importar em fechar a blusa.
—Ok. E só pra esclarecer algumas coisas. – riu Scorpius enquanto Albus corava – Você se ofendeu por eu ter sugerido que eu e o Albus poderíamos fazer uma loucura pra terminar o que a Les começou?
—Não... mas é meio triste que vocês não se ofereçam pra fazer isso. – disse olhando para Albus e mordiscando o lábio inferior. O garoto respirou fundo, corando.
—Ok. Já que Albus não tem essa coragem. – Scorpis sorriu tirando a gravata – Eu pretendo pedir a Rose em namoro. Então eu quero uma despedida de solteiro. Eu ia tentar pela enésima vez com as gêmeas... é um fetiche meu, das antigas... mas como eu sei que terei mais chances com você... – ele tirou a camiseta e sorriu – Foda-se o Albus. Vamos foder?
—Nada de “foda-se o Albus”! – ralhou Lyra olhando o garoto – Albus. Você quer brincar com a gente? Vai ser divertido.
-Brincar com vocês? – perguntou Albus.
—Eu já sei. Vamos jogar “eu nunca”. – riu Lyra – E a cada vez que alguém tiver feito tal coisa, tem que tirar uma peça de roupa.
—Ok. Vou recolocar minha camisa e minha gravata.
—Você brinca com a gente, Albus? – perguntou Lyra.
Albus respirou fundo a olhou nos olhos púrpuras.
—Ok. Eu brinco. – disse ele – Eu nunca fiz sexo.
Scorpius jogou a gravata, que ele não tinha recolocado ainda, no chão. E Lyra tirou uma das meias três quartos.
—Eu nunca beijei um garoto, de língua. – disse Scorpius e Lyra tirou a outra meia.
—Eu nunca cortei os pulsos. – riu ela.
—Oh... – riu Scorpius voltando a tirar a camisa.
—Eu nunca chupei alguém. – disse Albus e Lyra tirou a camisa e Scorpius o cinto.
—Eu nunca... – ele olhou para Albus, que ainda estava completamente vestido – Apareci no jornal.
E Albus tirou o casaco.
—Eu nunca vi o Brasil jogar quadribol ao vivo. – riu Lyra e Albus soltou um muxoxo tirando a gravata.
—Eu nunca fui chupado por alguém. – disse Albus e Scorpius tirou o sapato e Lyra tirou uma das luvas de antebraço.
—Está falando sério? – perguntou Lyra e Albus apenas deu de ombros.
—Eu nunca... – Scorpius olhou seu melhor amigo e sorriu – Eu nunca fui apaixonado por uma Sonserina. – e Albus tirou a camisa. – E Les, Lyra?
—É puramente físico. – riu ela.
—E pra provocar o Navi, né? – perguntou Scorpius. Lyra piscou e o olhou curiosa.
—Como assim?
—Vai me dizer que você não sabia que seu irmão está completamente apaixonado por ela. – riu Scorpius e Lyra ficou boquiaberta.
—Eu não fazia ideia! Oh... eu achei que ele estava zangado por ela ser a ex dele... e porque sempre existiu aquela tensão sexual entre os dois... mas ele gosta pra valer dela?
—Muito. – riu Albus.
—Oh... eu sou muito burra. – resmungou ela – Eu vou falar com a Les. Ela tem um terrível problema com compromissos... mas se é pelo meu amado irmãozinho... eu posso bancar a psicóloga. – ela soltou um suspiro – Ok... hum... eu nunca... tive uma irmã.
Albus soltou um muxoxo e tirou o cinto.
—Eu nunca fui masturbado por alguém. – disse ele e Scorpius tirou uma das meias enquanto Lyra despia a outra luva.
—Você não pode estar falando sério?! – ralhou Scorpius – Cara, você nunca fez nada? – perguntou Scorpius. Albus apenas deu de ombros, muito sério – Eu nunca beijei alguém de língua? – disse tirando a outra meia. Lyra também olhava, em choque, tirando a saia e Albus continuou parado. – Eu não acredito. Você não beijou ele? – perguntou pra Lyra.
—Não de língua. Foi só um beijinho. – riu ela.
—Eu não acredito! – disse Scorpius – Você é um Potter! Você não é feio! Como assim nunca pegou ninguém?! De verdade?!
—Eu acho que... eu sempre gostei da mesma garota então... eu nunca tentei de verdade com alguém. – murmurou ele. Scorpius abriu a boca em choque e começou a catar as próprias roupas.
—Eu abro mão do sexo. – disse Scorpius empurrando Albus de leve – Seja homem e fale com ela. Ela é tão tonta que nunca se deu conta! – e então ele simplesmente saiu da Casa da Árvore.
Como Albus podia ser tão tapado, pelas cuecas de Merlin!
Se vestiu e saiu pelo espelho mágico. Depois foi correndo até o Salão Principal onde todo mundo jantava. Engoliu a comida o mais rápido que conseguiu e tomou uma decisão. Chega de perder tempo! Eu não vou ser tapado que nem o Albus.
Pegou uma bola de menta e a mastigou para tirar o gosto de comida da boca. Depois pegou a varinha para conjurar algumas flores. Cerce e Dido o encararam curiosas e ele pegou as flores e foi até a mesa da Grifinória.
Rose estava sentada entre James e o irmão caçula. Ela o olhou e corou ao ver as flores.
—Scorp? – perguntou ela. Ele sorriu com o coração acelerado.
—Eu falei com o meu pai. – disse oferecendo as flores pra ela – Namora comigo?
James e Hugo abriram a boca em choque. Fred Weasley, um primo dela, também pareceu em completo choque. Mas ele não tremeu ou hesitou. Apenas a olhou com carinho. Ela sorriu de volta e se levantou. Rose pegou as flores e as cheirou, para então pular em seus braços.
—Namoro sim! – riu ela. Scorpius sorriu e a abraçou apertado. Depois os dois se encararam e se beijaram apaixonadamente. Estava tão envolvido no beijo, que quase não ouviu os aplausos. Ele e Rose piscaram confusos e olhara para o lado, onde a mesa da Lufa-Lufa fazia algazarra.
—FIM À CAUSA PURO SANGUE! – gritou uma menina.
—SONSERINA E GRIFINÓRIA! – gritou outro garoto.
Scorpius corou e então a mesa da Grifinória começou a aplaudir também. James se levantou e apertou sua mão.
—Comporte-se, Malfoy.
—Hum... ok... – murmurou chocado por ter tantas pessoas sorrindo e achando maravilhoso que ele e Rose tivessem se beijado em pleno Salão Principal.
Hugo Weasley e Fred Weasley o olharam com olhares desconfiados, mas então deram de ombros.
—Papai vai surtar, mas se você gosta dele, maninha... – murmurou Hugo dando de ombros.
—Obrigado, cunhadinho. – provocou abraçando Rose, que o abraçou de volta.
—Parabéns. Rose. – riu a irmãzinha de Albus – Ele é lindo e é o segundo aluno mais legal da Sonserina. Só perde pro meu irmão.
—Eu concordo que eu sou lindo. – riu Scorpius – Mas eu acho que eu sou mais legal também. – ele olhou para Rose e a beijou carinhosamente nos lábios. Os dois sorriram olhando um para o outro e então se abraçaram felizes.
—Você sabe que vai ter que pedir permissão pro meu pai, não sabe? – perguntou Hugo cruzando os braços. E Scorpius fez uma careta – E vovô vai ficar furioso por você estar namorando um puro sangue, Rose... vamos enterrar o corpo frio do Malfoy nas tocas dos gnomos do jardim da Toca. – brincou Hugo...
Ele esperava que fosse algum tipo de brincadeira, pelo menos.
***
—Eu abro mão do sexo. – disse Scorpius o empurrando de leve – Seja homem e fale com ela. Ela é tão tonta que nunca se deu conta! – e então ele simplesmente saiu da Casa da Árvore.
Albus engoliu em seco olhando para Lyra, que parecia surpresa.
—Hum... o que? – perguntou ela. Albus engoliu em seco.
—Você nunca reparou? De verdade?
—Oh, meu Merlin... – murmurou ela parecendo chocada – Você? – ele concordou com um aceno de cabeça – Por mim? – perguntou ela.
—É...
—Desde quando? – perguntou ela ficando de pé, parecendo em choque – Eu sempre achei que você tivesse uma quedinha misturada com tesão... tipo o Scorp... você gosta de mim pra valer?
—É... meio que sim... – murmurou sem jeito a olhando nos olhos. Lyra corou com violência e os cabelos dela mudaram para cor de rosa, assim como os olhos.
—Mas como? – perguntou ela em choque – Digo... como é que alguém como você... poderia gostar de verdade de alguém como eu? – perguntou ela – Quero dizer... olhe só pra gente. Você é todo esforçado. Todo certinho... você nunca nem beijou de verdade! – ele baixou os olhos, constrangido – Enquanto eu... eu sou a maior piranha dessa escola... competindo, talvez, com a Les... e com a Trixie... ela é um páreo duro, eu tenho que admitir... – ela suspirou e se aproximou um passo – Desde quando, Albus? Como isso aconteceu?
—Dá pra ver que você nunca se apaixonou, Ly... – riu ele sentindo-se uma piada – Não sei como aconteceu... só que aconteceu... Eu fiquei doido por você desde a primeira vez que eu te vi, quando fomos deixar nossos irmãos na plataforma... – ele sorriu sentindo-se um completo idiota – Eu passei o ano inteiro me perguntando se iríamos nos ver de novo... e eu fiquei tão contente quando caímos na mesma casa... você sempre foi legal comigo.
—Albus... como é que alguém pode não ser legal com você? – perguntou ela sorrindo – Você é um fofo.
—É... um fofo... – resmungou ele soltando um muxoxo – Eu devia ser do tipo putão, que nem o Scorpius... ou do tipo rebelde, que nem o Draconis... quem sabe assim eu chamaria sua atenção... mas eu sou o tipo fofo. – resmungou ele – As meninas adoram me abraçar e conversar comigo. Elas me adoram. Todas falam como eu sou fofo. Como eu sou legal. Como é um saco que não existam mais garotos como eu... mas é sempre dos babacas que elas gostam. É sempre dos mulherengos e dos canalhas por quem elas suspiram. Foi assim com você e o Draconis, que se faz de bonzinho, mas traía a namorada. Foi assim com a Rose e o Scorpius, que apesar de termos crescido juntos, de sempre termos sido amigos, era pelo Scorpius que ela ficava suspirando. Cerce sempre me achou fofo. Sempre falou que os garotos tinham que ser iguais a mim. Humildes, gentis, esforçados, nem um pouco arrogantes... mas ela foi dar uns beijos no meu irmão, não em mim... de que adianta ser um cara legal se tudo o que você consegue é: “Oh, Albus... você é tão fofo”? – ele a olhou zangado e Lyra desviou o olhar – Sabe... eu queria mesmo tirar você da minha cabeça. Eu queria não pensar em você em todo maldito segundo. Eu não queria me sentir obrigado a te defender e proteger, quando você mesma não liga para o que falam de você ou pra você. Mas eu simplesmente não consigo... e tudo o que você faz é achar meu esforço irritante.
—Esforço? Que esforço? – perguntou Lyra – Está falando dessa sua mania de ficar me pintando de algo que eu não sou? Você queria que eu achasse legal?
—Eu não te vejo como uma piranha, ou uma vadia, só porque você é bem resolvida sexualmente. Eu acho que os garotos não deveriam falar de você pejorativamente, por você não se prender a um cara só, quando eles tratam o Navi como se fosse o herói da pátria por fazer basicamente a mesma coisa, só que em um nível muito pior. Eu não te acho uma piranha só porque você fica com quem tem vontade e eu não admito que falem mal de você por isso. Era isso que eu queria que você achasse legal... mas já vi que você nunca entendeu, não é? – Lyra corou de novo e os cabelos dela ficaram ainda mais rosa berrante – Você não gosta de mim do mesmo jeito, né?
Lyra se abraçou e os cabelos dela voltaram a ficar loiros.
—Desculpe, Albus... – murmurou ela parecendo triste – Mas... mas eu só te vejo como amigo.
—Ok... eu entendo. – murmurou chateado – Você só me acha fofo... mas ok. Você não é obrigada a gostar de mim por eu gostar de você.
—Albus... você deveria tentar curtir mais a vida. Você passou esse tempo todo obcecado por mim... se conhecesse outra pessoa talvez...
—Eu não preciso fazer certas coisas pra saber que não as quero. – cortou ele – Eu sei que eu gosto de você... e se um dia esse sentimento passar, eu vou tentar com outra pessoa. Mas eu não vou ficar me agarrando com qualquer uma pra te esquecer, porque isso eu acho idiota. Eu não sou assim... – Albus respirou fundo – Eu espero que a gente continue amigos.
—Claro... – murmurou ela – Eu... eu realmente sinto muito, Albus... – murmurou ela.
—Está tudo bem, Ly... mesmo. – murmurou triste – Mas... mas agora eu... eu vou voltar pro salão comunal... eu realmente preciso de um tempo sozinho agora.
—Ok...
—A gente se vê… – ele se virou, mas então parou e a olhou novamente – Mas eu posso saber o motivo de você simplesmente não querer me dar nem uma chance? Por que você não consegue se imaginar comigo? Nem um pouquinho...
—Oras. Porque você gosta de mim. – respondeu ela – Albus, eu não vou atender às suas expectativas e eu não quero te magoar. Eu não nasci pra namorar. Eu não gosto de compromisso... eu gosto só de curtir e você vai querer algo mais... – ela respirou fundo – Eu não brincaria desse jeito com você. Eu gosto demais de você pra fazer algo assim...
Em outras palavras... eu estou na friend zone...
—Entendi... valeu, Lyra... a gente se vê por ai... – murmurou antes de sair da sala, com o coração despedaçado e com uma senhora vontade de voltar no tempo e nunca ter entrado naquela sala com Scorpius... – Ela não gosta de mim... – murmurou triste. Começou a andar pelo corredor estreito, se perguntando quando que iria deixar de ficar deprimido...
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