Legado Lestrange II - Legacy
1 Crises
Notas iniciais

Capítulo 1
Draco Malfoy aparatou no Beco Diagonal e arrumou o colarinho da camisa. Estava fazendo um dia extremamente quente e o sol brilhava à pino tornando a tarde insuportável. Ele soltou um muxoxo e caminhou o mais depressa que o calor permitiu até o Legacy, que era a loja dos Lestrange.
Escutou o sininho tocar assim que abriu a porta e viu a mãe de Alhena aparecer com o típico sorriso no rosto. Os cabelos soltos, loiros, com algumas mechas coloridas, uma blusa folgada e sem manga, exibindo um monte de tatuagens que ela tinha feito para esconder as cicatrizes que o cunhado tinha deixado em sua pele.
Ela o olhou e sorriu ainda mais animada e veio cumprimentá-lo.
—Draco. Veio comprar algum traje? – perguntou ela. Draco negou com a cabeça, soltando um suspiro.
—Eu... Alhena está ai? – perguntou ele secando a testa com um lenço.
—Está, mas está terminando de atender uma cliente. Quer que eu te atenda? – perguntou a senhora, que já tinha algumas rugas na testa.
—Não. Eu não vim comprar. Só precisava muito falar com a Lena. – murmurou sem jeito. Emily Valentine sorriu para ele e concordou.
—Sente-se então. Posso te servir um chá? Talvez um suco... nesse calor...
—Eu estou bem, mas muito obrigado, Sra. Lestrange. Vou esperar aqui. – murmurou se sentando num banco de madeira.
—Ok. Ela já deve estar terminando.
—Certo. – murmurou sentindo-se abatido. Precisava muito conversar com alguém e não queria que fosse Greg, ou Rasalas, que apesar de serem seus amigos, estavam vivendo os casamentos dos sonhos com suas respectivas esposas. Ele estava com problemas e a pessoa que sempre o escutava quando estava com problemas era Alhena.
Por isso a esperou por quase vinte minutos, até que ela saísse de dentro da loja, acompanhando uma senhora de seus bons setenta anos. Draco se levantou ao ver a amiga, que sorriu ao vê-lo. Ela usava um vestido fresco, branco e muito simples, com um coque muito desleixado na cabeça.
—Draco. – disse ela se aproximando – Eu não esperava te ver. – adicionou ela. Draco soltou um suspiro e foi até ela. A regra de conduta era que apertasse a mão dela, mas ele não se importou com isso e a abraçou, recebendo outro abraço de volta.
—Eu sei... posso falar com você? – perguntou ele se afastando – Eu realmente preciso conversar com alguém...
Ela o olhou preocupada e se voltou para a mãe.
—Eu já volto, ok? – perguntou ela.
—Pode ser que leve algum tempo... – lamentou triste. Alhena suspirou e se virou para a mãe.
—Pode ir. – respondeu a Sra. Lestrange com um sorriso gentil.
Alhena sorriu e foi com Draco para fora da loja.
—O que houve? – perguntou ela.
—Torta de morango. – resmungou Draco e Alhena fez uma careta o seguindo até uma confeitaria que tinha ali perto.
—Foi feio assim? – perguntou ela. Draco concordou com um aceno de cabeça. Os dois se sentaram na sombra, na Açucaradus e Draco chamou a garçonete.
—Uma torta de morango, dois copos e uma água, por favor. Quer beber alguma coisa? – perguntou pra ela. Alhena negou com o rosto e ele dispensou a garçonete. Ele suspirou de novo e olhou a amiga, cansado – E então... como você está?
—Levando. – riu Alhena soltando um suspiro – A vida de casada não é tudo aquilo que eu imaginei.
—Oh, nem me fale. – resmungou Draco – Como está o Damian? – perguntou ele.
—Trabalhando. – respondeu ela, calmamente – Os negócios vão bem, como sempre... – respondeu ela um pouco distante. Draco soltou um suspiro e concordou com a cabeça – O que aconteceu com você?
Draco coçou os olhos e a mirou cansado.
—Astoria perdeu outro bebê. – respondeu ele. Alhena piscou em choque – Estávamos muito convencido de que esse iria vingar, sabe? – Draco soltou outro suspiro – Mas ela meio que despirocou. Colocou fogo em todas as coisas de bebê que tínhamos comprado e disse que não quer mais engravidar... – ele soltou um suspiro, cabisbaixo – Ela quer beber a poção de esterilidade... encucou que nunca vai conseguir engravidar e me dar um filho... eu não sei mais o que fazer pra tirar essa ideia idiota da cabeça dela...
—Oh, Draco... eu realmente sinto muito. – murmurou Alhena segurando a sua mão – Vocês dois devem estar passando por...
—Está um inferno. – resmungou ele – Eu não sei o que fazer. Meus pais sempre foram contra o casamento e agora não param de me aborrecer por conta disso. Dizem que eu deveria anular o casamento... – ele fez uma cara zangada – Em que século meus pais vivem, francamente... mas... mas bem... eu não posso ficar sem um herdeiro. Eu não sei o que fazer.
—É mesmo uma situação complicada, Draco. – murmurou Alhena o acariciando na mão. Draco soltou um muxoxo e a encarou.
—E Damian. Ainda está te perturbando com a ideia idiota de ter mais filhos? Montar o próprio time de quadribol? – perguntou Draco.
—Sim. Ele está completamente determinado a fazer isso. – resmungou Alhena – Mas eu não quero mais ter filhos. – resmungou ela – Os gêmeos me deixam louca. Quando um para de chorar, o outro começa e então acorda o primeiro. Eu sempre estou desesperada pra cuidar dos dois e Damian está sempre ocupado com a loja. – ela suspirou parecendo cansada – Então deixo meu pai com eles, ou Rasalas, ou até mesmo Remus... eu só preciso de um tempo, sabe? Pra descansar. Pra focar na minha loja, em mim... – Alhena coçou os olhos parecendo cansada – Amo meus filhos, mas odeio ser mãe... se eu pudesse voltar no tempo...
—Pelo menos você teve filhos. – resmungou Draco – Meu nome vai morrer comigo porque minha mulher não consegue vingar uma gravidez...
—Não é culpa dela, Draco.
—Eu sei que não. É isso que me deixa frustrado. Não é culpa de ninguém... não posso apontar o dedo e falar: é só resolver isso. – ele passou as mãos nos cabelos – Eu não sei mais o que fazer. Se Astoria não parar com essa ideia idiota de não ter filhos eu juro que eu vou...
—Draco. Acalme-se.
—Não dá pra fica calmo. – resmungou ele, mas a torta chegou, junto com a água.
*
Rasalas e Pansy estavam olhando os relatórios para Kingsley.
—Ras... acho que tem um rombo aqui. – resmungou ela. Rasalas se levantou, pegando sua caneca de café e foi até a mesa da amiga – Olhe só. Estão faltando cinquenta mil galeões, que deveriam ter sido enviados para o orfanato no último mês.
—Como você consegue isso, Pansy? Reparar nesses números todos?
—É o meu trabalho, sabe? – riu ela conferindo as várias tabelas cheias de números – Acho que acabamos de descobrir um grande desvio de verba. Eu preciso saber se isso foi só no último mês ou... pegue aqueles arquivos ali, por favor. – pediu ela.
—Claro. – respondeu ele pegando uma pasta muito grossa e a entregando para Pansy – Kingsley vai ficar furioso se souber de mais um caso de desvio de verba...
—Ele vai mesmo.
—Vai ser a nossa quarta descoberta desse tipo de coisa. – murmurou Rasalas tomando mais um gole de seu café. Pansy sorriu dando de ombros.
—Formamos uma excelente dupla. – riu ela.
—Eu acho que você é excelente. Eu meio que sou seu assistente. – riu Rasalas. Pansy deu uma risadinha conferindo as tabelas de transações de verba e Rasalas voltou para sua mesa para voltar a fazer seus relatórios de transferências de verbas. Tinha um monte de lugar desejando dinheiro do Ministério e ele era quem autorizava ou não se o setor receberia fundos ou não. Era um senhor trabalho para alguém tão jovem e tinha certeza de que só tinha chegado ali por ter as pessoas certas o empurrando. Sua mãe e seu avô, que era padrinho do Ministro da Magia Kingsley Shackebolt. – Nunca vi alguém conseguir reparar tão bem nos detalhes mais sórdidos e chatos desses relatórios.
—Ah, sabe como eu sou. – riu Pansy – Minha especialidade é descobrir podres. Sempre foi. – riu ela descontraída, estudando o próprio relatório – E então... já contou para Daphne? Sobre nós? – perguntou ela
—Ainda não... – murmurou fazendo careta – Ela vai ficar furiosa. – ele soltou um muxoxo desviando o olhar do relatório e olhando para Pansy – Você sabe como ela é em relação a você.
Pansy deu um suspiro comprido e riu.
—Bem. Ela tem os motivos dela. Eu nunca fui uma santa. – riu Pansy.
—Mas nunca deu motivos pra ela ficar assim. Você nunca tentou me seduzir ou destruir o meu namoro e casamento, como Daphne vive pensando que você...
—Eu sei, eu sei... mas eu fui uma peste com a sua irmã... digo... em relação ao Damian e tudo o mais... falando nisso, como eles estão?
—Estão bem, eu acho. – respondeu Rasalas dando de ombros. – E você? Como foi seu encontro ontem?
—Oh! Foi maravilhoso! – riu Pansy largando os relatórios com alguma empolgação – Eu falei que ele era estrangeiro, né?
—Sim. Um alemão, não é? – perguntou Rasalas a olhando curioso.
—Siiiiim! – riu Pansy – O nome dele é Kevin. – riu ela – Kevin Hesse. E ele é liiiiiiiindo. Super gentil, carinhoso, com um jeitinho de garotão maravilhoso. – suspirou ela derretida.
—Vamos ao que importa. Ele é bom de cama? – perguntou com um sorrisinho. Pansy sorriu de volta.
—Nós não transamos.
—Pansy Parkinson! Já está no terceiro encontro! – riu Rasalas colocando a caneca na mesa e cruzando os braços – Você não o seduziu?
—Não. Ele é especial. Vou deixar ir com calma. Esperar até o quinto encontro...
—Quinto? – perguntou quase chocado – Eu nunca te vi chegar no quarto encontro.
—Pra você ver... — ela suspirou sonhadoramente – Acho que Pansy Parkinson finalmente está apaixonando-se de verdade.
—Já não era sem tempo. – riu Rasalas – Mas você acha que fisgou ele? E o que ele faz da vida?
—Ele é curandeiro. – respondeu ela com um sorriso travesso e satisfeito – Ala de neurologia. Ele é realmente muito bom, apesar de ser muito novo.
—Huuuuum... – riu ele aprovando.
—E ele é o filho mais velho de uma família de seis irmãos. Ele é o único homem. Só tem irmãs, no caso, e um irmão bastardo, que meio que é o melhor amigo dele. – riu Pansy.
—Huuuuuum...
—Ele é super dedicado à família. Estudou na Durmstrang, foi monitor e monitor chefe...
—Huuuuuuuuuuuuuum...
—Oh! Pare com isso! – riu Pansy – Sem falar que ele é super inteligente, fala inglês super bem e queria se mudar pra cá, pra trabalhar no Mungus. Mas ele faz trabalhos voluntários por fora, ajudando crianças trouxas em orfanatos.
—Pansy. Ele parece ser uma alucinação sua.
—Parece mesmo! – riu ela – Ele queria vir trabalhar no Mungus, mas então eu falei sobre Azkaban e como todo mundo lá fica maluco, então ele se interessou muito. Disse que queria estudar o efeito prolongado dos dementadores na mente das pessoas e quem sabe criar algum tipo de tratamento para reverter os quadros de loucura lá. Ou ao menos para manter os detentos mais saudáveis, para que eles possam cumprir suas penas e não morrerem um ou dois anos depois de serem presos.
—Ok, Pansy. Case com ele. Sério. – riu Rasalas.
—Oh! Eu quero. Eu espero que dessa vez eu consiga um relacionamento saudável. Tipo o seu e o da Daphne... como vocês estão falando nisso?
—Estamos bem, apesar de tudo. – resmungou ele soltando um muxoxo.
—Apesar de tudo? Como assim? – perguntou ela.
—O babaca do primo dela voltou pra cidade. Eu nunca gostei do primo dela.
—Oh! O Kurt?
—É. – resmungou ele – E o modo como ele fica olhando pra ela como se fosse se agarrar com ela a qualquer momento me tira do sério. Mas eu tento não ter crises de ciúmes e confiar na Daphne.
—Amor. Você pode confiar o tanto que for na Daphne. Mas tem que tomar muito cuidado. – murmurou Pansy – Lembra do caso Pierre né? – perguntou ela e ele estremeceu se lembrando daquilo – Esse cara é digno de confiança ou...
—Eu não acho que ele chegaria a tanto. Eles são primos. – respondeu Rasalas — Mas se ele tocar num fio de cabelo da minha esposa, ele está muito fodido.
—Isso mesmo. – riu Pansy – Bem. Vamos voltar aos números. – disse ela voltando a olhar seu relatório. Rasalas deu uma risadinha e concordou.
—Você tem visto o Blair? – perguntou ele.
—Nunca mais. Do tempo de escola eu só vejo mais você e a Emília mesmo... – respondeu Pansy.
—Saudades do Blair... vou marcar de tomar uma cerveja amanteigada com ele e os outros.
—Manda um abraço pro Draco pra mim. Pro Damian também.
—Nada disso. Só quando eu contar pra Daphne que estamos trabalhando juntos. – murmurou Rasalas. Pansy revirou os olhos.
—Não deveria enrolar tanto. Estamos trabalhando juntos há um mês. Se ela descobrir, vai ficar furiosa.
—Ela não vai descobrir... e é melhor assim. Ou ela nunca mais vai me deixar trabalhar em paz.
—Rasalas. Daphne não é sua namoradinha. Ela é sua esposa! – ralhou Pansy – Não acho certo você esconder isso. Ela vai preferir que você conte e que garante que Pansy Parkinson está pra trocar o sobrenome para Hesse... – riu ela tamborilando os dedos, arrancando risadinhas dele.
—É... é... eu vou contar... eu só tenho que prepará-la primeiro...
**
—Eu não sei o que fazer. – resmungou Damian – Minha vida está virando de cabeça para baixo.
Blair olhou para ele, surpreso. Damian parecia muito cansado. Paternidade não era pra qualquer um, aparentemente.
Estavam no Três Vassouras, tomando umas doses de hidromel super envelhecido, apenas os dois, pois Draco disse que tinha que resolver uns problemas pessoais e Rasalas estava no trabalho.
—O que houve?
Damian soltou um suspiro cansado e bebeu o hidromel de um gole só, para voltar a encher o copo.
—Eu amo a minha esposa... eu amo... – começou ele e Blair fez uma careta. Nenhuma conversa boa vinha depois de um começo daqueles – Mas eu... as coisas... estão desandando, sabe?
—O que raios aconteceu? Você e a Lena pareciam super apaixonados. – riu Blair coçando o cavanhaque.
—Eu sei... mas... – Damian soltou um suspiro – Eu odeio a vida de casado. Pronto. Falei. – resmungou ele. Blair esbugalhou os olhos.
—Você? O defensor do mito das almas gêmeas, o romântico incorrigível? Estou chocado.
—Nem me fale. – resmungou Damian bebendo mais uma boa quantidade e hidromel – Eu posso ser muito honesto aqui? Eu preciso desabafar e esse não é o tipo de conversa que eu possa ter com o Rasalas e eu não confio no Draco também. Ele é muito próximo da Lena... – resmungou Damian. Blair concordou um aceno de cabeça.
—Pode falar. O que for dito aqui, fica aqui.
Damian soltou mais um suspiro e bebeu todo o hidromel do copo, para se servir com mais.
—Bem... quando eu e a Lena namorávamos... era aquele tesão louco. Você lembra...
—É... eu lembro... – riu Blair – Vocês pareciam dois coelhos. Vocês transaram na minha cozinha. Traumatizaram os elfos. – riu ele.
Damian sorriu sonhador.
—Pois é. A Lena me deixava louco. Era só olhar pra ela que eu já estava imaginando as coisas mais absurdas e insanas pra fazermos... e pouco depois nós estávamos realizando todas as minhas fantasias. Eu estava realizado... completamente realizado... – Damian soltou um suspiro – Ela é tão gostosa, a Lena... e sempre que eu ia tirar a roupa dela era uma surpresa... sempre com uma calcinha nova... renda, cinta-liga, espartilho, fio dental...
—Hum... – murmurou Blair imaginando Alhena Burke usando todas aquelas indumentárias.
—Era como abrir um presente de natal. Eu nunca sabia o que teria dentro... mas casar é difícil. Ah! E os boquetes? Nossa... A Lena fazia os melhores boquetes. Ela me fazia uns de trinta minutos...
—Mentira. Garota nenhuma...
—A gente cronometrava. – cortou ele – Eu ficava louco. Era uma putaria... e céus, ela falava em francês enquanto... bem... era muito foda... – Damian soltou outro suspiro – Parecia que ela estava apaixonada pelo meu pau, sabe? – Damian passou a mão pelos cabelos e Blair respirou fundo, imaginando a mulher do amigo, numa lingerie sensual, de joelhos, o encarando com aqueles grandes olhos verdes enquanto... – Mas agora. Cara, eu não reconheço mais a gente.
—Como assim? – perguntou o amigo.
—O sexo. A gente quase não transa mais. É uma vez na semana se eu tiver sorte. – resmungou Damian – Ela sempre está muito cansada por causa do trabalho, outras vezes sou eu que estou morto por conta do trabalho... e quando a gente resolve transar... é uma transa meio... meio fraca, sabe? Eu não sei mais o que é um boquete de verdade. Ela me dá umas três lambidas pra me deixar duro, a gente vai pro papai-mamãe e então quando eu termino, ela levanta e vai cuidar dos garotos. – Damian suspirou – Ah... eu amo meus filhos, mas eu odeio ser pai.
—Agora eu estou chocado. – disse Blair, perdendo o sorriso.
—Eles estragaram a minha vida sexual. É sério. Porque... você lembra quando ela engravidou? Como ela ficou gostosa antes da barriga aparecer.
—Claro que lembro. Como eu poderia esquecer? – riu Blair. Damian nem ficou puto. Ele apenas virou mais um copo de hidromel e voltou a encher o copo. Blair aproveitou pra encher o seu também, antes que o amigo secasse a garrafa.
—Pois é. Eu amo os seios da Lena. Eles são uma delícia... mas teve uma vez, quando ela ainda estava grávida... ela estava no meu colo e eu estava em divertindo com os seios dela... quando... – ele pareceu ficar sem jeito.
—O que?
—Eu apertei de um jeito e voou leite no meu rosto. – resmungou Damian. Blair começou a rir sem conseguir se conter. Ele socou a mesa de leve, gargalhando e Damian deitou a cabeça nos braços, constrangido.
—Velho... você ainda tem as melhores histórias.
—Super... – resmungou ele – Desde esse dia eu nunca mais pude brincar com os seios dela.
—O que? – perguntou Blair perdendo o sorriso e ficando chocado.
—Ela ficou tão sem jeito que aquilo se tornou território proibido pra mim. – resmungou ele cruzando os braços – A gente quase não transa, quando transamos parece uma obrigação, nunca mais tentamos fazer isso em um lugar mais excitante. É cama, papai-mamãe, e algo como “termina logo ai, porque eu tenho mais o que fazer”. – resmungou ele.
Blair deu um bom gole na bebida e suspirou.
—Que barra heim? – perguntou.
—Se fosse só isso... – resmungou Damian – Eu poderia me convencer que é apenas uma fase, sabe? Mas eu quero ter mais filhos...
—Pra quê? Você não tá aguentando esses dois. – riu Blair.
—Eu acho que me aproximaria mais da Lena, se tivéssemos mais um. – murmurou Damian – A gravidez dela foi linda, sabe? Nós ficamos absurdamente próximos. Mais do que qualquer outro momento da nossa vida... sem falar que eu acho que ela largaria o emprego se tivéssemos mais um... ela estaria mais disposta pra mim, eu acho. Afinal nós temos empregados que ajudam com as crianças... ela podia fazer algo mais divertido pela manhã e estar mais receptiva pra mim durante a noite...
Blair olhou para o amigo.
—Eu sei lá... é meio egoísta da sua parte querer que ela largue o emprego na tentava de você conseguir se dar bem...
—Não é apenas sexo, Blair. Eu não tenho mais o pique de quando era adolescente também. Mas é que eu sinto que a Lena está ficando distante e eu não sei mais o que fazer... ainda mais com a Green...
—OOOOPA! – riu Blair – Quem é Green?
—Você se lembra daquela morena, da Corvinal? Que eu dei uns amassos no sétimo ano?
—Céus, Damian. Você anda vendo ela?
—Sim. Ela é uma freguesa assídua lá da loja. Ela é casada, não se chama mais Green... agora o nome dela é Burton, mas... eu juro que toda vez que ela vai lá pra fazer negócios, ela me lança uns olhares que arrepiam até os pelos do meu nariz. – resmungou ele – Ela está dando em cima de mim, muito forte.
—Cuidado com isso... se você tiver um caso, o Sr. Lestrange acaba com você... sem falar do Rasalas. Você casou com a irmã dele...
—Eu não quero ter um caso. Eu quero a Green... digo... a Clover longe de mim. Eu quero é a minha mulher... – ele deu mais um belo gole na bebida – Mas a minha mulher não quer saber de mim. Eu estou carente. É isso...
Blair soltou um suspiro e olhou para Damian.
—Porque não conversa com ela? – perguntou ele.
—Eu converso! – resmungou Damian – Mas não adianta. Ela fala que não é mais adolescente e que tem um monte de responsabilidades e que ela meio que perdeu o tesão por sexo... mas não é só isso... eu não sei o que aconteceu... eu e a Lena parecemos simples bons colegas de quarto. Que eventualmente fazem uma transinha. Nada mais do que isso. Nós quase não saímos juntos, mais. Ela prefere ficar em casa a sair para os bailes... ela só aceita sair quando é o Ras ou o Draco quem estão dando as festas... ah! E sabe o que mais?
—Céus... o que mais?
—Lembra quando eu disse sobre as lingeries?
—Claro. Não vou esquecer tão cedo.
—Eu nunca mais vi uma daquelas. Alhena parece ter perdido completamente a vaidade. Ela só usa aquelas calcinhas bege de velha... completamente broxante.
—Por que não compra uma lingerie pra ela? E fala que quer que ela use? – perguntou Blair – Se vocês estão esfriando, alguém tem que correr atrás pra esquentar de novo.
—Como? Ela não me chupa, eu não posso pegar nos seios dela, ela não é mais sexy, estamos sempre cansados e as crianças sempre choram nos piores momentos e por mais que eu tenha contratado duas empregadas pra cuidar deles, mais um elfo doméstico, a Alhena sempre corre pra ajudar. – resmungou Damian passando o dedo pelo copo. Blair coçou o cavanhaque e sorriu.
—Por isso não quero casar.
—Não é só o casamento. É o MEU casamento. Rasalas e Daphne estão super bem. Astoria e Draco também. Eles estão tentando ter filhos agora, sabia?
—Não. – respondeu ele, simplesmente – Bom pra eles...
—Sim. Póllux e Castor vão ter mais amigos, além dos tios, pra brincar...
—Como vão os dois, falando nisso?
—Vão bem. – respondeu Damian, dando de ombros – Eu estou preocupado, Blair... eu... eu não sei quanto tempo eu vou aguentar esse casamento...
—Do que está falando? Não está pensando em... em se divorciar, está?
—Eu acho que... que a Lena já não gosta mais de mim... eu não sei... – murmurou ele se servindo de mais um pouco de hidromel – Eu não quero que ela fique comigo por obrigação... e eu acho que o que a gente tinha...
—Você ama a Alhena? – perguntou Blair.
—É claro que amo.
—Então reconquiste ela, oras. – riu Blair – Você é meio que perito nisso já. Só não pense com a cabeça do pau, que nem você gostava de fazer.
—É... – resmungou Damian olhando a garrafa vazia com um olhar perdido – É...
***
Rabastan estava abaixado atrás do sofá, com a varinha na mão. Tentava escutar algum som que fosse, alguma pista, de que a barra estaria limpa, mas estava num silêncio completo. Respirou fundo, se perguntando se seria seguro deixar seu esconderijo. Engatinhou até a beirada do sofá e espiou. Nada. Ninguém. Sorriu, confiante, e se esgueirou para o corredor, mas sentiu algo acertar sua cabeça. Se virou e viu Polaris sorrindo para ele, com a varinha de brinquedo apontada.
—Peguei, papai! – riu ela. Rabastan sorriu e se jogou no chão.
—Oh! – resmungou, se fingindo de morto. Polaris correu até ele e o beijou na bochecha.
—Coda, papai.
—ACORDEI! – gritou Rabastan pegando a filha para enchê-la de beijos. Polaris deu uma gargalhada e o abraçou contente e logo Rigel apareceu, pulando em suas costas, gargalhando também. – Oh, não! Fui cercado!
Rigel estava acertando uma galinha de borracha em sua cabeça, quando seu pai apareceu e riu, achando graça.
—Acho que você foi abatido, Rabastan.
—Completamente abatido. – concordou ele com os dois filhos mais novos pulando em suas costas – Não se fazem mais comensais de morte como antigamente...
—Acho que não... mas você tem visita.
Rabastan piscou, surpreso e se sentou, com Rigel pendurado em seu ombro e Polaris se sentando em seu colo.
—Quem é?
—Uma velha amiga.
—Addie? – perguntou sorrindo.
—Sim. A Sra. Corey. – riu ele se afastando.
Rabastan se levantou, com Rigel ainda no ombro e foi andando até a sala de visitas. Colocou o garoto no chão e ele e Polaris abraçaram suas pernas. Cada um em uma. Sorriu os carregando assim mesmo, amando as gargalhadas deles. Quando chegou na sala, viu Addie ali.
—Quem é viva sempre aparece, não é? – perguntou ele. Adhara sorriu para ele e veio abraçá-lo. A abraçou de volta e a espiou. Ela ainda continuava muito bonita, como sempre, apesar de uma ruguinha finalmente ter começado a surgir no canto do olho.
—Olá, Rabastan. Olá meninos. – riu ela. Polaris e Rigel sorriram e correram até ela.
—Tia Adi! – gritaram os dois. Adhara se abaixou e se deixou ser abraçada.
—Eu trouxe brinquedos pra vocês.
—BRINQUEDOS! – gritaram os dois batendo palmas. Rabastan deu um sorriso e a olhou de soslaio. Ela brandiu a varinha e duas vassouras de brinquedo apareceram, levando as crianças a uma euforia sem fim.
—Você sabe como alegrar o dia deles.
—Eu sou ótima com crianças. E então, como está? – perguntou ela. Rabastan apontou para o sofá e ela o seguiu para se sentarem.
—Estou ótimo. Meus filhos mais velhos já se casaram, sou avô de dois garotinhos saudáveis, tenho mais dois filhos cheios de energia, meu casamento está às mil maravilhas... – ele sorriu passando as mãos pelos cabelos cada vez mais grisalhos – Levando em consideração a vida que eu levei, eu sou o homem mais sortudo do mundo.
—Fico feliz por você e Emily. Eu fui na loja dela hoje de manhã. Sua filha é muito bonita, apesar de não se cuidar muito.
—Ah, é a maternidade. Não é nada fácil cuidar de gêmeos.
—Você segue bonitão. Emily está linda também. Eu amei as tatuagens dela.
—Eu também. Ela tatuou minhas costas de novo. As iniciais dos nossos filhos. – riu ele.
—Emily é boa com essas coisas. – riu ela.
—É mesmo. – Rabastan soltou um suspiro – Como está a sua filha? – perguntou ele.
—Está bem. Arrumou um emprego no Ministério. Ela é bem ambiciosa. – suspirou ela – Allan estaria orgulhoso, porque além de tudo, ela ainda tem a banda dela.
—Lembro que o Corey era bem chegado em música... – riu ele – Eu tinha uma relação de admiração e ódio com o Corey...
—Por que? – perguntou ela.
—Por sua causa. – riu ele e Adhara o olhou surpresa – Agora me sinto mais a vontade pra falar isso, mas... eu adorava o Corey pelo talento no quadribol. Ele foi meu mentor, sabe? Mas eu morria de ciúmes de você com ele. Eu queria ser seu namorado...
—Poderia ter sido. – respondeu Addie olhando para Polaris e Rigel, que voavam animados pela sala – Se tivesse mudado antes... eu gostava muito de você. Só não me permitir te amar por conta daquela sua obcessão pelo Lorde das Trevas.
—Amar não é uma coisa que permitimos ou não. – riu Rabastan – E nós dois concordamos que nunca daríamos certo. – adicionou ele passando o braço ao redor dos ombros dela – Mas você vai ser sempre meu primeiro amor, sabe? – riu ele a beijando na têmpora.
—Você o meu... – murmurou ela sorrindo – Se Emily não fosse minha amiga, eu juro que eu tentaria alguma coisa com você de novo.
Rabastan sorriu pra ela.
—É, sei. Nunca conseguiu resistir ao meu charme. – riu ele. Adhara o acertou um tapa na cabeça, mas sorriu.
—Seu convencido.
Rabastan sorriu achando graça.
—E Lupin? Ele está viúvo, não está? – perguntou ele.
—Sim... mas... não sei... – riu ela – Acha que eu deveria investir em Remus? Nós somos apenas amigos...
—Eu não gosto dele, mas você gosta, não é? – perguntou Rabastan. Addie suspirou.
—Bem. Não vim aqui falar sobre romances, em todo o caso.
—Não? – perguntou a olhando – Pra que foi então?
Adhara respirou fundo.
—Eu vim te fazer uma proposta.
—Que proposta? – perguntou ele.
—Eu quero te vender o Largo Grimmauld. – respondeu ela. Rabastan piscou, chocado.
—O que?
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