Legado Lestrange II - Legacy
67 Crazy
Notas iniciais

Capítulo 67
A joker is a little fool who is different from everyone else. He's not a club, diamond, heart, or spade. He's not an eight or a nine, a king or a jack. He is an outsider. He is placed in the same pack as the other cards, but he doesn't belong there. Therefore, he can be removed without anybody missing him.
Rigel olhou para o homem que o amarrava no equipamento de tortura e soltou um muxoxo, como se estivesse achando tudo um grande exagero desnecessário. Depois ele olhou para ela, como se achasse que ela tivesse exagerado também.
—Isso é mesmo necessário?
—O que? O guarda ou a camisa de força? – perguntou Emma Rosier com desdém.
—Hum... – Rigel olhou para o guarda como se pensasse a respeito. Depois a olhou com aquele mesmo olhar que dizia “tudo isso é um exagero sem sentido” – Ambos... – ele passou a língua nos lábios cortados e suspirou – Eu esperava ter você só pra mim...
—Pfff... – riu com desdém, revirando os olhos – O oficial de segurança Lyle Strong está presente devido ao incidente da noite passada. – Rigel olhava dela para Strong como se estivesse levemente confuso, mas então foi a vez dele rir com algum desdém e deboche.
—Lyle? – perguntou ele olhando para Strong com aquele sorrisinho insolente. – Esse... – ele a olhou e sussurrou, como se Strong não pudesse escutá-lo, esticando a cabeça para perto dela – Esse é um nome de garota... – ele olhou para cima, como se estivesse imaginando algo – Se eu e você tivermos uma filha, é assim que eu quero chamá-la... – ele deu outro sorrisinho e então olhou debochado para Strong – Lyle. – Strong olhou furioso e corado para Rigel, que fingiu se importar com o fato que ele parecia ter se ofendido – It’s a complement...
—Lestrange... precisamos conversar sobre o que aconteceu noite passada. – ralhou Emma, suspirando, pedindo paciência. Desde que Hesse tinha feito a caminhada da vergonha com Alhena Burke, Rigel não parecia ele mesmo. O homem tinha simplesmente enlouquecido, o que era ruim para os negócios. Ninguém conseguia fazer os cérebros se regenerarem tão bem quanto ele...
—Oh... somos amigos de novo, então? – perguntou ele com um sorriso cafajeste, apesar de seus olhos estarem injetados de insanidade. Ele esticou o corpo para perto dela e Strong o empurrou contra a mesa de tortura.
—Fique quieto, Lestrange.
Ela notou que Rigel não gostou do ato e ela não gostou nem um pouco do modo como os olhos dele faiscaram.
—Nós não vamos tolerar esse tipo de comportamento. – disse o olhando com seriedade – Você esteve envolvido com o que aconteceu com Buckhard?
—Não sei do que você está falando... mas se quiser fazer algo a respeito do Lyle aqui... eu posso te ajudar. – riu ele se esticando para Strong, que o empurrou contra a mesa novamente.
—Fique quieto. – rosnou Strong e Rigel pareceu ainda mais enfezado, como se estivesse tentando conter uma grande fúria dentro de si... ele provavelmente estava mesmo, mas ela duvidava que fosse apenas sobre Lyle...
—Sabe como a sua situação pode piorar se você estiver envolvido com o que aconteceu com Buckhard? Creed não vai ficar nada feliz quando voltar...
—Sabe o que é engraçado sobre o Creed? – perguntou Rigel sorrindo de maneira cruel – É que eu não acho que ele vai durar muito tempo por aqui...
—Me ajude a te ajudar, Lestrange. Você não se envergonha de assassinar um companheiro de causa? – perguntou ela franzindo a testa.
—Por que? Você sim? – perguntou ele – Até onde eu sei... isso tudo não tem nada a ver com sangue... – ele deu uma risadinha e ela revirou os olhos, apesar de uma parte de si mesma saber que aquilo era verdade... não tinha nada a ver com sangue, mas com dinheiro...
—Eu acho que você enlouqueceu... mas eu acredito que aquele Rigel Lestrange que eu conheci ainda está aí dentro... – disse empurrando a testa dele – Em algum lugar... no seu subconsciente...
—Não queira saber o que passa no meu subconsciente, Emma... – ele se esticou para se aproximar dela – Minhas horas acordado já são ruins o bastante!
—Último aviso antes de te descer o cacete, Lestrange! – rosnou Strong o puxando com violência para a mesa. Rigel respirou fundo, parecendo enfurecido. O lábio dele até repuxou...
—Por que não tentou fugir depois que saiu da sua cela, Lestrange? – perguntou muito séria.
Rigel ficou em silêncio, mastigando a língua, respirando fundo. Depois de algum tempo ele suspirou e a olhou parecendo simplesmente louco.
—Eu contarei tudo o que você quiser saber... – disse ele olhando de maneira ameaçadora para Strong – Assim que você dispensar o gorila. – ele lambeu os lábios e respirou fundo olhando ao redor, parecendo completamente fora de si – Eu quero... que ele... saia... – ele olhou dela para Strong – E-eu quero... eu quero que ele saia. – resmungou ele várias vezes.
Respirou fundo olhando Lestrange e então mirou Strong.
—Strong, pode nos dar um minuto? Está tudo bem. – murmurou ela.
Lyle a olhou surpreso e soltou um muxoxo.
—Tem certeza, Srta. Rosier?
—Sim, pode sair. Ele está amarrado e preso de qualquer maneira... e sem varinha.
Rigel acompanhou Strong com o olhar e um sorriso vitorioso e desdenhoso no rosto, como se tivesse conseguido a melhor coisa do dia. Depois ele a olhou e lhe lançou um sorrisinho, como se fossem cúmplices de algum segredo.
—Eu não quero fugir. – disse Rigel com aquele mesmo sorriso – Esse é meu lar... eu moro aqui. Tenho tudo o que eu preciso aqui... eu tenho comida, um teto, minha varinha, adorável companhia... – riu ele a olhando com divertimento – Não. Eu não tenho motivos pra fugir. Sem falar que eu sou um médico... eu quero ajudar você... afinal, isso aqui é uma terapia, não é?
—Não sou eu quem precisa de ajuda, Lestrange.
—Não diga isso... todo mundo precisa de ajuda, às vezes. – disse ele a olhando nos olhos. Cruzou ao braços e se aproximou um passo.
—E no momento é você.
—Por que você ainda está aqui? – perguntou ele a olhando com desconfiança. Emma piscou surpresa – Em qualquer relacionamento... este seria o momento de fazer as malas, mudar a fechadura e cair fora... – ele a olhou dos pés à cabeça – E ainda assim, aí está você... porque se você não notou... um homem está morto por sua causa... você quem me trouxe pra cá, Emma... todas as gargantas que eu cortar aqui... serão todas culpa sua.
—Você não vai me fazer... – começou.
—Responsável? – perguntou ele a cortando – Eu acho fofo que estamos terminando as frases um do outro agora... – debochou ele. Os dois se encararam por alguns segundos, até que ela desviou o olhar.
—Você é insuportável.
Ele revirou os olhos e sorriu.
—Isso me fez recordar... de dois sonhos que eu tive na noite passada. – ele pareceu bastante animado ao falar aquilo, sorrindo de maneira lunática – O primeiro... tinha você... – ele a olhou de maneira sugestiva, mas em seguida ele fingiu desconcerto – Mas... obviamente este não é o melhor momento para mencionar isso... – ele suspirou e ela revirou os olhos – No segundo... eu fui caçar ursos, com o meu cunhado... o que é engraçado, porque meu cunhado não caça. O pai dele quem caça... mas de qualquer maneira... – ele deu uma risadinha. – Nós estávamos caçando... no Zoológico de Londres. Onde mais eu encontraria um urso? – perguntou ele como se a resposta fosse óbvia. Ele respirou fundo, juntando o fôlego e ela não conseguia pensar em outra coisa além de que ele a estava fazendo perder tempo – E... não demorou muito para um grande urso cinzento entrar no meu campo de visão. Então eu peguei minha varinha... – ele se remexeu todo, olhando para um ponto atrás dela – Mirei... e... BAM! – gritou ele de uma vez e ela até se assustou – Um feitiço estuporante certeiro. – soltou um muxoxo, impaciente – Eu e Damian andamos até ele... e eu saquei a adaga que meu pai me deu no meu aniversário de quinze anos. Uma relíquia da família, de acordo com ele... e com a adaga, eu comecei a cortar o urso. – e então Rigel franziu a testa, parecendo confuso – E então... então algo deu errado... – ele fez uma pausa – Aquilo não era mais um urso... era um homem vestindo uma fantasia de urso... – ele respirou fundo, parecendo até mesmo assustado e Emma deu passo para trás... – e eu não estava mais no zoológico... eu estava num parque temático... e tinha crianças correndo e gritando por todos os lados... e então eu pensei... – ele estava completamente agitado, como se estivesse com medo, mas então... então ele deu de ombros, parecendo completamente indiferente – E eu pensei: Por que parar agora? – ele deu uma risadinha – Eu o amarrei no capô do meu carro e levei até meu chalé... e... – ele sorriu e a olhou de maneira intimidadora, com um sorriso cheio de segundas intenções – Eu terminei de esfolá-lo. Para fazer um tapete de urso... para minha lareira.
Ele ficou em silêncio, a encarando, com aquele sorrisinho louco.
—Você acha que isso é um jogo? – perguntou zangada. Mas ele não respondeu – Eu estou arriscando a minha integridade física, tentando entender o que raios está passando pela sua cabeça! E o que você faz por mim?!
Mas a porta se abriu e Strong e Maokai entraram, parecendo enojados com alguma coisa.
—Precisamos tirar o Lestrange daqui agora. – rosnou Maokai.
-Por que? – perguntou Emma, sem conseguir esconder o tom preocupado. Pigarreou, coçando a garganta e perguntou num tom mais profissional – O que houve?
—Encontramos o corpo de Creed no escritório do Hesse. – explicou Maokai e Emma ficou boquiaberta.
—O que?
—Pois é... – murmurou Maokai, parecendo assustado – E ele estava completamente sem pele... nojento. – Maokai olhou para Rigel, que olhava confuso para eles – Eu sei que tem dedo seu nisso, Lestrange! Nós vamos interrogá-lo, no escritório do Hesse.
—Eu? – perguntou Rigel, parecendo completamente perdido – Eu estava com ela o tempo todo... – disse ele caminhando, completamente livre da camisa de força, em sua direção. Emma se afastou em choque e Rigel coçou o queixo, como se tivesse pensando em algo que tivesse acabado de cogitar. Maokai e Strong vieram para cima dele e ele deu um sorriso divertido – Ops... acho que sou sonâmbulo! – ele começou a ser puxado para fora da sala, gargalhando alucinadamente, a olhando com diversão, enquanto ela o olhava completamente chocada. Como raios ele tinha se soltado?! – A boa notícia, Emma... é que eu não ronco! – e então ele foi gargalhando de lá até o escritório de Hesse...
—Ele realmente vai deixar todo mundo louco aqui... – sussurrou pra si mesma.
*
Não era a primeira vez que acontecia. Toda semana tinha um caso novo. Começaram com xingamentos, ofensas, briguinhas... Navi lembrava perfeitamente de como tinha sido com Draconis. Começara com os xingamentos, os empurrões e os olhares também...
Mas daquela vez não tinha nada a ver com homofobia. Daquela vez tinha a ver com sangue.
Se McGonagall não queria ver sangue e guerra dentro da escola... bem... ela estava falhando miseravelmente em conseguir evitar aquilo.
A bola da vez era Lisa Wilson, nascida trouxa, azarada pelas costas. Ela não viu quem a azarou, mas se lembrava de escutar uma voz feminina debochando e a chamando de sangue ruim. Mas ela não foi a primeira. Rob Grayson, Myrcella Thompson, George Morrinson, Paul Crew...
E a lista crescia cada vez mais.
Harry pediu para que ficasse de olho na reação do professor novo, a cada ataque, mas o professor parecia simplesmente não ver.
O professor Lupin e o professor Longbottom estavam fazendo de tudo para tentar melhorar a situação, mas era simplesmente impossível. A tensão estava ali e não havia nada que pudessem fazer para impedi-la de estourar... e a cada semana ela estourava mais um pouco.
Pensou que com o natal as coisas começariam a acalmar... mas estava redondamente enganado. A agressividade começou a crescer e ele viu vários alunos enviando cartas para os pais, dizendo que Hogwarts estava fora de controle.
E ninguém nunca via os agressores. Quando alguém chegava no local, só encontravam o nascido trouxa machucado e precisando de cuidados... mas nunca conseguiam pegar os responsáveis... simplesmente nunca.
Ele viu a pobre diretora parecer envelhecer anos naqueles meses e todo mundo teve certeza de que as coisas iriam piorar... Seu pai lhe mandou uma carta, mas não foi o único a recebê-la. Os Weasley e os Potter também receberam. Algumas outras famílias influentes também. McGonagall não seria mais a diretora de Hogwarts... ela ficaria apenas até o natal, depois seria afastada por mostrar-se incapaz...
E quando disseram que o Ministério iria escolher um substituto, os nascidos trouxas se desesperaram ainda mais... Navi tinha certeza de que muitos deles não voltariam do natal. Muitos deles fugiriam da escola, para suas casas, renunciando à magia... torcendo para que a guerra não chegasse até eles.
E a cada dia que passava, sentia o gosto de uma impotência sem fim na boca.
—Não podemos fazer nada. – lamentou abraçado com Les, antes de dormir – Simplesmente temos que aceitar que não passamos de um monte de...
—Eu acho que você pode fazer alguma coisa, Navi. As pessoas escutam você... – murmurou Les se sentando em seus quadris – As pessoas te admiram.
—Meu pai me mandou ficar longe de encrenca e ser discreto... você me pediu isso e a Lyra também... e o que raios nós podemos fazer? – perguntou ele – O que eu poderia fazer?
—Eu realmente não sei.
E no dia seguinte, Rose Burton lhe deu uma ideia.
—Navi. Vem comigo. É importante. – disse ela, determinada.
E Rose Burton tinha um plano. (A Corvina com um plano... quer algo mais clichê do que isso?)
—O que tem em mente, Rose? – perguntou enquanto estavam sozinhos na Torre de Astronomia.
—Um discurso. Você vai fazer um discurso. – disse ela.
—Um discurso? – perguntou levemente decepcionado.
—É, eu também não levava fé que algumas palavras poderiam fazer diferença, até que você transformou seus “falsos furúnculos” em uma lição de moral... e acredite ou não, deu certo. Madame Pomfrey me falou que a procura por poções higiênicas aumentou absurdamente. Todos estão com medo dos seus furúnculos.
—Eu não tenho furúnculos. Não são MEUS furúnculos! – resmungou contrariado com aquela história... no dia em que descobrisse quem foi o engraçadinho que tinha inventado aquilo... aaaaah... ia pagar caro – E eu não acho que as pessoas vão perder o tempo delas me escutando falar sobre a Causa Puro Sangue... só vão começar a me chamar de traidor de sangue.
—Não sei. As pessoas, além de te respeitarem, têm medo de você. Você é Navi Lestrange!
—Eu meio que chorei naquele dia do clube de duelos... – murmurou envergonhado.
—Sim, eu me lembro. Eu nunca vou esquecer e um dia contarei para os seus filhos... mas as pessoas seguem tendo ressalvas para mexer com você. Você é a voz que precisamos aqui dentro, Navi... um discurso bonito, com seu rosto bonito e seu jeito cativante... logo antes do Natal...
—Você escreveu o discurso? – perguntou ainda sem levar muita fé naquilo.
—Sim. Eu e a outra Rose. A namorada do Scorpius. – Rose sorriu agitada – Se conseguirmos fazer com que Brontë e o grupinho delas nos ajudem... vai ficar ainda melhor pra nós. Elas são super populares, sabe? Seriam os últimos anos da Sonserina em peso, nos apoiando. O meu ano da Corvinal, pelo menos as meninas salvam... e o sexto ano da Grifinória também, além da Lufa-Lufa quase inteira. Somos maioria, Navi. Isso vai dar certo. Só precisamos do trio das trevas do nosso lado...
Mordiscou o lábio, desesperançoso.
—Acho mais fácil beijar a Lula Gigante do que convencer aquelas três a nos ajudarem com o que quer que seja... – resmungou.
Mas ele foi tentar assim mesmo. Começou por Trixie, que era a menos escrava de Florence.
—O que? E me tornar traidora de sangue na atual conjectura? Está louco?
—Vamos, Trixie. Você não acha que esse pensamento é injusto? As pessoas estão se machucando por algo tão injusto! – disse Navi. Trixie cruzou os braços.
—Vai falar pra mim sobre pessoas se machucarem por isso? Esqueceu o motivo que me fez vir pra cá? – perguntou ela, parecendo triste – Minha mãe foi assassinada pelo governo por se apaixonar... e o Marshall era um cara super legal...
—Pois é. E Grã Bretanha está perto de ficar do mesmo jeito. Precisamos nos articular pra impedir isso de acontecer. Por favor, Trix...
A garota revirou os olhos.
—Ok... ok... eu prometo não atrapalhar seus esquemas e sorrir com aprovação na hora, ok?
—Já está ótimo. – riu Navi.
Depois era falar com Florence, porque se ela cedesse, Mellody cedia.
—Vamos, Florence.
—Aaaah... agora o gostosão lembrou que eu existo, né? – ralhou ela colocando os livros nas estantes, na biblioteca – Fez um trato comigo, me abandonou, arrumou uma namoradinha ridícula e agora vem me pedir favores. Hunf.
—Florence... eu me apaixonei. A gente não tem controle sobre essas coisas. – murmurou ele. Florence se virou para encará-lo com os olhos fulminantes. Precisou de todas as forças para não ficar agindo feito bobo.
—Vai ter que fazer algo por mim primeiro.
—O que? – perguntou desesperado.
—Termine com Lessa.
—Mas de jeito nenhum! – ralhou ele.
—Então nada feito. – disse ela se virando.
—Vamos Florence. Tem outra coisa que você queira?
Ela sorriu e o olhou com um sorrisinho cruel.
—Eu quero que me beije. Agora. Nos lábios. De língua. Um beijo de roubar o fôlego.
—Florence. Eu estou comprometido. – lamentou. Ela então deu um sorrisinho.
—Então eu sinto muito, mas está por conta própria. – riu ela se virando para sair. Soltou um muxoxo, furioso. Era apenas uma missão. Era necessário. Falaria com Les em seguida e ela iria entender. Puxou Florence pelo pulso e a beijou entre as estantes da biblioteca. Florence envolveu seu pescoço e levantou a perna. Segurou a coxa dela, para prensá-la na parede, desesperado para não perder a lucidez com o cheiro dela. A beijou por longos minutos antes de se afastar. Ela sorriu vitoriosa e lhe apertou a bochecha – Conte comigo.
Mais tarde, depois de contar para Les e levar uma joelhada nas bolas, foi falar com Rose. Estavam na Casa da Árvore, a sala escondida atrás do espelho. Segurava uma bolsa de gelo, em seus países baixos, enquanto Rose lia o discurso que tinha feito.
Era bom. Era bonito. Mas ele iria precisar de uma oportunidade daquelas para falar... Mas Rose já tinha pensado nisso também.
—Eu falei com o professor Slug. Bem, a outra Rose falou, eu não sou do grupo dele – riu Rose – Ele vai fazer um show de talentos logo antes do natal. Todos vão estar aqui pra te ouvir discursar. E ninguém vai poder te interromper, afinal, é pela arte. – riu Rose – McGonagall, Lupin e Longbottom vão deixar que você fale até o final.
Navi soltou um suspiro, concordando com um aceno de cabeça.
—Ok. Só me dê o texto preu decorar. – resmungou ele.
**
—Titia! – riu Emma se levantando para abraçar a tia. Tia Eve sorriu e a abraçou de volta – Estava com saudades. Nunca mais apareceu lá na empresa.
—Eu sei, querida. – riu tia Eve se sentando na cadeira. Estavam no escritório do Ministério, onde Emma tinha ido visitar a tia – Mas está tudo tão corrido... e eu acho que Hesse está me passando a perna. Ninguém nunca mais me contou as coisas importantes.
—É como a senhora disse... as coisas estão ficando corridas. – murmurou Emma – Nós estamos com um problema, tia.
—O que houve?
—Rigel Lestrange. – murmurou Emma, fazendo com que sua tia a olhasse com muita atenção – Eu acho que Hesse exagerou com ele. Rigel está completamente instável e...
—Rigel? – perguntou sua tia com um sorrisinho.
—Oh, titia, pare. Nós já tivemos essa conversa. – riu Emma, corando de leve – Sim, ele é muito bonito e realmente fascinante... mas...
—Oh, você está caidinha por ele. – riu sua tia.
—Não estou, titia, pare com isso. Eu me preocupo com ele sim, porque ele é vital para nosso empreendimento. Ninguém é tão bom quanto ele na hora de regenerar os cérebros. – explicou Emma. Sua tia concordou com um aceno de cabeça, parecendo concentrada.
—Rigel é um excelente medi-bruxo, realmente... – murmurou ela – Me diga, querida. Você pode me fazer um favor? – perguntou ela.
—Claro, tia, sempre.
—Eu quero levar um dos nossos principais patrocinadores na empresa, sem que Hesse soubesse. Mas isso pode ser um tanto difícil, levando em consideração que ele é o fiel segredo do lugar todo.
—Está se referindo ao seu namorado? – perguntou Emma sorrindo animada. Tinha ouvido falar que Draco Malfoy era um homem muito bonito, charmoso, romântico e promissor. A imprensa bruxa não falava em outra coisa além do possível romance dos dois – Ele é tão bonitão quanto todo mundo diz.
—Oh... ele é um sonho. – riu sua tia – E incrivelmente rico. Ele já fez generosas doações para nós, então eu acho que ele merece ver como funciona nosso estabelecimento.
—Você acha uma boa? Ele pode achar um tanto... radical. – murmurou preocupada.
—Não se preocupe. Draco sabe que não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos. – disse sua tia dando de ombros – E então? Você pode me ajudar com isso?
—Bem... na verdade, sim. – murmurou Emma olhando dentro da bolsa – Aqui. Tome. – riu ela.
—O que é isso? – perguntou sua tia.
—É o papel com o endereço. Hesse me entregou um quando eu tive que levar o Rigel para lá, sabe? Mas eu preciso falar sobre ele... Hesse quer matar o Rigel... não teria como... você tentar convencê-lo a não fazer isso? Eu tenho certeza que posso ajudar o Rigel se me derem mais tempo. Ele só está em choque pós traumático. Pelo que aconteceu com a irmã dele.
—E o que aconteceu com a irmã dele? – perguntou sua tia, curiosa.
—Ah... Hesse fez um dos showzinhos dele. – disse Emma dando de ombros e sua tia não pareceu gostar nada daquilo.
—Alhena Burke está morta?
—Não... pode-se dizer que não. – murmurou Emma – Mas ao mesmo tempo, podemos dizer que sim. Quando você vier nos visitar, você poderá ver. Hesse não vai estar amanhã. É dia de falar com o chefe dele.
—Ah, sim. O chefão. – riu sua tia.
—Já descobriu quem é, tia? – perguntou Emma, curiosa. Sua tia soltou um suspiro.
—Eu sou apenas o rosto da revolução, Emma. Não me chamam pra essas coisas. Apenas decidem as coisas por mim. Mas um dia eu vou começar a decidir por mim mesma, afinal, eu sou a Chefa da Corte dos...
—Não, tia. Você não pode! – ralhou Emma e recebeu um olhar curioso da tia – Esqueceu do que eles falaram que iriam fazer caso... caso você não andasse na linha?
Sua tia deu um sorrisinho.
—Claro que não. Não se preocupe. Eu falei por falar... – disse ela lendo o papel com o endereço – Eu preciso ir. Vamos marcar de sair, ok? Almoçar ou jantar, ok?
—Ok... – murmurou olhando para a tia – Você está apaixonada por esse Draco, tia?
—Uma mulher como eu não pode se apaixonar, Emma. E precisa desconfiar de tudo.
—Uma coisa é o nosso dever, outra é o que acabamos fazendo. – riu Emma. Sua tia sorriu para ela e negou com o rosto.
—Eu fiquei deslumbrada no início, mas já passou. Só que eu não posso deixar o dinheiro do Malfoy ir embora. Nós precisamos dele... então deixa ele pensar que estou perdidamente apaixonada por ele...
Emma sorriu e concordou com um aceno de cabeça.
—Posso te contar um segredo, tia?
—Querida, você sempre pode me contar seus segredos.
—Eu não segui o seu conselho, quando eu fui capturar o Lestrange... eu não resisti e transei com ele... – murmurou Emma e sua tia lhe lançou um sorrisinho censurador – Não consigo esquecer, agora. Foi a foda da minha vida... pena que ele tá ficando maluco... mas... mas eu penso que... se seu conseguir ajudar o Rigel, talvez... talvez ele possa... ele já está mostrando algum interesse sabe? No meio dos devaneios insanos dele.
—Cuidado, Emma. – riu sua tia – Os Lestrange não são conhecidos por perdoarem os outros... e você meio que sequestrou ele.
—Eu sei, eu sei... mas... é como eu disse... uma coisa é o nosso dever, outra é o que acabamos fazendo...
***
Alhena estava sentada numa cadeira. Lestrange a tinha amarrado ali com a própria camisa, afinal ela não conseguia ficar sentada sozinha ali. Ela poderia cair. Rigel estava sentado na outra extremidade da mesa, a encarando.
—Ei, Lena. – riu Rigel. Maokai o olhava com alguma preguiça. Rigel Lestrange estava completamente louco – Quer ver um truque de mágica? – ficou um pouco tenso, afinal ele não deveria estar com a varinha. Maokai estava de pé, do lado oposto a Rigel, de olho no medibruxo, para que ele não cortasse a garganta de outra pessoa. Estavam todos com receio daquele homem, mas Emma Rosier insistia que poderia ajudá-lo... E por algum motivo Hesse acreditava nela – Eu tenho aqui um baralho... – riu Rigel e Maokai reconheceu o baralho de poker dos medibruxos. O cretino devia ter afanado um dos baralhos – Vem cá. – riu Rigel, olhando pra ele – Escolha uma carta. – Maokai soltou um suspiro, mas deu de ombros, indo até ele e pegando uma carta. A guardou no bolso, sem nem mesmo olhá-la. Rigel sorriu daquele jeito detestável e começou a embaralhar as cartas várias vezes – Você sabe que se você embaralhar sete vezes um baralho, a ordem fica completamente aleatória? – ele deu um sorrisinho lunático – É necessário muito trabalho para deixar as coisas aleatórias... – ele embaralhou as cartas mais uma vez – É como a vida. Sabe... a vida se trata de como jogamos as cartas que nos são dadas. Porque não existem mãos ruins... apenas péssimos jogadores. – ele embaralhou mais uma vez – Algumas pessoas usam cartas para ler o futuro... Lena fazia isso... mas aposto que não viu que isso aconteceria, não é mesmo, Lena? – riu ele para irmã e Maokai sentiu um arrepio novamente. Ele tinha sido um dos que tinham se divertido com ela na frente do Lestrange. Sabia que a insanidade daquele bruxo era parte por mérito seu – Eu não trabalho assim... Isso é muito previsível. Qual é a graça de se fazer as coisas se você já sabe o que vai acontecer? – Maokai deu de ombros e Rigel continuou – Sempre acabamos tendo que fazer escolhas... um ou outro. E muitas vezes acabamos com a corda no pescoço.
—Do que está falando, Lestrange?
—Do Strong... ele pode estar com a corda no pescoço... ou não. – riu ele de maneira cruel e Maokai sentiu um arrepio lhe subir a espinha – Sabe, Strong é o exemplo perfeito do que eu quero dizer... digo... – Lestrange colocou o baralho em cima da mesa e ficou olhando para a irmã – Você acha que ele viu isso nas cartas? Não... eu não tenho que descobrir que carta está com você, Maokai. Eu tenho que descobrir qual carta não está com você. – riu ele pegando o baralho novamente. – Então deixe-me colocar minhas cartas na mesa. – ele começou a separar algumas cartas aleatórias do baralho – Ver onde você está na pilha. – ele largou o baralho, ao lado do montinho de cartas que ele tinha separado e então o olhou com um sorriso divertido – Porque cada carta tem um significado. – explicou Rigel – Copas são para sentimentos. – explicou Rigel tirando um quatro de copas do montinho. O bruxo amassou a carta para que ela ficasse de pé na mesa – Espadas são a inteligência – explicou ele tirando outra carta, que por coincidência era um quatro de espadas, a deixando de pé como tinha feito com a última – Ouros são para prosperidade – disse ele tirando um quatro de ouros e o colocando de pé em cima da mesa – E paus serve para mostrar poder – murmurou ele tirando um nove de paus do monte. As quatro cartas ficaram de pé, na mesa e Maokai as observou curioso – Ou para foder, como preferir. – riu ele derrubando as cartas e pegando o monte grande – Vamos ver o que temos aqui... você é do tipo ricaço, como Draco Malfoy? – perguntou ele tirando uma carta do monte, aleatoriamente e Maokai viu que era um rei de ouros – Hum... – Rigel o olhou dos pés da cabeça e riu com desdém – Não, não... – e então ele jogou a carta pra cima – Talvez você faça o tipo do Hesse... – murmurou ele pegando a próxima carta, que era um rei de paus – Nhe... eu não achei que fosse. – riu ele partindo a carta ao meio. – Obviamente não é a Emma Rosier. – riu ele sacando uma rainha de copas – Então talvez você seja o Harry Potter... – riu Rigel segurando agora um rei de espadas – Não? Ok. – ele jogou as cartas pra cima – Ronald Weasley? – perguntou ele tirando o valete de paus – Não? – mais uma vez ele jogou a carta pra cima e pegou a próxima – Talvez o meu cunhado? – perguntou ele pegando o valete de ouros – Ou o meu pai? – perguntou pegando o valete de espadas – Não, não, não... – riu Rigel jogando as duas cartas pra cima – Ou Ted Lupin? – perguntou mostrando o valete de copas – Claro que todas essas cartas são cartas com desenhos... você precisa merecer pra ser uma carta com desenho... e eu acho que não é o seu caso. – riu Rigel pegando o monte novamente e atirando as cartas enquanto falava os nomes – Temos todos os Lyles, todos os Creeds, todos os Currewl... – dizia ele jogando as cartas no chão. Cartas aleatórias e sem desenhos – O açougueiro, o padeiro, o cara que planta narciso. – disse ele repetindo o gesto, mas então ele simplesmente jogou as cartas para cima, todas elas, e ficou de pé. Maokai ficou alerta e Rigel veio se aproximando com aquele olhar ameaçador – As massas indefinidas... então qual deles é você, heim? O que é necessário para separar você de todos os outros? Pra te fazer se destacar? Antes que você desapareça com o resto dos números? – Rigel estava agora parado há cinco passos dele. O bruxo deu um sorrisinho o olhando daquele jeito que transpirava insanidade – Só tem uma carta que faz toda a diferença – explicou Rigel sorrindo e olhando para ele – Ela não adiciona ou tira das outras. Ela apenas é. Ela apenas está lá, existindo... – e então Rigel balançou a mão e uma carta simplesmente apareceu na mão dele, como se ele a tivesse conjurado. E era a carta coringa. Rigel a mostrou para ele com aquele sorrisinho terrível – Tem uma em todos os baralhos. – riu Rigel lhe mostrando a carta e lambendo os beiços – E ela sempre aparece quando você menos espera. Se quiser saber a minha opinião... devera ter mais coringas no baralho. – disse ele olhando para a carta, para em seguida começar a gargalhar. Ele riu tanto que até se curvou sobre a própria barriga. – Mas ok, chega disso. Eu tenho trabalho a fazer, não é mesmo? – perguntou Rigel e Maokai o olhou desconfiado. Rigel se aprumou e olhou para carta e então para ele – Aliás... essa era a sua carta?
—Não sei... – murmurou Maokai pegando a carta do bolso e olhando para ela – Era o ás de espadas, idiota. – respondeu com um sorriso no rosto, mas assim que voltou a olhar para Lestrange, seu sorriso morreu, afinal o bruxo estava com a varinha de Lyle na mão.
—Ta-dá!
—Não! Espere!
—Avada Kedavra!
Um raio verde e então... nada.
****
—Eu não quero saber, Potter. Eu vou. – rosnou Draco.
—E eu vou levar o Damian também. – disse Rasalas.
—Mas... mas Malfoy, você é um espião. Pode prejudicar seu disfarce... e Rasalas, o Damian não é nosso aliado. – explicou Potter. Mas Draco não estava se importando.
—Eu estou cagando para o meu disfarce. Foi graças ao meu plano que conseguimos descobrir o fiel segredo. Quem teve que ficar se esfregando e enrolando a idiota da Rosier fui eu. Eu quero ir e eu vou ir, não me interessa o que você pense. – rosnou Draco.
Potter soltou um suspiro.
—Ok, ok... como quiser. Mas pelo menos vamos tentar mudar o seu rosto, pra que eles não te reconheçam. – disse Potter. Draco concordou com um aceno de cabeça – E ok, pegue o Damian. Vamos todos pra sua casa, antes de ir pra lá.
—Quem vai invadir o local? – perguntou Addie, ainda usando o disfarce de Rosier.
—Eu, Rony, Luna, Draco, Burke, Rasalas, Ted, Fred, Gina e Hermione. – explicou Harry – Se preparem. Nos encontraremos em dez minutos no Rasalas. Ras, leve o Damian pra lá caso ele queira mesmo participar.
—Ok.
Logo estavam todos aparatando da Mansão Malfoy e indo para a casa de Rasalas. Foram dez longos minutos de espera, onde a cada momento aparecia um membro novo para invadir o local que provavelmente estava Alhena.
Draco estava andando de um lado para o outro e quando Damian e Rasalas chegaram, todos se encararam com grandes expectativas. Harry entregou o pedaço de pergaminho para cada um deles, que leram as palavras com a localização do lugar.
—Estão prontos? – perguntou Harry, esquecendo que tinha decidido mudar o rosto de Draco para a missão. Preferiu assim, era menos tempo a perder. Todos concordaram com acenos de cabeça – Lá deve ter muitos reféns. E guardas. Tomem cuidado. Nós levaremos todos para o Instituto Sirius Black, para interrogatório. Devemos ficar o menor tempo possível lá, entenderam? – todos concordaram com um aceno de cabeça – Ok. Então... então vamos.
E todos aparataram. Estavam no meio de uma floresta e na frente deles havia um prédio baixo, porém comprido. Se aproximaram cautelosos e logo Draco viu alguns altares de manipulação espacial.
—Criam chaves portais aqui. – murmurou Draco.
—Provavelmente para mover o Sangue de Profeta. – arriscou Granger.
Avançaram estranhando a pouca movimentação. Um calafrio lhe subiu a espinha, mas quando Potter abriu a porta, todos entraram prontos para duelar... mas nada que tivesse feito o prepararia para aquela cena. As paredes estavam todas tingidas de vermelho. Corpos haviam sido explodidos e haviam claros sinais de luta ali.
—O que raios... – murmurou Draco.
—Eu vou procurar o Rigel. – murmurou Rasalas, parecendo chocado.
—Eu vou com você. – disse Damian.
Ficou parado um tempo e logo escutou alguém vomitar lá atrás. Logo notou que tinha sido seu primo Ted. Respirou fundo, sentindo o desagradável cheiro de morte. O férreo cheiro de sangue, misturado com carne queimada e fezes. Engoliu em seco, segurando a vontade de vomitar também. Nunca tinha tido muito estômago praquele tipo de coisa. Foram todos andando, procurando por alguém que gritasse... alguém que estivesse vivo.
Foram olhando porta por porta, mas só encontraram cadáveres. A vontade de vomitar foi aumentando, devido ao cenário e ao cheiro. Mas estava determinado a encontrar Alhena. Nem que fosse um corpo para enterrar.
Ela está viva. Ela está viva. Ela precisa estar viva...
Andou escorregando de leve, por conta de todo aquele sangue no chão. Andou até o último quarto no corredor e viu que era um quarto limpo. Tinha um homem morto na porta, e uma mulher amarrada na cadeira, de costas para toda a carnificina. Os cabelos soltos e brancos, a pele ressecada e mole.
—Lena? – perguntou com um peso no estômago. Andou até ela e deu a volta, para olhá-la nos olhos. Ela estava amarrada à cadeira com uma camisa. – Diffindo. – murmurou cortando o tecido e Alhena caiu molemente em seus braços – Lena? Sou eu. Eu vim. Eu disse que vinha! – disse com um sorriso incontido no rosto. Mas ela não respondeu. Ela nem deu sinal de que o tinha escutado. Engoliu em seco, assustado. Colocou dois dedos no pescoço dela, pra sentir a pulsação. Ela estava viva, apenas... apenas aérea – Lena. Sou eu, Draco. – disse assustado. Todos tinham dito que ela tinha morrido. Blackwater e Rosier falaram que ela estaria com danos cerebrais irreversíveis – Fale comigo, Lena. – pediu desesperado. Mas Alhena continuou imóvel, sem responder. A única coisa que ela fazia era piscar. A abraçou angustiado e a afagou nos cabelos – Sou eu... sou eu, Lena. Fale comigo, por favor... não me diga que é tarde demais. Não diga que é tarde demais... – lamentou ele, desesperado.
—Ela não vai dizer... – murmurou uma voz atrás dele. Olhou para trás reconhecendo a voz de Rigel Lestrange. Gritou de susto assim que colocou os olhos em cima dele. Ele estava muito ferido, rasgado. No rosto, no peito nu, nos braços. Completamente vermelho de sangue e os olhos injetados de loucura – Ela não vai dizer. – ele deu uma risadinha – Solte a minha irmã, Malfoy. Eu matei todos os desgraçados que colocaram a mão dela e eu mato você também. – riu ele lutando para ficar de pé. Um ferimento no ombro dele sangrava de maneira irresponsável. Rigel precisava de cuidados médicos imediatamente – Emma Rosier veio no último segundo, sabia? – perguntou Rigel cambaleando sem forças – Ela disse que queria me ajudar... você precisava vê-la... eu queria que ela me ajudasse... – Rigel lambeu os beiços, com os olhos injetados de loucura – Ela era linda... mas eu prometi esfolá-la no dia em que ela me capturou... e eu sou um homem de palavra... – riu Rigel. Ele caiu de joelhos ao lado de Draco, segurando a própria cabeça, gargalhando sem parar, de maneira alucinada – Mas Hesse fugiu. Ele não estava aqui, o desgraçado. Então eu deixei um recado pra ele. Você acha que ele vai captar? – perguntou Rigel logo antes de Rasalas entrar na sala.
—Rigel! – disse ele, aliviado.
Rigel olhou para Rasalas, com aquele semblante completamente insano.
—O filho perfeito chegou... você viu o que eu fiz, Rasalas? Nem eu sabia que poderia duelar assim... – Rigel gargalhou de novo – Tio Rodolfo estaria orgulhoso... será que papai vai ficar também? – perguntou ele com aquele sorriso maníaco no rosto.
—Alhena! – disse Damian passando por Rasalas, que ainda olhava em choque para o irmão. Damian tirou Alhena de seus braços e a olhou com carinho – Meu amor! Você está viva! – disse ele feliz. Mas Alhena não deu sinal de sequer tê-lo visto. Ela olhava molemente para o nada – Lena? Lena? Sou eu, Damian... Lena! Fale comigo.
—Ela não vai falar, cunhadinho. – riu Rigel sorrindo com os olhos esbugalhados – Eu limpei a mente dela. O que sobrou foi só uma casca. Considere-se viúvo... – riu ele, para em seguida gargalhar. Todos olharam chocados para ele – Mas a parte de baixo ainda funciona, caso você ainda queira usar. Acredite, eu vi que funciona. – riu Rigel e Draco perdeu o juízo. Estavam todos chocados demais para reagir, mas ele estava mais enojado e furioso do que em choque.
Draco se jogou em cima de Rigel e o socou com força no rosto.
—Seu... seu desgraçado! – rosnou furioso, mas Rigel começou a gargalhar.
—Você bate igual uma garota. – debochou ele. O socou de novo, furioso, frustrado, desesperado, infeliz, mas Rigel apenas gargalhavam cuspindo sangue. E aquilo o irritou ainda mais. O socou de novo e de novo e de novo.
—Pare, Malfoy! – rosnou Rasalas o segurando pelos braços – Rigel está fora de si!
—Ele a matou! – gritou Draco, desesperado – Ele a matou! Ele a matou!
—Não quer saber as últimas palavras dela? – riu Rigel ficando de pé, cuspindo muito sangue e rindo desvairadamente – Ela deixou recadinhos para todos vocês... estão aqui, em algum lugar... – riu ele apontando para a própria cabeça – Mas eles podem estar um pouco embolados...
—O que raios aconteceu com você? – perguntou Damian, abraçando Alhena e olhando em choque para Rigel.
—Um dia muito ruim, Damian Burke. – riu Rigel – É... um dia muito, muito, muito ruim. – murmurou ele com os olhos esbugalhados e um sorriso insano no rosto.
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