Notas iniciais
Oi, amores! Hoje não é dia de capítulo novo, eu sei... maaaaass... Como minha querida coleguinha Soto, que faz meus banners, não vai poder ver o capítulo na sexta feira, eu vou postar o capítulo de sexta hoje! O próximo capírulo vai sair dia 25 de maio. Maaaas, como eu sou uma pessoa super legal, caso o capítulo tenha 10 comentários nesse fds, ou segunda ou domingo (depende de quando chegar aos 10) eu posto mais um. Caso não chegue a 10, vamos ter capítulo só na quarta mesmo =D Muito bem. Preparem a caixa de lencinhos. Esse capítulo é meio dramático...

Capítulo 48

Se olhou no espelho e suspirou. Nenhuma notícia de Rigel. O lugar que ela viu parecia estar protegido por magia e estava bem escondido... talvez com um feitiço de fiel segredo, então seu irmão parecia estar inalcançável.

E já tinha um mês desde que ele tinha sumido... um mês naquela sensação terrível... era como estar em guerra de novo... isso porque a nova Corte ainda não tinha conseguido aprovar a aliança com os EUA contra os trouxas... contra a Coréia do Norte e os homens que explodiam. Ela não sabia de que país eles eram... diziam que eles não eram de um país específico... não entendia coisa alguma e isso porque tinha feito Estudo dos Trouxas.

Suspirou sentada na penteadeira e olhou para a cama.

—Você vai dormir comigo hoje? – sussurrou para ninguém. Damian estava na sala. Ele nunca mais tinha divido a cama com ela. Ele sempre dizia que ia só assistir mais um pouco de TV e então dormia no sofá... sempre acordava sozinha. Soltou um muxoxo, cansada de dormir sozinha. Ela gostava de dormir abraçada com alguma coisa e seu travesseiro já tinha perdido a graça.

E havia algo também... algo quente, que tinha despertado no dia em que Damian recebera alta... algo que tinha despertado com o olhar sedento de Draco. E aquele calor se recusava a ir embora. Seu marido estava de volta, então... então ele bem que podia lhe dar uma ajudinha...

Sentia tanta falta de um sexo de verdade. Mesmo quando ainda estava bem com Damian, quando estavam transando... ele nunca mais tinha dado conta do recado e aquilo era extremamente frustrante. Nem se lembrava quando tinha tido o último orgasmo... céus... já tinha mais de ano.

Soltou um muxoxo, mirando o próprio reflexo. Se levantou e foi para frente do espelho grande. Ela não era feia. Ainda era uma mulher bonita. Sentia os olhares dos homens sobre si. Podia estar um tanto acima do peso (quando não estivera?), mas ainda tinha um rosto bonito... queria tanto que Damian a olhasse como Draco a olhara naquele dia.

Soltou outro muxoxo, despindo o robe e se olhando pelo reflexo. Estava pensando em Draco de novo. Não deveria ficar pensando nele... Damian já estava todo enciumado, sabe-se lá o porquê...

Ficou de lado, observando a barriga, os seios e a bunda por debaixo do pijama de seda. Levando em conta que tinha tido sete filhos e que já passava dos quarenta... estava muito bem. Muito melhor do que a maioria das mulheres... então... então por que ele nem a olhava direito? Por que os olhos dele estavam sempre tão evasivos? Colocou a mão na cintura, achando a curva do quadril proporcional. Depois seus olhos desceram pelas coxas grossas e pararam na mancha verde. Detestava aquela mancha. Tinha outra no braço, também... nunca iria sair...

Soltou um muxoxo e saiu da frente do espelho. Se deitou na cama e se preparou para dormir. Órion já estava dormindo e Damian via televisão na sala... então seria mais uma noite solitária. Fechou os olhos, se lembrando de um tempo onde precisava morder os lábios para não fazer barulho... para não acordar as crianças. Lembrando de um tempo onde os sorrisos do marido eram fáceis. Onde os toques dele eram cheios de carinho.

Cantarolou vira-tempo, se sentindo sozinha naquela cama enorme. Tinha rezado tanto para que ele voltasse... mas sua solidão seguia a mesma, isso se não estivesse ainda pior...

Antes ao menos tinha Draco... sempre a lhe fazer companhia... mas agora estava proibida de vê-lo... tinha dito que não deixaria de ver o amigo por conta daquele ciúmes bobo e sem sentido do marido, mas fazia um mês que não via Draco e sentia uma enorme saudade dele.

Fechou os olhos e sonhou que Damian voltava para a cama e pedia desculpas por estar agindo daquele jeito. O perdoou no mesmo momento e se sentiu beijada e tocada por ele... mas no meio do momento não era mais Damian. Era Draco. Draco quem a beijava e tocava. Podia imaginá-lo perfeitamente. Podia até sentir o cheiro do perfume dele.

Não deveria se permitir aquele tipo de pensamento... mas não conseguiu evitar. Se entregou em sonho ao amigo, sentindo aquele calor que há muito não era saciado. Estava tão real que até soltou um gemido.

—Lena... – murmurou Draco, com um imenso sorriso feliz no rosto – Estamos mesmo fazendo isso ou eu estou enlouquecendo?

—Eu não sei. – respondeu sorrindo, completamente dominada por aquela gostosa sensação de prazer. Draco continuou se movendo em cima de si, de maneira deliciosa, a beijando no pescoço. O abraçou, deliciada, sem conseguir parar de sorrir.

—Ah, Alhena... Alhena. Alhena. Alhena... minha. Só minha. Só minha. – disse Draco ao pé de seu ouvido – Só minha. Minha Lena. Minha Lena.

Estava quase chegando ao ápice. Quase. Arranhou as costas de Draco e...

A porta fechou com força. Abriu os olhos, cheia de sono e viu que estava sozinha na cama e que Damian saía do banheiro, com a toalha enrolada nos quadris. Se deitou novamente, constrangida com o sonho imoral que tinha tido. No que estava pensado, afinal?! Estava dando razão ao comportamento dele com aquele tipo de pensamento.

Nunca tinha tido nada com Draco. Não queria ter agora. Por isso ficou encolhida na cama, olhando para o armário, sentindo aquele calor terrível entre as coxas. Tocou a calcinha com a ponta dos dedos e a encontrou ensopada. A prova de sua traição. De seu sonho imoral.

Estava morrendo de vergonha, mas ficou ainda pior quando Damian tirou a toalha e se deitou ao seu lado, na cama. Oh, ele vai notar...

E se notasse? Qual o problema. Ele não precisava saber que estivera sonhando com Draco. Ele não tinha como saber. Por isso ficou quieta e encolhida, se perguntando o que ele iria fazer.

Sentiu o braço dele ao redor de sua cintura, a puxando para perto. Corou com o toque e o olhou. Mal teve tempo para isso, porque ele a beijou em seguida. O beijou de volta, morrendo de saudades dele. Damian suspirou no meio do beijo e a puxou mais para perto, a pressionando com os quadris. Notou que ele estava excitado e isso a deixou um tanto desconfortável. Tinha algo errado ali.

Sentiu a mão do marido levantar sua camisola e depois puxar sua calcinha, mas simplesmente não se sentiu com vontade. Não daquele jeito. O segurou no pulso e parou de beijá-lo. Damian a encarou com a testa franzida e ela se sentou sentindo-se um pouco chateada.

—Sério? Não vai nem me pedir desculpas primeiro? – perguntou magoada – Passou os últimos dias me evitando e me tratando mal... e agora simplesmente vem aqui e espera que a gente transe? – perguntou até levemente ofendida.

Damian soltou um muxoxo e se levantou também, saindo da cama.

—Ok. Se não quer, ok. – resmungou ele indo até o armário para pegar uma cueca.

—O que deu em você? Por que está desse jeito?! – perguntou o encarando. Damian não respondeu. Ele apenas se vestiu e saiu do quarto, a deixando sozinha de novo. Mas aquilo era a gota d’água. Se levantou, irada, e foi atrás dele. Damian se sentou no sofá e se cobriu com o cobertor, parecendo zangado, mas ela não se intimidou – Seu idiota! – disse. Ele piscou e a olhou parecendo surpreso – Está achando o que? Que eu sou seu reservatório de porra, é? Que pode me tratar feito lixo esse tempo todo, que eu simplesmente vou abrir as pernas pra você, feliz da vida? Qual o seu problema, heim? Com quem pensa que está lidando?!

—Desculpe se eu quis transar com a minha esposa. Aparentemente foi uma péssima ideia minha, não é? – resmungou ele.

—A questão não é transar com a sua esposa, Damian! A questão é como você vem me tratando! Você está me evitando. Não está falando comigo! Nem dormindo comigo está. Então, do nada, você tenta transar comigo? Sem nem me explicar o que está acontecendo? Sem explicar esse seu comportamento?

—Não há nada para explicar. Você está exagerando. – resmungou o marido olhando para a televisão, parecendo levemente entediado com aquela conversa.

Abriu a boca, ainda mais ofendida.

—Escute aqui!

—Hum? – perguntou ele desinteressadamente.

Corou com o descaso dele. Tentou arrumar palavras que expressassem o que estava sentindo, mas não encontrou nenhuma. Então deu meia volta e voltou para o quarto. Bateu a porta e fungou, querendo chorar de raiva. Tirou a camisola e abriu o armário. Depois pegou uma roupa bonita, no estilo trouxa. Se vestiu e então foi até o escritório das placas, onde tinha uma lareira. Jogou o flu e meteu a cabeça nas chamas. Viu Polaris deitada no sofá, parecendo melancólica.

—Polaris. – disse. Sua irmã se virou e a olhou curiosa.

—Lena? O que está fazendo ai a essa hora?

—Vamos sair? – perguntou.

—Pra onde?

—Pra um lugar com música e gente bonita, onde eu possa me lembrar de quando eu era jovem.

—Oh... o Damian continua um babaca? – riu Polaris se sentando.

—Como sabe disso?

—Rasalas. – riu Polaris – Eu sei o lugar ideal para irmos. Ponha uma roupa bem bonita. Te encontro em meia hora aqui em casa.

—Certo.

Tirou a cabeça da lareira e voltou para o quarto, para se maquiar. Colocou uma sandália de salto alto e penteou os cabelos compridos. Passou um perfume leve e então aparatou para a Borgin&Burke. Pegou um pouco de dinheiro trouxa, deixando os galeões equivalentes na loja. Depois voltou para casa, para terminar de se arrumar.

Mas assim que aparatou no quarto, Damian abriu a porta e a olhou surpreso.

—Onde você pensa que vai? – perguntou ele, fechando a cara.

—Vou sair com a minha irmã, por que? – perguntou sem encará-lo. Estava super zangada e chateada com ele.

—Pra onde? – perguntou ele.

—Não te interessa... – respondeu, mas Damian a segurou no pulso e a olhou zangado.

—Eu sou seu marido. Me interessa sim. – rosnou ele.

—Oh, você é meu marido? Finalmente se lembrou disso? – perguntou zangada, puxando o pulso – Me largue.

—Você não vai sair.

—Você não pode me impedir. – disse sentindo-se cada vez mais zangada.

Damian a segurou com mais força no pulso, mas então a soltou.

—Você... você não vai ir ver o Draco... vai? – perguntou ele. Alhena corou se lembrando do sonho que tivera, mas apenas revirou os olhos.

—Que pergunta. É claro que não. Eu vou sair com a minha irmã. Se você não se lembra, Rigel foi sequestrado e ela está super deprimida por conta disso. – disse indo até sua caixa de joias para colocar uma pulseira – Não que você se importe, de qualquer maneira. Ultimamente você não se importa com nada que esteja relacionado a mim.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo e ela notou que Damian se sentou na beirada da cama. Não o olhou, porque não queria mudar de ideia. Então só terminou de se arrumar e saiu do quarto. Ficou torcendo para que ele a chamasse, ou dissesse que a amava, mas ele ficou em silêncio, sentado na cama, completamente carrancudo.

Não iria adulá-lo. Tinha feito isso o mês inteiro e não tinha adiantado de nada... estava cansada daquilo. Então pegou a varinha e aparatou para a frente da casa dos pais, que era onde Polaris morava. Sua irmã já a esperava lá.

—Ah. Está linda, mana. Vamos. Eu sei um lugar perfeito para irmos. Nós vamos pela lareira. – riu ela. Alhena deu de ombros e seguiu Polaris. As duas foram até a lareira e a caçula pegou o pó de flu, o jogando nas chamas – Mansão Malfoy.

—O que? – perguntou surpresa. Mas a irmã a empurrou nas chamas e ela perdeu o equilíbrio, caindo na lareira. Ficou girando completamente torta e sem equilíbrio e quando chegou, for arremessada para fora. Caiu num par de braços fortes, que a seguraram firmemente.

—Opa. Tudo bem? – perguntou Draco.

Corou completamente e se levantou, saindo dos braços dele.

—O que raios? Eu vou matar a Polaris. – ralhou indignada, tirando o pó do vestido – Eu disse que queria sair pra...

—Ela me contou. – riu Draco – O Damian... ele... ele está sendo...

—Desculpe, Draco, mas eu preciso ir. – disse sentindo-se como se estivesse traindo o marido.

—Calma... Polaris me disse que você estava precisando conversar com um amigo. Só isso... – murmurou Draco colocando as mãos nos bolsos e a olhando com ternura – Ele te proibiu de me ver também? – perguntou Draco.

—Como assim, “também”? – perguntou confusa.

—Ele mandou que eu ficasse longe de você. – murmurou Draco – Mas eu não quero ficar longe de você, Lena... somos... somos amigos. – murmurou o loiro. Alhena engoliu em seco, ainda lembrando do sonho, e desviou o olhar.

—Desculpe, Draco, mas eu... eu realmente preciso ir... – murmurou com a cabeça cheia de confusão. Draco soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça.

—Ok, Lena... – murmurou ele – Mas qualquer coisa... pode contar comigo. Sempre... – murmurou ele. Alhena sentiu um aperto no peito e aparatou para a Borgin&Burke.

Se sentou numa poltrona que tinha lá, sentindo vontade de chorar, mas não deixou as lágrimas rolarem. Queria seu Damian de volta. Aquele que estava na sua casa certamente não era ele...

Soltou um muxoxo e andou até o Bloody Mary. Pediu um pouco de Mel de Salamandra e ficou bebendo sozinha, no balcão, sentindo-se miseravelmente triste. Soltou um suspiro e pegou o copo, para bebericar mais um pouquinho.

—Alhena? – perguntou uma voz. Piscou reconhecendo e virou o rosto – Eu não acredito. É você mesmo! Quanto tempo! – riu Sebastian Avery. Tinha estudado com ele, no colégio. Ele tinha sido seu principal tutor no quadribol e o melhor artilheiro que ela tinha conhecido.

—Sebastian. – disse sorrindo – Sim. Já faz muito tempo mesmo. – murmurou voltando a olhar seu copo.

—Vixi. – ele se sentou ao seu lado e sorriu – Eu conheço o rostinho de uma garota que está sofrendo por amor.

—Garota? Essa é boa. – riu Alhena o olhando com um sorriso torto.

—Pra mim você sempre vai ser uma garota. – riu ele lhe lançando uma piscadela – Você casou mesmo com o Burke? Ou foi com o Malfoy?

—Por que eu me casaria com o Draco? – perguntou corando de leve.

—Oras. Vocês eram muito amigos. – riu Sebastian. Alhena deu de ombros.

—Eu me casei com o Damian. Somos casados, diga-se de passagem... e você?

—Eu nunca casei. – riu Sebastian – Mas estou pensando em casar por contrato. Com uma mulher com menos de trinta e seis, que possa me dar herdeiros... – riu ele dando de ombros. Alhena suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

—Boa sorte. – respondeu matando o mel de salamandra.

—Posso te pagar mais uma bebida, pra gente poder conversar mais? – perguntou ele. Alhena deu de ombros e concordou – Ok. Mais uma dose pra Madame Burke. – riu Avery.

*

Olhou o relógio. Já eram quase duas da manhã. Onde raios Alhena estava? Rolou na cama, preocupado, quando escutou o som de uma aparatação, seguida de gargalhadas. Se levantou e pegou a varinha, indo para o corredor.

—Eu vou te deixar aqui, Alhena. – escutou uma voz familiar, que não conseguiu reconhecer.

—Ok. Obrigada, Seb... eu não ia conseguir aparatar... céus, eu bebi muito... – resmungou ela, para em seguida cair na gargalhada – Eu nem lembro qual foi a última vez que bebi assim...

—Se quiser repetir a dose, é só me chamar. – riu o Seb. Damian bufou, enciumado, e foi andando para a sala. Encontrou um cara grande, ajudando Alhena a se sentar. Ela estava muito vermelha e obviamente embriagada.

—Quem está ai? – perguntou apontando a varinha. O homem se virou e sorriu pra ele.

—Nossa... Damian? Você está horrível. – riu o homem. Não baixou a varinha, achando aquele um péssimo começo – Sou eu, Sebastian Avery. Estudamos juntos, lembra? Eu era do time de quadribol...

—O que estava fazendo com a minha mulher? – rosnou enciumado.

—Bebendo umas, abaixa essa varinha, Burke. – riu Avery – Bem. Eu já vou, Lena. Foi bom te ver de novo. – Alhena abraçou a almofada e concordou com um sorriso bêbado, se deitando no sofá – Ah, vocês não mudam... até mais, Damian. – riu Sebastian caminhando até a porta. Damian o acompanhou com o olhar e o homem saiu de sua casa.

Olhou indignado para Alhena, que ainda estava abraçada com a almofada, parecendo extremamente bêbada. Ela dormiria ali se ele deixasse.

—Isso são horas de uma mulher casada chegar em casa? – perguntou zangado – Bêbada e carregada por outro homem, ainda por cima?

Alhena soltou um muxoxo.

—Desculpe. – resmungou ela.

—É só isso que vai falar?! Desculpe?!

—É mais do que você merece ouvir e mais do que você me falou. – respondeu ela perdendo o sorriso, mas sem se mover.

—Ótimo. Vai fazer desse jeito, então?

—Me deixe dormir, Damian. – resmungou ela.

Soltou um muxoxo e concordou.

—Ok. Dorme ai. Enche a cara todos os dias agora. Que nem a descontrolada da sua mãe. – provocou. Lembrava de Draco falar “Nós... nós estávamos bêbados...” e ver Alhena bêbada só fazia com que se lembrasse mais uma vez da traição dela.

Será que ela tinha transado com Avery?

Mas Alhena tinha aberto os olhos. Ela se sentou e então ficou de pé, apesar de parecer zonza.

—O que foi que você disse? – sibilou ela. Merda... não devia ter dito aquilo.

—Não quero que fique bebendo desse jeito.

—Chamou minha mãe de descontrolada! – sibilou ela.

—Bem. Ela é. Não pode beber uma gota de álcool que fica louca e não consegue mais parar... – Alhena tentou lhe estapear, mas ela estava bêbada demais e ele conseguiu segurar o pulso dela.

—Nunca mais fale da minha mãe! – rosnou ela – O que um bebezinho mimado feito você sabe sobre as dificuldades que nós passamos, heim?! – perguntou Alhena puxando o pulso. A soltou e ela caiu sentada no sofá, porque estava bêbada demais para se manter de pé – Eu não sei o que nós estamos fazendo. De verdade. Por que não vai embora daqui?

—O que? – perguntou em choque – Quer que eu vá embora?

—Eu não quero te ver! – rosnou ela ficando de pé de novo – E você não me quer também. Então por que não vai embora?

—Eu quase morri. – disse indignado – E agora que eu voltei você me manda embora?! Pra que? Pra colocar outro no meu lugar.

—Escuta aqui, Damian Burke! – rosnou Alhena se virando e se apoiando numa cadeira para não levar um tombo – Eu estou de saco cheio das suas insinuações, ok?! O único bastardo traidor aqui é você. Eu nunca te traí! Você me traiu e não foi só uma vez. Quem arrumou uma filha bastarda foi você e não eu!

—Não venha jogar Rose na minha cara, Alhena. Não depois do que você fez.

—E o que eu fiz?! – perguntou ela.

Mas não tinha como ela se lembrar... não tinha... e ele não aguentava mais não falar aquilo.

—Esquece isso, Alhena. Não vamos conversar sobre isso. – disse se virando e indo para o quarto, mas Alhena o seguiu.

—Não. Não vamos. Porque não há o que ser conversado. – ralhou ela – Você é o filho da puta mais egoísta desse mundo, Damian!

—Desculpe? Eu sou egoísta?!

—Sim. Você! Eu passei os últimos anos ao seu lado, cuidando de você, me doando completamente. Eu vivi por você. Mas agora, que aparentemente você melhorou, você só me destrata. Fica agindo como se eu tivesse feito algo terrível, quando a única coisa que eu fiz foi amar você e cuidar de você. Você é um cretino, nojento e egoísta! Não sabe o que eu passei quando achei que você tinha morrido! Mas a única coisa que você sabe fazer é me ignorar ou agir como se eu estivesse traindo você!

—Cale a boca, Alhena! – rosnou – Porque se eu não morri antes, foi por você. Eu vim lutando contra o Horklump por você. Desculpe por ter sobrevivido. Preferia que eu tivesse morrido, não é? Assim não precisaria ficar se desgastando, cuidando do moribundo aqui!

—Pois pra mim, você morreu! – chorou ela – E o que sobrou foi essa pessoa que eu não conheço. Vá embora da minha casa!

—Essa casa é minha.

—Eu não ligo. Eu não quero você sob o meu teto. Vá embora!

—Vai você. Aproveita e pede teto pro Malfoy e arruma outro bastardo pra ele! – rosnou sem pensar, mas logo se arrependeu. Alhena revirou os olhos e sorriu zangada.

—Eu não acredito. É sobre isso, então? Você acha que o Draconis é do Draco? – ralhou ela, quase perdendo o equilíbrio e caindo no chão. Alhena se apoiou na parede e respirou fundo – Você é uma vergonha. Não sabe o quanto magoaria o nosso filho se ele te ouvisse falar uma coisa dessas.

—Ah, cale a boca, Alhena. Eu não vou conversar com você. Você está bêbada. Eu vou dormir.

—Pois pode procurar outro teto, porque você não vai dormir aqui. – rosnou ela.

—Eu durmo no sofá, já que faz tanta questão de não dormir comigo.

—Eu não quero você no meu sofá. Eu quero você fora da minha casa! – rosnou ela.

—Saia você, da minha casa. – rosnou ele – Essa casa é minha. Essa casa é dos Burke! Se não quer mais ser um Burke, vai embora você!

—É isso o que você quer?! Que eu não seja mais Burke? – rosnou ela. Os dois se encararam furiosos e a porta do corredor se abriu. Os dois olharam e viram Órion sair do quarto, com cara de choro.

—Parem de brigar, por favor... – chorou ele.

—Volte pro quarto, Órion! – disse Alhena – Isso é um assunto entre eu e seu pai.

—Não fale assim com ele! – rosnou Damian. Alhena o olhou furiosa e se virou – Onde você vai?

—Pra longe de você! – respondeu ela.

—Alhena! Volte aqui! – gritou perdendo a paciência.

—Não! Eu não vou voltar. Não vou. Seu babaca! – gritou ela. Sentiu um frio lhe subir a espinha e um aperto no peito.

—Alhena. Pare com esse drama. – rosnou ele. Ela já estava na lareira jogando o flu. Avançou contra ela e a puxou para longe da lareira – PARA COM ISSO!

—ME LARGA! ME LARGA!

—NÃO!

—Parem de brigar! Parem de brigar! – chorou Órion no canto da sala, os olhando assustado.

—PARA COM ISSO, ALHENA!

—Não! Eu não vou parar! Eu não quero olhar na sua cara! Eu vou embora.

—Você não vai sair dessa casa! – rosnou a segurando nos pulsos. Mas então ela lhe deu uma joelhada nas bolas. Perdeu o ar e a soltou, caindo no chão.

—Você não é meu dono, Damian Burke! – e então ela pegou o flu e jogou na lareira – Caldeirão Furado.

Respirou fundo, tentando se levantar, mas Alhena entrou nas chamas antes que ele conseguisse. Se sentou, segurando suas partes sensíveis, morrendo de dor. Xingou Alhena de alguns nomes, mas baixinho para que Órion não escutasse. Respirou fundo mais uma vez e olhou para o caçula, que o olhava assustado, com os olhos cheios de água.

Damian soltou um suspiro e mirou o menino.

—Vem cá, Órion... – pediu baixinho. Órion veio correndo e se ajoelhou ao seu lado, para abraçá-lo em seguida.

—A... a mamãe foi embora pra sempre? – perguntou ele.

—Não... a mamãe só está zangada por conta da TPM. – resmungou afagando os cabelos do caçula. Órion fungou e soluçou em seu colo e Damian se arrependeu de ter deixado tudo chegar a aquele ponto – Eu vou trazer a mamãe de volta amanhã, ok? Quando ela ficar mais calma... pode ser? – Órion concordou com um aceno de cabeça e Damian o beijou carinhosamente na testa.

—Draconis não é meu irmão? – perguntou Órion.

—Claro que ele é seu irmão. – murmurou Damian ainda mais zangado consigo mesmo. Órion tinha escutado ele chamar Draconis de bastardo... puta que pariu.

—Mas... mas ele é filho do tio Draco? O Navi já falou que era, mas o Draconis disse que era mentira... – murmurou Órion.

Damian suspirou e beijou o filho na testa de novo.

—Vai dormir, Órion... vai dormir...

**

Draco rosnou de dor e o elfo começou a tremer.

—Perdão, mestre...

—Só ande logo com isso. – pediu Draco. O elfo pressionou a seringa e o loiro teve a terrível sensação de se afogar. Tentou respirar, mas simplesmente não conseguiu. Tossiu desesperado e caiu no chão, de quatro, tentando puxar o ar. Pegou a varinha e apontou para si mesmo, usando o feitiço não verbal. Arfou longamente e conseguiu respirar, expirando uma fumaça laranja.

—Não há um meio menos doloroso, mestre? – perguntou o elfo.

—Não sei nem se tem um meio, realmente. – resmungou Draco se sentando no chão e pressionando a área entre as costelas onde o elfo tinha lhe aplicado o soro. Estava muito dolorido, mas se aquilo fosse curá-lo, como tinha curado Damian, ele continuaria tentando. Ainda estava aperfeiçoando o soro e seus homúnculos estavam com uma taxa mais favorável. Por isso começou a se tratar logo, antes que não conseguisse mais trabalhar – Eu espero que isso me salve... – murmurou olhando para o frasco.

Se levantou, ainda com alguma dificuldade para respirar. Duas das manchas que tinham surgido em seu pescoço tinham sumido. Apenas uma ficara. O tratamento estava funcionando... só esperava que o fungo não voltasse ainda mais agressivo no futuro.

Caminhou até sua camisa e a vestiu. Depois saiu para a sala de estar, onde o elfo voltou a aparecer.

—Mestre, o Sr. Lestrange está do lado de fora. – murmurou ele.

Draco revirou os olhos e se sentou no sofá.

—Mande-o entrar. – resmungou se perguntando se Rasalas iria brigar por Alhena ter aparecido dois dias atrás. Ficou massageando a região das costelas, quando Rasalas apareceu, parecendo desesperado.

—Minha irmã! Ela está aqui? – perguntou ele.

—Não. – respondeu Draco, franzindo a testa – Por que ela estaria aqui?

—Porque ela e o Damian brigaram! – disse Rasalas passando as mãos pelo rosto – E então ela saiu de casa e não voltou. O Damian está desesperado. Meus pais também... primeiro foi o Rigel, agora a Alhena...

Sentiu um frio lhe percorrer a espinha.

—Alhena foi sequestrada?!

—Não sabemos. Talvez ela só esteja desesperada porque o Damian... eles estão passando por uma situação difícil. – resmungou ele. Draco bufou e se levantou.

—Se alguma coisa tiver acontecido com a sua irmã por culpa dele... – começou, sentindo-se doente de preocupação.

—Eu vou quebrar o Damian em milhões de pedaços. Mas se ela só estiver escondida... eu vou ficar muito puto. Ela tinha que ter avisado alguém. – rosnou Rasalas. Draco soltou um suspiro, se perguntando onde ela poderia estar.

Mas só tinha um lugar que conseguia pensar.

—Já procurou no Legacy? – perguntou Draco.

—Na verdade... não... – murmurou Rasalas – Eu sou muito burro. – o amigo soltou um muxoxo – Eu vou lá ver. Você vem comigo? – Draco negou com a cabeça – Por que?

—Você sabe que o Damian não quer que...

—Vai deixar de ver a Lena por conta disso? – perguntou Rasalas, parecendo surpreso.

—Não... não exatamente... é que... – Draco suspirou – Sua irmã, a Polaris, falou que a Lena precisava conversar com um amigo e disse que eu poderia ajudar... ela meio que enrolou a Lena e a trouxe pra cá... e sua irmã não quis nem falar comigo... o Damian... ele... ele proibiu a Alhena de me ver...

—Eu não acredito nisso! Vocês são amigos!

—Você quis me proibir de ver a Lena também... quando descobriu sobre o Draconis... – riu Draco.

—Mas era diferente. Era eu zangado. Eu zangado sou muito burro...

—Damian é burro praticamente o tempo todo. – riu Draco, sentindo-se cansado – Eu não vou mover uma palha para separar os dois... mas caso Damian estrague tudo... eu vou tentar algo com a sua irmã, Rasalas. E eu não ligo se você ou Damian vão achar ruim...

—Só se essa sua cura funcionar de verdade, Draco. Se você não for ficar saudável, não faça a Alhena passar por aquilo de novo... – pediu Rasalas. Achou um pedido sensato e concordou.

—Ok. Temos um acordo... – murmurou.

—Mas você não vai mover uma palha para atrapalhar os dois.

—E nem um grão de areia para ajudá-los... depois de tudo, eu quero mais é que o Damian vá a merda. – rosnou enfurecido, pensando nas memórias perdidas de Alhena.

***

Aparatou em frente ao Legacy e viu a placa de “fechado”. Desde o desaparecimento de Rigel, Alhena e Daphne tinham decidido fechar a loja por um tempo. Então não estranhou. Abriu a porta com um “alohomora” e entrou na loja.

Alhena estava lá, costurando, parecendo simplesmente infeliz.

—Ok. Me dê um bom motivo para... – começou, zangado.

—Rasalas, por favor, não... – pediu Alhena, sentada no chão, olhando o bordado com um semblante beirando à melancolia – Eu não quero bronca. Eu quero ficar sozinha...

—Quase nos matou de preocupação! – ralhou Rasalas.

—Me desculpem... mas eu não queria falar com ninguém... – murmurou ela.

—E posso saber o por quê? – perguntou franzindo a testa.

—Eu preciso de um tempo pra pensar, sabe? – murmurou ela – Eu estou pensando, de verdade, em voltar a usar meu sobrenome de solteira.

Rasalas sentiu um frio no estômago e se sentou ao lado da irmã.

—Não está falando sério... – murmurou surpreso. Mas ela suspirou e o olhou com os olhos muito tristes.

—Aquele não é o Damian com quem eu me casei. O Damian me amava, Rasalas... aquele ali... aquele ali não se importa comigo. Não mesmo. – murmurou ela – Ele não confia em mim, ele me acusa de coisas que eu não fiz... ele não me ama, sabe? E... e eu acho que depois de tudo o que eu passei... eu realmente mereço mais do que isso... – ela voltou a olhar para o bordado, com aqueles olhos tristes e Rasalas simplesmente a abraçou.

—Eu sinto muito, Lena... – murmurou ele. Sua irmã desmoronou em seu ombro e ele a deixou chorar.

—Oh, Rasalas... eu sinto tanta falta dele.

—Eu sei... – murmurou – Eu... eu vou falar com ele... e então... então você volta pra casa, ok?

Alhena o soltou e secou os olhos, com um aceno positivo de cabeça.

—Ele me proibiu de ver o Draco... por que? Eu não entendo, Rasalas. Eu não entendo...

Rasalas suspirou e beijou a irmã na testa.

—Ele não deveria ter feito isso... vocês são amigos... mas... mas talvez você devesse dar uma afastada do Draco... e tentar fazer dar certo com o Damian... pelos seus filhos, Lena.

Alhena o olhou com os olhos brilhantes e cheios de água e concordou com um aceno de cabeça.

—Ok... eu... eu vou fazer isso.

Rasalas se levantou e pegou a varinha.

—Eu volto mais tarde, ok?

—Ok...

Aparatou para a casa de Damian e tocou a campainha. Demorou um pouco, mas logo o amigo abriu a porta e o olhou curioso.

—Posso entrar? – perguntou Rasalas.

—Claro. – murmurou Damian, que parecia abatido. Rasalas entrou e olhou ao redor.

—Cadê o Órion?

—Na escolinha. – murmurou Damian indo até o sofá, para se sentar. Rasalas soltou um suspiro e encarou o amigo – Encontrou a Alhena?

—Uhum. Eu disse pra ela que ia conversar com você e que depois ela deveria voltar pra cá.

—Ok. – murmurou Damian – Essa é a hora em que você me dá uma bronca?

—Não. – respondeu Rasalas – Essa é a hora em que eu pergunto: Você ama a minha irmã?

Damian soltou um suspiro e concordou com a cabeça.

—Sim, mas... mas está difícil, cara... eu não sei se estou completamente curado... se eu ainda estiver doente... talvez... talvez seja melhor, sabe? Deixá-la ir...

—Ok. Então... então você está magoando a minha irmã... para não magoá-la depois? Porque ela acha que você não ama mais ela. Ela acha que você está sendo... hum... muito cruel... e eu sinto muito, Damian, mas eu estou tentado a concordar com ela...

—Eu sei, eu sei... mas não é só isso... também tem um pouco de ressentimento, sabe? Dezessete anos de ressentimento e culpa... que eu carreguei sozinho. Culpa por Rose ter nascido e ter que se mudar pra cá... culpa que eu carreguei sozinho, porque...

—Porque ela não vai ter como saber que Draconis não é seu... Você destruiu as memórias. Você, Damian... e por que fez aquilo?

—Por medo. – murmurou Damian – E raiva também... eu queria machucar o Draco... e consegui. – Damian o olhou tristonho – Eu sempre achei que ele sentia tesão por ela, afinal, Alhena é bonita... mas... mas ele a ama, Rasalas... ele ficou doente por ela. Ele me salvou por ela... e eles tem um filho... isso é demais pra mim... sabe... – Damian soltou um suspiro – Eu pensei, naquela época, em pedir para que ela abortasse... eu pensei muito nisso... mas quando ela me contou... o modo como ela segurava a própria barriga... era como se, instintivamente, ela estivesse protegendo o bebê dela de mim... então eu não tive coragem e prometi que criaria aquele bebê como se fosse meu... mas... mas agora... agora eu realmente não sei o que vou fazer... como eu vou agir quando Draconis voltar pra casa? Faltam poucas semanas... poucas semanas, Rasalas... e eu não sei como lidar com isso... simplesmente não sei e eu tenho noção do quanto isso é egoísta da minha parte, mas... – Damian fechou os olhos passando as mãos nos cabelos brancos – E eu acabo descontando na Alhena... eu estou descontando todas as minhas frustrações nela...

—Então pare. – murmurou Rasalas. – Só pare. Porque Alhena já está tendo que lidar com o fato de você ter ficado doente e quase ter morrido, o fato de você estar estranho com ela, o fato de terem molestado o filho de vocês, o fato de Draco gostar dela mais do que deveria, o fato de você a proibir de vê-lo, o fato do nosso irmão ter sido sequestrado... ela já está lidando com coisas demais, Damian... facilita.

—Ela sabe...? que Draco gosta dela?

—Deve saber. É muito óbvio. – riu Rasalas – Mas não importa o que o Draco sente, Damian. O que importa é como vocês se sentem. – Rasalas suspirou e Damian concordou com um aceno de cabeça – Então peça desculpas... e tente se acertar com ela, ok? Eu não quero ter que escolher lados entre você e ela. Ela é minha irmã, mas você é meu melhor amigo...

—Obrigado, Ras...

—Apenas arrume essa situação. Você causou isso quando destruiu as memórias dela. – Rasalas sacou a varinha e suspirou, aparatando em seguida.

****

Estava na cama quando Alhena voltou. Os dois se encararam longamente, mas ambos desviaram o olhar em seguida.

—Eu errei. – murmurou ele – Me desculpe... eu tenho sido um idiota... – Alhena concordou com um aceno de cabeça e cruzou os braços.

—Eu sei. – respondeu ela, friamente. Ok. Ele merecia um pouco de frieza...

—Escute, eu... eu realmente sinto muito, Lena. Pelas coisas que eu disse e as que eu não disse... podemos tentar de novo?

—Quando me explicar o motivo de tudo aquilo. – respondeu ela. Damian suspirou e baixou o rosto.

—Eu... eu tenho ciúmes do Draco e... e eu sei que eu... – ele corou de leve – Bem... não estou... não estive... comparecendo... entende? – perguntou ele completamente constrangido por ter que usar aquela desculpa, principalmente por ela ser uma facada em seu ego – Eu sei que... que eu não consigo mais... dar conta do recado... entendeu?

—Está falando de sexo? – perguntou ela franzindo o cenho.

—É... – resmungou – Draco ficou fazendo piadinhas sobre... sobre você reclamar que eu... eu não consigo mais...

—Draco disse o que?! – perguntou ela, corando muito. Ele tinha mentido. Draco nunca tinha dito nada, mas pela cara dela era bem óbvio que ela tinha confessado uma coisa ou outra pra Malfoy e isso o deixou ainda mais envergonhado e puto...

—É... ele disse que você reclamou do meu... desempenho.

—Não! Eu não... – ela corou de leve e suspirou, se sentando ao seu lado – Oh, Damian. Esse seu comportamento ridículo era apenas insegurança e ego ferido? Sério?!

Piscou com medo de ter piorado tudo. Desviou o olhar, constrangido.

—Não faz ideia de como isso machuca... – murmurou ele – Eu já estava me sentindo um lixo por não estar conseguindo desempenhar um papel de marido... e então Malfoy vinha com as piadinhas... dizia que estaria lá pra você, caso você precisasse de um homem de verdade ou qualquer coisa assim... – aquilo era mentira também, mas não se importou. Qualquer coisa que afastasse Alhena de Draco serviria pra ele. Ele já tinha feito aquilo com Astoria, anos atrás. Faria de novo, se necessário. Olhou para Alhena com a cara mais triste que conseguiu e sua esposa se levantou, parecendo em choque.

—Eu... eu não acredito... – murmurou ela, parecendo chocada – Draco... Draco... eu achei que... ele só estava fazendo...

—Fazendo o que? – perguntou semicerrando os olhos.

—Ele meio que deu em cima de mim, mas... mas eu achei que... que ele só estava começando a confundir as coisas por sermos muito amigos, mas... mas ele só queria se divertir comigo? Era só uma piada de mau gosto?!

—Até parece que não conhece Draco Malfoy. – disse Damian sabendo que Draco jamais iria perdoá-lo por aquilo... mas sinceramente... não dava a mínima.

Alhena o olhou em choque e saiu do quarto. Ele respirou fundo e se levantou, para ir atrás dela. Ela estava parada no corredor, parecendo chocada, como se estivesse tentando se recusar a acreditar naquilo.

—Eu... eu pensei que ele... que ele me amasse... – murmurou ela – Como amigo, sabe? Eu nunca pensei que ele... poderia tentar... eu... eu vou falar com ele!

—Ele vai negar. – murmurou Damian – Mas tudo bem, sinta-se a vontade pra falar com ele... – Alhena o olhou em choque – Mas não demore, por favor... eu... eu me sinto desconfortável em saber que... que você vai falar com ele, ainda mais agora que você disse que ele deu em cima de você... – murmurou a olhando como um cãozinho sem dono – Só diz que me desculpa primeiro, Lena... eu te amo tanto. Eu tive tanto medo de perder você... e eu estava tão inseguro... essa doença, ela... ela acabou comigo... eu sou só um fantasma do que costumava ser...

Alhena o olhou com os olhos cheios de água, mas em seguida andou até ele e o abraçou. A abraçou de volta, feliz por tê-la ali, em seus braços. Estava sentindo falta disso.

—Eu não vou falar com ele... – murmurou ela.

—Obrigado. – murmurou ele.

A beijou nos lábios e ela o beijou de volta. A abraçou com força e sorriu vitorioso. Malfoy nunca mais vai tocar num fio de cabelo seu...

A levou para a cama, sentindo-se levemente culpado por ter contado aquelas mentiras... mas era para seu casamento dar certo que estava mentindo. Era por seus filhos e por Alhena... era pela facada nas costas que Draco tinha lhe dado... só estava retribuindo a facada. Só estava retribuindo todo o sexto ano, quando o amigo ficava namorando Alhena e o olhava com aquele sorrisinho insolente, quando ele ainda estava com Parkinson.

Mas logo seu pensamento se desviou daquilo. Logo era apenas Alhena. A única coisa importante. A apertou contra si, desejoso dela. A apertou na coxa e suas mãos foram para o botão da calça que ela usava. Alhena tremeu de leve, mas não se importou. A despiu lentamente, apreciando o quanto ela era maravilhosamente carnuda. Provou cada parte do corpo dela com atenção e devoção, afinal tinha tempo que não aproveitava daquele corpo. A beijou apaixonadamente e então a amou como há muito não amava.

Adorou o sorriso de felicidade dela e sorriu de volta, pois amava o sorriso dela. Amava tudo nela. Sentiu a esposa abraçá-lo, mas sua mente lhe pregou uma peça. Acabou se lembrando de Alhena falando que tinha transado com Draco. Lembrou dela falando que o filho não era dele... se lembrou de Draconis.

Suspirou, levemente abatido e notou que Alhena também parecia levemente distante.

—O que foi? – perguntou ele. Ela o olhou tristonha e fungou.

—Não é nada... – murmurou ela.

—Me diz. Eu te machuquei? – perguntou ele.

—Não... digo... na verdade sim... – murmurou ela – Eu... eu estou triste... pelo que Draco fez...

—Está pensando nisso... agora?! – perguntou fechando a cara.

Alhena se virou e se sentou na cama.

—Desculpe, mas... mas eu não estou no clima agora, Damian... eu acabei de ver que meu melhor amigo... mentiu pra mim... me enganou e quase prejudicou meu casamento... e eu estou muito abalada com tudo isso.

Damian soltou um muxoxo e concordou.

—Ok... não vou te pressionar... mas ao menos fica aqui, deitada comigo? – perguntou ele. Alhena soltou um suspiro e concordou. Ficou abraçado com ela, se perguntando se seria capaz de continuar mentindo pra ela daquele jeito...

Nossa família precisa dessa mentira... ou tudo vai desmoronar...

E a culpa era toda do Draco.

Notas finais
Ai, Damian... para que tá feio... Então... quem nunca viu os pais brigando? Nossa... lá em casa já rolou altas cenas trauma... por isso que escrevo essas fics com todo mundo brigando... (Freud explica) Muito bem! Damian ainda não aprendeu a lição e agora tá cagando ainda mais no pau... quando que ele vai tomar aquele chá de realidade que ele tá precisando? Não sei... mas vamos ver o que vai rolar no próximo capítulo? =3 "-Suas irmãs são todas bonitas. Seus irmãos também e você... a genética foi bem generosa com a sua família. – riu Loto. —Pois é. – riu Draconis. —E como está a saudade do paizão? Pensei que ele iria estar aqui... —Sinceramente... eu também pensei... mas ele ainda está doente, né? Não vou ficar cobrando dele... só dele estar em casa e não internado já um milagre... – riu Draconis. —Ainda bem que o tratamento dele deu certo. – riu Loto suspirando e retirando a meia capa da Durmstrang. —É. – riu Draconis, que apesar de estar morrendo de calor, não quis tirar a capa. Achava o uniforme super maneiro e queria que o pai o visse completamente vestido." No próximo temos o Drac voltando pra casa... Preparem o S2, viu? Beeeijos! Titia ama vocês ^^