Notas iniciais
Oi, pessoinhas do meu S2 Vocês me conhecem... eu não consigo não postar... eu estou numa insônia fodida e amanhã eu tenho prova... E estou nervosa demais pra estudar... Devo (ou ao menos deveria) passar o dia de amanha sem nem olhar o Nyah... então me façam um favor e comentem!!! Sério... estou sentindo falta dos comentários... (claro que tá, Tia... você não tá dando tempo das pessoas comentárem...) Whatever... O próximo capítulo sai na quarta feira e se esse tiver dez comentários até domingo, eu posto no domingo... Vou desativar minha conta no Nya, mas não posto antes de quarta feira se não tiver comentários!!!! ù.ú Obrigada de S2 aos que sempre comentam, ok? ♥ Beeeijos. Titia ama vocês. #PartiuLer #CapítuloEnorme ps.: preparem o rage... ashuashausaus

Capítulo 49

Rasalas soltou um muxoxo.

—Isso é uma péssima ideia, Daphne. – disse pela terceira vez.

—Eu não acho. Acho que nesse momento de dificuldade, todos deveriam se reunir e se apoiar. – resmungou ela terminando de jogar molho no maior javali que Rasalas já tinha visto. Rabastan olhava para o prato com a gula brilhando em seus olhinhos prateados – Eu chamei todo mundo. Seus pais, meus pais, Pansy, Blair, Addie, Remus, Jacques, Damian e Alhena e Draco.

E só pode significar desastre.

Soltou um suspiro, se perguntando o motivo de ainda não ter contado pra Daphne sobre o que Draco tinha feito e sobre como Damian tinha destruído as memórias de Alhena e como ele queria que Alhena e Draco não se vissem.

Céus... vai ser mais um jantar desastroso... e esse javali parece estar tãaaaaao gostoso...

—Mamãe, deixa eu comer só um pedacinho? – perguntou Rabastan.

—Nada disso. Só vai comer quando seus irmãos chegarem.

—Por favor, mamãe. Nunca te pedi nada. – implorou o garoto e Daphne deu uma gargalhada. Rasalas riu também e suspirou.

—Eu tento filar o jantar antes de ficar pronto há anos, filho... desiste. – riu para o garoto, apertando a bochecha dele. Rabastan soltou um muxoxo e concordou com um aceno de cabeça.

—Rigel segue... – começou Daphne.

—Segue completamente desaparecido. – resmungou Rasalas – esconderam ele num lugar protegido por um encantamento do fiel segredo, então... não teremos chances de encontrá-lo tão cedo... minha mãe tá um caco.

—Eu só posso imaginar... credo... tudo acontece com a família de vocês...

—Nem me fale.

—Espero que o tio Rigel volte logo... ele me prometeu ensinar como conquistar as gatinhas. – riu Rabastan e Daphne deu uma risadinha.

—Ei. Eu posso te ensinar como conquistar as gatinhas. Olha só a sua mãe, eu conquistei sozinho, essa gatona. – riu Rasalas piscando para esposa, que sorriu divertida.

—Ah, papai. Você quem foi conquistado, fala sério. – riu Rabastan – E o tio Rigel é um profissional.

—Eu sou muito melhor com as gatinhas do que o seu tio. Ele não sabe manter um relacionamento. Não faria isso nem se a vida dele dependesse disso.

—Mas eu não quero namorar. Eu só quero dar muitos beijinhos. Tio Rigel falava que só perdedores namoravam, porque era o único jeito de fazer sexo com garantias.

Daphne abriu a boca em choque e Rasalas engasgou.

—Ok. Seu irmão é uma péssima influência pras crianças. Agora eu sei porque Navi e Lyra são dois depravados.

—Minha filha é uma depravada? – perguntou Rasalas arqueando a sobrancelha e Daphne engoliu em seco – Nem precisa responder... – resmungou enciumado – Por que Draco não teve filhas? Ele definitivamente merecia esse castigo cármico...

—Ele já é castigado o suficiente sendo apaixonado pela sua irmã. – riu Daphne.

—Tio Draco é apaixonado pela tia Lena? – perguntou Rabastan – Navi falou que ele que é o pai do Draconis.

—Navi fala muita besteira! – ralhou Rasalas – Ele vai levar uns puxões de orelha. Ah se vai...

—Vai nada... ele entrou pro time de quadribol. Você vai passar a noite conversando sobre isso com ele. – riu Daphne.

—Eu vou. Ele nunca me deixou tão orgulhoso. – riu Rasalas olhando o relógio – Hora de ir. Você vai ficar ai?

—Uhum. Diga pra todo mundo que podem vir direto pra cá. Já está tudo pronto. – riu Daphne movendo a varinha e jogando um pouco de calda no javali – Isso vai ficar uma delícia...

Rasalas escutou o estômago roncar e concordou com água na boca.

—Você vem, Rabastan?

—Não. Eu vou ficar aqui, papai. – riu o filho roubando uma batata assada da travessa.

—Ok... – murmurou indo para a sala, para aparatar.

Logo estava entrando na Estação. Os muitos pais esperavam o trem vermelho chegar com expectativa. Rasalas soltou um suspiro, se perguntando como seria o jantar. Deveria ter contado para Daphne, mas... mas parecia algo tão pessoal... algo que só deveria estar entre Draco e Damian... e bem... Alhena... ela quem deveria saber de tudo, não ele...

Ficou esperando o trem vermelho chegar, esperando calmamente, sentindo o estômago roer de fome. Foi quando sentiu alguém passar o braço ao redor de seus ombros. Olhou para o lado e viu Blair lhe lançar um sorrisinho.

—Olá.

—Ei, Blair. Como está?

—Um pouco nervoso... vou pegar minha filha pela primeira vez. – respondeu o gigante, realmente parecendo um tanto nervoso.

—Como está a relação com ela?

—Ah... muito boa. Somos mais amigos do que pai e filha, sabe? Eu achei que ficaria todo ciumento e controlador... mas na verdade eu estou bem tranquilo...

—Espere só ela aparecer de mãos dadas com algum marmanjo. – resmungou Rasalas lembrando de Lyra e Scorpius, para em seguida saber que seu sobrinho havia tirado a virgindade dela. Aquela juventude perdida não tinha jeito...

Blair deu de ombros e sorriu.

—Desde que ela se cuide para não prejudicar o próprio futuro, eu quero mais que ela curta bastante a vida. – disse ele e Rasalas o olhou levemente surpreso.

—Bem. Se ela estiver amiga das minhas duas pestes, certamente ela está curtindo a vida. – resmungou pensando no quanto que seus dois capetinhas eram dois depravados.

—Eu espero que ela tenha se entrosado bem. – murmurou Blair, dando de ombros novamente.

—Olá. – se virou, ao mesmo tempo que Blair e viu Draco se aproximar para apertar sua mão. Ele parecia muito cansado e usava um cachecol ao redor do pescoço, apesar de não estar realmente frio. Se perguntou se ele só estava tentando esconder alguma mancha púrpura e isso o deixou imensamente triste. Não era amigo de Draco como era de Damian, mas o loiro ainda era um de seus melhores amigos... – Como estão?

—Animado. – riu Blair.

—Tente não parecer, ou ela vai falar que você está prejudicando a reputação dela. – riu Draco, mas Blair revirou os olhos.

—Eu sinto muito por ela. – riu o gigante e os três amigos deram risadinhas – É pra irmos direto pra sua casa?

—Sim. O jantar já está pronto. – respondeu dando de ombros.

—Eu acho que vou jantar só eu e o Scorpius. – disse Draco – Eu tenho que me preparar psicologicamente para receber a filha do Cabeça-de-Fósforo, que agora é minha nora.

—Quando ela vem? – perguntou Rasalas, curioso.

—Depois que Scorpius for jantar na casa dos sogros dele... eu espero que eles devolvam meu filho vivo... – resmungou Draco olhando para os trilhos – O trem está chegando.

—Como está o Damian? – perguntou Blair, enquanto escutavam o apito do trem e a fumaça começava a aparecer no horizonte.

—Está bem. – disse Rasalas dando de ombros.

—Ele e a Alhena se acertaram? Eles estavam meio esquisitos naquele dia. – murmurou Blair olhando Draco com atenção. O loiro soltou um muxoxo e deu de ombros.

—Eu não tenho falado com os dois, então não sei. – respondeu ele.

—Eles estão tentando se acertar... – respondeu Rasalas dando de ombros.

—Eu espero que eles estejam melhorando... porque parecia que o Damian estava meio puto com ela e com você, Draco... há algo que você queira contar? – perguntou Blair. Draco o olhou friamente e Rasalas fez uma careta discreta, enquanto Blair encarava o loiro.

—Eu salvei a vida dele. Só isso. – resmungou o loiro – Mas ele resolveu me odiar porque eu sou mais bonito que ele e porque existe uma óbvia tensão sexual entre mim e Alhena. Que não vai ser aliviada, porque eu sei que ela é território proibido, diga-se de passagem. – adicionou ele. Rasalas piscou levemente surpreso com a resposta. Tinha pensado que Draco iria falar que não sabia o que estava acontecendo, ou então iria desconversar. Mas se fosse parar pra pensar, aquela resposta tinha sido até bem próxima da verdade absoluta...

—Oh. Falando no diabo. – riu Blair. Rasalas viu Draco soltar um muxoxo e colocar as mãos nos bolsos, olhando para baixo. Virou o rosto e viu Damian e Alhena se aproximarem e ficaram do lado oposto ao de Draco – Damian. O homem do momento. Como você está?

—Eu vou bem. – respondeu Damian com um sorriso feliz. Ele passou o braço ao redor dos ombros de Alhena e a beijou no rosto – Não é, amor? – e então ele deu um discreto olhar pra Draco, mas este não viu, já que parecia muito interessado no momento em olhar para os próprios sapatos. Rasalas achou aquilo um tanto desnecessário e olhou para a irmã, que parecia um pouco desconfortável com a situação.

—Sim, melhorou bastante... até voltou a ganhar peso.

—Pois é. O Dr. Amaru fez milagres comigo lá no Mungus. Eu posso ser o primeiro paciente a se curar completamente do Horklump, sabe? – riu Damian e Rasalas notou uma ruga na testa de Draco. Ele detestava não ser reconhecido pelas coisas que fazia e Damian meio que tinha dado o crédito de sua cura apenas ao Mungus e ao curandeiro... – Ele provavelmente vai ganhar uma Ordem de Merlin, primeira Classe se eu continuar melhorando.

—É claro que ele não vai ganhar isso sozinho. Havia mais pessoas envolvidas no seu tratamento. – disse Rasalas encarando o amigo.

—É, mas... o coordenador e figura mais importante certamente foi o Dr. Amaru. Não acha, amor? – perguntou Damian pra Alhena, que apenas suspirou, olhando para o trem que estava cada vez mais próximo.

—Uhum. – murmurou ela desinteressadamente. Draco a olhou levemente constrangido, mas Alhena não o olhou de volta. Ela olhava para o trem, parecendo ansiosa.

—Vocês vão pro jantar na casa do Rasalas, não vão? – perguntou Blair.

—Claro. – riu Damian – Eu não perderia a comida da Daphne por nada.

—Legal. Vamos estar todos reunidos, como nos bons tempos... com a molecada aprontando enquanto a gente enche a cara. Você já pode beber, Damian?

—Não. O médico me aconselhou a não beber. – respondeu Damian dando de ombros e puxando Alhena mais para perto. Rasalas viu sua irmã fazer uma careta de irritação, que não durou um segundo. Mas logo ela estava olhando o trem, que finalmente tinha parado – Não posso vacilar, não é? Eu pretendo ficar muito velho, ao lado da minha esposinha.

—E já deu pra mim. – riu Draco, parecendo irritado – Eu vou lá pra frente ver se meu filho vai sair com a namorada dele. Quem sabe eu arrume um motivo pra socar a cara do Weasley. Até mais tarde, Rasalas.

Não tiveram tempo de falar coisa alguma, pois o loiro simplesmente se virou e foi andando em direção do trem.

—Eu não sou um troféu pra você ficar exibindo, sabe? – perguntou Alhena, fechando a cara.

—Do que está falando? Eu não posso falar que quero ficar velho ao seu lado? – perguntou Damian, como se não tivesse feito nada de demais.

Alhena soltou um muxoxo e se desvencilhou dele.

—Cresce, Damian. Eu vou ver se a Daphne precisa de ajuda na cozinha. – resmungou Alhena, pegando a varinha e desaparatando de lá.

—Ok... o que aconteceu aqui? – perguntou Blair, parecendo confuso.

—Nada. – riu Damian – Eu só estava tentando ser romântico, não posso mais?

—Ele estava jogando na cara do Draco que ele tem uma esposa. E não uma esposa qualquer. Ele tem a Alhena. Sério que eu tenho que desenhar pra vocês? – todos se viraram e viram Pansy com um sorrisinho divertido.

—Pansy? O que você está fazendo aqui? – perguntou Rasalas.

—Ah, eu estava com saudades e precisava dar um tempo daquelas duas pestinhas que eu chamo de filhos.

—E por que Damian faria isso? – riu Blair – Não me diga que o Draco está realmente apaixonado pela Alhena.

—O mundo dá voltas. – riu Damian e Blair deu uma risadinha.

—Muitas voltas... – concordou Blair.

—Eu acho que você está agindo de maneira desnecessária. – murmurou Rasalas – Pra que cutucar a ferida do Draco?

—Você sabe muito bem o porquê. – resmungou Damian e Pansy deu um sorriso interessado.

—Oh... eu estou sentindo uma treta? – perguntou ela – Eu adoro uma treta. E descobrir os podres dos outros é tipo um talento nato que eu tenho. O que aconteceu?

—Não é da sua conta, Parkinson. – resmungou Damian e Pansy deu um sorrisinho travesso.

—Ok. Eu não tenho pressa. Apenas experiência, paciência e determinação... e quando se tem essas três coisinhas... uma pessoa é capaz de tudo. – riu ela passando a língua no canino, num sorriso travesso – Mas me digam. Alguma notícia do Draconis? Quando ele volta?

—Depois de amanhã. – respondeu Rasalas – Alhena está super ansiosa.

—Não é pra menos. Durmstrang não é pra qualquer um. Fiquei surpresa quando você me falou que ele tinha ido pra lá... – Pansy deu um suspiro e sorriu animada – E como anda seu pequeno destruidor de corações? – ela se virou para Blair e deu uma risadinha – Sério, o filho do Rasalas é pior que você e Draco juntos na época do colégio.

—Eu realmente duvido. – riu Blair.

—Não duvide. Sem falar na Lyra. Ela é um amorzinho. Eu adoro os filhos do Rasalas. São tão mais legais do os filhos do Damian e do Draco.

—Ei! Por que? – perguntou Damian.

—Porque os seus filhos são uns elfos domésticos muito bem treinados... com exceção do Draconis, que é o rebelde sem causa... Seus filhos são entediantes, Damian. Credo.

—Eles são bem educados, oras!

—Por acaso está dizendo que os meus não são? – perguntou Rasalas franzindo as sobrancelhas.

—Você é quem sempre diz que seus filhos são a encarnação do diabo, Rasalas. – riu Damian.

—Ele tem um ponto. – riu Blair.

—E você, Blair. Como se sente tendo uma filha? – perguntou Pansy pegando um cigarro do bolso.

—Ah. Não é assim tão assustador. Eu acho até que eu estou indo bem.

—Que bom, querido. Estava na hora de encontrar a mulher da sua vida. – riu Pansy – Eu encontrei o homem da minha. Meu filhinho amado, que algumas vezes me faz me arrepender de não ter tomado uma poção de esterilidade... mas eu amo assim mesmo. – ela acendeu o cigarro com a varinha, arrancando uma risadinha de Rasalas.

Logo Navi e Lyra chegaram, animados. As filhas de Damian chegaram juntas e ficaram enchendo-o de abraços e beijos. Blair cumprimentou a filha, que apresentou duas amigas dela, que eram duas meninas muito bonitas. Uma delas o deixou todo ouriçado e ele se lembrou de Fleur Delacour ao sentir o cheiro dela. Era uma veela, certamente.

Draco logo voltou com Scorpius, que tinha um imenso sorriso no rosto.

—Vocês não vão acreditar. Granger e a esposa do Potter me convidaram pra jantar com eles na semana que vem. Não é ótimo?! – rosnou ele apertando a nuca de Scorpius, com um sorrisinho zangado.

—Você pode sempre negar, Draco. – riu Pansy – Você não é obrigado a ir.

—E escutar o Weasley falar que sou eu quem estou fazendo de tudo para complicar a relação dos nossos filhos? Ah, não. Eu vou sim. E vou falar de todos os momentos constrangedores daquele cabeça de fósforo perdedor.

—Não se esqueça de contar do soco que a Mione te deu. – riu Rasalas e Draco até corou – Ou quando perdeu no duelo pra Gina... duas vezes.

—Eu posso contar como você tirou a virgindade dela, depois de traí-la com a Pansy. Seria uma excelente história pro jantar! – devolveu Draco, fazendo Rasalas corar.

—Papai! Você vai ficar comportado, ok? – ralhou Scorpius.

—Oh, meu querido... ser uma pessoa inconveniente é o comportamento padrão do seu pai. – riu Pansy.

—Somos parecidos pra caralho, não é, Pansy? – perguntou Draco.

—Sim, são ambos uns escrotos que gostam de tentar se meter no meio do relacionamento alheio. – riu Damian e as “crianças” trocaram olhares curiosos antes de olharem para Damian novamente. Navi soltou um longo assovio e olhou para Lyra.

—Eu não deixava. – provocou seu filho mais velho.

—Nem eu. – disse Lyra, parecendo se divertir. Rasalas revirou os olhos e viu que Pansy e Draco pareciam irritados com a insinuação.

—Olha só quem fala, não é, meu bem? – riu Pansy – Porque... se eu me lembro bem... Clover Burton era casada. – riu Pansy e Rasalas viu Rose corar com violência. Damian corou também e Pansy e Draco bateram na mão um do outro – Agora vamos pra casa do Ras, porque se eu for começar a soltar os podres do Damian aqui, ele volta pro Mungus... e eu não quero partir o coraçãozinho das filhas dele. – Pansy tragou o que tinha sobrado do cigarro de uma vez, jogou a bituca longe e aparatou, deixando um rastro de fumaça para trás.

—Cara... eu odeio essa mulher. – resmungou Damian.

—Pois eu nunca achei Pansy tão sensata e nobre. – provocou Draco, segurando no ombro de Scorpius para aparatar em seguida. Blair e Rasalas ajudaram Damian aparatar com as filhas e logo estavam todos em sua sala.

Draco colou em Pansy e Nancy, se recusando a sair de perto delas, inclusive brincando com os dois garotos que elas tinham, que estavam com dois ou três anos. Alhena se escondeu na cozinha com Daphne, e Damian ficou sendo mimado pelos filhos.

Navi parecia meio deslocado sem Draconis, mas ficou de papo com Rose e Trixie, enquanto Lyra e Scorpius conversavam num canto mais distante.

Era muito bom ter a casa cheia novamente. Ele e Blair abriram uma garrafa de vinho e os dois começaram a beber. Logo Nancy e Pansy vieram filar da garrafa e quando Blair ofereceu uma taça para Draco, ele recusou com um sorriso.

—Eu decidi parar de beber. – disse ele. Blair o olhou surpreso e logo em seguida sorriu.

—Mas você vai ficar muito chato. Não fuma. Não bebe. Não come carne. Daqui a pouco vai parar de foder... se é que já não parou. – debochou Blair.

—Ah, isso eu continuo fazendo, não se preocupe. – e Draco deu um sorrisinho maligno para Blair, que franziu a testa – Eu sou solteiro, sabem? – perguntou Draco pegando um pedaço de queijo com um palito. Mas então ele perdeu o sorriso e pareceu tenso.

Reconheceu os momento pré crises de tosse de Damian e soube de imediato que logo Draco começaria a tossis desvairadamente.

—Draco! Eu preciso falar com você, em particular! – disse se levantando. Draco estava completamente vermelho pelo esforço de não tossir. Pegou o amigo pela mão e o guiou até o quarto, para então fechar a porta – Abaffiato.

E então Draco se curvou tossindo sem parar. O ajudou a se manter em pé, enquanto o amigo tossia, tossia e tossia. A boca dele começou a sangrar e o loiro começou a ficar sem ar. E quando achou que não poderia ficar pior, Draco correu até a janela, a abriu e vomitou. Ficaram em silêncio por um momento, escutando apenas a respiração ofegante de Draco, que soltou um gemido e se deixou cair no chão.

Correu até ele, assustado e Draco fez uma careta de dor, segurando as costelas. Os lábios dele estavam sujos de sangue e um pouco escorria pelo queixo dele. Ficou olhando assustado para ele, que respirou fundo e escondeu o rosto com as mãos.

—Eu não quero morrer, Rasalas... eu não quero... eu tenho tanto pra viver ainda... mas... mas parece que eu não vou conseguir...

—Você salvou o Damian, Draco. Você pode fazer o mesmo por você...

—Mas não está funcionando. – lamentou ele – Não está... – e então ele voltou a tossir de novo. Repetiu o feitiço do abaffiato, já que Draco tinha aberto a janela e isso provavelmente teria cancelado o feitiço. Ficou em silêncio escutando o amigo tossir, sujando as mãos de sangue. E a cada vez que ele parava de tossir, ele fazia uma careta de dor, pressionando as costelas – Desculpe por isso... – murmurou o loiro, sem jeito.

—Ei... Quem é você e o que fez com o Draco? O Draco que eu conheço não pede desculpas! – disse com um sorriso. Draco suspirou e mirou o chão, parecendo infeliz.

—Estar com a data de validade expirando muda as pessoas... – murmurou Draco, muito pálido... ou apenas fosse o contraste da pele clara dele com todo aquele sangue...

*

Alhena espiou pela porta e viu Damian conversando feliz e animado com Prim, Cerce, Dido e Rose. As quatro pareciam super felizes por ter o pai de volta e isso aqueceu o seu peito. Ver aquela cena a deixava feliz. Aquele era o Damian que ela conhecia e amava. Aquele pai dedicado. Aquela pessoa carinhosa e sem arrogância... não com os amigos, pelo menos.

Sentiu o olhar do marido sobre si. Ele beijou Prim na testa ainda a olhando e lhe lançou uma piscadela. Sorriu pra ele e piscou de volta, mas logo foi para a cozinha, ajudar Daphne a preparar a mesa. Tinham feito um feitiço alongador na mesa para deixá-la mais espaçosa e tinham conjurado mais cadeiras.

Seus pais estavam abatidos, assim como Polaris e provavelmente iriam permanecer daquele jeito até o retorno de Rigel. Jacques parecia exultante ao lado do filho e Póllux e Castor falavam sobre a loja com entusiasmo. Remus e Addie conversavam com seus pais, muito sérios. Viu Navi e Rose um tanto tristonhos e imaginou que era saudades de Draconis. Suspirou sentindo falta do filho também... céus, como queria abraçá-lo. Queria dar nele o mais longo e apertado abraço do mundo.

Suspirou e seus olhos caíram sobre Draco, sem que pudesse evitar. Ele conversava com Pansy e parecia muito calmo.

Sorriu desviando o olhar e fez a travessa do javali pousar delicadamente sobre a mesa. Então se sentou entre o marido e Prim.

—Muito bem. Podem atacar! – riu Daphne olhando o javali.

Logo o som dos talheres tomou a sala de jantar e conversas bobas e cotidianas começaram a tomar a mesa. Navi falou sobre como a Sonserina tinha ganhado o campeonato – e não graças a ele. Lyra falou como estava confiante de que tinha ido bem nos N.O.M.s. Scorpius, Cerce e Dido pareciam confiantes também. Prim falou como estava super contente por ter conseguido a vaga de goleira e Damian a olhou cheio de orgulho.

—Como a sua avó. Ela estaria super orgulhosa. – garantiu ele.

—Nossa... que ódio que eu tinha da Corecha. – resmungou Rabastan – Ela agarrava tudo e Addie não deixava ela livre nunca.

—A Grifinória tinha o melhor time de todos. Aceita que dói menos, Rabastan. – riu sua mãe, mesmo que a risada dela não fosse completa.

—Ah, sim... quadribol... sua mãe foi a melhor goleira que eu já vi. – disse Jacques, sonhador.

—Deve estar no sangue. – riu Alhena – Por isso você e Draconis são bons no quadribol. Tiveram os dois lados... – mas ela se calou porque Draco se engasgou com alguma coisa. Rasalas o olhou assustado e lhe deu uns tapinhas nas costas, enquanto Pansy dava risadinhas.

—Pimenta! – resmungou ele – Tem muita pimenta! – repetiu ele pegando o suco de Órion e bebendo tudo de uma vez. Damian o olhava feio e Draco parecia completamente constrangido.

—EEEEI! Isso era meu! – ralhou Órion.

—A vida tem dessas, garoto. Eu pego mais pra você. – resmungou Draco se levantando e indo até a cozinha.

—Pai, a jarra está aqui! – riu Scorpius – O velho tá meio louco, hoje. – murmurou ele arrancando uma risadinha de Navi.

—Scorpius. Seu pai é tão bonitão... – murmurou Trixie – Ele tá solteiro?

—E por que você quer saber? É a segunda vez que me pergunta isso! – riu Scorpius – Tá querendo é? – perguntou ele, provavelmente esquecendo que Blair estava ali. Alhena olhou o amigo, que não pareceu se importar, comendo tranquilamente.

—Só por curiosidade, oras. – riu ela.

—Uhum, tá bom, querida. Você mente e a gente finge que acredita. – riu Pansy – Mas Draco está muito bem. Ele só emagreceu um pouco.

—Ah, mas ele continua muito bem. – riu Trixie e logo Draco voltou com o copo de Órion.

—Aqui está. – murmurou ele. Sentiu a mão do marido em cima da sua e o olhou. Ele lhe lançou um sorriso carinhoso e entrelaçou os dedos da mão. Sorriu de volta e o afagou na mão ossuda com o dedo. Mas logo se soltaram e voltaram a jantar.

—Então, Lena. – riu Pansy – Você e o Damian são um casal tão fofo.

—Obrigada. – respondeu simplesmente, acariciando a mão do esposo.

—Como pode... e vocês namoram desde... desde quando? – perguntou ela e Draco esbugalhou os olhos, virando o rosto para Pansy, que parecia completamente alheia ao comportamento dele.

—Desde o sexto... – respondeu ela.

—Pois é. Muito tempo, né?! – perguntou Rasalas um tanto alto demais – Amor! Esse javali está maravilhoso!

—Quase tanto tempo quanto Daphne e Rasalas, não é? – perguntou Pansy, de maneira quase angelical e Draco pareceu ainda mais nervoso.

—Sim. Começamos a namorar pouco depois. – riu Alhena.

—É, mas vocês terminaram uma... – começou Daphne e Draco se levantou.

—Blair, eu posso chamar sua filha pra sair qualquer dia desses?! – perguntou ele de uma vez e todo mundo olhou meio surpreso pra ele.

—Pera, o que?! – perguntou tia Addie.

—Você não é muito velho pra ela? – perguntou Remus.

—Quantos anos tinha minha prima quando você começou a engravidá-la? – devolveu Draco.

—Eu era mais novo que você e ela era mais velha do que a Trixie. – devolveu Remus e Draco soltou um muxoxo.

—É verdade. Pansy, posso falar um minuto com você? A sós?!— sibilou ele.

Alhena ainda estava tentando entender o que tinha sido aquilo, mas quando notou um sorrisinho de Pansy, entendeu que algo suspeito realmente estava acontecendo. Os dois se levantaram e saíram, indo para o corredor, conversando aos sussurros.

—Amor, você sabia que o Navi levou mais nove detenções esse semestre?! – perguntou Rasalas e Daphne o olhou chocada. Navi abriu a boca em espanto.

—PAAAAI!

—E quatro delas foram por transar nas estufas. O Neville disse que vai começar a perder a paciência com ele.

—PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI! – ralhou Navi – Foram cinco detenções por sexo nas estufas e um amasso mais... forte.

—Você é nojento. – ralhou Cerce.

—Mas eu passei a me comportar, mãe! – disse Navi enquanto Daphne parecia inchar em cima da mesa.

—Sim, eu estou ficando de olho nele, tia. – riu Dido.

—Eles estão namorando. É o que todo mundo diz na escola. – riu Prim. Alhena piscou surpresa e Rasalas e Damian sorriam ao mesmo tempo.

—É SÉRIO?! – perguntaram os dois.

—Vocês estão namorando!? – perguntou Rasalas com um sorriso completamente feliz.

—Nossos filhos estão namorando! – comemorou Damian.

—Ei, ei... EI! – gritou Dido – Nós não estamos namorando. É só um boato idiota que está rondando a escola.

—Isso mesmo. Nós não estamos nem nos beijando. – resmungou Navi – Mas não por falta de iniciativa minha. – resmungou ele.

—Por que você não dá uma chance pro Navi, Dido? – perguntou Damian.

—Porque ela é mais esperta que isso, provavelmente. – riu seu pai – Navi é o Sirius Black da geração dele. Ninguém em santo juízo iria querer namorar uma pessoa dessas.

—EI! Eu estou mais comportado agora, ok? – perguntou Navi – Sem detenções, sem transar com ninguém... minhas bolas vão explodir.

—Navi. Não fale sobre bolas no meio da refeição! – ralhou Prim.

—BOLAS! BOLAS! BOLAS! BOLAS! BOLAS! – gritaram Rabastan neto e Órion. Alhena e Damian olharam com censura para o caçula, que logo se calou, mas Rabastan neto ainda gritou umas três vezes a palavra “bolas” antes que notasse o olhar furioso de Daphne e calasse a boca.

**

—Ele volta hoje! – riu Rose tirando suas roupas do armário, querendo escolher algo muito bonito. Estava tão feliz que não conseguia parar de sorrir e nem de pular de um pé para o outro. Provou quatro vestidos, três blusas, uma saia e uma calça, mas simplesmente nada a agradara.

Soltou um muxoxo e se sentou, só de toalha na cama, quando suas irmãs entraram no quarto (elas ainda dividiam o quarto).

—Nossa. Que zona. – riu Cerce – Não conseguiu achar nada pra vestir?

—Não. – resmungou Rose – Tudo fica desconfortavelmente apertado nos meus peitos.

—Eles cresceram bastante. – riu Cerce. Dido deu de ombros, também enrolada na toalha. Ela se sentou na penteadeira e começou a escolher a maquiagem. As gêmeas já tinham escolhido lindas vestes bruxas pra vestir, afinal, os herdeiros de várias famílias ricas e tradicionais bruxas estariam lá... e as duas queriam chamar a atenção e flertar um pouquinho com os estrangeiros, quem sabe até ser convidadas pra algum baile. Essas tradições bruxas estavam se perdendo na Grã Bretanha, por poucas famílias de sangue puro acharam sensato mantê-las – Quer ajuda?

—Pelo amor de Merlin! – riu Rose, que finalmente estava se sentindo relativamente próxima de Cerce. Foi Dido quem a confortou no dia em que tinha imaginado que seu pai tinha morrido, mas não passou daquilo. Porém, Cerce parecia mais disposta a se aproximar depois daquele dia.

—Ok. Você tem os olhos muito azuis do papai... então temos que caprichar numa maquiagem neles... – Cerce foi até as coisas dela e pegou o estojo de maquiagem. – A cor dos Burton é preto e azul, então a gente pode fazer algo assim...

—Eu quero vermelho. – pediu Rose. Cerce piscou surpresa e Dido largou o estojo de maquiagem em cima da penteadeira com alguma força.

—Você não tem o sobrenome Burke. – ralhou ela.

—E daí? Os Burke não são donos da cor vermelha! – resmungou Rose.

—Não. Mas você quer usar só porque é a nossa cor! – resmungou Dido – Por que gosta de ser tão implicante?

—Porque precisa ficar me excluindo? Somos irmãs, ok? – devolveu. Dido bufou, indignada e se virou novamente para se olhar no espelho.

—Ok. Faz o que quiser. – rosnou ela.

—Espere. – riu Rose se virando para Cerce – Eu quero algo verde e prata.

—As cores da Sonserina? – perguntou Cerce, curiosa.

Não... dos Malfoy. Pensou com um sorrisinho. Cerce deu de ombros.

—Tem algum vestido verde pra me emprestar?

—Devo ter. – riu Cerce – Que tom de verde?

—Verde esmeralda. Bem escuro.

—Ok. Então vamos fazer sua maquiagem prateada e preta, pra destacar os olhos... mamãe tem uns colares de esmeralda. Acho que ela te empresta um. – riu Cerce. Rose sorriu animada e deixou sua irmã lhe fazer a maquiagem, porque a verdade era que não sabia fazer aquilo.

Cerce lhe ajudou com o vestido e Rose mesmo fez o penteado. Quando já estava no vestido, Alhena apareceu com o colar mais lindo que já tinha visto na vida.

—Meu pai quem me deu, quando fugiu de Azkaban pela primeira vez. – riu ela – Tome muito cuidado com ele, ok? É meu colar favorito.

—Pode deixar, Madame Burke. – disse animada, botando o colar. Adorou como estava, a maquiagem, o penteado, o vestido e as joias. Draconis iria suspirar ao vê-la...

Dido estava de vermelho e dourado, enquanto Cerce resolveu fazer uma brincadeira.

—Já que você vai de Sonserina, eu vou de Corvinal. – riu ela, colocando um vestido muito justo e curto, azul marinho, com um sapato cor de cobre, brilhante, com o maior salto que ela já tinha visto. As duas gêmeas eram muito lindas, mas Cerce tinha uma aura de nobreza que a própria gêmea não tinha. Era a postura, ou... não sabia explicar.

—Você está linda. – riu Rose.

—Você também. – disse Cerce, parecendo animada – Vamos lá ver os garotos malvados da Durmstrang.

As três foram juntas para a sala, onde Prim as esperava num bonito vestido cor de pérola. Os cabelos negros dela estavam presos num coque cheio de tranças. Órion estava com trajes a rigor, com os cabelos negros penteados para trás. E ele estava fazendo uma pose arrogante na frente do espelho.

—Você está lindo, Órion.

—Você também, mana! – riu ele – Tá muito bonita mesmo.

Rose sorriu feliz, completamente ansiosa para ver Draconis de novo. Seu coração não desacelerava por nada. Sua madrasta logo apareceu, com um vestido vinho, com um decote nada comportado. Madame Burke, mesmo que não fosse muito magra, era muito bonita. Estavam todos esperando seu pai, quando ele apareceu de bermuda e regata.

—O que está vestindo? – perguntou Órion – Eu me arrumei todo, por que o papai tem que ir assim?

—Eu não vou. – respondeu seu pai. Um silêncio constrangido pairou na sala e todo mundo se entreolhou.

—Como assim não vai? – perguntou Alhena.

—Eu não estou me sentindo disposto. – resmungou seu pai se sentando no sofá.

—Damian... o Draconis não te vê há meses. Ele não fala com você há meses! – ralhou Madame Burke, mas seu pai, para seu horror, apenas deu de ombros.

—Eu falo com ele quando ele chegar em casa. – murmurou seu pai como se não ligasse muito. Por um momento estava naquela visão maluca da aula de adivinhação, onde seu pai e Draconis não se gostavam. Ficaram todos em silêncio por alguns segundos, digerindo aquilo.

—Eu posso falar com o Draconis quando ele chegar em casa também? – perguntou Órion – Eu queria continuar brincando com a minha vassoura...

Rose viu Madame Burke semicerrar os olhos, mas seu pai respondeu.

—Pode ser, Órion. É até melhor que sua mãe não tem que aparatar com tantas pessoas. – disse seu pai calmamente, pegando a edição do dia do Profeta Diário para ler. Todos olharam para Alhena, que simplesmente suspirou.

—Ok. Vamos, meninas. – disse ela parecendo levemente triste.

Rose segurou a mão de Prim para aparatar e no segundo seguinte estavam na estação 9 ¾, onde o trem chegaria. Viu muitas famílias nobres por ali, mas não tantas quantas nos dias que o Expresso Hogwarts vinha. Provavelmente porque a maior parte das famílias Britânicas priorizavam Hogwarts. Mas mesmo assim era bastante gente.

Pessoas que apenas pelo modo de se vestir diziam o que eram. Puros sangues. Famílias muito ricas. Os tradicionalistas... os elitistas. Provavelmente seria uma delas se seu pai não tivesse sido preso. Ele tinha estudado em Durmstrang, não tinha?

**

Draconis gargalhou, pulando em cima de Loto, junto com Vlad. Loto tinha se formado e terminado a escola, apesar de ter se inscrito para um programa de especialização. Ele tinha feito os N.I.E.M.s e agora era um bruxo formado e preparado para o mundo.

—Não vai mais andar com a gente, porque é um bruxo adulto. – debochou Vlad.

—Não vai mais querer andar com as crianças. – debochou Draconis, enquanto Loto tentava se desvencilhar deles.

—Parem com isso ou ele vai colocar vocês de castigo, meninos. – riu Harley.

Estavam todos de uniforme, como era obrigatório. Os cabelos raspados (menos Harley, que não era obrigada a raspar a cabeça por ser mulher), os uniformes naquele marrom avermelhado. Mesmo Loto, que tinha se formado, usava o uniforme, que era muito mais bonito que o uniforme de Hogwarts.

—Eu ainda azaro vocês três. – resmungou Loto. Mas nenhum dos três se intimidou.

Depois de muita algazarra, os quatro se sentaram, ainda rindo muito (Loto estava meio irritado, na verdade). Draconis ficou de pé, na janela, adorando o ar quente do verão. Sentia muita falta do verão Britânico. Sentia falta do calor... sentia falta dos primos, dos pais, dos tios, dos irmãos e principalmente de Rose.

Ele e Loto tinham combinado de que iriam fazer aquela farsa. Loto iria fingir estar interessado em Rose e enquanto eles fingiam namorar, Draconis aproveitaria para ficar com ela. Respirou sentindo borboletas na barriga, louco para vê-la novamente. Quando o trem começou a desacelerar, seu sorriso animado se tornou permanente.

—Ainda bem que vamos para o baile dos Gaunt. Ou nem iríamos pegar o segundo trem juntos. – riu Vlad.

—É verdade. – riu Draconis. Harley tinha tirado a meia capa dos ombros e a jogado em cima do malão, enquanto se abanava com um leque.

—Merlin. É quente demais aqui. – ralhou ela.

—Você acha? – riu Vlad – Em casa é mais quente.

—Eu me acostumei com a temperatura da escola. – resmungou ela.

Draconis se curvou na janela, ansioso para descer. Loto riu de se entusiasmo e se levantou para puxá-lo.

—Vem cá. Deixa eu ver se você está arrumadinho. – riu ele. Draconis se empertigou todo e Loto o ajudou a ficar completamente impecável.

—Eu nunca entendi o rolo de vocês. – riu Vlad – Vocês são ou não são um casal?

—Não somos um casal. – riu Draconis – Loto não me assume nunca. – disse de brincadeira e Loto revirou os olhos.

—Eu sou completamente hétero. Como eu vou te assumir? – perguntou Loto com um sorrisinho travesso, enquanto prendia sua meia capa de maneira correta – Sem falar que o Drac aqui gosta de uma garota ai... e eu vou namorar a irmã dele.

—É mesmo? E ela sabe que você é bi? – perguntou Harley – Ela é gata?

—Ela é. – riu Loto – As irmãs dele são todas lindas.

—Apresenta, Drac. – disseram os gêmeos com sorrisinhos divertidos. Draconis deu de ombros.

—Mas a Rose é minha. – disse Loto, lhe dando uma piscadela. Draconis sorriu e o trem parou de uma vez. Os quatro trocaram olhares animados e se prepararam para sair.

As cabines abriam uma de cada vez, a medida que os alunos saíam, para garantir que todos saíssem de maneira organizada. Tiveram que esperar uns cinco minutos até que a porta da cabine se abrisse e eles pudessem sair. Foram marchando atrás dos alunos da cabine da frente e quando o ar quente do fim da tarde acertou seu rosto, sentiu-se finalmente em casa.

Olhou para Loto, que o segurou no ombro.

—Vem. Antes de tudo eu quero apresentar você pros meus pais. E vou avisar que vou passar uns dias na sua casa também. – disse seu veterano. Concordou, apesar de desejar correr para a família.

Os pais de Loto não estavam longe e olharam o filho com profundo orgulho.

—Seus pais vão me odiar pelo que meu avô fez... – murmurou constrangido.

—Relaxa e me segue. – sussurrou Loto. Apenas concordou. Os pais do amigo o olharam levemente curiosos, mas em seguida abraçaram Loto com saudades dele.

—Meu garoto virou um homem... – suspirou o pai dele. Loto sorriu e abraçou a mãe, a pegando no colo e a girando.

—Oh, meu Merlin, Loto! – riu ela. Loto se parecia muito com a mãe, mas o sorriso dele era o mesmo do pai. Podia notar isso com facilidade – Você ficou mais alto, querido. Quem é o seu amigo?

—Esse é Draconis Burke. – riu Loto. Os pais dele fizeram cara de susto – Eu sei que o avô dele fez vocês passarem um susto, mas o Draconis é muito legal. E tudo o que o Nott e o Gaunt saíram falando dele era mentira. – disse Loto – Drac é tão homem quanto eu.

Os pais dele o olharam com desconfiança e Draconis ergueu a mão para eles.

—Draconis Burke, Sr. e Sra. Yaxley. – disse firme. O pai de Loto apertou sua mão e a mãe dele o abraçou.

—Se meu Loto diz que é uma boa pessoa, então deve ser mesmo. Já conhece a Launet? – perguntou ela. Draconis piscou, surpreso.

—Quem?

—Minha irmã. – riu Loto.

—Você tem uma irmã? – perguntou surpreso.

—Beauxbatons. E ela é mais velha que eu. Não ele não conhece a Lana. LANA! – riu Loto. Draconis piscou e viu a garota, que era irmã dele. Ela era bem bonita, morena como Loto, com os cabelos bem negros e lisos, compridos e sedosos. Mas o que mais chamava a atenção nela eram os olhos violetas – Lana. Esse aqui é meu amigo. Draconis.

Draconis olhou para a mulher, que sorriu para ele.

—Prazer, Draconis. – riu ela, para em seguida abraçar o irmão – Que saudade, Loto...

—Pois é. – riu Loto – Pai, mãe. Eu vou pra casa do Drac hoje, de boa? Volto pra casa em dois dias.

—Por que? – perguntou o pai dele.

—Você já viu a irmã dele? – perguntou Loto com o sorriso mais safado da face da terra e Draconis precisou acertar uma cotovelada nele – Ouch... cunhadinho... achei que já tivéssemos superado a etapa da negação.

—Mantenha os seus dedos abusadores longe da minha irmãzinha. De todas elas. – ralhou Draconis e Loto riu se divertindo. A mãe de Loto ainda estava séria, mas o pai dele pareceu achar tudo aquilo lindo.

—Bem... uma Burke, não é? Onde estão os seus pais, Draconis? Podemos acertar esses detalhes.

—Claro. – riu Draconis se virando e procurando pelos pais. Andou a esmo por alguns momentos e logo encontrou suas irmãs Dido e Cerce com os olhos – Ali! – disse animado e morrendo de saudades da família. Esqueceu as normas de etiquetas por um minuto e correu até Dido, para agarrá-la por trás e girá-la no ar.

—Oh, meu Merlin! – gritou ela de susto. Quando a colocou no chão, foi atacado por todas suas irmãs, que pularam em cima dele. Gargalhou animado e imensamente feliz por estar novamente com a família. Era impressionante o quanto sentira falta deles. De todos eles.

Prim o encheu de beijos no rosto, Cerce começou a chorar, Dido o abraçou apertado, dizendo que ele estava mais lindo do que nunca e Rose tentou roubá-lo de Dido para abraçá-lo também, nem que fosse um pouquinho. Mas eram muitas pessoas o disputando, então era meio difícil decidir a quem deveria dar atenção primeiro.

—Vocês podem soltar o meu irmão, por favor? – perguntou uma voz, cheia de divertimento... então ele soube quem deveria abraçar primeiro. Suas irmãs o soltaram e ele sorriu para seu melhor amigo no mundo, que estava mais alto do que ele, com aquele sorrisinho tão típico dele no rosto.

—Bro Code... Bros antes das Minas. – riu Draconis avançando até Navi, para abraçá-lo – Não imaginei que estaria aqui! – disse feliz dando tapinhas nas costas do primo.

—Achou que eu iria deixar de vir, seu bosta? – brincou Navi o abraçando apertado – Cara, temos tanto pra conversar. Não sei nem por onde começar. – riu Navi. Draconis sorriu animado e concordou – O que ele está fazendo aqui? – perguntou Navi, olhando com desconfiança pra Loto.

—Olá, Lestrange, quanto tempo. – riu Loto – Senhora Burke, está bonita como sempre.

—Obrigada... – murmurou sua mãe.

Draconis soltou Navi e abraçou a mãe, a beijando com força na bochecha e a apertando, morrendo de saudades.

—Mamãe, queriiiiida! – riu ele.

—Draconis, eu não consigo respirar! – ralhou ela, mas ele não a soltou, carente do chamego dela. A beijou no rosto de novo, surpreso com o quanto ela era baixinha e suspirou recebendo um abraço dela também – Oh, que saudades, meu filho.

—Muita, mãe... – sussurrou se afastando de leve dela – Como está o papai?

—Está bem. Está em casa, te esperando. – murmurou sua mãe.

Sentiu algo estranho no peito ao escutar aquilo. Piscou um tanto surpreso e imaginou que o pai deveria estar muito doente, já que não tinha vindo.

—Mas ele... ele está... ele está bem? Não está no hospital?

—Seu pai tentou outro tratamento experimental que... funcionou muito bem. – disse sua mãe, com alguma cautela. Draconis piscou confuso.

—Então... ele está bem?

—Está sim. Ele está muito melhor. – riu Prim, animada – Ele está até trabalhando.

Draconis abriu a boca, feliz, mas com algo frio na barriga.

—Então... então por que ele não veio me buscar? – perguntou surpreso.

—Porque ele não estava se sentindo muito bem. Ele ficou com o Órion. – explicou Cerce – Mas ele está te esperando, Drac.

Concordou com um aceno de cabeça, achando aquilo muito estranho.

—Mãe... eh... – ele virou para a mãe, ainda confuso quanto à saúde do pai – Hum... esse é um amigo meu, o Loto. Ele pode ir lá pra casa hoje? Pra dormir? – perguntou segurando Loto no ombro.

—É um prazer, senhora Burke. – riu Loto – Eu prometo me comportar.

—Ele jura solenemente. – brincou Draconis e Loto deu uma risadinha.

—Hum... – murmurou sua mãe.

—Olá, Alhena. Quanto tempo. – riu o pai de Loto. Alhena o olhou e sorriu.

—Yaxley! – riu ela – Minha nossa. Faz muito tempo mesmo!

—Vocês se conhecem? – perguntou Loto, surpreso.

—Sim. Eu era veterano dela, em Hogwarts. Mas quando eu estava no meu sexto ano, ela mudou de escola. Fiquei sabendo que você pegou minha vaga no quadribol, quando eu me formei.

—Sim. – riu ela – Mas eu não era tão boa quanto você. – garantiu ela.

—Eu não sabia que nossos filhos eram amigos. E você teve muitas filhas, heim? Todas muito bonitas. – adicionou o Sr. Yaxley olhando para suas irmãs. Dido e Cerce sorriram de maneira idêntica, Prim deu seu sorriso doce e tímido e Rose apenas sorriu. Os dois trocaram um olhar e ele a olhou de verdade pela primeira vez.

Abriu a boca, em choque, a achando maravilhosamente linda naquele vestido verde escuro, com detalhes em prata. Nunca a tinha visto tão produzida. Ela estava maravilhosa, sublime, perfeita. Por um momento esqueceu de si mesmo. Por um momento só existia ele e Rose.

Ela sorriu para ele, parecendo feliz e ele sorriu bobamente de volta. Estava meramente consciente de que estavam conversando, mas as vozes das outras pessoas não o alcançaram. Quando Loto passou o braço ao redor dos seus ombros, pulou de susto.

Piscou e o olhou confuso e ele sorriu.

—Oi, Rose, lembra de mim? – perguntou Loto.

—Hum... oi? Lembro. – disse ela o olhando brevemente, mas logo voltando a encarar Draconis, que sorriu bobamente.

—Eu estava falando com o seu irmão e... depois de passar os últimos meses insistindo muito, ele me deu a bênção dele pra te chamar pra sair qualquer dia desses.

—Como é? – perguntou Rose com uma risadinha desdenhosa, como se não estivesse acreditando no que estava ouvindo, mas Draconis falou.

—Ele é legal, Rose. Podíamos sair nós três qualquer dia... eu vou ficar vigiando, é claro.

—Até que confie em mim a ponto de saber que eu não vou abusar de você. – riu Loto travesso, piscando para ela.

Rose corou completamente e o olhou surpresa. Podia ler o olhar dela de: ele sabe de nós? Respondeu com um de: sim, ele sabe e está tudo bem.

Rose abriu a boca de espanto, mas em seguida sorriu para Loto.

—Bem... por que não? – riu ela.

—Que bom. Podemos aproveitar esses dias que vou passar na casa de vocês pra nos conhecermos melhor.

—Já está combinado? – perguntou Draconis meramente confuso.

—Você não ouviu nossos pais conversando? – riu Loto com um sorrisinho sacana. Draconis riu sem jeito e olhou para Rose.

—Não...

—Muito bem... vamos? Navi, como você veio pra cá? – perguntou sua mãe batendo palmas. Cerce acenou para um aluno qualquer da Durmstrang, que era do quarto ou quinto ano e o aluno acenou bobamente para ela, antes que os amigos dele rissem e o empurrassem de leve.

—Noitibus. – respondeu Navi dando de ombros – Eu vou voltar pra casa agora... de noitibus também. Vamos combinar de sair, ok? – perguntou seu primo – Eu, você, a Rose e... e o Yaxley. Não lembro o número da regra, mas um Bro do meu Bro é meu Bro, certo?

E Navi estendeu a mão para Loto. Loto sorriu parecendo contente e apertou a mão de Navi, de volta.

—Certo. – disse Loto – Bro. – ele piscou para Navi e sorriu – Não se preocupe, Lestrange. Por mais que eu e Draconis estejamos mais próximos... você ainda tem o título de melhor amigo.

—Como assim “ainda”? – perguntou Navi com um sorrisinho – Esse título vai ser meu até o fim dos tempo, ouviu?

Loto sorriu e concordou com um aceno de cabeça, largando a mão de Navi.

—Eu não duvido disso nem por um segundo.

Todos se despediram e foram pegar o noitibus. Descobriu que Loto nunca tinha andado de noitibus, pois o amigo parecia meio desconfiado, com medo de que alguém suspeito aparecesse e os rendessem, para roubá-los, ou qualquer coisa assim. Ficou espiando Rose o tempo todo e Loto notou, rindo dele.

—Céus, você está tão ‘xonado. – riu ele.

—Perdidamente... não sei como vou fazer se não conseguir dar pelo menos um beijo nela hoje... – murmurou ele. Loto riu e olhou discretamente para Rose.

—Suas irmãs são todas bonitas. Seus irmãos também e você... a genética foi bem generosa com a sua família. – riu Loto.

—Pois é. – riu Draconis.

—E como está a saudade do paizão? Pensei que ele iria estar aqui...

—Sinceramente... eu também pensei... mas ele ainda está doente, né? Não vou ficar cobrando dele... só dele estar em casa e não internado já um milagre... – riu Draconis.

—Ainda bem que o tratamento dele deu certo. – riu Loto suspirando e retirando a meia capa da Durmstrang.

—É. – riu Draconis, que apesar de estar morrendo de calor, não quis tirar a capa. Achava o uniforme super maneiro e queria que o pai o visse completamente vestido.

Os minutos se arrastaram e, quando finalmente chegaram em casa, seu coração estava doendo de saudades. Rose abraçou seu braço e ele sorriu contente pra ela. Se curvou, para falar no ouvido dela, algo que queria que só ela ouvisse.

—Ainda posso sonhar com você?

—Só sonhar? – sussurrou ela de volta. Trocaram um olhar cúmplice e sorriram constrangidos, desviando o olhar um do outro. Não poderiam dar muita bandeira – Então... esse lance com o Loto... – sussurrou ela.

—Ele sabe de nós e vai ser seu namorado de fachada... se você quiser...

—Nada de experiências a três, ouviu? – ela sibilou o beliscando de leve no braço. Deu uma risadinha e concordou.

—Ciumento do jeito que eu sou? – perguntou a olhando obliquamente – De jeito nenhum.

—Do que vocês estão falando, heim? – perguntou Loto passando o braço ao redor de seu ombro.

—É segredo. Coisa de irmãos. – riu Draconis. Loto deu uma risadinha e concordou.

—Ok, ok. – riu ele.

Sua mãe abriu a porta e todos foram entrando. Assim que entrou na sala, piscou surpreso, porque seu pai estava tendo um agitado duelo de espadas com seu irmão caçula. Espadas de madeira, claro. E seu pai usava um tapa olho, enquanto se defendia das investidas de Órion, gargalhando e pulando, e se esforçando... muito.

Coisas que ele não deveria conseguir fazer...

Principalmente se não estava disposto o suficiente para buscá-lo no Expresso.

Olhou surpreso para sua mãe, que olhava seu pai com óbvia reprovação.

—Pra quem tá com Horklump há anos, seu pai tá muito bem. – disse Loto. E ele não disse num tom descontraído, mas confuso.

Tentou não se sentir magoado. Apenas respirou fundo e ficou simplesmente feliz por ver seu pai forte e com todo aquele vigor. Sorriu ao ver o pai pular para o sofá, no meio da épica batalha com seu irmão. A gargalhada dele foi o melhor som que poderia ouvir.

Encheu o peito pra falar. Céus, como estava com saudades dele.

—Pai.

Seu pai parou a batalha e o olhou. Órion gritou de alegria e veio correndo. O pegou no colo e o levantou para o alto, acima de sua cabeça.

—Mano! – gritou o caçula – Você fica super maneiro nesse uniforme.

Colocou Órion no chão e sorriu para ele, bagunçando os cabelos escuros dele. Depois levantou o olhar para o pai, que o olhava atentamente. Como se o analisasse. Se perguntou se seu pai estava surpreso por ele ter esticado alguns centímetros, ou por ter ganho alguns centímetros de peito e de braço, graças ao treinamento físico que era obrigado a fazer na Durmstrang.

Mas seu pai não sorriu. Ele soltou um suspiro, quase triste e desviou o olhar. Se perguntou o porquê daquilo. Não tinha feito nada de errado. Tinha andado na linha o ano inteiro, não tinha recebido nem uma detenção que fosse. Suas notas tinham sido altas e ele tinha recebido muitos elogios da maioria dos professores.

Então por que seu pai parecia quase desapontado?

—Só pra esclarecer... eu sou Loto Yaxley, amigo do Draconis, ok? – disse Loto, sem jeito. Piscou constrangido e se perguntou se seu pai estava achando que Loto era seu namorado e que tinha ficado sem jeito por isso – Eu sou hétero... Drac falou que vocês sabem que ele é bi, mas...

—Pode parar de falar, garoto. – ralhou seu pai e Loto calou a boca, constrangido. Draconis recebeu o olhar triste de seu pai, que suspirou e veio andando. Ganhou dois tapinhas no ombro e sentiu algo muito estranho no peito. Onde estava o sorriso? Onde estava a alegria? Os abraços? Por que seu pai estava distante daquele jeito? – Como foi de viagem, Draconis?

—Tudo bem... – murmurou intimidado – Você achou ruim que meu amigo viesse me visitar?

—Eu posso ir embora se quiser, Sr. Burke. – disse Loto, polidamente – Sem problemas...

—Não. De jeito nenhum. Fique. – disse seu pai estendendo a mão para Loto – Yaxley, você disse? – perguntou ele.

—Isso mesmo. – murmurou Loto, um tanto surpreso com o comportamento de seu pai.

—Bom... vocês devem estar cansados. Vão tomar um banho e se arrumar. Podemos ir num restaurante hoje, já que estão todos tão bem arrumados.

—Tomamos banho no trem, pouco antes de chegarmos... – murmurou Loto.

—Estamos prontos pra sair. – concordou Draconis.

—De uniforme? – perguntou Rose, com um sorriso.

—Se eu fosse homem e esse fosse meu uniforme, eu o usaria o tempo todo. – riu Prim – Como é o uniforme feminino?

—Mais ou menos do mesmo jeito... mas no lugar da calça, é uma saia justa, na altura dos joelhos... é bem militar mesmo. – respondeu Draconis, se perguntando o motivo de não ter recebido um abraço que fosse. – Mãe, posso falar a sós com você um minuto?

—Claro, meu amor. – riu sua mãe.

—Draconis, o que é isso? – perguntou Órion para sua gaiola. Se virou e sorriu. Tinha esquecido dele.

—Esse é o Knuckles. – riu ele – É o homúnculos que tio Draco me deu, no dia em que eu fui pra Durmstrang.

—Que legal! – riu seu irmão caçula, olhando curioso para seu homúnculos. Knuckles era vermelho alaranjado, muito peludo, do tamanho de um punho. As patinhas eram macias e sem unhas e ele tinha os olhos de um azul anil. Ele era bastante tímido, apesar de curioso e parecia uma bolinha peluda. Com patas. Mas quando ele se assustava ou ficava zangado, seus pelos ficavam duros e afiados como um porco espinho – Ele morde?

—Não. Ele é bonzinho, mas não aperta ele.

—Eu posso pegar? – perguntou Prim.

—Claro. Ele adora cócegas na barriga.

—Ele adora se esconder nos meus sapatos também. – riu Loto – Perdi as contas de quantas vezes ele me espetou.

Draconis viu seu pai olhar para Knuckles com desagrado e isso o deixou sem jeito. Suspirou e seguiu sua mãe até o corredor, completamente confuso com o comportamento do pai. Sua mãe parecia um tanto zangada também e ele se perguntou se era pelo mesmo motivo de ele estar confuso.

—Mãe... você contou pro meu pai sobre... sobre aquele dia em... em Hogsmeade? – perguntou timidamente e profundamente envergonhado. Tinha entendido que sua mãe não iria contar sobre aquilo, pensando no melhor para a saúde do pai, mas não conseguia pensar em outro motivo para que ele estivesse daquele jeito.

Sua mãe soltou um suspiro negou com a cabeça.

—Não, não contei pra ninguém além do seu padrinho, Draconis... e pro seu avô, afinal, você pegou o uniforme dele... – ralhou sua mãe.

—Ele tá muito puto comigo? – perguntou encolhendo de leve.

Sua mãe bufou fechando a cara.

—Sua avó está furiosa com você. – respondeu ela. Draconis tentou não rir, mas foi difícil. Era óbvio que seu avô no mínimo não tinha ligado... talvez ele até tivesse aprovado...

—O que houve com o papai? Por que ele está... tão... diferente? – perguntou confuso.

Sua mãe o olhou com muita ternura e suspirou.

—Eu não sei, Draconis... ele está estranho comigo também e eu não faço a menor ideia do motivo... – murmurou ela – Mas trate-o do jeito de sempre que ele deve voltar ao normal.

—Ele voltou ao normal com você?

—Na maior parte do tempo. – respondeu ela. Draconis baixou o olhar, sentindo-se triste. Não era assim que tinha imaginado que seria rever seu pai. Suspirou, mas voltou para a sala, onde seu pai conversava com Loto, tentando descobrir se Knuckles era perigoso.

—Bem... ele adora chocolates. Se você estiver com os dedos sujos ele pode te matar de cócegas, lambendo seus dedos. – riu Loto – Draconis o treinou direitinho. É um bicho bem inteligente, a bolinha peluda.

—Malfoy deveria perguntar minha opinião antes de dar um bicho de estimação pro Draconis. – ralhou seu pai, olhando desconfiado para Knuckles, que cheirava as bochechas de Prim, curioso.

—Ele pediu a minha autorização, afinal você estava no hospital. – disse sua mãe.

—Então, paizão... como se sente? – perguntou Draconis, tentando puxar assunto. Seu pai soltou um suspiro e deu de ombros.

—Eu estou ótimo. Vou tomar um banho pra gente sair. – ele então passou ao seu lado, lhe dando mais dois tapinhas em seu ombro, sem olhá-lo no rosto, para em seguida entrar no corredor.

Baixou os olhos, completamente magoado com a indiferença dele. O que raios tinha feito de errado?

—Damian! – escutou sua mãe chamar.

—Agora não, Alhena. Tenho que me arrumar ou vamos perder a reserva. – disse seu pai lá do corredor.

Loto assoviou sem jeito e o olhou confuso.

—Hum... onde é o seu quarto? Eu vou dormir lá, certo? – perguntou ele, sem jeito.

—É... – respondeu retirando a capa do uniforme, cabisbaixo e desapontado com seu retorno pra casa – É...

Notas finais
E a cereja do sorvete foi colocada. Damian não soube lidar com o Draconis... Acorda pra vida, Damian!! Quando é que isso vai passar?! Próximo capítulo vai ser tenso. Muito tenso... preparem-se... "-Navi vai ter que ir pra guerra?! – perguntou Les, lá da porta. A voz dela continha muita preocupação. Um tom de voz que ele esperaria de sua mãe, ou talvez de sua avó... Não a olhou. Não queria que ela visse o medo em seus olhos. Lembrava das histórias da guerra. Lembrava de seu avô contando... lembrava de sua mãe falando o que tinha acontecido com a família dela, de como tinham sequestrado tia Astoria... lembrava de Scorpius contando sobre o que o pai dele foi obrigado a fazer e como Draconis comentou sobre sua mãe ter ficado presa durante um tempo, por conta de suas habilidades de vidente." Guerra?!?! Sim, guerra... E vai sangrar... *despertando o George R. R. Martin que existe em mim*