Notas iniciais
Então... sabe quando você fica puto, fala merda, a pessoa retruca a merda e você retruca ainda pior... pois é... O pior é quando, na raiva, passamos dos limites e acabamos magoando quem amamos, pra valer... a ponto de botar tudo a perder... Amores... O novo personegem importante da série ganhou um rosto. Ai no meio, com esse sorrisinho travesso estamos contemplando Loto Yaxley... E ele vai aprontar todas =P Beijos! Mais sete comentários e eu posto o próximo =D

Capítulo 33

Seu couro cabeludo doía horrores e sentia-se prestes a desmaiar. Estava exausto e não aguentava mais prender a respiração. Estava para desistir quando o puxaram pra cima, retirando-o da água. Puxou o ar, desesperado, escutando as risadinhas.

—Mais um ou foi o suficiente? – perguntou Rowle. Tossiu, desgostoso e enojado, sentindo Rowle segurar seu cabelo – Responde, Burke.

—Vai pro inferno. – rosnou furioso e quase não teve tempo de prender a respiração novamente antes de ter a cabeça empurrada contra o vaso.

Fechou os olhos, tentando não se afogar na privada, enquanto sentia a mão do garoto mais velho empurrar sua cabeça. Ficou concentrado, tentando não respirar e nem beber da água do vaso. Só queria que a sessão de humilhação terminasse logo. Foi soltando o ar pelo nariz, lentamente e quando o ar começou a faltar, tentou sair da privada com desespero, mas Rowle o segurou mais um pouco, antes de deixá-lo sair. Puxou o ar de uma vez, desesperado e cuspiu as gotas que caíram em sua boca.

—E então? Meu pau ou o vaso de novo? – perguntou o garoto enquanto Yaxley caía na gargalhada.

—Não sei pra que quer que ele faça isso. Nott disse que não foi lá essas coisas. – riu Yaxley.

—Nott não se esforçou pra criar um momento. Garotas gostam que a gente crie um clima, sabe? – perguntou Rowle.

—Oh, Leon... você é um romântico. – riu Yaxley.

—Sou, não sou? E então, aberração? Ainda gosta de beijar rapazes ou precisa de mais um pouco de terapia? – perguntou Rowle.

Estava sem ar e cansado, com a cabeça doendo horrores por ter sido repetidamente quase afogado.

—Ele já está se desfazendo. – riu Yaxley – Deixa pra lá, Rowle. Brinca com ele outro dia.

Rowle o jogou com força contra o chão do banheiro e deu uma risadinha. Apenas se deixou cair, tonto e sem ar, sentindo-se fraco. Onde Navi tinha se enfiado? Ele tinha simplesmente sumido! Tinha ficado sozinho no dormitório, fazendo as tarefas, já que Vince estava na aula de Adivinhação. Então os garotos tinham aproveitado para zoar com ele.

E Navi tinha prometido avisar caso não fosse voltar pro dormitório, mas não tinha recebido uma palavra dele... será que ele tinha sido pego também?

Tossiu de leve, ainda zonzo e quase não entendeu o que Rowle respondeu.

—Eu tenho que ir. Poções.

—Argh. Odeio poções. Vai lá. Eu cuido da moça aqui. – riu Yaxley.

Draconis estremeceu, ainda tentando respirar. Estava no banheiro do dormitório do sétimo ano e sua cabeça girava muito. Talvez por conta dos socos. Talvez por ter sido afogado de novo, de novo e de novo. Mirou o garoto mais velho durante algum tempo. Ele o olhava como se o analisasse... como se estivesse enfrentando algum dilema interno...

Foi quando sentiu Yaxley ajudá-lo a levantar. Depois o garoto o levou para o boxe.

—O que... – perguntou fracamente.

—Você está fedendo a mijo. – respondeu o outro garoto abrindo o chuveiro. O olhou confuso e sentiu o mais velho abrir sua camisa – Você é mesmo um idiota. Deveria ter mudado de colégio. Mas quis se fazer de fodão... – riu Yaxley praticamente rasgando sua camisa e a jogando no chão – Vai sofrer o resto do ano com eles. Pra largar de ser burro... – o garoto tirou seu sapato e então desafivelou seu cinto.

—O que está fazendo? – perguntou segurando o pulso dele.

—Não me toque, Burke. Eu já falei que está fedendo. – rosnou Yaxley. Draconis soltou um suspiro e Yaxley tirou a camisa também. Ele era forte e bonitão, o Yaxley. Moreno, com os cabelos castanhos, o rosto sempre travesso. Se perguntou o motivo dele estar tirando a roupa.

—Por que está tirando a roupa? – perguntou preocupado. Yaxley se levantou pra desafivelar o cinto e tirar a calça. Draconis se arrastou para dentro do boxe, assustado, e Yaxley entrou também, trancando a porta. Engoliu em seco e quando o garoto tentou tirar suas calças, segurou as mãos dele.

—Pare. – rosnou.

—Fique quieto. Eu só quero te ajudar. – riu Yaxley.

—Você quer me ajudar? Conta outra. – rosnou, furioso. Yaxley riu de novo.

—Quer que parem de mexer com você? – perguntou Yaxley. O olhou surpreso e concordou – Então fique quieto. – ele levou o dedo indicador aos lábios e sorriu de maneira travessa, mas isso só o assustou.

—O... o que você vai querer fazer? – perguntou Draconis, assustado. Yaxley deu uma risadinha e pegou a varinha, deixando o boxe a prova de som – Yaxley! – mas o garoto apenas tirou sua calça de uma vez – Yaxley! – disse desesperado. O garoto o olhou de cima a baixo e sorriu de maneira faminta. Céus! Ele era gay? Ou... ou só queria humilhá-lo também?

—Eu posso te proteger deles, Burke. Mas vai ter que fazer o que eu mandar. – riu ele. Draconis engoliu em seco – Primeiro vai ter que me arranjar mais extrato de mandrágora – murmurou ele passando os dedos ao redor de seus mamilos. Então o garoto lhe beliscou de leve – Seus irmãos se formaram e ninguém mais pode me vender isso, além de você. Só que eu não quero comprar. Eu quero de graça. O tanto que eu pedir. – riu ele – Pode fazer isso? – perguntou o garoto.

—Posso. – murmurou respirando ofegante.

—Ok... – Yaxley se afastou e se sentou com as costas apoiadas no boxe – Fique de pé e tire a cueca.

—O que? – perguntou constrangido.

—Não me faz perder a paciência ou repetir as coisas, Burke, ou eu desisto de você. Tire a cueca. – rosnou ele.

—Escute aqui. – rosnou ficando vermelho – Eu não sou uma...

—Uma puta? – cortou ele – É exatamente isso o que você é agora, ou eu vou deixar você a mercê do Corbway, Selwyn, Nott e Rowle. E eles não vão ser pacientes e gentis com você, como eu pretendo ser. Então... levante e tire a cueca.

Draconis bufou indignado, mas se levantou. Com o chuveiro ainda ligado, tirou a cueca, morrendo de vergonha. Se escondeu com as mão, constrangido e Yaxley brandiu a varinha, fazendo o sabonete flutuar até ele.

—Você está fedendo. Se lave. – riu Yaxley – Finja que não estou aqui. Só tome seu banho.

Draconis engoliu em seco e concordou. Não sabia se dava as costas ou não para o outro garoto. Tinha medo do que ele faria se virasse as costas. As vezes que tinha sido o passivo com Vince, ele fora muito legal, gentil e calmo. Nunca tinha sido violento. E tinha medo de como seria se fosse. Certamente iria doer e muito.

Então não deu as costas para o garoto, mas evitou olhar para ele. Lavou os cabelos, o rosto e o corpo. Quando estava para limpar as coxas, escutou Yaxley rir.

—O que? – perguntou constrangido.

—Você pulou uma parte. – riu ele. Ficou ainda mais vermelho e notou que o outro se levantou. E ele estava muito excitado. Yaxley o empurrou contra a parede e pegou o sabonete. Ele ensaboou as mãos e então começou a limpá-lo “lá”. Ficou tenso com o contato e seu corpo reagiu, mesmo que não quisesse, com a massagem que o outro garoto fazia. Fechou os olhos, envergonhado e escutou Yaxley sorrir – Olha só essa cabeça... você tem um pau enorme, Drac.

—Não me chame de Drac. – rosnou o olhando zangado. Yaxley sorriu arqueando as sobrancelhas de maneira travessa – Meus amigos me chamam de Drac e você não é meu amigo. – disse de uma vez.

—Assim me magoa, Drac. – riu ele com desdém, o masturbando. Draconis tentou não prestar atenção naquilo. Não queria sentir que aquilo era gostoso. Mas seu corpo o estava sacaneando e seu pênis ficava cada vez mais duro – Quando você fica com Vince... quem é que come quem?

—Não é da sua... – abriu a boca em desespero quando o garoto o apertou dolorosamente.

—Não seja grosso, Draconis. Responda educadamente. – pediu Yaxley. Engoliu em seco e concordou com um aceno de cabeça.

—Normalmente eu sou o ativo... – disse pressionando as costas contra a parede. Yaxley afrouxou o aperto e voltou a massageá-lo de maneira gostosa, mas se repreendeu por achar a massagem gostosa.

—Ótimo. Ótimo... mas você faz as duas coisas, não é? – perguntou Yaxley – Você é bem versátil.

—Por que quer saber isso?

—Porque eu quero saber o que eu posso fazer com você. – riu Yaxley o encoxando. Sentiu a intimidade dele contra a sua e soltou um gemido, por mais que se odiasse por isso – Me dá sua mão, Drac.

—Pare com isso. – rosnou envergonhado. Yaxley o olhou com divertimento e ele lembrou da ameaça. Soltou um muxoxo e entregou a mão para ele. O garoto se colocou pra fora da cueca e Drac notou que ele era pouca coisa maior que Vince.

—Quantos centímetros de pau você tem, Draconis? Eu tenho dezoito.

—Eu sei lá. Eu nunca medi. – respondeu constrangido. Yaxley guiou a mão dele para seu pênis e Draconis tentou recuar, mas o garoto não deixou.

—Deve ser mais de vinte. É maior que o meu. – riu Yaxley guiando sua mão para que ele o masturbasse – Faz que nem eu fiz em você.

—Se você é gay, por que está ajudando aqueles idiotas a me sacanearem?! – perguntou indignado, soltando Yaxley.

—Porque eu sou esperto, seu mané. – riu Yaxley – E eu não gosto de gente estúpida. Ainda mais gays estúpidos, que simplesmente não sabem ser discretos. Onde acha que você está? Na Lufa-Lufa, onde todo mundo ama todo mundo? Ou na Grifinória, onde são todos honrados? Ou na Corvinal? Onde todos respeitam as esquisitices alheias... não... espere... tinha gente da Grifinória e da Corvinal te batendo naquele dia, não era? – riu ele – Você está no pior lugar pra ser gay, Draconis. Por que acha que eu me drogava? Por que acha que eu me drogo? É pra fugir dessa realidade. Onde todos iriam me odiar por eu ser gay. Mas eu me enfiei lá dentro do armário e ajudo meus colegas a castigarem idiotas que nem você, que acham que podem ser o que quiserem sem sofrer consequências.

—Você é um imbecil. – rosnou Draconis.

—Posso ser, mas eu sou o seu único escudo aqui dentro. Eu posso fazer as brincadeiras serem leves, eu posso fazer com que eles não impliquem tanto com você, nem te machuquem e nem abusem de você. Mas você vai ter que fazer o que eu quero.

—Em outras palavras, só você vai abusar de mim. – rosnou Draconis.

—Você vai gostar. – riu ele.

—Eu duvido muito. – rosnou Draconis. Yaxley riu e o masturbou mais um pouco. Depois ficou de costas para ele. Tentou não prestar atenção no quanto a bunda dele era bonita, torneada e durinha. O garoto abriu as nádegas e chegou mais para trás. Sentiu seu pênis encostar na entrada dele e acabou gemendo de tesão. Mordeu os lábios e olhou para cima, furioso consigo mesmo.

Mas Yaxley foi vindo, rebolando aos pouquinhos. Era excitante demais. Quis gemer de novo, mas não se permitiu. Mas foi ficando cada vez mais difícil, sempre que se sentia mais e mais dentro do garoto.

—Oh... você é tão grossinho, Draconis... – gemeu Yaxley – O que está esperando? Vem.

—Eu não quero te comer. – rosnou apesar de estar mentindo. Estava louco pra comer ele, mas era uma questão de princípios e orgulho.

—Oh, nós dois sabemos que você quer. Mas se prefere se fazer de difícil... – ele saiu de sua frente e se virou – Senta no chão, minha putinha.

Draconis corou ao ser chamado daquilo e bufou. Mas acabou obedecendo. Yaxley sentou em seu colo e logo estava completamente dentro dele.

—Babaca. – rosnou zangado com ele e consigo mesmo.

—Pare de se fazer de certinho. Você quer. – riu Yaxley rebolando em seu colo e fazendo cara de sublime satisfação. Tentou não reparar no quão apertadinho, quente e convidativo ele era. Fechou os olhos querendo não gostar, mas seu corpo não cooperou. Logo um gemidinho escapou e ele socou a parede, furioso. Yaxley riu e pegou sua mão, a guiando para seu membro ereto – Me toque. – exigiu ele. Draconis o olhou com desgosto e se odiou por achá-lo charmoso. Céus. Ele era mesmo muito errado. Aquilo era um estupro, não era? Ele não queria transar com ele. Mas acabou gemendo de novo e Yaxley riu dele por isso. O garoto lhe beliscou os mamilos de maneira excitante, se movendo em seu colo. Segurou o membro dele, para masturbá-lo e só conseguia imaginar que deveria ser maravilhoso estar no lugar dele... ser tão estimulado – Isso mesmo, minha putinha. Isso mesmo.

—Cale a boca, caralho. – rosnou zangado consigo mesmo.

Yaxley riu ainda rebolando no colo dele.

—Eu vou gozar no seu rosto. – avisou ele. Draconis o olhou furioso – Mas não se preocupe, eu vou te limpar direitinho também, depois. Por isso mandei você se lavar direitinho primeiro. – ele continuou rebolando e Draconis fechou os olhos sem querer encarar aquele maldito filho da mãe. Não importava o quão delicioso estava. Yaxley não tinha o direito de usá-lo daquele jeito, se ele não queria. Os minutos passaram rapidamente e Yaxley colocou a mão em sua cabeça a puxando para baixo e para frente, gemendo em seguida. O jato o acertou na boca e na bochecha e Yaxley o empurrou contra a parede, com um sorriso satisfeito no rosto. Sentiu a língua de Yaxley passear por sua bochecha e lábios, o lambendo e limpando. Ele seguia rebolando em seu colo e sentiu que já não poderia segurar o orgasmo por muito mais tempo. Segurou a cintura dele com força, se odiando mais a cada segundo. Tentou ao menos não gemer quando gozou. Fechou os olhos, respirando fundo, odiando tudo e a todos naquele momento. Yaxley se levantou e ele lutou para conter outro gemido. Engoliu em seco e olhou o colega se lavar e limpar. Depois se olhou e notou que estava sujo, pois Yaxley não tinha feito o feitiço de higiene.

—Nojo... – resmungou furioso. Yaxley sorriu e abriu a porta de uma vez.

—Eu quero extrato de mandrágora pra amanhã a noite, Draconis. E você vai me encontrar na frente do banheiro dos monitores. Você pode perguntar a senha pro Vince.

Yaxley saiu do boxe, levando as próprias coisas e Draconis se levantou zangado. Tomou um banho de novo, lavando o rosto e suas partes íntimas, principalmente. Não acredito que eu gozei. Não acredito que dei esse gostinho pra esse idiota.

Quando saiu do boxe, notou que Yaxley tinha levado suas roupas embora.

—Ah... pra puta que o pariu... – xingou furioso. Voltou para dentro do boxe, procurando a própria cueca, mas Yaxley a tinha levado também – Maldito filho da puta.

Teria que descer todos os andares até o dormitório do sexto ano, que era o mais profundo dos dormitórios. E teria que fazer o caminho pelado.

Saiu do banheiro e viu que Yaxley estava terminando de se vestir.

—Onde estão as minhas roupas? – perguntou zangado. Yaxley deu uma risadinha e jogou um cachecol pra ele.

—Isso deve servir. Até mais, Burke. Não se esqueça do que combinamos. – riu ele lhe mandando uma piscadinha e saindo do dormitório.

Draconis xingou baixinho e se escondeu da melhor forma possível no cachecol. Então desceu as escadas. Mas no meio do caminho encontrou Lyra e Albus, que engasgaram e riram dele.

—Não perguntem. – resmungou sem parar de descer as escadas. Quando chegou no dormitório, Navi não estava lá. Xingou o primo mentalmente e foi pra sua cama, completamente zangado consigo mesmo – Isso é traição? – perguntou zangado – Eu devo contar pra alguém? – sussurrou pra si mesmo. Soltou um suspiro, baixando a cabeça, mas logo se vestiu. Tinha aula de Transfiguração em breve...

Estava para sair do dormitório quando Navi apareceu com o típico sorriso pós foda dele. Sentiu-se extremamente traído pelo amigo ao notar o quanto ele parecia feliz.

—E ae? – perguntou Navi se jogando na cama. Não respondeu, apenas saiu do dormitório. Subiu as escadas, mas quando estava na altura do dormitório do segundo ano, sentiu alguém segurar seu braço. Puxou de uma vez, num reflexo involuntário, e olhou assustado para Navi – Ei... tudo bem? – perguntou o garoto – O que foi?

—Vai pro inferno, Navi. – rosnou zangado e voltando a subir as escadas.

—Caralho. Já te contaram?! – perguntou Navi – Eu ia te contar. Sabe que eu não iria esconder isso de você. – parou de subir os degraus, sem entender o que ele estava falando. O olhou confuso e Navi suspirou – Eu sei que ela é sua irmã, mas a gente meio que tinha combinado que não tinha problema...

—O que? – ficou furioso e levantou Navi pela golada camisa, o empurrando contra a parede – Dido ou Cerce? Quem foi que você...

—A Rose. – disse Navi. O largou de uma vez, em choque.

—Rose? – perguntou sentindo algo gelado se enroscar em seu peito.

—É... ela veio me procurar ontem, sabe? – riu Navi – Durante o treino. Então... então a gente ficou e hoje... pera... você não sabia? Por que está zangado comigo então? – perguntou Navi, parecendo confuso.

Draconis baixou o rosto e respirou fundo.

—Não somos mais Bros.

—O que? – perguntou Navi – Qualé!

—Eu fui estuprado enquanto você comia a minha irmã. – rosnou sem encará-lo – Você não me avisou que não voltaria pro dormitório e eu fiquei sozinho. – Draconis olhou profundamente e permanentemente magoado para Navi – Não fale mais comigo. Não olhe mais pra mim. Você não é meu Bro. Você não é meu amigo. Você é um bosta.

Navi o olhou chocado. Se virou para ir embora, mas o primo segurou seu braço.

—Drac...

—Não me chame de Drac. – rosnou.

—Draconis. Calma. Vamos conversar.

—Eu comi a Lessa e a sua irmã ao mesmo tempo. – disse com um sorriso furioso. Navi o olhou chocado – É. Você nunca mais vai voltar pra Lessa. Ela nunca mais vai querer algo seu e pode ter certeza que no dia que eu descobrir algo que você queira mais do que tudo no mundo, eu vou fazer o possível pra tirar de você...

—Draconis, calma. – disse Navi, ficando sombrio.

—Eu não vou ficar calmo. Seu traidor de merda.

—Draconis...

—Seu pária! – rosnou o amigo. Navi o olhou perdendo a cor. Depois ele pareceu simplesmente furioso. Chamá-lo de pária era a pior coisa que poderia fazer. Era chamá-lo de sujo por ter uma pai lobisomem.

—Retire o que disse. – rosnou Navi.

—Seu pária, traidor de sangue de merda. – rosnou Draconis o empurrando.

—Cale a boca, bastardo. – rosnou Navi.

—Posso ser um bastardo. Mas eu continuo com o sangue limpo e você? – riu com desdém. Navi sacou a varinha e apontou para ele – Vai. Não pode me ferir mais do que já fez.

—Quer apostar, seu veado? – perguntou o primo. Draconis o olhou quase surpreso – Que foi? Não gostou de escutar isso? Seu veado? – Olhou com censura para Navi e se virou, para subir as escadas, quando sentiu algo acertar suas costas e jogá-lo pra frente. Caiu nos degraus da escada e acertou o joelho no chão de pedra. Gritou de dor e se virou para olhar pra Navi.

—Terminou, pária?

—Cala a boca, seu bastardinho veado! – rosnou Navi. Draconis se colocou de pé, o olhando com fúria – Cala a boca. Quem é você pra falar do meu pai, quando a puta da sua mãe foi esfregar os quadris no tio Draco? Enquanto era casada com o corno do Damian? HEIM?

—Navi?! – perguntou Lyra, alguns degraus abaixo, junto de Albus. Certamente eles tinham escutado os dois se xingarem – Está louco?!

—Não se mete. – rosnou Navi olhando pra ela – Ele me chamou de pária.

—Chamei mesmo e chamo de novo. Seu pária de bosta. – provocou Draconis.

—CALA ESSA BOCA! – gritou Navi.

—Não calo. Seu melador de cueca. Eu pelo menos estou transando. E você? – perguntou se referindo a todas as vezes que Trixie fez Navi sujar as calças ao gozar em si mesmo.

—Eu estou também. Com a bastarda da sua irmã. – rosnou Navi.

—Pois faça bom proveito. – riu Draconis se virando e saindo mancando, mas Navi o azarou pelas costas novamente, o jogando do outro lado do Salão Comunal. Sentiu a cabeça bater com força na parede e tudo girou ao seu redor. Tinha caído em cima de alguma coisa, mas não soube dizer o que. Estava muito tonto.

—O que estão fazendo? – perguntou Cerce ou Dido – Navi! O que você está...

—CALA A BOCA, SUA PIRANHA. LEVANTA E LUTA, DRACONIS, SEU VEADO DE MERDA. – rosnou Navi. Mas não se levantou. Não queria duelar. Não sobrara nada em si mesmo que lhe desse vontade de lutar. Na verdade, a única coisa que queria era ficar deitado ali – LEVANTA, DRACONIS!

Sentiu algo viscoso descer por sua testa, onde tinha batido a cabeça. Não estava doendo. Só estava quente e lhe causava cócegas. Estava muito tonto. Sem falar que tinha algo incomodando a sua barriga. Provavelmente era a coisa em que tinha caído em cima.

—Ele está sangrando. – disse alguém. Sentiu alguém virá-lo e notou que era Dido.

—Drac. Drac... você está bem? – perguntou ela, assustada. – Meu Merlin... – murmurou ela tocando sua barriga. Piscou confuso e tonto. Sua cabeça girava demais – O que você fez, Navi?

—Eu... eu não tinha visto as barras... – escutou a voz do primo, muito distante dali. Respirou fundo e olhou para a própria barriga, sentindo um frio lhe subir a espinha. A ponta das barras de ferro, que usavam para cutucar as chamas da lareira. Uma delas estava cravada em sua barriga – Céus... desculpe, Draconis.

Não respondeu. Ficou completamente enojado ao ver aquilo. Achou que iria desmaiar, mas então não estava mais no Salão Comunal da Sonserina. Estava na Torre de Astronomia. Sua mãe e tio Draco deram as mãos e pularam pela janela. Fechou os olhos e quando os abriu, estava na Casa da Árvore e Navi estava semi nu beijando Rose, em um sofá. Sacudiu a cabeça e então tudo girou. Tudo girou.

Se viu na mesa de jantar da Sonserina. Viu seus pais ali, quando eles tinham sua idade, mais ou menos.

—Eu espero que não. Não é legal ser vidente. – disse sua mãe, parecendo triste.

Tudo girou de novo e agora estava na Mansão Malfoy. Olhou para os retratos e todos tinham seu rosto.

—Não! – rosnou escutando Navi chamá-lo de bastardo.

Colocou as mãos na cabeça e quando abriu os olhos estava em casa, no sofá. Sua mãe estava ajoelhada no chão, chorando inconsolável e isso fez um frio lhe subir a espinha.

E então ficou tudo escuro. Pensou em como queria que o padrinho o mergulhasse na banheira, para que aquela lombra torta passasse. Mas tudo continuou escuro. Escuro e silencioso.

Até que escutou algumas brigas. Escutou Lyra gritar com Navi e Navi gritar de volta. Quis que eles fossem embora, mas as vozes deles foram se aproximando mais e mais.

—... matado ele! E se ele tivesse morrido? Heim!? – perguntou Lyra.

—Depois do que ele me falou... – rosnou Navi.

—O que, Navi? – perguntou sentindo uma pontada de dor na barriga. Agora doía. Sentia que sua cabeça estava enfaixada e que sua barriga estava também, apesar de a cabeça não doer – Eu mereceria morrer? – perguntou olhando friamente pro primo, que o encarou assustado – Eu estou sem varinha. Por que não é covarde só mais uma vez e termina o serviço?

—Seu merdinha. – rosnou Navi.

Draconis deu uma risadinha.

—Vai pro inferno. Eu ao menos nunca te ataquei pelas costas.

—E o que fez com a Lessa foi o que? – perguntou ele.

—Ela quem pediu. Ela quem quis. – riu Draconis – Supera, Navi. Você cagou no pau com ela anos atrás. E foi tão feio que ela resolveu gostar de mulheres.

Viu que Navi tentou avançar contra ele, mas Lyra, Cerce e Dido o seguraram.

—Eu vou te bater tanto, Draconis! – rosnou Navi.

—Você não vai tocar em um fio de cabelo dele, Lestrange. – disse uma voz da porta. Draconis sentiu o estômago dar uma cambalhota – Todos vocês. Pra fora daqui.

—Cale a boca, Yaxley. Você não manda em mim. – rosnou Navi.

—Bem. Eu sou mais velho que você, então... sim, eu mando. – riu Yaxley – Pra fora. Agora.

—Me obrigue. – provocou Navi.

Yaxley deu uma risadinha.

—Com prazer. – disse ele e Draconis notou que os dois sacaram a varinha.

—Parem com isso! Estão loucos?! – perguntou Lyra, ficando entre eles.

—O que está acontecendo? – perguntou outra voz na porta. Fechou os olhos, sentindo-se irado – Eu escutei que o Drac estava aqui...

—Ele está. Bem ali. – riu Yaxley – Veio cuidar do irmãozinho? – perguntou ele.

Rose Burton veio correndo e isso fez Navi baixar a varinha.

—O que houve? Quem fez isso com você? – perguntou ela preocupada, tocando sua testa. A olhou com o máximo de desdém possível.

—Não é da sua conta. Sai daqui. – rosnou ele. Rose o olhou chocada – Sai daqui! SAI! TODOS VOCÊS! SAIAM DAQUI! – mas sua barriga doeu demais e ele gemeu de dor, deitando novamente na cama.

—Meu Merlin. Draconis! – murmurou Rose o olhando preocupada. Mas ele não a olhou de volta. Apenas fechou os olhos e a ignorou. Ignorou todo mundo ali, até que finalmente pareceu ficar sozinho.

Abriu os olhos e viu que só Yaxley tinha ficado.

—Você arrumou uma confusão e tanto, heim, garoto? – riu ele.

—Vai pro inferno. – rosnou Draconis.

Yaxley deu uma risadinha e se levantou, o cutucando onde a barra de ferro o tinha furado, o fazendo gemer de dor.

—É bom que não tenha ficado marcado, minha querida putinha... eu não gosto de cicatrizes. – ele desceu a mão e o apertou nas calças, fazendo-o respirar fundo – Melhore logo, amorzinho. – debochou ele lhe roubando um selinho.

Fez uma careta de desgosto e xingou baixinho, escutando Yaxley sair gargalhando da Ala Hospitalar.

*

Os dias tinham se tornado muito solitários.

Mesmo que transasse com Rose.

Mesmo que se agarrasse com Trixie.

Mesmo que ficasse rindo com Scorpius ou Albus.

Nenhum deles era Draconis. Seu primo tinha se afastado ainda mais. Ele não falava com ninguém. Nem com Lyra, nem com Lessa. Nem com Scorpius ou Albus. Nem com Vince. Ele tinha simplesmente deixado o grupo deles. Rose parecia que se sentia culpada. Como se ela tivesse culpa de Draconis ser um idiota, que apelava por qualquer coisa.

Soltou um muxoxo, dividindo a mesa de poções com Vince, olhando Draconis sozinho numa mesa, preparando seus antídotos, extremamente concentrado. Sentia falta das piadinhas, das brincadeiras. Sentia falta de conversar no dormitório, de beber alguma coisa na Casa da Árvore...

Sem falar que tinha uma coisa que não deixava sua mente.

“Eu fui estuprado enquanto você comia a minha irmã.”

Engoliu em seco, baixando o olhar para seu caldeirão. Sua poção, que deveria estar azul brilhante, estava marrom. Não ligou. Alguém tinha estuprado Draconis? Era por isso que ele estava tão desestabilizado? Realmente tinha esquecido de avisar que não ficaria no dormitório. Na verdade, não tinha esquecido. Apenas não falou, porque queria usar a Casa da Árvore, que era onde Draconis se escondia quando precisava ficar sozinho.

Tinha sido egoísta e agora...

Olhou para o primo sentindo-se terrivelmente sozinho. Hogwarts era o paraíso para ele, mas agora parecia um reles castelo chato. Com menos risadas, bebidas e piadinhas e mais olhares de censura, dúvidas e tons de cinza...

Sem falar que sem Draconis era um desastre em poções.

Soltou um muxoxo e pegou um pedaço de pergaminho. Não era a primeira vez que brigavam. Não era a primeira vez que um deles ia parar na Ala Hospitalar... mas sentia que ambos tinham dito coisas imperdoáveis...

Draconis o chamara de pária... e ele o chamara de veado. Não tinha pensado. Apenas queria falar algo que o magoasse profundamente... e nem mesmo bastardo parecia o suficiente. Nunca tinha julgado Draconis pela sexualidade dele e sabia que o primo lhe era agradecido por isso... mas agora...

Soltou outro muxoxo e escreveu um “por favor, me desculpe, vamos conversar”. Depois dobrou o pergaminho e o encantou para que fosse voando até o primo. Draconis pegou o papel e o leu, para em seguida o amassar, sem mudar de expressão, e o jogar no chão.

Fechou os olhos, magoado e assustado com a possibilidade de Draconis não voltar a ser seu amigo. Eram amigos desde sempre. Eram MELHORES amigos desde sempre. Draconis sempre estava em todos seus planos, em todas as suas brincadeiras. Era pra ele quem contava seus segredos, era pra ele que contava suas inseguranças, seus medos... tudo.

O Bro Code tinha razão... Regra número 1... Bros antes das Minas... ou catástrofes poderiam acontecer...

Olhou mais uma vez para Draconis. Ele parecia miseravelmente melancólico. Soltou um suspiro e se levantou, pegando a mochila. O professor o olhou curioso, mas Navi não ligou. Andou até Draconis e se sentou ao lado dele.

—Ei... – murmurou.

—Vai se foder, Navi. – rosnou seu primo o olhando com... não. Não queria pensar que era ódio. Podia ser desdém. Ou só raiva mesmo. Mas não ódio.

—Drac...

—Professor, Lestrange está me atrapalhando. – disse Draconis. Navi soltou um muxoxo.

—Sr. Lestrange. Volte pra sua carteira.

—Não vou voltar. – disse decidido – Não enquanto esse idiota não falar comigo.

—Sr. Lestrange. Sente-se agora ou vou tirar pontos da Sonserina.

—Pode tirar. Não dou a mínima. Aquela ampola de pontos pode ficar vazia. Eu não me importo. Draconis, por favor. – seu primo nem o olhou. Não se dignou nem a olhá-lo. Era como se nem tivesse ouvido.

—Vou lhe dar uma detenção, Sr. Lestrange.

—Dê. Eu não ligo. – disse olhando desesperado do professor para Draconis – Só fale comigo, por favor. Vamos resolver isso! – Mas Draconis não o olhou. Continuou o ignorando – Não pode usar o castigo do silêncio, Drac. Está nas regras.

—Só é válido com Bros. Você não é meu Bro. – disse Draconis se levantando e colocando a própria poção num frasco. Ele colou a etiqueta com o próprio nome, com cuidado em seu antídoto que parecia estar perfeito, como sempre.

—Eu sou seu primo. Seu melhor amigo! – disse desesperado.

—Eu não tenho um melhor amigo. – disse Draconis sem encará-lo. E o modo gelado como ele falava... Navi sentiu seu estômago dar uma cambalhota e seu primo passou por ele, como se ele não estivesse ali, para entregar a própria poção para o professor.

—Sr. Lestrange...

—CALE ESSA MALDITA BOCA! – gritou furioso para o professor – Fale comigo, Draconis! Me desculpe, ok? Eu não sabia que significava tanto pra você! Como eu ia saber?!

Mas Draconis não o olhou, apenas pegou a própria mochila e saiu da sala. Sem se importar com o redondo zero que iria levar na tarefa do dia, pegou a própria mochila e foi atrás do primo, que simplesmente o ignorou.

—Por favor, Drac... me perdoe... – pediu o seguindo. Mas Draconis seguiu ignorando-o – Eu falei aquelas coisas sem pensar. Eu estava zangado. A culpa foi toda minha, eu fui um babaca. Um cretino. Um filho da puta. Por favor... por favor... – mas Draconis seguiu andando, sem nem mesmo olhar para o lado. O empurrou contra a parede e o fez olhar em seus olhos – Mano... por favor...

—Me largue. – disse Draconis com a voz gelada.

—Você é meu melhor amigo, cara. Me desculpe, ok?

—Não. – respondeu ele, friamente, o empurrando de leve, para se desvencilhar.

—O que eu preciso fazer, Draconis? Me diz que eu faço. – disse desesperado.

—Morra. – respondeu Draconis sem parar de andar e sem encará-lo. Ficou parado um tempo, absorvendo aquelas palavras. Se sentiu ainda mais desesperado. Não... não iria deixar aquilo daquele jeito. Voltou a andar atrás do primo, que subia as escadas, indo para o segundo andar.

—Drac... eu deixo você me bater o tanto que você quiser. Pode ser? Transa com a Lyra e com a Lessa e com Trixie se você quiser. Eu não ligo pra mulher nenhuma. Eu to cagando pra todas elas. Só vamos deixar essa confusão para trás e... – Draconis tinha parado de andar. Olhou para onde ele olhava, no corredor em que estavam entrando, no segundo andar, quando viu o time de quadribol (com exceção de Scorpius) – Vamos dar a volta. – disse. Scorpius tinha contado que o time de quadribol estava implicando com Draconis de novo, pelos velhos motivos. Mas Draconis respirou fundo e continuou andando – Drac. Não... por ai não... – disse num sussurro. Mas ele seguiu andando. Soltou um muxoxo e apressou o passo para ficar ao lado do primo. Não deixaria que aqueles garotos mexessem com ele.

—Olha só quem está vindo. – riu Nott. – Veio repetir a dose do vestiário, Burke? – todos eles caíram na gargalhada e Navi ficou sem saber o que aquilo poderia significar – Espero que faça melhor dessa vez.

—Deixa ele. – riu Yaxley com desdém – Ele está de péssimo humor hoje, não viu?

—Brigou com o namorado, né, Burke? – riu Corbway – Nós ficamos sabendo.

Já estavam muito próximos. Engoliu em seco, com a mão na varinha. Draconis simplesmente passou reto por eles e os garotos o xingaram mais uma vez de “veadinho”. Mas não os seguiram, pelo menos.

—Podíamos ter evitado isso. – disse pro primo, mas ele não respondeu. Apenas continuou andando até que parou em frente a uma janela e pegou um cigarro para fumar. Navi cruzou os braços e ficou com as costas apoiadas na parede, olhando para o primo. Mas Draconis simplesmente fingiu que ele não estava ali – Uma hora eu vou cansar de ficar atrás de você, tentando arrumar essa situação toda.

—Espero que não demore muito. – devolveu ele friamente.

—Só me explica o que eu fiz... eu não entendo. Tudo isso só por conta de uma garota?

—Minha irmã não é só “uma garota”.

—Mas você transou com a Lyra e eu nunca criei caso!

—Porque você nunca deu a mínima pra ela. – respondeu Draconis tragando o cigarro.

—Eu realmente não sabia que se importava tanto assim com isso... – disse Navi – Já sei. E se eu pedir a Rose em namoro? – disse sorrindo. Draconis esbugalhou os olhos, por mais que não o olhasse, parecendo surpreso – Isso. Eu peço ela em namoro. Juro que não vou trair. Vou ser um bom namorado. Eu sei ser um bom namorado. Isso vai te deixar melhor? Heim? – perguntou Navi, mas Draconis não o olhou, apenas soprou a fumaça – Céus. Eu peço ela em casamento. É isso que você quer? Eu noivo com ela, Draconis. Só... só por favor... – colocou a mão no ombro dele – Vamos ser amigos de novo.

Sentiu o primo o empurrar com força. Recebeu um olhar gelado dele e Draconis riu com desdém.

—Eu não quero nada seu. Não quero nada que tenha a ver com você. – Draconis apagou o cigarro na pedra – Acabou, Navi. Eu não quero você perto de mim. E quando esse maldito ano terminar, eu vou pra Durmstrang.

Navi abriu a boca em choque. Draconis voltou a andar e ele o seguiu.

—Está brincando, não é? – perguntou em choque – Hogwarts é muito melhor do que aquele lugar! Você não pode ir pra lá! No último ano? Se o pessoal te julga aqui, imagina como deve ser lá. Muito pior. Não entram nascidos trouxas lá. Só puros sangues e alguns mestiços...

—Ninguém vai saber dos meus gostos lá. – disse Draconis.

—Não, Drac. Você está exagerando. Drac... DRAC! – mas o garoto simplesmente continuou andando, o ignorando – Draconis. Nós somos melhores amigos. Você é um irmão pra mim. Por favor, pare de me tratar desse jeito. Se eu pudesse voltar no tempo eu voltava. Maldito seja o dia em que eu transei com a sua irmã! Por favor! Vamos deixar isso de lado! – disse correndo até ele.

—Pare de me seguir, Navi. Está me irritando.

—Vou ficar te irritando até você... – os dois pararam de andar de uma vez e Draconis o encarou com os olhos azul cinza dele. Extremamente gélidos.

—Pare. Só pare. Aceite. Acabou. Eu não sou seu amigo. Nunca mais vou ser seu amigo. Você me azarou duas vezes pelas costas, você não estava lá pra mim quando eu precisei. Você me deixou pra trás, sem aviso, por conta de uma boceta. E a boceta da minha irmã. – Draconis riu com desdém – Parabéns, Navi. Espero que tenha valido muito a pena. Tava desejando comer a Rose já faz tanto tempo, não é? – perguntou ele. Desviou o olhar levemente constrangido – Tomara que tenha sido muito gostoso. Que tenha sido o sexo da sua vida... porque você vai pagar caro por ele... agora me deixe em paz. – disse Draconis voltando a andar.

Ficou parado vendo o amigo se afastar.

—EU LUTEI POR VOCÊ! – gritou sentindo-se magoado. Draconis parou de andar – Eu sempre lutei por você. Eu sempre te protegi. Eu sempre te ajudei. Mas foda-se tudo isso, não é? Foda-se se eu sempre, SEMPRE, em todos os momentos, em todas as malditas decisões da sua vida... eu sempre estive do seu lado, te dando apoio. Mas foda-se. Uma maldita boceta valeu isso tudo. Somos amigos há pelo menos quatorze anos. Mas foda-se. O que importa é que eu comi a sua irmã. Pobre Draconis, não é mesmo?!

Achou que ele ao menos se viraria, mas ele não virou.

Apenas...

Continuou...

Andando...

Fungou, magoado e se virou, furioso. Quase correu até as masmorras, simplesmente furioso. Se jogou na própria cama e fechou as cortinas, sentindo-se muito solitário.

—Idiota. Você é um idiota, Draconis. – sussurrou completamente sozinho no quarto.

Notas finais
É, Navi... hora de começar a pensar melhor nas coisas que você faz... Foram melhores amigos a vida toda, mas agora tudo vai mudar... E pobre Draconis... Yaxley é escroto... Ele começa um cuzão, mas ele vai melhorando com o tempo... Agora... no próximo capítulo.... "Mas Navi chutou a porta do dormitório do sétimo ano e entrou. Só Rowle e Nott estavam lá. Eles olharam surpresos e Navi apontou a varinha. —Crucius." O_O EEEEEEEEEITAAAAAAAAAAAAAAAAAA