Notas iniciais
Oi, pessoas amadas. Desculpem o atraso, ok? Vou postar o penúltimo capítulo da fic. Ainda estou pensando se ponho ou não ponho prévias... Estão preparadas pro fim de Legacy? Pois é Beeeijos!

Capítulo 90

—Nós completamente devemos fazer alguma coisa! – rosnou Navi jogando o jornal em cima da mesa, enquanto Loto preparava o café da manhã. Rose pegou o jornal e soltou um suspiro.

—Os trouxas responsáveis por explodirem uma rua num atentado foram capturados pelo Ministério da Magia. – leu ela – Um grupo perigoso que teve fim graças ao esforço... espere... essa rua... essa data... é a parada gay, do ano passado! – ralhou ela.

—Exatamente! Estão falando que foram os trouxas que explodiram tudo, quando não foram. Quem garante que foram os trouxas quem andaram explodindo ruas e ruas por aí? Atacando bruxos?

—Ou o Ministério. – murmurou Draconis, que ainda estava de ressaca.

—Vocês estão exagerando. O Ministério não pode ter feito um golpe a si mesmo. E não se esqueçam da escola japonesa. Os trouxas são perigosos. – murmurou Loto – Não os trouxas individualmente... mas o governo trouxa. Eles tem armas poderosas...

—Precisamos saber o que eles querem com os trouxas. – cortou Navi – Estavam levando as pessoas que tocassem em orbes e mudassem a cor deles...

—Para dourado? – perguntou Draconis, franzindo a testa. Loto e Navi olharam para ele, enquanto Rose ainda lia a reportagem.

—Isso. – respondeu Navi.

—Como sabe? Você estava desmaiado quando o Vince contou. – disse Loto.

—Eu tive que fazer o teste pra conseguir meu emprego. – respondeu Draconis – É um teste pra saber se é vidente ou não. Se você for, a bola fica dourada. – murmurou sem se importar muito.

—E a sua ficou? – perguntou Rose, parecendo preocupada, baixando o jornal.

—Sim, mas o cara falou que ia manter isso em segredo. A minha ficha está como não vidente. – respondeu ele – Eu fui atrás pra ter certeza depois.

—Por que ele te acobertaria? – perguntou Navi, desconfiado e Draconis deu de ombros.

—Talvez devêssemos deixar o país. – disse Loto, preocupado – Eu não queria que outras pessoas soubessem desse seu dom. Eu duvido que eles vão manter isso em segredo. – adicionou ele.

—Por que não me contou? – perguntou Navi.

Draconis deu de ombros.

—Não me ocorreu. Eu acabei esquecendo disso. – disse tranquilamente – Não tinha contado nem pro Loto. – adicionou. Navi olhou para Loto, que concordou com um aceno de cabeça.

—Preciso avisar a resistência. De que um trouxa pode ser um vidente. Eles estão fazendo testes com eles, tipo os que fizeram com a sua mãe. – murmurou Navi e Draconis sentiu um frio lhe subir a espinha.

—Não foi o ministério que deixou minha mãe daquele jeito. Foi o meu tio. Ele quem enlouqueceu e enlouqueceu ela depois. E agora tá matando todo mundo. – murmurou Draconis tomando um gole de suco – Parem de achar que o Ministério é um lugar cheio de homens maus e que os trouxas são todos vítimas inocentes. Nós somos o Ministério também e nós não somos maus. – murmurou Draconis – E meu chefe é um cara legal, apesar de ter um neto babaca. – adicionou tranquilamente.

—Cara... você é burro? – perguntou Navi – Não acredito que tá defendendo esses caras. Que tá defendendo quem fez isso. – disse Navi apontando para o jornal.

—Você que não sabe interpretar, Navi. Eu disse que não dá pra generalizar. Eu nunca disse que concordava com essa reportagem. Eu sei que há corrupção e que eles estão fazendo coisas terríveis. Mas nosso tio confessou que foi ele quem deixou minha mãe louca. – disse tranquilamente – Não estou falando que ela estava lá por vontade própria, numa colônia de férias. Só estou dizendo que não foi o Ministério quem fez isso com ela.

—Mas o Ministério fez o seu tio ficar daquele jeito. – disse Rose. Draconis suspirou e olhou pra ela.

—Prove. – respondeu ele – Prove que a Corte mandou construir aquelas instituições. Ou que foi o Ministro da Magia. Ninguém sabe. Ninguém sabe de nada. – Draconis se levantou e pegou seu prato – Essa é uma guerra de ideologias e eu acho ridículo que as pessoas estejam dispostas a morrer e matar por isso. É causa puro sangue. Os trouxas são perigosos, os trouxas não são perigosos. Devemos casar só entre nós, devemos casar com eles... blá, blá, blá. Eu digo que devemos contar para os trouxas sobre nós e decidir isso de uma vez. Ponto. Mas enquanto as pessoas deixarem os trouxas no escuro, vai ter gente que vai achar que eles são idiotas. Enquanto o mundo deles for tabu pra nós, vão achar que eles são perigosos. E sinceramente, a única coisa que a Resistência está fazendo é tentar tampar o sol com a peneira. A maioria das pessoas concordam que os trouxas são perigosos. Verdade ou não. Essa guerra é a vontade da maioria. Não é como da última vez.

—Você está com um discurso muito perigoso, Sr. Draconis. – ralhou Navi – De onde tirou essas ideias, heim?

—Da minha cabeça. – respondeu Draconis – Os trouxas são perigosos sim. Assim como bruxos são. Seres humanos são perigosos. – ele deu de ombros – E eu te garanto que se eles pudessem nos culpar pelas merdas que fazem, eles iriam fazer. – ele tomou o jornal das mãos de Rose – Isso é ridículo, sem sombra de dúvida. Alguém está com intenções perversas para com os videntes... mas não acho certo falar que seja o Ministério. Um grupo lá dentro, talvez. Mas não todo ele. Eu sou o Ministério, você é o Ministério, Loto é o Ministério... e nenhum de nós está tentando foder com os trouxas.

—Eu totalmente estava ontem a noite... você também. – riu Loto e Draconis deu uma risadinha.

—É o que? – perguntou Rose, com um sorriso confuso.

—Nada. Uma brincadeirinha nossa. – riu Loto, piscando para ele – Eu entendi o que você quis dizer, Drac. Sobre generalizar. Tem um grupo que certamente está controlando o Ministério e o Profeta Diário. Isso é óbvio... eu queria saber o que esse grupo pretende. – murmurou ele. Draconis concordou com um aceno de cabeça.

—Ei, vamos sair hoje a noite de novo? Só eu e você? – perguntou Draconis.

—Ok. – riu Loto.

—Huuuum... vai rolar um sexo fora de casa? – perguntou Navi com um sorrisinho, pegando uma maçã na fruteira.

—Se tudo der certo. – riu Draconis, lançando uma piscadela para Loto, antes de sair da cozinha.

Depois foi para o próprio quarto e fechou a porta. Se sentou em sua cama e escutou a porta abrir. Era Rose.

—Ei. – murmurou ela.

—Oi... – murmurou ele.

—Então... eu... eu vim saber se... se você está bem. – murmurou ela fechando a porta e o olhando preocupadamente – Você cuspiu mais vidro depois daquele dia?

—Rose, o que você quer? – perguntou a olhando desconfiado – Eu entendi, ok? Eu fui um babaca com você. Eu deveria ter te dado alguma satisfação e não dei. – resmungou se levantando e andando até ela – Mas eu não vou deixar você ferir os sentimentos do Loto só pra provar que eu não presto. Eu sei muito bem disso.

—Eu não vim aqui pra isso. – murmurou ela.

—Pois eu fico feliz que tenha vindo aqui. Nós precisamos esclarecer algumas coisas. – disse ele, muito decidido – Eu amo aquele garoto, Rose. Eu amo você, mas... mas eu simplesmente não posso viver sem ele. Uma amiga minha disse que eu e ele temos alguma coisa... um tal de...

—Um en. – disse ela – Eu sei. E eu tenho um Akai Ito com você. – disse ela.

—Um o que? – perguntou confuso.

—É uma lenda chinesa. – riu Rose se abraçando – Que diz... “Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se… Independentemente do tempo, lugar ou circunstância… O fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.” – ela o olhou e sorriu – Ok, você está com o Loto agora, mas... mas um dia seremos eu e você. Você sabe que eu não sou apenas um furo no seu cinto. Eu senti isso e você também. Na primeira vez que você transou comigo. Não foi simplesmente sexo. Não foi somente amor. Teve mágica ali, Draconis. É por isso que eu não esqueço você e você não consegue me esquecer. – riu ela o olhando – Então eu espero você e Loto viverem o que tiverem que viver. Eu não estou num momento pra romances, de qualquer maneira. Eu quero me dedicar a minha carreira. Estamos em guerras, o nosso mundo precisa de curandeiros e medibruxos.

—Eu vou me casar com ele. – disse Draconis – Não perca seu tempo esperando por mim. – adicionou, decidido.

Rose piscou surpresa, mas então sorriu como se não estivesse acreditando.

—Ok. É como eu disse. Eu posso esperar. Uma vida inteira se for necessário. Eu vou viver a minha vida e você a sua, mas pode ter certeza que nosso destino vai ser voltar pra cá, pra esse momento, Draconis. – ela se aproximou um passo e ele engoliu em seco. Ela se aproximou mais um e ficou na ponta dos pés. Respirou fundo. Suas mãos foram para a cintura dela e os dois colaram a testa – Mas eu espero que você seja feliz nesse meio tempo. Eu vou tentar ser feliz também... espero que você e Loto tenham um casamento feliz. Que não seja eterno, mas eterno enquanto dure.

—Não tente sabotar, ok? – perguntou ainda com a testa colada na dela – Eu amo o Loto, mas você... você é meu ponto fraco.

—Você é o meu. – murmurou ela. Draconis engoliu em seco e a olhou nos olhos – Eu ainda amo você... adeus, Draconis. Te vejo quando o destino nos unir de novo. Porque ele vai.

Concordou em silêncio. Fechou os olhos e a beijou na ponta do nariz. Ela lhe beijou o queixo e ficaram assim durante alguns segundos.

—Você vai embora? – perguntou pra ela.

—Não. A menos que você peça... – murmurou ela – Mas... mas isso aqui... nós dois assim... isso vai acabar assim que eu sair por aquela porta. Porque chegou um momento da sua vida em que eu não sou mais protagonista.

—Não seja boba... – riu olhando pra ela – Você ainda é minha melhor amiga, ok?

Rose o soltou e suspirou.

—Você acha que vai mesmo dar certo com ele? – perguntou ela.

—Sim. – respondeu Draconis – Eu realmente acho que sim...

—Ok. Eu te desejo toda felicidade, Draconis... – murmurou ela. Concordou com um aceno de cabeça e ela abriu a porta. Sentiu um frio lhe subir a espinha, pois Loto estava ali. Desde quando, não saberia dizer – Olá, Loto. – disse Rose, passando por ele, cabisbaixa. Loto não deu atenção a ela. Ele apenas o olhava.

—Não aconteceu nada, se é o que você está pensando. – disse Draconis. Loto entrou e fechou a porta.

—Eu realmente duvido. Muita coisa aconteceu nesse quarto. – murmurou ele.

—Loto, eu não...

—Você tomou uma escolha... – disse Loto sorrindo – E não foi ela.

Draconis piscou surpreso e sorriu, negando com a cabeça.

—Não... não foi ela...

—Você disse que ia casar comigo? Era só pra se livrar dela ou...?

—Você vai me dar a chance de ser romântico, ou vai simplesmente chutar o balde desse jeito? – perguntou com um sorrisinho divertido. Loto passou a mão pelo rosto e sorriu.

—Eu não sei... vai demorar pro seu romantismo ficar pronto?

—Eu pensei num jantar legal... num restaurante trouxa, onde poderemos ser discretos. – riu Draconis se aproximando – E eu poderia sugerir que você não beba o champanhe que eu vou pedir de uma vez, pra... hum... não engasgar. – riu Draconis e Loto baixou o rosto, com um sorriso feliz e ligeiramente emocionado.

—Ok... eu acho que posso esperar o fim de semana... – riu ele. Draconis riu de volta e o puxou com gentileza. Os dois riram um para o outro e se beijaram de maneira carinhosa.

Sentiu os lábios macios dele. Eram tentadores, deliciosos, irrecusáveis. O cheiro dele era maravilhoso e envolvente. O toque dele o deixava assim, todo arrepiado... e ele tinha aquela sensação de que estava num lugar seguro com ele.

Loto o fez uma pessoa melhor sem nem mesmo pedir. Sentia a necessidade de ser melhor para ficar com ele. De ser mais nobre. De ser mais sóbrio. De valorizar mais o que tinha. De lutar para não ser esmagado.

Em tão pouco tempo ele virara um amigo tão importante. Tão essencial... alguém tão importante quanto Navi ou Rose. Alguém tão único e especial como ele nunca imaginara encontrar.

Loto se preocupava com ele nas coisas mais bobas, coisas que ele mesmo não notava. E ele fazia o mesmo com Loto. No dia em que ele fora se resolver com o pai, achou que teria um treco. Só de imaginar que ele poderia se machucar, emocionalmente ou fisicamente... isso o deixou tão alarmado que seria capaz de matar alguém.

Loto o conhecia nas qualidades e nos defeitos e confidenciara a ele coisas que não fora capaz de contar nem mesmo para Navi ou para o pai. Ou pra qualquer um dos irmãos.

E pensar que já o odiara em algum momento de sua vida... mas agora sabia que ele era aquela pessoa com quem poderia sempre contar.

E nada, nunca poderia mudar isso.

Por isso o beijou com tanta paixão. Sim, tinha feito uma escolha naquele dia. Ele não sabia que Rose estava chorando no ombro de Navi. Ele só sabia que amava Loto e que queria ficar com ele pelo resto de sua vida. Para sempre.

Ambos precisavam ir para o trabalho, mas nenhum deles quis. Passaram a tarde naquela cama, abraçados, planejando o futuro. Dois anos de noivado, o suficiente para juntar dinheiro para comprar uma casa. Uma no campo, longe de trouxas. Uma casa com um quintal grande para terem seus cachorros e a pequena Alexia Burke, ou Alexia Yaxley, não se importava com o sobrenome.

Nesse meio tempo viajariam para a Romênia, afinal Loto queria ver e estudar os dragões. Navi e Launet seriam os padrinhos de seus casamentos e eles se casariam usando as cores da família um do outro. Draconis de negro e pérola. Loto de vermelho escuro.

Mataram o trabalho, para passarem o dia de mãos dadas, rindo de coisas bobas, se beijando e fazendo juras.

Sim. Tinha feito uma escolha... ele escolhera Loto e não imaginava ser possível se arrepender... não enquanto recebesse aquele sorriso dele. Teriam uma noite excelente no dia seguinte, onde o pediria em casamento, como tinha prometido. Colocaria a aliança na taça de champanhe e então ficaria de joelhos, pedindo que ele fosse o homem de sua vida...

Sorriram um para o outro, imaginando uma vida inteira pela frente.

*

Draco se deitou, sendo observado por Luna, Pansy, Hermione e Rasalas.

—Eu já disse que isso não vai dar certo? – perguntou franzindo a testa.

—Umas noventa vezes. Você consegue ser mais irri... – começou Hermione, mas Rasalas a interrompeu.

—Não o desafie... – pediu ele – Ele consegue. Eu só o conheço a vida inteira. – resmungou ele. Draco revirou os olhos – Vamos revisar o plano. Eu vou ficar com Alhena, para que ela não fuja. Pansy vai seguir Draco para onde ele for. Luna vai... o que você vai fazer mesmo?

—Vou manter os hypnos longe dele. – explicou ela, com um chapéu feito de folha de alumínio e um óculos grande demais.

—Isso. – riu Rasalas revirando os olhos – Hermione vai ficar comigo, pro caso de Alhena ter um evento de magia involuntária. – Draco concordou, achando aquilo um tanto besta – Está pronto para sonhar com a minha irmã?

—Você não vai ficar zangado se eu acordar com uma ereção, vai? – perguntou Draco – Normalmente quando eu sonho com a sua irmã, sempre temos um momento...

—Ninguém quer saber, Draco. – ralhou Pansy – Agora deita e dorme. Granger vai usar uma magia em você que facilitara sonhos.

—Mas em contra partida deixará minha mente ainda mais vulnerável para legilimens. – resmungou Draco – Sim, eu estou sabendo. Vamos?

Granger lhe apontou a varinha e ele engoliu em seco. Um jato de luz azul claro lhe atingiu e ele sentiu-se sonolento. Fechou os olhos, deitando-se na cama. Sentiu-se cada vez mais distante de seu quarto, sendo levado para outro lugar.

Respirou fundo, pensando em Alhena. Em seu sorriso, em seus olhos, em sua voz. Pensou naquele dia em que pulou da torre de Astronomia com ela. Suspirou e sentiu o corpo pesado...

Abriu os olhos. Estava num quarto muito bonito e Alhena estava ali, num vestido branco, usando uma coroa, como se fosse algum tipo de rainha ou qualquer coisa assim.

—Lena? – perguntou confuso.

—Olá.

—Nós vamos passear? – perguntou de uma vez.

Alhena soltou um suspiro e negou com a cabeça.

—Venha comigo, Draco. – ela se levantou e ele a seguiu. Entrou num lugar estranho, cheio de portas e escadas, no chão, nas paredes e no teto. E aquele lugar estava completamente rachado, com uma névoa perolada que saía por essas rachaduras. Alhena o olhou tristemente e então ambos foram para um quarto, onde uma versão muito pequena de Alhena estava. Ela parecia ter seus oito anos, em seu aventalzinho que precisava usar quando era assistente de Madame Greengrass.

—Onde estou?

—Aqui. – respondeu a Alhena adulta apontando para a própria cabeça – Parece que está uma bagunça, mas está muito melhor do que antes. Alhena quer voltar pra casa.

—Você não é Alhena? – perguntou confuso.

—Eu sou parte dela. – respondeu a mulher – Mas existem muitos fragmentos de mim mesma, espalhados por ai. Talvez eu nunca consiga reunir todos... mas estou tentando. – ela suspirou e o olhou – Você quer entrar em Hogwarts.

—Sim. Precisamos tirar nossos filhos de lá. – explicou ele. A mulher concordou e tampou seus olhos. Ficou tudo escuro e Draco sentiu-se como se estivesse sendo levado por uma chave portal. Abriu os olhos e se viu em sua cama.

—Oi, Draco. – riu Alhena. Era outra Alhena, diferente da primeira. Parecia mais com ela mesma, inclusive as madeixas brancas e as rugas de cansaço.

—Lena?

Ela concordou com um aceno de cabeça.

—Eu fiquei sabendo que precisa da minha ajuda. – murmurou ela.

—Você sabe como entrar em Hogwarts? – perguntou achando aquilo tolice. Alhena concordou e se levantou.

—Vamos dar um passeio? – perguntou ela. Draco concordou e se levantou. Ela abraçou seu braço e os dois caminharam pelo quarto, desceram as escadas, viraram à direita e então à direita de novo – Como você está?

—Vou indo. – murmurou indo para a sala de visitas. As chamas brilharam verdes e ele parou – Pra onde?

—Caldeirão Furado. – respondeu ela. Concordou e entraram juntos nas chamas, indo parar no Pub. Estava tudo vazio daquela vez, diferente das outras vezes, onde sempre tinha pessoas sem rosto – Como está Draconis?

—Está bem. Conseguiu um bom emprego. Está com aquele garoto, o Yaxley. – respondeu ele calmamente.

—Ele é um bom garoto. – murmurou Alhena enquanto se dirigiam para o Beco Diagonal. A parede de tijolos não estava lá, então simplesmente atravessaram. Caminharam de braços dados pelo lugar, também vazio.

—Onde foram todos? – perguntou Draco, franzindo a testa.

—Eu não sei. – murmurou ela.

—Alhena... você lembra do Natal? Na casa do Draconis? – perguntou Draco. Ela concordou com um aceno de cabeça – Você e Damian. O que foi aquilo?

Ela sorriu e suspirou.

—Ele me pediu pra dançar. Eu dancei. – riu ela.

—Você ainda o ama..?. – murmurou Draco – Ele desistiu de você.

—Eu passei anos casada com ele. – riu ela – Uma vez ele comprou um celular super avançado trouxa, para tentar enfeitiçar. Seria revolucionário para os negócios. Ele passou um ano com ele... em um mês ele desistiu de fazer, porque era muito difícil, mas depois de uma semana ele tentou de novo. Mais um mês e ele jogou o celular contra a parede... e depois passou a semana tentando arrumá-lo. Desistiu de novo, mas um mês depois o celular estava funcionando. – ela deu um sorriso – Ele funciona assim. Ele precisa se afastar, espairecer, e então... se permitir tentar de novo...

—E se você voltar? E se você melhorar... – murmurou enquanto se dirigiam para a Travessa do Tranco. Alhena soltou um suspiro.

—Não espere por mim, Draco. Viva a sua vida e peça pra ele viver a dele... eu não vou voltar.

—Eu não vou perder as esperanças, Lena. Eu já perdi Astoria, eu não vou perder você. – disse Draco. Ela sorriu e negou com um aceno de cabeça.

—Eu não quero ser sua esperança de um final feliz, Draco... mesmo que eu consiga voltar, eu não sou mais aquela pessoa por quem você foi apaixonado. Eu me tornei alguém muito mais...

—Amarga? Frustrada? Quebrada? Confusa? Complicada? Eu também. – murmurou enquanto andavam juntos – Quem você ia escolher? – perguntou para ela.

—Não importa mais, Draco.

—Pra mim importa. – respondeu interrompendo o passo.

—Por que? – perguntou ela o olhando curiosa e levemente confusa.

—Porque eu preciso saber que aquele beijo não foi o fim de nós dois... mas um recomeço. – respondeu ele – Eu preciso saber se aquele beijo foi apenas um momento de loucura ou... ou se foi algo mais.

Alhena sorriu para ele e suspirou entrando numa loja. Na Borgin&Burke. Suspirou, indo atrás dela e notou que a loja estava vazia, sem objetos, sem distrações.

—Vamos. – murmurou ela.

—Espere. – disse segurando-a pelo pulso – Me responda, Alhena. Eu ou ele?

Alhena sorriu para ele e suspirou.

—Naquela noite eu... eu saí para encontrar o Damian. – disse ela e Draco baixou os olhos – Eu queria dizer que eu o amava e que eu o perdoava por ter feito tudo aquilo que ele fez... porque ele foi uma pessoa extremamente importante na minha vida e nós tivemos um casamento maravilhoso. – ele a olhou esperando que ela dissesse um “mas”. Ela lhe deu um sorriso, como se soubesse que ele esperava por isso – Mas...

—Mas?

—Mas eu não poderia seguir casada com ele. Porque, por mais que eu o amasse e o tivesse perdoado... minha confiança nele tinha acabado. E não poderíamos seguir casados se eu não confiava nele. – explicou ela – Mas eu não iria ir correndo para seus braços, Draco. Eu iria ter um tempo pra mim. Um ano, talvez dois... sem um relacionamento. Eu estou num relacionamento desde os meus dezoito anos. – adicionou ela – Eu queria saber o que é ter a minha vida. O que é viver por mim mesma. E então... quem sabe o que eu iria querer depois disso? Talvez uma vida com você... talvez outra vida com ele... talvez uma vida com um terceiro, ou quem sabe eu preferiria ficar sozinha porque relacionamentos são difíceis... mas aquele beijo certamente não foi coisa de momento. Não foi um fim da nossa história... foi destrancar uma porta, por mais que eu ainda não tivesse certeza se eu iria atravessá-la ou não.

A olhou surpreso, pois ela finalmente tinha lhe respondido.

—Tem algo que eu possa fazer... para te convencer a atravessar essa porta? – perguntou ele.

—Draco, nesse momento eu nem mesmo estou no mesmo cômodo que esta porta. Eu estou em milhões de pedaços e eu não sei quando eu vou voltar, nem mesmo se eu vou voltar... então, por favor... não me veja como sua esperança de uma vida normal e feliz. Porque viver comigo vai passar longe disso. – sentiu aquilo como se fosse um balde de água fria em suas chamas de esperanças – Vamos. – a seguiu para dentro da loja e viu que havia um armário lá. E era a única coisa que tinha lá. O armário onde ela tentara levá-lo no dia em que ela tinha fugido.

—Por que queria me levar pra Hogwarts naquele dia? – perguntou confuso.

—Não fui eu. – respondeu ela.

—Quem foi?

—Eu não sei. Eu sou a última pessoa a controlar aquele corpo. Vez ou outra eu vejo pelos meus olhos. Outras eu escuto pelos meus ouvidos... mas não sou eu no comando do corpo. – explicou ela abrindo a porta do armário e entrando dentro dele. A seguiu, curioso e se viu numa sala com um monte de bagunça, caixas e um espelho enorme. Havia um quadro também, mas estava tampado com um monte de papéis.

—Onde estamos?

—No depósito secreto da família Burke. Fica dentro de Hogwarts. – respondeu ela – Mas só um Burke pode abrir aquela porta e nunca para levar outra pessoa por lá. Se vocês fizerem com que alguém abra pra vocês... o Burke que quebrar as regras, morre. – Draco sentiu um frio lhe subir a espinha.

—Então não tem como irmos por aqui? – perguntou ele.

—Vocês não. Mas Damian sim. Assim como Draconis, Castor, ou Póllux. Eles podem entrar e entregar alguma coisa para Cerce e Dido, por exemplo. – riu Alhena.

—Entendo. – murmurou a olhando. Depois olhou para o espelho – O que é isso? – perguntou notando que não via seu reflexo ali.

—Dizem que a alma de Abraxas Slytherin está ai. Alguns Burkes e Borgins o viram. Diziam que era sinal de boa fortuna. Curiosamente todos se tornaram bruxos incríveis e morreram loucos. – riu ela.

Draco concordou e se sentou.

—E agora? – perguntou ele.

—Quer ir para algum lugar? – perguntou ela.

—Que tal o lago? – perguntou ele. Alhena sorriu para ele e concordou.

Subiram por um lance de escadas e saíram numa masmorra com uma mesa de tortura.

—Ei, a gente já deu uns malhos aqui. – riu ele – No dia em que eu corri pelado com os outros.

—Sim. Eu me lembro. – riu ela. Andaram juntos pelo castelo, que estava vazio. Quando chegaram no Salão Principal, notaram que ele não tinha teto, mas se estendia até o infinito. A porta estava aberta então caminharam até o lago, com tranquilidade. Se sentaram na orla e ficaram um tempo em silêncio – Eu me lembro quando você me trouxe aqui, um dia antes de invadirem Hogwarts.

—Eu nunca vou esquecer. – murmurou ele. A olhando – Eu queria voltar para aquele dia.

—Eu também. – riu ela – Aquele dia foi... revolucionário. – riu ela. Draco concordou e a puxou para beijá-la. Alhena se deixou levar e o beijou de volta.

Abriu os olhos. Estava de pé, em seu escritório dos retratos. Granger e Pansy o olhavam com confusão. Em suas mãos estava sua penseira, com uma memória flutuando pela superfície. O dia da Torre de Astronomia.

—Draco? Você acordou? – perguntou Granger. Ele concordou com um aceno de cabeça – E então?

—Não... não tem como irmos pra lá... no máximo poderemos mandar um recado... – respondeu ele olhando para a penseira – Isso foi perda de tempo. – murmurou abalado com tudo o que tinha escutado. Pegou a penseira e a guardou dentro do armário e se escorou na porta – Por favor, saiam... me deixem sozinho.

Granger e Pansy se entreolharam e saíram do escritório. Fechou os olhos pensando nas palavras dela. Ela iria deixar Damian... respirou fundo sentindo-se confuso com tudo aquilo. Ela iria deixá-lo, mas não necessariamente ficaria com ele. Por que?

—Você não quer que eu te espere, Lena... mas não esperar por você não é uma opção que eu possa escolher...

**

Sentiu os beijos macios dele em seu pescoço. Respirava ofegante enquanto ele desabotoava sua blusa. Fechou os olhos, um tanto envergonhada, mas disposta a não pará-lo. Queria mais. Queria. Sua blusa caiu em cima do sofá enquanto os lábios sedentos dele a beijavam por cima do sutiã. Gemeu baixinho com o contato e sentiu as mãos dele apertarem sua coxa com muito desejo.

A mão dele foi para o fecho de seu sutiã, o abrindo de uma vez, liberando seus seios, lhe dando uma sensação gostosa de liberdade. E quando o garoto mergulhou o rosto neles, sentiu-se maravilhosamente bem. Nunca tinha tido um momento tão erótico em sua vida e aquele estava se mostrando perfeito.

—Você é tão linda. – murmurou ele lhe beijando o pescoço enquanto apalpava seu seio. Engoliu em seco, sentindo-se muito quente e quase sem ar. Ele se deitou, a fazendo deitar também. O corpo forte dele a amassou contra o sofá e ela estremeceu de nervoso, com lembranças ruins a afligindo. Lembranças enevoadas por alguma droga em sua bebida. Engoliu em seco, abrindo os olhos e encontrou os de Gale. Ele sorriu charmosamente e a beijou carinhosamente, afastando aquela névoa de pesadelos.

Em outro lugar, longe da Casa da Árvore. No salão comunal da Sonserina, Cerce olhava os verdes olhos de Albus. Deitados na cama do rapaz, com respirações aceleradas. Nervosismo e medo misturados com amor e tesão. Ela o amava. Ela o amava tanto.

E Albus. Albus a amava também e naquele momento nem mesmo Lyra poderia desconcentrá-lo de sua donzela. A beijou completamente apaixonado, querendo por tudo que aquele momento especial fosse maravilhoso para ela. Tirou a camisa e se deitou sobre ela para beijá-la da maneira mais carinhosa que poderia conseguir beijar alguém.

Lyra caminhava solitária pelo corredor do terceiro andar, sentindo-se vazia, só. Sabia que Scorpius estava com Rose em algum lugar do castelo, mas preferia assim. Queria um tempo para ficar sozinha. Seus cabelos negros caíam lisos e escorridos por suas costas. Se perguntou se Virgo estaria bem e se algum dia ela entenderia que só queria o bem dela. Que fizera o que tinha feito para protegê-la.

Colocou as mãos em cima de seu ventre, sentindo um nó na garganta. Sempre falara que não queria ter filhos. Que não queria se casar... mas era bom saber que poderia mudar de ideia... que a outra opção existia. Mas agora já não tinha mais um útero e jamais poderia ser mãe novamente. E seu bebê estava há muitos quilômetros, inalcançável, em Moscou, onde imaginava que ninguém iria sequer imaginar que ela era uma Potter. Onde achavam mesmo que ela era uma Malfoy.

Engoliu em seco olhando pela janela e franziu a testa ao ver algo peculiar.

Scorpius e Rose estavam numa sala vazia. A sala de música que ninguém mais usava. Estavam só os dois, alheios ao mundo lá fora, aproveitando o calor do corpo um do outro. Ele respeitara a decisão dela de esperar e não se sentia mal por isso. Apenas ficar deitado ao lado dela, contando as sardas em seu rosto, recebendo aquele esplendoroso sorriso... aquilo era mais do que o suficiente.

Se aproximou do ouvido dela e a mordiscou de leve para então sussurrar um “eu te amo” para ela. Rose sorriu para ele e sussurrou um “eu também te amo” para ele.

Estava tudo tão perfeito...

Tão perfeito nos braços de Gale, enquanto ele a beijava completamente apaixonado. Completamente entregue. Dido gemeu de um jeito gostoso de ouvir enquanto ele a beijava com absoluta paixão.

—Me ama, Gale... – pediu completamente fora de si. Completamente disposta a fazer aquilo. Completamente convencida de que estava pronta para deixar com que ele fosse o primeiro de sua vida. O primeiro a fazer com que ela não quisesse Navi Lestrange. O primeiro que a fazia se sentir daquele jeito.

Albus a olhou num pedido mudo de consentimento. Cerce concordou com um aceno de cabeça e prendeu a respiração. Mas ele veio tão calmamente, de maneira tão amorosa, que o que ela imaginou que seria uma tortura sem fim foi simplesmente bom. Olhou nos olhos dele, sentindo que estava pulando de um precipício. Estava fazendo algo completamente sem volta. E quando ele lhe tirou aquilo que ela sempre quisera entregar pra ele, um sorriso surgiu em seu rosto e ela o beijou. O desconforto foi muito bobo se comparado a emoção do momento. Se comparado ao amor e carinho que os olhos dele demonstravam. Se comparado ao delicioso contato dos lábios dele contra os seus.

Lyra sentiu um calafrio lhe subir a espinha. O novo Medibruxo estava falando com uns homens que ela nunca tinha visto e eles pareciam apressados para fazer alguma coisa. Foi quando escutou o som de uma explosão, vindo do portão. Os homens sacaram as varinhas e ela se perguntou o que poderia ser.

Scorpius olhou para Rose, confuso se tinha escutado aquilo ou não. Ele e Rose se entreolharam e isso foi uma confirmação de que não tinha sido sua imaginação. Os dois saíram da sala e foram para o corredor. As luzes do castelo piscaram de leve e então ficaram todas verdes, indicando que alguém estava fazendo magia negra ali.

Prim correu para as masmorras, com o espelho que tinha ganhado de seu pai em suas mãos. Ela abriu a passagem secreta, falando a senha que era passada de geração em geração pelos membros de sua família. Desceu as escadas e viu Póllux ali. Ele parecia muito aflito.

Dido sorriu, deitada no peito de Gale. Os dois olhavam para o teto, completamente satisfeitos.

—Foi bom? Você gostou mesmo? – perguntou ele. Ela concordou com um aceno de cabeça.

—Foi ótimo.

—Mas doeu muito? – perguntou ele com preocupação.

—Não. Só um pouquinho. – riu ela – Você foi muito carinhoso. Obrigada. – murmurou antes de dar um beijinho nele. Gale a olhou completamente apaixonado e suspirou.

—Eu amo você. – disse ele a olhando intensamente – Eu me assusto com isso... com o tanto que eu amo você... queria nunca ter zoado seu irmão, só pra você não ter se feito de difícil por tanto tempo. – riu ele.

—Só me ama tanto porque eu me fiz de difícil. Você não estava acostumado a ser dispensado. – devolveu com um sorrisinho.

—Tem razão. – riu ele – Eu te amo.

—Eu ouvi da primeira vez. – murmurou com um sorrisinho e ele a olhou com expectativa – Eu também te amo. – riu ela – Muito. Eu te amo, Gale Selwyn. – disse com um enorme sorriso no rosto e Gale a imitou, extremamente feliz.

Albus e Cerce ainda estavam se beijando, mesmo que já não tivessem mais fôlego. Mas era muita vontade de desfalecer nos lábios um do outro. Porém o momento foi interrompido por gritos. Os dois se olharam confusos e se afastaram. Sempre alerta, Albus sacou a varinha e começou a se vestir.

—Cerce, se esconda. – disse pegando a roupa dela e a jogando. Quando a olhou, notou que ela estava com os olhos virados, brancos. Assustado, a abraçou, achando que ela estava convulsionando ou qualquer coisa assim, mas ela logo voltou ao normal.

—Eles pegaram a minha irmã! – disse assustada – Albus. Eles pegaram a minha irmã!

—Qual delas? – perguntou confuso.

—Eles pegaram a Dido!

Lyra correu pelos corredores e deu de cara com Scorpius e Rose.

—O que está acontecendo? – perguntou Scorpius.

—Estão invadindo o castelo! – disse Lyra.

—Quem? – perguntou Rose.

—Eu não sei. – respondeu Lyra, sentindo-se assustada. Escutaram passos apressados e os três se viraram sacando as varinhas, mas era apenas Prim – Prim?! O que houve?

Prim terminou de correr. Seus cabelos negros e compridos desgrenhados e suas bochechas vermelhas pelo esforço.

—Ainda bem... que encontrei... vocês... – murmurou ela – Rose, você, seu irmão e seus primos, assim como os Scarmander, a Cerce e todos os que foram considerados videntes devem ir para a Sala Precisa, para se esconderem lá. – disse ela.

—O que? Por que? – perguntou Scorpius.

—Você também, Scorp. Ordens do Harry. – explicou Prim – Vocês devem ir pra lá. Eu vou avisar Albus e os outros. Eles devem estar no salão comunal, né? – perguntou ela.

—Acho que sim. – respondeu Scorpius.

—Vão. Eu vou avisar os outros.

—Você não pode ficar sozinha aqui! – disse Rose quando Scorpius e Lyra já tinham se virado.

—Não se preocupe. Eu estou bem. Eu não sou metamorfomaga, não sou vidente e tenho um sobrenome neutro. Eu vou ficar bem. Agora vão.

—Vamos, Rose. Prim está certa. – disse Scorpius – Onde fica a Sala Precisa?

—Eu... eu mostro, mas... – murmurou Rose olhando Prim com preocupação.

—Eu não sou um bebezinho! Vai! – ralhou Prim.

Os três se entreolharam e saíram correndo.

—Vamos para a Torre da Grifinória primeiro. – disse Rose – De lá nós vamos para a Sala Precisa.

—Deveríamos ir logo... – começou Scorpius.

—Estamos nos preparando para uma fuga estratégica há tempos. – cortou Rose – Eu tenho ajudado a treinar um grupo grande de alunos da Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal.

—Estava? – perguntou Scorpius, surpreso.

—Eu precisava parar de pensar em você. Você virou o paizão do bebê do meu primo. Eu criei um grupo avançado de duelos. – riu Rose e Scorpius a olhou surpreso.

—Eu te amo. – riu ele.

Lyra sorriu por eles e continuou seguindo Rose.

Dido saiu da Casa da Árvore muitos minutos depois de perder a virgindade, completamente alheia a tudo o que estava acontecendo. Mas logo ela e Gale notaram que algo estava errado. Um grupo de homens mascarados apareceu no final do corredor e ela reconheceu o uniforme dos homens que atacaram a parada gay.

—Ali. É ela. – disse um deles com uma foto na mão. Gale a olhou assustado e os dois sacaram a varinha.

Albus guiava os alunos da Sonserina pelos corredores. Os cinco alunos considerados videntes, sendo que deles, apenas Cerce cursava adivinhação e realmente parecia um. Aquilo era loucura, mas não duvidaria da palavra de Prim. O problema seria chegar no sexto andar, na Sala Precisa.

Mas logo outras pessoas foram se unindo ao seu grupo, liderados pelo namorado de Prim, o tal do Sharp. Logo eram mais de dez alunos, de todas as casas. Venceram o primeiro andar, venceram o segundo, mas então encontraram um grupo de homens.

—É o filho de Potter! – gritou um deles. Viu as azarações cortarem o ar, para atingi-lo, mas seu feitiço escudo foi fortalecido pelo feitiço de Prim, de Sharp e de uns dois alunos da Corvinal, Johannink e Blackwood – Peguem eles!

Começaram a duelar, surpresos com a violência dos ataques. Logo seus companheiros foram caindo, um a um.

—Potter! Tire a Prim daqui! – disse Sharp.

—Vamos embora, Albus. – chorou Cerce.

—Olhe. Aquela é a vidente que Hesse falou. – disse um dos homens.

Albus não se considerava um covarde e odiava quando diziam que ele tinha sido sorteado para a Sonserina por falta daquela qualidade. Mas ele tinha prioridades. Entre ficar para proteger alguns alunos que nada significavam para ele, ou fugir com a pessoa que ele amava, ele escolheria o amor. Por mais que aquilo fosse contra seus ideais. Talvez fosse o fardo do nome Severus, que seu pai lhe dera.

Por isso segurou a mão de Cerce e correu com ela pelos corredores, deixando os outros para trás. Logo o castelo parecia um lugar ainda mais assustador. Gritos e pedidos de socorro ecoavam por todos os lugares. Cerce parecia muito assustada com tudo aquilo. Ele também estava, mas nada disse. Viraram num corredor e ele estava para tirar a capa de invisibilidade, quando viram um casal se aproximar.

—DIDO! – gritou Cerce. Dido caiu no choro e veio correndo para abraçar as irmãs. As três se abraçaram, emocionadas.

—Oh, Cerce, eu achei que era tarde demais. – chorou Dido.

—Precisamos ir para a Sala Precisa. – disse Prim.

—Nunca vão chegar lá. – disse Gale – O corredor está cercado. – adicionou ele com um corte feio no lábio – Estamos presos aqui.

Prim olhou horrorizada para Albus. Todos olharam para ele a espera de um plano. Ele tirou a capa de invisibilidade e suspirou.

—Apenas três de nós podem se esconder aqui. – disse ele – E se tivermos muita sorte, não seremos vistos.

—Os pés vão ficar aparecendo. – negou Dido – Apenas dois podem se esconder. Você e Cerce. – adicionou ela.

—E você? – perguntou Cerce – E Prim? Não. Não! De jeito nenhum. – disse Cerce.

—Eles estão atrás de você, não de mim e nem de Prim. – disse Dido, decidida – Eles querem você e Albus Potter.

—Por que eu? – perguntou Cerce.

—Porque você é uma vidente. – explicou Albus – Nunca vão nos deixar sair. Mesmo com a capa, eles tem aqueles orbes que mudam de cor. Todo mundo sabe que eu tenho uma capa de invisibilidade. – adicionou ele.

—Vocês precisam de uma isca. – disse Dido, engolindo em seco e apontando a varinha para os próprios cabelos – Coloris.

—O que você vai fazer? – perguntaram Cerce e Gale ao mesmo tempo, enquanto Prim esbugalhava os olhos.

—Não! Dido, não! Não faz isso. – pediu Prim.

Dido respirou fundo e se virou muito rápido. Albus estava acostumado a duelar, mas não se moveu. Sabia o que ela iria fazer. Cerce levou o feitiço estuporante no peito e caiu nos braços dele.

—Eles estão vindo. Rápido. – disse Dido. Albus a olhou nos olhos, enquanto Prim e Gale pareciam desesperados.

—Dido! Não! Dido! – pediu Gale, mas ela olhava para Albus.

—Eu confio minha irmã a você. – disse ela – Não me faça ter arrependimentos.

—Você sabe o que pode acontecer com você, não sabe? – perguntou ele, muito sombrio, a medida que o som de passos aumentava.

—Sei.

—Dido! Dido, olhe pra mim. – pediu Gale enquanto Albus se enrolava na capa com Cerce em suas costas. Prim fungava, mas o ajudava a ficar completamente escondido – Não faça isso... não, por favor, não.

—Estupefaça. – disse Albus, pelas costas do garoto, que caiu no chão, com a expressão de surpresa ainda no rosto. Dido olhou para onde ele estava, apesar de não poder enxergá-lo.

—Tem duas garotas aqui! – disse um dos homens e Dido se virou – Quem é você.

—Cerce Burke, por que? – perguntou ela.

—Achamos ela. – disse um deles.

—Espere. Temos que confirmar. – rosnou o outro pegando uma esfera negra. Eles colocaram perto de Dido e Albus se aproximou com Cerce desmaiada em suas costas. A esfera brilhou dourada e Dido respirou fundo. Um homem a azarou pelas costas e a colocou no ombro.

—PAREM! O QUE ESTÃO FAZENDO?! – gritou Prim.

—Fique quietinha ai. – rosnou um dos mascarados.

Prim fez cara de choro e um dos homens a olhou com um sorrisinho.

—Some, guria.

Albus puxou Prim pelo cotovelo, que hesitou longos segundos para se deixar levar. Mas logo estavam a caminho da Sala Precisa, se esquivando de todos os mascarados. Estava tendo algum tipo de confronto nos jardins e ele não fazia ideia do que poderia ser. Mas não tinha tempo para descobrir. Apenas levou Cerce para a sala secreta, jurando a si mesmo que cumpriria a promessa feita a Dido. Protegeria Cerce e não deixaria que a irmã se arrependesse por seu sacrifício...

E seria ele quem daria a notícia a Damian.

Talvez notassem que ela não era uma vidente e a soltassem...

Talvez viessem atrás dos Burke... talvez não houvesse mais um lugar a salvo... talvez...

Mas ele lutaria até o último resquício de energia, para manter Cerce a salvo.

Notas finais
O que vai acontecer com a Dido?!!?!?! Surprise!! =D Ok. Vou colocar uma prévia! "Rose olhou pela janela e piscou em choque. Draconis estava do lado de fora. Ela correu até a porta e a abriu. Ele a olhou intensamente e ela o abraçou. —Navi... Navi falou... —Eu imagino. – murmurou Draconis. —Você estava só de cabeça quente, não é?! – perguntou ela. —Eu não me arrependo de nada. – sibilou ele."