Legado Lestrange II - Legacy
91 Rule 69
Notas iniciais


Capítulo 91
Rule 69
Se aquilo não era um convite, ele realmente não sabia o que era. Mas não poderia ir para a festa sem um terno adequado.
Não queria cair numa armadilha... Hesse não era idiota. Ele tinha feito um convite muito óbvio à Resistência e a ele. Olhava o jornal, que falava sobre a nomeação de Hesse para medibruxo oficial de Hogwarts. Precisava voltar para a escola, mas não sabia como. Não conhecia uma entrada que fosse secreta para Hesse. Por onde quer que tentasse entrar, teria uma comitiva a lhe esperar. Sabia disso com absoluta certeza.
Rigel bufou e pegou a própria varinha. Talvez devesse cair na armadilha. Ou talvez... ou talvez devesse fazer algo que fosse deixar todo mundo surpreso. Alguma coisa que faria Hesse baixar a guarda...
Deu um sorrisinho, tendo uma ideia interessante.
—Dominique! – gritou ele – Me trás o calendário!
Mas Dominique não estava escutando. Ela estava no banheiro, olhando aquele maldito frasco azul.
—Merda. – praguejou ela, olhando o próprio reflexo – Merda. – rosnou socando o espelho e sentindo os cacos de vidro cortarem sua mão.
*
Draconis e Loto iriam no restaurante trouxa que Draconis tinha reservado. Não seria uma surpresa pra ninguém. Loto sabia que ele iria pedi-lo em casamento.
Draconis estava terminando de se arrumar quando escutou a campainha tocar. Estava vestindo um terno trouxa, completamente preto, com uma camisa social vermelha por baixo. Os cabelos curtos formavam um pequeno topete e ele já estava praticamente pronto, faltando apenas terminar de colocar as abotoaduras nas mangas. Por isso não se importou de ir atender. Apenas conferiu se não tinha esquecido nada e sorriu para seu reflexo.
Foi até a sala e mirou pelo olho de vidro. Soltou um suspiro, desgostoso e abriu a porta, dando de cara com o pai de Loto.
—Senhor Yaxley? – perguntou preguiçosamente.
—Burke. – rosnou o sogro com descaso – Meu filho está aí?
—Pai? – perguntou uma voz lá do corredor. Loto tinha entrado na sala, parecendo pronto também, num bonito terno grafite – O que está fazendo aqui?
—Eu vim te ver. Não posso? – perguntou o velho e Draconis revirou os olhos. Loto sorriu parecendo feliz e concordou indo abraçar o pai. Draconis se afastou, querendo distância do velho – Loto, precisamos conversar.
—Agora? – perguntou Draconis sem querer que o velho atrapalhasse a sua noite.
—É. Agora. – rosnou o velho e Draconis se jogou no sofá, amuado. Navi apareceu no início do corredor e olhou para todo mundo com algum interesse – Loto, eu andei pesquisando... sobre gente que tem a mesma opção de vida que você...
—Ele quer dizer: gay? – perguntou Navi, comendo uma maçã e o pai de Loto fez uma careta.
—Isso. – resmungou o pai dele – Loto, nenhuma bruxa de sangue puro irá querer dar o bebê pra um casal de homens. – disse o velho e Draconis bufou desviando o olhar – Isso pode dificultar o nosso trato.
Loto cruzou os braços, parecendo se aborrecer.
—Ora, pai. É muito cedo pra nos preocuparmos com isso. – ralhou Loto.
—Nunca é cedo demais para se preocupar com o futuro, Loto. Você é meu varão e é sua responsabilidade passar o nosso nome pra frente, mantendo a nossa linhagem pura. – disse ele e Loto suspirou – Ou por acaso esse garoto te fez parar de se importar com a nossa família?
—Não! Claro que não. Eu sei que é minha responsabilidade! – disse Loto – E Draconis concordou comigo, sobre termos um bebê pra passar o meu nome pra frente. Um bebê meu e de outra bruxa... – disse Loto e Draconis bufou de novo, só de imaginar o namorado com uma mulher, para “fazer” esse bebê – Mas é muito cedo pra isso. Não acha?
—Não acho, Loto. – disse o pai dele, parecendo preocupado – Loto. Nós estamos em guerra e por mais que nosso nome nos proteja... logo não será o suficiente. Você não faz ideia de como as coisas estão se desenrolando...
—Pai. Vamos fazer assim... – Loto deu um suspiro e colocou a mão no ombro do pai dele – Eu e Draconis temos um compromisso agora. Inadiável. E já estamos quase atrasados. – riu ele – Então... conversaremos sobre isso amanhã, ok?
—Loto... – começou o pai dele, como se não fosse concordar.
—Por favor, pai. Hoje é um dia muito importante pra mim, ok? – perguntou Loto e o Sr. Yaxley o olhou intensamente.
—Você precisa mesmo fazer isso? Você sabe que pode tomar jeito e eu te arranjo uma noiva a sua altura, não sabe?
—Como você fez com a Launet? Noivando ela com o babaca do Grant? – provocou Draconis.
—Grant é um bruxo dez vezes melhor que você. E é um homem de verdade, também. – rosnou o pai de Loto – E Launet está sendo rebelde e me envergonhando por sua causa. Você foi a desgraça da minha família.
—Eu não sou a desgraça da sua família! Quer ver a desgraça da sua família? Se olhe no espelho. – provocou o loiro e Navi deu uma risadinha.
—Escute aqui, seu desgraçado...
—Pai. Sério. Conversamos amanhã, ok? – perguntou Loto se colocando entre os dois. O pai de Loto soltou um suspiro e olhou raivoso para Draconis, que devolveu o olhar – Vocês precisam aprender a conviver. Sério. Se esforcem pra serem legais um com o outro. É difícil assim? – perguntou ele com um sorrisinho.
—Eu não quero conviver com isso. – rosnou o pai dele.
—Algo que temos em comum. – rosnou Draconis e Loto revirou os olhos.
—Sério. Por mim. Aturem-se. Chega de alfinetadas, ok? E pai, eu preciso ir. A gente conversa amanhã, ok? – pediu Loto e o homem bufou antes de sacar a varinha e desaparatar – Isso é um “vou pensar” – riu ele – Vamos, Drac.
—Seu pai é um... – e então ele xingou com o nome mais ofensivo que conseguiu encontrar. Navi deu uma risadinha e Loto revirou os olhos.
—É o meu pai, Draconis. E é função dele ter aquelas preocupações. Eu não posso engravidar você e nem você me engravidar. É claro que ele não está confortável com tudo isso. – Draconis olhou indignado com aquilo e estava para falar alguma coisa quando Loto voltou a falar – Claro que ele deveria ser mais gentil e educado com você. Mas eu vou fazer ele aprender a lidar com tudo isso, ok? – riu Loto e Draconis bufou, indignado.
—Ok... mas enquanto não adestrar aquele cretino, eu não vou gostar dele. – resmungou cruzando os braços.
Loto sorriu e olhou para Navi.
—Então... nós já vamos. Certo? – perguntou Loto.
—Boa foda. – riu Navi movendo os quadris de maneira indecente.
—Navi. – Loto o olhou com um sorrisinho – Você é um cara legal.
—Demorou demais pra notar, heim? – perguntou Navi – Você também é legal. – riu ele – Cuide do meu amigo, compre um lubrificante legal e arrasem. – riu ele.
—Hoje não vai ser apenas sexo, Navi. – riu Draconis abraçando Loto – Hoje vai ser um dia especial.
—Por que? Vão convidar uma terceira pessoa? Ou especial, tipo eu, num vestido, na parada gay?
—Segunda opção. – riu Draconis piscando para ele.
—Sério?! – perguntou Navi, boquiaberto. Draconis e Loto deram as mãos e concordaram.
—Ele totalmente vai me pedir em casamento. – riu Loto.
—Totalmente. – riu Draconis.
—Eu abraçaria vocês agora... mas já é muita baitolagem... ah, foda-se! – riu Navi abraçando os dois – Oh! Meu melhor amigo vai casar! Com um cara! E nenhum de nós cumpriu com as normas do Bro Code.
—Nós somos bastante idiotas. – riu Loto – Acho que essa era uma das exceções... ser um idiota.
—Ok, nós não descumprimos o Bro Code... – riu Navi – Vão lá! Eu vou escrever pra Les, pra contar a notícia. Ok?
—Ok. – riu Draconis indo até a porta – Falou.
—Até mais. – riu Navi pegando Batman, para que ele não corresse para fora.
Loto e Draconis saíram de casa e saíram da rua bruxa onde moravam, para pegar um taxi trouxa. Draconis sabia lidar com dinheiro trouxa desde pequeno, então ele pagou o taxi que levou os dois até o restaurante de luxo. Conversaram um pouco, olhando o cardápio, e decidiram pedir uma lagosta, afinal Loto nunca tinha comido e Draconis adorava.
—Meu avô faz a melhor lagosta da vida. – riu ele – Meu avô Jack. Inclusive, ele aprendeu a fazer explosivins. Um bicho que meu pai teve que estudar quando estava em Hogwarts.
—É mesmo? Nunca ouvi falar.
—É um bicho híbrido de caranguejo de fogo com alguma outra coisa, que o Hagrid criou. Meu pai roubou alguns filhotes e meu avô ficou tentando descobrir alguma utilidade pra eles. – explicou Draconis. Loto sorriu achando a história interessante – As fêmeas sugam sangue e ele descobriu que eles eram ótimos para colher sangue de animais grandes e fortes. Mas a maior utilidade deles é culinária. No aniversário dele, quando eu ainda era pequeno e não estava em Hogwarts, ele deu um banquete e serviu explosivins. Tio Draco odiava os bichos e nunca comeu uma refeição tão satisfeito.
—Ele poderia servir no nosso casamento. É tipo uma lagosta gigante?
—Sim, quase dois metros de lagosta.
—Uau. – riu Loto – Meu pai nunca cozinhou. Isso pra nós sempre foi papel dos elfos, ou das mulheres. Mas teve uma vez... – Loto deu uma risadinha – Nós estávamos de férias, eu estava no quinto ou quarto ano... nossos dois elfos pegaram pentapox... – Draconis fez uma careta – Pois é. Minha mãe teve que ir ver a minha avó, que estava no Mungus, então ela deixou uns ovos de codorna para cozinhar. E disse que a gente poderia comer quando ficasse pronto. Quando ela voltou, umas quatro horas depois, os ovos ainda estavam no fogo e ela ficou furiosa, porque achou que eu e o meu pai tínhamos esquecido de tirar os ovos do fogo.
—Vocês deixaram os ovos por quatro horas no fogo? – perguntou Draconis, surpreso.
—Minha mãe perguntou isso também. Mas ai a gente falou: uai, essa droga não cozinha. Ainda tá cru e duro, olha! – Draconis o olhou descrente – A gente não sabia que tinha que descascar o ovo. – riu Loto e Draconis deu uma longa risada – Depois disso eu resolvi aprender a cozinhar. Eu não sou assim muito bom... mas eu sei me virar agora.
—Céus, Loto... só você. – riu olhando o namorado com carinho. Segurou a mão dele e a beijou – Nós temos que aprender a cozinhar... pela Alexia.
—Sim. – riu Loto – Imagino eu e você de avental, ajudando a nossa princesa a fazer cupcakes.
Draconis riu mais uma vez e concordou com um aceno de cabeça.
—Loto... – suspirou acariciando a mão do namorado – Obrigado por estar na minha vida. – murmurou. Loto sorriu e segurou sua outra mão.
—Eu quem agradeço. – riu ele – Algumas vezes eu me pergunto como eu pude ter tanta sorte... de tudo ter se encaminhado desse jeito. Você me faz muito feliz. – murmurou ele beijando a ponta de seus dedos.
Os dois sorriram com ternura um para o outro e Draconis olhou para o namorado.
—Me conta algo sobre você. Algo que eu ainda não saiba. – riu ele.
—Hum... difícil essa. – riu ele – Conta você primeiro.
—Ok. – riu Draconis, pensando – Eu sou um excelente dançarino. – disse com um sorriso – Meu avô Jack fez questão de ensinar todos os meus irmãos a guiarem na Valsa Inglesa, Vienense, Foxtrot, Quickstep e Tango. – explicou ele e Loto o olhou surpreso – Ele diz que um cavalheiro deve saber conduzir uma dama durante a dança com a mesma maestria que se conduz um duelo.
—Que legal... eu sei valsar bem mais ou menos... mais pra menos. Você vai ter que me ensinar um dia, ok? – perguntou Loto.
—Ok. Mas agora é sua vez. – riu Draconis. Loto suspirou, pensando a respeito.
—Hum... deixe-me ver... – Loto soltou um suspiro – Eu já tentei me matar... Só que tenho muito medo de morrer. – explicou ele e Draconis sorriu.
—Quem não tem?
—Mas é sério. Eu já tentei me matar muitas vezes. Muitas. Já tentei me enforcar com o meu cinto, já tentei ter overdoses, eu cheguei a subir na Torre de Astronomia e ficar olhando o chão lá embaixo, durante um tempão. Eu cheguei a subir na janela e a escrever uma carta de despedida... – ele engoliu em seco – Uma vez eu... eu roubei os venenos da sala do Slughorn... pra beber, sabe? – Loto soltou um suspiro – Minha vida era um nojo. Eu tinha nojo de mim mesmo, apesar de ficar repetindo pra mim mesmo que eu fazia o que fazia pra sobreviver e sobreviver bem. Mas quando eu te conheci... quando te conheci de verdade... eu parei de repetir aquela mentira pra mim mesmo... e comecei a aceitar que eu apenas estava sendo covarde e tendo raiva de quem era mais corajoso e honesto que eu. – ele engoliu em seco – Mas depois que viramos amigos... quando você ficou muito louco e eu te ajudei, lembra? Quando você ainda estava brigado com o Navi?
—Lembro... – murmurou constrangido.
—Naquele dia você me promoveu a Bro... eu achava isso meio idiota... mas depois eu entendi que você me considerava seu amigo... e depois daquele dia... – Loto sorriu e suspirou – Eu nunca mais tive vontade de terminar com a minha vida...
Draconis sorriu, baixando o rosto.
—Que bom. – riu ele acariciando a mão do namorado – Bem... está pronto pra passar um pouco de vergonha? – perguntou Draconis e Loto corou de leve.
—Como assim?
—Fique aqui um minuto. – riu Draconis se levantando e indo até onde a banda estava.
Loto o olhou curioso e então corou ao reconhecer Steve, da sorveteria. Aquele cujo filho tinha se matado. Draconis conversou com o cara e apertou a mão dele, para subir no palco que tinha lá.
—Oh, meu Merlin... ele não vai fazer isso... – murmurou olhando ao redor, onde as pessoas olhavam Draconis, ligeiramente curiosas, afinal a música clássica que tocava, tinha parado.
—Boa noite, senhoras e senhores. – riu Draconis pegando uma guitarra e Loto corou absurdos, sentindo o estômago se contorcer. Ele acenou freneticamente com a cabeça, morrendo de vergonha, querendo que Draconis não fizesse aquilo – Meu nome é Draconis, Burke... é um nome estranho, eu sei. – as pessoas deram risadinhas e seguiram olhando enquanto Loto engolia em seco, completamente envergonhado – Então... eu queria uns minutos da atenção de vocês, porque eu tenho algo muito importante pra falar. – riu ele e Loto escondeu a boca com as mãos – Eu sou gay. – riu Draconis e muitos riram sem parecer se importar – E eu namoro um cara, que está bem ali, tentando ficar invisível na cadeira. – riu Draconis acenando com o rosto e Loto viu muitas pessoas virarem o rosto para olhá-lo.
—Eu vou te esganar, Draconis. – murmurou, morrendo de vergonha.
—Bem. Eu e ele já nos conhecemos há anos e estamos namorando há um ano e pouco e eu queria cantar uma música pra ele... espero que vocês não se importem. – as pessoas aplaudiram e sorriram, dando assovios e Loto respirou fundo, tendo total ciência que deveria estar parecendo um tomate – Eu imagino que vocês conheçam a música... – riu ele – É a favorita dele.
Loto piscou surpreso, olhando para Draconis. O namorado começou a tocar a guitarra, o olhando com um sorriso maroto e logo a banda o acompanhou, enquanto as pessoas aplaudiam.
—Please, baby, can't you see? My mind's a burnin' hell. I got razors a rippin' and tearin' and strippin' my heart apart as well. – cantou Draconis olhando para ele e Loto sorriu amando a voz dele. – Tonight you told me. That you ache for somethin' new… – ele lhe lançou uma piscadela e Loto piscou achando divertido – 'Cause some other woman is lookin' like something that might be good for you. – as pessoas olhavam parecendo achar tudo aquilo muito legal… bem, estava mesmo – Go on and hold her till the screaming is gone. Go on believe her when she tells you nothing's wrong oh-hoo. But I'm the only one who'll walk across the fire for you… And I'm the only one who'll drown in my desire for you… It's only fear that makes you run the demons that you're hiding from… When all your promises are gone, I'm the only one. – Loto olhou para os olhos do namorado, jurando que depois de bater um pouco nele, iria beijá-lo até não poder mais – Please baby can't you see, I'm trying to explain… I've been here before and I'm locking the door, and I'm not going back again. Her eyes and arms and skin won't make it go away. You'll wake up tomorrow and wrestle the sorrow that holds you down today. – Eu te amo, Draconis… seu maluco… — Go on and hold her till the screaming is gone. Go on believe her when she tells you nothing's wrong oh-hoo. But I'm the only one who'll walk across the fire for you… And I'm the only one who'll drown in my desire for you… It's only fear that makes you run the demons that you're hiding from… When all your promises are gone, I'm the only one. – Loto sorriu enquanto as pessoas batiam palmas e assoviavam. Ele ficou impressionado como ninguém parecia achar aquilo uma falta de respeito. Todos o olhavam com sorrisos sinceros, felizes por aquele momento e aquilo o acalentou de maneira impressionante. Olhou mais uma vez para Draconis, sem conseguir segurar o sorriso feliz. Nunca teria imaginado aquilo… – Go on and hold her till the screaming is gone. Go on believe her when she tells you nothing's wrong! But I'm the only one who'll walk across the fire for you… And I'm the only one who'll drown in my desire for you… It's only fear that makes you run the demons that you're hiding from… When all your promises are gone, I'm the only one. Ooooh… Yeah, yeah, yeah. And I'm the only one who'll drown in my desire for you! It's only fear that makes you run the demons that you're hiding from. When all your promises are gone… I'm the only one! Ooooh… Yeah, yeeeah!
Todo mundo ficou de pé para aplaudir e assoviar. Alguma abusada ainda resmungou lá atrás sobre todos os homens bonitos serem gays, ou qualquer coisa assim. Loto ainda estava sentado, sem saber o que fazer. Estava ligeiramente emocionado, envergonhado e feliz.
—Seu namorado é um fofo. – disse uma senhora de idade, que estava na mesa ao lado.
—Eu sei. Obrigado. – riu Loto, acanhado.
—Obrigado! Obrigado. – riu Draconis fazendo uma mesura e agradecendo os aplausos – Loto Yaxley! Venha já aqui! – Loto negou com a cabeça, desesperado – Venha já aqui. – Ele negou de novo, morrendo de vergonha – Me ajudem, por favor. Ele é tímido. Loto! Loto! Loto! – as pessoas começaram a repetir seu nome – Vamos, Loto, você sabe o que eu vou fazer. Vem pra cá. – riu Draconis e ele engoliu em seco, se levantando ao som dos aplausos e assovios que ficaram ainda mais estridentes.
—To dizendo que todos os garotos bonitos são gays. – resmungou a mesma mulher. Loto olhou para Draconis, que sorria parecendo imensuravelmente feliz.
—Vem. – riu ele lhe lançando uma piscadela. Concordou e se levantou, indo até Draconis. Que devolveu a guitarra para o Steve, da sorveteria – Tá muito bravo comigo? – perguntou ele com um sorriso que dizia “estou encrencado”. Loto negou com outro sorriso – Bem... Palmas para ele, gente. – pediu Draconis no microfone – Loto... eu te amo. – as pessoas comemoraram por alguns segundos e Draconis ficou de joelhos. Loto fechou a mão em punho, a levando para os lábios, completamente emocionado. Draconis tirou uma caixinha de joias do terno e a abriu. Tinha duas alianças masculinas lá dentro – Casa comigo. – todo mundo o encarou com expectativa. Sabia que se falasse uma palavra que fosse, iria começar a chorar feito um mané. Então apenas concordou com um aceno de cabeça e todo mundo aplaudiu ainda mais alto. Draconis colocou a aliança em seu dedo e ficou de pé. Os dois se beijaram ali mesmo, sem se importar que estivessem sendo vistos – Eu te amo. – sussurrou ele em seus lábios.
—Eu também te amo. – riu Loto – E eu vou te matar. – sussurrou o abraçando, com um sorriso feliz. Draconis o abraçou também. Algumas pessoas desconhecidas vieram cumprimentá-los. Steve e a esposa estavam lá e Draconis convidou os dois para que se sentassem com eles.
A lagosta chegou e os dois casais aproveitaram a noite, bebendo champanhe e tirando fotos com os celulares.
—Eu mando pro email de vocês depois, ok? – perguntou ela. Draconis o olhou, sem saber o que era um email.
—Ok. – disse o loiro, assim mesmo. Mas os quatro beberam tanto, aproveitando a noite, que nem ao menos lembraram de pedir detalhes sobre o que seria esse tal de email.
Horas depois Draconis pagou a conta e eles se despediram de Steve e da esposa, Wanda.
Resolveram passear pela rua, de mãos dadas, sem se importarem com nada, além de si mesmos. Draconis tinha bebido muito e Loto notou que ele estava mais do que bêbado, mas parecia simplesmente feliz. Se sentaram num banquinho, ainda de mãos dadas e começaram a se beijar ali mesmo. Depois Draconis correu até um poste, cantando “I'm singing in the rain”. Loto gargalhou, amando o jeito feliz do namorado.
Correu até ele, para cantar aquela música também, mas logo estavam cantando “Posso ser um minúsculo limpador de chaminés, mas eu tenho uma vassoura enorme”.
Ficaram girando no poste, cantando aquela música idiota, que Draconis tanto gostava. Depois Draconis o empurrou contra o poste e o beijou de maneira mais sedenta.
—Quer voltar pra casa, pra comemorar nosso noivado? – perguntou ele enquanto mordiscava seu lábio inferior.
—Eu acho que você bebeu demais para comemorar isso. – riu Loto.
—Eu extou muito bem. – riu Draconis, completamente bêbado. Os dois riram e escutaram uma euforia ali perto. Viram um grupo sair muito bêbado de um bar, com camisas de time. Loto olhou com atenção e leu West Ham United na camisa vinho e azul e não deu muita importância – Me beije... eu estou louco de vontade de... – e então ele sussurrou algumas safadezas em seu ouvido. Loto sorriu achando graça e puxou Draconis pela camisa, para beijá-lo. Era a primeira vez que não se sentia em perigo por fazer aquilo em um lugar público. Já tinha feito isso, mas sempre com uma pulga atrás da orelha. Mas não daquela vez. Daquela vez apenas se entregou ao beijo de Draconis, que estava muito, muito bêbado. Ele mesmo sorriu no meio do beijo e o olhou parecendo culpado – Me dexsculpe... voxê tem razão... eu não vou dar conta... – e então ele gargalhou, bêbado, caindo no chão. Loto gargalhou achando graça e se ajoelhou ao lado dele – Amanhã... amanhã nós comemoramos... – murmurou ele parecendo muito zonzo. Loto sorriu olhando para ele – Faz chá de narciso pra mim quando chegarmos em casa? – perguntou Draconis, manhoso, deitando a cabeça em seu peito.
—Claro, amor... vamos procurar um lugar vazio pra aparatar. – riu Loto.
—Olha as duas bichinhas. – riu um dos caras que tinham saído do bar. Loto sentiu um frio lhe subir a espinha, enquanto ajudava Draconis a se levantar.
Se tinha uma coisa que Draconis odiava, era ser provocado por sua sexualidade. Talvez por tudo o que tinha passado no colégio. Estava mesmo muito bêbado, mas simplesmente não aguentou deixar pra lá. Ele respirou fundo e se virou, zonzo, para o grupo de trouxas.
—O que voxê disssse, idiota? – perguntou ele cambaleando e Loto o segurou pelo braço.
—Deixa pra lá. Vamos embora.
—Eu disse que você é um bichinha e está estragando a nossa comemoração. Vai dar esse seu cu arrombado bem longe daqui. – rosnou o mesmo trouxa.
Draconis bufou furioso, a mente nublada pela bebida. Eles eram oito homens. Oito. Olhou para cada um deles e deu um passo pra frente, apesar de Loto o puxar.
—Cale a boca, ssseu ssangue ruim de merda! – rosnou zangado. Se seus pais ou irmãos escutassem aquilo, ficariam zangados. Mas tinha pego o costume no trabalho. Ninguém falava trouxa. Falavam sangue de lama, ou sangue ruim. E naquele momento era o que ele via naquelas pessoas. Nem se importava que eles não entendessem o que ele queria dizer com aquilo – Vai sschupar uma rola por meia hora, com o relógio parado. Seu enruxtido!
—Como é que é, punk?! – perguntou um dos caras. Todos os oito pareciam querer encrenca. Eles iriam encontrar mais do que imaginavam.
—Deixa pra lá. Nos desculpem. Nós já estamos de saída. – disse Loto, parecendo desesperado – Vamos embora, Draconis.
—Eu não vou embora. Eu cheguei aqui antes dele. – rosnou Draconis – Se querem que eu saia... – Draconis deu um sorriso cruel – Venham me tirar, seus trouxas de merda. – e então ele cuspiu no chão.
—Ele está bêbado. – riu Loto, o puxando pelo terno – Nós já estamos de saída.
—Não. Vocês não estão. – rosnou um dos caras. Draconis sorriu, animado, completamente louco pela bebida. Loto engoliu em seco, assustado com os trouxas que se aproximavam. Os oito torcedores do West Ham United se aproximaram esperando bater tanto naquele moleque arrogante que ele não se lembraria nem do próprio nome quando terminassem.
Mas eles não sabiam que Draconis era um bruxo. Por mais bêbado que estivesse... Talvez fosse ainda mais perigoso por estar bêbado. Ele não tinha bom senso naquele momento. Apenas vontade de machucar aquelas pessoas que o ofendiam e ofendiam Loto. Por isso ele nem pensou antes de sacar a varinha. Os trouxas não tiveram nem tempo de rir, ignorando o perigo que corriam.
—ESTUPEFAÇA! – gritou Draconis. O primeiro trouxa caiu. Ele sorriu alucinado, apontando a varinha para o próximo – Melhor correr, seus sangues ruins, ou eu mato todos vocês, escórias.
—Ele está armado! – gritou um dos trouxas.
—Draconis, vamos embora. – pediu Loto, ainda assustado. Mas Draconis não tinha medo. Ele se sentia bem. Ele se sentia forte.
—O que foi? Estão com medo da bicha aqui? – perguntou Draconis sem imaginar o perigo em que tinha se metido. Ele estava bêbado demais para raciocinar. Para saber que a torcida do West Ham United era uma das mais violentas do país. Para saber que ele tinha muito a perder naquela brincadeira. Sem se lembrar do tapa da mãe, quando ainda era um moleque e tinha se metido naquela brincadeira, onde Carmen Casañas tinha morrido. Sem tempo para se lembrar de todos os pesadelos que vinha tendo... onde o machucavam no peito, depois de um som de trovão. Ele achava que estava tão seguro... – Corram, vermes! – gritou alucinado.
—Por favor, Drac. Vamos aparatar pra casa! – pediu Loto.
E então um dos trouxas tirou alguma coisa do bolso. Draconis não deu atenção.
Ele estava bêbado...
E...
Afinal...
Era apenas um trouxa...
E aquele trouxa, que também parecia estar muito bêbado, mirou algo em sua direção.
Mas Draconis não ligou. Ele não deu atenção. Sorriu, se divertindo e já que os sangues ruins não tinham fugido, ele resolveu azarar outro deles.
—Junleum! – gritou apontando para outro, que caiu de joelhos no chão, sem poder se levantar – Acho melhor correrem. – disse com um sorriso bêbado no rosto.
—Draconis vamos...
Mas Loto não terminou de falar. Ouviram um alto estampido e Draconis perdeu o ar dos pulmões. Como um deja vu, muito forte, que lhe dera um grande susto. Reconheceu aquele som de seus pesadelos. Seu peito doeu de maneira avassaladora, sua mão despencou, sem força e seus joelhos tremeram. Engoliu em seco, assustado e sentiu Loto segurar seu ombro.
—O que você fez!? – perguntou um dos trouxas – Vamos sair daqui!
—Eu estou preso! Eu não consigo! Ele atirou nas minhas pernas?! – perguntou o segundo trouxa que tinha azarado
Mas Draconis não estava prestando atenção. Piscou, confuso, e olhou para o próprio peito, procurando pelo sangue. Era como acordar de mais um de seus pesadelos, pois não tinha sangue. Franziu a testa confuso e escutou Loto cair ao seu lado.
Tudo foi começando a fazer sentido ao seu redor. Olhou para o noivo e viu o rosto cheio de pânico dele. Largou sua varinha no chão e se ajoelhou ao lado de Loto, olhando hipnotizado para o peito dele. Loto não estava sorrindo. Ele tremia olhando o peito ensanguentado. Draconis o olhou em pânico e segurou o ferimento com as mãos, sem saber o que fazer. Querendo tampar o buraco. Querendo impedir que o sangue continuasse saindo.
—Draconis... – engasgou Loto – Me... me ajude... – pediu ele o olhando em pânico.
—O que eles fizeram? O que eles fizeram? – perguntou Draconis, em pânico.
—Está doendo... – chorou Loto, com um filete de sangue começando a escorrer pela boca dele – Está doendo, Drac... está doendo...
—Merlin... Loto... – Draconis respirou fundo e pegou a varinha, com as mãos trêmulas – Episkey! Episkey! – disse, mas o ferimento continuou sangrando. Desesperado, sentiu duas lágrimas escorrerem por suas bochechas – Me perdoe... – disse sem conseguir conter o choro – Loto... fique comigo. Fique comigo, tá? – olhou ao redor. Apenas o trouxa estuporado e o que estava preso no chão estavam ali, os outros tinham fugido. Porém, algumas pessoas começavam a se aproximar, curiosas – ME AJUDEM! ME AJUDEM! ELE ESTÁ FERIDO! ELE ESTÁ FERIDO!
—Draconis... – murmurou Loto. Draconis olhou para Loto. Suas mãos tremiam, sujas de sangue, enquanto apertavam as dele
—Alguém foi baleado! Chame uma ambulância! – Gritou uma mulher.
—Eu te amo... – riu Loto, chorando, com os olhos cheios de medo – Eu... eu acho que... que não vou... – ele cuspiu um pouco de sangue e Draconis colocou o dedo na boca dele.
—Shhh... não fale. Não fale... – pediu em pânico.
—Cuida... da minha... irmã... – pediu Loto e Draconis sentiu seu lábio se contorcer, tremendo, sem conseguir não chorar – Por favor... cuida da... da... da minha... família... – pediu Loto.
—Tá... eu vou... eu vou... – jurou tremendo, chorando, olhando seu amado sangrar de maneira assustadoramente rápida.
—Pro... promete...? – chorou Loto. Draconis concordou, trêmulo, com um aceno de cabeça. Loto fechou os olhos, fazendo careta e Draconis se desesperou, segurando a cabeça dele.
—Não! Não! Loto. Loto! Olha pra mim! Olha pra mim! – pediu desesperado – Olha pra mim, por favor. Não me deixa. Não me deixa, por favor! Não me deixa, por favor! – pediu beijando a testa dele – Nós vamos casar! Nós vamos ter uma casa! Com um quintal bem grande! – disse abraçando o noivo – Merlin... não morra, Loto! Não morra! Não morra! Nós vamos nos casar! Nós vamos ter uma filhinha! – disse desesperado. Mas Loto não respondeu – Loto... por favor... não faz isso comigo... – disse sentindo-se vazio. Engoliu em seco e gritou desesperado, abraçando o noivo, sem conseguir se livrar daquele sentimento ruim.
Algumas pessoas se aproximaram depois e o afastaram de Loto. Falaram sobre ele estar vivo e que precisava de sangue. Algumas outras tentavam tirar o trouxa do chão. Colocaram Draconis dentro de um carro, junto com Loto. Colocaram algo no rosto dele. Mas Draconis estava aéreo. Só conseguia se lembrar de algo que Harley tinha lhe contado há muito tempo atrás... olhava para Loto, completamente ensanguentado, enquanto os trouxas o cutucavam e espetavam, sem entender o que estava acontecendo. Via Loto parado, pálido, sacudindo por conta do movimento do carro.
E enquanto via aquela imagem, as palavras de Harley o assombravam.
Um en. Uma ligação mágica que dura a vida toda. Todas as pessoas que você conhece, marcam você de algum jeito... mas existe uma pessoa, não necessariamente a pessoa que você vai amar pelo resto da sua vida, que te marca de uma maneira especial... cria um laço, inquebrável... uma ligação eterna entre duas almas... cultura japonesa, sabe? Eu não sei como é você com o Navi... mas eu sei que quando duas pessoas tem um en as ligando... é uma coisa linda... e quando uma dessas pessoas morre... a dor que gera é... imensurável... pode transformar você em outra coisa... mudança pela dor... tem um nome também, mas eu não me lembro...
Quando deu por si, estava sentado num banco. Uma enfermeira o cutucava.
—Senhor... senhor... a polícia está aqui. Ela quer falar com você. – pediu ela. Draconis a olhou confuso. Nem se lembrava de ter saído do carro.
—Onde... onde está o Loto? – perguntou Draconis franzindo a testa. Teria tudo sido apenas um pesadelo? Olhou para as próprias mãos e sentiu o peito doer de maneira estranha – Onde está o Loto?
—Seu amigo está na Unidade de Terapia Intensiva. – explicou ela. Draconis engoliu em seco, sem saber o que aquilo significava.
—Eu posso... posso vê-lo?
—Não. Ele está sob grave risco de vida, senhor. – explicou a enfermeira.
—Eu preciso levá-lo pro Mungus. – murmurou Draconis, sentindo-se muito mal. Sua cabeça doía como se estivesse tendo a enxaqueca de sua vida. Seu corpo doía como se tivesse sido atropelado por um hipogrifo – Eu preciso... eu preciso...
—O senhor está em choque. – explicou a enfermeira – Talvez devesse chamar seu advogado.
—Meu o que? – perguntou ele, confuso.
—O senhor se envolveu numa briga, senhor. – murmurou a enfermeira – Oh... o doutor... eu tenho que ir.
Draconis não deu atenção e ficou sentado, sem entender coisa alguma. Só sabia que tudo em seu corpo doía. Doía muito. Um homem de jaleco apareceu, parecendo pesaroso e Draconis o olhou confuso.
—O senhor é parente do senhor Loto Alexander Yaxley? Porque nós não encontramos o nome dele em lugar nenhum. – disse ele – É como se ele não existisse... Vocês são imigrantes?
Draconis negou com a cabeça.
—Somos... bruxos. – murmurou confuso – Onde está o Loto? Onde está o meu noivo?
—Ele tem algum parente que possa contatar? – perguntou o médico e Draconis sentiu raiva. Muita raiva. Tudo doía. Tudo.
—Onde está o meu noivo?!
—Eu sinto lhe informar, senhor. Ele acabou de falecer. Nós fizemos tudo o...
Mas ele não estava mais escutando. Se lembrava de beijar Loto naquela manhã. Tinham dormido juntos. Lembrava de rir da cara dele, porque ele tinha deixado o bacon queimar no café da manhã. Tinham tirado algumas fotos na câmera de Navi, fazendo caretas. Depois tiraram outra de suas bundas, apenas para fazer graça.
Se lembrava do sorriso de Loto. Aquele sorriso tão fácil e atrevido. O modo como ele apertava os olhos ao sorrir. Como ele cantava tomando banho. Como ele ficava fazendo caras e bocas na hora de fazer a barba. Como ele sempre comia o recheio do biscoito, antes de comer o biscoito. Se lembrava como ele cantava no banheiro, enquanto tomava banho, usando a escova de dentes como microfone. Se lembrava de como ele queria e sonhava com o dia em que iria ver dragões, seus animais favoritos. Lembrava daquela camisa da P!nk que ele tanto gostava. De como ele sempre esquecia a toalha molhada em cima da cama. Se lembrava de todas as piadinhas bobas que ele contava para fazê-lo sorrir e como sempre era bem sucedido nisso.
Se lembrava que tinha cantado para ele num restaurante e o pedido em casamento, de joelhos, como ele queria que fosse. Se lembrou dos beijos carinhosos dele e dos calorosos olhos castanhos.
Olhou para o médico, se recusando a acreditar naquilo.
—Não. – disse em pânico – Isso não aconteceu! Ele não morreu! Ele não morreu! – disse nervoso, trêmulo, desesperado.
—Eu sinto muito.
—Não! Não! Você não entende! – disse Draconis, desesperado – A gente vai casar... – disse quase sem voz – A gente vai se casar. Eu pedi ele em casamento... – disse segurando o médico pelos braços – A gente vai casar! Ele disse que a gente vai casar! Entendeu? Por favor... por favor... – disse desesperado, perdendo a força nas pernas – Não diz isso... não diz que ele morreu. Por favor. Por favor... – respirou fundo, com o nó apertado na garganta – Não diz que ele morreu. Por favor. Diz que ele está bem. Tudo estava tão bem. Tudo. Tudo... – murmurou querendo morrer – Nós vamos casar. Nós vamos casar... nós vamos... nós vamos... – caiu sentado no chão e o médico o ajudou a se levantar e a ir até um banco – Nós vamos... ele disse “sim”... ele aceitou... ele aceitou... – já não tinha ninguém ali. Ele estava sozinho. Se curvou pra frente e gritou de desespero. Gritou desesperado, morrendo de dor. Nunca tinha sentido tanta dor em toda sua vida. Uma dor estranha e fria. Algo mais do que físico. Se levantou, desesperado e pegou a varinha. Não se importou se estavam olhando. Apenas aparatou. Sentiu o braço doer absurdamente, mas não ligou. Caiu em frente de casa e gritou de novo. Ficou gritando, até que os vizinhos colocaram a cabeça para fora da janela. Gritou de dor, completamente perdido. Completamente desesperado. Gritou até Navi abrir a porta e vir correndo – Me ajuda, Navi.
—Puta que pariu! – disse Navi o olhando chocado – ROSE! ROSE! ELE ESTRUNCHOU! ELE ESTRUNCHOU! – gritou Navi. Sentiu o primo ajudá-lo a levantar e a levá-lo para dentro, mas simplesmente não conseguia parar de chorar. Rose apareceu em algum momento e começou a tratar seu braço. Um pedaço do músculo estava faltando, mas simplesmente não ligava – Onde está o Loto, Draconis? Você está todo sujo de sangue. O que aconteceu?
—O Loto... ele... ele morreu... – murmurou olhando Navi, completamente desconsolado – Mataram o Loto, Navi...
**
Navi fechou a porta e olhou para Rose, que chorava em silêncio.
—Tudo parecia tão bem... e então... – murmurou ele.
—Draconis já sabe da nossa irmã? – perguntou Rose. Navi suspirou.
—Eu acho que não. – murmurou ele – Mas pelo menos conseguiram resgatar Lyra, Cerce e Prim. – murmurou ele – Talvez soltem a Dido...
—Eu duvido. – murmurou Rose, apoiando as costas na parede – Vão usá-la como moeda de troca. Pode esperar.
Navi engoliu em seco.
—No que estamos metidos? – perguntou ele.
—Eu não sei. – respondeu ela – Eu realmente não sei... eu só sei que temos que falar com o pai do Loto...
***
Hesse tinha um grande ferimento na cabeça. Aquilo certamente tinha sido ideia de Rigel Lestrange. Aquele grande lunático. Olhou para o gramado da escola, cheio de corpos. As aranhas gigantes ainda estavam ali, mortas, com as patas para cima. Como ele conseguira fazer com que duzentas acromântulas adultas saíssem da Floresta Proibida, isso ele nunca iria saber... E ainda tinha feito o incêndio no portão da escola. Estavam tentando conter as chamas do fogo maldito até agora.
Soltou um muxoxo, furioso porque muitas coisas tinham saído errado. Seria cobrado por isso. Caminhou até as chaves portal e as ativou, junto com alguns colegas. Tinham capturado doze videntes bruxos. Seis tinham morrido em combate. Dois estavam desaparecidos. Era tempo de sumir novamente. Sabia que os dois irmãos Lestrange o estavam caçando e seus homens falharam em sequestrar os dois filhos em idade escolar de um deles.
E não apenas isso. Os Burke tinham sumido também, assim como os Weasley, os Potter e os Malfoy. Mas pelo menos tinham pego a vidente mais importante. Ativou a chave portal e logo estava em sua mais nova fábrica de Sangue de Profeta. Cada um de seus preciosos videntes estavam em suas celas. Os trouxas podiam ser videntes também, pelo que tinha notado, apesar de que não duravam e simplesmente não se regeneravam como os bruxos. Mas foram excelentes para avançar em seus estudos.
Aumentaria a produção ainda mais. Em breve começaria a vender e seria hilário saber que os Burke seriam os maiores fornecedores ilegais da mercadoria.
Deu um sorrisinho e se sentou em uma cadeira. Helena Travers veio lhe limpar a ferida do rosto e tratar dela.
—Rápido. Eu tenho que ver um paciente. – riu com expectativa. Estava louco para “conhecer” a filhinha de Alhena. Aquela loira que dera um jeito de lhe frustrar. Ela e Lestrange pagariam caro por tê-lo feito de idiota. Assim que ficou relativamente curado e o corte estancado, se levantou e foi até o seu escritório, onde Cerce Burke estava. Seus homens a seguravam com firmeza e ele sorriu – Boa noite, Srta. Burke. – riu ele.
A garota o olhou com desdém e então fez algo que o irritou profundamente. Ela respirou fundo, ergueu a cabeça empinando o nariz e o olhou com profundo descaso, ficando irritantemente parecida com a mãe dela.
—Ela é bonitinha, chefe. Podemos nos divertir com ela? – perguntou Corbway.
—Eu pessoalmente adoraria foder o rabo dela. Sou louco pra fazer isso desde a época de colégio. – riu Octavius Nott – Seu irmão já chupou meu pau e agora eu vou comer o seu cuzinho. – riu o rapaz recém recrutado, já que Rigel tinha matado noventa por cento de seus homens.
Pensou que a garota tremeria de medo, ou qualquer coisa assim, mas ela apenas olhou com desdém para Octavius.
—Tente e vai acabar sem o pau, Nott. – disse ela com nojo, antes de cuspir na cara dele.
Nott rosnou e acertou a cara dela com um tapa, a jogando no chão.
—Algo está errado. – disse Corbway, que tinha entrado junto de Octavius – Cerce Burke não fala assim.
—Vejo que sobrou um pouco de cérebro nessa sua cabeça defeituosa por todos os balaços que levou na testa. – riu a garota sorrindo com desdém. Um filete de sangue escorria pelo queixo dela, enquanto ela se levantava. Kevin revirou os olhos sem acreditar que até aquilo tinha saído errado.
Se aproximou da garota e a prensou contra a parede, a segurando pelo pescoço. A alisou nos cabelos dourados, observando o sorriso satisfeito dela.
—Qual o seu nome, querida? – perguntou ele.
—Dido Burke. – respondeu ela com aquele sorrisinho insolente – Minha irmã fugiu com o namorado dela, usando a capa de invisibilidade dele, logo depois que vocês aproximaram aquele orbe de mim. – riu ela com profundo desdém – Tente arrumar uns caras mais espertos da próxima vez, Hesse.
Kevin deu um sorrisinho, achando-a divertida. Depois olhou para os jovens recrutas, que engoliram em seco. Nott, Corbway, Grayson e Hound. Depois olhou para a menina que não demonstrava medo algum. A acariciou no rosto e a enforcou um pouquinho.
—Quando eu estuprei a sua mãe... – e o sorriso dela sumiu – Pela primeira vez... – continuou ele descendo as mãos pelo busto dela, barriga e por fim metendo o dedo na calcinha dela – Eu me perguntei se eu algum dia provaria uma boceta tão boa... vamos ver se a sua está a altura?
A garota o olhou com desdém, novamente, erguendo a cabeça e empinando o nariz.
—Vá em frente. Me estupra. Me torture. Me deixe louca. – riu ela de maneira que ficou ainda mais irritante que Alhena Lestrange – Do mesmo jeito que fez com a minha mãe. Mas eu garanto que vocês nunca vão colocar um dedo que seja na minha mãe ou na minha irmã. Eu sou completamente inútil pra vocês. – riu ela e Hesse suspirou a masturbando, mas a garota não demonstrou coisa alguma – Você é mesmo muito pequeno, não é? Eu sou uma Burke por nascimento. Você não faz ideia na merda que está fazendo por mexer comigo. – ela olhou para Nott, que a olhou com desdém – Você vai ser o primeiro a se foder. Eu tenho sete irmãos. E primos e tios e muitos amigos. Eles nunca vão parar de caçar você. E ninguém do diretório vai te apoiar. Eu sou um Burke e nós não nos envolvemos em nenhuma guerra. Mas nos dias que nos envolvermos, suas famílias vão queimar em desprestígio, porque nós sabemos de todos os seus segredos há séculos. Nós sabemos e a onda de merda vai vir toda pra cima de você primeiro.
Nott engoliu em seco e olhou preocupado para Hesse, que sorriu. Ele tirou os dedos de dentro dela e os lambeu, provando o sabor. Doce.
—Você tem uma língua afiada e sabe fazer ameaças. – riu olhando pra ela – E não é vidente. Realmente, não podemos usar você para fazer nossos soros... mas... – ele sorriu e a empurrou com força, para o chão – Garotos tem suas necessidades. Divirtam-se, rapazes.
Hesse se sentou em sua poltrona e olhou os recrutas, que olhavam uns para os outros. Corbway avançou um passo e Nott o segurou, parecendo ansioso.
—Não. – disse ele – Não podemos... mexer com ela.
—Isso nunca te impediu de mexer com o Draconis. – riu Corbway – Ficou assustado com o discurso de uma garotinha?
Nott engoliu em seco e Corbway pegou Dido pelos cabelos e a colocou contra a mesa, fazendo-a ficar com a bochecha na madeira. Hesse sorriu gostando da atitude do rapaz. A garota se remexeu de leve e ele abaixou a calcinha dela.
—Eu estou namorando o Selwyn, seus idiotas. – rosnou ela.
—Selwyn não está em... – começou Corbway.
—O Gale, não o Rob, idiota. – riu Nott – Francamente, Brutus, não sei como conseguiu se formar.
—Bom pro Gale, então. – riu Corbway.
—Ele é amigo de vocês. – sibilou a loira e Hesse começou a perder a paciência.
—Se vocês estão com medo de transar com uma ninfetinha, eu transo primeiro. – disse simplesmente. Nott soltou um muxoxo e empurrou Corbway.
—Não vai fazer isso. Deixe na conta dele. – riu Nott – Eu não vou pagar essa. Depois Mad-Dog Lestrange vai vir atrás da gente também.
Hesse sentiu um calafrio lhe subir a espinha.
—Ótimo. Como quiserem. – riu se levantando e indo até a garota. A puxou pelos cabelos, sem deixar que ela se levantasse. A queria naquela posição mesmo. Abriu o zíper da calça e estava para começar, quando a porta se abriu. Olhou impaciente para o lado e sentiu o estômago dar um pulo. Soltou a garota e se aprumou, recuando.
—Você não aprende, Hesse, seu idiota? – ralhou o recém chegado. Baixou os olhos, intimidado – Se afastem todos vocês. – o homem se aproximou da garota e com um brandir de varinha a calcinha dela voltou a subir. Dido se virou e o encarou desconfiada – Mil desculpas, Srta. Burke. Cerce Burke, não é?
—Não. Meu nome é Dido Burke. Cerce é minha irmã gêmea. – sibilou ela, com os cabelos desarrumados. Hesse sentiu o homem olhá-lo com desaprovação.
—É mesmo? – perguntou ele – Hesse? Tem algo que queira dizer?
—Desculpe, senhor. – murmurou cabisbaixo – Meus homens se confundiram. Afinal, eram gêmeas.
—Confundiram como, se eu lhes dei instrumentos para identificar videntes?
—Potter nos enrolou, senhor. – murmurou Nott.
O recém chegado suspirou, parecendo nem um pouco feliz. Ele andou até Nott e coçou o queixo.
—Octavius... você é uma desgraça. Muito estúpido. – disse ele, simplesmente e Nott baixou os olhos – Você tem determinação e vontade de lutar... mas você é burro. Precisamos de alguém inteligente para te liderar e eu já vi que não vai ser Hesse. – ralhou ele – Eu vi a confusão que você fez na escola. Você me prometeu membros da resistência, Mad-Dog Lestrange e os videntes. Mas até agora não temos ninguém da Resistência, não temos Potter, não temos Lestrange, não temos nem mesmo todos os videntes que tinha me prometido. Estou começando a me perguntar se lhe dar responsabilidades demais foi um erro, Hesse.
—Não, senhor... eu...
—Você não matou Rabastan Lestrange. Ainda colocou todos os Lestrange contra nós com essa sua briguinha com Rigel Lestrange. Você permitiu que Alhena Burke fugisse e Rigel Lestrange matasse nossos homens e medibruxos preciosos e ainda saísse contando pra todo mundo o que estávamos fazendo.
—Eu vou dar um jeito em...
—Não. Não vai. Eu vou dar um jeito nisso. E você está proibido de sair daqui. – adicionou ele e Hesse o encarou, surpreso – Você vai passar todo seu tempo fazendo Sangue de Profeta, até que eu queira ver seu rosto de novo. Nós estamos entendidos, Sr. Hesse?
Dido olhou para o homem que quase lhe estuprara. Ele parecia furioso, mas não ousou levantar o olhar para o recém chegado. Um homem negro, de turbante, alto, com as sobrancelhas ralas, os olhos muito escuros, o nariz largo e uma voz forte.
—Sim, senhor. – murmurou Hesse.
—E o que nós vamos fazer com você, Srta. Burke...? – perguntou o negro e Dido engoliu em seco. Ele lhe apontou a varinha, a colocando logo embaixo de seu queixo – Não acho que seria sensato matá-la... não agora. – murmurou ele – Mas não vou te deixar aqui com esse bruto. Aliás, Hesse, se eu souber de mais um estupro de bruxos nessa instituição, eu vou fazer meu trasgo estuprar você. Eu fui claro o suficiente?
—Sim senhor... – murmurou Hesse.
—Se quiser meter esse seu pinto em alguém, que seja num trouxa. – o homem soltou um muxoxo e lhe ofereceu o braço de maneira cortês – Somos bruxos civilizados. Largue de ser depravado. Precisamos manter tudo o mais profissional possível ou vamos cair em barbárie. Venha comigo, Srta. Burke. Eu vou arrumar um lugar mais condizente com a sua condição. Uma bruxa do diretório não vai ficar entregue a esses brutos desse jeito.
Dido seguiu o homem desconhecido e lhe entregou o braço.
—Quem é você? – perguntou quando saíram daquela sala. Seu queixo latejava, assim como seu couro cabeludo.
—Essa é a pergunta de um milhão de galeões não é mesmo? – riu ele – Quem sou eu... – ele lhe dirigiu um sorriso – É difícil enfrentar um inimigo sem rosto e sem nome... e eu prefiro ficar assim, lamento.
—Porque está fazendo tudo isso? – perguntou ela.
—Simples... os bruxos tem habilidades muito poderosas. Mas os trouxas tem equipamentos bélicos que...
—Sem esse papo que é para a segurança da nossa comunidade mágica. – ralhou ela e ele sorriu para ela.
—Acredite ou não, meu objetivo é esse. Proteger nossa comunidade e construir um mundo inteiramente mágico.
—Você quer matar todos os trouxas?! Isso é insano! – disse ela.
—Será mesmo? – perguntou ele.
—E além de doentio, é impossível! Eles estão num número abissalmente maior que o nosso.
—Qualidade é mais que quantidade, querida. E Sangue de Profeta vai fazer tudo isso possível. – ele sorriu – Mas eu não acho que será necessário matarmos todos os trouxas. Só precisamos tê-los sob controle. E isso não vai ser tão difícil de se conseguir. Logo a Resistência de Potter irá cair e não haverá ninguém que nos faça parar, afinal, nossa ideia já é bastante popular.
Dido engoliu em seco e sentiu seu corpo espremer-se com o dele ao aparatar para longe dali.
***
—É O MEU MENINO! – gritou o Sr. Yaxley. Launet correu até o irmão, que tinha um buraco no peito, e segurou a mão dele, a levando para os lábios, num choro desesperado. A Sra. Yaxley simplesmente desmaiou e Ronald a segurou para que ela não caísse – Loto! Loto! Você é mais forte que isso! Você é um garoto forte. Levante. Por favor. Levante, Loto... levante por favor! – implorou o Sr. Yaxley e Ronald pediu mais uma vez, mentalmente, que ele nunca tivesse que enterrar um filho. O susto que levara com Hugo anos atrás tinha sido mais que o suficiente – Loto, meu amor... – murmurou aquele homem com muita dor no olhar. Ele segurou a outra mão do filho e a segurou entre as suas, completamente desolado – Meu filhinho querido... – Ronald engoliu em seco, sentindo-se triste por ele – não... não o meu garoto, não... ele era tão jovem... – concordava... muito jovem... e pelo que diziam, era um bom garoto... – tão jovem... ele é apenas um menino. Um menino! – o Sr. Yaxley se curvou, soluçando. Por um momento a única coisa que se ouvia eram os soluços daquela família – OS TROUXAS MATARAM O MEU FILHO!
—Eu sinto muito, Sr. Yaxley. – murmurou Ronald Weasley. Ele estava no departamento de Controle do Uso Indevido da Magia, e investigar o que acontecera com Yaxley coube a ele. Navi tinha falado com o pai, que lhe pedira ajuda. Tinha resgatado o corpo do rapaz do hospital e apagado a memória de quem tinha visto o rapaz ou Draconis. Ainda tivera o trabalho de apagar qualquer registro do rapaz e isso tinha sido uma imensa dor de cabeça. Agora tinha chamado o pai do rapaz para que ele reconhecesse o corpo e aquela, certamente, era a pior parte de todas – Os trouxas tentaram de tudo, mas o ferimento foi muito grave. Nós vamos interrogar algumas pessoas e...
—Cale a boca, Weasley. – rosnou Yaxley – Não é como se você se importasse.
—Eu também tenho filhos, Yaxley. É claro que eu me importo. – murmurou Ronald – Mas...
—Meu filho foi assassinado por trouxas... o que você vai fazer para punir quem fez isso, heim? – perguntou Yaxley – Meu filho está morto e os assassinos dele estão soltos por aí. Onde está a sua justiça agora? – Ronald suspirou – Nenhum pai deveria enterrar um filho. – murmurou ele acariciando as bochechas frias do rapaz – Eu nunca mais vou ver meu filho sorrir. Eu nunca mais vou poder pedir desculpas para ele e falar o quanto ele era importante... não pra família. Foda-se a família... eu amava o meu filho e só queria o melhor pra ele, Weasley... mas agora ele está morto. Faz ideia de como eu me sinto? – Ronald suspirou.
—Eu perdi um irmão...
—Eu também. Eu perdi um irmão. Ele era um maldito Comensal de Morte, uma aberração que ousou machucar meu filho, sob o meu teto. Eu o mandei embora e ele morreu e eu nunca dei a mínima. Não se engane, Weasley. A maior dor que um pai pode sentir é perder um filho e saber que os responsáveis por isso estão soltos, impunes... – ele engoliu em seco – Se eu descobrir quem fez isso, eu vou preso, mas eu mato cada desgraçado que... que... – o homem engoliu em seco, olhando o filho morto e Ronald não pensou em ralhar por ele estar sendo preconceituoso. Ele tinha perdido um filho e ele tinha o direito de odiar quem quisesse.
—Eu vou me retirar... o seu filho é responsabilidade sua. Eu, como funcionário do Ministério, garanto que vamos procurar os responsáveis por isso e entregá-los para a justiça trouxa, que...
—Saia daqui, Weasley! – pediu Launet Yaxley, a bela irmã do morto. Ronald suspirou e concordou com um aceno de cabeça – Por favor... só vá embora.
—Onde eu deixo a Sra. Yaxley? – perguntou ele, olhando para a mulher desmaiada em seus braços.
—Launet... leve sua mãe pra casa... eu... eu vou vestir o Loto e... e prepará-lo para... para... – Ronald respirou fundo, querendo ir pra casa e abraçar seus dois filhos, que tinham conseguido fugir sãos e salvos da escola. A garota Yaxley pegou a mãe e aparatou com ela. Então lançou um último olhar para Yaxley, sentindo pena dele. O homem acariciava o rosto do filho com profundo pesar no olhar – Eu amava esse menino... eu amava a ponto de concordar com coisas que eu jamais pensei em concordar, apenas para fazê-lo feliz... – Ronald desviou o olhar – A última coisa que ele me disse foi... que conversaríamos amanhã... era sobre alguma besteira que eu julgava importante... mas nem era tão importante assim... – Yaxley suspirou e soltou um soluço – Ele tinha planejado algo grande hoje... ele parecia tão empolgado... – choramingou ele – Me perdoe, Loto... – disse o homem, desmoronando de uma vez, em cima do filho – Me perdoe, me perdoe, meu filho, me perdoe...
Aquilo era demais pra ele, então aparatou. Aparatou para a Mansão Malfoy e entrou procurando por duas cabeças ruivas em específico. Encontrou Rose e Hugo junto com os amigos e suspirou.
—Rose, Hugo! – chamou.
Os dois filhos o olharam e vieram correndo. Abraçou Rose primeiro e depois seu garotinho. Não conseguia parar de imaginar Hugo, pálido e gelado, estirado numa maca. Abraçou os dois e fungou emocionado e com medo, muito medo... entendendo finalmente o motivo de sua mãe, anos atrás, ficar tentando impedi-los de planejar com Harry, uma maneira de derrotar Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Entendeu o motivo dela ir dormir aos prantos todos os dias e o alívio que ela sentiu ao abraçá-lo depois que eles se encontraram na escola.
—Papai... está tudo bem? – perguntou Hugo. Ronald negou com a cabeça e os beijou nas testas, os abraçando apertado.
—Rony... – chamou Hermione. Ele a olhou emocionado e ela pareceu entender, imediatamente. Sua esposa se aproximou e o abraçou também. Ficaram abraçados por um tempo e logo notou que Harry abraçava seus três filhos também. Malfoy fazia o mesmo com sua pequena cobrinha e Lestrange também, um pouco mais distante.
—Eu só estou tão aliviado... que vocês estão bem... – sussurrou com um nó na garganta. Nunca foi bom com diálogos. Com palavras. Hermione que era boa com aquilo. Ele não sabia demonstrar as coisas e quando tentava, normalmente terminava brigando com alguém. Por sorte tinha se casado com alguém inteligente o suficiente para entendê-lo sem que ele precisasse explicar certas coisas – Eu amo vocês dois. Três... eu amo vocês três... – murmurou ele beijando a esposa na têmpora.
—Como está o Draconis? – perguntou Scorpius olhando para Rasalas. Rasalas engoliu em seco e negou com a cabeça.
—Ele não está nada bem.
****
O enterro de Loto foi no por do sol do dia seguinte. O enterraram no cemitério perto da casa dos Yaxley, onde estava enterrado o avô e o bisavô dele. Navi olhou preocupadamente para Draconis. Ele não tinha falado uma palavra que fosse, desde que o sedaram com uma poção para dormir sem sonhos na noite anterior. Ele apenas ficava quieto, sem expressão, olhando para Loto.
Se lembrava do enterro de sua tia Astoria... o modo como Draco a olhara, parecendo que simplesmente não estava realmente ali. Como se tivesse sido beijado por um dementador e desaparecido. Se perguntou se Draconis iria voltar algum dia a ser como era antes de Loto morrer. Draco nunca voltara a ser como antes. Ele ainda tinha aquelas brincadeiras ácidas e as alfinetadas dele... mas parte do sorriso dele tinha morrido junto com a esposa e Draconis parecia que seguiria o mesmo caminho.
Rose se aproximou dele, para segurar sua mão, na intenção de acalentá-lo, mas Draconis pareceu nem sequer notá-la ali.
Os pais de Loto estavam olhando o corpo do filho, com pesar. Robert Selwyn, irmão mais velho de Gale e um dos melhores amigos de Loto, tinha pedido uma licença para vir pro funeral. Ele olhava parecendo imensuravelmente triste para o amigo.
Launet, que estava muito bonita em seu vestido preto de luto, estava junto dos Grant, mas ela estava como Draconis, completamente ausente. Quando o homem do Rito veio falar as últimas palavras para Loto, praticamente todo mundo começou a chorar.
Octavius Nott olhava o amigo como se não acreditasse que ele estava morto. Brutus Corbway estava do mesmo jeito, completamente pasmo com aquilo. Leon Rowle não se preocupou em não chorar.
—Cacete, Loto... – murmurou ele – Você... logo você... por que fizeram isso com você? – perguntou ele durante o discurso do Rito.
—Draconis. – rosnou Corbway indo até o loiro e Navi ficou alerta – Quem fez isso com ele, Draconis?
Navi e Rose olharam para o amigo, que finalmente pareceu adquirir alguma expressão. Lembrava de quando tinha brigado com ele, pra valer, no colégio. Quando transara com Rose. Draconis tinha ódio no olhar naquela época, mas nada que se comparasse com aquele momento. Ele tirou uma caixinha das vestes e colocou dentro da mão de Loto, para então suspirar.
—Oito homens mortos. – rosnou ele. Navi olhou para Rose, preocupado. Póllux e Castor tinham escutado. Póllux estava com Brontë, que parecia preocupada também. Damian tinha escutado e fechado os olhos, como se sentisse muito por aquilo, mas sentisse que não havia o que ser feito.
—Eu vou com você. – rosnou Selwyn.
—Não. – discordou Draconis.
—Você não vai a lugar nenhum. – disse Navi e Draconis o empurrou com força – Você ainda está machucado! Você estrunchou!
—Sou mais que o suficiente pra cuidar desses trouxas. – rosnou Draconis.
—Não! Draconis, você está de cabeça quente. – pediu Rose o segurando e Draconis a empurrou com força no chão.
—Não toque em mim, Burton. – sibilou ele – Não tentem me impedir.
—Pai! – chamou Castor, mas Damian apenas olhou com pesar para Loto – Pai! Faça alguma coisa! – pediu o rapaz, enquanto Póllux e Brontë tentavam convencer Draconis a não fazer aquela loucura e os amigos de Loto pediam para ajudar a executar os trouxas.
—Draconis. – chamou tio Damian e Draconis o olhou – Eu sei como você se sente... não faça isso.
—Você não faz a menor ideia de como eu me sinto. – rosnou Draconis, que brandiu a varinha, jogando todos para longe. Em seguida ele desaparatou. A mãe de Loto olhou para o marido, que ficou olhando para onde Draconis estivera.
—Eles mataram o Loto! Quem garante que não matam o Draconis também?! – perguntou Rose em pânico – Navi, você é o melhor amigo dele, por favor, faz alguma coisa!
—Tio Damian! Por que você...? – começou Navi, mas Damian o cortou.
—Jacques Pierre. – murmurou ele baixinho. Damian andou até os Yaxley e cumprimentou os pais de Loto – Eu... eu realmente sinto muito pelo filho de vocês...
—E eu pela sua filha... eu fiquei sabendo que um grupo de radicais a capturou. – murmurou Yaxley.
—Espero que você e seus amigos sejam corteses com ela como eu fui com o seu filho quando ele precisou de ajuda. – sibilou Damian, friamente e o pai de Loto o olhou intensamente.
—Tem minha palavra, Burke. – murmurou ele – Nada de ruim vai acontecer com as suas filhas.
—Obrigado.
******
—Eu disse que não queria a ajuda de vocês. – rosnou Draconis. Nott sorriu achando graça.
—E eu disse que não me importo. Loto era meu amigo. – disse Nott. Draconis o segurou pelas vestes. Corbway, Selwyn e Rowle o olharam com interesse – Nós vamos com você, Draconis.
—Eu soube que foi aqui que mataram o Loto. Como aconteceu, Draconis? – perguntou Rowle, calmamente. Ele era neto de seu chefe, mas naquele momento, Draconis estava cagando para seu emprego.
—Não interessa.
—Nós sabemos que você e Loto estavam juntos. – riu Nott e Draconis o olhou com mais ódio – Tanto faz, ok? Loto era nosso amigo.
—Obviamente ele nunca iria contar pra gente... ainda mais por a gente pegar no seu pé e no do Vince... mas ele morreu nosso amigo e nós vamos fazer algo a respeito. – Disse Rowle – E se isso significa matar trouxas, que seja.
—Vamos, Draconis. Deixa a gente ajudar. – disse Corbway – Esses caras parecem ser perigosos. Loto duelava bem. E ele ainda fez aquele curso. Só diz com que estamos lidando.
Draconis respirou fundo. Largou Nott e olhou para onde Loto tinha sido atacado. Ainda havia uma mancha no chão, quase invisível na pouca luz. O loiro olhou para o barzinho e bufou. Aqueles homens tinham saído de lá. Caminhou para o barzinho e os amigos de Loto o seguiram. Abriu a porta e notou que era um bar cheio das camisas iguais às que os trouxas do outro dia usavam. Imaginou que era um bar de alguma equipe de alguma coisa.
Olhou ao redor e reconheceu um dos homens.
Andou até ele e os amigos de Loto o seguiram. Não o cutucou, nem disse coisa alguma. Apenas pegou o homem e o puxou de uma vez o jogando no chão. O bar não estava muito cheio. Apenas umas seis pessoas, que se levantaram e partiram pra cima. Nott, Rowle, Corbway e Selwyn sacaram as varinhas e azararam todo mundo. O cheiro de sangue e carne queimada tomou o lugar. Draconis encarou o homem que derrubara no chão e o levantou pelos cabelos o arrastando até o cara mais machucado, que tinha sido quem Nott atacara. Enfiou o rosto do homem na ferida mais aberta e o deixou ali por longos segundos, sentindo prazer em ver o homem se afogar nas tripas daquele trouxa imundo.
Quando notou que o homem parecia estar perdendo a força, o puxou e o jogou no chão, para chutá-lo com força, já que seu braços e costas doíam absurdos por ter estrunchado. Quando se cansou de bater no filho da puta, sacou a varinha e a colocou embaixo do queixo.
—Eu vou perguntar uma vez. Vocês mataram meu namorado ontem. Ele era um cara legal. – rosnou furioso e aproximou o rosto do homem – Mas eu não sou legal. Nem um pouco. E eu estou muito, muito zangado. – sibilou baixinho, enquanto o homem o olhava assustado – Onde estão os outros sete? Você vai me levar até eles, entendeu?
—O que são vocês? – perguntou o trouxa.
—Nós somos bruxos. – rosnou Draconis – Seu... – socou o homem no rosto – Lixo... – mais uma vez – Imundo! – e mais outro soco – Onde estão os outros sete? – sibilou.
*******
Navi olhou ao redor e escondeu a boca com as mãos.
—Draconis... o que você fez? – perguntou olhando ao redor daquele bar. Duvidava muito que algum daqueles homens, naquele bar, estivesse vivo, mas só podia arriscar...
*******
Os oito trouxas estavam de joelhos, com os pulsos amarrados para trás. Draconis e seus companheiros olhavam com puro desdém.
—Vamos matá-los? – perguntou Nott – Eu nunca matei alguém.
—Pelo Loto. – rosnou Draconis, de braços cruzados, com as costas apoiadas na parede.
Os trouxas tinham se escondido na casa de um deles, mas por sorte, um deles decidiu ir para o bar, tomar uma bebida. Foi fácil encurralá-los. Rowley analisava a arma que eles tinham usado para matar Loto, com interesse. Selwyn parecia um tanto doente. Corbway, pelo contrário, parecia empolgado com a ideia.
—Eu vou primeiro, já que não vai ser minha primeira vez e vocês parecem estar se borrando de medo.
—Vamos só castigá-los e ir embora. – pediu Selwyn.
—Eu quero todos mortos. – rosnou Draconis.
—Eu começo então. – pediu Corbway.
—Espere. – pediu Draconis, que apontou para o trouxa do canto direito – Aquele é meu.
—Foi ele quem matou o Loto? – perguntou Rowle e Draconis concordou – Nada mais justo. Começa, Corbway.
—Com prazer. – riu Corbway – Carniça feito vocês deveriam saber que não se deve mexer com bruxos. – sibilou ele apontando a varinha para o primeiro – Avada Kedavra. – disse o rapaz sem hesitar um segundo que fosse. O raio verde atingiu o trouxa, que foi jogado para trás. Os rapazes engoliram em seco, sabendo que se fizessem aquilo, nunca mais seriam os mesmos. Corbway mudara quando matara Casañas. Ele ficara mais agressivo, mais desequilibrado. Selwyn queria ir embora, Nott estava empolgado com a ideia. Rowle preferia apenas machucá-los um pouco e deixar que Corbway fizesse o trabalho sujo. Mas Draconis estava com o coração corrompido pelo ódio. Completamente afogado em ódio, ressentimento e culpa. Ele sabia que se tivesse escutado Loto, nada daquilo teria acontecido... – Mais um? Ignotus Necroterium! – a varinha de Corbway criou um felino de fogo – O que acham disso?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—Sabe controlar fogo maldito, né? – perguntou Selwyn com autoridade – Não to com vontade de morrer queimado.
—Você se preocupa demais. – riu Corbway e seu felino de fogo atacou dois dos trouxas. – Pronto. – ele brandiu a varinha e o feitiço encerrou-se, sobrando apenas os gritos abafados dos trouxas ainda vivos, junto com o terrível cheiro de carne queimada. – Quem é o próximo?
—Eu. – riu Nott sacando a varinha – Imperius. – disse ele apontando para um dos trouxas. Ele brandiu a varinha e soltou o trouxa enfeitiçado e fez com que ele enforcasse outro trouxa, até que o segundo morresse. Corbway sorriu, aprovando e Selwyn notou que não teria estômago praquilo. Não tinha nada contra os trouxas e ele já tinha visto morte o suficiente.
—Divirtam-se... eu tô fora.
—Covarde. – riu Rowle, enquanto o colega desaparatava dali. Ele apontou a varinha para o trouxa enfeitiçado e o jogou com tanta força contra o teto que o trouxa quebrou o pescoço e ficou preso no gesso, pendurado de maneira grotesca – Eita.
—Boa, Leon. – Riu Corbway – Sobraram dois. Eu mato um e você o outro, Draconis?
Draconis olhou para os dois que tinham sobrado. Um deles era o que tinha lhe ofendido. O outro era o assassino. Pegou a varinha e olhou para o que lhe xingara.
—Do que foi que você me chamou ontem? – perguntou num sibilo furioso. O homem estava tremendo todo e ainda por cima tinha se mijado de medo.
—Por favor... eu tenho família. Eu tenho uma fi-filha. – murmurou ele. Draconis brandiu a varinha e o braço dele se levantou.
—Eu não dou a mínima, sua escória de pessoa. Eu perguntei do que você me chamou. – rosnou Draconis.
—M-me-me desculpe.
—Do que foi que você me chamou? – perguntou novamente e o homem negou com a cabeça, chorando de medo. Brandiu a varinha e o nariz do homem caiu no chão, com seu feitiço cortante – Eu perguntei do que foi que você me chamou.
O homem olhava em pânico para o próprio nariz, até por fim, gritar, chocado e com dor.
—Descasca ele como se fosse uma batata. – riu Corbway se sentando no sofá e pegando uma cerveja trouxa.
Brandiu a varinha, arrancando uma orelha e depois a outra. Arrancou a língua e depois dedo por dedo. O deixou sangrando no chão, choramingando de dor.
—Com você vai ser pior. – rosnou furioso para o assassino.
—Sua bichinha de merda. – rosnou o trouxa, sem parecer ter medo. Draconis sorriu furioso e apontou a varinha.
—Crucio. – o homem gritou de dor, seu sorrisinho sumindo de seu rosto. Apreciou o homem se contorcer durante um bom tempo. Rowle fingiu que queria ir no banheiro e saiu, para não escutar e ver. Corbway provou a cerveja trouxa e fez careta, jogando a garrafa no trouxa decepado. Nott ficou fuçando nas coisas trouxas, quase tudo daquele time que os trouxas torciam. Pareciam ser torcedores fanáticos ou qualquer coisa assim. Draconis encerrou o feitiço e o homem chorou no chão, perdendo toda sua pose de durão – Você matou o meu amigo. Ele não era só meu namorado. Ele era meu noivo e uma das melhores pessoas que eu tinha na vida. – rosnou Draconis sem se importar que Corbway e Nott escutassem aquilo. Sinceramente estava pouco se fodendo pro que quer que fosse. Seu peito era um buraco vazio e triste. Nunca mais veria o sorriso de Loto e isso certamente era pior que qualquer crucio... – Eu vou matar você, porque gente como você não merece respirar o mesmo ar que nós, bruxos. Vocês trouxas... são desprezíveis. Vocês todos são... crucio! – rosnou ele e Corbway olhou ligeiramente surpreso para Nott.
Os minutos foram passando, sem que Draconis se desse por satisfeito. Corbway chutou o bruxo que Draconis decepou, para descobrir se ele estava morto e notou que o cretino ainda estava vivo.
Escutaram a porta abrir e Draconis cessou o feitiço. Os três se encararam e Rowle voltou do banheiro, parecendo enjoado.
—Eu vomitei. Esse cheiro de carne quei... – começou ele e Nott o mandou calar a boca.
—Tem alguém vindo. – murmurou ele.
Os quatro sacaram as varinhas e Navi Lestrange apareceu com Robert Selwyn.
—Rob? O que você fez? – ralhou Corbway.
—Vocês saíram de controle. Eu queria dar uma surra nos caras, mas... mas a gente exagerou.
—Você é mesmo um frouxo. – ralhou Nott – Nem parece um soldado. Sempre foi assim, covarde.
—Sempre fui sensato. Eu e Loto. E eu duvido que ele iria querer os melhores amigos dele transformados em assassinos.
—Me poupe. – riu Corbway – Loto não está aqui pra falar o que ele iria querer, porque aquele trouxa imundo o matou. – rosnou ele.
—Draconis... – murmurou Navi, horrorizado com o que estava vendo – Draconis, o que você está fazendo? – perguntou ele.
—Estou fazendo justiça.
—Justiça? Você ficou louco?! – perguntou Navi sacando a varinha – Vamos pra casa.
—Eles mataram o Loto, Navi.
—Quer ficar louco igual ao nosso tio?! – perguntou Navi com censura e Draconis engoliu em seco.
—Se matassem a Les. O que você iria fazer? – perguntou Draconis.
—Talvez devêssemos matá-la, pra você sentir o gostinho. Nunca gostou do Loto, não sabe o que estamos passando. – rosnou Corbway. Navi ficou alerta e olhou para Draconis.
—Você matou algum deles? – perguntou olhando receoso para Corbway.
—Ainda não. – respondeu Draconis.
—Então vamos pra casa... antes que você faça algo sem volta. Você não é assim, Draconis. – murmurou Navi – Volte comigo, vamos. Você precisa descansar. Está de cabeça quente.
—Esse trouxa matou o Loto. – repetiu Draconis, como se tivesse preso em algum tipo de transe.
—Vem comigo, Draconis. Por favor. Não faça isso. Esse não é você. Não é isso que o Loto iria querer. – pediu Navi olhando o primo com preocupação – Por favor, Draconis, não faça isso...
—Eles mataram o Loto. – lamentou Draconis engolindo em seco, com um nó na garganta – Na minha frente. Eles mexeram com a gente... eu só tentei me defender... e o Loto pediu pra gente sair de lá... por que não atirou em mim?! – gritou Draconis olhando para o trouxa e o chutando com muita força nas costas – Seu CRETINO, DESGRAÇADO, SANGUE RUIM DOS INFERNOS! O LOTO NÃO TE FEZ NADA! NADA!
—Draconis, para! – pediu Selwyn – Ele já teve o que mereceu. Vamos embora.
—Não! Ele merece morrer! O Loto morreu, ele vai morrer também! – gritou Draconis com o rosto avermelhado, já começando a chorar novamente – EU VOU MATAR ESSE DESGRAÇADO!
—Draconis! Não faz isso ou eu vou ter que duelar com você. – rosnou Navi. Draconis o encarou furioso – Drac. Esquece isso. Ele já teve o que mereceu. Não se rebaixe ao nível dele. Seja melhor que ele. – pediu Navi e Draconis o encarou intensamente.
Naquele momento Navi sentiu seu coração apertar. Draconis sorriu cruelmente, parecendo muito diferente de si mesmo.
—Eu SOU melhor do que esse pedaço de lixo. – rosnou Draconis – AVADA KEDAVRA!
—DRACONIS! NÃO!
Mas estava feito. O trouxa rolou sem vida, para o lado, com os olhos abertos e esbugalhados. Selwyn desviou o olhar e Navi olhou chocado para o primo. Nott, Corbway e Rowle olharam de soslaio para Navi, preocupados com ele, pois todos sabiam o quanto Navi Lestrange era bom duelista.
Mas Draconis simplesmente respirou fundo e foi andando na direção do primo. Os dois ficaram lado a lado. Navi olhando o trouxa morto e Draconis olhando para a direção oposta, onde a porta estava. Todos ficaram em silêncio, com os dois primos lado a lado, ombro a ombro. Todos estavam preparados para duelar, apenas esperando o menor dos sinais para isso. Navi apertou sua varinha com força e Draconis quebrou o silêncio.
—Em valor a nossa amizade, eu não vou tocar na Lessa. – rosnou Draconis – Mas eu vou apoiar o Ministério na política anti-trouxa com tudo o que eu puder. – rosnou ele. Navi respirou fundo, sentindo que precisava fazer algo naquele momento. Sentindo que se Draconis saísse dali, algo terrível iria acontecer. Lembrou-se de quando eram pequenos, crianças, e fingiam duelar com suas varinhas de brinquedo. Nunca duelara pra valer com Draconis. Já tinham trocado golpes e ele o azarara pelas costas uma vez, mas nunca, nunca duelara com ele. Se perguntou se aquela seria a primeira vez. Olhou os trouxas mortos ali e sentiu-se nauseado, preocupado com toda a situação. Vinha se preparando para a guerra há tempos, mas sempre imaginou que teria Draconis como seu aliado, não como inimigo... – E se você se meter no meu caminho, eu vou te fazer entender como eu estou me sentindo agora. – Navi fechou os olhos, absorvendo a ameaça – Então fica esperto, Navi. Porque eu mato ela. Eu mato você. Eu mato todo mundo, porque eu não dou a mínima. O Draconis que você conheceu morreu com a mesma bala que acertou o peito de Loto Yaxley. O que sobrou aqui foi o neto do Comensal de Morte e o sobrinho do cachorro louco. Você entendeu?
—Acha mesmo que vou te deixar sair daqui depois de você me ameaçar desse jeito? – perguntou abrindo os olhos e olhando para o trouxa morto, que Draconis executara sem nem mesmo piscar.
—Eu tenho absoluta certeza. – sibilou Draconis sem hesitar – Nott, Rowle, Corbway. Vamos. Terminamos aqui.
Navi contou os passos, analisando a distância que Draconis estava, se preparando para atacá-lo. Olhou os corpos dos mortos e Corbway, Nott e Rowle passaram por si. Olhou o corpo pendurado no teto, de maneira grotesca. Tudo aquilo era extremamente grotesco... Ainda escutava os passos de Draconis, enquanto imaginava como seria o duelo. Mas Draconis foi embora e Navi não se virou.
Apertou a varinha com força, com a imagem de Draconis sorrindo antes de matar aquele trouxa. Selwyn suspirou tristemente e colocou a mão em seu ombro.
—Eu sinto muito, Navi. – murmurou ele. Concordou com um aceno de cabeça – Mas eu acho que seu primo... enlouqueceu também... – não respondeu. Ficou parado olhando para frente, sem saber o que fazer.
******
Draconis abriu a porta e entrou sem ser convidado. Nott e Corbway estavam com ele. Rowle tinha ido pra casa e eles não tinham notícia de Selwyn ou Navi.
O pai de Loto estava sentado junto de Launet, à mesa. Os dois com semblantes sombrios.
—Você os matou? – perguntou o pai de Loto.
—Sim. – respondeu Draconis. O pai de Loto suspirou e concordou.
—Que bom. – ficaram em silêncio por alguns segundos e o pai de Loto suspirou – Sente, filho... – Draconis suspirou também e obedeceu – O último pedido do meu filho pra mim foi... tentar me entender com você... – murmurou ele – Eu adoraria começar de novo se você me permitisse, Burke.
Draconis engoliu em seco e se sentou ao lado de Launet.
—Tem hidromel? – perguntou Draconis. O pai de Loto concordou e conjurou uma garrafa – Regra 69 do Bro Code... Caso um Bro morra, os outros Bros devem beber sua bebida favorita no funeral. Loto amava hidromel...
—Então, por favor, me sirva um copo. – murmurou Nott.
—Pra mim também. – murmurou Corbway. O pai de Loto conjurou copos para todos e lhes serviu a bebida.
—Você me disse que a última coisa que Loto te pediu foi para que a gente tentasse se dar bem. – murmurou Draconis. O homem concordou e todos eles brindaram – Ele me fez um pedido também.
—O que? – perguntou Launet.
—Ele me pediu pra cuidar da família de vocês. – murmurou ele – Principalmente de você, Lana... – Launet o olhou emocionada e fungou – Eu sou um filho bastardo. – murmurou Draconis e todos o olharam surpresos – Meu pai não é Damian Burke. É Draco Malfoy. Eu não sou realmente um Burke, então eu acho que chegou o momento de escolher um lado da guerra. O seu. – murmurou Draconis. Corbway e Nott sorriram ao mesmo tempo e brindaram os dois.
—Ao lado certo. – disse Corbway.
—Como eu sou um bastardo e meu pai... – Draconis engoliu em seco – Como Damian Burke tem mais três filhos... eu peço humildemente que cancele o noivado de Launet com Grant. – todos olharam para Draconis, surpresos. Então ele olhou para a moça – Case comigo. – disse ele sem absolutamente nenhum sentimento na voz – E eu me torno um Yaxley.
******
-Mais um copo. – pediu Navi. Seu avô lhe encheu o copo e suspirou.
—Porque hidromel? Achei que não gostasse...
—Regra 69. – murmurou Navi tristemente – Draconis... Draconis ficou... doido. – murmurou Navi. Seu avô concordou com um aceno de cabeça – Ele vai fazer merda. Eu sei que vai. E eu não fiz nada. Eu não tive coragem... ele é tipo um irmão pra mim...
Rabastan olhou seu neto e suspirou.
—Eu sei como se sente. – murmurou ele. Navi o olhou sentindo-se muito confuso e cheio de dilemas – Eu pensei em matar Rigel, para que ele não saísse fazendo merda por aí. Eu achei que teria coragem, mas... mas não tive. – murmurou Rabastan – E todas as mortes que ele causou... estão todas sobre as minhas costas. – murmurou ele. Navi não quis ir pra casa. Ele queria conversar com alguém e seu pai estava muito ocupado com as coisas da Resistência. Mas também, não achava que seu pai poderia lhe ajudar naquele caso. Seu pai nunca entenderia sua situação, mas imaginou que seu avô sim. Tio Rigel tinha lhe contado sobre Rodolfo Lestrange e que tinha sido seu avô quem o matara. Irmão, matando irmão... quebrando a maior regra de sua família: Os Lestrange cuidam uns dos outros... – Eu me culpo por algumas coisas... por outras não... os homens que trabalharam para Hesse... foda-se. – resmungou seu avô dando um gole no hidromel – Mas o que aconteceu com aquelas mulheres... aquilo não. E parece que Rigel estuprou duas delas... eu jamais apoiaria isso... mas é mais uma cicatriz nas minhas costas... eu espero que as suas não fiquem riscadas como as minhas...
—Ele ameaçou a Lessa. Ele disse que mataria a Lessa... – murmurou Navi sem conseguir acreditar naquilo.
—Você a ama? – perguntou Rabastan. Viu seu neto olhá-lo com intensidade.
—Mais do que tudo, avô.
—Mas você vai se meter nessa guerra não vai? Você é responsável por Draconis daqui pra frente, já que não foi capaz de detê-lo... de um meio ou de outro. – Navi concordou com um aceno triste de cabeça – Então esqueça-a.
—O... o que? – perguntou chocado.
—Você sabia que eu diria isso. Não se faça de surpreso. – murmurou Rabastan – Draconis falou que vai matá-la se você se meter e você pretende se meter... ele vai te fazer sofrer e acredite... – Rabastan soltou um suspiro se lembrando de uma cena, há muitos anos atrás... de uma casa destruída, com a marca negra flutuando em cima dela – Você não vai querer saber como é perder alguém que ame.
—Eu a pedi em casamento, avô... nós estamos noivos... ela não vai... não vai querer... ela não vai entender. Vai dizer que não se importa, que não tem medo. Ela é mais teimosa que eu. – resmungou Navi e Rabastan suspirou.
—Quebre o coração dela.
—O que? – perguntou Navi, o olhando em choque.
—A magoe. Mostre pra todos que lá no fundo, você não dá a mínima. A magoe pra valer... e então... a mantenha a salvo.
Navi o olhou durante longos segundos e então virou seu copo de hidromel de uma só vez, o colocando sobre a mesa.
—Não dá. – murmurou simplesmente – Eu prometi que jamais iria magoá-la. Eu prometi...
—Promessas são como jarros de barro. Fáceis de fazer, fáceis de quebrar. Mantenha-a segura, Navi. E quando tudo isso acabar, se acabar... reconquiste-a.
—Foi o que você fez? – perguntou Navi.
—Mais ou menos. – murmurou ele – Mas eu sei o que é perder... – explicou Rabastan – Eu acho que você sabe o que eu quero dizer. – Navi concordou com um aceno de cabeça.
—Eu... eu não acho que ela me daria outra chance se... se eu partisse o coração dela agora. Mesmo se eu explicasse... ela não iria me perdoar.
—Mas ela iria viver. – Rabastan terminou seu copo e suspirou – Se você acha que vale a pena o risco... corra o risco, Navi. Mas eu já perdi a sua avó uma vez. Eu achei que ela tinha morrido uma vez... eu não desejo o que eu senti pra ninguém... nem pra um inimigo.
Navi olhou seu avô e suspirou.
—Eu... eu vou... pensar... – murmurou o rapaz, infeliz.
******
Every time that I look in the mirror
All these lines on my face getting clearer
The past is gone
It went by like dusk to dawn
Isn't that the way
Everybody's got their dues in life to pay
Draconis entrou em casa. Seus irmãos mais velhos vieram até ele, mas simplesmente os ignorou. Andou até a Sala das Placas, onde seu avô e seu pai já estavam.
—Vocês sabem o que eu vim fazer. – rosnou ele.
—Não faça isso, garoto. Você tem um sobrenome que te manterá protegido, não se livre dele. – disse seu avô.
—Eu já não me importo mais. Tirem meu nome dessa placa ou eu vou quebrar o Tratado de Neutralidade.
Yeah, I know nobody knows
Where it comes and where it goes
I know it's everybody's sin
You got to lose to know how to win
Draco olhou para Alhena, que olhava a janela, parecendo muito sombria.
—O que houve, Lena? – perguntou Draco. Ela o olhou, sem ser com aquele olhar infantil. Era o olhar dela mesma, na época em que ela estava tentando superar Jacques Pierre – Lena?
—A Morte. – murmurou ela – A Morte... A Morte! – disse ela parecendo horrorizada.
—Que morte, Lena? – perguntou ele, mas ela continuou falando aquilo, caindo no choro e o abraçando desesperada.
Half my life's in books' written pages
Live and learn from fools and from sages
You know it's true
All the things you do come back to you
Gale e Les eram os únicos alunos do grupinho da Sonserina que tinham sobrado no sétimo ano, além de Travers e Grant. Não haviam mais videntes e no lugar de advinhação, teriam aula sobre tecnologia militar trouxa. Estavam preparando os alunos para a guerra, ou pelo menos era o que se dizia por aí...
Les só desejava voltar para casa. Não entendia o motivo de Navi não responder suas cartas. Estava precisando de notícias. Sobre Lyra, sobre Cerce e sobre Dido. Estavam no escuro… Gale estava completamente acabado. Ele estava convencido que sua amada estava morta. Sinceramente, Les temia coisa pior.
Ela vira a mãe de Dido... Preferiria morrer e virar aquilo.
Sing with me, sing for the years
Sing for the laughter and sing for the tears
Sing with me, if it's just for today
Maybe tomorrow the good Lord will take you away
Gui abriu a porta e recebeu um abraço. Completamente surpreso, abraçou sua filha Dominique, que chorava desconsolada.
—Papai... eu me meti num problemão... eu preciso de ajuda. – chorou ela.
—Onde raios você se meteu, Dominique! – ralhou Gui – Você não estava com Rigel, estava? Você não teve participação em tudo aquilo, teve?! – ele exigiu saber, mas Dominique não respondeu. Apenas chorou se perguntando se Rigel viria atrás dela, como ele dissera que iria. Ela o seguiria até o inferno, mas jamais levaria o filho que esperava com ela. Precisava esperar o bebê nascer e protegê-lo. E se isso significasse passar o resto da vida se escondendo, faria isso.
Well, sing with me, sing for the years
Sing for the laughter and sing for the tears
Sing with me, if it's just for today
Maybe tomorrow the good Lord will take you away
Pansy suspirou olhando seus documentos, tentando trabalhar, depois de tudo o que tinha acontecido. Foi quando a porta se abriu e o Ministro Crabbe entrou.
—Olá, Sra. Parkinson.
—Corey. – corrigiu ela.
—Eu não me importo. Eu só preciso falar com você.
—Sobre? – perguntou fingindo leve curiosidade, enquanto seu coração batia acelerado.
—Sobre Rasalas Lestrange. – disse ele entrando e fechando a porta – Eu soube que ele costumava ser amigo de Potter... você acha que ele pode estar com a Resis...
—Senhor, Potter roubou a namorada dele no colégio e os dois quase se mataram por isso. Não pode mesmo achar que Rasalas quer sequer se aproximar de Potter. Eles se odeiam. – riu ela com falso desdém e Crabbe concordou com um aceno de cabeça.
—De todo modo... fique de olho nele por mim.
Dream on, dream on, dream on
Dream until your dream comes true
Dream on, dream on, dream on
And dream until your dream comes true
Lyra, Scorpius, Cerce, Albus e Prim olhavam o céu estrelado, preocupadamente.
—Vocês acham que ela está bem? – perguntou Cerce – Eu ainda não acredito que concordaram com aquela loucura.
—Dido deve estar morta a essa hora. – murmurou Prim – Ou pior, como a mamãe.
—Eu lembro de uma época que você era uma garotinha sorridente, Prim. Me ajude a manter um...
—Um o que, Potter?! Olhe o que aconteceu com a minha família! Minha mãe está louca, meu pai está tentando fazer Draconis não surtar, e não está sendo bem sucedido nisso, meus avós foram atacados e quase mortos, meu tio ficou louco e minha irmã foi capturada e eu não faço a menor ideia de como ela está. E além disso, meu namorado morreu pra permitir que a gente fugisse. Não me pede pra sorrir, não me pede merda nenhuma! – chorou ela – Eu ODEIO tudo isso. Eu... eu... eu...
Albus suspirou e puxou a garota para um abraço, deixando que ela chorasse todas as lágrimas que ela estava guardando.
—Estamos desmoronando... – murmurou Scorpius.
Dream on! Dream on! Dream on!
Dream on! Dream on! Dream on! Dream on!
Rose olhou pela janela e piscou em choque. Draconis estava do lado de fora. Ela correu até a porta e a abriu. Ele a olhou intensamente e ela o abraçou.
—Navi... Navi falou...
—Eu imagino. – murmurou Draconis.
—Você estava só de cabeça quente, não é?! – perguntou ela.
—Eu não me arrependo de nada. – sibilou ele – Eu vim pedir pra... pra... – ele engoliu em seco – Eu vim pedir desculpas. – murmurou ele. Rose o olhou perdida.
—Draconis... não se mete nessa guerra, por favor… eu sei que está sofrendo, eu sei como é, eu perdi a minha mãe... mas por favor... por favor... – murmurou sentindo os olhos encherem-se de lágrimas.
Ele suspirou e a beijou de repente e ela simplesmente não conseguiu pará-lo.
Sing with me, sing for the years
Sing for the laughter and sing for the tears
Sing with me, if it's just for today
Maybe tomorrow the good Lord will take you away
Rasalas soltou um suspiro, abraçado com Daphne.
—Como Damian está? – perguntou ela.
—A filha dele foi sequestrada e o filho dele... eu não sei o que aconteceu com Draconis...
—Será que foi um erro, Rasalas... nos metermos nisso tudo? – perguntou Daphne.
Os dois olharam para onde Draco e Alhena estava, ambos abraçados, enquanto a loira chorava sem parar.
—Não. – respondeu Rasalas.
Sing with me, sing for the years
Sing for the laughter and sing for the tears
Sing with me, if it's just for today
Maybe tomorrow the good Lord will take you away
Launet Yaxley soltou um suspiro segurando o colar de Loto. Estava feliz por não ser mais obrigada a se casar com Herpo Grant. Odiava ele... mas agora teria que se casar com Draconis... o achava um garoto maravilhoso... mas ele parecia tão diferente, tão sombrio...
—Oh, Loto... você não devia ter morrido... – suspirou ela colocando o colar do irmão sobre o peito, sentada sob a árvore dos Yaxley – Eu estou com medo do futuro, irmãozinho... olhe por nós de onde você estiver... – pediu olhando uma estrela cadente riscando o céu.
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