Legado Lestrange
18 Weasley É Nosso Rei!
Notas iniciais

1995
Hogwarts
Rasalas olhou assombrado para o que um dia fora uma mesa. Depois se virou para Gina.
—Pega leve, ruiva. Tá querendo me eliminar antes do Sonserina e Grifinória, é? – perguntou com um sorrisinho.
—Você nunca tira esse sorrisinho presunçoso do rosto? – perguntou ela com outro sorriso.
—Uma das vantagens de ser eu. – riu ele voltando para a pose de duelar. Estavam na AD, praticando. Adorava aquelas reuniões. Era realmente divertido e realmente útil. Seus amigos sempre perguntavam por onde ele tinha andado, mas sempre inventava que estava indo beijar alguém e eles simplesmente acreditavam. Todo mundo sabia que ele tinha jeito com as garotas – Se ficar comigo tempo o suficiente, eu te arranco uns sorrisinhos também. – disse piscando para ela.
Achou que ela iria corar, mas ela apenas riu e tentou desarmá-lo. Usou um feitiço escudo e a desarmou no lugar disso. Ela o olhou arqueando uma sobrancelha e ele sorriu jogando a varinha de volta pra ela.
—Você é muito bom com esse feitiço escudo. Aprendeu de primeira. – disse ela.
—Eu já sabia esse. – respondeu – Vou tentar te desarmar, pronta?
—Pronta.
—Expelliarmus.
—Prote...! – mas a varinha dela voou antes. Rasalas a pegou no ar e a devolveu – Obrigada.
—Mais uma vez. Pronta?
—Sim.
—Expelli...
—PROTEGO!
—...armus...
Sentiu seu feitiço voltar contra si e acabou caindo no chão. Sua varinha voou para a mão da ruiva, que a pegou com agilidade. Um sorriso vitorioso no rosto.
—Consegui! – disse ela com uma mão no quadril.
—Conseguiu. Boa, ruiva. – disse se levantando – Mais uma vez?
—Sim! – riu ela.
Continuaram praticando, até que Ronald pediu para trocar com Gina. Não se importou, apesar de que achar a ruiva mais interessante que o irmão. Ficou praticando com o garoto por uns minutinhos, ambos fazendo muito bem o escudo. Então Ronald se aproximou e falou num tom seco.
—Pare de ficar flertando com a minha irmã.
Rasalas piscou e soltou um suspiro.
—Se te incomoda, eu peço desculpas. Não faço mais. – disse honestamente. Ronald o olhou desconfiado – Eu tenho uma irmã também... eu sei como é. – disse dando de ombros.
Ronald concordou em silêncio e saiu de perto. Soltou um muxoxo, pois realmente estava querendo dar uns amassos na ruiva. Procurou alguém que não estivesse com uma dupla e viu Lovegood.
—Loira. Quer um parceiro pra praticar? – perguntou sorrindo para ela.
—Claro. – respondeu ela parecendo animada.
—Você começa com o escudo, ou eu? – perguntou ele.
—Eu. Você já faz o escudo. Eu vi você e Gina.
Rasalas sorriu convencido e fez pose de duelo. Tentou desarmar Lovegood, mas ela fez o escudo com perfeição. Foi jogado para trás e sua varinha saiu voando. Se levantou e Lovegood a devolveu. Fez pose de duelo e quando ela tentou desarmá-lo, fez um escudo tão bom que foi a vez de Luna cair no chão. Pegou a varinha dela no ar e Harry passou por ele.
—Muito bom, Rasalas e Luna. – disse ele. Rasalas sorriu convencido e foi até Luna, ajudá-la a levantar. Ela sorriu de maneira sonhadora e ele lhe devolveu a varinha.
Luna Lovegood era uma garota muito estranha, com brincos estranhos, colares estranhos, olhares e sorrisos estranhos. Mas flertou com ela assim mesmo. Só não soube entender se ela estava dando bola ou não. Então acabou deixando pra lá. Continuou fazendo o exercício com ela até que Gina apareceu.
—Troca comigo, Luna? Fica com o Corner?
—Claro. – respondeu ela indo aos saltos até o garoto.
—Uma garota muito interessante. – riu Rasalas olhando para a loira.
—Luna é um amor. – concordou Gina – Pronto? – perguntou ela com um sorrisinho.
—Sempre.
Ficaram praticando, mas tentou não dar tantos sorrisos para ela e nem olhar demais para o corpo prematuramente bem feito dela. Ela tinha a idade de Astoria, mas parecia muito mais desenvolvida. Talvez fosse porque as irmãs Greengrass eram simplesmente pequenas e magras. Magras demais. Delicadas como as flores de seu brasão.
Acabou se distraindo tanto, lembrando dos olhos azuis de Daphne, que não fez o escudo e Gina o jogou contra a parede. Bateu a cabeça com força e caiu no chão meio tonto.
—Ai! Caramba! Desculpa! – disse ela indo até ele.
Piscou meio zonzo, zangado consigo mesmo.
—Você realmente quer acabar comigo antes do jogo, não é? Ruiva? – perguntou com um sorrisinho.
—Você nem tentou se defender daquele último. – disse ela o ajudando a se levantar. Sentiu a cabeça latejar com força. Ficaria com um galo ali.
—Eu me distraí... – resmungou.
Escutou o apito de Harry e o olhou ainda massageando a cabeça.
—Muito bem. Vocês todos estão indo bem. Hora de irmos. Como o jogo Grifinória e Sonserina está chegando, não teremos treino na semana que vem.
—Eu preciso mesmo me recuperar desse último golpe. – disse rindo para Gina. Ela lhe deu um tapinha no ombro.
—Culpa sua.
—Então é isso. Até a próxima. – riu Harry pegando o mapa para liberá-los aos poucos.
Rasalas não se demorou, como sempre. Estava voltando para as masmorras quando escutou passos. Se virou e viu Gina. Ela ficou na ponta dos pés e lhe beijou no rosto.
—Para melhorar logo. – ela piscou e sorriu travessa. Então saiu rebolando. Sorriu safado para ela e a puxou para si. Mas acabou se lembrando do pedido de Ronald.
—Obrigado. – murmurou a soltando.
—O que foi?
—Ah... é só que... – ele coçou a cabeça, sem jeito.
—Rony?
—Sim. – respondeu dando de ombros.
Gina riu com desdém e o puxou pela gravata.
—Sabe guardar segredo?
—Eu sou um Sonserina, lembra? – perguntou rindo.
A puxou pela cintura e ela passou os braços por seu pescoço. A puxou para dentro de um armário e a beijou de maneira mais urgente. Estava com vontade de beijar aquela ruiva há um tempão. Sentiu as mãos dela o alisarem na nuca e nos cabelos e ele adorou o toque dela.
Ela o mordeu com força no lábio e riu de maneira travessa. Sentiu cada fio de cabelo se arrepiar com aquilo. A puxou com mais força, a beijando com volúpia. A mordeu no pescoço e a puxou pela bunda sem cerimônia. Mas ela tirou suas mãos dali, as colocando em sua cintura.
A alisou na cintura com os polegares, sem se intimidar. Ela tinha uma pele macia, cor de creme, cheia de lindas sardas. Sentiu a ruiva lambê-lo na orelha e isso o arrepiou de novo. A boca dela desceu pelo seu pescoço e o chupou com vigor ali, lhe arrancando outro sorriso safado.
Se arrepiou ao sentir as mãos dela entrarem debaixo de sua camisa a alisá-lo na barriga. Estremeceu com o toque das mãos delicadas dela. A beijou novamente, soltando um suspiro contente e ela sorriu baixinho quando ele a mordiscou na orelha também. A empurrou contra o armário, a prensando com os quadris, adorando senti-la contra si. Ela não ligou e o puxou mais para si ainda, o alisando por debaixo da blusa.
Colocou as mãos por baixo da blusa dela, sentindo a pele dela, a acariciando nas costelas. Sentia o peito dela subir e descer contra o seu. Desceu as mãos para as coxas dela e puxou uma das pernas da ruiva, para se encaixar melhor nela. Gina riu e quando ele tentou puxar a outra perna, ela permitiu, envolvendo seu quadril com as pernas. A empurrou com mais força contra o armário, adorando o contato dela contra si. Estava completamente ligado, louco de desejo.
A apertou extasiado nas coxas, mas Gina parou os beijos e o empurrou de leve, voltando para o chão.
—Foi divertido. Até a próxima. – riu ela saindo do armário.
—Que? Mas já? – perguntou quase sem fôlego. Gina riu travessa e saiu andando. Ficou olhando a garota se afastar e então saiu do armário.
Voltou para o salão comunal e se jogou numa poltrona. Damian o olhou e sorriu.
—Quem foi dessa vez? – perguntou o colega. Rasalas deu de ombros, colocando um tornozelo sobre o joelho para disfarçar o volume nas calças – Te deixou com um roxo no pescoço.
Rasalas fez uma careta e massageou o lugar onde ela tinha lhe marcado.
—Pois é... – murmurou – Caraca... – murmurou lembrando do beijo de Gina – Peguei uma garota mais nova... mas ela parecia bem experiente.
—Quem?
—Não vou falar.
—Foi a Weasley? – perguntou Damian.
—Quem me dera. – disse mentindo deslavadamente. Damian o olhou curioso.
—Conta ai.
—Você sabe que eu nunca falo.
—Eu sei... mas é que hoje você voltou realmente desarrumado. Até onde foram?
—Só beijo mesmo. Mas ela me deixou sem fôlego. – murmurou dando de ombros – Eu não deveria ter ficado com ela. – lamentou fazendo uma careta, lembrando de Rony. Sabia que cedo ou tarde seu carma voltaria contra si.
—Por que não?
—Porque não.
*
—Até mais, Rasalas.
—Gina... calma, Gina... só mais um pouco. – pediu desesperado – Não sai agora... – mas a garota saiu do armário, com um sorriso divertido no rosto. – Cacete... como eu vou voar desse jeito? – resmungou tentando ficar confortável dentro de suas calças. Saiu do armário e não se intimidou em gritar – ISSO FOI GOLPE BAIXO!
Gina mostrou os dois dedos médios, sem parar de andar e sem se dar ao trabalho de olhar para trás.
Passaram a semana inteira se encontrando escondido para uma seção de amassos furiosamente loucos. Mas Gina nunca deixava que ele a apalpasse e nem nunca o aliviava. Todos os dias tinha que ir correndo para um banheiro, para se aliviar sozinho. Mas mesmo assim, estava louco por ela.
Caminhou da melhor maneira que conseguiu até um banheiro e fechou os olhos, se aliviando o mais rápido que conseguiu. Acabou sujando boa parte da parede, sem querer, mas deu de ombros. Se guardou, lavou as mãos e correu para o campo. Quando chegou, completamente descabelado, com a roupa do uniforme amassada e com mais um roxo no pescoço, Draco e Blair riram, mas Miles Bletchley, o capitão, lhe deu uma bronca por se atrasar.
—Com quem está se agarrando? Não podia esperar até o final do jogo? – perguntou Draco, o olhando curioso, enquanto andavam para o campo de quadribol.
—Quando uma garota gostosa te empurra para dentro de um armário de vassouras, você não pensa nessas coisas, sabe? – perguntou fechando a cara.
—Eu espero que ela realmente seja muito gostosa. Passamos os últimos dez minutos com Miles praguejando que nosso segundo batedor ainda não tinha chegado. – ralhou Blair.
Rasalas deu de ombros.
—Pera... como assim segundo? Fui rebaixado? – perguntou com um sorrisinho.
—Bem... quebre a cabeça de Potter e Miles vai perdoar. – riu Draco – Ela já está rachada de qualquer maneira. É só acertar o balaço.
Se perguntou se o pessoal da AD levaria para o lado pessoal. Mas deu de ombros. Quadribol era quadribol.
Ficaram em fila, ao lado do time da Grifinória, esperando pela hora de entrar em campo. Sentiu o estômago remexer de nervosismo, como normalmente acontecia antes dos jogos de quadribol.
—Confiem em mim. – riu Draco – Aquele pomo vai ser meu, hoje.
—Boa sorte com isso, Malfoy. – riu Harry – Eu lembro das suas últimas tentativas contra mim.
—Esse ano vai ser diferente, Potter. – rosnou Draco – Pode ter certeza.
—Ei, Harry. – chamou Rasalas. Harry o olhou – Não leve pro lado pessoal quando eu te derrubar da vassoura, ok? – piscou para o amigo, que riu sem se intimidar.
—Vai ter que passar pela gente primeiro. – riu um dos gêmeos.
—Fácil como tirar doce de criança. – provocou Blair – Mais fácil ainda é derrubar o goleiro da Grifinória. É só olhar feio pra ele que ele cai da vassoura.
O time da Sonserina começou a rir, achando graça e Rasalas viu Rony ficar um tanto verde.
—Ele está mudando de cor. Vai vomitar lesmas de novo? – perguntou Rasalas. Sempre tinham aquelas alfinetadas nas filas antes de entrar para o jogo, mas Rony o olhou realmente zangado. Será que ele vai apelar? Espere só ele ouvir o que Draco compôs pra ele...
Se lembrou que estava se agarrando com a irmãzinha dele e lançou um olhar culpado para ele, antes de olhar para frente.
Finalmente ouviram o apito de Madame Hooch e entraram em campo.
Miles e Jonson apertaram as mãos e todos subiram em suas vassouras. Rasalas jogou seu bastão para cima, fazendo-o girar no ar, e então o pegou. Voou perto das arquibancadas e escutou os gritos estridentes das garotas gritando seu nome. Mandou um beijo para a arquibancada e voltou para perto do time.
Madame Hooch soltou os balaços, lançou as goles e o pomo. Rasalas voou na direção de um dos balaços e Blair foi vigiar o outro. Rebateu um balaço que vinha em direção a Montague com força, fazendo um barulho ensurdecedor. Foi quando começou a escutar a torcida da Sonserina começar a cantar “Weasley é nosso rei”. Preferiu não prestar atenção. Estava pegando a irmã do garoto, afinal. Diria que não tinha aprovado nada daquilo, apesar de que tinha sido ele quem fez o versinho “Por isso que todos os Sonserinos cantam: Weasley é nosso rei!”
"WEASLEY NASCEU NUMA CESTA, ELE SEMPRE DEIXA A GOLES ENTRAR..."
O balaço voou velozmente na direção de Harry, mas um dos gêmeos o rebateu na direção de Miles. Rasalas mergulhou rapidamente e rebateu com força, na direção de Spinet, o gêmeo a defendeu e rebateu de qualquer jeito.
"WEASLEY FARÁ COM QUE NÓS VENÇAMOS, WEASLEY É O NOSSO REI..."
Rasalas aproveitou que o balaço voou para longe, em direção de ninguém, e voou em direção a Spinet, que estava com a goles. Passou tão rápido por ela que ela quase se desequilibrou. Isso deu chance para Montague pegar a goles e voar na direção de Weasley.
"WEASLEY É O NOSSO REI, WEASLEY É O NOSSO REI..."
Voou na direção de Yaxley e o defendeu do balaço, o arremessando contra Harry, que desviou agilmente. Xingou baixinho e voou em direção ao balaço, mas um dos gêmeos chegou primeiro e o jogou na direção de Miles. Voou o mais rápido que conseguiu, mas não chegou a tempo e Miles precisou desviar.
"WEASLEY NASCEU NUMA CESTA..."
—PRESTA ATENÇÃO, LESTRANGE! – rosnou o capitão. Rasalas revirou os olhos e alcançou o balaço, o jogando com violência contra Bell. Foi tão forte que derrubou a garota da vassoura.
—TOMA ISSO, BELL! – gritou satisfeito.
"WEASLEY NÃO PODE SALVAR NADA..."
Um dos Weasley rebateu o balaço contra Draco. Voou o mais rápido que conseguiu e o defendeu, mas acabou jogando de qualquer jeito. Voou novamente, tentando chegar antes de Weasley. Sua vassoura era muito melhor, então não foi tão difícil assim. Ultrapassou o balaço, girou no ar e jogou a bola de uma vez contra o batedor. Weasley precisou bater de qualquer jeito, para não ter o nariz quebrado e Rasalas voou agilmente atrás do balaço, para jogá-lo contra Harry.
Mas Harry simplesmente voava bem demais e se esquivou. Olhou zangado para ele e mergulhou atrás do balaço. Jonson estava voando em direção ao gol e os dois batedores da Grifinória estavam voando ao redor de Harry. Jogou o balaço contra Jonson e a acertou em cheio. A goles caiu das mãos dela e Montague a pegou.
—EU SOU UM DEUS! – gritou se divertindo e subindo para pegar o balaço novamente. Defendeu Draco mais uma vez, que sorria contente – Quanto está?
—Weasley está um fiasco. Não defendeu um gol sequer. – riu Draco – Estamos sessenta a zero.
—Então pegue o pomo.
—Derrube Potter.
Um balaço veio na direção de Draco, mas o rebateu com força contra Harry. Voou junto com o balaço e quando Harry se esquivou, passou voando, quase o acertando de frente. Harry se desequilibrou, mas não caiu.
—SEGURE-SE, POTTER! – provocou sorrindo.
"POR ISSO É QUE TODOS OS SONSERINOS CANTAM: WEASLEY É O NOSSO REI."
Harry o olhou zangado, mas nada disse. Só voltou a procurar pelo pomo. Rasalas voou atrás do balaço e o jogou contra um dos gêmeos, que estava de costas, rebatendo o balaço de Blair. O acertou nas costas e ele caiu da vassoura. O garoto ficou pendurado por uma mão, mas respirou fundo e voltou a subir na vassoura.
Olhou para o gol e viu Rony deixar uma goles passar por entre seus braços. Deu uma risadinha achando graça e voltou a voar atrás do balaço. O arremessou contra Spinet, mas um dos gêmeos a defendeu e tentou acertar Draco, que voava em círculos ao redor do campo, procurando o pomo.
"WEASLEY NASCEU NUMA CESTA... ELE SEMPRE DEIXA A GOLES ENTRAR... WEASLEY FARÁ COM QUE NÓS GANHEMOS..."
Seus companheiros cantavam aquilo, mas ele achava simplesmente ofensivo demais. Seu sorriso típico finalmente deixou seu rosto. Aquele coro estava sendo irritante.
Foi quando viu Harry mergulhar. Draco também vinha. Ambos tinham visto o pomo, mas Harry voava melhor que Draco. Estava mais alto que os dois, então voou na direção de Harry, afinal tinha uma vassoura tão boa quanto. Mergulhou para alcançá-lo. Não ligava se fosse jogar sujo. Só queria ganhar aquele maldito jogo. Levantou o bastão, mirando a cabeça de Harry, mas um balaço a acertou com força, vindo de cima.
Poderia ter se segurado na vassoura, mas isso não impediria que Harry pegasse o pomo. Sentiu uma vertigem na barriga, quando suas pernas escorregaram da vassoura enquanto dava uma cambalhota pra frente. A torcida da Sonserina finalmente parou de cantar aquela maldita música. Gritou assustado caindo depressa. Harry estava tão interessado em pegar o pomo que nem o viu caindo. Estava para cair em cima dele, como planejara, mas Harry foi mais rápido do que tinha calculado. Em pânico, se esticou e conseguiu se agarrar nas cerdas da vassoura dele.
Quase o derrubou na vassoura, nisso. Harry o olhou zangado e o chutou no rosto, para voltar a voar atrás do pomo. Girou o corpo, desesperado, gritando assustado, quando Blair o pegou. Gritou de dor, sentindo a articulação do ombro doer horrivelmente. Seu nariz sangrava onde Harry o tinha chutado e sua Firebolt caía, levada pelo vento.
Levantou o olhar e viu a torcida da Sonserina gritar de alegria. Draco levantou o pomo com um ar vitorioso, como se fosse o herói do dia.
Bem... ele era mais ou menos.
Montague apareceu com sua vassoura. Subiu nela, mas assim que se segurou, sentiu o ombro doer demais.
—Estraguei alguma coisa. – disse fazendo careta.
—Além do seu rosto? – perguntou Blair.
—Meu ombro. Acho que estraguei meu ombro. – lamentou se equilibrando muito mal na vassoura, descendo devagar.
Quando chegou no chão, sentiu Miles bagunçar seus cabelos e então todos correram para Draco, que ainda levantava o pomo. A Sonserina agora gritava um verso diferente.
“HEY, HEY, HEY! MALFOY É NOSSO REI!”
—Isso. Malfoy é o herói. Esquece o Lestrange aqui, que sangrou pelo time. – resmungou olhando para Draco. Mas seu sorriso insolente estava de volta em seu rosto.
O time da Sonserina estava todo no chão e o da Grifinória pousava também.
—Não conseguiu salvar o pescoço do Weasley, não é, Potter? – Draco disse para Harry. Rasalas olhou de um para o outro. Harry estava branco de raiva – Eu nunca vi um goleiro pior... Mas fazer o quê se ele nasceu numa cesta... Você gostou dos meus versos, Potter?
—Cale a boca, Draco. – pediu Rasalas sentindo o ombro e o nariz doerem terrivelmente.
Harry não respondeu. Ele se virou para encontrar o resto do time, que estava amuado, zangados com a derrota. Rony tinha desmontado de sua vassoura do outro lado dos aros da baliza e parecia estar fazendo o seu caminho de volta devagar para os vestiários, sozinho.
—Nós queríamos escrever outro par de versos! – Draco falou, enquanto Katie e Alicia olhavam feio. – Mas nós não encontramos rimas para gorda e feia. Nós queríamos cantar sobre a mãe dele, sabe...
—Draco! – ralhou Rasalas.
—...Nós não pudemos encaixar em perdedor inútil também, para o pai, entende? – continuou Draco, ainda com o pomo na mão.
—Merlin, cale a... – começou, mas Fred e Jorge perceberam sobre o que Malfoy estava falando – ... boca! Nós ganhamos, vamos embora.
—Deixe! – disse Angelina de uma vez, segurando um dos gêmeos pelo braço. – Deixe, Fred, deixe ele gritar. Nunca tinha ganhado um jogo na vida. Agora quer exibir, só porque conseguiu ganhar jogando sujo.
—Me acertaram pelas costas. Quem jogou sujo? – perguntou Rasalas – Eu nem estava na jogada. – adicionou apesar de aquilo ser apenas meia verdade.
—Mas você gosta dos Weasley, não gosta Potter? – disse Malfoy, zombando. – Passa as férias lá e tudo, não passa? Não posso imaginar como você aguenta o fedor... Talvez seja porque, comparado com a sua casa trouxa, a cabana dos Weasley cheira ok...
Harry agarrou Jorge, ambos furiosos. As três artilheiras ainda seguravam Fred para impedi-lo de pular em Draco, que estava rindo abertamente. Rasalas olhou em volta, para Madame Hooch, mas ela ainda estava tentando prender os balaços de volta na caixa.
—Ou talvez – disse Malfoy, olhando com malícia enquanto Harry saía de perto – você pode se lembrar de como a casa da sua mãe fedia, Potter, e o chiqueiro dos Weasley fazem você se lembrar...
Aparentemente aquela foi a gota d'água. Harry e Jorge finalmente vieram de uma vez para cima de Draco. Rasalas tentou se colocar no meio, mas seu ombro machucado não ajudou a proteger o amigo e ele tinha perdido seu bastão na queda.
Jorge o empurrou com força e Harry acertou Draco na boca do estômago com um soco bem encaixado.
— Harry! HARRY! JORGE! NÃO! – gritou Jonson, mas Jorge e Harry pareciam simplesmente furiosos demais para ouvir.
—Harry! Solta! – gritou tentando puxar Harry de cima de Draco, mas acabou levando outro soco no nariz. Caiu tonto no chão, morrendo de dor e não levantou. Agora quebrou. Certeza que quebrou.
Ele podia ouvir as vozes das garotas gritando, Draco berrando, Jorge xingando, o som do apito e o berro do público ao redor dele. Finalmente escutou um "Impedimenta!" e a confusão pareceu terminar.
—O que vocês acham que estão fazendo? – gritou Madame Hooch enquanto Harry ficava de pé. Parecia que tinha sido ela que tinha laçado o feitiço do Impedimento. Estava segurando o seu apito em uma mão e a varinha na outra; sua vassoura estava abandonada a muitos pés dali.
Rasalas se levantou, mas ainda estava tonto com o golpe no nariz. Seus olhos estavam marejados por conta da dor. Piscou um monte de vezes, tentando se recuperar. Tentou tocar o nariz, mas notou que ele estava torto e doía mais do que nunca.
Draco estava torcido no chão, entre choro e gemido, seu nariz sangrando; Jorge estava exibindo um lábio inchado; Fred ainda estava sendo fortemente segurado pelas três artilheiras e Montague estava tagarelando no fundo.
—Potter começou! Potter e Weasley atacaram Draco e Rasalas sem motivo! – gritava ele.
—Eu nunca vi comportamento como esse, voltem para o castelo, os dois, e imediatamente para o escritório do seu Diretor de Casa! Vão! Agora. – gritou Hooch que não havia escutado o que Draco falara para o time da Grifinória.
—Vamos embora. Vamos para a Ala Hospitalar. – disse Miles, temendo que sobrasse alguma confusão para o time. Rasalas voltou a pegar sua vassoura, sentindo o ombro e o nariz doerem mais do que nunca. Suas costas também doíam. Mas Draco estava pior. Ou ao menos parecia.
—Quando Madame Pomfrey consertar a gente, eu vou te quebrar a cara, Draco. Eu quebrei o nariz por sua causa, seu filho da mãe. – rosnou segurando o nariz, que estava bastante torto.
Draco deu uma risadinha e sacudiu o pomo em sua mão.
—Foda-se. Eu peguei o pomo e você quase derrubou Potter da vassoura. Somos heróis. – riu ele. Rasalas deu uma risadinha e socou Draco no ombro, de brincadeira – Ouch!
—Opa... malz.
**
Rasalas estava se perguntando se seria expulso da AD. Harry, Fred e Jorge tinham sido expulsos da equipe da Grifinória graças a seus ataques de fúria. Mas Draco estava nada menos do que exultante.
—Cada golpe valeu a pena. – riu ele presunçoso, enquanto um monte de garotas o olhava apaixonadamente – O que eu não faço pela minha amada Sonserina?
Rasalas revirou os olhos.
—Ele podia calar a boca, pela nossa amada Sonserina. – resmungou baixinho.
—Você só está zangado porque Malfoy está sendo o único herói e você não está sendo mimado que nem ele. – riu Damian.
—É um absurdo! Eu me joguei em cima do Harry! Eu caí da vassoura! Se não fosse por mim, Potter teria pego a droga do pomo! – disse sem se importar em desmentir.
Damian e Blair riram dele e ele bufou sem humor.
Estava para ir para a aula de Trato de Criaturas mágicas quando viu Gina na porta do Salão Principal. Ela estava de braços cruzados e olhava para ele. Mas então ela foi para dentro.
—Hum... eu já vou. – murmurou pegando a mochila.
—Onde vai? – perguntou Blair.
—Esqueci uma coisa no Salão Comunal. Eu já volto. – respondeu, mentindo deslavadamente.
Damian e Blair deram de ombros, indo em direção à saída. Rasalas correu para dentro, procurando Gina. A viu num lance de escadas. Ela o olhou, sem sorrir, e seguiu na direção oposta. Respirou fundo e subiu os degraus, dois de cada vez, atrás dela.
—Gina. Ei... –disse olhando para os lados. Um grupo de alunas da Corvinal olharam para ele, mas não ligou – Ruivinha. Espera ai. – pediu sem fôlego, correndo pelas escadas. Gina virou num corredor e ele quase derrapou, a seguindo. Quando finalmente a alcançou ela o olhou feio.
—O que você quer?
—Está zangada comigo? – perguntou confuso – Por que? O que eu fiz?
—Weasley é nosso rei. – respondeu ela, zangada.
—Eu não estava cantando aquela porcaria e eu fui contra. – retrucou cruzando os braços – Você me viu cantando aquilo, por um acaso?
—Você ia acertar Harry com aquele bastão!
—E seu irmão me acertou pelas costas! Me derrubou da vassoura!
—Você fez a mesma coisa com ele, minutos antes! – devolveu Gina.
—Gina, o que acontece no campo de quadribol, fica no campo de quadribol.
—E aquelas coisas horríveis que Malfoy falou? – perguntou ela, zangada.
—Pergunte a Harry. Eu fiquei mandando Draco calar a boca. Mas quando aquele idiota resolve falar, ele simplesmente não para!
Gina soltou um muxoxo, cruzando os braços e olhando para o lado, desviando do olhar dele.
—Seus amigos são idiotas.
Rasalas riu para ela.
—São mesmo. – murmurou ele a cariciando no queixo – Nunca neguei isso.
—Não estou com humor pra isso! – disse ela dando um tapa em sua mão, para afastá-la do rosto.
—Por que? Tá sangrando, querida? – perguntou com deboche. Gina o olhou zangada, mas ele continuou rindo com charme para ela.
—Esse seu sorrisinho não sai do seu rosto, Lestrange? – perguntou ela, fechando a cara ainda mais. Rasalas negou com o rosto.
—Nop. – riu ele a prensando contra a parede – Ele está permanentemente emoldurado no meu rosto.
—Você é um idiota, sabia? – perguntou ela, parecendo menos emburrada.
—Sabia. Vou te beijar e nem vou me dar ao trabalho de nos esconder... – ele fez uma careta – E seu irmão vai ficar furioso comigo, mas... foda-se.
Gina acabou rindo e ele soube que se resolvera com ela. A beijou nos lábios, sem se importar em se visto. Escutaram passos, mas não pararam. Algumas risadinhas, alguns cochichos, mas não ligou. Seguiu beijando a ruiva calmamente. Só parou minutos depois, terrivelmente atrasado para a aula.
—Preciso ir. – disse sorrindo.
—Já? – perguntou ela fazendo bico.
—Eu já estou muito atrasado. Você também, imagino.
—Eu tenho Binns agora. – riu ela dando de ombros – Boa aula.
—Pra você também, ruiva. – riu piscando para ela e arrumando a mochila nas costas. Caminhou apressado para o local de aula e acabou topando com a professora Umbridge.
—Senhor Lestrange! – ralhou ela. Era provavelmente o único Sonserino que ela não paparicava. Por mais que o avô fosse um homem importante, seu pai e tio estavam presos e ela parecia ter um certo desprezo por ele graças a isso – O que está fazendo aqui?
—Ouvi falar que Hagrid voltou a lecionar. Me deu preguiça de vir... mas tenho que ser responsável, né? – disse com a maior cara de pau – Não gosto do Hagrid.
—E por que não? – perguntou ela parecendo, agora, simplesmente amável.
—Ele é meio biruta. Trás um bichos perigosos para a aula. Um amigo meu quase perdeu o braço no terceiro ano. – disse sem cerimônia alguma – Eu queria mesmo é largar a matéria... as aulas da professora Grubbly-Plank são muito melhores, mas o que fazer se Dumbledore é maluco?
Ele cresceu aprendendo a falar o que as pessoas queriam ouvir. Não faria diferente com Umbridge.
—Acha que Dumbledore é maluco? – perguntou ela, encantada.
—Claro! Falando essas baboseiras sobre o Lorde das Trevas ter retornado. Fala sério. Meu avô sempre disse que Dumbledore já deveria ter se aposentado.
Umbridge sorriu completamente contente.
—E seu avô é um homem muito sensato.
—É mesmo. – concordou – É um velho amigo do Ministro.
Umbridge concordou em silêncio e ele gargalhou mentalmente por ter passado a lábia nela. Quando finalmente chegou no lugar da aula, viu que não tinha ninguém lá.
—Felizmente aquele grosseiro do Hagrid me avisou onde será a aula. Venha comigo, querido.
—Vai ser na floresta? – perguntou tenso, quando a professora continuou avançando para a orla.
—Não se preocupe, querido. Enquanto estiver comigo, nada vai te atacar.
Vai ler seu livro teórico até os bichos dormirem?
—Certo.
Caminhou ao lado da professora e logo encontrou os amigos. Fez uma careta se afastando de Umbridge e se aproximou de Damian.
—O que estamos fazendo? – perguntou olhando ao redor, sem ver bicho nenhum.
—Testrálios. Cavalos invisíveis. – respondeu Damian.
—Mas essas coisas são agourentas! – disse alarmado.
—Diz isso praquele gigante idiota. – resmungou Draco.
***
Estava se beijando com Gina, num corredor vazio. Sorrisinhos entre mordidinhas e olhares divertidos. Quando ela falou que precisava ir, ele soltou um suspiro.
—Não quero te deixar ir. – murmurou ele. Gina deu uma risadinha – Falo sério. To viciado em você, ruiva. – riu ele a beijando no pescoço.
—Você leva as garotas na lábia, Rasalas. Eu não acredito em você. – riu ela.
—Eu falo sério. – murmurou ele.
—Rasalas. Você é o maior mulherengo. – riu Gina o olhando de braços cruzados – Eu sei muito bem onde você quer chegar com essas suas histórias.
—Onde? – perguntou curioso.
—No mesmo lugar que chegou com Hermione. – respondeu Gina. Sentiu um frio na barriga. – Talvez até mais longe.
—Eu gostava de Hermione. Mas não deu certo. – ele disse simplesmente – E como você sabe até onde eu cheguei com Hermione? Ela te contou?
—Não só Hermione. Bones também me contou que você tem mãos sapecas, mas você não foi atrás dela depois que ela deixou você ser abusado demais. Você é igual a Zabini e Burke. – Ela o apertou nas bochechas – Por isso que eu não te deixo cruzar a linha comigo. Eu sei que assim que você conseguir o que quer, vai me jogar de lado.
Rasalas piscou surpreso.
—Você é especial, ruiva. – disse se recompondo, voltando a sorrir – Eu gosto pra valer de você. – a abraçou de novo colando a testa na dela – Eu falo sério.
—Gosta a que ponto? – perguntou ela.
Já estava naqueles beijos escondidos com ela há mais de um mês. O natal já estava chegando e o castelo já estava completamente enfeitado.
—A ponto de querer... – ele engoliu em seco. Céus... aquilo seria uma dor de cabeça, mas ele realmente estava gostando dela. Odiava quando Corner a olhava com desejo nas reuniões da AD. Ou Thomas... ou Smith... Morria de ciúmes, mas não podia fazer nada, pois ela era livre para fazer o que quisesse... – Gina...
—O que?
—Vamos... vamos... – ele parou, nervoso, franzindo a testa.
—Seus cabelos estão vermelhos, sabia? – perguntou ela. Rasalas passou a mão pelo cabelo.
—Ok. Você gosta de mim? – perguntou ele.
—Gosto.
—Eu gosto muito de você, então... então vamos... bem... – ele suspirou – Eu tenho que ficar de joelhos?
—Você vai me pedir em namoro ou em casamento? – riu ela achando graça.
Ele deu uma risadinha.
—Em namoro. Vamos namorar.
—Hum... deixa eu pensar. – riu ela, colocando um dedo no queixo, fazendo charme.
—Vem cá! – riu a puxando pela cintura, para beijá-la – Seu irmão vai me encher o saco.
—Esquece o Rony. – riu Gina.
—Mas eu vou conversar com ele. Eu devo isso a ele. – disse soltando um suspiro – Ele tinha me pedido pra ficar longe de você.
—Ele não vai querer conversar. – riu Gina.
—Mas eu vou tentar assim mesmo. – riu ele – Mas pra onde você ia ir agora? – perguntou curioso.
—Fazer minhas tarefas. – respondeu ela.
—Pode aguentar mais uns minutinhos? – perguntou piscando muito e fazendo bico. Era como ela o convencia a fazer qualquer coisa. Gina sorriu e concordou.
—Só mais uns minutinhos.
Sorriu para ela e concordou a beijando de novo.
Mais tarde, quando ela foi embora, ele seguiu para o corujal. Pegou um pedaço de pergaminho e mandou uma carta pro avô, pedindo dinheiro, ou uma joia, para dar para Gina. Escreveu que tinha arrumado uma namorada, que ela era puro sangue e do diretório. Por isso tinha que dar alguma coisa pra ela.
Não colocou o nome dela e deixou que seu avô tentasse descobrir quem era. Falaria para ele no natal, quando voltasse pra casa, e o avô já tivesse lhe dado a tal joia, se tivesse sorte. Ele não iria aprovar um namoro com uma Weasley. Eles eram pobres e traidores de sangue.
Amarrou a carta na perna da coruja e voltou para as masmorras. O domingo passava tão lentamente que dava preguiça. O tempo só voava quando estava com Gina. Fez uma careta quando se convenceu que era melhor estudar um pouco mais para os N.O.M.s. Draco, Damian e Blair estavam loucos com os exames.
Não era pra menos. Os professores ficavam fazendo uma enorme pressão psicológica. Se perguntou se Alhena estaria indo bem e se estava se preparando bem para os exames, que prestaria na Beauxbatons.
Entrou no salão comunal e viu Pansy dar uma risadinha. Ela andou até ele e levantou sua camisa.
—UOOU! – ralhou segurando a mão dela – Tá maluca?
—Só queria uma prévia. – riu ela.
—Prévia? Prévia de que? – perguntou franzindo a testa.
—Falta uma semana pro natal e os comensais seguem presos em Azkaban. – riu ela – Nossa escola vai adorar ver os dotes do herdeiro dos Lestrange.
Rasalas sentiu uma vertigem e procurou por Draco com os olhos. Mas não o viu.
Sentiu seu estômago dar uma cambalhota. Cacete, Lena... não me erra uma previsão agora, caramba.
Se sentou numa poltrona e pegou seus livros para estudar.
—Céus, Rasalas. Quem anda te mastigando desse jeito? – perguntou Daphne cutucando seu pescoço.
—Com ciúmes? – perguntou com um sorrisinho.
—Fala sério. – riu ela com desdém.
—Bem... foi minha namorada. – respondeu voltando a olhar para seu livro – Eu espero que ela não se importe que eu tenha que beijar Draco, caso eu perca essa aposta... – resmungou dando uma risadinha. Mas a verdade era que realmente estava preocupado com a possibilidade.
—Você está namorando? – perguntou Damian, chocado – Com quem?
—Você namorando? Só me diz que não é com Granger. – pediu Blair – Pelo amor de Merlin.
—Não. Ela é sangue puro. – respondeu calmamente, finalmente achando o capítulo do livro de História da Magia referente à revolta dos duendes.
Seus amigos trocaram olhares curiosos.
—Quem é? – perguntou Blair.
—Logo você descobre. Agora eu preciso estudar.
Seus colegas insistiram, querendo saber, mas ele não contou. Durante o jantar, ficaram olhando ao redor, apontando para garotas aleatórias com “é ela?”. Mas ninguém lembrou de apontar para Gina Weasley.
Quando terminou de jantar, se levantou e foi até a mesa da Grifinória. Cumprimentou Harry, Rony e Hermione. Sorriu com cumplicidade para Gina e então respirou fundo.
—Rony. Posso falar com você um minuto? – perguntou. Os alunos da Grifinória olharam com curiosidade e Rony o olhou confuso.
—Ok... mas... por que?
—Eu preferia falar a sós. – disse Rasalas.
Rony olhou para Harry e Hermione, que deram de ombros. O ruivo se levantou e foi para o pé das escadas com Rasalas.
—O que foi? – perguntou o garoto.
—Eu queria te pedir desculpas. – murmurou Rasalas.
—Desculpas? Pelo que? – perguntou Rony fechando a cara.
—Eu... eu meio que estou gostando da sua irmã. – respondeu fazendo careta. Rony o olhou em choque e então pareceu ficar furioso.
****
Rasalas se sentou ao lado de Gina, na mesa da Grifinória e recebeu olhares chocados. Rony sentou do seu lado, parecendo simplesmente furioso.
—Eu não acredito que fez isso pelas minhas costas! – ralhou ele para Gina, que ainda olhava assombrada para Rasalas.
—Nós tínhamos um acordo, Weasley! – bufou Rasalas pegando um copo cheio de suco gelado e colocando no rosto, gemendo de dor. Ronald bufou e cruzou os braços.
—Gina está namorando esse idiota! – reclamou o ruivo.
—O que raios você fez com ele? – perguntou Gina, chocada.
—Esse arranhadinho? Não é nada. – riu Rasalas.
—Arranhadinho? Você está com o rosto roxo! – disse Hermione, chocada.
—Bem... eu não vi meu reflexo no espelho. – disse dando de ombros.
—Rony. Você é um idiota. – ralhou Gina.
—Ele pediu para que eu batesse nele até que minha raiva passasse. E eu não bati o suficiente. – retrucou seu novo cunhado exibindo o punho machucado.
Gina o olhou furiosa e puxou Rasalas pelo braço.
—Vem, Ras, vou te levar na Ala Hospitalar.
—Ok... – murmurou sentindo o rosto doer horrivelmente.
Madame Pomfrey ficou horrorizada ao vê-lo.
—Eu caí da escada. – mentiu deslavadamente. Obviamente Madame Pomfrey não acreditou, mas o remendou em poucos minutos.
Saiu de mãos dadas com Gina, achando aquilo engraçado. Era a primeira vez que andava de mãos dadas com alguém.
—Eu não acredito que deixou Rony te bater desse jeito.
—Você vale a pena. – disse piscando para ela. Gina o olhou com um sorrisinho.
—Você é doido. Isso sim. – riu ela.
—Bem... eu mereço um beijo pelo meu esforço de me entender com o seu irmão? – perguntou sorrindo.
Gina sorriu de volta e pulou em seus braços. A beijou longamente, até que o monitor da Corvinal os flagrou e mandou que fossem para seus respectivos salões comunais. Se despediu dela e foi para as masmorras.
Pansy tinha colado um calendário do mês na parede do salão, circulando o dia 25 de Dezembro e escrevendo: beijo gay e nudismo. Estremeceu ao ver que faltavam muito poucos dias para o dia vinte e cinco.
Se sentou na poltrona, para terminar um dever de poções e depois foi para o quarto. Cruzou com Daphne no caminho.
—Parece de bom humor. – riu ela.
—Sim. Estou. – respondeu ele. Daphne virou o rosto e voltou a subir as escadas – Ei, Daph. – ela o olhou muito séria – Me desculpe por ter sido idiota com você... no ano passado. – ela o olhou chocada – Eu estava com raiva do meu avô e descontei em você... desculpe por ter te magoado... eu espero que um dia a gente volte a ser realmente amigos...
Daphne soltou um suspiro e desviou o olhar, voltando a subir as escadas. Rasalas suspirou também e foi para o dormitório. Deitou-se na cama, colocou o pijama e se deitou, olhando para o teto.
Não demorou muito a dormir.
Sonhou com aquele dia no lago, onde Daphne o beijava e acordou se sentindo culpado. Se arrumou com seus colegas e se preparou para mais uma segunda feira. Desceu para o café da manhã e olhou para cima, ansioso pelo correio.
Logo viu a coruja do avô, uma negra de olhos âmbar. Ela pousou em cima de seu prato de cereal, mas nem ligou. Pegou o pacote que estava com ela e o abriu, ansioso. Uma gargantilha de ouro branco, bem delicada, com um pequeno pingente em forma do dragão da sua família. O olho do dragão era um rubi bem pequeno, porém brilhante. Sorriu satisfeito e fechou a caixa, olhando para a carta que seu avô mandou.
“Aproveite o namoro. Quando vamos conhecer a moça?”
Rasalas deu uma risadinha e escreveu no mesmo papel.
“Se ela tiver os cabelos coloridos e tatuagens, vocês vão ser educados?” Deu outra risadinha e adicionou “Se durarmos até o verão, eu te apresento, vovô. Prometo!”
Enrolou o papel e voltou a prendê-lo na coruja. Ela o olhou um tanto ressentida por já ter que voar de novo.
—Não me olhe assim... tome. Pegue um biscoito. – disse oferecendo para ela. A coruja comeu o biscoito e bebeu um pouco do seu suco de uva. Então abriu as asas e saiu voando.
—Pra quem é essa pulseira? – perguntou Blair.
—Não é uma pulseira. É uma gargantilha. – respondeu Rasalas – E é pra minha namorada, oras. Diretório Sangue Puro tem umas regras... dar uma joia para uma namorada é uma delas.
—É mesmo? – perguntou Blair – Eu nunca dei uma joia para Daphne... – murmurou ele franzindo a testa.
—Não é pra menos que ela terminou com você. – debochou Damian. Rasalas deu uma risadinha e Blair fechou a cara, mostrando o dedo do meio para o colega.
Terminou de tomar café, colocou a caixa num bolso das vestes e foi até a mesa da Grifinória. Gina tomava café com as amigas – Lys Queen e Roxane Tyrell – quando ele chegou e a beijou no rosto.
—Olá. – disse simpático – Bom dia para as senhoritas.
—Bom dia, Rasalas. – riram as três.
—Posso sentar do seu lado, ruiva?
—Claro. Chega pro lado ai, Lys. – riu ela. Rasalas se sentou ao lado da namorada e sorriu um tanto animado.
—Tenho um presente pra você. – disse ele. Gina o olhou curiosa – Eu sei que os Weasley estão no diretório puro sangue, mas eu sei também que vocês não são exatamente muito tradicionais. – riu Rasalas. Gina o olhou com certa censura, arqueando a sobrancelha.
—Hum?
—Estou só falando, pra você não me achar exagerado... mas... é... digamos... é esperado que eu te dê uma joia, agora que estamos juntos. – explicou ele. As duas amigas de Gina deram risadinhas histéricas.
—Você está namorando o Lestrange? – perguntaram os gêmeos, ao mesmo tempo. Gina concordou em silêncio – Por isso o Roniquinho bateu nele.
Rasalas corou de leve, mas revirou os olhos.
—O que você tem ai? – perguntou Gina, curiosa.
—Então... eu não sei se você vai querer usar... – murmurou ele – Mas eu ficaria muito feliz se quisesse. – Ele pegou a caixa e entregou para ela.
Gina abriu a caixa e abriu a boca, em choque.
—Está falando sério?
—É muito exagerado? – perguntou ele, realmente preocupado.
—Não é isso! – riu Gina, olhando a joia. Ela sorriu contente – Ah, Ras... é lindo... eu... eu nunca tinha... – ela engoliu em seco e ele sorriu – Eu nunca ganhei algo como...
—Posso colocar em você? – perguntou.
—Ok... – respondeu ela.
Gina ficou de costas e levantou o cabelo. A beijou no pescoço e então prendeu a gargantilha. Depois pegou a varinha e conjurou um espelho para ela.
—Olhe. – disse oferecendo o espelho. Ela olhou o próprio reflexo e suspirou.
—Ah, Ras... é lindo. – murmurou ela. Os dois olharam um para o outro e colaram as testas.
—Fico feliz que tenha gostado. – sussurrou contente – Vamos no lago, depois do almoço? Pra passar um tempo juntos?
—Ok. – sorriu ela.
Rasalas piscou para ela e se levantou. Pegou uma maçã que tinha ali e acenou para os gêmeos. Apertou a bochecha de Hermione, de leve e acenou com a cabeça para Harry e Ronald. Então voltou para a mesa da Sonserina.
Se sentou entre Blair e Damian e escutou os dois bufarem.
—Me julguem, ok? – resmungou.
—Não se preocupe. Estamos julgando. – ralhou Blair.
—Pelo menos é melhor do que Granger. – resmungou Damian.
Olhou para Draco, Vince e Greg. Os três olhavam feio.
—E então, Draco. Como você vai se sentir quando beijar a boca que está beijando Weasley? – provocou Pansy. O garoto fez uma careta.
—O natal ainda não chegou, Parkinson. – rosnou Draco – E eu espero que o Rasalas te mande beijar o Filch. – resmungou o loiro. Rasalas deu uma risadinha e Draco se inclinou para murmurar – Você tinha razão. Ela É um pesadelo.
****
Dia vinte e três de Dezembro. Draco olhava horrorizado para o profeta diário. Nada sobre alguma fuga em massa em Azkaban.
—Isso não pode estar acontecendo! – resmungou Draco – Eu não quero beijar você, Rasalas.
—Você é um idiota, Malfoy. – lamentou Rasalas também folheando sua cópia do Profeta Diário – Por que raios foi inventar de falar que iria me beijar? – ralhou o garoto verdadeiramente preocupado.
—Eu não achei que a gente fosse perder essa aposta, oras! – resmungou Draco rasgando o jornal – Será que já aconteceu e Fudge está acobertando?
—Isso é bem possível. Ele não está controlando a escola? – perguntou Rasalas desistindo do seu exemplar do jornal – Cada dia com uma lei nova e ridícula?
—E se Fudge acobertar e a notícia só vazar no ano que vem? – perguntou Draco em pânico, enquanto Blair e Pansy caíam na gargalhada.
—Puta que o pariu. – resmungou Rasalas bagunçando os próprios cabelos – Eu não quero sair por ai, me exibindo desse jeito.
—Eu devo confessar que não seja algo que eu estou esperando por ver, mas... – Damian se abaixou e tirou uma coisa preta, que parecia uma câmera fotográfica, só que maior, da mochila – Mas eu vou gravar isso para a posteridade. Encomendei isso aqui com o meu pai. É baseado em tecnologia trouxa. É tipo uma foto, mas ela captura um tempo maior.
—Você não vai fazer isso! – ralhou Rasalas.
—É claro que eu vou fazer isso. – riu Damian com um sorrisinho, apontando a câmera para ele.
—Acho que vou me matricular em Durmstrang, antes do natal. – lamentou Draco.
—Eu não acredito que ainda dê tempo, Draco. – riu Blair.
—Eu só me ferro por sua causa, Draco! – ralhou Rasalas.
—Foi você quem inventou essa aposta! – resmungou Draco.
—Sim! Mas você quem falou em beijo! Por que não quis pular pelado no lago? Ou sei lá... qualquer coisa que não envolvesse eu e você e amassos? Você ainda apostou que seria beijo de LÍNGUA!
Draco parecia prestes a vomitar.
—Eu realmente preciso aprender a colocar limites nas minhas brincadeiras.
—Ah, vá! – resmungou Rasalas, enquanto seus amigos gargalhavam de seu pânico e o de Draco.
*****
Beco Diagonal
Toca de Otbat
O homem entrou na loja, olhando as joias com curiosidade. O rosto encovado, o cabelo castanho avermelhado, cheio de fios brancos... tão magro que parecia uma caveira viva. A pele estava pálida, como se não tomasse sol há anos. A única coisa que parecia viva nele eram os olhos prateados, que pareciam brilhar sob o capuz negro.
A mão ossuda dele apontou para uma peça e ela pegou para ele.
—Uma excelente escolha, senhor. – disse de maneira mecânica – Uma joia única.
—Fale-me sobre ela. – pediu o homem com uma voz rouca.
—Ouro branco de 18 quilates. Tem 273 diamantes em talhe de brilhante, 30 esmeraldas em corte oval, 15 esmeraldas redondas, 17 turmalinas verde-menta em forma oval, 12 turmalinas, verde-menta, redondas, 19 granadas verdes, em corte oval, 11 granadas verdes, redondas, 10 águas-marinhas, em corte oval, quatro águas-marinhas redondas e uma esmeralda em forma de coração no centro da flor que está no meio da peça. – explicou tranquilamente – É uma peça magnífica. É para sua esposa?
—Para minha filha. – respondeu o homem – Eu prometi que compraria um presente de natal para ela, quando voltasse para Londres.
—Tenho certeza de que ela ficará satisfeita. – disse a mulher, calmamente.
—Espero que sim... Vai combinar com os olhos dela. Ela tem olhos verdes, iguais aos da mãe. – murmurou ele, roucamente, analisando o colar com os dedos longos. A pele dele estava muito ressequida e feia. Os dentes dele estavam um tanto podres também – Vou levar. Tem alguém para ir até meu cofre? – perguntou ele.
—Claro. Preciso da chave e de um nome.
—Sem nomes. Te darei a chave e alguns galeões a mais. – murmurou ele.
A mulher piscou, mas deu de ombros. Não seria o primeiro a pedir isso.
—Não vai perguntar o preço, senhor? É uma joia um tanto cara. – disse com um tom seco. Ele não parecia ser um homem rico. Estava vestindo uma túnica velha e suja de lama e sua aparência não era das melhores.
—Eu tenho dinheiro. Não se preocupe. Me dê um papel para que eu anote o número do cofre. – respondeu ele secamente.
Ela não argumentou. Caminhou até o balcão. Pegou um pergaminho, tinta e pena. Depois fez um recibo, dizendo quanto dinheiro deveria ser transferido para o cofre da loja. Guardou o recibo dentro de uma caixa de laca e então foi até o homem. Ele colocou uma chave de ouro, grande e pesada, dentro da caixa. Ela fechou a caixa e imaginou que ele deveria ser um rico excêntrico.
Chamou o elfo da loja e ele foi para o Gringotes, realizar a transação.
—O senhor aceita um chá? Ou talvez um café? – perguntou ela.
—Eu gostaria de um chocolate quente, se tiver. – murmurou ele se abraçando melhor na própria capa.
—Sim. Como quiser.
O homem colocou a mão dentro das vestes e tirou alguns galeões de lá de dentro e jogou para ela. Agradeceu discretamente e guardou no próprio bolso. Foi para o interior da loja e pegou uma garrafa cheia de chocolate quente. Encheu uma xícara e voltou para junto do cliente.
A neve caía pesadamente lá fora. O homem olhava parecendo hipnotizado pelo mau tempo.
—Está realmente muito frio. – murmurou ela.
—Sim. – respondeu ele, simplesmente – Mas não tão frio.
Ela lhe ofereceu o chocolate. Ele agradeceu e bebericou aos poucos.
—Mais alguma coisa, senhor?
—Não. Estou bem. – respondeu ele, simplesmente.
Os minutos passaram lentamente e logo o elfo voltou com um documento do Gringotes, confirmando a transação. Devolveu a chave do homem, que a guardou novamente em um bolso da capa. Ela colocou o colar numa caixa bonita e a entregou para o homem.
—Aqui está, senhor. Volte sempre.
—Obrigado... – suspirou ele abrindo a caixa para olhar o colar novamente – Alhena vai ficar contente... espero.
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