Legado Lestrange

19 Verdades à Mesa


Notas iniciais
Gente... Muito obrigada pelos comentários! Eu demorei pra postar, porque eu saí e só voltei agora! Mas tudo bem, né? Esse capítulo é muito tenso. Mas eu espero que vocês gostem! Beijos!

Hogwarts

23 de Dezembro

—Onde está Gina? – perguntou Rasalas, se sentando na mesa da Grifinória, soltando um bocejo. Então olhou ao redor e notou que faltavam muitas cabeças vermelhas por ali – Onde estão os Weasley?

—Eu não sei. – respondeu Hermione – Parece que Harry teve uma visão sobre o pai do Rony... então a professora Minerva acordou todos eles e eles foram embora.

—Oh, o Harry é vidente também? – perguntou Rasalas pegando uma torrada – Não sabia.

—Ele não é vidente... não que eu saiba. – murmurou Hermione – Como você está?

—Bem... preocupado. Graças a minha irmã, eu estou perdendo uma aposta e terei que ser humilhado em público. – resmungou ele.

—Que aposta?

—Eu vou ter que correr pelado pelas masmorras e ainda beijar Malfoy. – resmungou – Então, se possível, me mate agora. – resmungou ele deitando a cabeça na mesa, ignorando a vã tentativa de Hermione de não rir.

—O que você apostou? – perguntou ela.

Rasalas soltou um suspiro.

—Minha irmã é uma vidente, sabe? – perguntou ele. Hermione o olhou um tanto cética – E ela nunca tinha errado numa previsão... nunca mesmo. – ele suspirou – E ela previu que os comensais de morte seriam libertados, ou fugiriam, antes do natal... – Hermione o olhou horrorizada – E eu meio que apostei que isso iria acontecer... e agora eu vou ser publicamente humilhado... isso é que dá abusar do dom alheio.

—Rasalas! Isso é muito sério! – disse Hermione.

—Isso é muito óbvio. – retrucou ele – Minha mãe disse que todos os que apoiam Dumbledore estão esperando por isso. E não há o que ser feito. Eles não podem ficar vigiando Azkaban, sabe?

Hermione mordiscou o próprio lábio, nervosa.

—Mas... mesmo assim...

Ela foi interrompida pelos sons de asas. Rasalas juntou as mãos, orando.

—Meu Santo Merlin. Matéria de capa, fuga em massa... por favor, por favor. – resmungou ele.

Viu sua coruja voar até a mesa da Sonserina e depois voar em círculos. Em seguida ela começou a voar até ele.

—Desculpe, Ras... mas a matéria de capa é sobre a crise dos tapetes mágicos. – riu Hermione, pegando seu exemplar do profeta diário.

—Ah. Puta que o pariu. – lamentou ele desgostoso. Sua coruja pousou na sua frente – Olá, Simarilion. – murmurou desanimado. Ele trazia um pacote, além do jornal. Pegou o pacote, se perguntando o que seria. Abriu curioso, notando que era bem pesado. Logo viu que era uma garrafa de Whisky de Fogo. – Eita!

—Isso é proibido aqui na escola! – ralhou Hermione – Eu sou monitora, Rasalas. Eu não posso permitir que você...

—Espera. Espera. – disse Rasalas olhando o cartão – Beberemos juntos em breve, meu filho. Com amor... – ele fez uma pausa sorrindo – Rabastan Lestrange... – Hermione o olhou horrorizada, mas ele levantou vibrando – DRACO! ESTAMOS SALVOS! ESTAMOS SALVOS!

—Rasalas, volte aqui! – ralhou Hermione, mas Rasalas já tinha levantado às pressas para correr de volta para a mesa da Sonserina.

Draco estava com cara de enterro e quando viu Rasalas vir correndo, pulando de alegria, ele se levantou, esperançoso.

—Fugiu?

—Fugiu! – respondeu Rasalas mostrando o cartão.

—AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!

—Pera! Pera! – disse Blair, parecendo desconfortável – O que é isso ai?

—É um presente do meu pai! – disse Rasalas mostrando o cartão.

—Nada disso. Prove! – disse Blair, enquanto Draco e Damian caiam na gargalhada.

—Aqui está. É a assinatura dele. – riu Rasalas.

—Isso pode ser falso. Não vou acreditar nisso. – disse Blair, em pânico.

—Tem um jeito simples de ver isso. – riu Draco – Só olhar o livro do ano que ele se formou. – riu o loiro, empolgado – Na biblioteca.

—Vamos lá! – disse Rasalas, afoito.

—Vamos! – riu Draco, animado. Pansy estava chegando com Daphne e Emília e viu os dois comemorarem. Depois olhou para a cara de Blair e pareceu preocupada – Você vem, Pansy? Mas é melhor ir se preparando para ser apalpada, heim?

—Do que estão falando? – perguntou ela olhando hesitante para eles.

—O pai do Rasalas escreveu para ele. Vamos só conferir se é a assinatura dele mesmo.

O grupo foi marchando até a biblioteca. Draco, que era quem mais estava acostumado a pegar livros emprestados, foi procurar o tal livro do ano. Pansy e Blair pareciam doentes de preocupação.

Quando Draco voltou, ele parecia estar dando pulinhos de alegria. Ele apareceu com o livro, com um bonito 1978 escrito em letras douradas na capa.

—Deixa eu ver. – pediu Rasalas – Foi meu pai quem nos salvou. Então eu quem devo comparar as assinaturas, ok? – perguntou Rasalas.

—Ok. Ok. – riu Draco entregando o livro.

A parte da Sonserina era a última, então ele pulou as páginas vermelhas, amarelas e azuis, indo direto para as verdes. Encontrou uma foto do professor Snape, quando ele era novo e viu a assinatura dele, com o desejo que ele tinha para o futuro: “Conseguir o perdão da pessoa que eu amo”. O grupo deu uma risadinha, mas logo se concentraram no que queriam.

Rabastan Lestrange.

E lá estava. A mesma assinatura.

—É VERDADEIRA! – gritou Draco, fazendo Madame Pince olhar furiosa para ele – Olha! É igual! – riu ele aliviado.

Mas Rasalas estava lendo o que seu pai tinha escrito.

“Ter Rasalas e Alhena um dia... com E.V.”

Sorriu contente, sentindo um calor no peito. Mirou a garrafa que tinha ganhado e sorriu novamente, ansiando pelo dia em que beberiam juntos. Por um momento se permitiu esquecer que seu pai era um assassino procurado. Por um momento se permitiu ser aquele menino no balanço, em frente de casa, apenas desejando um pai.

**

Rasalas ficou surpreso por poder passar o natal com sua mãe. O ano novo seria com o avô. Chegou em casa se sentindo moído pela viagem de trem, mas simplesmente contente. Sua mãe o mandou tomar banho e se arrumar, pois eles iriam sair. Nem prestou muita atenção no jeito tristonho dela. Só concordou sem reclamar. Entrou em seu quarto e viu Alhena ali, com uma cara de poucos amigos.

Mas o que o impressionou era o quanto ela estava magra. Mas não um magro bonito, como Daphne e Astoria. Mas um magro feio e doentio, onde podia contar os ossos dela.

—Meu Deus, Lena... – murmurou ele, olhando para ela, simplesmente chocado – O que aconteceu com você?

Alhena não respondeu, virando o rosto com infelicidade.

—Nada aconteceu, por que?

—Porque você está parecendo uma versão loira da tia Bellatrix. – respondeu chocado. Não estava mentindo. Alhena se abraçou tristemente.

—Até parece... eu ainda estou gorda.

—Gorda? Aonde você está gorda? – largou suas coisas no chão e correu até a irmã, a segurando no rosto, fazendo com que ela o olhasse. O rosto dela estava encovado de maneira horrível. Sentiu um peso horrível no peito – Meu Merlin, mana... o que você está fazendo a si mesma? – perguntou horrorizado. A puxou e a abraçou apertado, sentindo apenas os ossos dela – Você precisa parar com isso, Lena. Você exagerou... exagerou...

—Pare de falar isso! – ralhou ela.

—Não paro! – disse ele a soltando e a olhando nos olhos – Alhena. Você está doente!

—Eu não estou! Não comece você também. – chorou ela se levantando. Céus. Ela estava tão magra. Assustadoramente magra. Parecia que partiria ao meio a qualquer momento – O vovô, a vovó... madame Máxime, a mamãe. Nenhum de vocês entende! Eu só preciso perder mais uns quilinhos e vou ficar satisfeita...

—Lena. Você vai morrer se continuar assim.

—Não seja bobo. Eu estou bem. – disse ela se olhando tristemente no espelho.

—Alhena... por favor. – Rasalas se sentia tão desesperado que seus olhos encheram-se de água – Meu deus... Lena... você não vê o que você... você está horrível. Está magra demais.

—Daphne é magra e todos acham ela bonita! Deshayes é magra também e todo mundo a acha linda. Eu preciso ficar magra também!

—Lena! Você... com quantos quilos você está? – perguntou ele.

—Alhena. – murmurou a mãe deles, entrando no quarto.

—Mãe... – murmurou Rasalas chocado – A gente precisa fazer alguma coisa. Olhe pra ela! Olhe pra ela!

Já não conseguia não chorar. Estava num pânico enorme. Doía ver a irmã daquele jeito. Sua mãe também parecia prestes a cair no choro.

—Afe. Parem com isso! Estão fazendo tempestade em um copo d’água! – ralhou Alhena – Me deixem em paz.

—Alhena. – murmurou sua mãe, novamente – Eu e seu avô conversamos. Nós tínhamos um acordo e você não cumpriu. – Alhena olhou chocada para a mãe. Rasalas olhou de uma para a outra, sem entender – Você não vai voltar para Beauxbatons.

—Vocês não podem fazer isso! – disse desesperada – Esse ano eu preciso fazer os N.O.M.s! Não podem me proibir de estudar!

—Não. Nós não vamos te proibir de estudar. – murmurou sua mãe, calmamente – Você vai estudar em casa, onde nós vamos ficar de olho em você. E se você continuar se destruindo... – sua mãe fechou os olhos, como se pedisse forças – Nós vamos internar você numa instituição competente.

—NÃO! – gritou ela – Eu não vou sair da escola! Eu não vou! Não vou!

—Se você recuperar o peso... – continuou a mãe – Você voltará para Hogwarts, onde Rasalas vai continuar de olho em você. E caso ele sequer desconfie que você está vomitando de novo, ou fazendo essas dietas irresponsáveis...

—ISSO NÃO É JUSTO! – gritou Alhena, chorando de raiva.

—... ele vai me contar e você vai voltar a estudar em casa. – continuou a mãe, ainda de olhos fechados – E esse assunto está terminado. Se arrumem, porque nós vamos sair. – ela por fim abriu os olhos e caminhou até o próprio quarto.

Alhena se jogou na própria cama, chorando de raiva.

Rasalas a olhou completamente desconcertado. Assustado.

—Eu vou ficar gorda de novo e todos vão fazer piada de mim novamente. – choramingou ela.

—Damian nunca fez piada de você... – murmurou Rasalas.

—Mas ele transou com a Mona... só porque ela é mais magra e bonita que eu...

—Não. Ele transou com ela porque ele foi idiota e ela o enganou. Só por isso. – retrucou Rasalas – Lena... por favor... por mim... – ele caminhou até a irmã e se ajoelhou aos pés dela – Não faz isso. Pare de achar que você é feia... que é gorda. Você estava tão linda no verão... tão linda... o Draco passou o ano inteiro falando que queria beijar você... o Damian passou o ano todo arrependido por ter se deixado enganar pela Deshayes... Mas olha só pra você agora... – ele soltou um suspiro – Parece que você fugiu de Azkaban!

—Não seja dramático, Rasalas e pare de inventar história. – resmungou Alhena. Rasalas pegou as mãos dela. – Até parece que...

—Não... não estou inventando... maninha, por favor... por favor... – ele sentiu uma lágrima descer pelo seu rosto – Você precisa comer direito. E não pode mais vomitar. Me promete, por favor.

—Não vou prometer isso.

—Alhena, por favor, Lena. – chorou ele segurando as mãos dela – Você é minha irmã. Minha irmãzinha... Lena. – ele deitou a cabeça no colo dela, assustado, amedrontado. – Por favor, Lena... me promete, por favor... não faz mais isso consigo mesma.

Alhena não respondeu, mas a escutou fungar. Levantou a cabeça para olhá-la e viu que ela chorava também. Se levantou e a abraçou apertado. Logo ela devolveu o abraço.

—Desculpe, Ras... – murmurou ela – Não fique assim, por favor...

—Eu te amo tanto, Lena... não se mate desse jeito.

Alhena disparou a chorar de verdade ao ouvir aquilo. A abraçou com mais força, sentindo muito medo. Muito medo da irmã acabar morrendo de fome... ficar fraca demais a ponto de seu corpo simplesmente parar de funcionar. Se alguém, algum dia, chamasse sua irmã de gorda novamente, iria pagar caro... apertou o abraço ainda mais e sentiu Alhena perder a força dos joelhos. A segurou assustado e notou que ela simplesmente tinha desmaiado. Ela estava tão leve. Tão assustadoramente leve.

—MÃE! MÃE! ME AJUDE! ME AJUDE! – gritou assustado.

*

Sua mãe chorava em seu ombro, completamente arrasada. Seu avô e sua avó olhavam a porta do quarto de Alhena, com tanto pesar que parecia que ela tinha morrido. Seu avô soltou um suspiro e então começou a chorar em silêncio.

—Foi culpa minha, Eda... foi culpa minha... eu sempre reclamei do peso dela... sempre... o que eu fiz? – murmurou ele, olhando arrasado para a porta – Eu condenei nossa neta... eu fiz Rodolfo casar com aquela mulher maluca, eu proibi Rabastan de casar com a mãe dos meus netos... e agora eu quase matei nossa a neta...

—Não fale essas coisas, Rodolfo. – chorou sua avó.

—Eu sou podre. Eu destruo tudo o que eu toco, meu Merlin. – seu avô se sentou num banco e arfou de verdade – O que eu fiz com a minha netinha, Eda? Foi culpa minha! Tudo culpa minha!

Rasalas abraçou ainda mais a mãe.

—A culpa é minha. – murmurou sua mãe – Eu nunca consegui brigar com ela de verdade... Alhena sempre foi minha melhor amiga e eu tinha tanto medo de brigar come ela... – sua mãe sacudiu a cabeça num choro sentido – Meu deus... eu sempre dei um exemplo tão errado. É tudo culpa minha. É tudo culpa minha...

—Eu nunca devia ter mandado Alhena pra Beauxbatons. – murmurou sua avó.

Rasalas fungou, sabendo que seu rosto deveria estar muito inchado.

—Rasalas? – levantou o olhar e viu Gina. baixou a cabeça, completamente envergonhado. Estava um caco, com o rosto vermelho e inchado por conta do choro. Por que raios Gina tinha que estar ali? – O que você está fazendo aqui?

—Minha irmã... – murmurou tristemente, sem deixar de abraçar a mãe – Ela está doente. Está internada.

—O que ela tem? – perguntou Gina se sentando ao seu lado. Ela olhou para a mãe dele – Eu sinto muito, Valentine.

—Você conhece a minha mãe? – perguntou Rasalas.

—Sim... – murmurou Gina – O que sua irmã tem?

Rasalas respirou fundo.

—Ela estava tão desesperada para emagrecer, que começou a vomitar tudo o que comia... agora ficou doente. Está muito fraca. O curandeiro disse que ela pode até perder a magia.

Gina o olhou chocada.

—Eu... eu realmente sinto muito. – murmurou Gina. Sentiu a namorada o abraçar e se permitiu soltar a mãe e ser confortado. Afundou o rosto nos cabelos dela, preocupado com a irmã.

—Ela está tão magra, Gina... parece uma caveira... – chorou Rasalas – E se ela morrer, Gina? Ela é minha irmã... minha irmãzinha!

Gina o abraçou com força.

—Alhena é muito forte, Ras. Eu tenho certeza de que ela não vai morrer, ok? – perguntou ela o beijando na testa.

—Você não viu... você não viu...

—Fique calmo, meu amor... – fungou sua mãe... – Sua irmã vai ficar bem. Eu tenho certeza que vai.

Mas Rasalas estava completamente amedrontado. Uma coisa era não estudar com a irmã... não tê-la ali todos os dias... outra coisa era não ter Alhena, nunca mais.

Os minutos passaram e logo outras pessoas apareceram. Ronald apareceu para avisar que já estavam indo, mas ao ver Rasalas, perguntou o que houve. Logo apareceram Harry, os gêmeos Weasley, a mãe de Gina, o pai dela, que estava muito ferido, pois aparentemente tinha tido um acidente de trabalho... por último apareceu Lupin. Ele abraçou sua mãe e depois o abraçou tão apertado que Rasalas se sentiu um simples garotinho assustado.

—Não se preocupe, sua irmã vai ficar bem. Eu tenho certeza que vai. – prometeu Lupin o abraçando de maneira muito paternal. Não conseguiu soltá-lo. Ficou com o rosto escondido no peito dele, soluçando, ainda assustado. Por que a droga do curandeiro não aparecia logo? Para dizer que sua irmã estava bem? Para falar que poderiam comemorar o natal?

E a cada minuto que passava, Rasalas ficava ainda mais amedrontado, abraçado a Lupin, se sentindo simplesmente egoísta por não estar confortando a mãe.

Quando o curandeiro finalmente apareceu, soltou-se de Lupin e o olhou ansioso.

—Senhora Lestrange. – murmurou ele para sua mãe. Ela nem reclamou – Estabilizamos sua filha. – explicou ele – Ela está com o esôfago bem danificado. Ela vai ter que tomar poções diariamente para reverter o caso... além de poções essenciais, para ajudar a magia fluir. Ela tem um irmão gêmeo, não é?

—Sou eu. – disse se adiantando.

—Seria melhor se fosse irmã, mas vamos ter que usar você mesmo. – disse o médico – Vamos usar você para a poção essencial... mas o principal não são apenas as poções. Ela precisa de ajuda para colocar a mente no lugar.

—Sim. Nós já tínhamos decidido isso. – murmurou o avô, que parecia mais velho do que nunca – Mas se o senhor puder indicar alguém...

—Tem mais uma coisa... – murmurou o médico – A paciente vai ter que tomar muitas poções essenciais... elas são bem caras e...

—Eu pago. Eu pago o que for. Eu pago qualquer coisa. Eu vendo a minha casa, eu vendo tudo o que eu tenho... só ajude a minha netinha. – murmurou seu avô, desesperado.

—Nós temos muito dinheiro, senhor. – garantiu a avó – Nós vamos arcar com todas as despesas.

O curandeiro concordou.

—Eu acho que ela vai ficar bem... só vai precisar de muito apoio da família e dos amigos.

—Ela vai ter que passar a noite aqui? – perguntou sua mãe.

—Não. É natal, afinal... leve sua filha pra casa. Ela está acordada...

Rasalas passou correndo por ele e entrou no quarto. Alhena parecia mais fraca do que antes. Ela o olhou e sorriu timidamente. Correu até ela, para segurar sua mão e a beijou na testa repetidas vezes.

—Não me deixe, Lena. Não me deixe nunca. – pediu para ela.

Mas ela não respondeu.

**

Foi uma confusão, pois o avô queria que Lena fosse para a casa dele. Mas a mãe o convenceu de que Lena preferiria ficar com ela no feriado.

—Prometo que ela volta para sua casa no dia vinte e seis, Sr. Lestrange. Vá pra casa e descanse, por favor. – disse sua mãe de maneira estranhamente amável.

Do Mungus foram para uma casa estranha. Ela estava protegida pelo feitiço do fiel segredo, diga-se de passagem. Quando Gina explicou que ali era a Sede da Ordem da Fênix, levou um susto.

Sua mãe estava na Ordem da Fênix? Quando o mundo perdera o sentido?

Mas ao menos poderia passar o feriado com Gina e sua irmã, que parecia absurdamente infeliz e constrangida.

Conheceram Sirius Black lá. Ele era mesmo inocente, aparentemente. Um homem de cabelos compridos, levemente ondulados, com uma barba legal e calorosos olhos azuis. Ele era muito divertido e falava as melhores piadas. Parecia simplesmente feliz por ter a casa cheia de gente.

Sua mãe ficou de olho em Alhena, para que ela comesse direito.

—Comida leve, aos poucos, querida.

—Mãe, não estou com fome. – resmungou Lena.

—Mas tem que fazer um esforço, meu amor. – pediu sua mãe.

—Come tudo, Lena. Por favor. – pediu Rasalas. A irmã suspirou e concordou a contra gosto, mas parecia que fazia um tremendo esforço. Quando terminou o prato parecia simplesmente exausta.

Depois de jantar, ela foi dormir no quarto de visitas e Olho Tonto (o verdadeiro) falou que ficaria de olho nela, caso ela tentasse vomitar de novo.

Só depois que a irmã realmente dormiu, que se permitiu curtir a ceia de natal. Sua mãe ficou de papo com Lupin e Sirius e ele beijou Gina carinhosamente na testa, agradecendo pela força.

—É mesmo! Mamãe! Nós não contamos a novidade! – riu um dos gêmeos, logo depois que ele fez isso – Você sabia que a Gina e o Rasalas estão namorando?

Sentiu-se completamente embaraçado e olhou feio para o gêmeo.

—Céus. Temos outro Weasley aqui. – riu Sirius apontando para os cabelos – Ele é metamorfomago também. Que legal.

—Isso é verdade, Gina? – perguntou a Sra. Weasley.

Rasalas soltou um suspiro e se levantou, para cumprimentar os sogros.

—Me desculpe... eu nem tive tempo de falar com vocês... eu estava tão... – começou tentando se desculpar, mas a Sra. Weasley o puxou para beijá-lo na testa.

—Oh, meu bem. Não se preocupe com isso! – disse ela – Mas que lindo seu namoradinho, Gina.

Gina fez uma careta, finalmente corando, e o olhou constrangida.

Rasalas apertou a mão do Sr. Weasley, ainda constrangido. Só então se sentou ao lado da namorada. Ficou de mãos dadas com ela, pois seria a única coisa que teria coragem de fazer, estando cercado por tantos cabelos ruivos.

Sirius insistiu para que dormissem ali. Sua mãe não quis aceitar de início, mas acabou cedendo. Por isso acabou dormindo no sofá.

Não ligou, na verdade. Sua mãe dormia com Lena, então sabia que a irmã não ficaria sozinha. Se lembrou do terceiro ano, quando precisou enfrentar o bicho papão, na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Lembrava que ele tinha se transformado nas várias bolhas da Sala das Bolhas, na casa do avô. Mas apesar de todas as bolhas, nunca via a sua, pois seu medo era nunca se tornar um verdadeiro Lestrange... ser apenas um nome esquecido, como seu pai se tornara...

Mas agora tinha certeza de que o bicho papão viraria algo muito mais assustador. Sua irmã, magra de maneira doentia, imóvel, sem respirar, no chão. Fechou os olhos, querendo não pensar nisso. Sempre achou que Alhena era intocável. Ela era sangue puro, simplesmente boazinha com todo mundo. Ninguém nunca desejaria o mal dela a ponto de realmente fazer algo perigoso...

Mas agora via que uma coisa, muito mais perigosa do que comensais de morte ou Lorde das Trevas, ameaçar a irmã. Algo que crescera dentro dela, durante anos, como um verme... se alimentado dela, de suas incertezas, seus medos e inseguranças... algo que a envenenou por dentro...

Aquelas piadinhas estúpidas que seus amigos faziam. Sempre tirando sarro de seu peso. Ele mesmo fazia, vez ou outra. A apertava na barriga, apenas para implicar... as cobranças do avô, para que ela emagrecesse... e até mesmo o descaso dos amigos por ela não estar no padrão... tudo isso se transformou num dementador pessoal dela.

Nunca mais deixaria alguém implicar com sua irmã. Quebraria qualquer um que fizesse qualquer comentário maldoso.

Respirou fundo tentando dormir. Estava exausto, mas o sono simplesmente não veio. Por isso ficou olhando o teto, simplesmente preocupado, até o sol nascer.

***

Quando Sirius levantou, cantarolando musiquinhas de natal, cruzou com o filho de Emms. O garoto estava deitado no sofá, com terríveis olheiras, um ar cansado, olhando para o teto, parecendo triste e preocupado.

Soltou um suspiro e caminhou até ele, pegando uma varinha de alcaçuz que estava pendurada em uma meia na parede. Se sentou ao lado do garoto, numa poltrona, e ofereceu o doce pra ele.

—Não. Obrigado. – murmurou ele.

—Conseguiu dormir? – perguntou com simpatia. O rapaz apenas negou com a cabeça. Os cabelos dele estavam num castanho escuro, quase preto. Se perguntou o porquê. Ele ficava mais parecido com o pai dele, quando ficava com os cabelos escuros. Já tinham os olhos da mesma cor e o jeito sério era exatamente o de Rabastan. Alhena era mais parecida com Emms – Sua irmã vai ficar bem.

O garoto apenas concordou com a cabeça.

—Eu espero que sim.

Sirius coçou o queixo e suspirou.

—Você se parece com o seu pai. – murmurou sem jeito. Rasalas suspirou e se sentou, passando a mão pelos cabelos, agora ainda mais escuros.

—Obrigado. – ele soltou um suspiro – Você o conheceu? Quando ele era da minha idade?

—Sim. Ele era um idiota. – respondeu sem hesitar. Rasalas se permitiu um sorrisinho.

—Eu sou bastante idiota. – disse dando de ombros.

—Mas sua mãe gostava dele. – disse Sirius – Frank vivia reclamando que ela só andava com o Lestrange. Frank e sua mãe eram melhores amigos... bem... e Dorcas Meadowes também. Elas eram como irmãs.

—Frank?

—Longbottom. – respondeu Sirius – Ele era um cara muito legal. Sua mãe não era muito dedicada aos estudos e ele era o cara mais nerd da escola, apesar de ser bem popular também. Todo mundo gostava muito dele. Ele sempre estava tentando convencer sua mãe a estudar mais, mas ela não dava muita bola. – riu Sirius.

Rasalas deu um sorrisinho desdenhoso.

—Neville Longbottom é um fiasco como bruxo. – disse dando de ombros – Frank deve estar se revirando no túmulo.

—Acho que não. – murmurou Sirius olhando Rasalas com um pouco de censura – Desde que o filho se tornasse uma boa pessoa, ele ficaria feliz.

Rasalas deu de ombros. E então soltou um suspiro.

—Eu fiquei bem envergonhado... ao saber que meu pai... fez aquilo com os Longbottom... – murmurou Rasalas – Não sabia como encarar o Neville e entendi o porquê dele sempre parecer ter medo de mim. – Rasalas soltou um suspiro – Eu não sou como meu pai. – o garoto coçou os olhos – Mas eu gosto muito dele... apesar de tudo... eu devo ter algum problema...

Sirius soltou um suspiro.

—Eu odiava meu pai. – disse sem mentir – Mas quando alguém falava mal dele pra mim, eu ficava furioso. Uma vez, quando eu tinha quinze anos, os aurores bateram na nossa porta, procurando por Bellatrix. Meu pai os expulsou daqui e um dos aurores tentou azará-lo. Lutei com unhas e dentes para derrubar o auror e meu pai pareceu absurdamente orgulhoso de mim... – Sirius deu um suspiro se lembrando daquele dia – Acho que foi o único natal em que parecemos uma família de verdade...

—Deve ter sido difícil, não é? Pra você? Viver aqui, sendo diferente? – Rasalas soltou um suspiro – Eu sempre me adaptei bem... às regras do meu avô... mas Lena... ela sempre sofreu muito... eu tentava ajudá-la, protegê-la... mas... – ele estralou os dedos das mãos, encarando o chão – Eu ficava falando que ela tinha que ser outra pessoa... que tinha que aprender a mentir, para sobreviver, sabe? – o garoto deu uma risadinha sarcástica – Ela aprendeu bem... tanto é que ninguém desconfiou que era mentira que ela emagreceu apenas com os exercícios e alimentação saudável... ela está doente há anos e ninguém notou... ninguém... nem eu. O irmão dela. – ele fechou os olhos – Crescemos juntos, mas eu não vi... eu não notei...

—Não se sinta culpado, Rasalas. – murmurou Sirius, sabendo exatamente o que ele queria dizer – Eu sei como é... eu me senti exatamente assim quando descobri que meu irmãozinho tinha virado um comensal de morte. – Rasalas levantou o olhar para ele, surpreso – Eu e Régulus não éramos exatamente amigos, mas... eu nunca imaginei que aquele garoto gentil e tímido iria se tornar um comensal... Ele era tão pequeno... tão bobo... não conseguia encarar as pessoas ao conversar com elas. Parecia ter medo da própria sombra... um garoto inseguro... e mesmo assim... um comensal de morte.

Rasalas respirou fundo.

—Acho que nunca conhecemos as pessoas o tanto que imaginamos, não é?

Sentiu um frio na barriga ao ouvir aquilo, lembrando imediatamente de Rabicho.

—É... acho que não.

—Sirius?

—O que? – perguntou olhando o garoto.

—Você e minha mãe... vocês namoraram? – perguntou ele com uma careta.

—Não... mas a gente era bastante próximo. – respondeu Sirius se lembrando das noites de loucura com a amiga – Eu e sua mãe não éramos exatamente muito responsáveis... queríamos curtir a vida loucamente, enquanto não nos matavam. Mas eu acabei melhorando e tomando jeito, quando meus amigos começaram a morrer... Sua mãe tomou jeito quando se reencontrou com Rabastan. Ela gostava muito dele.

—Hum... – murmurou Rasalas – Sirius...

—O que?

—Minha mãe disse... que foi você quem a salvou... – o garoto o olhou de cenho franzido – Você sabe, quem tentou matar ela?

Soltou um suspiro olhando aquele garoto que podia muito bem ter sido seu filho adotado.

—Ela nunca te contou?

—Não. Era um assunto tabu. Ainda é, na verdade...

Sirius soltou um suspiro.

—Eu... eu acho que você deveria saber o que aconteceu com ela... você já é bem grandinho... e Dumbledore nos contou que, por mais que Fudge esteja abafando o caso, houve uma fuga...

—Eu sei. Meu pai fugiu... provavelmente meus tios também. – disse Rasalas. Sirius o olhou surpreso – Meu pai entrou em contato comigo... me mandou um presente. Disse que quer me ver em breve...

Sirius fechou a cara.

—Você precisa saber mesmo, então... – murmurou Sirius – Sua mãe... ela estava sozinha em casa, quando um comensal apareceu... – Soltou um suspiro se lembrando do sangue, da fumaça, dos gemidos de dor... quando achou que amiga iria morrer em seus braços. “Meu bebê... não deixe meu bebê morrer, Sirius... por favor, não deixe ele morrer...”— Eu estava em casa e resolvi ir atrás da sua mãe, para... bem... para passar o tempo com ela. A gente era bastante amigo... mas quando eu cheguei... a casa dela estava em chamas. Ela estava deitada no chão... tinha sangue pra todo o lado. Eu achei que ela estava morta, mas ela abriu os olhos fracamente. Eu a peguei e levei para um lugar seguro. Chamei ajuda e muita gente apareceu para tentar salvá-la... ela só queria que o bebê dela sobrevivesse... – Sirius respirou fundo – Quando ela ficou bem o suficiente para conversar, eu perguntei o que tinha acontecido. – Olhou para Rasalas – Foi seu tio Rodolfo. – disse de uma vez. O garoto o olhou chocado – Ele a atacou, porque sua mãe estava fazendo Rabastan vacilar. Ele queria que ela ficasse definitivamente longe dele... Foi Rodolfo quem matou seus avós, foi ele quem tentou matar sua mãe... e ele... ele a violentou.

—O QUE? – perguntou o garoto, ficando de pé. Simplesmente furioso.

—Eu te contei isso porque Remus me contou que você aparentemente tinha uma relação boa com eles... com os seus tios... – Sirius soltou um suspiro – Sua mãe nunca mais procurou o seu pai por medo. Medo de Rodolfo. Medo que Rodolfo a machucasse de novo, ou machucasse Rabastan. Ela sabia que seu pai tentaria matar seu tio, se ela contasse... mas ela também sabia que ele não seria capaz de derrotá-lo. Não com Bellatrix ao lado dele... talvez nem se lutassem apenas um contra o outro... Rodolfo era um bruxo muito poderoso. Provavelmente o bruxo mais poderoso de Voldemort. – Ele viu o garoto encolher de leve ao escutar aquele nome. Não o culpou. Poucos não se importavam em ouvir aquele nome – Ela nunca se recuperou do ataque. Ela ainda gostava do seu pai, mas tinha medo por ele. E também... quando aconteceu o incidente com os Longbottom... bem... ela ficou muito triste. Frank era o melhor amigo dela... Eu já estava preso, é verdade, mas eu sei que ela não procurou mais por seu pai. Sempre imaginei que tenha sido por causa do que ele fez aos Longbottom... – Rasalas estava irado. Podia ver os olhos dele faiscarem de ódio. Ele apertava o punho com tanta força, que tremia. Rangia os dentes a ponto de fazer barulho – Eu te contei isso... para que você saiba que sua mãe não resolveu do nada excluir Rabastan da vida de vocês... e também para que você nunca confie em Rodolfo e Bellatrix... Bellatrix é mais doida que Rodolfo, não se engane quanto a isso. – O garoto o olhou, furioso. Os cabelos agora adquiriam uma cor vermelho escuro, tão escuro, que parecia que em breve ficaria preto. Mais do que nunca ele parecia com o pai – E não conte para a sua mãe que eu te disse essas coisas... se ela não te contou, é porque ela não queria que você soubesse.

Um jarro antigo da sua família explodiu ali perto, enquanto Rasalas tentava se acalmar. Mas não ligou.

—Eu vou matá-lo. – rosnou o garoto – Eu vou matá-lo, Sirius. Eu juro que vou matá-lo.

—Você não daria conta de Rodolfo.

—Você não me conhece. – rosnou Rasalas, furioso. Se perguntou se tinha sido um erro contar a verdade para ele. Mas repetiu pra si mesmo que ele já era grande o suficiente para saber – Eu vou matar esse desgraçado. Eu vou. – e então o rapaz saiu da sala, provavelmente querendo ficar sozinho.

Escutou mais alguma coisa explodir no corredor. Será que teria decoração o suficiente para sobreviver à ira do garoto?

***

Emily viu o Sr. Lestrange dar um longo abraço em Alhena.

—Me desculpe, Lena... me perdoe, por favor. – chorou o velho senhor. Alhena parecia em choque, sem conseguir responder.

—Como você se sente, meu bem? – perguntou a Sra. Lestrange.

—Eu estou bem. De verdade... – murmurou Alhena, timidamente – Não precisa chorar. – adicionou ela de maneira um tanto seca.

Mas o Sr. Lestrange simplesmente não conseguia parar de chorar. Sentiu uma grande empatia por ele. Apesar de tudo, ele realmente amava os netos. Amava de verdade...

—Eu já vou indo. – murmurou para os filhos. Rasalas a abraçou muito apertado. Ele já estava tão grande... Os braços fortes e os ombros largos, exatamente como Rabastan... provavelmente porque os dois jogavam quadribol na mesma posição... Alhena a abraçou mais rapidamente. Sabia que ela ainda estava ressentida por não poder voltar pra escola. Mas precisavam ser muito firmes com ela agora – Se cuidem e comportem-se. – disse calmamente – Nada de Beco Diagonal, nada de ficar passeando por ai, ouviram? É pra ficar dentro de casa com seus avós.

Rasalas concordou com a cabeça e Alhena deu de ombros, mas os pais de Rabastan a olharam confusos.

—Antes de você ir, Valentine. – murmurou o Sr. Lestrange – Já pensou na minha proposta?

Emily olhou para ele e suspirou.

—Já soube o que aconteceu em Azkaban? – perguntou Emily. Rodolfo Lestrange a olhou curioso – Imaginei que não. Estão abafando o caso... Mas não se preocupe. Logo nem mesmo Fudge vai conseguir manter em segredo.

—O que aconteceu em Azkaban? – perguntou a Sra. Lestrange.

—Uma fuga em massa. – respondeu Alhena. Rodolfo e Eda olharam para ela, surpresos – Muitos fugiram, inclusive meu pai, meu tio e a tia Bellatrix.

Notou uma veia saltar na testa de Rasalas e ele fez cara de desgosto. Se perguntou o porquê.

—Como você sabe disso? – perguntou a Sra. Lestrange. Alhena deu de ombros.

—Eu só sei. – respondeu ela indo se sentar no sofá – Eu vou tirar um cochilo por aqui mesmo, se não se importam. – murmurou ela se encolhendo, parecendo muito fraca. Sentiu o coração doer, de tanta preocupação.

—Eu já vou. Até o dia de pegar o expresso Hogwarts. – disse para Rasalas. Alhena fez uma careta e cruzou os braços.

—Tome cuidado, mamãe. – pediu Rasalas a olhando sombriamente.

—Você também. Não saia sozinho, ok?

—Ok. – respondeu ele simplesmente.

Emily desaparatou, voltando para casa. Tirou a capa e a pendurou num cabide. Estava com sede, então foi até a cozinha, pegar um pouco de água da torneira. Bebeu um copo cheio e respirou fundo. Colocou o copo sobre a pia e se virou para ir para o quarto. Queria voltar logo para a Sede da Ordem da Fênix. Só precisava pegar seu kit de poções.

Foi quando o viu. Alto. Todo vestido de negro. Parado em frente a porta da cozinha, a olhando com os cintilantes olhos cinzentos. Tentou sacar a varinha, mas ele foi mais rápido. Com um feitiço não verbal, ele a desarmou. Sua varinha caiu no chão, com estrépito, completamente fora de seu alcance.

Seu corpo tremeu de pânico. Um flashback involuntário a atingiu.

“Abra os olhos. Eu quero que veja meu rosto. E nunca mais se esqueça dele. Ande. Me olhe. Olhe pra mim e lembre desse rosto sempre que pensar em voltar para Rabastan. E saiba que isso tudo é culpa sua.”

Recuou dois passos, sentindo a parede logo atrás de si. O homem se aproximou, com a varinha em punho, a olhando com seus olhos cintilantes. Um cachecol escondia seu rosto, deixando apenas os olhos sob o capuz a mostra. Era aquele pesadelo todo de novo.

—Calma. – murmurou ele – Sou eu.

Achou que seus joelhos iriam ceder. Uma sensação enorme de alívio lhe tomou. Não era Rodolfo... não era...

—Rabastan?

—Sim. – disse ele, calmamente, tirando o capuz e o cachecol – Me desculpe pelo susto. – ele sussurrou a olhando nos olhos, muito sério e sombrio. Mas não conseguiu encará-lo. Olhar para ele, fazia com que se lembrasse daquela noite. De Rodolfo... “Abra os olhos. Eu quero que veja meu rosto. E nunca mais se esqueça dele.”— Eu não queria te assustar. Sente-se. Nós vamos conversar.

Sentiu um frio lhe subir pela espinha. Sabia sobre o que ele queria conversar, mas não queria falar sobre aquilo. Sobrevivera mais de quinze anos sem falar sobre aquilo... não queria começar a falar agora. Ainda se lembrava da dor, da humilhação, do medo...

E principalmente dos olhos cinzentos de Rodolfo... exatamente iguais aos de Rabastan.

—Eu não quero conversar. – murmurou tremendo – Por favor, Rabastan...

—Eu passei catorze anos... – rosnou ele se aproximando, parecendo irritado – Catorze anos esperando que você aparecesse e me explicasse... mas você nunca explicou. – ele a segurou com força na altura do cotovelo e a obrigou a sentar na cadeira – Nós vamos conversar, Emily. Não é uma opção.

—Rabastan, por favor... – murmurou, olhando-o dar a volta na mesa. Ele se sentou e tirou um frasco das vestes, com líquido transparente, e o colocou sobre a mesa.

—Beba. – ordenou ele.

—O que é isso? – perguntou tremendo.

—Poção da verdade. Veritaserum. – respondeu ele, calmamente – Beba.

—Não... – murmurou o olhando no rosto, sempre evitando os seus olhos – Por favor, Rabastan... não me obrigue...

—Eu vou obrigar. – cortou ele – Eu quero fazer isso de maneira civilizada, Emily. – rosnou ele – Eu tenho quinze anos de sentimentos confusos, embolados, em relação a você. Eu preciso que você fale a verdade, mas eu não confio em você. – ele girou a própria varinha entre os dedos – Isso pode acontecer de duas maneiras. – ele não a olhava e estava estranhamente sério. – Você vai beber e então responder minhas perguntas... ou... – ele fez uma pausa significante – eu vou apelar para magia negra... – ele lhe lançou um olhar capaz de congelar o fogo – Já ouviu falar de uma azaração chamada Alítheia? – negou com a cabeça, sentindo os olhos encherem-se de água. Seu corpo todo tremia – Essa azaração tem o mesmo efeito da poção... mas vai doer. Vai doer e você pode acabar arrancando um pedaço do próprio lábio, na tentativa de esconder seus segredos, mas de nada vai adiantar. Você vai falar, nem que seja gritando de agonia. – odiava sentir medo, mas aquele sentimento terrível estava completamente enroscado nela... como se ela fosse um reles rato, sendo devorado por uma cobra – Eu, pessoalmente, prefiro a primeira opção... mas a escolha vai ser sua. Só não demore para escolher. Eu esperei catorze anos por respostas e não vou esperar nem mais um minuto sequer.

Fechou os olhos, sentindo o corpo todo tremer. Respirou fundo e olhou para o frasco. Então o pegou, abriu e hesitou. Ela sabia que teria que fazer aquilo, cedo ou tarde... mas sempre desejara que fosse tarde...

—Só me prometa uma coisa? – perguntou com as mãos trêmulas.

—O que? – perguntou ele, friamente.

—Eu quero que me prometa... que Rasalas e Alhena estarão seguros... independentemente do que você escutar aqui.

Rabastan fechou os olhos por um momento, mas concordou.

—Ok. Você tem minha palavra.

—Como bruxo?

—Como bruxo.

Respirou fundo e bebeu do frasco. Não tinha nem cheiro e nem gosto. Desceu como água por sua garganta. Suspirou e colocou o vidrinho sobre a mesa e então olhou para o ex namorado, esperando que ele começasse.

Rabastan guardou a varinha e suspirou. Então ele deu um sorriso zangado.

—Por onde começar? Por onde começar? – perguntou ele – É verdade que você... que você trabalhou para a Ordem da Fênix?

As palavras lhe subiram pela garganta, sem que conseguisse contê-las.

—Não. Da última vez eu me recusei a participar de qualquer lado da guerra. – fechou os olhos, sem conseguir parar as palavras, que simplesmente vinham sem freio – Mas agora eu me ofereci para ajudar.

Rabastan fez uma careta, sem gostar de ouvir aquilo. Ele coçou os olhos e suspirou de novo.

—Você está com Lupin?

—Não. – respondeu prontamente – Nós tivemos um breve relacionamento, mas para cair nas graças do seu pai e voltar a ver nossos filhos, eu me vi obrigada a terminar tudo. – respondeu calmamente. – Ciúmes, Rabastan? Até hoje? Depois de quinze anos?

Ele a olhou. Tinha certeza de que ele diria que não seria ela a fazer perguntas.

—Azkaban mexe com nossas cabeças. – murmurou ele – Acho que fiquei louco. Verdadeiramente louco. Quebrado. Eu nunca consegui me livrar dos mesmos sentimentos que eu tinha antes de ser preso. Parece tudo confuso e... e rancoroso, agora... mas um pouco daquilo... do passado... ainda está em mim. – ele a olhou nos olhos e ela desviou o olhar novamente, sem conseguir encará-lo. Seu corpo todo ficava horrivelmente tenso ao olhá-lo nos olhos – Emms... – ele suspirou de novo.

—Está com medo de perguntar?

—Estou...

—Eu entendo. – respondeu simplesmente. – Dumbledore falou com você?

—Falou. Foi você quem pediu? – perguntou ele a olhando com atenção.

—Não. – respondeu ela – Mas ele me disse que falaria. Eu falei que ele era livre para fazer o que achasse melhor.

Rabastan fechou os olhos e abaixou a cabeça, puxando os próprios cabelos, de leve. Ele sabia a verdade. Mas tinha medo de finalmente receber a confirmação definitiva... ele amava o irmão. Sempre soubera disso. Rodolfo sempre fora o herói dele. Sempre fora tudo o que ele queria ser. Os dois eram verdadeiros amigos...

—Emily... foi... meu irmão? Quem tentou te matar? – perguntou ele por fim, sem conseguir encará-la.

Soluçou, mas não conseguiu não responder.

—Foi. Foi seu irmão quem tentou me matar.

Ficaram alguns segundos em silêncio, até Rabastan soltar um soluço e então soltou um rosnado cheio de dor. Ele a olhou com os olhos marejados.

—O que ele fez com você? Por que ele tentou te matar? Eu não entendo! Ele sabia que eu... ele sabia que eu amava você! Isso não faz sentido nenhum!

—Ele não queria que eu me aproximasse de você... – respondeu sentindo as lágrimas rolarem por seus olhos. Só tinha contado aquilo para Sirius, há mais de quinze anos atrás. Não era mais fácil falar sobre aquilo agora, do que da outra vez – Ele disse que você foi castigado por minha culpa. Disse que eu era um atraso pra você... – murmurou lembrando-se de tudo. Aquele horrível pesadelo que a atormentava há tanto tempo – Então ele veio... achei que era você quando o vi, mas ele me bateu no rosto. Me desarmou... – quis parar de falar, mas a poção não permitiu. Não conseguiu segurar o choro. Apertou a mão em punho – Ele me estuprou... – disse quase sem voz. Rabastan a olhou chocado – Eu pedi para ele parar e ele me bateu... me bateu de novo e de novo... – arfou querendo correr, mas a poção não permitiu que parasse de falar – E ele me mandou olhar para ele... queria que eu olhasse o rosto dele enquanto... enquanto ele fazia aquilo comigo... – suas mãos tremiam. Tentou esconder o rosto com elas – Eu ficava olhando aqueles olhos cinzentos... lembrava de você, mas ao mesmo tempo sentia dor... e humilhação... ele me bateu tanto... – arfou de novo – Eu estava com tanto medo dele machucar meu bebê... mas... mas então eu só queria que ele me matasse logo. E então, quando ele terminou... – ela engoliu em seco – Ele me torturou com a maldição da dor... eu achei que ficaria louca. – olhou para Rabastan e notou que ele ainda a olhava em choque, com os olhos perdidos – E quando eu achei que ele iria finalmente me matar, eu fiquei grata... eu fiquei grata por ele parar... mas então ele lançou alguma azaração... que me cortou inteira. Eu achei que nada seria pior que o cruciatus... mas ele me fatiou. Eu sentia meu sangue escorrer de mim e eu entendi que minha morte não seria tão rápida. Eu iria agonizar lentamente, sangrando sem parar, até morrer... mas... mas Sirius me encontrou e me salvou. – e quando terminou de responder, chorou de verdade, pois já não era mais obrigada a falar coisa alguma. Rabastan seguia olhando para ela, como se não quisesse acreditar – Está satisfeito? Heim? Era isso que você queria? – perguntou mergulhada em dor e vergonha – Eu vivi com medo. Medo do seu irmão. Do que ele poderia fazer comigo, com meu filho, ou com você. Eu fui covarde! Eu fui egoísta! É isso o que você queria escutar? Pois bem!

Rabastan se levantou, furioso. Achou que ele iria machucá-la. Mas ele só a obrigou a se levantar e rasgou seu vestido. Primeiro não entendeu. Teve medo daquele pesadelo se repetir, mas com o outro Lestrange. O tecido de seu vestido simples caiu no chão, deixando-a exposta, apenas com a roupa de baixo. Ele então olhou para suas cicatrizes, que iam dos ombros, passavam pelos seios, barriga e desciam pelas pernas. Sua tatuagem de serpente completamente destruída. Sentiu os dedos de Rabastan tocarem alguns lugares onde a maldição a tinha cortado.

E então ele chorou. Ele se afastou com a mão no rosto e gritou de raiva. Ele virou a mesa, a jogando no chão, depois chutou uma cadeira a quebrando em vários pedaços. Lembrou-se imediatamente de quando brigara com Rasalas e ele começara a quebrar as coisas.

Mas Rabastan parecia muito mais furioso. Ele socou a parede, rosnando de ódio... uma... duas... três vezes. Escutou um barulho de osso partindo, mas ele nem pareceu ligar. Ele chutou a parede e gritou de desgosto de novo.

—EU VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO! – gritou ele – EU VOU MATAR! AQUELE TRAIDOR, MALDITO! COMO ELE OUSOU MENTIR PRA MIM TODO ESSE TEMPO! COMO ELE OUSOU ME FAZER DE IDIOTA? COMO ELE OUSOU MACHUCAR VOCÊ? – Rabastan olhou ao redor, como se procurasse alguma coisa para descontar sua ira. Ele gritou novamente, completamente enfurecido, cheio de ódio e os pratos voaram dos armários, caindo no chão, enquanto ele chutava o que tinha sobrado da cadeira – ELE SABIA QUE EU... QUE EU QUERIA CASAR COM VOCÊ! E EU MANDEI ELE IR TE AVISAR QUE EU ESTAVA BEM! EU CONFIEI NAQUELE FILHO DA PUTA! EU CONTEI ONDE VOCÊ MORAVA E O QUE ELE FEZ? ELE ME TRAIU! TIROU O QUE EU TINHA DE MELHOR NA VIDA! ME TIROU VOCÊ! PASSEI QUINZE ANOS NAQUELE INFERNO POR CONTA DELE! – ele caiu de joelhos no chão chorando de maneira desesperada – Ele é meu irmão! Ele é meu irmão... como ele pode fazer isso? Como? Que tipo de gente faz isso? – Rabastan puxou os próprios cabelos e se curvou, colocando a testa no chão, e gritou de ódio. Notou que a mão dele estava visivelmente quebrada. Estava chocada com a reação dele. Imaginou que ele ficaria zangado, mas nunca tinha pensado que veria alguém assim – Ele me traiu... ele me traiu... eu confiei nele... é minha culpa... é minha culpa... – Rabastan chorou mais alto e então finalmente se endireitou. Ele engatinhou até ela e a abraçou ao redor das pernas – Me perdoe... me perdoe. Por favor me perdoe... eu nunca imaginei... meu irmão... meu único irmão... meu deus... como ele pode...? Me perdoe, Emms... por favor, me perdoe... é minha culpa... ele te machucou e é minha culpa. – Sentiu o rosto dele em sua coxa, molhado de tanto chorar.

Ele parecia completamente destruído. Se ajoelhou no chão ao lado de Rabastan, querendo confortá-lo, apesar de estar completamente abalada.

—Me perdoe também. – chorou o abraçando – Por não ter contado antes... mas eu tive tanto medo... eu venho deixando o medo me controlar há tantos anos...

Rabastan a apertou contra ele e então a olhou nos olhos. Mas viu Rodolfo novamente. Virou o rosto, se escondendo dele e Rabastan a abraçou de novo.

Ele a beijou na testa repetidas vezes.

—Eu vou matá-lo. – rosnou ele finalmente ficando de pé. Viu que ele tentou pegar a própria varinha, mas com a mão quebrada, ela escorregou para o chão. Só então ele pareceu notar que tinha se ferido. Ele soltou uma exclamação de dor e chutou a parede, ainda irado.

—Deixe-me ver. – pediu ela. Os ossos do tarso tinham saído do lugar. Sabe-se lá como estaria os ossos do pulso – Você precisa de ajuda.

—Isso não é nada. Eu ainda vou matar Rodolfo... aquele desgraçado.

—Como? Vai enfiar sua varinha no olho dele com a mão esquerda? – perguntou o olhando com impaciência – Eu vou ajudar você. Eu tenho praticado feitiços de cura.

—Para a Ordem?

A poção ainda estava funcionando, então respondeu.

—Sim. Eu nunca duelei bem, então estou ajudando a cuidar dos feridos. – disse indo até sua varinha. Rabastan escorregou até o chão e respirou fundo, sem tentar impedi-la. Se perguntou se deveria chamar ajuda. Se dessa vez deveria entregá-lo. Ele não parecia em condições de se defender. Ele estava arrasado. Se ajoelhou ao lado dele e soltou um muxoxo – Lá vou eu... remendar você de novo. – resmungou. Rabastan riu sem alegria.

—O mundo dá volta e acabamos indo parar no mesmo lugar...

Se concentrou para arrumar a mão dele, sabendo que aquilo não era nada sensato. Rabastan era um soldado e a única chance que teria de se defender dele seria se ele não tivesse a mão para duelar. Lembrou-se daquele dia, anos atrás, quando o arrastou para dentro, o fez levitar até sua cama e cuidou dele, o olhando com carinho... se perguntando como podia ainda achá-lo tão bonito... como podia ainda ter vontade de beijá-lo, mesmo com as barbaridades que ele fazia.

Será que um dia eu vou conseguir não amar você?

Suspirou e seguiu cuidando da mão dele.

—Estou tão confuso. – confessou Rabastan – Eu realmente não sei o que fazer... o mestre nunca permitiria que eu matasse Rodolfo... ele é muito importante... muito fiel...

—Eu não vou pedir para você deixar a causa novamente... eu já pedi isso o suficiente. – disse calmamente. – Abre e fecha a mão. – ele obedeceu e fez uma careta – Hum... onde está doendo mais? No pulso ou na mão?

—Na mão... bem aqui. – respondeu ele apontando o lugar. Voltou a usar seus feitiços e Rabastan voltou a olhar para o teto. Mas então ele olhou ao redor – Eu vou arrumar essa bagunça... me desculpe pelo descontrole...

—Está tudo bem, mas você realmente precisa arrumar tudo. Eu não tenho dinheiro para comprar coisas novas. – respondeu sem conseguir parar de falar.

—Eu vou arrumar tudo, antes de ir.

—Onde vai? – perguntou – Não está em condições de fazer coisa alguma com a mão desse jeito.

—Não vai conseguir arrumar? – perguntou ele a olhando levemente preocupado.

—Vou, mas vai ter que enfaixar a mão e imobilizar. Pelo menos uns três dias, com os feitiços certos e ela vai estar como nova. Mas antes disso você não vai estar em condição de duelar com ninguém.

Rabastan concordou, em silêncio.

—Está bem.

Conjurou faixas e imobilizou a mão dele. Rabastan se levantou em seguida e pegou a varinha. Com a mão esquerda ele arrumou a mesa, a cadeira e consertou os pratos, fazendo-os flutuarem desgovernados para os armários. Ficou surpresa com a maestria dele. Mesmo depois de tanto tempo em Azkaban...

—Pra onde vai? – perguntou preocupada, desejando simplesmente que ele não saísse dali. Mas era loucura desejar isso.

Rabastan olhou para a própria mão.

—Não sei. Não vou conseguir olhar para Rodolfo e não me descontrolar. – respondeu ele. Rabastan guardou a varinha e voltou para perto dela. Um tanto desengonçado, ele tirou uma caixa bonita, de veludo, do bolso das vestes – Tome. É para Alhena. – ele disse – Eu comprei para ela... será que ela vai gostar?

Emily sorriu achando graça e abriu a caixa. Quase caiu para trás ao olhar o deslumbrante colar que parecia ter custado uma fortuna.

—Minha nossa! Quanto custou isso? – perguntou boquiaberta.

—Não o suficiente para compensar quinze anos longe dela. – respondeu ele num sibilo furioso – Eu perdi tudo... – murmurou ele apoiando as costas na parede – Como eles estão? O Rasalas e a Alhena?

Emily fechou a caixa, adquirindo um ar infeliz. Lembrar da filha a deixava completamente triste. Com um sentimento de incapacidade e culpa.

—Alhena está doente... – murmurou se sentando na cadeira que Rabastan tinha consertado.

—O que ela tem? – perguntou Rabastan parecendo preocupado.

—Bulimia.

—O que é isso? – perguntou ele franzindo a testa.

—Ela acha que está gorda... e não come direito... vomita o pouco que come... – olhou para Rabastan sentindo aquele sentimento horrível de preocupação crescer em seu peito – Ela está tão magra... nem sei como consegue ficar de pé...

Rabastan concordou em silêncio.

—E o que vamos fazer em relação a isso? – não conseguiu deixar de achar adorável ele falar “vamos” no lugar de “vai” ou “vão”.

—A tiramos da escola, para que ela estude em casa, onde podemos ficar de olho nela... – respondeu apertando a caixa com o lindo colar que Rabastan tinha comprado – Ela ficou furiosa... mas é o que podemos fazer...

—E Rasalas? Como ele está?

—Um caco... – simplificou.

Rabastan suspirou.

—Meus pais... eles tratam os dois... bem?

—Sim. São apaixonados por eles. – respondeu calmamente – Seu pai chorou horrores quando Alhena precisou de ajuda médica... todos nós levamos um susto e ficamos abalados... mas eu nunca imaginei ver seu pai chorando...

Rabastan a olhou chocado, mas concordou.

—Que bom... que eles... bem... tratam os dois bem. – concordou com a cabeça e se levantou para ir até a pia.

—Está com fome?

—Morrendo. – respondeu ele – Pode fazer alguma coisa pra mim?

—Tudo bem. – respondeu – Não quero que vá embora... – disse sem conseguir evitar. Corou de leve, sentindo um frio na barriga.

Rabastan se aproximou e só então se lembrou que estava apenas de calcinha e sutiã. Se encolheu, se escondendo dele, mas sentiu as mãos grandes e ossudas dele em seus braços.

—A poção ainda está fazendo efeito? – perguntou ele.

—Sim. – respondeu sem conseguir evitar.

—Você ainda me ama? Mesmo depois de quinze anos? – perguntou ele.

Isso é tão antiético.

—Eu amo. – respondeu sem conseguir controlar sua boca – Mas... mas eu não quero alimentar isso de novo.

—Por que não? – perguntou ele se aproximando ainda mais. Sentiu os lábios dele tocarem seu ombro, o que tinha uma cicatriz.

—Por que eu tenho medo de me magoar de novo. – respondeu – Por favor, pare... isso é...

—Desculpe. – riu ele – Desculpe.

Rabastan a beijou novamente no ombro. Sentiu os dedos dele afastarem seus cabelos. Fechou os olhos se arrepiando inteira. Ele a beijou no pescoço e a puxou de leve pela barriga. Sentiu o corpo dele logo atrás de si.

—Não... não faça isso.

—Por que não? – perguntou ele a beijando no pescoço de maneira carinhosa.

—Porque não vou conseguir parar. – respondeu honestamente.

—Não pare. – sugeriu ele a fazendo virar. O olhou nos olhos, mas logo se arrependeu. Mas Rabastan a fez levantar o olhar, erguendo seu queixo com um dedo – Olhe pra mim, Emms...

—Não. Não gosto de olhar pra você!

—Por que não?

—Porque vejo Rodolfo. Pare de me perguntar coisas! – pediu se afastando dele.

—Nunca mais vou deixar aquele desgraçado chegar perto de você. – prometeu Rabastan a puxando contra si. Ele a virou de novo e a olhou nos olhos – Eu amo você, Emms... quase dezesseis anos longe de você e eu ainda te amo... então olhe nos meus olhos. Não são os olhos dele. São os meus... sempre apaixonados por você...

Quis chorar de novo, se sentindo fraca e tonta com a presença dele. Ele a puxou para si e a beijou nos lábios.

Céus... aquilo era tão errado. Ele era um comensal de morte. Ela estava na Ordem da Fênix. Mas simplesmente não conseguiu afastá-lo. Sentiu um nó na garganta, com o choro lutando para vir, mas Rabastan não deixou de beijá-la. Ele a pegou no colo e a levou para o sofá da sala. Ele a deitou ali e a beijou apaixonadamente. Sentiu as mãos dele percorrerem sua barriga, passando por suas cicatrizes. Segurou a mão dele e o empurrou.

—Não... por favor. – murmurou sem jeito – Eu tenho vergonha delas.

Rabastan a olhou triste. Ele a olhou com atenção e ela tentou se cobrir com as mãos.

—Eu sou responsáveis por elas, Emms... – murmurou ele – São minhas cicatrizes também...

Ele a beijou na barriga, bem em cima de um corte. Gemeu baixinho, sentindo-se calorenta. Rabastan a beijou novamente, por toda barriga, nos ombros, no pescoço e depois em sua boca. Ele a envolveu inteira. Sua roupa preta a escondendo por completo, embaixo dele.

Aquele beijo se prolongou por muito tempo. Não se cansava do gosto dele. Chorou um pouco, emocionada pelo momento e Rabastan seguiu daquele jeito carinhoso, tão diferente dele mesmo, que sempre fora tão agressivo...

Tirou a capa dele e depois as vestes. Ele estava tão magro e tão cheio de cicatrizes quanto ela. Mas não ligou. A vida realmente os tinha marcado na pele. Ele tirou seu sutiã e a beijou nos seios, desejoso. Adorou as mordidinhas nos mamilos. Adorou os afagos que ele lhe fez. Lembrou-se da primeira vez que se deitara com ele. Ele estava tão nervoso. Tremia tanto, e parecia tão desengonçado, tão inseguro.

Agora parecia o mesmo. Ele tremia ao tocá-la, como se temesse uma reprovação. Levou séculos até que ele arriscasse tirar sua calcinha. Já estava louca por ele, louca de desejo. “Como posso ser tão irresponsável? Ele é um comensal! Céus, Emily! Mande-o embora! Faça a coisa certa...”

Mas não conseguiu empurrá-lo para longe. Pelo contrário. O puxava contra si, com força. Quando ele se despiu por completo, a olhou nos olhos por um longo momento, pedindo permissão. Lembrou vividamente de sua primeira vez com ele. Tinha sido a mesma coisa. Estava morrendo de medo e desejo, sem saber o que faria. Deixou que ele decidisse daquela vez e fez o mesmo novamente.

Rabastan se posicionou entre suas pernas e entrou arrancando um gemido seu. Ele se mexeu algumas vezes e ela não aguentou, gemendo de novo, o arranhando nas costas magras.

—Oh... Rabastan... – e então ele parou. Ficou tenso, completamente chocado – O que foi? O que foi? – perguntou preocupada.

Ele corou violentamente e a olhou culpado.

—Dezesseis anos. – murmurou ele completamente envergonhado.

—Que? – perguntou sem entender.

—Me desculpe... me dê um minuto... – murmurou ele.

—Você já...?

Ele corou novamente, parecendo extremamente envergonhado.

—Me desculpe... é que você gemeu tão gostoso... e já faz tanto tempo. Só me dê um minuto, por favor. – murmurou ele, acanhado, respirando fundo e fechando os olhos – Talvez mais de um minuto... eu não sou mais um adolescente. – murmurou ele completamente vermelho.

Emily o olhou com certa raiva, mas em seguida sorriu. Tentou cobrir o sorriso com as mãos, mas ele simplesmente saiu, como as verdades que dissera por conta da poção. Rabastan pareceu ainda mais envergonhado.

—Oh... – tentava de qualquer maneira não rir, mas não conseguiu se conter.

—Isso não é engraçado! – ralhou ele a olhando zangado.

—Desculpe. Não deveria ser... – disse tentando respirar normalmente e se recompor – Mas a sua cara... – não conseguiu não gargalhar – Desculpe, Rabs! Desculpe!

Rabastan se sentou, olhando para si mesmo, completamente chocado.

—Eu não acredito nisso! – resmungou ele procurando sinal de vida, lá embaixo – Isso nunca me aconteceu antes!

—É o que todos dizem. – riu ela achando a situação hilária.

—Todos quem? – perguntou ele semicerrando os olhos, mas antes que ela respondesse ele a cortou – Não quero saber!

—Todos os homens que “falham”. – respondeu assim mesmo, sem conseguir evitar. O abraçou ao redor dos ombros – Ei.

—O que? – perguntou ele a olhando, ainda envergonhado.

—Obrigada por estar aqui.

Ele sorriu, mas foi um sorriso curto que logo morreu. Ele escondeu o rosto com a mão boa e suspirou.

—Eu sou um bosta de pessoa. – murmurou daquele jeito.

—Isso acontece, Rabs...

—Não estou falando disso... estou falando de tudo... – ele se encostou no sofá – Eu... – ele a olhou nos olhos e dessa vez ela não desviou o olhar – Me perdoe... por tudo... por ter confiado na pessoa errada... por não ter te dado ouvidos... – ele fechou os olhos – Por não estar presente... por te deixar sozinha.

—Eu não tive coragem de te procurar, então... você não é culpado sozinho.

—Não importa. A culpa foi minha. – murmurou ele – Eu entendo o porquê de você não ter vindo me procurar. Eu não tenho mais ressentimentos quanto a isso.

Emily sorriu sentindo um enorme peso desaparecer de seu coração.

—Você me perdoa? – perguntou olhando para ele. Rabastan a olhou novamente.

—É claro. E você? Você me perdoa? Meus erros foram muito maiores que os seus... – murmurou ele.

—Eu perdoo se você não repeti-los novamente. – respondeu ela.

Rabastan suspirou.

—Eu ainda apoio o Lorde das Trevas. – ele disse a olhando – Mas eu entendo que você não aprove isso.

—Ele mandou seu irmão matar meus pais... – murmurou Emily – Não posso mesmo aprovar.

Rabastan a olhou chocado, mas então fechou a cara.

—Ele te contou?

—Sim.

Ele bufou.

—Desculpe por não ter dito... eu deveria ter dito, mas... era meu irmão e...

—Eu compreendo. – respondeu simplesmente. Se impressionou com sua própria resposta. – Acho que eu sempre soube, na verdade.

—Eu acho que sempre soube que tinha sido Rodolfo quem tentou te matar... mas eu nunca quis acreditar. Tudo apontava para ele, mas... eu quis me fazer de cego e surdo... – Rabastan escondeu o rosto com as mãos – Que merda.

Emily suspirou e o olhou com carinho. Afagou os cabelos sem corte dele, pensando no quanto ele tinha envelhecido. Quantos fios brancos enfeitavam os cabelos dele... até mesmo a barba mal feita estava cheia de irregulares fios brancos.

E ele estava tão, tão, tão magro...

—Ei, deite comigo? – perguntou sorrindo. Rabastan corou de leve, mas aceitou. Deitaram juntos no sofá, com as pernas entrelaçadas. Deitou no peito magro dele e passou os dedos pelas costelas expostas dele – Você era tão musculoso.

—Estou um trapo, eu sei. – murmurou ele – Azkaban acabou comigo.

—Você ficou muito tempo lá...

—Sim... e se o Lorde perder a guerra... vou ter que voltar... – ele engoliu em seco – Eu não quero voltar pra lá, nunca mais... prefiro morrer lutando a voltar... – ele respirou fundo – Lá é o inferno na terra.

Emily o abraçou, protetoramente.

—Você fez por onde...

—Eu lutei por um mundo melhor, mas perdi...

—Um mundo melhor pra quem? – perguntou ela. Rabastan respirou fundo e fechou os olhos.

—Eu não sei mais. – murmurou ele – Eu só sei que lutei. Lutei achando que era pelos motivos certos. Meu pai e meu irmão falavam que era o correto... mas... – Rabastan olhou para o teto – Eu acho que já estou louco demais para saber o que é certo e errado... eu enlouqueci e agora não consigo pensar em outra coisa além de lutar pelo meu mestre... ele me tirou de lá. Ele agradeceu pela minha lealdade e ele me prometeu honrarias para quando ganharmos a guerra.

—Você não pensa só nisso. – disse se levantando de leve, para encará-lo. Ele a olhou curioso – Você pensa nos nossos filhos. Você pensa em mim... – murmurou acariciando o rosto dele – Se você lutar por ele... – Emily engoliu em seco – Eu não sei Alhena, mas... mas Rasalas não vai aceitar. Ele vai te enfrentar. Ele é tão soldado quanto você, Rabastan, mas ele não vai escolher o seu lado.

Aquilo pareceu afetar o homem. Os olhos dele se encheram de medo, mas então ele ficou zangado.

—Nosso filho namorou uma sangue ruim? – perguntou ele indignado – Ele jogou isso na minha cara na última vez que me viu!

—Oh. Nosso filho adolescente falou isso pra você? Que horror! – disse com sarcasmo – Rasalas tem uma língua bem afiada, sabia? Puxou de você.

Rabastan deu um sorrisinho.

—É... mas o mau gosto foi de você. Você namorou um lobisomem mestiço. É uma má influência para ele.

—Cale a boca. – ralhou, com um sorriso no rosto.

—Ela ao menos é bonita? – perguntou Rabastan, sem parecer muito conformado com aquilo.

—Sim. E é muito inteligente, mas ele já está com outra garota agora. Muito bonita também.

—Hum? – perguntou ele prestando atenção.

—Sangue puro. Do seu tão amado Diretório Puro Sangue. – Rabastan sorriu orgulhoso – Uma Weasley, muito bonita e talentosa.

—Weasley? – perguntou ele, com o sorriso murchando – Você está me zoando.

—Não posso mentir, lembra? – perguntou sorrindo. Rabastan revirou os olhos, cobrindo o rosto com a mão boa.

—Puta que o pariu. Uma Weasley? Eles, além de serem traidores de sangue, ainda são uns pobretões. Ela só quer o dinheiro dele, certeza.

—Ela não está pensando em casar. Apenas curtir. Nosso filho é bem bonito, popular, jogador de quadribol, mais velho...

Rabastan soltou um suspiro e então fez uma careta.

—E Alhena? Ela já está namorando alguém?

—Não que eu saiba... mas nós nos afastamos muito... – respondeu simplesmente.

Ele ficou em silêncio por um tempo e ela ficou quieta, deixando-o digerir aquilo. Sentiu o homem lhe acariciar na pele, levemente, parecendo distraído. Ficou olhando para ele, analisando seu rosto magro, sua barba mal feita, seus cabelos toscamente cortados... ele era apenas a sombra do homem bonito que ele fora... mas ela também não era mais aquela garota da época da escola. Sempre tentando aparecer, com seus cabelos coloridos, suas tatuagens, sempre tão segura de si, querendo quebrar tabus, sem se importar com a opinião de quem quer que fosse... Rabastan soltou um suspiro e a olhou. O olhou de volta e o viu sorrir.

E então, sem aviso, ele a beijou novamente, fogoso. Se surpreendeu, mas se deixou levar. Ele a beijou no pescoço, nos seios, na barriga e entre as pernas, de uma maneira completamente safada. Oh... há quantos anos não era beijada ali? Sorriu gostando do movimento da língua dele e gemeu contente. O acariciou na cabeça, enquanto ele a beijava com desejo, segurando suas coxas. Gemeu novamente quando ele a sugou no clitóris e acabou puxando os cabelos dele. Mas ele não pareceu ligar. Sentiu uma mordida relativamente forte na coxa e então ele voltou a subir por ela.

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Ele a olhou nos olhos e depois a beijou com desejo. Sentiu Rabastan procurar o caminho para dentro dela. Abriu as pernas, para acomodá-lo melhor e quando ele finalmente entrou, gemeu de novo. Ele a beijou gostosamente no pescoço e a mordeu ali. Sentiu Rabastan a empurrar com o quadril enquanto a apertava na coxa. Sentia a respiração acelerada dele em seu pescoço, enquanto ele se movia daquele jeito erótico. Normalmente ele era bem rude, ou era o que se lembrava... mas ele estava bem mais carinhoso daquela vez, movendo-se lentamente.

Não é que fosse ruim, mas... aquele não era o Rabastan que ela conhecia.

—Rabs...

—Oh... o que? – perguntou ele a apertando com força na coxa.

—Está com medo de me machucar? – perguntou o olhando. Ele desviou o olhar – O que foi?

—Não é nada. – murmurou ele – Não está gostando?

—Não estou te reconhecendo... só isso... – murmurou envergonhada. Rabastan deu uma risadinha – O que foi?

—Você quer foder. – riu ele. Sentiu o rosto queimar. Foi sua vez de desviar o olhar – Eu não quero foder agora. – murmurou ele encostando a testa na dela – Mas temos a noite toda pela frente...

Emily sorriu e concordou.

—Quer fazer amor primeiro? – perguntou o olhando com um sorriso gentil. Sentindo apenas carinho e amor por ele. Rabastan corou e concordou com a cabeça, timidamente. Ele nunca tinha sugerido algo como aquilo – Então me ame.

Ele voltou a empurrá-la com o quadril, a olhando nos olhos com muita intensidade. Era muito gostoso. O olhar dele transbordava carinho. Se perguntava como Azkaban permitira que ele guardasse tanto afeto por ela. Algumas coisas nem os dementadores podem tirar de nós... fechou os olhos, amando os movimentos dele. Jogou a cabeça para trás e ele a beijou no queixo.

Ele a beijou no pescoço em seguida e então soltou um gemido rouco. Sentiu a mão dele passear por seu corpo, cintura, seios e barriga.

—Emms... eu... – murmurou ele a puxando para si, querendo senti-la completamente. Sentiu o homem a beijar novamente. Vários beijos carinhosos em seu ombro, colo, pescoço e lábios – Eu senti tanta a sua falta.

—Eu também. – murmurou no ouvido dele. Sentiu Rabastan abraçá-la com força. Ele gemeu de leve, sem parar de mover os quadris, naquele movimento delicioso. O arranhou nas costelas e gostou de ouvi-lo gemer novamente.

—Minha nossa... – murmurou ele se movendo mais rapidamente, com mais força – Oh... – Jogou a cabeça para trás novamente, perdida em prazer. Gostava forte. Gostava rude. E ele começava aos poucos a fazer daquele jeito violento que ela gostava. Ele a puxava com força, a apertando nas coxas. Ficaram naquilo durante algum tempo, cada vez melhor, cada vez mais gostoso, mas então ele respirou fundo e parou – Eu não aguento mais... – riu ele sem jeito – Eu estou muito acabado.

Emily sorriu e girou o corpo, ficando por cima. Rabastan a olhou grato e a acariciou na cintura.

—Só não amolece agora.

—Não... só perdi o fôlego. – riu Rabastan – Rebola pra mim, rebola.

Obedeceu e adorou a cara de sublime felicidade dele. Adorava ficar por cima, e se assustou ao se lembrar que a última vez que ficara tinha sido com ele, há muitos anos atrás. Rabastan entrelaçou seus dedos com os dela, para dar apoio e ela moveu o quadril, adorando as sensações, adorando como ele respondia a seus movimentos.

Era tão delicioso. Tão errado e tão certo. Ficou naquele movimento, amando cada expressão dele, amando cada segundo de tudo aquilo. Gemendo com um sorriso no rosto, sentindo Rabastan apertar sua bunda com tanta força que tinha certeza que ficaria roxa. Mas não ligou. Não ligou. Só queria mais dele. Queria mais a todo o custo.

Rabastan se sentou com ela ainda em seu colo. Sentiu os beijos dele em seus seios, sua barba a lhe arranhar a pele. Os gemidos roucos dele eram deliciosos de se ouvir. Arranhou os ombros dele com tanta força que em alguns lugares tinham pontinhos de sangue. Mas ele riu, adorando. Ele a mordeu com força no braço e ela puxou o rosto dele contra si.

—Não pare... não pare. – implorou ele com a voz rasgada. Ele a empurrou e puxou com força, ditando os movimentos e ela se perdeu num mundo de sensações e desejos. Estava a ponto de explodir. Sentia o corpo esquentar, começando por onde Rabastan a estava preenchendo. Puxou os cabelos dele com força e gemeu muito mais alto do que estava acostumada – Emms... não pare, não... não pare... – implorou ele fechando os olhos e abrindo a boca para soltar um gemido rouco.

Mas tinha chegado ao limite. Quase gritou de prazer e isso foi o suficiente para fazer Rabastan explodir. Ele a apertou com força e os dois chegaram juntos ao clímax. Quando terminaram, o som de suas respirações era a única coisa que se ouvia.

—Meu Merlin... – riu no ouvido dele, completamente extasiada, satisfeita. Rabastan deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.

—Céus... como eu senti falta do sexo... – riu ele contente. Ele estava suado e respirava ofegante – Oh, Emms... – ele riu de novo, como bobo. Como um adolescente que nunca tinha feito aquilo. Isso lhe arrancou uma risada. O abraçou apertado, adorando ouvi-lo rir – Isso... isso foi tão bom quanto eu acho que foi? Ou só eu me diverti?

—Foi maravilhoso, mas eu acho que o crédito foi todo meu. – respondeu o mordiscando na orelha.

—Eu não posso argumentar contra isso. – riu ele. Rabastan sorriu novamente e então fez um barulho parecido com um uivo, a fazendo rir novamente.

—Você parece feliz.

—Feliz? FELIZ? – ele gargalhou de novo – Ai, ai... eu fui no céu e voltei. – O segurou no rosto, com as duas mãos e o beijou.

—Você é um bobo.

—Eu sei... eu sei... eu espero que seus vizinhos não reclamem.

—Eu apago a memória deles depois, se for o caso. – riu sem se importar – Quer tomar um banho?

—Quero... – respondeu ele – E depois nós vamos... comer alguma coisa... eu estou faminto.

Sorriu se levantando e logo ele a seguiu. O guiou até o banheiro se perguntando o quanto aquilo ficaria complicado. Mas suas preocupações se dissolveram embaixo da água quente que caía sobre si, enquanto Rabastan a beijava apaixonadamente.

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Notas finais
Mas e ai? O que acharam? Eu gostei muito desse capítulo! Eu espero que vocês tenham gostado! Até quarta! Beijos da Tia Vênus!! Estou esperando comentários, ouviram??? u.u Sejam legais comigo!!