Legado Lestrange

20 Tratamento de Choque


Notas iniciais
YEEEEEEEEEEEEI!!! Recebi mais uma recomendação!!! UHUUUUUL! =D Para agradecer vou postar um capítulo hoje! E se tiver ao menos quatro comentários, eu posto mais um! =D Muito obrigada, Zara Alexandra! Amei sua recomendação! Heheheheheh =D Beijos e..... partiu ler ^~

1995

Casa de Emily Valentine

Se sentou sentindo o braço arder. Fechou os olhos tentando ignorar, mas logo viu que não poderia fazer aquilo. Sentiu a cabeça doer, como se estivesse para rachar ao meio. Olhou para o lado e viu Emily dormir tranquilamente, de bruços. O cobertor enrolado nas pernas, deixando sua bunda redonda a mostra.

Acariciou as costas dela e coçou o ombro, onde ela o arranhara a ponto de sangrar. Quis sorrir, mas seu braço e sua cabeça ardiam em brasa. Encontrava-se num enorme dilema. Lembrava-se da última vez que ignorara o chamado do mestre. Nunca iria esquecer. Nunca mais iria desobedecer...

Mas não podia deixá-la sozinha.

—Emms... – murmurou baixinho. Ela apenas suspirou, dormindo – Emily. – chamou novamente, a segurando no ombro – Emily... – ela se remexeu, preguiçosamente e resmungou alguma coisa – Eu preciso ir.

Ela abriu os olhos, preguiçosamente, zonza de sono.

—Por que? – murmurou ela, rouca, com os olhos inchados pelo sono.

—Meu mestre me chama. Eu preciso ir.

Ela deu um longo bocejo e se sentou, se espreguiçando. O quarto estava iluminado por um toco de vela, apenas, mas foi o suficiente para ver as cicatrizes deixadas por Rodolfo. “As cicatrizes nunca deixarão a pele e a mente dela.” Disse Dumbledore em sua mente. Respirou fundo, tentando não perder a calma... não deixar o ódio tomar sua mente.

—Quantas horas? – perguntou ela.

—Eu não sei, mas preciso ir. – murmurou ele – Se vista rápido e vá pra algum lugar seguro. – pediu se levantando, para voltar a se vestir.

Emily soltou um suspiro.

—Você realmente vai voltar para ele? – perguntou ela.

—Eu não tenho escolha. – disse Rabastan colocando as calças, sentindo a mão machucada latejar. Emily soltou um suspiro e o olhou preocupadamente.

—Dumbledore quer que eu convença você a mudar de lado. – disse ela. A olhou com um pouco de pouco caso – Ou então que eu tente arrancar informações de você... mas eu não vou conseguir te usar desse jeito.

—Venha comigo. – murmurou ele – Vamos ficar juntos. O Lorde das Trevas vai ficar satisfeito em te ter ao lado dele. Você pode nos ser útil.

Emily desviou o olhar.

—Você sabe que eu nunca aceitarei isso, Rabastan... ele ordenou a morte dos meus pais...

—Eles eram traidores de sangue. – disse colocando a camisa.

—Eu também sou... assim como o seu filho. – respondeu ela.

—Você estava carente e confusa... e Rasalas é só um garoto deixando os hormônios tomarem conta de sua cabeça. – respondeu Rabastan – Acontece.

Emily revirou os olhos e se levantou.

—Eu vou sair daqui, então... mas eu não vou voltar. – respondeu ela. Estava colocando a capa quando ela disse aquilo, mas ao ouvir, se interrompeu. A olhou, confuso e ela continuou – Você não vai me ver de novo.

—Do que está falando?

—Você deixou muito claro o que você vai fazer da sua vida... você vai escolher aquele homem de novo... – ela pulou da cama, para pegar uma calcinha numa gaveta – Eu não vou ficar esperando por você de novo, Rabastan. Eu mereço mais do que isso.

—Emms...

—Eu não vou te impedir de ir embora e nem vou pedir que fique comigo. Eu já disse uma vez e repito... eu já pedi demais pra você. – murmurou ela colocando a roupa de baixo. Ela pegou um sutiã em outra gaveta e o colocou – Eu amo você, mas... mas você quer escolher um caminho que eu não poderia escolher... vamos tomar partidos separados. Vamos estar em lados opostos nessa guerra... e eu não vou aguentar ver você de novo... Chega.

—Emms, espera...

—Não. – respondeu ela, secamente – Eu não sou prioridade, nem Alhena e nem Rasalas... no fim das contas você só... só vai fazer o que te foi ordenado. No final das contas você não vai me escolher de novo... – ela abriu um armário para pegar uma camiseta de gola alta e manga comprida. Ela se vestiu e então foi procurar uma calça.

—Eu não vou tentar fazer você entender uma coisa que você não quer entender... – resmungou ele se sentando na cama para colocar os sapatos.

—Tudo bem. – respondeu Emily num tom frio. – Só lembre da promessa que me fez. Nossos filhos vão estar seguros.

—Emms... eu não quero me despedir de você... – murmurou Rabastan – Você não entende? Eu preciso lutar pelo Lorde das Trevas. A vitória dele é nossa única chance de ser uma família... eu luto para podermos ficar juntos um dia. Eu, você, Rasalas e Alhena... quem sabe até... até mais um filho... não somos tão velhos. Ainda há tempo.

Ela o olhou com um sorriso sarcástico.

—Você pode lutar por muitos motivos. Mas eu e nossos filhos não somos um deles. – disse ela abotoando a calça – Eu vou indo.

Seu braço doeu mais uma vez.

— Emily... – murmurou indo atrás dela – O que você quer que eu faça? Eu sou um fugitivo. Logo Fudge vai me colocar atrás das grades novamente, se botar as mãos em mim. Minha única chance é com o Lorde das Trevas.

—Dumbledore pode ajudar você. – discordou ela.

—Aquele velho caduco não pode ajudar quem quer que seja. – discordou voltando para pegar suas botas.

—Aquele homem é o maior bruxo que existe. – discordou ela. Revirou os olhos, irritado. Como se aquele homem louco fosse mais poderoso que o Lorde – Mas você pode fazer o que quiser... não vai ser a primeira vez que vai colocar um falso dever acima dos meus sentimentos. – disse ela pegando a varinha e indo para a cozinha. Emily pegou a caixa com o colar que ele tinha comprado para Alhena e a colocou dentro de uma bolsa.

—Do que está falando? – perguntou franzindo a testa, indo atrás dela.

—Falo de quando me apresentou para os seus pais e de quando eu chorei para que você não me deixasse sozinha e você me deixou, prometendo voltar... mas não voltou. – respondeu ela pegando um casaco e se vestindo. – Estou indo. Adeus.

—Emms. Espera. – pediu correndo até ela. Emily estava prestes a aparatar, mas se interrompeu o olhando com atenção. Seu braço doeu mais uma vez – Podemos conversar sobre isso depois? Por favor?

—Claro. – respondeu ela – No dia em que você resolver fazer a coisa certa e abandonar o Lorde das Trevas.

—Eu não posso fazer isso!

—Então isso é um adeus.

—Porra, Emily. – bradou zangado – Não podemos resolver isso desse jeito!

—Eu fui em Azkaban há meses atrás, para tentar fazer você pensar a respeito.

—E você acha que dá pra planejar qualquer coisa que seja naquele lugar? – perguntou Rabastan – Eu preciso ir. O Lorde está me chamando, mas nossa conversa não terminou! Me encontre novamente em algum lugar. Pode ser na Bloody Mary, na Travessa do Tranco.

—Eu não vou. – murmurou ela desviando o olhar – E se Rodolfo me pegar?

—Eu já disse que eu não vou deixar que ele encoste em você. – respondeu sentindo o sangue ferver de raiva novamente – E logo Rodolfo vai ter o que merece.

Ela o olhou como se duvidasse muito daquilo.

—Você vai fazer o que? Matá-lo? O seu amado Lorde vai permitir que você mate o favorito dele por causa de uma mulher traidora de sangue? – ela balançou a cabeça em negativa – Eu duvido muito.

Sentiu um frio na barriga ao escutar aquilo. Não conseguiu olhá-la de volta.

—Eu vou dar um jeito.

—Você vai fazer o que mandarem você fazer, Rabastan. Como sempre. – Ela abriu a bolsa de novo e colocou o colar em cima da mesa – Entregue você mesmo para ela... quando resolver agir como uma pessoa decente! – sibilou ela – Foi ótimo te rever... o sexo foi muito bom. Os momentos foram emocionantes e carinhosos... você nunca pareceu tão... tão entregue quanto dessa vez. – disse ela se afastando – Mas eu acho que eu continuo sendo a mesma coisa de sempre pra você. – ela levantou a varinha.

—Emms! Espere. – disse a olhando.

—Uma boa foda. – disse ela antes de aparatar.

Ficou sozinho naquela cozinha, se sentindo um traste. Mas tinha uma missão pra fazer. Não podia ficar se lamentando. A causa é maior do que eu... é maior do que minha alegria. É maior do que minha família, meus filhos ou Emily.

Mas aquele pensamento parecia cada vez mais fútil...

Pegou o colar e o guardou nas vestes. Sua mão ainda doía bastante, mas graças à marca negra foi fácil aparatar para junto de seu mestre. Notou que todos já estavam presentes. Suspirou, olhando para baixo, sem querer procurar pelo irmão. Não sabia o que seria capaz de fazer se o visse.

—Finalmente, Rabastan. Onde esteve? – perguntou Rodolfo. Seu sangue ferveu de raiva. Quis se levantar e estrangulá-lo... mas sabia que não poderia fazer aquilo.

—Comprando presentes para meus filhos... e resolvendo alguns assuntos. – respondeu olhando para o chão, furioso – Mas nada que valha a pena falar agora.

—Então vamos começar nossa reunião. – disse a voz do mestre. Levantou o olhar para ele. Lorde Voldemort estava muito diferente do que ele costumava ser, mas sem dúvidas era ele. Mesmo que estivesse careca, sem nariz e acinzentado... seus olhos eram os mesmos e sua presença era ainda mais impressionante – Mas devo confessar que não sabia que você tinha filhos, Rabastan.

—Descobri recentemente, meu Lorde. – respondeu o olhando, como sempre, impressionado com sua grandeza – Um rapaz e uma garota. Gêmeos... de sangue puro, é claro. Nunca ousaria sujar minha descendência.

Escutou algumas risadinhas de aprovação. O mestre ainda o olhava com alguma curiosidade.

—Quem é a mãe deles? Eu não me lembrava de você estar arranjado com alguma mulher.

—Nós nunca casamos... foi um momento de loucura. – respondeu calmamente – Ela foi uma namorada da época de escola. Nos encontramos anos depois e acabamos... – ele deu uma risadinha – Bem... – os outros comensais riram também – Ela se chama Emily Valentine.

—Valentine? – perguntou Mulciber – Eles eram traidores de sangue!

—Mas ela não era, na época. Era muito chegada nos nossos ideais, na verdade, apesar de não aprovar violência... – ele deu uma risadinha – Ingenuidade pura, é claro. Não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos.

—Mas hoje em dia ela mudou de postura? – perguntou o mestre.

—Sim. – respondeu Rabastan. E agora ele olhou diretamente para o irmão, que parecia bastante alerta – Rodolfo a ajudou com isso. Não é, Rodolfo?

Todos, inclusive o mestre, olharam para Rodolfo. Ele ficou muito sério e sombrio.

—Não acho que esse seja o momento para discutirmos isso. – ele murmurou.

—Não... não é. – concordou Rabastan.

—Acho que esse é um excelente momento. – discordou Lúcio Malfoy – Como assim, Rodolfo convenceu uma bruxa que apoiava nossa causa a não nos apoiar? – perguntou ele parecendo muito curioso. Sabia que Lúcio só queria ferrar Rodolfo. Os dois sempre competiam para ver quem era o número um para o Lorde.

—Estou curioso a respeito disso. – concordou o Mestre – O que você fez, Rodolfo?

—Ela não era apropriada para meu irmão. Eu mandei aquela mulher se afastar dele. Ela era da Ordem da Fênix.

—Ela não trabalhava para Dumbledore. – discordou Rabastan, num sibilo.

—Ela te disse isso e você simplesmente acreditou? – perguntou Rodolfo com escárnio.

—Sim. – concordou Rabastan tirando o frasco de veritaserum do bolso e o jogando no chão – Com isso aqui, ela me falou muitas coisas. Esclareceu muitas dúvidas. – Rabastan olhou furioso para o irmão – Eu a estava convencendo a nos ajudar. Ela era amiga dos Potter, de Black, dos Longbottom. Ela era amiga deles. Poderia ser mais uma a espionar para nós. A nos dar boas informações... mas você invadiu a casa dela e a fatiou feito um presunto.

Rodolfo o olhou friamente.

—Ela nunca faria isso por você.

—E o que você sabe? – perguntou Rabastan – Eu estava ferido, sem conseguir fazer nada. Ela me acolheu, sem nem mesmo tirar minha máscara. Ela não chamou os aurores e sempre disse que desprezava os trouxas. Eu conheci Emily Valentine. Ela tinha vergonha dos pais. Nem falava deles. Mas você achou que sabia mais do que eu, como sempre.

—Conversaremos sobre isso depois. Nosso mestre não tem tempo para isso. – sibilou Rodolfo.

Lorde Voldemort parecia levemente divertido. Ele suspirou e se levantou da poltrona em que estava sentado.

—Eu cometi um erro no passado. – ele disse andando lentamente – Eu achei que já tinha informações o suficientes contra Harry Potter... mas obviamente não tinha. Acho que Severus não teve como escutar toda a profecia feita a respeito de mim e de Potter... por isso eu preciso escutá-la, do início ao fim... – o Lorde fez uma cara de descontentamento – Mas Dumbledore e seus passarinhos tem protegido a profecia de mim de todas as maneiras. Eu não posso ir buscá-la. Não quando o Ministério está tão gentilmente se negando a acreditar no meu retorno. – Ele soltou um suspiro – Eu preciso saber o que foi profetizado...

—Não haveria como tentar conseguir outra profecia, de outro profeta? – perguntou Bellatrix com os olhos cintilantes e astutos.

—Não acredito muito nisso... esse é o dom mais raro que existe. – murmurou o mestre, acariciando sua enorme serpente na cabeça – E Severus disse que a mulher que fez a profecia é uma grande charlatã. Sem absolutamente nenhum controle sobre o próprio dom... quando faz alguma profecia, é involuntário e ela nem ao menos consegue se lembrar... e mesmo assim... Dumbledore a tem muito bem protegida em sua escola...

—Eu conheço uma outra profeta. – murmurou Bellatrix. O Lorde a olhou com interesse – Muito jovem, é verdade, mas com grande poder. Ela nos avisou que o senhor iria nos salvar antes do natal. E falou isso numa segurança incrível e grande tranquilidade...

Rabastan respirou fundo, piscando, chocado. Ela falava de Alhena.

—Quem é essa mulher? – perguntou o mestre, interessado.

—Minha filha. – respondeu Rabastan, sentindo o coração acelerar em seu peito. “Só lembre da promessa que me fez. Nossos filhos vão estar seguros.” Murmurou Emily em sua lembrança – Minha filha é uma vidente. Rasalas, meu filho, diz que ela nunca erra uma previsão...

O mestre o olhou com interesse. Os olhos dele brilhavam vermelhos e ele tinha um sorriso malicioso no rosto.

—É mesmo? Você sabe de outras previsões que ela tenha feito? – perguntou o Lorde.

—Não. – respondeu honestamente – Ela não costumava me visitar em Azkaban. Somente Rasalas. Ela não gostava muito de mim... mas pareceu mais... disposta a interagir comigo na última vez que nos vimos... quando ela falou que o mestre iria voltar por nós antes do natal.

Lorde Voldemort concordou em silêncio.

—Eu entendi. – murmurou ele – O que seus filhos pensam da nossa causa, Rabastan?

—Eles foram criados pela mãe, que graças a Rodolfo, passou a nos odiar. – respondeu olhando feio para o irmão – Quando eram mais jovens, eles não entendiam muito bem, mas passaram a ser criados pelo meu pai... talvez tenham adquirido algum juízo...

—O garoto não gosta dos Comensais. – disse Bellatrix – Ele deixou bem claro na nossa última visita. Ele é um traidor...

—Ele é apenas um garoto. – cortou Rabastan, olhando zangado para a cunhada – Apenas um garoto que cresceu cercado de filosofias liberais.

—Mas a garota parece ter mais juízo. – disse Rodolfo – Ela se deu bem com Bellatrix. – adicionou ele – Talvez tenhamos mais chances de persuadi-la.

—Mas vai ser difícil de colocarmos as mãos nela. – disse Bellatrix – Ela está sendo protegida por Dumbledore, quase tanto quanto Potter.

Se perguntou se deveria mesmo falar o que quis falar... tinha feito uma promessa para Emily... mas que melhor maneira de protegê-la do que mantê-la por perto?

—Alhena não está em Hogwarts. – respondeu Rabastan, sentindo o coração disparar em seu peito.

—Não está? – perguntou Lúcio – Ela é amiga de Draco. Eles estudam juntos. – disse ele franzindo a testa.

—Ela estava doente. – explicou Rabastan – Problemas da idade, eu acho. Não queria comer para conseguir emagrecer. Emily me disse que ela não voltaria para a escola... ela estudaria em casa, onde poderiam ficar de olho nela.

—Em que casa? – perguntou Rodolfo.

—Na casa do nosso pai. – respondeu ele – Me permita buscá-la, meu Lorde. Eu a trarei para o senhor.

O Lorde das Trevas coçou o queixo, muito interessado.

—Eu adoraria conhecer sua filha, Rabastan. – ele disse simplesmente. – Traga-a. E não vou tolerar falhas.

Rabastan sentiu um calafrio.

—Meu Lorde. Será uma honra servi-lo, como sempre... – murmurou sentindo um frio na barriga – Mas... mas me daria um tempo... para fazê-la entender que... Ela foi criada pela mãe... as duas sempre foram muito próximas. Ela pode ter alguma resistência...

—Eu entendo. Te darei tempo para convencê-la. – disse o Lorde, muito sério.

—Meu Lorde. Eu nunca neguei o senhor. Como muitos aqui fizeram. – disse olhando para alguns companheiros, que desviaram o olhar – Eu... eu peço que tenha mais paciência com ela. É apenas uma criança...

—Eu serei paciente, não se preocupe, Rabastan.

—Obrigado, meu Lorde. Eu vou buscá-la. – disse se levantando. Se perguntou se precisaria duelar com o pai, para consegui-la de volta. Sua mão ainda estava ferida.

Estava na casa dos Crabbe, logo notou. Saiu da sala de reuniões e estava para tentar aparatar quando ouviu passos apressados.

—Rabastan, espere. – era seu irmão. Fechou a mão, sentindo um ódio mortal por ele. Nem ligou para a dor. Interrompeu o passo e o olhou – Tudo o que eu fiz, foi para te ajudar. – disse Rodolfo o olhando com preocupação.

—Você estuprou Emily. – rosnou furioso. Rodolfo empalideceu.

—Não. Eu nunca...

—Ela me contou. Com a poção da verdade. Ela não mentiu. Você a estuprou e a mandou olhar pra você enquanto fazia! – rosnou o segurando pelas vestes – Mandou que se lembrasse do seu rosto, sempre que pensasse em me ver novamente.

—Não! Isso não é verdade...

—Eu não vi meus filhos nascerem por sua causa, Rodolfo! – rosnou enfurecido – Eu não peguei Rasalas e Alhena no colo por sua causa!

—Rabastan...

—Eu perdi a mulher que eu amava por sua causa!

—Ela não prestava...

—EU A AMAVA! – rosnou furioso – E você a estuprou. Você a estuprou, a torturou e depois a cortou inteira. Ela tem as cicatrizes até hoje, Rodolfo. Eu vi! EU VI!

—Não. Não fui eu. Deve ter sido...

—Pare de mentir pra mim. Eu não sou idiota! – rosnou ainda mais furioso – Eu nunca vou te perdoar, Rodolfo. Nunca vou. E no que depender de mim, você é um homem morto!

Rodolfo o olhou parecendo assustado.

—Eu sou seu irmão.

—Não! Você não é meu irmão! – rosnou Rabastan o soltando e o empurrando – Meu irmão me amava. Ele nunca faria o que você fez... eu não sei quem você é. Você enlouqueceu mais do que qualquer um. Eu quero que fique longe de Emily e se você sequer pensar em chegar perto dos meus filhos, Rodolfo... – Rabastan cuspiu na cara dele. Rodolfo nem reagiu – Você vai pedir pra morrer muito antes de eu terminar. Vou te arrumar um quarto ao lado dos Longbottom.

Rodolfo não respondeu. Ele fechou os olhos e virou o rosto, parecendo perdido em dor. Mas não tanto quanto ele. Queria simplesmente apontar a varinha e matá-lo. Lembrou-se das cicatrizes de Emily e se encheu de desgosto. Ele a marcara por toda vida. Sempre que ela se olhasse em um espelho, se lembraria do que ele tinha feito naquela maldita noite.

Um dia eu vou matar Rodolfo. Mas não hoje... eu ainda não estou pronto pra isso... Murmurou pra si mesmo, dando as costas para o irmão. Se lembrou de cada lembrança feliz que tiveram juntos, na infância, na adolescência... Rodolfo sempre o protegia, sempre o mimava. Eram melhores amigos. Melhores. Amava Rodolfo mais do que a si mesmo. Morreria por ele sem pensar duas vezes... O seguiria e o seguiu até o inferno, simplesmente por jamais querer abandoná-lo...

Mas o que ele tinha feito era imperdoável.

—Eu sinto muito, Rabastan... eu não sabia que ela estava grávida... – murmurou ele – Eu nunca acreditei que ela te amasse... você sempre mereceu alguém melhor do que ela...

—Eu não perdoo você, Rodolfo. – disse num rosnado – E se prepare, porque eu ainda mato você. Pode não ser hoje. Pode não ser amanhã. Mas um dia eu vou deixar as lembranças felizes para trás e não vou hesitar em te matar.

—Me diz o que eu posso fazer para compensar, Rabastan. – pediu Rodolfo colocando a mão em seu ombro. Se afastou dele imediatamente.

—Compensar? COMPENSAR? – perguntou furioso – Você acha que pode compensar?

—Você quer dormir com Bellatrix? – perguntou Rodolfo.

Rabastan piscou, enojado.

—Está louco?

—Eu transei com aquela mulher que você tanto queria casar. Transe com Bellatrix e estaremos quites.

—Nós não estaremos quites, Rodolfo! – rosnou mais convencido de que o irmão estava completamente insano – Nós nunca estaremos quites. NUNCA!

—Rabastan... por favor... nós somos irmãos...

—DEVERIA TER PENSADO NISSO ANTES. SEU... SEU... – mas não tinha palavras naquele momento. Então só socou o irmão com muita força, no rosto. Gritou de dor, na mão, a apertando com força e Rodolfo caiu no chão, zonzo. Mas ainda não estava satisfeito. Se jogou em cima dele e o socou com a mão esquerda mesmo. O socou o máximo que conseguiu, até que sentiu alguém puxá-lo para longe – SEU DESGRAÇADO! SEU DESGRAÇADO!

—Rabastan, acalme-se! – reconheceu a voz de Nott – Está louco?

—Não! Me larga! ME LARGA! – gritou ensandecido.

—Rabastan. Me escute. Eu sou seu amigo. Me escute. – pediu Theo Nott – Calma, ok?

Rabastan respirou fundo, várias e várias vezes, olhando o irmão, que cuspia um dente no chão.

—Se sente melhor agora? – perguntou Rodolfo, com a boca cheia de sangue, um corte feio embaixo do olho e o nariz inchando furiosamente rápido – Está satisfeito?

—Eu nunca vou estar satisfeito. NUNCA! – rosnou furioso – Me solta, Theo. Eu vou pegar a minha filha. – disse se soltando do amigo – E você... fique longe da minha filha. Não chegue perto dela. Não fale com ela. NUNCA! Você ouviu? Nunca! Se eu sequer sonhar que você olhou pra ela...

—Acha que eu machucaria a minha sobrinha? Ela tem meu sangue. – rosnou Rodolfo.

—Eu não duvido de mais nada vindo de você. Eu nunca mais vou confiar em você! Nunca mais. Você não é meu irmão! Não é! – rosnou furioso.

—Merlin. O que houve entre vocês? – perguntou Theo, chocado. Mas Rabastan não respondeu. Tentou pegar a varinha, mas não conseguiu segurá-la com a mão direita. Precisava de mais feitiços para se recuperar. E Emily não estava ali.

—Onde está Narcisa? Preciso que ela remende a minha mão. – resmungou furioso.

—O que você fez na própria mão? – perguntou Theo se aproximando para olhar.

—Eu soquei a parede até quebrar a mão. Emily tentou arrumar, mas levaria alguns dias e o mestre chamou. Eu não podia esperar.

—Eu vou tentar arrumar. Espere. – disse Theo sacando a varinha – Céus, Rabastan. Você precisa se controlar. – ralhou o amigo lançando feitiços em sua mão quebrada. Sentiu um pouco de alívio, mas logo notou que ainda não estava muito bem – Não está em condições de duelar. Quer que eu vá com você? Pro caso dos seus pais resistirem?

—Eu vou. – disse Rodolfo.

—Mas nem fodendo que você vai. – rosnou Rabastan – Eu já não disse que quero você longe dos meus filhos? – Rodolfo bufou e revirou os olhos – Você vem, Theo.

Theodore Nott olhava de um para o outro, chocado, mas concordou. Ele o ajudou a aparatar para frente de casa. Os dois colocaram os capuzes e Rabastan notou que tinha esquecido o cachecol na casa de Emily. Deu de ombros e seguiu andando até a porta.

Ela o reconheceu como um Lestrange e se abriu. Entrou com o colega e segurou a varinha da melhor maneira que conseguiu. Olhou um relógio na parede e notou que eram duas da manhã.

—Ela deve estar dormindo. – murmurou ele. Theo concordou – Ela fica no meu antigo quarto. Vamos.

Tentou ignorar o grande sentimento nostálgico que sua casa lhe causava. Caminhou pelos corredores e passou pela sala em que terminara com Emily pela primeira vez. Virou o rosto, sem querer reviver aquelas memórias. Caminhou até seu quarto, o mais silenciosamente possível.

—Theo... fique ai. Eu não sei se... eu não sei como ela dorme. – disse desconfortavelmente, se lembrando que Emily sempre gostara de dormir nua, ou só de calcinha – Ela já é uma mocinha.

—Eu me lembro bem. – riu ele com malícia – Sua filha é muito bonita, Rabastan.

O olhou enciumado.

—Escute aqui...

—Fique calmo. – riu ele, divertido – Eu sou casado, lembra? Minha esposa ficou muito feliz quando eu voltei pra casa. Eu não quero saber da sua filha. Eu espero aqui. Vai lá.

Bufou baixinho e abriu a porta. Alhena dormia tranquilamente, abraçada com o travesseiro, completamente coberta pelo edredom. Entrou, fechando a porta, vendo os muitos desenhos espalhados pelo chão. Se ajoelhou ao lado dela e a acariciou no rosto. Depois a beijou na testa. Ela sorriu no sonho e suspirou.

—Alhena... Alhena, meu amor... acorde. – sussurrou baixinho. Ela girou na cama, apertando os olhos. Então os abriu sonolenta – Não grite. Por favor, não grite.

Ela o olhou chocada e se sentou. Ela usava uma camisola simples, que deixavam seus ombros à mostra. Céus, ela estava tão magra quanto Bellatrix.

—O... o que você...?

Ele sorriu e se sentou na cama ao lado dela.

—Você me pediu para te comprar um presente. – sussurrou tirando a caixa de joias das vestes. Entregou para ela e ela acendeu um abajur ao lado da cama – Eu espero que goste.

Ela o olhou ainda sonolenta, como se não estivesse convencida de que aquilo estava acontecendo. Ela olhou para caixa e a abriu. Os olhos dela ficaram chocados, ela levou a mão até a boca, para conter uma exclamação de espanto.

—Está falando sério? – perguntou ela o olhando.

—Gostou? – perguntou sorrindo.

Ela engoliu em seco.

—É... é lindo. – disse simplesmente.

—Vem cá. – murmurou ele a puxando pela mão. – Vou colocar em você. – ela não respondeu. Andaram até o espelho do quarto e colocou o colar nela – Linda.

Ela tocou o colar, ainda com espanto.

—É... muito bonito... – murmurou ela – Obrigada.

—Vou te dar muitos outros. Pode ter certeza. – prometeu ele a abraçando. Sentiu os braços da filha o envolverem lentamente, como se não tivesse certeza de que fosse isso que quisesse fazer – Venha comigo, Alhena. Eu vou cuidar de você.

—Mamãe quer que eu fique aqui. – murmurou ela.

—Mas você não gosta daqui. – respondeu ele – Você odeia seu avô, não odeia?

Ela concordou com a cabeça. Ele a olhou com atenção, fazendo com que ela o olhasse, levantando o queixo dela com as pontas dos dedos.

—Pra onde vamos? Eu vou poder ver o Rasalas?

—Claro.

—E eu vou poder voltar pra escola?

—Por um tempo não. – confessou ele – Não até termos tudo sob controle.

—E o que significa isso? – perguntou ela.

—Eu preciso ser inocentado. – explicou ele – Então poderei ter sua guarda e então você poderá estudar na escola que quiser. – prometeu. Ela sorriu contente.

—Promete?

—Sim. Mas por enquanto você tem que ficar escondida. – ele a abraçou de novo – Nunca mais vou deixar afastarem você de mim. Nunca mais.

—Você gostou do meu caderno? – perguntou ela fungando. Rabastan sorriu ao se lembrar dos vários desenhos que ela tinha feito dele. Ela nunca o tinha visto, mas sabia como ele era.

—Eu adorei. Mas você poderia ter feito mais desenhos de você. – disse ele.

—Eu sabia que você ia vir me buscar um dia... – murmurou ela – Mas eu não sei se quero ir... eu estou com medo. Eu sei o porquê de você ter vindo.

—Por que eu vim? – perguntou ele a acariciando na cabeça, enquanto ela apoiava a bochecha em seu peito.

—Porque aquele homem perverso quer me conhecer.

—Isso é apenas uma desculpa, Alhena. – murmurou Rabastan, falando a verdade – Eu vim porque quero você e Rasalas perto de mim. Vocês dois foram o motivo por eu não enlouquecer em Azkaban.

Rabastan escutou a filha fungar e o abraçar com mais força.

—Eu não gosto da causa puro sangue e eu tenho medo do Lorde das Trevas. – murmurou ela – Eu não acho que...

—Escute, Lena. Posso te chamar de Lena? – perguntou. Ela concordou com a cabeça – Sente aqui. – pediu a levando para a cama. Alhena se sentou e ele notou o quanto as pernas dela estavam finas. Finas demais. – Quantos nascidos trouxas você já ouviu falar que eram metamorfomagos?

—Nenhum...

—E videntes?

—Nenhum... – murmurou ela. Ele sorriu para ela, apertando suas mãos, quase tão ossudas quanto as dele.

—Quantos nascidos trouxa você conhece que já venceram o Torneio Tribruxo? – perguntou calmamente – Ou melhor, que sequer participaram do torneio Tribruxo.

—Eu... eu não sei.

—Eu respondo pra você. Nenhum. – disse ele calmamente – Quantos nascidos trouxa, você já ouviu falar, chegaram a ser Ministro da Magia.

—Um.

—E quantos puros sangues? Ou até mestiços?

Ela parou e suspirou.

—Todos os outros... – murmurou ela.

—Quantos nascidos trouxas você conhece, que foram considerados bruxos extraordinários?

Ela pareceu ponderar, mas suspirou.

—Ne... nenhum...

—E quais das escolas de magia do mundo foram fundadas por nascidos trouxas?

Ela piscou.

—Nenhuma, mas... – ele não a cortou – Isso não significa nada. A garota mais brilhante do ano, lá em Hogwarts é uma nascida trouxa!

—Boas notas? Você acha que é isso que te faz um bom bruxo? – perguntou ele – Você já viu essa garota duelando?

—Não...

—Voando?

—Não... – respondeu ela franzindo o cenho.

—Ela tem algum dom especial? Como você? Ou Rasalas?

—Não...

—Os nascidos trouxa são mais fracos, meu amor. – explicou ele – E eles enfraquecem o nosso sangue. Nunca mais existiram bruxos como os fundadores. Sabe por que? Porque três deles defendiam que nascidos trouxas não eram um perigo. E começaram a misturar nosso sangue. E ele enfraqueceu. Isso é perigoso. – ele suspirou – Pode não ser os seus netos, nem os seus bisnetos... mas um dia, em alguma geração... a magia vai acabar desaparecendo do mundo... e isso é perigoso. Você já viu quantos abortos nascem nesses tempos? O sangue dos bruxos foi corrompido por muito tempo. É por isso que devemos nos proteger. E para isso, nós precisaremos de você. O Lorde quer te conhecer. Ele me pediu para te conhecer. É uma grande honra... nos dê uma chance, Lena... uma chance de provar que nossa causa é honrada. É gloriosa.

—Mas... mas ele é mau... – murmurou ela.

—Você me acha mau?

—Você fez coisas horríveis... – murmurou ela com os olhos cheios de água.

—Era guerra, meu amor. – explicou ele – A guerra é cheia de violência por todos os lados. Mas deixa eu te contar uma coisa que ninguém fala. – ele respirou fundo – Nunca existiu prisão perpétua em Azkaban. A pena máxima é de dez anos. – explicou ele – Mas nós fomos trancados lá e esquecidos. E teríamos ficado lá para sempre, se não fosse pelo Lorde das Trevas... você foi em Azkaban. Você viu os dementadores... você não acha isso muito mais desumano? Nós matamos muita gente, é verdade. Mas nós matávamos com a maldição da morte. Um feitiço rápido, indolor, limpo. Eles nos deixaram naquela prisão, revivendo nossos piores pesadelos, sem direito às necessidades mais básicas de qualquer ser humano. Prenderam Sirius Black sem que ele tivesse direito a um julgamento. E ele nem era um dos nossos. E acredite, ele não foi o único que foi preso sem ter nos apoiado... ele foi o único que sobreviveu e fugiu. – Rabastan a acariciou nas mãos – Dumbledore matou também. Ele feriu também. Ele usou crianças também. Mas ninguém se lembra disso. Todos lembram apenas do grande bruxo que ele foi. Simplesmente porque ele ganhou. Se nós tivéssemos ganhado, seríamos os heróis e todos falariam de como Dumbledore foi um monstro, por ter tentado destruir a magia por pena dos menos capazes. Não é justo nivelar nosso mundo por baixo, Alhena. Não mesmo.

Alhena o escutava com atenção. Uma lágrima solitária descia por seu rosto.

—Eu estou doente.

—Eu sei. Sua mãe me falou. – disse ele calmamente.

—Falou?

—Sim. – respondeu ele – E eu vou te ajudar a melhorar. – ele colocou as mãos dela em seu rosto – Vamos melhorar juntos, porque eu também estou doente. Estou tão magro quanto você.

—Não... você está muito mais...

—Não... não estou. Você e sua tia Bellatrix estão iguais.

—Não! Eu estou muito mais gorda que ela...

Rabastan sorriu.

—Vamos tirar a prova? – perguntou ele – Tia Bella não vai se importar em melhorar junto com a gente. Ela sempre foi muito vaidosa.

Ele se levantou e ofereceu a mão para ela.

—Eu... eu não sei.

—Vem comigo, Alhena. Vamos recuperar o tempo perdido. Eu vou te explicar tudo o que você quiser saber. Eu só peço... que me escolha.

Ela o olhou com os brilhantes olhos verdes. Os mesmos olhos de Emily.

—Eu estou com medo.

—Eu vou te proteger. Ninguém vai te fazer mal. Eu prometo.

Ela tremia. Tremia muito. Se perguntou se precisaria levá-la a força. Mas então ela apertou sua mão.

—Eu... eu vou... mas... só se... eu for livre pra... pra voltar...

—Eu vou fazer o possível, mas não vai depender só de mim. Ok?

Ela respirou fundo.

—Eu não quero ser uma comensal. Eu não quero...

—Tudo bem. Você não precisa ser uma comensal. Você só precisa melhorar. Nós dois...

—E tia Bella...

—E tia Bella. – concordou.

—E tio Rodolfo? Eu não gosto dele. – murmurou Alhena. Se perguntou se ela sabia – Foi ele, não foi? Quem tentou matar a mamãe?

—Foi – respondeu – Eu não sabia... mas foi ele. E eu vou garantir que ele não chegue perto de você.

Ela engoliu em seco.

—Não deixe ele sozinho comigo.

—Nunca. – prometeu – Vamos?

Ela respirou fundo.

—Vou pegar meu malão. – ela pulou da cama e ele sorriu imensamente feliz. Alhena ficou de pé, parada um momento e então virou para ele novamente – O médico falou que eu vou precisar tomar poções essenciais. – murmurou ela – Mas pra isso... eu vou precisar de um pouco do... do Rasalas.

Rabastan soltou um suspiro.

—O que precisa?

—Cabelos. Acho que o cabelo vai servir... eu vou lá...

—Eu faço isso enquanto você arruma suas coisas.

—O Rasalas vai vir? – perguntou Alhena, ainda parecendo assustada.

—Ele não está pronto, ainda. – respondeu calmamente – E é melhor deixar que ele fique, para cuidar da sua mãe...

—Como ele vai cuidar dela? Na escola?

—Ela vai saber que ele vai estar com Dumbledore. Isso vai deixá-la mais calma. – Rabastan a acariciou no rosto – Precisamos fazer isso aos poucos, ok? Mas logo vamos ser uma família de novo.

—Ele nunca vai entender. – murmurou Alhena, tristemente – Mas eu não posso ficar aqui. Eu não aguento mais o avô... e parece que minha mãe simplesmente desistiu de mim... de nós... ela nos vendeu pra ele.

Alhena se virou e se abaixou próxima ao próprio malão. Rabastan soltou um suspiro e saiu do quarto. Theo o olhou curioso.

—Fique de olho. Eu preciso pegar uma coisa.

—Ok.

—Não entre no quarto, ouviu?

Theo deu uma risadinha.

—Está bem.

Rabastan caminhou até o antigo quarto do irmão, se recusando a ficar lembrando de quando os dois trocavam segredos e experiências ali. Sempre cheios de cumplicidade. Sempre tão amigos. Aquele tempo acabou.

Abriu a porta o mais silenciosamente que conseguiu. Rasalas estava ferrado no sono. Lembrou da primeira vez que o viu, quando ele tinha seus doze anos... ficou tão feliz ao conhecê-lo. O achou tão perfeito. Tão maravilhoso...

Ainda achava, é claro... mas ele sabia que o filho tinha mudado o modo de vê-lo. Antes ele não o julgava, mas agora havia ressentimentos entre eles. Ele absorveu as filosofias de Emily... como vou protegê-lo?

Se aproximou do filho e puxou de leve um bocado de fios de cabelo. Com um feitiço arrancou um chumaço de cabelo. Conjurou um frasco e colocou os muitos fios ali. Ele era metamorfomago. Não teria problemas com aquilo.

Quis afagar a cabeça dele, mas temeu que ele acordasse. Caminhou pelo quarto dele e encontrou tinta e pergaminho. A pena estava no chão. Pegou a pena e a molhou no tinteiro. Depois escreveu um pequeno bilhete.

“Alhena está a salvo, comigo. Cuide da sua mãe. Conversaremos em outra oportunidade. Com amor, seu pai.”

A letra saiu num feio garrancho, graças à mão machucada, mas estava legível. Soltou um suspiro e voltou a sair do quarto, lançando um último olhar para o filho. Depois voltou para junto de Theo e esperou ansioso pela filha.

Alhena saiu do quarto uns vinte minutos depois, vestindo o mesmo sobretudo que ela usara ao visitá-lo na prisão. Mas agora ela estava tão magra que parecia que desapareceria dentro dele a qualquer momento. A abraçou contente e lançou um feitiço no malão, para que ele flutuasse.

Foram apressados para fora e Theo o ajudou a desaparatar com Alhena. A abraçou com força e deixou que Theo os levasse embora.

Chegaram na casa de Crabbe num piscar de olhos. Estavam no mesmo corredor onde ele e Rodolfo tinham brigado. Olhou para Alhena, que parecia estar com muito medo. Ela olhava para os lados, assustada.

—Está tudo bem, ok? – perguntou ele. Alhena concordou em silêncio – Agora escute bem, Lena. Eu vou te apresentar para o Lorde das Trevas. Seja muito educada e mostre muito respeito e tudo vai ficar bem, entendeu?

—Não me deixe sozinha. – pediu ela se abraçando.

—Não vou. Vamos ficar juntos, ok? – perguntou ele. Ela sorriu timidamente e segurou a mão dele. Ela parecia uma menininha assustada. – Vamos. – disse segurando a mão dela, para transmitir segurança.

Seguiram pelos corredores. Alhena segurava sua mão e sua manga ao mesmo tempo, olhando tudo ao redor com os olhos esbugalhados. Voltaram para a sala onde tinha se reunido com os companheiros de causa. Eles estavam conversando sobre os funcionários do Ministério, mas se calaram quando ele entrou. Alhena prendeu a respiração, apertando mais sua mão, assustada.

—Rabastan. Você voltou rápido. – murmurou o mestre, com um sorriso satisfeito. Rabastan olhou ao redor e viu seu irmão ao lado dele.

—Eu trouxe minha filha, meu Lorde. – disse puxando Alhena, gentilmente – Vamos? – sussurrou para ela. A garota o olhou com medo, tremendo muito – Eu estou aqui com você. Não se preocupe, ok?

Ela engoliu em seco e concordou com a cabeça. Os dois avançaram pela sala e, ao chegarem na frente do mestre, se ajoelhou. Alhena o imitou, sem encarar o Lorde das Trevas.

—Então você é Alhena Valentine? – perguntou o Lorde. Rabastan franziu a testa por ele a ter chamado de Valentine.

—Lestrange, senhor. – murmurou Alhena – Eu sou Alhena Lestrange.

—Isso é o que veremos. Se aproxime. – disse o Lorde. Alhena parecia prestes a cair no choro, mas se levantou. Ela se aproximou sem levantar a cabeça, encarando os próprios pés – Está com medo de mim, garota? – perguntou o Lorde. Alhena concordou com a cabeça – Não precisa ter medo, se me servir lealmente. Eu sou um homem justo. – ele se levantou e andou até a garota. Ele levantou o rosto dela, pelo queixo para olhá-la melhor – Você é bonita. Mas não se parece muito com seu pai... – Alhena arfou – Ouvi que você é uma vidente. – Ela concordou com um aceno de cabeça, muito tímido – Faça uma previsão para mim.

—Agora? – perguntou ela, chocada.

—Sim.

Alhena soluçou e olhou para trás, para ele. Fez um aceno com a cabeça, a encorajando. Ela se afastou alguns passos, respirando fundo. Depois juntou as mãos como se rezasse. Ela fechou os olhos por um momento, suspirando e então os abriu. Eles estavam brancos e ela começou a tremer.

Rabastan se assustou e quando notou que ela iria cair, correu para segurá-la. Ela estava tensa, dura, ainda trêmula. Então ela arfou e abriu os olhos, segurando a própria cabeça, voltando ao normal.

—Você está bem? – perguntou ele. Alhena engoliu em seco e concordou, tremendo mais do que nunca.

—E então? – perguntou o Lorde das Trevas – O que você viu?

—Eu... eu nem sempre entendo as minhas visões. – murmurou ela. Rabastan sentiu um calafrio e olhou para o mestre. Ele a olhava muito sério – Mas... mas eu vi o Beco Diagonal. Eu vi o senhor Olivaras.

—Por que? Por que o senhor Olivaras? – perguntou o Lorde. Alhena respirou fundo.

—Eu preciso de um papel... – murmurou ela – e uma pena.

O Lorde das Trevas a olhou com atenção e pegou a varinha para conjurar as duas coisas. Alhena pegou o pergaminho e desenhou um triângulo, com um círculo e uma linha vertical dentro.

—O senhor Olivaras se transformou nesse desenho. – murmurou ela. – Foi só isso o que eu vi...

O Lorde das Trevas pegou o pergaminho e pareceu bem interessado.

—Como funciona seu dom, pequena Alhena?

Rabastan, que estava de joelhos ao lado da filha, se levantou e a ajudou a fazer o mesmo. Ela se abraçou novamente.

—Eu não costumo forçar para usar... – explicou ela – Dizem que quando forçamos demais, acabamos prevendo a própria morte e não pensamos mais em outra coisa... por isso eu sempre faço as previsões quando elas veem sozinhas...

O Lorde das Trevas a olhou com atenção.

—Mas você pode forçar uma previsão, como agora... – ele disse calmamente.

—Sim, mas elas são mais incompletas, enigmáticas... é mais fácil de interpretá-las com bolas de cristal, cartas e outras ferramentas. – explicou Alhena. Rabastan seguia olhando dela para o mestre, temendo que ela recebesse alguma missão perigosa.

—Eu entendi. – O Lorde das Trevas caminhou pela sala, pensativo e Rabastan se aproximou da filha, para tocá-la no ombro, de maneira protetora – Isso pode ser interessante... me diga, Alhena. Você já fez algumas previsões importantes?

—Eu previ que o senhor libertaria meu pai da prisão... – disse ela imediatamente.

—Sim, eu já sabia dessa. Foi por isso que me interessei por seu dom magnífico. – riu o Lorde – Algo mais?

—Eu vi Dumbledore morto. – respondeu ela. Rabastan a olhou chocado e todos os olhares foram para ela.

—Quem? Quem matou Dumbledore na sua visão? – perguntou o Lorde, com um enorme sorriso no rosto.

—Eu não vi. – murmurou ela franzindo a testa, se concentrando – Eu o vi morto em Hogwarts. No chão, com os olhos abertos e sem vida.

—E você sabe quando? Você soube quando eu iria vir pelos meus mais fieis comensais... quando Dumbledore vai morrer?

Alhena desviou o olhar, como se não quisesse responder. A apertou de leve no ombro, querendo alertá-la que não escondesse nada do Lorde das Trevas.

—Eu vi várias pessoas numa torre... e... eu vi um amigo meu. Ele usava o uniforme da escola e tinha a varinha na mão. Mas não sei se vai ser ele a matar... mas se ele ainda estava na escola... então Dumbledore deve morrer dentro de três anos.

—Quem! Que amigo é esse seu? Quem eram as pessoas na torre? – perguntou o Lorde – Elas estavam envolvidas na morte de Dumbledore?

Alhena respirou fundo.

—Fale, meu bem. Você está indo bem. – sussurrou Rabastan, completamente orgulhoso.

—Eu vi tia Bella... – respondeu ela – Aquele homem que disse que... aquele sem educação em Azkaban, que falou coisas desrespeitosas pra mim.

—Carrow? – perguntou Rabastan. Ela concordou.

—O professor Snape... e mais pessoas que eu não reconheci. – Alhena então olhou para Lúcio, mas não disse nada.

—Severus, Aminco e Bella... – sussurrou o Lorde, olhando para cada um deles. Bellatrix sorria exultante – Você pode fazer mais previsões, Alhena?

—Não... acho que não... eu... eu estou fraca... – murmurou sentiu a filha se recostar nele. Rabastan a acariciou no ombro.

—Ela está doente, meu Lorde. Precisa se recuperar primeiro.

—Eu quero mais detalhes sobre a morte de Dumbledore. – disse o Lorde – Mas não vou forçá-la. É muito claro que está cansada. – o Lorde se aproximou dela – Vamos cuidar de você, não se preocupe. Logo estará forte o suficiente... Lúcio.

—Meu Lorde?

—Tenho certeza que não se importará de acolher os Lestrange em sua casa. – disse o Lorde – Afinal, Rodolfo é um velho amigo seu e Bella é sua cunhada... – o Lorde olhou novamente para Alhena – Você é da idade do filho de Lúcio, não é?

—Sim... Ela e Draco são do mesmo ano. São amigos. – respondeu Malfoy, com um sorriso satisfeito.

—Que bom. Que bom. – riu o Lorde – Providencie todas as ferramentas possíveis para auxiliar Alhena a fazer suas previsões. Rabastan. Cuide para que ela se recupere logo.

—Claro. Eu vou cuidar dela. – disse contente.

—E Alhena.

Ela respirou fundo e olhou para o Lorde, com atenção.

—Sim, meu Lorde?

Rabastan sorriu ainda mais orgulhoso.

—Eu quero que se alimente direito. Quero você muito forte. Uma bruxa talentosa como você não pode desperdiçar seu valor com inseguranças fúteis. Você é uma mulher bonita. Mas beleza não é nada. O importante é o poder. – ele se aproximou dela e segurou sua mão – Lorde Voldemort não gosta de fraqueza. Somos bruxos. Somos elite. Somos fortes. E você precisa ficar forte. Você entendeu?

—Sim, meu Lorde. – disse ela.

—Você não vai se preocupar com previsões, por enquanto. Você vai se fortalecer e estudar. Afinal... – ele sorriu divertido – Você precisa prestar os N.O.M.s. – ele fez uma pausa, olhando para ela – Já que eu estou com tempo, eu vou garantir que não vai ter seus estudos negligenciados. Sorria. Vai aprender com o maior bruxo que existe. Lorde Voldemort.

Alhena arregalou os olhos, chocada. E então sorriu animada.

Não poderia ficar mais orgulhoso.

**

Rabastan acordou cedo, apesar de ter dormido muito tarde. Olhou para a cama do lado, no quarto de hóspedes dos Malfoy. Alhena dormia tranquilamente. Se sentou em sua cama e se perguntou se já teriam notado que ela estava desaparecida. Avery tinha garantido que conseguiria tirar o rastreador dela. Mesmo que tentassem rastreá-la, não iriam conseguir. Ela poderia praticar e estudar tranquilamente.

Só precisavam esperar uma semana ou duas.

Sorriu ao se lembrar do quanto a filha tinha se portado bem. Estava tão orgulhoso. Tão orgulhoso...

Se levantou e se espreguiçou. Coçou o ombro onde Emily o tinha arranhado e soltou um suspiro. Pensou em sair do quarto e comer alguma coisa, mas não quis deixar a filha sozinha. Não com Rodolfo na mesma casa que eles.

Caminhou até uma estante com alguns livros. Pegou um e começou a ler para se distrair. Mas logo se cansou. Caminhou até sua mochila e pegou as cartas que Rasalas tinha escrito. Ficou relendo, uma por uma. Sua favorita era uma em que ele contava que tinha sido agarrado pela lula gigante, logo depois de beijar uma garota chamada Daphne Greengrass. Queria conhecer essa menina...

Rasalas começou bem, mas desandou...

Continuou lendo as cartas do filho e depois pegou o caderno que Alhena tinha lhe dado, anos atrás. Ficou olhando os desenhos com carinho. Desenhos infantis, mas ainda assim, lindos de ver.

Já era quase onze da manhã quando Alhena acordou. Deixou que ela dormisse até tarde, já que a tinha acordado de madrugada. Ela soltou um bocejo e se espreguiçou.

—Bom dia.

—Quantas horas? – perguntou ela coçando os olhos – Dormi mais que a cama.

—Já são quase onze horas. Vamos tomar café da manhã?

Alhena fez uma careta.

—Nunca tomo café da manhã. Eu acordo enjoada... vou pular para o almoço mesmo... – murmurou ela.

—Tome pelo menos um copo de leite. – sugeriu calmamente. Imaginava que ela apenas estava desacostumada a tomar o café – Com o tempo você se reacostuma a tomar café...

—Se eu comer agora, não vou conseguir almoçar. Já está muito tarde e...

—Lena... – murmurou sorrindo. Se levantou e caminhou até ela. – Fique aqui. Eu já volto.

—Ok... – murmurou ela voltando a se deitar, cheia de preguiça.

Saiu do quarto e caminhou pela mansão Malfoy. Logo encontrou Bellatrix, que conversava com a irmã.

—Bella. – chamou. A mulher o olhou, arqueando a sobrancelha – Pode me fazer um favor?

—O que?

—Mostre para Alhena o quanto ela está magra. – disse – Ela acha que está muito mais “gorda” que você... eu acho que estão com praticamente o mesmo corpo.

Bellatrix se levantou e sorriu.

—Um pouco de tratamento de choque para acordar a menina pra vida?

—É. – riu Rabastan – Eu já volto, Ciça.

—Tudo bem. – riu Narcisa, calmamente.

Rabastan e a cunhada voltaram para o quarto de hóspedes. Alhena estava terminando de se vestir, quando entrou. Corou sem jeito e desviou o olhar. Ela pareceu ficar sem jeito também.

—Lena. Sua tia veio conversar com você. Eu vou ficar aqui fora. – disse sem olhar para a filha. Saiu e fechou a porta se perguntando se aquilo iria dar certo...

***

Bellatrix olhou sua sobrinha e deu um sorrisinho. Alhena a olhou um tanto sem jeito e tentou sorrir amigavelmente.

—Bom dia, tia Bella.

—Tire a roupa. – disse severamente, abrindo o próprio vestido. Alhena corou sem jeito e a olhou confusa.

—Por que?

—Faça como eu disse. – adicionou no mesmo tom. Alhena obedeceu, tirando a camisa e a calça. Quando ela ficou só de calcinha e sutiã, entendeu o motivo da preocupação de Rabastan. Ela estava terrivelmente magra. Soltou um suspiro e se aproximou. Então girou no mesmo lugar – Eu estou magra, não estou? – perguntou.

—Sim.

—Olhe aqui... minhas costelas... meus ossos evidentes. Eu costumava ser carnuda... Os homens sempre olhavam para mim, quando eu passava. Mas agora eu estou apenas pele e osso. Olhe minhas mãos... ossudas. – Alhena as olhou atentamente – Olhe minhas pernas... o quadril. Dá pra ver o osso do quadril, não é?

—Sim...

—E minha bunda. – Bellatrix se virou – Eu costumava ter uma bunda redonda e empinada. Rodolfo adorava dar uns tapas nela... mas agora não sobrou nada. Azkaban tirou toda a minha beleza. Eu estou apenas um saco de ossos. Concorda?

—Não é pra tanto... – murmurou Alhena, sem jeito.

—Não precisa tentar ser gentil comigo. Eu sei que estou. Então diga a verdade. Eu não estou? Um saco de ossos? – A garota concordou, sem jeito. – Me dê suas mãos. – pediu Bellatrix. Ela obedeceu. Colocou as mãos dela em sua costela – Sente? Não há nada, além de pele e ossos. Me aperte. Me toque. Veja como é horrível. Minha carne murchou.

Alhena obedeceu, a olhando com algo que parecia medo. Sentiu as mãos da menina passearem por seus braços, de maneira tímida.

—Azkaban é um lugar horrível... – murmurou ela.

—Sim. É mesmo. – concordou Bellatrix – Venha, meu bem. – disse com uma voz mais amável – Você precisa entender... vem comigo. – Alhena a seguiu para frente de um espelho. Ficaram lado a lado. A garota era dois dedos mais baixa que ela, apenas – Olhe, querida. Olhe pra mim e pra você.

Alhena esbugalhou os olhos. Rabastan não estava errado. O corpo dela estava bem parecido com o seu. Tão magro. Tão pequeno e frágil... a garota olhou para as próprias costelas, para a clavícula, para o quadril. Ela escondeu a boca com as mãos, chocada. Terrivelmente chocada. A menina soluçou e olhou as próprias mãos ossudas, ressequidas.

—Meu... meu Merlin... – murmurou ela horrorizada consigo mesma – Não... não pode ser. É um truque... é um truque.

—Não é um truque, Alhena. É a verdade. – disse Bellatrix – Olhe pra si mesma. Olhe pra mim... estamos horríveis.

A garota arfou, envergonhada e seus olhos se encheram de água.

—O que eu fiz comigo mesma? – perguntou ela, chorando.

—Você cresceu num lar desequilibrado, menina. – disse Bellatrix pegando as mãos dela – Mas nós vamos cuidar de você agora. Você vai ficar melhor, ok? Nós vamos ficar fortes novamente e vamos fazer isso pelo Lorde das Trevas... – Bellatrix segurou o rosto dela, carinhosamente. Sempre dissera que nunca desejara ter filhos, mas era mentira. Ela sempre quis ter uma filha. Uma garota forte e talentosa. Como ela mesma. Porém, depois do que vira Rodolfo fazer com os Valentine, desistiu de ter filhos com ele. Bebeu uma poção de esterilidade e fingiu que era oca – O Lorde nos salvou da escuridão. Ele é um homem maravilhoso. Um sábio. O mais poderoso do mundo.

Alhena respirou fundo.

—Eu não sei se vou conseguir, tia. – murmurou Alhena, baixando os olhos – Eu nunca fui ninguém, sem o Rasalas. Ele quem é o corajoso... eu quase achei que ele iria para Grifinória...

—Rasalas pode ser corajoso, mas você é esperta, não é? – a garota deu de ombros, modestamente – Eu sei que é. Quando eu te vi, aquele dia, quando foi visitar o seu pai... eu soube que você era uma garota esperta. Você logo vai entender o quanto nosso mestre é maravilhoso. Ele só quer o melhor para todos.

Alhena respirou fundo.

—Mas vocês matam tanto... eu... eu não tenho estômago pra isso.

—Eu sei. Você é só uma garota doce. – murmurou Bellatrix. Ela não era mais do que uma garota inocente. Tinha absoluta certeza disso – Nem todos têm estômago para matar. Isso é verdade. Mas entenda. Nem todos precisam matar. Alguns tem função meramente política. Outros apenas espionam... e outros lutam. Seu pai lutava porque ele era muito bom duelando. Ele e Rodolfo eram guerreiros destemidos, poderosos. No final, quando notavam que os irmãos Lestrange quem estavam vindo, todos tremiam. Todos tinham medo. O mesmo comigo. Eu luto. Eu batalho. Eu tomei gosto pelas batalhas. Sempre gostei de duelar... mas... veja. O Sr. Malfoy, por exemplo. Ele não era de matar. Ele tirava informações e precisava machucar algumas pessoas... era a guerra... mas ele não matava. Sim, ele duelou várias vezes, mas sempre evitava matar. Existem outros assim. Você pode ser desse jeito. Pode nos ajudar de maneira imensurável... daqui. A salvo. Sem sangue, sem violência. Só precisa ver o que for importante e nos contar. E o Lorde vai apreciar seus serviços. Eu tenho certeza.

A garota sorriu timidamente.

—Eu... eu vou tentar. – ela respirou fundo – Ele é mesmo impressionante.

—Ele é maravilhoso. – concordou sorridente – Agora se vista. Você já tomou café da manhã?

—Ainda não.

—Então vamos nos vestir para comer. Vou comer com você. Para recuperarmos a boa forma juntas. E quando estivermos saudáveis de novo, todos vão virar a cabeça de novo para nos olhar. Principalmente você, que é jovem e intocada.

Alhena corou furiosamente e concordou.

—Ok... eu vou comer. – disse ela calmamente.

Bellatrix sorriu. Era tão fácil convencer esses adolescentes inseguros...

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Notas finais
Será que agora essa menina Alhena toma um jeito? Será que Rabastan vai acertar onde todo mundo errou? E como Rasalas e Emily vão ficar???? D= E como assim a Alhena aceitou ir com o pai? Logo a Lena??? A resposta para essas e mais perguntas, vocês encontram nos próximos capítulos! Então comenteeeeeeem!!!! E mais uma vez, obrigada pela recomendação ^-^ Beijossss