Legado Lestrange
38 Vou Fazer da Sua Vida Um Inferno
Notas iniciais
1997
Hogwarts
Rasalas rebateu o balaço contra Alhena, mas Blair a defendeu e ela pode arremessar a goles contra Damian, mas ele a defendeu.
–Boa tentativa, Estrelinha... mas vai precisar mais do que isso. – riu ele jogando a goles para Sebastian. O veterano pegou a goles, mas parou no ar.
–Uma pausa de cinco minutos, Rasalas. Por favor. – pediu ele.
Estava cansado, seu braço doía e tinha calos na bunda, por causa da vassoura.
–Vamos. Cinco minutos, galera. – disse concordando, desejando que uma brisinha fresca batesse em seu rosto. – Astoria, você está indo muito bem. – elogiou a caçulinha do time. Astoria levantou os polegares, contente.
Desceram para o chão e Rasalas pegou um pouco de água de um tonel cheio de gelo. Tinha colocado um feitiço no gelo, para que não derretesse. Por conta disso, as garrafinhas de metal estavam deliciosamente geladas.
Olhou para a arquibancada e viu Daphne, Pansy e Emília batendo papo. Mas Daphne lhe mandou um beijo e ele fingiu que o pegava e o levava para os lábios. Daphne sorriu da arquibancada e Rasalas sorriu contente.
Do seu lado, Damian e Alhena estavam trocando sorrisos contentes, Avery dava algumas dicas para Nott. Blair estava colocando pedrinhas de gelo na nuca, para se refrescar. Estavam aproveitando o intervalo, quando Damian falou, carrancudo.
–O que aquele idiota está fazendo aqui?
Rasalas piscou e olhou para a direção que Damian olhava. Jacques Pierre vinha, fumando um cigarro, com aquela insana jaqueta de couro preta. Ele deveria estar cozinhando ali. Pierre se aproximava com um sorrisinho debochado e Rasalas não gostou nada de vê-lo ali. Até onde sabia ele tinha se tornado artilheiro do time da Corvinal.
–Não seja grosso! – ralhou Alhena – Ele é meu amigo.
–Não gosto dele. – resmungou Damian – Ele me enrolou naquele dia em que eu... – ele se calou sem jeito e Alhena o olhou com um sorrisinho ácido.
–Se enfiou nas saias da Deshayes?
Todos olharam para Damian e ele corou.
–Bem... sim... – resmungou ele.
–Lena, mande ele embora. Nosso próximo jogo é contra a Corvinal e eu não quero ele bisbilhotando. – disse Rasalas com autoridade. Alhena concordou e avançou até o colega, que a abraçou parecendo íntimo demais. Ele sussurrou alguma coisa no ouvido de Alhena e olhou de maneira insolente para Damian. Precisou segurar o amigo pelo pulso, pedindo calma com o olhar.
–Isso vai dar merda. – resmungou Avery – Vamos azará-lo e tirá-lo daqui.
–Sem azarações, por enquanto. Vamos ver se a Lena cuida dele. – respondeu Rasalas, estudando Pierre com o olhar. Conseguia ouvir o que eles conversavam, apesar de não ter compreendido o que ele sussurrara no ouvido da irmã.
–Estou com saudades, Lena. Nunca mais tivemos nossos encontros. Me esqueceu depois que começou a namorar aquele sonso. – riu ele, olhando direto para Damian, que não parecia menos calmo.
–Jack. Precisa sair daqui. A gente conversa depois do treino, ok? – perguntou Alhena de maneira quase doce. Se recordou que ele fora o único amigo que ela tivera em Beauxbatons e que por muito tempo em que ela estudara lá, ele foi mais do que um simples amigo. Entendia muito bem o motivo de Damian não gostar dele.
–E se eu não quiser só conversar? Como faz? – perguntou o garoto com malícia. Rasalas fechou a cara, o achando muito abusado.
–Eu sinto muito pra você. – riu Alhena – Mas eu estou comprometida.
–Ah, sim... com o amor da sua vida. Damian Burke. – debochou ele – Eu sou muito melhor que esse seboso.
–Vamos, Jack. Não seja bobo. – riu Alhena – Não atrapalhe o nosso treino, ou meu irmão vai ficar zangado comigo. O que raios veio fazer aqui? Poderia ter me procurado em qualquer outro momento!
Pierre olhou para eles, novamente. Principalmente para Damian.
–Seja o que for, mantenham a calma. – pediu Rasalas. Seus colegas ficaram alertas e Pierre avançou até eles. Alhena ainda tentava fazê-lo recuar, mas ele simplesmente continuou vindo – O que quer, Pierre? – perguntou Rasalas, batendo o bastão de batedor no próprio ombro.
–Eu só vim cumprimentá-lo. – riu Pierre, estendendo a mão – Nunca fomos realmente apresentados.
–Poderia fazer isso depois? Estamos tentando treinar. – resmungou Damian. Pierre olhou para ele e sorriu com desdém.
–Você é o famoso Burke, não é? – perguntou ele baixando a mão que Rasalas não apertou.
–Jack. Por favor, não arrume confusão... – pediu Alhena
–Eu já ouvi falar bastante de você. – continuou Pierre olhando para Damian com pura raiva. Rasalas notou que as meninas tinham descido da arquibancada e vinham apressadas – Sua família é reconhecida pelos negócios. São grandes empresários, não são? Fazem comércio no mundo inteiro.
–Isso mesmo. – respondeu Damian cruzando os braços – Que bom que já ouviu falar da minha família. Eu, ao contrário, nunca ouvi falar da sua.
Avery e Nott deram risadinhas e Alhena fez uma careta.
–Engraçado. Eu soube que vocês vendem muitas coisas ilegais... e compram também. – riu Pierre sem parecer ofendido – De onde eu venho, não chamamos de comércio. Temos um nome bem específico, na verdade. Contrabando, tráfico. É isso que sua família faz, certo?
–Retire o que...
–E se eu fosse você, prestava mais atenção no nome da MINHA família. – riu Pierre, sem parecer intimidado com o olhar zangado de Damian – Meu pai é um auror reconhecido internacionalmente. Se não se comportar, Burke, meu sobrenome vai se tornar seu pesadelo pessoal.
–Jack, pare com isso! – pediu Alhena se colocando entre os dois, mas Damian e Pierre nem pareciam ter notado ela ali. Só se olhavam com desprezo.
–Você? Meu pesadelo? Não me faça rir. E se seu papaizinho se perder na Travessa do Tranco, ao tentar mexer com a minha família, pode ser que não o encontrem de novo. – riu Damian.
–Damian, por favor... – pediu Alhena, tentando por tudo deixá-los longe dos punhos um do outro.
–O que está acontecendo aqui? – perguntou Pansy.
–Esse Corvina maluco. – riu Avery – Veio se meter com as serpentes. Sozinho.
–Águias não temem serpentes. – riu Pierre, mas ele ainda olhava para Damian.
–Mas não entram em seus ninhos também, né, meu bem. – riu Pansy abraçando o braço do Corvina – Vamos, querido. Deixa eu te tirar daqui antes que o Rasalas enfie aquele bastão na sua garganta.
–Vai ser o menor dos problemas dele. – riu Damian – Esse francesinho deve estar acostumado a receber coisas maiores, por trás.
–Damian Burke! – ralhou Alhena. Pierre olhou para Damian, com um sorrisinho zangado.
–Só porque você e seu namorado gostam de ficar enfiando os bastões de quadribol no cu um do outro, não quer dizer que eu goste também, Burke. – Ele deu um sorrisinho e olhou Alhena com malícia – Meu gosto sempre foi mais... refinado, sabe?
–Como é? – perguntou Damian, avançando contra Pierre. Blair o segurou com firmeza e Alhena e Pansy puxaram o francês para longe.
–Fala sério. Achei que os Corvinais eram inteligentes! – ralhou Pansy – Vem, fofo. Antes que eles desfiem você. – disse ela se afastando com ele. Alhena voltou para junto de Damian, tentando acalmá-lo – Você precisa aprender sobre o veneno Sonserino, antes de mexer com qualquer um de nós, queridinho.
Rasalas olhou para os dois e sentiu uma coisa estranha no estômago, mas deu de ombros, agradecido por Pansy ter se livrado do garoto antes que algo realmente ruim acontecesse.
*
Jacques abriu os olhos e notou que estava na estufa número dois. Piscou, sem se lembrar como tinha chegado lá e olhou ao redor. Apenas uma garota da Sonserina estava ali, de braços cruzados, varinha na mão e um sorrisinho que o fez lembrar-se da ex namorada com perfeição.
–O que raios você fez comigo? – perguntou ele, chocado. A garota sorriu e veio andando até ele, com aquele sorriso travesso e malicioso, o olhar quase cruel.
–Eu precisei ser mais persuasiva com você. Só isso. – riu ela.
–Você me azarou? – perguntou ele, chocado – Imperius?
–Pois é. Impressionado? – riu ela brincando com o zíper da jaqueta dele – Vai mandar papai me prender?
Jacques a olhou feio e a segurou pelo pulso.
–Deveria. Nunca mais ouse fazer isso. – rosnou, zangado, mas a garota apenas riu com desdém.
–Você é tão bonitinho. – riu ela. Ele revirou os olhos, se perguntando se seria só mais uma garota querendo pular dentro de suas calças. Não seria a primeira e nem a última – Mas é tão burro... ainda mais pra alguém da Corvinal. – debochou ela. Fechou a cara, zangado e apertou o pulso dela com mais força, querendo intimidá-la, mas ela seguiu encarando-o com aquele arzinho superior – Qual o seu lance com a Alhena? O que quer com ela?
–Isso não é da sua conta. – rosnou a soltando. Pegou um cigarro no bolso e o acendeu, zangado. Estava para se virar e ir embora, mas a voz dela o fez se interromper.
–Aposto que só quer alimentar o ego, não é? A garota que não descruzou as pernas pro seu charme, mesmo depois de todas as suas investidas. – riu ela. A olhou com desdém, mas não soube dizer se conseguira disfarçar a surpresa perfeitamente – Ela já está transando com Burke. Como se sente sendo passado pra trás por aquele garoto? Aposto que está se roendo por dentro.
–Cale a boca. – rosnou.
–Aposto... – ela veio se aproximando, com um sorrisinho cruel no rosto. O rabo de cavalo balançando de acordo com os movimentos dela – ...que está louco para se vingar... estava morrendo de vontade do Burke tentar te azarar, não é? Você estava torcendo pra ter a chance de se defender e mandá-lo pra casa numa caixa, não é? Em “legítima defesa”?
–Sou tão transparente assim? – perguntou ele com deboche. A garota sorriu com desdém e se aproximou para pegar seu cigarro. Por um momento teve vontade de não deixar, mas resolveu permitir. Ela tragou com propriedade e soltou a fumaça em sua cara, para depois devolver o cigarro.
–É um livro aberto pra mim, Pierre. – riu ela – O que estaria disposto a fazer para conseguir Alhena?
A olhou com interesse e cruzou os braços.
–O que quer dizer?
–Eu posso estar disposta a te ajudar a sabotar o namoro deles. Eu e Alhena dormimos no mesmo quarto e ela confia em mim, sabe?
–Por que estaria disposta a me ajudar e por que acha que eu preciso da sua ajuda?
–Porque sem minha ajuda, você vai acabar fatiado pelos amigos do Damian. – riu ela, calmamente, olhando as próprias unhas – E porque eu gosto do Damian e o quero pra mim, do mesmo jeito que você quer a Alhena.
Piscou, surpreso.
–Está disposta a trair sua amiga? – perguntou se perguntando se tinha encontrado a versão inglesa de Mona.
–Estou disposta a fazer a vida dela um inferno, se isso me garantir o que eu quero. – respondeu ela com aquele sorrisinho sinistro.
Jacques tragou seu cigarro sorrindo e soprou a fumaça.
–Temos aqui uma aliança? – perguntou ele.
–É só me seguir, fofo. – riu ela, daquele jeitinho diabólico.
**
Rasalas soltou um gemido com a massagem de Daphne. A namorada massageava seus ombros, depois de massagear seus braços. Estava completamente relaxado.
–Daphne... se nada der certo e você negativar os N.I.E.M.s, você pode virar massagista... – murmurou maravilhado com a massagem dela. Estavam no dormitório feminino, apenas ele e Daphne. Damian tinha combinado de dormir no dormitório masculino, com Alhena, então não esperava vê-lo antes do sol raiar.
–Eu espero não acabar como massagista. – riu ela.
–Relaxa. Eu sou rico. Eu sustento a gente. E eu serei seu único e assíduo cliente. – disse com um sorriso no rosto.
Pansy saiu do banheiro, com seu robe de seda, aberto, sutiã preto e um shortinho.
–Olá pra vocês. – riu ela, despreocupadamente.
–Amiga, você pode ser mais discreta? Meu amor está aqui. – ralhou Daphne. Pansy deu uma risadinha.
–Rasalas já me viu tantas vezes assim... não é novidade nenhuma pra ele mais. – riu ela, tranquilamente – Mas eu vou pra minha cama e fecho as cortinas. Não quero ficar me exibindo pro seu homem, obrigada. – riu Pansy, fechando as cortinas, ao sentar na cama.
No mesmo segundo Damian e Alhena apareceram, andando colados, num beijo fogoso.
–Erraram o dormitório. – riu Rasalas.
–Não. Só vim pegar meu chá de lua. – riu Alhena se abaixando para pegar um frasco azul escuro dentro do malão. Rasalas fez uma careta, sentindo-se desconfortável e Damian o olhou sem jeito – Aqui. – riu ela abrindo o frasco, para beber de uma vez. Ela fez uma careta e jogou o vidrinho vazio em cima da própria cama – Prontinho. Boa noite pra vocês.
–Falou. – riu Damian. Rasalas e Alhena acenaram em despedida e Damian pegou Alhena no colo, para levá-la para o dormitório.
–Que bom que eles estão indo bem. – riu Daphne – Alhena está toda apaixonada.
–Damian também. – riu Rasalas – Eu sou ciumento que nem ele? – perguntou franzindo a testa.
–Não. Você só é ciumento quando alguém me falta com o respeito. Normalmente você é bem de boa.
–Eu devia ser um saco com a Alhena... porque o Damian é insuportável. – riu Rasalas.
–Bem... o Damian é até normal. Ele passou a vida apaixonado por ela e eles são um casal... você criou tentáculos espinhosos e venenosos ao redor da própria irmã... era meio esquisito, na verdade. – riu Daphne.
–Você acha? – perguntou Rasalas – Sei lá... eu sempre fui super protetor com a Alhena, porque ela não parecia saber se defender sozinha. Ela era minha melhor amiga... ela e minha mãe eram as duas pessoas mais importantes da minha vida. – suspirou ele. Rasalas olhou para trás e puxou Daphne – Mas você está quase em pé de igualdade agora...
–Quase? – perguntou Daphne, fazendo biquinho. Ele deu uma risadinha.
–Eu sou um garotinho da mamãe. – murmurou se deitando em cima dela – Quando eu digo que te amo quase tanto quanto amo a minha mãe... isso é coisa pra caralho. – riu ele. Daphne sorriu e concordou.
–Ok. – riu ela – Eu aceito o terceiro lugar no seu coração.
Rasalas sorriu e a beijou novamente, entrelaçando os dedos com os dela.
–Daphne... – sussurrou a beijando com carinho.
–Sim?
Eles se olharam com intensidade por alguns segundos.
–Casa comigo... quando terminarmos o colégio? – perguntou ele. Daphne concordou casualmente.
–Caso.
–Eu falo sério. – riu ele – Não é um pedido bobo, de brincadeira... eu amo você... você me ama apesar de todos... todos meus... hum... problemas... – murmurou – Eu nunca vou conhecer alguém tão perfeita pra mim quanto você. Então casa comigo.
Daphne sorriu de um jeito simplesmente lindo.
–Eu sonho em casar com você desde criança, Rasalas... eu te amo desde antes de entender o que significa amor... você acha que o Damian gosta da Lena desde sempre? – ela negou com a cabeça – Eu te amo, desde sempre. Eu não me imagino com outra pessoa além de você.
Sorriu imensamente feliz e a beijou novamente. Sacou a varinha e fechou as cortinas e as deixou a prova de som. Mesmo com a aproximação da lua cheia, onde ficava mais selvagem, conseguiu se controlar, para não machucar Daphne. A deixou ficar por cima, para que ela ditasse o ritmo e quando terminaram, dormiram abraçados.
Sonhou que estava naquela casa abandonada com Avery o empurrando contra a jaula. Grayback parecia mais um demônio do que um lobisomem, com os olhos vermelhos e o pelo negro e lúgubre, os rosnados simplesmente assustadores. Quando estava para ser mordido, abriu os olhos, sentindo o corpo tenso.
Daphne dormia completamente tranquila ao seu lado. Tentou dormir de novo, mas sempre via Grayback em seus sonhos. Voltou a vestir o pijama e saiu da cama, subindo os degraus para o Salão Comunal. Draco estava lá, dormindo esparramado no sofá, a varinha nas mãos e um cubo de metal, cheio de peças na barriga. Se perguntou o que raios era aquilo.
Cutucou Draco na bochecha e ele resmungou dormindo. Cutucou de novo e ele tentou dar um tapa em sua mão, como se tentasse afastar uma mosca, ou qualquer coisa assim.
–Astoria... – murmurou ele. Rasalas deu um sorrisinho e imitou a voz da garota.
–Oh, Draco.
–Astoria... – repetiu Draco com um sorriso no rosto. Rasalas deu outro sorrisinho e apertou o nariz do amigo. Draco tentou tirar o rosto, mas então acordou de uma vez. Caiu na gargalhada e Draco o olhou zangado – Seu filho duma mãe. – rosnou o loiro, coçando os olhos.
–Eu venho aqui te acordar, pra te levar pra cama... e você me trata assim? – perguntou Rasalas, imitando o biquinho de Daphne. Draco o xingou baixinho e bocejou.
–Quantas horas?
–Uma e meia da manhã. – respondeu. Draco concordou e soltou outro bocejo.
–Preciso dormir. Estou morto. – resmungou Draco ficando de pé. Ele pegou o cubo e o colocou no bolso.
–O que é isso?
–Um cubo de remendo. – respondeu Draco – Pra praticar transfiguração avançada.
–Antes de aprender transfiguração avançada, deveria fazer suas tarefas. Fiquei sabendo que recebeu outra detenção da McGonagall. – ralhou Rasalas. Draco se espreguiçou e deu de ombros.
–É... tem razão. – murmurou Malfoy, mas parecia que ele simplesmente não dava a mínima – Boa noite, Ras.
Ele estava para descer para o dormitório, quando Damian apareceu, com uma capa preta. Ele os olhou, surpreso.
–O que estão fazendo aqui? – perguntou ele.
–O que você está fazendo aqui? E vestido dessa maneira? – perguntou Rasalas. Damian deu de ombros.
–Negócios de família. – respondeu ele colocando o capuz e indo em direção à passagem secreta.
–Alhena sabe que você dá essas escapadinhas a noite, Damian? – perguntou Draco, cruzando os braços e olhando torto para Damian. Rasalas olhou o amigo com um olhar inquisidor e Damian soltou um muxoxo.
–Eu não estou indo dar uma escapadinha. – ralhou Damian – Estou indo num ponto de encontro, pegar encomendas. É trabalho, não entretenimento, ok? – resmungou Damian, indo para a saída.
–Então não tem problema se a Lena souber? – perguntou Draco.
–Claro que não. – riu Damian – Não to fazendo nada de errado... – ele parou e sorriu se virando – Em relação ao nosso namoro, pelo menos. Eu não tenho permissão pra sair rondando por ai...
Os três deram risadinhas e Damian saiu. Rasalas e Draco foram para o dormitório masculino e Draco espiou a cama de Damian, pelas cortinas, na intenção de olhar Alhena. Rasalas o puxou pela orelha e ele fez uma careta.
–Brincadeira. Brincadeira! – riu Draco.
***
Rasalas iria voltar para casa de Lupin, para se transformar. Daphne já estava olhando para ele com os olhos tristes, apesar dele ter o dia inteiro ainda com ela. Alhena sorriu, achando fofo o quanto os dois gostavam um do outro. Seu irmão merecia aquilo. Todo aquele amor que Daphne transbordava. Tão puro, sincero e bonito.
Olhou para o lado e viu Pansy pagar Damian por uma caixa do tamanho de um prato. Ele contou as moedas e os dois apertaram as mãos. Alhena sorriu para o namorado, que se sentou ao seu lado, para lhe beijar na bochecha.
–Oi, coisa linda da minha vida. – riu Damian.
–Coisa? – perguntou fazendo careta. Ele deu uma risada e a cheirou no cangote, lhe arrancando um sorriso. Alhena fez beicinho e ele a beijou estalado.
–Eu estava pensando... – riu Damian – Vamos ter um passeio para Hogsmeade nesse fim de semana, que está por vir. – ele sorriu de maneira cafajeste – Quer alugar um quarto, pra abusar de mim o dia inteiro?
–Já não basta abusar de você na sua cama, na minha, no seu banheiro e no sofá do Salão Comunal quando ele fica vazio? – perguntou Alhena com um sorrisinho.
–E essa é minha irmã, senhoras e senhores! – resmungou Rasalas com a boca cheia de bacon – E meu melhor amigo.
Damian e Alhena trocaram um sorriso divertido e Damian a olhou.
–Nós nunca fizemos no Salão Comunal... mas é uma boa ideia. – riu Damian.
–Eu sempre tenho boas ideias.
–Tipo aquela em que usou os peitos para... – começou ele, mas Rasalas jogou um belo pedaço de ovo na cara dele.
–EU NÃO PRECISO DISSO NO CAFÉ DA MANHÃ, OK? – ralhou ele, arrancando risadinha dos dois.
A primeira aula do dia seria Herbologia e Damian foi com ela, com o braço em volta de sua cintura.
–O que você estava falando para implicar com o Rasalas? – perguntou Alhena.
–O conceito “espanhola” lhe é familiar? – perguntou Damian. Alhena franziu a testa e negou com a cabeça – Já sei o que vamos fazer em Hogsmeade nesse fim de semana. – riu ele. Alhena sorriu achando graça, mas não iria aguentar esperar o final de semana para descobrir o que era uma espanhola.
–O que é esse conceito? – perguntou curiosa. Damian deu uma risadinha safada e a olhou com malícia.
–Você me masturbar com os seus seios.
–Qual a graça disso? – perguntou arqueando a sobrancelha e Damian a olhou incrédulo.
–Toda a graça. Amo quando você me toca. Amo mais ainda quando me toca lá. Amo os seus seios. Amo quando eles tocam em mim... agora junta tudo. – riu ele. Alhena sorriu do sorriso sonhador dele – Ah... só de imaginar, já to todo animadinho. – resmungou ele se ajeitando melhor na calça – Ok, Damian... pense na sua avó com aquela roupa esquisita que ela gosta de usar pra dormir. Não fique duro aqui, no meio do nada. – Alhena quase caiu na gargalhada, abraçada a ele.
–Você é um bestão. – disse olhando para ele. Damian sorriu e a beijou na bochecha.
–Você que me deixa assim, todo bobo... e todo... hum... – ele a olhou sugestivamente, com aquele sorrisinho cafajeste – animado...
–Se te conforta, você me deixa toda animada também... é só me olhar desse jeitinho ai. – riu apertando a bochecha dele – Damian. Posso pedir uma coisa? Pro final de semana? – sussurrou baixinho. Estavam mais afastados dos amigos, mas mesmo assim preferiu falar mais baixo. Rasalas era um lobisomem, afinal.
–Claro. O que?
–Teve um dia... lembra quando eu e a Pansy nos pegamos.
–Sim. Sempre que tomo banho, por que?
–Seu nojento! – ralhou ela, lhe dando um tapa no braço, mas ambos estavam rindo.
–Sim, eu me lembro.
–Então... naquele dia... antes de você aparecer e se recusar a ir embora... a Pansy falou um pouco sobre... bem... sobre vocês. – disse um tanto tímida. Damian fez uma careta.
–Devo ficar preocupado?
–Não. – riu ela – Pansy disse que você não era grande coisa com os dedos, mas que seu oral era maravilhoso.
–Como assim, não sou grande coisa com os dedos? – perguntou ele, fechando a cara.
–Eu não sei. Eu acho seus dedos maravilhosos. – riu Alhena, entrelaçando a mão com a dele – Mas estou curiosa sobre suas outras habilidades...
–Achei que você não iria gostar. – murmurou Damian a olhando constrangido – Você é toda tímida... mas se quiser eu faço sim. Com prazer. – disse ele. Alhena corou, ansiosa pelo fim de semana e Damian a abraçou ao redor dos ombros – Mas... se você não se importar... eu queria que retribuísse... afinal... eu lembro de você falando que gostava de paus e de engolir.
–Céus, eu estava bêbada quando disse isso! – resmungou morrendo de vergonha.
–Maninha! Você não presta! – gritou Rasalas, lá de longe.
–VAI CUIDAR DA SUA VIDA! – gritou de volta, corando muito – Precisamos falar aos cochichos pelo resto do ano letivo. – resmungou baixinho. Damian deu uma risadinha e a abraçou mais um pouco.
–Seu irmão fala como se fosse um santinho. Ele contou sobre o anal que teve com a Daphne.
–Ela comentou também. – disse Alhena. Aquilo não faria nunca...
–Posso pedir pra...
–Não. O senhor ficará longe da minha bunda. – disse de uma vez. Damian a olhou com um biquinho e ela desviou o olhar – Ah, não. Não vem fazer essa carinha pra mim.
–Vai, Lena. Só a cabecinha?
–Isso não tem ombro. – disse apontando para as calças dele – Eu não sei o que é esse “só a cabecinha”.
Damian deu uma risada e a beijou no topo da cabeça.
–Ok, ok... vou me contentar com seu desejo por paus.
–Oh, cale a boca! – resmungou, corando.
–Desculpe, mas eu sonho com isso desde que ouvi você falar que gosta. – riu Damian – Não é toda garota que curte. – ele baixou o tom de voz – Ras mesmo disse que a Daphne nunca fez.
–É... ela disse que tem nojo. – concordou Alhena, baixinho.
–Uma vida sem boquete é uma vida muito triste... um copo de água e um boquete não se nega a ninguém...
–Ei, Lena, me paga um boquete. – riu Draco, aparecendo atrás deles, passando os braços por seus ombros. Draco tinha aquela habilidade de brotar do chão e surgir do nada nos momentos mais constrangedores – Afinal um copo d’água e um boquete... opa! – ele se esquivou da mão de Damian e correu para longe, morrendo de rir – NÃO SE NEGA ISSO, NÃO É, DAMIAN?
–Volta aqui, seu folgado! – rosnou Damian correndo atrás de Draco. Mas ninguém corria tanto quanto o loiro. Ele corria como se o Tinhoso estivesse logo atrás dele.
Sentiu alguém abraçar seu braço e viu que era Pansy. Ela lhe deu um sorriso cheio de cumplicidade.
–Você e o Damian são um casal tão fofinho. – riu ela – Eu quero ser madrinha desse casamento, heim? – perguntou ela – Fui eu quem ajudou vocês no primeiro beijo! Eu tenho vantagem na Daphne.
–Sei lá, heim, amiga... Daphne nunca se engraçou com o bofe alheio. – riu Emília abraçando seu outro braço.
–Ai, gente. Isso acontece, ok? – resmungou Pansy revirando os olhos. Mas em seguida ela fez biquinho – Se não posso ser madrinha de casamento, vou querer ser madrinha de um dos bebezinhos lindos que vocês vão ter, viu?
Alhena sentiu o estômago dar uma cambalhota e se lembrou de sua visão. A que estava casada com ele, grávida, lamentando a morte de Rasalas.
–Pode deixar. – disse sorrindo, confiante de que poderia salvar o irmão, agora que tinha um vira-tempo – Vou ter um filho pra cada amiga ser madrinha de um. – prometeu, arrancando risadinhas das duas.
–Mas então... como vai a vida agora que é sexualmente ativa? – perguntou Pansy – Damian é tão bom quanto eu disse?
–Ele é melhor. – riu Alhena vendo Damian correr atrás de Draco, sem absolutamente nem uma chance de alcançá-lo – Ai, amigas... estou tão feliz! – confessou soltando um suspiro.
–Você merece, Lena. O tanto de merda que você passou. – disse Pansy com convicção – Lembro das poucas cartas que você mandou lá de Beauxbatons. Lá deveria ser horrível.
–Foi horrível, mas não inútil. – disse Alhena.
–Siiiiim... deu pra conhecer Jacques Pierre lá. – riu Emília.
–Céus. Aquele garoto é um tesão. – riu Pansy – Você tem que apresentar ele pras amiguinhas solteiras, viu?
–Exatamente, sua traíra! Como assim ainda não nos apresentou pra ele! – ralhou Emília.
–É complicado. Sempre que eu chego perto dele, o Damian rosna que nem um cachorro com um osso. – riu divertida – Mas eu não o culpo. Jacques é um safado.
–E não vai perder a chance de meter as mãos e o que mais conseguir nas suas calcinhas. – riu Emília.
Pansy deu um sorrisinho.
–Fiquei sabendo que o seu avô teve outra crise... – murmurou Pansy olhando Daphne – Olha a Daph, não desgruda do Ras, porque sabe que ele vai ficar fora uns dias...
–Pois é. – riu Alhena.
–Vamos ajudá-la a se distrair hoje? Vamos fazer uma noite das meninas, ok? – pediu Pansy, toda animada – Eu vou conseguir umas bebidas e vamos nos divertir e bater papo. Que nem aquele dia em que a gente jogou verdade ou consequência, pode ser? – perguntou ela com um sorriso.
–Ok, por mim. – riu Alhena – Eu falo com o Damian que hoje ele vai ficar na mão.
–Tá dando mais que chuchu na serra, heim, menina? – brincou Emília. Alhena olhou para Damian, que voltava bem humorado para perto dela. O cabelo meio bagunçado, a gravata folgada, por conta do calor, os primeiros dois botões da camisa abertos. Ele passava uma mão pelo cabelo enquanto a outra estava no bolso.
–Olha só o meu namorado. Como eu poderia não curtir? – perguntou com um sorriso contente. Suas amigas a abraçaram nos braços e riram, dando espaço para que Damian passasse o braço por sua cintura.
–O que as mocinhas estão conversando, rindo e olhando pra mim, heim? – perguntou ele, sorridente.
–Estávamos falando sobre como você é lindinho. – riu Pansy apertando a bochecha dele. Damian estacou, meio em choque e Pansy saiu com Emília, cheia de sorrisinhos. Damian olhou a namorada com um olhar confuso.
–O que foi isso?
–Isso o que? – perguntou Alhena.
–Ela me chamando de lindinho e me apertando na bochecha. – disse Damian.
–Pansy é assim, oras. – riu Alhena e Damian deu de ombros – E você é mesmo, todo lindinho. – adicionou ela o beijando na bochecha, fazendo-o sorrir.
Temos aqui uma aliança?
É só me seguir, fofo.

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