Notas iniciais
Aiaiaiaiaiai Eu vou confessar que eu pensei em apagar isso aqui tudo e reescrever... Eu até comentei nas notas finais, uns dois ou três capítulos atrás, que estava muito tenso e que não sabia se iria deixar assim. Esperei que vocês intercedessem pelos personagens, mas acho que ninguém prestou atenção.... ashaushaushau Então preparem os corações. Porque esse e o próximo capítulo vão ser os MAIS TENSOS da fic inteira (eu acho...) É isso ai! Vejo vocês nas notas finais! =D

1997

Hogwarts

As cicatrizes do teu amor me fazem lembrar de nós; Me fazem pensar que nós tinhamos quase tudo. As cicatrizes de seu amor me deixam sem fôlego; Eu não consigo parar de sentir. Nós poderíamos ter tido tudo; Amando incondicionalmente. Você teve meu coração na palma de sua mão... E você brincou com ele...
De acordo a batida

Alhena se sentou em sua cama e se colocou a pentear os cabelos. Estava usando sua camisola branca, favorita. Daphne estava com uma blusinha e um shortinho cinza, de aparência confortável. Emília estava de camisola também, mas a dela era preta e mais curtinha, por isso ela usava uma calcinha estilo cueca, bem grandinha e confortável. Pansy usava seu robe de seda vermelha, com uma calcinha de renda preta e um top da mesma cor.

Pansy já trazia três garrafas de hidromel e se sentava no chão mesmo, parecendo super entusiasmada.

—Prontas para uma noite de loucuras? – perguntou ela.

—Três garrafas para quatro garotas... qual a probabilidade de isso acabar numa ressaca desgraçada? – perguntou Daphne – Hum... cento e oitenta por cento.

—Não precisamos beber as três. – riu Pansy tirando uma caixa de cigarros do bolso do robe – Bebemos até ficar satisfeitas e guardamos o resto pra outro dia.

—Desde quando você fuma? – perguntou Daphne, parecendo surpresa.

—Já faz alguns meses, mas não fumo muito. – riu Pansy – Alguém aceita? – perguntou ela acendendo o cigarro.

—Não. – disse Daphne, com uma careta.

—Nem eu. – disse Emília, tranquilamente.

—Eu também não. – disse Alhena. Pansy deu de ombros e tragou o cigarro com propriedade.

—Então... vamos beber. – riu Pansy enchendo os copos. As quatro brindaram e começaram a beber.

Os assuntos variavam desde os professores chatos, até a guerra. Dos garotos mais bonitos até histórias engraçadas que não tinham compartilhado. E todas bebiam animadamente.

Pansy sempre fora a mais forte com a bebida, mas Emília já parecia muito bêbada antes da primeira garrafa terminar.

—Vamos jogar “eu nunca”. – Sugeriu Pansy, colocando mais bebida nos copos.

—Agora que ninguém aqui é virgem, vai ser justo. – riu Daphne.

—Eu começo. – riu Emília – Eu nunca dei a bunda!

Todas menos Daphne caíram na gargalhada. A cunhada fez uma careta e deu um belo gole no hidromel.

—Minha vez. – disse Alhena – Eu nunca... fiz uma espanhola! – disse rindo. Apenas Pansy bebeu – Com quem?

—Draco. E Damian. – respondeu ela – Possível que tenha feito com o Rasalas... mas eu não me lembro.

—OPA! – disse Daphne a olhando em choque – Com o Rasalas?

—A gente meio que transou no dia do Veneno de Fada. Mas nem eu e nem ele nos lembramos exatamente do que aconteceu ou como aconteceu. É tudo uma confusão. – respondeu Pansy – Não tá chateada, né? Eu estava completamente...

—Está tudo bem. – riu Daphne – Aquele dia do Veneno de Fada foi tenso.

—Draco me contou sobre esse dia. Deve ter sido hilário. – riu Alhena – Eu queria ter estado aqui.

—O Damian não teria passado a noite inteira chorando por sua causa. – riu Daphne.

—Chorando? – riu Alhena.

—Feito um sem mãe. – riu Daphne – “Ah, que saudade da Lena. Vou casar com a Lena, mimimi.” – disse Daphne numa imitação de voz grave, arrancando gargalhadas de todo mundo. – Ok, ok. Minha vez! – Daphne pareceu pensar por um momento – Eu nunca... eu nunca beijei o Draco!

Alhena e Pansy beberam.

—Queria ter beijado. – lamentou Emília, fazendo beicinho.

—Morra de inveja, queridinha. – brincou Pansy, enrolando uma mexa de cabelo nos dedos, arrancando risadinhas do grupo – Draco beija bem, mas ele é um safado. Só pensa em sexo...

—Eu não me importaria de quicar no colo dele repetidas vezes. – disse Emília dando de ombros e arrancando mais gargalhadas de todas.

—Ok. Minha vez. Minha vez. – riu Pansy – Eu nunca... eu nunca cogitei transar com Jacques Pierre!

E ela mesmo tomou uma dose, depois Emília e então Alhena.

—Que? – perguntou Daphne.

—Quando eu estava em Beauxbatons... eu cogitei. – riu Alhena – Principalmente depois que o Damian transou com a Deshayes. – adicionou fazendo careta.

—Mas esse Damian não para dentro da própria cueca, heim. – riu Pansy – Emília, sua vez.

—Ok, ok. – riu Emília – Eu nunca... – ela fez uma pausa, pensando, com os olhos pesados já, pela bebida – Eu nunca... eu nunca deixei que gozassem nos meus peitos.

—Céus. Vocês são muito safadas. – ralhou Daphne, bebendo um gole caprichado. Alhena viu Pansy beber também – Blair já fez isso uma vez. Mas eu achei meio nojento.

—Damian fez isso comigo. – disse Pansy com uma careta sem jeito – É muito estranho falar isso com você namorando com ele. – riu Pansy – Mas é que a gente namorou por um tempo também, sabe?

—Relaxa, Pansy. – riu Alhena – Minha vez. Eu nunca... hum... eu nunca transei fora da escola! – riu Alhena.

Pansy, Daphne e Emília beberam, mas todas olharam apenas para Daphne.

—Eu transei com o Rasalas no trem, quando estávamos vindo pra escola. – riu ela, corada. Alhena e Pansy gargalharam, mas Emília deitou sonolenta.

—Depois eu sou a pervertida. – brincou ela – Sua vez, Daph...

—Ok, ok... eu nunca... – Daphne mordiscou a unha, pensando – Eu nunca vi coisa alguma nas aulas de adivinhação!

—Isso foi completamente direcionado pra mim. – ralhou Alhena, bebendo do copo. Foi a única – Pansy, sua vez.

—Eu nunca me agarrei com Draco, na Mansão Malfoy. – riu ela olhando para Alhena com astúcia. Pensou em mentir, mas simplesmente parecia que ela sabia. Draco deveria ter comentado. Então bebeu novamente – Ah! Eu sabia! Quero detalhes! – riu Pansy.

—Eu e Draco nos agarramos loucamente na Mansão Malfoy. – disse sentindo-se zonza pela bebida – Tipo... muito.

—É mesmo? – riu Emília, ainda deitada – E você tirou as calças dele?

—Tirei. – riu Alhena – Eu e Draco tivemos uns amassos nervosos já... mas tudo acabou quando voltamos pra Hogwarts. A gente nunca mais se pegou freneticamente.

—Hum... – riu Pansy – Sua vez, Emília.

—Eu nunca vi o “pacote” do Draco. Fora das roupas. – riu ela. Alhena sentiu o rosto ferver e Pansy bebeu calmamente, afinal ela já tinha dito que tinha transado com ele. Respirou fundo e bebeu também – Oh. Essa Alhena safadinha. De santinha só tem a cara. – riu Emília.

Alhena ainda estava corada, quando disse.

—Eu nunca fui convidada pra um baile de inverno. – disse Alhena. Daphne, Pansy e Emília beberam e todas olharam para ela – Eu não fui pro meu Baile de Inverno. Nenhum dos dois. – riu ela.

—Ai, que triste. – lamentou Daphne – Minha vez. Eu nunca... eu nunca fumei nas estufas. – disse ela olhando para Pansy, que bebeu mais um gole. Mas Alhena a acompanhou – Você também?

—Beauxbatons. – disse dando de ombros – E aqui em Hogwarts também... com o Jacques. A gente fumou Losna uma vez.

—Você já namorava o Burke? – perguntou Pansy.

—Já. Mas a gente só fumou mesmo. Foi no dia em que eu perdi a virgindade, diga-se de passagem. – disse sorrindo. Pansy deu uma risadinha e fez uma cara concentrada, enquanto enchia os copos de todas. A segunda garrafa quase na metade.

—Eu nunca... eu nunca... eu nunca beijei alguém sentada numa vassoura. – riu ela.

—Isso foi direcionado pra mim também! – ralhou Alhena, bebendo de uma vez.

—Gente... eu não aguento mais. – lamentou Emília.

—Se não consegue brincar, não desce pro parquinho, queridinha. – zombou Pansy. Emília apenas mostrou o dedo médio pra ela.

—Eu nunca transei na cama de outra pessoa. – disse Emília, fazendo com que todas, menos ela, bebessem – Acho que dispensa explicações. – riu ela.

—Minha vez. – disse Alhena, sentindo-se muito zonza. Parecia quase flutuar – Eu nunca... transei num banheiro. – riu olhando para Daphne. Mas tanto ela, quanto Emília e Pansy beberam. Pansy olhou para Emília, surpresa.

—Sua danadinha. – riu ela.

—Eu sei uma! Eu sei uma! – disse Daphne levantando a mão, completamente bêbada – Eu nunca transei no banheiro dos monitores!

Pansy fez uma careta e bebeu mais um gole.

—Eu sei que vocês vão perguntar. Foi com Damian. – disse ela jogando os cabelos para trás.

—Como é, transar numa banheira? – perguntou Daphne.

—É ótimo. – respondeu Pansy – Erótico, relaxante... mas tem que fazer lento e sensual, ou só vai fazer bagunça e afogar o colega. – riu Pansy, arrancando risadas gerais.

—Tem que dividir a senha do banheiro dos monitores com as amiguinhas, Pansy. Poxa! – ralhou Daphne, fazendo todo mundo rir.

—Ai, gente... foi ótimo. Mas eu realmente não aguento mais. – riu Emília – Eu vou dormir.

—Eu também. Estou destruída. – resmungou Daphne, se espreguiçando.

—Eu não tô com sono. Vamos lá pro salão comunal, Lena? – perguntou Pansy se levantando e fechando o robe – Por favor, vaaaamos.

—Por que não? – perguntou dando de ombros – Boa noite, meninas. – disse pegando a garrafa de hidromel. Ela e Pansy passaram os braços pela cintura uma da outra e subiram os degraus de pedra até o salão – Pansy, vou confessar que eu estou muito feliz por a gente ter feito as pazes. – disse soltando um suspiro. Quase tropeçou, mas Pansy a segurou com firmeza e as duas caíram na gargalhada.

—Eu também, amor. – riu Pansy, daquele jeito travesso nela. Se sentaram num sofá e ficaram a dividir a garrafa de hidromel – Me diga, você e o Damian estão indo bem, né? – perguntou ela, com um sorriso.

—Estamos ótimos... eu estou completamente apaixonada por ele. – suspirou Alhena.

—Eu notei. – riu Pansy – Fico feliz por vocês. De coração. – disse ela com um sorriso gentil – Eu estava querendo dar uns beijos naquele seu amigo... o Pierre...

—Ele beija bem. Super recomendo. – riu Alhena. Pansy sorriu travessa e se levantou, com a garrafa nas mãos. Ela pegou o maço de cigarro e ficou passeando pelo salão, enquanto Alhena se deitava no sofá, sentindo-se muito bêbada.

—Sabe... você poderia me apresentar pra ele... falar como eu sou legal. – riu Pansy – Ele é tão lindo. Tem um olhar de garoto perigoso, que... aiai. – riu ela lhe devolvendo a garrafa. Alhena sorriu e se sentou novamente, para beber. Teve a impressão que Pansy a olhava com expectativa, mas imaginou que ela estava esperando a resposta, sobre ela intervir por ela, com Jacques.

—Claro. Direi que é a garota mais desinibida do ano. – riu Alhena.

—Um eufemismo pra piranha, né? – riu Pansy.

—Você foi quem mais bebeu naquela brincadeira. – disse antes de dar um belo gole na garrafa.

—Eu não sou a única que já aprontou. Todo mundo tem sua cota de aprontadas.

Alhena concordou, sentindo-se muito embriagada. Mais do que nunca em sua vida. Sentiu Pansy puxar sua mão e juntas começaram a andar pelos corredores da escola. Estavam rindo muito e a cada passo que dava, sentia-se mais próxima do momento em que não conseguiria mais andar. Que simplesmente se sentaria, escorregando até o chão e acabaria ficando por lá mesmo.

Então esse momento realmente chegou.

—Eu preciso sentar. Só um pouco... – murmurou completamente embriagada, escorregando pela parede, até o chão.

—Querida. Dá um trago nisso, ou então vai vomitar tudo. – riu Pansy lhe entregando algo que parecia cigarro... mas era doce, muito doce – É narciso e losna. Vai te ajudar a não ter ressaca, também. – murmurou ela.

Por um momento se lembrou de Pierre, falando que losna era afrodisíaco...

—Obrigada, Pansy. Você é uma amigona. – suspirou antes de tragar o cigarro. Tudo girou, quando sua pressão caiu de uma vez. Achou que desmaiaria.

Ou talvez tivesse desmaiado. Porque sentia-se carregada.

—Damian vai te levar pro dormitório, ok? – escutou a voz de Pansy, muito distante dali. Apenas deu de ombros e sorriu ao sentir os beijos do namorado. O toque faminto dele por seu corpo.

—Eu amo você... – murmurou sentindo a língua dele por seu corpo, provando cada pedacinho. Parecia que ele estava morrendo de desejo, como se há tempos não provasse dela.

Queria abrir os olhos, mas eles estavam tão pesados... levou um tempão até conseguir. Mas parecia estar alucinando... deveria ser a losna. Luzes brilhantes dançavam em sua frente e Damian era apenas um contorno confuso no escuro. Sentiu as mãos dele tirarem sua calcinha e o sentiu possuí-la com um desejo quase violento.

Gemeu estranhando o modo como tudo estava acontecendo. O cheiro dele estava diferente, assim como o toque e os beijos. Deve ser a losna... estou alucinando... fechou os olhos novamente, achando até mesmo a voz dele diferente.

A cada estocada que ele dava, sentia-se mais em pânico. Como se estivesse fazendo algo terrivelmente errado... mas era só Damian. Era só Damian...

*

Abriu os olhos quando alguém o sacudiu. Acordou assustado e viu Draco e Pansy.

—Damian. Acho que algo horrível aconteceu... – lamentou Pansy. Ela parecia prestes a ter um ataque de nervos.

Damian piscou confuso e olhou de Draco para ela.

—O que houve? – perguntou se sentando.

—Foi tudo culpa minha. – lamentou Pansy.

—Fica calma, Pansy. – pediu Draco – A gente vai achar a Alhena!

—Se um professor encontrar ela, vai ser culpa minha! – lamentou Pansy – Eu não devia ter bebido tanto. Nem ela.

—O que aconteceu? – perguntou Damian, ficando preocupado.

—Eu e a Lena... a gente estava bebendo e eu falei que queria que ela me apresentasse para o Jacques. Ela falou que ia e a gente saiu do Salão Comunal... não sei o que estava passando pela nossa cabeça... a gente bebeu demais... mas a Lena desmaiou. – lamentou Pansy, agora chorando de preocupação – Eu tentei carregar ela pra cá, mas ela é muito pesada pra mim e eu estava sem a varinha...

—A Pansy voltou pro Salão Comunal e me viu. – disse Draco – E pediu pra que eu ajudasse a trazer a Alhena de volta... mas ela não estava onde a Pansy a deixou.

—A adrenalina me deixou quase sóbria... Será que um professor a encontrou? – lamentou Pansy – Me ajuda a procurar a Lena, por favor! Ela bebeu muito!

Damian se levantou num pulo.

—Vamos! Onde você viu a Lena pela última vez? – perguntou coçando os olhos, morrendo de preocupação.

—Perto da escada pro Salão Principal. Ela tava dizendo que queria ver o Pierre... acho que ela realmente queria me apresentar pra ele. – disse Pansy tentando sorrir, mas ela parecia simplesmente nervosa demais – Não parava de falar no quanto ele é fantástico, bonito e... e outras coisas, que não são importantes pontuar agora...

—Vamos... vamos lá então. – disse desesperado de preocupação.

—Ok, vou só pegar minha varinha. Até agora eu não peguei. – lamentou ela.

—Vamos. – disse Draco, que parecia tão preocupado quanto.

Os três se saíram do dormitório masculino e foram para o feminino. Pansy foi cambaleando para a própria cama, para pegar a varinha, mas Damian olhou para a cama de Alhena. A cortina estava fechada. Uma sensação ruim o tomou. Uma desconfiança esquisita...

Draco também reparou.

—Será que ela voltou sozinha? – perguntou Draco.

Pansy agora parecia quase zangada.

—Ah, não acredito. – Mas então ela suspirou, parecendo aliviada – Que bom. Que susto.

Mas Damian notou uma jaqueta de couro, do lado de fora da cortina. Seu estômago enroscou-se e ele achou que iria ter um treco. Avançou, furioso e abriu a cortina de uma vez.

Quis vomitar. Quis arrancar os próprios olhos. Recuou, desgostoso e sacou a varinha sentindo-se mais furioso do que nunca em sua vida. Alhena estava deitada, completamente nua e Pierre estava em cima dela, ambos embaixo dos cobertores. Um silêncio constrangido pairou no dormitório. Não sabia o que fazer. Não sabia o que pensar. Quis gritar, quis matar Pierre, quis matar Alhena. Sentiu uma vergonha maior do que qualquer coisa que já tivesse imaginado poder sentir.

Mas Pierre apenas sorriu e fechou a cortina novamente.

Levantou a varinha, disposto a matar os dois, quando Draco o segurou com força. Ficou cego de ódio e nem viu quando Pansy o desarmou. Draco colocou a mão em sua boca, o impedindo de gritar e o puxou para fora do quarto. Pansy ajudava a levá-lo. Quando finalmente chegaram no Salão Comunal, Draco o empurrou para o sofá.

—Calma. – pediu Draco – Calma... alguma coisa aconteceu... aquilo ali deve ser um engano. Pansy, tira o Pierre de lá. – pediu Draco. Damian ainda respirava fundo, tentando acordar daquilo que ele julgava ser um terrível pesadelo.

—O-ok... – murmurou Pansy, que parecia simplesmente chocada. Mas antes que ela chegasse nas escadas, Pierre apareceu de novo. Ele fechava as calças do uniforme e tinha a jaqueta pendurada no ombro. Se levantou, furioso, e quis avançar contra ele, mas Pansy e Draco o seguraram de novo.

—Soltem. Deixa ele tentar. – riu Pierre o provocando com as mãos, como se chamasse uma criancinha ou um cachorro.

—Sai daqui, agora. – rosnou Draco – Eu vou te dar a detenção da sua vida, seu cretino.

—Pelo que? Por estar transando com a sua amiga? – perguntou Pierre. Damian sentiu um ódio ainda maior ao ouvi-lo dizer aquilo. Ao nomear a traição dela – Vai mesmo expor Alhena desse jeito? – sentiu as mãos de Draco apertarem seus braços e o colega soltou um som parecido com um rosnado – Eu acho que não. – Pierre deu um sorrisinho – Alhena me trouxe aqui, me deu a senha do Salão de vocês e disse que queria relembrar os velhos tempo. Eu vim. Tava louco pra fazer isso mesmo.

—Está mentindo. – rosnou Draco. Damian apenas escutava, ainda sem saber o que pensar ou sentir.

—Como quiser. Eu não devo explicações a ninguém. Pergunte pra ela depois. – riu Pierre colocando a jaqueta e indo em direção à passagem secreta. Damian engoliu em seco e empurrou Draco com força, se livrando dele.

—Calma, Damian. Eu duvido que... – começou Draco.

—Eu sei o que eu vi. – rosnou Damian, furioso.

—Ela estava bêbada, Damian! – disse Pansy – Não estava pensando...

—Cale essa boca. – rosnou Damian, se aproximando dela – Não OUSE defender aquela... – ele não soube encontrar um nome para exprimir o que pensava dela naquele momento – depois do que ela fez...

—Isso está muito estranho. – disse Draco – Fique ai. – adicionou ele para Damian, que estava tremendo de ódio – Cuide dele. – adicionou para Pansy – Não façam nada estúpido...

Draco desceu as escadas para o dormitório. Pansy se sentou ao seu lado e apertou sua mão.

—Não fique assim. Tenho certeza que Alhena vai conseguir explicar tudo amanhã de manhã. – disse ela, enrolando a língua, por ainda estar um tanto embriagada. Damian fechou a cara, a cena ainda estava estampada em sua memória. O sorrisinho de Pierre...

Fechou o punho, cheio de raiva e respirou fundo. Mas sentiu uma dor tão forte no peito, um nó tão fodido na garganta... ao terminar de respirar fundo, simplesmente terminou num choro cheio de lamento.

—Eu não acredito que ela fez isso comigo... – lamentou ele. Pansy o abraçou, carinhosamente e ele fungou – Eu fui um bom namorado, Pansy... eu me doei de corpo e alma pra ela...

—Eu sei. Todo mundo sabe disso, Damian. – murmurou ela o afagando nos cabelos.

—Por que? Por que ela fez isso comigo, Pansy... eu não entendo. Eu não entendo... ela trouxe ele aqui! Ela trouxe aquele maldito filho da puta pra cá...

Pansy soltou um suspiro, o apertando mais contra si. Seu rosto estava quase que afundado nos peitos dela. Arfou, ferido, com o coração sangrando.

—Algumas pessoas são egoístas, Damian... – murmurou Pansy – Ela não estava pensando... eu disse que tínhamos bebido muito.

—Mas... Pansy... – ele fungou, a olhando nos olhos – Eu nunca dei motivo pra ela... – soltou um soluço cheio de dor.

—Ela tinha dito que já tinha considerado transar com ele. Desde Beauxbatons... – murmurou Pansy – talvez a bebida tinha dado o empurrãozinho que faltava... Alhena nunca foi uma santa. Você sabe o que ela e Draco já aprontaram.

—Como assim? – perguntou. Pansy fez uma careta.

—Oh... ela não contou. Não me faça perguntas, Damian. Eu estou abalada com o que eu vi e eu bebi mais do que todo mundo...

—Me conte! O que ela e Draco aprontaram? – perguntou segurando Pansy pelos pulsos.

Pansy soltou um suspiro e era visível que ela não queria falar sobre aquilo.

—Ela e Draco já se agarravam há tempos, na Mansão Malfoy. Ela contou que até já viu ele pelado. Quem garante que ela não perdeu a virgindade com ele.

—A primeira vez dela foi comigo! – disse a segurando pelos pulsos.

—Certeza? – perguntou Pansy – Só porque sangrou, não quer dizer que ela era virgem. – sentiu um calafrio na espinha, lembrando quando achara curioso o fato de Alhena não ter sangrado quando transaram pela primeira vez – Algumas garotas transam numa determinada época do mês, pra simular...

—Lena não sangrou. – murmurou sentindo-se mais idiota do que nunca. Largou Pansy e se sentou esparramado no sofá – Ela me... ela me fez de idiota... por todo esse tempo?

Pansy suspirou e desviou o olhar.

—Eu não sei, Damian. Não vou falar que a Alhena é uma escrota, porque ela é minha amiga... mas ela não é nenhuma santa, como ela gosta de fazer de conta que é e como praticamente todo mundo parece achar que ela é, também...

Damian fechou os olhos, sentindo-se perdido. Mais uma vez a imagem de Alhena e Pierre apareceu em sua mente. Ficou olhando para o teto, chorando em silêncio, até que Draco voltou.

—O que raios vocês usaram? – perguntou Draco.

—Como assim? A gente bebeu e só. – disse Pansy.

—Alhena está alucinando. Eu a levei pro banheiro masculino. Ela não faz a menor ideia de onde está e fica me chamando de Damian o tempo todo. – Draco franziu a testa – Eu acho que ela não sabe o que aconteceu. – Damian o olhou com algum desdém involuntário – Isso foi praticamente um estupro!

—Não podemos falar sobre isso. – disse Pansy – Vai acabar com a pobrezinha da Alhena.

—Nós com certeza devemos falar sobre isso! Pierre estuprou Alhena. Ela não estava em condição de saber o que estava acontecendo. – disse Draco – Alhena nunca transaria com aquela idiota só por estar bêbada.

—E como você sabe? – rosnou Damian, já tão puto e confuso com tudo que não sabia com quem descarregar. Precisava descontar em alguém e na impossibilidade de socar Pansy Parkinson, Draco Malfoy parecia um alvo muito providencial.

—Porque, no natal, Alhena foi lá pra casa e a gente ficou muito bêbado. Tão bêbados que subimos as escadas como dois cachorros. E nem assim ela quis me dar um beijo que fosse. E eu insisti muito. – respondeu Draco com frieza – E se você é idiota a ponto de achar que Alhena te trairia desse jeito com aquele idiota, eu vou parar de me sentir culpado por ter tentado ficar com ela.

Tinha escutado apenas parcialmente o que Draco tinha dito. Apenas queria socar alguma coisa. Era muita frustração, muita raiva, mágoa, ressentimento... era Alhena transando com Pierre, era Draco dando em cima dela enquanto ela já estava comprometida com ele... era Alhena mentindo sobre ser virgem... Por que ela o negara por tanto tempo? Será que simplesmente tinha nojo dele? Será que aquela história de quase ter sido estuprada também era mentira?

Já não sabia de nada, só sabia que era muito fácil socar o rosto de Draco. De novo, de novo e de novo. Quando o garoto conseguiu revidar um soco que fosse, estava tão irado que nem sentiu. Apenas o socou mais uma vez e depois outra. Sentiu Pansy o puxar para longe de Draco, mas já não conseguia pensar em nada. A empurrou com muita violência e voltou a bater em Draco, desejando transformar a cabeça dele num pedaço de papel.

Seu corpo foi arremessado para longe de Draco. Suas mãos doíam horrivelmente. Olhou para os lados e viu Pansy com a varinha na mão, o olhando em choque.

—Por favor... por favor pare... você vai matar o Draco. – chorou ela. Damian sentia o gosto de sangue na boca e não se moveu. Pansy andou até Draco e chorou ao olhar pra ele. As mãos dela tremiam de nervosismo. Pansy olhou ao redor, como se estivesse tentando pensar em algo, mas seu olhar caiu sobre Damian – Seu... seu monstro... como você pode... – chorou ela. Pansy apontou a varinha para o rosto de Draco – Episkey! – chorou ela – Episkey. Episkey... meu deus... Draco, fale comigo... fale comigo, Draco...

Damian se levantou de uma vez e desceu para seu dormitório. Pegou seu kit de primeiros socorros e voltou para o Salão Comunal. O rosto de Draco estava completamente desfigurado. Tremendo de raiva, ao contrário de Pansy, que tremia de nervosismo, foi passando uma pasta de dínamo no rosto dele. Depois pegou a própria varinha e começou a curar o rosto do loiro.

Draco o olhava com fúria, mas não disse coisa alguma. Quando ele estava parecendo um ser humano novamente, se levantou.

—Eu vou cuidar de Alhena. – disse o loiro, friamente.

Damian suspirou e o seguiu para o dormitório. Pansy os seguiu. Damian guardou seu kit e se deitou na cama, se recusando a olhar na cara da namorada. Draco foi para dentro do banheiro, onde Alhena estava e Pansy sentou ao seu lado, na cama, parecendo nervosa. Mas ela segurou sua mão e apontou a varinha.

—Episkey. – murmurou ela. Os ferimentos de sua mão, que eram muito mais leves que os de Draco, fecharam imediatamente.

—Obrigado.

—Vá dormir. Você precisa descansar. Depois você conversa com Alhena... mas... mas por favor... não vamos vazar essa história, ok? – pediu Pansy – Isso vai acabar com ela... talvez seja melhor que nem mesmo ela saiba...

—E que motivo eu vou dar pra terminar com ela? – perguntou Damian.

Pansy o olhou surpresa.

—Você... você vai terminar com...

—É óbvio que eu vou. Alhena é como você sempre disse que ela era. Uma vaca mentirosa. – rosnou enfurecido. Se deitou na cama e colocou o travesseiro sobre a cabeça, sentindo pena de si mesmo.

Draco saiu do banheiro com uma Alhena desmaiada, enrolada numa toalha. Ele a levava no colo com alguma dificuldade. Damian e Draco trocaram um olhar cheio de desprezo e então o loiro saiu.

Sentiu Pansy se sentar ao seu lado, para acariciar seus cabelos. Se permitiu ser confortado por ela, afinal, Pansy sempre fora gentil com ele. Porém, pouquíssimos minutos depois Draco voltou.

—Parkinson. Eu quero falar com você. – disse ele numa voz muito gelada.

Não ligou. Pansy se levantou e Draco a puxou sem absolutamente nenhuma delicadeza. Mas Damian simplesmente deu de ombros e fechou a cortina de sua cama.

**

—Escute aqui, Parkinson. – rosnou Draco a empurrando contra a parede. Ela o olhava com confusão – Se eu descobrir que tem dedo seu nessa porra toda... eu juro que faço da sua vida um inferno, ouviu?

—Dedo meu? O que você acha que eu fiz?

—Eu acho que você armou pra Alhena. – rosnou o loiro. Pansy o olhou parecendo simplesmente ofendida.

—Você acha mesmo que eu armaria contra minha amiga? Uma coisa séria dessas? – perguntou ela o empurrando, mas ele não se moveu um centímetro que fosse.

—Eu sei muito bem o ovo podre que você é. Eu sei desde o nosso quinto ano. Eu nunca esqueci o que você armou pra mim, ouviu?

—Oh, Draco. Aquilo ainda? Já faz anos. E eu era apenas...

—Um ovo podre. É o que você sempre foi e que ainda é. Eu estou de olho em você, Parkinson. E espere só como vai ser quando o Rasalas voltar. Não se mexe com um Lestrange... – ele a beliscou de leve, puxando a pele de seu braço, de maneira dolorosa – Sem perder um pouco de pele. Você leu sobre o que aconteceu com o primo do Sebastian Avery. Quem fez aquilo foi ou o pai do Rasalas ou o tio dele. E pode ter certeza de que, caso o Rasalas descubra que você está metida nisso... ele vai acabar com você, com o Pierre e com quem mais estiver envolvido. E ele vai poder contar comigo pra isso.

—Oh... o cavaleiro branco da Alhena. – riu Pansy, perdendo o ar chocado – Eu sempre soube que você estava louco pra se meter dentro das saias dela, enquanto ela já estava com o Damian. Só está zangado porque foi outro quem se meteu e não...

—Não me provoque, Parkinson. – rosnou Draco, tão furioso, que a pupila dele parecia um simples pontinho – Quando Alhena acordar, você não vai falar com ela. Você vai me chamar. E EU vou conversar com ela. Você me ouviu?

—Por que não dorme com ela de uma vez? – perguntou Pansy, docemente – Não é o que está querendo fazer há séculos? – riu a garota. Ela saiu rebolando para o dormitório feminino e Draco se recostou na parede.

Todos a sua volta estavam ruindo... todos...

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Notas finais
Espero rage nos comentários, ou vou achar que vocês não têm coração u_u Gente... Só imaginem... O Rasalas... Quando ele descobrir... As pessoas vão ter motivos para temerem lobisomens... Mas falta uma semana inteira pro Ras voltar... como vão ficar nossos Sonserinos na ausência dele?