Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! Recebi mais uma recomendação!!! OMG OMG OMG OMG! Muito obrigada! Muito obrigada mesmo, Mister Heartless. Achei super linda sua recomendação! Eu AMEI!! Queria te dar um capítulo feliz como agradecimento... Mas esse capítulo está simplesmente doloroso. Então eu vou postar um hoje, um amanhã e outro na sexta feira! YEI! Mas então... preparem o ♥ Eu estou com pressa pra sair e meu pc por algum motivo tirou a formatação da fic... eu tentei procurar os lugares com pensamentos, pra colocar em itálico, mas não sei se achei todos... me perdoem, qualquer erro!

1997

Hogwarts

–Lena, acorde... – murmurou uma voz. Mas não queria abrir os olhos. Estava com medo de acordar e aquele pesadelo da noite passada ter se tornado realidade... como a vez em que sonhara com o lobisomem. Não tinha sido ela quem fora mordida, mas era assustador de qualquer maneira – Lena. Por favor... – Era a voz de Draco. Por que era Draco quem tentava acordá-la? Por que não era Damian? Por que não Daphne, ou Emília ou Pansy? Por que Draco?

Não... não pode ser. Foi só um sonho bobo. Foi só um sonho bobo. Draco só deve ter vindo aqui para pedir ajuda com o plano dele. Apenas isso.

–Me deixe dormir...

–Já são uma da tarde, Lena. Estão todos almoçando. – murmurou Draco – Por favor, Lena. Eu preciso conversar com você.

Se virou na cama, sabendo que estava só de toalha, embaixo do cobertor. Draco estava sentado na cama, segurando uma caneca cheia de chocolate quente. Alhena soltou um soluço, morrendo de medo. Draco a olhava com preocupação.

–Não foi um sonho, foi? – perguntou ela com os olhos cheios de lágrimas.

–Eu acho que não, Lena. – murmurou Draco. Alhena arfou e começou a chorar de verdade.

–O que aconteceu comigo? Eu... com quem eu...

–Você trouxe Pierre pra cá. – disse Draco.

–Não! Eu não fiz isso.

–Vocês transaram. – continuou Draco.

–Não.

–E Damian flagrou vocês. – murmurou Draco. Alhena achou que iria morrer.

–Eu... eu não quis fazer nada disso... eu não sei o que deu em mim... eu...

–Eu acredito em você, Lena. – disse Draco, calmamente – Sente-se.

–Draco. Eu nunca quis trair o Damian. Você precisa falar com...

–Acalme-se. – disse Draco de uma vez, com autoridade – A primeira coisa que você tem que fazer, é se preocupar com seu chá de lua. Você tomou ontem?

–Não... eu... eu não achei que fosse precisar, já... já que eu... – ela soluçava tanto que não conseguia falar direito – Eu ia dormir aqui... sabe? – suas mãos tremiam quando pegou a caneca fumegante – E ele lá... o Damian... então... então eu não tomei e...

–Calma. – murmurou Draco tirando um frasco azul escuro do bolso – Tome. Melhor não tomar o chocolate agora, açúcar corta o efeito da poção. Deixa pra outra hora, ok? Primeiro temos que cuidar da sua saúde.

Alhena concordou e pegou o frasco, o bebendo de uma vez. Era tão amargo que era impossível beber sem fazer uma careta. Ficou quieta, olhando o vidrinho vazio, soluçando e tremendo. As lembranças eram tortuosas. Lembrava de ver Jacques em cima de si, parecendo completamente satisfeito. Mas o rosto dele virava o de Damian o tempo todo e ela não conseguia entender com quem estava. Ficava repetindo pra si mesma que era apenas a losna, mas então a cortina se abriu e viu Damian... seu Damian. E Jacques fechou as cortinas e simplesmente terminou de fazer o que começara. Tentou impedi-lo, mas seu corpo estava pesado demais para se mover.

Quando ele terminou, apenas riu.

–Obrigado por me convidar. Foi ótimo. Vamos repetir, qualquer dia. – riu ele. Sentiu o coração parar quando ele disse aquilo. Ele disse que ela o convidara. Ela o convidara para sua cama... e Damian tinha visto. Céus. Damian tinha visto.

Alhena caiu num choro desesperado e Draco a abraçou protetoramente.

–Lena. Você foi estuprada. – disse ele severamente – E precisa decidir o que vai fazer a respeito disso.

–Não... eu... – ela soluçou e olhou para Draco – Ele disse que eu o convidei... fui em quem o chamei...

–Você se lembra disso? – perguntou Draco.

–Não, mas... eu não me lembro de um monte de coisas... ontem a noite é uma confusão e...

–Então foi um estupro, Alhena. Mesmo se você tivesse convidado ele. Você estava completamente fora de si. Não estava em condições de decidir o que queria. Ele se aproveitou de você.

–Mas... mas Jacques... – ela soluçou, tremendo, assustada, envergonhada – Ele... ele é meu amigo... ele...

–Eu sou seu amigo, Alhena. – discordou Draco – Na minha casa, você pediu pra eu parar e eu parei. Eu ainda tentei te levar na lábia e não consegui... e eu fui um babaca com você, mas te respeitei. E eu acredito que nunca teria me perdoado se eu tivesse te convencido a ceder. – Alhena fechou os olhos, se abraçando – Ele é um cretino... olha o que ele fez com você... – murmurou Draco sacando a varinha e tocando em seu pescoço – Ele fez questão de te deixar toda marcada, Alhena. Ele é um filho da puta. Você tem que denunciar ele.

–Não! – chorou desesperada.

–Alhena, ele não é seu amigo.

–Quem já sabe? – perguntou Alhena.

–Eu, Pansy e Damian. Pansy não quer que a gente conte pra ninguém. Damian concordou. Eu vou fazer o que você decidir, mas você deveria contar pra...

–Não. Ninguém pode saber. – chorou envergonhada – Por favor... não conte pra ninguém, por favor, Draco. – chorou se abraçando a ele. Draco concordou a abraçando de volta – Não conte pra ninguém, por favor... – o choro veio completamente desesperado – Por que ele fez isso comigo? Eu... eu confiava nele. Eu o considerava meu amigo... – apertou Draco com força e ele a abraçou com mais força ainda.

–Porque ele é um cretino.

Se lembrou daquele dia em Beauxbatons, na cozinha, quando achou que ele tentaria machucá-la... mas nunca pensou que ele seria capaz de uma coisa daquelas. Não depois que se tornaram íntimos...

A quem estou tentando enganar? Ele nunca me viu como outra coisa a não ser um brinquedo sexual... ele nunca gostou de mim...

Chorou ainda mais desesperada e Draco a afagou na cabeça.

–Eu estou com tanta vergonha... com tanta vergonha... – lamentou ela – Primeiro Avery, agora ele... qual é o problema comigo? Qual? – perguntou soluçando.

–A culpa não é sua, Alhena. – murmurou Draco – Você é a vítima nessa situação. Ele quem foi o canalha. Quem tem problema é ele, não você. Não se culpe, ok? – perguntou Draco. Alhena concordou, voltando a chorar desesperada.

–O... o Damian... o que ele...

–Eu sinto muito, Alhena. – murmurou Draco. Apertou as roupas do amigo com força, sentindo-se simplesmente infeliz – Eu tentei falar com ele... explicar que você nunca... nunca iria traí-lo desse jeito, mas... mas o Damian é um babaca também. Ele está convencido que você mentiu pra ele e o fez de idiota... ele veio falar com você?

–Ninguém veio falar comigo. Só você... – chorou Alhena. Draco concordou com a cabeça.

–Pode chorar se quiser, Lena. Eu vou passar o dia com você, se precisar. – murmurou ele – Podemos ir juntos pra Sala Precisa... nos escondemos lá e você chora todas as lágrimas que precisar... – disse Draco a afagando na cabeça.

–Obrigada, Draco... – chorou ela.

Então a cortina se abriu de uma vez.

–Até quando vai se esconder ai e... – rosnou Damian. Se soltou de Draco de uma vez e o olhou, em pânico. Ele a olhou furioso e riu com escárnio – Mas já está com o próximo da fila? Desculpe atrapalhar.

–Damian, espere. – chorou Alhena. Se levantou com tanta pressa, para ir atrás dele, que a toalha caiu no chão. Sentiu os olhos do namorado passearem por seu corpo e ele a olhou com puro desgosto.

–Não fale mais comigo. Nunca mais. – rosnou ele – Acabou.

–Damian! – chorou desesperada, mas ele simplesmente foi embora. Caiu de joelhos, sem se importar com Draco.

Só queria chorar de desespero.

Draco a pegou no colo e a levou para a cama. Ele fechou as cortinas e suspirou.

–Pierre te deixou toda marcada... – murmurou ele. Alhena sentia-se tão infeliz, que nem se importou com Draco a vendo nua, curando as marcas de chupões que Jacques tinha deixado em seu corpo. Seios, barriga e coxas. – Conte para o professor Snape. Vamos fazer Pierre ser expulso.

–Todos vão saber... – murmurou ela – O pai dele é muito influente e meu avô não vai conseguir abafar o caso... Todos vão saber... meu pai vai querer se vingar... ele vai se colocar em risco... – Alhena olhou para Draco – E Rasalas também... ele vai querer se vingar... E Jacques duela muito bem... ele já tem nível para os N.I.E.M.s...

–Alhena. Vai deixá-lo impune? – perguntou Draco a cobrindo com a toalha, depois de tirar todas as marcas de chupão – Precisa denunciá-lo.

–Por favor... não. – pediu ela.

–Hoje foi você, Lena... amanhã pode ser outra pessoa... – argumentou Draco. Mas Alhena apenas negou com a cabeça.

–Não conte pra ninguém, por favor... por favor. – chorou ela. Draco soltou um suspiro e concordou.

–Se você prefere assim... mas saiba que... que eu não concordo com o que você está fazendo e...

–Eu posso ser expulsa da escola... por ter bebido!

–Snape nunca te expulsaria por isso.

–Eu posso colocar Damian e Pansy em problemas por conta disso. – insistiu. O rosto de Draco ficou duro.

–Não confie em Parkinson. – disse ele.

–O que? – perguntou confusa.

–Não confie em Parkinson. Eu acho que ela armou pra você. – disse Draco – Você não estava em condições de trazer ninguém pra cá. Eu duvido muito que tenha sido você quem passou a senha do nosso Salão Comunal pra ele.

–Draco. Por que está dizendo isso? Pansy nunca faria algo assim! – ralhou ela sem acreditar por um minuto que fosse que Pansy pudesse fazer algo como aquilo – Ela é minha amiga.

–Ela não é amiga de ninguém. – disse Draco – Ela tem inveja da felicidade dos outros, porque não consegue ser feliz. Ela destrói o que os outros conquistam e tenta tomar para si...

–Isso não é verdade. – disse horrorizada.

–Espere e verá. – murmurou Draco, sombrio – Ela vai começar a dar em cima do Damian, cedo ou tarde.

–Não. Ela não faria isso!

–E vai dizer que nunca o esqueceu e que o ama. Mas assim que cansar dele, vai procurar outra felicidade pra destruir e se apossar.

–Pansy não é assim! – chorou sentindo-se simplesmente idiota.

–Vista-se, Lena. – murmurou Draco – Eu te espero no Salão Comunal, ok? Tome um banho, se arrume. Depois a gente vai pra Hogsmeade... sei lá. Vamos num lugar mais reservado, então a gente conversa melhor sobre tudo isso.

Ele saiu a deixando sozinha. Sentia-se muito dolorida. O perfume de Jacques, que sempre achara gostoso, agora parecia simplesmente desprezível. Foi para o boxe do banheiro e ligou o chuveiro, para se sentar e chorar novamente. Não se lembrava exatamente como terminara na cama com ele, mas se lembrava mais ou menos de como ele a tocara, beijara e possuíra.

E era simplesmente desprezível pensar nisso.

Esfregou a própria pele com tanta força, que ficou completamente ardida, mas parecia que o perfume francês de Pierre não se desgrudava de si. Gritou de raiva e vergonha, voltando a chorar novamente. Tentou se lembrar que Draco estava esperando no Salão Comunal, mas nem assim quis se levantar.

Foi com muita força de vontade que saiu daquele chuveiro. Colocou uma roupa qualquer, sentindo-se desprezível e foi para o Salão Comunal. Draco já estava lá, com suas roupas sempre formais, mas assim que ele a viu, fez uma careta.

–Não. Não mesmo. – disse ele se levantando. Damian estava sentado perto da lareira e Pansy estava com ele, conversando baixinho. Sentiu uma coisa ruim no estômago, mas não olhou por muito tempo, pois Draco a puxara de volta pra o dormitório. Se sentou na cama de Daphne, sem animação e Draco tirou uma roupa mais bonita e nova – Vista isso. Vamos. – disse ele severamente.

Soltou um suspiro e se enfiou na cama, para trocar de roupa, mas não aguentou ficar ali. Com outra crise de choro, saiu de lá, tampando o nariz e foi se trocar na cama de Daphne. Seus lençóis estavam impregnados de perfume francês.

Quando vestiu as roupas que Draco separara (um vestido fresco, tomara que caia e uma sandália simples), saiu da cama de Daphne. Draco apontou a varinha para seus cabelos e os arrumou com um feitiço, deixando-os soltos e ondulados.

–Pronto. Agora vamos. – disse ele. Suspirou sem emoção e abraçou o braço dele. Ele a guiou para fora do Salão Comunal e nem teve tempo de olhar novamente para Damian, para ver o que ele estaria fazendo.

Hogsmeade sempre fora maravilhoso, mas agora parecia simplesmente sem cor. Mesmo com Draco tentando alegrá-la. Não quis nem olhar para a cerveja amanteigada. Não conseguiu almoçar. Apenas beliscou os doces que ele comprou, apenas porque ele insistiu muito.

Ele não a deixou sozinha em nenhum momento do dia. E quando voltaram para o castelo e deram de cara com Pierre, Draco a puxou para longe dele, antes que tivesse uma crise de choro. Jantaram em silêncio, apesar de Daphne e Emília perguntarem o motivo de Damian não ter ido com ela para Hogsmeade.

–A gente terminou hoje de manhã. – murmurou Alhena, por fim. Damian estava sentado com Blair e Pansy, bem longe deles e parecia simplesmente furioso.

–Mas... o que? – perguntou Daphne, confusa – Por que?

–Não quero falar sobre isso. – disse simplesmente.

Depois do jantar foram pro Salão Comunal, mas não aguentou ficar lá, onde todas aquelas pessoas sorridentes estavam. Quis se esconder em sua cama, mas ainda podia sentir o cheiro de Pierre lá. Se desesperou, se perguntando onde poderia dormir. Nunca mais dormiria naquela cama.

Se enfiou no banheiro e se sentou em um dos boxes, para chorar sozinha. Lembrava cada vez mais do que tinha acontecido. Lembrava de chamá-lo de Damian... de falar que o amava... e Pierre apenas riu achando engraçado... achando engraçado traçá-la, enquanto ela alucinava, completamente fora de si.

Soltou um soluço sofrido, lembrando da boca dele por seu corpo e quis morrer. Quis quebrar o espelho e cortar os pulsos. Não apenas por Damian. Ele nem ao menos se dispôs a ouvi-la... mas por si mesma. Estava tão envergonhada de si mesma... como pode se permitir ficar naquela situação? Como pode não diferenciar um do outro?

Alguém abriu a porta do boxe e ela viu Daphne.

–Oh, Lena... não chore... me diga o que aconteceu... – pediu Daphne, a abraçando, se sentando ao seu lado. Mas não podia contar pra ela. Ela poderia contar para Rasalas... que certamente tentaria algo contra Jacques... não colocaria seu irmão em risco. Não mesmo. Então apenas negou com a cabeça – Por favor, me conte! Ontem vocês estavam tão bem...

–Não insiste, Daphne. – chorou – Eu preciso de colo. Só isso... – lamentou.

Daphne concordou, a abraçando.

–Ok. Sem problemas.

Quando finalmente deixaram o banheiro, Draco a esperava no dormitório. Ele a olhou preocupado e a abraçou com carinho.

–Lena... está tudo bem, ok? – murmurou ele. Alhena chorou novamente, nos braços dele – Vem. Vamos conversar, lá no Salão Comunal.

–Eu não quero ficar lá. – choramingou. Draco concordou com um aceno de cabeça.

–Então vem comigo.

–Draco, vai pegar mal se vocês sumirem... vão pensar que a Lena e você estiveram tendo um caso ou qualquer coisa assim... – murmurou Daphne.

–Podem pensar o que quiserem. – respondeu Draco. Lena se deixou ser guiada por ele. Subiram as escadas e passaram por Damian, que estava sentado com Pansy, no sofá, mais uma vez aos cochichos.

Se perguntou se ela estava apenas consolando ele ou tentando seduzi-lo... talvez o estivesse consolando para seduzi-lo... ficou enojada ao pensar naquilo. Só conseguia se sentir mais e mais idiota. Era uma maldita vidente. Como não previra aquilo?

Lembrou mais uma vez de Pierre e precisou conter um soluço. Draco a levou para a Sala Precisa, que ela ficara sabendo existir por Rasalas. Draco contou que ele estava tentando consertar um armário, por onde os comensais de morte poderiam vir para Hogwarts, para que a morte de Dumbledore viesse a acontecer.

Alhena concordou em silêncio, olhando o armário. Draco contou tudo o que já tinha tentado, suas falhas e acertos. Mostrou a enorme pilha de livros que já tinha revirado, procurando pelo conhecimento necessário para consertar aquela coisa.

Se perguntou se ele iria pedir sua ajuda, mas ele apenas a levou até um sofá que tinha ali.

–Amanhã eu vou botar fogo na sua cama. – disse ele. O olhou, chocada – O perfume daquele escroto não sai dali. Você não merece dormir na mesma cama, nem ficar sentindo o cheiro dele, ok?

–Ok...

–Pode ser que culpem o Damian... mas na boa, eu nem ligo. – resmungou Draco. Alhena tentou sorrir, mas simplesmente não conseguiu. Sentiu o loiro a abraçar e a beijar na cabeça – Você tem certeza que não quer denunciar o que o escroto do...

–Não... já disse... – murmurou fracamente.

–Posso ao menos transformá-lo numa beterraba e jogá-lo no lago? – perguntou Draco. Alhena quase sorriu daquela – Levanta, rapidinho. – pediu ele. Obedeceu e observou Draco brandir a varinha na direção do sofá. Ele se abriu e esticou, se transformando num sofá cama – Eu durmo aqui nas sextas, muitas vezes... pra levantar cedo e já começar a trabalhar de manhã. – explicou ele – Mas eu divido meu sofá puído com você... – Draco tirou a parte de cima das vestes, ficando só com a calça – Mas só porque eu te acho muito legal. – adicionou ele lhe lançando uma piscadela. Alhena soltou um suspiro e sorriu timidamente – Olha só como essa sala é demais... – riu Draco – Você precisa de uma camisola. Ou um pijama. Se sentiria mais confortável num pijama, certo?

–Eu acho que sim, mas vai levar um tempão pra achar um nessa bagunça. Isso aqui está tudo entulhado. – murmurou ela mirando a Sala. Tinha um monte de quinquilharia em tudo quanto é lugar.

–Será? – riu Draco olhando ao redor, mas logo ele sorriu. O loiro caminhou até uma mesinha e pegou um pijama dobrado que tinha ali – Pode ser que fique um pouco grande... mas é gostoso dormir com pijamas folgados.

–Eu tenho muita certeza de que isso não estava ai antes! – riu Alhena pegando o pijama. Draco sorriu dando de ombros.

–Eu vou te dar mais privacidade. – disse ele se escondendo atrás de uma pilha de cadeiras.

Alhena tirou seu vestido e colocou o pijama. Quando estava vestida se deitou no sofá e logo Draco se deitou ao seu lado, trazendo um cobertor. Ele jogou a peça em cima de ambos e a beijou na bochecha, para se virar para o outro lado.

–Boa noite, Draco. Muito obrigada por tudo. – murmurou.

–Está tudo bem. – murmurou Draco – Vai ficar tudo bem.

Fechou os olhos, mas não conseguiu dormir. Então ficou chorando em silêncio, se lembrando do olhar de desgosto de Damian. A pulseira que ele tinha lhe dado ainda estava em seu pulso...

*

–É tão óbvio que eles estão juntos. – murmurou Pansy – Fala sério. Porque eles não assumem isso de uma vez?

–Tem algo muito estranho acontecendo, Pansy. – resmungou Daphne – Damian. Conta logo o motivo de você e a Alhena terem terminado! Vocês estavam tão bem!

Damian bufou e virou o rosto.

–Pare de encher o saco, Greengrass. – resmungou zangado. Só de lembrar Pierre em cima de Alhena lhe dava vontade de vomitar. E quando resolveu dar uma chance pra ela se explicar, a flagrou na cama com Draco. Não conseguia nem mesmo olhar na cara dela. Na cara mentirosa dela. Como ela ousara fazê-lo de idiota? Ainda acabaria ficando com fama de corno. Que as pessoas imaginassem que era apenas Malfoy que tinha lhe passado a perna. Que ninguém soubesse que Jacques Pierre tinha se esgueirado para entre as pernas de Alhena, bem debaixo de seu nariz.

As aulas se arrastavam lentamente, principalmente as que fazia com Alhena. Evitava de olhar para ela e ela de olhar para ele. Tinha sido feito de idiota. Era um puto de um corno. Era isso o que era. E toda vez que Draco fazia alguma gracinha para Alhena, sentia que o tinha socado de menos.

Draco sempre a estava abraçando, lhe beijando a bochecha. Sempre estava tentando fazê-la sorrir. Era tão óbvio que ele estava louco para se enfiar entre as pernas dela...

–Sabia que eles estão dormindo juntos? – perguntou Pansy com censura – Alhena não perde tempo MESMO. – sibilou Pansy.

Sentia vontade de socar o rosto magro de Draco Malfoy de novo.

–Mas por que vocês terminaram, Damian? – perguntava Daphne, praticamente o tempo inteiro.

Porque a piranha da sua amiga estava transando com Pierre. Desejava responder, toda vez. Pierre que sempre lhe lançava aquele sorrisinho cretino e debochado, sempre que se cruzavam.

Quando tinham que fazer a aula de DCAT, sentia-se super tentado a azará-lo pelas costas. Mas não faria isso...

E quando se deitava para ir dormir, se lembrava dele com Alhena. Os imaginava rindo de sua cara. Por ser tão tonto. Por se recusar a ver o óbvio. Ele estava louco para jogar na cara dele que estava com Alhena. Por isso fora no treino de quadribol. Mas Alhena o convencera a não falar... se perguntava se Rasalas saberia...

Ele manteria o segredo para acobertar a irmã? Ou seria justo? Seria leal? Eram melhores amigos, afinal de contas.

Fungou, humilhado e inconformado, em sua cama, sozinho a noite. Nem se lembrava mais, como era dormir sozinho. Se levantou e caminhou até o dormitório feminino. As cortinas estavam fechadas.

Estão transando. É claro que estão transando. Sentiu-se o rei dos idiotas e se virou para sair.

–Damian? – perguntou uma voz. Se virou e viu Pansy – Não consegue dormir?

–Draco está ai? – perguntou sabendo que a resposta era óbvia. Pansy soltou um suspiro e concordou. Socou a parede, furioso, traído. Sou o rei dos idiotas... Pansy se levantou e o puxou para a própria cama, com um olhar gentil.

–Você precisa de um abraço. – disse ela fechando as cortinas – Vem cá. – murmurou ela. Damian simplesmente se deixou levar por ela. Pansy sempre fora sua amiga. Fora gamado nela por um tempão e durante o namoro, ela sempre fora completamente devotada a ele... e ele não valorizara isso... ficara sonhando com Alhena, que estava se agarrando com Malfoy, por todos os cantos do castelo – Vai ficar tudo bem, ok? – sussurrou ela, o afagando na cabeça.

–Vai? – perguntou ele.

–Vai sim. Vou cuidar de você. – disse Pansy o beijando na testa. Depois na bochecha e então no nariz. Os dedos dela se enroscaram em seu cabelo e ela o olhou no fundo dos olhos. Os olhos dela eram de um verde diferente dos de Alhena. Alhena tinha os olhos num verde com tons de mel. Os olhos de Pansy tinham tons de cinza, no lugar disso. E a pele bronzeada dela deixava os olhos mais bonitos, mesmo no escuro. – Eu nunca vou te fazer sofrer assim... – murmurou ela. Ele concordou com a cabeça – Eu sempre cuidei de você, não cuidei?

–Sim... – murmurou triste. Pansy estava mesmo o ajudando a sair da fossa. Ela era uma boa amiga, no fim das contas. Nunca deveria ter terminado com ela... não por Alhena. Não mesmo... – Eu fui tão estúpido... tão cego... ela me fez de idiota...

–Eu nunca imaginei que ela fazia isso... – murmurou Pansy – Se eu soubesse... te contaria. Você sabe, né?

–Você é honesta e verdadeira... – murmurou Damian – Sempre. É até meio grossa por conta disso... mas sempre te admirei exatamente por essa sua honestidade.

Pansy sorriu para ele e o acariciou no rosto.

–Eu sempre te admirei também... tão determinado em conseguir o que quer... sempre tão dedicado... é simplesmente absurdo que Alhena não valorize isso... – sussurrou Pansy. Damian baixou os olhos, magoado. Sempre se doara por completo... e ela lhe passara a perna. O fez de idiota – Ei... olhe pra mim. – pediu ela. O fez, por mais que se sentisse mal por estar dando corda para aquele clima que obviamente estava pintando. Ele estava carente e ela só estava tentando consolá-lo. Mas ele já estava pensando em algo a mais... – Não fique triste. Alguns males acontecem para que coisas boas possam acontecer, ok?

–Ok... – murmurou sem animação.

–Own... eu gosto tanto de você, Damian... tanto. – murmurou Pansy lhe dando beijinhos na testa, enquanto o afagava na nuca, lhe causando arrepios – Eu vou cuidar do seu coração, ok?

Respirou fundo e sentiu os lábios de Pansy contra os seus. Por um momento quis simplesmente se entregar e beijá-la de volta. Mas só conseguia pensar em Alhena. Por isso, o mais gentilmente que conseguiu, se afastou de Pansy.

–Desculpe... – murmurou – Não dá... ainda não dá...

Pansy sorriu carinhosamente e o acariciou no rosto.

–Por você eu espero, Damian. Espero o tempo que for.

Quis sorrir, mas não conseguiu. Pansy o beijou na testa e os dois pularam de susto ao escutarem um grito.

–ME SOLTE! ME SOLTE!

–Alhena! – disse assustado. Estava para se levantar, quando Pansy o segurou.

–Lena! É um pesadelo, Lena! É só um pesadelo. – escutou a voz de Malfoy e sentiu o sangue ferver. – Está tudo bem. Eu estou aqui, ok?

Escutou passos e entendeu que alguém estava indo para o banheiro, provavelmente Alhena, já que garotos não conseguiam entrar no banheiro do dormitório feminino.

–Puta que pariu. – escutou Emília resmungar – Todo dia a Alhena vai acordar gritando, é isso?

–Alguma coisa aconteceu! Malfoy. O que aconteceu com Alhena? – perguntou Daphne. Damian e Pansy trocaram um olhar temeroso, se perguntando se Draco iria falar.

–Pare de me perguntar isso, Daphne. Se Alhena não quer contar, respeita isso.

–Minha melhor amiga está sofrendo. E eu não posso fazer nada pra ajudar!

–Conforme-se. – resmungou Draco – Não dá pra ajudar todo mundo. Principalmente quem não quer ser ajudado.

Damian voltou a se deitar na cama e Pansy se deitou em seu peito. Ficaram daquele jeito por alguns minutos até que ouviram passos voltando do banheiro.

–Desculpe se acordei vocês... eu... eu tive um pe... – começou Alhena.

–Outro pesadelo, Lena! O que está acontecendo? – perguntou Daphne.

–É a guerra, Daphne. – resmungou Alhena – Eu sou vidente. Eu tenho presságios de morte praticamente toda noite, de pessoas que eu não conheço. Mas é assustador assim mesmo.

–Mas por que você e o Da...

–Eu vou dormir. Boa noite. Desculpem pelo susto. – cortou Alhena.

Damian suspirou, se perguntando se era apenas aquilo. Por um momento se lembrou de Draco falando que ela tinha sido estuprada.

–Pansy... – sussurrou. Pansy o olhou curiosa – Foi um estupro? – perguntou baixinho – Ele a estuprou?

–Se ela quis, não foi estupro, Damian. – respondeu Pansy – Se ela o trouxe aqui, para a cama dela, disse a droga da senha do nosso salão e ainda me deu um perdido, me deixando maluca de preocupação... – ela suspirou e deitou o queixo sobre seu peito. Fechou os olhos se lembrando da cena. Ela não parecia estar tentando se defender. Ela não parecia estar chorando, tentando fugir. Ela o abraçava e sorria... ela sorria...

Fechou os olhos perdido em dor. Completamente confuso. E no dia seguinte era Draco na cama dela. Ela praticamente nua. Nem se importou de segurar a droga da toalha. Nem se importou que Draco a visse...

Não deveria ser novidade pra ele, afinal de contas...

Ficou se corroendo com aqueles pensamentos até cair no sono. Se lembrou de uma noite... há muito tempo, em sua casa. Quando levara Alhena para sua cama e a beijara. Podia sentir o coração dela bater acelerado contra o seu. Lembrou-se de quando sem querer dera um fora nela, dizendo que ela não era seu tipo... do modo gelado que ela passara a tratá-lo.

E como doeu quando disseram que ela não estava sendo fria. Ela estava sendo como era com todo mundo... quando começou a me tratar como qualquer um... quando deixei de ser especial.

Será que algum dia tinha mesmo sido especial? Se lembrou da droga da música que tinha composto para ela. Quando ia dormir com os dedos em carne viva, tentando aprender a tocar a música com perfeição... lembrou-se dos beijos que dera nela, de como ela tremia de falso nervosismo ao seu toque.

Girou o corpo, sentindo Pansy ao seu lado. Ficou tentado. Mas ainda era muito cedo. Era muito recente. Por isso se levantou e estava para voltar para o dormitório masculino, quando a cortina da cama de Alhena se abriu. Era ela.

Se encararam longamente. Ela parecia chocada por vê-lo ali. Os olhos dela correram para as cortinas agora abertas da cama de Pansy e então voltaram para ele. Se perguntou se ela iria acusá-lo de alguma coisa. Se ela ficaria com raiva. Se ela o olharia com aquele desdém que ela passara o início do ano inteiro fazendo.

Mas ela pareceu simplesmente infeliz. Simplesmente infeliz. Ela se levantou e saiu do dormitório, indo para as escadas. A seguiu, se perguntando o que ela iria fazer. Alhena atravessou a passagem secreta e ele não aguentou.

–Vai ver Pierre agora que Draco dormiu? – perguntou ele.

–Quero esclarecer algumas coisas. – respondeu ela – Adeus.

E então ela foi.

Sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem. Todos. Uma sensação agourenta o tomou e ele respirou fundo tomando coragem para segui-la. Estava completamente acostumado a andar de madrugada pelas masmorras. Sabia todos os esconderijos possíveis e o Barão nunca o denunciava.

Mas Alhena não estava indo para as masmorras. Ela subia as escadas. Parecia estar indo para fora. Ela pulou uma janela do Salão Principal e foi seguindo para as estufas. A seguiu, se perguntando o que ela queria fazer.

Ela entrou na estufa número dois e ele a seguiu, sem saber o que pensar de tudo aquilo. Sentiu um cheiro doce, vindo de uma fumaça suspeita. Alhena olhou para trás, para ele e lhe azarou com um feitiço não verbal. Sentiu o corpo ficar tenso e travado. Não podia se mover, nem falar. Alhena o fez levitar até perto de uma samambaia e o deixou ali, bem escondido pelos ramos verdes da planta.

–Quem está ai? – seu sangue ferveu de novo. Era a voz de Pierre.

–Sou eu. – respondeu Alhena, sumindo de seu campo de visão.

–E o que faz aqui? Veio pedir por mais? – perguntou Pierre. Alhena não estava mesmo pensando em se divertir com aquele maldito, o deixando ali pra assistir, estava?

–Eu vim aqui perguntar como teve a coragem de fazer aquilo comigo! – rosnou Alhena – Eu confiei em você! Eu sempre fui sua amiga, aqui em Hogwarts.

–Do que está falando, Lena? – perguntou a voz debochada de Pierre – Você quis.

–Eu quis? Eu estava completamente bêbada! Você armou com Parkinson pra cima de mim! – rosnou Alhena. Pierre deu uma risadinha.

–É isso que repete pra si mesma, pra conseguir dormir melhor? – perguntou Pierre. – Não, Alhena. Você quis. Você pediu. Você falou até que me amava, enquanto eu te comia, sabia? – perguntou ele. Só queria ir embora dali. Não queria ouvir uma palavra que fosse.

–Eu achei que fosse meu namorado. Eu estava alucinando.

–É claro que estava. – debochou Pierre. Começou a ver Alhena. Ela andava de costas, até que ficou encurralada contra uma mesa. Pierre começava a aparecer em seu campo de visão – Estava louca por mim, isso sim. Me disse a senha do seu Salão Comunal e pediu para que eu comesse você. Porque sempre ficava se perguntando como seria comigo. – ele a empurrou contra a mesa.

–Está mentindo.

–Eu fui melhor que o bostinha do seu namoradinho?

–Você me estuprou. – lamentou Alhena – Você e Pansy. Ela colocou alguma coisa na minha bebida, não foi? Pra me tirar do dormitório. Pra que você me pegasse. Me encontrasse. Ela te deu a senha, você me levou para dentro, para que o Damian nos flagrasse. Tudo para que ela conseguisse entrar nas calças dele e você nas minhas!

Sentiu um tremendo calafrio ao escutar aquilo. Não... não pode ser. Não pode ser...

Mas Pierre aplaudiu, com um sorriso sarcástico.

–Bravo. Bravo! – riu ele – Quem chegou a essa conclusão? Você? Ou foi seu novo guarda costas. O Malfoy. Ele está aqui com você?

–Eu vim sozinha. – rosnou ela – Draco vem me protegendo de você, sim. Ele é meu amigo de verdade, ao contrário de você... seu... seu... – Pierre segurou o rosto de Alhena com força, a apertando nas bochechas, forçando-a a fazer um biquinho e a olhar para ele.

–Isso me parece uma ideia estúpida, digna de você. Eu tentei forçar com você em Beauxbatons, pra me divertir, mas fomos flagrados pelos elfos. Então te soltei uma lábia e você me seguiu pra um lugar vazio. Você é mesmo muito burra. – riu ele. Alhena tentou livrar o rosto da mão dele, mas não conseguiu – E agora vem aqui sozinha, me procurar... qual o seu plano, heim?

–Eu quero ver se é homem o suficiente para confessar o que fez. – rosnou ela. Pierre deu uma risada e a colocou de costas, curvada contra a mesa.

–Eu acho que você gostou daquele dia e está pedindo por mais. – riu ele.

–Me solte! – rosnou ela – Eu vou gritar! Eu vou contar pra todo mundo.

–E quem vai acreditar em você? Heim? Seu irmão? O lobisomem? – Damian arregalou os olhos, em choque – É... eu sei que ele é um lobisomem. Meu pai achou um absurdo que ele estivesse estudando com a gente. Ele deveria estudar em casa, afastado dos bruxos... mas Dumbledore é um frouxo. Ficou com peninha daquele estúpido. Mas isso pode ser uma vantagem pra mim.

–Do que está falando? – perguntou Alhena.

–Você vai ficar quietinha e fazer o que eu mandar você fazer... ou... eu vou contar pra todo mundo que seu irmãozinho é um lobisomem... e ele vai ser obrigado a se retirar da escola. Ninguém vai acreditar se você falar que eu estou te obrigando a qualquer coisa. Eu sou um aluno modelo e você é a garota problemática, filha bastarda de um comensal de morte. Uma vadia mentirosa, que traiu o namorado comigo e já está de romance com o amigo dele. Quem vai te levar a sério?

Damian tentou se livrar da azaração, mas não conseguiu. Ele podia ver. Ele podia ver. Alhena ainda tentou se mexer, mas o garoto colocou a mão ao redor de seu pescoço. Se lembrou dela falando que Avery a tentara estuprar daquele mesmo jeito. Ficou desesperado. Precisava ajudá-la. Precisava fazer alguma coisa.

–Não... não! De novo não. Me larga. – pediu Alhena.

–Acha que eu estou brincando? Eu conto pra todo mundo do seu irmão. Eu conto sobre você andar bêbada pelos corredores. Falo que seu ex namoradinho quem contrabandeia as bebidas pra cá... é isso que você quer? – perguntou Jacques. Alhena fechou os olhos e negou com a cabeça – Então empina a bunda, Alhena. Vamos nos divertir, que nem aquele dia, na sua cama.

Damian tentou de todas as maneiras se soltar. Mas simplesmente não conseguiu. Viu Pierre abaixar a calça do pijama de Alhena. Quis gritar de raiva. Quis se mostrar presente, mas a azaração não permitiu. Quando Jacques começou a estocá-la, desejou morrer. Ele puxou Alhena pelos cabelos e bateu um pouco na bunda dela, com violência. Alhena não chorou. Ela ficou olhando para frente, com fúria no olhar. Pierre continuou a empurrá-la com os quadris, fazendo a mesa em que ela estava escorada se mover e fazer barulho. Mas Alhena não chorou. Ele a fez se levantar, para poder apertá-la nos seios. Mas Alhena não chorou. Ele a mordeu no ombro e ela rosnou de dor, mas seguiu olhando para frente, sem chorar. Com o rosto endurecido como se fosse uma máscara.

Fechou os olhos, sem querer ver aquilo. Aquilo era culpa dele. Ele nem se importara em ouvir o lado dela. Apenas a julgou.

–Está me machucando. – lamentou Alhena.

–Foda-se. – riu Jacques. Ele tragou o próprio cigarro, sem parar de violentá-la e então apagou a bituca nas costas dela, fazendo-a gritar – Está gostoso que nem da outra vez, Lena, está? – perguntou ele. Iria matar aquele desgraçado. Não se importava se fosse parar em Azkaban. Não se importava mesmo – Está gostando? Diz que tá gostando, diz.

–Vai pro inferno. – rosnou Alhena.

–Diz que está gostando, ou vai ser pior. Não pensa no seu irmãozinho, não? – perguntou Pierre com um sorriso cruel. Alhena engoliu em seco.

–Estou gostando. – disse sem emoção.

–Diz que adora o meu pau. Vai.

–Por que precisa... – começou ela, mas ele a estapeou com força na bunda.

–Diz. – rosnou ele a estocando com força. Iria matá-lo.

–Eu adoro... – lamentou ela.

–Fala que adora o meu pau, Alhena. Fala.

–Eu adoro o seu pau. – murmurou Alhena, finalmente cedendo ao choro.

Jacques começou a rir sem parar. E aquilo durou longos minutos, com ele mandando Alhena repetir aquelas coisas obcenas. E ela repetiu cada uma, com uma expressão de infelicidade. E ele foi obrigado a ver e a ouvir.

Quando Jacques gemeu alto e estremeceu, Alhena fez uma careta de nojo. Ele a empurrou de lado e voltou a se vestir.

–Foi divertido, Alhena. Quando eu quiser de novo, eu te aviso e a gente repete, ok? – perguntou ele se ajoelhando ao lado dela. Alhena o olhou com nojo novamente e ele a lambeu no rosto – E vamos guardar esse segredinho, ou eu posso falar sobre seu irmão. Ou sobre seu ex namorado. Você não quer prejudicar nenhum deles, não é? – Alhena apenas negou com a cabeça, tentando vestir o pijama de uma vez – E é bom se comportar, porque eu tenho certeza que a namoradinha do seu irmão também faria de tudo para protegê-lo. Eu não quero envolver mais ninguém nisso. E você, quer?

–Não... não! – pediu Alhena o olhando com terror – Eu faço o que você quiser. Por favor, não machuque a Daphne.

–Muito bom. Você aprende rápido. – riu Jacques – Fico feliz que concorda em manter isso só entre nós.

–Apenas me diz, Jack. Pansy. Ela sabia que você ia fazer aquilo? Que iria aproveitar que eu estava bêbada para...

–Pare de falar de Parkinson. – riu Pierre. – Só pare. Eu já disse que isso é só entre eu e você. Você quis, Alhena. Como quis agora. E como vai querer me chupar na próxima vez. – riu ele piscando para ela – Eu sinto falta das suas chupadas. Você tem uma boquinha de algodão... mas vou deixar pra próxima. – ele a apertou na bochecha e arrumou a gola da jaqueta – Bons sonhos, Lena. A gente se vê.

Pierre saiu assoviando uma música qualquer e deixou a estufa, sem vê-lo escondido entre os ramos da samambaia. Damian olhou para Alhena, que ainda estava sentada no chão. Soluçando, tentando abotoar o pijama, com as mãos completamente trêmulas. Desejou que ela o soltasse, para que pudesse consolá-la, mas ela parecia nervosa demais para isso. Teve medo que ela o esquecesse ali.

Ela se levantou e foi em direção à saída. Quis gritar, para que ela o soltasse, mas não conseguiu. Alhena voltou em seguida e lhe lançou o olhar mais frio que ele já recebera. Ela apontou a varinha e cancelou o feitiço.

Finalmente livre, correu para ela, para abraçá-la. Mas ela levantou a varinha.

–Não me toque. – rosnou ela, com lágrimas nos olhos – Nunca mais me toque. Nunca mais... – ela arfou e tremeu, perdendo as forças dos joelhos e caindo no chão – Eu nunca mais quero que você me toque de novo! Nunca mais! Nunca mais! Nunca mais.

–Lena...

–Você não quis nem me ouvir! Você... você dormiu com a Pansy! Me fez sentir um lixo a semana inteira. – chorou Alhena.

–Me perdoe...

–Não! Eu nunca vou te perdoar. – ela ficou de pé de novo – Eu nunca vou perdoar você. Nunca vou. Eu nunca mais vou me permitir te amar de novo. Nunca mais. Nunca mais. Nunca mais me toque. Nunca mais fale comigo.

–Alhena... – murmurou desesperado. Queria abraçá-la, queria implorar por perdão.

–Você não vai contar pra ninguém!

–Ele vai fazer de novo! – disse desesperado.

–Não que você se importe! – rosnou ela, lhe dando as costas.

–Alhena. Você não pode deixar ele fazer isso com você de novo! E é claro que eu me importo. Alhena! Me espera! Alhena. – disse desesperado, seguindo-a para fora da estufa.

–Jacques Pierre nunca mais vai tocar um dedo em mim! – chorou Alhena.

–Lena. Espera. O que você vai fazer? Você precisa denunciar esse cara! – disse desesperado, andando logo atrás dela. Ela não voltava para o castelo. Ela estava indo para o lago. – Lena. O que vai fazer.

–ME DEIXE EM PAZ! – gritou ela. – Eu odeio você! Eu odeio você! – rosnou ela se virando para encará-lo. – Eu vi que um dia vou me casar com você. Que vou te dar um filho. Pois eu prefiro morrer a deixar isso acontecer.

–Alhena! Espera, Lena! – pediu Damian simplesmente desesperado. A puxou pelo braço de uma vez.

–Me solta! Me larga.

–Não! – gritou com firmeza – Não vou te soltar! Me escute. – a olhou nos olhos. Só via desespero ali. Não sabia se era dela, ou se era reflexo de si mesmo – Vamos falar com Dumbledore. Agora.

–Não vou falar com Dumbledore. Ninguém vai saber que isso aconteceu. Minha mãe não precisa saber disso e nem o meu irmão! Ninguém!

–Lena.

–Me solte. Me solte. Eu não quero mais olhar pra você.

–Eu não queria olhar também! Mas você me deixou lá.

–Ah, desculpe! Foi desconfortável pra você?! – rosnou ela, furiosa. Damian virou o rosto e afrouxou o aperto.

–O que você vai fazer, Lena...?

–Eu vou me matar. – respondeu ela se desvencilhando dele. Foi tão de repente... tão determinado, que ficou em choque. Ela se virou novamente e saiu marchando para o lago. Piscou, voltando a realidade e correu até ela.

–Não mesmo! Não vou deixar! Não vou! – disse desesperado. A puxou para si e a segurou no rosto com as duas mãos – Eu não vou deixar que aquele babaca faça mais coisa alguma com você, ou com o Rasalas... ou com a Daphne. – prometeu a olhando nos olhos – Eu vou te proteger.

–Cale essa boca. Seu escroto. Me solte! Eu disse que não quero que me toque mais! – rosnou ela, completamente fora de controle. Damian a soltou, assustado e ela lhe deu as costas, voltando a marchar para o lago.

Ela nunca vai me perdoar...

Pegou a varinha e apontou para as costas dela.

–Estupefaça. – Alhena ainda tentou se virar, mas não deu tempo. Ela caiu no chão e ele se ajoelhou ao lado dela. A abraçou com carinho e chorou um pouco, sentindo-se o maior pedaço de lixo da história. A cheirou um pouco e ficou furioso ao sentir o cheiro de fumaça doce, misturado com o perfume francês de Pierre – Me perdoe... eu vou fazer pelo seu bem... – murmurou – Mas eu vou entender se nunca me perdoar... eu não vou merecer ser perdoado... mas eu... – se lembrou dela, no dia em que ela confessara que o amara, na beira do lago, no dia em que Rasalas foi levantado pela lula gigante. – Eu te amo tanto, Alhena... – disse caindo no choro. – Meu deus... como eu te amo... eu te amo tanto que dói... eu vou fazer aquele desgraçado pagar. Eu juro que vou. Eu juro que nunca mais vou deixar ele tocar num fio de cabelo seu... – chorou ele a afagando com carinho nos cabelos – E eu juro que eu... eu nunca mais vou te tocar de novo... eu não mereço você... eu não mereço... eu fui tão imbecil... eu vi aquele cretino te estuprando e simplesmente achei que... que você queria aquilo. Como eu pude ser tão estúpido? E ainda fiquei me fazendo de vítima... não te consolei e fui ainda mais imbecil de ter ficado com raiva do Draco, por ele estar fazendo o que eu deveria ter feito... meu deus, Alhena... eu sinto muito. Eu sinto tanto... me perdoe, por favor... me perdoe... – ele afundou o nariz nos cabelos dela e chorou mais um pouco, desconsolado. Mas não podia perder mais tempo.

A pegou no colo e voltou para dentro do castelo. Não fazia ideia de onde era a sala do diretor Dumbledore, então foi para a sala do professor Snape. Bateu na porta um tanto desengonçado e precisou esperar muito tempo para que o professor aparecesse.

–O que raios está fazendo aqui? – perguntou Snape, com a cara cheia de sono e impaciência.

–Professor... aconteceu uma coisa horrível... – lamentou Damian – Eu... eu quero delatar um... um estupro.

O professor o olhou em choque e olhou para Alhena, que estava estuporada em seu colo.

–Entre, Burke. – murmurou ele – O que aconteceu?

Damian deitou Alhena no sofá e se virou para o professor, que o olhava absolutamente sério.

–Pode levar algum tempo... – murmurou infeliz.

–Temos a noite inteira.

Começou falando sobre o dia em que flagrara Alhena com Jacques. Contou a desconfiança de Malfoy e como não a levou a sério. Contou então sobre o que tinha acontecido naquela noite. Sobre ter ido para o dormitório feminino. Como Alhena estava tendo pesadelos. Contou sobre tê-la seguido até as estufas e como ela o petrificara para que ele não fizesse nada.

Quando chegou nessa parte, não conseguiu continuar e o professor precisou lhe dar um pouco de gole da paz. Então contou sobre como Alhena tentou fazer Pierre confessar, mas ele ficou contornando as perguntas dela. E então ele a colocou contra a mesa e a ameaçou, ameaçou Rasalas e o ameaçou também. E então contou que Alhena simplesmente não reagiu.

–Foi horrível. Ele... ele...

–Eu entendi. – murmurou o professor.

–Ele ameaçou a Alhena, caso ela contasse pra alguém... falou que quando ficasse com vontade, iria avisá-la e ela teria que fazer tudo do jeito que ele exigisse... porque ninguém iria acreditar nela, de qualquer maneira... o senhor precisa expulsá-lo... mas não pode deixar que ele deixe vazar o segredo do Rasalas! – lamentou Damian.

O professor concordou em silêncio e suspirou.

–Vamos fazer isso.

–Mas Alhena não quer que ninguém saiba. Eu precisei estuporá-la... ela disse que queria se matar... eu... eu fiquei desesperado... ela não quer que o Rasalas ou a mãe dela descubram isso... ela não queria contar pra ninguém, mas... – seu rosto deveria estar vermelho e inchado a aquela altura do campeonato – mas eu não podia... ficar sem fazer nada... é tudo culpa minha... é culpa minha, professor... – chorou desesperado, mesmo com o gole da paz.

–Acalme-se. – murmurou o professor. – Eu vou falar com Dumbledore pela manhã. Alhena deve ser levada para Madame Pomfrey. Você pode acompanhá-la e tentar acalmá-la. Eu vou fazer uma poção para ela... ela precisa tomar o quanto antes. – murmurou o professor se levantando – Depois eu falo com Filius... pode levá-la, Burke. Eu entrego a poção depois.

Damian concordou e se virou, ainda trêmulo. Pegou Alhena novamente no colo e a levou para a Ala Hospitalar. Mas não acordou Madame Pomfrey. A deitou na maca e segurou a mão dela, chorando desconsolado. Os minutos passaram e ela foi acordando. Ela o olhou com desgosto e puxou a mão.

–O que você fez? – rosnou ela. Damian a olhou no fundo dos olhos.

–Eu contei tudo pro Snape. – disse de uma vez. Ela arregalou os olhos e o estapeou no rosto. Nem se importou em tentar se defender.

–Eu... eu não... não acredito que... – rosnou ela. A olhou de novo, infeliz.

–Eu precisava... – murmurou – Vou ficar aqui com você até...

–Vá... embora. – rosnou Alhena. Damian respirou fundo.

–Vamos tomar um banho...

–Vamos? Eu não vou...

–Eu vou vigiar, pra ver se você não vai tentar... se matar. Mas não vou olhar pra você. – prometeu ele – Eu não aguento mais esse cheiro de perfume francês.

Alhena o olhou com desgosto e se levantou. Foi indo atrás dela e chegaram no banheiro. Ela se despiu sem cerimônia e ele viu a queimadura de cigarro nas costas dela. Fechou o punho, cheio de raiva e desviou o olhar que quase desceu para a bunda redonda e carnuda dela. Não merecia mais admirar o corpo dela. Simplesmente não...

Alhena se enfiou no chuveiro e começou a se esfregar, para se livrar do cheiro. Ela ficou muito tempo ali, até cair no choro. Ele esperava, sentado no vaso.

–Lena?

–O cheiro não sai... – chorou ela – O cheiro não sai, Damian. O cheiro não sai...

–É só sua imaginação, Lena. – murmurou ele do lado oposto do boxe.

–Eu sinto o cheiro dele em mim. Não quer sair. Não quer...

Ele pegou a toalha e abriu o boxe. Alhena estava sentada no chão, chorando desolada. Ele fechou o registro e jogou a toalha sobre os ombros dela. Depois a pegou no colo e a levou para a maca. A ajudou a se secar, de maneira carinhosa, evitando de a olhar nos olhos ou nas partes dela. Pegou um pijama e entregou para ela. Ela se vestiu, mas não conseguiu abotoar a camisa e ele precisou fazer isso pra ela.

Com a varinha secou os cabelos dela e então a fez se deitar. Ficou segurando a mão dela, a acariciando de leve. Se perguntava por quanto tempo ela permitiria que ele a tocasse daquele jeito. Ou de qualquer jeito que fosse...

Alhena se virou na maca, olhando para o teto. Ele soltou um suspiro e ela sorriu sem alegria.

–Rasalas vai ficar completamente perdido... tudo mudou absurdamente nessa semana que ele ficou fora.

–É... – murmurou Damian – Mas ele vai sobreviver... – murmurou – Vai doer e sangrar... vai ser assustador e horrível... mas ele vai sobreviver...

–E eu? – perguntou Alhena – Eu ainda não me vi morrendo... sempre tive medo de me ver morrendo... mas agora estou até curiosa... quando essa vida de merda vai terminar.

–Não diz isso, por favor. – murmurou Damian a beijando nas pontas dos dedos.

–Acredita em mim agora? – perguntou ela se sentando e puxando a mão. Ele a olhou completamente quebrado por dentro – Acredita agora? Que eu não quis? Eu nunca quis ficar com outra pessoa. Nem com Jacques e nem com Draco... meu coração só tinha espaço pra você.

–E o meu pra você... – murmurou ele olhando para as próprias mãos, que estavam em cima da maca – Mas isso não significa mais, não é?

Alhena abraçou os joelhos.

–A mãe da minha mãe foi estuprada, quando a mataram. – murmurou Alhena – Meu tio estuprou minha mãe e agora eu fui estuprada... espero nunca ter filhas... espero que o Rasalas também não... que eu seja a última da família a sofrer com isso... – Damian apertou os lábios, se lembrando daquela cena grotesca – Pierre não tem mãe? Como alguém pode fazer algo assim com uma mulher? Eu não entendo...

–Ele é doente. – murmurou Damian.

–Deve ser... – murmurou Alhena – Você pode curar a queimadura que ele deixou nas minhas costas? Está doendo.

Damian concordou e se levantou, tirando a varinha. Alhena levantou a blusa do pijama e mostrou as costas nuas. Suspirou, querendo afagá-la e apontou a varinha para a queimadura, a curando de uma vez. Em seguida passou a mão pelo lugar, numa carícia e Alhena se arrepiou inteira, se afastando.

–O que...?

–Não me toque! – chorou ela – Eu estou com nojo de mim mesma.

Soltou um suspiro e se sentou na cadeira, ao lado da cama dela. Queria poder ao menos abraçá-la. Queria poder consolá-la, beijá-la no topo de sua cabeça.

–Por que me petrificou? Eu teria acabado com a raça dele. – disse chocado. Alhena desviou o olhar.

–Eu não achei que ele fosse fazer aquilo. E se ele tentasse, eu iria azará-lo... mas eu nunca imaginei que ele iria usar Rasalas contra mim... – murmurou Alhena. Suspirou achando que ela tinha sido simplesmente tola. Mas não diria aquilo. Ela já estava fragilizada o suficiente – Eu sei que fui burra... mas sinceramente... eu não venho funcionando direito. – murmurou ela abraçando os próprios joelhos – Me pergunto se algum dia eu voltarei a funcionar...

–É claro que vai. – disse Damian – Você vai voltar a ser aquela garota...

–Garota? – perguntou ela o olhando com o rosto cheio de lágrimas – Você acha que sobrou algo de garota em mim depois do que ele fez? – perguntou ela. Ele engoliu em seco, sentindo um aperto no peito – Aquela Alhena que você conheceu e amou, morreu, Damian. Ela morreu. O que sobrou aqui... – Alhena deu de ombros – Eu não sei o que é... mas não é nada bonito.

Segurou a mão dela.

–Lena...

–Não me toque, por favor! – pediu ela, aos prantos – Você não entende? Ele me tomou a força. Ele me bateu e me humilhou. Na sua frente! Eu não quero que me toque. Eu... eu não quero que fique perto de mim.

–Eu só quero...

–Por favor, vá embora. – chorou ela.

Engoliu em seco, sentindo-se péssimo.

–Me deixa te ajudar.

–Como? Como vai me ajudar? Não tem como me ajudar, Burke. – murmurou ela. Preferiria que ela tivesse lhe dado outro tapa a ser chamado de Burke – Eu quebrei. Conforme-se com isso...

A porta se abriu e Dumbledore entrou, parecendo simplesmente muito sério.

–Srta. Lestrange. O que aconteceu? – perguntou ele.

–Eu fui na estufa roubar narciso e Burke me flagrou. – respondeu ela sem encarar ninguém.

–Eu preciso que você diga o que aconteceu, Srta. Lestrange, ou não poderemos fazer nada contra Pierre. Se ele se safar dessa, poderá machucar outras garotas da mesma maneira...

–Eu não sei do que está falando. Eu não vi Pierre hoje a noite. – mentiu Alhena sem absolutamente nenhuma emoção. Sabia que ela estava com medo que aconteceria com Rasalas. Se todos soubessem do segredo dele... e também que tinha medo que descobrissem o que tinha acontecido com ela...

–Srta. Lestrange. Eu lhe asseguro que, enquanto eu for o diretor dessa escola Rasalas não será expulso por conta de qualquer informação que venha a se tornar pública.

–E quando você não for mais diretor? Heim? – perguntou Alhena – O que poderá fazer para proteger quem quer que seja? – Alhena riu com desdém – Seu dia está chegando, Sr. Diretor... e eu não vou arriscar a vida de Rasalas. Eu não vi Pierre hoje. Eu estava roubando narciso. Sinta-se a vontade para me expulsar dessa escola. – ela desviou o olhar – Durmstrang me aceitará muito bem...

–Srta. Lestrange. – disse Dumbledore, muito sério – Eu devo insistir que diga verdade. O Sr. Burke nos contou que...

–O Sr. Burke mentiu. – disse ela o olhando zangada – Ele não sabe o que viu, porque eu o azarei. Ele ficou confuso.

–Eu não fiquei confuso. Fale a verdade, Lena. – disse Damian, desesperado. Alhena fechou os olhos e negou com a cabeça – Lena! Diga a verdade!

–Não sei do que estão falando. Pierre não fez nada comigo.

–Srta. Lestrange. Não vou permitir um estuprador na minha escola! – disse Dumbledore num tom muito seco – Infelizmente nós temos um sistema de leis machista. Damian Burke não pode acusar Pierre de ter feito isso sem que você confirme a versão dele.

–Eu não vou confirmar a versão de Burke. – disse Alhena, sem olhar pra ninguém.

–Alhena! Por favor! Rasalas não iria querer que você o protegesse! Ele ia preferir que todos soubessem sobre ele ser um lobisomem, se isso garantisse que aquele escroto do Pierre fosse punido.

–Punido pelo que? – perguntou Pierre, chegando ao lado do professor Flitwick. Damian olhou para o garoto, que estava de pijamas e parecia confuso – O que eu fiz para ser punido?

Mas a cara de pau dele era simplesmente muito abusiva. Damian deu a volta na cama, dobrando as mangas, pronto para socá-lo muito mais do que tinha feito com Draco. Pierre sorriu com desafio, mas Dumbledore segurou Damian com força. Nunca imaginaria que Dumbledore poderia ser tão forte...

–Sr. Burke. Acalme-se. – pediu o diretor.

–Você estuprou a Alhena! – rosnou Damian, apontando o dedo para Pierre. O rapaz se fez de desentendido.

–Do que você está falando? Eu nunca faria algo assim! – disse ele de maneira assustadoramente convincente.

–Eu vi! Eu vi vocês dois nas estufas! – rosnou Damian – Eu segui Alhena e eu vi! Você ameaçou contar sobre Rasalas. Você ameaçou ela e a fez...

Pierre deu um sorrisinho quase constrangido.

–Oh... que situação constrangedora. Você sabia, amor, que ele estava te seguindo? – perguntou Pierre olhando para Alhena. Damian sentiu-se mais tentado a socá-lo do que antes.

–NÃO OUSE DIRIGIR A PALAVRA PRA ELA... SEU... DESGRAÇADO! – rosnou sendo segurado pelo professor Snape.

–Ok, diretor. Eu e Alhena estamos transando. – riu Pierre – Nós gostamos de apimentar as coisas... fazer um teatrinho. Esse idiota acabou nos flagrando e entendeu tudo errado. Foi só um terrível mal entendido. Não é mesmo, Lena? – perguntou Pierre olhando com malícia para Alhena.

Damian a olhou, desesperado. Alhena engoliu em seco e desviou o olhar.

–Um grande... mal entendido... – murmurou ela.

–Pierre. É contra as regras da escola, manter relações sexuais... – começou o professor Flitwick.

–Eu tenho quase dezoito anos, professor... Alhena tem dezessete. Nós não conseguimos evitar. – Pierre teve a audácia de piscar para Alhena e sorrir – Não se lembra de como é ser jovem?

Alhena fungou, escondendo o rosto nas mãos.

–Alhena! Conte a verdade! Conte a verdade! – pediu Damian, desesperado. Mas Alhena apenas virou o rosto.

–Pare de envergonhar a garota. Não acha que já a expôs o suficiente? – perguntou Pierre. Damian rosnou e tentou avançar contra ele novamente, mas o professor Snape voltou a segurá-lo.

–Você é um homem morto, Pierre! – rosnou furioso.

–Isso é uma ameaça, Burke? – riu Pierre.

–Já chega! – rosnou Dumbledore. Damian olhou para o diretor e Pierre fez o mesmo – Alhena Lestrange. Eu não poderei expulsar Pierre da minha escola se você não falar precisamente o que aconteceu. Não tenha medo de falar a verdade.

Alhena respirou fundo e olhou para eles. Pierre a olhou arqueando uma sobrancelha e Alhena encolheu na maca.

–Eu só quero voltar pro meu quarto... – choramingou ela.

–Alguém te obrigou a fazer alguma coisa que você não queria? Conte Alhena. – pediu Dumbledore gentilmente.

–Não. Ele não me estuprou... foi... – ela engoliu em seco – Consensual...

–Lena! – arfou desesperado.

–Alhena. Quem está contando a verdade? Damian ou Pierre? – perguntou o professor Snape.

–Quantas vezes mais vocês vão fazer Alhena repetir que foi consensual? – perguntou Pierre com arrogância. Damian conseguiu se esquivar das mãos do professor e finalmente acertou um soco no nariz de Pierre. O garoto caiu no chão e ele se sentou em cima dele para socá-lo de novo.

Mas Pierre não era o magricelo do Draco. Ele conseguiu acertar um soco em seu queixo e girar, para ficar por cima. O viu fechar o punho e se preparou para levar outro soco, mas Pierre foi arremessado no ar e ficou colado no teto.

–Já chega. – disse Dumbledore – Srta. Lestrange. Você vai mesmo apoiar a versão do senhor Pierre?

–Vou. – disse Alhena.

–Então terei que chamar a sua mãe aqui na escola. – disse o diretor. Alhena piscou e o olhou.

–O que?

–É contra as regras da escola, manter relações sexuais dentro de Hogwarts. Eu vou ter que chamar sua mãe, e o pai do Sr. Pierre, para uma conversa séria.

–Qualé, diretor. Em que século você vive? Não acha mesmo que eu e Alhena somos os únicos que fazem sexo aqui dentro, acha? – reclamou Pierre, ainda colado no teto. Damian se sentou, massageando o queixo.

–E vou descontar cem pontos da Corvinal e da Sonserina. – adicionou o diretor – E vocês dois estarão proibidos de jogar quadribol, até segunda ordem. – o diretor olhou para Pierre com um olhar cheio de desgosto – E se eu souber de qualquer escapulida do senhor, meu jovem Jacques Pierre... pode-se considerar expulso dessa escola.

Pierre não se intimidou e sorriu de maneira insolente.

–Ok. – disse ele, simplesmente – Eu posso esperar até as férias. Certo, Alhena? – perguntou ele piscando para a garota.

Alhena se encolheu na cama, desviando o olhar.

–Severus, leve Damian e Alhena para o Salão Comunal da Sonserina. Filius, guie o Jaques...

–Claro, Dumbledore. Claro. – murmurou Flitwick, completamente desconfortável com a situação. Ele brandiu a varinha e fez Pierre flutuar lentamente até o chão.

–E Alhena... – murmurou Dumbledore num tom mais calmo e gentil. Ele segurou as mãos dela e a olhou nos olhos – Se você quiser mudar sua versão dos fatos... a qualquer momento... é só me falar. Eu vou insistir para que faça um acompanhamento com alguém, durante um tempo, está bem?

–Eu não preciso... – começou Alhena, mas o diretor a cortou.

–Eu irei insistir.

Alhena suspirou e deu de ombros.

–Então vamos. Burke, Lestrange. – murmurou o professor Snape.

Alhena e Damian o seguiram pelos corredores e escadas, em completo silêncio. Damian estava tão furioso que suas mãos tremiam. Quando o professor os deixou no corredor das masmorras, parou.

–Vão sozinhos. Eu vou voltar para a minha sala. Mas Srta. Lestrange... se precisar de qualquer coisa que seja... – murmurou Snape.

–Eu agradeço, professor. Mas no momento eu só quero esquecer tudo isso. – cortou ela se virando.

Damian a seguiu, sentindo-se terrível. Estavam para entrar no salão comunal, quando não aguentou mais e a puxou de uma vez.

–Me solta. – pediu ela. Mas ele não soltou. Ele a segurou com firmeza e a abraçou. A envolveu com todo o carinho que conseguiu juntar, a afagando nos cabelos – Eu não quero a sua pena. – sibilou ela.

–Por que não o denunciou? Por que?

–Porque meu irmão é tudo pra mim. – respondeu ela o empurrando – Ele foi o único que nunca me abandonou, que sempre esteve lá pra mim, independente de qualquer coisa. Se meu irmão é um lobisomem hoje, a culpa é minha e sua.

–O que?

–Nós o deixamos pra trás. Os comensais queriam a mim. Mas nós deixamos Rasalas pra trás e...

–Rasalas não vê assim. – discordou ele – Ele faria tudo de novo, pra te manter a salvo. Assim como eu.

–Eu também passo por tudo isso de novo, se for pra proteger o Rasalas. – disse Alhena engolindo em seco – Não seja um babaca e não conte pra ele. Nunca! Ouviu?

–Alhena...

–Não conte pra ele! – rosnou ela – Visgo do Diabo. – resmungou ela, fazendo a passagem secreta se abrir. A seguiu para dentro do salão.

–Alhena, não posso deixar que... – mas ele se calou. Daphne, Pansy e Draco estavam nos sofás, parecendo simplesmente desesperados.

–Por favor. Me digam que vocês estavam fazendo um sexo de reconciliação. – disse Daphne – Pra sumirem e nos deixarem completamente desesperados!

Draco correu até Alhena e a abraçou.

–Você está bem? – perguntou ele.

–Estou. – mentiu Alhena – Eu estou cansada. Vou dormir. – ela engoliu em seco – Sozinha. – adicionou quando Draco pareceu querer segui-la.

–O que aconteceu? – perguntou Pansy, se abraçando.

–Nada. – mentiu Damian – Eu e Lena fomos nas estufas... roubar... narciso. E encontramos Pierre. Rolou uma confusão e fomos flagrados... e acabamos perdendo cinquenta pontos, cada um.

–Você está com o queixo roxo. – disse Draco.

–Eu disse que rolou uma pequena confusão. – murmurou Damian. Soltou um suspiro e coçou os olhos. – Eu vou dormir.

–Por que você estava chorando? – perguntou Daphne – Seu rosto e o dela estão vermelhos e inchados.

–Nós brigamos quando estávamos voltando pra cá... – mentiu novamente – Término difícil... eu vou dormir.

–Damian. Porque vocês... – começou Daphne.

–Porque eu fui um idiota. – respondeu sabendo o que ela iria perguntar. Em seguida desceu as escadas. Foi para o dormitório feminino e abriu as cortinas da cama de Alhena. Ela estava chorando, abraçada aos joelhos – Eu posso dormir com você?

–Não. Vá embora.

–Eu não vou conseguir dormir sozinho... por favor.

–Eu disse não. Me deixe me paz! – chorou ela.

–Eu te imploro, Lena. Por favor. – murmurou sentindo uma lágrima quente escorrer por seu rosto – Só hoje... só hoje...

–Vá pro inferno, Damian! – rosnou ela, tentando fechar a cortina. A puxou para um abraço, quando ela fez isso e soluçou no ombro dela.

–Eu amo você.

Ela o empurrou e o olhou com desprezo.

–Mas eu não te amo mais. – disse com dor na voz. E então fechou as cortinas.

Voltou para a própria cama e fechou os olhos, desolado. Soluçou, abraçando o travesseiro e começou a chorar de verdade, se lembrando do estupro. Iria contar pra Rasalas. Precisava contar para o amigo... só assim protegeria Alhena.

Notas finais
Quem acha que Jacques Pierre merece uma lata de ervilha, com um rato dentro, socada no rabo? o/ O Rasalas está chegando, gente.... Isso vai dar uma treta sinistra.... Quanto a Alhena não querer denunciar o Pierre... Isso é muito comum em situações como a dela. Não vamos julgar, ok? Draco é o BEST FRIEND FOREVER da Alhena... own, modesu