Legado Lestrange
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Notas iniciais
1997
Hogwarts
Draco entrou no banheiro da Murta e viu Damian e Rasalas ali. Rasalas estava abatido, com olheiras horrorosas, parecendo simplesmente cansado, por conta da noite anterior. A última lua cheia do mês.
–Vai contar o que aconteceu? – perguntou Draco cruzando os braços e se escorando na pia.
Damian parecia que tinha passado a noite em claro.
–O que houve? Estamos matando Trato de Criaturas Mágica. Não é como se Hagrid não fosse notar nossa ausência. Somos mais da+9 metade da turma. – resmungou Rasalas – E você e Alhena estão bem? Não vi vocês trocando beijinhos nenhuma vez.
–A gente terminou, Ras. – murmurou Damian. Rasalas o olhou chocado.
–O que? Por que? – perguntou o garoto.
–O que aconteceu ontem à noite? – perguntou Draco – Não engoli essa história de roubar narciso. Você não fuma aquela merda.
–Não... eu menti. Mas eu vou contar a verdade agora. Aconteceu uma coisa muito escrota. – murmurou Damian.
–Tipo o que? Você cair na real? – perguntou Draco, furioso. Estava completamente furioso com Damian Burke. Ele tinha um certo ciúmes do garoto, desde que tinha se tornado muito próximo de Alhena, mas nunca quis que os dois terminassem. Alhena estava feliz e Draco se sentia feliz por ela. Mas agora parecia que Alhena estava pior do que nunca.
–Cair na real? – perguntou Damian. Ele negou com o rosto – Não caí. Fui empurrado com força.
–Ótimo. – riu Draco.
–Quando eu terminar de contar, vai se arrepender de ter dito isso. – murmurou Damian parecendo infeliz. Draco piscou, sem ter entendido.
–O que houve? Não estou entendendo... – murmurou Rasalas, franzindo a testa.
Damian soltou um suspiro e contou o que aconteceu no dia em que flagraram Alhena com Pierre. Rasalas ficou em choque, mas então ele rosnou. Um rosnado esquisito e assustador. Suas feições mudaram, os olhos dele ficaram âmbar, os cabelos ficaram arrepiados, vermelhos e o rosto dele... não gostava nem de olhar pra ele. Era assustador. Podia ver o lobo dentro do colega.
–Eu... vou matar... aquele desgraçado. – rosnou Rasalas com a voz grave e rouca.
–Calma. Eu não terminei... – murmurou Damian.
Então ele contou as coisas que Pansy tinha dito. Como ela estava tentando convencê-lo de que Alhena simplesmente o tinha traído. Contou como ela estava tentando seduzi-lo.
–Eu quase caí... quase... – murmurou Damian, olhando para os próprios sapatos.
–Não... Pansy não faria algo assim. – murmurou Rasalas, chocado – Eu conheço a Pansy... ela...
–Ela mudou, Rasalas. – murmurou Damian – Eu não sei o que aconteceu com ela... mas a Pansy mudou. Ela... ela ficou louca. Mas... mas não é só isso... ontem...
E então ele contou sobre como Alhena o flagrara saindo da cama de Parkinson – e ele deixou bem claro que não tinha rolado nada entre ele e a morena. Contou sobre segui-la para as estufas. Sobre ela azará-lo, para que ele não conseguisse se mover ou falar.
E então contou o que Jacques Pierre fez.
Draco olhava de Rasalas para Damian. Damian parecia que queria chorar, mas Rasalas... Rasalas tinha atingido um novo patamar de fúria. Os olhos âmbar dele ficaram negros, completamente negros. Ele parecia um demônio.
–Eu vou matá-lo... agora! – rosnou Rasalas se virando. Draco o segurou com firmeza e Rasalas se virou e rosnou. O rosto dele se contorceu de maneira assustadora. Não foi um grito... foi um rugido. Como um bicho – EU VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO!
–Espere! – disse Draco – Você acha que eu não quero vê-lo morto? – perguntou Draco – Eu quero, Rasalas. Mas espere. Se a gente fizer algo sem pensar... todos nós sairemos prejudicados... principalmente a Alhena.
–O que? – perguntou Rasalas que ainda parecia furioso.
–Ela não reagiu... ela se deixou estuprar, pra proteger seu segredo. – murmurou Damian – Se a gente encostar um dedo naquele babaca, ele vai falar e Alhena vai ter sido estuprada em vão. – Draco concordou com um aceno de cabeça, olhando Rasalas com súplica. Rasalas rugiu de novo e gritou, se desvencilhando. Ele chutou a porta de um dos boxes, a quebrando ao meio e quando ele gritou de novo todas as janelas se despedaçaram – Precisamos fazer algo o quanto antes. Pierre pode tentar estuprar Alhena de novo, usando o seu segredo.
–O que? – perguntou Draco.
–Pierre disse que quando quisesse de novo, ele iria entrar em contato com ela. Diria onde e quando... e se ela não fosse... todos iriam saber sobre o Rasalas.
Draco engoliu em seco e olhou o amigo. Rasalas estava de joelhos, no chão molhado. O fantasma da Murta olhava em choque para eles. Rasalas gritou de novo, mas dessa vez não foi de raiva, foi de desespero. Foi mais um lamento do que um berro de fúria. O amigo soluçou, balançando no chão e provavelmente cairia no choro.
–Não podemos deixar isso acontecer. – concordou Draco – Rasalas, fique de pé. Vamos mostrar pra esse maldito o que acontece quando se mexe com uma serpente.
–Mas o que vamos fazer? – perguntou Damian – Alhena não quer contar pra ninguém o que aconteceu. Ela me proibiu de falar com quem quer que fosse... mas eu não podia ficar parado, de braços cruzados...
–Um de nós tem que estar sempre de olho nela. – murmurou Rasalas, furioso.
–Pra que? Pra deixá-la ainda mais envergonhada quando Pierre a chamar? Não. Temos que lidar com ele. Não com ela. – disse Damian. O garoto então contou como ele falara com o professor Snape. Como achou que tudo iria se resolver. Mas Pierre virou o jogo, fazendo chantagem emocional com Alhena. A fez dizer que ela quis, que tinha sido apenas um teatro erótico... Quis vomitar ao escutar aquilo e tiveram que esperar Rasalas gritar de ódio de novo.
–Poderíamos esperar a próxima lua cheia e deixar Rasalas cuidar dele. – disse enquanto Rasalas rosnava.
–Por mim tá ótimo. – rosnou ele.
–Não. Não dá pra esperar um mês. Sabe-se lá o que ele vai fazer com a Alhena nesse meio tempo. – disse Damian, sombrio.
–Ou que já pode estar fazendo... – murmurou Draco, olhando de rabo de olho para Rasalas, que fez outra careta. Estava quase se acostumando com a cara de lobo dele – Enquanto Alhena não denunciá-lo, ele não vai poder ser punido legalmente. Mas enquanto ele puder usar o problema do Rasalas de escudo, nenhum de nós vai poder tocar nele.
–Então vamos garantir que ele não vai mais me usar de escudo. – rosnou Rasalas – Nunca mais.
–O que vai fazer? – perguntou Damian.
–Eu vou fazer aquele maldito se mijar nas calças. – disse Rasalas, com as feições lupinas no rosto – Ele nunca mais vai poder usar isso de novo contra a minha irmã.
–Ele falou que faria isso com a Daphne também, se a Alhena não se comportasse. – disse Damian – Ele é um...
–Ele o que? – perguntou Rasalas. Agora os espelhos quem explodiram. Draco fez uma careta.
–Cacete, Rasalas. Auto controle. – resmungou olhando a bagunça que tinham deixado o banheiro – Aqui é a casa da Murta, sabe?
–Está tudo bem... depois de tudo isso, eu não me importo... é só vocês consertarem antes de sair. – murmurou a Murta, parecendo chocada.
–Pode deixar, Murta. – disse Draco, contendo a fúria que sentia queimar dentro de si. – Então... precisamos saber exatamente o que você vai fazer. Eu vou falar com Vince e Greg. Vocês deveriam falar com Blair. Vamos dizer que a Sonserina vai desistir da Taça das Casas e vamos perder todos os nossos pontos. Talvez até ser expulsos. Eu estou disposto a ser expulso.
–Eu também. – disse Damian – Sempre tem a Durmstrang.
–Exatamente. – disse Draco. – Mas se possível... não vamos contar o motivo de fazermos isso... vamos deixar claro que ele vai merecer cada coisinha que vamos fazer com ele... mas que não vamos contar o motivo, para preservação. Alhena não queria que ninguém ficasse sabendo.
–Feito. – rosnou Rasalas — Pierre vai pagar caro, antes de ser expulso.
*
Rasalas chegou com todos os garotos do seu ano para o almoço. Todos fuzilavam a mesa da Corvinal. Se sentou ao lado de Daphne, mas estava tão puto, que nem a beijou. Estava se concentrando com tudo o que podia para não perder o controle de sua habilidade de metamorfomago. Se perdesse a concentração, tudo iria por água a baixo.
–Onde está Alhena? – perguntou num sibilo. Daphne soltou um muxoxo.
–Eu não sei. Estávamos indo para a aula de Adivinhação, quando... ah! Olha ela ali! – riu Daphne. Rasalas se virou e viu a irmã aparecer mancando, com Pierre ao seu lado, o braço dele ao redor de seus ombros. Trocou um olhar preocupado com Damian e Draco. Damian pegou uma colher e a entortou, partindo-a ao meio. Pierre beijou Alhena no rosto e piscou na direção de Damian. Depois o maldito foi caminhando para a mesa da Corvinal. Alhena respirou fundo e se sentou ao lado de Daphne – Onde você foi? Passou a manhã toda com ele? – ralhou ela – E por que está mancando?
–Eu caí. – murmurou Alhena se sentando com uma careta de dor. Damian se levantou e foi até ela, simplesmente lívido.
–O que ele fez com você? – rosnou ele. Alhena o olhou infeliz.
–Nada. Ele não fez nada. Está tudo bem... – murmurou Alhena. Sentia o cheiro de suor. Suor, misturado com o perfume francês de Pierre. E havia mais no cheiro dela. Havia o mesmo cheiro que Daphne exalava logo depois de transarem... Ele a estuprou de novo... Alhena baixou os olhos para o próprio prato e começou a se servir, com a mão trêmula.
Mas ele não poderia aguentar se segurar por mais um minuto que fosse. Se levantou e foi caminhando até a mesa da Corvinal. Pierre estava conversando com um garoto do sétimo ano. O mesmo que Alhena dera um soco, no início das aulas.
–PIERRE! – rosnou furioso.
–--
Alhena viu seu irmão gritar com Pierre e sentiu um calafrio. Ela se virou para Damian, que olhava para a mesa da Corvinal com desprezo.
–O que você fez? – perguntou ela sentindo o corpo inteiro doer – O que você fez, Damian?
–Ele fez a coisa certa. – disse Draco colocando a mão em seu ombro. Olhou horrorizada de um para o outro e tampou a boca com as mãos.
–Não... você contou! Você me disse que não ia contar... – disse finalmente deixando o choro sair – O Rasalas vai...
–Todos nós mudaremos de escola, se for necessário, Alhena. Mas Pierre vai pagar e caro. – disse Draco.
–--
Jacques olhou para Rasalas e sorriu meio de lado.
–O que foi, cunhadinho? – perguntou insolente. Mas Lestrange estava simplesmente furioso. Não sentiu medo, pois estava na frente da escola inteira, na frente de todos os professores. Qualquer coisa que Rasalas fizesse só iria prejudicar a ele mesmo.
Por isso ficou levemente surpreso quando o garoto o levantou pelo pescoço. Com apenas uma mão. Uma força absurda para um garoto de dezessete anos. Parecia que estava levantando um copo e não um adulto de noventa quilos.
Rasalas ainda fez a proeza de subir em cima da mesa, o erguendo pelo pescoço. Algumas pessoas se assustaram com isso, mas ninguém se moveu. Rasalas Lestrange o encarava com puro ódio e teve absoluta certeza de que Burke contara para ele.
–Me põe no chão antes que se meta em problemas. – rosnou segurando o pulso dele. Seus pés balançavam no ar. Olhou desesperado e sem ar para a mesa dos professores. Mas nenhum deles parecia disposto a intervir. Aquilo o assustou um pouco. Olhou novamente para Rasalas e notou que os olhos dele, antes cinzentos, estavam num amarelo âmbar.
E então o rosto dele se contorceu de um jeito esquisito. Um jeito que fez cada pedacinho de seu corpo estremecer de medo. Tentou chutá-lo e se soltar, mas Rasalas apenas apertou mais dolorosamente seu pescoço. E como que para deixar tudo ainda mais assustador o garoto rugiu. Não era nada humano. Era um bicho. As pessoas se afastaram com medo e Jacques viu o lobo através do rosto dele.
–EU SOU UM LOBISOMEM! – gritou Rasalas e as pessoas ficaram chocadas, olhando para ele – POR ISSO EU ESTOU ME AUSENTANDO UMA VEZ POR MÊS. – Sentiu o corpo tremer. Olhou para Alhena, que estava na outra mesa. Ela parecia simplesmente chocada. Viu os olhares de Malfoy, Burke, Crabbe, Goyle e Zabini. Sentiu um medo absurdo e voltou a olhar para Lestrange, que parecia mais monstro que humano. Ele o puxou mais pra perto e voltou a colocar os pés no chão. – Toque na minha irmã mais uma vez e você vai ver... Você viu o que aconteceu com Avery? O que foi esfolado? – concordou, tremendo de medo – Foi meu pai quem fez aquilo. Pode ter certeza que o que está te esperando vai ser muito pior. – sibilou Rasalas. E então ele rugiu de novo.
Jacques encolheu de medo, soltando um soluço assustado. Rasalas o soltou de uma vez e ele caiu sentado. O garoto o olhou furioso e pisou com força em cima de seu membro viril. Não conseguiu nem gritar. Sua voz nem saiu. Se sentou segurando a perna dele, no desespero da dor.
Mas logo Lestrange saiu e desceu para o chão.
–E eu ainda não terminei com você, seu filho da puta. – rosnou o garoto. Jacques deitou na mesa, deixando a cabeça cair dentro de uma travessa cheia de purê. O rosto animalesco do garoto ainda estava em sua mente.
Ele vai me matar... eu não acredito que ele se confessou lobisomem... nunca imaginei que ele faria isso... não um Sonserina...
–--
Rasalas voltou para a mesa da Sonserina, tentando deixar seus traços sob controle. Mas não estava plenamente convencido de ter conseguido. Foi até a irmã e a abraçou.
–Nunca mais... – rosnou furioso, mas não com ela – Nunca mais tente me proteger desse jeito... – rosnou a apertando contra si. Alhena soluçou e o abraçou.
–Seu idiota! – ralhou ela – tem ideia do que fez?
–Tenho. Tenho completa ideia. – respondeu ele a afastando para olhá-la nos olhos – Eu sou um lobisomem e eu não me envergonho disso. O que eu não vou deixar é alguém chantagear você por causa disso. – disse ele.
–Você não cansa de querer me proteger? – perguntou ela com os olhos cheios de água.
–Não. – respondeu Rasalas – Eu daria minha vida pela sua, Alhena, num piscar de olhos e sem pensar duas vezes. Eu só não estou puto com você, porque no seu lugar eu teria feito a mesma coisa.
–Do que raios vocês estão falando? – perguntou Amélia Flint.
–Pierre descobriu que eu sou um lobisomem e ameaçou contar pra todo mundo, caso Alhena não aceitasse ser a namorada dele.
–Por isso ela e o Damian terminaram. – disse Draco – Apesar de que Damian não sabia da chantagem. Ele descobriu depois.
Damian concordou com um aceno de cabeça. Amélia olhou para Rasalas com algum desgosto.
–Eu vou azarar aquele bostinha. Como ele ousa chantagear minha pupila favorita? – perguntou Avery socando a mesa – Espera só ele ficar sozinho.
–Entra pro clube, Avery. – riu Draco – Estamos todos esperando ele se descuidar. – riu Draco, olhando para a mesa da Corvinal, onde Pierre ainda estava deitado, segurando as próprias bolas.
***
Encurralaram Pierre no corujal. Ele provavelmente planejara mandar uma carta para o pai, falando que tinha se metido numa encrenca daquelas. Nenhum professor “viu o que aconteceu”, pois estavam “muito concentrados conversando”. Nunca pensou que veria algo daquela magnitude.
Rasalas entrou primeiro e assim que ele o fez, as corujas entraram em pânico. Damian e Draco entraram em seguida. Por último, Avery. Greg, Vince e Blair ficaram para trás, para garantir que ninguém tentaria subir as escadas para o corujal.
–Olá, Pierre. – riu Rasalas.
–Se tocar em mim, você vai preso, Lestrange. Meu pai é um auror.
–Minha mãe é da Ordem da Fênix e meu pai é um comensal de morte. Um dos favoritos. Quer brincar de medir bolas, seu babaca? – perguntou Rasalas.
–Meu pai é comensal de morte também. – riu Draco brincando com a varinha – Sou íntimo das Artes das Trevas desde que tinha doze aninhos. Se eu te cortar... não vai nascer de novo. – riu ele com um sorriso cruel.
–E eu sei sair da escola. Vou te jogar numa vala, onde nunca mais vão te achar... ou melhor... talvez achem... – disse Damian.
–Alguém que vai adorar bater um papinho com você... – riu Rasalas se aproximando um passo – Principalmente depois do que você fez com a filha dele.
–Estão blefando. – riu Jacques parecendo nervoso, acuado. Ele finalmente tinha perdido aquele arzinho arrogante e insolente.
–Eu pareço estar brincando? – perguntou Rasalas, muito sério. Ele nunca se parecera tanto com Rabastan. Apontou a varinha para ele, mas Pierre também levantou a varinha, tentando estuporá-lo. O feitiço acertou em cheio, mas Rasalas não caiu. Ele fez uma careta e lançou um feitiço estuporante, assim como Draco e Damian. Os três acertaram Pierre ao mesmo tempo.
–Tudo bem? – perguntou Draco o olhando surpreso.
–Lobisomem... agora sou mais resistente à maioria das azarações. – explicou calmamente – Traz a caixa.
Damian saiu e assoviou. Greg e Vince apareceram com uma caixa, que aparentemente tinha material de quadribol. Avery e Damian pegaram Pierre e o colocaram dentro da caixa, de qualquer jeito. Escutaram o barulho dele caindo lá no fundo e todos deram uma risadinha.
–Lembrem-se. Vocês nunca viram a gente fazendo isso. – disse Rasalas. Vince, Greg e Sebastian concordaram com um aceno de cabeça. Damian fechou a caixa e murmurou um feitiço. Então voltou a abri-la e o fundo onde Pierre estava desapareceu. Agora só viam balaços, uma goles e um pomo de ouro. Ele fechou a caixa e sorriu. – Vamos.
Damian e Rasalas pegaram a caixa, cada um de um lado, e desceram as escadas, com os companheiros. Blair os esperava ali, pois ainda estava de guarda. Draco, Vince e Greg foram numa direção. Blair e Sebastian em outra. Rasalas e Damian carregavam o baú falso de quadribol, sem esforço.
Foi quando a professora McGonagall passou por eles e os olhou desconfiada.
–O que é isso ai? – perguntou ela.
–Quadribol. – respondeu Rasalas, com a cara fechada – Somos do time. Eu vou precisar achar um novo artilheiro e falta uma semana pro jogo contra a Corvinal.
Mas Minerva não era boba.
–Abra a caixa.
Se perguntou o quão bom era o feitiço de Damian. O amigo abriu a caixa e os balaços sacudiram, tentando fugir. A professora soltou um suspiro e os olhou severamente.
–Eu realmente espero que vocês não façam nada estúpido com o Sr. Pierre. A verdade virá a tona eventualmente e não caberá a vocês puni-lo. – disse a professora, severamente.
–Não se preocupe, professora. A gente só vai brincar com ele um pouquinho. – riu Rasalas, lhe lançando uma piscadinha.
–Isso se o cretino não tiver fugido, não é? – disse Damian – Ele sabe muito bem que, no momento que você confessou que era um lobisomem, a proteção dele terminou.
–Bem. Vocês não o viram, viram? Dumbledore quer falar com ele.
Damian e Rasalas trocaram um olhar e os dois soltaram um muxoxo.
–Não vimos. – disse Rasalas, com sua excelente perícia para mentir – Até procuramos, mas o cretino sabe se esconder muito bem.
Rasalas soltou o baú e o fechou, sentando em cima dele.
–Isso mesmo. E se eu achar, eu não me responsabilizo pelos meus atos. – rosnou Damian – Pierre vai ter sorte se Dumbledore o encontrar antes da gente.
–Eu realmente torço para que vocês não façam nada estúpido. Não querem ser expulsos da escola, querem?
–Eu realmente não me importo muito com isso. – rosnou Rasalas.
McGonagall revirou os olhos e saiu, marchando. Ele e Damian trocaram um olhar e voltaram a carregar o baú. Chegaram nas antigas câmaras de tortura, onde Draco o esperava. Antigamente, os alunos, no lugar de cumprir detenções, eram castigados ali. Ficar pendurado pelo tornozelo, alguns feitiços chicotes, entre outras coisas.
Aquele dia seria mais sangrento.
–Finalmente! Por que demoraram tanto? – perguntou Draco.
–McGonagall apareceu. – disse Rasalas – Ela já está desconfiada que a gente pegou o Pierre. Precisamos fazer isso rápido e nos livrar do corpo. – Rasalas fechou a porta da masmorra e encantou o lugar para deixá-lo a prova de som, depois escondeu a porta, para que ficasse invisível pra quem passasse.
–Então vamos logo com isso. – rosnou Draco. O loiro abriu a caixa e murmurou o feitiço. Depois a fechou e abriu de novo. Viram Pierre desmaiado, lá no fundo. Rasalas o fez sair do baú, fazendo com que levitasse com um feitiço – Rasalas. Eu vou confessar que não tenho um estômago muito forte pra essas coisas.
Rasalas olhou o amigo e sorriu, furioso.
–Não se preocupe. Eu tenho... – ele olhou para o Pierre, desmaiado no chão – Deve correr no meu sangue, afinal... – apontou a varinha – Crucio.
Pierre acordou, aos gritos. Draco e Damian observavam com olhares enojados. Quando Rasalas terminou a maldição, Pierre respirava ofegante, com a cabeça encostada na pedra fria das. O garoto o olhava assustado.
–Olá, Pierre. – disse Damian, cruzando os braços – Você está para aprender a maior lição que você poderia aprender aqui em Hogwarts. – Damian pegou a varinha e a apontou para o garoto – Nunca. – o dedo indicador da mão do francês se torceu num ângulo estranho e Pierre gritou de dor – Mexa. – outro dedo se torceu com um estalo agonizante e mais uma vez Pierre gritou – Com. – agora foi o braço dele quem torceu, ficando numa posição estranha – Um. – A perna dele dobrou para cima, fazendo um “L” – Sonserina.
Pierre já estava chorando de dor. Mas Rasalas não estava satisfeito. Ele se ajoelhou ao lado de Pierre e rosnou.
–Você acha legal forçar garotas a fazerem o que você quiser, sem que elas queiram? – perguntou num sibilo – Vai provar do seu próprio remédio.
–O... o que? – perguntou Pierre, arregalando os olhos – O que vai fazer?
–Draco. Me dá aquela vassoura ali. – pediu Rasalas.
–Não! Não, por favor! Não! – lamentou Pierre, tentando se arrastar, mesmo com a perna quebrada. Draco jogou a vassoura para Rasalas, que a pegou no ar.
–Fique de costas, Pierre. – riu Rasalas.
–Não! Que isso, Rasalas. Não faz isso! – implorou Pierre.
–Alhena pediu pra você não fazer isso. Adiantou de alguma coisa? – perguntou Damian o fazendo virar – Você parou quando ela pediu? Heim, seu babaca.
–M-mas... – Pierre parecia em pânico e ficou ainda mais assustado quando Draco soltou um feitiço, fazendo suas calças voarem para longe – Mas Alhena é só uma mulher...
Damian o socou com tanta força, que por um momento Pierre até desmaiou.
–Droga. Trate de acordar, Pierre. Eu quero você consciente agora. – rosnou Damian dando tapinhas na cara dele – Porque a gente vai arrombar esse seu cuzinho até dizer chega.
–Acorda, Pierre. Nós não somos assim tão cretinos. Nós queremos você consciente. Não queremos você alucinando e grogue, que nem você fez com a Lena, na primeira vez. – adicionou Draco.
Pierre começou a piscar e Rasalas colocou o cabo da vassoura na bunda dele. Apenas encostou, para deixá-lo mais assustado e em pânico.
–Não... não, Lestrange... não faz isso...
–Eu vou explicar como vai funcionar. Você vai falar: Por favor, Rasalas, soca tudo no meu rabo. – disse Damian – Caso não disser, eu vou usar crucio em você.
–Não... por favor... – choramingou Pierre, já chorando.
–Ok. – riu Damian pegando a varinha – Crucio.
Jacques gritou de dor, se contorcendo no chão durante quase um minuto, até que Damian cessasse a maldição.
–E então, Pierre. O que você quer? – perguntou Draco, encostado na parede, com os braços cruzados.
Pierre tremia e estava extremamente pálido.
–P-por... p-p-por fa-favor... Rasalas... – lamentou ele. Parecia prestes a cair no choro – Não faz isso, por favor.
–Crucio. – sibilou Damian. Mais um minuto escutando os gritos de Pierre.
–Galera. Eu amo a Lena. Eu quero mais que esse cara se foda... – murmurou Draco, um tanto verde – Mas eu não tenho estômago pra isso. – disse ele – Eu vou sair, ok?
Damian piscou, sentindo algo na boca do estômago e olhou para Draco. As palavras dele ficaram ecoando em sua mente. “Eu amo a Lena”.
–Draco. Você é o único que consegue fazer um obliviate decente entre nós. Você não pode ir. – disse Rasalas – Quer que eu te estupore?
–Eu te contei que Pierre fez Alhena falar que estava adorando o estupro? – perguntou Damian. Draco olhou para ele em choque e Rasalas parecia ainda mais zangado – Ele fez ela dizer que adorava o pau dele. Fez ela dizer que queria que ele comesse o cu dela... entre outros “romantismos” como esses. – Damian olhou furioso para Pierre, que estava aos soluços no chão – É por isso que, ou você implora pro Rasalas socar essa vassoura no seu rabo, Pierre, ou eu vou arrancar o seu caralho e vou socá-lo no seu cu. Você entendeu?
Pierre olhou assustado para Damian e então fechou os olhos numa careta.
–Por favor, Rasalas – ele engoliu em seco – Soca tudo no meu... rabo...
–Com prazer, Pierre. – rosnou Rasalas. Pierre gritou de lamento quando Rasalas o fez e então começou a chorar.
–Eu tenho muita certeza que Pierre aguenta mais do que isso. – disse Draco, que tinha uma veia pulsante na têmpora. Ele parecia absurdamente lívido, desde que Damian tinha dito o que mais Pierre tinha feito com Alhena – Engorgio. – disse o loiro apontando a varinha para a vassoura, que dobrou de grossura. Pierre gritou de dor e Rasalas empurrou com mais força o cabo da vassoura.
–Agora diz que tá gostando, Pierre. Ou eu vou quebrar essa merda dentro de você e vou deixar ai. – rosnou Rasalas.
–Eu estou gostando! – chorou Pierre.
–É bom, não é? Seu bosta! – rosnou Damian – Eu devia deixar você vivo e se lembrando do que aconteceu. Você não merece esquecer. – rosnou o garoto pisando nos dedos quebrados de Pierre – Você merece reviver isso todos os dias, nos seus pesadelos.
–É o que a Alhena tem feito. – rosnou Draco – Como é receber o troco, em Pierre? Está gostoso? Se sente o machão que estava se sentindo quando fez o mesmo com a Lena? – Draco o chutou nas costelas e Pierre chorou de novo.
–Eu me lembro que você queria que a Alhena te chupasse na próxima vez. Porque ela tem uma “boquinha de algodão”. – riu Damian – O que vamos fazer com você pra compensar isso?
Rasalas pegou um punhal do bolso.
–Eu tenho uma ideia. – rosnou, furioso.
****
No dia seguinte, Jacques Pierre foi encontrado numa vala da Travessa do Tranco. Saiu no jornal que ele tinha tentado fugir do castelo, para alguma aventura irresponsável.
Ele estava completamente louco e não sabia o que tinha acontecido consigo mesmo. Mas estava muito machucado, esfolado, cortado, ferido e amputado. O jornal sugeriu que tinha sido culpa dos Comensais de Morte, afinal, Pierre é filho de um famoso auror.
Mas Dumbledore olhava seus quatro alunos, se perguntando se a culpa era mesmo dos comensais.
Damian parecia furioso. Draco, ansioso e Rasalas cruelmente satisfeito. Alhena ainda estava um tanto chorosa, pois tinha confessado o que Pierre tinha feito com ela. Por mais grotesco que tivesse sido, Dumbledore não queria ver seus alunos fazendo justiça com as próprias mãos.
–Eu ainda acho que estão completamente envolvidos com isso. – murmurou Dumbledore – Mas eu não tenho como provar. Eu realmente esperava mais de você, Draco. Você é monitor.
–O que queria que eu fizesse, diretor? – perguntou Draco – Falasse pro babaca se comportar? Eu queria mais era desfiar o rosto dele. – ralhou Draco – Culpe o monitor da Corvinal e não eu. Eu fiz o que deveria ter feito. Eu convenci Alhena a contar a verdade e convenci Rasalas a não matar Pierre.
–Não tivemos nada a ver com o que aconteceu com ele. – concordou Rasalas – Mas eu posso ter mandado uma carta pro meu pai, contando o que Pierre fez. – disse ele. Alhena esbugalhou os olhos, parecendo horrorizada – Meu pai sempre soube castigar muito bem, sabe?
–Se já terminou de não nos acusar, diretor... eu quero voltar pro salão comunal. Tenho um monte de coisas pra estudar para os exames finais. – adicionou Damian, de braços cruzados.
Dumbledore soltou um suspiro, sabendo que não poderia fazer nada. Era ilegal dar veritasserum para alguém, sem a autorização da corte dos bruxos e eles não eram comensais de morte... bem... não todos...
Olhou em específico para Draco e suspirou.
–Eu vou avisar sua mãe e seus avós, Rasalas e Alhena. Assim como o Sr. Pierre... vamos abrir um processo contra o filho dele. – suspirou Dumbledore – Nenhum de vocês sabe como o Jacques Pierre deixou a escola? Eu realmente pensei que isso seria impossível.
–Não, senhor. – respondeu Rasalas.
–Não faço ideia. – concordou Draco, controlando a vontade de perguntar para Damian. O maldito sabia como sair da escola, sem que nem Dumbledore soubesse? Precisava daquela informação.
–Nem eu. – mentiu Damian, que era quem tinha tirado Pierre pelo escritório secreto de Salazar Slytherin. Apenas sua família e alguns membros da família Borgin sabiam sobre aquele lugar e eram azarados para não poderem contar sobre ele, por mais que quisessem, a alguém que não fosse um herdeiro.
–Eu não sei, também... – murmurou Alhena.
Dumbledore soltou um suspiro, preocupado e os liberou. Se Pierre tinha conseguido sair... quem garantiria que pessoas indesejadas conseguiriam entrar? Será que Hogwarts tinha mais cômodos secretos? Cômodos que ele mesmo desconhecia?
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