Legado Lestrange
42 Pesadelos
Notas iniciais
22 de Março de 1997
Residência Lestrange
Rasalas estava sentado no sofá, comendo um belo pedaço de chocolate, que tinha ganhado dos avós. Alhena estava pintando as unhas do pé de vermelho, com um semblante triste. Já fazia uma semana desde que ela confessara o que tinha acontecido. Dumbledore expulsou Pierre da escola e ele estava sendo processado e provavelmente seria preso, pois nem o pai dele parecia capaz de livrá-lo da encrenca.
Alhena precisou ir na corte dos Bruxos, para depor, assim como Damian, e Pierre estava para ser condenado, logo depois que o feriado de páscoa terminasse. Estavam mais do que confiantes de que Pierre seria preso.
Olhou para Alhena, que olhava o próprio pé com um ar distante. A casa estava muito silenciosa. Sua mãe não estava em casa, pois tinha assuntos da Ordem para resolver. Seu avô estava correndo atrás das pessoas certas, para lidar com Pierre e a avó o estava acompanhando.
Então eram apenas ele e Alhena.
E Alhena já não era de falar muito. Ela nunca fora, na verdade... mas naquela semana... ela simplesmente não falava mais, não sorria mais. Pierre tinha arrancado o desejo de viver dela. Agora ela parecia simplesmente levar a vida nas coxas.
Ela não prestava atenção nas aulas.
Ela não conversava com ninguém.
Ela não sorria, não fazia piadinhas...
Ela não olhava para Damian, que parecia simplesmente conformado com o fato de que ele e Alhena teriam terminado. Nem mesmo com Draco ela parecia querer conversar direito.
Alhena se sentou mais confortavelmente no sofá e soltou um suspiro.
–Vamos no Beco Diagonal? – perguntou ele. Alhena deu de ombros – Ou talvez... talvez poderíamos visitar o Draco. – sugeriu. Alhena soltou um suspiro, sem parecer se importar. Rasalas baixou os olhos – Eu cortei o pau dele fora. – disse Rasalas. Alhena o olhou sem parecer se interessar – E ele chorou quando eu fiz isso. Então Draco tirou a memória dele e ele ficou sem saber quem tinha feito. Afinal, Daphne garantiu que eu estava com ela, sabe?
Alhena suspirou.
–Podemos, por favor, não falar sobre o pau de Jacques Pierre? – perguntou ela ficando em pé.
Rasalas soltou um suspiro e concordou. Alhena se espreguiçou e caminhou para o próprio quarto. Ficou olhando para o caminho que ela tinha feito e pulou de susto quando as chamas da lareira soltaram um estalo.
Se virou e viu um homem encapuzado ali, usando uma máscara. Os olhos cinzentos por trás dela.
–Pai? – perguntou surpreso. Ele concordou com um aceno da cabeça e tirou a máscara – Pai! – sorriu Rasalas, se levantando. Por um momento quis abraçá-lo, mas a ideia logo pareceu ser um tanto ridícula.
–Olá, Rasalas. – murmurou Rabastan – Seu avô não está, está?
–Não. – murmurou ainda surpreso – Como conseguiu vir pra cá pela lareira?
–Essa casa ainda me reconhece como um Lestrange. – murmurou o pai vindo em sua direção, para tocá-lo no ombro. – Sua mãe me contou sobre o que Avery fez...
–E Alhena me falou sobre o que você fez com ele. – cortou sem saber como reagir. Rabastan não sorriu.
–Tudo que ele passou... foi pouco. – murmurou Rabastan – Eu sei que não deveria vir aqui, mas... – Rabastan franziu a testa – Ouvimos coisas estranhas... sobre a sua irmã. Sobre ela ter sido... – Rasalas viu o pai apertar os lábios com força.
–Papai? – perguntou Alhena voltando pra sala. Rabastan olhou para ela e abriu os braços. Ela correu até ele e o abraçou com força. Rabastan a abraçou de volta e Rasalas baixou o rosto, sem jeito – Estava com saudade... – murmurou ela.
–Eu também. – murmurou Rabastan – De vocês dois. – adicionou ele olhando para Rasalas – Precisamos conversar... eu e você, Rasalas...
–Eu não? – perguntou Alhena, olhando com mágoa.
–Não... ainda não... – murmurou Rabastan sorrindo e a acariciando no queixo – Eu nem lembro quando foi a última vez que falei com seu irmão. Eu preciso conversar com ele, entende? – perguntou o pai com a voz muito branda.
–Sobre... sobre o que? – perguntou Alhena, estremecendo. Rasalas baixou os olhos, novamente, sentindo-se triste por toda a situação.
–Sobre nós, querida... você eu já convenci a ter algum juízo... agora falta o seu irmão. – explicou ele – Precisamos ter uma conversa de homem para homem...
Rasalas engoliu em seco e concordou. Rabastan soltou Alhena e acenou com a cabeça para Rasalas. Alhena parecia quase em pânico, por isso se aproximou dela e sussurrou em seu ouvido.
–Não vou contar pra ele. Vou negar tudo, se precisar. – prometeu. Alhena pareceu se acalmar e concordou – Pra onde vamos? – perguntou voltando-se para o pai, que o olhava atentamente.
–Para a Sala das Bolhas. – respondeu Rabastan. Rasalas concordou e o seguiu pelos corredores, até chegar na espaçosa Sala das Bolhas. Imediatamente viu a de tio Rodolfo, que pairava perto da porta, mostrando uma lembrança de dois garotos brincando pela casa. O mais velho levava o mais novo nas costas e os dois pareciam sorrir felizes. Rabastan olhou para aquilo e suspirou se virando para Rasalas, parecendo triste – O que aconteceu com a sua irmã?
–Você vai ficar sabendo, cedo ou tarde. Eu acho... – murmurou Rasalas – Mas eu prometi para Alhena que não iria te contar...
–Ela foi estuprada pelo filho de Luís Pierre? – perguntou Rabastan, muito sério.
–Sim. E eu arranquei o pau do filho da puta por conta disso. – rosnou Rasalas.
–Como isso foi acontecer? Em Hogwarts? – perguntou o pai, falando num tom baixo, que fazia com que seus cabelos se arrepiassem.
–Você tem um irmão estuprador. Pergunte pra ele. – sibilou. Fechou os olhos e respirou fundo – Desculpe... eu só...
–Está tudo bem. – murmurou Rabastan – Eu conversei muito com sua mãe... e resolvemos que você, pelo menos você... deveria saber de algumas coisas importantes...
–Tipo as escapadinhas de vocês? – perguntou arqueando as sobrancelhas. Seu pai piscou e o olhou chocado – Eu escutei vocês conversando no natal. – disse e se permitiu sorrir. Rabastan fez uma cara de compreensão – Você mudou de lado... precisou que eu fosse transformado em um lobisomem... mas antes tarde do que nunca, não é? – perguntou com um sorrisinho.
Rabastan soltou um suspiro e sorriu.
–Não era sobre isso que eu ia falar. – murmurou ele – Sua mãe... ela está grávida.
Rasalas abriu a boca em choque.
–QUE?
–Pois é... – riu Rabastan – Mas sim, eu mudei de lado... você sabe que sua irmã teve uma visão sobre você?
–Sim. Ela me viu morrer. – respondeu Rasalas – Mas está tudo bem. Já descobrimos que tem como mudar o futuro... ela viu Avery caçando os nascidos trouxas, mas você matou o Avery. E ela tinha achado que ELA seria atacada por Grayback, não eu... as visões dela estão ficando mais sérias e frequentes, mas também estão ficando mais falhas...
–Não está com medo? – perguntou Rabastan.
–Estou... – confessou Rasalas cruzando o braço e vendo uma bolha flutuar muito perto, mostrando um homem ganhando um prêmio qualquer – Mas estou lidando com isso.
–Não lute contra os comensais, Rasalas... ou você vai morrer. – Rasalas concordou com um aceno de cabeça – Sua irmã vai se tornar uma comensal...
–O que? – perguntou chocado.
–Ou ia... não sei se terá mais cabeça pra isso.
–Alhena está lou...
–Eu acho que ela só queria ficar mais forte até descobrir quem iria te matar, para poder impedir... e também acho que ela quer ajudar o Draco. – Rabastan cruzou os braços – Narcisa está querendo me convencer de noivar os dois...
–Essa decisão é da Alhena.
–Eu concordo. – riu Rabastan – Alhena se casa com o puro sangue que ela quiser.
–Não precisa ser puro...
–Como o namorado dela reagiu? Ao saber o que Pierre fez?
Rasalas soltou um suspiro.
–É complicado... é melhor deixar pra lá... os dois terminaram. – respondeu. Rabastan concordou e soltou um suspiro. Ele caminhou até Rasalas e o abraçou. Sentiu-se deslocado naquele abraço.
–Cuide de sua irmã... sempre... – murmurou ele.
–Claro...
–Você um dia vai levar essa família, não importa o que Rodolfo tente fazer. Você é o herdeiro do seu avô... sendo lobisomem ou não... – murmurou Rabastan o encarando – Você é o legado da nossa família, Rasalas, e eu estou muito orgulhoso do homem que você se tornou.
Rasalas não sabia se ficava contente ao ouvir aquilo.
–Não sei se é muito mérito te deixar orgulhoso. Seus princípios são todos errados... – murmurou Rasalas – Eu entendo a sua fúria... – murmurou olhando para as próprias mãos – Eu preciso lidar com ela todos os dias. Eu sou tão explosivo quanto você, ou é o que minha mãe sempre disse... mas eu sei que você só veio para o nosso lado por rancor e raiva. Você não acha realmente o certo, lutar por nós.
–O certo, pra mim, é proteger a minha família. – disse Rabastan – E um dia você vai saber que essa é a única opção correta de um homem.
Rasalas baixou os olhos.
–Eu sei. Eu sinto isso por Alhena.
–Será mais forte ainda quando tiver seus filhos...
–Não vou ter filhos. – cortou Rasalas. Rabastan o olhou surpreso – Eu sou um lobisomem. Não vou passar minha maldição pra frente.
Rabastan soltou um suspiro e concordou.
–É sua escolha, meu filho. – murmurou colocando a mão no ombro dele – Sua e apenas sua...
*
1997
Hogwarts
Estava deitada em sua cama, num sono agitado, quando sentiu alguém tampar sua boca. Abriu os olhos assustada e viu Jacques a olhando com os olhos alucinados.
–Você vai pagar por sujar meu nome, Alhena. Vai fazer tudo o que eu mandar e como eu mandar. – Tentou gritar, mas a voz não saiu. Jacques a virou de costas, segurando seus cabelos com força – Eu sei que você quer e que vai gostar, como das outras vezes. – riu ele atrás de si. Fechou os olhos e sentiu os dedos dele lhe tocarem de forma indecente. Logo não eram mais os dedos. Sentia as estocadas de maneira dolorosa – Diz que está gostando, Alhena.
Medo. Pânico. Fechou os olhos com força.
Gritou desesperada, pedindo por socorro. Se viu em sua cama, seu prendedor de cabelo estava preso na fronha do travesseiro. O arrancou com força, assustada, tremendo. O corpo completamente tenso e dolorido. Jurava que podia sentir o cheiro de perfume francês.
Tentou normalizar a respiração e pegou a varinha que estava embaixo do travesseiro. Respirando escandalosamente, com a testa pingando suor, voltou a colocar um feitiço silenciador, para que ele durasse pelo resto da noite. Esperava que o que tinha colocado uma hora antes ainda estivesse funcionando. Não queria acordar as meninas.
Colocou a varinha no colo, respirando apressadamente. Há quanto tempo não dormia direito?
–Pierre está preso. Ele está em Azkaban... ele nunca mais vai conseguir machucar alguém novamente. – murmurou apertando a própria varinha. Fechou os olhos querendo chorar, mas ao mesmo tempo simplesmente cansada de fazer aquilo. Voltou a se deitar atormentada com as memórias da terrível violência que tinha sofrido.
Vamos lá, Alhena. Eu adoro sua boquinha de algodão.
–Deveria ter te mordido e arrancado fora... – disse com nojo de si mesma.
Rasalas sempre fora muito popular, mas agora a maioria das pessoas o evitavam. O olhavam com desconfiança e medo. Muitos pais pediram a expulsão dele da escola. Mais uma vez Rasalas se prejudicava para salvá-la, protegê-la... Estava cansada de ser protegida e ver seu irmão se ferrando por conta disso.
Se virou e fechou os olhos, mas logo virou na cama, sentindo medo.
–Ele foi preso. Ele está em Azkaban... não vai me pegar... não vai...
Mas o medo estava ali. Sempre que alguém lhe lançava um olhar mais demorado, o medo voltava. Aquele garoto mais velho da Corvinal, ou Corki da Sonserina... tinha medo de andar sozinha. Não conseguia encarar as pessoas no rosto, com medo de ver Pierre...
Como sua mãe sobrevivera tanto tempo? Como ela conseguia olhar para seu pai e não entrar em pânico ao ver os mesmos olhos do homem que a estuprou? Como?
Respirou fundo, achando simplesmente insuportável ficar ali. Saiu da cama e escorregou para o dormitório masculino. Seus olhos foram para a cama de Damian. Ele dormia com as cortinas abertas, abraçado ao travesseiro. Se virou para a cama de Draco, que sempre dormia com as cortinas fechadas.
Caminhou até a cama dele e as abriu de leve. O loiro estava acordado, com a cabeça em cima das mãos. Parecia simplesmente exausto.
–Não consegue dormir? – perguntou ele. Alhena negou com a cabeça. Ele suspirou e chegou mais para o lado – Vem cá. – ela se esgueirou para a cama dele e ele voltou a fechar as cortinas. O abraçou, infeliz e Draco a beijou na testa – Está tudo bem... ok?
Não estava tudo bem. Não com ela. Nunca mais ficaria tudo bem. Mas concordou para que ele não ficasse ainda mais preocupado. Draco se virou e a abraçou também.
–Obrigada. – murmurou timidamente.
–Está tudo bem... – sussurrou Draco – Está tudo bem... – Alhena suspirou e fechou os olhos, se sentindo mais segura nos braços do amigo – Estou com medo... – confidenciou ele. Alhena o olhou nos olhos. Era só com ele que conseguia fazer aquilo – O meu tempo está acabando... mas eu não consigo terminar aquela droga.
Alhena suspirou e o abraçou com mais força, sem condições de encorajá-lo ou confortá-lo.
Fechou os olhos, o apertando contra si e finalmente adormeceu. Acordou no dia seguinte com as vozes dos garotos conversando e resmungando sobre a preguiça de acordar cedo.
–Levanta, Draco. – escutou a voz de seu irmão.
–Eu já vou. Não esperem por mim. – respondeu Draco, cheio de sono. Esperaram até o dormitório ficar completamente silencioso para abrirem a cortina. Alhena se levantou e Draco a imitou – A gente se vê na mesa do café. – murmurou ele. Ela simplesmente concordou.
Voltou para seu quarto e notou que todas já tinham se levantado. Entrou em sua cama, para pegar suas coisas, mas algo embrulhou seu estômago. Um forte cheiro de perfume francês. Precisou tampar o nariz, para pegar seu uniforme, mas tudo parecia feder terrivelmente ao perfume de Pierre.
–É só meu cérebro me pregando peças. – murmurou zonza. Pegou o uniforme e foi para o banheiro, tomar um banho. Praticamente todo mundo estava no boxe. Menos Pansy, que já estava na frente do espelho, secando os cabelos compridos.
Ninguém disse nada, ficando todas constrangidas uma com as outras. Menos Pansy, que cantarolava baixinho. Entrou no boxe, se lavou, esfregando a bucha com tanta força contra a própria pele que ficou ardida. Mas jurava que ainda podia sentir o cheiro de Pierre.
Saiu do banho e foi se vestir, sentindo aquele perfume terrível. Foi para a mesa do café da manhã e sentou entre Rasalas e Draco. Os dois fungaram e olharam para ela.
–Por que está usando esse perfume? – perguntou Rasalas. Ela o olhou, chocada.
–Está sentindo também? Achei que era impressão minha. – disse sentindo o estômago dar uma cambalhota. Notou Draco lançar um olhar desconfiado para Pansy, mas o amigo simplesmente lhe apontou a varinha e murmurou um feitiço. Sentiu o cheiro de rosas e finalmente se viu livre do perfume de Pierre.
Caminharam juntos para a aula de DCAT, mas no caminho viram um pequena multidão ali. Curiosos, se aproximaram e todos pareceram abrir caminho. Por um momento se lembrou do segundo ano, quando mensagens atacando os nascidos trouxas enfeitavam a parede.
Mas a mensagem era outra, dessa vez.
–Fora, lobisomem. – leu Rasalas com um sorrisinho divertido – Vão precisar fazer melhor do que isso pra me tirarem da escola.
Draco e Daphne deram uma risadinha, mas Alhena só sentiu mais culpada.
A aula foi um fiasco para ela e Snape a olhou com algum desdém. Mas Rasalas foi simplesmente brilhante, como normalmente era. O mesmo em Transfiguração, mas a professora, no lugar de repreendê-la, a chamou para conversar depois da aula e lhe ofereceu um pouco de chá.
–Se precisar conversar com alguém, ou de mais tempo para praticar, Srta. Lestrange, fique a vontade para falar comigo. Não vou descontar pontos de você.
A olhou agradecida e constrangida.
A semana seguiu daquele mesmo jeito, com os professores a tratando com mais paciência por sua magia ter se tornado simplesmente fraca. Até mesmo adivinhação parecia difícil. Nunca mais conseguira ter uma visão que fosse... Pierre parecia ter lhe roubado até isso.
Quando chegou a hora de voltar para as estufas, simplesmente não conseguiu e resolveu abandonar a matéria. Nunca mais entraria em uma estufa em sua vida. Damian parecia igualmente enojado e não entrou também. Mas Draco a pegou pela mão e a puxou de volta.
–Vem. Você já matou essa aula o suficiente.
–Pelo amor de Merlin, Draco! – disse em pânico – Não me faz entrar! Não me faz entrar ai!
–Você vai entrar. – ralhou Draco – Eu vou segurar a sua mão e a gente vai entrar junto, ok? – perguntou ele. Achou que iria chorar. Negou com a cabeça, mas Draco não a deixou desistir e Rasalas logo saiu para buscar Damian, que parecia que vomitaria a qualquer instante.
A estufa estava completamente diferente do dia em que Pierre a estuprara. Tudo tinha mudado de lugar e ela não reconhecia mais onde aquele ato de violência doentia tinha acontecido. Imaginou que o professor Dumbledore tinha pedido para mudar as coisas de lugar, para que voltar ali fosse menos doloroso.
Só que ao começarem a estudar as propriedades da Losna, achou que ficaria doente. Mas Draco e Rasalas a ajudaram a continuar.
No final da semana alguém tinha destruído a cama de Rasalas e escrito “fora lobisomem” na parede do dormitório. Mais uma vez Rasalas não ligou. Draco foi falar com o professor Snape, já que era o monitor do sexto ano e Rasalas foi dormir com Daphne com a esfarrapada desculpa de que não tinha cama.
Snape nem o repreendeu.
Os pesadelos vinham todas as noites e todas as noites fugia para a cama de Draco, que sempre a recebia de braços abertos. Só tinha o cuidado de levantar antes de todos, para que não a vissem sair da cama dele.
Seus dias se arrastavam daquele jeito. Cinzentos, assustadores... mas conseguiu conter as lágrimas. Estava farta de chorar.
Mas algumas coisas não conseguiu contornar. Estava jogando muito mal e a Sonserina perdeu a Taça de Quadribol para a Grifinória. Mas ninguém lhe julgou. Todos apontaram Rasalas como o único culpado.
“Fora lobisomem”
Queria que a culpassem. Queria que deixassem Rasalas em paz...
Mas Rasalas não ligou.
–Se Draco não tivesse deixado o time... – resmungava ele. Draco suspirou certa vez e resmungou.
–Já que não vive sem mim, eu volto no próximo ano, ok? – ralhou o loiro – Mas não culpe Astoria. Ela é ótima.
Astoria corou feliz e Draco piscou pra ela.
–É claro que ela é ótima! Caso contrário não estaria no time. Mas ela não é você. Você é nosso melhor jogador, Malfoy!
Draco sorriu ao escutar aquilo. Foi bom vê-lo sorrir. Ele quase não sorria mais.
A noite chegou com os pesadelos. O cheiro de perfume francês em sua cama. Fugiu de lá para vomitar no banheiro. Depois de tomar um banho, para tentar relaxar, fugiu para a cama de Draco. Ele a abraçou apertado e a beijou na testa.
–Estou aqui com você... – murmurou ele.
Ela concordou.
E quando ele estava para ir para Sala Precisa, ela o seguiu e ficaram juntos tentando consertar o armário. Era o mínimo que poderia fazer por ele...
Quando ele entrava em desespero, temendo pela própria família, ela o abraçava apertado e o consolava. Quando ela fugia para a cama dele, querendo se livrar dos pesadelos, era ele quem a abraçava e consolava.
Não teria sobrevivido ao sexto ano sem ele...
–Lena...
–O que?
–Você é minha melhor amiga...
–Você é o meu...
Os meses passaram rapidamente e por fim eles fecharam o armário, com aquele sentimento eufórico dentro de si. Draco se virou para ela, assombrado.
–Está pronto. – murmurou ele. Alhena sorriu, cansada – Eu não vou esperar o jantar... você avisa Rasalas que teve uma visão e o esconde. Não o deixe sair do dormitório da Sonserina.
–Quer que eu vá com você? – perguntou Alhena, se referindo a Dumbledore.
–Não. – respondeu Draco segurando suas mãos – Não quero que se envolva ainda mais nisso. Quero que fique segura e que proteja o Rasalas.
Alhena concordou e abraçou Draco.
–Eu não vou sobreviver sem você. Tome cuidado.
–Obrigado por tudo, Lena... – sussurrou Draco.
Ela se encaminhou para a saída da Sala Precisa e gritou de susto ao topar com a professora Trelawney. A professora gritou também e Draco lançou um feitiço na charlatã, a deixando confusa. Ele segurou sua mão e tudo ficou muito escuro. Notou que Draco segurava algo que parecia uma mão podre e os dois caminharam no escuro, para longe da Sala.
–Vá. Rápido. – disse Draco guardando aquele artefato estranho. Alhena concordou e o abraçou novamente – Eu vou ficar bem.
Ela concordou e o olhou nos olhos, morrendo de medo, mas não poderia ficar ali. Precisava proteger Rasalas. Voltou para o salão comunal, mas não o encontrou. Foi para o lago, revistou um monte de salas, procurando por ele. Ficando cada vez mais nervosa. Cada vez mais assustada.
Estava quase para dar um chilique de desespero, quando topou com Damian. Ele a olhou assustado e a segurou pelos braços.
–O que houve?
–Onde está o Rasalas? Eu preciso ver o Rasalas! – disse desesperada. Damian não fez perguntas e os dois foram juntos procurar pelo irmão. Gritaram por ele, pelos corredores. Perguntaram para todo mundo que passava se alguém o tinha visto. Damian olhava nos banheiros, ficando cada vez mais ansioso e assustado.
–Ele estava com a Daphne... – lamentou ele – O que houve?
–Eu o vi morrer. – lamentou Alhena – Vai ser hoje.
–O que vai acontecer com ele? – perguntou Damian.
Não soube o que responder, mas não precisou. Escutaram gritos vindos do corredor.
–COMENSAIS! COMENSAIS!
Damian estacou ao seu lado e ela o puxou com firmeza.
–Precisamos achar meu irmão!
**
Estava na torre de astronomia, com Daphne, quando ouviram os gritos. Se sentaram, voltando a se vestir e espiaram para fora. As pessoas corriam, desesperadas.
–O que houve? – perguntou Daphne.
–Eu não sei. – respondeu ele – Mas coisa boa não é. Vamos.
A puxou pela mão, assustado. Foi quando viu Gina duelando com uma figura encapuzada. Não teve tempo de pensar. Apenas sacou a varinha e a ajudou. Estuporou o homem pelas costas e viu o olhar da ex namorada cruzar o seu. Não tiveram tempo para trocar agradecimentos, pois mais comensais foram aparecendo.
–Gina... – disse duelando entre ela e Daphne – Minha irmã me viu morrer se eu ficasse duelando... eu preciso ir.
–Vai. – concordou Gina – Sua mãe nos avisou.
Rasalas fez um feitiço escudo e segurou Daphne pela mão. O irmão de Gina apareceu e o olhou agradecido, mas não teve tempo para trocar olhares. Apenas correu pelo corredor, adquirindo a forma de Crabbe, puxando Daphne com ele.
Foram descendo as escadas e toparam com Damian e Alhena. Ela o olhou aliviada.
–Graças a Merlin! É você, não é, Ras? – perguntou ela. Ele concordou e os quatro desceram as escadas, indo correndo para o Salão Comunal.
Muitos alunos tentavam entrar no Salão, então ficaram numa sofrida aflição esperando pela oportunidade de entrar. Tinha certeza de que, se não fosse pelo aviso de Alhena, ele teria ficado para trás, para ajudar Gina e os outros.
Correram para os dormitórios. Todos estavam ali. Todos menos Draco...
Alhena se sentou na cama do loiro e abraçou o travesseiro dele, parecendo doente de preocupação. Pansy andava de um lado para o outro, nervosa. Astoria entrou, procurando por ele. Ela andou até Alhena e a olhou desesperada.
–Onde está Draco?
–Eu não sei... – lamentou Alhena.
–Use seu dom! Ache ele. – pediu Astoria com lágrimas nos olhos. Mas Alhena simplesmente suspirou.
–Eu perdi meu dom... – murmurou ela.
Rasalas a olhou, chocado.
–Desde quando? – perguntou surpreso. Ela o encarou infeliz e ele soube quando... sentiu ódio por Pierre mais uma vez.
Astoria se sentou ao lado de Alhena e as duas acabaram se abraçando, temendo por Draco.
Mas ele não voltou naquela noite... e nem na outra e nem na outra.
Ele tinha simplesmente desaparecido.
E Dumbledore estava morto. Dumbledore estava morto.
No enterro dele, Rasalas apertou a mão da irmã e a olhou preocupado. Ela não parecia assustada, ou aos prantos, como a maioria. Nem parecia satisfeita, como alguns da Sonserina. Ela parecia não sentir. Seu pensamento provavelmente estava muito distante... na Mansão Malfoy.
E Damian pareceu notar isso, pois não aguentou ficar até o final da cerimônia.
Encontrou o amigo, mais tarde, sentado na beira do lago. Ele parecia simplesmente infeliz. Se sentou ao lado dele e suspirou.
–Ela ama o Malfoy? – perguntou Damian, com uma lágrima descendo solitária por seu rosto. Rasalas suspirou, sentindo pena dele.
–Sim... mas não do mesmo jeito que ela ama você.
–Ela não me ama mais... ela me disse isso com todas as letras... – murmurou Damian. Ele deitou a cabeça nos braços e soluçou – Eu não consigo dormir... eu não consigo esquecer daquele dia nas estufas... eu não consigo parar de pensar naquilo... foi tão pesado, tão grotesco... as coisas que ele fez com ela... e eu não pude fazer nada, além de assistir... além de me sentir inútil. – Rasalas virou o rosto, sentindo uma fúria triste dentro de si – Eu vi aquele cretino estuprar a mulher que eu amo... e isso só aconteceu porque eu fui cego e idiota...
–Não é culpa sua.
–É culpa minha! – rosnou Damian voltando a levantar o rosto – E eu nunca mais vou me perdoar...
Rasalas colocou a mão no ombro dele.
–Eu não te culpo. Alhena não te culpa, também. A culpa foi só do Pierre. – murmurou Rasalas.
–Não foi... não foi... – lamentou Damian secando o rosto com as costas das mãos – Ela e Draco... eles estão juntos, não estão?
–Não. Draco a está ajudando, mas eles não estão juntos. Alhena não está pronta para estar com alguém... ainda está muito recente...
Damian fungou e concordou.
–Eu queria ter usado o vira tempo... para impedir aquilo, mas... – ele suspirou – Eu poderia ter deixado tudo pior. E eu só lembrei daquela droga depois de uma semana que tinha acontecido.
Rasalas concordou com a cabeça.
–Quando você me contou, já tinha passado mais de cinco horas... então... – Rasalas soltou um suspiro – Aquilo atingiu a todos nós... ela é minha irmã, é a melhor amiga da Daphne e do Draco... e você ama a Lena... isso vai deixar uma ferida em todos nós, mas... mas vamos nos curar com o tempo... só com o tempo.
Damian concordou com um aceno de cabeça. Rasalas bagunçou os cabelos dele e Damian soluçou de novo.
–Deve estar me achando um mané... – riu ele sem alegria. Rasalas sorriu e negou com a cabeça.
–Não estou. – garantiu Rasalas – Eu te considero pra caralho, Damian... você é meu melhor amigo. Alhena é minha irmã de sangue e você é meu irmão de alma... – disse ele. Damian o olhou triste.
–Você é o irmão que eu nunca tive...
Os dois riram um tanto constrangidos e Rasalas o socou no braço. Damian o olhou confuso.
–Tava ficando muito meloso. Eu precisava te bater pra melhorar o clima. – explicou. Damian riu secando o rosto novamente.
–Como consegue levar tudo numa boa? O que aconteceu com a Lena... o modo como estão te tratando...
Rasalas deu de ombros.
–Eu preciso ser forte pela Lena. Se ela me ver sofrendo, vai se culpar ainda mais. Algumas vezes eu tenho vontade de deixar a escola. Não é fácil pra mim... mas se eu desistir, o que vai impedir a Lena de fazer o mesmo? E a dor dela é muito pior que a minha... ela pode querer desistir de viver... então eu tenho que ser forte por nós dois. Entende? – perguntou olhando o amigo. Damian sorriu e concordou.
–Você é incrível, cara. – disse ele.
–Eu sei, mas você pode dizer isso mais vezes. Eu não me importo. – brincou, querendo descontrair. Damian riu de novo e fungou – Vamos. Pare de chorar. Você tem que segurar a barra também. Pela Lena.
–Pela Lena... – sussurrou Damian olhando o por do sol – Eu... eu vou ser forte por ela...
–Isso. Quem sabe um dia vocês não se acertam de novo?
–Eu duvido. – murmurou ele, baixando a cabeça – Ela nunca vai me perdoar...
–Ela vai. Eu conheço a minha irmã só desde que eu nasci. – riu Rasalas – Então eu sei o que eu estou falando. Alhena perdoou nosso pai, por ter abandonado a nossa mãe. Ela me perdoou por ter ajudado nosso avô a nos tirar da nossa mãe. Ela perdoou o nosso avô por ter feito um monte de coisas que ela não gostava. Ela perdoou nossa avó por tê-la mandado pra Beauxbatons. Ela perdoou Draco por ele ter tentado roubar os doces dela. Ela te perdoou apesar de você ter ficado com a Deshayes e com a Pansy. Ela me perdoou por ter gritado com ela no natal. Ela perdoou a Pansy por ter seduzido você... a Lena sabe perdoar, cara. – Damian concordou com um aceno de cabeça – Pode demorar um pouco, porque ela está sofrendo muito... mas eu sei que cedo ou tarde ela perdoa você... mas... você vai precisar se perdoar primeiro.
Damian soltou um longo suspiro e olhou para o horizonte, para o por do sol.
–Então realmente pode levar muito tempo...
***
O trem para casa estava num silêncio assustador. Rasalas estava abraçado com Daphne, que tremia de medo. Ela ainda sentia medo por sua família, por mais que agora o pai dela não falasse mais contra Voldemort. Blair estava com o olhar perdido, como se estivesse se recusando a crer que Dumbledore tinha morrido. Ele nunca fora a favor do Lorde das Trevas, apesar de defender a causa puro sangue.
Alhena e Damian estavam sentados lado a lado, apesar de não se olharem, tocarem ou falassem. Alhena olhava perdida pela janela e Damian olhava para o chão perdido nos próprios pensamentos.
Astoria estava com eles e chorava em silêncio, se recusando a acreditar que Draco tinha tido parte na morte de Dumbledore, como Greg e Vince tinham contado.
–Ele vinha planejando isso há séculos. – disse Vince. Mas ninguém quis acreditar nele... bem... quase ninguém ao menos...
Rasalas sabia que era verdade e Alhena também. Mas nenhum dos dois quis contar isso para Astoria.
Emília e Pansy não estavam nos vagões com eles. Tinham preferido ficar com Crabbe e Goyle. Não as censurou por isso. Cada um com sua preferência, ainda mais porque Emília e Greg estavam juntos agora.
Puxou Daphne mais para perto e sentiu a namorada suspirar. Damian mirou Alhena, pela primeira vez, mas ela ainda olhava para fora. O garoto suspirou e esticou a mão, para segurar a dela. Alhena puxou a mão e o olhou assustada, mas em seguida pareceu novamente infeliz.
–Com licença. – murmurou ela se levantando. Damian a observou sair do vagão e baixou o rosto, escondendo-o nas mãos. Rasalas suspirou e se levantou, para ir atrás da irmã.
A encontrou no corredor, mirando a paisagem, parecendo melancólica.
–O que ele vai fazer com Draco? – perguntou ela.
–Ele? – perguntou Rasalas.
–O Lorde das Trevas...
Rasalas soltou um suspiro e deu de ombros.
–Você está mais envolvida no círculo deles do que eu. – respondeu. Alhena o olhou de soslaio – Quando pretendia me contar que iria virar uma comensal de morte?
–Eu não vou mais. – murmurou ela – Eu já salvei você, não é?
–Eu não acho que ele vai ficar feliz com isso.
–Eu já não sou mais útil, Ras... eu perdi o meu dom, lembra? – perguntou ela – Mas é até bom... eu não tenho conseguido fazer nada direito. Ele iria saber facilmente que eu nunca concordei com os ideais dele...
Rasalas concordou em silêncio e se escorou na janela, ao lado dela.
–Eu... eu fico aliviado que você não vai se meter mais com eles...
–Hum...
Ficaram em silêncio por alguns minutos, olhando a paisagem passar rápido.
–As coisas vão ficar difíceis agora. Você vai voltar pra escola? – perguntou olhando para as árvores que ficavam para trás com velocidade.
–Você vai? – perguntou ela.
–Vou. É o sétimo ano. Tudo o que pudermos aprender para nos defender será pouco... – explicou ele. Alhena concordou com um aceno de cabeça.
–Tem razão... – murmurou ela – Só não sei se vou conseguir... aprender o que quer que seja.
–Claro que vai. Você é muito inteligente e competente. – murmurou Rasalas. Tentou segurar a mão dela, mas ela ficou tensa e se afastou – O que foi?
–Não gosto... quando me tocam. – murmurou ela triste.
–Mas dormia com Draco todos os dias... – disse num tom quase acusatório. Alhena não corou, só pareceu mais triste.
–Não consigo dormir sem ele. Não sem ter pesadelos. – murmurou ela.
–Por que não foi dormir com o Damian? Depois que o Draco foi embora?
Alhena soltou um suspiro.
–Damian não é um reserva.
–Não. Draco é. Volte a usar o titular. – murmurou Rasalas – Ele ama você. Não me diga que culpa ele pelo que...
–Claro que não culpo! – cortou ela – Mas não estou pronta... não estou... eu não sei o porquê de conseguir abraçar Draco e não conseguir tocar nem mesmo na Daphne... acho que foi porque ele foi o primeiro a vir me consolar... o primeiro a cuidar de mim... e nós estávamos muito envolvidos... – Alhena suspirou – Eu e Daphne nos afastamos um pouquinho, desde que vocês começaram a ficar juntos. O que é normal, afinal vocês se amam. Nasceram um pro outro. – murmurou Alhena parecendo um pouco menos triste – Draco meio que tomou o lugar dela... ele também estava muito abalado esse ano... eu fui a muleta dele e ele a minha e... agora que ele foi embora... – ela olhou para o céu pintado de turquesa, aos poucos adquirindo tons de roxo e laranja – eu estou completamente perdida... queria ir para a casa dele, ver como ele está, mas... não tenho coragem... e se o Lorde das Trevas estiver lá? Ou tio Rodolfo? – Alhena se abraçou – Odeio como tio Rodolfo olha pra mim...
–Ele já te fez alguma coisa...?
–Não. Ele só me olha de um jeito nojento, mas nunca tocou um dedo que fosse em mim...
–Bom. – sussurrou Rasalas. Ele soltou um suspiro e olhou a irmã – Mas tente dar uma chance pro Damian, mana... ao menos tente...
Ela suspirou e concordou com um aceno de cabeça. Voltou para a cabine e voltou a se sentar ao lado de Daphne. A abraçou novamente e mirou os colegas. Blair tinha cochilado, Astoria também, apesar de soltar um soluço vez ou outra. Damian estava com a cabeça encostada na janela, parecendo infeliz.
Alhena voltou para a cabine e se sentou ao lado dele. Ela suspirou e se deitou com a cabeça no colo dele. Damian pareceu levar um susto e a olhou com carinho. Mas Alhena estava de olhos fechados e não viu. Rasalas observou o amigo a afagar na cabeça e sorriu contente, torcendo para que um dia eles voltassem a ser aquele casal alegre que costumavam ser, por mais que isso o matasse de ciúmes vez ou outra.
****
Acordou com um grito estridente. Se levantou num pulo e correu para o quarto de Alhena. Ela olhava em pânico, para os lados, com a varinha na mão. A parede que separava o quarto dela e o banheiro tinha um buraco.
–Outro pesadelo? – perguntou Rasalas. Alhena o olhou e baixou a varinha, concordando – Quer dormir comigo? – ela concordou também.
Entrou no quarto e deitou na cama dela. Deram as costas um para o outro e tentaram dormir, mas Alhena acordava assustada praticamente o tempo todo...
Sua mãe começou a fazer as poções para dormir sem sonhar. Só assim Alhena parecia conseguir dormir, mas ela nunca parecia realmente descansada. Sonhar era importante para descansar. Fazer com que os sonhos não acontecessem apenas a deixavam mais ansiosa e nervosa.
Na metade do verão, receberam uma carta de Draco. Alhena, ao reconhecer a letra dele, tomou a carta da avó e a abriu desesperada.
–Sua irmã está namorando o Malfoy? – sussurrou seu avô. Rasalas negou com a cabeça.
–Os Malfoy estão me convidando para o baile que vão fazer em minha honra... – murmurou ela – Por favor, me deixem ir. Por favor. Por favor!
Rasalas olhou para a mãe e o avô. Os dois não pareciam inclinados a concordar. Era estranho saber que a mãe estava grávida. Ela estava magra como sempre. Mas imaginou que ela escondia a gravidez com a metamorfomagia.
–Eu não confio nos Malfoy. – murmurou sua mãe, com cautela.
–Eu confio em Draco. – murmurou Rasalas – Ele nunca colocaria Alhena em risco.
–Eu não sei, Rasalas.
–Alhena. – disse com autoridade, ficando de pé – Eu te levo pra festa. Mas não vai poder se afastar muito de mim. Vai ter que ficar onde eu possa...
Mas não conseguiu terminar de falar. Alhena pulou em seus braços e o abraçou.
–Obrigada!
–Rasalas... eu não acho... – começou sua mãe, mas ele a olhou determinado e ela soube que ele não iria mudar de ideia.
–Então... vou pedir para os elfos arrumarem meu traje... – começou o avô.
–Eu e Alhena iremos sozinhos. Vovô, o senhor não está em condições de ir. – disse Rasalas. Seu avô o olhou um tanto zangado, mas logo sua expressão aliviou-se e ele sorriu.
–Meu neto já é um homem feito... – suspirou ele, satisfeito – Como quiser, Rasalas... como quiser.
–Bem... então vamos precisar de um vestido bem bonito. Acho que temos uns aqui que pertenceram a Bellatrix. Ela sempre usou vestidos bonitos... – disse sua avó, tentando soar animada – Emily, querida, você pode nos ajudar a ajustar um vestido para Alhena?
Sua mãe o olhava com imensa preocupação, mas suspirou e concordou.
–Ok... mas nada de vestidos ousados.
–Duvido que tenha algum vestido comportado de Bellatrix. – riu seu avô com desdém – Ela se vestia como uma puta de luxo!
–Vovô! Não fale isso de tia Bella! – ralhou Alhena. Seu avô quase corou. Alhena estava sempre apática ou amedrontada, mas agora parecia quase zangada.
–Desculpe, Alhena. Não quis ofender. – murmurou seu avô.
Alhena concordou, com um semblante abatido, porém, calmo.
–Vamos. Vamos ver se arrumamos um vestido perfeito. – disse sua avó, batendo palmas.
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