Legado Lestrange

43 Sr. e Sra. Lestrange


Notas iniciais
Gente, como eu maltratei muito o coração de vocês... esse capítulo vai ser tipo um carinho, nele. hsuahsausha Tá bem In The Feels Mas vamos nessa! =D

1997

Mansão Malfoy

Rasalas aparatou nos arredores da Mansão Malfoy, com Alhena ao seu lado. Ela usava um vestido vermelho sangue, que deixavam as costas relativamente expostas, assim como os ombros, mas o decote ficava escondido, pois a parte da frente do vestido se transformava numa espécie gargantilha, indo até o pescoço.

Era um vestido muito bonito, mas tinha o lobo da família Black, no lugar do dragão dos Lestrange e nenhum feitiço de sua mãe conseguiu mudar o brasão, que provavelmente era encantado.

Mas Alhena não ligou.

Andaram juntos, fazendo o já conhecido caminho para a Mansão Malfoy, que parecia mais vazia do que normalmente, com menos empregados. Os jardins pareciam um tanto descontrolados e selvagens do que se lembrava também, mas a fonte com os pavões albinos seguia linda, como sempre.

Rasalas engoliu em seco e entrou no salão de entrada, sendo recepcionado pelo fantasma dos Malfoy – Antom.

—Avisarei que chegaram, Senhor e senhorita Lestrange. – disse o fantasma, deslizando no ar, para avisar a Sra. Malfoy.

Rasalas olhou ao redor e notou que haviam bem menos pessoas do que costumava ter nos bailes dos Malfoy. Mas reconheceu os pais de Crabbe e Goyle, assim como o Sr. Bulstrode.

Minutos depois Draco apareceu, vindo apressado. Ele parecia mais magro, o cabelo dele estava menos sedoso e mais opaco. Olheiras enfeitavam os olhos dele e ele parecia simplesmente cansado. Draco tentou sorrir e apertou sua mão primeiro, como ditava o costume e então se virou para Alhena.

Os dois trocaram um longo olhar, cheio de significados ocultos e então deram um abraço apertado um no outro.

—Eu senti tanta a sua falta, Draco... – murmurou Alhena. Ela se afastou e o olhou com atenção – Você está bem? Está machucado? Ele te castigou muito?

—Eu estou bem e não fui castigado. – murmurou Draco. Alhena respirou fundo, parecendo mais aliviada – Você deve sempre ficar sob o olhar meu, do Ras ou do seu pai, entendeu? De preferência dos três.

—Por que? – perguntou Alhena.

—Avery está aqui... o tio do Sebastian... e ele não está nenhum pouco feliz com os Lestrange. O seu pai matou o filho dele, afinal de contas. – explicou Draco – E eu não confio no seu tio também.

Rasalas olhou para Draco e se perguntou se ele sabia o que tio Rodolfo tinha feito com sua mãe. Ou talvez ele só soubesse o que ele quis fazer com Astoria...

Draco ofereceu o braço a Alhena e os três caminharam pelos salões da casa dos Malfoy. Cumprimentaram a Sra. Malfoy, que estava muito bonita num vestido verde esmeralda. Logo encontrou seu pai e os dois finalmente beberam aquela prometida dose de whisky de fogo.

Ficaram observando Alhena e Draco dançarem comportadamente, enquanto conversavam aos cochichos. Não era como no verão passado, que parecia que Draco tentaria tirar o vestido dela a qualquer momento. Os dois estavam tensos, como se esperassem serem atacados pelas costas a qualquer momento.

—Pierre está morto. – disse seu pai. Rasalas piscou e olhou para ele.

—O que? – perguntou chocado.

—Lúcio o matou antes de fugir de Azkaban.

—Onde Lúcio Malfoy está?

—Aqui. Disfarçado, é claro... mas em breve não precisará mais se disfarçar. – Rabastan soltou um suspiro e olhou ao redor, mas estavam bem afastados de todo mundo – Não vai demorar para o Ministério cair. Por mais que a Ordem esteja recebendo informações confiáveis... Rufus não vai manter a cabeça no pescoço por muito tempo. O Lorde em pessoa vai cuidar dele.

Rasalas sentiu uma vertigem e olhou para a irmã.

—Você acha que ele vai ganhar a guerra? O Lorde das Trevas?

—Eu acho que sim. – respondeu Rabastan – Será bom para nós, sabia? – perguntou ele – Eu poderei voltar pra casa... receber perdão total por meus atos... seremos uma família novamente.

—Quantos meses para meu irmãozinho nascer, heim? – perguntou com um sorrisinho.

—Ele deve nascer próximo ao dia das bruxas... um pouco depois, talvez... – murmurou seu pai. Ele fez uma careta – Estou apavorado. – confessou ele. Rasalas deu um sorrisinho.

—Não deve ser tão difícil. Mamãe cuidou de dois ao mesmo tempo... e sozinha. – riu ele. Rabastan coçou os cabelos e deu de ombros.

—Se der tudo certo, até lá eu e sua mãe já estaremos morando juntos. – disse seu pai – Talvez... talvez eu até possa levar vocês pra escola, esse ano. – disse ele com um sorriso – Como você me disse uma vez. Antes tarde do que nunca, não é?

Rasalas concordou, achando estranho não ser Lupin a levá-lo, mas sorriu entusiasmado com a ideia de ter seu pai morando eles. Ainda mais agora que sabia que seu pai estava do lado da Ordem da Fênix.

—Olha só quem está aqui. – riu uma voz detestável logo atrás deles. Rasalas se virou e viu o tio chegando com a esposa – O herdeiro. – debochou ele – Continua do lado errado, garoto? – perguntou Rodolfo com um sorriso maldoso.

—Só porque não concordo com a tortura de garotinhas, não quer dizer que não aprovo o Lorde das Trevas. – disse Rasalas – Astoria é minha cunhada e o senhor a torturou.

—Se meteu com a família errada. Os Greengrass são traidores de sangue.

—Não vou discutir isso com você. Não vou discutir absolutamente coisa alguma com você. Eu sei o que você fez com a minha mãe.

Rodolfo revirou os olhos e Bellatrix o olhou com alguma censura.

—Draco e Alhena fazem um belo par, Rabastan. Olhe para os dois. Deveria noivá-los. – disse Bellatrix.

—Alhena não vai ter um casamento arranjado, Bellatrix. Conforme-se. – resmungou Rabastan – Ela já sofreu o suficiente.

—Ela e Draco são super amigos. – disse Rodolfo – E os Malfoy bem que precisam dessa alavancada. Eles não estão muito em alta. Casar Alhena com Draco vai garantir uma vida de conforto para ela e a volta de algum prestígio para os Malfoy. Todos saem ganhando.

—Você não escutou, Rodolfo? – perguntou Rasalas, franzindo a testa – Minha irmã não vai se casar com Draco a menos que ela queira e deseje isso.

—Por que não querem cuidar do futuro dela? – perguntou Rodolfo.

—No dia que você tiver os seus filhos, Rodolfo, você faz o que bem entender com eles. – rosnou Rabastan – Vamos, Rasalas. Vamos mais pra lá.

—Vamos. – concordou se afastando, junto com o pai. – Tio Rodolfo me tira do sério.

—Ele é um homem morto. – prometeu seu pai – O Lorde ganhando essa guerra ou não.

—Não o mate. – pediu Rasalas – Faça ele ser preso.

—Ele nunca será preso se o Lorde ganhar a guerra. – murmurou Rabastan – Se eu não o matar, ele ficará impune.

Rasalas soltou um suspiro e voltou a olhar para a irmã. Ela e Draco ainda dançavam, lentamente, um com o outro, parecendo mais serenos do que nunca. Ela realmente gosta muito dele... e ele dela...

—Rasalas!

Se virou e sorriu.

—Damian? O que você faz aqui? – perguntou Rasalas, cumprimentando o colega.

—Fui convidado. Minha família é amiga dos Malfoy há séculos. Sempre fizemos bons negócios e... – Damian olhou para Draco e Alhena que dançavam – E eu vou chamar sua irmã pra dançar...

—Você é Damian Burke? – perguntou seu pai.

—Sou. – respondeu Damian se virando para seu pai – E você é... – ele esbugalhou os olhos e olhou de Rasalas para Rabastan, um tanto chocado – O pai... da Lena?

—É... o pai da Lena. Você é o pilantrinha que andou se divertindo com a minha filhinha, não é? – perguntou Rabastan, muito sério. Damian corou com violência e olhou para Rasalas num pedido desesperado de socorro.

—É. Ele e a Lena namoraram. Ele tirou a virgindade dela. – disse Rasalas. Damian pareceu ainda mais em pânico. Rabastan semicerrou os olhos e Rasalas sorriu – Mas ele ama a Lena, mesmo depois de terem terminado. – Rasalas passou o braço ao redor dos ombros do colega – Ele tem a minha benção pra casar com a Alhena, se conseguir reconquistá-la.

Rabastan estudou Damian com os olhos, parecendo desconfiado. Damian parecia que iria minguar e sumir. Enquanto isso, Rasalas apenas sorria.

—Se Rasalas acha que você é bom para Alhena... – murmurou Rabastan dando de ombros – Mas se magoar a minha filha, não vai ser nada bonito.

—Não, senhor! – disse Damian mais do que depressa. Rasalas deu uma risadinha e Damian se virou para Alhena – Eu vou lá... ver se consigo dançar com ela.

—Alhena ainda está um pouco arisca com as pessoas... – disse Rasalas – Então não fica muito chateado se ela não quiser dançar com você.

—Ok... – murmurou Damian se voltando para ela.

Rasalas e o pai observaram Damian cutucar o ombro de Malfoy e chamar Alhena para dançar. Draco fez uma reverência para ela e a beijou na mão, antes de se afastar. Alhena encarou Damian com o mesmo semblante melancólico de sempre e os dois dançaram por quase dez segundos, antes dela surtar com a aproximação dele.

Soltou um suspiro ao ver Alhena se afastar, tristemente, e ao ver o amigo a olhar parecendo perdido.

—Ele tentou. – murmurou seu pai.

—Ele sempre tenta. – riu Rasalas – Essa é uma das qualidades do Damian. Ele nunca desiste. Ele escreveu uma música pra Alhena uma vez, compôs a melodia e dedicou pra ela, na frente de um monte de gente.

—Ele é meio louco, então? – perguntou seu pai.

—Ele está completamente apaixonado por ela, desde o nosso quarto ano. Fala que vai casar com ela desde o quinto... e suspirou por ela o sexto ano inteiro... eles foram muito felizes durante o tempinho que ficaram juntos, mas Pierre estragou tudo. – explicou Rasalas. Rabastan concordou com um aceno de cabeça, observando Alhena, que estava de pé, em frente a uma janela.

Bellatrix logo apareceu, com uma taça de vinho, mas Alhena recusou. A tia ainda insistiu um pouco, mas Alhena não se deixou convencer. A tia deixou a taça em cima da janela e as duas começaram a conversar.

—Sua tia Bella gosta muito da Alhena. – disse Rabastan – E Alhena dela.

—É mesmo? – perguntou Rasalas.

—Sim. – respondeu Rabastan – Elas... urgh... – ele se curvou sobre o próprio braço. Algumas pessoas tiveram a mesma reação – Pegue sua irmã. Agora. E a tire daqui. – disse seu pai, apressadamente. Rasalas o olhou confuso, mas o pai o olhou desesperado – VAI!

Rasalas se virou e correu até a irmã. Tia Bella segurava o braço dela.

—Não. Eu não estou pronta, tia. – lamentou Alhena, tentando se soltar.

—Você está mais do que pronta. O Lorde poderá curar todas as suas feridas. – disse Bellatrix com um olhar fanático. Alhena puxou o braço novamente e Rasalas segurou o pulso da tia.

—Solte agora. Nós estamos indo embora. – disse autoritariamente. Bellatrix o encarou com algum desdém, mas logo Draco e Damian chegaram juntos.

—Vocês precisam sair daqui. – disse Draco – Solte ela, tia.

—Draco! – ralhou Bellatrix.

—EU MANDEI SOLTAR! – gritou Draco, alterado. Bellatrix soltou Alhena e Damian e Rasalas a guiaram para a porta – Não. Venham comigo. Depressa! – disse Draco os puxando para outra sala.

Nem pensou em não segui-lo. Draco os guiou até uma pequena sala de recepção e jogou flu na lareira.

—Melhor a minha casa. – disse Damian apressado.

—Ok. – concordou Rasalas. Draco deixou a sala e um por um foram para a casa de Damian, pela lareira mesmo.

Damian trancou a lareira e os três trocaram um olhar um tanto ansioso.

—Talvez seja uma boa ideia vocês não voltarem pra casa hoje... – sugeriu Damian. Alhena concordou com a cabeça.

—Vou avisar nossa mãe. Fica aqui, Lena. – disse Rasalas aparatando pra casa.

*

—Vou avisar nossa mãe. Fica aqui, Lena – disse Rasalas imediatamente antes de aparatar. Damian ainda tentou segurá-lo, mas não deu tempo.

—Ele não vai conseguir voltar. – ralhou Damian. Alhena bateu na própria testa.

—Mas tudo bem. Ele confia em você. – murmurou ela.

—É... – Damian soltou um muxoxo – Que pena que nem deu pra você curtir a festa, não é? – perguntou ele. Alhena deu de ombros – Aceita um chá?

—Por favor... – murmurou ela.

Tentou segurar a mão dela, mas ela recuou. Os dois trocaram um olhar constrangido e Damian colocou as mãos nos bolsos.

—Algum dia vou conseguir fazer você suportar o meu toque de novo?

—Não é só o seu toque... é o de todo mundo...

—Menos o do Draco. – resmungou enciumado. Alhena suspirou e desviou o olhar, tristonha – Está tudo bem... – murmurou ele – Eu não vou a lugar algum sem você... eu posso esperar, Lena.

—Eu não acho que vou me recuperar, Damian. Não espere por mim.

Ele negou com a cabeça e a guiou pelos corredores. Entraram num escritório, que Alhena reconhecia de suas visões. Damian a levou até uma placa de metal, que tinha o nome dele, entalhado, com seu retrato gravado em relevo. Ele segurou sua mão, por mais que ela se sentisse quase em pânico ao fazer aquilo. Ele guiou seus dedos para o espaço na frente do nome dele.

—Se não for seu nome aqui... não será nenhum outro, Alhena... – sussurrou ele. Alhena se virou, o encarando, colando as costas na parede. Damian se aproximou dela, com um olhar intenso e apaixonado – Eu amo você... – sentiu o toque dele em seu rosto e desejou que ele se afastasse. Estava tão perto. Tão perto...

Ele fechou os olhos e tocou seus lábios com os dele.

“Você tem uma boquinha de algodão, Alhena...”

Empurrou Damian com força, desesperada. Ele a olhou, assustado e ela achou que iria chorar. Podia sentir o gosto de Pierre em sua boca. Podia sentir o cheiro dele em sua pele. Lembrou-se com violência da última vez que ele a tocara e quase vomitou de desgosto ao se lembrar do que foi obrigada a fazer. Do que ele a obrigou a fazer.

—Por favor... entenda... – lamentou ela – Eu não estou pronta pra isso.

—Eu só queria... te beijar. – murmurou Damian.

—Eu não suporto contato. Quando me tocam, eu me lembro dele...

Damian baixou os olhos, sentindo-se perdido. Lembrou-se da noite da estufa, quando Pierre encurralou Alhena e a chantageou.

Fechou os olhos e concordou infeliz.

—Eu... eu vou fazer seu chá... – murmurou saindo da sala. Correu para a cozinha e ficou preparando o chá, ignorando os olhares confusos dos elfos.

—Mestrezinho, deixa que o Fiddle faz isso para o senhor. – murmurou um dos elfos.

—Não precisa... – murmurou infeliz. Mas ao se lembrar do sorriso debochado de Pierre, ficou furioso e jogou a xícara contra a parede. Se jogou no chão e puxou os próprios cabelos, tomado pelo desgosto. Sabia que precisava dar um tempo para Alhena. Tinha sido estúpido. Impulsivo. Não podia ser assim. Mas o que Draco tinha que ele não? Por que ela dançara colada a Draco? Por que ela dormia com ele? Por que ela o olhava nos olhos, permitia que ele a tocasse?

Queria não sentir ciúmes. Sabia que aquilo se tornaria veneno em suas veias. Sabia que aquilo o machucaria mais do que qualquer coisa. Sabia que teria vontade de socar Draco novamente, apesar dele simplesmente não merecer apanhar.

Se sentia tão perdido, tão confuso.

—Talvez seja melhor esquecê-la... – murmurou. Os elfos olharam entre si e depois para ele, confusos.

—Mestrezinho? – perguntou Polly.

—Façam o chá para a visita. Arrumem o quarto pra ela... – murmurou Damian ficando de pé e saindo da cozinha. Foi para seu quarto e se lembrou da primeira vez que beijara Alhena.

Lembrava-se perfeitamente de ficar abraçado ao travesseiro, com um sorriso bobo no rosto, quase se permitindo esquecer que não voltaria a vê-la tão cedo... e quando recebeu a carta de Rasalas, falando que ela iria debutar e que queria que ele fosse... ficou tão ansioso... as borboletas não deixavam seu estômago...

E quando a viu pela primeira vez, depois daquele ano separados... tão linda... tão perfeita... o modo como ela sorrira ao vê-lo. Lembrava até da cor do vestido dela... azul escuro, com o dragão prateado dos Lestrange bordado nas costas da saia. Nunca tinha visto nada tão perfeito em toda sua vida...

Fechou os olhos e encostou a cabeça na porta. Precisava ser forte e precisava dar tempo ao tempo... então não se permitiria sair do controle novamente. Não enquanto ela não melhorasse.

Se afastaria, por mais doloroso que isso fosse...

Não olharia para ela, não falaria com ela mais do que o necessário... Não a tocaria mais, afinal ela não suportava seu toque. Então ficaria distante... distante até que ela estivesse disposta a dar outra chance aos dois...

***

O Ministério caiu. Rufus Scrimgeour estava morto.

Rasalas e Alhena estavam sentados no sofá. Sua mãe também. Ela segurava o exemplar do Profeta e usava aquele vestido bonito que usara há alguns anos, quando veio buscá-lo no final do quinto ano... o penteado era um coque formal, ela usava um bonito par de brincos e aquele anel bonito que o pai tinha comprado para ela quando quis pedi-la em casamento. Ou ao menos, achava que ele tinha comprado... poderia ser da família, também.

Seu avô estava de pé, olhando a lareira, com um ar preocupado. Sua avó bebia chá, como se não tivesse nada de anormal acontecendo, mas ele notou que as mãos dela estavam trêmulas.

Rasalas se levantou, sentindo os trajes a rigor esquentarem seu corpo, fazendo-o formigar e coçar. Alhena parecia do mesmo jeito melancólico de sempre. Se perguntava se um dia ela seria capaz de voltar a sorrir.

Então escutou o som na porta, no final do corredor, com vozes alegres. Todos olharam para a porta, ansiosos. Nervosos...

E quando Rodolfo, Rabastan e Bellatrix apareceram ali, com sorrisos triunfantes, ele se perguntou se conseguiria viver com Rodolfo.

—Rabastan... – murmurou sua mãe. Seu pai sorriu e correu até ela, para beijá-la.

—Emms... – sussurrou ele. Então ele olhou para Alhena, que ficou de pé e andou até ele, para abraçá-lo – Alhena... – Rasalas viu o pai dar um beijo na irmã, que quase sorriu com o toque dele. Ele foi o último que o pai prestou atenção. Ele soltou Emily e Alhena e caminhou até ele, estendendo a mão. Rasalas a apertou e os dois se puxaram ao mesmo tempo para se abraçarem – Rasalas... meu filho... – murmurou Rabastan – Eu sou um homem livre.

—Eu sei... – murmurou Rasalas. Ele e o pai tinham exatamente a mesma altura. Os dois se olharam sorrindo e Rasalas se sentiu um garotinho, abraçado com o pai.

—Eu senti tanta saudade, Rasalas... – murmurou ele, como se não se vissem há séculos.

—Temos que comemorar. – escutou a odiosa voz de Rodolfo – Pai, não vai abrir uma garrafa de Whisky para celebrar a volta dos seus dois filhos queridos?

Rasalas olhou para o avô, que estava sério e sem expressão.

—Sala das Bolhas, vocês dois. Agora. – disse ele.

De repente, era como se seu pai e Rodolfo tivessem doze anos de idade e tivessem aprontado a peça de suas vidas. Os dois encolheram e trocaram um olhar constrangido e nenhum deles tentou falar alguma coisa. Os três foram para o corredor e Rasalas se perguntou o que seu avô iria fazer.

—Alhena. – murmurou tia Bella indo até a irmã de Rasalas. Alhena a abraçou carinhosamente, mas brevemente, ficando tensa e se afastando – O que houve?

Alhena fez uma careta e negou com a cabeça.

—Não é nada... só não... não gosto que...

—Que toquem. – completou sua mãe – Quando Rodolfo me estuprou, eu também não suportava o toque de ninguém. Só superei isso quando meus dois filhos nasceram. – sua mãe e Bellatrix trocaram um olhar desgostoso – Você sabe, não sabe? O que ele fez?

—Eu soube que você mereceu. – retrucou Bellatrix. Rasalas avançou um passo, puto, mas sua mãe colocou o braço na frente, encarando Bellatrix com desprezo.

—E eu soube que ele tentou estuprar a sua irmã caçula. – retrucou sua mãe. Rasalas sentiu o queixo cair frouxamente – Ela mereceu também? – Bellatrix encarou sua mãe com algo que parecia ódio.

—Do que está falando? – perguntou ela.

—Oh, você não sabia? – perguntou sua mãe acidamente – Pergunte a ela. Ela era apenas uma garotinha... da idade de Alhena, talvez mais nova. – Bellatrix olhou para Alhena, que desviou o olhar – Mantenha seu cachorro louco na coleira, Bella. É o único aviso que eu te dou.

—Ou o que? – perguntou Bellatrix, com desdém – Vai duelar comigo?

—Não. – riu sua mãe – Mas existem outros métodos para matar. Eu, por exemplo, sempre fui muito boa em poções. Você não saberia o que te atingiu.

—Não faça ameaças pra mim, sua imunda. – rosnou Bellatrix se aproximando e apontando o dedo para ela.

—Eu ameaço sim. – retrucou sua mãe – Mantenha o louco do seu marido longe dos meus filhos.

—E de você?

—Ele não vai me tocar novamente. – garantiu sua mãe com convicção – Vamos. – adicionou ela segurando ele e Alhena pelas mãos e os tirando dali.

****

Uma semana. Apenas uma semana depois de ser considerado um homem livre, finalmente tinha feito aquilo que há tantos anos desejara. Colocou o braço ao redor dos ombros de Emily, observando sua bolha, com tantas memórias, que flutuava pela sala. Um dia ele ajudaria Rasalas a fazer a dele.

Observou Emily dançar numa memória, parecendo simplesmente feliz e isso o fez sorrir. Havia apenas uma memória com seu irmão... quando ainda eram crianças e brincavam juntos. A mesma lembrança que Rodolfo tinha em sua bolha.

—É tão linda. – disse Emily, sonhadoramente.

—É mesmo, Sra. Lestrange. – riu Rabastan. Emily fez uma careta e o olhou com um sorriso.

—Vai levar algum tempo até eu me acostumar com isso. – riu ela acariciando a barriga redondinha. Rabastan sorriu para ela.

—Teremos tempo.

—Você vai tocar minha barriga antes do nosso bebê nascer.

—Emms... você sabe que eu tenho aflição.

—Você esfolou um homem vivo e fez ele comer a própria pele, sem hesitar... mas tocar a barriga da sua esposa grávida parece assustador. Juro que nunca vou te entender. – riu Emily. Foi a vez dele fazer careta.

—Fiquei sabendo que enfrentou Bellatrix.

—Enfrentei mesmo. Ela é a única que consegue controlar o psicopata do seu irmão. – respondeu Emily – Eu juro que mato os dois se tocarem em um fio de cabelo que seja...

—Olha só. Sou um má influência... mal casou comigo e já está planejando a morte alheia. – riu ele. Emily o olhou travessa e os dois sorriram.

Respirou fundo e colocou a ponta dos dedos na barriga dela, mas sentiu o corpo todo se arrepiar. Tinha gastura. Simples assim. Era muito esquisito imaginar que tinha um serzinho ali dentro. Metade ele, metade Emily... se perguntava se ele seria metamorfomago, se seria menino ou menina... se seria loiro ou com o seu tom de cabelo, aquele vermelho escuro e quase castanho...

Olhou mais uma vez para a bolha.

—Amanhã, pela primeira vez, vou levar meus filhos para a escola.

—Como se sente? – perguntou Emily.

—Nervoso... alguma sugestão? – perguntou ele, honestamente.

Emily sorriu para ele e o apertou no nariz.

—Tente não chorar, ou vai matá-los de vergonha.

Sorriu e a beijou na testa.

—Vou tentar me segurar.

Notas finais
ALELUIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA sajisajsiajsiajsiajsauhsuahsaushas Casaram! Casaram! E então, gente? Curtiram? =D Beijinhos e comentem, ok? Manual do Rasalas de como apresentar o ex cunhado para seu pai: Oi, pai. Tá vendo essa pessoa? Ele tirou a virgindade da sua filha e depois terminou com ela. Mas ele é um cara legal, eu juro. kkkkkkkkk