Legado Lestrange
33 Visões De Um Futuro Possível
Notas iniciais
1996
Hogwarts
Alhena soltou um suspiro, fazendo sua tarefa de Transfiguração. Draco estava ao seu lado fazendo a tarefa de feitiços, muito concentrado. Ou ao menos parecendo concentrado.
—Lena. – murmurou ele.
—Hum? – perguntou ela sem tirar os olhos de suas tabelas de transfiguração. Assim que Rasalas e Daphne terminassem de transar pediria ajuda ao irmão. Transfiguração estava simplesmente impossível e Rasalas era simplesmente o melhor do ano naquela matéria.
—Quer ir lá pra casa no feriado de páscoa? – perguntou ele. Piscou surpresa pelo convite e o olhou. Ele ainda mirava seu pergaminho com as sobrancelhas franzidas.
—Eu não acho que poderei.
—Sua mãe ou avós não iriam permitir? – perguntou Draco.
—Basicamente isso... – murmurou ela.
O loiro finalmente olhou para ela com um sorrisinho.
—Você vai ser maior de idade no feriado... – riu ele – Pode até me ver no natal, se quiser.
—Hum... – ela passeou a pena pelo queixo, cogitando – Vou pensar. Mas esse seu argumento foi bem incentivador... não ser mais obrigada a ver meu avô nos feriados se eu não quiser...
—Ainda com raiva dele? – perguntou Draco se recostando no sofá.
Alhena soltou um suspiro.
—Basicamente sim. – respondeu ela – Mas confesso que ele melhorou bastante...
Draco deu de ombros e concordou.
—Minha tia quer te ver de novo... Minha mãe disse que ela só fala de você... nas férias de verão ela só falava no quanto seu pai tinha sido egoísta de levar você embora sem nem ter avisado ela.
Alhena sorriu achando aquilo gostoso de ouvir.
—Tia Bella é muito legal. Me ensinou um monte coisas...
—Magias? – perguntou Draco.
Alhena sorriu travessa.
—Não só isso.
Draco sorriu igualmente travesso e jogou seu pergaminho e pena sobre a mesa. Estavam sentados no mesmo sofá, no salão comunal. Ele arqueou a sobrancelha e a olhou cheio de curiosidade.
—O que mais, heim? – perguntou ele – Coisas que eu apreciaria?
—Se eu fizesse com você? Bem... sim. – disse voltando o olhar para sua tarefa. Draco deu uma risadinha e se aproximou.
—Conte-me mais sobre isso... – sussurrou ele em seu ouvido. Alhena o empurrou de leve e sorriu.
—Um dia vou começar a pensar que está gostando de mim, Malfoy. – disse arqueando a sobrancelha.
—Eu gosto de você... principalmente das coisas que fazemos juntos... – sussurrou ele em seu ouvido. Sentiu a língua dele passear por sua orelha e se arrepiou inteira. Mas assim que ouviram a passagem secreta se abrir, se separaram.
Era Damian, quem entrava, completamente satisfeito consigo mesmo. Ele olhou para ela e sorriu divertido. Draco revirou os olhos e voltou sua atenção para a tarefa. Fez o mesmo, mas logo sentiu Damian se sentar no minúsculo espaço entre ela e Draco.
—Ooooi, Lena. – riu ele.
—Céus. Você consegue ser mais inconveniente? – perguntou ela.
—Eu quero te pedir desculpas. – disse ele com um sorriso enorme. Alhena piscou surpresa e o olhou piscando muito.
—O que?
—Eu fui um idiota com você. Durante um bom tempo. Sempre falava que gostava de você, ficava pensando em você o tempo todo... lembrando daquele dia em que a gente se beijou... e quando eu tive a chance de fazer tudo dar certo entre nós, eu fui um idiota e pensei com a cabeça do pau. Por isso eu peço desculpas. – disse ele a olhando sorridente.
Ficou um tanto sem jeito com o que ele tinha falado.
—Lá se vai minha sessão de amassos. – resmungou Draco se levantando – Foi bom enquanto durou, Lena. Vou lá pro dormitório ver se o Rasalas lembrou de colocar o feitiço abafador na cama dele. ‘Té mais! – o loiro acenou andando de costas e foi andando até o dormitório.
Alhena olhou para Damian, que ainda sorria, parecendo completamente feliz.
—E então? Me perdoa por ter sido um idiota? – perguntou ele segurando sua mão. Desviou o olhar, sentindo o rosto esquentar. Por que ele tinha que ser tão bonito? Tentou se lembrar de todos os dias em que Deshayes jogou em sua cara que tinha transado com ele. Se lembrou de Pansy fazer isso frequentemente e se lembrou que o próprio garoto fizera isso – Lena?
—Eu não sei. – resmungou sem encará-lo – Eu vou pro meu dormitório.
—Lena. – chamou Damian a segurando pelo pulso – Eu ainda vou fazer você gostar de mim. De novo. – riu ele piscando para ela – Eu escrevi uma música pra você. – disse ele sorridente. Sentiu uma vertigem ao escutar aquilo – Eu ainda estou aperfeiçoando minha habilidade com o violão. Ela não é das melhores, infelizmente. Mas eu estou me esforçando.
—Hum... – ela o encarou ainda mais sem jeito – Er... ok... mas... não está pensando... em fazer uma serenata, está? Vai me matar de vergonha.
—Vou cantar na última aula antes do dia das Bruxas. Eu já falei com o professor. – riu Damian – Eu espero receber uma resposta sua... sobre você me perdoar por ser um boçal. – sentiu o olhar carinhoso dele e quando ele tocou seu rosto, sentiu o coração disparar e as bochechas queimarem de vergonha – Eu espero que eu possa... te provar que não sou um completo idiota... – murmurou ele. Sentiu a outra mão dele em sua cintura. Prendeu a respiração, se perguntando se fechava os olhos ou se simplesmente o socava no queixo. – Então voltamos a ser amigos e... – ele se aproximou ainda mais. Ele iria tentar beijá-la, mas não permitiria isso. Virou o rosto, confusa, e escutou uma risadinha dele. Sentiu os lábios dele em sua bochecha, num beijo comprido e carinhoso – E quem sabe um dia... eu te convença que... que a gente deveria ficar junto... – engoliu em seco e quis sair correndo, mas não conseguiu – Eu já fiquei tanto tempo longe de você, Lena... eu não quero mais isso... – sentiu os braços fortes dele lhe envolverem num abraço caloroso. Sentiu o queixo dele no topo de sua cabeça – Eu sei que te magoei, Lena. Eu sei que fui um tosco e que eu mereço cada patada que você me dá... mas eu realmente... – sentiu o abraço apertar e pensou que iria explodir – Eu realmente... quero...
Sentiu a pressão na cabeça. Seus joelhos tremeram. Tudo ficou escuro e silencioso. Isso é hora? Pensou indignada. Não queria uma visão agora. Mas se viu num escritório com placas de metal presas nas paredes. Cada uma com pequenas placas com nomes, datas e uma foto ou retrato. Olhou ao redor, confusa, sem saber o que era aquilo. Mas sua intuição a levou até uma placa na parede. Uma placa que tinha seu nome e seu retrato, ao lado do de Damian.
Damian Burke --- Alhena Burke.
Escondeu a boca com as mãos, chocada e ouviu a porta abrir. Estava diferente, mas era Damian. Ele sorriu divertido e andou até ela, para beijá-la no ombro, a abraçando por trás. A mão dele lhe acariciou a barriga e se assustou ao ver que estava enorme, redonda. Meu Merlin. Eu me casei com ele. Eu vou ter um filho dele!
“O que está fazendo?” perguntou o Damian de sua visão. Não respondeu, assustada. Mas a Alhena da visão não estava assustada. Estava triste. Ela tocou o nome dos dois e sentiu Damian suspirar.
“Faz três anos, já...” disse a Alhena da visão.
“Pare de se torturar por isso, Lena... não havia nada que você pudesse fazer... não se pode mudar o destino.”
“Eu sabia que ele ia morrer. Eu sabia, Damian... e eu não evitei. Eu não consegui impedi-lo de ir para batalha. Eu avisei que ele iria morrer, mas ele não ligou...”
“Você sabe que Rasalas era um teimoso.” Murmurou Damian.
Rasalas não vai morrer! Eu vou salvá-lo! Eu vou salvá-lo!
Mas tudo mudou novamente. Se viu sozinha, no escuro, numa sala com uma bola de cristal brilhante. Se aproximou, perdida, olhando seu reflexo na bola.
“Eu vou mudar o destino. Meu pai já mudou. Ele matou Avery. Ele não vai mais caçar os nascidos trouxas.”
“A que preço? Você conseguirá pagar o preço?” perguntou seu reflexo.
Tudo começou a derreter e sua cabeça doeu mais do que nunca. Gritou pressionando as têmporas, tendo certeza de que sua cabeça iria explodir.
Abriu os olhos, assustadas e viu seu irmão, Daphne e Damian a olhando assustados.
—Meu Merlin, Alhena! – disse seu irmão a abraçando – Quer me matar do coração?
—Está tudo bem? – perguntou Daphne, parecendo assustada – Você desmaiou por um tempão!
Se sentou, se afastando de Rasalas e se viu na própria cama. Sua cabeça doeu novamente, mas não teve outra visão.
—Foi involuntário... a visão só veio... – murmurou se deitando com a mão na testa.
—O que você viu? – perguntou Damian.
Corou ao ouvir a voz dele.
—Não quero falar a respeito disso. – resmungou fechando os olhos.
Ficaram um tempo em silêncio até que Damian voltou a falar.
—Ei... eu preciso te devolver isso. – murmurou ele. Abriu os olhos e viu ele tirar o vira-tempo do bolso – Como eu imaginei, é verdadeiro. Meu pai me ofereceu duzentos milhões de galeões por ele. Mas eu acho que pode valer mais. – disse o rapaz.
Rasalas, Daphne e Alhena engasgaram ao ouvir aquilo.
—Você disse que achava que era falso! – disse Rasalas.
—Disse em alto e bom tom. – concordou Damian – Porque vocês estão com isso ilegalmente. – explicou ele. Alhena pegou o artefato mágico e sorriu, achando aquilo simplesmente o máximo – Então... eu sugiro que não use e que o guarde o melhor possível, se não quiser vendê-lo... se quiser vendê-lo, eu aconselharia um leilão no mercado negro. Conseguiria muito mais que duzentos milhões de galeões. Como eu disse, esse é provavelmente o último do mundo.
Olhou para aquele objeto tão bonitinho, achando engraçado o quanto ele era valioso... e o quanto pode ser útil... pensou consigo mesma. Olhou para o irmão e sorriu. Posso tentar te salvar de novo, de novo e de novo... até não falhar...
—Podemos usar isso para impedir que... – Daphne olhou significantemente para Rasalas e ele olhou para o vira-tempo com desejo. Mas Alhena negou com a cabeça.
—Não dá pra voltar no tempo tudo isso. – explicou – Não é? – perguntou se virando para Damian.
—Não sei... – respondeu ele parecendo um tanto confuso.
—Quanto tempo podemos voltar com isso? – perguntou Rasalas.
—Cinco horas. – respondeu Damian – É um vira-tempo pequeno. Os maiores podiam voltar uma semana. – explicou ele.
Rasalas soltou um suspiro triste e concordou.
—Entendi... – murmurou ele – Lena... você quer descansar, imagino.
—Sim. Minha cabeça está me matando... pode fazer minha tarefa de Transfiguração, por favor?
—Só se fizer a minha de Runas Antigas. – riu Rasalas.
—Feito. – resmungou se deitando novamente, segurando o vira-tempo em sua mão – Damian...
—O que? – perguntou o garoto, a olhando com atenção.
—Como é que sua família guarda sua genealogia?
—Como assim? – perguntou ele.
Alhena respirou fundo.
—Nós temos a Sala das Bolhas, onde as lembranças dos membros da família são guardadas. Os Malfoy tem um escritório com o retrato de todos os herdeiros da família Malfoy. Os Black tem uma tapeçaria com o nome de todos os integrantes da família... como é a da sua família?
Damian coçou o queixo e Rasalas a olhou desconfiado.
—Hum... é uma sala com placas de prata nas paredes. Escrevemos os nossos nomes lá quando completamos dezessete... por que?
—Nada... curiosidade.
—Viu seu nome junto do meu? – perguntou ele com um sorrisinho.
—Não. – resmungou ela – O de Pansy. – adicionou se virando na cama, dando as costas para ele. Se ele soubesse a verdade, ficaria simplesmente insuportável.
—Ou você está mentindo ou está enganada, gata. – riu Damian a acariciando nos cabelos – Se não for o seu nome ao lado do meu... ele ficará solitário em sua linha.
—Own, que fofo, Damian. – riu Daphne.
—Bem... vamos deixar o casal ternura ai, Daph. – riu Rasalas ficando de pé.
—Isso. Vamos. – riu Daphne. Alhena se encolheu na cama e sentiu Damian se deitar atrás de si. Piscou sentindo o rosto queimar ao sentir a mão dele lhe acariciar a barriga.
—Eu te amo, Lena. – sussurrou ele lhe beijando no ombro.
Sentiu uma enorme sensação de de javu e se lembrou de já ter visto aquilo... uma vez, há muito tempo... no terceiro ano. Sua visão com ele, em seu dormitório... Se virou e olhou para Damian.
—O que? – perguntou. Ele sorriu para ela, com a cabeça apoiada na mão.
—Eu te amo. Muito. – repetiu ele a beijando no nariz. Podia simplesmente virar o rosto e fazer aquela ser mais uma visão que estaria errada. Mas não conseguiu. Sentiu os lábios dele contra os seus e não conseguiu não suspirar. Damian suspirou também, e a puxou contra si com tanto desejo que parecia loucura – Eu senti tanta a sua falta, Lena...
Ele a beijou de novo nos lábios, a puxando pela nuca. Queria empurrá-lo. Queria se afastar dele. Queria desesperadamente sair correndo... mas também queria ficar ali para sempre. Podia estar magoada, com o orgulho ferido... mas Damian sempre fora o garoto por quem fora apaixonada...
Abriu a boca para deixar a língua dele passar. Damian a apertou com mais desejo e tocou sua língua com a dele.
—Oh, Lena... – suspirou ele parecendo completamente entregue. Ele a puxou novamente, querendo que não houvesse um centímetro que fosse os separando. As mãos grandes dele em suas costas a acariciavam e puxavam. Ele girou com ela, deixando-a por baixo, voltando a beijá-la com urgência. Aquele calor louco de quando se agarrava com Jacques ou Draco começaram a possuí-la. Queria sentir o corpo dele, queria saber como ele era. Queria tocá-lo e ser tocada. Damian tremia de nervoso em cima dela e respirava ofegante. O toque dele era ao mesmo tempo desesperado e assustado, como se não acreditasse que finalmente a tinha feito ceder. Os beijos dele desceram por seu pescoço de maneira lasciva, faminta. Acabou gemendo baixinho ao receber uma mordidinha e isso arrancou uma risadinha de Damian. Suas coxas estavam quentes, sua calcinha molhada. O desejo a consumia. Céus, o desejo. Mas agora era muito mais difícil de resistir. Não era Draco ou Jacques, que só tinham a intenção de se divertir com seu corpo. Não era apenas físico. Era Damian... céus. Era Damian Burke. Era Damian Burke e ele tinha dito que a amava. Será que era mesmo verdade? Será que era apenas um truque para fazê-la abrir as pernas? Sentiu Damian voltar a beijar seus lábios e então ele se levantou minimamente para olhá-la nos olhos. O sorriso dele era puramente feliz. Satisfeito. Não se lembrava de vê-lo sorrir assim. Não poderia fingir um sorriso daqueles, poderia? Estava assustada com tudo aquilo. Era a visão que tivera há pouco, eram as palavras gentis, era aquele olhar aparentemente apaixonado, aquele sorriso completamente feliz. – O meu mundo inteiro parou por um segundo, Lena. – sussurrou ele a olhando nos olhos com grande intensidade – Esse é o segundo mais longo da minha vida...
—O que? – perguntou sorrindo, sem entender. Mas Damian negou com a cabeça e voltou a beijá-la, parecendo simplesmente apaixonado.
Sentiu as mãos dele em sua cintura, a lhe afagarem com carinho. Se sentiu envergonhada, temendo que ele notasse suas gorduras extras. E se ele a achasse gorda de novo? Ele só estava assim porque ela era magra... se ele notasse que estava gorda de novo, iria perder o interesse, não iria?
Mas se lembrou daquele dia, anos atrás, na casa dele, quando era verdadeiramente gorda e ele simplesmente não ligou. Ele a beijou intensamente do mesmo jeito que a beijava agora... sentiu os lábios dele descerem por seu pescoço novamente. Estremeceu quando ele a chupou ali. Fechou os olhos, perdida em desejo. Damian desceu os beijos para seu colo, mas pulou seus seios e a beijou na barriga.
Seu todo ficou tenso e sentiu um medo irracional, mas não soube o motivo. Provavelmente era o medo de ser rejeitada, mas havia algo de diferente ali.
—Oh, não... ai não... – murmurou envergonhada. Mas ele levantou sua blusa do uniforme e voltou a beijá-la ao redor do umbigo – Não, Damian. Eu tenho vergonha... não.
—Vergonha de que? – perguntou ele sorrindo – Você é linda, Lena. Você é perfeita... – sussurrou ele alisando sua pele por debaixo da blusa.
—Por favor... – murmurou se sentando – Não... me solta... – disse envergonhada, se abraçando. Se levantou querendo chorar, com o corpo tremendo, sem entender o que acontecia consigo mesma – Eu... eu não sou linda.
—Eu acho. – disse ele – Lena...
—Não! Não olha pra mim! – gritou indo correndo para o banheiro, sentindo-se um monstro deformado. Damian tentou alcançá-la, mas o banheiro o empurrou para longe.
—Lena! Espera! – pediu ele.
Caminhou até as pias e viu seu reflexo. Estava inchada. Gorda, deformada. Por que não conseguia ser magra como Daphne? Por que tinha que ser aquele amontoado de banha? Se virou e viu o vaso. Talvez devesse emagrecer só mais um pouco... só um pouquinho. Mas se lembrou de Rasalas chorando, implorando para que não fizesse aquilo consigo mesma.
Arfou sentindo-se perdida. Queria não se sentir desajustada daquele jeito. Queria ser simplesmente normal. Se abraçou, sentindo-se péssima consigo mesma e escorregou para o chão, chorando em silêncio.
Sentiu uma imensa saudade do pai e de tia Bella. Os dois sempre conseguiam fazer com que se sentisse bem... será que eles estariam com os Malfoy no natal? Fungou triste e fechou os olhos, desejando estar na Mansão Malfoy, em frente a lareira, ouvindo seu pai contar sobre o passado dele. Sobre como ele conhecera sua mãe, como a pediu em namoro... o rosto dele se iluminava por completo quando ele falava de sua mãe... Era tão óbvio que ele ainda a amava...
Se encolheu novamente apertando a própria barriga, enxergando apenas gordura e banha. Desejando voltar a ficar magra.
Soluçou se achando patética e voltou a chorar em silêncio, escorando a cabeça na parede.
Daphne apareceu minutos depois, a olhando com preocupação.
—Lena, o que houve? – perguntou Daphne se ajoelhando ao seu lado. Mas ela não iria entender... como ela poderia entender? Era a garota mais bonita do ano... fungou triste se achando solitária e sentiu o braço da amiga a envolver num abraço – Está tudo bem, ok? Está tudo bem...
Mas não achava que estava tudo bem...
*
Rasalas e Blair olhavam Damian, que parecia simplesmente perdido. Era aula de Trato de Criaturas Mágicas e só eles e Anna Abbott sobraram na turma. Damian porque precisava do conhecimento para tocar os negócios de família, Blair por puro interesse e ele porque queria ter essa aula com os amigos. Precisava de muitos N.I.E.M.s para conseguir um cargo no Ministério e infelizmente precisaria de Hagrid para isso.
—Então... vocês se beijaram, e ela saiu correndo depois de um tempo? – perguntou Blair.
—Eu não sei o que aconteceu... estava indo tudo bem e então... – ele deu de ombros – Eu devo ter feito algo errado... – resmungou Damian chutando uma pedrinha e assustando seu demiguise, que deveria tentar fazer amizade, para que ficasse visível e estudável – Que droga... quando eu achei que tinha me acertado com ela...
—Bem... ainda tem o dia das Bruxas, certo? – perguntou Blair – A música tá pronta, você já consegue tocar de maneira quase decente... ainda tem uns dias pra aprimorar...
—É... – resmungou Damian cutucando a jaulinha com o tal demiguise com a pena – Droga...
—Não fica assim, cara. – riu Rasalas – Cedo ou tarde vocês se acertam.
Damian soltou um muxoxo.
—Você tá completamente apaixonado. Isso é hilário. – debochou Blair.
—Vai comer bosta de dragão. – resmungou Damian.
Rasalas e Blair riram do colega e voltaram a tentar alimentar cada um seu demiguise. No final da aula, só Abbot tinha conseguido e eles receberam tarefa extra pra casa.
A próxima aula era poções, com Slug. Damian passou a aula inteira suspirando por Alhena, sem que essa quisesse olhar para ele. Ela estava sentada com Draco, tentando fazer sua poção de antídoto e parecia simplesmente abatida.
—Quanto tempo eles vão ficar nisso? – perguntou Daphne. Rasalas deu de ombros.
—Ficamos o quarto e o quinto ano inteiros nisso, não é? – perguntou ele.
—É verdade... – riu Daphne – Que pena que você já vai precisar voltar pra casa de novo... – lamentou a namorada – Vou ficar com saudades...
Rasalas soltou um suspiro, se lembrando da última lua cheia. Sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha e se encolheu ansioso. Não se podia tomar a poção mata cão na primeira transformação, ou ela se tornava sem efeito para sempre. Dessa vez poderia se manter lúcido e não se arranharia de novo. E mais uma vez estaria com Lupin. Decidira que passaria todas as lua cheias de sua vida com ele e Lupin recebeu a ideia com um contente entusiasmo.
—Eu também, meu anjo. – riu Rasalas a beijando na bochecha.
—Vai ter que me dar muitos desses antes de ir, ouviu? – sussurrou ela fazendo biquinho. Rasalas sorriu derretido e concordou, contente.
Quando a aula acabou, saiu de mãos dadas com ela. Damian olhava receoso para Alhena, que caminhava com Draco, ambos sussurrando, parecendo um tanto nervosos. Se concentrou nos dois e seus ouvidos sensíveis começaram a discernir o que eles falavam.
—... não vou te ajudar com isso, Draco.
—Você é a única que pode me ajudar, Lena. Por favor.
—Não. Não mesmo. – retrucou ela.
—Por que, não? Você viu ele morto. Eu vou conseguir fazer isso... mas com a sua ajuda vai ser mais fácil.
—Não posso ajudar você, Draco. Estou completamente convencida que posso mudar as coisas que eu vejo!
Draco pareceu não gostar nada da resposta dela, pois a puxou um tanto bruscamente pelo braço, para afastá-la ainda mais do grupo. Rasalas se interrompeu, observando, sem gostar nada daquilo. Damian também prestava atenção e também não pareceu nada contente, apesar de apenas Rasalas ser capaz de ouvir.
—Quer que ele mate a minha mãe? É isso?
—Eu não quero isso. Mas não posso te ajudar, Draco.
—Por que não? – perguntou Draco.
—O que será que houve? – perguntou Daphne.
—Shh... – resmungou, pedindo silêncio.
—Porque Dumbledore não será o único a morrer!
Draco a olhou chocado e Rasalas abriu a boca em espanto.
—É como seu tio sempre diz. Não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos, Lena... e eu mataria qualquer um aqui se isso salvasse a vida dos meus pais.
—E eu deixaria você órfão se isso salvasse a vida do meu irmão. – cortou ela se soltando de Draco. Draco a olhou em choque e a observou se afastar.
Rasalas sentiu o estômago dar uma cambalhota. Tudo pareceu ficar esquisito e quando ele parou para prestar atenção, estava escorando na parede, com Damian e Daphne o olhando chocados.
—O que foi? – perguntou Damian – Você tá legal?
Lena me viu morrer...
Ele olhou para Daphne, chocado.
—Está tudo bem, Rasalas? – perguntou ela.
—Eu... eu preciso falar com a minha irmã... – murmurou ele – Sozinho. – adicionou quando a namorada e o amigo tentaram segui-lo.
Alhena já estava bem longe no corredor, quando a alcançou. Ela o olhou curiosa e deu um sorriso fraco.
—Almoço?
—Eu ouvi sua conversa com Draco. – disse de uma vez. Ela piscou, chocada.
—O... o que? – perguntou ela com os olhos esbugalhados.
—Eu tenho os sentidos mais aguçados agora... ainda mais com a lua cheia chegando. – explicou ele, falando baixinho – Você me viu morrer?
Sua irmã o olhou chocada e os olhos dela encheram-se de água.
—Eu vou impedir, Ras. Eu vou. Eu juro que vou! – disse ela.
—Como que vai acontecer? – perguntou ele. Alhena olhou ao redor e o puxou mais para longe do aglomerado de pessoas que transitavam distraidamente.
—Uma batalha aqui na escola... entre nós e os comensais. – explicou ela – Nós dois estaremos batalhando contra dois comensais. Você derruba um deles, mas o outro te mata.
—Quem? Você sabe?
—Não. – respondeu ela – Eu fui com o papai, aquela vez, na intenção de ficar mais forte e te ajudar... mas não adiantou muito...
—Há quanto tempo você sabe disso? – perguntou ele, chocado.
—Há séculos... desde que eu voltei pra Beauxbatons pro quinto ano. – respondeu ela – Eu... eu sinto muito por não ter te contado, Ras... mas é que...
—Maninha... você aguentou essa barra sozinha esse tempo todo, sua boba. – ralhou ele a abraçando – Eu não vou morrer, não se preocupe. – disse ele, convicto – Se acontecer uma batalha aqui, eu vou me esconder na Sala Precisa, ou então no nosso Salão Comunal. Vou me disfarçar de outro aluno e passar despercebido, ok? Não se preocupe.
Alhena soltou um soluço e o abraçou com muita força.
—Promete?
—Prometo. – disse ele – Eu não vou te deixar sozinha. Você é minha irmãzinha. – disse sorrindo. Alhena deu uma risadinha, mas o rosto já estava um tanto vermelho por segurar o choro. Ele a beijou na testa e a abraçou de novo – Está tudo bem, ok? Nós vamos ficar bem. Sem falar que eu estou mais durão agora do que nunca. – riu ele.
Alhena concordou com a cabeça contra seu peito.
—Mas não abuse, ok?
—Ok. – disse sorrindo – E, Lena... – murmurou. Ela o olhou com alguma curiosidade – O que raios aconteceu entre você e o Damian? Por que você saiu correndo?
Alhena corou mais do que ele achou possível que um dia ela fosse capaz de corar.
—Eu fui idiota. – resmungou ela – Nunca devia ter deixado ele me beijar.
—Por que não? Você gosta dele.
—Não gosto nada! – resmungou ela cruzando os braços.
—É agora que eu confesso que sempre li os seus diários? – perguntou ele rindo com malícia e Alhena o olhou horrorizada.
—VOCÊ O QUE? – perguntou ela, chocada.
—Você gostava de escrever muitos detalhes sobre suas escapulidas em Beauxbatons... eu morria de rir. – riu ele escondendo o rosto dos tapas da irmã.
—EU NÃO ACREDITO! SEU GRANDE IDIOTA! EU MATO VOCÊ! – rosnou ela completamente vermelha. Daphne e Damian chegaram e riram ao ver os dois.
—O que houve? – perguntou Damian.
Rasalas a olhou de maneira sugestiva, com um sorrisinho insolente e ela o chutou com força na canela, antes de sair pisando forte.
—O que raios foi...? – começou Daphne, enquanto ele pulava num pé só, sentindo a perna calejar.
—Coisa de irmãos. – riu ele – Vamos almoçar.
Daphne o olhou com um jeitinho que ele soube que ela iria querer melhores explicações depois. Damian conjurou o violão e os acompanhou tocando uma melodia bonita, apesar dele parecer um tanto insatisfeito.
—Tem que ficar perfeito até a véspera do dia das bruxas... – resmungou ele.
—Eu quero ouvir a música também, Damian! – disse Daphne.
—Nada disso. – riu Damian com um sorrisinho, enquanto fazia as notas um tanto inseguras ecoarem do violão – Só vou tocar e cantar na aula. Por enquanto só quero treinar essa passagem... – ele mudou as notas enquanto passava a mão pelas cordas, parecendo concentrado – Isso... está melhorando.
—Ras. Você tem que fazer uma música pra mim também.
—Meu amor, eu faria uma orquestra pra você, mas eu não tenho esse tipo de talento artístico. – disse dando de ombros – Eu posso quebrar o nariz de alguém, com uma rebatida bem dada e dedicar a você, serve?
—Oh... que romântico... o nariz sangrento de Zacharias Smith. – riu Daphne abraçando seu braço, fazendo-o rir.
—Posso fazer nascerem flores do nariz dele, depois, se quiser.
Daphne riu achando graça e até Damian deu uma risadinha, dedilhando o violão.
—Eu realmente gostei desse negócio... – confessou ele, fazendo o instrumento desaparecer com um aceno de varinha – Eu acho que vou aprender a tocar mais músicas nele. O professor disse que dá pra adaptar qualquer música nele.
—Você precisa aprender a tocar aquela que Draco cantou no ano passado... – disse Rasalas franzindo a testa e estalando os dedos tentando se lembrar – Eu posso ser um minúsculo limpador de chaminés, mas tenho uma vassoura enorme...
—Um clássico. – riu Daphne. O trio todo começou a rir e se sentou a mesa. Draco estava carrancudo, Alhena também. Pansy tentava chamar a atenção de Draco, Emília e Greg conversavam cheios de sorrisinhos, Vince conversava com Blair sobre Amélia Flint, que estava sentada um tanto mais distante deles.
—Olá. – disse se sentando ao lado de Draco. Daph se sentou ao seu lado e Damian foi para o lado de Alhena, que corou absurdamente. Rasalas notou que o amigo tinha percebido e que parecia muito satisfeito consigo mesmo.
—Oi. – resmungou Draco, se servindo com um pouco de molho – Você não acha suspeito que Potter esteja indo tão bem em poções?
—Não. – respondeu Rasalas pegando o pedaço mais mal passado de bife – Ele teve aulas extras com Snape. Devem ter servido de alguma coisa.
—Nunca tinham servido. Não no ano passado. Mas agora ele é um gênio das poções. – resmungou Draco.
Rasalas deu de ombros.
—Vai entender... talvez seja um poder mágico da cicatriz dele. – arriscou fazendo Daphne e Damian rirem, mas Draco fez careta.
—Potter não precisa de uma cicatriz com poderes mágicos. Ele já paga de magnífico sem isso.
Rasalas deu de ombros sentindo o estômago roncar ao ver o sangue do bife escorrer para o arroz.
—Céus, Ras... isso tá cru. – resmungou Blair.
—Eu gosto assim. – disse sorrindo – Quando meu bife tenta comer minhas alfaces.
Colocou um bom pedaço suculento na boca e mastigou feliz pelos momentos bobos que tinha. Qualquer coisa que o distraísse daquela noite era uma coisa boa.
—Ei, Alhena. – disse Pansy. Seguiu mastigando sem se importar.
—O que foi?
—Posso conversar com você mais tarde? Em particular?
—Que tal... não? – perguntou a irmã. Rasalas olhou de uma para a outra, surpreso. Pansy não parecia chateada ou contrariada e Alhena parecia ter notado isso.
—Eu só queria te dizer que chegou uma carta pra você hoje. Mas você não estava no dormitório. Então eu peguei.
Alhena se levantou de uma vez, parecendo lívida.
—Qual o seu problema? – perguntou ela.
—Eu não li, sua bobinha. – riu Pansy parecendo se divertir – Eu só queria te entregar e saber o que Jacques Pierre queria com você. – disse Pansy sacudindo um envelope com uma letra inclinada. Podia ver o selo de Beauxbatons nela – Eu lembro de umas histórias beeeeeeem picantes de vocês dois, sabe? Eu queria saber se você tem mais alguma...
Alhena pegou a carta de uma vez, muito corada. Rasalas olhou de relance para Damian, que não parecia nem um pouco satisfeito em ouvir aquilo. Alhena se sentou em seu lugar e abriu a carta, emburrada. Mas a cara dela foi mudando para choque e então corou de novo. Ela olhou de relance para Damian e então guardou a carta na mochila.
—O que esse idiota queria com você? – perguntou Damian, fechando a cara.
—Não é nada... – resmungou ela com os olhos agitados – Nada demais, digo... – murmurou ela. Alhena soltou um suspiro e mirou Daphne – Jacques pediu transferência para Hogwarts.
—O que? – perguntou Daphne com um sorrisinho animado. Até Pansy e Emília pareceram entusiasmadas – Mas por que? Quem pede transferência pra Hogwarts num momento como esse?
—O pai dele é amigo de longa data do novo Ministro. – explicou Alhena – Ele veio para ajudar, já que é um auror experiente... por isso Jacques está vindo.
—Oh. Jacques disse quando chega? – perguntou Damian, visivelmente enciumado. Alhena soltou um suspiro e se virou para ele.
—Nesse fim de semana. – respondeu ela. Damian pareceu surpreso e Rasalas soltou um muxoxo.
—Não vou estar aqui pra conter o estrago... divirta-se, Daphne. – disse pegando outro pedaço de bife.
—Do que está falando? Eu sou completamente pró Jacques. – riu Daphne.
—Como é? – perguntou Damian, parecendo traído. Tanto Alhena quanto Rasalas olharam surpresos pra ela.
—Oras. Olha só como Alhena ficou mais segura de si mesma por conta dele? Ele deve ser um cara ótimo. – disse Daphne.
—E bonito! – disse Emília parando de prestar atenção em Greg – Lena sempre disse que ele era super lindo.
—Ah, ela disse, é? – perguntou Damian olhando feio para Alhena.
—Não posso achar outro garoto bonito, por um acaso, Sr. Burke?
—Não! Não pode. Só pode ter olhos pra mim! – respondeu Damian fazendo bico. Rasalas revirou os olhos, mas Alhena riu achando graça.
—Pois tome cuidado, Sr. Burke. – riu Daphne, parecendo se divertir – Arrumou um concorrente de verdade. Até onde eu sei... Ele foi o primeiro rolo sério da Lena.
Damian piscou parecendo preocupado e olhou para Alhena, parecia corada, com o pensamento um tanto distante.
Isso vai dar merda...
***
Daphne entrou no quarto com um arzinho triste. Pansy a olhou com algum tipo de simpatia, quase atípico nela nos últimos tempos. Alhena estava de pé, em frente ao espelho, se olhando com desaprovação. Emília escrevia em seu diário, sonhadoramente.
Daphne caminhou até sua cama, sentindo-se um tanto dolorida pelo último sexo com Rasalas. Ela suspeitava que a lua cheia o deixava mais violento, mas ele ao menos parecia mais contido do que na última vez.
—Por que Rasalas tem que ir embora de novo? – perguntou Emília.
—Nosso avô não anda bem de saúde. Rasalas é o herdeiro. – respondeu Alhena ficando de lado e encolhendo a barriga – Coisas de família.
—Amiga, para de ficar se olhando com pena. Você está linda. – ralhou Emília.
—Eu estou nervosa. – confessou Alhena se encostando no espelho – Nunca mais pensei que veria o Jacques de novo... e ele vai estudar aqui! – riu ela.
—Pra que ano ele vai? Pro sétimo? – perguntou Pansy, parecendo realmente interessada. Deitada de bruços, o queixo apoiado nas duas mãos, as pernas balançando divertidamente no ar.
—Eu não sei... porque Beauxbatons tem um ano a mais que nós... ele acabou de fazer os N.O.M.s... já pensou se ele entrar no sexto? – perguntou Alhena corando de leve – Vou ter aulas com ele...
—Eu achei que gostava do Damian. Olha ela ai, toda corada, pensando no francês. – riu Emília.
Alhena corou de novo.
—Eu não gosto do Jacques... nosso lance é mais... – ela se virou com as mãos nos quadris e fez um biquinho – físico.
—Sua taradinha! – riu Daphne ficando de joelhos – Sente-se aqui e nos conte tudo sobre Jacques! – riu ela.
—Isso mesmo. – disse Emília ficando de joelhos também. Até Pansy pareceu empolgada.
—Esperem! Esperem! – riu Pansy ficando de joelhos e abrindo os braços – Eu tenho uma sugestão. – as garotas olharam para ela um tanto desconfiadas – Eu vou falar com o Damian agora, pedir uma garrafa de álcool. Eu sei que tenho sido uma idiota, mas eu estava passando por um momento difícil, ok? – disse ela se levantando – Eu sugiro que a gente volte a ser um grupo unido. E essas coisas não podem acontecer envolvendo gente sóbria.
—Eu concordo plenamente! – riu Emília. Alhena a olhou desconfiada, mas Daphne se deixou convencer. Pansy sempre se esforçara para deixar o grupo unido, por mais diferentes que fossem.
—Garotas devem ficar unidas! – disse Daphne com um sorriso divertido. Todas olharam para Alhena, que ainda mirava Pansy com alguma desconfiança.
—Pelos nossos anos de amizade, vou te dar uma chance de recuperar minha confiança... se me explicar o motivo de ter ficado com o Damian. – disse Alhena.
—Eu acho completamente justo, Pansy. – disse Daphne. Emília concordou em silêncio. Pansy se sentou em seu malão e soltou um suspiro.
—A gente já estava se pegando antes... mas eu não queria que ninguém soubesse. – explicou ela – Mas quando você me escreveu, eu tive medo de que ele me deixasse... então o convenci a me assumir... porque eu realmente estava gostando dele.
—Você estava se pegando com todo mundo. – ralhou Emília.
—Eu estava passando por um momento difícil. – disse Pansy – E eu não posso falar mais do que isso. Prometi pra uma pessoa que não falaria sobre isso...
Por algum motivo se lembrou de várias noites que Rasalas e Pansy dormiram juntos, depois do feriado de Páscoa.
Alhena respirou fundo e deu de ombros.
—Ok... vai servir por enquanto. Traga o álcool. – riu a loira.
Pansy sorriu animada e saiu do dormitório, mas assim que escutaram ela se afastar, as três se olharam preocupadamente.
—Podemos confiar nela? – perguntou Daphne.
—Podemos. Pansy sempre foi nossa amiga. – disse Emília – Vocês não devem ficar com essas desconfianças com ela. Vamos voltar a ser como éramos antigamente, ok?
Daphne olhou para Alhena, que ainda não parecia completamente convencida.
Demorou uma meia hora até que Pansy voltasse com uma garrafa de hidromel. Ela pegou a varinha e transfigurou umas bolinhas de vidro em copos. Cada uma pegou um e Pansy as serviu.
—Um brinde a nós. As garotas mais gostosas dessa escola. – riu Pansy erguendo o copo.
—E bem nascidas. – adicionou Emília.
—E lindas. – riu Daphne. Todas olharam para Alhena, que sorriu timidamente.
—E amigas. – murmurou ela. As quatro trocaram olhares risonhos e beberam ao mesmo tempo. Era muito gostoso, com um leve gosto de mel, mas podia sentir gosto de alguma outra fruta, lá no final.
Se sentaram todas na cama de Pansy, como costumavam fazer quando eram crianças e encheram os copos novamente.
—Ok. Antes de Alhena contar para nós sobre o Pierre. – riu Pansy – Eu quero saber o que Emília e o senhor Goyle andam conversando tanto.
—Eu estou curiosa também, Emília! – riu Daphne, com um sorriso, bebericando seu hidromel.
—Ele está interessado em mim, mas eu estou me fazendo de difícil. – riu Emília parecendo muito satisfeita consigo mesma – Eu gosto muito do Greg. Ele sempre foi muito gentil comigo... quem sabe no futuro a gente não tenha algo sério?
Daphne concordou.
—Pode crer. Greg é mesmo um fofo... – riu ela se lembrando mais ou menos de quanto o amigo tinha tentado ajudá-la a sair de trás do tapete para levá-la no colo, para a cama, no dia do Veneno de Fada.
—Sim, muito fofo. Mas eu quero detalhes sobre Pierre! – riu Emília – Quanto mais pornográficos, melhor.
—Oh, sim. Pornográficos, por favor! – riu Daphne, animada. Pansy olhava curiosa e Alhena soltou um suspiro.
—Eu quase perdi a virgindade com ele. – disse dando de ombros – Mas eu sei que ele só queria me comer. Então resisti. Não quero perder a virgindade assim... quero que seja especial.
—Pra que? – perguntou Pansy – Não tem que ser com o amor da sua vida, sua boba. Tem que ser com alguém que te deixe confortável, que seja discreto e que tenha alguma experiência... pra não te machucar. A primeira vez não é nada agradável.
—Eu confesso que não acho que gostaria que minha primeira vez tivesse sido com o Rasalas. – riu Daphne – Ele gosta de ir selvagem... eu gosto também... mas na minha primeira vez... eu certamente ia preferir cuidado.
—Blair foi cuidadoso? – perguntou Pansy.
—Bem... até que ele tentou. – riu Daphne fazendo careta e se lembrando – Mas ele é monstruosamente grande e grosso. Principalmente grosso. Imagina Hagrid tentando cuidar de uma asa de borboleta.
Todas deram risadinhas bem humoradas.
—Draco foi muito gentil. Eu fui a primeira dele e ele meu primeiro. – confessou Pansy – Eu pedi pra ele tirar minha virgindade no quinto ano. A gente combinou um dia, um lugar e foi.
—E foi bom? – perguntou Alhena.
—A primeira vez não. Doeu, sangrou, eu fiquei com vergonha, ele gozou nas minhas coxas rapidinho... foi ridículo. Então a gente tomou um banho e tentou de novo. Doeu menos, durou mais e Draco seguiu sendo muito gentil e cuidadoso... perguntando se eu queria continuar e tudo o mais. Uma semana depois a gente transou de novo e foi simplesmente ótimo. Mas depois, nunca mais. – disse ela dando de ombros.
—Eu não sabia que Draco e você tinham transado. – riu Emília.
—Ele sabe ser discreto, o Draco. Ele é muito educado. – disse Pansy – O que vocês dois já fizeram? – perguntou ela olhando para Alhena.
—Nada de demais. – respondeu Alhena com a maior cara de pau do mundo – Ele tentou pegar nos meus seios, eu não deixei e a gente ficou só nos beijos. Como você disse, ele é muito educado. – riu ela – Na verdade, a gente se pega muito pouco. Eu e ele temos muito em comum, então passamos a maior parte do tempo conversando.
—Amiga, eu tava até acreditando, mas você pegou pesado. – riu Emília.
—Eu falo sério. – riu Alhena – A gente falava que estava se pegando furiosamente mais para fazer raiva no Burke.
Daphne deu uma risadinha e deu mais um gole em seu hidromel.
—Parabéns. Foram muito bem sucedidos. – riu ela. O grupinho caiu na gargalhada e cada uma deu mais um gole em suas respectivas bebidas – Nossa... o Damian está TÃO apaixonado por você. – riu ela olhando para Alhena.
—Está mesmo. Era até chato. – resmungou Pansy fazendo biquinho – Eu lá toda linda, desejando aquele corpinho maravilhoso e ele só tinha olhos para a Alhena.
—E falando nisso... como é a performance do Burke? – perguntou Emília – Ele manda bem, Pansy?
Todas olharam para a colega que deu um sorrisinho.
—Ele é ótimo. Tem bastante fôlego, o Damian. – riu ela – Não se importa que eu comente... se importa? – perguntou ela para Alhena, que sorriu.
—Nada. Acho até interessante saber um pouco mais a respeito. – riu ela.
—Bem. – Pansy se ajoelhou e se aprumou bem – Relatório sobre Damian Burke. – todas caíram na gargalhada, inclusive Pansy, que tentava ficar séria – Calma. Deixa eu falar. – mas até ela riu um pouco – Qualidades. – ela tossiu limpando a garganta – Ele tem muito fôlego e é muito esforçado. Ele sempre quer saber se você chegou lá e se você não chega, ele faz até pirueta se for preciso. – todas caíram na gargalhada e Daphne soltou um muxoxo.
—Eu queria que Rasalas se preocupasse mais com isso. – resmungou ela – O sexo acaba quando ele goza... isso é meio chato.
—Oh... que horrível, Ras. – resmungou Lena, rindo de leve.
—Você precisa falar com ele, oras. – disse Pansy severamente – Ele não vai adivinhar que não tá te satisfazendo se você não falar. A vidente é a Lena, não ele.
Daphne corou de leve, mas teve que dar o braço a torcer que aquilo era verdade.
—É. Eu vou falar com ele. – foi sua vez de ficar de joelhos. Ela olhou para Alhena e fingiu brigar com Rasalas – Escute aqui, Lestrange. Ou você faz o serviço direito ou nada de porta dos fundos pra você, ouviu?
—Oh My God! – riu Pansy – Porta dos fundos? – perguntou ela parecendo em choque.
—Está brincando! – ralhou Emília – Você já fez isso?
Alhena apenas a olhou curiosa. Daphne corou de leve e concordou.
—Nossa... doeu horrores, mas rapidinho ficou MUUUUITO bom. Eu sou meio doidinha, eu acho. Só que agora o Rasalas quer o tempo todo. Mas eu não deixo. Dói sentar nos três dias seguintes.
—Eu admiro a sua coragem, amiga. – riu Pansy enchendo o próprio copo – Ao botão da Daphne que já deve estar esfolado.
—Ao botão. – repetiram Alhena e Emília, em coro, fazendo Daphne corar de vergonha.
—Ai, que horror. – riu ela, bebendo também. – Ok. Eu contei algo tenso. Quero ouvir confissões tensas! Vamos!
—Coisas tensas? – perguntou Alhena – Ok. Eu tenho uma. – riu ela virando o copo de uma vez, para em seguida colocá-lo em cima do colchão – Eu estava me pegando com o Jacques uma vez, na cozinha, que era onde a gente fumava e se pegava depois.
—Ele tem jeitão de bad boy, não tem? – perguntou Emília.
—Ele é mesmo. – riu Alhena, sonhadoramente – Bem... minha confissão é que eu realmente gosto de pagar boquetes. – todas caíram na gargalhada – É sério. Eu acho tão bom, tão erótico, sabe. Eu gosto mais de fazer do que receber.
—Então não andou recebendo direito, amiga. – riu Pansy – Qualidade número dois de Damian Burke. Preliminares. – todas riram agitadas e Pansy jogou os cabelos para trás – Ele não é lá essas coisas com os dedos... agora... com a língua... Meu Merlin. Era só ficar sozinha com ele que me dava vontade de sentar na cara dele.
—Céus, Pansy. Sua vadia! – riu Daphne – Rasalas nunca fez isso em mim e eu nunca fiz nele. Eu meio que tenho nojo... tanto de fazer quanto de receber.
—Sai dessa, amiga. Oral é maravilhoso. – riu Emília – Eu só chego lá com oral...
—PERA! – disse Pansy ficando de joelhos, duma vez, olhando zangada para Emília – Sua piranha! Você não é mais virgem? E não me contou? – perguntou zangada. Emília deu uma risadinha.
—Corki e Avery. – riu ela divertida – Logo depois dos N.O.M.s, com o Avery e no verão com o Corki.
—Eu sou a única virgem desse grupo? – perguntou Alhena, que parecia finalmente estar ficando bêbada – Isso é um absurdo! Eu vou procurar o Burke!
—Não! – ralharam as três e todas começaram a rir.
—Não faça uma coisa dessas bêbada, garota. – riu Pansy.
—É bom que o medo e a vergonha passam. – riu Alhena colocando a língua no canto da boca, num sorriso travesso.
—É, mas o arrependimento vem em dobro depois. Minha prima me falou isso uma vez. – disse Emília – Tem que ter decidido isso sóbria!
—Eu estou praticamente sóbria. – disse Alhena com uma cara engraçada, mas logo ela começou a rir – Ok... ok... vou continuar virgem aqui, com as teias de aranha crescendo entre minhas coxas.
—Sabe o que eu lembrei? – perguntou Emília com um sorriso sacana.
—O que? – riu Daphne matando seu copo e estendendo para que Pansy servisse mais.
—Daquele vídeo onde Pansy contou que ela e Alhena tinham combinado de se pegar um dia.
—Céus, eu tinha esquecido disso! – riu Alhena, mas então ela corou e olhou Pansy – Você contou isso num vídeo? Que vídeo?
—Eu não estava respondendo por minhas ações. O Damian trouxe Veneno de Fada e eu bebi até o cu fazer bico. – resmungou Pansy – Todas nós, diga-se de passagem.
—Siiim, foi tão divertido. – riu Emília – E a Daphne não está exagerando sobre o tamanho do Zabini. Eu quase transei com ele, mas na hora “H” eu entrei em pânico e comecei a alucinar que aquele negócio dele iria me engolir e eu desisti...
Foi uma explosão de gargalhadas. Alhena até caiu da cama, rindo sem parar. Pansy se levantou de uma vez, desesperada, correndo para o banheiro.
—Céus! Eu vou me mijar! Eu vou me mijar! – gritou ela arrancando mais gargalhadas de todas. Alhena ainda estava deitada no chão. As pernas no baú de Daphne, a camisola expondo a calcinha de renda preta, a alça da camisola meio caída, mostrando um de seus mamilos rosados.
Daphne soltou um suspiro e olhou para o próprio busto. Era a garota mais sem peito do ano da Sonserina.
—Ah... eu queria ter mais peitos!
—Existem feitiços que providenciam isso. – murmurou Emília.
—Mas ai todo mundo vai saber que é falso. – resmungou ela.
—E daí? O importante é você se sentir bem e o Rasalas curtir. – riu Alhena, ainda deitada no chão – Tá tão fresquinho aqui – murmurou ela esticando as pernas no ar.
—E pelo o que eu me lembro, o Rasalas disse que afundaria a cara ai e nunca tiraria. – riu Emília. Daphne deu uma risada e pegou o restinho da garrafa de hidromel, que finalmente estava quase vazia. Bebeu o pouquinho que sobrara e colocou a garrafa na cama.
—Eu sei, mas... eu queria ter mais sabe? – resmungou segurando o pouco que tinha – Eu queria ter uns peitões tipo os da Alhena.
—Eu queria ter menos peito. – resmungou Alhena – É horrível ser peituda. Toda hora alguém acerta um com o cotovelo, as roupas não fecham direito. Tudo fica apertado no busto e sempre fica todo mundo olhando, como se eu estivesse nua.
—As desvantagens de ter peitos grandes... se alguém vai esbarrar em você, vai ser nos seus seios e principalmente quando estiver na TPM e eles estiverem bem doloridos. – resmungou Emília.
—Exatamente assim. – resmungou Alhena. Daphne deu uma risadinha e olhou a amiga que ainda estava deitada no chão.
—Não vai sair daí não? – riu Daphne.
—Acho que não... enquanto essa garrafa estiver vazia, pelo menos...
Pansy voltou do banheiro, amarrando o roupão de seda.
—Ai, que alívio.
—Pansy, acabou o hidromel. – resmungou Alhena.
—Eu vou lá no Damian pedir mais. – riu ela – Mas eu vou precisar de uns galeões de vocês, porque eu não cago ouro, né, queridas?
Todas deram risadas. Alhena se arrastou até o próprio malão e Daphne e Emília foram olhar em suas coisas. Pansy estendeu a mão, que tinha já dois galeões. Cada uma entregou mais um galeão e Pansy saiu. Dez minutos depois ela voltou com outra garrafa de hidromel. Ela tirou a rolha com os dentes e bebeu do gargalo mesmo.
—Desvantagem número um de Damian Burke. – riu ela – Ele sempre te deixa bêbada.
—Isso não é uma vantagem? – riu Emília pegando a garrafa.
—Eu posso considerar essa hipótese. – riu Pansy voltando para a cama – O que me faz lembrar, apesar do cu não ter nada a ver com as calças... – Pansy se virou para Alhena, que estava sentada no chão, parecendo bêbada. – Nós não ouvimos nada sobre Pierre... além que Alhena gosta de chupar uns paus por ai.
—Gosto mesmo. E falo mais. Eu engulo. – disse ela dando de ombros, arrancando gargalhadas de todas.
—É por isso que eu estou apaixonado por você. – escutaram uma voz na porta. Alhena corou furiosamente e todas olharam Damian Burke de braços cruzados, com um sorrisinho travesso – Quer ir ali no armário brincar de sete minutos no paraíso?
—Damian Burke! – ralhou Pansy, que também parecia bem alta. Emília entregou a garrafa para Alhena, que bebericou do gargalo, olhando Damian com malícia – Estamos tendo uma reunião de calcinhas aqui. A menos que esteja usando uma, o senhor pode se retirar.
—Eu coloco uma. Se eu puder ficar. – riu ele parecendo falar sério.
—Está zoando. – riu Emília.
—Eu corri pelado pelo corredor. Botar uma calcinha, pra mim, é o de menos. – riu ele dando de ombros.
—Não. Não mesmo. – ralhou Pansy indo até ele e o empurrando pra fora – Estamos falando sobre coisas femininas aqui e você não pode escutar. Certo meninas?
—Apoiado, Pansy. – riu Alhena levantando a garrafa – Eu não quero que Damian escute mais do que meu gosto por paus, obrigada.
Todo mundo caiu na gargalhada e Damian fez biquinho, olhando para Daphne, como que pedindo ajuda.
—Desculpe, Burke. Noite das garotas. – disse sorrindo.
—Daaaaph! – pediu ele, se segurando na porta, para que Pansy não o tirasse dali.
—Solta, Damian!
—Não! Não dá, estou colado aqui, Pansy! – lamentou ele.
—Vá logo antes que eu conte para Alhena sobre seus podres. Eu sei muitos deles. Ok? – Ameaçou Pansy, ainda o puxando para fora.
—Sabe nada, eu sou um santinho. – resmungou Damian. Pansy acabou se soltando dele e caindo no chão. Damian foi aos pulinhos e se jogou na cama de Alhena – Vem cá, Lena. Vamos relembrar os velhos tempos?
—Não. – respondeu Alhena. – Você está invadindo o grupinho das meninas. Você está ilegal aqui! – disse ela com a língua enrolada.
—E daí? – perguntou ele – Já que eu não posso ficar, posso te levar pra minha cama?
Alhena dirigiu um olhar safado para ele, mas Emília segurou a amiga.
—De jeito nenhum, colega. Volta pro seu dormitório agora mesmo ou eu chamo o monitor! – ameaçou ela.
—Pode deixar que eu chamo. – riu Damian pulando da cama e voltando para a porta, onde Pansy o olhava feio – DRACO! REUNIÃO NO QUARTO DAS GAROTAS!
—Não era ESSE monitor que... – começou Emília, mas Draco apareceu só de samba canção, segurando uma garrafa de vodka congelada. Blair estava de calça moletom, Greg de roupão e Vince de pijamas listrados.
Só seu doce Rasalas não estava ali...
—Festa e não chamaram o monitor? Estão pedindo uma detenção! – ralhou Draco se jogando na cama de Pansy – Vamos, gente. Verdade ou consequência. Quem topa?
—Eu! – riu Alhena se ajoelhando no chão.
Pansy jogou as mãos para cima, como que se rendendo.
—Ok. Ok... já que não vão nos deixar em paz mesmo... – resmungou ela.
—Eu não sei... eu sou uma moça comprometida agora. – murmurou movendo a mão direita, exibindo o lindo anel de rubi que Rasalas tinha lhe dado.
—Então abre um espacinho pras solteiras. – riu Emília se sentando ao lado de Goyle, que corou de leve – Vamos girar essa garrafa.
Sentaram todos em uma roda, menos Daphne, que ficou deitada em sua cama, assistindo. Mas Draco a olhou com um sorrisinho e ela revirou os olhos.
—Rasalas é amigo de vocês. Não vou fazer nada que ele não aprovaria.
—Teremos a irmã dele para decidir o que pode e o que não pode, Daph. – riu Emília – Gira isso ai!
Draco girou a garrafa vazia de hidromel e ela apontou para ele e Burke.
—Verdade ou consequência, Damian? – perguntou o loiro.
—Verdade. – riu Damian.
—Hum... com quantas garotas você já transou e quem foram? – perguntou o loiro.
—Fácil. Deshayes e Parkinson. – respondeu ele dando de ombros.
—Pergunta desnecessária, Draco. – ralhou Pansy. Draco deu de ombros.
—Se não quer responder verdades inconvenientes, não pede “verdade”. – retrucou Draco coçando a coxa, que tinha alguns poucos pelos platinados.
—Ok. Vamos girar isso. – riu Damian girando a garrafa. Ela apontou para Emília.
—Verdade ou consequência, Emília?
—Eu peço consequência. – riu ela.
—Ok. Eu quero... – Damian coçou o queixo, parecendo concentrado – Eu quero que você cante parabéns com os seios.
Os garotos caíram na gargalhada e Emília segurou os seios, movendo-os de um lado para o outro, cantando parabéns.
—Eu amo esse jogo. – riu Greg, arrancando risadas de todo mundo.
Emília girou a garrafa e ela apontou para Alhena.
—Verdade ou consequência, Lena?
Alhena parecia bêbada demais pra responder.
—Acho que verdade... – murmurou ela, sonhadoramente.
—Ok... deixa eu vê... o que você deixaria o Damian fazer com você se ficassem trancados naquele armário por sete minutos?
Damian olhou interessado e Alhena suspirou.
—Eu sei lá. Não respondo por mim... – murmurou ela.
—Eu posso levá-la pro armário? – perguntou Damian.
—Nop. – respondeu Draco entregando a garrafa para Alhena. Ela pegou a garrafa e a girou. Daphne sentiu um friozinho na barriga ao ver a garrafa apontar para si.
—Verdade ou consequência, Daph?
—Verdade.
—Quem é melhor na cama? Meu irmão ou Blair?
—Caralho, Alhena! – ralhou Blair – Isso é pergunta que se faça?
—Intimidado, Blair? – perguntou Alhena com um sorrisinho cruel, arrancando risadinha de praticamente todo mundo.
—Bem... eu estou completamente apaixonada pelo Rasalas... então... eu acho que o Rasalas. – riu Daphne, um tanto sem jeito – Blair era grande demais pra mim.
—Todas nós vimos, meu bem. – riu Pansy enrolando uma mexa de cabelo no dedo, com um sorrisinho malicioso.
Daphne pegou a garrafa e a girou. Draco.
—Verdade ou consequência, Draco? – perguntou com um sorrisinho.
—Verdade. – respondeu Draco bebendo de sua garrafa de vodka congelada.
—Ok. Ok... hum... – pensou por um segundo e sorriu – Você transaria com a Alhena se ela pedisse pra você tirar a virgindade dela? – perguntou curiosa. Damian olhou semi cerrando os olhos para Draco.
—Sim. – respondeu ele simplesmente – Quer que eu tire sua virgindade, Lena?
Alhena sorriu sonhadoramente.
—Ainda não me convenceu, Malfoy.
—Droga. – riu Draco dando mais um gole em sua vodka.
Draco pegou a garrafa vazia e a girou. Vince.
—Consequência. – disse o brutamontes antes que Draco perguntasse.
—Ok, ok... – Draco deu um sorrisinho – Dá um beijo no Greg.
Todo mundo explodiu em gargalhadas, menos Vince e Greg.
—Nem fodendo. – resmungou Vince.
—Só um beijinho, Vince, meu lindo. – zombou Greg fazendo biquinho, mas Vince o socou no peito.
—Isso significa...
—CORREDOR DE GRINDEWALD! – gritaram os garotos ficando de pé. Cada um pegou sua varinha e fizeram o corredor Blair e Damian de um lado. Draco e Greg do outro.
—Vocês não vem? – perguntou Blair olhando para elas. Pansy e Alhena ficaram de um lado. Ela e Emília do outro. Vince tomou fôlego e tentou correr. Cada um jogou uma azaração nele e quando Vince chegou do outro lado (ele precisou se arrastar no meio do caminho, porque Alhena jogou a azaração da perna presa), estava parecendo uma beterraba cheia de verrugas.
—Isso foi mesmo necessário? – perguntou Daphne, um tanto assustada. Draco e Blair estavam morrendo de rir, revertendo as azarações.
—Completamente necessário. – riu Pansy.
Todos voltaram a se sentar em um círculo, apesar de Vince ter feito isso muito devagar e fazendo algumas caretas. Ele pegou a garrafa e a girou. Pansy.
—E então, mocinha?
—Consequência. – riu Pansy.
—Eu quero ver a experiência lésbica que você comentou no vídeo. – riu Vince.
—Nós não prometemos nunca mais falar sobre isso? – perguntou Draco franzindo a testa.
Todo mundo deu risadinhas. Pansy deu de ombros e olhou para Alhena. A loira sorriu maliciosa e ficou de joelhos, chamando Pansy com o dedo. Todo mundo soltou um “huuuuuu” fazendo graça e Pansy veio engatinhando até Alhena. As duas ficaram de joelhos, uma na frente da outra, se encarando com sorrisinhos cheios de travessuras.
Pansy se curvou e beijou Alhena na boca. Lena a abraçou ao redor da cintura, a puxando mais para perto. Pansy a puxou pela nuca com uma das mão, enquanto passeava a outra pela bunda de Lena.
—Estou tão feliz por existir... – murmurou Damian. Draco pegou um travesseiro para colocar sobre o próprio colo e Vince e Blair ficaram olhando completamente hipnotizados.
Pansy deitou Alhena no chão e continuou a beijando de maneira profunda, lenta e sensual. Sentiu um calor enorme a atingir e sentiu muita falta de Rasalas. E ele demoraria uma semana inteira para voltar...
—Ok... era pra isso estar esquentando assim? – perguntou Draco – Não que eu esteja reclamando, mas... humm... Alhena usa renda.
Vince estava para se abaixar para olhar, quando Damian jogou um sapato na cara dele.
—Nem pense, Crabbe. – resmungou Damian.
Alhena e Pansy deram risadinhas e Pansy sussurrou alguma coisa no ouvido de Alhena. Alhena concordou com um sorriso bêbado e as duas se levantaram e deram as mãos, para irem para a cama da irmã de Rasalas, logo depois. Pansy ficou de joelhos na cama e fechou as cortinas.
—Ok. Ok. Garotos. Nada de pânico. – disse Draco abrindo os braços – Mas estamos prestes a testemunhar sexo lésbico!
Emília começou a gargalhar e Daphne não conseguiu não rir também.
—Eu absolutamente irei entrar ali! – disse Damian.
—Eu vou entrar ali. – corrigiu Draco ficando de pé, um tanto desengonçado e Daphne cobriu a boca com as mãos ao notar o pacote do loiro, que parecia completamente pronto para a guerra. Emília pareceu notar também e as duas trocaram um olhar histérico – Eu tenho mais direito que você.
—Definitivamente não tem! – resmungou Damian – Por que teria?
—Porque eu sou mais bonito? – perguntou Draco com um sorrisinho.
—Vá te catar, Malfoy. – resmungou Damian.
—Ok, Damian. O que está acontecendo ali não é para amor verdadeiro. É para canalhice. E todos sabem que eu sou o canalha e você o bobinho apaixonado. Então eu vou entrar ali. – disse Draco.
—Essa foi a coisa mais idiota que eu... CRABBE, SAIA LOGO DAÍ! – ralhou Damian. Daphne olhou para a cama de Alhena e viu Crabbe soltar um muxoxo.
—Elas usaram um feitiço para lacrar a cama. E não dá pra espiar, porque está tudo escuro. – resmungou ele – Droga.
Daphne sorriu achando graça, se sentando na própria cama.
—Desse jeito, eu vou dormir. – resmungou Blair, cruzando os braços.
Jacques Pierre
He's Back!

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