Legado Lestrange
34 Vira Tempo
Notas iniciais

1996
Residência de Emily Valentine
Rabastan estava sentado na poltrona como se fosse o dono do mundo. Ele encarava Dumbledore com tanto desdém, que parecia ser um nobre olhando para um bocado de bosta de dragão.
Dumbledore, porém, parecia estar se divertindo. Bebendo um pouco de suco de maracujá, com um guarda chuvinha cor de rosa no copo e um canudinho. Moody parecia estar prestes a atacar Rabastan, as veias saltadas no rosto cheio de desgosto. Kingsley parecia concentrado e sério, olhando vez ou outra para cada um ali presente.
Emily estava de pé, próxima à porta da cozinha, observando em silêncio, se perguntando como tudo aquilo iria se desenrolar. Conhecia Rabastan bem o suficiente para saber que ele não iria mudar de lado sem conseguir um bom bocado de boas garantias... e ela não sabia o quanto Dumbledore iria ceder... muito menos o quanto Rabastan estaria disposto a se arriscar.
Ele já estava fazendo algo que ela nunca julgara possível, se dispondo a trair o Lorde das Trevas...
Estavam naquele silêncio durante algum tempo. O único barulho era as bufadas de Moody, os pigarreios de Kingsley, o bater de pé de Rabastan e o som de Dumbledore bebericando seu suco.
Quando Dumbledore soltou um suspiro satisfeito e colocou seu copo vazio em cima de uma mesa de canto, todos adquiriam um ar de tensa expectativa – menos Dumbledore, que parecia completamente alheio à atmosfera daquela sala.
—Então, Rabastan... teve tempo para descansar? – perguntou Dumbledore, calmamente. Emily cansou de ficar em pé e caminhou para o sofá onde Alhena costumava se deitar para desenhar.
—Sim. – respondeu Rabastan, olhando Dumbledore com desgosto – Estou pronto para resolver essa questão.
—Está bem. – murmurou Dumbledore olhando Rabastan com muita atenção – O que você decidiu fazer, Rabastan? Está mesmo disposto a mudar de lado e a trair Voldemort?
Emily sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha e mirou Rabastan. Ele ficou mais sombrio e ela tinha certeza de que ele não tinha gostado nenhum pouco de escutar Dumbledore falar aquele nome.
—É. Estou convencido a fazer isso. – riu Rabastan com desdém. Moody bufou de novo.
—Eu não confio nele, Dumbledore! Não confio! – rosnou Olho Tonto.
—Tenho certeza que não. – concordou Dumbledore – Muito bem, Rabastan. Você está disposto a me falar o que Voldemort está tramando?
—É claro que sim. – riu Rabastan com um sorrisinho insolente, que o deixava muito parecido com Rasalas – Mas antes disso, eu quero algumas garantias, Dumbledore.
—Garantias? – perguntou Dumbledore.
—Devia estar feliz por não estar trancado numa jaula, que era o que você merecia, seu safado. – rosnou Moody.
—Que tipo de garantias?
—Você é um homem morto, Dumbledore. – disse Rabastan. Emily piscou e olhou o para Albus, que não parecia nenhum pouco surpreso – Minha filha te viu morrer em menos de dois anos.
—Bem menos, imagino eu. – concordou Dumbledore, calmamente.
—E você é o único disposto a me proteger. Então... deve compreender que eu não me sinto assim tão confortável a trair meu Mestre sem algumas garantias...
Moody pareceu que gritaria qualquer coisa, mas Dumbledore voltou a falar antes disso.
—Naturalmente. – ele sacou a varinha – O que tem em mente?
—Em primeiro lugar, o óbvio. – riu Rabastan – Eu imagino que você vá me pedir para espionar. Eu vou ter que continuar agindo como um Comensal. Para a minha segurança, eu quero um contrato, Dumbledore.
—Eu imaginei isso. – murmurou o velho, balançando a varinha e conjurando um pergaminho – Quais as cláusulas?
—A primeira é que apenas nós, os aqui presentes nessa sala, deverão saber do meu envolvimento com o seu lado.
—Nosso lado. – disse Kingsley. Rabastan deu um sorrisinho e sacudiu a mão, como se dissesse “tanto faz”.
—Ninguém mais deve saber. Nem os Weasley, nem Lupin, nem meus filhos, nem Potter e nem Snape. – Rabastan observou Dumbledore e Emily notou que o nobre senhor tinha ficado bem alerta – Eu sei que você confia em Snape. Ele sempre se gaba disso... mas eu não confio nele. Então, nem mesmo ele deve saber.
—Eu entendo. Uma cláusula de sigilo. É justo. – Dumbledore brandiu a varinha e letras douradas começaram a riscar o pergaminho. Emily espremeu os olhos e leu algo como “Rabastan Lestrange terá sua missão em absoluto segredo, sendo de conhecimento apenas de Albus Dumbledore, Alastor Moody, Kingsley Shacklebolt e Emily Valentine.” – Algo mais?
—Óbvio que sim. – riu Rabastan – Esse contrato deve ficar num lugar sigiloso, onde apenas eu, você ou Emily seremos capazes de localizar. – disse Rabastan – Caso aconteça de acabarmos todos mortos, o contrato deve se auto destruir, independentemente do resultado da guerra.
—Qual a razão disso? – perguntou Kingsley.
—Preservação. – respondeu Rabastan – Se o Lorde cair, meus filhos estarão seguros por conta do meu pai, que não está se envolvendo e de Emily. Mas caso o Lorde prevaleça, eles também estarão seguros, pois todos acharão que eu morri pela causa. – explicou Rabastan. Dumbledore suspirou e concordou brandindo a varinha, adicionando os termos ao contrato.
—Algo mais?
—Caso o Lorde ganhe a guerra, esse acordo feito entre nós jamais deverá ser mencionado. Eu seguirei como se nunca tivesse cogitado abandonar a causa. – disse Rabastan. Emily olhou para os três e notou que nenhum deles pareceu feliz com aquela cláusula – Tudo para preservação dos meus filhos e da minha família. – adicionou Rabastan.
Moody rosnou furioso e Kingsley olhou Dumbledore parecendo descontente.
—Está bem. Será assim. Ninguém falará sobre esse dia caso Voldemort ganhe a guerra. Mas espero que esteja realmente empenhado em nos ajudar, Rabastan. – disse Dumbledore adicionando aquela cláusula ao contrato.
—Ele só quer proteger o próprio rabo, esse covarde. – rosnou Moody, mas ninguém falou mais nada a respeito.
—Caso o Lorde caia, eu serei perdoado de todos e quaisquer crimes que me forem atribuídos. Você dirá que tudo o que eu fiz foi para ganhar a confiança do outro lado e que todo esse tempo eu estava apenas trabalhando para você.
—Até parece que... – começou Moody.
—Não será assim tão difícil de defender essa hipótese. – cortou Rabastan com um sorrisinho – Tendo em vista que eu não estava presente ao ataque ao Ministério, eu não matei mais ninguém desde que fui preso e liberto...
—Avery! – cortou Moody.
—Ninguém tem a menor prova de que Rabastan esteve metido no assassinato de Avery. – disse Emily.
—Ele confessou para nós. – discordou Kingsley.
—Isso pode ser mantido em segredo, para o bem da situação. – disse Emily, muito calmamente, apesar de seu coração estar batendo acelerado – E de qualquer modo, Rabastan quer perdão total. Dos crimes conhecidos e os desconhecidos.
—Exatamente. – riu Rabastan a olhando com divertimento. Não o olhou de volta, com medo que seu rosto a traísse. Não tinha o auto controle dele.
—Eu não garanto que isso poderá ser feito, Rabastan. – disse Dumbledore.
—Foi feito com Snape, não foi? – riu Rabastan – Ele causou a morte dos Potter tanto quanto Rabicho. – adicionou ele apoiando a cabeça no punho – Eu quero que você escreva que eu fiz de tudo para não ser descoberto, que me arrependi dos meus erros no meu tempo na prisão e que procurei você assim que o Lorde me libertou, desejando “ajudar o lado certo”. – riu ele – Os Greengrass poderão depor a meu favor se preciso. Eu salvei a filha deles de muita violência. Com esse contrato, a influência de meu pai, o testemunho da minha filha e dos Greengrass, eu estou completamente convencido de que posso ser absolvido.
Dumbledore soltou um suspiro.
—Farei essa cláusula, mas vou querer uma exigência. – disse ele.
—Eu imaginei. – riu Rabastan – O que quer?
—Um voto perpétuo entre eu e você. Emily poderá ser nossa intermediária. Eu quero que me garanta que fará tudo o que eu exigir e falará tudo o que eu exigir.
—Eu preciso que seja mais específico. – riu Rabastan. Emily olhou dele para Dumbledore – Eu garanto que contarei tudo sobre os planos e farei o possível para ajudar a derrubar o Mestre. Mas não vou me tornar seu escravo, Dumbledore. Eu sou um Lestrange. “Conquistar e Reinar”. Essas são as palavras da minha família. E eu já servi por tempo suficiente.
Dumbledore soltou um suspiro.
—Está exigindo muito e oferecendo pouco, Rabastan.
—Veja bem, Dumbledore. Eu posso não estar em um prestígio tão alto quanto antes, por ter deixado Alhena ir embora, mas eu ainda sou um dos homens de confiança do Mestre. Eu ainda sei de seus planos, eu normalmente sou enviado para missões difíceis, arriscadas. Missões onde precisamos matar e eliminar. Missões para arrancar informações, missões para intimidar, conquistar e destruir. Eu posso ser o cachorro louco que eu costumava ser... ou eu posso ajudar a poupar o máximo dos seus aliados que eu puder. Eu posso sabotar torturas, para conseguir informações falsas. Eu posso sabotar mortes, entregar segredos e te ajudar a preparar defesas. Coisas que nem mesmo Snape poderia fazer. Snape pode escutar muita coisa. Mas sou eu quem estou presente. É a minha mão quem vai soltar um feitiço. São meus ouvidos que vão receber as informações e minha língua quem vai informar Snape. Acha mesmo que eu tenho pouco a oferecer?
Dumbledore escutava passando a mão por sua barba comprida.
—Lestrange pode dizer que matou alguém, dando a chance de a pessoa fugir e desaparecer por um tempo. Ele pode passar informações erradas também... – murmurou Kingsley – Podemos providenciar um feitiço que simule um cruciatus, mas que não machuque, apenas faça a pessoa se contorcer e então falar as informações falsas. Falar o que queremos...
—Exatamente. – riu Rabastan.
—Você sabe o risco de ser descoberto, não sabe? – perguntou Dumbledore, parecendo muito sério.
—Eu sei melhor do que ninguém. – respondeu Rabastan – Mas eu estou disposto a me arriscar, desde que concorde com as minhas garantias. E eu sou excelente em oclumência.
Dumbledore suspirou olhando Rabastan com intensidade.
—Você entende que eu não posso garantir que o Ministério absolva você, não entende? – Rabastan concordou com um aceno de cabeça – Certo. Como você deseja. – Dumbledore balançou a varinha e mais letras douradas riscaram o pergaminho. Rabastan deu um sorrisinho satisfeito.
—Mais alguma coisa? Ou vossa alteza já terminou com suas exigências? – perguntou Moody com desagrado. Rabastan soltou um suspiro.
—Caso eu sobreviva à guerra e o Lorde pereça... eu quero sua indicação para uma Ordem de Merlin. – riu ele. Não sabia se ele estava apenas brincando ou se falava sério. Kingsley fechou a cara e Moody deu uma risada zangada.
—Você está brincando! – rosnou Olho Tonto.
—Claro que não. Estarei passando por um risco muito maior do que qualquer um. Não vou precisar enganar apenas o Lorde das Trevas, mas também meus companheiros de causa. Não se esqueçam que praticamente todas as minhas missões são com Bellatrix e Rodolfo. Eles não são fáceis de ludibriar e tem um grande gosto pela carnificina. Proteger quem quer que seja desses dois não é uma tarefa simples, fácil ou segura. – explicou Rabastan com naturalidade.
Dumbledore concordou e brandiu a varinha, sugerindo que por todos os riscos enfrentados, Rabastan deveria receber uma Ordem de Merlin.
—Mais alguma coisa? – perguntou Dumbledore.
—Rodolfo é meu. – respondeu Rabastan perdendo o sorriso e ficando muito sério – Ninguém vai tocar no meu irmão. Eu vou matá-lo.
—Como fez com Avery? – perguntou Dumbledore, parecendo que não concordaria com aquilo.
—Ele é meu irmão. Não será sujo. Eu quero rápido e limpo. Mas eu o quero morto. – explicou Rabastan – De preferência por mim. Eu não confio em Azkaban. Eu já fugi de lá duas vezes...
Dumbledore fechou os olhos e negou.
—Eu não te dou a vida de Rodolfo. – disse Dumbledore – Ele será julgado e preso, Rabastan. Se sobreviver.
Rabastan soltou um suspiro e concordou.
—Que seja, então. – ele se aprumou melhor no sofá – Quais serão as minhas atribuições?
Emily suspirou, aliviada. Uma parte tinha passado e foi até mais tranquilo do que poderia ter imaginado. Agora era ver se Rabastan aceitaria os termos de Dumbledore.
—Eu quero saber de tudo, Rabastan. Tudo o que o Lorde planeja, com quem ele fala, em quem ele confia. Quero saber quem ele planeja matar, corromper, se aliar. Eu quero saber onde ele fica, com quem conversa, de quem desconfia. Quero saber de cada detalhe da vida dele, incluindo o que você acha relevante e o que não.
—Ok. – respondeu Rabastan – Eu posso fazer isso. O que mais?
—Sempre que puder salvar a vida de alguém, você salvará. Você sempre deverá interceder pela vida.
—Não posso garantir isso. – disse Rabastan, honestamente – Quando o Mestre manda matar, nós matamos. Se for uma execução simples, que eu consiga fazer sozinho, eu te avisarei e você sumirá com a pessoa. Mas se for algo difícil, que eu precise de meus companheiros... nem sempre eu poderei intervir. Serei julgado fraco ou traidor e então não poderei ser de ajuda alguma.
Dumbledore suspirou, concordando.
—Quanto às torturas para arrancar informações de nossos aliados...
—Eu posso falar quem e quando faremos, mas algumas vezes só poderei te dar alguns minutos de dianteira. – disse Rabastan – Nem sempre temos muito tempo para planejar.
—Eu já sabia disso, mas qualquer minuto que você puder me dar será muito bem aproveitado. – disse Dumbledore parecendo satisfeito. Emily viu o homem mexer de leve nos próprios óculos e soltar um suspiro – Me diga, Rabastan... quais as chances de seus companheiros desconfiarem que você mudou de lado.
—Alguns já falam isso. Mas a maioria tem filhos. Eles me dão razão por ter tirado Alhena de lá, que foi o meu maior erro. – Rabastan soltou um suspiro e a olhou um tanto receoso – Alhena não ficou feliz por ter ido embora. Ela provavelmente quer voltar, apesar de eu não acreditar que ela realmente apoie a causa. Ela quer ficar mais forte. E o Mestre mostrou vários atalhos pra ela.
—Que se provaram cheios de efeitos colaterais. – sibilou zangada. Rabastan concordou.
—Pode ser que, se eu intervir para que Alhena volte a comparecer uma vez ou outra...
—De jeito nenhum. – ralhou Emily.
—Ela logo vai fazer dezessete anos e ninguém vai poder tentar impedi-la. – murmurou Rabastan – Mas eu ganharei mais crédito se pensarem que eu estou levando de volta aos poucos... agora que Avery não é mais uma ameaça.
—Eu não autorizo isso! – insistiu Emily, mas Rabastan a olhou sério.
—Em breve não caberá a você permitir ou não. – murmurou ele.
—Ela é minha filha!
—Em breve será uma adulta. – insistiu Rabastan – Apenas tenham isso em mente. – adicionou ele voltando a olhar para Dumbledore – O que mais, Dumbledore?
—Acho que só falta resolver mais alguns detalhes. – murmurou Albus, parecendo muito cansado – Mas acho que Alhena vai precisar aprender oclumência...
—Ela sabe. – riu Rabastan. Emily o olhou muito surpresa – Acha mesmo que eu deixaria minha filha ali sem ensiná-la a fechar a própria mente? – perguntou ele sorrindo de maneira convencida.
*
Hogwarts
Jacques Pierre foi selecionado para a Corvinal e iria cursar o sexto ano, mesmo sendo um ano mais velho que praticamente todo mundo. Ele não quis correr o risco de perder um conteúdo que fosse.
Sentia seus órgãos internos se retorcerem sempre que tinha alguma aula com ele. Alhena era a única pessoa que ele conhecia, então era natural que ele conversasse com ela. Mas isso não significava que não ficasse com ciúmes. Aquele mauricinho mimado simplesmente não desgrudava dela, sempre com cochichos, segredos, olhares cúmplices e piadas internas.
E o sotaque francês dele era irritante.
Sempre que ele sussurrava alguma coisa no ouvido de Alhena, Damian precisava respirar fundo para não azará-lo. Estava decidido a não atacá-lo. A se controlar. E ser superior. Ele e Lena estavam cada vez menos distantes. Até tinham se beijado. Jacques Pierre não iria roubá-la dele.
—Olha só. É o francês. – resmungou Blair. Damian fez uma careta de desagrado e até Draco pareceu irritado.
—Por que ele precisa vir atrás da Alhena o tempo todo? – perguntou Draco.
—Porque ele não tem outros amigos. – disse Daphne.
—E fala sério. Ele é um colírio para os olhos. – riu Emília, fazendo Greg fechar a cara. Aquele francesinho estava conseguindo cada vez mais inimigos.
Pelo menos isso!
Alhena foi falar com ele. Os dois conversaram um pouco, aos cochichos, trocaram algumas risadinhas e então o Pierre foi embora.
—O que ele queria dessa vez? – perguntou Draco, quando Alhena voltou para junto deles. Estavam indo para as estufas.
—Combinar um horário para irmos na biblioteca. – respondeu Alhena, casualmente. Daphne abraçou o braço dela, com um sorrisinho.
—Huuum... Vai mostrar a seção reservada pra ele? – perguntou ela. Alhena deu uma risadinha e revirou os olhos.
—Não. Só vou ajudá-lo com história da magia. Ele está com dificuldade.
—Ele só teve uma aula! – resmungou Blair.
—E daí? Ele achou difícil, o sotaque do Binns. – riu Alhena dando de ombros.
Fechou os olhos, pedindo paciência.
—Vamos logo pra aula. – resmungou, sem paciência – Temos plantas espinhosas para tratar.
—Isso! Finalmente vamos aprender coisas úteis em Herbologia. – riu Emília.
—Como assim? – perguntou Alhena.
—Vamos estudar sobre a Salvia esse ano. – riu Emília – Isso dá pra fumar.
—Vamos aprender a plantar nosso baseado? Super útil mesmo. – riu Daphne.
—Isso dá barato? – perguntou Alhena, curiosa.
—Isso é um dos ingredientes para Veneno de Fada. – respondeu Damian – Então sim. Salvia, narciso, entre outras coisas.
—Como sabe disso? – perguntou Alhena olhando para ele. Damian sorriu por estar recebendo atenção e tirou uma mexa do cabelos dos olhos.
—Eu já dei uma olhada nos ingredientes uma vez... pra vê se descobria o que tinha de alucinógeno em Veneno de Fada. – ele deu uma risadinha e passou o braço ao redor dos ombros dela. Alhena sorriu sem parecer se importar e ele se sentiu como se tivesse ganhado a Taça de Quadribol sozinho – Mas é mais fácil ver o que não é alucinógeno, sabe?
—E o que não é alucinógeno? – perguntou ela.
—Água. – riu Damian – Eu diria que um pouco de extrato de mandrágora... mas mandrágora também é um pouco tóxico e alucinógeno quando em grande quantidade... e é afrodisíaco também, sabe?
—A cada dia que passa Veneno de Fada parece mais e mais interessante. – riu Alhena passando o braço por sua cintura. Sentiu um frio na barriga e sorriu, vitorioso.
—Eu lembro que estávamos combinando de beber juntos, já que ninguém mais tem coragem de beber de novo. – disse Draco lá de trás. Malfoy sente prazer em ser um estraga prazeres.
—É verdade! – riu Alhena – Você beberia com a gente, Damian? Pra não me deixar sozinha com o Draco.
—Aposto que o Jacques beberia com você também. – disse Daphne com um sorrisinho cruel. Damian a olhou carrancudo.
—Sim. Chame o Jacques pra beber com a gente. – riu Draco.
—É um complô contra a minha pessoa? – resmungou franzindo a testa.
—Não fique assim, Damian. – riu Alhena ficando na ponta dos pés para lhe dar um beijo no rosto – Você sempre vai ter um lugar especial pra mim. – adicionou ela carinhosamente, indo dar os braços com Daphne. Damian parou de andar, derretido, com um sorriso bobo no rosto. Pansy passou de mãos dadas com Emília, ambas sorrindo maliciosamente.
—Isso mesmo, Damian. Na Friend Zone. – brincou Pansy, fazendo-o ficar carrancudo de novo.
As meninas apertaram o passo, deixando-os para trás. Damian aproveitou para olhar feio para os colegas.
—O que raios está acontecendo? Por que está me sabotando, Malfoy? – perguntou cruzando os braços.
—Eu só sou irritante. – riu Draco dando de ombros – Mas eu prometi mesmo pra Lena que beberia com ela... você não tava presente porque estava transando com a Pansy na hora, sabe?
Seus amigos deram risadinhas e ele fechou a cara de novo.
**
—Caraca, Rasalas. Você está um caco. – murmurou Blair o olhando chocado. Rasalas respirou fundo e concordou. Estava muito cansado. Suspirou e se jogou numa poltrona, contente por estar de volta. Ainda era dia 20 de Outubro, mas parecia que o sexto ano estava durando nove meses e estaria prestes a parir um filhote.
—Eu estou exausto. Só quero dormir cedo pra poder estar descansado para essa semana. – Ele olhou para o lado e viu Daphne se aproximar para se sentar em seu colo. Fechou os olhos amando o cafuné que ela lhe fazia nos cabelos. – Sua surpresa já está pronta, Damian?
Damian estava dedilhando com alguma habilidade o violão. Era uma melodia gostosa de ouvir. Mas quando Rasalas se dirigiu a ele, Damian se interrompeu.
—Está pronta. Mas eu quero treinar para ficar perfeito. – respondeu ele voltando a dedilhar o violão – Precisa de muita coordenação motora e cantar e tocar ao mesmo tempo é realmente difícil.
—Eu gosto quando você pratica. – resmungou Draco, lendo um livro estranho – Principalmente quando você se enfia na sua cama, fecha as cortinas e joga um feitiço abafador, sabe? Pra ninguém te ESCUTAR!
Todos olharam um tanto quanto chocados para Draco, que apenas bufou e voltou a ler seu livro. Damian se levantou, carrancudo, provavelmente planejando voltar para o dormitório.
—Ei, Damian. Ignore o Draco. Estava tocando uma melodia tão bonita. Continua ai. Por favor. – pediu Daphne. Rasalas a abraçou apertado.
—É, cara. O Malfoy só está estressadinho. Ignora ele.
Damian soltou um muxoxo e a passagem secreta do salão se abriu. Alhena entrou, cantarolando qualquer coisa. Ela caminhou até o sofá e se sentou ao lado de Pansy, que estava fazendo uma tarefa de transfiguração.
—Olá, pessoal. – cumprimentou ela.
—Onde estava? – perguntou Rasalas enquanto Damian voltava a se sentar para tocar outra melodia qualquer.
—Com o Jacques.
—Huuuuum... só anda com ele agora, é? – perguntou Daphne – Está dando uns beijinhos nele?
—Ele até que queria, mas não. – riu Alhena – Só estava fazendo as tarefas. Ele me ajudou com Transfiguração e eu ajudei com Runas. Ele é péssimo em Runas.
—Runas é um saco. – resmungou Rasalas.
—Eu gosto. É minha matéria favorita. – riu Alhena – E é muito útil.
—Transfiguração é útil. – resmungou Rasalas e Alhena deu de ombros.
—Ele me convidou para ir com ele pra Hogsmeade. – murmurou Alhena. Damian acabou arrebentando uma corda do violão e praguejou baixinho. Blair sacou a varinha e remendou para ele.
—E? – perguntou Damian, arqueando as sobrancelhas.
—Eu disse que não vou pra Hogsmeade nesse feriado. – respondeu ela dando de ombros.
—Por que não? – perguntou Pansy – Hogsmeade no dia das Bruxas! É tradição!
—Ah... eu vou ficar no castelo. Numa boa. Adiantando as minhas matérias, fazendo as tarefas de Runas pro Rasalas... essas coisas.
—Coisas muito importantes. – riu Rasalas agradecido.
Damian olhou com intensidade para Alhena e deu um sorrisinho, voltando a tocar. E Rasalas teve certeza que Alhena não seria a única a ficar no castelo...
***
Rasalas soltou um suspiro e sorriu achando graça do desespero de Damian. Ele ficava lendo em silêncio um pedaço de papel extremamente amassado, repetindo a letra da música que tinha feito para Alhena.
Sua irmã parecia muito curiosa, mas era óbvio que ela estava ansiosa. Ela parecia simplesmente distraída, com as bochechas coradas praticamente o tempo todo. Daphne estava indignada por não ter aquela matéria mas disse que mataria a aula de aritmância para assistir a aula de Estudo dos Trouxas.
—Eu quero ver Damian tocando. Eu nem sabia que ele cantava. Ele canta bem, Ras? – perguntou ela.
—Ele nunca cantou pra gente. – respondeu comendo suas fatias de bacon – Mas a melodia eu já sei decorada.
Damian pareceu mais nervoso, olhando novamente a letra da música.
—Damian. Eu tenho certeza que ficou lindo! – riu Daphne tocando o ombro dele. Damian pulou de susto e amassou o pedaço de pergaminho, de uma vez.
—Eu... eu não vou dar conta. Vai estar todo mundo olhando pra mim. E se a Lena não gostar? – sussurrou ele para Daphne.
—Eu tenho certeza que ela apreciou o seu esforço. Ela não tá toda fofa com você? – perguntou Daphne com doçura. Rasalas olhou o amigo, com a boca cheia de bacon.
—É... mas... aquele Jacques não para de sondar, também.
—Esquece o Jacques. – riu Daphne – Esse é o seu momento de brilhar, ok?
Damian concordou em silêncio, mirando Alhena, que tentava simplesmente não olhar para ele. Ela estava morrendo de vergonha por todo mundo saber que Damian dedicaria a tal música pra ela.
Rasalas se enfiou debaixo da mesa e fez cócegas no joelho de Pansy, que deu um gritinho. Depois se enfiou entre Lena e Emília, para falar com a irmã.
—Me diz que vai dar uma chance pra ele, pelas cuecas de Merlin. – sussurrou pra ela. Alhena suspirou corando ainda mais.
—Rasalas... eu não sei. – riu ela – Eu estou com MUITA vergonha. Estou pensando em não ir pra aula...
—Não pode fazer isso. Ele está desesperado, se preparando. Você sabe o quanto ele...
—Ras... é muito constrangedor. Por que ele não toca a música só pra mim? Por que tem que fazer na frente de todo mundo? – perguntou ela, baixinho.
—Porque ele é assim, oras. – riu Rasalas – Ele passou os dois últimos anos falando de você pra todo mundo. Falando que estava apaixonado por você, pra todo mundo. Falou que queria casar com você, pra todo mundo... ok, ele tava bêbado, mas isso não vem ao caso. – riu Rasalas, fazendo a irmã corar ainda mais – Ele é meu melhor amigo. Dá uma chance pra ele, mesmo que ele não consiga cantar ou tocar. Ele está muito nervoso.
Alhena escondeu o rosto com as mãos.
—Eu vou ser gentil com ele. Eu prometo.
—E céus. Não fique com esse Pierre. Caso contrário o Damian vai se jogar da torre de Astronomia. – ralhou Rasalas. Alhena baixou as mãos e sorriu.
—Eu não vou ficar com Jacques. Ele só quer tirar a minha virgindade. Ou ao menos se enfiar no meio das minhas pernas... – Alhena soltou um suspiro – Meninos só dão dor de cabeça. Até aquele Cormac idiota da Grifinória está dando em cima de mim. Ontem o Vince passou a mão na minha coxa, durante o jantar.
—Por isso quis se sentar entre eu e Daphne! – riu Rasalas.
—O que aconteceu com todo mundo? Fala sério. Parece até que eu estou no cio. – resmungou ela brincando com uns pedaços de maçãs que ela tinha cortado.
—É que você é bonita, gentil e inteligente... sem falar que eu fiquei sabendo que você gosta de umas coisas ai... tipo... – Alhena o olhou feio – Experiências lésbicas. Engolir... eu nunca achei que você fosse o tipo que engo...
—Eu REALMENTE não quero falar isso com você! – resmungou ela corando absurdamente. Rasalas apenas deu uma risadinha e a apertou na bochecha. Depois escorregou para debaixo da mesa, fez cócegas no joelho de Pansy de novo e precisou se esquivar de um chute dela.
—Para com isso, seu retardado! – ralhou Pansy, sorrindo.
Voltou para seu lugar e beijou os lábios de Daphne, que estavam com um gostinho de mel.
—Vamos? – perguntou para Damian, que se levantou de uma vez e pegou o violão.
O grupo da Sonserina foi seguindo para a sala de Estudo dos Trouxas, onde o professor já estava esperando. Rasalas se sentou com Daphne e o professor a olhou curioso.
—Eu não conheço você.
—Eu vim pra assistir uma aula. Tenho um horário livre. – mentiu Daphne.
—Ah. Uma entusiasta da música Trouxa? – perguntou o professor, sorrindo. Daphne concordou.
—Eu adoro o Kiss e o Nirvana. – riu ela.
—Ah... Nirvana. Excelente. – riu o professor se virando para arrumar algumas coisas na mesa.
—Sério? Você gosta? – sussurrou impressionado.
—Nunca nem ouvi, mas você tem umas camisas deles. – riu ela com um sorrisinho maroto. Rasalas riu e a beijou na testa.
—Sua espertinha...
—Muito bem, galera. Hora de apresentar seus relatórios sobre seus instrumentos. Quem aqui vai tentar tocar? – perguntou ele. Rasalas precisou ficar com um violoncelo, por ter faltado à primeira aula. Como não gostou nenhum pouco do instrumento, ficou quieto. Mas Blair, Damian e Alhena levantaram as mãos – Bom trabalho, Sonserina. Vou dar cinco pontos pra cada um que vier aqui tocar. – o professor se sentou numa cadeira e pegou um pedaço de pergaminho – Vou chamar vocês pelo nome, sem nenhuma ordem específica. Vocês sobem aqui, apresentam seu instrumento, falam tudo o que descobriram sobre ele e então tentam tocar, se quiserem. – riu ele – Prontos?
Houve um murmurinho de concordância e o professor começou a chamar os alunos. Primeiro os da Corvinal. Depois os Lufanos, então os Grifinória e por último a Sonserina. Draco falou bastante sobre sua bateria. Rasalas disse tudo o que descobriu sobre seu violoncelo. Alhena gaguejou bastante tentando explicar sobre sua flauta transversal e parecia que seria um desastre, até que ela se sentou e tocou a música tema do Fantasma da Ópera. Todos os alunos ficaram de pé e aplaudiram. O Fantasma da Ópera era uma das obras artísticas que existiam tanto no mundo bruxo quanto no trouxa, então foi muito bem aceito.
Depois foi a vez de Blair, que explicou sobre seu teclado elétrico. Ele conseguiu tocar uma versão engraçada e curta de “Eu posso Ser Um Minúsculo Limpador De Chaminés, Mas Tenho Uma Vassoura Enorme” e depois tocou o que ele explicou ser o hino da seleção de futebol da Inglaterra. Até onde Rasalas sabia, não era bem o hino da seleção e sim do país, mas não achou que fosse necessário explicar aquilo no momento.
Todo mundo aplaudiu e Blair sorriu convencido, voltando para seu lugar.
Então era a vez de Damian. Ele tropeçou ao subir no palanque e Rasalas achou que ele iria surtar. Mas logo ele respirou fundo e explicou tudo o que sabia sobre o violão. Explicou sobre as notas, sobre sua participação em uma música, sobre as variações e tudo o mais.
Foi, de longe, a maior explicação. E quando ele se sentou e dedilhou habilmente pelas cordas, todo mundo sorriu animado.
—Então, galera. Eu escrevi uma música pra tocar pra vocês e inventei uma melodia. – riu Damian e as meninas da Corvinal e da Lufa-Lufa deram sorrisos de aprovação. Rasalas olhou para a irmã, que estava tão vermelha que parecia que iria explodir – O nome da música é Vira-Tempo. – riu ele, corando de leve – E eu escrevi pra uma garota muito especial, que eu gosto muito. Porque eu meio que fui um babaca com ela e queria que... – ele coçou a cabeça – Ah... ela sabe o que eu quero.
E todo mundo se virou para Alhena. Aparentemente TODO MUNDO já sabia que era pra ela. Rasalas fez uma careta e viu a irmã encolher na cadeira, mais vermelha que a cor vermelha.
—Muito bem. Pronto, Damian? – perguntou o professor com um sorrisinho. Damian respirou fundo e concordou, começando a tocar o violão. Ele tocava olhando para os próprios dedos e estava quase tão vermelho quanto Alhena.
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—Só de ouvir seu nome, não dá mais pra esquecer. Agora eu conto no relógio pra sempre por você. Não volto mais no tempo nem mesmo um minuto. O meu mundo inteiro parou por um segundo... – Rasalas escutou algumas garotas suspirarem e Daphne se curvou para frente, olhando para Damian com um sorriso encantado – Então paremos de dizer, que tal eu te contar... Que de todas essas contas, com você quero somar. Somar nossas loucuras e somar o nosso amor... Só seja meu ponteiro onde o tempo não voltou. Paremos de dizer, paremos de contar. Não me interessam mais as horas, porque posso te amar. Então paremos de dizer, paremos de contar. Não me interessam mais as horas, porque... posso te amar! – Alhena olhava completamente impressionada para ele. Bones soltou um suspiro derretido e ele viu uma garotinha da Lufa-Lufa fungar emocionada. Damian apenas olhava para as próprias mãos, sem parecer nervoso, envergonhado ou qualquer outra coisa além de concentrado. – Só de ouvir seu nome, não dá mais pra esquecer. Agora eu conto no relógio pra sempre por você, não... Não volto mais no tempo nem mesmo um minuto. O meu mundo inteiro parou por um segundo. Então paremos de dizer, que tal eu te contar... Que de todas essas contas, com você quero somar. Somar nossas loucuras e somar o nosso amor. Só seja meu ponteiro onde o tempo não voltou. Paremos de dizer, paremos de contar... Não me interessam mais as horas, porque posso te amar... Então paremos de dizer, paremos de contar. Não me interessam mais as horas, porque posso te amar... Posso te amar... – e então ele olhou para Alhena. Direto pra ela e sorriu. Alhena sorriu de volta e Rasalas teve certeza de que finalmente tudo daria certo entre os dois – Este é o segundo mais longo da minha vida!
A turma ficou em silêncio por alguns segundos, até que Padma Patil se levantou e colocou as mãos nos quadris.
—Agora vai lá e beija ele, Lestrange! Ou então eu juro que EU beijo! – disse a menina com o nariz vermelho, parecendo emocionada. Lilá Brown e Parvati estavam do mesmo jeito.
Alhena olhou para Damian, que sorriu para ela, para em seguida piscar. Ela riu timidamente, se levantou e caminhou decidida até ele. O professor nem ligou. Damian colocou o violão de lado e mal teve tempo de segurar Alhena, que pulou em cima dele, o derrubando da cadeira. Os dois riram no chão e Alhena finalmente o beijou, arrancando aplausos de todo mundo.
—Céus. Acho que acabei de ficar diabético. – resmungou Draco.
—Cale a boca, Malfoy! – ralhou Daphne, mas logo Rasalas notou que o loiro estava rindo, como se estivesse satisfeito por Alhena. Eles eram amigos, afinal de contas...
Rasalas sorriu feliz pelo amigo e pela irmã, que se levantavam, completamente constrangidos.
—É isso ai. Vocês estão liberados. – riu o professor.
Damian puxou Alhena pelo pulso e os dois saíram correndo.
—Ei! Onde vocês vão? – perguntou Rasalas. Damian se virou e sorriu.
—Matar o atraso, cunhadinho. – riu ele e Rasalas lhe estendeu os polegares.
—Vai na fé. – disse sentindo Daphne o abraçar ao redor da cintura.
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Sempre achou que se sentiria esquisito ao ver sua irmã namorando um amigo seu, mas na verdade não foi. Era muito mais tranquilo do que escutar que ela estava se agarrando com Draco.
Alhena e Damian eram um casal feito um para o outro. Os dois se amavam desde sempre. Os dois eram muito dedicados aos estudos e praticamente todo o tempo que os via juntos, eles estavam estudando, mesmo que vez ou outra Damian parasse de ler qualquer coisa, pra ficar encarando Alhena, completamente derretido.
Quase não via os dois se agarrando na verdade. Quando Damian namorara Pansy, eles sempre estavam transando. E quando Alhena e Draco estavam de rolo, eles sempre escapuliam. Mas Damian e Alhena pareciam muito satisfeitos com seu namorico de doze anos.
Os dois acabaram indo pra Hogsmeade com o grupo – apenas Draco não foi – e ficaram o tempo todo abraçados, dando uns beijinhos castos. Novembro passou e eles seguiam do mesmo jeito, apesar de Damian sempre puxá-la mais pra perto quando Jacques passava para cumprimentá-la.
Jacques, aliás, que era um garoto bastante educado e cortês. Mas Rasalas sabia que ele era lobo em pele de cordeiro, graças aos diários da irmã, que tinha lido nos verões.
Novembro passou, dezembro chegou muito frio. E Damian e Alhena continuavam naquele namoro casto e bobinho.
—Eles estão fingindo que não se agarram? Como funciona isso? – perguntou Rasalas para Daphne, certo dia. Estava deitado com ela, no dormitório masculino, escondidos do frio debaixo dos pesados cobertores. As costas ardendo de leve por conta das arranhadas dela.
—Eu não sei. Alhena fala que Damian é muito romântico e que está apaixonada por ele... mas eu imaginei que eles estariam mais... bem... quentes... nessa altura do campeonato. – riu Daphne – Estou meio desapontada, até... – adicionou fazendo biquinho.
—Não que eu ache ruim... – riu Rasalas – Eu até acho legal que Damian se mantenha nas próprias calças... mas o que será que está acontecendo? – riu ele.
—Acho que eles querem ir devagar... por sua irmã ser virgem.
Rasalas concordou em silêncio e deu de ombros. Não era da conta dele, afinal.
No dia seguinte teriam treino para Quadribol. Então, logo depois do café da manhã, foi junto de Sebastian, Draco e Theo para o campo. Alhena, Damian e Blair aparentemente já tinham ido.
Mas quando finalmente chegaram nos vestiários, finalmente flagrou a irmã com Damian. Ela estava colocando o uniforme de quadribol e Damian só estava de toalhas, como se estivesse acabado de tomar banho. Nenhum dos dois os escutaram chegar e o time inteiro viu Alhena prender o cabelo num rabo de cavalo, usando apenas a parte de cima do uniforme e uma calcinha branca.
—OPA! – disse abrindo os braços, querendo esconder o máximo que pudesse da irmã. Alhena pulou de susto e correu para trás dos armários e Damian deu uma risadinha.
—Não se preocupa, amor. Seu bumbum é o mais lindo do colégio. E agora todo o time deve concordar comigo. – brincou ele casualmente e uma bota voou na cabeça dele – Ai, amor... pra quê essa violência?
—Parabéns, Burke. – riu Avery indo para o próprio armário, pegar o próprio uniforme de treino – E parabéns, Lena. É um bumbumzinho maravilhoso.
—Vai se ferrar, Avery. – resmungou Alhena, saindo de trás do armário, finalmente usando calças. Draco caminhou inocentemente até ela e sacou a varinha, quando ela se sentou para colocar as botas.
—Virtus. – riu Draco. Alhena e Damian coraram, mas logo Rasalas viu a irmã brilhar com uma aura branca – Caralho, Damian. Até hoje você não se livrou dessa virgindade?
—Draco! Isso é coisa que se faça? – perguntou Alhena, mais corada do que nunca.
—Nós decidimos ir com calma. – riu Damian, descontraído.
—Daqui a pouco vão começar a andar no máximo de mãos dadas, por beijo de língua ser muito adulto? – brincou Draco.
—Para de perturbar, Malfoy. – riu Damian, mas Rasalas notou que a irmã não parecia nada contente. Ela não estava simplesmente envergonhada. Ela parecia um tanto triste.
Alhena pegou a vassoura e saiu do vestiário sem falar com ninguém e o sorriso de Damian morreu.
—Qual o seu problema? – perguntou ele empurrando Draco contra um armário.
—O meu? Qual o seu? – perguntou Draco o empurrando de volta – Não vê o que está fazendo?
—O que EU estou fazendo? – repetiu Damian empurrando o apanhador novamente – Você que vem fazendo essas gracinhas. Deixa Alhena toda grilada.
—Não é por isso que ela está grilada. – devolveu Draco.
—E o que você sabe, heim? – perguntou Damian o empurrando de novo e Rasalas viu Draco ficar realmente zangado.
—Faz isso de novo se tiver coragem, Burke! – rosnou ele pegando a varinha.
—OPA! – disse se metendo no meio – Sem brigas. Somos um time. Parem com isso. – disse com autoridade.
Damian bufou zangado e foi se vestir e Draco fez o mesmo. Blair finalmente chegou e notou o clima estranho, mas ele apenas olhou com um ar questionador para o capitão, que deu de ombros, sem ter entendido coisa alguma.
Rasalas colocou o time para voar. Alhena era quem voava pior, então colocou Theo e Draco para voarem a cortando, para que ela aprendesse a se segurar direito na vassoura e não deixasse a goles cair por qualquer coisa. Ela ficava melhor a cada dia e isso o deixava muito satisfeito.
Avery era um jogador completo, voando bem, com bastante mira, visão de jogo e muita força. Alhena tinha força e mira, mas não tinha tanta malícia. E Nott voava bem, mas era simplesmente ingênuo. Sempre confiante de que os batedores nunca iriam perder um balaço que fosse. Jurando que não precisava temer as bolas pretas e agressivas. Então Rasalas sussurrou para Blair que não o defendesse.
Foi tiro e queda. Ele levou um balaço na cabeça e caiu da vassoura. Rasalas o impediu de quebrar o pescoço, lançando um feitiço (arestum momentum) nele, antes da queda.
—Isso acontece quando se distrai, Theo. Já te falei isso. – ralhou Rasalas. Theo parecia completamente envergonhado e subiu novamente na vassoura, com um galo muito feio na lateral da cabeça.
Damian era um bom goleiro. Ele não era brilhante como Miles, mas não podia realmente reclamar dele. Normalmente, apenas Avery tinha uma taxa alta de gols nele.
De longe, o pior no treino era Draco. Ele parecia muito tenso, preocupado e distraído, lá em cima. Nem parecia estar procurando o pomo. Se perguntou se era por conta da briga com Damian, mas não podia simplesmente ignorar. Subiu alguns metros e chamou a atenção do apanhador, que parecia muito longe dali em pensamento.
—Draco! O que está fazendo? – ralhou. Draco piscou e o olhou fazendo careta.
—Desculpe... desculpe. – murmurou ele, parecendo infeliz, se afastando lentamente. Achou aquilo completamente esquisito. Sem piadinhas, sem cara emburrada por ter levado um puxão de orelha, sem comentários ácidos? O que aconteceu? Voou atrás dele e o segurou pelo braço – Está tudo bem?
—Não. – respondeu Draco, que parecia não ter dormido bem – Eu... eu não me sinto bem, Ras... acho que... estou com enxaqueca... – o garoto soltou um suspiro – Se importa se eu for na Ala Hospitalar? Eu compenso em outro treino...
Rasalas piscou, chocado. Draco nunca faltara a um treino que fosse. Ele amava quadribol. Ele amava se gabar por voar melhor que todo mundo. Ele adorava se gabar de sua vassoura e de ser o jogador mais antigo no time, junto com Avery. Mas Draco não estava rindo. Ele parecia um caco. Os cabelos não estavam penteados direito, muito antes de ele subir na vassoura. Ele não tinha feito a barba e o queixo fino dele estava cheio de fios curtos e sem corte. Até o uniforme estava do lado errado, agora que parara para reparar.
—O que houve, Draco? – perguntou preocupado.
Draco negou com a cabeça.
—Eu não me sinto bem... eu... eu vou sair, ok? – perguntou ele parecendo quase envergonhado.
—Ok... – murmurou.
Draco desceu lentamente, como que derrotado. Alhena desceu e falou com ele, mas ele não ficou e foi embora. Logo todo mundo estava no chão, observando o apanhador se afastar.
—O que houve? – perguntou Damian – Foi culpa minha? Quer que eu...
—Não. Ele não está se sentindo bem. – cortou Rasalas achando aquilo simplesmente estranho – Você sabe de alguma coisa, Lena? – perguntou Rasalas.
—Sei. – respondeu ela – Ele está preocupado com a mãe dele. Ela está sendo ameaçada... para incentivar Lúcio a fugir logo de Azkaban... ele tá se escondendo lá. – explicou Alhena. Rasalas piscou, chocado. Tinha se esquecido disso...
—Que barra. – resmungou Damian – Ainda bem que meu pai não se envolveu com essa guerra... – murmurou ele – Somos neutros, como sempre.
—Uma ação inteligente. – murmurou Sebastian – Se meu primo fosse inteligente assim, estaria vivo, eu acho...
Rasalas sentiu um frio lhe subir a espinha, ficando tenso e se lembrando de Grayback. Sentiu os dedos delicados da irmã entrelaçarem os seus e ele tentou controlar a própria respiração, querendo não entrar em pânico.
—Minha mãe está bem feliz por meu pai ter voltado a trabalhar para o Lorde das Trevas. – sussurrou Theo – Eles querem que eu... bem... que eu siga os passos dele. Mas é meio esquisito... eu nem o conheço direito. – resmungou o garoto do quinto ano.
—Meu pai é meio fanático pela causa. – riu Alhena cruzando os braços – Ele quer que eu entre pro grupo deles também.
—Mas obviamente você vai se recusar, não vai? – perguntou Rasalas. Alhena deu de ombros.
—Acho que não levo muito jeito. – respondeu ela – Vamos voltar a treinar? – perguntou Alhena voltando a subir na vassoura.
—Sim. Antes que meu nariz congele e caia no chão, de preferência. – resmungou Blair, subindo na vassoura também.
Rasalas mirou Draco, que já estava muito distante. Apenas um pontinho verde no horizonte. Sabia bem como ele se sentia... se sentira do mesmo jeito quando seu pai levara Alhena embora... Daria um tempo para ele.
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