Legado Lestrange
35 Vinho, Draco e um Vestido Decotado
Notas iniciais
1996
Residência dos Lestrange
Rasalas se jogou na cama com um sorriso cansado e satisfeito.
–Finalmente! Natal. – disse abraçando o travesseiro fofo. Sua avó deu um sorrisinho e se aproximou para acariciá-lo nos cabelos.
–Eu e seu avô compramos um monte de presentes pra você e pra sua irmã. E eu finalmente convenci o seu avô a fazer uma ceia. – disse ela animada. Rasalas a olhou curioso – Então tem que chamar sua namorada! Fazemos questão de recebê-la, assim como todos os Greengrass.
Rasalas sorriu e se sentou.
–Você já está sabendo da Alhena? – perguntou Rasalas.
Sua avó o olhou curiosa.
–O que?
–Não pode comentar que eu falei, ok? – pediu baixinho. Sua avó o olhou entre a excitação e a preocupação, mas concordou – A Lena arrumou um namorado.
–Mesmo? Quem? – perguntou sua avó baixando o volume da voz.
–Damian Burke. Meu melhor amigo. Um cara bacana. Convida ele também. – riu Rasalas.
Sua avó deu um sorriso e concordou ficando de pé. Ela se virou para olhá-lo com os olhos cheios de travessura.
–Talvez seja uma boa ideia não comentar essas coisas com seu avô... vai que ele alopra e começa a pensar em casamentos. – riu ela.
–O Damian quer casar com a Lena. Tá completamente apaixonado. – murmurou afundando a cara no travesseiro. Sua avó deu uma risada e saiu do quarto, fechando a porta. Se levantou para escrever para Daphne e Damian, os convidando para o jantar e então voltou para a cama confortável.
Tirou um cochilo, mas depois foi tomar banho e se arrumar. Quando ficou pronto, espiou seu reflexo pelo espelho. Resolveu ficar com os cabelos loiros mesmo. Estava para mudar a cor, quando notou um fio branco. Mudou a cor dos cabelos para loiro, mas o fio continuou ali. Ele não mudava de cor...
Soltou um suspiro e o arrancou. Se perguntou se ele seria o primeiro de muitos. Lupin tinha muitos cabelos brancos... jogou o fio no chão e saiu do quarto. Caminhou pelo corredor e abriu a porta do quarto da irmã. Estava tudo numa bagunça. Todas as roupas dela estavam jogadas no chão e Alhena chorava de joelhos na cama, apenas de calcinha e sutiã.
–Lena? O que foi? – perguntou preocupado. Alhena chorava de soluçar e parecia simplesmente infeliz.
–EU ESTOU HORRÍVEL! – gritou ela jogando um vestido no chão – Nada entra em mim! NADA! – ela escondeu o rosto com as mãos e ele notou que elas estavam sujas de sangue, cortadas, com pedaços de vidro na pele. Ele olhou para o espelho dela e notou que estava quebrado.
–Lena... – resmungou cansado daquilo.
–Eu não paro de engordar! Nada cabe em mim! Eu estou parecendo um MONSTRO!
–E O QUE VOCÊ SABE SOBRE SER UM MONSTRO, HEIM? – perguntou zangado, fazendo com que ela levantasse o rosto – PARA DE FRESCURA, LENA. PÕE QUALQUER MERDA E PARA DE FICAR SENTINDO PENA DE SI MESMA. – ela o encarou chocada – A ÚNICA COISA QUE VOCÊ QUER É CHAMAR ATENÇÃO! PARA COM ESSE DRAMA. PARA COM ESSA ATITUDE RIDÍCULA! VOCÊ NÃO VÊ QUE ESTÁ PASSANDO VEXAME COM ESSA ATITUDE IDIOTA? EU SOU UM MALDITO LOBISOMEM E SUPEREI ISSO ANTES DE VOCÊ SUSPERAR ESSE SEU PROBLEMA DE PESO. QUAL O SEU PROBLEMA?– saiu e bateu a porta com força – Saco... – resmungou. Estava para ir até a sala, quando sua mãe e seus avós apareceram, assustados.
–Está tudo bem? – perguntou sua mãe, parecendo preocupada – Ouvimos vocês gritarem...
–É só a Alhena dando chilique por conta do peso. – resmungou ele, sem paciência para os dramas da irmã. Seu avô revirou os olhos, mas sua mãe e sua avó pareceram preocupadas.
–E você gritou com ela? – perguntou sua avó com censura – Não, Rasalas! Sua irmã ainda não está recuperada. Isso leva muitos anos pra passar! Não pode gritar com ela.
–Desculpe, vovó. Mas de uns tempos pra cá eu realmente perdi minha paciência pra chiliques bobos. Se quiser conversar com ela, fique a vontade. – resmungou zangado. Caminhou para a sala e se sentou cruzando os braços.
Mais tarde recebeu uma carta de Daphne, falando que iria sim, com toda a família. Damian enviou outra falando que iria com o pai, também. As horas passaram, os convidados chegaram, mas sua irmã não saiu do quarto.
Estava de braços dados com Daphne, quando Damian apareceu, desconcertado.
–Hum... cadê a sua irmã? – perguntou ele.
–Está dando chilique por conta do peso. – resmungou dando de ombros. Damian e Daphne o olharam, parecendo chocados.
–Ah, não... ela está bem? – perguntou Daphne.
–Eu vou falar com ela... eu estou acostumado a... – disse Damian, mas Rasalas revirou os olhos.
–A ficar consolando e passando a mão na cabeça. Por isso que ela não melhora. Fica todo mundo adulando esse teatrinho dela...
Daphne o beliscou nas costelas, dolorosamente e Damian fechou a cara.
–Até parece a Pansy falando! – ralhou Daphne.
–Sua irmã não está nada bem, Ras. – lamentou Damian – Ela está muito instável.
–Do que estão falando? É só drama! – resmungou sem paciência.
–Não é só drama. Ela está com a mente fragilizada, cara. – ralhou Damian – Você não tem noção. Tem vez que eu só toco na barriga dela e ela começa a chorar de vergonha. – lamentou ele – Por que acha que eu fiquei puto com o Draco, por ficar fazendo piadinha da gente estar indo com calma?
Rasalas piscou chocado.
–Mesmo?
–Mesmo. – respondeu Damian – Onde é o quarto dela? Eu vou falar com ela. E você deveria pedir desculpas.
Rasalas soltou um muxoxo, achando que aquilo era puro exagero, mas deu de ombros e guiou os dois até o quarto de Alhena. Sua avó saiu de lá no exato momento em que chegaram. Ela parecia simplesmente furiosa.
–O que houve? – perguntou Rasalas.
–Alguém enfeitiçou as roupas da sua irmã. Para encolherem. E agora não conseguimos esticá-las de novo. – ralhou ela soltando fumaça pelos ouvidos.
–Como? – perguntou Rasalas, chocado – Quem? Quem viria aqui fazer isso?
–Foi um feitiço gêmeo. Sua irmã guardou as roupas do malão e elas encolheram todas as roupas que estavam próximas. Agora não tem uma que sirva nela. – sua avó soltou um suspiro – Estamos tentando explicar isso pra ela, mas ela não acredita. Só fica achando que engordou.
–Quem faria algo assim? – perguntou Damian – Que absurdo.
–Fiquem ai, vocês dois. Alhena está só de roupa de baixo. Eu vou pegar um vestido meu pra ver se cabe... Sua mãe vai tentar deixar perfeito nela, mas o natal da menina foi pro saco.
Daphne soltou um suspiro e entrou no quarto. Sua avó foi a passos rápidos para o quarto dela.
–Quem fez isso? Eu vou matar! – rosnou Damian socando a palma da mão – Eu esgano o desgraçado que tiver feito isso! Ou desgraçada. Será que foi Pansy?
–Acho que não. – respondeu honestamente – Elas são amigas de novo, não são?
–Aposto que foi aquele Jacques, então! – resmungou Damian, cruzando os braços.
–Você sabe que isso não faz o menor sentido, não sabe? – riu Rasalas – Ele não pode ter entrado no nosso Salão Comunal. Foi alguém da Sonserina.
–Mas quem? – perguntou Damian – Quem faria algo cruel assim? Digo... tadinha da Lena. Ela deve estar se sentindo péssima... – murmurou o amigo com um ar preocupado.
–Então é por isso que vocês estão nesse namoro casto, né? – riu Rasalas – Ela não era assim com Draco ou com o Pierre... por que está com você?
–Porque ela não gostava do Draco ou do Pierre. – respondeu Damian dando de ombros – Mas gosta de mim e entra em pânico quando acha que eu posso deixar de gostar dela... – ele soltou um suspiro, passando uma mão pelos cabelos – Ou é o que eu digo pra mim mesmo...
Rasalas deu um sorrisinho.
–Valeu por ter paciência com ela. – murmurou um tanto envergonhado. Damian deu um sorriso triste.
–Eu amo a sua irmã, cara... eu entendo que ela... precisa de um tempo. – murmurou ele – Mas está difícil. – ele riu sem jeito – A Pansy me deixou mal acostumado.
Rasalas deu uma risadinha e logo a avó apareceu com um vestido preto. Ela entrou no quarto e Daphne saiu.
–Nossa... ela está um caco. – murmurou ela – O que você disse pra ela, Rasalas? – perguntou Daphne se abraçando – Ela não quer falar nada. Só fica cabisbaixa, chorando em silêncio...
–Eu não disse nada de demais. – resmungou na defensiva – Só disse que tava de saco cheio dela ficar dando esses chiliques. Ela não tá gorda. Não tem que ficar pensando essas merdas.
Damian sorriu o olhando com censura.
–Ai, Rasalas... você é gentil igual a um trasgo, sabia?
Ficaram esperando por alguns minutos, até que sua mãe abriu a porta.
–Alguém tenta convencer Alhena a sair desse quarto. Por favor? – pediu ela cansada. Rasalas a viu suspirar e sair para o corredor.
Ele, Damian e Daphne entraram no quarto. Ele já estava arrumado novamente, com uma pilha de roupas dobradas num canto. Alhena estava sentada na cama, parecendo simplesmente infeliz. O rosto inchado e vermelho.
Se sentiu um tanto culpado, se convencendo que não deveria ter gritado com ela. Sua avó se levantou e saiu em silêncio, parecendo muito preocupada. Damian correu até Alhena e a abraçou, lhe beijando na têmpora.
–Não chore, Lena... você está tão linda. – disse ele. Mas ela não respondeu. Apenas fungou e se encolheu inteira, como se quisesse se esconder – Ei... não fique assim, ok? Alguém fez isso pra te sacanear. Você não está nem um quilo mais gordinha. Você está perfeita.
Alhena só fungou, começando a chorar de verdade. Rasalas se aproximou dela e sentou na cama.
–Desculpe, maninha... eu falei besteira. Ok? – murmurou ele. Mas ela não o olhou. Apenas seguiu chorando. Daphne tentou abraçá-la, mas Alhena não quis.
–Me deixem sozinha, por favor. – chorou ela, aos soluços – Eu quero ficar sozinha.
Os três trocaram um olhar preocupado.
–Posso ficar com você, Lena? Só eu? – perguntou Damian a beijando com carinho na mão. Alhena não olhou para ele. Ela parecia completamente destruída – Por favor...
–Vamos, Ras. – disse Daphne, com firmeza. Rasalas se levantou, se sentindo um canalha, mas ao mesmo tempo, tentando se convencer que não tinha feito nada de errado.
Depois de quase uma hora Damian conseguiu fazer Alhena deixar o quarto, mas ela parecia simplesmente infeliz. Não quis comer nada, por mais que insistissem. Se lembrou da irmã magra e doente e trocou um olhar preocupado com a mãe.
Quando a ceia acabou, e os convidados foram embora, Rasalas tentou conversar com Alhena. Entrou no quarto dela e o encontrou vazio. Por um momento delirou, achando que ela tinha fugido. Mas então se virou e viu o armário. O abriu lentamente, se lembrando de já ter se escondido ali.
Sua irmã estava sentada ali, encolhida. O mesmo semblante abatido, deprimido...
Se sentou ao lado dela e a abraçou. Ela não reagiu.
–Lena... – murmurou.
–Eu não gosto de me sentir assim. – disse ela com frieza na voz – Eu nunca esqueci que seu problema é muito mais difícil que o meu, mas eu nunca menosprezei a sua dor.
–Lena... me desculpe...
–Sinto muito se meus probleminhas irritam você. – resmungou ela saindo de dentro do armário.
–Lena... eu não quis te magoar...
–Eu não preciso da sua pena. – sibilou ela, parecendo simplesmente fria – Pode parecer que é apenas drama meu. Mas você não sabe o que é estar na minha mente. Você nunca foi rejeitado por ninguém. Você sempre foi o favorito de todo mundo. Você sempre foi amado por todos. Você sempre se relacionou com os outros com facilidade. Você sempre confiou em si mesmo. Eu não. – ela se abraçou.
–Lena...
–Eu só consegui fazer as pessoas repararem em mim depois que eu emagreci.
–Isso não é...
–Parece que eu não existia antes disso. Parece que as pessoas só se interessam pela minha casca. O interior nunca contou pra ninguém.
–Lena. Pare de...
–De que? – perguntou ela com um olhar furioso. Nunca tinha recebido um olhar daqueles dela – De drama? É isso o que você acha que eu estou fazendo? Drama? – perguntou ela. Engoliu em seco, saindo do armário – Não perca seu tempo, então. Pode ir embora. – ela se virou e foi em direção ao banheiro.
–Lena. Me desculpe por ter perdido a...
–Vai embora e me deixe em paz, ok? – sibilou ela – Eu não quero falar com você.
Rasalas sentiu um frio na barriga.
–Lena. É natal, não quero brigar com você...
–Tarde demais. – rosnou ela fungando – Só sai daqui. – se aproximou dela, se sentindo desesperado, mas ela não permitiu que ele se aproximasse – VÁ EMBORA!
Se olharam por alguns segundos, em silêncio. Ficou zangado, triste, desesperado, impaciente, furioso. Queria gritar com ela, queria empurrá-la, queria sair correndo, queria abraçá-la. Engoliu em seco e se virou, sentindo algo muito ruim em seu peito.
Voltou para o próprio quarto e tentou dormir, mas não conseguiu. Ficou rolando na cama, sem sono, se sentindo assombrado por aquela sensação ruim. Depois de muito tempo se levantou e foi até o quarto da irmã. Se encostou na porta e suspirou se lembrando de todas as piadinhas que Lena já escutara. Se lembrou das zombarias de Flint, das de Draco, Vince, Greg, Blair e até mesmo de Damian. Até Damian já tinha feito piada dela. E ela já gostava dele na época... ela gostava dele...
Arranhou a madeira da porta, querendo entrar. Querendo que tudo ficasse bem. Respirou fundo e abriu a porta. Lena não estava na cama. O espelho dela estava quebrado de novo. Foi para o banheiro e notou que o espelho dali estava quebrado também. Voltou para o quarto e abriu o armário. Ela estava dormindo ali.
Soltou um suspiro e a pegou no colo sem dificuldade. A levou para a cama e a deitou ali. Olhou para a irmã, que parecia ter chorado muito antes de dormir. Alisou a testa dela, com carinho e se perguntou se ela estaria magoada no dia seguinte. Se curvou e a beijou na testa, se lembrando do último natal, onde passaram um bom bocado no Mungus...
Aquilo que ela tinha era sério. Ela quase morrera... ela quase definhara de fome até morrer... prometera a si mesmo que acabaria com o próximo que fizesse qualquer comentário maldoso sobre ela... mas acabou ele mesmo a magoando mais que qualquer um.
Se levantou e caminhou pelo corredor, até escutar uma voz. Uma voz que fez seu corpo inteiro arrepiar.
–... bem. Não se preocupe.
Era seu pai. Respirou fundo e se lamentou por estar sem varinha.
–É claro que eu me preocupo! Alguém está desconfiando? – era sua mãe. Por que raios ela estava falando com ele? E o que ele estava fazendo ali?
–Eu acho que não. Estaria morto se desconfiassem. – respondeu Rabastan – Como estão Alhena e Rasalas?
–Alhena entrou em crise de novo... não quis comer nada hoje a noite... – sussurrou sua mãe.
–Por que? – perguntou Rabastan.
–Algum imbecil enfeitiçou as roupas dela, para que encolhessem. Nada cabia nela e ela entrou em pânico, achando que...
–Eu entendi. – cortou o pai – Quem fez isso?
–Ninguém sabe. – respondeu sua mãe parecendo zangada.
–Posso falar com Alhena? – perguntou ele.
–É melhor não, Rabastan. – murmurou sua mãe, quase tão baixo, que teve certeza de que se não fosse um lobisomem, não teria escutado – Ela... ela pode querer ir embora e isso seria arriscado e...
–Está tudo bem, Emms. – riu seu pai – É só que... – ele suspirou – Eu sinto tanta falta dela.
–Ela sente sua falta também... vocês se aproximaram bastante, não foi?
–Sim. – respondeu o pai – Você vai entregar os presentes deles pra mim, não vai?
–Claro. – riu ela – Direi que mandou pelo correio e que eu avaliei para ver se era seguro. – disse sua mãe. Rasalas fechou a cara, não gostando de ouvir que sua mãe iria mentir para eles.
–Obrigado, eu... argh... – Rasalas franziu a testa e ficou tentado a espiar.
–Mas esse homem nojento só te chama de madrugada? – perguntou sua mãe.
–Algumas vezes me pergunto se ele dorme. – respondeu seu pai, parecendo achar graça – Ele nos chama de noite, de tarde, de manhã... não tem um horário fixo. – ele fez uma pausa – Eu tenho que ir.
–Tome muito cuidado, ok? – perguntou sua mãe soando preocupada. Escutou seu pai dar um sorrisinho.
–É claro, meu anjo. – riu ele. Sentiu um desgosto enorme por seu pai chamar sua mãe do mesmo jeito que ele chamava Daphne, vez ou outra – Eu não sou mais um soldado sem nada a perder... – adicionou ele.
–Mesmo assim... não pode vacilar.
–Não se preocupe. Eu vou ficar bem. – sussurrou ele. Eles ficaram em silêncio por um tempo e ele não resistiu. Espiou para a sala e viu seus pais trocando um beijo carinhoso. Sua mãe segurava as vestes negras dele com força, como se quisesse impedi-lo de ir embora. Engoliu em seco, voltando a se esconder, sem saber o que pensar, o que fazer.
–Tome cuidado.
–Vou tomar.
–Rabastan? – eles ficaram em silêncio novamente – Por que não posso contar para os nossos filhos... sobre você ter mudado de lado... eles ficariam tão...
Rasalas sentiu um frio na barriga e arregalou os olhos. Precisou segurar a própria boca para não soltar uma exclamação de espanto.
–Não, Emms... isso pode colocá-los em perigo. Alhena é mais contida, mas Rasalas é tão impulsivo quanto eu. Se um deles for capturado, como Rasalas já foi, e descobrirem por eles que eu traí o Lorde das Trevas, podem usá-los para me atingir... como Avery fez... – escutou o pai soltar um suspiro – Eu nunca mais vou colocar nossos filhos em risco assim. Eles estarão seguros dessa maneira. Se acharem que eu sou fiel e se você se manter na Ordem. Um de nós sempre poderá protegê-los.
–Mas... Mas Rabastan...
–Eu prometi que eles ficariam seguros. Eles não podem saber. Nem Rasalas e nem Alhena. – disse ele – Me prometa.
–Não acho certo esconder isso deles... poderá até colocar algum juízo neles! – adicionou sua mãe. Os dois fizeram silêncio por um momento, mas logo seu pai voltou a falar.
–Não... deixe estar. Alhena sabe que eu amo os dois e eu posso aguentar o desprezo de Rasalas... se eles estiverem seguros. É só o que eu quero. – escutou um beijo estalado de algum deles – Eu preciso ir, fique bem e cuide bem dos dois.
–Está bem. Tome cuidado.
–Vou tomar.
Rasalas se esgueirou de volta para o próprio quarto com o coração batendo à mil. Um sorriso brotou em seu rosto e ele escorregou pela porta, se sentando no chão. Não sabia o que seu pai tinha lhe enviado de natal, mas nada seria melhor do que ter escutado aquilo que ele tinha dito.
*
No dia seguinte Alhena veio tomar café, apesar de não estar com muito apetite. Ela comeu muito pouco e só porque a mãe insistiu muito. Mas Rasalas não conseguiu nem se preocupar com ela.
Seu pai finalmente tinha mudado de lado. Tinha começado a fazer a coisa certa. Ele provavelmente estava espionando para a Ordem. Não conseguiu parar de pensar que um dia, naquela mansão, poderiam viver todos juntos, como uma família completa. Um sonho que já tinha abandonado há anos...
Claro... algumas vezes desejara Lupin com sua mãe. Lupin era um cara incrível... mas ele não era seu pai. Lupin não seria mais que um bom amigo e talvez marido de sua mãe. Mas agora poderia sonhar com seu pai. Seu pai a lhe dar conselhos, a lhe levar para a escola... não sabia muito bem o que poderiam fazer, mas imaginava que era mais ou menos como ele e Lupin ficavam... batendo papo, conversando sobre relacionamentos, sonhos, aventuras...
Lupin vivera bastante, mas provavelmente seu pai teria sua dose de histórias de loucuras naquela escola. Por que não teria? Ele mesmo tinha algumas. Sala Precisa, AD, o dia do lago, quando conseguiu mudar de sexo e voltar, o dia do Veneno de Fada, suas partidas de quadribol...
Se lembrou até que o pai costumava ser do time da Sonserina. Ambos foram batedores.
–Está de bom humor, Rasalas. – comentou seu avô. Apenas deu de ombros, comendo mais um pouco de bacon com ovos.
–Fomos convidados para um baile. – riu sua avó chegando com o correio – um baile de Inverno, na casa dos...
–Não devemos ir. – resmungou Alhena. Todos olharam para ela – Mamãe, avise Dumbledore que os Abbot vão sofrer um ataque, mais ou menos como os Greengrass.
Todos olharam para ela. Ela parecia simplesmente exausta, com a mão na testa.
–Você tem certeza? – perguntou sua avó.
–Tenho. Por favor... alguma poção para enxaqueca... minha cabeça vai explodir...
–Talvez seja uma boa ideia nos afastarmos de bailes... pelo menos por enquanto... – murmurou seu avô, muito sério, coçando o queixo.
–Afastarmos de bailes? – perguntou sua avó, indignada – Alhena fez dezessete anos! Ela tem que debutar!
–Ela debutou o suficiente e já até arrumou um namorado. – ralhou seu avô. Alhena nem corou – Não precisamos continuar a nos expor. Vamos passar o feriado aqui e então deixar os dois em segurança em Hog...
–Eu vou visitar Draco. – disse Alhena se levantando. Todos olharam para ela, em choque – Ele me convidou. Eu vou me arrumar para ir.
–Não mesmo! Está louca? – perguntou sua mãe – Os Malfoy...
–São meus amigos. – cortou Alhena olhando para todos com um olhar um tanto gélido – Eu vou me arrumar.
–Alhena. Você não vai sair dessa casa. – rosnou seu avô. Alhena se virou com um sorriso insolente e desafiador. Simplesmente não parecia com ela mesma.
–E quem vai me deter? Você? – perguntou ela sacando a varinha. Rasalas arregalou os olhos – Mal se aguenta em pé. – riu ela – Ou talvez minha mãe... que não consegue acertar uma azaração, nem se a própria vida dependesse disso... Talvez você, Rasalas. Vai vir duelar comigo e me proibir de sair de casa? Senhor herdeiro. – debochou ela. Não parecia com Alhena. Nem um pouco. O modo como ela tinha dito “herdeiro” soara tão desdenhoso... tão debochado...
Se levantou chocado com a atitude dela.
–Sente-se. – disse com autoridade.
–Você pode mandar em mim em campo, Rasalas. Por ser meu capitão. Mas em casa? Você não manda em mim. Não mesmo.
–Eu sou seu irmão. Eu sou o herdeiro dessa casa e eu estou mandando você se sentar! – rosnou inchando. Alhena riu com desdém novamente.
–Me obrigue. Você me deve a sua vida. – riu ela. Seu corpo travou no mesmo momento – E você não vai mandar em mim.
Tentou falar qualquer coisa, mas sua voz não saía. Havia mesmo uma dívida. Uma dívida mágica... Alhena se virou e caminhou calmamente até o próprio quarto.
Rasalas se sentou, olhando para seus avós e para a mãe, todos chocados.
–O que houve? – perguntou sua avó – O que aconteceu com ela?
Mas ninguém respondeu. Alhena voltou minutos depois, com um vestido preto, longo. Não era em nada parecido com os vestidos que sua avó normalmente emprestava. Ele tinha um decote ousado e o espartilho era aberto atrás, com os cordões mostrando suas costas nuas, até quase a bunda. E ela nem se dera ao trabalho de fechar completamente os cordões, na parte de cima, mas era provavelmente por conta do busto grande dela. Ela usava luvas, que cobriam seus braços. Os cabelos estavam presos num penteado formal.
Ela nem olhou para eles. Apenas foi direto para a lareira e jogou o pó de flu.
–Mansão Malfoy, Wiltshire. – disse ela. Então entrou nas chamas verdes... e se foi.
***
Quando pisou na Mansão Malfoy, Draco a esperava na lareira. Ele sorriu petulante e estendeu a mão.
–Obrigado por vir. – disse ele. Concordou em silêncio e aceitou a mão dele – Está bonita, Lena. – adicionou ele. Arqueou a sobrancelha, mas seguiu em silêncio – Se não estivesse com Damian... – Draco a puxou para perto e colocou a mão em sua cintura. Sentiu o nariz dele contra seu pescoço – Eu adoraria reviver os velhos tempos.
–Mas eu estou com Damian. – disse o empurrando Draco de leve. Ele deu uma risadinha a olhando com petulância.
–Eu sei guardar segredos.
–Eu não vim aqui pra isso, Draco. – disse simplesmente. Draco riu novamente e concordou, estendendo o braço – Não deveria travar a lareira? Não duvido nada que Rasalas tente invadir.
Draco concordou em silêncio, e travou a lareira com a varinha.
–Não tentaram te impedir? – perguntou ele a guiando para fora da sala de visitas.
–Tentaram. Mas eles não mandam em mim. Eu já sou dona da minha vida.
–Que bom. Porque o Lorde das Trevas vai vir hoje. Ele vai adorar escutar isso.
–Está louco para compartilhar sua vida de merda comigo? – perguntou ela com um sorrisinho ácido. Draco riu da mesma maneira.
–Está tão presa nisso quanto eu. Ele ameaça minha mãe, ele ameaça seu pai... e nós dois vamos fazer como ele quer. – disse Draco a olhando nos olhos – Ele sempre consegue o que quer.
–E o que acha disso? – perguntou arqueando a sobrancelha. Draco soltou um suspiro, olhando pra frente.
–Prefiro não achar. Já tenho preocupações o suficiente para lidar. Mas me diga... antes que a gente entre e tenhamos que fingir que estamos super empolgados com nossas vidas... por que veio? – perguntou ele.
–Porque eu sei o que aconteceria se não viesse. – suspirou arrumando a gravata dele. Draco a olhou curioso e ela o olhou nos olhos – Ele iria machucar você. Nós dois sabemos que o Lorde está ficando sem paciência com a demora.
–Ele vai cobrar de você também. – retrucou Draco – Ele quer algo mais preciso. Tudo vai mudar quando Dumbledore morrer. – sentiu as mãos de Draco em sua cintura – O Lorde sairá vitorioso dessa guerra...
–Eu sei. – disse simplesmente. Draco a olhou com os olhos esbugalhados e as mãos dele em sua cintura a apertaram com indelicadeza.
–Sabe?
Desviou o olhar. Se lembrou de Harry estirado no chão. Morto. Numa floresta... na Floresta Proibida. Morto pelo próprio Lorde...
–Sei. – respondeu voltando a olhar para Draco – E não vai demorar, Draco.
Ela se afastou dele mais um pouco e o abraçou no braço. Draco parecia quase horrorizado. Ele suspirou e controlou o próprio rosto, voltando a encarar a porta.
–Pronta para fingir estar exultante?
–Você está?
–Sempre estou. – respondeu – Mais uma vez, obrigado por vir.
–Eu não te deixaria sozinho. – respondeu sem encará-lo.
Os dois suspiraram ao mesmo tempo e sorriram de maneira arrogante e convincente. Draco abriu a porta e os dois entraram na sala de estar. Os rostos se voltaram todos para eles. A Sra. Malfoy estava ali, absolutamente linda, como sempre.
Seu tio Rodolfo também. Elegante e bonitão, sentado numa poltrona. A barba para fazer, os olhos cinzentos iguais aos de Rabastan e Rasalas. Os cabelos escuros rajados de branco, a expressão dura e cansada. Mas quando ele colocou os olhos sobre si, sorriu de maneira travessa. Dava até pra esquecer o monstro que ele era, quando ele sorria daquele jeito.
Moveu os olhos pela sala e viu sua tia Bellatrix de pé, tomando um cálice de vinho. Ela a olhava surpresa, mas logo sorriu. Alhena sorriu de verdade e se soltou de Draco.
–Tia Bella! – disse avançando para junto da tia. Bellatrix pousou o cálice em cima da mesa e a abraçou apertado, mas logo a afastou.
–Merlin! Olhe só pra você. – riu ela a fazendo girar – Virou uma mulher! – sorriu feliz pelo elogio – Eu conheço esse vestido. – riu sua tia.
–Era seu. – riu Alhena – Ficou um pouco apertado no busto, mas serviu.
–Como uma luva, Alhena. Ficou melhor em você do que na sua tia. – adicionou Rodolfo. Olhou para ele, perdendo o sorriso e não gostou nada do modo como ele a olhou. Se lembrou imediatamente de Avery, portanto voltou-se para tia, determinada não ficar sozinha naquela mansão de modo algum.
–Eu realmente duvido. – disse voltando a sorrir para tia Bella. A abraçou novamente e gostou quando a mulher a abraçou de volta – Tia Bella... senti tanta saudade.
–Eu também, meu bem. – riu ela – Fiquei furiosa quando seu pai te levou embora. – adicionou ela – Ele fez no desespero, é verdade, mas foi tolo. – sua tia a soltou e foi pegar mais uma taça de vinho – Se ele tivesse apenas prendido Avery e denunciado o que ele fez, o Lorde teria acabado com a raça daquele traste e seu pai não teria passado pelo que passou... e você estaria sã e salva aqui.
–Eu tive minhas dúvidas sobre você aceitar o convite de Draco. – disse a Sra. Malfoy a avaliando com os olhos – Depois do que aconteceu. Mas vejo que é uma mulher forte, como Bella disse que era. – notou uma troca muito rápida de olhares entre o tio e a mãe de Draco – Não é toda mulher que passa por uma violência dessas e não quebra.
Rodolfo soltou um muxoxo e virou o rosto. Alhena aceitou a taça de vinho de tia Bella e brindou com ela.
–Às mulheres fortes. – disse sua tia.
Alhena sorriu e concordou.
–À força. – respondeu. Uma terceira taça apareceu e sentiu a mão de Draco em sua cintura.
–À beleza. – disse ele levantando a taça que segurava, olhando para ela. Ele bebeu a olhando com intensidade e ela o imitou. Draco gostava de flertar com ela, mas nunca o tinha feito na frente da mãe. Achou aquilo simplesmente estranho.
Quando quebraram a troca de olhares, notou que a Sra. Malfoy e tia Bella olhavam para ela e Draco com interesse.
–Vocês formam um bonito casal. – riu tia Bella – Não acha, Draco?
–Estou tentando convencer Alhena disso. Mas ela se faz de difícil. – riu ele.
–Continue tentando, Draco. Não conquistei sua tia em um só dia. – riu Rodolfo segurando a mão de Bellatrix, com um olhar divertido. Os dois se encararam com sorrisinhos, mas logo voltaram a beber.
Sentiu Draco acariciar sua cintura com o polegar e achou o toque dele muito inapropriado. O olhou com censura e ele sorriu com deboche, mas não parou. Estava para tirar a mão dele, sem nenhuma discrição, quando a porta voltou a abrir. Se virou e viu seu pai a encarar surpreso.
–Lena?
Sorriu imensamente feliz e escorregou para longe de Malfoy. Segurou a saia do vestido e quase correu para abraçar Rabastan.
–Papai! – disse o envolvendo com os braços. Ele a levantou do chão e a girou no ar, rindo.
–Céus! Que saudade! – riu ele a colocando no chão e a olhando nos olhos – Você está linda, Lena! – disse ele se afastando com um sorriso feliz – Esse vestido era de Bella, não era?
–Era. Mas agora ele meu. – disse levantando o queixo.
–Ele é um tanto decotado... – disse Rabastan arqueando a sobrancelha, com alguma censura.
–Eu não acho. – disse Draco, com petulância. Alhena deu uma risadinha e seu pai sacou a varinha, a sacudindo na frente do vestido, fazendo o decote fechar. Mas com isso o decote das costas abriu de uma vez e ela precisou segurar o corpete, para não acabar nua – Assim também é bom. – riu Draco, arrancando uma gargalhada de Rodolfo.
–Rabastan! Estragou o vestido! – ralhou tia Bella sacando a varinha – Venha, querida. Eu vou tentar arrumar.
–Ok... – murmurou sem jeito. Seu pai a olhava completamente constrangido. Seguiu a tia até o corredor e ela soltou o decote. Depois foi para suas costas, para cuidar dos cordões. Sentiu o corpete apertar demais, quando a tia amarrou os cordões completamente – Tia... meus peitos vão pular para fora. – lamentou.
–Não vão. – riu ela dando a volta, para olhá-la de frente – A ideia é dar essa impressão, mas o corpete não vai sair.
–Mas está machucando. – lamentou sentindo os peitos doerem.
–A dor é aliada da beleza. Vamos. – disse sua tia, lhe abraçando o braço, para voltar para a sala. Rabastan a olhou e fechou a cara. Mas Draco e Rodolfo a encararam com um olhar faminto.
–Você encolheu o vestido? – ralhou Rabastan.
–Não. Ele é assim mesmo. Ela só não tinha amarrado direito. – explicou tia Bella. Seu pai olhou sem parecer gostar nada daquilo.
–Vamos, papai. É um pouco decotado, mas não é nada de demais. – riu Alhena. Rabastan deu uma risadinha e se virou para Draco.
–Fica esperto, garoto.
Draco piscou e parou de olhar para o decote dela, para encarar Rabastan. O loiro riu um tanto sem jeito e virou o rosto, para voltar a beber.
–Garotos serão sempre garotos. – riu Rodolfo – Já está com um namorado, Alhena? Ou tudo isso ai está sem dono?
Alhena notou uma veia saltar na testa do pai.
–Eu sou dona do meu corpo, tio. Homem nenhum vai virar dono de mim. – respondeu friamente. Tia Bella sorriu orgulhosa e seu pai pareceu menos zangado – Mas sim. Eu estou namorando. – Rabastan a olhou, surpreso – Um puro sangue rico. Do meu ano. Damian Burke.
Seu pai sorriu, mas logo fez uma careta. Ele franziu a testa, sem saber como reagir a aquela informação e todo mundo ficou a rir dele.
A manhã foi agradável, o almoço foi excelente. Boa comida e bom vinho. Tentava beber pouco, para não ficar alcoolizada, mas sempre tia Bella lhe enchia a taça.
–Bella. Não é correto uma mocinha beber tudo isso. – disse Rabastan colocando a mão sobre sua taça, impedindo que a tia colocasse mais. Tia Bella deu um sorrisinho.
–Não seja chato, Rabastan. É natal. Deixa a garota se divertir.
–Está tudo bem, tia. Eu sou fraca com bebida e já bebi o suficiente. – murmurou sentindo-se tonta.
–Está com medo de ficar bêbada? – perguntou sua tia – Coma mais um pouco. Estômago cheio é ótimo para manter o controle sobre a bebida. E Rabastan. Alhena é uma mulher e não uma garotinha. Pare de ser tão super protetor!
–Pare de ficar forçando para ela beber. Ela bebe se quiser. – disse seu pai com autoridade, largando a taça.
A verdade era que estava com fome e aquele vinho era muito gostoso.
–Eu posso comer mais um pouquinho e beber mais um pouquinho. – disse se servindo de mais javali. Tia Bella sorriu satisfeita e serviu mais vinho. Notou que a Sra. Malfoy não tirou os olhos dela. Se perguntou o motivo daquela mulher ficar encarando.
****
Depois do jantar, tia Bella continuou bebendo, apesar de Rodolfo e Rabastan já estarem muito bêbados. Rodolfo falou que tiraria um cochilo e Rabastan acabou cochilando na poltrona.
Sua mãe foi tirar uma soneca e Alhena ficou na sala com a tia e com Draco. Sempre que uma garrafa acabava, a tia pedia outra para um elfo. Já estava tão bêbado que tudo parecia flutuar em sua frente.
–Tia, eu não aguento mais. – lamentou Draco, sentindo a língua dormente pela embriaguês – Eu preciso ficar sóbrio para hoje a noite. Lena também.
Tia Bella mexeu a mão, como se dissesse “deixa disso” e colocou mais vinho para os dois.
–Vocês são jovens. Tem que se divertir. Aproveitar a juventude. Vamos beber só mais essa.
Alhena respirou fundo, olhando a taça com preocupação.
–Tia... eu não sei se consigo. – lamentou a loira olhando para seu copo cheio – Céus... eu... eu...
–Então, Draco. Já está aprontando todas em Hogwarts? Ou é um garotinho comportado? Conte pra titia, agora que a casta da sua mãe foi dormir.
–Eu tenho aprontado umas ou outras... – confessou Draco, balançando de leve no mesmo lugar – Mas já faz um tempo que eu não faço nada... estou me concentrando na minha missão.
–Ah, sim! Sua missão. Uma missão nobre e importantíssima, sem dúvidas.
–E você vai conseguir, Draco. Eu vi que você vai. – riu Alhena, molemente. Espiou mais uma vez o decote dela, desejoso. Céus. Como Damian era retardado... como ele poderia não estar se agarrando freneticamente com aquela garota? Olha o TAMANHO daqueles PEITOS – Eu vi você desarmando Dumbledore, no alto de uma das torres. E então eu vi o diretor caindo morto, lá de cima.
–Não é fantástico, Draco? Você vai trazer tanta glória para a sua família. – riu tia Bella, entusiasmada – Você teve outras visões, querida? – perguntou tia Bella. Draco virou seu vinho e colocou a taça em cima da mesa. Alhena respirou fundo, como que tentando buscar lucidez.
–Tive. Tive grandes visões, tia. Mas vou falar diretamente para o Lorde das Trevas. – explicou ela – Quero que ele tenha orgulho de mim. – riu ela bobamente e Draco se perguntou se ela estava mentindo. Não estava cem por cento confiante de que conseguiria mentir no estado em que se encontrava.
–Isso é ótimo de ouvir. Você já tem dezessete anos... vai se deixar marcar pelo Lorde?
–Quando Dumbledore morrer. – respondeu Alhena, antes de dar um belo gole. Uma gota roxa escorreu do queixo dela, escorregando por seu pescoço alvo e parando no seio direito. Se imaginou passando a língua por aquela gota, para em seguida tirar Alhena daquele vestido. Ela é a namorada do seu amigo. Controle-se Draco!
Respirou fundo, tentando desviar o olhar do decote de Alhena e notou que sua tia o encarava com um sorrisinho.
–Eu deixei vocês beberem demais. Mal se aguentam sentados. – riu tia Bellatrix – Acho melhor dormirem para receberem o Lorde. Não é qualquer um que consegue me acompanhar no vinho. – ela deu uma risadinha e Alhena colocou a taça quase vazia em cima da mesa, parecendo levemente mais aliviada – Draco, leve Alhena para um quarto vazio e a coloque para dormir. Você também deveria descansar um pouco... – sai tia deu um longo bocejo – Eu mesma vou tirar um cochilo.
Draco se perguntou se conseguiria ficar de pé. Empurrou os braços do sofá e tentou se equilibrar, sentiu o mundo inteiro girar e quase caiu sentado na poltrona. Alhena tentou se levantar e foi preciso que tia Bella a ajudasse a ficar de pé.
Alhena se escorou nele e ele nela e juntos foram cambaleando pela mansão. Aos tropeços, foram subindo os degraus e quando chegaram no andar de cima, estavam subindo de quatro, como cachorros, morrendo de rir de si mesmos.
–Céus... eu preciso muito ir ao banheiro. – lamentou Alhena. Draco concordou sentindo a bexiga doer.
–Eu também. – lamentou ele – Vamos... pra uma suíte. Vem. – disse puxando Alhena, mas acabou despencando em cima dela, caindo na gargalhada e a fazendo rir.
–Eu estou muito bêbada, Draco. – lamentou ela.
–Eu estou muito ruim também. – Lamentou ficando de quatro e tentando se levantar também – Eu já estava bebendo antes de você chegar...
Depois de lutarem contra a gravidade e contra o chão que dançava, voltaram a procurar um quarto. Abriu a porta de um dos quartos de visitas e cambaleou com Alhena para dentro. Ela correu para o banheiro desesperada, puxando a saia para cima.
–Cacete. Vou molhar meu vestido! – lamentou ela, fazendo Draco gargalhar. Ela entrou tão desesperada que nem fechou a porta, mas estava bêbado demais para prestar atenção nisso.
Depois de esperar desesperado, Alhena cambaleou para fora do banheiro e foi a vez dele mijar sem se preocupar em fechar a porta. Estava muito certo de que sujara completamente o vaso, sem conseguir mirar direito, mas não ligou. Apenas se virou para ir para a cama.
–O que pensa que está fazendo? Vá lavar essas mãos! – ralhou Alhena. A xingou baixinho e voltou para o banheiro, tropeçando nos próprios pés, para lavar as mãos. Então voltou para o quarto. Alhena estava sentada na cama, parecendo muito desconfortável naquele vestido, tentando tirar os sapatos. Se sentou no chão, na frente dela e retirou a bota que ela usava. – Obrigada. – murmurou ela retirando as luvas.
–Não há de que. – respondeu se sentando e tirando os sapatos.
–Vamos dormir juntos?
–Eu não estou em condições de levantar. – resmungou ele se jogando na cama. – Acho que nem pra foder eu estou em condições.
–Que bom. – murmurou Alhena – Céus... isso está me machucando. Tá muito apertado. – lamentou ela, se referindo aos cordões. Draco sacou a varinha a apontou para as costas de Alhena. Os cordões folgaram imediatamente. As costas dela estavam vermelhas, onde os cordões a apertaram. Se sentou e passou os dedos por uma linha vermelha e Alhena se abraçou, para impedir que o corpete caísse.
–Deita. – pediu. Ela obedeceu, molemente. A observou completamente tentado a fazer o que Damian ainda não tinha tido a coragem de fazer – Por que raios você e Damian estão nesse namorico de faz de conta? – perguntou Draco. Alhena virou o rosto vermelho pela bebida, parecendo muito distante dali – O que vocês já fizeram?
–Nada. – respondeu ela – Eu entro em pânico, quando ele me toca. – respondeu ela, respirando fundo.
–Quando eu te tocava, você não entrava. – murmurou se deitando ao lado dela, completamente louco.
–Eu sei. Mas é porque eu nunca te amei e sempre soube que você só me considerava uma aventura... Damian não é só isso.
Draco a tocou na barriga, passeando os dedos pelo corpete negro dela.
–O que o Damian é?
–Meu futuro marido... – murmurou Alhena – Eu... eu acho.
–Sonha longe, heim? – riu Draco descendo a mão para a coxa dela, puxando a saia do vestido para cima, com os dedos.
–Eu vi... eu tive uma visão... casada com ele, mas... – Alhena fechou os olhos – Eu tenho medo de... de estar errada e... dele não gostar mais de mim.
–Por que ele não gostaria? – perguntou já vendo o joelho dela. Alhena estava de olhos fechados, mas virada para ele e parecia que cairia no sono a qualquer momento.
–Eu estou engordando de novo.
–Está mesmo. – riu Draco fazendo Alhena abrir os olhos. Rolou para cima dela e a beijou no pescoço – Está cada vez mais gostosa.
–Draco! Sai. – ralhou ela molemente. Riu no ouvido dela, levantando mais e mais a saia do vestido dela, completamente enlouquecido de tesão – Draco, não... – murmurou ela de maneira gemida. Tocou a coxa dela com desejo, amando a textura da pele macia dela – Por favor, Draco... eu estou com... com o Damian.
–Ele não está aqui. – disse Draco a beijando com volúpia no pescoço. Tentou beijá-la na boca, mas ela virou o rosto – A gente guarda segredo.
–Draco... por favor... por favor... – a voz dela era quase inaudível – Eu estou bêbada demais pra te empurrar... não faz isso... – murmurou ela realmente tentando afastá-lo. Se apoiou nos cotovelos a olhando e notou que ela parecia com medo. Sentiu-se mal, imediatamente, pois achara que ela só estava se fazendo de difícil... que era só manha. Rolou para o lado, desconfortável.
–Desculpe... eu achei que... – murmurou constrangido.
–Você teria coragem de apunhalar o Damian assim? Desse jeito? – perguntou ela. Draco deu de ombros.
–Eu não presto e Burke não é realmente meu amigo... sou mais amigo do Vince, do Greg e o do seu irmão... sou mais SEU amigo do que amigo do seu irmão, diga-se de passagem. – Draco deitou e fechou os olhos, sentindo as bolas doerem – Eu vou abrir a calça. Está apertado. – resmungou tirando o cinto e abrindo a calça. Alhena não se importou – E está muito quente... – resmungou se sentando e tirando as partes de cima do traje a rigor. Olhou para Alhena, que o mirava completamente vermelha – Não sente falta? Dos nossos amassos? – perguntou ele. Alhena suspirou e se sentou, segurando o corpete.
–Eu estou subindo pelas paredes... eu queria tanto transar com o Damian...
–Estou falando de mim. Não dele. – resmungou arqueando as sobrancelhas.
–Mas eu estou com ele e não com você. – resmungou Alhena – E você não me ama. Ele sim.
–Você tem uma visão muito romântica sobre sexo. – riu Draco – Deixa eu te contar uma coisa sobre sexo. Homens são egoístas e só pensam em si mesmos. Ele vai vir em cima de você feito um mendigo num prato de comida. Vai te esfolar por dentro, gozar em você, te morder, arranhar... te sujar de suor. Vai estar tão alucinado com o sexo, que não vai ligar se está te machucando. Você vai pedir pra ele ir devagar. Ele vai desacelerar e segundos depois vai esquecer que está te machucando e vai acelerar de novo. E você, porque está apaixonada por ele, vai ficar deitada e sentindo dor... porque ele parece estar adorando. Vai escutar os gemidos dele e vai ficar repetindo pra si mesma que vale a pena e o importante é ele sentir prazer. E depois ele vai achar que te fez um favor. Isso é sexo, Alhena. Não tem nada a ver com amor. – Draco soltou um suspiro – Mas eu não sou assim. Eu já tirei virgindades antes. Não só uma vez. Não duas vezes... mais. – Ele suspirou – Eu não estou apaixonado por você. Eu não me deixaria levar pelo momento. Eu iria curtir fazer lento e calmo, mesmo estando bêbado. Eu iria conseguir fazer você se sentir bem. E você já está bêbada. Você iria se deixar levar e não iria sentir dor. Só iria curtir. Seria bom pra nós dois.
–Eu não vou transar com você, Draco. – murmurou Alhena. Draco soltou um muxoxo.
–Por que não? Por que você acha que sua primeira vez tem que ser com alguém especial? Com seu amorzinho? O importante é se sentir confortável. O importante é ser com alguém que você confie. Eu já te vi nua. Eu já te fiz ter um orgasmo. Eu poderia fazer muito melhor do que ele.
–Por que quer tanto transar comigo? – perguntou Alhena.
–Porque você me deixa louco. – respondeu ele sem hesitar – Eu não aguento mais me masturbar pensando em você, Lena. Eu queria saber... só uma vez que fosse... como seria provar você. Como seria possuir você. Como seria... nós dois. – ele a olhou faminto, desesperado para que ela cedesse. Alhena deu um sorrisinho.
–Você é bom de papo, Draco. – ela soltou um suspiro e abraçou o travesseiro – Mas eu não vou trair o Damian por você ou com você, só pra satisfazer sua curiosidade.
Ela ficou de lado, abraçando o travesseiro. As costas nuas pelo corpete desamarrado, a saia levantada por ele, mostrando as alvas coxas grossas... eu vou fazer loucuras desse jeito.
–O que eu preciso fazer?
–Não há o que ser feito. – riu ela.
–Me alivia então? – perguntou Draco – Você tem uma boquinha de algodão. – adicionou ele. Alhena o olhou com um sorrisinho e ele se curvou – Você chupa bem demais... – sussurrou no ouvido dela. Alhena se arrepiou inteira – E eu me lembro que você gostava quando eu retribuía... vamos, Lena? Só um pouquinho... ninguém precisa saber.
–Eu saberia. – resmungou ela, molemente.
–Vamos... Você nunca se vingou de verdade dele... pelo que ele te fez passar. – riu Draco. Alhena piscou e olhou o loiro – A gente, lá em Hogwarts e nos bailes... A gente quase não aprontou de verdade. A gente fingia que iria se agarrar por ai, mas passávamos mais tempo conversando do que qualquer outra coisa.
–É... mas...
–E o Damian... quantas vezes ele foi dormir no dormitório feminino e “esqueceu” de colocar um feitiço silenciador? Heim?
–Como você sabe disso? – perguntou Alhena se levantando e esquecendo o corpete, que caiu para a cintura dela, deixando os seios a mostra. Draco achou que perderia o controle com aquela visão. Os seios perfeitos, redondos, com aqueles mamilos rosados. Sempre olhara para os seios dela, desde o terceiro ano, quando eles começaram a crescer mesmo. Mordeu o próprio lábio, perdido em pensamentos indecentes, mas Alhena se escondeu com os braços – Me diga! Como você sabe disso?
Olhou para ela, se perguntando se diria a verdade. Mas não estava raciocinando direito. Estava pensando com o pau. Estava bêbado e ela estava quase nua na sua frente, na mesma cama...
–Porque Damian contou pra nós. Menos pro Rasalas, é claro. – respondeu sério, tentando não pensar no quanto Damian ficaria furioso se soubesse o que estava falando – Ele se gabava por não ter deixado ninguém dormir no dormitório feminino. Emília comentou com Greg, também... Que Pansy deveria ter mais consideração pelo sono alheio... – Draco engoliu em seco – Ele só queria esfregar na sua cara que estava transando com outra garota. Não só na sua, na verdade... na de todo mundo. Damian é um machista. – disse dando de ombros – Eu ao menos sou discreto. Eu não saio esfregando na cara de ninguém que estou transando com alguém.
Alhena desviou o olhar, parecendo triste.
–Eu... eu não acredito... – murmurou ela.
–Acha que eu inventaria só pra entrar nas suas saias? – perguntou Draco – Damian não é o santinho que você acha que ele é.
–Ele mudou. – disse Alhena, franzindo a testa – Ele mudou. Ele está diferente. Ele é bom pra mim. – murmurou ela.
Draco queria continuar insistindo, mas sabia que ela estava mesmo apaixonada pelo Burke. Suspirou vencido, sabendo que se acabasse fazendo com que ela cedesse, ela não iria se perdoar. Se deitou na cama, jogando o braço em cima dos olhos.
–Você quem sabe. Se mudar de ideia... – disse vencido. Alhena suspirou e deitou de costas para ele, fechando os olhos.
Rodolfo Lestrange

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