Legado Lestrange
30 Uma Aposta Perdida
Notas iniciais
1996
Expresso Hogwarts
A plataforma sempre era um lugar animado, onde os amigos se reencontravam depois do verão, onde todos ficavam empolgados para voltar para a escola, para o quadribol, para os clubes...
Mas a Plataforma ¾ parecia simplesmente triste naquele ano... todos estavam preocupados, olhando com desconfiança para todos os lados.
Sentia a mão de Lupin em seu ombro. Sua mãe segurava sua mão com firmeza. Mas não se sentia seguro. Estava com medo... e quando seus amigos descobrissem? Será que seguiriam sendo seus amigos? Será que guardariam seu segredo? Será que seria excluído? Talvez expulso... talvez não deixassem que ele ficasse na escola, por ser um perigo para os outros alunos...
Fechou os olhos, triste.
–RASALAS! – gritou uma voz. Se virou e viu Damian vir correndo. O colega o abraçou e depois o olhou preocupado – Você está bem, cara? Eu escrevi, mas você não respondeu! O que aconteceu? Eles te machucaram?
Rasalas desviou o olhar, constrangido.
–Ras! – escutou a voz de Blair. Ele, Vince e Greg vinham juntos. Blair parecia preocupado, mas Draco, Vince e Greg preferiram não se aproximar muito. Eles sabem... eles sabem... teve vontade de sair correndo, mas Blair o puxou para abraçá-lo – Eu vi os Comensais cercando você... você está bem? Eles devolveram Astoria... ela estava muito ferida pelo o que eu ouvi.
Sabia daquilo, apesar de não saber o que poderia ter acontecido com ela.
–Eu... eu estou bem. – murmurou Rasalas. Ele olhou para Draco, Vince e Greg. Eles acenaram de longe e se viraram para sair. Sentiu um aperto no peito, preocupado. Será que eles contariam para alguém? Será que alguns dias depois do início das aulas começariam a chegar cartas para o diretor, exigindo que ele fosse expulso do colégio?
–Rasalas. Eu estou tão feliz que você está legal... eu fiquei preocupado, cara... – murmurou Damian – Você tinha que ter visto a sua irmã! A Lena! Ela foi incrível! – disse o garoto com um sorriso cheio de entusiasmo. Alhena corou de leve e virou o rosto – Ela fez um ritual macabro, com o próprio sangue e então os olhos dela viraram, ficando brancos e ela começou a fazer umas paradas bizarras! – riu Damian olhando dele para Alhena, que parecia ainda mais sem jeito – E então ela sabia onde você estava! Foi do caralho! Sua filha é impressionante, Sra. Valentine.
Rasalas viu a mãe piscar um tanto surpresa.
–Eu sei bem disso. – riu ela, olhando para Alhena com orgulho – Minha pequena vidente. – ela sorriu gentilmente e Alhena soltou um muxoxo.
–Pare de puxar o saco, Burke! – resmungou ela – Mãe, eu vou entrar e ver se a Daphne e a Emília já chegaram.
Damian, que parecia simplesmente feliz, murchou ao receber aquele tom gélido de Alhena. A mãe olhou para a filha, surpresa e até Lupin pareceu confuso.
–Lena! Isso são modos? – perguntou a mãe.
–Pra ele? Sim. Esses são modos. – ela olhou para Damian, que estava corado – Você é um babaca. Pare de ficar me adulando. Por que não vai se esfregar com Parkinson, heim? Ela está bem ali, se você não viu. – ela apontou para os Parkinson, que estavam conversando com os Malfoy.
Alhena pegou o próprio malão e saiu de perto deles, parecendo furiosa.
–Ela está furiosa com você... – murmurou Rasalas – Por não ter deixado ela ficar pra me ajudar.
–Eu... eu só quis... você pediu... – murmurou Damian, infeliz.
–Eu sou eternamente grato a você, Damian. – disse Rasalas colocando a mão no ombro do amigo – Se Avery tivesse pegado a minha irmã, ela teria sido, no mínimo, estuprada... e sabe-se lá como eles iriam machucar ela... – murmurou se lembrando do lobisomem a lhe encarar com aqueles olhos âmbar.
Damian colocou as mãos nos bolsos e chutou uma pedrinha qualquer.
–Eu... eu queria me acertar com ela... eu... – mas ele corou e olhou para a mãe de Rasalas que o olhava com um sorrisinho – Ela é minha amiga, sabe?
–Amiga... sei... – riu sua mãe. Até Lupin se permitiu dar um sorrisinho e Damian corou ainda mais.
–Vamos, Ras? – perguntou ele parecendo desesperado pra sair dali.
–Vamos. – riu Rasalas – Até o natal, mamãe... – murmurou se sentindo triste de novo.
–Se cuida, meu amor... – murmurou sua mãe o abraçando apertado – Eu te amo demais, ouviu? E eu tenho muito, mas muito orgulho de você.
Soltou um soluço involuntário e concordou em silêncio. Sua mãe arrumou sua gravata e o beijou no rosto. Lupin lhe bagunçou os cabelos e apertou sua mão. O abraçou novamente, e suspirou com ele.
–Te vejo em breve... – murmurou se referindo à próxima lua cheia.
–Sim. Vai ficar tudo bem. – disse Lupin.
Rasalas se afastou deles e pegou seu malão. Foi até o vagão passageiro e escutou a voz de Draco.
–...ter visto você... sempre fica linda nesses vestidos de festa.
–Eu sei que você só quer entrar nas minhas saias, Draco. – escutaram a voz de Alhena.
–Eu quero mesmo. Por que continua resistindo?
Rasalas quis aparecer, para surpreender os dois, mas Damian o segurou.
–Você não é o cara certo. Não quero que minha primeira vez seja com qualquer um.
Os dois espreitaram e viram Draco abraçar Alhena por trás.
–E quem é o cara certo? O Burke? Ele levou uma coleira de calcinha da Pansy.
Alhena pareceu triste ao escutar aquilo. Draco a beijou no ombro e depois no pescoço. Viu as mãos do colega passearem pela barriga de Alhena e subirem até os seios dela. A irmã o segurou com firmeza e se desvencilhou dele.
–Está louco?
–Não pareceu tão arisca das outras vezes. – riu Draco com um sorriso cafajeste.
–Não estávamos num lugar tão público das outras vezes. – resmungou Alhena saindo de perto de Draco. Damian e Rasalas se esconderam atrás do vagão e Alhena passou por eles. Ela os olhou corando, mas logo voltou a caminhar para dentro do trem.
Rasalas olhou para Damian, que parecia simplesmente puto. Ele saiu de trás do vagão e foi até Draco, que parecia distraído.
–Oi, Da... – começou Draco, mas Damian apenas o socou no queixo. Draco desmontou indo para o chão e Damian subiu em cima dele, para socá-lo.
–EU MATO VOCÊ, MALFOY!
–Está louco? – perguntou Draco tentando proteger o rosto. Rasalas puxou Damian com força, que se debateu, tentando alcançar Draco de qualquer jeito.
–Fique longe da Alhena! Fique longe dela, ouviu? – perguntou Damian, se contorcendo.
–Qual o seu problema? – perguntou Draco – Você está namorando a Pansy.
–Você só quer transar com ela!
–E você está apaixonado por Pansy, não é? – debochou Draco – Eu gosto da Alhena. A gente está dando uns amassos há séculos. – riu Draco. Damian rosnou, zangado, tentando se livrar de Rasalas, que ainda se esforçava para segurá-lo – E é simplesmente natural que eu tente levar a Lena pra cama. O Rasalas me deu até a benção dele.
–Seu... seu... – rosnou Damian. Draco sorriu com desdém, massageando o queixo, onde Damian o tinha socado.
–Vá à merda, seu idiota. – rosnou Draco, passando reto por eles.
Rasalas esperou até que ele se afastasse para soltar Damian, que ainda bufava, completamente furioso.
–Você acredita nisso? – perguntou Damian. Rasalas olhou o colega e suspirou. Depois colocou o malão no vagão bagageiro – Não me diga que concorda com ele!
–Draco tem razão num ponto... você ESTÁ com Parkinson e você não gosta dela. No máximo sente tesão por ela... Todas as duas vezes que você teve chance de ficar com a Lena, você vacilou. Draco tem todo o direito de tentar...
Damian xingou baixinho e suspirou. Os dois foram para dentro do trem e procuraram por uma cabine. Encontraram a cabine em que Daphne, Lena e Emília estavam. Daphne se levantou e veio lhe dar um beijo.
–Que saudades. – murmurou ela o abraçando. Rasalas a abraçou de volta.
–É... como está sua irmã? – perguntou preocupado.
–Está se recuperando. Eles usaram a maldição da dor nela, aparentemente. – murmurou ela – Seu tio queria deixá-la louca, mas seu pai não deixou. Disse que se Astoria não voltasse sã pra casa, meu pai poderia se rebelar de vez.
–Ah... que bom que eles não fizeram nada de tão ruim com ela, não é? – perguntou Rasalas.
Daphne concordou muito séria.
–Mas foi graças ao seu pai. – disse Daphne – Astoria disse que Rodolfo queria fazer muitas coisas cruéis, mas seu pai não permitiu de jeito nenhum. No que dependesse dele, ela seria mantida como refém e só... ninguém tocaria nela...
–Papai não gosta de machucar garotinhas. – disse Alhena.
–Ah, sim... como ele é nobre. – sibilou Rasalas se sentando na janela. Daphne se sentou ao seu lado, segurando sua mão.
–Ele é nobre sim! – disse Alhena – Só tem uma visão diferente da sua de ver o mundo.
–Diferente da nossa, você diz, não é? – perguntou Rasalas. Alhena suspirou.
–Sim, Ras. Diferente da nossa. – murmurou ela, distraidamente.
Damian ainda estava de pé na cabine, olhando para todo mundo.
–Lena... você se importa se eu ficar aqui? – perguntou ele – Ou prefere que eu procure outra cabine?
–Ela não se importa. – disse Rasalas com firmeza. A irmã o olhou zangada, mas deu de ombros.
–Por que ela se importaria? Só porque você e Pansy estavam tentado se transformar em um só nas últimas festas que fomos? – perguntou Emília, acidamente.
Damian soltou um muxoxo e fechou a porta da cabine. Emília se levantou e se sentou ao lado de Daphne, deixando o lugar ao lado de Alhena vago. Lena a olhou zangada e Damian se sentou ao lado dela.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, com Daphne e Emília conversando sobre uma coisa ou outra. Damian estava de braços cruzados, olhando para o corredor e Alhena olhava pela janela. Revirou os olhos, achando aquilo simplesmente chato.
A porta da cabine se abriu e Draco apareceu com Pansy.
–Olá, querido. Nem foi me ver. – riu Pansy se sentando entre Damian e Alhena, num espaço muito pequeno. Damian precisou ir mais para o lado para que ela se sentasse. Aquilo foi a gota para Alhena.
–Malfoy, quer dar uns malhos? – perguntou ela.
–Eu tinha um pressentimento de que iria falar isso. – riu Draco de maneira cafajeste. Alhena se levantou e saiu com ele. Rasalas revirou os olhos e Damian pareceu ainda mais emburrado.
–Pansy. O que você está fazendo? – perguntou Daphne fechando a cara. Pansy a olhou com superioridade.
–O mesmo que você. Quero ficar com o meu namorado. Por que? – perguntou ela abraçando o braço de Damian.
Daphne soltou um muxoxo e olhou para o rapaz.
–Alhena avisou Pansy que estava de volta e que estava louca para te ver. Foi na época dos nossos N.O.M.s... mais ou menos na mesma época que vocês começaram a ficar. – disse Daphne. Rasalas olhou para ela, em choque e Damian também.
–O que? – perguntaram os dois.
–Ela só contou pra Pansy, porque queria fazer surpresa... – adicionou Daphne. Pansy parecia meramente curiosa, mas Emília e Damian estavam chocados. Rasalas também estava um tanto surpreso, mas tentou não ficar irritado com Pansy. Desde que ela abortara, ela não era ela mesma...
–Não sei do que você está falando. – disse Parkinson com certo desdém.
–Lena me contou! – disse Daphne.
–Lena mentiu. Ou você acha que Alhena Lestrange não mente? – riu Pansy – Onde ela passou os últimos meses? Ela emagreceu de maneira saudável? Ela nunca transou com aquele Pierre?
–Lena nunca transou com ele! – disse Daphne. Rasalas notou que Damian tinha ficado tenso – Nunca!
–Isso é o que ela te disse, não é? – riu Pansy – Larga de ser besta, Daphne. Aquela Alhena que voltou não aquela amiga de quem nos despedimos na casa do Damian, antes de irmos pro quarto ano. Lena mudou e não foi pra melhor. Você sabia que ela apoia o Lorde das Trevas?
–Não seja ridícula! – ralhou Emília.
–Não acredita? Por que não pergunta pro novo melhor amigo dela? Ou pra Vince? Até mesmo pro Greg. Como acha que ela desenvolveu o dom dela tão rápido de uma hora pra outra? Como acha que ela conseguiu ir tão bem nos exames sem nem mesmo ter frequentado as aulas? Ela foi treinada pelos comensais...
–Pare de falar besteiras, Pansy. – ralhou Damian.
–E não só pelos comensais. Pelo próprio Lorde das Trevas.
–Cale a boca. Essa é a coisa mais ridícula que... – começou Daphne.
–Pergunte pra qualquer um dos três. Pergunte pra Nott. Pergunte pra qualquer um dos filhos dos comensais conhecidos. – riu Pansy.
–Pansy. Chega. – disse Rasalas com a voz firme. Pansy piscou e o olhou, para depois soltar um muxoxo. Mas ela não continuou com aquele assunto – Não importa o que minha irmã fez... se ela fez qualquer uma dessas coisas, foi simplesmente para sobreviver... como qualquer um aqui teria feito.
Todos concordaram com um aceno de cabeça, mas Damian suspirou e perguntou.
–Como transar com Pierre a ajudaria a sobreviver? – perguntou Damian.
Rasalas soltou um muxoxo e se levantou. Ele pegou o amigo pelo pulso e o puxou. Respirou fundo e saiu da cabine e então seguiu para o vagão passageiro. Escutou Alhena e Draco conversarem aos sussurros e pisou forte para que eles o escutassem.
Logo os encontrou e eles não pareciam que tinham se beijado. Os dois olharam com curiosidade e Rasalas sacou a varinha a apontando para Alhena. Lena se assustou, mas não se moveu.
–Virtus! – disse Rasalas. Segundos depois uma aura branca começou a se desprender dela.
–Pra que isso? – perguntou Alhena o olhando sem entender.
–Satisfeito, Damian? – perguntou Rasalas franzindo a testa – Ela é virgem. Mas mesmo que não fosse, isso não te diria respeito. A vida dela nunca foi da sua conta por você ser um banana.
Rasalas deu meia volta, sem paciência para as crises de insegurança do colega. Tinha coisas muito mais sérias pra se preocupar. Tinha virado um maldito lobisomem, sua irmã estava sendo caçada pelos Comensais de Morte por conta de seu dom, a guerra estava chegando, sua mãe tinha que viver escondida, seu pai não estava com reputação em alta com os comensais e isso provou ser perigoso para qualquer um que carregasse seu sobrenome...
E ele só tinha dezesseis anos. Apenas malditos dezesseis anos! Era coisa demais para se preocupar. Coisa demais...
Estava voltando para a cabine, quando Daphne saiu de lá. Ela o olhou com carinho e caminhou até ele, para abraçá-lo.
–Eu não acreditei em nada do que Pansy disse. – murmurou ela. Rasalas a abraçou de volta.
–Eu cansei de proteger Alhena de tudo... – murmurou baixinho – Eu estou tão cansado, Daph... tão cansado... – murmurou deitando a cabeça no ombro dela – Eu não consigo dormir direito desde... – seu corpo ficou tenso e ele se lembrou de Grayback, rosnando e latindo, se esticando todo para alcançá-lo. Seus músculos doeram por conta da tensão e ele abraçou Daphne mais forte do que pretendia. Ela soltou um leve gemido e ele a soltou – Desculpe... eu... – murmurou ele. Ela sorriu e o beijou com carinho nos lábios.
–Está tudo bem. Vem cá. – riu ela o empurrando até a janela. Ficou sentindo a brisa fresca bater contra sua nuca, fazendo sua camisa encher-se de vento e inflar. Daphne colocou a mão em seu peito e suspirou – Desde... desde que aconteceu... eu tenho estudado a respeito, sabe? – perguntou ela. Rasalas a olhou curioso – Não são apenas coisas ruins, as consequências...
–E o que vem de positivo? – perguntou amargurado.
Daphne sorriu, ficando na ponta dos pés.
–Seus sentidos vão ficar mais aguçados. – sussurrou ela. Rasalas sentiu seus pelos se ouriçarem – Você vai ficar mais peludo.
–Eu não curto isso. – resmungou ele.
–Ah... é másculo. – riu Daphne o mordiscando na orelha. Engoliu em seco, ficando mais uma vez completamente arrepiado. Um desejo selvagem foi tomando conta de si. A apertou na cintura a puxando contra si. Suas calças já estavam apertadas, pelo volume que aumentava mais e mais – E você vai sentir tudo mais intensamente... – sussurrou ela.
–Intensamente? – perguntou suando frio.
–É... – Daphne desceu as mãos por seu peito, barriga e cinto. Ela o apalpou nas calças e o massageou de leve. Não conseguiu evitar de soltar um gemido rouco. A olhou com desejo e Daphne sorriu – Imagina um orgasmo... como ele vai ser agora... – sussurrou ela.
Sentiu algo dentro de si lutar para sair. Lutar para colocar Daphne de costas contra a parede, levantar sua saia e possuí-la ali mesmo. Respirou fundo, várias vezes, tentando manter o controle sob si mesmo.
–Banheiro? – perguntou ele, desesperado.
Daphne sorriu travessa e concordou.
Precisaram enfrentar uma fila e ele achou que ficaria louco antes de entrar. Trancou a porta e avançou até ela tão desesperado que quase rasgou a saia dela, no desespero de despi-la. Daphne desabotoou seu cinto e abriu suas calças. O alívio e a sensação de liberdade foram simplesmente maravilhosos. Daphne o fez se sentar na privada e ela se sentou em cima dele.
–Oh, meu Merlin... – murmurou a apertando na cintura. A boca aberta, num espasmo de prazer. Daphne soltou um gemidinho gostoso de se ouvir e moveu os quadris em cima dele. Fechou os olhos com força, alucinado, jogando a cabeça para trás e sentiu os dentes da namorada mordiscarem seu queixo.
–Me beije, Ras... – pediu ela.
Rasalas engoliu em seco e a beijou. Arfou sem ar, enlouquecido pelo movimento dela. Ela era tão apertadinha... Mais que Gina, que era virgem... mais do que Pansy... apertou a cintura dela, a esfregando contra si e soltou um rosnado baixo. Mas isso o assustou. Sentiu o corpo ficar tenso e se lembrou dos olhos âmbar de Grayback.
Parou de se mover, tentando conter o ataque de pânico. Apertou Daphne com força, tendo certeza de que Grayback estava rosnando por ali... desejando fatiá-lo em pedaços...
–Rasalas... Rasalas... – chamou Daphne. Ele a olhou, cheio de medo – Eu estou aqui... olhe pra mim... sou eu... a sua Daphne... – murmurou ela. Ainda respirava ofegante, se achando ridículo por ter tido um ataque de pânico num momento daqueles. Baixou o olhar, envergonhado e sentiu os lábios de Daphne em sua testa – Olhe pra mim, Rasalas... – pediu ela – Nos meus olhos... – ele engoliu em seco e a encarou. Lembrou daquele dia, no lago, quando ela viera nadando até ele, com aqueles lindos olhos azuis... aqueles olhos que o perseguiram durante todo o ano anterior – Preste atenção, ok? – perguntou ela. Ele concordou – Eu amo você. – disse ela. – Desde criança... desde que brincávamos de nos esconder entre as roupas da loja da minha mãe, pra comer os chocolates da dispensa... eu te amo e eu vou cuidar de você, escutou? – perguntou ela. Rasalas engoliu em seco e a abraçou – Eu vou cuidar sempre de você... sempre...
Respirou fundo e escondeu a cabeça entre os seios dela, querendo chorar. Mas não iria chorar. Chega de lágrimas... seu desejo tinha ido embora, no ataque de pânico, mas Daphne voltou a beijá-lo com paixão e logo se sentiu pronto para continuar o que tinham interrompido.
Transaram olhando nos olhos um do outro, com sorrisos contentes no rosto. Cheios de beijos ardentes e gemidos contidos. Deixou que ela ditasse o ritmo, e não se importou por ele ser mais lento e carinhoso.
E quando chegou ao orgasmo, foi como Daphne tinha dito. Pareceu muito mais intenso. Muito mais forte e selvagem. Cravou as unhas nas costas dela, sem perceber e tremeu involuntariamente. Um gemido rouco escapou de sua garganta e ele achou que tinha bebido Veneno de Fada por alguns segundos, pois tudo parecia girar.
Mas então voltou ao normal e ele se viu no cubículo do banheiro do trem, Daphne em seu colo. Engoliu em seco de novo e respirou fundo, tentando recuperar o fôlego.
–Isso... isso foi... – ele a soltou e respirou fundo.
–Foi perfeito. – sussurrou ela o beijando carinhosamente nos lábios.
–Eu amo você, Daph... – murmurou completamente envolvido pelos braços dela – Obrigado por não me deixar...
–Nunca. Nunca vou te deixar... eu juro. – murmurou ela o beijando nos dois olhos.
*
Nem ele e nem Alhena receberam convites para as reuniões com Slughorn. Alhena apenas deu de ombros, pois não queria chamar mais atenção pra si mesma, mas Rasalas achou o cúmulo. Principalmente porque Blair recebeu um convite...
Mas logo notou que não teria tempo pra isso. Ele tinha recebido o distintivo de capitão do time de quadribol da Sonserina e precisava arrumar três artilheiros e um goleiro. Ele e Blair ainda eram batedores e Draco seguiria como sendo seu apanhador. Se perguntou como que não fora Draco a receber o distintivo. Ele era, sem dúvidas, o melhor do time...
Talvez Dumbledore pensasse que ele já tinha o ego inflado o suficiente...
Precisava fazer os testes antes que sua semana perigosa chegasse. Falou com o professor Snape, que reservou o campo de quadribol para Sábado de manhã e de tarde. Mas não fazia a menor ideia de quem chamaria. Os garotos mais velhos não pareciam mais espertos que Vince e Greg... não queria reles brutamontes sem cérebros... principalmente para goleiro. Céus... como sentiria falta de Miles...
Passou a semana inteira avaliando os possíveis candidatos para o time, sem se deixar convencer por nenhum. Miles, Yaxley e Montague eram insubstituíveis... talvez conseguisse substituir Avery, que era o único que ainda não tinha se formado. Mas estava com um certo receio dele.
Foi o primo mais velho dele quem fora responsável por ter sido infectado. Mas no fim da semana o rapaz veio falar com ele.
–Rasalas. Eu sei o que meu primo fez e foi deplorável. – murmurou ele o puxando para um canto – Mas eu vou entender se não quiser que eu entre pro time novamente...
Rasalas sentiu o sangue gelar e tocou no próprio ombro.
–Eu...
–E não se preocupe... seu segredo está a salvo comigo, independentemente da sua escolha. – adicionou Avery. Ele se virou e estava para sair, quando Rasalas correu até ele.
–Eu espero contar com a sua ajuda pra escolher os outros dois artilheiros e o goleiro, ok? – pediu sorrindo.
Avery sorriu também e estendeu a mão. Rasalas a apertou e os dois foram cada um para um lado.
Na sexta feira, estavam indo para a aula de Runas Antigas com Draco e Alhena, quando um aluno do sétimo ano da Corvinal passou por eles e deu um tapa na bunda de sua irmã.
Ele e Draco se viraram para socá-lo, mas Alhena foi mais rápida e se virou acertando um soco cruzado no olho do garoto. Ele desmontou no chão, desacordado e Alhena massageou o punho.
–Seu cretino. Nunca mais faça isso. Da próxima vez eu te esfolo, ouviu bem? – perguntou ela furiosa. Quando ela se virou, tanto ele quanto Draco a olhavam chocados – O que foi? – perguntou ela ainda massageando o punho.
–Alhena, você voa bem? – perguntou Draco, em choque.
–Que? Por que? – perguntou ela.
–Porque você desmaiou um cara com o dobro do seu tamanho com um soco! – disse Rasalas, chocado.
–Eu acho que torci o pulso no processo. – resmungou ela, mas então ela piscou – Não está querendo que eu entre pro time de quadribol, está?
–Você deveria fazer o teste! – riu Rasalas, empolgado.
–Não! De jeito nenhum, está louco? – perguntou ela – Eu não sei voar. E nunca arremessei uma goles na vida... e eu não tenho coragem de jogar no gol...
–Eu falo sério. Você deveria tentar ser uma artilheira! – disse Draco, empolgado.
–Nunca o time da Sonserina teve uma garota! Tradicionalmente o time é composto só de garotos! – disse Alhena, voltando a andar.
–Lena! Eu preciso de você! A maioria dos candidatos são um monte de tapados! – lamentou Rasalas – Por favor! Por favor! Pelo seu irmãozinho querido!
Alhena se interrompeu e o olhou sem jeito.
–Mas... Rasalas... eu não sei se dou conta.
–Eu só preciso que você jogue as goles com força e faça gols. Eu protejo você dos balaços! – disse Rasalas – Vamos, Lena. Precisamos defender a Taça! A Sonserina ganhou tudo ano passado e agora eu sou o capitão do time. Eu tenho responsabilidades!
–Isso mesmo, Lena. – concordou Draco.
Alhena ainda não parecia convencida, mas acabou se dando por vencida.
–Eu ainda acho que isso é loucura, mas vou tentar. – resmungou ela.
Quando voltaram para o salão, depois do jantar, Rasalas ainda estava estudando os alunos do sétimo, sexto e quinto ano... mas nenhum chamou sua atenção. Damian estava fazendo as tarefas de casa, enquanto Pansy o beijava na orelha. O garoto não parecia muito interessado nela, pois era completamente dedicado aos estudos e parecia até mesmo um pouco aborrecido.
–Pansy, eu acho que Draco estava te procurando. – disse Rasalas. Pansy o olhou sem acreditar.
–E por que mesmo?
–Porque vocês são monitores, imagino eu. – respondeu Rasalas. Pansy revirou os olhos e se levantou, para ir atrás de Draco.
–Isso é verdade? – perguntou Damian.
–Nop. – respondeu dando de ombros – Eu só achei que não estava curtindo a tentativa dela de comer a sua orelha.
–Não estava. – concordou Damian sem retirar os olhos da tarefa – Eu estou de saco cheio. Ela não me larga...
Rasalas deu de ombros.
–Não magoe a Pansy... ela não está...
–Ela está muito estranha. É isso o que ela está. – resmungou Damian finalmente tirando os olhos do pergaminho – Parece que está criando tentáculos ao meu redor. Eu não posso falar com ninguém ou ir a lugar algum sem que ela tente vir junto. Credo.
Rasalas deu de ombros.
–Você se meteu nessa sozinho. – disse pegando seu livro de poções.
–Sim, eu sei. Mas juro que estou ficando sem paciência. Eu nem consigo estudar direito. Vou ficar sem fluidos!
–Fluidos? – riu Rasalas olhando mais uma vez pro amigo.
–Ela quer transar o tempo todo! O tempo todo. Eu acho que dei um mal jeito na coluna por causa dela. E parece que eu andei lutando com um lobisomem. Minhas costas estão todas desfiadas. – resmungou Damian voltando a ler seu pergaminho. Rasalas sentiu um frio lhe percorrer a espinha e suspirou, voltando a mirar seu exemplar de “Estudos avançados no preparo de poções”.
–Quem diria que um dia estaria reclamando por sexo demais... – murmurou nervoso.
–Pois é. A minha vida é uma bagunça. – resmungou Damian.
Draco apareceu com uma marca de chupão no pescoço e se sentou ao lado de Damian. Eles não trocaram uma palavra e Draco pegou o material de Runas para estudar. Logo Blair apareceu com Greg e Vince e todos ficaram estudando em silêncio por alguns minutos.
Mas então Draco deu uma risadinha.
–Sabe o que eu me lembrei agora? – perguntou ele.
–Não. – Respondeu Damian com uma veia pulsando na têmpora.
–Blair não correu pelado no ano passado.
Todos levantaram a cabeça, com sorrisinhos, inclusive Damian. Apenas Blair que não pareceu achar aquilo interessante.
–É verdade, Blair... você perdeu uma aposta. – riu Rasalas – Eu tinha me esquecido. Boa, Draco.
–Você ainda tem a sua câmera, Damian? – perguntou Draco. Os dois olharam um para o outro e os dois sorriram com malícia.
–Na verdade eu tenho. – riu Damian.
–Então... o Blair vai fazer isso agora? – perguntou Vince.
–Qualé, gente... vamos esquecer isso. – lamentou Blair.
–Não. – responderam Draco e Rasalas ao mesmo tempo.
–Não tem honra, Blair? Ajoelhou tem que rezar. – riu Vince.
–Ah, gente... – lamentou Blair escondendo o rosto.
–Galera! – riu Draco ficando de pé e chamando a atenção de todo mundo. Damian estava pegando a filmadora e começou a gravar Draco – No natal passado, nosso caro amigo Zabini perdeu uma aposta. Ele disse que correria pelado pelas masmorras! Está na hora dele pagar. – a Sonserina prorrompeu em aplausos e gritaria, enquanto Blair Zabini parecia cada vez menos negro e mais branco. – QUEM QUER VER OS DOCUMENTOS DO ZABINI? – perguntou Draco e um monte de gente riu ainda mais. Algumas garotas gritaram sonoros “eeeeeuu” – PARTIU MASMORRAS!
–Vai traumatizar todo mundo com esse basilisco ai. – riu Damian. Blair foi levantado por Vince e Greg e uma massa de alunos seguiram o grupo do sexto ano.
Ao chegarem num corredor comprido, mas vazio, Blair respirou fundo e olhou para a câmera.
–Ok. Espero que morram de inveja, porque eu sou lindo e sou completamente satisfeito com meu corpo. Eu sou gostoso, alto, forte e meu pau é grande e grosso. Então, foda-se.
Todo mundo aplaudiu e Blair tirou a camisa. Algumas garotas deram risadinhas histéricas e ele tirou o cinto, os sapatos, as meias e a calça. Quando ficou só de cueca, ele fez uma pose, como se exibisse.
–Isso é um absurdo! – riu Damian – Como ele pode estar tão seguro de si mesmo? – perguntou o colega.
–Não vejo problema. – riu Draco tirando a camisa. Mais um monte de gente gritou.
–Draco, o que você está fazendo? – escutou sua irmã perguntar, com um sorriso descrente.
–Tentando te seduzir. – riu ele tirando os sapatos, as meias e depois as calças. – Aposto que chego do outro lado primeiro e volto primeiro também.
–Eu vou entrar nessa. – riu Rasalas tirando a camisa. Escutou as garotas gritarem de alegria também e alguém gritou um “gostoso!” lá atrás.
–Por que todo mundo de repente quer ficar pelado? – perguntou Damian, chocado.
–Porque a vida é muito curta para não se aproveitar. – riu Rasalas. Já tinha usado seu dom de metamorfomago para que suas feridas sumissem. Até mesmo a mordida, apesar de ter ainda alguns pontinhos que ele nunca conseguia fazer desaparecer. Rasalas tirou as calças e Daphne olhou para Damian.
–Vai lá, Damian. O que está esperando?
–Eu não vou fazer isso.
–Vai sim! Vamos, Damian. Pela aventura. – riu Blair. Ele, Rasalas e Draco estavam apenas de cueca e todo mundo estava se borrando de rir.
Damian olhou para Alhena, que o encarou com um sorrisinho. Ele soltou um suspiro e entregou a câmera para Daphne, para em seguida tirar a camisa. Mais gente deu gritinhos histéricos. Damian tirou os sapatos e as meias. Depois coçou a testa, como se estivesse se perguntando como tinha acabado naquela enrascada. Ele olhou para Vince e Greg, que apenas negaram com a cabeça.
–De jeito nenhum.
–Nem pensar.
–Está com vergonha, Damian? – perguntou Draco parecendo muito a vontade, só de cueca boxer, preta. Damian e Rasalas estavam de cuecas normais. Damian soltou um muxoxo e tirou a calça também – Finalmente. Em suas marcas?
–Como vocês me convencem a fazer essas merdas? – perguntou Damian.
–Sei lá... você deve ser meio bobo. – riu Draco passando o dedo pela cueca, ameaçando tirá-la. As garotas riam escondendo as bocas – Vamos?
–No três. – riu Blair.
–Um. – contou Rasalas.
–Dois. – riu Draco.
–Três! – disse Blair.
Os quatro tiraram as cuecas ao mesmo tempo, as jogando sob suas calças. Todo mundo caiu na gargalhada. Draco estava vermelho, Damian parecia que iria passar mal. Blair parecia achar graça e Rasalas começava a pensar que não tinha sido a mais brilhante das ideias.
–CORRE! – gritou Blair, começando a correr. Rasalas começou a correr também, mas logo Draco o ultrapassou e ultrapassou Blair, dando uma gargalhada. Viu a bunda branca dele se distanciar, ainda com a marca de mordida de Astoria na nádega direita. Quando estava para chegar no final do corredor, o fantasma da Dama Cinzenta apareceu e deu um grito de susto. Os quatro gritaram em choque e correram de volta.
Draco ultrapassou todo mundo de novo e pegou suas roupas de uma vez, correndo de volta para o Salão Comunal. Rasalas pegou suas coisas, depois Blair e por último Damian. Saíram se vestindo dentro do Salão Comunal, morrendo de rir.
–Será que ela conta pro professor Snape? – perguntou Damian – Podemos ser expulsos por conta disso!
–Até parece. – riu Draco, com desdém – Isso foi divertido.
–Isso foi idiota! – resmungou Damian, completamente vermelho.
Rasalas estava colocando sua roupa, quando sentiu Daphne abraçá-lo por trás.
–Tome, Damian. Eu vou matar a mulherada de inveja agora e abusar do meu namorado um pouquinho. – disse a namorada devolvendo a câmera para o amigo.
–Oh... eu adoro quando ela abusa de mim... – disse derretido e se deixou guiar por ela.
–Ei, Lena, você quer abusar de mim? – perguntou Draco. Alhena sorriu.
–Claro, por que não? – disse ela abraçando o braço de Draco – Até mais tarde, Emília.
–Até. – riu Emília, que estava vermelha de tanto rir.
Damian olhou furioso para Draco e Alhena e quando Pansy passou perto dele, ele a pegou pela mão e a levou para o dormitório.
–Calma, querido. – riu ela, de maneira irritante, mas não hesitou em segui-lo. Rasalas olhou de soslaio para Daphne e os dois suspiraram ao mesmo tempo.
**
Rasalas pegou sua vassoura, seu uniforme, colocou o distintivo de capitão no peito e foi junto de Avery, Blair e Draco para o campo. Haviam umas vinte pessoas querendo entrar para o time lá. Todas parecendo um tanto empolgadas com o teste. Alhena estava ali, assim como Damian, ambos parecendo desconfortáveis.
Rasalas abraçou a irmã e depois cumprimentou Damian.
–Desde quando você joga quadribol? – perguntou Rasalas.
–Eu sou uma caixinha de surpresas. – riu Damian um tanto sem jeito.
–Vai fazer o teste para que? – perguntou Blair.
–Goleiro. – respondeu ele – É quem menos sai voando por ai, certo?
–Bem... sim... mas tem que ter excelentes reflexos. – riu Draco.
–Eu tenho excelentes reflexos. – disse Damian tirando uma mexa de cabelos da frente dos olhos.
–Ok. – riu Avery – Como vai ser, capitão?
Rasalas engoliu em seco e assoviou com dois dedos na boca, para chamar atenção. Os alunos o olharam e a muvuca diminuiu para um murmurinho.
–Então galera. Vamos começar com o teste mais básico. Subam em suas vassouras e voem ao redor do campo. Eu, Draco, Sebastian e Blair vamos dar notas pra vocês. – disse Rasalas.
Olhou para a irmã, que ainda parecia se perguntar o que raios fazia ali.
–Precisa de ajuda, Lena? – perguntou Damian subindo na própria vassoura.
A vassoura de Alhena estava no chão. Uma das Nimbus 2001 que o pai de Draco tinha doado para o time da Sonserina.
–Suba. – disse ela encarando Damian. A vassoura foi direto para a mão dela e ela montou tranquilamente – Acho que não. – riu ela ganhando altura. Rasalas e Draco deram uma risadinha. Damian soltou um muxoxo e a seguiu. Alhena olhou para baixo e pareceu levemente preocupada, mas quando Damian passou por ela, ela se recompôs e começou a voar em círculos, seguindo a turba.
–Corki está quase caindo da vassoura. – riu Avery – Dispensa ele.
–Mas Nott até que voa bem, olha lá. – riu Rasalas.
–Damian também, quem diria. – riu Blair – Acho que ele está querendo impressionar a Lena. Ela sempre gostou de quadribol.
–A Lena não é nada ruim. – disse Draco cruzando os braços – Acho que está no sangue, Rasalas.
Rasalas riu com orgulho.
–Ela teve que aprender a voar em Beauxbatons. – explicou ele – Quadribol era meio que obrigatório para todos os anos, só que era um esporte dentro de uma disciplina de exercícios.
–Palmas para Beauxbatons. – riu Draco.
Cinco minutos depois, quase metade dos candidatos estavam no chão. Avery e Draco voavam, avisando aqueles que reprovaram no teste.
–Ok, bando de inúteis. – riu Rasalas – O próximo teste é ver se tem agilidade. Peguem o Malfoy.
–O que? – perguntou Draco.
–E já está valendo. – riu Rasalas.
Draco mal teve tempo de subir em sua recém adquirida Firebolt. Uma dúzia de pessoas o perseguiam. Ele dava piruetas, descia de uma vez, subia de uma vez, mudava drasticamente de direção... Tiveram três tombos e uma desistência. Apenas nove candidatos.
Crabbe, Lestrange, Burke, Nott, Flint, Bolton, Rowle, Gold e Norton.
–Ok… candidatos a goleiro desse lado. Candidatos a artilheiro do outro.
Damian Burke, Michael Gold e Amélia Flint ficaram do lado do goleiro. Alhena, Theo Nott, Vincent Crabbe, Krieg Bolton, Lycan Rowle e Thomas Norton do lado do artilheiro.
–E agora? – perguntou Draco.
–Burke, Flint e Gold. Vocês vão tentar defender os gols de todos os artilheiros. Aquele que defender melhor está dentro e os dois que marcarem mais também.
–Garotas nunca tiveram espaço no time da Sonserina. – disse Gold, um garoto troncudo do quarto ano.
–Então você não tem muita chance, Goldie. – zombou Draco, fazendo o garoto corar – Vamos. Eu quero ver vocês usando esses bracinhos finos.
–Você sabe que é o mais magro do ano, não sabe? – perguntou Rasalas, sorrindo.
–Cale a boca, Lestrange. – riu Draco, sem se incomodar.
Alhena foi muito bem. Ela só errou o gol de Damian, que defendeu todas as goles. Nott foi tão bem quanto Alhena. Vince foi terrivelmente mal. Apesar de ser muito forte, não tinha absolutamente nenhuma mira.
Damian foi o melhor goleiro e logo Rasalas tinha seu time formado. Nott, Avery e Lestrange como artilheiros. Zabini e Lestrange como batedores. Burke como goleiro e Malfoy como apanhador. Muita gente reclamou por Alhena ter conseguido uma vaga e muita gente comentou que o time praticamente inteiro era do sexto ano e amigos do capitão. Mas Rasalas provaria um bom desempenho em campo e calaria a boca de todos eles.
A taça de quadribol vai ser minha. Pensou sorrindo, olhando seu recém escalado time voar ao seu lado.
***
Seria sua primeira noite de lua cheia. Estava abraçado com Daphne, em sua cama. O corpo suado e a respiração ofegante. Mas um silêncio cheio de pesar parecia nublar o maravilhoso sexo que tiveram.
Sentiu Daphne se aconchegar nele e ele a puxou mais para perto, para beijá-la. Daphne se sentou em cima dele, na altura dos quadris e Rasalas deu um sorrisinho.
–Mais uma? – perguntou ele. Ela riu travessa e se curvou para abraçá-lo.
–Vou sentir sua falta. – murmurou ela. Rasalas a abraçou de volta e suspirou.
–Estou com medo. – confessou. Daphne engoliu em seco e apoiou as mãos no travesseiro dele, deixando a cabeça dele entre seus braços – E seu cortar o meu rosto? Não consigo disfarçar os ferimentos por muito tempo... – ele engoliu em seco – São feridas feitas por magia negra... algumas cicatrizes nunca saem...
–Não pense nisso. – sussurrou ela.
–Minha mãe foi atacada quando era mais nova... pelo meu tio. – murmurou Rasalas – Ele a cortou inteira... Mesmo sendo metamorfomaga, ela nunca conseguiu tirar as cicatrizes... – ele engoliu em seco – Ela disse que sempre tentou... mas nunca conseguiu...
–Você é mais forte que sua mãe, Ras. – disse Daphne com muito carinho – E mesmo que não seja o suficiente, eu não ligo para as suas cicatrizes. – ela se deitou sobre ele e apoiou os cotovelos no travesseiro. A abraçou carinhosamente e suspirou – Eu nunca vou ligar... eu vou amar cada uma delas, porque elas vão ser símbolo da sua nobreza e coragem...
–Eu não fui corajoso quando eu encontrei o lobisomem... – murmurou falando sobre aquilo pela primeira vez – Eu implorei pra que me afastassem dele... – ele engoliu em seco. Daphne o olhou com afeto e ele respirou fundo – Eu disse que faria qualquer coisa... eu... eu me mijei todo. – adicionou se sentindo um pateta.
–Ras... quem faria diferente no seu lugar? – perguntou Daphne o acariciando nos cabelos – Não se preocupe com isso. Damian me contou como você segurou os comensais para permitir que sua irmã saísse de lá e ele me contou como você tentou proteger Astoria... você é a pessoa mais corajosa que eu conheço. Mais corajoso que qualquer um daqueles Grifinória sem cérebro. – riu ela com orgulho. Ele desviou o olhar sem acreditar naquilo.
–Avery... foi culpa minha ele ter feito o que fez. – murmurou Rasalas. Daphne o olhou curiosa.
–Não foi...
–Foi sim. – cortou ele. – Ele quis... ele quis me... – sentiu o maxilar ficar tenso. Rangeu os dentes, desgostoso – Ele quis me estuprar...
–O que? – perguntou Daphne, horrorizada.
–Ele quis... mas eu sacaneei ele... – Rasalas a olhou novamente – Eu fiz... bem... eu não deixei um buraco pra ele violar.
Daphne não conseguiu não rir.
–Ele deve ter ficado muito surpreso. – riu ela.
–É... eu me achei a mais esperta das pessoas, mas... – engoliu em seco – Eu fiquei olhando com escárnio pra ele... me achando superior...
–Você faz muito isso...
–Fazia. – corrigiu ele – Eu nunca mais vou fazer isso de novo... eu nunca mais vou ser daquele jeito insolente de novo... – Rasalas desviou o olhar e suspirou – Ele me quebrou feio, Daphne... eu não consigo dormir sozinho... eu tenho ataques de pânico o tempo todo... às vezes, quando estou distraído e me olho no espelho, eu vejo aquele monstro... eu... eu...
Sentiu o dedo indicador da namorada em seus lábios. Ela o beijou de novo e o abraçou.
–Não precisa dormir sozinho. Eu durmo com você... e te protejo dos pesadelos...
–Minha mãe tomava poções pra não sonhar quando ela tinha a minha idade... por... por causa do trauma... você sabe... por ter encontrado a família morta... – ele suspirou – Ela está me mandando essas poções pra mim, pra eu conseguir dormir... – Rasalas se sentou e Daphne se sentou ao seu lado – Eu entendo agora... o motivo de Remus ter demorado tanto para... para se entregar pra alguém, sabe? – ele mirou para a namorada, que ainda o olhava com ternura – Eu penso em terminar com você todos os dias... só não faço isso porque sou egoísta...
–Egoísta? – perguntou ela sorrindo – Como me fazer feliz todos os dias pode ser egoísmo?
–Eu não me... não me acho digno... – murmurou ele tocando a cicatriz onde Grayback o tinha mordido – Você... você é elite... eu sou um pária... meu sobrenome já está em desgraça... agora eu sou... um monstro... eu não mereço você, Daph... – murmurou a olhando – Mas eu não sei como conseguiria sobreviver sem você... por isso eu sou egoísta... – Ele suspirou – Todos mudaram à minha volta... eu não tenho mais paciência com as coisas, porque tudo me parece superficial. Greg e Vince me olham com nojo e eu tenho certeza que eles sabem sobre a minha situação. Draco sabe também... ele não sabe como agir, na verdade. Algumas vezes ele me ignora, outras não... mas eu acho que ele faz isso por Alhena. E Alhena... – respirou fundo e sentiu Daphne se aproximar mais.
–O que tem Alhena? – perguntou Daphne.
–Ela mudou também... – murmurou ele – Ela parece tão preocupada... tão fissurada em ficar mais forte... ela está entrando em colapso... eu não sei se é por minha causa... se ela se sente culpada por eu ter ficado pra trás pra protegê-la... eu não sei o que está acontecendo com ela... ela está tão... tão distante... – Rasalas olhou para Daphne – Avery disse que tentou estuprar a minha irmã... acho que foi por isso que meu pai a devolveu.
–Por que não conversa com ela?
–Eu não sei como fazer isso... – murmurou – Nós ficamos muito distantes, desde que ela foi pra Beauxbatons... – Rasalas soltou um longo suspiro – Acho que minha irmã morreu naquela escola e outra pessoa voltou no lugar dela... eu só reconheço Alhena quando ela está um caco...
–Parece que ela está representando o tempo todo, não parece? – perguntou Daphne – Alhena está passando por um momento difícil também... – murmurou a namorada, abraçando os próprios joelhos. Seus cabelos caíam por seus ombros e costas de maneira desgrenhada – Ela... ela está prevendo a morte das pessoas... isso está acabando com ela. – Daphne soltou um suspiro – Ela previu o que iria acontecer com você... eu estava lá quando ela previu, foi assustador... mas ela achou que seria com ela... – Rasalas piscou, chocado – Ela entrou em pânico e a ferida apareceu na perna dela... foi muito bizarro... – murmurou Daphne – Ela deve estar se sentindo culpada... por não conseguir te proteger... e ela está preocupada por ver o destino das pessoas... por ver tantas coisas ruins que a gente só pode imaginar... e se sentir inútil, por não ter absolutamente nada que ela possa fazer...
–Se a Alhena não for forte, ela vai enlouquecer... – murmurou Rasalas.
–Vai mesmo... – murmurou Daphne – Mas não se preocupe. – ela sorriu e sentou em seu colo. Sentiu a namorada rebolar devagarzinho e sentiu o corpo todo responder a aquilo, ficando excitado novamente – Eu estou aqui para cuidar dos irmãos Lestrange... – riu ela em seu ouvido.
–Estou mais tranquilo agora. – disse a jogando na cama. Daphne riu alegremente e ele a puxou com força contra si. Arrancou um gemido dela de prazer quando entrou e a beijou com volúpia – Daph...
–O que? – perguntou ela com um sorriso no rosto.
–Fica de quatro pra mim. – pediu ele.
Daphne lhe lançou um olhar muito safado, que o arrepiou inteiro. Ela se virou e empinou a bunda. Ela mordiscou o próprio lábio, olhando para trás e colocou as mãos nas nádegas, lhe dando uma visão deliciosa dela.
–Vem, Ras...
A puxou pelo quadril e a penetrou com vigor. Começou a empurrá-la com os quadris, amando cada gemido dela. Nunca tinha transado naquela posição. Era ótimo, mas tinha um porém... Ficava olhando a bunda dela, completamente tentado a experimentar coisas novas. Era uma visão maravilhosa, ver a bunda de Daphne batendo contra si... mas aquele buraquinho apertado parecia simplesmente convidativo.
–Daphne... – murmurou. Daphne gemeu gostosamente. A puxou pelos cabelos e se curvou sobre ela – Eu quero algo novo.
–O que?
–Eu quero isso... – murmurou tocando de leve a bunda dela.
–Anal? – perguntou ela – Mas... mas dói muito, não dói? – perguntou ela fazendo biquinho.
–Deixa vai? Eu vou devagarzinho... – murmurou entrando mais nela e a fazendo gemer.
–Se eu pedir pra parar, você para? – perguntou ela.
–Paro. – respondeu entusiasmado.
Daphne pareceu ponderar por uns segundos. Ela parecia um tanto preocupada.
–Ok... mas vai com carinho... eu nunca fiz isso... – pediu ela.
–Ok! – disse animado, se posicionando. Colocou os dedos na intimidade dela, para se lubrificar. Então colocou o dedo em seu mais novo objetivo. Daphne se arrepiou toda.
–Rasalas...
–O que? – perguntou abrindo a bunda dela ao máximo, achando aquilo simplesmente excitante.
–Você pode... ficar mais fino? – pediu ela – No início, ao menos... pra entrar mais fácil?
–Hum... eu posso tentar... – murmurou achando graça. Respirou fundo, mudando de forma e se posicionando de novo – Pronta?
–Eu não sei... – murmurou Daphne, parecendo preocupada. Ela abraçou o travesseiro e ele entrou no buraco da frente algumas vezes, para se molhar mais um pouco. Então forçou o de trás. Daphne gemeu de dor e ele foi entrando lentamente – Calma! – pediu ela – Calma...
–Estou perfeitamente calmo. – riu ele. Daphne deu uma risada sarcástica e abriu mais as pernas, empinando mais a bunda.
–Vai... mas devagar!
–Muito devagar... – murmurou tentando entrar mais um pouco – Tenta relaxar.
–Não dá pra... hum... – ela soltou mais um gemidinho – relaxar...
Rasalas estava todo arrepiado. Forçou mais um pouco e quando a cabeça finalmente entrou, tudo entrou mais facilmente. Daphne soltou outro gemido de dor, mas ele estava muito ocupado, flutuando nas nuvens para se preocupar. Se moveu lentamente, achando aquilo simplesmente erótico, proibido.
–Oh... Daph...
–Vai com calma! – choramingou ela – Isso dói muito!
–Quer que eu pare? – perguntou desesperado para que ela aceitasse continuar.
–Faz mais um pouco... pra acostumar... pra eu me acostumar com o tamanho...
–Eu posso ficar normal? – perguntou se movendo dentro dela.
–Não! Por Merlin, não. – lamentou ela.
Rasalas precisou se conter muito. Ele sempre gostara de fazer um sexo mais bruto do que carinhoso. Mas respeitava que Daphne estava fazendo um grande esforço por ele. Apenas quando os gemidos dela deixaram de ser de dor, que voltou ao tamanho normal.
–Oh... isso... – murmurou ela. A excitação dela era tanta que as coxas dela estavam escorrendo de maneira deliciosa.
Acelerou o ritmo e deu uns tapinhas nela. Daphne gostava de tapinhas.
–Céus... isso é tão bom... – murmurou extasiado. A segurou com muita força no quadril e a puxou de uma vez. Daquele jeito que gostava. E quando Daphne soltou um gemidinho de dor, ele achou ainda mais excitante – Quer que eu pare? – perguntou desejando mais e mais.
–Não. Não pare, Rasalas... – murmurou ela – Dói... mas é bom... – murmurou ela.
–É ótimo. – rosnou cravando as unhas nela. Algo selvagem dentro dele querendo dominar sua mente. A puxou com mais força, as estocadas cada vez mais rudes.
–Ras... calma... calma...
Mas sua cabeça estava alucinada. Se curvou sobre ela e a mordeu com força nas costas. Se sentia um bicho. Uma coisa completamente fora do comum. A possuiu com força, a puxando contra si, sem conseguir não rosnar. Era delicioso. Mesmo os gemidos de dor dela eram deliciosos...
–Ras... por favor... tá me machucado! – chorou Daphne. O que estou fazendo?
Engoliu em seco e a empurrou com força, respirando fundo. Daphne se virou na cama e o olhou. Viu medo no olhar dela e ela se encolheu, se afastando dele. Saiu da cama, furioso consigo mesmo e foi correndo para o banheiro, escondendo o rosto com a mão. Se enfiou num boxe e gritou angustiado, querendo voltar ao normal, mas não conseguia. Sentia gosto de sangue na boca, mas parecia simplesmente delicioso. Se jogou no chão, desesperado, olhando para as próprias mãos. As unhas estavam maiores, afiadas. Se perguntou se já estaria se transformando. Olhou seu relógio e viu que ainda eram cinco da tarde. Tinha mais três horas para se transformar.
Então por que se sentia daquele jeito?
Daphne apareceu com a camisa dele. Ela o olhou preocupada e ele a olhou morrendo de medo.
–Está tudo bem? – perguntou ela.
–Me perdoe, Daph... eu... eu perdi o controle... eu te machuquei... – lamentou ele.
Daphne soltou um suspiro e tirou a camisa, a jogando num banquinho. Depois ela trancou o boxe e ligou o chuveiro. Ficou sentado no chão, completamente envergonhado.
–Está tudo bem. – murmurou ela se sentando ao seu lado, só de calcinha.
–Eu sou um monstro... – sussurrou infeliz – Eu sinto muito, me perdoe.
–Está tudo bem... está tudo bem... – riu ela o afagando com carinho – Nós estamos bem. Eu não estou chateada. Você me assustou porque ficou diferente, mas está tudo bem... eu vou me acostumar e...
–Eu não tenho que fazer você se acostumar. Você merece algo melhor do que isso, Daph...
–Ei. – ela o fez virar o rosto para encará-la – Eu não desisti de você. Não desista de mim, ok? – perguntou ela.
Rasalas fungou e concordou a abraçando.
–Obrigado... muito obrigado. – choramingou no ombro dela.
–Está tudo bem, Ras... está tudo bem. – sussurrou ela o afagando com carinho.
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