Legado Lestrange
31 A Ira de Rabastan
Notas iniciais

1996
Travessa do Tranco
Rabastan arrumou melhor o capuz. Tinha modificado alguns detalhes de seu rosto com transfiguração, mas não era metamorfomago como Emily ou Rasalas. Por isso ainda era completamente reconhecível. Caminhou pelas estradas desertas, a varinha em sua mão, sempre olhando para os lados, completamente atento.
Seu coração estava pesado. Sua mente estava uma confusão. Se sentia completamente perdido...
Tivera esperanças de que o mestre fosse entender seus motivos... os motivos por ter levado Alhena embora. Achou que ele castigaria Avery, pela ofensa... mas Avery ficou impune, enquanto ele sofreu com a ira do Lorde das Trevas. Teria sido morto se Rodolfo não implorasse por sua vida.
Ainda teve que passar por isso... ser salvo pelo irmão.
Estava tão cheio de sentimentos conflitantes. Amor, ódio, gratidão, ressentimento, alívio, saudade... queria abraçar Alhena mais uma vez, queria se entender com Rasalas, queria beijar Emily, queria perdoar o irmão, mas queria matá-lo igualmente...
Bellatrix estava parecendo quase triste, sentindo falta de Alhena. A cunhada passava a maior parte do dia mexendo com as coisas de Alhena, que ele não tinha mandado de volta. Bella tinha se afeiçoado a Alhena e a recíproca era verdadeira...
Mas Rodolfo achava que Alhena era um estorvo. Ela fora útil em muitas coisas, mas enquanto ela não se declarasse completamente a favor da causa, se permitindo marcar, ele não confiaria nela.
Entrou em uma rua, olhando para os lados. Ninguém o seguia. O Bloody Mary era logo a frente.
Parou por um momento, se perguntando se deveria mesmo fazer aquilo. Conseguiria viver consigo mesmo se o fizesse?
—Conseguirei se não o fizer? – perguntou pra si mesmo. Respirou fundo e voltou a andar.
A taverna estava vazia. Foi até a recepção e mostrou o papel que recebera. O atendente olhou os números e o chamou com a mão. Ele não tinha língua, aquele homem, pois tinha sido denunciado por revelar segredos desagradáveis da clientela. Affairs, esquemas, fofocas, vícios, fetiches...
Por isso não estranhou que o homem não dissesse uma palavra que fosse. O seguiu, escadaria acima e quando ele bateu numa porta e se retirou, respirou fundo. Girou a maçaneta e entrou.
Uma mulher ruiva estava lá, completamente desconhecida. Por um momento se perguntou se tinha errado de quarto. Fechou a porta e tirou o capuz e o cachecol.
—Emms?
A mulher moveu a cabeça. Seus cabelos ruivos ficaram num tom castanho muito sem graça. Emily parecia um caco, mas ainda assim suspirou contente por vê-la.
—Olá, Rabastan. – murmurou ela secamente.
—Devo esperar pelos aurores? – perguntou sem evitar de sorrir por vê-la.
—Deveria. – rosnou ela indo até ele com a varinha em punho. Arqueou a sobrancelha – Crucio!
Teve um segundo para se assustar, mas em seguida caiu no chão, gritando de dor, completamente confuso. Mas a azaração não durou. Escutou Emily arfar e a olhou sem entender.
—Por que?
—CALE A BOCA! – rosnou ela – Crucio! – mas a dor foi meramente irritante – Crucio! Crucio! – chorou ela.
Não conseguia se levantar, mas olhou para cima, sentindo dor.
—O que aconteceu? Por que...?
—Por que? POR QUE? – perguntou ela jogando a varinha no chão e o chutando no rosto. Doeu mais que a azaração. Sentiu seu nariz quebrar e ficou furioso. Segurou o próprio rosto e quando Emily tentou chutá-lo novamente, a segurou. Ela perdeu o equilíbrio e caiu no chão, com estrépito.
Engatinhou para cima dela, a segurando nos pulsos.
—O que é isso? – rosnou, furioso.
—Rasalas! – rosnou ela ficando com os cabelos vermelho – Você me prometeu que eles estariam seguros, Rabastan! Você me prometeu! – rosnou ela.
Sentiu um aperto no peito e a soltou. Cambaleou para trás, sentindo os joelhos tremerem. Lembrou do filho duelando com Rodolfo. Lembrou de tê-lo estuporado, para que não se metesse em problemas...
—O que fizeram com o nosso filho? – perguntou desesperado.
—Vai me dizer que não sabe? – perguntou ela furiosa. Escorregou para o chão, chocado e negou com a cabeça.
—Ele está vivo? Por favor... diz que nosso filho está vivo! – pediu desesperado.
—Ele está vivo... – rosnou Emily. Ele soltou um suspiro cheio de alívio. O peito doía horrivelmente – Conhece Avery?
Rabastan sentiu uma onda de fúria subir por seu peito. Lembrou da cara de choro de Alhena, quando quase fora estuprada por aquele traste.
—O que ele fez? – rosnou enfurecido.
—Ele jogou Rasalas para Grayback. – respondeu Emily – Na lua cheia.
Estava de volta em Azkaban, onde tudo era frio, cinza e desesperador. Era ver a casa de Emily destruída. Era imaginar Rodolfo a estuprando. Era se imaginar não chegando a tempo para salvar Alhena... Era ficar preso quatorze anos novamente.
Não conseguiu nem ficar zangado.
—Não... – murmurou perdido – Não... não... não... – estava sonhando... era um pesadelo. Tentou se levantar, mas as pernas não responderam. Olhou desesperado para Emily – Não... ele não fez isso... não fez.
—Ele fez. – rosnou Emily – Rasalas quase morreu... mas – ela fechou os olhos parecendo simplesmente lívida – infelizmente meu filhinho sobreviveu. E você sabe como vai ser a vida dele daqui pra frente.
Rabastan puxou os cabelos com força. Sua respiração ficou fora de compasso. Lembrou de cada momento com o filho. Dos abraços carinhosos, dos sorrisos sapecas... até quando ele foi virando um homem deixando de ser um garoto. O quanto ele era corajoso, tentando salvar a amiga, naquela festa...
Apertou o próprio peito e se encolheu chorando de desespero. Um lobisomem... seu filho... seu precioso filhinho... ele tinha virado um lobisomem. Gritou cheio de angústia e olhou para Emily novamente, mas ela não se comoveu. Ela o olhava tão friamente que parecia estar encarando os dementadores.
—Nosso... nosso filho... – lamentou.
—Meu filho. Meu! MEU! – rosnou ela. – Você não é pai dele! Ele não tem pai! Não tem! – rosnou ela – Você estava lá! Você estava lá, ocupado demais, sequestrando a filha adolescente da minha melhor amiga, para torturá-la por capricho do Lorde das Trevas! Tão ocupado que não viu aquele MONSTRO pegando nosso filho e o levando para a boca do lobo!
—Emms... eu... eu não tinha ideia...
—CALE ESSA BOCA! – rosnou ela mais furiosa do que nunca antes. Lembrava de quando tinham terminado, quando estavam no sétimo ano... lembrava de quando ela descobrira que ele era um comensal... mas ela nunca ficara, nem de perto, tão furiosa como estava agora – Seu cretino! Eu confiei em você! Eu confiei! – ela o chutou na perna e ele nem se deu ao trabalho de tentar se defender – Eu cuidei de você, não te entreguei! Te contei toda a verdade... céus... a gente transou de novo. Eu disse que te amava! E você sequestra a MINHA filha, a coloca pra trabalhar para aquele monstro que você chama de Lorde! Alhena está completamente fora de si POR SUA CAUSA!
—O que aconteceu com a Lena? – perguntou ele sentindo-se ainda mais num abismo gelado – O que aconteceu com ela?
—E então... – Emily fingiu que ele não tinha perguntado – Você invade a festa da namorada do MEU filho...
—NOSSO FILHO!
—MEU! MEU FILHO! – rosnou ela, os cabelos ficando mais vermelhos do que nunca – Você sequestra a cunhada dele e permite que um dos seus amiguinhos...
—AVERY NÃO É...
—...sequestre o MEU filho.
—RASALAS É MEU FILHO! – gritou ficando de pé – NOSSO! NOSSO FILHO!
—ONDE VOCÊ ESTEVE NESSES ÚLTIMOS ANOS, HEIM? – gritou ela furiosa, fazendo as luzes tremeluzirem – ESTAVA ENFIADO NUM BURACO, POR SER UM CARNICEIRO! QUE TIPO DE PAI VOCÊ ACHA QUE É? HEIM? – perguntou ela o empurrando com força – COM QUE DIREITO VOCÊ SE SENTE DE GRITAR QUE ELE É NOSSO FILHO? RASALAS NÃO É NADA COMO VOCÊ! ELE NÃO É! MEU FILHO É UM GAROTO CORAJOSO, NOBRE! – ela arfou e as lágrimas começaram a descer pelo rosto dela – ELE ESTAVA APAIXONADO, NAMORANDO UMA GAROTA MARAVILHOSA! TUDO O QUE QUALQUER UM, POR MAIS IMBECIL E PRECONCEITUOSO QUE FOSSE, PODERIA EXIGIR DELE! ELE PASSOU EM TODOS OS N.O.M.S! ELE É CAPITÃO DO TIME DE QUADRIBOL! ELE ESTAVA VIVENDO O MELHOR MOMENTO DA VIDA DELE! – Emily o empurrou de novo e Rabastan se sentiu simplesmente pequeno – MAS SEU AMIGO O TRANSFORMOU EM UM MONSTRO! ELE TIROU TODA A ALEGRIA, TODA A CHAMA QUE RASALAS TINHA DENTRO DE SI E CORROMPEU! – Emily respirou fundo e Rabastan fechou o punho morrendo de ódio – Rasalas não consegue dormir. Ele acorda gritando todas as noites. Ele não consegue se olhar no espelho! – rosnou ela – Ele tem ataques de pânico. Ele chora quando acha que ninguém está vendo. Ele só tem malditos dezesseis anos! Dezesseis! E seu amiguinho tirou a infância dele e a jogou no lixo. Porque Rasalas nunca mais vai poder ser jovem. Ele nunca mais vai poder se dar ao luxo de se descuidar, de viver intensamente. Porque agora ele é um lobisomem, Rabastan! UM MALDITO LOBISOMEM! – ela o empurrou de novo e ele caiu sentado na cama, sem forças para ficar de pé – Eu nunca vou te perdoar por isso. Nunca, ouviu? Nunca!
Rabastan fechou os olhos, querendo chorar.
—Onde ele está?
—Está com Lupin. – respondeu ela, friamente. Rabastan levantou o olhar para ela.
—Lupin? Por que raios ele está com Lupin? – perguntou fechando a cara.
—Porque Remus vai ajudá-lo a passar pela primeira lua cheia, afinal... – Emily lhe lançou o mais perverso sorriso que ele já tinha visto ela usar – Remus é a maior figura paterna que ele tem.
Rabastan sentiu uma onda de fúria percorrer todo seu corpo. Ele se levantou e a segurou pelo pulso com tanta força, que a mão tremia.
—Eu sou o pai dele! O que Lupin fez para você vir me dizer que...
—Ele esteve presente! – devolveu ela – Ele esteve presente! Ele aconselhou. Ele confortou. Ele elogiou. Ele esteve lá, Rabastan. E você?
—O que queria que eu fizesse? Eu estava preso e você esperou doze anos pra me apresentar pra ele.
—Eu deveria nunca ter apresentado! – rosnou ela – Eu deveria ter saído do país. Eu deveria nunca ter desistido de Remus. Remus seria um pai muito melhor que você!
—CALE ESSA BOCA! – rosnou magoado e enfurecido. Emily não poderia ter escolhido coisa melhor para feri-lo. – Não ouse falar isso! – rosnou furioso. Emily tentou se livrar do aperto dele, mas ele não a soltou e não se importou se a estava machucando – Não venha me dizer que...
—Que o que? – perguntou ela – Que Remus era melhor que você? Pois eu digo sim! Ele é melhor que você. Sempre foi! Eu nunca deveria ter desistido dele por sua causa. Você foi o maior erro que eu cometi na minha vida. Me solte!
Sentiu vontade de socá-la. De sacar a varinha e machucá-la. Mas sabia que nenhuma maldição cruciatus a machucaria tanto quanto ela o tinha machucado naqueles últimos minutos. Por isso não a soltou. A empurrou contra a parede, furioso, mas Emily não desviou o olhar. Ela estava furiosa demais para sentir medo dele.
—Quer falar sobre erros, Valentine? – perguntou ele, num sibilo tão baixinho, que quase não ouviu a própria voz.
—Experimente. – ela respondeu de volta – Vai falar que eu fui um erro também? Não me faça rir. Eu nunca fui mais do que uma foda pra você.
A fez virar de costas, furioso, frustrado, magoado. A empurrou contra a parede com tanta força, que tinha certeza que a estava machucando.
—Quer ser só uma foda, Valentine? Fala isso de novo, pra você ver! – rosnou lívido.
—Vai em frente. – desafiou Emily – Vai me bater, me mandar olhar pra você enquanto você faz isso? E depois? Vai me fatiar inteira? Faça isso. Faça igualzinho a seu irmão. Não é isso que você sempre quis ser? Um monstro igual a ele? – perguntou ela.
Rabastan a soltou de uma vez, chocado consigo mesmo. Emily se virou, ainda colada a parede. Os dois trocaram um olhar, ele chocado e ela com nojo.
—Eu... eu não sei... o que deu em mim... – murmurou ele – Eu te machuquei?
—Muitas vezes, Lestrange! – rosnou ela – Me pergunto se um dia vai parar... acho que só quando eu morrer mesmo. – adicionou ela. Ela apertou o próprio pulso e ele notou que estava roxo onde ele a tinha apertado.
Soltou um muxoxo e caminhou até ela, sacando a varinha.
—Eu perdi o controle... – resmungou com intenção de tirar o roxo, mas ela o empurrou.
—Não toque em mim. Não se aproxime de mim. – rosnou ela – Eu não confio em você. Você não tem palavra...
—Eu tentei proteger Rasalas. Eu o estuporei para que ele...
—Não se metesse? – sibilou ela – Realmente. Que paizão é você.
—Pelo amor de Merlin. Pare com isso! – pediu desesperado, sentindo-se pior do que lixo – Qual o seu problema? O que você quer de mim, heim? – perguntou sentindo os olhos cheios de água – Como você acha que eu estou me sentindo? Heim?
—Eu não dou a mínima pra como você está se sentindo! – rosnou ela – Quer saber como EU estou me sentindo? Você acabou de ameaçar me estuprar. Me deixou na mesma posição que seu irmão fez quando contou que ele quem tinha matado a minha família. Fui eu quem deixou você ir embora. Eu não entreguei você. Eu cuidei da sua mão. Eu me abri pra você... eu deveria ter matado você naquele dia. Eu deveria ter passado uma faca na sua garganta. Era isso que eu deveria ter feito. Quem sabe eu teria protegido meus filhos de você e da sua preciosa causa.
—NOSSOS FILHOS! – gritou com as lágrimas escorrendo por seus olhos – São nossos filhos. Pare de falar desse jeito! Eu sou o pai deles! Eu fiz de tudo para ajudar Alhena. Eu fiz ela recuperar a saúde. Eu a ajudei a ficar mais forte e a confiar em si mesma. Eu fiz o meu melhor por ela e quando eu achei que ela não estava segura comigo, eu a mandei de volta, sã e salva, pra você! – Disse com o rosto contorcido pelo choro, com um nó enorme na garganta e um aperto terrível no peito – Céus, Emily... – ele se jogou na cama – Céus, Emily... eu... eu não aguento mais... eu não aguento mais...
—Você não aguenta mais? – riu ela com escárnio – Não me faça rir! Você se meteu nesse buraco por escolha própria. Eu espero que se sinta bem culpado. Que nunca mais consiga pregar o olho. Que a culpa te consuma... que seja uma faca nas suas costelas, pra sempre! É isso o que eu desejo pra você, Lestrange. Porque meu filho virou um lobisomem e a culpa é sua. Minha filha está vendo a morte das pessoas e a culpa é sua...
—O que? – perguntou sem entender – Alhena o que?
—Alhena começou a ver presságios de morte. Quanto tempo vai durar até ela ver a própria? Tudo porque você quis usá-la como ferramenta daquele homem perverso!
—Ela te disse isso? – perguntou ele sentindo-se ainda pior.
—Não. Ela não falou um “a” que fosse para te prejudicar! Mas eu não sou idiota. Eu sei muito bem o que vocês queriam com ela. Ela aprendeu magias avançadíssimas em seis meses. Que tipo de treinamento insano vocês forçaram ela...
—Ela fez por iniciativa própria. – cortou ele.
—Ah, claro. Porque Alhena...
—Queria salvar Rasalas. – cortou Rabastan. Emily piscou e o olhou confusa.
—O que?
—Ela viu a morte de Rasalas. – explicou lentamente – Ela queria ficar mais forte, pra tentar impedir. Ela quis se infiltrar, porque ela viu um comensal matando Rasalas... ela queria matá-lo antes, para salvar o NOSSO filho.
—Alhena viu Rasalas ser morto? – perguntou Emily ficando tonta e perdendo a pouca cor. Correu até ela para impedir que ela caísse no chão. Ela parecia ter perdido completamente o equilíbrio. Tinha entrado em choque. A pegou no colo e a colocou sentada na cama. Ela parecia prestes a ter um ataque de pânico.
—Calma. Calma... eu dei um jeito nisso. – explicou Rabastan.
—AH... você deu? – perguntou ela, com escárnio. Segurou a vontade de esganá-la mais uma vez.
—Sim. Eu dei.
—E como seria?
—Ela viu Rasalas morrer em uma grande batalha. Na escola. Eu disse que ela só precisava impedi-lo de lutar. Que o estuporasse pelas costas e o levasse embora.
Emily respirou fundo, se levantando e andando para longe dele. Ela parecia enojada com o toque dele e isso o magoou também.
—Essas coisas não funcionam assim, Rabastan... eu... eu preciso falar com Dumbledore...
—Dumbledore? O que aquele velho caduco... – começou a dizer, com pouco caso, mas Emily virou para ele de uma vez.
—Ele pode fazer muito mais que você! – rosnou ela. A olhou zangado, mas ela não se intimidou. Ela parecia a mesma garota do colégio... mas furiosa com ele. Sem medo de encará-lo... mas cheia de desgosto... – Você pode continuar com esses seus hábitos. Eu vou fazer algo de verdade por meus filhos. – disse ela indo até a varinha, que ainda estava no chão.
—Eu... eu vou dar um jeito em Avery.
—Assim como deu em Rodolfo? – perguntou Emily acidamente – Estou tão aliviada.
Se levantou de uma vez. Emily apontou a varinha, mas ele a desarmou antes que ela pudesse reagir. Se aproximou dela de uma vez e enfiou a mão por baixo da blusa dela, a tocando na barriga, sentindo o relevo das cicatrizes que Rodolfo tinha deixado.
—Eu vou me vingar pelo que Rodolfo fez. Mas não é simples assim. Mas com Avery... com ele é sim, bem simples. – a empurrou contra a parede, ainda com a mão na barriga dela – Avery não é meu irmão. Eu nunca gostei dele e ele vai pagar pelo o que ele fez com Rasalas e pelo que tentou fazer com Alhena.
—O que ele tentou fazer...
—Ele quase a estuprou. – respondeu de uma vez. Emily o olhou em choque – Eu cheguei no momento e torturei o filho da puta... só parei quando Alhena me pediu pra parar... porque se dependesse de mim, ele ficaria pior que os traidores de sangue dos Longbottom...
Sentiu o tapa em seu rosto ensanguentado. Olhou surpreso para Emily e viu que ela o olhava mais uma vez enfurecida.
—Nunca mais... – sibilou ela com a voz tremida – Fale um “a” que seja... sobre os Longbottom. – ela colocou o dedo em seu rosto e ele tremia pela raiva dela – Frank era um dos meus melhores amigos. E vocês o torturaram até que ele não fosse capaz de reconhecer a própria mãe ou o próprio filho... não OUSE falar sobre ele. Frank era melhor do que eu e você... e que qualquer um. Você entendeu?
Rabastan engoliu em seco e soltou um suspiro, concordando.
—Eu entendi. Mas eu não torturei os Longbottom. Rodolfo e Bella torturaram... eu salvei o filho deles.
—Eu não dou a mínima. – rosnou Emily – Você estava lá. Você viu! E não fez nada. Você assistiu. Você simplesmente assistiu... – rosnou ela – Nunca mais abra a boca para falar de Frank e Alice.
Desviou o olhar e concordou. Mas depois voltou a olhar para ela. Os cabelos dela estavam vermelhos pela raiva. O rosto dela estava duro, furioso.
—Emms...
—É Valentine pra você. – rosnou ela.
—Eu vou consertar as coisas... – murmurou ele. Emily o olhou furiosa.
—Vai fazer o que? Descobrir a cura pra Rasalas?
—Eu vou trazer Avery. E eu vou... fazê-lo pagar... – rosnou Rabastan.
—Isso não vai melhorar a situação de Rasalas. – disse Emily cruzando os braços.
—Não... não vai. – concordou ele – Mas não é só isso que eu vou fazer. – murmurou Rabastan. Emily o olhou com a sobrancelha arqueada, em descrença.
—E o que você vai fazer?
Ele engoliu em seco. Se sentou na cama e tirou a foto que Alhena tinha lhe dado há muitos anos atrás. Ela, Emily e Rasalas, sorridentes. Os dois filhos tão jovens e inocentes... suspirou olhando aquela foto.
Engoliu em seco.
Levantou o olhar para Emily e a olhou nos olhos.
—Eu vou falar com Dumbledore. – murmurou Rabastan – Eu vou trair o Lorde.
Emily sacudiu a cabeça.
—Eu não acredito em você. – riu ela com escárnio.
—Você não precisa. – disse calmamente – Eu já vou.
Ela o olhou, mas não disse nada. Soltou um suspiro e foi em direção à porta.
—Rabastan. – ele se virou e a olhou. Emily tinha o olhar muito sombrio – Faça-o sofrer.
—Ele vai. Ele vai pedir pra morrer muito antes de eu terminar com ele. Vai ser feio, sujo e desumano...
—Ótimo.
*
Hogwarts
Alhena conversava aos cochichos com Daphne, no café da manhã. Ela usava um rabo de cavalo bonitinho, com a saia curta do uniforme, a camisa branca, com os primeiros botões abertos, pois se ela fechasse, ficava um pouco apertado, por causa do volume dos seios. Ela usava as meias ¾ e um perfume gostoso.
Damian Burke soltou um longo suspiro, obsevando a boca bonita dela. Carnuda e bem desenhada. Era um tanto hipnótica. Os olhos verdes como esmeraldas... deveria comprar joias de esmeraldas para ela... para combinar com os olhos.
Soltou um outro suspiro e pegou uma colher para mexer seu leite, mas não despregou os olhos dela, achando simplesmente maravilhoso o narizinho dela, tão perfeitamente bem desenhado em seu rosto... e quando ela sorria? Que formava aquelas covinhas adoráveis? Oh... se derretia todo quando ela sorria.
—Damian... você está colocando o seu lápis no meu café. – resmungou Blair. Deu de ombros, largando a colher em cima do prato e suspirando mais uma vez. Seus olhos desceram até o decote dela. Pensamentos menos comportados apareceram em sua mente, lembrou-se dela nos bailes, nos vestidos decotados... Pansy tinha mais peito que Alhena, mas ele não achava que isso a deixava mais atraente. Lena era mais proporcional. Como seriam as auréolas dos seios dela? Teriam sardas? Seria cor de rosa ou cor de ameixa? Engoliu em seco, voltando a subir o olhar para o pescoço dela. Como queria beijá-la ali... vê-la se arrepiar com o seu toque. Queria empurrá-la para um lugar afastado, secreto, e beijá-la toda a noite... escutá-la chamar seu nome enquanto retirava cada peça de roupa dela – Damian – a colocaria numa mesa e a beijaria por todo o corpo... não... não faria isso em qualquer lugar. Ela era especial. Seria na cama dela... e compraria flores. Ela costumava gostar de tulipas... e rosas. Claro... ela gostava de rosas brancas também. Soltou mais um suspiro apaixonado e quando Alhena sorriu para Daphne, achou que derreteria – Damian, cacete!
—Hum? – perguntou piscando. Draco, Vince e Greg estavam rindo. Blair parecia quase zangado – O que? – perguntou se endireitando – Minhas anotações de poções? Toma. – murmurou entregando a mochila para o colega, para voltar a mirar Alhena.
—Pelo amor de Merlin, disfarça. Você tá namorando a Parkinson! – ralhou Blair.
—Quem? – perguntou distraído, achando o modo como Alhena tomava seu leite, simplesmente adorável. Puro, sem açúcar. Ela também costumava tomar suco. Laranja era o favorito, também sem açúcar – Pode pegar as de História da Magia também... – disse dando de ombros. Só queria olhar Alhena.
—Eu desisto. – resmungou Blair.
—Claro... transfiguração... uhum... – murmurou sonhadoramente.
Alhena se virou e olhou para ele. Se aprumou inteiro e tentou sorrir. Ela revirou os olhos e saiu ao lado de Daphne, que também o olhou feio. Suspirou assim mesmo, observando o rebolado de Alhena. Mordeu o próprio lábio e ficou observando ela ir embora. Quando ela saiu do Salão Principal, ele olhou para sua colher e notou que era, na verdade, seu lápis e ele estava molhado. Piscou confuso e olhou para seus amigos, que riam ainda mais.
—O que foi? – perguntou confuso.
—Naaaaada. – responderam Blair e Draco.
—Eu fiz de novo, não fiz? – perguntou corando.
—Sim... – riu Draco.
—Merda.
Se levantou, guardando o lápis no bolso e suspirou.
—Qual nossa aula agora? – perguntou Blair ficando de pé também.
—Estudo dos Trouxas. – responderam Draco e Blair com uma careta.
—Por que estamos fazendo essa aula mesmo? – perguntou Blair.
—Pela aula de educação sexual. – respondeu Draco – Eu vou abandonar a matéria depois disso. Se eu tiver que escutar a professora falar que os trouxas são iguais aos bruxos DE NOVO eu juro que vou surtar.
Se levantaram e foram caminhando para a sala de Estudo dos Trouxas. Alhena esperava lá, sozinha, pois nenhuma das meninas fazia aquela matéria. Sorriu e penteou os cabelos para trás, sentindo-se eufórico. Caminhou até ela e ela revirou os olhos de novo.
—Oi, Lena. – disse ansioso para conversar com ela. Alhena o olhou com desdém.
—O que você quer dessa vez, Burke? – perguntou ela com desagrado. Ela continuava linda, mesmo com aquele bico de desgosto. Céus... será que ela conseguia ficar feia? Engoliu em seco e sentiu o estômago cheio de borboletas. Acabou se lembrando de quando a beijara, anos atrás. Estivera tão nervoso, com medo de levar um fora... mas agora nem se importava mais com os foras... ela só lhe dava foras, por ele ter sido um estúpido. Mas era melhor um fora do que ser ignorado. Quando ela pedia que a deixasse em paz, ela ao menos olhava para ele. E era ótimo quando ela olhava para ele, pois seu corpo sentia um monte de coisas engraçadas...
O coração acelerava.
Os joelhos tremiam.
O rosto fervia.
A barriga ficava cheia de borboletas.
O frio na espinha...
E aquele sorriso bobo que se recusava a sair de seu rosto, não importava o que ela dissesse... desde que dissesse alguma coisa.
—Bom dia. – disse nervoso. Alhena soltou um muxoxo.
—Bom dia, Burke. – resmungou ela olhando para qualquer outra coisa que não fosse ele.
—Tudo bem? – perguntou ele, sentindo aquele turbilhão de sensações.
—Poderia estar melhor... sabe? Se você estivesse longe de mim!
—É impossível ficar longe de você. – disse sorrindo. Seu rosto ferveu absurdamente – Certeza que não me azarou?
—Estou cogitando a ideia, sabe? – perguntou ela, zangada – Por que não vai procurar a sua namorada? Me deixe em paz!
Namorada? Que namorada? Ah, é... Pansy.
—Ela não faz essa matéria. – disse passando a mão no cabelo, para afastar uma mexa dos olhos – Quer estudar na biblioteca comigo?
—Não! Qual o seu problema? Me deixe em paz! – resmungou ela.
—Se me der um beijo. – riu ele.
—Você tem namorada. – resmungou Alhena.
—Eu termino com ela se você namorar comigo.
—Oh, cale a boca. Por Merlin. – resmungou ela indo até Draco e o abraçando no braço. Draco o olhou sem jeito e Damian murchou, caminhando até Blair.
—Cara... você está fora de controle. – riu o amigo.
—Eu sei... mas eu não consigo me controlar. – resmungou constrangido – Eu gosto pra caralho dela.
—Então termine com Parkinson.
—Mas ai eu vou ficar sozinho. Lena não me dá bola. – resmungou Damian – Eu estou tendo sexo regularmente... não se abre mão disso de uma hora pra outra.
—Você é um idiota. – resmungou Blair. Damian olhou para trás, para Draco e Alhena, que conversavam tranquilamente.
—É... eu sei... – murmurou amuado.
Entraram na sala que já estava aberta, apesar da ausência da professora Caridade Burbage. Se sentou com Blair, sentindo falta de Rasalas, que tinha voltado pra casa por conta da saúde fragilizada do avô, que aparentemente não andava lá essas coisas desde o sequestro de Alhena. Alhena e Draco se sentaram na cadeira da frente, apenas os dois, já que Vince e Greg tinham desistido da disciplina.
Ficou olhando a linha do pescoço de Alhena, achando-a simplesmente tentadora.
—Bom dia, queridos. – cumprimentou um professor desconhecido. Os alunos se entreolharam, confusos – Meu nome Jacob Jameson e serei o professor substituto de vocês. – ele anotou o próprio nome na lousa, com um giz e Draco deu uma risadinha.
—Os professores dessa matéria não sabem usar magia? – sussurrou ele para Alhena que o olhou arqueando a sobrancelha.
Os alunos murmuraram qualquer coisa e Damian pegou seu pergaminho e pena, para anotar qualquer coisa que o professoro dissesse. Se perguntou o que iriam estudar naquele ano, já que o ano anterior tinha sido basicamente sobre eletricidade. O que mais os trouxas teriam de interessante e diferente o suficiente para merecer ser estudado?
—Muito bem... – ele se virou e sorriu. Era um homem alto, com os cabelos dourados, pele bronzeada, os olhos azuis e uma barba. Olhava para ele e pensava em um surfista. – O sexto ano tem as melhores matérias nessa disciplina. Eu vi aqui nas anotações da professora Burbage que vocês já aprenderam sobre várias culturas trouxas, tecnologias de construção, eletricidade e alguns eletrodomésticos, certo?
Os alunos murmuraram em concordância e Draco levantou a mão. O professor o olhou curioso e Draco deu um sorrisinho.
—E aprendemos que os trouxas são iguais aos bruxos. – disse ele com escárnio. Damian e Blair deram risadinhas, mas os outros alunos olharam feio para eles.
—E você concorda com isso?
—Não. – riu Draco – Os trouxas são esquisitos e fracos.
—Você acha? – perguntou o professor com um sorrisinho – Eu acho os trouxas simplesmente interessantes. Nós vamos estudar música trouxa esse ano. E eu vou te falar, senhor... – ele olhou curioso para Draco, que deu um sorrisinho cheio de desprezo.
—Malfoy. Draco Malfoy.
—Ah, sim. Malfoy... eu te garanto, Sr. Malfoy, que a música trouxa é simplesmente fantástica. – o professor sacou a varinha e a sacudiu no ar, conjurando alguns instrumentos – Venham aqui. Cheguem mais perto. – pediu ele pegando um que parecia uma guitarra bruxa, mas era feita de madeira, era mais curvilínea e tinha seis cordas no lugar de nove, da guitarra bruxa – Isso aqui, é um violão. Dá pra tocar qualquer coisa nisso aqui. – ele moveu os dedos com agilidade pelas cordas, fazendo sons melódicos ecoarem pela sala.
—Oh... que lindo... – disse Alhena sorrindo. Se aproximou para ver de perto e notou que se precisava de muita coordenação motora para tocar aquilo. Uma mão pressionava as cordas, enquanto a outra passava pelas cordas. Não era como uma guitarra bruxa, que você só precisava encantar os acordes e depois tocar com a varinha, para que as notas soassem. E o som era diferente também... era mais puro. Mais natural e menos sobrenatural, mas isso não fazia o som menos sofisticado.
—Maneiro. – murmurou olhando pra Blair, que parecia ligeiramente entediado.
—O que é aquela tralha? – perguntou Draco para um monte de caixas e discos de um metal dourado.
—Aquilo, jovem Malfoy, é uma bateria. Ela dita o ritmo e dá uma base para os outros instrumentos numa música. – o professor soltou o violão e Alhena suspirou encantada com o instrumento. O professor se sentou num banquinho e pegou duas varetas, para começar a bater no instrumento – E faz um som muito legal também. Olhem só. – ele batucou um pouco e Susan Bones bateu palmas, parecendo achar o som simplesmente maravilhoso.
—Oh! É tão legal. O senhor sabe tocar todos? – perguntou a morena.
—Sei sim. Música trouxa é minha especialidade... mas é claro que eu não sou nenhum perito em todos eles. – ele se levantou e foi até a mesa – Eu vou deixar vocês escolherem os instrumentos e... – ele conjurou um monte de livros e discos em cima da mesa – Vocês devem pesquisar sobre o instrumento, fazer uma redação sobre como ele funciona, em que gênero musical ele é usado e... se quiserem uns pontos extras... podem tentar tocar uma música aqui na última aula antes do dia das bruxas.
Damian se abaixou e pegou o violão, sem hesitar. Draco a tal bateria, Alhena pegou um bastão com vários buraquinhos, Blair foi para um que parecia um piano, mas menor e cheio de botões.
—Rasalas vai ficar revoltado por ter perdido essa aula. – riu Alhena indo até a mesa, pesquisar sobre seu instrumento. Damian foi atrás dela, com o violão na mão. Ficou surpreso por ser tão pesado.
—Vai mesmo. – disse tentando interagir – O que é isso ai que você pegou?
—Uma flauta transversal. – respondeu ela achando uma revista com um desenho de um instrumento igual ao dela. Alhena se virou e saiu.
Damian soltou um suspiro e procurou por alguma coisa sobre violão. Achou algumas revistas e as pegou.
—Professor. Nós vamos poder levar nossos instrumentos? – perguntou Bones, que estava com uma coisa que parecia uma corneta, mas comprida e preta.
—Claro, desde que não os encantem e nem os estraguem.
—Como eu posso levar o meu? Ele é enorme! – resmungou Draco. O professor olhou para ele e sorriu.
—Ok... eu deixo você encolher a bateria, certo? – perguntou ele – O teclado também.
—Ótimo. – riu Draco voltando a olhar um livro sobre baterias.
Damian voltou para sua mesa e mirou sua revista. Notou que deveria ser bem complicado de tocar aquilo. Cada posição dos dedos no “braço” do violão produzia um som diferente. Coçou os cabelos e logo notou que a sala tinha virado uma zona de sons e risadas. Mirou Alhena e a viu sentada, olhando para sua revista, segurando a flauta com delicadeza.
Ela soprava num dos buracos e saía uma melodia muito bonita de lá. Suspirou, deitando o queixo nos braços, a observando tocar. Era simplesmente lindo.
—Que lindo, Lena. – riu Bones, sentando ao lado dela.
—Obrigada. Eu aprendi a tocar um pouquinho em Beauxbatons. Nós tínhamos aula de música lá. – riu ela.
—Toca de novo? – pediu Bones. Alhena concordou e voltou a tocar. Observar Alhena tocar lhe deixou simplesmente aéreo.
Pegou sua pena e seu pergaminho e começou a rabiscar qualquer coisa, completamente distraído. Fez espirais, quadrados, círculos e depois começou a escrever frases soltas e sem nexo. “Então paremos de dizer, que tal eu te contar? Que de todas essas contas, com você quero somar.”
Soltou um muxoxo, esquecendo completamente de seu instrumento, vez ou outra mirando sua revista com símbolos e desenhos ilustrando como produzir as notas musicais no violão.
—E ai? Aprendeu alguma coisa? – perguntou Blair se sentando ao seu lado muitos minutos depois. Desenhou uma estrelinha em seu pergaminho e negou com a cabeça apoiada no punho – O meu é bem fácil e o seu?
—Não é nem um pouco fácil. – respondeu simplesmente.
—Deveria se esforçar, Damian... não temos muito tempo... a aula vai terminar em poucos minutos.
“Paremos de dizer, paremos de contar. Não me interessam mais as horas, porque posso te amar.”
—Uhum... – resmungou.
—O que é isso? – perguntou Blair se esticando para ler. Deu de ombros, soltando um suspiro.
—Sei lá... só to escrevendo frases soltas. – respondeu.
—É um poema ou uma música?
—Sei lá... é só um monte de frases soltas. – resmungou.
—Ei, Lena. Me ajuda com o meu? Ele é de sopro também. – pediu Bones ali do lado.
“Só de ouvir seu nome não dá mais pra esquecer. Agora eu conto no relógio pra sempre por você.”
—Você poderia escrever uma música, pra tocar no dia das bruxas. – riu Blair. Damian piscou, olhando o que tinha escrito.
—Isso pode virar uma música? É só um monte de frases bobas. – resmungou se esparramando na cadeira.
—E daí? O que você acha que formam músicas? Frases bobas. – riu Blair – Precisa pensar num refrão e num nome. Eu te ajudo a compor.
—Ok... – murmurou mirando Alhena, novamente.
—Sabe que nome quer escolher?
Alhena se virou e seus olhares cruzaram. Não piscou, não sorriu. Apenas sustentou o olhar, que pareceu durar uma eternidade. Mas Alhena virou o rosto e voltou a conversar com Bones.
—Esse é o segundo mais longo da minha vida... – murmurou.
—Um nome um tanto grande, não acha? – riu Blair.
—É... mas não importa. – riu Damian olhando para o amigo e pegando o violão – Eu preciso aprender a tocar esse treco.
**
Rasalas voltou com o fim da lua cheia, parecendo completamente abatido. Quando ele voltou pra escola, Daphne e Alhena grudaram nele, tentando animá-lo, querendo ajudá-lo a esquecer o sofrimento que deve ter sido se transformar.
Draco se perguntou quanto tempo duraria até as pessoas descobrirem a verdade. Se perguntou se seu amigo seria obrigado a deixar a escola... Eram tantas dúvidas que rondavam sua mente naqueles dias. Primeiro porque recebera a missão de tentar matar Dumbledore. Mas não conseguia se imaginar concretizando aquilo.
Mas seu pai estava confiante. Ele disse que Alhena previra a morte de Dumbledore, na escola... mas outros comensais estariam ali. Isso significava que ele precisaria encontrar um meio de trazer os comensais para dentro de Hogwarts.
Mas como fazer isso?
Dumbledore era inteligente. Ele certamente tinha todas as entradas do castelo guardadas. Não haveria por onde entrar... então... então... como?
Foi quando lembrou do armário sumidouro, onde tinham prendido Montague no ano passado. Para isso precisaria dos dois armários. Um estava na Travessa do Tranco e o outro na Sala Precisa... mas qual seria a necessidade que ele precisaria para que o armário aparecesse?
Estava se concentrando naquilo, um dia a noite, mas Damian ficava tentando tocar aquele maldito violão, o tempo todo.
—Desiste, Damian! Você não nasceu pra isso! – resmungou Greg.
—Me deixa. – resmungou Damian tentando fazer os acordes – Isso é muito difícil...
—Ele está empenhado de verdade nisso... nem fez a revisão da semana. – riu Blair – É a primeira vez que vejo Damian realmente empolgado com uma tarefa de Estudo dos Trouxas.
—O que está tramando, Damian? – perguntou Emília, o olhando com curiosidade.
—Nada. – resmungou Damian – Ok... é isso... agora só preciso... – ele moveu a mão direita pelas cordas e finalmente algo menos feio ecoou dali – CONSEGUI! Fiz um, vocês ouviram? – perguntou ele orgulhoso.
—Você quer um troféu? – perguntou Draco.
—Damian, é bom que esteja adiantado com suas tarefas. – ralhou Rasalas, com o braço ao redor dos ombros de Daphne – Esse fim de semana teremos treino no sábado e no domingo.
—Ok, ok... – disse Damian sem parecer ter ouvido.
—Nos dois dias, Ras? – perguntou Draco com uma careta – Eu ainda não descobri coisa alguma pra minha bateria. E eu não fiz as tarefas de Transfiguração...
—Então é melhor começar a fazer. – ralhou Rasalas.
—Quer ajuda com alguma coisa, Draco? – perguntou Alhena se sentando ao seu lado.
—Se quiser massagear meus ombros, eu agradeço. – riu Draco. Alhena foi para trás dele e apertou seus ombros de maneira agradável.
—Quando vai assumir Alhena, Draco? – perguntou Pansy vindo dos dormitórios. Draco fez uma careta e Alhena soltou um muxoxo. Pansy parou em frente a Damian, que ainda estava tentando tocar aquela porcaria de violão – Vamos, Damian?
—Agora não, Pansy. – resmungou ele, tamborilando os dedos na madeira, mirando concentradamente a revista trouxa.
—Agora sim. Vamos! – disse ela de maneira autoritária. Damian soltou um muxoxo e olhou para ela.
—Eu não sou seu cachorro. Eu disse que agora não.
Pansy olhou chocada para ele.
—Mas... mas você só quer saber desse troço, agora! – ralhou ela – Vamos, Damian.
—Lena! Eu tenho um presente pra você. – riu Rasalas ignorando o casal, que começou a discutir ali mesmo. Draco fez bico quando a amiga parou de massagear seus ombros e a observou ir para junto do irmão.
—O que é? – perguntou ela.
—É um colar. Eu fiz um monte de testes pra ver se era nocivo, mas não descobri nada de perigoso. Toma. – riu ele.
Alhena pegou uma caixinha e a abriu. Viu a boca da amiga se escancarar de espanto.
—Onde arrumou isso? – perguntou ela, chocada.
—Segredo, por que? – perguntou Rasalas. Alhena pegou um pingente com uma ampola, preso numa corrente dourada.
—Isso não é um colar, Rasalas! É um vira tempo! – riu Alhena.
Damian, que estava discutindo com Pansy sobre não ser escravo dela, se interrompeu e se virou para Alhena com velocidade.
—Você tem certeza? Um vira tempo? – perguntou ele chocado, de joelhos no sofá.
—Sim. Eu acho que sim...
—Deixe-me ver. – pediu Damian pulando o sofá.
—Damian! Nós não terminamos... – começou Pansy. Damian se virou para ela.
—Terminamos sim. Ou ao menos eu terminei. Com você! – ralhou ele. O Salão ficou num silêncio cheio de constrangimento e Pansy ficou parada em choque – Deixe-me ver. – pediu Damian esticando a mão para Alhena. Timidamente ela entregou o objeto – Eu acho que é falso. Mas eu posso verificar. Posso ficar com ele por uns dois ou três dias? – perguntou ele – Se for um vira tempo, provavelmente é o último do mundo. Os vira tempos foram todos quebrados na última invasão ao Ministério da Magia. Vai valer uma fortuna sem fim. – explicou ele passeando o colar pelos dedos – A fórmula para criá-los foi perdida há séculos.
—Eu não acredito que está terminando comigo dessa maneira. – rosnou Pansy, recuperando a fala – Como você consegue ser tão babaca?
—Eu aprendi com a mestra. – rosnou Damian de volta – Com licença. – resmungou ele guardando o presente de Alhena no bolso – Eu já volto.
—VOLTE AQUI, DAMIAN BURKE! – rosnou Pansy indo atrás dele, para fora do Salão Comunal.
Draco soltou um longo assovio e revirou os olhos.
—Fala sério. – riu ele.
—Até que enfim, isso sim. Pansy está insuportável... ela trata ele feito um cachorro. – resmungou Blair – Tava dando vergonha.
Draco concordou dando de ombros e pegou seu material de Transfiguração, para fazer as tarefas. Damian voltou minutos depois, cantarolando e se sentou num sofá e pegou um pergaminho dobrado.
—Não volto mais no tempo nem mesmo um minuto. O meu mundo inteiro parou por um segundo. – murmurou ele.
—O que? – perguntou Draco.
—Não é nada... só tive uma ideia...
—Onde está Pansy? – perguntou Emília.
—Eu não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. – resmungou ele – Blair... acho que terminei! – disse Damian com um sorriso.
—Ótimo. Agora só precisa saber tocar essa coisa direito.
—É. – riu Damian olhando para seu pedaço de papel com um sorriso orgulhoso – Eu vou pedir ajuda pro professor, depois! – disse ele.
—Hum... Damian... e o colar da minha irmã?
—Eu o mandei pra um especialista. – respondeu Damian – Em três dias eu vou confirmar se é falso mesmo. Eu acho que é.
—Se não for? – perguntou Rasalas.
—Torce pra ser. Você pode ser preso por ter uma coisa dessas. – riu Draco. Rasalas fez uma careta.
—Vixi.
***
Rasalas pegou uma torrada e brincou com ela entre seus dedos. Daphne estava lhe explicando sobre a tarefa de feitiços, mas ele estava um pouco distraído pela boca dela. Estava louco para beijá-la mais um pouquinho, por mais que realmente precisasse se esforçar para recuperar a uma semana de aula que tinha perdido.
O correio chegou e Daphne passou a olhar para as corujas, que vinham voando.
—Ah. Será que chegou o Semanário Das Bruxas? Estava louca para ler uma matéria de moda que estavam prometendo para essa semana.
Rasalas deu uma risadinha e sua coruja pousou com seu exemplar do Profeta Diário. Ofereceu alguns biscoitinhos para ela e pegou o jornal, curioso para as notícias do dia.
Gente morta.
Gente morta.
Desaparecimentos.
O Ministério estava apurando...
Fulano foi preso.
Ciclano está sendo investigado...
—Assassinato chama atenção por nível de crueldade. – leu em voz alta. Daphne o mirou curiosa, desviando o olhar de sua revista – Foi encontrado, essa noite, um corpo esquartejado numa casa abandonada em Soho _ Westminster _ em sua área Oeste. O corpo, que suspeita-se pertencer a Octávius Avery... – Rasalas sentiu o corpo tremer e viu o lobisomem a sua frente. Sua respiração ficou desenfreada, seu coração acelerou e estava para entrar em pânico, quando Daphne o abraçou. Ela retirou o jornal de suas mãos e ele tentou se acalmar tomando um pouco de suco.
—O corpo, que suspeita-se pertencer a Octávius Avery foi esquartejado e esfolado completamente. O estômago estava cheio com sua própria pele. Um inominável diz que Avery foi esfolado vivo e não foi utilizado magia para isso. “Foi uma morte lenta e extremamente dolorosa. Só podemos imaginar que tipo de coisas esse homem passou. Ninguém merecia algo assim...” – Daphne sorriu com escárnio – Ele merecia pior.
—Quem será que fez isso? – perguntou Alhena ao seu lado. Rasalas olhou para seu Artilheiro, Avery, e notou que ele lia aquela matéria e parecia levemente esverdeado.
—Eu acho que o assassino deixou uma dica. – murmurou Daphne, ainda correndo os olhos pelo jornal – “Encontramos apenas uma nota, escrita com sangue. ‘Como prometido. Feio, sujo e desumano. Ele pediu para que eu o matasse horas antes de que eu terminasse com ele.’” – Daphne engoliu em seco – Não se tem ideia de quem seja o responsável por esse assassinato brutal. Nem mesmo os comensais de morte costumam matar pessoas assim, de maneira tão cruel. Normalmente eles são mais limpos. – leu Daphne. Ela fechou o jornal – Pois eu achei pouco. – rosnou ela.
Alhena baixou a cabeça.
—Lena, não! – ralhou Rasalas – Mamãe falou pra você parar de ficar forçando...
Mas ela já estava com os olhos opacos e a boca entreaberta.
—Isso é tão nojento. – resmungou Parkinson ali perto.
Alhena piscou e pegou um pergaminho. Ela escreveu alguma coisa ali e lhe entregou.
“Foi o papai. Ele fez ao descobrir o que Avery fez pra você.”
Rasalas mirou o que a irmã escrevera e não soube dizer como se sentir. Queria se sentir grato, mas... como poderia se sentir grato por uma carnificina daquelas?
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Rabastan Lestrange
"Então você acha que pode machucar meus filhos e tudo ficará por isso mesmo, Avery? Pense de novo..."

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