Legado Lestrange
24 Um Alternativo 1977
Notas iniciais

Um alternativo 1977
Expresso Hogwarts
Próximo do natal, Rabastan convidou Emily para passar o feriado em sua casa. Sabia que ela sempre passava o feriado com os Meadowes, principalmente depois dos pais serem mortos. Então achou que seria legal convidá-la. Pretendia apresentá-la para os pais, passar o feriado com ela, e, se tudo desse certo, pedi-la em casamento. Estava completamente apaixonado por aquela garota rebelde.
A encontrou no corredor do segundo andar, como sempre. Ela estava desenhando, sentada na janela. Era fácil notá-la por conta do cabelo colorido e os braços tatuados. Chegou fazendo barulho e ela se virou para ver quem era. Ao reconhecê-lo, fechou o caderno de desenho e pulou para o chão.
A beijou nos lábios, sentindo a mão dela em sua nuca, o puxando com desejo. A puxou pela cintura e suspirou nos lábios dela. Depois de alguns minutos, se afastou, beijando-a repetidas vezes nos lábios.
—Espere. Quero te pedir uma coisa. – riu ele. Emily o olhou curiosa – Eu mandei uma coruja para o meu pai, falando que estou namorando. – Emily o olhou surpresa – Em primeiro lugar. – ele retirou uma caixinha das vestes e entregou para ela – Tome. Espero que goste.
—O que é? – perguntou ela, curiosa.
—É tradicional dar um presente para a namorada. Uma joia.
—Já namoramos há algum tempinho. Por que só agora? – perguntou ela, antes de pegar a caixa, com um sorrisinho travesso.
—Porque agora meus pais sabem. – respondeu simplesmente. Emily sorriu e concordou, abrindo finalmente. Ela abriu a boca, com espanto e olhou para os belos brincos, de esmeralda e ouro branco – Esmeraldas, por conta dos seus olhos. – disse ele, olhando para ela.
Emily sorriu de um jeito simplesmente feliz.
—São lindos, Rabastan... eu... eu nunca ganhei um presente assim. – murmurou ela pegando o brinco. Ela o olhou e deu um suspiro – Nossa... muito bonitos. Devem ter custado uma fortuna.
—Está tudo bem. – riu ele a beijando no rosto – Coloque, pra ver se gosta.
Ela retirou os brincos de argola e colocou os que ele comprara. Rabastan conjurou um espelho e entregou para ela. Ela olhou seu reflexo e adquiriu um ar arrogante, empinando o nariz. Ela pulou para o chão e o olhou.
—E então? Pareço a sua cunhada agora? Ou ao menos Katherine Greengrass?
—Não. Está muito mais bonita. – respondeu a puxando para beijá-la de novo. Emily o beijou de volta, sorrindo – Quero passar o natal com você. – murmurou com a testa colada na dela.
—Que? – perguntou ela, surpresa.
—Já falei com os meus pais. Eles não ligam. Querem mesmo te conhecer... o que acha? Você vem?
Emily sorriu, corando de leve.
—Uau... está ficando sério, não está? – perguntou ela andando de costas até a parede. A seguiu e a acariciou no rosto.
—Está. – respondeu simplesmente – Sabe que sou louco por você há séculos. – murmurou a olhando apaixonadamente. Emily sorriu e o beijou de novo, antes de falar parecendo simplesmente feliz.
—Eu normalmente passo o natal com os Meadowes, mas vai ser legal variar.
—Legal. Vou avisar que você vai passar o feriado com a gente, então. – disse ele, animado.
—O feriado todo? Tipo... o recesso? – perguntou ela, surpresa.
—Claro. Meus pais não vão ligar, eu tenho certeza.
Ela concordou com o rosto, parecendo animada.
—Ok! Ok! Vai ser divertido... – disse ela dançando sozinha. Ela tinha mania de fazer aquilo quando ficava realmente feliz. Adorava o modo como ela era espontânea. Por isso a abraçou por trás e a girou no ar, a beijando no ombro, arrancando gargalhadas dela.
Porém, quando pegaram o trem para voltar a Londres, achou sensato avisá-la sobre seus pais.
—Minha família é super tradicional... eles não podem saber que você tatuou as minhas costas...
—Eles vão achar ruim as minhas tatuagens? – perguntou ela arqueando as sobrancelhas.
—Vão. Então... se possível... tenta vestir algo que... que esconda as tatuagens e... e seu cabelo...
—O que tem o meu cabelo? – perguntou ela.
—Bem... você... Emms. Você sabe que eu acho seu cabelo super foda. – disse sem rodeios – Mas meus pais não vão gostar, então... tenta parecer mais tradicional e menos...
—Menos eu? – perguntou ela arqueando as sobrancelhas.
—Não... não é isso. Menos rebelde, entende?
Ela soltou um muxoxo de desagrado.
—Como quiser, Rabs.
—Não fique chateada. Eu gosto do seu estilo. É a garota mais estilosa da escola! – disse a abraçando e a beijando no pescoço – Mas... minha família é... complicada, entende? Eles certamente prefeririam que você fosse do diretório. – adicionou – Eu não ligo que você não seja. Eu gosto de você assim. – disse a mordendo no ombro, de leve.
—Diretório Puro Sangue. – Murmurou ela – Não se preocupe, Rabs. Eu sei como agir em ocasiões formais. Eu não tinha mais ninguém para puxar me orelha, então acabei radicalizando. Mas eu não fui sempre assim, sabe?
Na verdade nem se lembrava de como ela era antes dela se radicalizar. Apenas sabia que ela costumava ser apenas loira.
—Sei! – respondeu apesar disso. – Se for meu irmão quem vier me buscar, então a gente fica de boa. Te apresento para ele. Ele não vai chiar. Mas se forem meus pais...
—A gente finge que não está junto. Entendi. – Murmurou ela olhando pela janela.
—Não fique triste, ok? – perguntou a abraçando – Meus pais são difíceis e eu quero que eles gostem de você. Se implicarem com você de primeira, não vão dar chance pra você provar... – a beijou no rosto e a mordiscou na bochecha, lhe roubando um sorriso –...que é a garota mais legal do colégio e que... – passou o nariz pelo pescoço dela, gentilmente –...é simplesmente perfeita pra mim. – sussurrou no ouvido dela. Emily sorriu e o beijou de leve nos lábios.
—Rabs...
—O que?
—Você tem vergonha de mim?
—De jeito nenhum... só quero te proteger dos meus pais. – explicou sorrindo – Eles podem ser difíceis às vezes. São muito tradicionais. Só isso. Principalmente meu pai.
—Entendi. – murmurou ela o encarando – Vou me fantasiar de garota certinha, então. Ok?
—Ok. – respondeu sorrindo e a puxando para seu colo.
Ela o abraçou e lhe deu um ar travesso.
—Oh... eu conheço esse seu sorriso. – murmurou sorrindo de maneira cafajeste.
—Conhece? – perguntou ela se fazendo de inocente.
—Conheço. – riu ele a deitando no banco do trem – Ele significa que a última coisa que você quer, é ser certinha.
—Hum... me conhece bem, heim? – riu ela.
Sentiu as mãos dela descerem por seu peito e escorregarem para os botões de sua calça.
—Aqui? – perguntou ele, excitado e preocupado, ao mesmo tempo.
—Agora. – respondeu ela num sussurro.
—Vou só fechar a cortina da cabine. – murmurou se levantando tão rápido que sua visão escureceu de leve. Fechou a cortina da cabine e a trancou com um feitiço. Depois abaixou as calças e puxou a namorada, que riu baixinho. A levantou pelas coxas e tirou a calcinha do caminho, a colocando de lado. A beijou apaixonadamente e se encaixou nela. Adorou ouvir o gemido dela.
—Isso... vem... – sussurrou ela de maneira sexy.
—Você me deixa maluco. – riu a empurrando contra a janela, entrando e saindo de dentro dela, completamente alucinado.
Quando chegaram na estação, estavam suados e ofegantes, com enormes sorrisos em seus rostos. Saíram de mãos dadas, se esquecendo completamente que precisava averiguar quem estaria na plataforma, esperando. Para sua sorte era mesmo o irmão e a cunhada.
Apresentou Emily para os dois. Bella achou graça por ele estar namorando uma garota cujos pais eles tinham assassinado, mas Rodolfo apenas a olhou um tanto sério. Sabia que o irmão estava preocupado, pelo jeito completamente diferente dela. O tranquilizou explicando que já tinha avisado a namorada sobre os pais e isso fez o irmão parecer mais tranquilo.
Se despediu de Emily, combinando de ir buscá-la mais tarde e foi para a carruagem com o irmão. Lá contou seus planos para ele.
—Eu vou pedi-la em casamento. – disse com um sorriso enorme e o coração batendo acelerado.
—Não acha que está se precipitando? – perguntou Rodolfo, parecendo assustado com a ideia.
—Não. Ela é perfeita pra mim. Vocês vão ver. Todos vão gostar dela, eu tenho certeza!
Rodolfo e Bella trocaram um olhar preocupado.
—Eu espero que sim, Rabastan... para o seu bem. – ele soltou outro suspiro e então sorriu – Eu tenho boas notícias para te dar.
—Quais?
—O Lorde quer te conhecer. Eu disse que você sempre sonhou em se tornar um comensal. Ele vai te conceder isso.
Tinha como o natal ficar melhor?
*
A casa dela era relativamente simples. Mas ao menos ela tinha um elfo. Só estranhou o fato da casa parecer estranhamente vazia. Com poucos móveis. Se perguntou se ela estaria vendendo as coisas para se manter. Aquilo o deixou preocupado. Não queria que sua garota passasse por dificuldades.
Andou pela sala notando que não havia um sofá sequer. E a sala estava cheia de tabelas de transfiguração e livros estranhos. Estava para bisbilhotar quando ouviu os passos dela.
Se virou e sorriu contente. Emily riu um tanto sem graça e girou no mesmo eixo para mostrar o vestido. Ele era comprido, de um vermelho sangue, com um decote relativamente ousado, mas com mangas compridas, como os vestidos de feiticeiras. Ele era bem colado ao corpo, mostrando a cintura fina e o quadril arredondado dela. Os cabelos estavam presos num penteado bastante formal. Um coque bem firme, cheio de tranças. E ela usava os brincos que ele tinha comprado. Não combinou tanto com o vestido, mas ele imaginou que ela não teria outros brincos para a ocasião.
—E então? Está bom assim? – perguntou ela parecendo nervosa – Eu ia usar um vestido menos formal, que mostraria minhas tatuagens... mas eu achei melhor não comprar birra com seus pais, né?
—Certamente não. – concordou ele se aproximando – Você está ótima assim... mas eu vou ter que tirar esse vestido um minuto. – disse num tom safado. Emily o olhou arqueando a sobrancelha.
—Pra que?
Não respondeu. Apenas avançou contra ela e logo estavam repetindo a loucura do trem, só que no chão mesmo. E quando terminaram, olharam para os olhos um do outro.
—Eu gosto demais de você, Rabs. – murmurou ela, sorrindo.
—Eu também gosto demais de você. – murmurou de volta – Aliás... – ele sorriu – Eu amo você.
Nunca tinha dito aquilo. Emily sorriu parecendo absolutamente feliz.
—Eu te amo também. – disse o puxando pela nuca, para beijá-lo carinhosamente.
Ficaram naquele beijo durante o tempo e logo estavam repetindo a dose de sexo. Não se cansava dela. Nunca.
Quando terminaram, notou que estava muito atrasado. Se arrumaram cheios de pressa e de sorrisos e então aparataram para a casa dele. Estava para abrir a porta, quando ela o puxou rindo, para tirar uma marca de chupão de seu pescoço.
—Obrigado. – disse a beijando nos lábios – Pronta?
Ela negou com a cabeça, parecendo nervosa, mas sorria assim mesmo.
**
Esperava ansioso pela chegada do filho caçula com a namorada. O aviso de Rodolfo e Bellatrix em sua mente.
“Ela não me parece apropriada. Parece uma louca.” Disse Bellatrix, torcendo o nariz.
“Mas Rabastan parece estar realmente apaixonado.” Avisou Rodolfo “Isso pode ser um problema. Ele pretende casar com ela.”
Rodolfo (pai) só podia pensar que a mulher enfeitiçara o filho com os quadris. Merlin me salve se essa mulherzinha já estiver grávida.
Escutaram risadinhas vindo do corredor. Trocou um olhar com Eda e suspirou ficando de pé. Rabastan logo chegou com a garota. Ela era bonita, elegante e parecia muito nervosa. Notou que Rabastan segurava a mão dela. Os dois trocaram um olhar, cheio de cumplicidade, antes que o filho caçula se aproximasse a trazendo com ele.
—Gente... essa é Emily Valentine. Ela é puro sangue. – disse Rabastan.
Valentine... aduladores de Dumbledore, acusados de corrupção... Merlin, Rabastan.
Olhou a garota, dos pés à cabeça. Sua esposa esperava sua opinião sobre ela, mas ele não tinha uma formada ainda. Olhou severo para o filho, que ria com muita expectativa.
—Não é diretório puro sangue, não é, Rabastan. – disse de maneira severa. O sorriso do filho morreu e os olhos dele se encheram de medo. Ele pareceu murchar, mas a garota não se intimidou. Ela avançou um passo, parecendo mais corajosa que antes.
—Não, mas venho de seis gerações de famílias puro sangue. E minha mãe era uma Rosier, senhor Lestrange. Preciso mostrar os papéis? – perguntou ela parecendo ofendida por ele não ter ficado impressionado.
Bem. Seis gerações de pureza de sangue era algo muito bom naqueles dias. E se a mãe era uma Rosier... E ela era realmente muito bonita. O filho caçula o olhou com os olhos suplicantes e se lembrou do que o filho mais velho tinha dito. Mas resolveu dar uma chance. Concordou em silêncio.
—Não quis ofender. – murmurou severamente – Seja bem vinda, Srta. Valentine. Mas me diga... você não está na Sonserina, está?
—Não. Eu sou uma Grifinória e com orgulho. – respondeu ela o olhando com desafio. Gostou disso no olhar dela.
—E o que acha da causa puro sangue e dos trouxas?
A garota deu um sorrisinho.
—Eu acho a causa puro sangue muito interessante, mesmo que meus pais não concordassem com isso. – respondeu ela – E eu definitivamente não gosto de trouxas. Eles são muito esquisitos, cheios de coisas estranhas. Não acho que bruxos deveriam conviver com eles. – respondeu ela.
Rodolfo concordou com ela.
—Que bom. Ela tem juízo. – riu sua esposa – O jantar logo estará servido.
Encarou a namorada do filho por alguns segundos e então seguiu para a sala de jantar. Escutou o filho caçula sussurrar algo para ela, mas não soube dizer o que poderia ser.
Ainda ficou estudando a garota durante o jantar. Ela tinha bons modos à mesa e parecia ter frequentado a escola de etiqueta para moças. Não deixou de notar também que o filho e ela ficavam de mãos dadas por debaixo da mesa praticamente o tempo todo. Sempre trocando olhares cheios de cumplicidade e carinho.
Suspirou se convencendo que Rabastan estava completamente fisgado.
—Me diga, Srta. Valentine. O que pretende fazer quando terminar a escola? – perguntou interessado.
—Bem... pretendo trabalhar um tempo no ministério... como revertedora de feitiços. – respondeu ela – Até juntar dinheiro suficiente para abrir meu próprio negócio no Beco Diagonal.
—Emms é muito boa em feitiços. É uma das melhores do ano. – disse Rabastan olhando orgulhoso para ela.
—Uma das? Como assim, uma das? – perguntou ela o olhando travessa – Quem é melhor do que eu?
—Os professores sempre falam de Evans. – respondeu Rabastan com malícia. Nunca tinha ouvido falar numa família bruxa chamada Evans...
—Eu sou melhor que Evans, ok? – disse Valentine arqueando a sobrancelha e dando um sorriso torto para Rabastan – Os professores adulam ela só porque ela fica fazendo olhinhos doces e adulando todo mundo. Eu sou a maior feiticeira do nosso ano. – gabou-se ela e Rabastan riu, como se já soubesse disso há muito tempo.
—Mas para se tornar revertedora de feitiços precisa de mais do que só feitiços. – disse com um tom severo – Transfiguração e DCAT também. E poções, para complementar.
—Eu sou boa em poções e em DCAT. – disse ela – Transfiguração é meu ponto fraco. – ela olhou para Rabastan com afeto – Mas Rabs está me ajudando com a matéria. Ele é muito bom em transfiguração.
—Entendo. – murmurou ainda a estudando com atenção.
—Você disse que quer abrir seu próprio negócio... – murmurou Eda antes de dar um gole em seu vinho – Mas que tipo de negócio?
A garota corou de leve e ele notou que as raízes do cabelo dela pareceram mudar para rosa, mas foi muito rápido.
—Você é metamorfomaga. – disse sem cerimônia, levemente impressionado. Todos olharam para ela, surpresos, incluindo Rabastan. A garota perdeu a cor do rosto e olhou em choque para o próprio prato. Depois parecia que não sabia o que fazer. Achou que ela sairia correndo.
—Não... não sou... – murmurou ela num tom baixo e intimidado.
—Eu vi as raízes dos seus cabelos mudarem de cor. – retrucou achando a reação dela no mínimo interessante.
Ela parecia simplesmente incomodada por ele ter reparado.
—Por que nunca me contou isso? – perguntou Rabastan, parecendo chocado. Ela desviou o olhar, parecendo constrangida.
—É um dom muito especial. – disse olhando para ela – Não há porque ter vergonha dele.
Ela o olhou sem jeito e suspirou.
—Meu pai não gostava... sempre me proibiu de usar... – murmurou ela, sem jeito – Dizia que se eu me descontrolasse, eu iria mudar e me deformar e nunca mais voltaria ao normal...
—Isso é asneira. – disse de uma vez. A garota o olhou chocada – É um dom raro e impressionante. Não deveria suprimi-lo, mas desenvolvê-lo. Sua aparente trava com transfiguração certamente é por não conseguir aceitar metamorfomagia. – disse a olhando com atenção. A garota concordou em silêncio e baixou o rosto, levemente constrangida, ainda. Mas notou que Rabastan segurou a mão dela por debaixo da mesa novamente. Os dois se olharam obviamente apaixonados e Rodolfo se perguntou o quão longe aquilo poderia acabar indo...
—Me diga, Valentine. – riu Bellatrix a olhando com atenção – O que acha do Lorde das Trevas?
Reparou que Rabastan ficou tenso. Ele a olhou receoso e Valentine adquiriu um ar muito sério.
—Eu não gosto nenhum pouco dele. – respondeu ela. Bella e Rodolfo (filho) trocaram um olhar – Ele luta por uma causa nobre, mas eu não aprovo seus métodos.
—Não seja boba. Os fins justificam os meios. Estamos em guerra. – riu seu filho mais velho. Valentine o olhou com puro desgosto.
—Desculpe, Rodolfo. Mas eu não posso aprovar os métodos de um homem como... como Você-Sabe-Quem. – discordou ela – Ele mandou matar os meus pais apenas por discordarem dele. Meu irmão de oito anos foi assassinado. Explodiram a cabeça dele. Que coisa horrível meu irmãozinho poderia fazer para atrapalhar a guerra dele, a ponto de precisar ser morto? – perguntou ela com a voz gélida. Rabastan desviou o olhar para o próprio prato, parecendo sem jeito.
—E o que você acha correto? Seguir Dumbledore e sua equipe de palermas? – perguntou Bellatrix com desdém?
—Eu acho correto me manter neutra até que a guerra esteja para terminar. – respondeu ela, calmamente – E então dizer que sempre apoiei o lado vencedor, se for preciso. Mas no que depender de mim, eu não vou me meter em nenhum dos lados.
—Pensei que precisasse ser corajoso pra entrar na Grifinória. – debochou o filho mais velho. Valentine o olhou com mais desgosto do que nunca.
—E eu achei que precisava ser astuto para entrar na Sonserina...
—O que quer dizer com isso? – sibilou Rodolfo.
—Está tudo bem, mano. – interveio Rabastan – Emms... – ele a olhou por alguns segundos e a garota bufou, dando a entender que deixaria pra lá – Não vamos falar sobre isso, ok?
—Mas, pai. – disse Rodolfo – O senhor não acha lamentável o que ela propôs? Não apoiar a causa do Lorde das Trevas, que só quer o melhor pro mundo bruxo?
Sim, achava. Mas não queria discutir aquilo.
—Vamos fazer como Rabastan disse e mudar de assunto. – disse querendo botar um ponto final naquilo. Rabastan suspirou aliviado, mas Rodolfo insistiu.
—Se seu pai ficasse calado, aposto que não teria morrido. Mas ele desafiou o Lorde das Trevas e virou um exemplo para todos os traidores de sangue.
—Rodolfo! – ralhou Eda. Valentine olhou furiosa para ele.
—Eu falo sério. – insistiu o filho mais velho, ignorando os olhares suplicantes do caçula – Ele defendia que bruxos e trouxas deveriam viver juntos e em harmonia. Ele...
—Rodolfo Lestrange! – ralhou Eda – Não vamos falar sobre Lorde Voldemort nessa mesa! – ralhou ela. Bellatrix lançou um olhar fulminante para ela – A família dela foi assassinada a sangue frio por esses Comensais de Morte. A garota não precisa ficar falando sobre isso. Muito menos no natal. Então não toque nesse assunto de novo! Tenha um pingo de sensibilidade!
Há muito tempo não via a esposa explodir daquele jeito. O filho mais velho apenas bufou e Bellatrix lançou a Eda um insolente olhar desdenhoso. Valentine parecia dividida entre agradecer ou ir embora e Rabastan parecia entre a cruz e a espada.
—Você viu que o preço dos caldeirões de cobre subiu novamente? – perguntou Rodolfo, casualmente – Os preços das poções vai subir de novo, com certeza... a economia não vai bem...
O jantar passou de maneira tranquila depois disso. Foi com Eda para o escritório, para fumar seu cachimbo. Rodolfo foi embora com a esposa e Rabastan ficou na sala de estar com a namorada.
—Você notou os olhares de Rabastan? – perguntou Eda com um sorrisinho –Ele está todo apaixonadinho...
—Como não notar. Ele podia ser mais discreto. – ralhou amassando o fumo com um bastãozinho.
—Ah... eu nem me lembro qual foi a última vez que vi Rabastan sorrir tanto. Rodolfo sempre foi bonachão, mas Rabastan era mais sério... mas hoje... – ela suspirou e se sentou ao seu lado – Me diz que apoia, Rodolfo...
—Não sei. – resmungou acendendo o cachimbo – Ela vai controlar Rabastan... ele não vai saber liderar a própria casa...
Eda apertou sua mão e a afagou.
—Você casou comigo por amor. – disse ela com um sorriso gentil – Deixou de casar com aquela Malfoy pra casar comigo... e ela era muito mais bem nascida que eu.
—Você vai mesmo jogar isso na minha cara? – perguntou se zangando.
—Rodolfo... – riu ela, num pedido.
Soltou um muxoxo, aborrecido. Ficou conversando com a esposa até ouvir uma batida na porta. Se virou e viu que era Rabastan.
—Oi, posso entrar?
—O que você quer, garoto? – perguntou de uma vez.
—Bem... é que a Emily sempre passou os natais com os Meadowes... mas como esse ano ela veio jantar com a gente... eu... eu não queria deixar ela sozinha no natal, sabe? – explicou ele – Ela pode dormir aqui?
—No seu quarto ou no de hóspedes? – provocou olhando para o filho.
—No de hóspedes, é claro. – respondeu ele.
—Por que? Não é como se vocês não estivessem transando. – disse encarando o filho, que fez uma careta cheia de culpa.
—Rabastan! – ralhou Eda, horrorizada.
—Qual o problema, Eda? O que pode acontecer? Os pais dela insistirem que os dois deveriam casar? Há! – ele riu com deboche. Rabastan o olhou sem jeito, esperando por uma resposta – Ela pode dormir no seu quarto mesmo, se quiser.
—Valeu, pai! – riu Rabastan – O que você achou dela?
—Seu irmão me disse que você quer pedi-la em casamento. – disse severamente, encarando o caçula. Ele pareceu surpreso e concordou.
—Sim... eu... eu quero. – murmurou ele, ansioso.
—Rabastan... vocês são muito jovens. – disse Eda.
—Eu sei, mas...
—E ela sabe sobre sua ambição de virar um Comensal? – perguntou severamente.
—Não, mas eu...
—Eu não acho que ela vai te apoiar nisso.
—Pai... – resmungou o rapaz, amuado.
—Se quer casar com ela, ao menos seja honesto. Avise o que você quer ser e se resolva com ela. Depois eu vejo se aceitarei dar minha bênção ou não.
Rabastan deu um sorriso e concordou, se retirando.
***
Estavam suados, ofegantes, debaixo do cobertor de pele de lobo. Seu corpo inteiro ainda tremia pelo orgasmo. Emily sorria, respirando audivelmente. A beijou no pescoço e a mordeu no lábio.
—Essa foi a melhor vez de todas. – disse ele. Ela sorriu e o mordeu de volta.
—Convencido.
Rolou para o lado e a abraçou.
—Feliz natal, Emms. – murmurou contente. Ela o abraçou de volta, se aconchegando com ele.
—Feliz natal, Rabs.
Ficaram deitados por alguns minutos, em silêncio, apenas apreciando a companhia um do outro, fazendo afagos delicados. Ela no peito dele e ele na cabeça dela.
—Me desculpe pelo comportamento do meu irmão... – murmurou sem saber como começar o assunto que precisava ter com ela.
—Ok. – murmurou ela – Mas ele foi um idiota.
Concordou em silêncio e a beijou com carinho na testa.
—Emms...
—O que?
—Você... você me ama mesmo, ou... ou foi só coisa de momento? – perguntou ele. Ela o olhou curiosa.
—Eu te amo mesmo... já tem tempo, na verdade... só não achei que você... fosse gostar de ouvir.
—Mesmo?
—Mesmo. Por que? – perguntou ela ficando de bruços, apoiada nos cotovelos. Ele engoliu em seco.
—Eu quero casar com você. – ela piscou chocada – Eu não estou brincando. Eu pretendia te pedir em casamento no final do recesso. Eu até comprei um anel de noivado.
—Rabastan... – murmurou ela, chocada.
—Mas... eu falei com o meu pai... – ela o olhou parecendo ter medo do que ele falaria.
—Ele não gostou de mim?
—Não é isso. Ele gostou. E olha que ele não é fácil de agradar. – garantiu ele – Mas... o problema é outro.
—O que?
—Eu... eu quero virar um Comensal de Morte. – confessou. Ela o olhou chocada e se ajoelhou na cama.
—Está brincando, não é? Me diz que não está falando sério! – pediu ela. Não parecia zangada, mas decepcionada. Ela o olhou tão profundamente que ele achou que podia ver o fundo da alma dela. E teve certeza de que a tinha magoado profundamente confessando aquilo.
—Não... não estou. Eu sonho com isso desde moleque. – murmurou.
—Rabastan... não... não me diz uma coisa dessas! – pediu ela.
—Emms... eu... eu queria fazer as duas coisas. – explicou ele – Case comigo, por favor? – pediu ele se sentando – E aceite que eu vou me tornar um Comensal...
—Eles mataram meus pais!
—Você odiava os seus pais. – disse Rabastan.
—Eu certamente não odiava eles! – disse ela desviando o olhar.
—Eles não deixavam você ser quem você é. – discordou ele – Você nunca fala neles e quando fala é pra dizer que discorda do modo deles de pensar.
—Eu tinha alguns desentendimentos, é verdade. – murmurou ela – Mas nunca os odiei. Nunca quis me livrar deles... – ela suspirou – Eu daria qualquer coisa pra tê-los de volta.
—Qualquer coisa? – perguntou ele a olhando nos olhos – Até... até nós dois?
—Não... não sei. – murmurou ela – Essa é uma pergunta muito egoísta, sabia? – perguntou ela.
—É... desculpe. – murmurou – Emms... eu te amo. Case comigo.
—Não... não se você se tornar um comensal. – murmurou ela.
—Por favor, Emms... – murmurou.
—Os Comensais são carniceiros, Rabastan!
—Eu não serei. – disse ele – Eu serei nobre. Prometo. – disse a olhando nos olhos – Serei um soldado da nossa raça. – ela desviou o olhar de novo – Emms. Se lembra do Malfoy?
—O monitor chefe? – perguntou ela – Ele era um saco.
Deu uma risadinha.
—Isso porque você não conseguia passar uma semana sem aprontar alguma coisa. – disse sorrindo e se deitando – Sempre com uma detenção nova... acho que eu sou uma boa influência pra você. – ela revirou os olhos e ele a puxou para seu colo. Emily logo se sentou em seus quadris e os dois trocaram um olhar sugestivo – Mas então... ele se casou com a irmã da Bellatrix. Ela não gosta dos métodos dos comensais, mas apoia o marido... Ela acabou deixando de lado, sabe? Sua desaprovação... faz isso por mim?
—Os Comensais não mataram os pais dela. – discordou Emily.
—Não... mas causaram a morte deles. – explicou ele – No casamento da Ciça... a Ordem da Fênix veio por meu irmão, Bellatrix e outros... na troca de feitiços, a Sra. Black morreu. O Sr. Black morreu três meses depois. É a guerra...
Ela não o olhou.
—Eu... eu não sei se aguento, Rabs... todos os meus amigos apoiam Dumbledore... uma coisa é não querer me envolver... outra é... é me casar com o inimigo. – ela o olhou – Eles nunca vão entender...
—E precisa que eles entendam? – perguntou ele – Emms... você não é como eles. Você é mais esperta. Mais sensata... – insistiu – É óbvio que eles não entenderiam...
—Rabs... é muita informação de uma vez... eu... eu preciso de um tempo pra pensar nisso, ok?
—Ok. – respondeu ele contente por ela ao menos cogitar aceitar – Pense com carinho.
—Vou pensar... – prometeu ela se deitando sobre ele – Mas só porque eu te amo.
Como não sorrir?
***
Sirius ficou ofendidíssimo. James ficou revoltado. Remus desapontado. Pedro disse que já imaginava. Frank teve medo de que ela se tornasse algo horrível. Dorcas se recusou a tentar entender.
Mas ela aceitou a proposta de Rabastan. Demorou bastante tempo até que ele a convencesse. Já estava há um ano no departamento de reversão de feitiços, quando finalmente disse “sim”.
Fez questão de ser uma cerimônia discreta. Apenas os Lestrange e os Meadowes, que eram como sua segunda família. Frank a levou para Rabastan e os dois apertaram as mãos com algum desgosto.
Frank pertencia à Ordem da Fênix e Rabastan já era um comensal.
Mas ambos os lados concordaram com a trégua de um dia.
Rabastan não deixou a casa dos pais, como o irmão. Ele ficaria para cuidar da velhice do pai, como ditava a tradição. Era estranho conviver com os Lestrange, mas logo se adaptou. Sua sogra era uma mulher gentil e vivia cobrando netos.
—Eu desisti de pedir a Bellatrix. Vou ver se tenho mais sorte com você.
Seu sogro lhe deu o dinheiro que precisava para abrir sua própria loja de trajes a rigor, então passava o dia trabalhando, temendo o que Rabastan pudesse estar fazendo.
Sabia que um dia poderia descobrir que Frank o matara... ou o contrário. E aquela realidade lhe roubava o sono. Quando completaram um ano de casados, e a guerra ainda parecia longe de acabar, Rabastan tocou no assunto mais delicado.
—Vamos ter filhos. – pediu ele com aqueles olhinhos brilhantes.
—Rabastan... e a guerra? – perguntou ela, assustada. Bellatrix sempre dizia que só começaria a tentar quando a guerra acabasse.
—Deixe a guerra. Vamos ter filhos. – riu ele.
Não concordou, mas acabou engravidando assim mesmo. Quando descobriu que o chá de lua falhou, Rabastan confessou ter colocado açúcar no caldeirão. Ficou uma semana sem falar com ele, mas logo não aguentou. Logo estavam lutando debaixo das cobertas, rindo, gemendo e se divertindo.
Não poderia ficar mais surpresa quanto no dia em que sua bolsa estourou. Não deu apenas um filho para Rabastan, mas dois.
Rasalas e Alhena. O garoto, no dia que nasceu, já mudava a cor dos cabelos. Mas os olhos ficaram sempre cinzas, como os do pai. Ele era agitado, chorão, alerta. Alhena era mais quieta, gentil até mesmo para mamar. Logo sentiu que nada no mundo poderia ser mais sublime que a maternidade. Passava o dia inteiro cuidado de suas duas estrelas.
Rabastan era louco com eles, sem dúvidas, mas com o passar do tempo ele ia voltando mais e mais cansado para casa. Sempre com um ferimento mais grave. E quando os aurores começaram a investigá-lo, ficou tudo ainda mais complicado. Todos sabiam que Bellatrix e Rodolfo eram comensais. Teve medo que Rabastan perdesse a calma, mas ele negou qualquer participação com a guerra. Disse que vivia para a família. Ela o acobertou, é claro.
Mas o ponto crítico foi quando o Lorde em pessoa tentou acabar com os Potter e desapareceu no lugar disso. Rodolfo veio exigir que Rabastan fosse com ele e Bellatrix para tentar descobrir o que tinha acontecido.
Mas Rabastan se recusou.
—Eu tenho família. – explicou ele, desesperado para que Rodolfo entendesse. Para que o irmão parasse de olhá-lo com desgosto – Eu tenho dois filhos, Rodolfo... Emms está esperando o terceiro. Eu não posso...
—Vai negar o Lorde?
—Eu sinto muito, Rodolfo, mas...
Mas Rodolfo ficou irado. Não apenas com Rabastan, mas com ela. Viu Rodolfo sacar a varinha, para feri-la e temeu por sua vida. Nunca duelara bem. Nunca. Rabastan entrou no meio, para defendê-la, e jogou a maldição para longe.
—Enlouqueceu? – perguntou o marido.
—Ela está fazendo você fraquejar. Ela está fazendo você nos trair! – rosnou Rodolfo.
—Ela é minha esposa! – disse Rabastan, como se nunca tivesse se dado conta de quanto Rodolfo era louco.
—Eu sou seu irmão! – rosnou Rodolfo lançando outra maldição, que Rabastan defendeu horrorizado – Eu vou matar essa mulherzinha! Eu vou matar.
—Ela está grávida, Rodolfo! Enlouqueceu? – perguntou Rabastan, chocado, mas Rodolfo não ligou. Ele continuou atacando. De novo. De novo. E de novo – Emms. Sai daqui! Sai! Pega as crianças e vá embora.
Rasalas e Alhena choravam assustados. Pegou os dois no colo e correu para o quarto. Trancou a porta e foi até a lareira. Se colocou de joelhos e jogou o flu ali, escutando a luta lá atrás. Gritou o endereço de Frank, desesperada.
—FRANK, ME AJUDE! ME AJUDE! – gritou desesperada. Frank apareceu, se jogando na lareira.
—Emms? O que houve?
—É Rodolfo! Ele veio aqui, querendo recrutar Rabastan, pra ir atrás do Lorde das Trevas. Mas Rabastan disse que não queria nada com isso e Rodolfo enlouqueceu! Ele quer nos matar!
—Fique ai. Eu já vou.
Escutou uma explosão e a porta veio abaixo. Rabastan estava deitado em cima da porta, cuspindo sangue, com as vestes completamente sujas de sangue. Se arrastou para longe de Rodolfo, abraçando os filhos.
—OLHA O QUE VOCÊ ME FEZ FAZER, VALENTINE! – gritou Rodolfo, furioso.
—Por favor. Não machuque meus filhos. Não machuque os meus filhos. – chorou desesperada.
—Eu vou machucar VOCÊ. Depois eu penso no que eu vou fazer com os seus filhos.
—Rodolfo... não... por favor... – implorou Rabastan.
—Cale a boca, seu traidor! Você me traiu, Rabastan... por causa de uma MULHER! Uma MULHER!
Rabastan virou, para tentar se arrastar.
—Eu... eu vou com você, Rodolfo. Só não machuque...
—Por favor, não machuque meus filhos... por favor... por favor.
—Acha que eu já não ouvi outras pessoas implorarem, heim? – rosnou ele – Eu vou acabar com você, sua vagabunda. – CRUCIO.
Gritou de desespero, sentindo dor. Mais dor do que nunca antes. O parto dos gêmeos parecia uma dor boba, perto daquilo. Escutava Rabastan implorar que ele parasse. Escutava os filhos chorarem.
—Por favor, meu irmão. Não... – gemeu Rabastan. Mas Rodolfo só parou quando Rabastan se jogou em cima dele.
—Solta! – rosnou Rodolfo colando Rabastan na parede – Estupefaça!
Viu o marido cair estuporado e então olhou horrorizada para o cunhado. Ele lhe apontou a varinha.
—Eu vou te colocar no seu lugar, sua vagabunda. – rosnou ele.
—Por favor... por favor... – chorou assustada. Seu pânico foi ainda maior quando ele abriu o zíper – Não, Rodolfo. Por favor! Não! Não.
Mas ele a puxou pelos cabelos e a jogou contra o criado mudo.
—Eu deveria ter feito isso anos atrás. – sussurrou ele em seu ouvido.
—Por favor, eu imploro. Não faz isso. Meus filhos estão ali. Não faz isso, por favor. Por favor.
—Eu não dou a... – mas ele foi arremessado para trás. Olhou para o lado e viu Frank e Remus. Ambos parecendo furiosos.
—Você está bem? – perguntou Remus. O olhou chocada e concordou, com os olhos se enchendo de lágrimas de alívio. Remus a abraçou e a olhou inteira, procurando por ferimentos.
—Eu estou bem. Rabastan me defendeu... – murmurou ela. Frank ainda apontava a varinha para Rodolfo, que estava de joelhos, no chão, desarmado.
—Rodolfo Lestrange, você está preso. – anunciou Frank.
Rodolfo os olhou furiosos.
—E Rabastan? – perguntou Rodolfo – Ele é um de nós.
—Não! Ele não é! – disse Emms.
Remus e Frank olharam para ela com tristeza.
—Nós sabemos a verdade, Emms. – murmurou Frank.
—Não... não. Ele não é um comensal. Não é! – disse aos prantos.
—Ele é sim. – riu Rodolfo – Se eu vou praquele inferno, eu vou trazer esse traidor comigo. – rosnou ele.
****
Rabastan teve um julgamento separado de Bellatrix e Rodolfo. Bellatrix foi capturada ao tentar atacar os Longbottom, mas sozinha, não foi capaz de subjugá-los, apesar de Alice ter morrido no duelo. Mas Frank a vingou e mandou Bellatrix para sempre para Azkaban.
Mas Rabastan teve direito a um julgamento separado, por ter tentado derrotar Rodolfo e ter se recusado a ajudá-lo a procurar o Lorde das Trevas. O Sr. Lestrange usou de todos os recursos, comprou várias pessoas, subornou, ameaçou e negociou com todos que conseguiu. E quando Rabastan disse que estava sendo controlado pela maldição Imperius, a corrupta corte o absolveu.
Emily correu até ele, completamente aliviada e o beijou tremendo. Ele parecia tão assustado quanto. Mas a beijou de volta e logo estava abraçando os dois filhos e os pais. Finalmente aquele pesadelo tinha acabado e os dois seriam uma família feliz.
Mas Rabastan nunca esqueceu o Lorde das Trevas. Ao contrário dos outros, que sempre se deram por convencidos sobre a morte dele, Rabastan o procurava em segredo. Sempre que ouvia rumores sobre o Lorde das Trevas, ele viajava para buscar mais informações. Tentou pedir ajuda aos outros companheiros, mas estavam todos acomodados. Todos cansados da guerra.
Então ele seguiu sozinho. Buscando. Pesquisando.
Emily morria de medo que um dia ele realmente encontrasse o que vivia procurando, mas quando ela engravidou do quarto filho, Rabastan se deu por vencido. Ao menos por muitos anos.
Rasalas e Alhena foram para Hogwarts. Sonserina, os dois.
Dois anos depois, foi a vez de Vincent. Grifinória.
E mais dois anos depois, Lyra. Sonserina.
E por muitos anos viveram em paz. Pelo menos até a marca negra de Rabastan voltar a doer. Ele sorriu contente e a olhou extasiado.
—Ele voltou! – riu ele – Ele está de volta... eu preciso... preciso ir até ele! – disse animado, conjurando a antiga capa e a antiga máscara.
Não conseguiu convencê-lo a ficar.
Rabastan era um soldado... um soldado fiel, apesar de tudo.
E mais uma vez precisaria se preparar para a guerra...
—Me pergunto como teria sido... – murmurou se deitando no sofá, sozinha, esperando Rabastan voltar – Se eu tivesse desistido de você quando me contou que queria entregar sua vida por aquele monstro... – murmurou olhando para uma fotografia de Rabastan – Eu ainda ficaria doente de preocupação, pensando em você?
Fale com o autor