Legado Lestrange
25 N.O.M.s
Notas iniciais

Hogwarts
—Fugiram? Como assim fugiram? – perguntou Draco, chocado. Tinham acabado de contar para o colega sobre os irmãos Weasley.
—Simples assim. Criaram um pântano no sexto andar, soltaram um monte de fogos de artifício, pegaram as vassouras e foram embora, voando. – respondeu Rasalas – Foi maneiro pra caralho. – adicionou rindo. Estavam indo para a aula de transfiguração. Damian tentava praticar os feitiços para desaparecer, de McGonagall e não prestava muita atenção. Blair estava apenas escutando, sério. Greg e Vince os seguiam, mais atrás, conversando aos sussurros.
—Que absurdo. – disse Draco, com censura – Esses Weasley tinham que ser todos expulsos. Isso sim. Hogwarts está mesmo precisando disso. De uma limpeza, sabe?
Rasalas deu de ombros. Ainda estava zangado com Gina, mas o feriado o tinha distraído bastante dela.
Ele e Pansy não estavam juntos, apesar de dormirem – e apenas dormir – juntos todos os dias. Ela sempre chorava dormindo e ele ficava com ela, para consolá-la. Sentia que tinha envelhecido cinquenta anos naquela semana de recesso.
—E como foi o seu recesso? – perguntou Rasalas. Draco deu de ombros.
—Foi muito bom. Deu pra relaxar e me divertir pra caramba, saca? – perguntou o amigo.
—Teve notícias da minha irmã? – perguntou Rasalas baixinho. Damian deixou a maçã que estava tentando deixar invisível cair no chão, mas não pareceu ligar. Ele apenas olhou interessado. Draco não o olhou de volta, parecendo quase entediado.
—Por que eu teria?
—Você sabe o porquê. – disse baixinho. – Nossos pais trabalham pro mesmo cara.
Draco revirou os olhos.
—Meu pai não me conta sobre essas coisas. Ele diz que eu tenho que focar nos N.O.M.s. – respondeu Draco.
—Accio maçã. – resmungou Damian, conjurando a fruta, para voltar a praticar.
—Aliás, você deveria se dedicar mais, diga-se de passagem.
—Estou me dedicando às matérias úteis. – disse dando de ombros – Não vou perder meu sono por causa de História da Magia.
—Estudo dos Trouxas está bem difícil. – lamentou Blair – Eu ainda não acredito que estou fazendo essa matéria.
—Rasalas nos convence a fazer cada besteira. – concordou Damian, fechando a cara. Rasalas apenas riu, se divertindo.
Ao chegarem na sala de aula, McGonagall entregou seus últimos testes.
—Parabéns, Sr. Lestrange. O senhor está indo muito bem. – disse ela daquele jeito severo, que o fazia pensar no avô.
—Obrigado, professora. – disse sacudindo seu teste, que tinha recebido nota máxima. Apenas ele e Draco tinham conseguido (Transfiguração era a matéria favorita do loiro, junto com Runas Antigas). Damian e Blair tinham ganhado um “Excedente às Expectativas”, Greg um “Aceitável” e Vince um “Passável”. Daphne tinha tirado a mesma nota que Damian e Blair, assim como Pansy e Emília. Todas muito satisfeitas por isso – Eu sou um mito. – riu Rasalas.
—Como consegue voar na sua vassoura, Rasalas? Com o ego inchando sua cabeça desse jeito? – perguntou Damian arqueando as sobrancelhas.
—Está com inveja por causa do meu talento natural para Transfiguração. – debochou ainda sacudindo o teste, mas Damian só revirou os olhos.
A professora passou uma tonelada de dever de casa e Rasalas ficou realmente preocupado.
—Nós vamos ter que virar a noite pra conseguir fazer tudo isso. – lamentou emburrado, olhando as tarefas de Herbologia, Feitiços e Transfiguração – Como vamos treinar pro jogo com esse tanto de tarefas?
—Bem... vamos ter que nos organizar melhor. – riu Draco – E a Umbridge vai nos perdoar por não patrulharmos os corredores nessa semana. Ela quer que a Sonserina ganhe a Taça de Quadribol tanto quanto a gente. – adicionou ele.
—É... – resmungou Rasalas – Mas eu não sou do grupinho de vocês. Ela não gosta de mim, a Umbridge. – disse dando de ombros.
**
Rebateu o balaço com toda a força, mas Zacharias se esquivou novamente. A Sonserina estava perdendo de cinquenta a oitenta. Precisavam que Malfoy pegasse aquele pomo de qualquer jeito.
—Ei, Rasalas! – gritou Smith, que era apanhador, com troça – Seu traidor de merda!
O olhou zangado e rebateu outro balaço contra ele, mas o batedor da Lufa-Lufa o defendeu.
—Eu mereço. – rosnou baixinho. Mas logo Ernie, que também era batedor, voou para perto.
—Você é um traidor. Nós confiamos em você!
—Eu não tive nada a ver com Umbridge ter achado vocês, ok? – perguntou zangado, se distraindo do jogo.
—Me conta outra, seu merdinha! – rosnou Ernie, se aproximando. Não se afastou, o olhando zangado.
—Foi aquela Corvinal quem dedurou. Não eu! – disse Rasalas.
—Coincidentemente os cães da Umbridge acham a gente no dia que você não estava? – perguntou ele, zangado. Estavam voando tão próximos que seus joelhos se tocavam, vez ou outra.
—Ache o que quiser. Granger sabe que eu não fiz nada contra a AD. – resmungou desviando o olhar.
—E contra Gina? – perguntou Ernie. Sentiu um frio na barriga e olhou para o outro batedor – É, Lestrange. Eu sei o que você fez. Se esfregou com Greengrass e com Parkinson. Já teve coragem de falar com a Gina?
—Não sei do que você está falando. – rosnou o olhando com fúria.
—Não sabe? Seu mentiroso.
—Cale a boca. – rosnou.
—Não vou. Não vou mesmo. E eu vou contar pra ela. Vou contar pro irmão dela. Vou contar pra todo...
—Conte pra quem quiser, eu não dou a mínima. – cortou zangado.
—Eu não esperava menos de um Sonserina. – sibilou Ernie.
—RASALAS, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – gritou Miles – PARE DE FICAR BATENDO PAPO!
Teve vontade de mandá-lo pro inferno, mas achou melhor voltar a prestar atenção nos balaços.
A Sonserina quase perdeu o jogo. Draco pegou o pomo numa disputa super acirrada com Smith. O jogo terminou duzentos e cinquenta a cento e vinte. Mas aquele foi de longe o seu pior jogo na temporada.
Draco era o herói do dia, novamente e a Sonserina já estava com a mão na Taça de Quadribol. A Grifinória precisaria fazer uns quinhentos pontos na Corvinal pra poder superá-los.
Mas não queria ficar perto de ninguém. Se escondeu em seu quarto e ficou lá até o dia seguinte.
***
A Sonserina ganhou a Taça de Quadribol, mesmo com a Grifinória tendo massacrado a Corvinal. Mais uma vez Weasley defendeu todas as goles, dessa vez sem levar um gol que fosse.
Mas não tiveram muito tempo para comemorar, pois os N.O.M.s estavam chegando. Não sabia se Ernie tinha mesmo contado para Gina sobre suas puladas de muro e não teve tempo para se preocupar com isso.
—Damian! Como você me deixou não estudar todo esse tempo? – perguntou desesperado num corredor, revisando seu livro de poções.
—Eu tenho falado que vocês precisavam estudar há séculos. Mas vocês só pensam em quadribol e mulher. – ralhou Damian.
—Eu estou tranquilo. – riu Draco dando de ombros – Eu tenho estudado bastante e meu pai é muito amigo da diretora da Autoridade de Exames de Magia há anos, a velha Griselda Marchbanks. Ela já foi jantar lá em casa e tudo o mais...
—Que bom pra você, Malfoy. – rosnou Rasalas tentando decorar as fórmulas de poções – Eu preciso de muitos N.O.M.s se eu quiser uma vaga no ministério. E eu preciso até de um N.O.M. em História da magia! Fala sério! Quem precisa de História da Magia? Eu estou tão fodido. – lamentou ele.
—Péssima hora pra estar brigado com Granger, não? – debochou Blair. Rasalas o olhou com um sorrisinho.
—Ou então é uma excelente hora para fazer as pazes. – discordou. Os amigos reviraram os olhos e ele suspirou – Estou brincando. Eu vou estudar sozinho... – resmungou ele – Queria Alhena pra me ajudar. Ela conseguia gostar de História da Magia... – resmungou ele – Me pergunto se ela está bem... se meu pai está conseguindo cuidar dela... o que raios ele tem na cabeça? Pra roubar a Lena de nós?
—Talvez ele quisesse cuidar dela. – arriscou Draco o olhando sem jeito – Talvez quisesse recuperar o tempo perdido... ser um pai... essas coisas. Talvez ele esteja ajudando a sua irmã. Quem sabe?
—Até parece. Meu pai é só um maluco.
Draco deu de ombros.
—Como quiser.
—Draco, você sabe de algo que a gente não saiba? – perguntou Damian, franzindo a testa. Draco riu com desdém.
—Você quer a lista em ordem alfabética ou por ordem de importância? – perguntou ele.
Rasalas e Damian reviraram os olhos.
****
Estavam todos MUITO estressados com os exames. Vince e Greg pareciam simplesmente muito desesperados, afinal eles nunca foram realmente brilhantes. Damian parecia que entraria em colapso. Rasalas e Blair deixaram de paquerar as garotas, para se concentrar em suas revisões. Até Draco tinha parado de se gabar a todo segundo.
Pansy tinha deixado o luto de lado e agora estava tentando fazer Daphne e Emília não surtarem. Daphne chorava o tempo todo, lamentando que não conseguiria passar em nada e Emília brigava com ela o tempo todo por ser tão chorona e Pansy tinha que acabar entrando no meio para que as duas não começassem a se azarar.
Daphne estava com os nervos tão enlouquecidos que ela parou de dançar, de cantarolar e de perguntar por Lena.
—Céus, Daphne. Tenta relaxar, ou você vai me deixar maluca! – ralhou Emília enquanto Rasalas tentava decorar todas as Runas que deveria ter aprendido desde o terceiro ano. Ele e Draco estavam revisando uma tabela gigante com todas elas e sempre que um errava uma, o outro o socava no ombro – Rasalas!
—ESTOU OCUPADO! – gritou apanhando de Draco, que parecia estar se divertindo, por saber muito mais que ele.
—Rasalas. Você quer foder? – perguntou Emília.
—Não! Eu quero saber o nome dessa merda dessa Runa dos... – ele piscou – Você disse foder? Eu quero foder! Com quem? – perguntou se virando.
—O nome é Ansuz. – riu Draco, voltando a olhar a tabela que estava colada na parede.
—Daphne.
—EU NÃO VOU TRANSAR COM NINGUÉM! EU PRECISO ESTUDAR, SUA MALUCA, INSENSÍVEL, FALSA AMIGA DOS INFERNOS! – gritou Daphne.
—Eu te trato com carinho, Daph. – riu Rasalas, piscando para ela. A garota o olhou furiosa. Os cabelos estavam despenteados, presos de maneira muito torta, com algumas mexas caindo por seu rosto. E o olhar dela era simplesmente furioso.
—VAI TE CATAR, LESTRANGE, SEU IDIOTA! – gritou ela pegando os próprios materiais e saindo para o dormitório.
A acompanhou com o olhar, sentindo-se levemente magoado.
—Eu só queria ajudar... – resmungou se voltando para a tabela – E essa aqui?
—Mannaz. – respondeu Draco. Os dois conferiram e notaram que ele tinha acertado.
—Não vale! Você conhece todas. Eu não te dei um soco que fosse! – resmungou.
—Eu nunca disse que não tinha decorado tudo. – riu Draco. Rasalas o olhou furioso e ele viu que Draco estava prestes a sair correndo.
—Eu te... – avançou até o loiro, mas ele esquivou como sempre, pulando o sofá com agilidade – VOLTA AQUI, MALFOY! EU VOU TE FAZER EM PEDAÇOS!
—VAI TER QUE ME PEGAR PRIMEIRO, SEU LESADO! – gritou Draco.
—ESCUTEM AQUI, SEUS BABACAS! EU TENHO QUE ESTUDAR PRO N.I.E.M.S! – gritou o monitor do sétimo ano – EU VOU DAR UMA DETENÇÃO PROS DOIS SE NÃO SE SENTAREM AGORA MESMO!
Pararam imediatamente. Em detenção não poderiam revisa coisa alguma.
Os dias passaram de maneira alarmantemente rápida. Os alunos do sexto ano pareciam se divertir com todos eles. Amélia Flint não parava de rir dele.
—EU SOU MUITO BURRO! – gritou rasgando suas anotações de História da Magia – Eu não consigo aprender isso! Eu vou virar jogador de quadribol mesmo!
—Vamos lá, Ras... não se desespere. – riu Damian agitando a varinha e voltando a juntar os pedaços de papel em um só – Fique calmo, ok?
—Damian. Você ainda tem pó de garra de dragão? – perguntou Vince.
—Não. Já vendi meu estoque inteiro pro sétimo ano. – respondeu Damian.
—COMO ASSIM? – gritou Blair ficando de pé. Era a primeira vez que via Blair perder a calma com os exames – VOCÊ TINHA PÓ DE GARRA DE DRAGÃO E NÃO VENDEU PROS SEUS AMIGOS?
[n.a – existe a lenda que pó de garra de dragão te deixa mais esperto por algumas horas]
—Vocês não pediram... – murmurou Damian encolhendo.
—EU TE MATO, SEU DESGRAÇADO.
Blair voou até Damian e o levantou pela gola.
—Calma, Blair! Calma! – disse Rasalas pulando em cima dele. Foi preciso que ele, Vince e Greg segurassem Blair para separá-lo de Damian e os dois passaram o resto da semana sem conversar um com o outro.
—Nós não vamos sobreviver aos exames. – resmungou Greg.
*****
O primeiro exame foi o teórico de Feitiços. Tirou de letra. O prático, depois do almoço, foi ainda melhor. No dia seguinte foi Transfiguração, depois Poções, Herbologia, Defesa Contra as Artes das Trevas, Trato de Criaturas Mágicas, Runas Antigas, Estudos dos Trouxas, Astrologia e por fim História da Magia (Onde Potter dormiu e depois acordou com a cabeça parecendo arder em brasas).
Achou aquilo muito suspeito. Pelo que Hermione e Gina falavam, sempre que a cabeça do amigo doía, significava alguma coisa relacionada ao Lorde das Trevas.
Mirou Hermione, preocupado e ela o olhou de volta. Se encararam por vários segundos e era como se os dois nunca tivessem se desentendido. Voltou seus olhos para o teste, voltando a escrever sobre a guerra dos gigantes, mas estava completamente convencido a falar com Hermione depois. Nem que fosse apenas para saber se estava tudo bem.
Tocou seu peito, onde a insígnia da Brigada Inquisitorial estava presa. Finalmente tinha conseguido cair nas graças da diretora e ganhar o direito de usar aquele broche. Se perguntou se já iria perder o direito de usá-lo.
Quando o teste acabou, seguiu olhando Hermione e Ronald, que se afastavam aos cochichos. Alguma coisa está acontecendo... estou com um péssimo pressentimento...
Sentiu falta de Alhena novamente. Ela certamente saberia do que se tratava. Se valia ou não a pena fazer algo a respeito. Se uniu aos companheiros da Sonserina, mas seguiu olhando discretamente para os dois Grifinória, que se afastavam mais e mais pelo corredor.
—Eu falhei. – lamentou Damian coçando os olhos, parecendo simplesmente exausto – Eu não me lembrei de nada sobre a revolução dos duendes de 1775.
—Eu acho que fui bem. – discordou Draco – Eu tenho boa memória pra esses dados inúteis e datas. O código de conduta da minha família tem mais de trezentas regras e eu sei todas de cor. – gabou-se ele.
—Oh, Draco. Você é tão inteligente. – suspirou Pansy, parecendo encantada.
—E você, Rasalas? – perguntou Daphne. Sentiu um frio na barriga ao escutar a voz dela e finalmente parou de mirar o corredor por onde Ronald e Hermione tinham passado. Olhou de volta para Daphne e notou contente que ela sorria visivelmente menos irritada, agora que a maior parte dos exames já tinham passado.
—Eu fui ok. – respondeu dando de ombros – Espero ter ido bem o suficiente.
—Eu com certeza reprovei. – lamentou Greg. Vince deu uma risadinha.
—Eu não precisava dessa matéria, de todo modo. Fala sério. Eu não vou sentir falta do Binns no nosso sexto ano. – disse ele.
Ficaram conversando por um tempo e então rumaram para o Salão Comunal, mas antes que chegassem às escadas, toparam com Umbridge.
—Meus queridos. Preciso de vocês. – disse a diretora, com um sorrisinho em sua cara de sapo – Finalmente vou descobrir quem é que anda colocando aqueles pelúcios nojentos na minha sala. Ah, eu vou.
Se perguntou se Harry, Ronald e Hermione tinham algo a ver com aquilo...
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