Legado Lestrange

26 Cumprindo Promessas


Notas iniciais
Gente! Hoje eu vou postar DOIS! SIM! DOIS capítulos! Por que? Porque eu tinha dito que iria postar ontem e não tive muito tempo... (na verdade, eu consegui a proeza de esquecer meu pc, quando fui dormir na casa da minha mãe...) e segundo porque eu recebi uma recomendação!!!! UHULL Muito obrigada, PottherheadsGirl! Eu amei sua recomendação!!! SHuhsuahsausha

1996

Mansão Malfoy

Estava estudando rituais de clarividência, achando aquilo realmente muito interessante. E, caso conseguisse fazer, era algo muito útil. Estava sozinha na Mansão naquele dia. O senhor Malfoy estava no trabalho, a senhora Narcisa tinha saído para fazer qualquer coisa e o pai e os tios tinham ido para uma reunião na casa dos Crabbe.

Estava deitada de barriga para baixo no sofá. O vestido fresco que usava estava na altura das coxas, enquanto balançava as pernas, distraidamente. Fazia um dia irritantemente quente e nem mesmo a fria Mansão Malfoy parecia fresca. Não em seu quarto abafado.

Tinha descoberto que sua vidência funcionava melhor no calor, assim como sua concentração. Mas aquele dia estava simplesmente quente demais. Se levantou e abriu as janelas, deixando a brisa fresca entrar, refrescando sua testa suada. Soltou um suspiro, se perguntando quando que o pai voltaria.

—Quero tomar um sorvete. – murmurou sonhadoramente. Talvez até provasse o sorvete batizado que o pai costumava tomar quando era mais novo.

Soltou um suspiro e olhou para a própria barriga, se achando monstruosamente gorda, mas deu de ombros. Precisava ficar forte para proteger Rasalas e se isso significasse se tornar um bolo fofo novamente, o faria.

Mas estar engordando começou a ter uma grande desvantagem. Os olhares...

Sempre que havia reuniões dos comensais, preferia se afastar, apesar de vez ou outra precisar fazer previsões para o Lorde das Trevas.

Ele era mesmo um homem interessante, apesar de perverso. Podia ver sangue nele, sempre que o olhava mais atentamente. A alma tão quebrada, partida, retorcida e dividida que se perguntava se era mesmo possível destruí-lo por completo.

Mas quando não estava com o Lorde das Trevas e o pai estava em missões, sentia os olhares sobre si. Se sentia um prato suculento, servido numa mesa, cercada de mortos de fome. Por isso se enterrava em seu quarto de estudos e ficava lá, pesquisando, descobrindo, praticando.

A brisa bateu mais forte em seu rosto quando a porta se abriu. Virou-se curiosa e reconheceu Avery. Ele sorriu de lado, entrando em seu quarto. Ele era o primo mais velho de Sebastian Avery, da Sonserina. Um homem alto, magro, moreno, com os cabelos compridos, negros. Os olhos verdes e uma cara de troça. E ele sempre lhe lançara olhares famintos, mesmo quando ainda estava tão magra quanto tia Bellatrix.

—O que está fazendo? Não deveria estar praticando? Fazendo mais previsões para o Lorde das Trevas... – murmurou ele entrando no escritório.

—O Lorde está perfeitamente satisfeito com as minhas previsões. – respondeu simplesmente, dando de ombros – Eu encontrei o líder dos gigantes, consegui achar as veelas que se interessariam pela nossa causa, descobri quem são os corruptíveis no Ministério, entre outras várias coisas. – retrucou.

—Você é boa nisso, não é? – perguntou Avery, se sentando em frente a mesa com a bola de cristal – Faça uma previsão para mim. – pediu ele com um sorrisinho insolente que a fez se lembrar do irmão.

Soltou um suspiro e caminhou até a mesa com a bola de cristal. Ele não era o primeiro a pedir previsões para ela. Não seria o último, tampouco. Muitos estavam impressionados e curiosos com suas habilidades.

Se sentou e colocou as mãos aos lados da bola de cristal e respirou fundo. Deixou que a intuição lhe levasse e guiasse, para desvendar as imagens na neblina, dentro da bola de cristal. Viu Avery com algumas pessoas, em uma floresta. Eles ficaram alertas e então juntaram suas coisas, apressados e aparataram, aparecendo ao redor de uma cabana. Eles começaram a duelar e a perseguir pessoas.

Sentiu o coração pesar ao reconhecer Hermione Granger.

—Eu vejo você caçando nascidos trouxas... em no máximo três anos. – murmurou. Um dos homens segurou alguém que parecia ser Rony e um outro... Merlin... ele vai capturar Harry! Pensou alarmada – Você vai fazer capturas importantes. Muito importantes.

—Quem? – perguntou ele.

—Eu vejo o filho do Weasley. – respondeu ela – Um traidor de sangue. Os Weasley são membros da Ordem da Fênix, com toda certeza... isso vai ajudar a controlar todos os Weasley, sem dúvidas.

—O que mais você vê pra mim? – perguntou ele.

Alhena suspirou e voltou a olhar para a bola de cristal.

—Eu vejo... eu vejo você invadindo uma festa. Uma festa dos traidores. Você capturou dois reféns... mas não consigo ver o rosto deles... Você vai ser muito ativo na causa do Lorde das Trevas...

—Vou ganhar a marca em breve? – perguntou ele, parecendo curioso.

—Eu não vejo isso acontecendo por agora. – disse olhando sua bola de cristal, atentamente.

—E você consegue prever coisas que estão para acontecer ou só futuros distantes? – perguntou ele com curiosidade.

—Não controlo isso... algumas vezes vejo o futuro próximo, outras não. – respondeu sentindo algo incômodo no peito. Algo como um pressentimento ruim. Avery deu uma risadinha que a fez se arrepiar inteira.

—Não acho que previu isso, não é? – perguntou ele se levantando. Tentou pegar a varinha, mas ele segurou seu pulso com tanta força que machucou. Escutou a varinha cair no chão. Seu peito doía de medo, seu coração batia acelerado. Avery a empurrou para a parede – Eu estou doido pra brincar com você... mas Rabastan sempre está te rondando... como um cão de guarda treinado... mas agora papai não está aqui...

—Não se atreva a tocar em mim. Eu conto pra ele!

—Eu apago sua memória, quando eu terminar, não se preocupe. – riu ele a empurrando contra a parede. Tentou se desvencilhar, mas não conseguiu.

—Me solte! Me solte agora! – disse ainda tentando empurrá-lo, mas Avery apenas riu. Ele a colocou de costas contra a parede. – Não! Não! – chorou tentando afastar as mãos dele de seu decote.

—Que peitão gostoso que você tem. – riu ele esfregando o quadril contra sua bunda. Podia sentir o membro duro dele contra si e isso a encheu de nojo. Avery a apertou de maneira dolorosa no peito e desceu a outra mão para suas coxas. Ele a alisou ali e ela chorou, tentando afastá-lo, mas ele era simplesmente mais forte.

—Não! Me solte! Me solte!

—Eu vou foder você e você vai adorar, não se preocupe. – riu ele – Pare de ficar arisca. – riu ele passando o dedo por sua calcinha. Jogou a cabeça para trás, com força, o acertando no nariz. Ele finalmente a soltou, caminhando para trás, com a mão no rosto. Tentou alcançar a própria varinha, mas Avery a segurou pelo cabelo – Eu quis ser bonzinho! Eu quis! – rosnou ele chutando sua varinha para longe. Ele a puxou pelos cabelos e ela chorou de dor, segurando-se no pulso dele, tentando aliviar a dor no couro cabeludo – Mas algumas garotas parecem gostar de violência... tudo bem... eu sei ser violento. – riu ele a jogando contra o sofá. Ele a colocou de joelho, de costas para ele, com a barriga encostada no móvel – Me diga, garota... o que pensa sobre sexo anal? É violento o suficiente pra você? – perguntou ele levantando seu vestido.

—Não! Não, por favor, não! – chorou desesperada.

—Cale a boca, sua vadia, ou eu arranco seus dois olhos. Dizem que videntes cegos são mais poderosos, sabe? – riu ele – Pode ser lenda, mas eu posso tentar descobrir. – riu ele. Alhena apertou os lábios, tremendo assustada. Sentiu Avery tirar sua calcinha e arfou de medo. Ele puxou seu quadril, para empinar sua bunda. O escutou abrir o zíper da calça e achou que ficar cega não seria assim tão ruim.

—ALGUÉM ME AJUDE, POR FAVOR! – gritou assustada, chorando, cheia de desespero. Ouviu Avery dar uma risadinha.

—Grite a vontade, piranha. Ninguém vai te ouvir. – riu ele a puxando pelo cabelo. Sentiu o membro dele encostar em sua bunda. Fechou os olhos, se preparando para o inevitável.

Mas a porta se abriu de uma vez, numa explosão. Avery se afastou dela e foi jogado longe.

—FIQUE LONGE DA MINHA FILHA! – gritou o pai, entrando furioso. Alhena se encolheu, se escondendo, chorando de desespero. Avery parecia meio tonto, jogado contra a parede. Ele levantou as mãos e sorriu.

—Relaxa, Rabastan. Eu e Alhena só estávamos nos divertindo. Não é, Alhena? – perguntou ele de maneira descontraída. Alhena viu seu pai a olhar furioso e ela negou com o rosto.

—Eu não queria! Eu não queria! Ele tentou me... me... – ela soluçou, assustada e Rabastan se virou para Avery.

—Rabastan! Você sabe que eu nunca... – começou ele, mas seu pai não quis nem ouvir. Ele levantou a varinha novamente.

—Crucio.

Alhena nunca tinha escutado alguém gritar daquele jeito, nem se contorcer daquela maneira. Nunca tinha ouvido um berro de tão pura agonia. Avery se retorcia no chão, com o corpo se debatendo de maneira angustiante. E o grito dele era horroroso de se ouvir. Ficou se lembrando do que ele quase fizera, tentando achar que ele merecia aquilo. Olhou para o pai e viu que ele parecia completamente alucinado.

—Papai... – murmurou, mas Rabastan não pareceu escutar. Ele parecia em outro mundo. Em outro lugar. Se levantou, assustada e caminhou até ele – Papai, foi o suficiente... – murmurou, mas sua voz não o alcançou, pois ele seguiu torturando Avery – Papai, por favor... – murmurou assustada, o tocando no ombro.

Foi quando viu. Flashes rápidos. Viu uma casa destruída, viu a mãe, quando ela era mais nova, risonha e feliz de um jeito que não se lembrava de vê-la. Escutou o pai rir também, girando a mãe no ar, parecendo um casal em sublime felicidade. E depois tudo mudou. Era tudo frio. Reconheceu a própria casa. Sua mãe chorando, na mesa da cozinha. Viu as cicatrizes dela. Viu tio Rodolfo também. E sentiu um ódio e ressentimento se enroscarem perigosamente nela.

O soltou, assustada, e se afastou. Rabastan respirou fundo e baixou a varinha. Avery choramingou, deitado no chão, seus soluços ecoando pela sala. Rabastan fez uma cara de cansaço e respirou fundo. Então ele a olhou e caminhou até ela, para abraçá-la. Se permitiu ser abraçada e o abraçou de volta, novamente caindo no choro. Seu corpo estava tenso e tremia com violência. Quase... quase que ele fez aquilo comigo... apertou-se mais contra Rabastan, sentindo-se imensamente grata.

—Obrigada, papai... – chorou assustada. Rabastan a acariciou muito carinhosamente na cabeça e a beijou na testa.

—Eu prometi pra sua mãe que eu protegeria você... – murmurou ele – Mas eu... eu não posso confiar em ninguém... – murmurou ele a abraçando com mais força – Pegue sua varinha.

Sentiu um calafrio e o olhou, assustada.

—O que? Por... por que? – perguntou confusa, sentindo medo mais uma vez. Rabastan ergueu a própria varinha e conjurou a de Alhena. Então ele suspirou e abraçou novamente.

—Você foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. – murmurou ele.

—Papai... papai... o que vai fazer? – perguntou assustada. Mas então sentiu uma desagradável sensação. A sensação de desaparatar. Entrou em pânico e quando a sensação foi embora, se viu em frente de casa – Não! Pai! Eu não quero voltar! Por favor, papai! Por favor! – chorou desesperada. Mas Rabastan não parecia ouvir. Ele mirava apenas o chão – Me leve de volta! Eu quero ficar com você! Por favor! Por favor! – pediu ela. Rabastan a olhou e a acariciou na bochecha – Papai! Não me deixe aqui! Não me deixe aqui! Me leve com você por favor! Vamos embora! Vamos embora!

—Eu sinto muito, Lena... – murmurou ele.

—O Lorde das Trevas vai ficar furioso com você! – disse desesperada.

—Eu sou muito forte, não se preocupe. – murmurou ele com um sorriso triste – Eu vou resistir a qualquer castigo que ele me der, desde que você esteja a salvo...

—Não! Eu não vou a lugar nenhum sem você! – disse ela se abraçando a ele. Foi quando Rabastan levantou a mão da varinha, a apontando para o céu.

—Morsmordre. – murmurou ele. Alhena o olhou chocada e depois olhou para o céu, que se tingia de tons de verde e negro. A marca negra se formava de maneira fantasmagórica, com neblina e energia negra.

—Papai! Vamos embora! Vamos embora! – chorou desesperada, sacudindo o pai, que apenas sorria olhando para ela – Por favor! Me leve com você. Eu não quero ficar longe de você. Eu não quero voltar pra cá! Por favor, papai! Por favor, papai!

—Eu sinto muito, Alhena... – murmurou Rabastan a abraçando de novo. Foi quando ouviu os CRAQUES. O som de pessoas aparatando. Eram aurores. – Adeus...

—PARADO AI! – gritou um auror.

—Você precisa fugir! Vamos fugir! – pediu com os olhos cheios de água. Rabastan sorriu para ela, novamente – Não deixe eles pegarem você! Vamos fugir! Vamos fugir.

—Diga a sua mãe que eu sinto muito... eu só tentei te proteger... – murmurou Rabastan.

—NÃO! – gritou desesperada.

—É Rabastan Lestrange, senhor! – gritou um homem negro, com um turbante.

—Renda-se, Lestrange, você está cercado! – disse um dos aurores – Solte a garota e se afaste!

—Papai. Fuja! – chorou Alhena, se agarrando a ele. Mas Rabastan simplesmente jogou a varinha no chão.

—Ele se rendeu! – gritou outro auror.

—Não! Não! Por favor, não! – chorou agarrada a ele. Sentiu mãos em sua cintura, mas não se deixou levar – Não! Eu quero ficar com ele! Eu quero ficar com ele! – gritou desesperada. Mas continuaram a puxá-la. Alguém puxou Rabastan, que simplesmente se deixou levar – PAPAI! – gritou desesperada.

—É a garota desaparecida. É Alhena Lestrange. – disse um auror.

—Eu lancei um feitiço confusão nela... para que não tentasse fugir... – murmurou Rabastan – Ela não sabe o que está dizendo.

—NÃO! NÃO! – gritou com os olhos cheios de água. Alguém azarou seu pai pelas costas. O viu cair no chã, de joelhos, com cara de dor – NÃO MACHUQUEM ELE! NÃO MACHUQUEM ELE! POR FAVOR! – mas as azarações vieram, uma depois da outra. Seu pai estava deitado no chão, completamente desarmado, mas os feitiços o açoitavam, arrancando rosnados de dor – PAREM COM ISSO! ELE ESTÁ INDEFESO! PAREM! PAREM!

—ELE SE RENDEU. PAREM COM ISSO! – rosnou o bruxo negro, que usava turbante. Alhena chorou de novo, assustada, desesperada.

—Deveríamos matá-lo! – rosnou um auror – Por tudo o que ele fez.

—NÃO! NÃO TOQUE NELE! NÃO FAÇA ISSO! – gritou desesperada. Rabastan virou o rosto para ela e levantou a mão, como se quisesse alcançá-la. Tentou correr até ele, mas o auror que a segurava não permitiu.

—Fique quieta! Você já está com problemas o suficiente! – rosnou ele. Mas continuou a se debater.

Por favor... Um auror levantou Rabastan de maneira truculenta. Por favor... outro o socou no queixo e Rabastan caiu no chão, sem forças.

—Isso é pelos Longbottom! – rosnou o auror que o agrediu.

Por favor. Gritou novamente, tentando alcançá-lo. Pisou com força no pé do auror que a segurava e ele por fim a largou, soltando uma exclamação de dor. Se jogou em cima de Rabastan e o abraçou.

—Estuporem ela! – gritou alguém.

—Eu te amo, papai! – chorou ela – Não me deixe. Por favor, não me deixe. Rasalas precisa de nós. Ele vai morrer...

Rabastan ficou tenso, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, um feitiço a acertou nas costas... e tudo ficou escuro.

Mas logo imagens dançaram na sua frente. Era ela e Rasalas duelando contra aqueles dois comensais que ela não conhecia. E tudo aconteceu como sempre acontecia, de novo e de novo e de novo... sem que ela reconhecesse a voz ou o rosto dos comensais de morte que tirariam a vida de seu irmão.

*

Hogwarts

Ele segurava Gina com muita firmeza. Hermione tinha saído com Umbridge e Harry, para mostrar alguma arma que Dumbledore tinha deixado para eles. Só podia imaginar que Hermione estava tentando ganhar tempo. Mirou seus colegas da Sonserina. Draco segurava Rony e tinha um sorriso vitorioso no rosto.

Gina tentou se mover novamente, mas ele voltou a segurá-la.

O que raios tinha acontecido? Soltou um suspiro, puxando Gina mais para perto.

—Pare de se remexer.

—Rasalas! Precisamos ajudar o Harry... – choramingou Gina. Ele respirou fundo. É claro que quer salvar aquele imbecil... a olhou magoado, levemente tentado a mandar Potter para o inferno. Mas não conseguiu ser mesquinho assim. Suspirou e caminhou com ela até a parede. A apoiou ali e respirou fundo.

—Só se me der um beijo. – disse. Mas seu rosto estava sério. Quis que ela entendesse que não estava apenas tentando tirar proveito dela. Gina o olhou no fundo dos olhos, como se pudesse ler sua mente.

—Fala sério, Rasalas. – ralhou Pansy Parkinson – Que nojo.

—Algumas coisas não conseguimos deixar pra trás. – murmurou acariciando o queixo dela. Guardou a própria varinha no bolso da frente, olhando para a mão enquanto fazia isso. Gina acompanhou seu olhar, entendendo. Ele piscou para ela e a beijou sem empolgação. Ainda se sentia insultado pelo que tinha acontecido.

Gina o beijou de volta e o acariciou no ombro, costelas, quadril...

E então ela o empurrou com força. Sua varinha na mão dela. Ela apontou para Draco, que piscava surpreso.

—RIDDIKULUS! – o feitiço foi forte o suficiente para derrubar Draco no chão. Seus companheiros da Sonserina ainda estavam se recuperando do choque, tentando segurar os aliados de Harry. Rony pegou a própria varinha e a de Potter, que estavam ambas com Draco.

Os duelos começaram e Rasalas se jogou no chão, torcendo para não ser acertado. Sabia que seus colegas de casa não estavam no mesmo nível dos membros da AD. Sabia que seria um massacre.

Se sentiu cercado e suspirou, se perguntando se agora seria a hora de pagar por ter dado as costas aos colegas. Se sentou no chão e olhou para Gina. Estendeu a mão, querendo a varinha de volta e ela simplesmente a devolveu.

—Gina! – disse Ronald, surpreso.

—Ele está do nosso lado. – disse ela. Rasalas devolveu a varinha dela e se colocou de pé.

—O que aconteceu? – perguntou ele, preocupado.

—Nos dá as costas todo esse tempo e agora quer ser nosso aliado, é? – perguntou Neville – Eu não acredito. Ele tratou Gina feito lixo durante um tempão! E ainda brigou com Harry!

—Meus desentendimentos com os dois não me fizeram mudar de lado. – disse polidamente – Apenas não quis mais participar do grupo de vocês, por não me sentir confortável... agora, mais uma vez... o que raios aconteceu?

Os membros da AD trocaram um olhar hesitante.

—Parece que Harry teve uma visão durante a prova. – respondeu Gina. – Explique Rony.

Rasalas e Ronald trocaram um olhar frio.

—Parece que Você-Sabe-Quem capturou Sirius. – disse o ruivo. Rasalas franziu a testa.

—Isso não faz sentido. Sirius nunca deixa o esconderijo.

—Pois é... mas parece que dessa vez deixou. Harry viu... – resmungou Ronald.

—Ok... – murmurou Rasalas coçando os olhos – E o que vamos fazer?

—Você fica ai. – disse Ronald – Eu vou atrás do Harry.

—Ele e Hermione entraram com Umbridge na Floresta Proibida. Olhem. – disse Luna olhando pela janela.

—Ok... eu vou encontrá-los. – disse Ronald – Vocês ficam ai.

—Ok. – disse Rasalas, mas os Grifinória começaram os protestos, querendo ir também. Ronald deu de ombros. Eles saíram da sala e Rasalas mirou seus colegas. Soltou um suspiro e revirou os olhos – Droga...

Praguejou um pouco e começou a segui-los. Saíram do castelo e foram até a orla da floresta, onde encontraram Harry e Hermione. Os dois olharam surpresos para ele, mas apenas Hermione sorriu e o abraçou.

—Você veio! – disse ela. Concordou carrancudo, olhando feio para Harry.

—Alguém com algum juízo precisa salvar os seus pescoços. – resmungou.

Discutiram um tempo até convencerem Potter que todos iriam ajudar a resgatar Sirius e mais um tanto até decidirem ir voando nos testrálios. Foi muito esquisito voar neles. Não conseguia enxergar nada, então parecia que estava sentado no ar, apesar de sentir as costas escamosas e duras entre suas coxas.

Hermione dividiu o testrálio com ele e todos voaram para o Ministério da Magia. Apesar de esquisito, foi simplesmente divertido. Por um momento esqueceu o que estavam fazendo e uivou no ar, achando graça.

—Vai! Rápido! Rápido. – riu ele para seu cavalo invisível. Sentiu Hermione abraçá-lo com força.

—Oh, não... – lamentou ela. Ele gargalhou se divertindo e ultrapassou Harry.

Chegaram na rua do Ministério quando a noite já tinha chegado. Desceram dos testrálios e se enfiaram todos numa cabine telefônica, onde Ronald discou um número qualquer... provavelmente alguma senha.

Uma voz feminina fria soou dentro da cabine:

—Bem-vindos ao Ministério da Magia. Por favor diga seu nome e o que quer.

—Harry Potter, Rony Weasley, Hermione Granger – disse Harry muito rápido – , Gina Weasley, Neville Longbottom, Luna Lovegood e Rasalas Lestrange... Estamos aqui pra salvar alguém a não ser que o seu Ministério possa fazer isso primeiro!!

—Obrigada. – disse a voz fria. – Visitantes, por favor peguem os crachás e os ponham na frente de suas vestes.

Sete crachás voaram da calha de metal de onde, normalmente, saíam moedas retornadas. Hermione os agarrou e os passou, calada, para Harry, por cima da cabeça de Gina; ele olhou para o primeiro, onde estava escrito: Harry Potter, Missão de Resgate.

—Visitantes, vocês serão inspecionados e suas varinhas deve ser apresentadas para registro no balcão de segurança, localizado ao final do Átrio.

—Tá!! – disse Harry alto e sem humor. – Agora será que dá pra gente de mover!?

O chão da cabine estremeceu e o pavimento começou a subir por suas janelas de vidro, a escuridão tomou conta de tudo e com um estranho rangido afundaram paras as profundezas do Ministério da Magia.

Um fino raio de luz dourada iluminou seus pés e, crescendo, subiu para seus corpos. Viu Harry se ajoelhar com varinha em punho, o máximo que podia em tal ocasião, enquanto checava pelo vidro se havia alguém esperando por eles no Átrio, mas parecia estar completamente vazio. A luz estava mais fraca do que quando era de dia; não havia fogo a queimar abaixo das chaminés, mas enquanto subiam na cabine, lentamente, ele pôde ver que os símbolos dourados, brilhantes, continuavam a se mover, mudando de posição, no teto azul escuro.

—O Ministério lhes deseja uma noite agradável – disse a voz da mulher.

—Sim... tomara que tenhamos uma morte agradável... – resmungou baixinho. Escutou Gina abafar um sorrisinho, mas isso não fez com que olhasse para ela.

A porta da cabine finalmente se abriu e Harry marchou para fora dela seguido por Neville e Luna. O único barulho no Átrio era da água da fonte dourada, onde jatos de águas saíam das pontas das varinhas do bruxo e da bruxa, da ponta da flecha do centauro, da ponta do chapéu do duende e das orelhas do elfo para a fonte à volta deles.

Rasalas, Ronald e Hermione saíram em seguida, olhando ao redor com interesse. Já tinha vindo no Ministério com o avô umas duas vezes, e sempre se impressionava com aquele lugar.

—Vamos. – disse Harry baixinho e os sete atravessaram o Hall. Harry liderava, com um semblante sério. Rasalas sacou a varinha olhando ao redor, preocupado, se perguntando como tinha se metido naquela... Passaram a fonte, indo em direção à mesa onde o normalmente se pesavam as varinhas, a qual estava deserta agora.

Caminharam em silêncio até o elevador e, para seu horror, Harry os levou até o Departamento de Mistérios. Não demorou muito até notar que estavam simplesmente perdidos.

—Potter... não quero ser chato, mas... você ao menos sabe pra onde está nos levando? – perguntou Rasalas.

—Eu nunca pedi pra você vir, pra início de conversa. – sibilou Harry. Rasalas o olhou, sem humor.

—Ótimo! Eu não sei porque eu acabei vindo, de qualquer maneira. Eu vou voltar para a escola antes que acabe morto. – resmungou se virando. Mas então viu que a porta por onde tinha entrado tinha simplesmente desaparecido – Ah! Ótimo. – resmungou emburrado.

—Rasalas. Vamos todos juntos. – pediu Hermione.

—Ótimo. – resmungou furioso consigo mesmo – Realmente ótimo.

Voltou a seguir Harry, passando por diversas salas, uma mais esquisita que a outra. A mais bizarra era uma que tinha um arco com um véu. Se não fosse por Hermione insistir em sair de lá, teriam passado o resto da noite ali.

Quando chegaram numa sala cheia de relógios, Harry ficou animado.

—É aqui! – murmurou ele – É aqui sim!

—Deveríamos ir embora. – disse Rasalas sentindo um calafrio – Não deveríamos estar aqui... não deveríamos estar aqui.

—Se está morrendo de medo, vá embora! – ralhou Ronald. Rasalas bufou e se sentou num banco, cruzando os braços.

—Divirtam-se. Direi “eu avisei” quando enterrarem vocês. – resmungou. Hermione o olhou suplicante, mas ele se recusou a olhar pra ela. – Divirtam-se. Vão lá.

Os Grifinória o olharam com desdém e Rasalas, depois de cinco anos, finalmente se convenceu que realmente não era um deles.

Eu deveria estar estuporado no escritório de Umbridge. Pensou consigo mesmo.

Ficou de pé e voltou a mirar os relógios. Achou uma ampulheta e a achou bonitinha. Pequena, com dois aros dourados e uma corrente. A ampulheta envolta numa plaquinha cheia de estrelinhas.

—O que é isso? – perguntou curioso. Tinham muitas ali. Olhou ao redor e deu de ombros, pegando uma. A colocou dentro no bolso das vestes e disse a si mesmo que tentaria descobrir o que era depois. Talvez perguntasse para Damian. Ele provavelmente saberia. Caminhou pela sala, olhando todos os variados relógios que tinham ali. Se sentou no chão, ao lado de um monte de ovos que se transformavam em aves, para logo virarem ovos novamente. Ficou observando a transformação e suspirou – Será que eu consigo ir embora? – perguntou pra si mesmo.

Se levantou e começou a caminhar para o lugar cheio de portas. Tentaria uma por uma, até voltar para o elevador. Se encontrou num lugar que parecia um planetário, depois num lugar com várias árvores, cheias de frutos que pareciam ser de ouro. Estava para tentar mais uma porta quando Harry e Hermione apareceram parecendo chocados.

—Deu merda, não deu? – perguntou sério.

—Comensais. – respondeu Hermione – Seu tio está vindo atrás de nós.

Rasalas piscou surpreso.

—E meu pai? Meu pai está ai também?

—Não vimos. – disse Harry – Precisamos sair daqui. Era uma armadilha. – disse Harry. Controlou-se para não ser rude e simplesmente concordou.

—Onde estão os outros? – perguntou.

—Eu não sei. Sumiram. – disse Hermione – Eu acho que pegaram o caminho errado...

—Bem. Não podemos ficar parados aqui. – disse Rasalas.

No mesmo momento uma das portas se abriu e Dolohov apareceu. Rasalas apontou a varinha para ele, assim como Harry e Hermione. Os três lançaram azarações, mas ele usou um feitiço escudo e as repeliu.

—Lestrange... você é o filho de Rabastan... é um traidor igual a ele. – rosnou Dolohov.

—O que? – perguntou baixando a varinha, em choque.

—RASALAS! – gritou Hermione. Foi muito rápido. Dolohov o atacou, sentiu alguém empurrar seu braço, caiu no chão e logo Hermione caiu ao seu lado. Harry atacou Dolohov e Rasalas se jogou sobre Hermione, para ver se ela estava bem. Mas ela estava imóvel. Checou a pulsação e viu que ela ainda estava viva.

Neville apareceu de uma porta e começou a ajudar Harry a lutar contra Dolohov. Rasalas se levantou e se uniu a eles. Dolohov era habilidoso, mas não conseguiu lutar contra três pessoas. Logo ele caiu petrificado.

—Como está Hermione? – perguntou Harry.

—Viva... mas não sei o que ele usou contra ela. – respondeu honestamente, olhando preocupado para a amiga. As palavras de Dolohov rondavam sua mente. Ele chamou meu pai de traidor... por que? – Precisamos sair daqui.

—Eu sei... eu sei... – lamentou Harry olhando Hermione com culpa – Você tinha razão... nunca deveríamos ter vindo... deveríamos ter ido embora...

—Não é tempo pra isso, Harry. – ralhou sério, pegando Hermione no colo – Primeiro saímos daqui. Depois você pode vir me falar que eu tinha razão.

—Ok...

Porém, antes de terem a chance de escolher uma porta, Rony, Gina e Luna apareceram. Soltou um suspiro aliviado ao ver Gina e jurou a si mesmo que, caso todos saíssem vivos dali, nunca mais seria rude com ela e pediria desculpas por seu comportamento. E talvez... só talvez... contaria sobre o dia do Veneno de Fada.

Rony estava biruta e Gina quebrara o tornozelo. Luna a ajudou a caminhar e Neville levou Rony, que estava completamente desconexo. Mas antes que pudessem sair de lá, tia Bellatrix apareceu com mais duas pessoas.

Correram de volta para a sala dos cérebros e trancaram a porta.

—Precisamos trancar as outras. – disse com o coração acelerado. Harry concordou. Colocou Hermione no chão e viu que Harry largou Ronald de qualquer maneira. Os dois e Luna começaram a correr, para trancar as portas, mas Luna não trancou a dela a tempo e cinco comensais entraram.

Rasalas ficou ao lado de Harry e os dois começaram a duelas, defendendo os colegas.

—Harry... – murmurou defendendo-se do ataque do pai de Draco.

—O que? – murmurou Harry, com as costas coladas nas suas.

—Eu peço desculpas... por aquele dia na sala de poções. – murmurou fazendo um escudo. Malfoy o atacou duas vezes e logo o escudo quebrou.

—Eu também. Eu falei o que não devia. – disse Harry.

—Eu também. – disse duelando – Você não pode morrer. – disse segurando a mão dele.

—O que...

—Mégisti Skotádi. – disse levantando a varinha. Tudo ficou completamente escuro. Puxou Harry para qualquer lugar e roubou seus óculos – Tire o casaco, rápido.

—O que?

—Obedeça! – rosnou sem paciência.

Colocou os óculos de Harry e escutou.

—Lummus máxima! – se virou para o senhor Malfoy. Ele e Harry piscavam por conta da luz, que voltava a brilhar no salão. – Boa tentativa, Rasalas, mas esqueceu os óculos. – riu Lúcio. Rasalas quis sorrir, notando que seu plano tinha dado certo. Ele tinha assumido a forma de Harry.

—CORRA! – gritou.

—ESTUPEFAÇA! – gritou Lúcio, mas ele e Harry se moveram ao mesmo tempo.

—PROTEGO! – gritaram juntos.

Nem ficou pra ver Lúcio ser arremessado para trás. Passou por Rony, que mexia no tanque dos cérebros e passou pela porta. Dos cinco comensais, três o seguiram, incluindo sua tia Bellatrix. Entrou numa porta qualquer e continuou a correr. Se viu num cômodo gigantesco, que parecia uma sala cheia de estátuas.

—Reducio. – murmurou para os óculos de Harry, os encolhendo. Os guardou no bolso e então se transformou em uma estátua. Já tinha mudado de sexo... virar uma estátua não pareceu nada difícil.

—Onde ele está? – perguntou Bellatrix, furiosa – Precisamos pegar aquele moleque... precisamos.

Ficou imóvel, tentando não respirar fazendo barulho. A sala escura o ajudava a se camuflar. Rasalas esperava que eles perdessem tempo o suficiente ali. Tempo para que Harry e os outros fugissem... e então ele arrumaria uma brecha para escapar.

Sua tia passou perto dele e teve medo do que aconteceria se ela resolvesse quebrar tudo.

—O que são essas coisas? – perguntou uma voz desconhecida.

—Eu não sei. – respondeu outro comensal.

—São soldados... – murmurou Bellatrix – Transformados em pedra por uma maldição de Salazar Slytherin, antes que este desaparecesse. – Guardados aqui, pois ninguém nunca conseguiu fazê-los voltar a vida... – ela parou de andar, quando tomou uma boa distância dele. Então ela começou a rir – Boa jogada, Rasalas... muito inteligente mesmo.

Engoliu em seco.

—O que houve? – perguntou o primeiro comensal.

—Esse que seguimos não foi Potter... foi Rasalas. Meu sobrinho. – riu Bellatrix – Vamos. Temos que ir atrás do verdadeiro Potter.

Rasalas esperou até que ela se afastasse e saísse pela porta. Respirou fundo, voltando a adquirir sua verdadeira forma. Tinha feito o que pode. Caminhou silenciosamente até a porta e se perguntou se sua tia estaria ali, lhe esperando. Engoliu em seco e abriu a porta de uma vez. Mas não viu ninguém.

As paredes giraram, embaralhando as portas, deixando-o perdido. Olhou ao redor, sem saber para onde ir, nem o que fazer... mas não podia ficar andando por ai de uniforme. Respirou fundo movendo a cabeça, adquirindo a forma de seu tio Rodolfo. Era mais baixo que ele, mas lhe daria alguma dianteira caso um comensal aparecesse.

Mas a porta do elevador se abriu. Se virou e sorriu ao ver Lupin. Lupin, Sirius, Tonks, Moody e um cara que não conhecia. Um negro de turbante. Porém, nenhum deles parecia feliz ao vê-lo. Os cinco ergueram as varinhas e ele levantou as mãos se rendendo.

—É agora que eu te mato Lestrange! – rosnou Sirius. Mas Lupin o segurou com firmeza.

—Espere, Almofadinhas. – pediu ele olhando para Rasalas. Os dois trocaram um olhar e Lupin sorriu – Rasalas?

Foi a vez do garoto sorrir.

—Como sabia que era eu? – disse voltando ao normal. Lupin foi até ele e o abraçou amigavelmente.

—Eu simplesmente soube. Temos boas notícias, Rasalas. – disse Lupin, sorridente.

—Damos as notícias depois! Onde está Harry? – perguntou Sirius.

—Eu não sei. – disse Rasalas – Eu tentei ganhar tempo pra ele. Ele veio pra cá jurando que você tinha sido capturado.

—Certo. Vamos nos separar. – Disse Tonks, animadamente.

—Ou então podemos todos entrar por aquela porta, antes que Malfoy mate Potter. – disse Moody olhando para uma porta, com seu olho giratório.

—Ou isso. – concordou Tonks.

—Fique aqui, Rasalas. – disse Lupin, de maneira paternal.

Ele simplesmente concordou e observou os outros entrarem para ajudar Harry.

O homem que ele não conhecia se virou um segundo antes de entrar.

—Você não vem? – perguntou ele.

Rasalas negou.

Eu sou um Sonserina.

**

Azkaban

Alhena andava de um lado para o outro, simplesmente furiosa. Estava trancada numa cela. Como se fosse uma prisioneira. Ninguém lhe falou se seu pai estava bem... e nem deixaram que ela o visse de novo.

Foi quando aquela sensação de peso lhe assombrou. Tocou o próprio peito e sentiu o corpo tremer. Viu sua tia Bellatrix duelando. Duelando com ninguém menos que Sirius. E então, ela o acertou no peito e ele caiu nos braços da morte. Braços brancos, nodosos, como braços de um dementador. E esses braços puxaram Sirius para um enorme abismo, de onde ele jamais poderia sair.

Quando a visão terminou, ela caiu de joelhos, com os olhos cheios de água. Odiava fazer previsões de mortes. Sempre lhe assustavam, sempre deixavam seu corpo dolorido e tenso, como se a vida daqueles que via morrer passasse por ela, a arranhando por dentro, desejando por tudo o que lhes era importante ficar mais alguns momentos nesse mundo.

Quantas pessoas já tinha visto morrer? Quantas? Tentando descobrir quem era o futuro assassino de seu irmão... ficar mais forte tinha deixado um caro preço a pagar... sabia que os videntes sempre acabavam mortos... quando não era prevendo a própria morte (e não conseguir pensar em alguma outra coisa depois disso), era prevendo a morte de pessoas amadas...

E se visse sua mãe? Ou seu pai? E se visse Daphne, Pansy, Emília, Damian e Draco? Ou Lupin? Se abraçou, chorando, ajoelhada no chão. Não queria pensar naquilo. Não queria... mas o medo era muito grande. Fechou os olhos pensando na mãe. Querendo vê-la velha, dormindo na cama. Mas se interrompeu ao escutar passos.

Se levantou rapidamente, curiosa. Se jogou contra as grades, sentindo raiva por ainda estar presa ali, mesmo depois do que pareceram ser muitas horas. Azkaban não tinha mais dementadores, mas isso não lhe garantia o status de “confortável”.

—Me tirem daqui! – rosnou zangada.

Viu seu pai passar, sendo guiado por dois aurores. Ele estava com as vestes de prisioneiro, os braços que começavam a ficar fortes novamente aparecendo. Um roxo no olho e um corte na boca. Os cabelos muito curtos, sem corte, pois haviam cortado os cachos castanho avermelhados dele, a barba estava do mesmo jeito, mas despenteada, com os fios avermelhados e os brancos se misturando.

—Não pare, Rabastan. – murmurou o auror, mas seu pai o acertou com força, com o cotovelo e depois passou a mão acorrentada pelo pescoço do outro. O estrangulando. Olhou chocada, mas não disse coisa alguma.

O pai soltou o homem que caiu no chão sem ar, enquanto o outro tentava se levantar. Rabastan pegou a varinha do homem caído, estuporou o que tinha levado a cotovelada e então retirou as algemas. Tudo isso sem mudar de expressão.

Ele a olhou mais calmo e suspirou.

—Me tire daqui. – pediu – Vamos voltar juntos.

Ele suspirou e negou com a cabeça.

—Sua mãe já está vindo te buscar. Não se preocupe.

—Eu não quero ir com ela. Eu quero ir com você! Não entende? – perguntou se jogando contra a grade. Seu pai deu um sorriso e suspirou.

—Não posso proteger você dos meus companheiros de causa. A metade enlouqueceu depois que foi presa aqui. – explicou ele – Eu mesmo não sei se estou lúcido... – riu ele – Mas fico feliz por ter ficado esse tempo com você, Lena... de ter visto você melhorar e ser parte do seu processo de cura... e céus... como você cresceu nesse tempo. – riu ele, orgulhoso – Se quer tanto vir comigo, estude e se fortaleça. Quando for maior de idade, e capaz de se defender bem sozinha... ai eu não vou relutar. Ficarei imensamente feliz em te ter ao meu lado.

—Papai... eu vi Rasalas morrer. – disse finalmente.

—Eu sei. – respondeu ele – Você repete isso praticamente todas as noites.

Ela o olhou chocada.

—Então... então...

—Quer proteger seu irmão? – perguntou ele com um sorriso. Apenas concordou, desesperada – Não o deixe lutar.

—Mas...

—Conte pra ele e não o deixe lutar. Quando a grande batalha que você previu chegar. Estupore Rasalas e o leve embora... não o deixe ficar para batalhar. Assim vocês dois estarão seguros.

Alhena respirou fundo e baixou os olhos.

—Mas...

—Adeus, meu anjo. – murmurou Rabastan conjurando suas roupas de comensal, assim como sua máscara e a própria varinha – Diga a sua mãe que eu mandei um “olá”.

Notas finais
Gente! Eu vou postar dois capítulos e, um dia, mas sejam legais e comentem os dois, ok? E aviso logo pra prepararem o coração, porque esse Avery vai aparecer de novo e vai fazer coisas horríveis! E em breve *0* Beijos!! COMENTEM ahsuahsaushau xD