Legado Lestrange
50 Somos Tão Jovens
Notas iniciais
1998
Hogwarts
O teto encantado do Salão Principal estava escuro com estrelas dispersas. Abaixo dele encontravam-se alinhadas as quatro mesas das Casas com alunos desalinhados, alguns com capa de viagem, outros com robes de dormir. Aqui e além brilhavam os fantasmas da escola, brancos como pérola.
Cada par de olhos, vivo ou morto fixava a Professora McGonagall, que falava da plataforma mais alta, no topo do Salão. Atrás dela estavam os restantes professores, incluindo o centauro Firenze, e os membros da Ordem de Fênix que tinham chegado para lutar. Draco olhava para tudo aquilo com preocupação.
–… a evacuação será assegurada por Sr. Filch e pela Madame Pomfrey. Monitores, quando eu disser, irão organizar a vossas Casas e levar os vossos colegas ordeiramente até ao local da evacuação.
Muitos dos estudantes pareciam petrificados. Ernie Macmillan levantou-se da mesa da Lufa-Lufa e clamou:
–E se eu quiser ficar e lutar?
Houve uma pretensão de aplauso.
–Se você for maior de idade, você pode permanecer. – Falou Professora McGonagall.
Olhou interessado para a professora. Ele ficaria e lutaria. Protegeria Harry com unhas e dentes. Queria lutar por um mundo melhor para seus irmãos... e se isso significava arriscar a vida, ele arriscaria. Olhou para Daphne, mas ela não o olhou de volta. Ela estava de mãos dadas com a irmã e olhava a professora com atenção. Damian e Alhena também estavam de mãos dadas. Draco estava de braços cruzados, escutando cuidadosamente, cada palavra que a professora dizia.
–E as nossas coisas? – falou uma menina na mesa da Corvinal. – Nossas bagagens, nossas corujas?
–Nós não temos tempo para coletar nossos pertences. – Falou Profª McGonagall. – O importante é sair daqui em segurança.
–Onde está o Professor Snape? – berrou Melissa Stone da mesa da Sonserina.
–Usando a expressão vulgar... Ele se mandou. – respondeu a professora McGonagall e uma grande erupção de aplausos surgiu dos alunos da Grifinória, Lufa-Lufa e da Corvinal.
Draco encolheu-se um pouco ao ouvir aquilo. Rasalas também ficou preocupado. Snape era o único que poderia evitar uma batalha no castelo. A opção agora era ficar e lutar ou fugir...
–Nós já colocamos proteção ao redor do castelo, – a Professora McGonagall continuou – mas não irá resistir por muito mais se não a reforçarmos. Eu devo pedir a vocês, consequentemente, para se moverem o mais rapidamente e calmamente, e ir com seus monitores...
Mas suas palavras finais foram afogadas quando uma voz diferente ecoou através do Salão Principal. Era elevada, gelada e clara. Não tinha como dizer de onde veio. Pareceu ter sido emitida das paredes. Como o monstro que tinha uma vez comandado, poderia ter estado ali, hibernando por séculos.
–Eu sei que vocês estão se preparando para lutar. – Gritos surgiram no meio dos estudantes, alguns deles se agarraram, olhando ao redor com terror procurando a origem do som. Rasalas sentiu o sangue gelar, pois reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era o Lorde das Trevas. – Seus esforços são inúteis. Vocês não podem lutar contra mim. Eu não quero matar vocês. Eu tenho grande respeito pelos professores de Hogwarts. Eu não quero derramar sangue mágico.
Tinha um grande silêncio no Salão agora, o tipo de silêncio que pressiona os tímpanos, que parece muito grande para ser contido pelas paredes.
–Dê-me Harry Potter, – falou a voz de Voldemort, fazendo Rasalas rosnar baixinho, apertando o punho – e não vão ser prejudicados. Me deem Harry Potter e poderão deixar a escola intocados. Me Deem Harry Potter e serão recompensados. Aqueles que estão dentro do castelo, que forem fiéis a mim serão elevados com glórias e recompensas. Aos que pertencem a mim, me entreguem Potter e nada de mau acontecerá a vocês e aos que lhes são importantes.
Lançou um olhar para Draco, que pareceu perder a cor do rosto. Alhena o olhou também, preocupada.
–Draco... – chamou ela.
–Estou bem. – murmurou o loiro sem encará-la.
–Vocês têm até meia-noite. – terminou a voz.
–Não faça isso, Draco. – pediu Alhena, em um sussurro. O silêncio engoliu a todos de novo. Todos viraram a cabeça em uma mesma direção, Draco não foi exceção. Lá estava Potter.
–Vamos embora, Draco. – choramingou Astoria, ainda de mãos dadas com a irmã. Rasalas não olhou a namorada. Ela nunca entenderia... ela certamente pensava que ele iria simplesmente fugir com os outros. Mas a moeda da AD ainda estava em seu bolso...
–Você é meu amigo. Não faça isso. – Disse Alhena, mas Draco puxou o braço com força. Os olhos focados em Potter. Será que precisaria duelar contra ele? Contra o amigo que mais tinha ajudado Alhena?
Então uma figura se levantou da mesa da Sonserina, e ele notou que era Pansy. Ela apontou para Potter, sobressaltada.
–Mas ele está lá! Potter está lá! Alguém agarre-o!
Antes que o garoto pudesse falar, houve um grande movimento. Os Grifinória a sua frente tinham se levantado e ficado na frente dos Sonserinos. Quase na mesma hora, os Lufa-Lufas e Corvinas, todos eles, estavam de costas para Potter, observando Pansy preferencialmente. Viu varinhas emergindo em toda parte, puxadas de dentro de capas.
–Obrigada, senhorita Parkinson. – disse professora McGonagall em uma voz embargada – Você poderá deixar o salão primeiro com o Sr. Filch. Se o resto da sua Casa puder te seguir...
Rasalas ouviu o arrastar dos bancos e depois o som dos sonserinos se agrupando no outro lado do Salão.
Se levantou, os olhos postos em Potter.
–Damian. – murmurou. O amigo o olhou – Fique de olho na minha irmã um minuto. Eu preciso falar com a professora McGonagall, só um instante. Damian o olhou preocupado, como se soubesse que ele estivesse mentindo. Ele era seu melhor amigo. Trocaram um olhar intenso, enquanto Alhena ainda tentava convencer Draco a se retirar com os outros estudantes.
–Não faz isso... vem com a gente. – pediu Damian, baixinho, para que Alhena não escutasse – Eu estou com um péssimo pressentimento, cara...
–Eu também... – murmurou Rasalas... – Vai.
Damian soltou Alhena e o abraçou apertado. Rasalas o abraçou de volta.
–Tome cuidado.
–Você também. – murmurou Rasalas o abraçando de volta.
Quando os dois se soltaram, Alhena e Daphne pareciam ter notado que um deles não pretendia sair.
–Rasalas. Vamos? – perguntou Daphne.
–Eu já vou. Vai indo com os outros. – disse começando a se afastar. Draco o olhou com atenção e desconfiança. Mas Daphne o segurou pelo pulso.
–Vamos embora. A professora McGonagall nos mandou embora...
–Vai indo com a sua irmã. – disse Rasalas a beijando na testa – Eu só preciso perguntar para a professora se minha mãe está aqui.
–Eu vou com você. – disse Alhena.
–Não. Vai indo. Vai com o Damian. – disse Rasalas, se apressando. Alhena o olhou preocupada e Damian o puxou com ele.
Alhena o olhou preocupada e ele se lembrou do dia em que pedira para que Damian levasse a garota embora e ele tinha ficado para segurar os comensais e ganhar tempo... quando Avery o jogara contra Grayback.
Engoliu em seco, sacando a varinha e foi até a professora. Ela o olhou curiosa.
–O que quer, Sr. Lestrange?
–Eu sou maior de idade, professora. – disse simplesmente. A professora McGonagall era sua professora favorita, assim como Transfiguração era sua matéria favorita. Ela o olhou com interesse, como se estivesse se perguntando se o deixaria ou não ficar – Eu quero ajudar a defender o castelo.
–Senhor Lestrange... – a professora suspirou – Você sabe que os comensais vão tentar invadir a escola, não sabe?
–Sei... – murmurou.
–E o senhor entende que tem mais de um parente que segue lealmente Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. – continuou ela.
–Eu entendo perfeitamente, senhora.
–E ainda assim quer ficar e duelar?
–Sim, senhora. – respondeu Rasalas.
McGonagall suspirou e concordou com a cabeça.
–Então é bem vindo. – disse ela por fim. Rasalas concordou e olhou para a direção que os alunos da Sonserina rumavam. Daphne ainda o olhava preocupada.
Se virou, dando as costas para ela e foi para junto de Neville. O garoto o olhou incerto.
–Vai ficar? – perguntou ele.
–Vou. – respondeu Rasalas sorrindo – Claro que eu vou.
–Ótimo. – riu ele – Vai ser bom ter alguém forte cuidando da minha retaguarda.
–Confiaria sua retaguarda a mim? – perguntou surpreso. Neville sorriu e concordou – Darei o meu melhor. – disse mostrando o punho para o colega, que o socou de leve.
–Eu sei que sim.
*
Olhou por cima do ombro, procurando o irmão. Damian seguia segurando sua mão, como se temesse que ela tentasse se soltar. Draco tinha sumido, Greg tinha sumido e Vince também. Emília estava desesperada, procurando pelo namorado. Daphne e Astoria seguiam abraçadas, querendo deixar o castelo o quanto antes.
Mas Alhena não conseguia deixar de olhar para trás. Onde ele estava? Por que ele não tinha voltado?
Já estavam na fila para entrar na sala precisa. Os membros da Ordem os ajudando a sair de maneira organizada. Olhou mais uma vez por cima do ombro. Nada. Ele ainda não tinha aparecido.
–Os comensais estão vindo. – disse um garoto da Grifinória – Eu queria ficar e lutar... mas só deixaram os alunos maiores de idade...
Alhena parou de andar e Damian a puxou novamente.
–Rasalas não vai voltar, vai? – perguntou. Damian suspirou e negou com a cabeça. Alhena virou-se, para olhar por cima do ombro. Tentou se soltar, mas Damian não deixou.
–Eu prometi que... – começou ele.
–Não. – disse ela – Não vou deixar meu irmão pra trás. Não de novo. – disse Alhena. Damian soltou um suspiro.
–Eu preciso te tirar daqui. Estou com um péssimo pressentimento... – murmurou ele.
–Eu também. – disse puxando a mão de uma vez – Eu tenho que achar o Rasalas...
–Alhena! – chamou Damian – Vamos embora.
Mas ela se virou e marchou de volta para o Salão Principal. Começou a ouvir explosões da janela. Se aproximou de uma e viu os professores duelando do lado de fora, junto com alguns membros da Ordem. Mas as pessoas que lutavam não eram as figuras encapuzadas. Eram seguidores do Lorde das Trevas, mas ainda não eram os comensais.
Mas isso não significava que seu irmão estaria perfeitamente seguro. Se virou e sacou a varinha, marchando para o Salão Principal, ouvindo as explosões do lado de fora. Foi quando alguém a segurou pelo pulso. Olhou para o lado e viu Damian. Ele a olhou preocupado.
–Não me deixe... – murmurou ele.
–Me ajuda a procurar o Rasalas.
–Alhena... seu irmão não vai mudar de ideia. Ele vai ficar e lutar. – murmurou Damian – Não me diga que quer ficar e lutar também.
–Eu vou ficar com ele, Damian. – disse decidida. O garoto olhou pela janela e suspirou. Então ele sacou a varinha e sorriu.
–Vamos lá, ajudar o cabeça dura do seu irmão.
Alhena sorriu de volta e o beijou de uma vez. Damian a beijou também, a apertando contra si. Os dois se olharam com intensidade e voltaram a andar, decididos.
**
Logo os portões do Salão Principal se abriram de uma vez. Rasalas e Neville se prepararam para defender o castelo com unhas e dentes. Homens e mulheres apareceram, brandindo varinhas e os alunos e professores começaram a defender o castelo.
Desviou uma azaração e lançou um feitiço estuporante em um atacante. Ao seu lado, Neville fez um comensal dar uma cambalhota para trás, caindo com força no chão. Dois atacantes lançaram azarações e ele e Neville fizeram escudos.
Mas eles estavam em maior quantidade. Defendiam feitiços, desviavam azarações, atacavam de novo, de novo e de novo... mas estava consciente que cada vez precisava recuar um passo. Cada vez os invasores avançavam pelo Salão Principal.
Cada vez mais estavam subindo os degraus das escadas. Cada vez mais estavam sendo jogados pelos corredores. Perdendo, caindo, se ferindo.
Mas ele e Neville seguiram juntos, duelando lado a lado, deixando a velha rixa entre Lestrange e Longbottom para trás. Confiavam plenamente um no outro, deixando suas costas para o outro defender. Sempre olhando para frente, confiando a retaguarda para o outro.
Mais um feitiço, outro escudo. Explosões, ataques. Gritos. Choros. Perdas.
Mais um degrau que precisavam subir... estava tudo terrivelmente difícil e só piorou quando os homens encapuzados apareceram. Eles duelavam com maestria. Com habilidade muito superior aos outros. Mais degraus, mais gritos e explosões e poeira e choros...
Gina surgiu ao seu lado e voltaram a duelar, finalmente ganhando terreno. Fazendo os invasores recuar. Para sua surpresa, Damian e Alhena apareceram também. Quis ficar com raiva de Damian, por ele não ter tirado sua irmã do castelo, mas não conseguiu. Sentiu-se mais seguro com eles ali. Alhena duelava muito bem. Damian também. Gina era muito talentosa e Neville igualmente.
Tentavam defender os alunos da melhor maneira que conseguiam. Tentavam ajudar os feridos, principalmente Alhena, que era a melhor com feitiços de cura... mas muitos precisavam de poções. Muitos precisavam de Madame Pomfrey...
E muitos estavam mortos...
–Rasalas, precisamos sair daqui! – disse Damian, com a testa molhada de suor – Nem sabemos o porquê de estarmos duelando.
–Precisamos ganhar tempo para Harry... ele veio fazer alguma coisa aqui em Hogwarts. Veio procurar uma tiara! – explicou Gina.
–Pra que raios ele precisa de uma tiara? – perguntou Damian.
–Precisamos mantê-lo vivo, Damian. É por isso que estamos lutando. Quanto menos inimigos, mais chances Harry tem de sobreviver.
–E quanto mais nós duelamos, menos temos chances de fazer o mesmo. – resmungou Damian.
Rasalas concordou, mas não cogitou recuar. Olhou para o lado e sentiu o sangue gelar. Viu Remus Lupin. E ele duelava contra um comensal de morte sem máscara. Correu, desesperadamente o lançou um feitiço no comensal.
–REMUS!
–RASALAS! O QUE VOCÊ...?
Reconheceu Antony Dolohov e tomou a dianteira, ajudando o amigo a duelar. Feitiço atrás de feitiço, mas Remus parecia estar enfraquecido. Provavelmente fora de forma, por ter se mantido escondido por tanto tempo, na intenção de proteger Nymphadora e Teddy.
Lançou um feitiço estuporante, mas Dolohov o defendeu e o atacou em questão de pouquíssimos segundos. A azaração dele acertou Lupin, o jogando no chão. Para seu horror, mais três comensais apareceram. Rasalas não recuou, mas Damian e Alhena apareceram. Olhou para trás e viu Neville e Gina duelando contra outros comensais
–Para trás. – disse Dolohov – Vocês são os filhos de Rabastan. Não quero machucar vocês.
–Não vai machucar Lupin sem passar por mim primeiro. – disse Rasalas.
Dolohov voltou a brandir a varinha, assim como dois dos três recém chegados comensais. Com horror, reconheceu a juba de cabelos negros de Bellatrix Lestrange. O outro só poderia ser Rodolfo...
–Eu sabia que não teria coragem para nos seguir. – escutou tia Bellatrix.
–Eu vou matá-lo, você não merece meu sobrenome. – rosnou Rodolfo. O terceiro comensal nada disse...
Duelaram os três, contra três, enquanto o terceiro comensal assistia. Não teve condição de olhá-lo, mas sentiu um medo terrível de aquele ser seu pai... se fosse... por que ele não o ajudava? Por que ele não o defendia?
Por que estava parado, apenas assistindo?
Damian gritou, quando uma azaração de Bellatrix o atingiu, atravessando seu escudo. Gritou, assustado, mas Nymphadora apareceu ao seu lado.
–Remus! Remus! – chorou ela, mas não escutou resposta do amigo. Seguiu duelando com quem julgava ser seu tio. Alhena parecia terrivelmente assustada, duelando contra Dolohov.
–Nymphadora Lupin... – riu Bellatrix, retirando a máscara. Dora se levantou com a varinha em punho – Hora de limpar essa mancha terrível que suja a honrada casa dos Black.
As duas saíram duelando. Rasalas e Alhena seguiram fazendo o mesmo, dançando aquela dança... Alhena finalmente derrotou Dolohov, mas parecia simplesmente exausta. Rasalas ainda tentava manter o tio sob controle.
Foi quando o outro comensal entrou em batalha. Sentiu um calafrio, vendo aqueles olhos cinzentos. Ambos os olhos eram cinzentos...
Tinha certeza de que seu pai estava esperando o momento certo. Apenas esperando que Rodolfo ficasse distraído o suficiente. Apenas esperando que Nymphadora se afastasse com Bellatrix o suficiente. Estava completamente convencido de que estava seguro.
Por isso sorriu, por mais que sua irmã parecesse quase em pânico, se desconcentrando enquanto duelava. O outro comensal começando a levar a melhor sobre ela. Seu pai provavelmente só queria testar suas habilidades... por isso continuou sorrindo, olhando arrogante para seu oponente, seu suposto tio.
Seguiu duelando lado a lado com a irmã. Ela preocupada, centrada, e Rasalas com aquele sorriso insolente de sempre.
Rasalas soltou um poderoso feitiço em um deles, capaz de partir seu feitiço escudo.
–Tome isso! Há! – gritou ele com aquele sorriso sempre insolente. Sua irmã pareceu se distrair, como se tivesse se lembrado de algo e esse momento foi o suficiente para que o comensal que duelava com ela a desarmasse. Ele lançou outro feitiço contra ela, mas Rasalas a protegeu com seu excelente feitiço escudo. – Por que não pega alguém do seu tamanho, heim? Seu saco de bosta de dragão!
–Cale-se! – sibilou o comensal que ele tinha julgado ser seu pai... mas logo entendeu que não era. Não era. Não era a voz dele. Era outra voz. O outro comensal o olhou, surpreso, como se não esperasse ouvir aquela voz também. Mas Rasalas não ficou perdendo tempo prestando atenção naquilo.
–Não vou calar! Eu sou Rasalas Lestrange e eu vou... – o comensal que ele julgava ser Rodolfo o atacou e por isso fez um escudo para se defender. Mas a magia do suposto tio foi mais forte. Sentiu a azaração acertá-lo no peito, roubando seu ar, deixando seu corpo duro e pesado. Lento. Muito lento...
–Não deveria falar tanto, moleque. – disse a voz que ele reconheceu ser de seu tio Rodolfo. Não conseguia se mover. Esperou que a azaração do tio lhe acertasse, mas foi o comensal que julgara ser seu pai quem o azarou.
O feitiço verde veio lentamente. Pode ver sua vida passar diante de seus olhos.
Se viu criança, brincando com Alhena e Astoria, na loja de Madame Greengrass. Viu sua mãe sorrir ao vê-lo com roupas a rigor, que a mesma Madame Greengrass tinha lhe presenteado. Viu quando conheceu seu avô, naquela loja. Viu a Sala das Bolhas, quando entrou ali pela primeira vez, desejando ter a sua própria. Viu-se jantando pela primeira vez na mesa da Sonserina. Se viu conhecendo Lupin. Se viu naquele lago, com Daphne se aproximando aos poucos, para lhe dar um beijo. Se viu em frente a cela do pai, em Azkaban. Lembrou-se vivamente do rosto encovado dele, completamente feliz por vê-lo. Se viu no baile com Hermione. Se viu voltando a ver a irmã, depois que ela foi para Beauxbatons. Se viu duelando na AD. Se viu com Gina. Se viu no dia do Veneno de Fada, abraçado a Draco, Damian e Blair. Rindo de se acabar. Se viu beijando Daphne na casa de Pansy. Viu Fenrir Grayback encará-lo através da grade. Lembrou de Damian cantando para Alhena. Lembrou-se até de Pierre... e por fim se lembrou de Daphne de novo, de novo e de novo... tinham discutido e não tinham feito as pazes... tinha dito a ela que poderiam ter filhos... mas o raio verde estava chegando. Estava chegando...
Mas então escutou aquela voz.
–RASALAS, NÃO!
Alguém o empurrou e a velocidade de tudo pareceu voltar ao normal. Caiu no chão e olhou para o lado. A irmã imóvel. Os olhos estáticos, vidrados, encarando o teto. O peito imóvel.
Morta... Alhena Lestrange... estava morta.
Todos os dias quando acordo...
Não tenho mais o tempo que passou...
Então me abraça forte.
Me diz mais uma vez que já estamos...
Distantes de tudo.
Somos tão jovens. Tão jovens, tão jovens...

Presente da Aurora! Obrigada, Linda! =D
Fale com o autor