Legado Lestrange
7 Ressentimentos
Notas iniciais

10 de Maio de 1979
Rabastan se ajoelhou em frente a lápide com o nome de Emily Valentine. Ele deixou ali algumas rosas, cada uma de uma cor, e fechou os olhos, perdido em dor.
—Adeus, Emms... – murmurou ele – Eu já não tenho nada que me faça querer voltar atrás nas minhas escolhas... – ele soltou um suspiro – Eu queria ir embora daqui... ter uma vida com você... longe da minha família, da guerra... num lugar onde veríamos nossos filhos correrem alegres, com sorrisos nos rostos... mas você já não está mais aqui para isso... eu queria ter tido postura tempos atrás... – ele soltou um suspiro, olhando a lápide – Eu realmente sinto muito... agora eu vou lutar pelo que me sobrou. Meu irmão... a causa... eu pensei muito, Emms... – ele girou a varinha nas mãos – Eu... eu espero que me perdoe por não poder te vingar... eu... eu não acredito nas coisas horríveis que falaram de você. Eu realmente não acredito. Eu acredito naqueles dias que tivemos. Eles são a minha verdade... mas aqueles dias não serão mais do que boas lembranças... eu... eu sou um soldado, Emms... eu preciso continuar lutando. Eu comecei isso e vou terminar... e... eu sinto muito, mas... – ele fechou os olhos e os pressionou com os dedos – Eu estou confuso, Emily. Eu estou tão confuso... você estava com Black? Você esperava um filho meu? Me desculpe por ter demorado tanto... mas... mas eu precisei de tempo para me recuperar. Ele me castigou feio, Emily... mas eu teria passado todos aqueles dias com você novamente. Eu juro. – ele suspirou – A única coisa que eu faria de diferente... era te esconder... não deixar que te descobrissem... não deixar que pegassem você... eu queria ter voltado imediatamente. Mas eu precisei ir atrás de Meadowes... – ele engoliu em seco – Eu sei que vocês eram amigas... eu sinto muito... mas ao menos... ao menos você não estará sozinha... Meadowes te fará companhia... o Lorde a matou, Emily... eu não pude fazer nada. – Rabastan soltou um suspiro. Um vento morno bateu em sua nuca e ele se levantou – Eu vou sentir sua falta. Eu nunca vou esquecer daqueles dias. Nunca. Eu teria me casado com você. Eu juro que teria... – ele olhou para o céu azul, que já adquiria tons de laranja, com o por do sol – Eu nunca mais me casarei. Eu nunca terei outra mulher...
Fechou os olhos e colocou a mão no bolso. De lá tirou um anel. O anel que comprara para ela, há muitos anos atrás. Quando era um adolescente inocente e apaixonado. Tirou do outro bolso o outro anel. O que tinha comprado assim que voltara da missão com o Lorde das Trevas. No dia em que ela foi assassinada...
Se abaixou e colocou os dois anéis sob o túmulo, jurando a si mesmo que nunca mais compraria outro anel de compromisso. Olhou longamente para a pedra fria sentindo-se miseravelmente infeliz. Os minutos se passaram sem que conseguisse sair dali. Sua mente divagava para aqueles dias felizes na casa dela, ou para a época de colégio... Tudo o que queria era poder ter aquilo de volta... nem que fosse uma vez mais... queria ao menos poder se despedir... dizer a ela tudo o que deveria ter dito.
—Lestrange.
Rabastan se levantou tão rápido, que sua visão enturvou, mas apontou a varinha para frente assim mesmo. Reconheceu aquela voz, assim que a ouviu. Um homem alto, de cabelos compridos e negros o olhava com desprezo.
—Black. O que faz aqui? – rosnou ele.
—Eu poderia perguntar o mesmo de você. – retrucou ele. Mas o homem olhou para o túmulo e seu semblante ficou menos rígido – Mas é meio óbvio... você não veio no funeral.
—Não. – concordou Rabastan.
—Não quero duelar, baixe a varinha. – murmurou Black – Não vou lutar com você no túmulo dela. – adicionou ele se aproximando para ficar na frente do túmulo. Rabastan se virou, mais uma vez mirando a pedra com o nome Emily Valentine. Lado a lado com aquele homem que detestava.
—Quem a matou? Vocês sabem? – perguntou Rabastan.
Sirius Black sorriu desdenhoso.
—Sim. Ela não estava morta quando eu cheguei. – adicionou ele. Rabastan o olhou com os olhos esbugalhados – Fui eu quem a encontrei. Estava muito ferida. Muito. – adicionou ele – Ela não resistiu. Tentamos de tudo, mas... ela morreu assim mesmo.
—Quem a matou? – perguntou Rabastan novamente.
—E o que você vai fazer se eu falar que foi o seu mestre? – perguntou Sirius, sem encará-lo.
Rabastan sentiu um frio na barriga com aquela possibilidade.
—Não. Não foi o Lorde das Trevas. – disse se recusando a olhar para Black. Não queria que ele visse seu ar de frustração por não poder jamais fazer algo a respeito.
—Acha mesmo?
—Ele nunca falha quando decide matar.
—Ela morreu.
—Não na hora. – murmurou Rabastan – Se fosse o mestre, ela já estaria morta quando você chegou.
—Boa observação. – riu Black – Realmente, não foi aquele fanático. Foi um outro.
—Me dê um nome, Black.
—Pra que? – perguntou Black tirando um cigarro do bolso e o acendendo com uma caixa prateada, que tinha uma chama. Rabastan bufou sem paciência.
—Eu vou vingá-la.
—Eu duvido. – riu Sirius Black, com desdém.
—Acha que eu não sou bom o suficiente para vingá-la? – perguntou enfurecido.
—Acho que não é homem o suficiente para vingá-la. – respondeu Black.
—Me dê um nome. – exigiu Rabastan.
Sirius Black riu com desdém novamente e sacou a varinha. Ele soltou a fumaça em sua cara e sorriu debochado.
—Foi seu irmão.
E então desaparatou.
*
Hogwarts
1993-1994
Praticamente todo o mundo amava Remus Lupin. As alunas o achavam fofo e gentil. Os garotos o achavam irado e divertido. E todo mundo concordava que ele era um professor muito competente. Até mesmo Rasalas, que sempre olhava Remus com desprezo. Ninguém parecia entender o que ele sentia, com a exceção de Blair. Estavam só os dois conversando num corredor, quando Lupin passou.
—Eu sei como é. Sempre que minha mãe aparece com um namorado, eu fico assim também... – resmungou ele – E todos sempre dizem que eu não devo ficar me sentindo mal, afinal, minha mãe merece ser feliz.
Rasalas concordou.
—Eu queria que ela fosse feliz com o meu pai. – murmurou ele – Ele ainda é apaixonado por ela... mas está preso.
—Você o conheceu, né? Como ele é?
—Muito legal. – respondeu Rasalas. – Eu gosto muito dele... mas... bem... é mais uma empatia, saca?
—Sei. – respondeu Blair. O garoto soltou um suspiro – Bem... pronto para a aula de Estudo dos Trouxas? – perguntou Blair com uma careta – Ainda não acredito que você convenceu todo mundo a fazer essa matéria...
—Eu tenho um dom pra convencer as pessoas. – riu Rasalas.
Logo chegaram na sala. Draco já estava lá, com Vince e Greg. Damian chegou depois com Alhena. Os dois conversavam tranquilamente. Rasalas sentiu um frio lhe subir a espinha e uma pontada de ciúmes, mas se conteve. Se sentou numa cadeira e logo Damian se aproximou com Alhena.
—E aí eu falei... Cara, você tá achando que é invisível? – riu Damian. Alhena deu uma risadinha, corando e desviou o olhar. Rasalas a olhou com um sorrisinho zombeteiro e ela corou mais ainda – E então? Prontos pra aula mais perda de tempo da história? – perguntou ele.
—Eu ainda estou tentando entender como foi que todos nós acabamos concordando com isso. – resmungou Draco.
—Eu só aceitei porque achei que seria uma matéria fácil. – murmurou Vince – Trouxas são inferiores. A matéria deve ser tranquila.
Rasalas olhou para Alhena e deu uma risadinha. Se sentaram todos juntos e quando a professora entrou na sala, piscou várias vezes, surpresa.
—Minha nossa... quantos alunos da Sonserina! – murmurou ela. Eles estavam em maior número que os alunos da Corvinal – Bem... boa tarde queridos. – riu ela, simpática. Rasalas pegou seu caderno e caneta e viu que havia um “Daphne Greengrass passou por aqui!” nele. Soltou um sorriso meio bobo e o abriu, anotando o dia no topo – Meu nome é Caridade Burbage e serei sua professora. – disse ela colocando alguns livros em cima da mesa. Ela pegou um giz e começou a escrever no quadro com a mão mesmo.
—Será que ela não sabe nem fazer magia? – sussurrou Draco com deboche, arrancando risadinhas de Vince e Greg.
—Bem. Nesse ano estudaremos as mitologias das principais civilizações antigas; Mitologia Grega, Egípcia, Romana, Nórdica, quem já estiver tendo Runas Antigas já vai ter visto alguma coisa... e é claro, o cristianismo da idade média. Os trouxas adoravam guerrear por conta de suas mitologias. Podemos ver que a mitologia trouxa influenciou em muita coisa de sua história. Hábitos, guerras e etc. – A professora estava escrevendo nomes estranhos no quadro, que Rasalas nunca tinha lido – E no final do ano, antes do natal, vocês vão ter que apresentar uma peça sobre alguma das mitologias.
—Professora? – chamou Patil.
—Sim? Nome, por favor?
—Padma Patil. Não deveríamos estudar os hábitos trouxas?
—Excelente pergunta. Nós vamos estudar os hábitos trouxas. Mitologias são excelentes para nos guiar sobre isso. Por exemplo. – a professora pegou a varinha e conjurou um pergaminho enorme, com um sarcófago – No Egito, a magia não era proibida e nem secreta, há milhares de anos atrás. E era uma sociedade que funcionava perfeitamente bem, porque trouxas e bruxos viviam em harmonia. Os bruxos tinham um lugar muito importante na hierarquia social egípcia. Todos já ouviram falar na necromancia egípcia, certo? – muitos alunos pareceram olhar surpresos para a professora – Pois saibam que os trouxas incentivavam esse tipo de magia. Muitos escravos eram dados aos bruxos para um desenvolvimento e estudo dessa Arte das Trevas. A tão sonhada imortalidade. A vida após a morte, que os faraós tanto desejavam...
A professora começou a falar sobre como funcionava a sociedade egípcia, falou sobre o faraó, seus magos, seus soldados, nobres, camponeses e escravos. Uma verdadeira aula de história. Mostrou as armas que os trouxas usavam para lutar. Arcos, facões curvos, lanças... Depois mostrou a arquitetura fantástica deles e outros hábitos trouxas da época.
Achou completamente nojento o fato de faraós casarem muitas vezes com as próprias irmãs, mas a professora falou que se os bruxos continuarem a se preocupar tanto com a pureza de sangue, era o que iria acabar acontecendo.
Quando a aula acabou, a professora mandou que lessem o capítulo do livro sobre os principais deuses egípcios e fizessem alguns centímetros de como algum deus influenciava a sociedade egípcia.
—Isso foi realmente legal! – disse Rasalas. Alhena sorriu concordando.
—Foi mesmo. Os trouxas são realmente criativos, não são?
—Eu achei besteira. – resmungou Draco – Mas se fomos fazer uma peça, eu vou ser Amon-Rá!
—Ok! Eu sou Anubis! – disse Rasalas – Pedi primeiro!
—Mas ele é um cachorrão preto! – ralhou Blair – Ele é o deus mais maneiro e eu tenho que ser ele.
—Só porque você é negro? – perguntou Rasalas mudando a cor da pele. Todo mundo caiu na gargalhada, mas Blair não quis nem saber.
—Eu sou o Anubis.
—Ok. Eu faço o Set. O deus malvado. – riu Rasalas – Quem vai ser o Osíris, preu fatiar em pedacinhos?
—Eu. – disse Damian – Alhena vai ser a Ísis. Vai catar os meus pedacinhos e costurar de novo.
—Como vocês sabem de tudo isso? – perguntou Vince – A professora não falou nada disso na aula!
—Eu li essa parte. Tinha muitas figuras coloridas. – riu Damian.
—Eu já fui ao Egito. – respondeu Blair dando de ombros.
—Mamãe nos contou sobre mitologia Egípcia. – disse Rasalas.
—E na hora que a professora falou que teríamos que fazer uma peça sobre mitologia, eu fui ver quem era o deus mais fodão. – disse Draco como se fosse óbvio – Porque era óbvio que teria de ser eu.
—Quem sobrou pra mim e pro Vince? – perguntou Greg, com a cara confusa.
—Bem... ainda temos Hórus. – disse Alhena mordiscando a unha, com um ar pensativo – Ele é o filho de Osíris e Ísis.
—Então eu vou ser esse. – disse Vince. Greg o olhou parecendo se sentir traído.
—Mais algum? – perguntou Greg.
—Ah... tem um monte. Não se preocupe, Greg. – riu Rasalas.
—Mas nós vamos estudar mitologia Grega nesse semestre ou só no próximo? – perguntou Draco – Porque eu acho que Zeus é muito mais legal. – ele olhou para as próprias unhas – E eu ficaria mais confortável de toga do que só de saia. As roupas dos deuses Egípcios eram muito... expositoras.
—Há sabedoria nessas palavras. – riu Rasalas – Eu sou o Hades!
—Mas eu quero ser o Hades! Ele é o Anubis grego! – resmungou Blair, fechando a cara.
—Rasalas tinha que ser Zeus. – riu Alhena. Draco a olhou zangado.
—Eu sou Zeus. Ele é o mais fodão dos deuses gregos.
—Mas é que... Zeus era um metamorfo. Ele gostava de mudar de forma para seduzir as mulheres... você está mais para um Apolo, Draco. – disse Alhena.
—Bem... Apolo é o deus sol, certo?
—Sim. – riu ela.
—Não. Apolo tinha que ser o Rasalas! Ele tinha uma irmã gêmea! – disse Blair – Pronto. Vocês são Apolo e Artemis!
—Só porque isso garante que você vai ser o Hades. – resmungou Rasalas.
—Claro.
O grupo saiu discutindo sobre os deuses que queriam ser, sem saber lá muita coisa sobre eles. Rasalas e Alhena trocavam sorrisos com a empolgação dos colegas, que antes estavam completamente descontentes com a disciplina.
—Tolinhos. – riu Rasalas vendo Draco e Blair discutirem quem ganharia num duelo entre Zeus e Hades.
**
Rasalas estava olhando para Daphne Greengrass. Ela estava dançando com Alhena “Para Dançar e Sonhar”, animadamente. Alhena estava um tanto desengonçada, mas Daphne tinha muita graça para se mover. Ela largou Alhena e ficou girando, fazendo saia do vestido rodopiar com seu movimento. Alhena, que usava uma saia preta, com uma longa meia calça, apenas batia palmas. Pansy estava retocando a maquiagem e Emilia estava trançando os cabelos, cantarolando baixinho.
—Terra para Rasalas! – riu Damian. Rasalas piscou, corando e olhou para o lado. Damian ria de sua cara e Blair fazia o mesmo – Olhando pra Daph de novo, ruivo? – perguntou o garoto.
—Ele está caidinho. – riu Blair – Deveria chamar ela pra um canto e... – Blair beijou as pontas dos dedos e lhe sorriu com divertimento – Ainda mais agora que você é o batedor oficial da Sonserina... – adicionou ele.
—Pare com isso. – murmurou Rasalas voltando o cabelo para o normal – E nós dois somos os batedores oficiais da Sonserina.
—É. Eu sei. – riu Blair – Mas então... você vai falar com ela?
—Não. Seria esquisito. – murmurou Rasalas – A gente se conhece desde pequenininho, sabe? – perguntou ele.
—E? – riu Damian – Qual o problema?
—Neh... – resmungou ele dando de ombros – Mas ela é bonita, não é?
—É. – disse Blair concordando, encarando Daphne que seguia dançando contente.
Estavam em Hogsmeade, aproveitando a tarde.
—Vamos para o Três Vassouras? Estou com sede. – pediu Damian.
Os outros dois deram de ombros. Seguiram para o Três Vassouras, mas logo Rasalas avistou Ronald e Hermione.
—Só um minuto! – disse ele se afastando para falar com os Grifinória – Onde está o Harry? – perguntou ele rindo para os dois. Quanto mais o tempo passava, menos falava com eles.
—Os trouxas que cuidam dele não deixaram que ele viesse. – respondeu Ronald com um muxoxo – Fazer o que?
—Que droga. Por que não? – perguntou o garoto.
—Ah... eles são um tanto difíceis. – resmungou Mione. Rasalas soltou um suspiro e colocou a mão no bolso, tirando um galeão.
—Aqui. Comprem um monte de coisas pro Harry por mim. – disse sorrindo – Vocês conhecem o gosto dele melhor do que eu. – adicionou. Hermione parecia que iria negar, mas Ronald pegou a moeda e a colocou no bolso.
—Pode deixar. – riu ele.
—Precisamos sair mais. – riu Rasalas.
—Por que não vem dar uma volta com a gente? – pergunta Hermione.
Rasalas olhou para trás meio sem jeito. Damian e Blair o olhavam com reprovação.
—Ah... é só que... – começou, mas os Grifinória logo entenderam.
—Ok. Tudo bem. Fica pra próxima. – riu Hermione.
Rasalas concordou coçando o queixo e acenou em despedida, correndo de volta para junto de seus companheiros de casa.
—Sério, Rasalas. Entre Granger e Daphne... por mais esquisito que você imagina que vai ser... Escolha Daphne. – resmungou Damian.
—Do que está falando? – resmungou Rasalas.
—Você precisa sair correndo pra falar com ela sempre que ela passa? – ralhou Blair olhando com reprovação para Hermione – Que saco. Parece até um cachorrinho adestrado.
—Oh. Vão pastar, vão? — resmungou Rasalas.
Caminharam juntos até o Três Vassouras e passaram a tarde inteira ali. Só saíram no fim da tarde, para voltar para o castelo. No caminho, cruzaram com as meninas e foram juntos fazendo barulho.
Daphne estava dançando animada, nas pontas dos pés, numa coreografia de balé. Rasalas a achou muito graciosa, mas Parkinson perdeu a paciência e mandou Daphne parar com aquilo. A garota se desculpou, voltando a andar normalmente e Rasalas revirou os olhos por as garotas sempre acabarem fazendo tudo o que Pansy Parkinson mandava.
Chegaram na escola e se deliciaram com o banquete de Dia das Bruxas. Rasalas ficou conversando com Blair sobre táticas de quadribol. Notou que a irmã comeu muito pouco da sobremesa, e ele entendeu que ela estava fazendo o tal regime que Pansy tinha dito que ela deveria fazer.
Suspirou não gostando muito daquilo, mas também pensou que isso deixaria seu avô bastante satisfeito.
Depois do jantar, foram para o dormitório. Estava simplesmente exausto, então se jogou na cama e dormiu rapidamente. Acordou no meio da noite com alguém o cutucando. Abriu os olhos e se virou.
—Lena? O que está fazendo aqui? – perguntou ele.
—Ras... – murmurou ela.
—O que foi? – perguntou assustado, se sentando.
—Eu vi um homem... um homem com uma faca... – choramingou ela.
—Onde?
—Eu não sei! – chorou ela – Mas foi horrível... eu... eu acho que é aquele dos cartazes. O tal do Sirius...
—Sirius Black? – perguntou Rasalas coçando os olhos – E daí? Ele provavelmente deve estar estripando alguém, em algum lugar... vai dormir. – resmungou ele.
—Posso dormir com você? – perguntou ela – Eu... eu estou com medo.
—Alhena! Não temos mais seis anos. Vai logo pra sua cama.
—Mas... Ras... – murmurou ela com a voz aguda.
—Lena! Não existe lugar mais seguro do que Hogwarts e Sirius Black nunca vai entrar aqui! – resmungou ele.
Alhena concordou com os olhos cheios de água e saiu do dormitório. No dia seguinte, descobriu que estava redondamente enganado. Sirius Black estivera no castelo e destruíra o retrado da Mulher Gorda, na tentativa de entrar no Salão Comunal da Grifinória.
—Ele errou o quarto, Valentine. – riu Flint segurando Alhena por trás, nos ombros – Ele provavelmente estava aqui querendo cumprir a profecia da professora Trelawney... mas aposto que ele te pega da próxima vez.
—Cale a boca, Flint! – resmungou Damian – Pare de assustar a garota.
—Trelawney disse que Potter iria morrer também. – disse Pansy, calmamente – Eu falei com o professor Snape e ele disse que todo ano ela escolhe um dois alunos e fica falando que eles vão morrer. Pode ficar tranquila, Lena. Nada de ruim vai te acontecer.
Alhena pareceu ficar mais calma com aquilo... mas o castelo inteiro parecia cada vez mais em pânico.
***
O natal chegou e Rasalas mal podia esperar para visitar o pai e contar sobre sua primeira vitória contra a Corvinal – perdera o primeiro jogo porque Malfoy não pegara o pomo contra Potter. O pai nem mesmo sabia que tinha se tornado batedor. Queria contar para ele pessoalmente.
Estava na cabine com Alhena, Daphne e Damian. Harry, Ronald e Hermione ficariam no castelo, então acabou ficando mais uma vez com os colegas da Sonserina. Ele e Damian passaram a maior parte do dia batendo papo, enquanto Alhena e Daphne ficavam dando risadinhas, com o caderno de desenho de Alhena.
—Do que vocês estão rindo, afinal? – perguntou Damian, curioso.
—Alhena está desenhando um vestido pra mim. – disse Daphne – Para minha apresentação de balé. Eu tenho treinado todos os dias. Pansy está quase pirando. – riu ela – Vou apresentar no verão e Alhena quem vai fazer o meu vestido!
—Meu primeiro trabalho. – riu Alhena, empolgada.
—Fala sério, Lena. Você não quer mesmo ser uma simples costureira, né? – perguntou Damian.
—Qual o problema? – perguntou ela. Damian arqueou as sobrancelhas.
—Pois case com um cara rico e faz ele comprar um ateliê pra você.
—Você é rico, Damian? – perguntou Daphne, com um sorriso travesso e Alhena corou tão furiosamente que parecia que a cabeça dela iria explodir.
—Eu sou bastante rico. – respondeu ele – Mas eu não me casaria com a Lena.
—Por que não? – perguntou Rasalas.
—Sua irmã é legal, mas não faz meu tipo. – respondeu ele como se Alhena não tivesse ali – Mas você faz, Daphne. – riu ele, piscando para ela.
Rasalas o socou no braço e o colega o olhou feio.
—Não seja babaca com a minha irmã!
—Eu disse que ela não faz o meu tipo. Não fui babaca.
—E qual é o seu tipo? – perguntou Daphne, com certa frieza.
—Você. Eu já disse. – riu Damian e Rasalas o socou no braço de novo – Ei! Larga de ser ciumento, Rasalas. Você nunca toma iniciativa! Eu tomo.
Rasalas o olhou furioso e constrangido. Depois olhou em pânico para Daphne. Tinha certeza de que seus cabelos estavam muito vermelhos.
—Do que está falando? – perguntou Daphne, corando também. Alhena soltou um suspiro e se levantou, deixando a cabine. Daphne se levantou em seguida, para ir atrás dela – Você é um idiota, Burke! – ralhou ela antes de sair.
—O que eu fiz? Não falei nada de cruel. – resmungou Damian – O que eu posso fazer se eu não vejo Alhena desse jeito?
—Por que não gosta dela? Só por que ela está acima do peso? – perguntou Rasalas.
—Não. Eu só prefiro garotas com mais personalidade. Sua irmã é muito timidazinha. Ela é legal e eu gosto dela. Mas não iria conseguir namorar com uma garota que cora toda vez que eu olho pra ela. – respondeu ele – Eu não fui grosso... eu só disse que eu não gosto dela desse jeito.
Rasalas suspirou. O amigo não sabia dos sentimentos de Alhena, então não poderia culpá-lo.
As garotas só voltaram para a cabine depois que anoiteceu, e foi somente para pegar as próprias coisas. Damian estava se sentindo mal por Alhena e simplesmente não sabia o que fazer.
—Lena! Não fique triste, Lena. Eu não quis te magoar. – murmurou ele pra ela – Eu gosto muito de você... mas não desse jeito. – murmurou ele – Não fica triste, ok?
—Está tudo bem, Damian. Por que não vai azarar a Daphne e me deixa em paz? – perguntou Alhena, zangada. Damian parou meio surpreso por ela não ter simplesmente baixado os olhos e sussurrado um “ok” constrangido, como era esperado que ela fizesse.
—Merlin, me poupe. Nem perde tempo, Burke. – resmungou Daphne andando de mãos dadas com Alhena.
Rasalas revirou os olhos, mas um sorriso brotou em seu rosto, sem que conseguisse evitar. Se despediram dos amigos e foram para a casa com a mãe.
Alhena foi direto para o quarto e depois foi tomar banho. Rasalas se ofereceu para ajudar a mãe com a ceia de natal, mas ela o proibiu.
—Nada disso. Você e sua irmã precisam descansar. A ceia é por minha conta. – adicionou ela.
Rasalas concordou suspirando e foi para o quarto. Lá pras nove da noite, os três cearam. Alhena ficou a maior parte do tempo calada. Rasalas quem mais conversou, contando animado sobre o quadribol e sobre Sirius Black ter aparecido na escola.
—Você o conheceu, não foi, mamãe? Como ele era? – perguntou Rasalas.
Sua mãe deixou um sorriso nostálgico escapar de seu rosto.
—Sirius era do meu ano e era o garoto mais popular do colégio. – riu ela – Éramos bons amigos. – ela suspirou ainda sorrindo – Era mulherengo e sempre estava metido em confusão com James, Pedro e Remus...
—Lupin? – perguntou Alhena.
—Sim. – respondeu sua mãe – Eles eram melhores amigos.
—Lupin era amigo de Black? – perguntou Rasalas com um sorriso satisfeito no rosto – Agora já sabemos como que o Black entrou na escola! Aposto que Lupin é um bruxo das trevas!
—Não seja bobo. Remus é o homem mais doce da face da terra. – resmungou sua mãe – Sirius vinha de uma família tradicional como a do seu avô... os Black se auto proclamavam nobreza... – ela franziu a testa, pensativa – Bem... não Sirius. – ela soltou um suspiro – Ele sempre pareceu odiar a própria família e a causa puro sangue... óbvio que descobrimos tarde demais que era tudo teatro... ele entregou os Potter para Você-Sabe-Quem...
Sua mãe soltou um suspiro.
—Que coisa... ninguém nunca nem desconfiou? – perguntou Rasalas.
—Ele e James Potter eram os melhores amigos desde o primeiro ano. – respondeu sua mãe – E... e Sirius era o único que sabia sobre o pai de vocês. – adicionou ela com um olhar perdido – O que explica muitas coisas, na verdade...
—Que coisas? – perguntou Alhena. Mas a mãe apenas sorriu.
—Não é nada... mas quase que ele foi o pai de vocês. – riu a mãe.
—Como assim? Você namorou o Black? – perguntou Rasalas, completamente chocado.
—Não é isso. – respondeu sua mãe – Mas quando eu contei quem era o pai de vocês... ele se ofereceu para assumir vocês... como filhos dele. – Sua mãe ficou enrolando uma mexa de cabelo no dedo, com um sorrisinho – Nós não éramos exatamente bons exemplos de responsabilidade naquela época...
—Acho que vou vomitar. – resmungou Rasalas.
—Credo, mamãe... você tinha um péssimo gosto para namorados. – ralhou Alhena – Acho que é genético...
—Por que? – perguntou a mãe.
—Não é nada.
—Hum... alguém andou se apaixonando, é? – perguntou a mãe, apoiando o queixo nas mãos. Alhena corou, desviando o olhar – Eu era apaixonada por Remus, desde o meu primeiro ano. – Rasalas revirou os olhos e colocou o dedo na língua, fingindo que estava com ânsia de vômito – O pai de vocês me encorajou a me declarar para ele quando eu estava no meu sexto ano... eu acabei tomando coragem e levei um fora. – Sua mãe deu um suspiro.
—Então o papai te consolou e vocês começaram a sair. Não foi? – perguntou Rasalas.
—Mais ou menos... seu pai me consolou sim, mas a gente continuou como simples amigos... apesar de seu pai ficar correndo atrás de mim... mas ele só começou a tentar de verdade quando notou que Sirius estava tentando me dá uns beijos... Rabastan ficou louco de ciúmes. – Rasalas notou um sorriso sonhador no rosto de sua mãe – Então ele me convidou pro baile da escola... dançamos a noite toda e... – a voz dela morreu, com ela olhando pela janela.
—O que? – perguntou Rasalas.
—E então começamos a namorar... – sua mãe deu um longo suspiro e se levantou, colocando o prato na pia – Foram bons tempos.
Rasalas trocou um olhar com Alhena, que tinha uma expressão estranha no rosto.
—Mamãe... – murmurou ela.
—Sim, meu bem? – perguntou a mãe enquanto lavava a louça.
—Vamos nós três... visitar o papai amanhã...? – perguntou ela timidamente.
Rasalas abriu um enorme sorriso para a irmã e sorriu para a mãe, com expectativa. Sua mãe não se moveu. Ela ficou parada, e um silêncio cheio de expectativas pairou sobre a cozinha. Apenas o som da torneira, despejando água na louça suja.
—Eu acho uma ideia legal... – murmurou Rasalas.
Sua mãe desligou a torneira e soltou um longo suspiro.
—Vamos ver... – murmurou ela – Eu vou tomar banho. Tenho uma festa ainda hoje...
—Festa? Que festa? – perguntou Rasalas.
—Nós não vamos? – perguntou Alhena.
—Não... vocês vão dormir... – disse sua mãe, calmamente – Eu vou me arrumar, ok?
Rasalas olhou desconfiado para a irmã, mas não criou caso.
—Só não vá fazer nada bobo. – pediu ele.
—Não se preocupe, querido. Eu nem vou ficar muito tempo. – prometeu sua mãe, com um sorriso.
Rasalas acompanhou a mãe com o olhar e deu de ombros. Que ela se divertisse...
Foi dormir, cheio de expectativas. Seu pai ficaria super feliz em conhecer Alhena. Passou boa parte da noite imaginando a reação dele e de Lena. Só podia torcer para que tudo ocorresse bem.
Teve o sono agitado. Passou a noite toda rolando na cama. A noite se arrastou lentamente e quando o dia finalmente chegou, achou que iria ter um troço. Trocou de roupa, vestindo vestes a rigor. Alhena levantou e foi tomar banho. Ela colocou roupas mais simples. Um vestido comprido e grosso e um sobretudo preto.
Ficaram esperando na sala e quando sua mãe apareceu, cheia de sono, ela os olhou surpresa.
—Oh... eu tinha esquecido... vocês querem mesmo que eu vá? – perguntou ela um tanto desanimada.
—Sim! – pediu Rasalas.
A mãe deu um suspiro e concordou sem muita animação. Ela voltou para o quarto e foi tomar um banho. Rasalas e Alhena foram esperar no quarto dela e notaram uma caixa muito bonita, pequena, em cima da cama. Olhou curioso para ela e se aproximou. Lena o olhou com censura, mas Rasalas simplesmente não resistiu.
Abriu a pequena caixinha e viu um belíssimo anel de prata. Uma grande e bonita pedra azul brilhante estava nele, rodeada por outras pequenas pedrinhas de brilhante.
Era, sem dúvidas, um anel de noivado.
Num primeiro instante delirou temendo que Lupin tivesse pedido sua mãe em casamento, mas depois o ocorreu que Lupin mal tinha dinheiro para comprar roupas, quanto mais um anel daqueles.
Ele estendeu o anel para a irmã, que soltou um suspiro, o olhando cheia de admiração.
—Que lindo. – murmurou ela – Não sabia que a mamãe tinha uma joia dessas...
—Nem eu. – concordou Rasalas – Isso deve ter custado uma fortuna...
—Com certeza.
Rasalas guardou o anel, com muito cuidado, e colocou a caixinha no lugar em que a tinha encontrado. A mãe demorou uma boa meia para ficar pronta. Quando ela saiu do quarto, os dois filhos a esperavam na sala. Ela usava vestes de bruxa também. Um vestido negro, de veludo, muito elegante. Os cabelos dela estavam presos num coque sofisticado e estavam completamente loiros, no mesmo tom dos de Alhena.
Rasalas nunca tinha visto sua mãe com uma aparência tão formal. Se perguntou o porquê dela ter se vestido daquele jeito, mas no momento tinha uma pergunta mais urgente.
—Mamãe... que anel é aquele em cima da sua cama? – perguntou o garoto.
Sua mãe piscou, surpresa e suspirou, desviando o olhar.
—Seu pai, há muito tempo atrás, pretendeu me pedir em casamento. Ele comprou dois anéis de noivado. Antes do Lorde das Trevas cair... – sua mãe olhou para o teto, com uma expressão infeliz – Os comensais tentaram me matar... eu... eu era um alvo deles... – ela arfou, como se estivesse se lembrando de algo que não queria lembrar – É por isso que eu tenho aquelas cicatrizes no peito... eu quase morri... – ela os olhou profundamente – Dumbledore disse que eu estaria mais segura se pensassem que eu estava morta... até mesmo seu pai achou que eu tinha morrido... – ela se abraçou olhando para o lado – Sirius Black se encontrou com Rabastan em frente ao meu túmulo falso... Rabastan tinha deixado os dois anéis de noivado lá. Então ele os pegou e me entregou... – os três fizeram um silêncio, sem que alguém soubesse o que dizer. Por fim sua mãe se empertigou e os olhou calmamente – Estão prontos?
—Sim! – disse Rasalas se colocando de pé. Alhena apenas concordou em silêncio, sem saber o que falar.
Os dois foram para junto da mãe, que os segurou pelas mãos.
—Vamos...
Logo Rasalas se viu na ilha-prisão. O frio era muito intenso e o mar estava mais bravio do que nunca. Subiram os degraus de pedra, que estavam levemente congelados e muito escorregadios. Ficou ajudando a irmã a subir os degraus, enquanto sua mãe subia sozinha. Minutos depois esperavam sua mãe falar com a recepcionista.
Era natal, mas pareciam ser os únicos visitantes naquele lugar terrível.
A funcionária da recepção chamou um carcereiro e então os três foram indo para o corredor de segurança máxima. Rasalas notou que todos os prisioneiros estavam muito encolhidos no fundo de suas celas, mas quando passavam com o patrono serpente de sua mãe, eles se jogavam contra a cela.
Mas Rasalas viu que seu pai já estava de pé, andando ansioso, de um lado para o outro. Quando chegaram na frente da cela dele, ele sorriu e encostou a testa na grade. Os olhos cinzentos dele foram direto para a mãe. Os dois trocaram um olhar rápido, mas ele logo olhou para o filho e em seguida para Alhena.
Rabastan sorriu ainda mais, se abaixando, para olhá-la com atenção.
—Olá... Alhena? – perguntou ele. Lena o olhou sem expressão e simplesmente concordou com a cabeça – Olhe só pra você... – ele deu um sorriso – Você é linda. – Alhena corou completamente, mas não sorriu. Rabastan voltou a se endireitar e olhou para a Emily – Que bom que vieram... achei que só Rasalas iria vir... – Rabastan soltou um suspiro, encarando a ex namorada – E você está muito formal. O que houve? – perguntou ele – O que fez no cabelo?
Rasalas olhou de relance para a mãe. Ela olhava para o prisioneiro com um olhar muito gélido.
—Eles vão vir aqui, te dar um banho e te levar para outro lugar, para passar um tempo com os seus filhos. – explicou ela, secamente.
—Dessa vez você vai passar um tempo com a gente? – perguntou o pai, com um sorrisinho.
—Não. – respondeu ela – E deveria se dar por satisfeito por ter seus dois filhos aqui, se dando ao trabalho de te visitar nesse lugar imundo.
—Eu nunca vou estar satisfeito, Srta. Valentine. – murmurou Rabastan – Sabendo que eu poderia estar lá fora... com vocês... – murmurou ele.
—Olá, Emily. – murmurou uma voz rouca, logo atrás deles. Rasalas se virou e sorriu para o tio. Ele estava na cela de trás, com os braços para fora da grade, apoiados nela e a testa encostada nas barras de ferro – Quanto tempo, não?
—Olha só... quem está aqui... quem olha, até pensa que é uma mulher da aristocracia, não é? – perguntou uma mulher de olhos azuis e uma densa cabeleira cacheada.
Rasalas olhou para mãe. Ela olhava para o tio com puro nojo. Sentiu a mão dela segurá-lo no ombro. Ela pegou Alhena também e então saíram, indo para o lugar onde ficariam com o pai.
—VEIO VER SE EU ESTAVA BEM PRESO, VALENTINE? – gritou Rodolfo – TODOS NÓS ESTAMOS! NÃO SE PREOCUPE!
E então ele gargalhou feito louco. Sua mãe fechou os olhos, fazendo cara de choro, mas ela respirou fundo e saiu de cabeça erguida.
Ficou se perguntando o que significaria aquilo tudo. Ficaram alguns minutos esperando na sala, até que trouxeram Rabastan. Ele estava limpo, com os cabelos castanhos avermelhados curtos. A barba estava por fazer e ele parecia muito satisfeito, apesar de haver algo de sombrio em seu olhar.
—Ele precisa ficar algemado? – perguntou Alhena, pro carcereiro.
O homem olhou para a mãe dos gêmeos, que olhou Rabastan por um tempo. Então ela acenou e o carcereiro bateu a varinha nas algemas, jogando-as no chão. Rabastan sorriu para Emily, mas então se ajoelhou para abraçar Rasalas. Depois ele olhou para Alhena, com um ar questionador, mas ela preferiu não abraçá-lo de volta.
—Ok... não quero te deixar desconfortável. – murmurou ele. Rasalas notou que os pulsos dele estavam feridos pelas algemas.
—Bem... tenham um bom papo. – murmurou a mãe, saindo. Rabastan a segurou pela mão. Os dois se olharam longamente e Rasalas se perguntou o que estaria passando pela mente deles.
—Fique. – pediu Rabastan – É natal.
Rasalas viu sua mãe parecer ponderar, mas ela acabou negando e puxando a mão, para em seguida sair. Mas Rabastan sorriu assim mesmo. Ele se virou para os filhos e então se sentou em uma das cadeiras. Alhena se sentou em uma das outras cadeiras e Rasalas preferiu ficar de pé.
—Pois é... por que a mamãe não gosta do tio Rodolfo? – perguntou Rasalas.
Rabastan deu de ombros.
—Eu não sei. – respondeu Rabastan olhando Alhena – Costumava ter uma foto, no quarto dos meus avós... de quando minha mãe era uma garotinha... eu juro que você é igualzinha a ela. – Rabastan olhou para Alhena com um sorriso gentil.
—Hum... – murmurou Alhena, meio sem jeito – Obrigada... eu acho...
Rabastan olhava para a filha, com atenção. Alhena parecia sem saber o que fazer e Rasalas apenas ria do constrangimento dela.
—Me fale de você. – pediu Rabastan – O que gosta de fazer?
—Desenhar. – respondeu Rasalas – Lena adora desenhar. – Alhena apenas concordou em silêncio e Rabastan deu uma risadinha.
—Quando eu era criança, Rodolfo sempre respondia por mim, porque eu era muito tímido. – disse Rabastan – Ele achava que me fazia um favor, mas eu odiava isso, porque depois de um tempo eu comecei a entrar em pânico quando as pessoas falavam comigo e ele não estava mais lá pra responder.
Dessa vez foi Rasalas quem corou e Alhena deu uma risadinha.
—Eu já me acostumei. – murmurou ela, timidamente.
—Rasalas não vai estar sempre do seu lado pra responder tudo por você. Precisa achar sua voz, Alhena. – disse o pai – E então, o que você gosta de fazer?
Alhena olhou para o irmão, que apenas cruzou os braços, sorrindo.
—Eu gosto... eu gosto de desenhar... e... dançar.
—Dançar? – perguntou Rasalas, curioso – Desde quando?
—Daphne está me ensinando a dançar. – explicou Alhena – E eu gosto de cantar também, mas... mas só quando estou sozinha. Porque tenho vergonha. – murmurou ela tirando um caderno surrado de dentro das vestes. Ela suspirou, corando muito, e o colocou em cima da mesa, depois o empurrou para o pai. Rabastan olhou o caderno e o pegou, curioso. Ele folheou e abriu um sorriso. Rasalas ficou encarando o caderno, curioso, desejando saber o que tinha ali – Eu... eu... eu fiz há muito tempo... – murmurou Alhena, parecendo constrangida.
—É pra ficar comigo? – perguntou Rabastan. Alhena concordou sem encará-lo e ele sorriu – Muito obrigado. – ele continuou folheando o caderno e tirou de lá uma fotografia. Ele sorriu contente e olhou novamente para Lena – Muito obrigado mesmo. – ele soltou um suspiro – Eu não tinha nenhuma de vocês ou da sua mãe. Nunca tive...
—É de quando, essa foto? – perguntou Rasalas.
—Vocês pareciam bem jovens. – disse Rabastan – Mas não sei de quando é...
Rasalas se aproximou e olhou a foto. Era uma foto dele, Alhena e a mãe. Os três sorriam para a foto.
—Foi umas semanas antes de o vovô nos descobrir. – murmurou Alhena.
—Entendo. – murmurou Rabastan colocando a fotografia dentro do caderno, que estava cheio de desenhos. Alguns pareciam bem infantis, claramente tinham sido desenhados quando a irmã era bem jovem. Mas a medida que o pai folheava o caderno, os desenhos iam ficando mais bonitos e cheios de detalhes.
—Por que fez tudo aquilo? – perguntou Alhena. Rabastan piscou e a olhou. Alhena o olhava extremamente magoada – Eu sempre me fiz de forte para a mamãe, para que ela pensasse que eu não ligava por ter crescido sem você... mas sempre doeu. Sempre foi um buraco vazio na minha vida. Por que fez tudo aquilo? Como teve coragem de matar todas aquelas pessoas. De destruir todas aquelas vidas por conta de um motivo tão superficial... tão... tão... mesquinho! – perguntou ela já com os olhos cheios de água. Rasalas tinha certeza que aquela pergunta estava entalada na garganta dela há séculos. Ele mesmo tinha aquela pergunta, mas nunca sentiu necessidade de fazê-la. Ele apenas queria o pai, mesmo que fosse daquele jeito... era melhor do que não ter...
—Alhena... – murmurou Rabastan – Vocês foram criados pela sua mãe. Ela nunca foi capaz de entender... não acredito que vocês possam fazer diferente.
—Mas é o mínimo que você pode fazer! Tentar se explicar! – rosnou Alhena – Quando tínhamos quatro anos, passamos um ano quase inteiro comendo arroz com ovo, simplesmente porque nossa mãe não tinha dinheiro. Ela trabalhava o dia inteiro, sem parar. E quando o Rasalas chorou por estar com fome, e não tínhamos mais nada pra comer, ela entrou em desespero. Então ela vendeu a própria varinha pra comprar comida. E tivemos que nos virar até que ela recebesse o próximo salário.
—Alhena... – murmurou Rabastan, muito sem jeito.
—Não! Eu quero saber. Me dê uma explicação! Porque a mamãe não te entendia, os nossos avós não entendiam... qual o motivo de ter feito todas aquelas coisas horríveis? Qual o motivo bom o suficiente para valer todos esses doze anos aqui! Longe de nós! Longe de todo mundo! Por favor, me explique.
Rasalas olhou para Rabastan. O rosto contente dele tinha desaparecido e tudo o que via era dor e infelicidade. Rabastan soltou um suspiro.
—Eu não tenho uma resposta pra você, Alhena... – murmurou ele – Me desculpe... é tudo o que eu posso pedir... desculpas...
—Eu perdoo você. – disse Alhena, ficando de pé – Mas não espere que eu volte aqui... que eu olhe pra você como Rasalas olha... que eu te chame de pai... você não é meu pai. Nunca foi e nem nunca vai ser... Você... você... – ela arfou com cara de choro – Você não nos escolheu. Você optou por lutar e matar... e eu...
—Lena! Calma. – pediu Rasalas. Ele olhou para o pai, que tinha os olhos fechados.
—Eu não sabia... – murmurou ele, parecendo muito infeliz – Eu não sabia nem que sua mãe estava viva... – Rabastan respirou fundo – Eu tive dúvidas... eu me perguntei se valia a pena... dedicar tudo à causa... – ele abriu os olhos e encarou as próprias mãos – Mas quando me falaram que Emily tinha morrido... – ele cerrou o punho – Não me sobrou nada... simplesmente nada... e quando eu descobri que ela estava viva... que ela tinha fugido de mim... desaparecido... me feito pensar e repensar a minha vida... as minhas escolhas... eu pensei... – ele franziu a testa, baixando o rosto – Me falaram tantas coisas ruins dela... e... e quando eu vi que era mentira que ela tinha sido assassinada... eu pensei que... eu entendi que...
—O que, papai? – perguntou Rasalas.
Rabastan levantou a cabeça, com uma expressão fria.
—Eu entendi que ela não me queria... e que tudo o que eu tinha acreditado sobre ela um dia... tudo era mentira... – ele olhou para Alhena – Você acha que eu escolhi abandonar sua mãe, Alhena? – o pai dos dois negou com a cabeça – Nunca me deram a oportunidade de escolher...
—Mamãe disse que você voltou para o Você-Sabe-Quem quando ele te chamou! – acusou Alhena – Minha mãe é mentirosa? É isso o que você quer dizer?
Rabastan se curvou sobre a mesa, parecendo um tanto atormentado.
—Sua mãe... não mentiu... eu realmente voltei para o Lorde das Trevas. – disse ele, como se calculasse cada palavra – Mas eu fui com a promessa de que voltaria para a sua mãe. Mas quando eu voltei... a casa dela estava destruída e todos falaram que ela estava morta. Fizeram uma maldita lápide pra ela... e ela nunca se deu ao trabalho de desmentir isso pra mim. – Rabastan suspirou e encarou Alhena, com intensidade – Se eu tivesse tido a oportunidade de escolher, Alhena... eu escolheria vocês... sem pensar duas vezes... – ele fechou os olhos novamente – Mas eu não tive chance pra isso... eu... eu realmente não sei o porquê de sua mãe ter feito tudo do jeito que ela fez... mas... – Rabastan soltou um longo suspiro – Eu tenho uma grande parcela de culpa nas costas... mas eu não sou culpado sozinho. Pergunte a sua mãe. Eu duvido que ela vá mentir... Emily é uma mulher muito honesta... ou ao menos era. Eu acho... – Rabastan deu um sorriso cheio de dor – Na verdade... acredito que nunca conhecemos completamente uma pessoa, não é?
Fez-se silêncio naquele pequeno quarto. Alhena ainda estava de pé, olhando para o pai, com a mesma cara de choro. Seu rosto infantil estava úmido e havia um rastro molhado em cada bochecha, deixado por algumas lágrimas que caíam sem parar. Rasalas estava chocado com tudo aquilo. Não sabia como se sentir. Simplesmente não sabia.
Rabastan se curvou para frente escondendo o rosto com as mãos. Se perguntou se ele estaria chorando. O garoto se aproximou lentamente e colocou a mão nas costas dele, sentindo o pai soltar um soluço.
—Não fique assim... eu não te culpo por nada. – murmurou Rasalas.
Ele olhou com suplício para a irmã, mas ela não o olhou de volta.
—Você achava que a mamãe estava morta... quem você pensou que era responsável pela morte dela? – perguntou Alhena – A Ordem? Duvido. Você sabia que os Comensais eram os supostos assassinos dela... e mesmo assim, você continuou sendo um deles... você não os deixou. É por isso que ela não te contou. É por isso que ela não quer ficar na mesma sala que você... e é por isso... que eu digo... que você os escolheu... e não a nós. Se fosse alguém decente, no mínimo, teria...
—Alhena! – ralhou Rasalas.
A garota secou as bochechas com as costas das mãos.
—Passar bem. – disse ela marchando para fora. Mas Rabastan se jogou aos pés dela e a abraçou.
—Por favor... me perdoe. – lamentou ele. Rasalas viu que o pai apoiava a cabeça no ventre dela. E ele chorava de maneira sofrida – Por favor... me perdoe...
—Eu já disse que te perdoo. – respondeu Alhena, com a voz tremida – Mas é só isso que eu vou fazer... agora me solta. Eu quero a minha mãe.
Rabastan concordou e a soltou. Mas a beijou nas mãos repetidas vezes antes de deixá-la ir. Alhena nem olhou para trás. Apenas saiu pela porta. Rasalas observou o pai se sentar no chão, parecendo muito triste. Os dois trocaram um olhar e o garoto não conseguiu deixar de sentir pena.
—Eu... eu realmente sinto... sinto muito, papai... – murmurou Rasalas. Rabastan concordou em silêncio e abriu os braços.
—Está tudo bem... – murmurou ele quase sem voz.
Rasalas correu até ele e o abraçou. Sentiu o pai fazer o mesmo e notou que era a primeira vez que um homem o abraçava daquela maneira. O abraçou com força, lembrando-se das muitas vezes em que desejou aquilo. Um pai...
—Você é tudo pra mim... – murmurou Rabastan – É o motivo por eu não gritar mais a noite... durante os meus pesadelos... – Rasalas sentiu o pai suspirar – Um dia o Lorde das Trevas vai voltar... ele vai nos tirar daqui e então nós seremos uma família novamente... vamos recuperar todos os anos que perdemos... eu prometo, está bem?
—Ele não vai voltar, papai. – murmurou Rasalas – E ele é mal...
—Ele não é, Rasalas. Um dia você vai conhecê-lo... vai ver o quanto ele é maravilhoso... – murmurou Rabastan.
Rasalas levantou a cabeça para olhar para ele.
—Você-Sabe-Quem ordenou que executassem a minha mãe, pai... ele nunca vai ser maravilhoso pra mim... nem pra minha irmã... e minha mãe nunca vai querer você de volta, se você for um comensal. Entende isso!
Então o garoto se soltou dele.
—Algumas coisas... só conseguimos entender quando lidamos de frente com elas... pessoalmente... – murmurou Rabastan.
—O que quer dizer?
—Não é nada. – murmurou Rabastan – Não é nada...
****
—Rasalas Lestrange! – ralhou o professor Snape – Se eu te pegar fazendo isso de novo, juro que te coloco em detenção!
Rasalas deu um sorrisinho e quando Pansy olhou para trás e notou que ele tinha tentado colocar uma lesma no cabelo dela, ela saltou de susto com cara de nojo. Os garotos todos abafaram risadinhas, assim como Daphne. Mas Emilia e Alhena o olharam com reprovação.
No final da aula, o grupo da Sonserina saiu fazendo piadinhas, com Rasalas e Pansy Parkinson trocando faíscas. Estava para ir para o Salão Comunal, quando notou que Hermione se afastou de Harry e Rony, que pareciam muito insatisfeitos com ela.
Ele notou que Blair estava conversando com Daphne e Damian tentava contar piadas para Alhena, que parecia levemente entediada com ele – Ela ainda estava magoada pelo o que Damian falara no trem. Aproveitando o fato de que seus amigos estavam distraídos, ele se afastou e correu até Hermione, que andava sozinha pelo corredor.
Quando a alcançou, colocou as mãos nos olhos dela, para que ela não soubesse que era ele.
—Olá, Rasalas. – riu ela, confiante. A soltou, surpreso.
—Como sabia que era eu? – perguntou ficando ao lado dela.
—Seu perfume. – riu ela – Você usa perfume trouxa. O mesmo que meu pai. – respondeu ela. Rasalas deu uma risadinha.
—Me reconhece pelo cheiro. Quem diria. – riu ele – Pra onde está indo? – perguntou ele. Hermione parecia simplesmente exausta.
—Biblioteca. Tenho que revisar milhões de coisas. – lamentou ela – Sem falar que eu estou tentado ajudar o Hagrid... querem matar o Bicuço...
—Quem? – perguntou Rasalas franzindo a testa.
—O hipogrifo do Hagrid. – explicou Hermione.
—O que quase matou o Draco? – perguntou Rasalas.
—Ele não quase matou o Malfoy. – retrucou Hermione com um sorrisinho.
—Ele definitivamente quase matou o Malfoy. – riu Rasalas – Ou foi o que Draco ficou gritando, ao menos. – brincou ele – Por que você não está com Harry e Ronald?
E o sorriso de Hermione morreu.
—Oh... nós brigamos. – murmurou ela abraçando os livros com força. Rasalas piscou, surpreso e pegou os livros que ela carregava.
—O que aconteceu?
—Não precisa levar pra mim... está tudo bem. – disse ela, tentando pegar os livros de volta, mas ele não devolveu.
—Por favor. Eu tenho a obrigação de te ajudar com isso, já que Harry e Ronald não estão aqui.
—Eles nunca levam meus livros. – riu ela meio sem jeito.
—Pois deveriam. – riu Rasalas. Os dois seguiam caminhando lentamente para a biblioteca – O que aconteceu entre você e os dois?
Hermione soltou um suspiro.
—Tudo começou quando eu comprei um gato... – murmurou ela – O Bichento.
—Um nome muito original.
—Oh! Pare com isso! – riu ela.
—E o que Bichento fez?
—Bem... Rony tem um rato. – lamentou ela – E o Bichento está obcecado com ele... e Perebas já está muito velho e...
—Perebas? – perguntou Rasalas.
—É o nome do rato.
—Vocês são muito bons com nomes. Qual o nome da coruja de Harry? Fimose?
Hermione riu escondendo a boca com as mãos, parecendo mais descontraída e Rasalas riu de volta, feliz por fazê-la sorrir.
—Bem... como eu disse... o Perebas já está muito velho e ficou doente. E o Rony acha que é culpa do Bichento. Então a gente tem brigado um pouco por conta disso... mas o que eu posso fazer? Bichento é um gato. Ele só está seguindo o instinto dele! Mas Rony sempre o trata mal... ele até já chutou o Bichento uma vez. – lamentou ela.
—Bem... eu entendo o lado do Rony... bichos de estimação e seus donos tem um laço muito forte. Um bruxo e seu familiar tem uma conexão muito intensa... – ponderou Rasalas.
—Eu sei... eu tento não perder a calma com Rony. Mas ele sempre perde a calma comigo... e quando a vassoura chegou...
—Vassoura? – perguntou Rasalas.
—Alguém comprou uma vassoura pro Harry. – disse Hermione. Rasalas sabia que Harry estava sem vassoura, desde que perdera o jogo contra a Lufa-Lufa. O Salgueiro Lutador a quebrara completamente – Uma Firebolt...
—QUE? – perguntou chocado – É a melhor vassoura do mundo!
—Pois é... – resmungou Hermione.
—Harry é mesmo muito sortudo... será que ele me deixaria voar um pouco nela? – perguntou ele com um sorriso esperançoso.
—Eu não sei... – murmurou Hermione – Mas o que importa é que eu fiquei preocupada... afinal... – ela soltou um suspiro – A vassoura não tinha um cartão. Foi um presente anônimo!
—Harry tem um grande amigo secreto. – riu Rasalas.
—Ou talvez não... – lamentou Hermione. O garoto a olhou confuso – Bem... eu... eu pensei... que talvez a vassoura estivesse sabotada... que tivesse... que Sirius Black...
—Acha que Sirius Black comprou a vassoura e a adulterou para que Harry caísse e morresse? Se machucasse?
—Podia estar azarada para amaldiçoá-lo quando ele voasse... eu não sei... – Hermione mordeu o lábio inferior, perdida em nervosismo – Mas eu fiquei preocupada e avisei a professora McGonagall, que concordou comigo... e então...
—Ela confiscou a vassoura. – deduziu ele.
—Bem... é... – Hermione soltou um suspiro, parecendo triste – Eles não falam mais comigo desde então...
—Eu não estou falando direito com a minha irmã, também... – murmurou Rasalas.
—O que houve? – perguntou Hermione.
—Bem... problemas de família... – Rasalas soltou um suspiro e olhou a amiga – sabe... meu pai está preso.
—Sim. Eu sei. Ele era um comensal de morte, certo?
—Sim... – respondeu Rasalas – Mas eu gosto muito dele... ele... ele realmente gosta de mim e da minha mãe... ele é um cara legal, apesar de tudo... – Rasalas soltou um suspiro – Minha irmã nunca gostou dele, mas resolveu ir conhecê-lo nesse natal. – ele fez uma pausa, relembrando de tudo – Eu achei que ia ser super legal... nós três, nos entendendo... no espírito natalino... que meu pai iria sorrir com algum alívio naquele lugar horrível... mas... mas tudo deu errado.
—O que houve? – perguntou Hermione.
—Alhena... ela jogou todas as frustrações da vida dela na cara dele. Tipo... ele cagou no pau. A verdade é essa. Ele fez tanta coisa ruim... ele não foi enviado pra Azkaban gratuitamente... mas poxa... era natal... ela podia ter sido legal com ele. Ele já está preso. Não precisava que ela falasse que ele não era um pai para ela e que ela nunca mais iria vê-lo novamente... – Rasalas soltou um suspiro – E então ele falou que nunca soube que a gente existia até uns anos atrás, quando eu fui conhecê-lo... ele achava que mamãe estava morta e minha mãe nunca desmentiu isso pra ele... ai ele meio que surtou e... bem... entrou de vez nessa de Comensal de Morte. – explicou ele – Mas ele disse que se a mamãe tivesse contado sobre nós antes, ele não teria feito tudo aquilo... teria deixado a guerra... e ficado com a gente...
—Hum... – Hermione o olhou com atenção – E você acha que é verdade?
Rasalas respirou fundo antes de responder.
—Eu não sei... ele é meio fanático por Você-Sabe-Quem, algumas vezes... fala como se ele fosse um tipo de salvador messias do mundo. Sem falar que ele é bem preconceituoso... com gente nascida trouxa... o que é ridículo. Olhe pra você. É nascida trouxa e é a bruxa mais competente que eu conheço. Acho que você é melhor bruxa que a minha mãe, que é sangue puro. E você tem treze anos... por que está me encarando? Eu estou falando besteira?
Hermione o olhava com um enorme sorriso e então o abraçou. Rasalas corou imediatamente, surpreso com aquele ato dela. Ela se afastou dele, ainda sorrindo.
—Não falou nenhuma besteira, Ras... você é um doce. – riu ela – Obrigada... e seus cabelos estão vermelhos.
Rasalas olhou para cima, voltando-os ao normal.
—Acontece quando garotas bonitas me abraçam... – respondeu ele revirando os olhos – Outro efeito é eu ficar falando coisas assim. Juro que não estou dando em cima de você. Eu só fico nervoso e falo sem parar... não que seja ruim dar em cima de você... – adicionou ele com medo de fazer algo mais ou menos como Damian tinha feito com Alhena – Eu totalmente daria em cima de você. Digo... – Hermione riu e ele teve certeza de que seus cabelos tinham voltado a mudar de cor – Você é legal, inteligente e bonita. Eu não quero te beijar agora... – ele engasgou completamente perdido – Digo. Não que fosse ser ruim. Tenho certeza de que seria ótimo te beijar, mas... mas... ah... – ele escondeu o rosto atrás dos livros dela – Espere que eu preciso começar de novo. – ele respirou fundo, baixou os livros e a olhou sorrindo – Oi, eu sou o Rasalas e acabo de descobrir que fico nervoso ao falar essas coisa com você... estranho, não?
—Acho que não... é normal ficar nervoso com isso. – riu Hermione – Obrigada, Ras. – diz ela ficando na ponta dos pés para beijá-lo no rosto – Eu espero que se acerte com a sua irmã.
—Eu espero que você se acerte com Harry e Ronald, também... – murmurou ele – Sabe, Mione... você é a garota mais legal dessa escola. Se eles estão de birra com você por conta de uma vassoura, eles são muito bobos. Vassoura nenhuma é mais importante do que amizades verdadeiras.
Hermione sorriu novamente para ele.
—Obrigada. Você é muito legal também, Ras. É, sem dúvidas, o melhor Sonserino da história de Hogwarts.
—Ah... isso com certeza. Digo... – ele fez uma pose convencida – Eu sou o máximo. Fala sério.
Hermione riu dele e os dois voltaram a caminhar em direção à biblioteca. Quando chegaram na porta, ele lhe devolveu os livros e seguiu para as masmorras, sentindo-se bem. Adorava Hermione. Ajudá-la naquele momento foi realmente bom.
Mas também sentia-se um pouco frustrado. Queria ter conversado com ela sobre a briga que sucedeu a visita à Azkaban... Tanto ele quando Alhena estavam magoados com aqueles assuntos não resolvidos. Assuntos que nunca podiam ser tragos à tona. Os segredos do passado de sua mãe.
Ambos perguntaram para ela porquê dela nunca ter procurado o pai antes deles nascerem... o porquê dele ter ficado no escuro. Mas a mãe não quis responder. Ela disse que não teria feito diferença. No fim Alhena concordou... mas ele nunca iria concordar. Ele acreditava piamente que, caso sua mãe tivesse tomado uma decisão diferente, certamente estariam vivendo uma vida completamente diferente...
Seriam uma família completa.
Se escorou na parede do corredor e viu o professor Lupin passar com algumas alunas do sétimo ano da Corvinal a acompanhá-lo querendo tirar dúvidas sobre algum assunto qualquer.
Sabia que a mãe nunca ficaria dando bola para aquele homem se seu pai fosse casado com ela... e ele provavelmente seria livre para achar Lupin um excelente professor, como praticamente todo mundo fazia.
Mas ele se proibia de gostar de Lupin, apesar de a única coisa negativa sobre ele era o fato dele ficar doente praticamente todo mês...
Soltou um muxoxo e voltou para as masmorras. Entrou no salão comunal da Sonserina e viu Alhena desenhar em seu caderno, sentada num sofá. Daphne estava deitada com as pernas em seu colo. Pansy estava numa poltrona, conversando com Draco. Ela estava sentada no braço da poltrona que o garoto estava e os dois conversavam com sorrisos cheios de cumplicidade.
Revirou os olhos e desceu para o dormitório. Se deitou em sua cama e estava para pegar seu livro de história da magia quando Damian apareceu.
—Rasalas. Preciso falar muito sério com você! – disse ele.
Se sentando, Rasalas tirou a gravata do uniforme, olhando o colega.
—Diga. O que houve?
—Sua irmã ainda está chateada comigo! – resmungou ele – Ela sempre sorria timidamente para mim. E o modo como ela me olhava era... – ele fez uma careta – Diferente... mas agora ela nem tá querendo falar comigo direito...
—E? – perguntou Rasalas arqueando as sobrancelhas – Não é como se ela fosse importante pra você.
—É claro que ela é importante pra mim! – ralhou Damian. Rasalas o olhou com um sorrisinho e Damian corou violentamente – Ela é minha amiga, oras! Só porque eu não gosto dela como você gosta da Daphne, não quer dizer que eu quero que ela me despreze!
Rasalas coçou o queixo.
—Bem... o que quer que eu diga ou faça? Você tem que se entender com ela.
—Eu gosto pra caramba da sua irmã. – murmurou Damian – Eu só não sabia disso... só notei o quanto eu gosto dela, quando ela começou a me ignorar.
—Clichê. – riu Rasalas – Tá apaixonado pela Lena!
—Não to! – resmungou ele – Só quero que ela não fique chateada comigo!
Rasalas deu uma risadinha.
—Eu vou falar com ela o quanto você se importa. Feliz? – perguntou Rasalas – Ou você vai ser homem o suficiente pra falar você mesmo?
Rasalas encarou o amigo, que fez uma careta.
—Grosso. – resmungou ele fechando as cortinas da cama – Eu me viro, obrigado, amigão. – disse Damian do outro lado das cortinas.
—Disponha, cunhadinho.
—Vai se foder, Rasalas! – resmungou Damian.
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