Legado Lestrange
11 Partindo Corações
Notas iniciais

Azkaban
Escutava uma voz chorosa a lhe chamar. Primeiro achou que fosse Aleto, ou até mesmo Bellatrix. Estava em transe, meio acordado, meio dormindo. O frio lhe corroendo os ossos. A saudade dos dias de sol o matando aos pouquinhos.
Mas o choro continuou ali.
Rabastan apertou os olhos e então os abriu, para erguer a cabeça. Piscou, confuso, ao ver uma mulher de cabelos castanhos opacos chorando em frente a sua cela. Ela quem chorava seu nome. Rabastan a olhou, sem entender, mas logo reconheceu a voz de Emily.
—Emms? – perguntou confuso – Emms?
Ela soltou um soluço e levantou o rosto. Ela estava sentada no chão, agarrada a sua cela e parecia completamente infeliz. Soltou um soluço e o encarou com os olhos repletos de lágrimas.
—Ele me tirou os meus filhos, Rabastan. – chorou ela.
Rabastan achou que iria morrer. Por um momento quase desmaiou de fraqueza.
—Mataram Rasalas? – perguntou ele com a mente confusa – Foram os aurores? Foi Moody?
—Não, Rabastan. A guerra acabou. – chorou Emily – Foi o seu pai... ele levou meus filhos embora.
Rabastan piscou confuso.
—Que? Por que ele fez isso? – Emily escondeu o rosto com as mãos.
—Eu sou uma mãe horrível.
—Não é, Emms. Você os criou sozinha e eles são perfeitos. – disse Rabastan tocando os cabelos dela. Se perguntou o porquê dela tê-los deixado daquela cor – Por que ele os tirou de você? Não faz sentido... – as coisas teriam mudado tanto assim desde que fora preso?
—Eu briguei com Rasalas. – chorou Emily, fungando e limpando o rosto com as mãos. Rabastan ficou escutando, prestando atenção – E eu me descontrolei... eu... eu bebi... oh, Rabastan... ele me viu bêbada... – chorou Emily, desesperada – Eu estava desmaiada, nem vi quando ele chegou. Quando acordei, ele já tinha levado os meus filhos... – Rabastan a olhou chocado – Ele levou os meus filhos... e eu nem posso mais vê-los... eu não posso mais vê-los sem a autorização dele...
—E ele não... não te deixa...?
—Ele me odeia, Rabastan... eu perdi os meus filhos... eu quero os meus filhos de volta... – chorou Emily. Rabastan tentou abraçá-la através das grades
—Eu sinto muito, Emms... – murmurou Rabastan – Mas não há nada que eu possa fazer...
—Fale com ele, Rabastan. Ele é seu pai... – chorou Emily. Só podia imaginar que ela estava realmente desesperada para vir pedir a ajuda dele.
—Ele nunca veio me ver, Emms... não acho que virá agora. – murmurou Rabastan a abraçando com mais força – Não agora que arrumou um substituto para mim...
Emily o abraçou chorando e ele a abraçou de volta, sentindo pena.
*
Rasalas estava sentado sozinho em uma cabine qualquer. Não queria ver ninguém. Estar naquela cabine sem ver a irmã desenhando em seu caderno era horrível. Mas, por mais que quisesse ficar sozinho, não conseguiu, pois seus colegas foram chegando, um depois o outro.
Mas mesmo com a cabine cheia, tudo parecia silencioso. Damian parecia deprimido, Daphne também, assim como Emília. Pansy parecia emburrada. Draco entediado. Greg sem jeito. Vince aborrecido e Blair estava dormindo.
Rasalas soltou um suspiro, sentindo-se completamente infeliz. Cruzou os braços e ficou o resto da viagem olhando a paisagem. Uma hora seus colegas começaram a conversar. Uma hora todos se distraíram, até mesmo Daphne e Damian. Mas ele não se distrairia. Ele simplesmente não conseguia deixar de pensar que metade dele tinha sido arrancada e enviada pra longe, para outro lugar...
E ele não fazia a menor ideia de como ela estaria...
**
—Anime-se, Ras... não pode ficar deprimido pra sempre. – resmungou Draco – Sua irmã foi pra outra escola. Foda-se. Não é como se nunca mais fossem se ver. E você nem ficava mais tanto tempo com ela de qualquer maneira.
Rasalas suspirou brincando com suas ervilhas. Draco revirou os olhos, impaciente.
—Francamente, Rasalas. Não é o fim do mundo. Beauxbatons é uma excelente escola. – disse Pansy, igualmente impaciente – Dizem que tem um rígido regulamento de conduta lá. Não existem casas e nem competitividade. Sua irmã vai ficar bem.
—Ainda bem que não temos quadribol esse ano. – resmungou Draco – Ele iria perder a vaga. – Ele fez uma pausa, e sorriu – Ou talvez não... talvez... se ele imaginasse que os balaços eram a cabeça dos avós dele...
—Rasalas... anime-se. – murmurou Daphne segurando sua mão – Sua irmã vai ficar bem.
Rasalas puxou a mão, fugindo do toque dela e se afastou. No dia de voltar para Hogwarts o avô viu a garota abraçá-lo e ficou incentivando a relação dos dois.
“Puro sangue e bonita, Rasalas. E ela parece gostar de você.”
Não queria nada que o avô julgasse bom. Por isso se levantou sem se importar em magoá-la. Saiu da mesa da Sonserina e depois do Salão Principal. Parou ao pé das escadas e se sentou no degrau, sentindo-se completamente infeliz. Passou as mãos pelos cabelos e depois cruzou os braços.
—Fiquei esperando seu telefonema. – disse uma voz. Rasalas olhou para cima e reconheceu Hermione. Ela se sentou ao seu lado e passou a mão por seus cabelos – O que houve com seus cabelos? Castanhos?
—Não estou conseguindo controlar mais... – murmurou Rasalas, deprimido.
—Por que? – Perguntou a menina. Rasalas apenas deu de ombros – Onde está a Alhena? Eu não a vi...
Rasalas soltou um suspiro e contou tudo o que tinha acontecido naquele verão. Hermione tinha aula no horário depois do almoço, mas ela decidiu chegar um pouco atrasada. A medida que o garoto narrava tudo o que passara, menos o que seu tio dissera em Azkaban, Mione apertava mais sua mão.
Ficou todo o tempo carrancudo, escondendo sua frustração e dor dentro de uma cara fechada. Mas quando Hermione o abraçou ternamente foi como se ela abrisse todo o casulo em que ele tinha se enfiado. Camada por camada. A abraçou de volta com mais força do que deveria, mas a garota não reclamou.
—Obrigado, Mione. – murmurou ele depois de um tempo, sem conseguir se soltar dela – Me desculpe por fazer você se atrasar para a aula... – murmurou ele fungando.
—Está tudo bem. Amigos são pra essas coisas. – riu ela – Me acompanha até a sala? – perguntou ela.
—Claro.
Se soltou dela, relutante e soltou um longo suspiro. Mione abraçou seu braço, o olhando com ternura e foram andando lentamente até a aula dela, que era Aritmancia. Ao contrário de seus colegas da Sonserina, que queriam fingir que nada tinha acontecido, ou então, ficavam falando que ele precisava se animar, Hermione apenas respeitou sua vontade de ficar calado. Mas sempre lhe afagando na mão, com carinho.
Quando finalmente chegaram na sala, Hermione lhe beijou na testa e entrou o olhando com ternura.
Rasalas olhou para ela, grato e então fez seu caminho de volta para as masmorras.
***
Moody era o professor mais irado que poderiam ter. Ele era meio pirado, mas certamente parecia saber muita coisa. Sem falar que, por algum motivo, ele era o aluno favorito do professor, mesmo que não tivesse conseguido resistir à maldição Imperius. Em compensação, Moody pegou birra com Draco, Vince e Greg. Principalmente de Draco e pegou no pé do garoto a aula inteira.
—Ele é um pesadelo! – resmungou Draco.
—Eu achei ele legal. – murmurou Rasalas dando de ombros.
—Claro, ele ficou babando o seu ovo a aula todo, “filho da senhorita Valentine”. – resmungou Draco. Greg e Vince estavam igualmente aborrecidos, mas finalmente Rasalas se sentia um pouco melhor.
Estava recebendo cartas de sua mãe, que garantia estar fazendo de tudo para melhorar a situação. Se ela conseguisse provar que seu alcoolismo estava sob controle, seria permitido que eles ficassem com ela nos fins de semana, durante os verões. Queria poder ficar sempre com ela, mas isso não seria possível, pelo menos por enquanto.
Estava sendo péssimo conversar com ela apenas por cartas, mas era melhor que nada.
Que era o que estava acontecendo com Alhena. Ela não enviara nem uma carta sequer. Estava preocupado com ela, mas a aula excitante de Moody finalmente tinha conseguido distrair o garoto dos problemas familiares.
—Dá licença. – riu Rasalas – Minha mãe é foda. Eu sempre disse isso. – murmurou ele.
—Meus olhos estão me enganando? – perguntou Blair aproximando o rosto – Não! Estou mesmo vendo isso!
—O que? – perguntou Rasalas.
—Um fio loiro! Um fio loiro, no meio dessa grama seca que está crescendo nessa sua cabeça! – respondeu ele.
—Se loiro significa feliz, eu sou o cara mais feliz desse colégio. – resmungou Draco – Professor biruta.
—Não fique assim, Draco. – riu Damian – Talvez ele tenha se apaixonado por você.
—Ele se apaixonou pelo Rasalas, isso sim. – resmungou Draco – Maneta dos infernos.
—Não. Ele se apaixonou por você. Ele estava praticando a maldição Imperius em você, pra ter certeza que conseguiria te transformar na putinha dele. – riu Damian.
Draco encolheu fazendo uma careta.
—Acho que eu prefiro ver o professor Snape dançando balé, num vestido de cor de rosa a imaginar isso. – disse Vince.
—Eu prefiro imaginar qualquer outra coisa a penar nisso. – resmungou Draco – Sério. Essa escola está indo pro buraco. Como foi que Dumbledore pensou que seria uma boa ideia contratar aquele rolha de poço retardado pra ser nosso professor? – Draco começou a andar torto e mancando, numa hilária imitação do professor Moody – VIGILÂNCIA CONSTANTE, SENHOR CRABBE!
Os garotos começaram a rir, enquanto Draco sacava a varinha e apontava para um aluno do primeiro ano da Corvinal.
—Ah! – gritou o menino.
—UM COMENSAL MALDITO! MORRA, MORRA! – gritou Draco. O aluno saiu correndo desesperado e o grupo de Sonserinos caiu na gargalhada – Deixa eu beber meu conhaque aqui. – Draco fingiu pegar uma garrafa das vestes, mas logo se aprumou – Eu tenho certeza que aquilo ali é alguma bebida alcoólica. Ele só pode estar dando aula bêbado.
Rasalas tinha rido tanto que sua barriga estava doendo. Blair estava apoiado em Greg e Vince tinha lágrimas nos olhos. Damian estava vermelho feito um tomate, morrendo de rir também.
—O que é tão engraçado? – perguntou Pansy se aproximando com as meninas. Rasalas notou um olhar de Daphne, mas simplesmente virou o rosto, se recompondo.
—Quero rir também. – disse Emília.
—Eu só estava exibindo minhas habilidades interpretativas. – respondeu Draco fazendo uma reverência – Obrigado, obrigado. – ele se aprumou e olhou para Rasalas – Você já fez a tarefa de Estudo dos Trouxas?
—Ainda não. – respondeu Rasalas, que ainda evitava de olhar para Daphne – Eu não sei como...
—Ei, Rasalas. Posso falar com você um minutinho? – perguntou Pansy, franzindo a testa.
—Só um minuto? – riu Rasalas.
—Eu espero que sim. – rosnou Pansy. Rasalas revirou os olhos e deu de ombros.
—Como quiser. – respondeu. Pansy o segurou pela gravata e o puxou para um canto. Não gostou do jeito que ela fazia aquilo, pois parecia que era um cachorro, mas não reclamou. Quando ficaram distantes o suficiente do grupo, Pansy o puxou com mais força pela gravata, ficando absolutamente próxima dele.
—Escute aqui, seu babaca. – rosnou Pansy. Ficou tão chocado que nem conseguiu se mover – Daphne está gostando de você. Vocês deram um amasso, ela estava toda esperançosa. O que raios deu em você? Quem você acha que é pra ficar ignorando ela, heim? – Rasalas piscou e quando ia responder, sentiu uma dor aguda, pois a garota lhe deu uma joelhada bem dada entre as pernas. Quase caiu de joelhos, mas ela o levantou pela gravata – É melhor se comportar direito, ou essa vai ser a menor das dores que eu vou fazer você sentir. – ela o deixou cair no chão e enfiou o resto da gravata em sua boca.
Rasalas caiu no chão, sentindo dor. Tentou puxar o ar, para respirar, mas a dor do golpe não deixou. Parecia subir até seu peito. Já tinha levando uma pancadinha ou outra por acidente ali, mas era a primeira vez que o acertavam daquele jeito. Ficou deitado, tentando não se mover, desejando encontrar alguma posição que doesse menos e logo ouviu as risadinhas dos amigos.
—Acho que ela te pegou de jeito. – riu Draco. Damian lhe ofereceu a mão, para ajudá-lo a levantar. Rasalas negou a ajuda e se sentou, encostando as costas na parede, fechando os olhos com força e respirando lentamente.
—Quer ir para a Ala Hospitalar? – perguntou Blair rindo – Madame Pomfrey pode te fazer uma massagem.
—Vai a merda. – resmungou zangado com a voz saindo mais aguda do que tinha planejado.
Quando finalmente conseguiu se levantar e andar, seus amigos ficaram falando todos com uma vozinha fina, apenas para implicar e Rasalas desejou ter ido para Beauxbatons com a irmã.
No final do dia, durante o jantar, lançou um olhar furioso para Pansy Parkinson. Ela o olhou com desprezo e Rasalas jurou que um dia ela iria pagar caro por aquilo.
Ou ele não era um Lestrange.
****
Durmstrang e Beauxbatons chegariam no dia 30 de Outubro, mais ou menos, umas seis horas. Toda a escola parecia estar se preparando para isso. O castelo estava muito mais limpo, os retratos foram restaurados e “desencardidos”, Filch agia feito um maluco quando alguém fazia qualquer tipo de sujeira – como não limpar os sapatos. Toda a escola estava em uma imensa empolgação.
Quando subiu para o café na manhã do dia 30 de outubro, descobriu que o Salão Principal fora ornamentado durante a noite. Grandes bandeiras de seda pendiam das paredes, cada uma representando uma casa de Hogwarts – a vermelha com um leão dourado da Grifinória, a azul com uma águia de bronze da Corvinal, a amarela com um texugo negro da Lufa-Lufa e a verde com uma serpente de prata da Sonserina. Por trás da mesa dos professores, a maior bandeira de todas tinha o brasão de Hogwarts: leão, águia, texugo e serpente unidos em torno de uma grande letra “H”.
Havia uma sensação de agradável expectativa no ar aquele dia. Ninguém prestou muita atenção às aulas, pois estavam bem mais interessados na chegada das comitivas de Beauxbatons e Durmstrang à noite.
Quando a sineta tocou mais cedo, Rasalas e seus amigos se dirigiram depressa para o Salão Comunal da Sonserina, largaram as mochilas e os livros, conforme as instruções que tinham recebido, vestiram as capas e foram correndo para o saguão de entrada. Os diretores das Casas estavam organizando os alunos em filas. O professor Snape parecia bastante estressado, tentando fazer com que os alunos da Sonserina ficassem mais aprumados do que as outras casas. Na realidade, ele estava tento um trabalho mais simples do que os diretores das outras casas. Os alunos da Sonserina eram mesmo mais aprumados e acostumados com regras de etiqueta e organização. Herança das famílias bruxas a que pertenciam. Extremamente poucos alunos da Sonserina eram nascidos trouxa. Podia contar nos dedos de uma só mão, os casos incomuns.
Eles desceram os degraus da entrada e se enfileiraram diante do castelo. Fazia um fim de tarde frio e límpido; o crepúsculo vinha chegando devagarzinho e uma lua pálida e transparente já brilhava sobre a Floresta Proibida.
Os garotos examinavam excitados e atentos os jardins cada vez mais escuros, mas nada se movia; tudo estava quieto, silencioso, como sempre. Rasalas começava a sentir frio. Desejou que os visitantes chegassem logo... talvez os estudantes estrangeiros estivessem preparando uma entrada teatral...
E principalmente, esperava que Alhena tivesse mandado algum recado pelas novas colegas. Ela nunca escrevera uma maldita carta, nem pra ele, nem para a mãe e nem para os avós. Estava completamente desaparecida, apesar dos avós garantirem que ela estava bem.
Estava entre Damian e Blair, se encolhendo de frio.
—Meu pau vai diminuir uns dez centímetros com essa temperatura. – resmungou Blair, carrancudo.
—Quem sabe assim não arrasta mais no chão. – brincou Damian arrancando risadinhas do trio – Será que sua irmã vai vir? – perguntou ele.
—Duvido muito. Apenas os maiores de idade vão aparecer, não é? – perguntou Rasalas.
—É... tem razão... – murmurou Damian baixando o rosto.
—Tá com saudades da sua gordinha, Damian? – zombou Blair. Damian estufou o peito, olhando para Blair.
—Morrendo. – respondeu ele – Eu... eu realmente estou sentindo falta dela. – ele chutou uma pedrinha qualquer para longe, acertando Pansy Parkinson na batata da perna. Ela se virou e olhou feio para eles. Rasalas aproveitou para lhe mostrar os dois dedos médios e a língua – Ela não respondeu nenhuma das minhas cartas.
—Você tá escrevendo pra ela? – perguntou Blair fazendo careta – Fala sério. Apaixonou mesmo?
Rasalas parou de murmurar ofensas para Pansy e olhou o colega, que tinha corado muito.
—Eu... eu preciso confessar uma coisa. – disse ele.
—O que? – perguntou Blair.
—Eu... eu meio que... dei uns beijos nela. – disse ele com cara de culpa para Rasalas – Desculpe, cara... mas é que... quando falaram que ela ia mudar de escola... – Damian bagunçou os próprios cabelos com a mesma expressão de culpa no rosto – Eu pensei... talvez não tivesse outra chance, sabe...?
—Você sabe que sempre nos encontramos nos verões, não é? – riu Blair enquanto Rasalas não sabia o que sentir naquele momento.
—Eu sei... mas a verdade é que eu nem pensei nisso na hora. – explicou Damian – Você não ficou grilado não, né? – perguntou ele para Rasalas.
—Olha... acho que não... – murmurou o garoto sorrindo – Não tem problema quando é amor verdadeiro, né? – zombou esperando que Damian resmungasse qualquer coisa. Mas o amigo apenas suspirou.
—Então... estamos numa boa, certo?
—Só eu que notei que ele não reclamou da expressão “amor verdadeiro”? – perguntou Draco surgindo do inferno, logo atrás deles.
O trio saltou de susto e Damian corou desviando o olhar.
—Que gracinha. Tá gostando do porquinho de estimação da Parkinson. – riu Vince. Rasalas se virou, furioso, mas a voz de Dumbledore se fez escutar.
—Aha! A não ser que eu muito me engane, a delegação de Beauxbatons está chegando!
—Onde? – perguntaram muitos alunos ansiosos, olhando em diferentes direções.
—Ali! – gritou um aluno da Grifinória, apontando para o céu sobre a Floresta.
Alguma coisa grande, muito maior do que uma vassoura – ou, na verdade, cem vassouras –, voava em alta velocidade pelo céu azul-escuro em direção ao castelo, e se tornava cada vez maior.
—É um dragão! – gritou esganiçada uma aluna da primeira série, perdendo completamente a cabeça.
Quando a sombra gigantesca e escura sobrevoou as copas das árvores da Floresta Proibida, e as luzes que brilhavam nas janelas do castelo a iluminaram, eles viram uma enorme carruagem azul-clara do tamanho de um casarão, que voava para eles, puxada por doze cavalos alados, todos baios, cada um parecendo um elefante de tão grande.
As três primeiras fileiras de alunos recuaram quando a carruagem foi baixando para pousar a uma velocidade fantástica – então, com um baque estrondoso que fez Longbottom saltar para trás e pisar no pé de Dex, um aluno do quinto ano da Sonserina –, os cascos dos cavalos, maiores que pratos, bateram no chão. Um segundo mais tarde, a carruagem também pousou, balançando sobre as imensas rodas, enquanto os cavalos dourados agitavam as cabeçorras e reviravam os grandes olhos cor de fogo.
Rasalas só teve tempo de ver que a porta da carruagem tinha um brasão (duas varinhas cruzadas, e de cada uma saíam três estrelas) antes que ela se abrisse.
Um garoto de vestes azul-claras saltou da carruagem, curvado para a frente, mexeu por um momento em alguma coisa que havia no chão da carruagem e abriu uma escadinha de ouro. Em seguida, recuou respeitosamente. Então Rasalas viu um sapato preto e lustroso sair de dentro da carruagem – um sapato do tamanho de um trenó de criança – acompanhado, quase imediatamente, pela maior mulher que ele já vira na vida. O tamanho da carruagem e dos cavalos ficou imediatamente explicado. Algumas pessoas exclamaram.
Rasalas só vira, até então, uma pessoa tão grande quanto essa mulher: Hagrid; ele duvidou que houvesse dois centímetros de diferença na altura dos dois. Mas, por alguma razão – talvez simplesmente porque estava habituado a Hagrid –, esta mulher (agora ao pé da escada, que olhava para as pessoas que a esperavam de olhos arregalados) parecia ainda mais anormalmente grande. Ao entrar no círculo de luz projetado pelo saguão de entrada, ela revelou um rosto bonito de pele morena, grandes olhos negros que pareciam líquidos e um nariz um tanto bicudo. Seus cabelos estavam puxados para trás e presos em um coque na nuca. Vestia-se da cabeça aos pés de cetim negro, e brilhavam numerosas opalas em seu pescoço e nos dedos grossos.
Dumbledore começou a aplaudir; os estudantes, acompanhando a deixa, prorromperam em palmas, muitos deles nas pontas dos pés, para poder ver melhor a mulher.
O rosto dela se descontraiu em um gracioso sorriso e ela se dirigiu a Dumbledore, estendendo a mão faiscante de anéis. O diretor, embora alto, mal precisou se curvar para beijar-lhe a mão.
—Minha cara Madame Maxime – disse. – Bem-vinda a Hogwarts.
—Dumbly-dorr. – disse Madame Maxime, com uma voz grave. –Esperro encontrrá-lo de boa saúde.
—Excelente, obrigado. – respondeu Dumbledore.
—Meus alunos... – disse Madame Maxime, acenando descuidadamente uma de suas enormes mãos para trás.
Rasalas, cuja atenção estivera focalizada inteiramente em Madame Maxime, reparou, então, que uns doze garotos e garotas – todos, pelo físico, no fim da adolescência – haviam descido da carruagem e agora estavam parados atrás de Madame Maxime. Eles tremiam de frio, o que não surpreendia, pois suas vestes eram feitas de finíssima seda e nenhum deles usava capa. Lembrou imediatamente de Alhena, naquele uniforme, antes do início das aulas, quando ela o experimentara, completamente infeliz.
Alguns tinham enrolado echarpes e xales na cabeça. Pelo que Rasalas pôde ver de seus rostos (estavam à enorme sombra de sua diretora), eles olhavam para o castelo, com uma expressão apreensiva.
—Karrkarroff já chegou? – perguntou Madame Maxime.
—Deve estar aqui a qualquer momento. – disse Dumbledore. – Gostaria de esperar aqui para recebê-lo ou prefere entrar para se aquecer um pouco?
—Me aquecerr, acho. Mas os cavalos...
—O nosso professor de Trato das Criaturas Mágicas ficará encantado de cuidar deles. – disse Dumbledore. Draco deu uma risadinha de desdém, e foi acompanhado por Greg e Vince – Assim que terminar de resolver um probleminha que ocorreu com alguns de seus outros... protegidos.
—Explosivins. – murmurou Draco para Greg, rindo-se.
—Meus corrcéis ecsigem... hum... um trratadorr forrte. – disse Madame Maxime, com uma expressão de dúvida quanto à capacidade de um professor de Trato das Criaturas Mágicas em Hogwarts para dar conta da tarefa. – Eles son muito forrtes...
—Posso lhe assegurar que Hagrid poderá cuidar da tarefa. – disse o diretor, sorrindo.
—Ótimo! – disse Madame Maxime, fazendo uma ligeira reverência – Por favorrr inforrrme a esse Agrid que os cavalos só bebem uísque de um malte.
—Farei isso. – respondeu Dumbledore, retribuindo a reverência.
—Venham! – disse Madame Maxime imperiosamente aos seus alunos e o pessoal de Hogwarts se afastou para deixá-los subir os degraus de pedra.
—Tomara que esses cavalos pisoteiem aquele idiota. – desejou Draco. Seus colegas da Sonserina concordaram imediatamente. Rasalas apenas deu de ombros. Hagrid não era exatamente seu professor favorito. Na verdade achava as aulas dele um fiasco. Mas não tinha nada realmente contra ele, como a maioria de seus colegas tinham
—Minha nossa... Essas alunas da Beauxbatons são uma delícia. – riu Blair com um brilho nos olhos.
—Pega leve, Blair. Acho que está querendo abocanhar mais do que pode engolir. – riu Pansy.
—Desafia aceito! – riu Blair, maliciosamente – Aposto que traço pelo menos uma.
Eles continuaram parados, agora tremendo um pouco de frio, à espera da delegação de Durmstrang. A maioria das pessoas contemplava o céu, esperançosa. Durante alguns minutos, o silêncio só foi interrompido pelos cavalões de Madame Maxime que resfolegavam e pateavam. Mas então...
—Que som é esse? – perguntou Daphne.
Rasalas prestou atenção; um barulho alto e estranho chegava até eles através da escuridão; um ronco abafado mesclado a um ruído de sucção, como se um imenso aspirador de pó estivesse se deslocando pelo leito de um rio...
—O lago! – berrou o garoto da Grifinória que narrava os jogos de quadribol. – Olhem para o lago!
De sua posição, no alto dos gramados, de onde descortinavam a propriedade, eles tinham uma visão desimpedida da superfície escura e lisa da água – exceto que ela repentinamente deixara de ser lisa. Ocorria alguma perturbação no fundo do lago; grandes bolhas se formavam no centro, e suas ondas agora quebravam nas margens de terra – e então, bem no meio do lago, apareceu um rodamoinho, como se alguém tivesse retirado uma tampa gigantesca do seu leito...
Algo que parecia um pau comprido e preto começou a emergir lentamente do rodamoinho... e então Rasalas avistou o velame...
—É um mastro! – disse Damian.
Lenta e imponentemente o navio saiu das águas, refulgindo ao luar. Tinha uma estranha aparência esquelética, como se tivesse ressuscitado de um naufrágio, e as luzes fracas e enevoadas que brilhavam nas escotilhas lembravam olhos fantasmagóricos. Finalmente, com uma grande espalhação de água, o navio emergiu inteiramente, balançando nas águas turbulentas, e começou a deslizar para a margem. Alguns momentos depois, ouviram a âncora ser atirada na água rasa e o baque surdo de um pranchão ao ser baixado sobre a margem. Havia gente desembarcando, os garotos viram silhuetas passarem pelas luzes das escotilhas.
Os recém-chegados pareciam ter físicos semelhantes aos de Greg e Vince... mas então, quando subiram as encostas dos jardins e chegaram mais próximos à luz que saía do saguão de entrada, Rasalas viu que aquela aparência maciça se devia às capas de peles de fios longos e despenteados que estavam usando. Mas o homem que os conduzia ao castelo usava peles de um outro tipo; sedosas e prateadas como os seus cabelos.
—Ah! Todos tem uniformes mais legais que os nossos! – resmungou Draco.
—Eles usam casaco de peles! Estou com muita inveja da Durmstrang nesse momento! – lamentou Emília.
—Fala sério. Eu vou roubar um uniforme daquele. – riu Rasalas – Posso fingir que sou um dos alunos e pegar um pra mim.
Blair e Damian deram uma risadinha, olhando para os alunos que se aproximavam. Apenas duas garotas estavam ali e ambas olhavam o castelo com um pouco de desdém.
—Dumbledore! – cumprimentou o diretor da outra escola cordialmente, ainda subindo a encosta. – Como vai, meu caro, como vai?
—Otimamente, obrigado, Prof. Karkaroff.
O homem tinha uma voz ao mesmo tempo engraçada e untuosa; quando ele entrou no círculo de luz das portas do castelo, os garotos viram que era alto e magro como Dumbledore, mas seus cabelos brancos eram curtos, e a barbicha (que terminava em um cachinho) não escondia inteiramente o seu queixo fraco. Quando alcançou Dumbledore, apertou-lhe a mão com as suas duas.
—Minha velha e querida Hogwarts! – exclamou, erguendo os olhos para o castelo sorrindo. Seus dentes eram um tanto amarelados, e Rasalas reparou que seu sorriso não abrangia os olhos, que permaneciam frios e astutos. Parece com tio Rodolfo, quando ele sorri.— Como é bom estar aqui, como é bom... Víktor, venha, venha para o calor... você não se importa, Dumbledore? Víktor está com um ligeiro resfriado...
Karkaroff fez sinal para um de seus estudantes avançar. Quando o rapaz passou, Rasalas viu de relance um nariz grande e curvo e sobrancelhas escuras e espessas. Ele sentiu seu queixo cair de espanto.
—Merlin! É Krum! É Víktor Krum! – disse Pansy, assombrada.
Depois de mais uma troca de cumprimentos, todos foram para o Salão Principal e Rasalas ficou feliz quando Krum e os outros alunos da Durmstrang se sentaram com eles, na mesa da Sonserina. Draco parecia ser o mais satisfeito de todos, pois ele estava sentado ao lado do astro de quadribol.
Rasalas ficou de frente para Damian e Blair, que olhava para a mesa da Corvinal com muito interesse (os alunos da Beauxbatons estavam lá).
—Eles não parecem muito satisfeitos, não é? – perguntou Blair.
—Por que será? – perguntou Rasalas apoiando o queixo nas mãos – Nossa. Tem umas alunas realmente muito bonitas. Pena que são todas muito mais velhas.
—É bom que ela não são tão tímidas e tem mais experiência. – riu Blair.
—Você fala como se fosse o guru da safadeza. – debochou Damian – Tu é virjão que nem todo mundo aqui. Para de agir como se não fosse.
—Não sou mais virgem. – retrucou Blair todo pomposo. Rasalas e Damian o olharam com interesse.
—Mentiroso! – acusou Rasalas.
—Não sou. O colega aqui de vocês já está colecionando experiências.
—Eu não acredito. – riu Rasalas.
—Com quem foi? – perguntou Damian com curiosidade.
—Não importa. O importante é que eu vou tentar e conseguir me dar bem com uma aluna francesa. – disse ele parecendo determinado. Rasalas o olhou surpreso e olhou para a mesa da Corvinal.
—Se Blair conseguiu, não deve ser tão difícil. – riu Rasalas.
—Falando em difícil... – riu Blair se virando para Damian – Como foi com a Lena? O que vocês fizeram?
—Opa! Vocês viram isso? – perguntou Rasalas franzindo a testa – Chama-se limite. Não vamos ultrapassá-lo.
—Qualé, Ras. – resmungou Blair. Ele se virou com curiosidade para Damian, que parecia muito sem jeito.
—Eu quero ouvir! Eu quero ouvir. – riu Draco pulando Krum para se sentar ao lado deles. – Aposto que ela não se fez de difícil. Ela é louca por você há séculos!
—Ela te contou isso? – perguntou Rasalas.
—Não. Mas nem precisava. Era mais do que óbvio. Mas e então. – riu Draco – Ela tá ficando bonita, a Lena. Ela tem um rosto bonito. Ainda tá um pouco gorda, mas... foda-se. O que você fez com ela?
—Eu não fiz nada... a gente só se beijou. – resmungou Damian puxando o capuz da capa para esconder o próprio rosto vermelho.
—Nem uma mão boba? – perguntou Draco decepcionado – Fala sério. Se fosse eu, teria tentado ao menos pegar nos peitos dela.
—Draco! – ralhou Rasalas, chocado.
—Sua irmã é peituda. Aceita, cara. – riu Blair.
Rasalas o olhou completamente traído.
—Eu até tentei... mas ela não deixou. – respondeu Damian, ainda escondido atrás do capuz da capa. Rasalas o olhou ainda mais traído.
—Você o que?
—Ah, Rasalas. Relaxa. Você acha que sua irmã iria ligar se... – Draco olhou ao redor – Se Amélia Flint, aquela gostosa, te desse uma mãozinha? Claro que não. Fique feliz por ter gente interessada nos... – ele ficou calado procurando pela palavra certa, mas Rasalas já tinha entendido o que ele queria.
—Ok, ok! Mas ainda assim, não é a mais agradável das conversas, ok? – resmungou ele.
—Ok. Você não fez nada nela, mas ela fez algo em você? – perguntou Draco. Damian puxou o capuz, voltando a aparecer, e franziu a testa.
—Não... mas ela chorou um bocado. – murmurou ele.
—Nossa... você é ruim assim, cara? – perguntou Blair, com um sorrisinho.
Draco e Rasalas morderam o punho para disfarçar o riso.
—Não, seus babacas. – resmungou Damian – Ela tava muito triste, saca? Com a situação toda da família dela...
—Você está me dizendo que seu amor verdadeiro... – começou Draco arrancando risadas de Blair e Rasalas – ... ia se mudar e você ia ficar um tempão sem se encontrar com ela... e você não fez nada de especial?
—Foi especial! – resmungou Damian arrancando mais risadinhas do grupo – Oh! Parem, seus idiotas. Nunca mais conto nada pra vocês.
—Não! Eu falo sério. Ela vai te esquecer rapidinho. – riu Draco.
—Do que está falando? – perguntou Damian.
—Oras. Você nem marcou presença! – resmungou o loiro. Ele olhou ao redor e se curvou mais sobre a mesa – Pois saiba que você deveria ter dado uns amassos daqueles nela. Tipo os que eu dou com a Pansy.
—Você e a whirm estão se agarrando de novo? – perguntou Rasalas colocando a língua para fora, fingindo que iria vomitar.
—Para com isso. Pansy é muito linda. – riu Damian. Rasalas o olhou completamente descrente.
—Linda? Estamos falando daquela garota do nosso ano que tem cara de bulldog? – zombou Rasalas. Draco revirou os olhos e Damian o olhou com pouco caso, mas Blair engoliu umas risadas.
—Ah... nunca mais vou olhar pra Pansy sem ver um cachorro. – riu ele.
—Vocês são uns babacas. – resmungou Draco – Pansy é muito legal. Decidida, segura, inteligente e gostosa. Você só está desse jeito porque ela te deu aquela joelhada.
—Eu já tinha preguiça dela antes disso. – discordou Rasalas – Ela quer mandar em todo mundo. Ela transformou todas as outras garotas do nosso ano em suas escravas. Ela decide o que elas podem ou não comer, qual o uniforme que vão usar, se Daphne pode dançar, se Emilia pode deixar o cabelo solto ou não, se Alhena pode... – mas Alhena não estava mais ali para ser comandada por Parkinson. Então ele bufou.
—Pansy é a líder delas, oras. O que fazer se ela tem a personalidade mais forte entre as meninas do nosso ano? – defendeu Draco.
—Eu posso achar ridículo. – Resmungou Rasalas – Por isso gosto da Mione. Ela tem opinião própria. Faz somente o que realmente acha certo e...
—Mione? Quem é Mione? – Perguntou Draco. Blair e Damian reviraram os olhos.
—Granger. – responderam juntos.
—Granger? – escutaram uma voz logo atrás deles. Rasalas se virou e viu Daphne o olhar parecendo chocada – Você está gostando da Granger? Aquela garota com cara de esquilo?
—E se estiver? – perguntou Rasalas arqueando a sobrancelha – Vai mandar Pansy Parkinson me dar uma joelhada nas bolas de novo?
—Qual o seu problema? – perguntou Daphne se aproximando – O que eu fiz pra você, heim? Por que está me tratando desse jeito?
—De que jeito? – perguntou Rasalas.
—Que nem um idiota! — respondeu ela – Eu achei que gostasse de mim!
—Eu gosto de você. – retrucou Rasalas – Mas nunca te prometi nada. – adicionou – Se Pansy convenceu você de que...
—O que raios Pansy tem com isso? – perguntou Daphne se aproximando.
—Ei, vocês dois. Nada de briga! – Ralhou Miranda Flowers, a monitora do quinto ano.
—Cale a boca! – rosnou Daphne – Eu vou falar com esse idiota aqui, até que eu não tenha mais nada pra dizer pra ele.
—Senhorita Greengrass, quer levar uma detenção? – perguntou a monitora, fechando a cara.
—Eu não ligo! – chorou Daphne – Eu quero saber, Rasalas. O que eu fiz de tão horrível, pra você pisar desse jeito nos meus sentimentos? – perguntou ela. Rasalas não pensou em nada mais inteligente do que “quero aborrecer meu avô”, então ficou calado. Sabia que estava sendo idiota, mas todo o interesse que ele sentira por ela tinha murchado – Ótimo. ÓTIMO! – Ela se virou para Damian, secando as lágrimas que desciam por seus olhos – Ainda sou o seu tipo, Damian?
—Hum? O que? – perguntou o garoto, chocado. Rasalas a olhou boquiaberto. Damian o olhou sem jeito, sem saber o que responder.
—Ou talvez o seu, Blair!
—Você pode ser. – riu Blair.
—Ótimo! – gritou ela subindo no banco, entre Rasalas e Draco. Ela engatinhou pela mesa e então foi para o outro lado, para junto de Blair e o beijou na boca.
—Como quiser, Greengrass. Como quiser. – rosnou Rasalas sentindo algo o arranhar dentro do estômago. Blair beijava Daphne sem parecer incomodado com coisa alguma. Mas Rasalas se sentiu incomodado o suficiente.
Ele se levantou e saiu andando do Salão Principal.
—Lestrange! Volte aqui, seu maluco! – gritou a monitora, mas ele não voltou. Marchou para as masmorras e depois para o Salão Comunal. Já estava de saco cheio daquele ano, e ele mal tinha começado...
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