Legado Lestrange

9 Meu nome é Rasalas Lestrange


Notas iniciais
Olá, peoples! Saudades de vocês! Consegui um tempinho pra postar mais um capítulo! E é um dos capítulos mais importantes da história. Muita coisa vai mudar por conta dos eventos desse capítulo. E é um capítulo bem triste tbm... Mas vamos lá! #partiuLer

8 de Novembro de 1981

—Eles não sabem de nada, Bellatrix. – disse Rabastan, assustado com a ferocidade dela. Bartô estava tremendo de medo, logo atrás deles – Chega! CHEGA!

Bellatrix o empurrou com força e apontou a varinha para ele.

—Se me atrapalhar de novo, seu covarde, eu acabo com você! – rosnou ela – Eles são da Ordem da Fênix. É ÓBVIO que eles sabem de alguma coisa.

—Eles já teriam falado, não? – perguntou Bartô olhando para o casal Longbottom, que choramingava no chão. O filho dos dois berrava a plenos pulmões ali perto.

—Céus. Sufoque esse bebê! Se ele continuar chorando eu juro que esquartejo ele. – Rosnou Rodolfo, também completamente fora de si.

Bartô encolheu-se assustado e Rabastan correu até a criança, para niná-la, mas ela estendia os bracinhos gorduchos para a mãe, que choramingava no chão.

—Não... não machuque o Neville... – chorou ela – Nós não sabemos o que aconteceu com ele... nós juramos. Por favor, não machuque o meu filho.

—É por isso que eu nunca quis filhos. – riu Bellatrix tirando o punhal do cinto e vindo em direção ao pequeno Neville, com os olhos inflamados – Eles nos deixam fracas.

—Não! Por favor... por favor. Nós não sabemos. Nós não sabemos. – chorou a senhora Longbottom. A mulher olhou para ele, completamente devastada – Por favor, Rabastan... não deixe que ela machuque o meu filho... meu filhinho... por favor... Nós não sabemos do paradeiro dele. Não sabemos o que aconteceu com ele...

—Quando eu arrancar um dos olhinhos desse seu leitãozinho, tenho certeza que vai falar tudo o que sabe. – riu Bellatrix, mas Rabastan recuou assim que ela se aproximou demais.

—É só um bebê. – disse ele.

—Um bebê de traidores de sangue. – rosnou Rodolfo – Entregue a criança, Rabastan.

Rabastan olhou do garotinho, que ainda chorava, para os Longbottom, completamente dividido. Não sabia o que fazer. Simplesmente não sabia...

—Vamos, Bellatrix. É óbvio que eles não sabem de nada.

—Você não deve nada a eles. Vamos matar os três! – resmungou Bellatrix – Mas antes quero ouvi-los cantar. – ela apontou a varinha para Alice e voltou a torturá-la.

—Pare... por favor... – murmurou Frank.

Rabastan apertou o pequeno Neville contra si, achando aquilo completamente desnecessário.

—Deveríamos sair daqui. Deveríamos sair daqui. Mate-os logo, Bellatrix. – pediu Bartô, tremendo de medo – Antes que a Ordem nos pegue.

—A Ordem está ocupada demais festejando a queda do nosso Lorde, seu paspalho! – rosnou Bellatrix – Quero ver o que acontece quando eles cantam demais.

—Isso vai dar merda. – choramingou Bartô – Estamos desaparecendo aos montes. Ninguém nunca mais viu Régulus. Nem Flowers... prenderam Dolohov... Lúcio e Rookwood estão sendo indiciados... nós temos que fugir daqui.

—Seu pai é costa quente. Ele não vai te deixar ser preso. Larga de ser frouxo, Bartô! – repreendeu Rodolfo.

—M-meu pai? Me ajudar? E colocar a reputação dele em risco? – balbuciou ele – De jeito nenhum. Ele me prende sem dó. Vamos embora, Bellatrix. Mata logo esses dois, deixa o bebê e vamos embora.

—Também está com peninha do nenenzinho? – riu Bellatrix parecendo simplesmente louca – Eu vou matar essa porcaria agora mesmo!

—Rabastan! Não deixe! Não deixe! – gritou Frank – Eu falo onde ela está, mas não deixe que matem o meu filho.

Os quatro comensais olharam confusos para Frank. Alice estava movendo a boca, com os olhos fora de órbita, sem parecer estar escutando qualquer um deles.

—Ela? – perguntou Rabastan.

—Eu disse que eles sabiam! Onde está o Lorde das Trevas? – perguntou Bellatrix.

—Não sei do Lorde. Estou falando... estou falando de Emily Valentine. – respondeu Frank.

—Ela morreu. – disse Rabastan, sentindo um enorme frio na barriga.

—Morta e enterrada! – concordou Rodolfo.

—Não... não está. – disse Frank – Prometa que vai proteger meu filho e eu falo onde ela está... por favor... por favor... – chorou Frank Longbottom.

—Mate-o. – rosnou Rodolfo, mas Rabastan se colocou entre ele e Bellatrix.

—Tem minha palavra. – rosnou lívido. Aquela filha da mãe estava viva? Se fingiu de morta durante todo aquele tempo... e estava viva?

—Não o escute, Rabastan. Ele vai nos levar para uma armadilha. Ela está morta. – rosnou Rodolfo.

—Você não conseguiu matá-la, Lestrange. – riu Frank, de maneira insolente. Rabastan olhou para o irmão com uma fúria gelada.

—Mais uma vez escuto isso de alguém, Rodolfo.

—É mentira. Larga de ser tonto. – resmungou Rodolfo – Ele só quer nos dividir. Mate logo todos eles, Bella.

—Ela está viva. Está em Godric’s Hollow. – murmurou Frank – Eu sou o fiel segredo. Eu conto pra você... – Frank cuspiu um pouco de sangue e arfou – Mas só pra você...

—Você não está em condição de fazer exigências. – riu Bellatrix – Crucio.

Frank voltou a gritar e Rabastan olhou furioso para Bellatrix.

—Pare! Eu quero ouvir.

—Ele vai contar, não se preocupe. Só quero que ele entenda quem é que manda aqui. – riu Bellatrix.

Rabastan ficou olhando Frank gritar, segurando o pequeno Neville com cuidado. Emily estava viva? Estava realmente viva? Ou ele estaria blefando para ganhar mais tempo para o filho? Se afastou da cunhada e se sentou no sofá, ainda segurando Neville com firmeza. O garoto ainda chorava desesperado, desejando voltar para os pais, provavelmente muito assustado com o que estava acontecendo.

Ele não era o único assustado. Bartô tremia ali perto, completamente chocado com o comportamento de Bellatrix e Rodolfo.

Rabastan concordava com Bartô. Precisavam sair dali, esperar a poeira abaixar e então procurar descobrir o que tinha acontecido com o Lorde das Trevas. Mas Bellatrix e Rodolfo pareciam ter enlouquecido. Eles não pareciam ter noção do quão loucos eles pareciam estar. O desaparecimento do Lorde das Trevas tinha sido um baque forte demais para eles. Eram os homens de confiança do Lorde das Trevas. Os favoritos, os mais prestigiados... agora, com a queda dele... não passavam de escória para a comunidade bruxa.

Rabastan já não se importava mais com isso. Com reputação, com prestígio... ele queria simplesmente lutar até que o matassem. Morrer lutando. Era seu objetivo. Olhou novamente para Neville, que ainda chorava alto. Tentou niná-lo, mas era impossível com os gritos de Frank e Alice. Foi para o quarto do garoto e usou um feitiço silenciador ali, para que ele não escutasse mais os gritos e nem Rodolfo o escutasse mais. Deu corda nos brinquedos do menino, para que eles tocassem uma melodia reconfortante e então saiu do quarto.

Voltou para sala, onde Bellatrix gargalhava, ainda torturando Frank. Revirou os olhos, desejando que ela terminasse logo aquilo, quando escutou uma explosão.

—O que foi isso? O que foi isso? – perguntou Bartô, assustado.

Rabastan olhou ansioso para o irmão, que pareceu igualmente preocupado.

Bellatrix se ajoelhou ao lado de Frank, com os olhos inflamados de ódio, saltando das órbitas. Seus cabelos cacheados caíam sobre seu rosto dando a ela um aspecto completamente louco.

—ONDE ELE ESTÁ? – gritou ela segurando Frank pela gola.

—Vamos embora, Bella! – disse Rabastan pegando a varinha. Foi quando o feitiço anti-aparatação quebrou. –DEIXE-O E VAMOS EMBORA!

—EU NÃO SAIO DAQUI ATÉ DESCOBRIR O QUE ACONTECEU COM O LORDE DAS TREVAS! – gritou ela de volta.

Bartô olhou ao redor, em pânico e levantou os braços.

—SOCORRO! ME AJUDEM! ME AJUDEM! – gritou ele – ELES VÃO ME MATAR! ME AJUDEM!

—Seu bostinha! – rosnou Rodolfo apontando a varinha para Bartô, mas um feitiço fez a varinha do irmão voar longe.

Rabastan olhou ao redor, com a varinha em punho. Moody, Dumbledore, Shacklebolt, Weasley, Lupin... estavam cercados.

—Me ajudem, por favor... eu não quero morrer... eu não quero ficar igual a eles... – chorou Bartô, parecendo em pânico.

—É o filho do Crouch? – perguntou Weasley – Devem tê-lo capturado...

—ONDE ELE ESTÁ, O QUE ACONTECEU COM ELE? – gritou Bellatrix, sacudindo Frank, que parecia estar muito ausente.

—Não resistam. Vocês estão presos. – disse Dumbledore – Alastor... tire Bellatrix de perto dos Longbottom e veja como eles estão.

—Ataque-os, Rabastan. Você está de varinha! – sibilou Rodolfo. Mas Rabastan se virou para Dumbledore.

—Ela... ela está viva? – perguntou ele, tremendo de ansiedade – Emily Valentine está viva?

Dumbledore o olhou com asco e suspirou.

—Sim. Ela está.

Rabastan sentiu uma confusão de coisas. Raiva, alívio, felicidade, medo, vergonha... mas a última coisa que fez foi sorrir.

—Ela está bem? – perguntou sorrindo.

—Não seja idiota, Rabastan! Ataque! – rosnou Rodolfo.

—CALE A BOCA! – gritou Rabastan, se zangando – VIVI A VIDA POR VOCÊ. OS ÚLTIMOS ANOS POR VOCÊ. ME DEIXE EM PAZ, OK?

—Você é ridículo! – rosnou Rodolfo. Bellatrix tinha sido estuporada e Moody avaliava os Longbottom.

—Ela está bem? – perguntou Rabastan se ajoelhando e jogando a varinha no chão, se entregando.

—Ela está bem. – disse Dumbledore num tom mais calmo, olhando-o no fundo dos olhos.

—Ela está bem... – riu Rabastan, sentindo o peito doer – Ela está bem... – sua risada se transformou num choro. Ele mesmo não sabia se estava rindo ou chorando – Eu posso vê-la?

—Nenhum Lestrange vai se aproximar da Emily. – disse Lupin, com ferocidade.

—Está tudo bem, Remus. – murmurou Dumbledore – E é escolha da Emily.

Rabastan baixou a cabeça, perdido em pensamentos. Nem conseguiu entender o que estava acontecendo. Sabia que estava sendo levado dali, sabia que o tinham colocado em uma cela. Sabia que provavelmente ficaria preso para o resto da vida...

Mas ele também sabia que ela estava viva... que ela estava bem...

E não sobrou lugar em seu coração para rancor. Apenas para alívio e saudade.

*

Londres

1994

A situação ia de mal a pior. Alhena estava com raiva dele, por ele ter contado sobre ela estar vomitando de propósito. Sua mãe estava furiosa por ele ter falado que ela era alcoólatra e por ele ter fugido no outro dia.

E ele estava zangado com as duas também. Então a casa estava anormalmente silenciosa. Alhena estava desenhando no balanço, sozinha. Ele estava em cima de uma árvore, olhando as pessoas passarem, sentindo-se completamente frustrado.

Estavam esperando que a mãe terminasse de se arrumar, para ir ao trabalho com ela. No dia seguinte deveriam ir para a casa do avô, pois, como tinha sido acordado, passariam quinta e sexta com ele também.

Mal podia esperar para voltar para a casa do avô. No momento, simplesmente não queria olhar para Alhena ou a mãe. Queria ficar sozinho e aquela casinha em que moravam não lhe permitia isso.

Minutos depois a mãe os chamou para dentro. Rasalas desceu as escadas e Alhena guardou o caderno de desenhos numa bolsa. Os dois entraram apressados e foram para a butique de Madame Greengrass pela lareira.

O dia se arrastava de maneira entediante. Rasalas ficava acompanhando o movimento das cliente fúteis, com pouco interesse. Daphne estava na casa de Pansy e ele não tinha ninguém para conversar. Astoria e Alhena estavam servindo chá aos clientes, como sempre faziam, com aqueles vestidos de boneca que ele achava ridículos.

Estava cogitando tentar escapar da loja, para dar uma volta (ele estava de castigo), quando Draco apareceu com os pais. Rasalas abriu um sorriso e foi cumprimentar o amigo, que o olhou curioso.

—O que faz aqui? – perguntou Rasalas.

—Minha mãe quer comprar uns vestidos. – respondeu Draco, dando de ombros – E você?

—Minha mãe faz os vestidos. – respondeu sorrindo.

Draco deu um sorriso debochado e olhou com superioridade para Emily.

—Ah... é mesmo.

Rasalas não gostou nem um pouco do tom dele e o olhou feio, mas Draco não ligou. Como era costumeiro, Narcisa Malfoy olhou para Emily Valentine com desdém, mirando as tatuagens e o cabelo colorido com algum desprezo.

—Lúcio... vamos na Twilfitt e Tatting, mesmo... acho que o padrão é mais alto lá. – disse a mãe de Draco olhando com reprovação para a mãe de Rasalas. O garoto bufou indignado, mas foi Alhena quem falou.

—Nossos vestidos são muito mais bem feitos, senhora Malfoy. – disse Alhena, com convicção – Pergunte a qualquer uma. Ninguém nunca reclamou dos vestidos da nossa mãe.

—É sua filha, Diana? – perguntou a Sra. Malfoy, olhando para Alhena, tentando se lembrar de onde a tinha visto.

—Não. Ela é minha filha. – disse a mãe, secamente – Eu sei que não tenho a mais tradicional das aparências, Sra. Malfoy, mas garanto que sei fazer meu trabalho muito bem feito. – disse ela.

A Sra. Malfoy olhou dela e depois para Alhena e Rasalas. Então ela deu um sorrisinho maldoso.

—Oh... não sabia que vocês dois eram filhos da costureira. – riu ela com desdém – Apesar... sim... houve um boato de Rabastan Lestrange ter tido filhos fora do casamento... – ela se virou para o marido – Achei que os dois morassem com o avô...

—Não. Eu os crio sozinha. – disse a mãe, no mesmo tom seco.

—Hum... não me lembro de ter te visto nos bailes que o Rodolfo leva os netos. – disse Lúcio Malfoy.

—Nós vamos com o nosso avô. – disse Rasalas.

—Bem... alguém precisa instruí-los de maneira correta, não é? Ou então podem acabar... bem... de maneira nada tradicional. – riu Narcisa olhando para Emily com um sorriso desdenhoso – Ok. Faça meu vestido. Vou dar uma chance para a sua butique, Diana. – riu Narcisa.

Rasalas cerrou o punho, furioso. Draco deu uma risadinha e apontou para os próprios cabelos. Entendeu na mesma hora que seus cabelos deveriam ter mudado de cor. Soltou um muxoxo, irritado. Eles não eram tão rebeldes há alguns anos atrás.

Rasalas ficou observando sua mãe tirar as medidas da senhora Narcisa, perguntando como ela gostava do vestido, ou se já tinha alguma ideia do que queria. Mas quando a mãe ficou de joelhos para medir a altura da saia, os três Malfoy's deram uma risadinha silenciosa.

Foi o cúmulo para Rasalas. Se virou e saiu de lá, sentindo-se completamente ofendido. Sua mãe trabalhava duro sempre, nunca tirava férias. Era um absurdo que fizessem pouco dela. Que a achassem uma piada. Parou de frente para a butique sentindo-se cada vez mais fora de controle.

—Ei! Tudo bem? – perguntou Draco. Rasalas o olhou feio e o empurrou – O que foi? Tá doido?

—Se eu te ver desrespeitando a minha mãe novamente, Malfoy... – rosnou Rasalas o segurando pela gola – Vai ter um batedor a mais querendo te derrubar da vassoura na próxima temporada de quadribol. Ouviu? – perguntou furioso.

—Do que está falando? – perguntou Malfoy se fazendo de desentendido – Quando foi que eu desrespeitei a sua mãe?

—Você ficou rindo dela. Você e sua família inteira! Nós não temos dinheiro, ok? – rosnou Rasalas o prensando contra a parede – Minha mãe tem que ralar muito pra cuidar de nós e sabe o por que? – perguntou sibilando, cuspindo cada palavra – Porque mataram os pais dela quando ela tinha a nossa idade. – rosnou ele – Mataram os pais dela porque eles não eram preconceituosos e não apoiavam Você-Sabe-Quem. Ela ficou sozinha, sem ninguém, tendo que se virar. E ela conseguiu. E criou a mim e a minha irmã. E é por isso que ninguém, muito menos um mauricinho mimado que nem você, tem o menor direito de rir dela, você me ouviu?

—Calma, Rasalas! – disse Draco, o olhando chocado – Eu não... eu não pensei.

—POIS PENSE, SEU BABACA! – rosnou Rasalas largando Draco de uma vez no chão. O garoto quase levou um tombo e Rasalas recuou sentindo a cabeça arder. Ele puxou os cabelos, que estavam num laranja berrante absurdo – Eu não aguento mais! – rosnou furioso. Se virou para uma lixeira e ela simplesmente explodiu.

—Rasalas! Fique calmo! – pediu Draco. Mas ele não queria ficar calmo. Ele queria explodir tudo. Pressionou a cabeça, sentindo um pouco de enxaqueca e Draco o sacudiu – Ei! Ras! Eu sou seu amigo. Fique calmo, ok? Me desculpe? Tá bom?

Rasalas tentou respirar fundo, querendo se acalmar. Mas aquele fogo dentro de si ainda estava ali... fechou os olhos, tentando se controlar e viu que Alhena tinha saído e o olhava curiosa.

—O que houve?

—VOLTE LÁ PRA DENTRO! – gritou Rasalas. Alhena o olhou assustada e obedeceu.

—Céus. Pare com isso! É a sua irmã! – disse Draco, chocado – O que houve, cara? Tudo isso foi por que eu ri? Eu duvido muito.

—Não. Não é só você! – rosnou Rasalas – É minha mãe, é Lupin, é minha irmã, meu avô, meus malditos cabelos que não querem PARAR DE MUDAR DE COR! – gritou puxando as mexas, que agora estavam quase amarelos – OLHA QUE MERDA!

Draco o olhou e deu um sorrisinho.

—Você está parecendo a minha mãe quando ela entra na TPM, sabia disso? – riu ele. Rasalas o encarou furioso, mas Draco continuou rindo – Seu ciclo deve ter entrado em harmonia com o da sua mãe e irmã. Talvez seja isso.

—CALA A BOCA, MALFOY! – gritou Rasalas. Draco deu outra risadinha.

—Vem. Vamos tomar um sorvete pra você esfriar a cabeça. – riu Draco, o olhando de rabo de olho.

Rasalas bufou e concordou, colocando as mãos nos bolsos.

—Você é um idiota. – resmungou enquanto andavam.

—Eu sei. Mas você gosta de mim assim mesmo. – riu Draco dando de ombros.

Rasalas revirou os olhos, mas se sentiu mais calmo.

Tomaram um pouco de sorvete, mas Rasalas não teve coragem de contar sobre os problemas que estava passando, mas Draco pareceu entender.

—Podres de família, imagino. – murmurou ele dando de ombro – Toda família tem e ninguém fala a respeito. – ele comeu um bom bocado de sorvete – Auto preservação.

—Sim. – resmungou Rasalas.

—Espero que se resolva logo. Não estou acostumado a te ver assim... você é sempre desbocado, cheio de piadinhas... sempre bem humorado. Credo. – riu Draco – Sem falar que se você não me proteger direito, a Sonserina nunca vai ganhar a Taça de Quadribol.

—Eu te protegi direito ano passado, e não adiantou de nada. – resmungou Rasalas.

—Oh, cale a boca. – resmungou Draco. Mas logo estavam rindo.

Logo depois voltaram para a butique, onde a senhora Narcisa experimentava um bonito vestido azul escuro. Sua mãe batia a varinha, fazendo belos bordados na barra da saia, com cristaizinhos.

—Oh. Que lindo o bordado. Você realmente é boa com isso. – disse a mãe de Draco com um sorriso encantado.

—Eu te disse, Narcisa. Emily é um poço sem fundo de talento. – riu Diana Greengrass.

—Cuidado para ela não abrir o próprio negócio, Diana, porque você não vai aguentar a concorrência. – riu o pai de Draco e Madame Greengrass riu nervosamente.

—Sempre brincalhão, Lúcio... sempre brincalhão.

Rasalas se sentou num banco, Draco ao seu lado e logo Alhena se aproximou, com a bandeja de chá.

—Camomila, Rasalas? – perguntou ela.

—Engraçadinha. – resmungou ele torcendo o nariz.

—Eu falo sério. Você está estressado demais. – murmurou Alhena.

—Vocês me estressam demais. Só isso. – retrucou. Alhena soltou um suspiro.

—Quer camomila ou não?

—Não. – respondeu sem encarar a irmã.

—E você, Draco. Aceita um pouco de chá? – perguntou ela.

—Você trabalha aqui também? – perguntou Draco pegando a xícara.

—Sim. Pra conseguir uns trocados. – respondeu ela.

—Você emagreceu pra caramba. Eu não tinha reparado, te vendo sempre de uniforme. – murmurou ele – Seus peitos cresceram bastante.

Rasalas olhou furioso para Draco e Alhena quase derrubou tudo.

—Malfoy! – ralhou Rasalas.

—O que? Foi um elogio! – riu Draco bebericando o chá – Não tá com o peitão enorme igual a Pansy... mas acho que é a segunda em peito no nosso ano. – riu ele.

—Pare de falar dos peitos da minha irmã! Para de reparar nos peitos da minha irmã!

—Rasalas. Eu sou homem. Eu só NÃO iria reparar nos peitos dela se ela fosse a MINHA irmã. – respondeu Draco – Conforme-se. As pessoas vão olhar. Faz parte da vida.

—A-acha que eu... que eu... – começou Alhena corando violentamente.

—Não tenha pressa pra falar. Temos tempo. – riu Draco, com deboche. Alhena tentou falar mais algumas vezes, mas a gagueira não deixou. Rasalas revirou os olhos, impaciente, mas não disse nada – Pergunte cantando. – riu Draco. – Dizem que ajuda.

—Para de zoar a minha irmã. – pediu Rasalas, carrancudo.

—Não estou zoando.

—Você acha que eu estou ficando bonita? – perguntou Alhena cantando com uma voz muito bonita. Draco e Rasalas olharam surpresos para ela e ela encolheu, corando violentamente.

—Você canta! – riu Draco.

—Uou. – riu Rasalas. Alhena apenas encolheu mais ainda e se virou para ir embora, completamente vermelha.

—Alhena! – chamou Draco. Ela se virou – Você tá ficando no ponto.

E Rasalas deu um soco na cabeça do colega, que apenas riu dos dois irmãos, ambos muito vermelhos.

**

Rasalas teve que aguentar as piadinhas de Damian e Blair, cujos pais, coincidentemente, também vieram fazer vestidos naquele dia. A mãe de Blair e o pai de Damian.

Quando voltaram para casa, sentia-se levemente constrangido com aquilo. Sua mãe e Alhena não pareceram ligar. Elas não se incomodavam, pois no final do dia, as pessoas sempre reconheciam o talento da mãe. Mas Rasalas estava incomodado...

Ele era o futuro da família Lestrange. Não queria que sua mãe fosse motivo de piada... pra ninguém.

Então, no dia seguinte, quando foram para a casa dos avós, ele pediu para ter uma conversa a sós com o avô.

Rodolfo Lestrange o olhou, curioso.

—Vai me explicar o motivo de ter fugido pra cá, naquele dia? – perguntou o avô.

—Não. – respondeu Rasalas se sentando num sofá. Seu avô se sentou numa poltrona e começou preparar um cachimbo.

—O que quer, então?

—Minha mãe é costureira. – disse Rasalas.

—Eu sei disso. – respondeu seu avô.

Rasalas deu um suspiro.

—O senhor Malfoy disse que se ela tivesse o próprio negócio, não daria chance para a concorrência. – murmurou Rasalas. Seu avô baixou o cachimbo, o olhando com mais atenção – Ela é minha mãe e eu passo constrangimento quando meus amigos fazem piadinhas. Porque... porque ela é só uma costureira. Todo mundo faz piada... e... eu não quero aceitar isso... eu quase bati no Draco, Malfoy. Draco Malfoy... por conta disso. – resmungou Rasalas – Eu me sinto ofendido. Minha mãe não liga, mas... mas eu ligo.

—E tem todos os motivos do mundo para ligar. – murmurou seu avô – O que sugere que eu faça? – perguntou o avô – Quer que eu dê dinheiro o suficiente para que ela não precise mais trabalhar? – perguntou o avô.

—Não. – respondeu Rasalas – Eu... eu pensei... e se... – ele respirou fundo, recebendo um olhar atento do avô – Bem... você poderia ser patrocinador de um negócio só dela? De roupas? Se ela tivesse a própria marca... ninguém iria tirar onda e cem por cento do lucro das vendas seriam dela... minha mãe recebe apenas cinco por cento do valor dos vestidos que vende. É muito pouco.

Seu avô o olhou atentamente por alguns segundos. Ele ainda estava amassando algumas folhas no cachimbo, com um bastãozinho, mas parou de fazê-lo, colocando o cachimbo, o fumo e o bastão sobre uma mesinha de canto.

—Eu posso fazer isso. Mas quero participação nos lucros. – respondeu ele – Vinte por cento de tudo o que ela vender será meu... Depois do primeiro ano. Antes pode ser tudo dela, assim ela pode investir ainda mais na loja. E em cinco anos, quero que ela me devolva o valor que eu investi e minha participação nos lucros passa para cinco por cento.

—Ah... vovô... esses detalhes terão que ser resolvidos com ela. Não comigo.

—Você veio negociar comigo, Rasalas. Não ela. – disse o avô. Rasalas soltou um suspiro e concordou.

—Bem... Quinze por cento vai ser seu, mas só depois do primeiro ano... se ela conseguir pagar a dívida dela em menos de três anos, você não tem mais participação nos lucros. – arriscou ele.

—Me recuso. – disse o avô.

—Hum... – Rasalas mordeu o próprio lábio – Ok. Mas a participação inicial dos lucros vai pra dez por cento. De resto fica igual.

O Sr. Lestrange pegou o cachimbo, parecendo ponderar. Então ele pegou a varinha, conjurando pergaminho e tinta.

—E se em cinco anos, ela não conseguir me pagar o que deve? – pergunta o avô.

—Você fica com vinte por cento do lucro, até cobrir o que falta. – sugeriu Rasalas.

—Certo. Vou fazer um contrato com a proposta e quando for devolver vocês no domingo, eu converso com a sua mãe. – disse o senhor Rodolfo escrevendo no pergaminho.

—Ok.

Rasalas ficou observando o avô escrever e quando este terminou, mandou chamar Alhena. O avô leu a proposta para os gêmeos, que era exatamente o que ele tinha conversado com Rasalas. Sem truques e nem malícia. Rasalas ficou muito satisfeito e Alhena abriu um enorme sorriso.

—Tenho certeza de que mamãe vai ficar feliz! – disse ela – Sem falar que vai ficar mais fácil pra mim... não vou precisar ser a garota do chá!

—Você pode ajudar a mamãe nos verões. – concordou Rasalas – E quando ficar mais velha, você assume a loja, pra mamãe se aposentar.

—Oh! Isso seria fantástico! – riu Alhena.

Rasalas notou um sorriso satisfeito do avô, que fumava o cachimbo os observando. Se perguntou o que estaria passando pela cabeça dele.

Alhena logo foi para o próprio quarto, para desenhar mais algumas roupas, muito animada e Rasalas se sentiu leve pela primeira vez desde que ouvira a conversa entre Lupin e sua mãe.

Só então teve cabeça para ir falar com Alhena. Conversou com ela sobre aquela ideia de vomitar de propósito.

—Você é minha irmã. Isso é muito perigoso. – murmurou ele – Não faça mais isso, ok? Nunca mais.

—Mas... mas tem funcionado! – disse Alhena – Você viu? Até Draco disse que eu estava ficando bonita!

—Ele disse aquilo só pra implicar comigo. – resmungou Rasalas e o sorriso no rosto da irmã morreu – Você não precisa ficar magra pra ser bonita. Você já é bonita.

—Mas os meninos vão gostar mais de mim se eu for magra.

—E desde quando você quer que os meninos gostem de você? – perguntou Rasalas. A irmã revirou os olhos e estava para falar quando ele retomou a palavra – Eu falo sério. Não era você quem falava que nunca iria casar? Que tinha medo de... de sofrer que nem a mamãe?

—Ah, Ras... eu era só uma menininha naquela época.

—Você tem quatorze anos! – disse Rasalas – Você é uma menininha. Eu sou um menininho. E eu vou te falar uma coisa, Alhena. Eu sou um garoto. Eu sei como os garotos pensam. – ele respirou fundo – Se um garoto precisa que você seja muito gostosa pra gostar de você... ele simplesmente não merece sua atenção. Eu adoro o Draco. Ele é meu amigo. Mas ele... ele não presta!

—Quem presta? – perguntou Alhena.

—Eu!

—Você não é uma opção pra mim! – riu Alhena. Rasalas fez uma careta, pois não tinha visto por aquele lado.

—Eu sei que não... mas... bem... tem o Damian. – disse ele a contra gosto.

—O Damian? Mas ele disse que não gosta de mim. – resmungou a Alhena – Eu posso mudar o meu corpo, mas meu jeito não. Eu sempre vou ser a mesma garota tímida que não dá conta de falar com ninguém.

—Você mudou, Lena. – cortou Rasalas – Antes você realmente não dava conta de falar com ninguém. Mas você já beijou dois meninos, você mandou o Damian ir pastar, você perguntou pro Draco se ele te acha bonita... Céus. Você até foi falar com o papai e deu um presente pra ele... claro, depois você soltou os cachorros... olha isso! Você soltou os cachorros! – riu Rasalas, roubando um sorriso da irmã – Você não falava com ninguém, além de mim e de Daphne. Mas agora você tem seu grupinho de amigas, sem mim... apesar de eu não aprovar Pansy Parkinson...

Alhena deu uma risadinha novamente.

—É... é verdade... – murmurou ela – Eu... eu acho que... que posso melhorar ainda mais... – murmurou ela – Eu passei tanto tempo... tanto tempo... segurando minhas frustrações... sendo calada. Me escondendo atrás da minha timidez e do seu carisma... eu sempre pensei que teria você do meu lado para falar aquilo que eu não teria coragem... mas... – Alhena soltou um suspiro – É... é como ele disse né?

—Ele? – perguntou Rasalas – Ele quem?

—Bem... o... o nosso pai. – resmungou ela – Nem sempre vou ter você pra ser minha voz... eu preciso achar a minha voz... por mai assustador que isso seja.

Os dois gêmeos ficaram em silêncio, pensando em tudo aquilo. Rasalas se levantou para ir para o próprio quarto.

—Então... eu vou fazer minhas tarefas. – disse se lembrando da redação de trinta centímetros que precisava escrever para Binns.

—Ei, Ras. – murmurou Alhena. O garoto a olhou – Você acha que... que o Damian gosta de mim?

Rasalas fez uma careta.

—Acho que nem ele sabe. – respondeu dando de ombros – Ele está meio perdido, porque só agora começou a notar que você não é a mesma garotinha absolutamente tímida do nosso primeiro ano.

—E... e ele é... bem... legal? Com as garotas?

—Eu não sei. Eu nunca vi ele com uma garota. – respondeu Rasalas sorrindo – Mas... ele é legal com você, não é?

—Sim...

—Então. – riu Rasalas. Lena riu de volta e se deitou na cama, com um ar sonhador.

E Rasalas se convenceu que era a hora de se acostumar com a ideia de ver sua irmã aos beijos com alguém...

***

Rasalas se olhou no espelho, aprovando seu reflexo. Estava vestindo trajes a rigor negras, com detalhes em prata, como sempre. Deixou os cabelos mais compridos, penteando-os para trás. Sorriu satisfeito e foi para junto do avô, que esperava na sala. Dessa vez a festa era na casa dos Bulstrode e ele tinha muita certeza de que veria Daphne naquele baile.

Logo sua avó e sua irmã apareceram. Ambas vestindo prata, é claro. Alhena estava com um penteado bonito, cheio de tranças e Rasalas achou que ela estava muito bem. Mesmo que ainda fosse um pouco gorducha, o vestido não parecia apertado e ela passava a sensação de estar muito confortável, o que melhorava em absoluto sua postura.

Logo chegaram na casa dos Bulstrode. Não era grande como a de Draco, mas era realmente um lugar muito bonito. Emilia veio correndo abraçar Alhena e as duas saíram conversando animadas. Rasalas percebeu que as duas estavam praticamente com o mesmo porte físico, apesar de Emilia ser um pouco mais alta.

Ficou procurando por algum conhecido e logo encontrou Damian e Blair. Correu até eles e pulou nas costas de Blair, arrancando sorriso de ambos.

—Olá! – disse de bom humor.

—A alma da festa chegou. – riu Damian.

—Sai de cima, Rasalas! – disse Blair, que estava uma cabeça mais alto que todo mundo – Só gosto de mulher montada em mim.

—Huuum... assim você parte meu coração, meu deus de ébano. – riu Rasalas fazendo os colegas rirem.

Desceu das costas dele e os cumprimentou apropriadamente.

—Viram a Daphne? Eu ainda não falei direito com ela nessas férias.

—Quer dar um beijinho nela, é? – perguntou Damian, com troça. Rasalas sorriu sugestivamente em resposta – Oh. Nosso mascote está apaixonado. – riu Damian o apertando nas bochechas.

—Para com isso! – riu Rasalas.

—Esqueceu Granger, então? – perguntou Blair.

—Mione e eu somos amigos, tá bom? A-MI-GOS! – resmungou Rasalas – Parem de querer procurar pelo em ovo de dragão.

Blair e Damian trocaram um olhar divertido e Rasalas revirou os olhos.

—Onde está a sua irmã? Ela veio? – perguntou Damian.

—Por que? Você também quer dar uns beijos hoje, é? – perguntou Blair levantando a sobrancelha.

—Ah... para... é só que... – Damian coçou a cabeça parecendo sem jeito – Eu só queria dar um oi. Sua irmã é legal.

—Eu sei que é. Eu sempre disse que era. – disse Rasalas sorrindo. Damian concordou meio sem jeito.

—Código dos Manos, heim cara... – riu Blair – Irmã de amigo não pode. É proibido.

—Isso significa que Alhena e Astoria são território proibido? – perguntou Draco aparecendo, colocando os braços ao redor dos ombros de Rasalas e Damian – Porque a Astoria tá bonitinha. Vai virar um pecado, aquela menina.

—Oi, Draco. – disseram juntos.

—É basicamente isso mesmo. – respondeu Blair.

—Tudo bem. Essa é a graça de ser Sonserina. Um certo desprezo pelas regras, sabe? – riu Draco.

—Não pode passar a perna nos coleguinhas. – disse Blair – Só pode se for amor verdadeiro. – disse ele apertando as bochechas de Damian – Aí eu acho que não tem problema, né?

—Eu não estou apaixonado por ninguém, tá legal? – perguntou Damian fechando a cara e dando um tapa na mão de Blair.

—Oh! Por quem que o Damian está apaixonado? – perguntou Draco.

—Eu não... – começou Damian, mas Blair o atropelou.

—Alhena Valentine... Lestrange... não sei. – riu ele.

—Oh! É sério isso? – riu Draco com deboche. Rasalas o olhou de maneira severa e Draco revirou os olhos – Não que eu esteja zoando Alhena. Mas fala sério. Temos as gêmeas Patil, temos Daphne Greengrass...

—Essa é do Rasalas. – cortou Blair.

—Ok... temos a irmãzinha da Daphne. Vão por mim, é um bom investimento a longo prazo. – riu ele – Temos as garotas mais velhas. Flint saiu da escola, abençoado seja Merlin. Vocês viram a irmã dele? Amélia Flint. Pelos cavaleiros do rei Arthur. – ele deu um sorrisinho – Temos Chang, temos Parkinson, temos Vance... fala sério... tem muita gente mais bonita que a irmã do coleguinha aqui. – riu Draco – Se for pra vacilar que seja com alguém estupidamente gostosa. Tipo a mãe do Zabini. Alguém viu aquilo?

—Ou! Ou! OU! – ralhou Blair fechando a cara.

—Aquilo sim é uma MILF! – adicionou Draco, escapando de um tapa do outro garoto.

—Uma dica, Draco. Para de provocar os dois caras que são responsáveis pela sua segurança no campo de quadribol... – alertou Rasalas. Mas Draco apenas riu sem se importar.

—Eu falo sério. Vou pensar na sua mãezinha durante o meu banho hoje a noite, Blair.

—E eu na sua. Adoro uma loirinha. – devolveu Blair, mas Draco deu de ombros.

—Pois pense. Minha mãe é bonita, eu sei disso. – disse Malfoy – Mas a mãe do Rasalas também é bonita. De um jeito meio rebelde e perigoso.

—Nem pense, Malfoy. Não gosto dessas brincadeiras. – ralhou Rasalas, arrancando risadas do grupo.

—Foi você quem chamou minha mãe de MILF primeiro! – defendeu-se Draco.

—Não importa.

—Não seja ciumento, Rasalas. – riu Draco – Eu vou com carinho. – adicionou ele movendo os quadris num movimento indecente. Rasalas tentou dar um tapa nele, mas Draco tinha bons reflexos e se esquivou rapidamente, arrancando mais risadas de todo mundo.

—Ei. O que é tão engraçado? – perguntou uma voz feminina. Os garotos se viraram e viram Pansy Parkinson. Rasalas abriu a boca em choque. Ela estava muito bonita, num vestido rosa e prata.

—Pansy Parkinson. Você é um colírio para os olhos. – riu Blair Zabini. Pansy fez um biquinho, achando graça.

—Obrigada, Blair. Acabei de chegar. Vocês viram as meninas? – Rasalas negou com a cabeça, ainda olhando para o corpo dela. Ela realmente tinha os peitos grandes e uma cintura fina, com o quadril bem delineado. Pansy soltou um suspiro – Vamos procurar por elas?

—Claro! – disse Draco avançando para oferecer o braço para ela. Pansy sorriu convencida e os dois foram andando na frente.

—O que aconteceu com ela? – perguntou Damian parecendo tão em choque quanto Rasalas.

—Céus... peguem a ração que Parkinson anda comendo e distribuam na escola. – riu Rasalas – Ela tá...

—Ali é a Daphne? – perguntou Blair.

—Horrorosa. Onde? – riu Rasalas. Os três deram risadas e Blair apontou para onde Alhena, Emilia e Daphne estavam.

Daphne estava usando um vestido azul claro, muito bonito. Os cabelos loiros estavam soltos e quando ela se virou para olhá-lo, sorriu docemente.

Rasalas sentiu o estômago encher-se de sensações. Parecia que milhares de diabretes queriam escapar de dentro dele. Um frio lhe subiu a espinha e ele sorriu de volta, sem conseguir evitar. Sentiu vontade de correr até ela e beijá-la ali mesmo, mas sabia que simplesmente não era sensato. Se os pais dela vissem, estariam numa encrenca daquelas.

Então se aproximou e a beijou na mão, lentamente, a olhando nos olhos. Lindos olhos azuis, diga-se de passagem. Ela sorriu encantada e os dois ficaram se encarando até que Draco tossiu obviamente alto.

—Que calor, não é? – perguntou ele.

Rasalas deu um meio sorriso para Daphne e olhou para Draco.

—Realmente. Vamos lá pra fora? – perguntou ele.

—Não. Papai não vai gostar. Temos que ficar onde ele pode vigiar. – suspirou Emilia – Minha prima foi flagrada no jardim, antes de ontem, com um amigo do meu pai. Foi o maior bafafá.

—Quantos anos tem sua prima? – perguntou Draco.

—Dezoito.

—E o amigo do seu pai? – perguntou Alhena.

—Quarenta e cinco. – respondeu Emilia com um sorrisinho – Entenderam o porquê do bafafá? E o cara é casado. A esposa dele fez o maior escândalo.

—Não é pra menos. – ralhou Daphne – Que horror.

—Quer dizer que vocês estão todas lindas aí e a gente não pode se aproveitar de vocês? – perguntou Draco, se fazendo de horrorizado – Por isso que as minhas festas são as melhores!

Todos deram uma risadinha.

O grupo ficou conversando, fazendo barulho. Logo Rasalas cutucou a irmã e apontou para um homem em específico.

—É o Ministro da Magia? – perguntou Alhena.

—Sim. Ele é amigo pessoal do meu pai. – riu Emilia – Olhem. Aquele ali é Bartô Crouch. – disse ela apontando discretamente para um homem alto, com vestes impecáveis e um bigode perfeitamente desenhado – Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia. – adiciona ela – Meu pai sempre chama esse pessoal, pra se exibir... mas é a primeira vez que o Crouch vem. Ele nunca frequenta essas reuniões, mesmo fazendo parte do diretório.

—O que uma coisa tem relacionado com a outra? – perguntou Alhena – Se dependesse de mim, eu também não viria. – resmungou ela.

Rasalas notou que Daphne deu uma risadinha e Pansy revirou os olhos. Não conseguiu evitar de olhar para o decote no vestido dela e se repreendeu por isso. Emilia olhava para Alhena, como se ela fosse maluca.

—Maninha... – riu Rasalas – Todas as famílias do diretório são amigas, ou ao menos tentam... todos os elitistas frequentam as mesmas festas, com a intenção de fortalecer seus laços. É uma constante manobra de poder e influência. Deveria prestar mais atenção nisso.

—E por que mesmo? Eu não vou ser Lestrange pra sempre.

—Mas pode se tornar uma Burke um dia. Tem que saber dessas coisas. – riu Draco. Damian corou com violência e Alhena ainda mais. Rasalas viu a irmã olhá-lo com acusação, mas negou com a cabeça, querendo dizer que não tinha dito coisa alguma.

—Cala a boca, Draco. Para de falar abobrinha! – resmungou Damian.

—Isso... eu e Damian somos amigos. – adicionou Alhena, completamente vermelha.

—É, mas... uh... – Draco fez careta, caindo de joelhos no chão. Damian tinha acertado um soquinho nas bolas dele.

—Crabbe e Goyle não estão aqui pra te defender, Malfoy. Segure a língua! – ralhou Damian, ainda vermelho.

—Vai pagar por isso... – murmurou Draco, sem ar, fazendo todo mundo rir.

Pansy o ajudou a levantar e logo estavam conversando amigavelmente.

****

Rasalas abriu os olhos e bocejou. Era dia de voltar para casa e ele estava cheio de expectativa. Seu avô estava muito ocupado naquele domingo, conversando com colegas do Ministério. Imaginou que era sobre a Copa de Quadribol, pois todos pareciam muito animados.

Quando finalmente o avô veio levá-los para casa, Alhena estava ferrada no sono, no sofá. Eram quase onze horas da noite e eles tinham tido um dia e tanto, na casa dos Malfoy. Seu avô gostava de levá-los para a casa dos colegas, apenas para que eles não se sentissem sozinhos, mas nunca deixava ninguém visitá-los, porque não se considerava um bom anfitrião.

“Eu não tenho seu carisma, Rasalas. Um dia essa casa vai ser sua e você convida todos que lhe convirem.” Dizia o avô.

A ideia de que aquela casa seria dele um dia era assustadora. Gostava muito do avô e a ideia de não tê-lo mais por perto não era nada agradável. Quando era muito pequeno, só pensava nisso. Em quando herdaria tudo aquilo. Em quando seria o senhor daquela casa. Mas agora aquela realidade simplesmente o assustava.

—A mãe de vocês vai estar furiosa. – lamentou o avô – Me desculpem, mas eu tinha muita coisa pra resolver. O Ministério está uma bagunça!

—O que houve? – perguntou Rasalas cutucando a irmã, para acordá-la.

—Ah... coisas do trabalho. Não se preocupe. – riu o avô – Agora vamos! Vamos.

Rasalas ajudou a irmã a levantar. Alhena ainda parecia um tanto confusa sobre o que estava acontecendo e deu um longo bocejo.

—Quantas horas? – perguntou ela coçando os olhos.

—Hora de ir. – respondeu o avô aparatando com os dois.

Caminharam pelo pequeno caminho de pedra que levava para a casa e Rasalas tocou a campainha. Sua mãe logo abriu a porta, parecendo zangada.

—Achei que iria sequestrar os meus filhos, Lestrange! – rosnou ela puxando Rasalas e Alhena para dentro.

—Eu sei, eu sei... demoramos hoje. – riu o avô com um leve desdém – Mas eu estava ocupado resolvendo coisas realmente importantes. Meu trabalho exige isso de mim, vez ou outra. Posso entrar? Queria conversar com você sobre...

—Não. – respondeu a mãe, batendo a porta na cara dele – Por que não voltaram pela lareira? – ralhou ela.

—Qual o seu problema? – perguntou Rasalas indo até a porta e a abrindo. Seu avô estava parado, parecendo chocado – Entre, vovô.

—Não vai entrar! Se não sabe respeitar as minhas regras...

—Foi um imprevisto, mãe! Pare de fazer cena! – ralhou Rasalas. Sua mãe o olhou zangada, mas nada disse. Ela se virou e caminhou para dentro. Seu avô a olhou com reprovação e um pouco de raiva e também entrou.

Ele olhou para casa, com uma cara de descontentamento e Rasalas o escutou falar “apertado”.

Os dois netos levaram o avô para sala, onde a mãe estava sentada na poltrona, com os braços e pernas cruzados.

—O que quer conversar, Sr. Lestrange? – perguntou ela, secamente.

Seu avô respirou fundo, como se pedisse paciência.

—Nós dois sabemos que você deveria ter se casado com o meu filho. – começou ele – Mas não casou. Portanto eu me sinto na obrigação de fazer algo por você... – ele olhou ao redor, como se temesse que o teto pudesse cair sobre a própria cabeça a qualquer momento – Para que possa prover uma vida melhor aos meus netos, afinal, eles passam mais tempo aqui do que comigo, infelizmente. – Seu avô pegou o contrato que tinham feito – Eu tenho aqui uma proposta para você...

—Eu não estou interessada. – cortou a mãe, com uma voz gélida – Se você terminou, a porta é serventia da casa.

—MÃE! – ralhou Rasalas – Pare com isso!

—Não! Eu não preciso da ajuda dele para nada. Eu tenho o meu emprego e não nos falta nada!

—Talvez goste da vida de servente. – rosnou o avô perdendo a paciência – Talvez goste de ficar de joelhos na frente de mulheres melhores, não é Valentine? Ao menos reconhece seu lugar.

—Pelo menos sei que meus filhos vão se tornar boas pessoas. O que pode dizer dos seus? – perguntou ela, ferinamente.

—Você costumava gostar de um deles. Quantas vezes abriu as pernas para Rabastan, sem nem mesmo ser casada?

—Vovô! – guinchou Alhena, horrorizada.

—Como ousa? – rosnou a mãe avançando um passo – Essa é a minha casa!

—Como eu ouso? Como eu ouso? – perguntou o avô, parecendo simplesmente irado. Ele respirou fundo diversas vezes e então – Como ousa você! Como ousou manter em segredo a existência dos meus netos de mim? Como ousou não contar para Rabastan? Como ousou fechar os olhos para aquele garoto tolo e apaixonado, vendo o caminho que ele trilhava sem se importar em tentar salvá-lo?

—Eu tentei salvar Rabastan! Ele não quis...

—Você NÃO tentou, Valentine! Você não tentou! Eu não sei o que passa nessa sua cabeça simplória. Eu não sei mesmo. Rabastan não sabia que você estava viva. Ele não sabia que Rasalas e Alhena existiam. Tudo teria sido diferente. TUDO. Mas meu filho vai apodrecer em Azkaban por conta de seu egoísmo. E eu, por amor aos meus netos, venho aqui para tentar melhorar essa família que você fez questão de construir sozinha... e você me desrespeita desse modo! – vocifera ele. Rasalas viu seu avô pegar o pergaminho e jogá-lo no chão, para depois incendiá-lo com a varinha – Eu sinto muito, Rasalas. Mas algumas pessoas não merecem receber ajuda!

—Vovô... espere... – murmurou Rasalas, chocado.

Mas o avô não esperou e desaparatou. Rasalas olhou para a mãe, completamente chocado com tudo aquilo.

—Mamãe... deveria ter escutado... – lamentou Alhena.

—Eu não quero a ajuda de Lestrange nenhum. – disse ela com os olhos irados. Ela se virou e saiu marchando – Pra cama, vocês dois.

Rasalas encheu o peito para gritar, mas Alhena o segurou, negando com a cabeça. Ela o puxou de volta para o quarto, por mais que ele estivesse louco para gritar a plenos pulmões.

—Aconteceu alguma coisa. – murmurou ela – Tenho certeza que aconteceu alguma coisa.

—Ela poderia ter sido mais civilizada! – resmungou Rasalas.

—Eu sei. Mas calma. Eu converso com ela amanhã, ok? – perguntou Alhena, calmamente – Vamos deitar... deixar a raiva passar, o sangue esfriar, e então resolvemos isso.

Rasalas respirava ofegante, mas concordou.

Foi mais uma noite sem conseguir dormir. Ficou virando de um lado para o outro, com a raiva ainda acesa dentro de si. Não entendia o porquê daquilo e se perguntou se a irmã também passava pela mesma situação... ou se era o único daquele jeito...

Notou que Alhena se levantou. Escutou a irmã fritar qualquer coisa e minutos depois voltar lambendo os dedos. Ela sempre comia quando ficava nervosa. Mas minutos depois, ela se levantou e foi ao banheiro. Se levantou de fininho e a escutou vomitar mais uma vez. Quis esmurrar a porta, mas apenas voltou para o quarto.

Fingiu estar dormindo quando a irmã voltou para o quarto. Os minutos se passaram sem que conseguisse descansar. Estava furioso demais pra isso... tinha coisa demais na cabeça...

Levantou, sem conseguir dormir e ficou sentado na cama. Mas logo se levantou, trocou de roupa e saiu do quarto. Ficou atento, se perguntando se escutaria alguma coisa, mas não reconheceu nada de estranho. Soltou um suspiro e foi até a cozinha, roubar chocolates. Pegou todos os que encontrou, voltou para o quarto para pegar um casaco e então foi para a rua.

Acenou, chamando o noitibus.

—Caldeirão Furado.

—Não está meio tarde pra você está andando por ai, garoto? – perguntou o motorista, o olhando desconfiado.

—Não. – respondeu Rasalas. Ele se sentou próximo ao cobrador e ficou admirando a paisagem – Quantas horas?

—Quatro e meia. – respondeu o homem.

—Ótimo. – resmungou, se abraçando.

Logo estava no Caldeirão Furado. Comprou um chocolate quente e bebeu lentamente. O funcionário o olhou com desconfiança, mas não ligou. De lá foi para o Beco Diagonal e então para a Central das Chaves. Precisou ficar mais de uma hora esperando que abrisse. De lá pegou a primeira chave para Azkaban.

Eram quase sete horas quando estava atravessando o túnel gelado, úmido e escuro. Ignorou as teias de aranhas, os ratos, os dementadores e logo se viu em frente à cela do pai. Respirou fundo olhando para ele. Os cabelos desgrenhados, a barba comprida. Magro, apenas pele e osso...

—Pai... – mas Rabastan não se moveu – Papai...

—Ei, garoto. – se virou e viu tio Rodolfo, com a testa colada na grade – Trouxe chocolates?

—Sim.

—Me dê um. – pediu ele. Rasalas suspirou e tirou uma trufa do bolso. Seu tio lhe lançou um sorriso feioso, pois seus dentes estavam todos amarelos, e pegou o chocolate de sua mão – Como está sua vida? Já é verão novamente?

—Sim. – respondeu Rasalas – Minha vida está uma confusão. – resmungou se abraçando por causa do frio.

—O que houve, garoto? Conta pro tio.

Rasalas olhou para o pai, que estava deitado e imóvel.

—Eu... eu queria conversar com o...

—Seu pai não vai acordar tão cedo. – riu Rodolfo – Ele e Bellatrix brigaram e tentaram se atacar durante o banho. Estão ambos sedados. Só vão acordar daqui um bom tempo...

—Por que não me avisaram isso quando eu cheguei? – perguntou zangado – Eu só posso vir aqui no máximo uma duas vezes no mês.

—Só porque é bobo. – riu Rodolfo – Minha cela e a cela da sua tia são no mesmo corredor, apesar de Rabastan ter um nível a menos de perigo do que nós. Ele tem direito ao dobro de visitas, mas você pode usar o meu nome e o da sua tia pra vir aqui. Ninguém mais virá mesmo... – riu Rodolfo.

Rasalas piscou, se sentindo muito burro por não ter pensado antes naquilo.

—Cacete. Eu sou mesmo muito lerdo. – resmungou.

—Mas e então... o que está tão difícil pra você? – perguntou Rodolfo.

Rasalas soltou um suspiro e se sentou no chão, ao lado do tio, que o olhava com curiosidade. Pegou um chocolate para si e outro para dar para o tio, que aceitou sem pensar duas vezes.

—Bem... Tudo começou com... com o novo namorado da minha mãe. – resmungou Rasalas.

—Tá com ciuminho da mamãe. Larga de ser...

—Ele é um lobisomem. – cortou Rasalas acidamente. O tio o olhou horrorizado.

—Sua mãe está se envolvendo com um lobisomem? – ele socou a grade, furioso – Ela não tem noção que...

—Imagina como eu me sinto com isso. – resmungou Rasalas – Meu pai preso, meu “padrasto” um lobisomem pé rapado... – ele se abraçou chateado – E minha mãe tá completamente apaixonada por ele... e ele gosta dela mesmo... mas... ainda assim... – Rasalas se encolheu – Não quero nem imaginar o que vai ser quando meus amigos descobrirem... eles já fazem piada por ela ser só uma costureira... – o tio o olhou com atenção, concordando em silêncio – E... eu sei que não deveria sentir vergonha dela... mas... – ele escondeu o rosto.

—Não se preocupe. Eu estou com vergonha por você... e olha só a minha situação. – riu Rodolfo – Sua mãe é muito egoísta... – ele olhou para Rabastan – Sempre foi... nunca gostou do meu irmão... o usou a vida toda... para benefício próprio...

—Do que está falando? – perguntou Rasalas.

—Sua mãe não era santinha... quando eu vi que meu irmão estava apaixonado de verdade por ela... eu fui pesquisar... ver quem ela era, além daquela figura caricata. – riu ele com desdém – Drogada. Fútil... se deitava com qualquer um... vivia louca... fiz de tudo para afastar Rabastan dela... mas teve um dia que ele se feriu e fugiu... foi pedir abrigo para ela e ela o acolheu... mas eu sabia que não eram apenas boas intenções... ela quis desvirtuar meu irmão.

—Tudo depende do ponto de vista. – riu Rasalas.

—Ela não aprovava o Lorde das Trevas.

—Ninguém mais faz isso. Todos sabem que...

—Não apoiam porque nós perdemos aquela guerra. Só por isso... – cortou Rodolfo – Você certamente ouviu coisas horríveis sobre ele. Mas não se deixe enganar... o Lorde das Trevas era um homem fantástico. Ele só queria o bem do mundo bruxo.

—Ele era um assassino. – discordou Rasalas. Rodolfo riu com escárnio.

—Não se faz um omelete sem quebrar alguns ossos, não é?

Rasalas soltou um muxoxo.

—Você sabia que sua mãe ia pra cama com Sirius Black? – perguntou Rodolfo – Quem garante que ela não sabia que Black iria entregar os Potter?

—Minha mãe nunca...

—Sua mãe não é uma santa. – murmurou Rodolfo – Se eu te contar uma coisa, promete manter em segredo? Uma coisa que eu nunca confessei a ninguém?

—Segredo? – perguntou Rasalas.

—Sim. Não pode contar pra absolutamente ninguém. – concordou Rodolfo – Nem pra sua mãe, pai ou irmã. Você promete. Apenas entre eu e você?

Rasalas concordou, curioso, mas ao mesmo tempo, com medo. O que ele iria falar que seria tão horrível? Que nem mesmo o pai poderia saber? Rodolfo colou o rosto ainda mais na grade e falou num sussurro.

—Quando sua mãe e seu pai se reencontraram... Rabastan demorou muito mais do que deveria para voltar. E o Lorde das Trevas ficou furioso. Ele era muito rígido, entende? Quando estamos em guerra, precisamos ser... e todos nós estávamos muito preocupados, achando que ele tinha sido capturado, morto ou sei lá... – Rodolfo soltou um suspiro – Mas então seu pai voltou sorridente e inteiro. Apaixonado. Foi um insolente desrespeitoso e por isso foi severamente punido. E depois, quando ele se recuperou das feridas...

—Feridas?

—Eu disse que ele tinha sido punido... – murmurou Rodolfo – Mas... como eu ia dizendo... seu pai me pediu para falar com a sua mãe. Para que ela não ficasse preocupada, que ele iria voltar... – Rodolfo baixou os olhos, parecendo envergonhado – Eu não aprovava, é claro... mas meu irmão parecia realmente apaixonado... então eu fui ter com ela. E ela... – Rodolfo o olhou um pouco sem jeito – Ela se insinuou pra mim.

—Está mentindo.

—Não estou. – sussurrou Rodolfo – Ela estava completamente louca quando eu cheguei. Fiquei com ela e cuidei dela, até os efeitos... eu não sei o que ela estava usando na verdade... mas ela estava delirando. E quando ela melhorou, ficou querendo me agradecer por cuidar dela. Eu só queria ir embora. Só tinha ido dar um recado... mas já tinha tanto tempo que eu estivera com a minha esposa... – Rodolfo deu outro suspiro.

—Não. Eu não acredito.

—Eu quase caí no charme dela. Foi por muito pouco. Fiquei completamente envergonhado.

—Minha mãe não fez isso! – insistiu Rasalas.

—Estão falando de Valentine? – perguntou uma voz que Rasalas nunca tinha escutado. O garoto esticou o pescoço.

—Isso mesmo, Nott... ela era do seu ano, não era? – perguntou Rodolfo com um sorriso cruel.

—Era sim. – riu Nott – Ela e Rabastan passavam a noite toda trepando, fazendo o maior barulho. Ela nem se incomodava em disfarçar. Nem Rabastan, é claro. Ele adorava que todo mundo soubesse que ele estava fazendo sexo, mas Valentine não se dava o menor respeito.

—Estão mentindo! – insistiu Rasalas.

—Não. E ela vivia andando com Black. Quando ela e Rabastan terminaram, ela e Black viviam se agarrando por ai. Eu os flagrei algumas vezes. Mas Black traçava todo mundo, de qualquer maneira. Nunca foi muito seletivo...

—PAREM COM ISSO! – gritou Rasalas, furioso.

—Sua mãe não era nenhuma santa. – riu Rodolfo – E que péssima reputação que ela tinha... não é pra menos que nosso pai nunca aprovou o relacionamento dela com Rabastan. Ele botou o olho nela e viu que ela não era a mulher pra ele... todo mundo viu, na verdade, menos o Rabastan.

Rasalas se escorou na grade da cela do pai.

—Pare.

—E agora ela está com um lobisomem... isso é vergonhoso.

—Remus Lupin? – perguntou o tal Nott.

—Como sabe? – perguntou Rasalas.

—Ela era caidinha por ele na escola. Só ficou com o Rabastan porque levou um fora daqueles. – Nott deu uma risada tossida – Nem um lobisomem queria alguma coisa com aquela mulher...

Rasalas fechou a cara, enojado. Não escutaria mais uma palavra que fosse. Saiu correndo de lá e voltou para a Central das Chaves. De lá, voltou para casa, parando para comprar pão no caminho.

Assim que chegou em casa, se perguntou se estaria encrencado, mas aparentemente todo mundo ainda dormia. Tomou um café da manhã, sentindo-se muito mal por tudo o que escutara. Estava completamente arrependido de ter ido lá. Não queria ter ouvido nada daquilo.

Quando a mãe levantou, estava atrasadíssima. Ela agradeceu por ele já ter preparado o café e pediu que ele acordasse Alhena.

—Por que não aceitou a oferta do vovô...? Nem se deu ao trabalho de...

—Nem começa, Rasalas! – resmungou ela prendendo os cabelos.

—Começo. – resmungou ele – Mãe. Vamos conversar!

—Não temos nada pra conversar. – retrucou ela.

Rasalas socou a mesa com força e ela o encarou zangada.

—Puta que o pariu! – rosnou ele – Até o babaca do Lupin veio conversar comigo. Será que você...

—Modos, Rasalas!

—Como os seus? Não, obrigado. – devolveu ele. Sua mãe o olhou zangada.

—Quer ficar de castigo pelo resto do verão? – ameaçou ela.

—Quer que eu passe o resto do verão com o meu avô? Ou talvez o resto da vida? – perguntou ele socando a mesa. Sua mãe piscou, chocada – Você está namorando um lobisomem...

—Lupin é ótimo...

—NÃO ME INTERESSA! – gritou ele jogando um copo no chão. O vidro se espatifou inteiro, fazendo barulho – NÃO ME INTERESSA SE ELE É UMA ÓTIMA PESSOA. ELE É UM MALDITO LOBISOMEM. SERÁ QUE VOCÊ NÃO PENSA? – perguntou ele furioso – QUAL O SEU PROBLEMA? SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ QUE ISSO PODE PREJUDICAR TODO O MEU FUTURO E O DA ALHENA?

—CALE A BOCA, RASALAS! – gritou ela de volta – ACHA QUE EU VOU DEIXAR DE SER FELIZ POR CONTA DE UM PRECONCEITO BOBO...

—BOBO? VOCÊ ACHA QUE É UM PRECONCEITO BOBO? VOCÊ ESTÁ NAMORANDO COM UM LOBISOMEM! ELE É PERIGOSO! ELE QUASE MATOU HARRY, RONY E HERMIONE! ACORDA!

—FOI UM ACIDENTE!

—E SE O ACIDENTE FOSSE AQUI EM CASA? – perguntou ele – E SE VOCÊ ACORDASSE COM SEUS FILHOS COM A GARGANTA CORTADA, HEIM? FICARIA SATISFEITA ASSIM?

—Não ouse... – sibilou ela, tremendo de raiva – Não ouse falar uma coisa dessas Rasalas.

—Eu falo sim! Alguém tem que pensar aqui nessa casa. – rosnou Rasalas – Você não pensa em nós!

—O tempo todo eu penso em vocês!

—Não parece. Não parece mesmo! – rosnou ele pegando um prato e o jogando no chão.

—PARE COM ISSO, RASALAS VALEN...

—É LESTRANGE! – gritou Rasalas completamente lívido – MEU NOME É RASALAS LESTRANGE! PARE DE ME CHAMAR DE VALENTINE! PARE DE QUERER QUE TUDO SEJA SEMPRE DO SEU JEITO! PARA DE QUERER FAZER QUE COISAS IMPORTANTES PRA MIM PAREÇAM POUCO IMPORTANTES!

—Do que raios você está falando?

—Meus amigos fazem piada de mim, por sua causa! – disse finalmente – Você me faz passar vergonha. Eu quero sentir orgulho de você. Lembrar do quanto você batalhou por nós... mas eu não consigo mais pensar isso! Não foi mérito seu nos criar sozinha! Foi uma escolha sua! Você foi egoísta. Tudo o que meu avô disse pra você é verdade. Eu poderia ter crescido com o meu pai... – Rasalas sentiu um enorme peso sair de seus ombros ao falar aquilo. Ele chutou a cadeira, com os olhos cheios de água – Eu poderia ter tido uma vida normal! Com uma família normal! Com meu pai me pegando no colo, como todos os pais fazem! – ele deu um sorriso irritado – Viu que exemplo bosta! Eu nem sei o que os pais fazem! Porque você escolheu isso! Se não quisesse viver ao lado dele, por ele ser um idiota, isso é problema seu! Mas você não tinha o direito de tirá-lo da minha vida. De mantê-lo escondido! De ME manter escondido! De não me dar direito ao sobrenome dele!

—Rasalas... – começou sua mãe, também com os olhos cheios de água.

—NÃO! – gritou ele – Não! EU não quero mais conversar! Faz o que você quiser! Faz o que você quiser! Como sempre!

—Rasalas... – murmurou a mãe tentando se aproximar.

—FIQUE LONGE DE MIM! SUA EGOÍSTA! EGOÍSTA! – ele pegou a mesa e a virou, zangado – VOCÊ PODIA AO MENOS TER OUVIDO O MEU AVÔ! AO MENOS TER OUVIDO. MAS ESSE SEU ORGULHO IDIOTA... – Rasalas segurou a cabeça, com as palavras venenosas do tio percorrendo sua mente – UM LOBISOMEM! E BLACK! VOCÊ FICAVA COM O BLACK!

—Do que está falando?

—PARE DE MENTIR PRA MIM! – gritou ele, zangado – POR QUE VOCÊS QUEREM MENTIR PRA MIM? HEIM? – gritou ele indo para a sala. Alhena estava no corredor, com cara de quem tinha acabado de acordar.

—Rasalas, meu amor... espere... – pediu a mãe.

—NÃO VOU ESPERAR. – gritou ele – NÃO QUERO NEM OLHAR PRA SUA CARA! – rosnou ele dando meia volta para ir para o quarto – Há quanto tempo eu estou querendo conversar com você sobre tudo isso? – perguntou ele furioso – Desde o natal passado! Mas nunca posso tocar no assunto! Há quanto tempo eu quero saber do meu pai? Desde sempre, mas nunca posso tocar no assunto! Quanto tempo eu pedi pra conhecer meu pai? Uns cinco anos! E você só deixou como moeda de troca, pra pode ficar se esfregando com aquele lobisomem mestiço dos infernos!

—RASALAS! – gritou sua mãe.

—É isso mesmo! – devolveu ele pegando o malão e colocando tudo o que conseguiu dentro dele.

—O que está fazendo? – perguntou sua mãe.

—Eu vou embora!

—Não vai! Está louco? – perguntou ela se aproximando para segurá-lo.

—Não me toque! – disse furioso.

—Eu sou a sua mãe! Pare com isso! – disse ela em tom de suplício – Por favor, Rasalas! Pare!

—Não! – gritou ele – Eu não quero mais nada que tenha a ver com você! Você me envergonha! É só isso que faz! – rosnou zangado, colocando os livros dentro do malão. Sua mãe o olhou horrorizada, se sentando na cama de Alhena – Se envolvendo com quem não deve, negando tudo o que eu quero, fazendo tudo sempre do seu jeito... E se a gente não se comporta, você bebe. Bebe até não saber o próprio nome! – rosnou ele, chorando. Quase nem enxergava o malão a sua frente – Eu tinha oito anos e você ficou tão bêbada por o vovô ter ganhado o direito de ficar com a gente no fim de semana, que eu tive que te dar banho e te limpar!

—Rasalas...

—Eu só tinha malditos OITO ANOS DE IDADE! – gritou ele – E vi seu corpo cheio de cicatrizes. E quando eu perguntei o que raios era aquilo, você começou a chorar e a beber de novo. Outro assunto que eu nunca poderia tocar! – rosnou ele fechando o malão de qualquer jeito.

—Rasalas, meu amor...

—PARE DE ME CHAMAR ASSIM! – gritou ele – Eu já disse! Agora quem não quer conversar sou eu! Eu cansei dessa casa. Cansei de você! Faz o que você quiser da sua vida. – rosnou ele puxando o malão – Casa com aquele doente do Lupin! Passa o resto da vida de joelhos, servindo os outros. Mas eu não vou viver desse jeito. EU SOU UM LESTRANGE! – disse furioso.

Não olhou para trás. Sua irmã tentava segurá-lo, mas ele não dava ouvidos.

—Rasalas, pare. Por favor... você só está de cabeça quente... – murmurou Alhena, puxando-o pelo braço.

—Eu estou errado? – perguntou furioso para ela.

—Calma, maninho... por favor. – pediu Alhena, chorando também, mas Rasalas só ficou mais furioso com ela. A empurrou com força jogando-a no chão.

—Sai do meu caminho. Vai adular aquela... aquela mulher! – disse imitando o jeito como Alhena costumava se referir ao pai – Vai lá cuidar dela. É o que você faz melhor! Além de vomitar para emagrecer, é claro!

Alhena corou com violência.

—Eu... eu não...

—Eu te ouvi ontem a noite. Está aprendendo a mentir com a mamãe também? Por que não imita o método dela? De beber até vomitar? Ao menos vão ter mais alguma coisa em comum.

—Rasalas! Por favor... pare. – pediu Alhena.

—Não vou parar! Eu vou embora.

—Não! Sua casa é aqui. Por favor...

Mas ele não ficou para conversar. Pegou o flu e o jogou na lareira, para ir para a casa do avô. Saiu pela lareira e ficou esperando que a irmã aparecesse. Mas ela não veio. Sentindo-se simplesmente péssimo, largou o malão ali mesmo e correu para o quarto de Alhena. O quarto que tinha sido de seu pai. Sentia-se completamente desamparado. A casa parecia estar vazia. Simplesmente vazia. Se escondeu dentro do armário e se encolheu ali.

Fechou os olhos e ficou chorando até cair no sono.

Muito tempo passou ali, naquele armário, até que escutou a voz do avô a chamá-lo pela casa. Se encolheu ainda mais, se perguntando se levaria uma bronca. Se seu avô iria obrigá-lo a voltar para casa. A enfrentar sua mãe...

Não queria ter que encará-la. Estava com vergonha. Tinha completa noção que tinha atropelado todos os limites. Arfou tentando conter o choro que ameaçava querer voltar. Seu avô brigaria se o visse chorando.

Escutou a voz dele ainda mais próxima. Ele provavelmente tinha entrado no quarto. Rasalas abraçou os joelhos, desejando que não o encontrassem. Ficou muito quieto, atento.

—Rodolfo... o armário... – escutou a voz da avó. Rasalas sentiu um frio lhe subir a espinha e logo o avô abriu a porta. Olhou com medo para ele, mas o avô não tinha um olhar severo. Ele soltou um suspiro.

—Como Rabastan... – murmurou ele.

—O que houve, meu amor? – perguntou a avó, num tom gentil.

Rasalas olhou dela para o avô e seus olhos encheram-se de água. Ele baixou o rosto, envergonhado e com medo do que aconteceria. Sua mãe nunca iria perdoá-lo. Tinha certeza que não.

—Rasalas. Vem aqui. – murmurou seu avô – Me conte o que aconteceu. – Mas Rasalas apenas seguiu encolhido naquele armário, sentindo as lágrimas descerem por seu rosto – Eda... vá buscar um chá para Rasalas. Ele precisa se acalmar...

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—Está bem. – murmurou a avó, saindo do quarto. Rasalas seguiu sentado sem se mover, olhando para os próprios joelhos, com as lágrimas ainda descendo por seu rosto, por mais que ele desejasse que elas não o fizessem.

O Sr. Lestrange soltou um longo suspiro e gemeu de leve ao se abaixar. Ele se enfiou no armário junto de Rasalas e ficou fitando o neto.

—Quando seu pai tinha uns... uns oito anos, eu acho... Rodolfo estava em Hogwarts e ele ficou sozinho aqui em casa... ele ficava muito triste e solitário... e sempre se enfiava nesse armário. Quando Rodolfo voltava para casa, com os amigos, e não queria ficar com ele, Rabastan vinha chorar aqui dentro. – Rodolfo passou a mão na madeira do armário e soltou um suspiro – Rodolfo nunca chorava. Nem quando era criança... mas seu pai chorava. Ele fazia escondido, porque eu brigava, mas eu sabia que ele chorava... e no dia que ele me apresentou sua mãe... era um natal... – seu avô soltou um suspiro longo – Eu a tratei muito mal. E sua avó me imitou, como eu sempre exigi. Valentine não causou uma boa primeira impressão... Então nós a destratamos na frente de Rabastan... – seu avô fez mais uma pausa – E quando ela foi embora, completamente ofendida com as nossas maneiras, eu briguei com Rabastan e falei para que ele nunca mais trouxesse aquela mulher aqui em casa. – seu avô fez uma pausa com um ar triste – Ele tinha dezessete anos. Era um homem feito... – ele fez silêncio mais uma vez – E eu vim aqui perguntar se ele queria mais um pedaço de bolo e notei que ele estava aqui dentro, chorando de novo, batendo a cabeça na madeira... se chamando de idiota... por... por não ter defendido a garota. E depois daquele dia, eu nunca mais vi seu pai sorrir pra mim de novo. Ele nunca me perdoou. Ele não me desobedeceu. Ele era muito obediente, o seu pai... mais do que Rodolfo, até... – Seu avô o olhou calmamente – Eu poderia ter falado com ele, que ele deveria ter se casado com ela. Ela não era o que esperávamos, mas... ela era aceitável... ela é sangue puro... e ela o fazia feliz. Mas... mas eu proibi que ele fosse feliz... porque eu não tinha gostado dela. – suspirou o avô – Porque eu não queria imaginar a cara de chacota que meus amigos iriam fazer ao ver meu filho com aquela mulher esquisita... tão fora dos moldes... – seu avô franziu a testa e por um momento Rasalas se perguntou se ele sabia o motivo que o tinha levado ali – Eu perdi o meu filho, Rasalas... eu perdi... os meus dois filhos... – seu avô baixou a cabeça – Eu tento compensar com você e com sua irmã... mas parece que eu nunca acerto. Por favor... me diga que... que você não está assim... por minha causa.

Rasalas soltou um soluço e abraçou o avô chorando de uma vez, sem conseguir mais se conter. Seu avô colocou a mão em sua cabeça, um tanto desengonçado, numa tentativa de confortá-lo e o garoto lhe foi extremamente grato por isso.

Um tempinho depois sua avó apareceu com o chá. Ela se ajoelhou no chão mesmo, como se sempre fizessem aquilo, e serviu uma xícara para ele e outra para o avô. Rasalas agradeceu baixinho e bebeu lentamente.

—O que aconteceu, meu amor? – perguntou a avó, com doçura. Rasalas respirou fundo.

—Eu... eu fui um idiota com a minha mãe. – respondeu ele – E agora... ela provavelmente me odeia.

—Não diga isso, querido. Quem iria odiar você? – perguntou ela.

—Eu não sei o que deu em mim... – lamentou Rasalas, olhando para a própria xícara – Ultimamente eu tenho estado sempre estressado... sempre tão zangado, com tudo. – murmurou ele – Estou perdendo o controle sobre mim mesmo...

—Oh... seu avô é do mesmo jeitinho, querido. Deve ser genético. – riu sua avó. Rasalas tentou sorrir, mas não conseguiu.

—Eu... eu disse tanta coisa horrível pra minha mãe... eu disse que tinha vergonha dela... – murmurou ele – E eu disse... disse que ela era egoísta... porque ela arrumou um namorado que eu não gosto... e...

—Por que não, querido? Ele fez alguma coisa pra você? – perguntou sua avó. Rasalas pensou no que poderia dizer... mas depois daquilo que seu avô dissera, se perguntou se poderia contar toda a verdade e ver se estava realmente sendo tão egoísta.

—Ele... ele não é... apropriado para ela. – disse simplesmente – Eles se amam, mas... mas eu não quero que... que ela fique com ele...

—Por que não? Ele é trouxa? – perguntou o avô.

—Antes fosse. – resmungou Rasalas. Seus avós trocaram um olhar preocupado e assustado.

—Qual o problema desse homem? – perguntou seu avô.

—Ele é meu antigo professor de DCAT. – respondeu Rasalas.

Sua avó soltou um suspiro de alívio.

—Oh, querido... – começou ela, mas o avô a cortou, num tom gélido.

—O lobisomem?

Rasalas engasgou e olhou para o avô, em choque. Como era possível que ele soubesse daquilo?

—Lobisomem? – perguntou a avó, parecendo confusa.

—Lúcio estava me contando que Dumbledore contratou um lobisomem para lecionar DCAT, mas que, assim que se tornou público, o demitiu. – explicou o avô – É com esse professor que sua mãe está se relacionando?

Rasalas nem hesitou em responder.

—Não. Foi outro...

—Lockhart está louco, no Mungus e Quirrell está morto. Que outro professor seria? – Perguntou o avô, severamente. Rasalas fechou os olhos se sentindo um idiota – Eu entendo que queria acobertá-la e eu entendo o motivo de ter ficado tão... afetado com tudo isso, Rasalas. Mas você não tem a menor obrigação de apoiar sua mãe. Ela já lhe causa constrangimento o suficiente se arrastando no chão para costurar para bruxas mais bem sucedidas que ela. Agora, além de tudo, ela arrisca a integridade sua e da sua irmã. Não é pra menos que a tenha chamado de egoísta. Se isso não é egoísmo, eu não sei o que é.

Rasalas suspirou, olhando para sua xícara, tremendo de leve, sentindo que algo muito ruim iria acontecer.

—Isso é um absurdo, Rodolfo. Você precisa falar com ela! Precisa exigir que aquele homem não conviva com os... – ela se interrompeu por um momento e olhou para o neto – Rasalas. Aquele... aquela criatura frequenta a sua casa?

—Não. Ele nunca entrou lá. – mentiu sem vacilar, novamente. Não iria entregar sua mãe desse jeito novamente, mas não sabia se o avô iria acreditar.

Seus avós trocaram um olhar e Rasalas se concentrou em beber seu chá, temendo o que aconteceria.

—Rodolfo. Você tem que fazer alguma coisa... – disse sua avó.

—Eu sei, eu sei... – disse o avô, coçando os olhos, com as pontas dos dedos – Eu não posso proibir sua mãe de namorar quem quer que seja, Rasalas... isso vai além do meu direito.

—Mas Rodolfo... a nossa reputação pode ser...

—Eu sei. Mas ela não está ligada a nós. Ela nunca se casou com Rabastan. Ela é livre para se relacionar com quem quiser. Mas... – o avô soltou um suspiro – Eu posso exigir que ela não o deixe entrar. Eu posso exigir que meus netos não sejam expostos a esse risco... sua mãe está sendo muito irresponsável, Rasalas. Espero mesmo que não esteja mentindo sobre ele ficar fora da sua casa.

—Ele fica. – disse sem hesitar.

Seu avô concordou e tentou se levantar, mas não conseguiu. Ele praguejou um pouco e Rasalas se levantou para ajudá-lo.

—Tome seu chá, Rasalas. Descanse um pouco... depois nós vamos falar com a sua mãe. – disse o avô saindo do quarto.

Rasalas suspirou e ajudou sua avó a se levantar, depois se sentou na cama que era de Alhena, bebendo seu chá, sentindo medo de encarar sua mãe.

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Notas finais
O próximo capítulo é bem triste também... D= Mas eu espero que gostem!! Beijos^^ Comentem, ok? Estou ganhando tão poucos coments... estou triste u.u