Legado Lestrange
10 Arrancados do Ninho
Notas iniciais

1981-1991
Azkaban
—Emily... – sussurrou Rabastan, mais uma vez. Rodolfo o olhou furioso. Não aguentava mais ouvir aquele nome – Onde você está, Emily...? Quando vai vir me tirar daqui...?
—Ela não vai vir, Rabastan. Conforme-se. – resmungou Rodolfo – Ela não ama você. Nunca amou. Por que ela viria? E que poder ela teria pra te tirar daqui? – Um dementador passou pela cela e sugou um pouco dele. Mas não restara nada para aquele monstro sugar, então Rodolfo simplesmente o ignorou.
—Ela vai vir. – sussurrou Rabastan do outro lado – Ela vai vir... ela vai vir... ela vai vir...
—Cale a boca, Rabastan. Você só deixa isso aqui mais irritante. – rosnou Bellatrix na cela do lado.
—Emily... cadê você, Emily? Cadê você... – sussurrou Rabastan, de olhos fechados, sentado de maneira esparramada em sua cela – Cadê você...?
Rodolfo cuspiu no chão. Ela não iria vir. Nunca. Tinha absoluta certeza disso.
*
1991
Azkaban
Rodolfo voltou para sua cela, onde o jogaram no chão com violência. Nem ligou. Estava acostumado já. Se sentou e olhou para a cela do irmão. Ele não estava mais lá. Se perguntou se ele teria morrido e sentiu um frio na barriga ao pensar isso.
Mas um tempo depois, trouxeram Rabastan de volta. Ele ficou em pé na cela e quando o carcereiro foi embora, Rabastan se sentou com um sorriso no rosto. Rodolfo franziu a testa, se perguntando o que teria acontecido. Ninguém ria ali.
—O que houve? Que cara é essa? – perguntou Rodolfo. Rabastan o olhou com o mesmo sorriso e logo os dementadores apareceram aos montes, para sugá-lo, loucos de fome. – Rabastan? Rabastan?
—APROVEITEM, AMIGOS. HOJE TEM ALEGRIA DE SOBRA AQUI! EU TENHO UM FILHO! – gargalhou Rabastan. Rodolfo piscou, chocado e se jogou contra a grade.
—O que disse?
—Emily. Ela veio. Ela veio. – riu Rabastan. Não conseguia vê-lo, mas podia escutá-lo rir. E os dementadores se juntavam mais e mais, maravilhados com a alegria que ele transbordava – Ela veio e trouxe meu filho com ela. Rasalas... ah, Rodolfo. Fiquei um tempão conversando com ele... ele é... perfeito. E eu tenho uma filha também. Gêmeos.
Rodolfo sentiu um frio lhe subir a espinha. Filhos? Emily?
—E... e tem certeza que são seus?
—Claro que são. Rasalas tem os meus olhos. – respondeu Rabastan, contente.
Ou os meus... pensou Rodolfo se sentando. Poderia ser? Poderiam ser seus filhos? Não. De jeito nenhum iria querer ter filhos com aquela mulher... que Rabastan pensasse que eram dele.
**
1994
Casa da família Lestrange
Rasalas estava pregado no sono. Rodolfo olhou o neto com carinho. O garoto não merecia passar por tudo aquilo. Alhena estava acostumada com a vida dela. Mas Rasalas nasceu para a grandeza. Ele era um Lestrange de sangue e alma.
Resolveu deixar que ele dormisse mais um pouco. Ele tinha chorado muito e sabia que choro trazia sono e cansaço.
Voltou para seu quarto e encontrou sua esposa, que tentava se distrair com algumas cartas de adivinhação. Mas ela estava nervosa demais para conseguir ver alguma coisa. Era mais um passa tempo do que qualquer outra coisa.
—Temos que ajudar os nossos netos, Rodolfo. – murmurou ela – Merlin. Sabe-se lá o que eu serei capaz de fazer se aquele lobisomem machucar meu Rasalas ou minha Alhena.
Rodolfo concordou, igualmente preocupado. Ele se sentou na beirada da cama, se apoiando em sua bengala, sentindo-se muito velho. Realmente muito velho.
—Valentine... – começou ele – Ela disse uma coisa... que me atingiu em cheio, Eda. – confessou ele, sentindo-se muito impotente.
—Não deixe aquela mulher vulgar te atingir, Rodolfo. – murmurou sua senhora – Quem é ela pra falar qualquer coisa de quem quer que seja?
—Eda... – murmurou Rodolfo, hesitante. Como se fosse se confirmar caso ele falasse aquilo em voz alta – Ela... ela me culpou por Rodolfo e Rabastan.
—Não seja bobo, Rodolfo. – disse sua esposa, largando as cartas.
—Eu não posso deixar de pensar... que eu errei com eles. Que eu falhei com eles... eu não acho que Valentine esteja apta para criar nossos netos... mas... mas eu estou? Eu sou melhor do que ela?
—É claro que é, Rodolfo! – disse sua esposa – Aquela mulher não passa de...
—Eu não apoiei Rabastan quando deveria e o apoiei quando não deveria... e quando eu entendi a situação que ele se encontrava... ele já estava distante demais para me ouvir... eu condenei nosso filho, Eda.
—Não diga...
—Eu sei que Rodolfo nunca iria me ouvir. Ele nunca ouvia, aquele garoto. Sempre fez o que queria...
—Rodolfo...
—Mas Rabastan... Rabastan era obediente. Ele sabia escutar... se eu tivesse sido menos orgulhoso naquele natal...
—Pare de se atormentar por isso, Rodolfo! O mínimo que aquela mulher podia ter feito era aparecer de maneira comportada. Mas ela esfregou suas esquisitices na nossa cara. Ela não era apropriada para nosso Rabastan. E nem é apropriada para nossos netos! Ela está se envolvendo com um lobisomem. Meu Merlin!
—Eu sei... mas... – Rodolfo soltou um suspiro – Eu sinto que... se eu tivesse permitido que Rabastan escolhesse o que julgava melhor para ele... – suspirou novamente sentindo-se muito velho – Ele teria sido um comensal. Eu não tenho dúvidas quanto a isso. Rodolfo fez a cabeça dele desde muito cedo... – o Sr. Lestrange bateu a bengala no chão – Mas se ele tivesse casado com ela... se tivesse constituído uma família com ela... tudo poderia ter sido tão diferente... ele teria me escutado... ele teria feito como Malfoy, como Crabbe e Goyle... teria dito que tinha sido controlado, ameaçado. Poderia até ter jogado a culpa em Rodolfo e Bellatrix... ele poderia ter se safado... ele poderia ser um homem livre, hoje em dia... o meu herdeiro. Eu estou velho, Eda... eu não sei se terei pulso para fazer melhor do que Valentine... – disse ele mudando de assunto. Falar de Rabastan e Rodolfo doía demais – Alhena parece ter medo de mim. Ela não me suporta. E Rasalas... eu tenho medo... medo de estragá-lo... medo de não saber lidar com ele, do mesmo jeito que não soube com meus filhos...
—Alhena é um caso difícil... Ela precisa adquirir um pouco mais de auto confiança e independência.
—O que sugere? – perguntou Rodolfo.
—Não cabe a nós, decidir ou sugerir, Rodolfo. É Valentine quem vai decidir o que fazer com eles e ela jamais escutaria coisa alguma que aconselhássemos.
—Ela é muito orgulhosa. – murmurou Rodolfo.
—Acho que foi por isso que Rabastan gostava tanto dela... – riu Eda – Ela era... tudo aquilo que ele aprendeu que era errado. Ela era rebelde, independente, decidida, com uma personalidade daquelas. Céus... que personalidade... – riu Edasich – E orgulhosa. Ela tinha o orgulho de um verdadeiro puro sangue. Fazia o que queria, sem que ninguém a intimidasse... ela era exatamente o oposto dele. Sempre tão comportado, obediente, dependente de você e Rodolfo...
O Sr. Lestrange concordou em silêncio.
—É verdade... – ele soltou um longo suspiro – Acho... acho que é hora de colocar o orgulho de lado, Eda. – murmurou ele – Eu vou até ela e vou pedir desculpas por tê-la destratado e confrontado, todos esses anos. Eu vou assumir a minha culpa em tudo o que eu realmente fui culpado... e vou tentar me entender com ela... não só por Rasalas, mas por Rabastan também... eu nunca fui visitá-lo, em Azkaban... é o mínimo que eu posso fazer por ele.
—Você poderia visitá-lo...
—Você sabe que eu nunca pisaria naquele lugar. – resmungou ele – Eu vou tentar colocar algum juízo na cabeça de Valentine... e se for necessário, caso nada funcione, eu vou ameaçá-la.
—De que?
—De considerá-la incapaz de cuidar dos nossos netos. Ela os está colocando em um risco imenso.
—Você acha que a Corte vai concordar com você?
—Eu não sei. Eu tenho bons e velhos amigos naquela corte, mas não sei se Remus Lupin é motivo o suficiente para garantir a guarda permanente dos nossos netos... e também... – ele se calou, sentindo um certo peso na boca do estômago – Eu não acho que Alhena e Rasalas iriam entender... Eles iriam achar que eu apenas os afastei da mãe por capricho... principalmente Alhena...
Edasich soltou um suspiro e afagou os cabelos do marido.
—Cedo ou tarde, eles vão entender que tudo o que você faz, é para o bem deles... – murmurou ela. Rodolfo soltou um suspiro, olhando para o chão.
—Eu espero que sim... eu realmente espero que sim... – ele se levantou e sentiu os braços de sua senhora o abraçarem. Fechou os olhos apoiando o queixo nela – Eu... eu vou acordar o Rasalas. Vou levá-lo de volta... vamos resolver essa bagunça.
—Tem certeza que não quer que eu vá com você? – perguntou Eda.
—Sim... Fique aqui. Não quero que se estresse com Valentine.
—Mais do que já me estressei? – perguntou a esposa o soltando – Essa mulher é o motivo dos meus cabelos brancos!
Rodolfo deu uma risadinha e suspirou.
—Eu vou lá.
—Boa sorte.
O senhor Lestrange voltou para o quarto em que o neto dormia e se sentou na cama, ao lado dele.
—Rasalas... – chamou. O garoto suspirou no sono, mas não acordou – Vamos, menino. É hora de acordar. – o balançou lentamente e viu os olhos do garoto se abrirem preguiçosamente. Ele o olhou e soltou um bocejo.
—Vovô?
—Vamos. Vamos conversar com a sua mãe. – murmurou o Sr. Lestrange.
Rasalas concordou com um aceno de cabeça e se sentou, coçando os olhos. Ele se esticou, soltando outro bocejo e então, sem nenhuma animação, desceu da cama. Neto e avô aparataram na frente da porta da casa de Emily Valentine e Rasalas abriu a porta. Os dois entraram, notando o quanto estava silencioso.
O Sr. Lestrange soltou um pigarro, não querendo entrar mais do que aquilo sem ter a autorização de Valentine, e logo ouviu passos.
—Oh, Lupin, ainda bem que... – era Alhena quem aparecia no corredor. Ela os olhou completamente chocada e Rodolfo teve certeza que Lupin frequentava aquela casa, por mais que Rasalas dissesse que não. – Vovô, o que faz aqui? – perguntou ela, nervosamente.
Rodolfo franziu o cenho, tendo certeza de que alguma coisa estava errada ali.
—Eu vim falar com a sua mãe. – respondeu ele, olhando analiticamente para a neta. Ela sempre o chamava de “senhor” ou “avô”. Nunca de “vovô” – Onde ela está?
—Ela saiu. – disse Alhena de maneira nem um pouco convincente. Ela olhou em pânico para Rasalas, e os dois pareceram trocar informações mentalmente, pois Rasalas se virou para ele.
—A gente volta outra hora. – disse ele com determinação, mas ele não quis olhar em seus olhos. Rodolfo deu um passo a frente e Rasalas segurou sua mão – Vamos embora. – disse ele.
—O que houve? – perguntou o Sr. Lestrange.
—Nada. Não houve nada. Mamãe só saiu pra dar uma volta. – disse Alhena alarmada.
Rodolfo continuou andando pela casa, olhando cômodo por cômodo. Seus netos tentando desesperadamente convencê-lo a ir embora. Mas ele não iria. Era óbvio que seus netos queriam esconder alguma coisa. Alguma coisa sobre Valentine. Talvez pudesse ser exatamente o que ele precisava saber...
Alhena passou por ele, assim como Rasalas, ficando de frente para a última porta, no final do corredor.
—Por favor, vovô... por favor... – murmurou Alhena, já aos prantos – Volte outra hora. Minha mãe não quer ver ninguém. Ela está muito triste...
—Saiam da frente. – disse ríspido.
—Vovô... por favor... – murmurou Rasalas.
Rodolfo sacou a varinha e com um aceno fez com que os netos saíssem do caminho. Ignorou os pedidos desesperados deles e abriu a porta. O quarto estava uma zona, cheio de sangue, cacos de vidro e garrafas vazias. O cheiro de álcool e azedo era completamente evidente.
Colocando a mão nas narinas, querendo não respirar aquele cheiro, ele entrou no quarto e escutou o som do chuveiro, na suíte.
—ALHENAAA! – gritou Valentine, com uma voz estranha, de dentro da suíte – DEVOLVA MEU HIDROMEL!
Rodolfo sentiu um solavanco no estômago. Caminhou pelo quarto, com a mente funcionando a mil. Encontrou um baú de madeira, cheio de pílulas, seda e folhas picadas. Primeiro achou que era tabaco, mas ao olhar mais de perto, identificou. Um dos amigos de Rabastan era viciado naquilo. O filho de Crouch... Aquilo era salvia. Alucinógeno. Ele olhou para os netos, que pareciam morrer de medo.
—Há quanto tempo...? – ele pegou o baú e mostrou para eles – Sua mãe usa isso?
—Ela nunca tinha usado. Acho que foi a primeira vez... – chorou Alhena, tremendo das cabeças aos pés – Ela está doente, vovô... por favor... vá embora. Me deixe cuidar dela...
—Você não tem que cuidar dela, Alhena... – murmurou Rodolfo se perguntando se aquilo era comum. Se seus netos eram obrigados a cuidar sempre daquela mulher inconsequente.
—Ela perde o controle... quando fica muito triste. Mas ela nunca mais tinha tido uma crise... – chorou Alhena. Rodolfo viu o neto esbugalhar os olhos e depois tremer os lábios. Ele se sentia culpado. Culpado por ter brigado com a mãe... achava que era responsável por tudo aquilo... – Por favor, vovô... ela vai melhorar. Só tem que esperar um pouco...
—Lupin está vindo pra cá? – perguntou ele com uma ira gelada crescendo dentro de si – Aquele homem está vindo pra cá, com sua mãe nesse estado? E se ele ataca vocês? O que sua mãe iria fazer? Ela não está em condições de...
—Lupin nunca faria mal a nenhum de nós! – disse Alhena.
—Ele é um lobisomem, Alhena! É claro que ele faria mal a vocês e... – a porta bateu, lá no início do corredor. Alhena parecia prestes a desmaiar.
—ALHENA! – gritou uma voz masculina – Sou eu! – Rodolfo segurou a varinha com firmeza e a apontou para a porta.
—VÁ EMBORA! – gritou a menina – Não entre! Não entre!
Mas o homem apareceu na porta, parecendo assustado. Ele olhou para os dois, depois para Rodolfo e por último pelo quarto.
—Por favor, abaixe a varinha. Eu sou um amigo e vim... – começou o homem.
—Você é Remus Lupin? – perguntou Rodolfo. Rasalas estava imóvel, como se não estivesse mais funcionando e Alhena parecia em pânico, olhando de um para o outro.
O homem soltou um suspiro.
—Por favor. Abaixe a varinha e conversamos.
—Eu não vou abaixar a varinha enquanto não responder. – sibilou Rodolfo, furioso – Você é Remus Lupin?
O homem soltou um suspiro.
—Sim, eu sou... mas...
—Recue. Fique longe dos MEUS netos! – rosnou Rodolfo – Eu juro que mato você agora mesmo se não recuar. E mato aquela... aquela irresponsável por essa situação toda.
—Você está fora de si... – disse Lupin, calmamente – Por favor, abaixe a varinha e vamos conversar.
—Eu não vou conversar com você, lobisomem. – rosnou Rodolfo – Se você veio cuidar de Valentine, entre naquela suíte e cuide dela. Mas se você acha que eu vou deixar meus netos aqui com você, está muito enganado.
—Senhor... eu não estou no meu período perigoso... – murmurou Lupin, calmamente.
—Não me importa. Eu não confio em gente da sua laia. Em... em criaturas como você. Não confio mesmo! Rasalas e Alhena. Peguem suas coisas. Agora!
—Não... – chorou Alhena – Por favor, vovô.
—AGORA! – gritou Rodolfo – Ou eu mato esse homem! Eu juro que mato! – Rodolfo olhou com asco para Lupin e cuspiu no chão – E ninguém vai sentir falta dele.
—Por favor... pare... – chorou Alhena.
Estava olhando para ela, quando notou que Lupin estava levando a mão para o bolso. Não daria chance para ele pegar a própria varinha. O estuporou, mas ele não caiu. Lupin pegou a varinha e Rodolfo tentou estuporá-lo novamente. Os dois começaram a duelar, sendo observados pelos gêmeos. Rasalas abraçou a irmã e a tirou de lá, a puxando para dentro da suíte.
Rodolfo sentiu um feitiço do Lobisomem acertá-lo em cheio, e sua varinha voou de sua mão.
—Agora... creio que poderemos conversar como dois homens civilizados? – perguntou Lupin, arfando, com o rosto cortado.
—Como ousa me atacar, sua criatura das trevas? – sibilou Rodolfo, ofegante.
—Eu precisei me defender. – devolveu Lupin, parecendo cansado – Escute. Eu sou um lobisomem, mas eu não estou no meu período perigoso. E você não vai levar os filhos de Emily embora.
—Não vou? Acha que eu não tenho o direito de tirar meus netos daqui? Depois de tudo o que eu vi? – perguntou ele.
—Não se precipite. Seus netos não iriam querer sair daqui. – disse Lupin, calmamente.
—Rasalas quis sair daqui. A mala dele está lá em casa e não é a primeira vez que ele foge desse lugar. Eu só não sabia dos motivos para ele fugir. Se eu soubesse... ah... eu nunca teria deixado que ele voltasse pra cá. Isso aqui não é ambiente para duas crianças crescerem!
—Senhor Lestrange. Eu entendo que esteja com raiva, mas...
—Escute aqui, moleque. – rosnou Rodolfo – Se não baixar essa varinha agora e me devolver a minha, eu garanto a você que Valentine vai acabar na prisão. Eu tenho coisas o suficiente contra ela. E eu vou usar você contra ela também.
Lupin o olhou surpreso.
—Está blefando.
—Vai pagar pra ver? – perguntou Rodolfo.
Ficaram se encarando em silêncio durante quase um minuto, com Lupin parecendo ponderar a respeito. Por fim ele baixou a varinha e Rodolfo caminhou para pegar a própria.
—Eu vou levar meus netos e quando Valentine estiver em condições de conversar, eu me acertarei com ela. – disse ele pegando o baú com salvia. Guardou-o nas vestes e então entrou na suíte. Valentine estava desmaiada embaixo do chuveiro e Rasalas e Alhena estavam sentados, abraçados, olhando-o com olhares cheios de medo. Não podia ser mole agora. Era para o bem deles... para a segurança deles... – Peguem suas coisas e vamos.
Rasalas fungou e ficou de pé.
—Não... eu não quero! Eu não quero! – chorou Alhena, mas Rasalas a puxou com firmeza – Eu não quero ir! Mamãe! Mamãe! – gritou ela, mas Rasalas a puxou com firmeza. Valentine nem acordou. Rodolfo se virou e saiu atrás deles – Lupin! Lupin! Me ajude! Não deixe ele me levar! Eu quero ficar com a minha mãe! – mas Lupin não se moveu. Rodolfo seguiu Alhena e Rasalas, com o coração apertado. Sabia que seria odiado. Sabia que eles não iriam entender... mas era necessário. – ME LARGA, RASALAS! ME LARGA!
Apontou a varinha para a neta e a estuporou. Rasalas caiu com ela no chão e o olhou chocado. Rodolfo fez um feitiço para que ela ficasse flutuando e então olhou para o neto.
—Leve sua irmã. – disse ele – Agora.
Rasalas o olhou com os olhos cheios de dor, mas não desobedeceu.
****
Rasalas se encolheu em sua cama. As palavras do Chefe da Corte dos Bruxos ainda ecoavam em sua cabeça.
“Declaro que a guarda de Rasalas Valentine Lestrange e Alhena Valentine Lestrange de hoje em diante será integralmente de Rodolfo Ophiucus Lestrange.”
Se encolheu ainda mais na cama ao se lembrar do choro da mãe e da irmã ao ouvirem a sentença.
—É tudo minha culpa... – murmurou infeliz.
Era o último final de semana antes de voltarem para Hogwarts. Ou melhor... para ELE voltar para Hogwarts. As mudanças estavam apenas começando.
Alhena não iria ir com ele para a escola. A avó estava convencida de que Alhena deveria estudar um tempo em Beauxbatons. Ela tinha estudado lá e garantiu que seria maravilhoso. Mas Alhena não parava de chorar e ambos estavam numa depressão tão grande, que não queriam nem mesmo comer.
A ideia de separá-lo daquele jeito de Alhena era simplesmente assustadora e por isso, todas as noites, um se esgueirava para a cama do outro. Dessa vez ele quem tinha fugido para a cama dela. Dormiam sempre de mãos dadas e acordavam com as broncas do avô, dizendo que aquele comportamento era inadequado.
Rasalas soltou um suspiro, olhando para a irmã, que dormia ao seu lado.
—Me desculpe, Lena... me desculpe.
*****
Se olhou no espelho sem conseguir sorrir. Sua avó terminava seu penteado, falando coisas doces e elogios. Mas Alhena sentia que nunca mais seria capaz de sorrir novamente. Não aguentava mais aquela vida de regras. Não suportava os avós. Não queria mais participar de jantares e bailes.
Queria ficar quieta em casa, conversando com sua mãe. Queria ir para a butique de Madame Greengrass, para desenhar mais vestidos, estudar os tecidos e praticar os bordados às escondidas...
Queria ver Rasalas sorrir o tempo todo, sempre fazendo piadinhas e gracejos. Queria ver seu uniforme cinza, preto e branco de Hogwarts em seu armário, e não o azul de Beauxbatons.
Queria que ao menos uma vez perguntassem o que ela queria e concordassem com sua opinião. Não era pedir muito.
—Está pronta. Está linda, querida! – disse sua avó, mas Alhena discordou. Só via uma garota gorducha, desengonçada e infeliz. Não respondeu. Escolheu o silêncio e saiu de frente do espelho – Vamos. Seu avô nos espera para a recepção dos Burke.
Apenas deu de ombro. Nem mesmo a chance de encontrar-se com Damian parecia animá-la e sabia que Rasalas também não estava empolgado com a perspectiva de se reencontrar com os amigos.
Foram para a sala, onde Rasalas estava com os cabelos completamente castanhos e sem brilho. O ar tristonho estampado em seu rosto. Seu avô sorriu para ela e disse que ela estava bonita, mas apenas virou o rosto, com desprezo. Nunca gostara dele, mas agora era muito pior.
Sempre sentira ressentimento por seu pai, mas nem de perto era o que sentia pelo avô agora. Torcia todos os dias para que ele caísse escada a baixo e partisse o pescoço. Sentimentos que nunca tinha sentido antes, agora não a deixavam em paz. Sentia que não se importaria se todos ao seu redor simplesmente morressem. Parecia quebrada e incapaz de sentir o que quer que fosse além de desânimo.
Saíram pela lareira e logo chegaram na mansão dos Burke. Ela ficava logo depois da Travessa do Tranco, no setor de mansões. Não era tão grande quanto a dos Malfoy, mas se perguntava se existiria uma casa maior do que a de Draco. Imaginava que não. Tinha a impressão que os Malfoy eram os mais ricos e ostentadores do mundo.
Caminharam juntos até os portões da casa. Os empregados abriram as grades estilizadas e os Lestrange entraram, seguindo o caminho de pedra. Notou vários animais entalhados na sala, inclusive um que parecia um leopardo, mas muito grande.
Seu avô cumprimentou as pessoas e Rasalas a puxou para longe deles. Foram para um canto e se sentaram em um sofá. Uma empregada ofereceu suco de amora para eles, mas recusaram em silêncio.
—Nossa. Que cara de enterro. – riu Draco se jogando no sofá – O que houve com seus cabelos, Rasalas? – O irmão apenas virou o rosto, sem ânimo. Draco os olhou com confusão – Ei, o que houve?
—Não foi nada. – respondeu Rasalas.
—Eu fiquei sabendo que vocês estão morando com os avós de vocês agora... permanentemente. É por isso? – perguntou Draco. Rasalas e Alhena responderam com um silêncio sentido e Draco fez careta – Bem... hum... vamos nos distrair, ok? Vocês foram para a final da Copa de Quadribol? Papai conseguiu lugares no camarote de honra. Adivinhem que estava lá? Potter, Weasley e Granger.
—Nós fomos. Ficamos num camarote também. – suspirou Rasalas sem muita empolgação – Foi legal.
—Legal? Legal? – perguntou Draco – Foi o máximo. – os dois irmãos apenas deram de ombros – Ok. Chega. Venham aqui! – ralhou Draco os puxando pelos braços. Alhena sentiu Draco passar a mão em sua cintura e nem com isso sentiu algo. Ele os guiou pelos corredores e logo estavam num escritório – Gente. Olhem só quem eu achei!
—Alhena! Rasalas! – riu Daphne, que veio correndo para abraçá-la. Alhena abraçou a amiga, sem conseguir se animar – Que saudades! Vocês sumiram!
—É. – resmungou Rasalas, passando direto por Daphne e se jogando num sofá. Ele cruzou os braços e jogou a cabeça para trás, como se fosse tirar um cochilo ali mesmo.
—Eu fiquei sabendo o que houve... – sussurrou Daphne – Eu realmente sinto...
—Aparentemente todo mundo já sabe o que houve. – cortou Alhena, sem conseguir evitar.
Houve um silêncio constrangido, que pairou no cômodo e Damian se aproximou.
—Relaxa, Lena. Sua mãe pode conseguir a guarda de vocês de volta. – disse ele colocando a mão em seu ombro. – E de qualquer maneira... o verão está acabando e vamos voltar pra escola. Vai que quando terminar o ano, sua mãe já conseguiu vocês de volta? – riu ele.
—Eu não vou voltar pra Hogwarts. – murmurou Alhena, sentindo um aperto no peito. Damian e Daphne olharam para ela, chocados.
—Como assim? Você tem que voltar! – disse Damian.
—Meu avô me matriculou na Beauxbatons. – discordou ela.
—Meu pai quis me mandar pra Durmstrang esse ano. – murmurou Draco, que estava sentado em uma poltrona – Mas minha mãe não concordou.
—Por que raios...? – começou Daphne – Vem cá! – disse ela a puxando pela mão e a tirando do escritório. As duas foram para o corredor – De onde veio essa ideia maluca?
—Minha avó. – respondeu Alhena, sem muita emoção.
—Pensei que sua avó fosse legal...
Alhena riu com descaso.
—Pois é...
—Ah... Lena... eu realmente sinto muito...
Alhena suspirou e concordou.
—Obrigada.
—Você quer um abraço? – perguntou Daphne.
Escutaram mais passos e logo Pansy e Emilia apareceram.
—Como você está? – perguntou Pansy a olhando com atenção.
—Não muito bem... Mas Rasalas está ainda pior.
—Por que? – perguntou Emilia. Alhena franziu o cenho.
—Porque foi tudo culpa dele. – respondeu Alhena – Ele não consegue controlar aquela boca enorme dele... e então... então causou tudo isso...
—Está com raiva dele? – perguntou Daphne.
—Não... estou apavorada demais com tudo isso, para ter espaço pra ficar com raiva dele. Eu estou com raiva dos meus avós. Principalmente do meu avô... – respondeu a garota.
—Veja pelo lado bom. – riu Pansy.
—Lado bom? – perguntou Alhena arqueando a sobrancelha.
—Sim. Você não morreu. – respondeu Pansy – Você previu que não iria voltar pra Hogwarts e achou que era porque você iria morrer. Mas descobriu que não.
—É verdade! – riu Emilia. Alhena concordou e um tímido sorriso brotou em seu rosto. Certamente era algo para comemorar, certo?
—Sem falar, que esse lance da Beauxbatons pode ser apenas temporário. Se sua mãe conseguir sua guarda de volta... ou melhor, QUANDO ela conseguir, você volta pra Hogwarts. – adicionou Pansy – Então, sorria! Eu já volto.
Pansy voltou para dentro do escritório e Alhena sentiu Emilia e Daphne a abraçarem.
—Obrigada... vocês são maravilhosas. – murmurou Alhena com um aperto no peito.
—Oh, Lena... vou morrer de saudades... – lamentou Emilia.
—Eu também. – chorou Daphne – É bom voltar logo pra cá e nunca deixe de escrever, ouviu?
—Pode deixar. – riu Alhena secando uma lágrima solitária que descia pelo seu rosto – Eu vou escrever sempre. Vocês também tem que escrever pra mim, ok?
—É lógico. Com quem mais eu iria fofocar quando eu começar a namorar o seu irmão? – riu Daphne com um sorrisinho. As três riram secando as bochechas e logo Pansy voltou com um tímido Damian Burke.
—Ok, meninas. Damian quer conversar com a Alhena um pouquinho. Vamos dar privacidade, ok? – pediu Pansy.
Alhena sentiu o rosto ferver e o coração acelerar a medida que suas amigas voltavam aos sorrisinhos para dentro do escritório. Damian soltou um suspiro e se aproximou lentamente.
—É sério mesmo... esse lance de Beauxbatons? – perguntou ele.
—É. – murmurou Alhena se abraçando. Damian soltou outro suspiro e se aproximou mais um pouco para abraçá-la com força.
—Eu vou sentir sua falta. – murmurou ele.
Alhena o abraçou de volta, sentindo o coração bater violentamente em seu peito.
—Eu também. – murmurou sentindo o perfume dele. Fechou os olhos se lembrando de quando tudo o que mais sonhava era que ele a notasse. E agora ele a estava abraçando e dizendo que ficaria com saudades. Fechou os olhos completamente feliz, pois nunca imaginou que ele realmente gostasse dela. Sempre tinha imaginado que ele a tratava bem por respeito a Rasalas, como Blair fazia. Mas agora estava cada vez mais convencida de que ele realmente se importava.
Sentiu o garoto a abraçar ainda mais apertado e a beijar no rosto. Sentiu um calafrio lhe subir a espinha ao sentir os lábios dele em sua bochecha. Seu corpo inteiro tremeu quando ele passeou o nariz por sua orelha. Achou que seu coração sairia por sua boca quando ele a empurrou muito lentamente contra a parede.
E quando os olhos azuis dele a encararam, achou que desmaiaria.
—Você sempre corava quando olha pra mim. – riu ele. Achou o sorriso dele maravilhosamente lindo. Sentiu uma mão dele em sua cintura, enquanto a outra estava em seu rosto. O polegar dele a acariciar no queixo – Eu achava meio bobo... – adicionou ele. Ela baixou os olhos, envergonhada – Mas quando você parou de corar... quando ficou me tratando igual aos outros... eu vi que... que eu realmente gostava... de ser especial. E então eu notei que... que você é especial. – riu ele.
—Você certamente é... especial... – sussurrou olhando-o nos olhos. Damian sorriu devolvendo o olhar.
—Se cuida em Beauxbatons, ok?
—Ok... – murmurou sentindo-se tonta com a proximidade dele. Nunca tinha estado tão próxima de um menino antes, a não ser naquela brincadeira da garrafa.
—Não deixe que ninguém implique com você. – adicionou ele.
—Não vou...
—Me promete? – perguntou ele. Ela concordou com a cabeça – Eu... – ele engoliu seco, parecendo nervoso – Eu vou fazer algo idiota agora. – disse ele.
—Idiota? – perguntou ela.
—É... eu... eu meio que vou... – ele suspirou – Existe um certo códigos dos melhores amigos... e eu vou quebrar uma regra. – explicou ele sorrindo.
—Que regra? – perguntou sentindo o corpo dele prensá-la contra a parede.
—Nunca beijar... – ele sussurrou se aproximando mais. Seus lábios roçaram um no outro e Alhena fechou os olhos, ávida para encerrar a distância – A irmã do melhor amigo...
Sentiu a mão dele escorregar para sua nuca, para puxá-la lentamente. Os lábios dele a tocaram delicadamente e ele suspirou como se há muito quisesse aquilo. Alhena simplesmente se entregou, pois nunca imaginou que ele faria aquilo por livre e espontânea vontade.
Segurou Damian pelas vestes e o puxou mais para perto, tendo certeza de que estava sonhando. Sentiu uma leve mordida dele em seu lábio e adorou quando ele fez isso. Escorregou suas mãos pelas costelas dele e o abraçou aspirando o delicioso cheiro de seu perfume. Damian a puxou mais para si e ela não relutou em se deixar levar.
Tinha ideia de que estavam naquilo há um tempo considerável, mas parecia que fazia apenas segundos. E quando Damian se afastou, achou que morreria. Os dois se encararam e Damian a puxou pela mão. O seguiu, completamente tonta. Seguiram pelos corredores e ele abriu uma porta. Se viu no quarto dele e se perguntou o que ele queria a levando ali.
—Não quero correr o risco de que nos vejam... – murmurou ele.
—Ok. – disse ela. Damian sorriu e se sentou na cama. Depois deu uns tapinhas no colchão, a convidando para vir se sentar com ele.
Alhena respirou fundo e foi, sentindo o corpo todo tremer de ansiedade. Damian a deitou na cama e voltou a beijá-la, a acariciando na cintura. Sentiu os dedos dele a tocarem nas costelas e descerem por seu quadril. Ele respirou fundo, parecendo cheio de desejo e desceu a mão para sua coxa. Não se importou, gostando do toque dele.
Dobrou a perna e sentiu o garoto encaixar os quadris nela. Ele soltou outro suspiro e Alhena virou o rosto. Sentiu os lábios dele em seu pescoço e achou que ficaria completamente maluca.
Damian baixou os beijos, por seu pescoço e ela sentiu-se tentada a permitir que ele continuasse descendo os beijos. Não queria que ele pensasse que ela era fácil, mas escutara Pansy falar que Draco a beijara por cima do sutiã e que era muito bom. A curiosidade estava ali, tentando-a.
As mãos dele subiram por sua barriga e costelas e logo estavam muito próximas aos seus seios.
—Espere. – pediu ela.
—Ok. – suspirou ele rindo e voltando as mãos para as cintura – Desculpe. – sussurrou ele a beijando novamente nos lábios.
Voltaram a se beijar. Sentia o corpo dele inteiramente sobre o seu, a lhe empurrar, com se existisse alguma distância mínima que ele queria extinguir. Mas não imaginava ser possível. Parecia que estava completamente colada a ele.
Damian suspirou novamente e a olhou nos olhos.
—Não quero que você vá embora. – murmurou ele.
—Não quero ir. – respondeu, sentindo-se triste – Eu não quero ir. – repetiu querendo chorar. Damian se deitou ao seu lado e a abraçou. Se abraçou a ele, se achando patética. Estava no maior amasso e do nada começava a chorar.
Sentiu os dedos dele a lhe acariciar nas costas. Ficaram assim durante um bom tempo, sem conversar. Logo as lágrimas secaram e Damian a beijou de novo, muito carinhosamente.
—Não vai arrumar um namorado lá, heim? – ralhou ele fazendo uma cara severa, mas logo voltando a rir.
—Você promete não namorar ninguém aqui?
—Prometo. – respondeu ele. Damian se sentou e a olhou com um sorriso – E quando você voltar para Hogwarts... eu vou te pedir em namoro. Eu prometo. – riu ele.
—Mesmo? – perguntou sorrindo.
—Sim! – garantiu ele.
Alhena se sentou e o beijou mais uma vez e Damian voltou a jogá-la na cama.
Já estavam daquele jeito há um bom tempo, quando bateram na porta. Alhena se sentou de uma vez e ele também. Damian se levantou e correu até a porta.
—Quem é?
—É a Pansy. O Sr. Lestrange quer ir embora. – advertiu ela – Estão decentes?
—É claro. – riu Damian abrindo a porta. Pansy passou por ele, sem prestar muita atenção nele. Ela veio correndo e a puxou para que ficasse de pé.
—O cabelo tá meio bagunçado... e temos que retocar a maquiagem. Onde tem um banheiro, Damian? – perguntou Pansy.
—Aquela porta ali. – disse ele.
Pansy correu com ela para o banheiro e então começou a rearrumá-la.
—E então? Como foi?
—Foi perfeito. – riu Alhena.
—Eu sou ou não sou a melhor amiga do mundo? – perguntou Pansy, com um sorriso, passando um algodão úmido em suas bochechas, para limpar seus olhos.
—É sim! Com certeza... – respondeu feliz – O que o Rasalas...
—Ele não sabe. – cortou Pansy.
—Como ele pode não saber. Eu fiquei umas duas horas com o Damian aqui.
—Ele acha que você está comigo e que o Damian está com os primos dele. – respondeu Pansy, rapidamente.
—E ele e Daphne?
—Nada. – resmungou Pansy – Eu acho... – adicionou ela com um sorriso – Eu passei a maior parte do tempo com o Draco, sabe?
—De novo? – riu Alhena e Pansy lhe deu um sorriso travesso.
—Sempre.
As duas riram e Pansy refez o penteado que Damian tinha bagunçado. Depois, quando estava como nova, as duas saíram e notaram que o garoto não estava mais lá. As duas voltaram para o escritório, onde todo mundo esperava: tanto seus amigos e irmão, quanto os avós.
—Onde estava? – perguntou o avô severamente. Alhena desviou o olhar, pois não sabia mentir.
—Estávamos tendo uma conversa importante. Coisa de mulher. – disse Pansy parecendo constrangida – Obrigada por ter ficado esse tempo todo comigo. – adicionou ela parecendo levemente emocionada e então a abraçou apertado – Vou sentir sua falta, minha balofinha favorita.
—Eu também vou. – choramingou Alhena. Logo sentiu Damian abraçá-la também. E depois Daphne, Emilia, Blair, Rasalas, Draco, Greg e Vince. Todos se abraçavam com ela e Pansy no centro. – Vou sentir saudade de todos vocês.
Escutou Daphne fungar ao seu lado e a menina abriu caminho para lhe abraçar individualmente. Emilia fez o mesmo e Damian, depois. Ele a beijou no pescoço e então se afastou, parecendo deprimido.
—Vamos, querida. – disse sua avó. Alhena olhou uma última vez para seus amigos. Rasalas lhe ofereceu o braço. Ela o aceitou e os dois passaram pelos avós, lançando olhares cheios de desprezo para eles.
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