Legado Lestrange

37 Melhores Amigos


Notas iniciais
Quatro comentários, mais uma vez. Então teremos mais um capítulo! Eu gosto muito desse! Espero que vocês gostem também. A Alhena tá aparecendo mais, mas em breve o foco volta a ser o Rasalas. Mas é que a Lena é mais próxima do Draco e eu quero explorar a amizade deles um pouquinho... Espero que vocês gostem! Beijossss ♥

Mansão Malfoy

—Vai sair?

Rabastan penteava os cabelos, olhando-se em um espelho. Não olhou para trás, pois não queria falar com o irmão. Só queria sair o quanto antes. Rodolfo soltou um muxoxo, impaciente e cruzou os braços, escorando-se na porta. Rabastan se virou, pronto, e caminhou até a porta, mas Rodolfo o segurou pelo pulso, o impedindo de sair. Rabastan puxou o braço, mas Rodolfo não deixou que se soltasse.

—Me larga. – rosnou furioso. Rodolfo o olhou friamente.

—Até quando vai me tratar assim? – perguntou ele – Eu sou seu irmão, Rabastan.

—Agradeça por isso, ou estaria morto.

—Iria me matar? – perguntou Rodolfo com um sorriso debochado – Como fez com Avery?

—Há coisas piores, Rodolfo. – rosnou Rabastan tentando se soltar, mas Rodolfo continuava segurando seu pulso com força.

—Onde vai? – perguntou o irmão, com um olhar atento.

Rabastan soltou um muxoxo.

—Beber.

—E precisa sair? Os Malfoy tem bastante bebida.

Rabastan puxou a mão com força e Rodolfo finalmente o soltou.

—Eu preciso de álcool e algo bonito pra olhar. – resmungou. Rodolfo deu uma risadinha e passou o braço por seus ombros.

—Vamos juntos, então.

—Eu dispenso a sua companhia. – rosnou tentando se livrar do irmão.

—Mas eu não dispenso a sua. – riu Rodolfo. Rabastan o empurrou com força.

—Não teste minha paciência, Rodolfo. Pare de tentar fingir que não tenho motivos pra odiar você. – rosnou Rabastan arrumando a gola do sobretudo e finalmente saindo do quarto.

Rodolfo não o seguiu, graças a Merlin. Caminhou até a lareira e foi até o caldeirão furado. De lá aparatou para a frente da casa de Emily, parando dentro do feitiço do fiel segredo.

Entrou na casa e olhou ao redor, procurando por ela. Fechou a porta atrás de si e pendurou o sobretudo num cabideiro. Caminhou a passos apressados, procurando por ela. A encontrou no quarto principal, penteando os cabelos.

Emily olhou para trás e sorriu para ele. Rabastan sorriu de volta e foi até ela, para puxá-la para si. Emily se deixou levar, mansamente. A beijou sedento dos lábios dela e ela o beijou de volta da mesma maneira. A jogou na cama, sem cerimônia, a beijando no pescoço, escorregando as mãos pela camisola branca dela.

—Rabs... espere.

—Não... não me pede pra esperar, Emms... – sussurrou louco de desejo. Retirou a camisa preta e voltou a beijar a mulher. Emily deu uma risadinha.

—Ok. Conversamos depois.

—Depois... – concordou ele.

Se perguntou como conseguia ficar tanto tempo sem ver aquela mulher. Sem tocar sua pele, sem beijar aqueles lábios. Entrelaçou os dedos com os delas, sentindo o pesado anel de noivado no dedo dela.

Tinham colocado um feitiço para que ele ficasse invisível, mas podia senti-lo no dedo de Emily... de sua noiva... sorriu ao pensar naquilo, sentindo uma sensação estranha na boca do estômago.

Sentiu Emily empurrá-lo de leve, apenas para subir em cima dele. Sorriu, excitado, sem se importar por ficar por baixo. Amava quando ela ficava por cima. Emily tirou a varinha de seu bolso e apagou as luzes. Ela se sentia mais confortável com as luzes apagadas... não criou caso.

Os minutos passaram depressa. O silêncio da casa quase vazia quebrado apenas por seus gemidos. Quando se satisfizeram um no outro, deitaram lado a lado, respirando ofegantes, com enormes sorrisos no rosto. Acendeu a luz de um abajur e voltou a puxá-la para si, para se beijarem mais um pouco.

—Ei... – murmurou ela. Rabastan sorriu a olhando nos olhos.

—O que?

Emily mordiscou o próprio lábio.

—Você está bem? – perguntou ela com um sorriso feliz.

—Melhor agora. – respondeu ele a mordiscando na bochecha. Emily deu uma risadinha e se aproximou mais – E você?

—Estou muito bem... – respondeu ela passando a mão pela nuca dele, numa carícia carinhosa – Estava com saudade...

—Eu também... não tenho tido como vir... – resmungou ele – O humor de Alhena melhorou?

—Pelas cartas, sim. – respondeu Emily – Alhena parece tão sombria, algumas vezes...

Rabastan suspirou, acariciando o quadril de Emily com o polegar.

—Não é fácil ser uma vidente em tempos de guerra. – murmurou Rabastan – Ela deve ver muitas mortes. Quem não ficaria sombrio no lugar dela?

—Tem razão. – murmurou Emily. Rabastan sorriu e a beijou novamente, mas logo Emily se deitou, olhando para o teto.

—Que foi?

—Estava só pensando em algumas coisas... agora que Rasalas e Alhena estão na escola e você está aqui... tudo parece tão... tão correto, sabe? – perguntou ela. Rabastan concordou com um aceno de cabeça – Tudo parece tão normal... eu nem sei quando foi a última vez que eu fui normal.

Rabastan se deitou olhando para o teto também.

—Nem eu... acho que foi antes de me tornar um comensal. – disse passando os dedos pela marca negra – Antes disso...

—A última vez que eu fui normal... – Emily soltou um suspiro – Eu acho que... que foi no meu último baile de debutante.

—Quando foi isso? – perguntou ele.

—Você não vai se lembrar.

—Eu estava presente? – perguntou ele arqueando as sobrancelhas.

—Estava. – riu ela – Meus pais ainda eram vivos... eu ainda era uma bonequinha treinada.

—Por isso não me lembro. – riu Rabastan – A gente conversou?

—Você me cumprimentou, mas não perdeu muito tempo comigo... estava mais interessado em paquerar Katherine Greengrass... a cunhada de Diana.

Rabastan sentiu um frio na barriga ao ouvir aquilo e sorriu.

—Nossa... Kat... – riu ele – Ela era minha noiva. Eu meio que era obrigado a paquerar ela. – riu Rabastan.

—Você alguma vez gostou dela? – perguntou Emms.

—Não... meu primeiro amor foi outro.

—Quem? – perguntou ela, curiosa. Rabastan soltou um suspiro.

—Se lembra de quando fizemos aquele menage? – perguntou ele com um sorrisinho.

—Adhara? – perguntou Emily, chocada.

—Foi ideia sua. Você chamou. – riu ele dando de ombros – Eu passei anos apaixonado por ela. – Rabastan deu de ombros – Mas você me conquistou, depois. – riu ele. Emily sorriu enquanto ele a beijava no pescoço. A olhou nos olhos e suspirou – E no seu baile de debutante? Você reparou em mim?

—Claro. Te achei bonitão, sabe? – perguntou ela, deitando de bruços – Eu era apaixonada por Lupin na época. Mas ele não podia vir para um evento daqueles... não sendo um mestiço e lobisomem. – ela soltou um suspiro – Meu pai queria me casar com Frank, sabia?

—Mesmo? – perguntou Rabastan, arqueando as sobrancelhas.

—É... estava quase tudo acertado, mas... – ela suspirou – Minha família caiu em desgraça e os pais de Frank fingiram que nunca... bem... que nunca houve negociação... – ela girou no cochão, voltando a olhar para o teto. Os seios redondos dela ficando a mostra, escapulindo do cobertor. Uma cicatriz passava por um deles e Rabastan sentiu uma pontada de raiva pelo irmão. – Frank ficou completamente constrangido.

—Já pensou se você se casasse com Longbottom? – riu Rabastan.

—Provavelmente estaria internada no Mungus. Pelo resto da minha vida... – murmurou ela. Rabastan perdeu o sorriso, se dando conta do que tinha falado.

—Mas não importa. – murmurou ele a olhando – Você não casou... não com ele. – segurou a mão dela, a que tinha o anel – Quando a guerra acabar, independentemente de quem ganhar... nós casaremos.

—É... – riu Emily sorridente.

—Vamos fazer o que deveríamos ter feito anos atrás.

—Uhum. – concordou ela – Rasalas e Alhena vão ficar felizes, eu acho... – murmurou ela passando a mão na barriga. Rabastan concordou, com um sorriso, colocando uma mão sobre a dela.

—Talvez pudéssemos até... aumentar a família. – riu Rabastan. Ele baixou os olhos para a barriga dela e a acariciou.

—Não acharia ruim? A essa altura do campeonato? – perguntou Emily – Rasalas e Alhena já são bem grandes...

—Não importa. – riu Rabastan, passando um dedo ao redor do umbigo de Emily – Eu não veria problema... – ele suspirou – Na verdade... eu meio que iria insistir na ideia... eu... eu não vi Rasalas e Alhena crescerem. Eu queria... experimentar... – ele deu de ombros – Você acha uma ideia ruim?

Emily segurou a mão dele sobre sua barriga.

—Eu não sei. Acho um tanto irresponsável, na verdade.

—Nunca fomos responsáveis. – riu Rabastan – Pelo menos... não eu. – disse ainda passeando a mão pela barriga dela.

—Eu sei que não. – riu Emily – Mas... você iria querer só quando a guerra terminasse, certo?

—Eu não sei... – riu ele – Por um lado sim... – ele a puxou pela cintura – Por outro eu não me importaria se você já estivesse esperando...

Emily arqueou a sobrancelha.

—É mesmo, é?

—É. – riu ele – Me dê outra estrela, Emily. – riu Rabastan a puxando para seu colo, arrancando uma gargalhada da mulher.

*

—Onde Rasalas está? – perguntou Blair franzindo a testa.

—Nosso avô piorou de saúde de novo. – mentiu Alhena.

—Credo, Lena. Seu avô tá com o pé na cova, heim? – perguntou Pansy – Os professores não se importam do Rasalas se ausentar o tempo inteiro?

—Não. – disse Daphne com um suspiro – Eles sabem que é preciso que o Rasalas volte pra casa para cuidar do avô. Dumbledore deu permissão pra ele.

Estavam indo para a aula de poções. Draco estava com olheiras profundas marcando seu rosto. Ele parecia simplesmente exausto, com a barba por fazer, os cabelos despenteados, caindo por seu rosto fino. Alhena soltou um suspiro, sentindo pena de Draco. Queria poder ajudá-lo, mas não se permitiria. A última coisa que queria era ver Dumbledore morto... ou ver os Comensais em Hogwarts. Lembrou-se da visão de seu irmão sendo assassinado e se convenceu uma vez mais a não ajudar Draco, seja o que fosse que ele estivesse fazendo.

Sentiu Damian passar o braço por seus ombros e o viu sorrir simplesmente por sorrir. Sorriu de volta, sem um motivo certo, apenas feliz por vê-lo assim.

—Vocês são tão fofinhos! – riu Daphne abraçando Alhena – Me dá uma saudade do meu Rasalas... – Daphne fez um biquinho e Alhena sorriu.

—Tenho certeza de que o vovô logo melhora e o Ras volta.

Daphne a abraçou com mais força e Damian sorriu.

—Tipo isso, Daphne. – disse ele.

Foram para a aula e Alhena viu Harry e Hermione discutirem um pouco um com o outro. Deu de ombros, pois já fazia muitos anos desde que considerara o trio de ouro de Dumbledore seus amigos. Parecia ter sido em outra vida, aquela viagem para Hogwarts, onde ela não conseguia falar com ninguém, Rasalas se exibia, ela achava Ronald bonitinho e Draco aparecera para roubar seus doces.

Voltou-se para seu caldeirão e se concentrou em sua poção, perguntando quantas vidas diferentes tinha vivido naqueles últimos anos.

Depois de poções era hora de Runas Antigas. Despediu-se de Damian com um beijo gostoso e risadinhas cheias de cumplicidade. Depois seguiu Draco para a sala. Em silêncio, sem trocarem uma palavra.

Draco parecia tão desesperado... acariciou a mão dele e sorriu, tentando confortá-lo. Draco respirou fundo e a puxou para um banheiro qualquer. Logo notou que era o banheiro da Murta. Ele a abraçou e soltou um soluço.

—Eu não vou conseguir.

—Vai sim. Eu sei que vai. – disse o abraçando de volta.

—Não vou... ele vai me matar... ele vai matar a minha família, Lena... – lamentou Draco – Pelo amor de Merlin... me ajude. Eu não vou conseguir sozinho.

—Draco eu não...

Mas Draco ficou de joelhos, a abraçando, parecendo simplesmente desesperado.

—Por favor, Alhena. Não consigo sozinho. Eu já tentei de tudo. Me ajude. Me ajude por favor... – ele estava com os olhos esbugalhados, cheios de água – Pela nossa amizade, Lena... eu te aviso antes de fazer... eu te aviso, a gente some com o Rasalas... esconde ele num buraco... sei lá... só me ajude.

—Draco...

—Lena! Eu estou desesperado. – chorou Draco a abraçando – Eu... eu preciso da sua ajuda! Ele vai matar minha família. Por favor. Por favor.

—Acalme-se! – disse assustada com o comportamento dele – Eu... eu vejo o que posso fazer, ok?

Draco fungou e concordou, com as mãos trêmulas. Ele se levantou e foi até uma pia, lavar o rosto. Mas assim que viu o próprio reflexo, ele começou a chorar de vez, desesperado.

—Ele vai me matar... ele vai me matar...

—Não vai, Draco. Não vai! – disse Alhena com convicção – Você não vai morrer, Draco. Não vai.

Draco se sentou no chão, completamente abalado, tremendo e chorando, assustado. Alhena o abraçou e ele a abraçou de volta.

—Eu... eu não aguento mais... eu não aguento mais...

—Calma, ok? – pediu ela o acariciando nos cabelos. Draco arfou, sem se importar de continuar chorando.

—Eu sou um inútil... eu não consigo proteger a minha família. Todos esperam tudo de mim, Lena. – lamentou ele – Às vezes eu te odeio tanto, que quero te estrangular... outras eu amo você.

—O que? – perguntou confusa. Draco secou as lágrimas com as costas das mãos.

—Eu odeio você, porque foi a sua previsão que deixou a pressão sobre mim ainda pior. Antes ninguém esperava nada de mim, mas agora... agora todos acham que é certeza que eu vou conseguir. Estou destinado a conseguir, mas eu não acho que vou cumprir esse meu destino... eu só consigo pensar no quanto minha família conta comigo... e em como eu vou desapontá-los...

—Draco... é muito injusto o que fizeram com você... – murmurou Alhena, tentando confortá-lo, o acariciando nos cabelos – Eles exigem de você algo que nem o próprio Lorde das Trevas conseguiu...

—Eu sei... eu sei... é por isso... – ele fungou e a olhou – Que eu te odeio e te amo... ao mesmo tempo que sua previsão me condenou... – ele arfou de novo, pegando fôlego – Ela me conforta... me dá esperanças... mas na boa, Lena... – o rosto dele se contorceu numa careta de choro – Eu estou... eu não estou convencido que eu vá...

—Pare, Draco. – disse carinhosamente – Vem cá. – murmurou ela o deitando em seu colo – Nós vamos ficar bem, ok? Eu vou proteger você... nada de ruim vai acontecer com você ou com a sua mãe por causa de uma previsão minha, eu juro.

—E o que você pode fazer, Alhena? – lamentou Draco a olhando com o rosto vermelho. Alhena sorriu e se curvou para beijá-lo na testa.

—Eu vou ajudar... no que eu puder. – prometeu. Draco fungou e fechou os olhos.

—Obrigado, Lena... obrigado mesmo... eu... eu não sei o que fazer...

—Vamos dar um jeito, ok? – perguntou docemente. Draco concordou. Ele abriu os olhos e a olhou com intensidade.

—Você é minha melhor amiga. – murmurou – Mais do que Vince ou Greg... Vince anda tão estranho... desde que minha família perdeu o prestígio... algumas vezes eu me pergunto se ele realmente foi meu amigo alguma vez...

Alhena soltou um suspiro o afagando nos cabelos.

—Draco... você confia em mim? – perguntou ela. Draco concordou com um aceno de cabeça – Você quer que o Lorde das Trevas ganhe essa guerra?

Draco estacou e se sentou a olhando chocado.

—Como pode me perguntar uma coisa dessas? – perguntou ele fechando a cara – É claro que eu quero.

Alhena soltou um suspiro.

—Eu não. – murmurou honestamente – Eu o quero morto e destruído...

Sentiu Draco colocar a mão em sua boca, querendo que ela se calasse.

—Não diga essas coisas, Lena. – ralhou ele. A mão dele saiu de seus lábios e foi para sua bochecha – Não pense nisso.

—Eu sou uma boa oclumente. – disse dando de ombros.

—Mas ele é o melhor legilimens do mundo. Se ele quiser entrar na sua mente, ele vai entrar. – explicou Draco. Ele soltou um suspiro e tocou sua testa com a dele – Não fale essas coisas de novo, ok?

—Draco, você se tocou que está muito perto? – perguntou ela arqueando a sobrancelha. Draco se afastou, sem jeito.

—Foi o momento. – riu ele, triste. Ele soltou um suspiro e se recostou na parede, abraçando os joelhos frouxamente – Pode ir pra aula... eu não estou com cabeça pra isso.

—Vou ficar aqui com você. – disse decidida, mas Draco negou com a cabeça.

—Não. Você precisa ir... pra passar o conteúdo pro Rasalas, quando ele voltar da lua cheia...

Os dois ficaram em um silêncio cheio de constrangimento. Nunca tinha falado da doença de Rasalas com ele.

—Você sabia então... – murmurou.

—Eu, Vince e Greg... – concordou Draco – Mas seu tio ameaçou fazer da nossa vida um inferno caso a gente comentasse com alguém. – Draco jogou a cabeça para trás – E quando Rodolfo Lestrange ameaça você... – ele deu de ombros – Você simplesmente fica quieto.

—Você não iria espalhar isso por ai... – disse Alhena. Draco a olhou de canto de olho.

—Não. Claro que não... eu fiquei um pouco desconfortável perto dele, no início, mas... mas deixei pra lá. Rasalas é meu amigo, sempre foi... – Draco respirou fundo – Nem fiquei chateado quando ele me chamou de maldito traidor narcisista por ter deixado o time pouco antes da partida de quadribol contra a Grifinória.

Alhena o puxou pela orelha.

—Isso foi muito horrível da sua parte. – disse ela, arrancando uma risadinha dele – Vamos. – disse se levantando – Vamos pra aula.

Draco soltou um suspiro e negou com a cabeça, fechando os olhos.

—Pode ir... eu quero ficar um pouco sozinho...

**

Damian soltou um muxoxo.

—Ela e Draco estão cheios de segredinhos. – resmungou enciumado. Rasalas levantou o olhar para a irmã, que conversava num canto afastado com Malfoy, olhando um livro de capa grossa, que provavelmente era da seção reservada. Deu de ombros, sem parecer achar aquilo relevante.

—Eles são amigos. – disse Rasalas. Damian soltou um muxoxo.

—Eu não estou gostando desses dois. Assim tão pertinho... – resmungou.

—Em quem você não confia? Na Lena ou no Draco? – perguntou Rasalas sem parecer muito interessado – Ciúmes existe só quando não há confiança. Eu não grilo da Daphne falar com ninguém. – Damian olhou para a namorada do amigo, que conversava com Travis e Avery, junto da irmã – Porque eu sei que ela gosta de mim e nunca faria algo pelas minhas costas.

Damian suspirou e concordou, emburrado.

—Eu confio na Lena, mas... recaídas acontecem. – resmungou ele, cruzando os braços. Rasalas deu de ombros.

—Você se preocupa demais. E está ouvindo isso do Lestrange ciumento e neurótico.

Damian voltou a fazer sua tarefa de poções, mas ainda estava enciumado. Estava relendo os ingredientes de uma poção do amor que estavam estudando, quando Alhena se sentou ao seu lado e o abraçou.

—Não precisa disso, já me conquistou. – riu ela o beijando na bochecha. Damian sorriu feliz e a encarou travesso.

—Sei lá... você não desgruda do Malfoy... vai saber se vou precisar, não é? – disse com em tom de brincadeira, mas havia um fundo de verdade em sua preocupação.

—Não se preocupe com Malfoy. – riu Alhena o beijando na bochecha de novo – Eu sou só sua, seu bobinho.

—Jura? – perguntou largando as anotações de poções e deitando em cima dela.

—Uhum...

—LI-MI-TES. – ralhou Rasalas – Ou vão fazer o dobro de exercícios no próximo treino de quadribol.

Alhena revirou os olhos, mas Damian riu.

—Eu posso lidar com isso. – disse antes de beijá-la.

Rasalas jogou uma almofada nos dois.

—Vão pro quarto, vocês dois. – ralhou ele.

Damian se deitou no sofá e Alhena se deitou ao seu lado. Com a cabeça em seu peito.

—Você é muito chato, Rasalas. – resmungou Alhena.

—Eu sou muito legal, até onde eu sei. – retrucou o cunhado. Damian sorriu achando graça e Alhena o beijou de novo.

Draco apareceu e se sentou no outro sofá, lendo o livro grosso com muita atenção. Astoria se sentou ao lado dele e espiou, mas ele fechou o livro e a olhou com censura.

—É feio bisbilhotar os outros, sabia? – perguntou ele.

—Quer ser meu par no próximo baile do Slug? – perguntou ela, de maneira direta. Damian olhou para o amigo, que piscou, surpreso.

—Eu? Certeza? – perguntou Draco.

—Claro.

—Assim? Do nada, Astoria? Tem que puxar assunto primeiro... conseguir intimidade... – riu Rasalas. Astoria deu de ombros.

—Eu já mordi a bunda dele. Acho que já somos bastante íntimos. – brincou ela.

Draco deu uma risadinha e a apertou na bochecha.

—Ela tem um bom argumento, Ras. – riu Draco – Claro, Astoria. Eu vou sim. Me sentirei honrado. – disse ele.

—Ótimo. – riu Astoria, beijando Draco na bochecha, rapidamente e se levantando em seguida, voltando aos pulinhos para o dormitório.

Draco piscou algumas vezes, tocando a própria bochecha, surpreso, mas em seguida sorriu. Ele voltou a se sentar mais confortavelmente e abriu o livro mais uma vez. Damian sorriu para ele e olhou para Alhena, que parecia simplesmente contente.

—Alhena. – chamou baixinho. A namorada o olhou curiosa – Vamos para a beira do lago? Tomar um sol... daqui a pouco temos aula de Herbologia mesmo.

—Ok. – riu Alhena.

—Vamos também, Rasalas? Tomar um sol? – perguntou Daphne. Rasalas levantou o rosto e deu de ombros.

—Se a gente não ficar sobrando. – disse simplesmente.

—Damian podia levar o violão. – riu Daphne – Adoro quando você toca, Damian. – riu ela bagunçando seus cabelos.

—Toca a minha música de novo, por favor? – pediu Alhena, fazendo biquinho.

—É claro. – riu se sentando. Beijou os lábios dela e olhou para Rasalas – Vamos lá, rapaz. Você tá precisando de um sol.

—Eu sei. – resmungou Rasalas dando de ombros.

Guardaram suas coisas e deixaram Draco estudando. Blair cogitou ir, mas ao notar que ficaria sobrando, preferiu ficar e paquerar Amélia Flint.

Os dois casais foram para o lago. Apesar de estar fazendo um dia de sol, o vento batia gelado contra seus rostos. A primavera tinha chegado, mas o calor ainda estava escasso. Passaram por Potter, Weasley e a namorada, Brown, mas Rasalas só os cumprimentou rapidamente.

Se sentaram na beira do lago e Damian conjurou o violão que tinha comprado com suas economias. Seu pai não tinha gostado muito de descobrir que comprara pra si mesmo, mas não criou muito caso. Ele estava satisfeito por estar namorando Alhena.

Dedilhou o violão e cantou a música que tinha composto para a namorada. Depois cantou algumas músicas bruxas, que tinha aprendido a tocar sozinho. Alhena cantava com ele, já que tinha uma voz muito bonita. Daphne também, mas Rasalas preferiu ficar quieto, pois não cantava bem.

Depois foram para a aula de Herbologia, que estava simplesmente aborrecida. Voltaram para a beira do lago, assistiram o por do sol ali e quando começou a escurecer, voltaram para o salão comunal. Draco ainda estava no sofá, estudando o mesmo livro. Alhena se sentou ao lado dele e os dois conversaram aos cochichos, fazendo Damian fechar a cara. Levou um soquinho de Rasalas, que ria de seu ciúmes.

—Então. Eu vou levar a Daphne pro nosso dormitório. – disse o cunhado.

—Ok... eu durmo no feminino. – disse Damian dando de ombros.

Tinham concordado em sempre avisar onde dormiriam para não acontecer novamente a constrangedora situação de levantarem só de cuecas, juntos. Era estranho. Simples assim.

—Boa noite. – disse Rasalas.

—Ei, Ras. – murmurou Damian. O colega o olhou, abraçado com a namorada – Pode só me encontrar a sós no nosso dormitório... só um minutinho?

Rasalas deu de ombros e beijou a namorada no rosto. Alhena ainda estava de papo com Draco, então Damian não falou com ela. Apenas foi para o dormitório com o cunhado. Estava vazio, graças a Merlin. Fechou a porta quando o amigo entrou, a trancando com um feitiço e a deixando a prova de som. Rasalas o olhou curioso e Damian foi até seu malão.

Já tinha algum tempo que queria fazer aquilo, mas nunca se sentia confortável. Sempre esperava que Rasalas fosse confessar... mas cansou de esperar. Precisava fazer aquilo antes da próxima lua cheia.

Pegou uma caixa pequena, cheia de ervas e a entregou para Rasalas. O amigo o olhou sem entender.

—Na próxima lua cheia, faz um chá disso ai... vai te deixar anestesiado... – murmurou constrangido – E não corta o efeito da poção mata-cão.

—O... o que? – perguntou Rasalas com um sorriso nervoso – Do... do que você... do que você está... – Rasalas olhou para os lados, com os olhos inquietos – Mata-cão? Que viagem! Por que eu iria...

—Eu não sou idiota, Rasalas. – disse simplesmente. Andou até o amigo e colocou a mão no ombro dele – E isso não muda nada entre nós. Você é meu melhor amigo. Se Greg e Vince estão sendo idiotas com você, quem perdem são eles. Você é o melhor amigo que alguém poderia querer.

Rasalas respirou fundo e baixou o olhar para a caixa.

—Obrigado... – disse. Damian o abraçou e Rasalas o abraçou de volta – Desculpe por não contar... eu fiquei...

—Está tudo bem. – cortou Damian dando um tapinha em suas costas. Em seguida o largou e coçou a cabeça – De verdade, cara. Na próxima lua eu te dou mais.

—Obrigado. – murmurou Rasalas colocando a caixa no bolso do casaco do uniforme – Você é um amigo de verdade, cara. – suspirou Rasalas. Damian sorriu colocando as mãos nos bolsos – Ou só está compensando por estar desvirtuando minha irmãzinha? – perguntou Rasalas com um sorrisinho.

—Isso não tem nada a ver com a sua irmã. – disse solenemente. Mas então se virou e mexeu novamente no malão. Tirou de lá uma caixa de Delícias Gasosas – Mas pode ficar com isso aqui, agora que eu vou dormir com ela. – disse sorrindo e jogando os doces para o amigo.

—É isso que vale desvirtuar minha irmã? Estou um pouco ofendido.

—Lena não tem preço, Rasalas. Eu poderia dar a loja da minha família, que não seria o suficiente... então pode ficar com minhas Delícias Gasosas. – riu Damian. Rasalas riu e deu de ombros.

Voltaram para o salão comunal. Draco ainda estava estudando, mas Alhena estava com Daphne. Damian a abraçou por trás e a beijou no cangote.

—Vou tomar um banho e depois te encontro na sua cama, ok? – perguntou ele.

Alhena sorriu e concordou.

—Ok. Eu vou tomar banho também, então. – disse Alhena.

Damian correu para o banheiro para se lavar, logo Draco apareceu, para fazer o mesmo, assim como Rasalas. Blair apareceu quando já estavam saindo. Daphne estava deitada de camisola na cama de Rasalas. O amigo entrou na cama e fechou as cortinas. Damian foi para a própria cama, para colocar um pijama. Estava colocando a cueca, quando as cortinas se abriram de uma vez. Se escondeu com o travesseiro e olhou assustado, mas era só Pansy, que o olhava com divertimento.

—Olá, queridinho. – riu ela.

—Credo, Pansy. Não dava pra esperar? – perguntou ele, fechando a cara.

—Não. – riu ela subindo na cama.

—Pansy, estou só de cueca. – disse sentindo uma leve vertigem na barriga.

—Nada que eu nunca tenha visto. – ela tirou um papelzinho do bolso e entregou para ele, junto com uma sacolinha – Tome. Preciso disso com pressa. Quanto antes, melhor. – riu ela.

Damian piscou e concordou pegando o papel e a sacolinha, que parecia cheia de moedas. Pansy engatinhou até ele e o fungou no pescoço.

—O que está fazendo? – perguntou franzindo a testa, se arrepiando inteiro.

—Eu só tava com saudade do cheiro do seu perfume. Você é tão cheirosinho. – riu Pansy, em seu ouvido. Ela o beijou na bochecha e passeou o nariz por sua orelha. Sentiu-se desconfortável com ela, mas Pansy logo saiu, lhe lançando uma piscadela – O quanto antes, heim? – perguntou ela girando o cordão do robe.

Ela caminhou para fora do dormitório, com aquele gingado bonito de olhar. Respirou fundo, confuso com a última atitude dela. Ela nunca mais tinha flertado com ele, não desde que tinham terminado (precisava admitir que tinha sido grosso com ela). Mas então, do nada, ela agia daquele jeito, todo sexy, pra cima dele.

Deu de ombros, sem entender coisa alguma e voltou a colocar o pijama. Foi para a cama de Alhena e fechou as cortinas, esperando por ela. Quando a namorada chegou, pulou e cima dele, para beijá-lo com carinho.

—Ei. – sussurrou ela. Damian a olhou com um sorriso satisfeito – Sabe o que eu queria fazer, qualquer dia?

—O que? – perguntou ele.

—Quando estiver perto das férias. – riu Alhena.

—Diga. – murmurou pegando a varinha e deixando-os isolados acusticamente. Alhena corou de leve e se sentou em seus quadris. Damian sorriu de um jeito safado, mas curioso, passeando as mãos pelas coxas grossas da namorada.

—Eu meio que queria fazer uma loucura. – riu ela.

—Qual? – perguntou se sentando com ela no colo. A beijou no pescoço, com desejo, a empurrando para baixo, adorando sentir a fricção dela contra si. Alhena retirou a camisola e ele soltou um suspiro de satisfação ao ver os seios dela. Os tocou de leve, brincando com os mamilos rosados, que ele tanto gostava de admirar.

—Eu quero fazer sexo dentro do lago. – disse Alhena

Sentiu um calafrio percorrer sua espinha e o tesão o atingiu com a força de um balaço. Olhou para Alhena, apenas imaginando a situação. Ambos nu, dentro do lago, Alhena com as pernas ao redor de sua cintura, enquanto os corpos moviam-se em harmonia, num ritmo constante.

Alhena o olhava com expectativa e ele deu o maior sorriso de sua vida.

—Ok... você acabou de me dar uma fantasia. – disse olhando excitado para ela – Quando vamos fazer isso mesmo?

—Antes das férias, quando a temperatura aumentar e o risco de morrermos congelados for menor. – riu Alhena, contente – Não... não está me achando vulgar, está? – perguntou ela um tanto insegura. Damian sorriu e a beijou com carinho.

—De jeito nenhum, Lena... eu te acho perfeita. – ele girou o corpo para colocá-la por baixo – Toda perfeita e toda minha. – riu ele a beijando na mão – Você é tudo o que eu sempre quis... só demorei um pouco pra sacar isso...

Alhena sorriu parecendo completamente feliz e o abraçou com força. Eu simplesmente amo essa garota... pensou consigo mesmo.

***

A Sonserina derrotou a Lufa-Lufa. E mais uma vez a Sonserina entrara na briga pela Taça de Quadribol. Draco quase nunca era visto no salão comunal e ninguém fazia a menor ideia de onde ele estaria.

Astoria ainda carregava o pomo na mão. O pomo que tinha capturado, substituindo o loiro. Andava pelos corredores, procurando por ele, para agradecer pelas dicas que ele lhe tinha dado. Mas simplesmente não encontrava Draco em lugar algum. Já tinha vasculhado o castelo praticamente inteiro... estava para desistir quando o viu passar pelo corredor do sexto andar.

—Draco! – disse animada. Ele piscou e a olhou parecendo simplesmente exausto – Hei! Draco.

—Olá. – murmurou ele olhando para sua mão – Ganhamos? – perguntou ele.

—Sim! Ganhamos. Não foi ver o jogo? – perguntou ela, um tanto magoada – Não foi me ver sendo maravilhosa no seu lugar?

Draco deu uma risadinha desdenhosa, que era simplesmente típica dele.

—Estava fugindo do olhar carrancudo do Rasalas. Ele está puto comigo... por eu ter saído do time... mas já que você ganhou, ele deve parar de me culpar por estragar o time dos sonhos.

Astoria deu uma risadinha e Draco encostou as costas na parede.

—Bem. Eu queria te dar o pomo. – riu ela, erguendo a bolinha de ouro.

—Você sabe... o correto é devolver o pomo depois da partida. – riu Draco.

—Mas você sabe, né? – riu Astoria colocando as mãos para trás e sorrindo de maneira travessa – É o meu primeiro pomo de ouro e... eu aprendi com você que pomos somem com muita facilidade...

Ela sabia bem que Draco nunca devolvia os pomos que pegava. Ele sempre pagava uma multa para a escola comprar outro.

—Cabe ao apanhador lidar com isso. – riu Draco. Astoria se aproximou mais um tiquinho dele, achando os olhos azuis acinzentados dele simplesmente maravilhosos. A barba por fazer dele desenhava um cavanhaque perfeito ao redor de sua boca, que tinha aquele típico sorrisinho desdenhoso – Mas acho que não é um preço muito alto. Só não entendi... por que quer me dar o pomo? – perguntou ele arqueando a sobrancelha.

—Porque... – se aproximou mais um pouquinho e notou os olhos dele percorrerem seu corpo com desejo. Sentiu-se calorenta com o olhar dele, desejando mais do que nunca ser beijada por aquele garoto que sempre fizera seu coração bater mais rápido – Você quem me deu todas as dicas, pra ser uma boa apanhadora.

Draco deu uma risadinha e estendeu a mão. Ela colocou o pomo na mão dele e sentiu um frio na barriga ao ser puxada para junto dele. Draco a puxou até que seus corpos ficassem completamente colados.

—Não quero um pomo. – riu ele. Respirou fundo e achou que morreria quando ele finalmente lhe roubou um beijo naquele corredor vazio.

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Residência de Emily Valentine

Rabastan olhou pela janela, sentindo o ar frio da noite em seus pulmões. Emily dormia nua no sofá, embaixo de um cobertor que ele tinha buscado no quarto dela. Estava com um pressentimento muito ruim, mas não sabia explicar o que era. A última vez que sentira aquilo, fora logo antes de pedir que Rodolfo fosse avisar para Emily que ele estava bem...

Na ocasião ficou tão angustiado com aquela sensação, que não conseguiu ir para a missão sem pedir que Rodolfo fosse falar com Emily, para explicar que ele logo voltaria para ela...

—E tudo desandou, naquela vez... se eu tivesse ficado quieto... – Soltou um suspiro e olhou para a mulher, que dormia, tranquilamente.

Emily estava estranha, era essa a verdade. Ela estava suspirando demais, parecendo nervosa, agitada. Será que ela também sentia? Aquela sensação agourenta?

Pensou em Rasalas, na visão que Alhena tinha tido. Se Rasalas morresse... Alhena nunca iria superar aquilo. Se ele morresse, ela se culparia por toda a vida... Ficou se repetindo que os dois estavam a salvo, na escola... mas a verdade era a que não sabia o quanto disso era verdade.

Alhena vira comensais na escola... Bella estava convencida de que o sobrinho conseguiria um meio de deixar os comensais entrarem na escola...

Rabastan soltou um muxoxo e olhou novamente para Emily. Tinha vindo de surpresa e ela parecera levemente nervosa quando ele apareceu. Mas acabaram ignorando isso e transando em cima da mesa. Andou até ela, se perguntando o que poderia ter acontecido. Algo estranho tinha ali. Podia sentir.

E tinha começado no dia em que ele pedira um filho pra ela. Será que ela estava imaginando que ele queria um agora? Tinha dito aquilo no calor do momento. Não era algo sensato, ter filhos... estavam em guerra.

A sala pareceu apertada demais. Rabastan saiu da janela e foi para o quarto de Emily. Achou um caderno de desenhos dela, cheio de rascunhos para vestidos. O deixou na escrivaninha e tirou a camisa, o cinto, as calças e a roupa de baixo. Precisava de um banho. Um banho para se distrair.

Mas aquela sensação estranha ainda estava ali. O que seria? O que seria?

Entrou no banheiro, desejando apenas tomar um banho. Estava para entrar no boxe, quando viu alguns vidrinhos. Frascos de poção. Piscou curioso e viu um azul escuro.

—Chá de lua. – murmurou dando de ombros, mas não conseguiu parar de olhar o vidro. O segurou, curioso e notou que a borda do frasco estava suja de sangue. Por que estava suja de sangue? Haviam outros como aquele, espalhados pelo banheiro, todos sujos de sangue em alguma parte. Engoliu em seco, olhando ao redor – É só chá de lua... – murmurou sentindo-se zonzo. Algo dentro dele se remexia de nervosismo.

Achou uma caixa vazia, com o selo de um empório de poções qualquer. Colocou todos os vidrinhos dentro dele e notou que eram um conjunto. Ela deve comprar pronto... só isso... achou aquilo estranho, pois Emily sempre fizera suas poções... nunca precisara comprar aquilo... era uma receita fácil e caseira pra qualquer bruxa...

Mas aquela caixa, ela havia comprado... olhou a caixa, querendo encontrar alguma coisa que o fizesse parar com aquela sensação de agonia. Fechou os olhos, deixando a intuição lhe guiar. Saiu do banheiro e voltou até o caderno de desenho de Emily. O folheou aleatoriamente, sem saber o que procurava, quando uma nota caiu de dentro do livro.

Uma onda de euforia o tomou, como que sentindo que era aquilo. Aquilo era o que estava procurando. Se abaixou, ainda segurando a caixa de poções. Largou o livro no chão e pegou o pedaço solto de papel. Se levantou, passeando os olhos pelo papel. O nome da loja, um preço anotado, alguns poucos sicles... E então “teste de gravidez”.

Seu estômago deu uma volta completa e ele olhou os frascos azuis. O que significava azul escuro? Positivo? Todos estavam azuis... todos...

Saiu do quarto com os frascos e a nota na mão e foi até a sala, onde Emily dormia calmamente. Estava assustado. Por que estava assustado? Não era o que ele queria? Mas não agora... céus, Emms... não agora... eu tenho um péssimo pressentimento... um péssimo pressentimento...

—Emms... – chamou com a voz rouca e tremida – Emms, acorde.

Emily revirou no sofá e colocou o braço sobre os olhos.

—O que foi? – perguntou ela com a voz rouca e cheia de sono.

—Você está grávida? – perguntou assustado.

Emily tirou o braço do rosto e o olhou com os olhos apertados e inchados pelo sono. Mas assim que ela viu a caixa, ela pareceu despertar de uma vez. Rabastan a observou sentar, como que em choque, o olhando com algo parecido com culpa. Os dois se encararam longamente, sem falar nada. Mas então, depois de um tempo, ela desviou o olhar e concordou em silêncio.

—Eu... eu esqueci de tomar a poção... foram tantos anos sem me preocupar com isso... foi culpa minha... – murmurou ela.

Rabastan colocou a caixa e a nota em cima da mesa de centro. Ele olhou para a mulher e se ajoelhou entre as pernas dela, a beijando na barriga. A abraçou ao redor da cintura.

—Não podem saber que é meu... – murmurou com um nó na garganta. Ele olhou para ela, com pânico – Ou meu disfarce vai ficar comprometido.

—Eu... eu imaginei isso. – murmurou ela – Eu... eu posso falar com Lupin... nós tivemos...

—Não. – cortou Rabastan – Lupin é um lobisomem. Eles vão caçar você... Rodolfo vai caçar você, ou Bellatrix. Não quero te expor ainda mais... – murmurou ele – Precisa ser outra pessoa.

Emily engoliu em seco.

—Eu... eu posso me disfarçar... não contar pra ninguém. – murmurou ela. Rabastan a olhou franzindo a testa – Eu posso fingir que não estou... grávida.

Quando ela falou aquilo, um pânico ainda maior o tomou. Seria pai novamente. Achou que ficaria feliz, mas só ficou preocupado. Encostou a testa na barriga dela e suspirou. A acariciou na cintura, olhando para a barriga cheia de cicatrizes.

—Não tire. – pediu ele, levantando o olhar para ela – Por favor...

—Não vou. – respondeu ela o acariciando nos cabelos – Desculpe não ter te contado... eu... eu tive medo que isso o desconcentrasse... você já está assumindo um risco tão grande... – lamentou ela. Rabastan engoliu em seco e colocou a mão na barriga dela, preocupado.

—Vou precisar tomar mais cuidado... mas eu sei que vou conseguir... – murmurou ele. Emily soltou um suspiro e colocou a mão sobre a dele.

—Você pode sorrir, por favor? – perguntou ela, timidamente. Rabastan respirou fundo, ainda com aquela sensação agourenta em seu peito. Mas deixou isso de lado por um tempo. Levantou o olhar para Emily e sorriu. Sorriu pois, pela primeira vez, teria a chance de ser um pai. Desde o início... mesmo que tivesse que ser às escondidas – Obrigada. – riu Emily e Rabastan respirou fundo, encostando novamente a cabeça na barriga dela. Seu legado estava ali... parte dele, ao menos.

—O que acha que Rasalas e Alhena vão pensar disso? – perguntou ele, com um sorrisinho contente, apesar de tudo.

—Alhena vai ficar feliz... ela estava sugerindo que deveríamos arrumar um irmãozinho pra eles... – riu ela.

Rabastan sorriu novamente e se levantou a puxando pra ele. A beijou com carinho e dançou sem música com ela. Precisavam ganhar aquela guerra... e precisava ser o quanto antes... o quanto antes...


Draco Malfoy



Notas finais
Mais um Lestrange encomendado!!!!! Menino? Menina? O que vocês acham? O que vocês sugerem? Digam nos comentários =D Beijos e até a próxima (se rolar 6 comentários, eu posto mais um capítulo!)